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tags: SWU, reality, Multishow, gincana, Impacto zero

de. Tá, e aí? Como seriam as provas? Força física? Inteligência? Chegamos a Alta Floresta, a primeira de muitas outras cidades. Lugar quente, abafado. Minha mala, nesse vai e vem de aeroportos, quebrou. Comecei bem, né? E, para piorar meu humor já afetado pela mala, a notícia “quente” do momento veio: dormiríamos em barracas e banho só de mangueira com água gelada. Legal! Eu, garota da cidade, apavorei. As gravações começavam logo cedo e meu humor piorava a cada minuto. “Gravando!” “Para, volta!” “Mais devagar!” “Luz, por favor!” “Vai câmera!” “Claquete!”. E entre toda essa gritaria, vi uma cena que no meio daquela borbulha de novas sensações me acalmou: um casal de araras vermelhas voando, livres, pelo céu de Alta Floresta. Naquele instante percebi o que realmente estava fazendo ali, estava lutando por uma mudança de pensamento, por uma ação real pelo bem mais precioso que existe, estava ali pela vida. Eu e mais dezenove pessoas.

Pirenópolis, terra do tijolo. Depois de uma prova difícil em Alta Floresta, uma eliminação e trinta horas de viagem no nosso super ônibus movido a biocombustível, chegamos a Pirenópolis, Goiás. Que cidadezinha charmosa! Suas casinhas com porta e janelas para a rua, calçadas estreitas, ruas de paralelepípedo e pracinhas enfeitadas com fitas e luzes coloridas encheram meus olhos! Pessoas amigas, bom dia, boa tarde e boa noite. Criatividade e hospitalidade não faltavam naquela gente. E nossa nova casa pelos próximos três dias foi o IPEC – Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado. Quanto verde, quanta

planta, tanta alegria! Lá se vive em total integração com o meio ambiente. Come-se o que se planta, se reutiliza tudo o que se tem e não se desperdiça nem uma gota d’água. As casas são feitas com o pensamento da bio construção e sua base é o adobe, um tipo de tijolo de terra, areia e água feito pelos próprios moradores do IPEC. Cursos são oferecidos para quem quer aprender essa técnica e aplicá-la em meio à enxurrada de concreto das nossas cidades. Chegamos lá enquanto rolava um desses cursos e várias pessoas estavam hospedadas também.

Piedade dos Gerais, piedade! Minas! Minas e suas pingas que fizeram um sucesso avassalador entre boa parte da galera nas 18 horas de viagem até a pacata Piedade dos Gerais, que fica a uns 100 quilômetros de Belo Horizonte. Minha última parada, por sinal. Fui eliminada na prova da colheita de palha de taboa. Mas, saindo de provas e eliminações, Piedade dos Gerais me trouxe boas risadas. Dançávamos em volta da fogueira durante a madrugada, cantávamos, gritávamos e tentamos, sem sucesso, contato com E.T.s. Ficamos hospedados na chácara de uma família de artesãos que fabricam móveis ecológicos com pneus velhos e palha de taboa. Ê taboa! Depois de limpos, os pneus são trançados com a palha já seca e viram poltronas e pufes lindos, vendidos sob encomenda para todo o país. Uma forma criativa de reutilizar pneus velhos, um tipo de lixo tão complicado de descartar hoje em dia. A sustentabilidade começa dentro de cada um de nós. Se não soubermos conviver nós mesmo como cuidaremos do que está a nossa volta? O Impacto Zero foi o mais positivo acontecimento desse ano em minha vida. Foi “Impacto Positivo” como Didi Wagner costuma dizer.

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Revista Tag #5  

Edição 5 da Revista Tag

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