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Uma arte nova Na tradução literal, a expressão francesa art nouveau equivale, em português, a arte nova. O nome caracterizou uma importante escola de design do século XX. Influenciou os mais diferentes artistas, do cartazista Henri de Toulouse-Lautrec ao designer de joias René Lalique, entre tantos outros. A proposta dos alunos de Comunicação Social para este número da revista-laboratório Talento também foi, de certa forma, um tipo de arte nova. Todas as páginas foram desenhadas de forma a reproduzir as linhas-mestras e a tipologia art nouveau, tão comuns nas décadas de 1900 a 1920. O desafio foi casar textos e fotos atuais com padronagens antigas, proporcionando uma leitura agradável ao leitor. Um exercício proposto pelos professores que integram o Núcleo Editorial do Curso de Comunicação Social do Centro Universitário Vila Velha (UVV), que contou com a adesão imediata de alunos das habilitações Jornalismo e Publicidade e Propaganda de diferentes períodos. O cotidiano do bairro da Glória, em Vila Velha, é um dos principais temas desta revista-laboratório Talento que chega às suas mãos. Nela, o leitor também encontra diferentes entrevistas e um ensaio fotográfico. Tudo produzido pelos estudantes. O Núcleo Editorial dá, portanto, continuidade ao projeto iniciado no número anterior, que circulou em abril deste ano. Nele, os alunos trabalharam os conceitos do Psicodelismo, tendência que esteve em voga nos anos 1960. A atividade terá sequencia no próximo semestre, com outras escolas de design a serem escolhidas pelos próprios alunos. Flávia Arruda Rodrigues Professora Orientadora

Flávia Arruda Rodrigues

A professora Elizabeth Nader (à esquerda) e os alunos de fotojornalismo Junnia Cunha (no centro), Rafael Reis, Marcieli Bizi e Aubrey Effgen se protegem da chuva que, repentinamente, cai sobre o bairro da Glória. Parte do resultado desta atividade pode ser conferida nas páginas centrais desta edição da revista-laboratório Talento.

EXPEDIENTE Centro Universitário Vila Velha - ES Rua Comissário José Dantas de Mello, 15, Boa Vista - Vila Velha -ES-CEP: 29102-770 Reitor Manoel Ceciliano Salles de Almeida Vice-Reitora Luciana Dantas da Silva Pinheiro Pró-Reitor Acadêmico Paulo Régis Vescovi Pró-Reitor Administrativo Edson Franco Immaginario Pró-Reitora de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Danielle Bresciani Diretor de Graduação Nilton Dessaune Filho Coordenador de Jornalismo Rodrigo Cerqueira Professora Orientadora Flávia Arruda Rodrigues

O Talento é uma produção do NÚCLEO EDITORIAL DA UVV Monitores do Laboratório Gabriel Borges e Mário Azevedo Estagiários do Laboratório Gisele Porto Ribeiro, Lauro Assis e Mariana Cicilioti Textos Alunos da turma J3M Ensaio Alunos das turmas J5M e J5N Profª Orientadora de Fotojornalismo Elizabeth Nader Capa Arte do professor Marcos Spinassé sobre foto do aluno de fotojornalismo Rafael Reis Supervisão de Design Gráfico Marcos Spinassé Tiragem 500 exemplares


“O bullying tem de ser levado a sério”

Entrevista

Larissa Ambrósio

Por Mário Azevedo

O vídeo que mostra a reação de um menino australiano frente às provocações que vinha sofrendo na escola pelos seus "colegas" ficou mundialmente famoso e comentado. Desde então, o bullying ganhou destaque na mídia e vem sendo tema de palestras, debates e reportagens. Na entrevista a seguir, a psicóloga Larissa Ambrósio, especialista em comportamento e distúbios da mente, esclarece dúvidas sobre essa prática intimidadora que é o bullying.

E qual o perfil de uma pessoa que sofre o bullying? LARISSA: Geralmente, as vítimas de bullying são crianças com baixa autoestima e retraídas, tanto na escola quanto no lar. Elas também tendem a se isolar de todos, até da família. E é devido a essas características que se torna difícil a reação por parte de quem sofre a agressão. No caso do garoto australiano, o que você acha que o levou a reagir? LARISSA: Como em todas as histórias de bullying, Primeiramente, o que é bullying? LARISSA AMBRÓSIO: Bullying tem um significa- acredito que a reação do garoto é o resultado de um do muito vasto mas, dentro dessa totalidade, podemos processo de humilhação que começou anos antes. Em resumir que é todo tipo de tortura física e psicológica seu depoimento, ele conta que sofria agressões havia de que são vítimas as crianças e jovens que têm como mais de três anos e explica que todo o medo e a raiva que sentia o levaram a uma explosão de agressiviagressores seus próprios colegas. dade. Reagir ao bullying é um passo importante no Qual o perfil de um bullie? LARISSA: Já é comprovado por pesquisas que os combate ao problema. Indignar-se e reagir são ações praticantes do bullying tem uma personalidade au- fundamentais para que a criança aprenda a lidar com os medos e consiga se impor. toritária e uma forte necessidade de sentir que estão no controle da situ- “Bullying é todo tipo O caso de Wellington Meneação. Eles querem ser populares, se de tortura física e zes, o atirador que assassinou sentirem poderosos e ter uma boa psicológica de que são 12 crianças no Rio de Janeiro, imagem deles mesmos. Os bullies vítimas as crianças ou foi relacionado ao bullying. O são pessoas que não aprenderam a jovens que têm como transtorno pode levar a atos transformar sua raiva em diálogo e agressores seus próprios extremos como esse? LARISSA: O caso do Wellington para quem o sofrimento do outro não colegas” é um pouco diferente. Ele sofria é motivo para ele deixar de agir. Uma curiosidade interessante é que o bullying só aconte- de esquizofrenia, uma doença na qual o paciente cria ce se a criança que o pratica tem plateia. Ela precisa um mundo paralelo para si. Mas ele também era uma mostrar para as outras pessoas que é superior, muitas vítima do bullying. Isso só agravou mais o quadro de esquizofrenia dele e o ajudou, sim, a chegar ao ponto das vezes por ela mesma se sentir inferior. E essa plateia, pode-se dizer que também pratica de assassinar aquelas crianças. Como as escolas, que são os locais onde a incidênbullying? LARISSA: De certa forma, sim. Mesmo sem partici- cia de bullying é maior, podem tratar desse assunpar, quem assiste à cena e quem usa os meios digitais to com os alunos? para divulgá-la legitima a agressão e dá força para LARISSA: Primeiramente, é importante analisar a que ela aconteça. Como eu disse, a plateia é funda- questão pelos dois lados. Ou seja, pelo lado do agresmental no bullying. É comum pensar que só haja dois sor e do agredido. Levar os alunos a refletirem sobre envolvidos: o autor e o alvo. Mas há terceiros. No como a situação chegou a tal ponto. Também é necaso, o espectador. Ele se torna uma testemunha do cessário mostrar aos alunos a gravidade do problema fato, pois não sai em defesa da vítima e nem se junta e levá-los a pensar sobre as consequências de "brinaos autores. Isso pode acontecer por medo de tam- cadeiras" e humilhações que se repetem no dia-a-dia da escola. Tomando por exemplo o caso do menino bém ser alvo de ataques dos bullies. O praticante de bullying, pode ter esse comporta- na Austrália, o professor pode refletir com os seus alunos sobre a história, a fim de evitar justificar o mento por causa de problemas familiares? LARISSA: Sim, com certeza. Normalmente, ele tem que foi feito. Fazer com que a turma entenda que o uma relação familiar na qual tudo se resolve através bullying leva a atitudes extremas e que é algo que da violência verbal ou física e ele reproduz isso no precisa ser levado a sério. ambiente escolar, por exemplo.


Entrevista

Por Gisele P. Ribeiro

Yara Santos Rosetti

“A beleza é algo difícil de se definir: brota internamente e, depois, aflora” Antigamente, os profissionais dermatologistas trabalhavam basicamente tratando doenças. Isso mudou. Hoje em dia, o cuidado estético está em alta e a procura por tratamentos dermatológicos aumentou drasticamente. Foram criados tratamentos que podem ajudar a melhorar casos de pessoas que, durante a juventude, não souberam cuidar da pele. A dermatologista Yara Santos Rosetti esclarece, nesta entrevista, algumas dúvidas a respeito desses tratamentos. Explica, ainda, os cuidados que devem ser tomados no dia-a-dia. Dra. Yara, quais são as preocupações mais frequentes de seus pacientes? YARA SANTOS ROSETTI: São referentes à beleza. Do total, 70% deles me procuram para tratar problemas de acne. Geralmente são adolescentes que, por razões estéticas, querem cuidar da pele. A segunda maior preocupação é a queda de cabelo. Se uma jovem de 18 anos chegasse em seu consultório dizendo que precisa de produto para a pele, mas que só tem dinheiro para comprar um, qual você recomendaria? YARA: O filtro solar. Hoje em dia, ele não tem só a função de proteger a pele contra os danos do sol. Em sua composição, existem produtos que ajudam no rejuvenescimento da pele. É um produto extremamente necessário. Deve ser usado todos os dias. Hoje em dia, o mercado dermatológico está em alta. Quais foram os fatores levaram a isso?

YARA: Antigamente, a dermatologia tratava doenças. Quando os problemas causados pelos danos do sol tornaram-se aparentes, a dermatologia desenvolveu tratamentos. Com as pesquisas sobre os danos que o sol causava na pele, foram estudados vários medicamentos dermocosméticos. Produtos que podiam amenizar as linhas de expressão, laseres de rejuvenescimento e depilação a laser, por exemplo. Mas o progresso não foi só estético. Tratamentos para doenças também foram melhorados. O laser passou a ser usado para tratar vitiligo. Na verdade, os tratamentos a laser foram inicialmente criados para |tratar questões estéticas. E quais são os prós e contras desse “boom” dermatológico? YARA: Entre os contras, estão a busca frenética pela beleza exterior. Para mim, a beleza precisa vir de dentro. O que acontece é que profissionais não-qualificados realizam procedimentos deformando ou queimando o rosto de pacientes. O mercado dermatológico é visto como uma “galinha dos ovos de ouro”. Um profissional consciente tem que fazer o que entende. Fazer usando o tempo que for preciso para que o tratamento seja bem feito. A obrigação do profissional é o bem-estar do paciente. Houve uma banalização da estética. Os pacientes devem observar seus médicos e ver o nível de dedicação. Prestar atenção se o médico explicar ou não os procedimentos e deixar o preço de lado, pois preço nem sempre é qualidade. Os pontos favoráveis estão na evolução da tecnologia. O paciente sente menos dor nos procedimentos, tem mais segurança de resultados sem muitas complicações. As substâncias têm maior qualidade e segurança sem tantos efeitos colaterais. A palavra chave, agora, é segurança. Chegar ao resultado sem complicações. Há reclamações de profissionais de sua área a respeito de outros profissionais que tornaram-se pretensos dermatologistas. Não são credenciados. Como isso afeta sua profissão? YARA: Esses profissionais não qualificados degrinem a profissão. Os procedimentos sem qualidade mancham o nome da dermatologia. Não é justo com os profissionais registrados. Ser dermatologista é estar registrado no Conselho Regional de Medicina. Para isso, ele precisa ter o título de especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia ou ter feito três anos de residência médica em dermatologia. Só nessas condições pode-se registrar como tal. Eu faço parte da


Comissão de Ética da Sociedade de Dermatologia do Espírito Santo. Conforme o artigo 4º da Resolução nº 1634/2002 do Conselho Federal de Medicina, “o médico só pode declarar vinculação com especialidade ou área de atuação quando for possuidor do título ou certificado a ele correspondente, devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina”. No site www.crm-es.org.br, é possível encontrar todos os profissionais registrados do estado, não apenas na área de dermatologia mas em qualquer área da medicina. Assim como a tecnologia avançou, também a dermatologia registrou inovaões. Hoje, utiliza métodos tecnológicos para tratar os pacientes. Que tratamentos são esses, e quais são suas vantagens ou desvantagens, se comparados aos métodos usados no passado? YARA: O grande avanço tecnológico foram os laseres, que continuam se aprimorando. Antigamente, podiam tanto melhorar quanto piorar a pele do paciente. A vantagem de hoje é a maior segurança das máquinas, de tratar a pele e proteger ao mesmo tempo. A qualificação do funcionário que a opera também é importante para que seja usada com segurança. Porém, todo avanço científico tem seu custo. Antigamente, comprava-se uma máquina para executar cada função. Hoje em dia, é possível realizar várias funções com uma mesma plataforma. O preço dos tratamentos aumentou consideravelmente mas é o preço que se paga pela tecnologia avançada e de qualidade. Aparentemente, nos dias de hoje, muita gente se preocupa mais com a estética do que com a própria saúde. O que você recomenda aos pacientes que desejam passar por variados tratamentos estéticos? YARA: Saúde é um bem-estar físico, mental, emocional e espiritual. Para mim, beleza é tudo que vai além da aparência física, a beleza tem que nascer do interior. E a estética veio para se aprender, com equilíbrio, a envelhecer bem, pois é algo que não se deve lutar contra, é natural. É preciso achar meios para passar por essa fase de forma harmônica. A beleza é algo muito difícil de se definir, brota internamente e depois aflora externamente. Segundo o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, “belo é o que tem harmonia em suas formas, o que não choca a visão, que não destoa no seu conjunto – um conceito muito mutável, variando conforme a época”. O que recomendo a meus pacientes é procurar ter equilíbrio emocional, entender o procedimento que vai fazer e ter expectativas realistas em relação a ele. Muitos pacientes me procuram com expectativas irreais. Meu trabalho é , também, prepará-los para aceitar que nem tudo pode ser feito e os resultados podem não ser exatamente aqueles que eles esperam obter.

Qual foi a Glória de Vasco Fernandes Coutinho? Junnia Cunha

O bairro da Glória visto do alto: moradores e visitantes não conhecem as origens do lugar

Poucos realmente conhecem a história do Espírito Santo. Portanto, não seria ousado dizer que pouquíssimos conhecem a história da cidade de Vila Velha. Fomos nós, os canelas-verde, a quem os portugueses encontraram antes de chegar ao município vizinho, Vitória. Assim, é impossível não ter à mente a pergunta: mas se Vila Velha é mais antiga que Vitória, por que é menos desenvolvida? A questão central é a história do nosso estado. No livro “O capitão do fim”, o historiador Luiz Guilherme Santos Neves, explica que Vasco Fernandes Coutinho era um capitão português que recebeu do rei João III estas terras como capitania. Veio para o Brasil, mais precisamente no litoral Sudeste do país para possuí-las como donatário. Trouxe consigo os degredados que passaram a fazer parte da população, e que se miscigenaram aos índios que já moravam aqui. O capitão português pôs os pés inicialmente no que hoje é Vila Velha. Seu navio atracou na Praia do Ribeiro e foi lá que tudo começou. O que o rei não sabia, segundo o livro, era que o donatário a quem estava confiando às terras era um sujeito de vícios e pouco trabalho. Ao que parece, a vida de Vasco Fernandes aqui no Brasil foi de mal a pior, e a capitania não vingou como tal. A capitania fracassou. Vasco Fernandes acabou sendo excomungado por Dom Pero Fernandes Sardinha. A partir daí, o capitão só teve desgostos, vindo a falecer. A capitania ficou a Deus dará. A beleza natural de Vila Velha encanta os moradores e turistas. A aposentada Berta Paixão Pereira diz que quando sai do estado e fala de onde veio, as pessoas logo citam a Glória e dizem que já passaram por lá e tem muitas fábricas, o comércio é bem amplo. Berta também citou a importância histórica do lugar, mesmo não a conhecendo. O tatuador Sérgio Emanuel, que frequenta a Glória diz que não conhecia a fundo a história de Vila Velha, mas contou um pouco o que aprendeu na escola: “Quando os portugueses chegaram aqui, eles pisaram primeiro em Vila Velha, na Prainha”. Ele disse que o capixaba pouco sabe da sua história. “E isso é ruim até para o turismo”, acrescenta. Ana Clara Nicolau


Glória!

Fernanda Augusta

Amanda Léllis

O bairro da Glória é um dos maiores polos comerciais do município de Vila Velha. Lá, a atividade econômica está concentrada no varejo e no atacado. Os alunos da professora Elizabeth Nader fotografaram cenas do cotidiano desse bairro tão importante para a economia capixaba.


Alessandra Santiago

Simone Justino

Marcieli Bizi


Entrevista

por Alessandra Santiago

Rossini Macedo

“Tive que enfrentar todos os nãos para me firmar no rádio e na TV do Espírito Santo” O humorista Rossini Macedo, mais conhecido por seu personagem Tonho dos Couros, atualmente reside em Vitória. Seu sotaque não nega as origens do típico nordestino que é. Nascido na cidade de Picuí, na Paraíba, ele trabalha como profissional de humor há 14 anos. Ao longo de todos esses anos, Rossini tem acumulado inúmeros prêmios. Com o repertório de 16 personagens que compõe seu show, ele destaca Tonho dos Couros como o principal. Aos 30 anos, você decidiu deixar a profissão de empresário e investir tudo o que tinha em sua carreira de humor. Quais foram os maiores obstáculos enfrentados? ROSSINI MACEDO: A desconfiança da família e dos amigos, que não achavam que essa minha escolha poderia me levar ao sucesso. Destaco, também, o preconceito que o público tinha quando eu ainda não estava na mídia ou não era conhecido. Quando e como despertou esse interesse pelo humor? MACEDO: Ainda criança, eu era um menino muito brincalhão e participava de todas as atividadse que a escola me oferecia, como teatros, musicais, festas. Enfim, eu topava tudo de que pudesse participar. O humor sempre esteve presente na minha vida através de leitura. Eu comprava revistas, livros e LPs de humor. Sempre foram coisas que gostei de ler e de ouvir. Como surgiu o personagem Tonho dos Couros? MACEDO: Quando resolvi levar a sério a profissão de humorista, pensei que tivesse que me caracterizar com

um personagem, por não ter a cara engraçada. O primeiro personagem que surgiu foi o Tonho dos Couros. Com esse nome, homenageei um poeta de cordel da minha cidade natal que eu sempre admirei, Seu Antonio Henriques Neto. Ele sempre teve esse apelido mas nunca gostou. E até aí teve humor... Em sua opinião, quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um humorista? MACEDO: Como eu disse, o preconceito do público quando não conhece o humorista. Quando isso acontece, é preciso ter muita perseverança para poder fazer sucesso na carreira. Você acha que o estado do Espírito Santo proporciona condições favoráveis para seus artistas? MACEDO: Não. Não possui nem condições nem apoio nenhum. Eu só consegui sobreviver da minha profissão aqui por ter usado o que aprendi como empresário. Tive que improvisar um lugar para trabalhar, que é o Mr. Picuí, e enfrentar todos os nãos para poder me firmar no rádio e na TV do Espírito Santo. Que fato mais o marcou nesses 14 anos de carreira? MACEDO: Sem dúvida, a minha primeira apresentação na TV nacional. Foi quando venci o 1º Festival de Piadas da TV Brasileira, no “Show do Tom”, na Rede Record. Isso foi em 2004. No ano de 2005, ganhei o troféu de melhor humorista no mesmo programa. De que maneira concluiria esta frase: “O riso é...”? MACEDO: O riso, para mim, pode ser descrito na seguinte frase: “A certeza de que seus olhos encontraram aquilo que seu coração procurava”.


“Foi assim que meus pais souberam que eu estudava interpretação: depois do teste”

por Luísa Chacon Pinto

Entrevista

Nara Passos

Capixaba que sonhava ser atriz desde garotinha, Nara Passos, aos 24 anos, segue rumo ao sucesso. Apesar de pequenas, suas participações na televisão foram elogiadas pela crítica. Interpretou, por exemplo, a personagem Morte, após a saída da atriz Sophie Charlotte de “O apocalipse segundo Domingos de Oliveira”, do diretor homônimo. Na peça, fez também a personagem Vida. Sua atuação foi elogiada pela crítica. Também trabalhou como modelo e já participou de um clipe do cantor e compositor Ruba. Nesta entrevista, ela fala um pouco de sua carreira. Quando você percebeu que queria ser atriz? Qual foi a reação dos seus pais? NARA PASSOS: Desde criança, já sabia que queria ser atriz. Meus pais não davam muita bola para esse meu projeto. Lembro de falar sobre isso com meus amigos, mas não com meus pais. Hoje, eles me apoiam. Teve dificuldades para começar a atuar? NARA: Não. Procurei um curso de atuação perto da minha casa, quando já estava morando no Rio. Em pouco tempo, fiz um teste para uma participação no Sítio do Pica-Pau Amarelo, na Rede Globo, e passei. Foi assim que meus pais souberam que eu estava estudando interpretação: depois do teste. Meu pai ficou meio reticente e minha mãe apoiou. Foi difícil se manter na profissão? Apesar de o início não ter sido difícil, continuar na profissão foi um exercício de coragem e persistência. Acho que, com cinco anos de experiência, estou aprendendo melhor a administrar as fases mais difíceis. Como é a sua preparação para os personagens? NARA: Depende um pouco do trabalho. E principalmente do tempo que se tem para isso. Preparação de

personagem pra valer até agora, só fiz no teatro. Chamamos de trabalho de mesa. Costumo estudar o texto e subtexto antes de qualquer ensaio! Gosto muito de um método que chamamos de “Texto gêmeo”. É uma técnica ensinada por Celina Sodré, uma grande mestra. O subtexto é mais importante que o texto. O texto é o que o personagem diz, pode ser verdade, meia verdade... o subtexto é o que ele sente. É o que vai ligar uma frase à outra, desenhar as emoções e dar o que chamamos de camadas de emoção. Por exemplo: a gente sente várias coisas ao mesmo tempo, tristeza, culpa, vontade de levantar, cansaço... Se você só fica triste, a interpretação fica pobre. O mais importante é tornar físico, até a exaustão, o que você imagina. Se você só faz o trabalho intelectual de estudar o texto, na hora sai diferente. Você fez participações especiais na televisão, mas seu trabalho é mais em teatro. O ambiente é muito diferente? Qual dos dois você prefere? NARA: Não cheguei a viver um personagem na TV para opinar. As participações foram sempre pequenas. E costumamos esperar muito pra gravar. O teatro é uma delícia. No palco, vivemos um dia de cada vez. E todos são diferentes. O espetáculo tem vida própria. Num dia é incrível. No outro, nem tanto. Além de os textos serem densos e o espaço para discutir a vida muito maior. Tem algum trabalho favorito? NARA: Meu primeiro papel no teatro, a Morte em “O Apocalipse segundo Domingos Oliveira.”. Quais são seus planos e trabalhos para este ano? Para cinema você tem planos? NARA: Estou me “alimentando” de novos textos, estudando, me preparando para projetos meus. O cinema é minha grande paixão. E está nos projetos fazer parte de alguma produção.


Entrevista

por Erika Piskac

Paulo Pacheco

“O mergulho de caça submarina pode ser perigoso, se praticado da forma errada” Paulo Pacheco é heptacampeão brasileiro de caça submarina, dentre outros campeonatos. Figura de destaque na cena capixaba, ele conta, nesta entrevista, como se deu sua iniciação no esporte. E avisa que, apesar de prazerosa e divertida, essa atividade precisa ser realizada com muita cautela para que acidentes sérios sejam evitados. Conte como começou sua paixão por pesca submarina. PAULO PACHECO: Comecei a mergulhar com máscara aos 11 anos. Um ano mais tarde, já usava nadadeiras, um respirador e uma fisga de mão, que me permitia pegar alguns peixes. Tudo aconteceu graças ao meu pai, que me ensinou a pescar desde criança. Você sempre quis seguir carreira no mergulho? PACHECO: Estudei economia na UFES. Foi difícil para meus pais aceitarem que eu largasse a faculdade e partisse para a pesca profissional. O que, para muitos é lazer, para mim virou fonte de trabalho. Nunca vou me arrepender. Dentre todas as suas competições, qual foi a mais interessante e por quê? PACHECO: Foi uma seletiva mundial em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. É um excelente ponto de mergulho. Eu teria que enfrentar um grande rival e estrategista. Ele era muito gozador, implicava com todos os competidores, inclusive comigo. No final da seletiva, ele pegou uma quantidade significativa de

peixes. Quando perguntou quantos eu havia pegado, tentando se gabar, levou um susto: eu tinha capturado o dobro de peixes. Quais foram os lugares em que você já mergulhou, dentro e fora do Brasil? PACHECO: Itália, Portugal, Tahiti, Peru, Chile, Espanha, Estados Unidos e Croácia foram alguns. No Brasil, pesquei de Norte a Sul. Conheço praticamente todo o litoral brasileiro. Como é a sua preparação antes do mergulho? Você tem alguma alimentação especial? Como é o seu treino para apnéia? PACHECO: É importante se alimentar bem de manhã, antes do mergulho. Durante as competições, procuro comer frutas, beber muita água e energéticos. Se vou ficar muito tempo embarcado, tento almoçar pouco e não mergulho muito fundo pelo menos após duas horas depois do almoço. Praticar sempre, em média três vezes por semana, ajuda a aprimorar a capacidade de apnéia que adquiri não só com mergulho, mas também com surfe e natação. Em sua opinião, o que é essencial para um bom pescador-sub? PACHECO: O conhecimento e o bom senso. Não adianta ter os melhores materiais do mercado se não se tem conhecimento sobre aquilo que se está fazendo. O mergulho de caça-submarina pode ser algo perigoso, se praticado da forma errada.


A nova casa do futebol capixaba A Secretaria de Esporte e Lazer do Espírito Santo (Sesport) e a Secretaria do Estado e Turismo (Setur), lançaram o projeto Espírito Santo na Copa de 2014, com o objetivo de inserir o estado no mapa da Copa do Mundo do Brasil. A intenção do projeto é abrigar seleções que disputarão a Copa, desenvolvendo os setores de turismo ao oferecer infra-estrutura para as seleções que escolherem o Espírito Santo como estadia durante o evento. O Espírito Santo é o único estado da Região Sudeste que não sediará jogos. Mesmo assim, o governo estadual vem tentando participar do circuito de eventos que farão parte da Copa do Mundo. Uma das iniciativas foi a compra do Kleber Andrade, antigo estádio do Rio Branco. No ano passado, as reformas tiveram início. São obras que deverão terminar em março de 2012. Fazem parte do projeto cinco Centros de Treinamento. Todos já foram aprovados pelo Comitê Organizador da Copa. Os CT’s ficarão no Hotel Fazenda Parque do China, em Domingos Martins; no Centro de Treinamento Flamboyant, em Guarapari; na Associação Esportiva e Recreativa Tubarão (Aert) e, em Vitória, funcionarão tanto no Centro de Treinamento Jaime Navarro de Carvalho, quanto no próprio Estádio Kleber Andrade.

O Kleber Andrade será o novo palco do futebol capixaba e deverá abrigar os grandes jogos dos times do estado, seguindo os modelos do Maracanã, no Rio de Janeiro, e do Mineirão, em Minas Gerais. De acordo com a engenheira-chefe da obra, o estádio será concebido em uma mistura de aço e concreto. Segundo ela, a estrutura será adequada à escala do entorno. A construção terá cerca de 350 metros de largura, o equivalente a aproximadamente três campos do próprio estádio. O anel coberto alcançará uma altura de 30 metros. O pórtico do estádio, por sua vez, ainda contemplará um edifício educativo. No interior da construção, haverá palco, concha acústica, camarins, espaços para museus e exposições, além de lanchonetes, além das acomodações esportivas previstas, como os vestiários. A ideia é fazer do estádio um centro de convivência social. Seus usos serão múltiplos: esporte, educação, cultura, atividades recreativas e sociais. O projeto ainda conta com o chamado Espaço Verde, uma proposta eco-eficiente projetada dentro de um conceito de sustentabilidade. “A proposta, além de valorizar o meio ambiente, visa evitar desperdícios, com a utilização da água proveniente das chuvas e aproveitamento da luz solar” explica Erica. Vinícius Braga

Vinícius Braga

Erica Crevelin, engenheirachefe da obra do estádio: “A proposta, além de valorizar o meio ambiente, visa evitar desperdícios”


A gente se esforça, pensa, escolhe, descarta, reescreve, muda tudo.

Atendimento: Letícia Alvarenga | Criação: Adrieli Tomazeli e Gabriela Gasparini - NACOM

E comemora.

Parabéns aos selecionados e, em especial, ao aluno de Jornalismo Gabriel Borges, premiado no Expocom Sudeste 2011 com o trabalho ‘Crônica Sonora’.


Talento - Ano XII, nº2