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Edição #5

revistatag.com.br

Direção Executiva e Planejamento Joana Correa Rodrigo Bassan

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TECH

DE 450 ANOS PARA 180 degradáveis podem co

Jornalismo - jornalismo@revistatag.com.br Amanda Tavares / Barbára Belan / Laura Luz / Lívia Neves / Regiane Folter Publicidade/ Comercial comercial@revistatag.com.br 14 8121-2078 / 3011-1497 Design e Diagramação: www.rodrigobassan.com.br @rodrigobassan www.fb.com/rodrigobassan

Fale com a gente! Convidamos você a fazer parte desse projeto, acompanhando a revista à cada nova edição, acessando regularmente nosso site, prestigiando nossas matérias, nossas coberturas e, principalmente, registrando sua opinião - pois é ela que nos faz crescer e chegar um pouco mais perto do público da Tag. Email: contato@revistatag.com.br MSN: msn@revistatag.com.br Twitter: @revistatag Facebook: www.fb.com/revistatag

CULTURAL

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PRODUZIR E PRESERVAR Projetos sustentáveis


PERFIL

ARIANNI MILANO. Bate Papo com a Musa do #LingerieDay

0 DIAS. Como as sacolas Bioolaborar com o ambiente

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SWU: DIÁRIO DE IMPACTO “Gincana Impacto Zero”

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NOSTALGIA

CONVIDA

SOBRE RODAS Danilo Freire fala sobre sua vida de cadeirante

BRECHÓS Máquinas do tempo da Moda


O que comeรงou como uma brincadeira criada no Twitter hรก dois anos por Fรกbio Rodrigues (@morroida) e Fernando Gouveia (@gravz) acabou tomando contornos de uma grande disputa, ainda que saudรกvel.


tags: perfil, entrevista, Arianni Milano, Lingerie Day , sensual, VIP

Para quem nunca ouviu falar no Lingerie Day, explicamos: em um determinado dia – que neste ano aconteceu no dia 28 de julho – os usuários do microblog deveriam trocam seus avatares e publicar fotos vestidos apenas com roupas íntimas. A bauruense Arianni Milano (@arianni_milano) foi um dos grandes destaques desta brincadeira e as fotos clicadas para a Revista Tag chamaram a atenção de muita gente, inclusive da VIP (Editora Abril),

que a convidou para um ensaio sensual para uma de suas edições. Nós batemos um papo com Arianni que conta como tudo que aconteceu.

O que você achou do convite feito pela Tag para o Lingerie Day? O convite da Tag foi inesperado. Eu não conhecia o Lingerie Day, mas achei que seria uma ótima oportunidade de mostrar um pouco desse evento para as pessoas. Fazer as fotos foi muito divertido! Adorei conhecer os produtores e sempre

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Arte Background e Logo por MoveNext para Lingerieday.me

falo com muito orgulho e carinho que são meus padrinhos e que nunca vou esquecer da vitrine que a Revista Tag foi pra mim.

feitos os trabalhos e para ficar por dentro das novidades.

Como foi participar de uma campanha para um evento no twitter? Você teve muito assédio?

Você esperava que as fotos fossem repercutir da forma como aconteceu? Afinal, a Revista VIP te elegeu como uma das beldades do Lingerie Day!

Foi muito bom! O twitter é uma febre e o público que acessa essa rede é enorme. Isso fez com que muitas portas fossem abertas. Foi através da divulgação no twitter da Revista que eu consegui conquistar o espaço que tenho hoje. Quanto ao assedio é tranquilo,faz parte desse tipo de trabalho, e apesar de passar por algumas saias justas, tenho tirado de letra. O publico masculino é grande, mas nem tudo é chaveco! Acredito que boa parte das pessoas que me procuram fazem isso por curiosidade em saber como foram

Não, foi completamente inesperado. Fiz as fotos com a intenção de divulgar o evento, mas acredito muito que as coisas não acontecem por acaso. Não tínhamos a pretensão de chegar tão longe, mas tudo isso foi resultado de um trabalho bem feito. Uma chance simples, mudou minha vida. A divulgação foi ótima e trouxe uma repercussão enorme. Esse mérito é todo da equipe que se dedicou em divulgar o Lingerie day com todo charme da marca de lingeries e do espaço fotografado.


tags: perfil, entrevista, Arianni Milano, Lingerie Day , sensual, VIP

Na VIP você foi clicada com a Jocasta Doyle, outro destaque no Lingerie Day. Como foi posar nua ao lado dela? Você conseguiu se sentir a vontade? A Jo é uma gracinha. Deus tem colocado pessoas maravilhosas no meu caminho e Jocasta sem duvida é uma delas. Nos conhecemos a caminho das fotos. Com o trânsito de São Paulo pudemos conversar bastante. Ela tem varias experiências em ensaios sensuais, consegui ficar muito a vontade. Teria sido mais difícil sem ela. A gaúcha é uma simpatia e mesmo de longe tem a minha torcida.

Como se sente sendo do interior e

agora fazendo carreira nacionalmente? É um orgulho. Adoro o interior paulista, e todo o conforto e a tranquilidade daqui. Estou acostumada e ir de carro a todos os lugares e resolver varias coisas em um único dia em Bauru. Fico impaciente em São Paulo quando perco horas no transito, sem contar a distância e os perigos. É uma honra ser um exemplo de que com trabalho digno a gente chega onde quer.

Além da VIP, outros trabalhos e oportunidades já surgiram para você. Quais são seus planos para o futuro? Você pensa em mudar para a capital para estar mais próxima de novos trabalhos? Conquistei coisas ótimas, estou muito feliz com o momento que estou vivendo. São oportunidades únicas e valorizo muito isso. Estou com varias propostas interessantes, mas ainda não posso falar muito sobre. Só posso adiantar que as pessoas vão se surpreender muito com tudo o que ainda esta por vir. São projetos incríveis! Prometo contar tudo mais pra frente. Por incrível que pareça, ainda estou fazendo faculdade em Bauru. O pessoal tem me ajudando muito. Meus amigos e professores são essenciais, admiro muito cada um deles. Ainda não sei até quando vou conseguir manter essa rotina, mas quero estar perto da minha família, das amigas, terminar esse 2º ano de psicologia e tentar ficar aqui pelo menos até o fim do ano. Deus sabe o que faz e, se eu tiver que ir pra São Paulo, farei isso com muita dedicação, valorizando e aproveitando sempre essa fase.

Pronta para mais uma seção de fotos para a Tag? =D SEMPRE! [risos]. Sou afilhada da Tag e estarei por aqui sempre que houver a oportunidade.

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T2o

Criação do designer francês Antoine Fritsch, o T20 Bamboo Electric Scooter é feito de bambu, o que garante que o patinete seja mais leve – e muito legal! O T20 chega à velocidade de 35 km/h e pode andar até 40 km com a bateria totalmente carregada. Para acelerar, o processo é o mesmo que qualquer patinete comum: você precisa dar impulso para o T20 se movimentar e andar por ai confortavelmente instalado em uma estrutura híbrida feita de cortiça que é ao mesmo tempo assento e encosto.

http://migre.me/5YH6B

skate reciclado Quem disse que skates quebrados não podem ter uma utilidade? Juntando muita criatividade e pedaços de skates danificados é possível criar um banco como o


tags: gifts, novidades, curiosidades, design, importados

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Concept Design:

CANETA

ECONÔMICA

Ideias simples podem trazer mudanças significativas: bastou que os profissionais da T&T Pen-ink Chamber transformassem a carga tradicionalmente reta da caneta esferográfica em um formato espiral para que a tinta das canetas pudesse durar muito mais! Com essa forma, o tubinho de tinta dura duas vezes mais do que a tradicional. http://migre.me/5YHbi

Desckstool, que reúne em seus materiais muita história para contar: dá pra olhar para as marcas dos skates velhos e imaginar em que rampas estiveram e que manobras fizeram. Versátil, o Desckstool pode ser usado como mesa, banquinho para apoiar o vídeo game ou para se sentar na hora de tocar bateria. É ideal para lugares com espaço limitado. http://migre.me/5YH7Y


GRENADE FOR YOU!

Não, a Tag não está fazendo apologia à violência: essas granadas são muito diferentes das suas primas mortais, pois no lugar de pólvora você encontra terra e sementes. A Flower Granade, criada pela empresa Suck UK, é uma boa forma de introduzir vegetação em locais onde falta o verde, como espaços urbanos. Cheias de sementes de flores como Ranúnculos (aquelas florzinhas insistentes que nascem até mesmo em rachaduras de asfalto), espécies de gramas como o Razévem, e Papoulas, que levam cerca de três semanas para crescer enquanto a granada do bem, que é biodegradável, some em apenas sete dias. http://migre.me/5YHfU

BLIND DESIGN Provavelmente você já tentou (e nunca conseguiu) montar corretamente um daqueles Rubik’s Cube, certo? Também conhecido como Cubo Mágico, é um dos quebra-cabeças tridimensionais mais populares do mundo, e foi inventado em 1974 pelo húngaro Ernő Rubik. A idéia do “brinquedo” é reordenar as cores para que cada face do cubo contenha apenas uma cor. Mas e quem não enxerga? Foi justamente por isso que o designer alemão Konstantin Datz teve a idéia de grafar em Braille o nome das cores em cada superfície: verde, azul, vermelho, amarelo, laranja e branco. http://migre.me/61HhA


tags: gifts, novidades, curiosidades, design, importados

Cubo Mágico em Braille

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Você é contra o desperdício de água? Então vai curtir o Raindrop, um regador acoplado a uma tubulação de coleta de água pluvial (calhas, por exemplo) que permite que as plantinhas sejam regadas com água reaproveitada da chuva, garantindo também economia de água encanada. Esse regador sustentável feito com material reciclado foi inventado pelo designer holandês Bas van der Veer, que inclusive ganhou vários prêmios de design com a sua criação. O Raindrop acumula até 5 litros, enquanto sua versão compacta, o Raindrop Mini comporta 3,5 litros. http://migre.me/5YHcE


Fucinho de porco é tomada, sim!

Chega de usar benjamim para ligar mil aparelhos eletrônicos em uma única tomada! Com o Porco Tomada, um objeto multi-fucinho suíno muito fofo que, além de cor de rosa, é funcional: vem com dezessete plugs, ou seja, você vai poder ligar dezessete aparelhos de uma vez só. E não precisa se preocupar com curto-circuito, já que o disjuntor interno do Porco Tomada impede que ele se sobrecarregue. http://migre.me/5YHm0


Como as sacolinhas biodegradáveis podem diminuir o tempo de permanência do plástico no meio ambiente por Regiane Folter Quando você vai ao supermercado fazer a compra do mês, quantas sacolinhas plásticas você usa para guardar suas compras? Muita gente nem imagina que, ao final de um ano, consumiu 3 kg de sacolinhas. Essa estatística é da Associação Paulista de Supermercados, que traz outra informação surpreendente: no estado de São Paulo são consumidas 29,4 bilhões de sacolinhas por ano. Parece bastante, né? Pense agora em onde estão todas essas sacolinhas; com certeza, muitas delas já foram para o lixo e estão em um processo de decomposição que pode levar, segundo a UNICEF, cerca de 450 anos para terminar. Durante todo esse tempo, o plástico está lotando os aterros sanitários e poluindo solo e rios. Algumas tecnologias tentam diminuir o tempo que o plástico fica na natureza, como as sacolinhas biodegradáveis. O plástico possui muitas vantagens: é um produto leve, maleável, resistente e que pode ser reciclado. Infelizmente, de acordo com o professor de Design da Unesp Osmar Rodrigues, apenas 3% de todas as sacolas são recicladas. Os outros 97% estão por aí, fazendo um estrago no meio ambiente. “O fato de estar no formato de sacolinha não afeta

a intensidade do impacto”, garante o professor de Engenharia Química da USP Gil Anderi. Como o uso das sacolinhas já se tornou trivial, afinal são usadas para carregar objetos e levar o lixo pra fora, a jornalista Katarini Miguel não acha que a população vai se conscientizar apenas através de campanhas educacionais e palestras. “O brasileiro só começa a tomar atitude quando existe uma lei, porque do contrário é muito difícil sair da zona de conforto”, afirma ela. O jeito foi apelar pra legislação e em setembro de 2008 o vereador Moisés Rossi (PPS) criou um projeto de lei que proíbe o uso de sacolinhas à base de polietileno no comércio de Bauru. A lei foi aprovada


tags: tecnologia, pead, sacola, biodegradável,

e deve entrar em vigor até o fim do mês de outubro. Segundo Rossi, a idéia é substituir o plástico pela sacola biodegradável, uma versão que se decompõe em até 180 dias. Visualmente, a sacolinha biodegradável tem a mesma aparência que a de plástico e pode ser usada da mesma forma. A diferença está na composição: a matéria-prima da biodegradável pode ser de origem vegetal, como amido de milho, ou ser uma mistura de petróleo e um aditivo responsável por quebrar as moléculas do plástico em partes menores que servem de alimento aos microorganismos. No fi-

nal, da sacolinha só resta dióxido de carbono, água e biomassa. Outra opção é a sacolinha oxibiodegradável que, diferentemente da biodegradável, não depende da ação de bactérias ou fungos para se decompor. Através da ação do oxigênio, temperatura e luz solar, elas se dividem em milhares de pedacinhos até virar pó. Apesar de também se decompor mais rapidamente, alguns especialistas alertam que esse resíduo pode contaminar rios e chegar até o lençol freático. Seja qual for a forma que você escolher, o impacto no meio ambiente é quase inevitável, afinal tudo um dia se torna lixo. Que tal deixar as sacolinhas de lado e comprar ou fazer uma ecobag?

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As flores se encarregam de enfeitar todo e qualquer espaço Nos mostrando um novo dia cheio de perfume e doçura. Os dias vão ficando mais vibrantes… A própria natureza começa a deixar tudo mais bonito, mais vivo, mais colorido. - Marlene Simão -


Foi com grande festa, regada a muita moda e beleza, que o Jornal Bom Dia apresentou no dia 28 de outubro, um Verão cheio de Flores e Cores que vão arrancar suspiros! O evento marcou também o lançamento de mais uma edição da revista de moda do jornal. O desfile aconteceu no Alameda Quality Center, que abriu suas portas para o público consumir a moda Primavera Verão 2012, apresentada por algumas lojas da cidade. A produção do desfile foi feita por Joana Correa, que já havia trabalhado como apoio no backstage em outros eventos, mas nunca como a produtora responsável. “Foi um grande desafio, mas tirei de letra”, comenta Joana. O casting das modelos ficou por conta de Malu Ornelas e o Cabelo/Maquiagem foram feitos por Lilian Ornelas. Malu também assina as fotografias da revista. Além dos looks de diversas lojas de Bauru, o público presente acompanhou a estreia dos alunos de moda da FIB nas passarelas, com 10 roupas criadas por eles, várias delas de maneira sustentável.


Novo,velho ou meio-a-meio?


tags: refil, reciclados, embalagens, design

Refis, embalagens recicláveis, peças reaproveitáveis... São inúmeras as opções para o mercado eco-friendly atual. Apesar de produzirem menos lixo, grande parte desses produtos encontra barreiras na tecnologia e no preço – problemas que podem ser superados com a aceitação no mercado e markepor Amanda Tavares ting inteligente. Eles estão por toda a parte: refrigerantes, cartuchos para impressoras, produtos de limpeza e até cosméticos! A produção de refis coloca em prática o famoso ditado “menos é mais”, consumindo menos matéria-prima, custando mais barato e reduzindo o impacto no ambiente. Uma das empresas brasileiras de mais destaque na produção de refis – e de produtos ecológicos em geral – é a Natura. Pioneira na área de beleza desde 1983, a empresa hoje oferece mais de 90 cosméticos com refis (alguns, inclusive, elaborados com plástico verde, oriundo da cana-de-açúcar e muito mais fácil de ser absorvido pelo ambiente). Fátima Savioli, revendedora da marca, garante que a aceitação no mercado é grande. “As pessoas sempre compram os refis, que podem garantir uma boa economia na compra. Os hidratantes, por exemplo, podem apresentar uma diferença de 6 reais para o produto normal. O único problema é que as linhas mais ecológicas, como a Ekos, tendem a custar um pouco mais caro”, explica.

Mexendo no Bolso Se os produtos eco-friendly são tão bons, por que nem todo mundo decide fabricá-los e comprá-los? A resposta é simples e mexe com um problema comum nos dias de hoje: o preço.

Nas indústrias, a tecnologia e o público alvo são os principais problemas. As maiores marcas, por exemplo, têm o capital necessário para investimento, produzindo em larga escala e atingindo o mercado com uma competição razoável – o que não acontece com empresas menores e menos lucrativas. Outro problema é a associação da ecologia com luxo. De acordo com Beatriz Teller, estudante de Design, essa “onda natural” raramente é vista como necessidade, o que restringe os produtos a pessoas de maior poder econômico e, conseqüentemente, aumentam seus preços. Beatriz relata o exemplo clássico do papel sulfite. “Por mais que escolas, faculdades e escritórios tentem optar pelo lado ecológico, as empresas sobem o preço a mais de 75% do papel sulfite comum, abaixando muito as vendas”, relembra. Também existe o caso daqueles que não confiam nos produtos eco-friendly, que ainda atingem apenas uma pequena parte da população mundial. As novas tendências transformaram a ecologia em moda e podem contribuir para a difusão dos produtos, mas ainda falta marketing nessa área. “Essa onda facilita a massificação da idéia, levando mais grupos a participarem e consumirem produtos naturais, porém ainda está difícil de fazer toda a população largar o ‘conhecido’ pelo novo”, completa Beatriz.

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DIÁRIO DE IMPACTO O SWU acontece pela segunda vez no Brasil e esse ano a cidade sede será Paulínia, região de Campinas, e reúne música e sustentabilidade nos três dias de festival. Entre os dias 12, 13 e 14 de novembro, muita gente vai curtir o feriado ouvindo músicos e bandas como Snoop Dogg, Duran Duran e Faith No More. Mas, além de trazer boa música, o SWU também é um projeto de conscientização da importância da sustentabilidade e de que forma cada um pode fazer a sua parte. O próprio nome do festival vem do inglês Starts With You, que significa “Começa Com Você”. É com esse objetivo que a organização do festival traz vários projetos visando mobilizar o maior número de pessoas possíveis, e um deles foi a Gincana Impacto Zero SWU, um reality show que selecionou estudantes de 20 faculdades a partir da inscrição de projetos de sustentabilidade. A cidade de Bauru esteve representada pelo projeto dos estudantes Beatriz Avallone e Tainah de Azevedo, da Universidade do Sagrado Coração (USC), que desenvolveram o projeto: Desafogando o Rio Tietê/Jacaré. Elas participaram, por cin-

Por Beatriz Avallone co semanas, de várias provas compiladas em 10 episódios veiculados pelo canal Multishow. Bauru não levou o prêmio de meio milhão de reais para a implementação do projeto, mas com certeza foi uma experiência única que a estudante Beatriz divide com você:

Alta Floresta, a porta de entrada da Amazônia.

Nossa, como demorou essa viagem! De Marília, São Paulo, a Alta Floresta, Mato Grosso, foram mais de dez horas de viagem. Escalas e mais escalas em aeroportos. Um sobe e desce a cada 1 hora mais ou menos, mas a cada descida uma nova dupla de participantes do Impacto Zero subia. Foi muito engraçado chegar perto de um casal e perguntar: “Vocês estão indo para o reality?” e receber um “Sim!” super empolgado! Aquele domingo era o começo de uma jornada de um mês sem explicação prévia de o que, como e quando tudo aconteceria no reality show da Gincana Impacto Zero SWU. Só sabíamos que as provas eram sobre sustentabilida-


tags: SWU, reality, Multishow, gincana, Impacto zero

de. Tá, e aí? Como seriam as provas? Força física? Inteligência? Chegamos a Alta Floresta, a primeira de muitas outras cidades. Lugar quente, abafado. Minha mala, nesse vai e vem de aeroportos, quebrou. Comecei bem, né? E, para piorar meu humor já afetado pela mala, a notícia “quente” do momento veio: dormiríamos em barracas e banho só de mangueira com água gelada. Legal! Eu, garota da cidade, apavorei. As gravações começavam logo cedo e meu humor piorava a cada minuto. “Gravando!” “Para, volta!” “Mais devagar!” “Luz, por favor!” “Vai câmera!” “Claquete!”. E entre toda essa gritaria, vi uma cena que no meio daquela borbulha de novas sensações me acalmou: um casal de araras vermelhas voando, livres, pelo céu de Alta Floresta. Naquele instante percebi o que realmente estava fazendo ali, estava lutando por uma mudança de pensamento, por uma ação real pelo bem mais precioso que existe, estava ali pela vida. Eu e mais dezenove pessoas.

Pirenópolis, terra do tijolo. Depois de uma prova difícil em Alta Floresta, uma eliminação e trinta horas de viagem no nosso super ônibus movido a biocombustível, chegamos a Pirenópolis, Goiás. Que cidadezinha charmosa! Suas casinhas com porta e janelas para a rua, calçadas estreitas, ruas de paralelepípedo e pracinhas enfeitadas com fitas e luzes coloridas encheram meus olhos! Pessoas amigas, bom dia, boa tarde e boa noite. Criatividade e hospitalidade não faltavam naquela gente. E nossa nova casa pelos próximos três dias foi o IPEC – Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado. Quanto verde, quanta

planta, tanta alegria! Lá se vive em total integração com o meio ambiente. Come-se o que se planta, se reutiliza tudo o que se tem e não se desperdiça nem uma gota d’água. As casas são feitas com o pensamento da bio construção e sua base é o adobe, um tipo de tijolo de terra, areia e água feito pelos próprios moradores do IPEC. Cursos são oferecidos para quem quer aprender essa técnica e aplicá-la em meio à enxurrada de concreto das nossas cidades. Chegamos lá enquanto rolava um desses cursos e várias pessoas estavam hospedadas também.

Piedade dos Gerais, piedade! Minas! Minas e suas pingas que fizeram um sucesso avassalador entre boa parte da galera nas 18 horas de viagem até a pacata Piedade dos Gerais, que fica a uns 100 quilômetros de Belo Horizonte. Minha última parada, por sinal. Fui eliminada na prova da colheita de palha de taboa. Mas, saindo de provas e eliminações, Piedade dos Gerais me trouxe boas risadas. Dançávamos em volta da fogueira durante a madrugada, cantávamos, gritávamos e tentamos, sem sucesso, contato com E.T.s. Ficamos hospedados na chácara de uma família de artesãos que fabricam móveis ecológicos com pneus velhos e palha de taboa. Ê taboa! Depois de limpos, os pneus são trançados com a palha já seca e viram poltronas e pufes lindos, vendidos sob encomenda para todo o país. Uma forma criativa de reutilizar pneus velhos, um tipo de lixo tão complicado de descartar hoje em dia. A sustentabilidade começa dentro de cada um de nós. Se não soubermos conviver nós mesmo como cuidaremos do que está a nossa volta? O Impacto Zero foi o mais positivo acontecimento desse ano em minha vida. Foi “Impacto Positivo” como Didi Wagner costuma dizer.

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E

PRODUZIR PRESERVAR

por

Bárbara Belan

Sustentabilidade e solidariedade ganham destaque em projetos universitários Sustentabilidade é a palavra chave. Cada vez mais a defesa do meio ambiente influencia na criação de novos produtos e tecnologias. O profissional que consegue aliar as novas tendências e comodidades da vida moderna à preservação da natureza ganha pontos com a empresa e com os clientes. Pensando nesse Eco capitalismo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) possui diversos projetos de extensão para orientar os alunos nessa nova tendência mundial. Um exemplo é o Projeto Taquara, que existe há três anos e é baseado no uso e na divulgação do bambu, que pode substituir a madeira e evitar o desmatamento de grandes áreas. O professor e orientador do projeto, Marco Antonio dos Reis Pereira, explica como tudo começou: “O projeto bambu começou em 1990, quando fui fazer meu mestrado. Eu fiz mestrado com tubulação de bambu para

Skates produzidos pela empresa canadense OSF, Oasis Skateboard Factory, com bambu laminado. http://migre.me/5OY0O

conduzir água, substituindo o cano PVC. As primeiras mudas foram plantadas em 1994”. Mas o projeto Taquara veio só mais tarde. A matéria prima foi plantada, estudada, caracterizada, aprovada, e só depois começaram as confecções de produtos. “Foi nessa fase que fizemos uma interação com os alunos de design e arquitetura e surgiu o projeto Taquara, que existe há três anos”, conta o professor. Além de focar na sustentabilidade, o projeto é solidário, pois visa à geração de renda para o assentamento Horto de Aimorés, em Pederneiras. O atual projeto da equipe é construir um barracão de bambu no assentamento com todo o maquinário


tags: bambu, Taquara, Labsol, reciclagem, design, UNESP

necessário para a produção. A aluna de Design Camila Kiyomi Gondo explica as vantagens em construir o barracão: “Aqui somente quatro famílias vem trabalhar com a gente e lá no Horto são 143. Se conseguirmos levar esse barracão pra lá vai ajudar muito e eles ficarão mais independentes”. O grupo também trabalha com o bambu laminado colado, que imita a madeira e pode substituí-la em várias situações. O professor Marco Pereira finaliza: “com o bambu eu não preciso cortar toda a plantação, corto só os gomos maduros, quando você corta bambu continua tendo bambu,

Luminária produzida pelo Labsol

porque é uma cultura perene. Então essa é a diferença, é o enfoque sustentável”.

Lixo X Luxo Outra iniciativa da universidade é o Labsol, orientado pelo professor Claudio Roberto Y Goya, que transforma resíduos em produtos que ajudam comunidades carentes a incrementar a renda no fim do mês. A aluna de Design Ana Carolina Toyama destaca a base do projeto: “Nosso laboratório é baseado em um tripé: a economia solidária, a sustentabilidade e o eco design. Trabalhamos com comunidades de artesãos, ajudando-os a vender e a melhorar a produção dos produtos.” O método de trabalho exige muita observação e análise. “Trabalhamos em duas etapas: o aprendizado, quando vamos conhecer o lugar, o método de trabalho deles e o material que eles usam. E a ação, quando retornamos para o laboratório, analisamos, conversamos e retornamos com as propostas de produtos e melhoras”, explica Ana Carolina. O projeto comemora cinco anos e começou com a idéia de produzir um design que não visasse somente às elites econômicas. Atualmente, o grupo é composto de doze alunos dos cursos de design, arquitetura, engenharia de produção e relações públicas.

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O gostoso é: reaproveitar Sabe aquelas partes dos alimentos que jogamos fora todos os dias? Pois é, elas podem ser reaproveitadas. O pão que ficou velho, as cascas que não comemos, as sementes que separamos, os talos que cortamos e as carnes que sobram, todos podem virar receitas deliciosas. “O aproveitamento integral dos alimentos diminui os gastos com alimentação e melhora a qualidade nutricional do cardápio. Pouca gente sabe, mas as partes vistas como ‘menos nobres’ dos alimentos têm grande valor nutritivo. São ricas em vitaminas (especialmente A e C), além de ferro, potássio e outros nutrientes” explica Roberta Sanches, nutricionista e professora da Universidade de Cuiabá. Como nem sempre as receitas de reaproveitamento de alimentos agradam a todos, achamos uma que você não vai resistir! INGREDIENTES - 1 lata de leite condensado - 1 colher de sopa de manteiga sem sal - 4 colheres de sopa de chocolate em pó - 1 colher de sopa de farinha de trigo - Casca de 3 bananas, picadas - Chocolate granulado a gosto PREPARO 1. bata todos os ingredientes no liquidificador. 2. Coloque a mistura em uma panela média e leve ao fogo. 3. Mexa até que o brigadeiro solte do fundo da panela. Essa receita além de mais saudável que a convencional – pois as cascas da banana são ricas em vitaminas C que pode prevenir gripes e resfriados e em potássio que fortalece os músculos contra câimbras – é também sustentável, porque não jogando as cascas da banana fora você diminui o lixo orgânico.


tags: reaproveitamento, sobremesa, brigadeiro, banana, nutric達o,

fonte: www.bemzen.uol.com.br

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é de couro? MATERIAIS ALTERNATIVOS PODEM SUBSTITUIR O COURO LEGÍTIMO Por Lívia Neves e Regiane Folter O couro surgiu em nossas vidas na era pré-histórica. Os primeiros hominídeos utilizavam a pele animal para se proteger do frio e também como camuflagem na hora da caça. Além disso, andar coberto pelo material era uma maneira de medir a coragem do homem. Hoje em dia, o couro não é destinado apenas para recobrir nossos corpos, mas também na confecção de acessórios como sapatos, bolsas, colares, mochilas, capas para celular etc. Algo para se vestir e exibir. Luciana Duarte, designer de produtos, acredita que a atual valorização do couro se deve à associação com a resistência do produto. “O couro em si nunca deixou de ser valorizado, devido a suas propriedades de resistência mecânica que lhe conferem durabilidade e o fazem sinônimo de produto de qualidade” afirma.

ALTERNATIVAS Cada vez mais há investimento na substituição do couro por outros materiais que possam ser menos prejudiciais para a vida animal. O laminado sintético, chamado de couro sintético, é produzido através de derivados do petróleo (fonte de energia altamente poluente e não renovável). Podemos também optar pelo laminado vegetal, construído através do látex extraído das seringueiras. Essa opção é confeccionada a partir de uma camada feita de tecido vegetal recoberta por outra camada pastosa de borracha. Após o tratamento, ela adquire uma aparência semelhante a do couro. O laminado recuperado do couro é feito a partir de partes de couro consideradas resíduos do curtume que são moídos e unidos a um segundo material de característica aglutinante.


tags: couro, pele, moda, fashion, alternativa

Segundo a empresa Couro Ecológico, o Brasil gera trinta mil toneladas de resíduo de couro por mês. Biocouro, subconjunto do grupo do couro, é o termo referente às peças confeccionadas com o mínimo ou ausência de materiais tóxicos nos curtumes. Ou então, ao reaproveitamento da pele dos peixes, especialmente do salmão, da tilápia e da pescada amarela e dourada.

É VANTAGEM?

*Baixe esse PaperToy da vaca em nosso site!

No quesito tempo de vida útil da peça, a professora da USC, Karla Alves, comenta que “o couro sintético possui uma durabilidade muito menor do que o couro legítimo, ele quebra, desbota e esfarela. Coisas que não acontecem com o couro animal”. Porém, o cuidado com a peça também é importante, não basta que ela seja de couro legítimo para que dure a vida toda. Luciana dá algumas dicas para que o produto aumente seu tempo durável: “Conservo meus sapatos e acessórios de couro limpando-os com flanela levemente úmida, raramente uso álcool. Nunca uso graxa nem produtos para finalidade de conservação de couro”. Além disso, Karla afirma que a tecnologia possibilitou a diminuição da diferença estética. “Atualmente existem couros sintéticos muito similares ao couro legítimo, sendo a diferença quase imperceptível”, afirma. Ou seja, a aparência dos laminados está cada vez mais similar à do couro, seja no toque ou no visual. A gerente da Arezzo Bauru, Sandra Mattos, constata que as freqüentadoras da loja buscam os produtos de couro e preferem-nos aos sintéticos. “Se você chega à loja e vê uma bolsa com valor agregado de R$800,00, lógico que você vai querer que seja de couro” diz Sandra. Os consumidores não querem comprar plástico no lugar de pele animal.

A preocupação dos consumidores não se restringe somente ao fato da resistência e da aparência, mas também há uma questão ética e legal. Com todas as práticas sustentáveis, qual das alternativas seria realmente a menos prejudicial? Prejudicial para nós, para o ambiente ou para os animais? Afinal, será que a legislação permite a exploração destes animais para criação de produtos que podem ser confeccionados de outra maneira?

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PROTEÇÃO AOS ANIMAIS Na Lei de Crimes Ambientais, o artigo 32 prevê a proibição e punição para atos de crueldade contra animais, sejam eles domésticos, domesticados, exóticos ou silvestres. “A crueldade contra o animal é punida não pela dor e sofrimento que causa ao animal, mas pela dor e sofrimento que causa ao ser humano em ver aquele animal ser maltratado”, explica Mayra Fernandes da Silva, coordenadora da Comissão do Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru. Atos de crueldade e maus tratos significam basicamente provocar dor. Usar animais como cobaias em experimentos para a produção de medicamentos ou cosméticos, por exemplo, são permitidos desde que não causem sofrimento a eles. Porém, se há outra forma de se chegar ao mesmo resultado sem usar o animal, essa prática se torna crime e pode render detenção de três meses a um ano e multa. O uso de peles na confecção de produtos se encaixa dentro do artigo 32 e como qualquer ato de crueldade, matar um animal para extrair sua pele pode ser punido, se for provado. “Você tem que provar que naquele caso específico existiu crueldade. Uma coisa é matar o animal para alimentar a população. Outra coisa é para alimentar a vaidade”, critica Mayra. O couro de origem bovina geralmente é resto do processo da pecuária de corte, na qual os rebanhos são destinados à produção de carne para o consumo humano. Ao invés de serem descartadas, as partes são aproveitadas pela indústria da moda para confecção têxtil. Segundo Sandra Mattos, o couro original vai ser usado sempre, “porque o mundo não vai parar de consumir a carne”.

Algumas peças, porém, são fabricadas a partir da pele de espécies cujo consumo não é muito comum no nosso país, como o coelho, a chinchila ou a raposa. Quando o animal é morto apenas para que sua pele seja usada como matéria-prima, a prática torna-se ilegal. Como a pele não pode apresentar defeitos, muitas vezes esses animais morrem de forma dolorosa: pancadas na cabeça, enforcamento ou choque elétrico.

ADEUS ÀS PASSARELAS Um projeto de lei que atualmente espera aprovação na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) pretende modificar essa realidade. A iniciativa do Deputado Federal, Weliton Prado, quer banir o uso de produtos que utilizem peles de animais dos desfiles de moda. Segundo o político, o Brasil é um país tropical onde não se justifica o uso de roupas tão resistentes ao frio, como os casacos de pele. O projeto representa um avanço, mas deixa algumas brechas, afinal se uma empresa não usar pele nas passarelas não quer dizer que não vai usá-la em seus produtos. Para Mayra, a principal força do projeto está na conscientização dos compradores e na fiscalização. “A maior arma do consumidor é o poder de compra. Com essa lei, vamos restringir esse mau exemplo, essa lavagem cerebral que se faz com os consumidores: ‘olha que bonita a modelo com esse casaco de pele, ele pode ser seu”, finaliza ela.


SOBRE Quanto mais íntimas as pessoas ficam, mais vontade e desinibição elas têm de perguntar as coisas, sobre os mais variados aspectos da deficiência, sejam objetivos ou subjetivos. É claro que sempre respondo tranquilamente, ao menos sempre que possível. No entanto, embora eu entenda as perguntas e até consiga respondê-las satisfatoriamente, a verdade é que eu não sei ao certo o que é “ser deficiente”, o que eu sei, e muito bem, é sobre “[eu] ser deficiente”. Veja bem, não é que eu esteja querendo enfeitar ou falar difícil, é realmente como sinto. Agora, é preciso explicar melhor o que eu quero dizer – é evidente que eu conheço as misérias pelas quais passam as pessoas com deficiência, em especial os cadeirantes. E isso é atualizado, jogado na minha cara sem a menor cerimônia ou compaixão a cada mínimo buraco ou degrau, a cada porta estreita, a cada minúsculo banheiro. O meu problema é o problema de todos os outros, fácil. Difícil é dizer como eu me sinto sendo deficiente e desbravando o mundo, isto só eu sei e não sei para mais ninguém. É um aspecto importante, pois influi diretamente no modo como a pessoa vê a vida e lida com o mundo e, gostemos ou não, não pode ser generalizado. Em termos práticos: para a maioria das pessoas “normais” e também para uma parte considerável dos cadeirantes, essa é a pior condição que se pode imaginar, impossível de conviver. Aliás, reparem, sempre que se colocam discussões sobre eutanásia e suicí-

dio assistido, os exemplos incluem algumas deficiências; neste contexto, principalmente a tetraplegia – isso é revelador de certa visão de mundo compartilhada pela comunidade. Não penso assim e há algum tempo adquiri a convicção de que o primeiro passo para conseguirmos um apoio real da sociedade é justamente desfazendo essa aura negativa que envolve a deficiência. É claro que não é gostoso, é claro que ninguém deseja ter uma, mas é também verdade que é possível ter uma vida com qualidade e feliz. Sem mencionar o afastamento do que eu chamo de “bem-estar pela pior condição”, que é aquele raciocínio do tipo “nossa, existe gente pior.” Fico imaginando que tipo de mecanismo doentio existe na nossa mente que nos faz sentir melhores porque alguém está pior do que nós... Eu me acidentei aos 16 anos, às vésperas do réveillon e demorei algum tempo até cair na real. Levou outro tempo razoável até que eu conseguisse realizar um julgamento “definitivo” sobre a nova situação; depois a existência fica mais leve. Hoje, com 25, vejo muito claramente que esta é a primeira e fundamental etapa – também a mais difícil e dolorosa – para considerarmos outros avanços. O problema é que, vencida essa etapa, o mundo não está pronto para a recepção. Nem as pessoas e nem as coisas. Se uma pessoa qualquer vê um cadeirante em dificuldade ou sendo agredido, ela intervém,


tags: Danilo Freire, acessibilidade, crônica, (d)eficiência, cadeirante

RODAS por Danilo Freire

mas notem que isso não a transforma em ativista – ao dobrar esquina tudo volta a ser como antes e, ao chegar no prédio em que mora no 5º andar, sem elevador, já terá esquecido. Acessibilidade é um conceito que só nos últimos anos tem ganhado notoriedade, embora as pessoas com deficiência e mobilidade reduzida tenham existido desde sempre e a sua defesa esteja contida na Constituição democrática de 1988. Ocorre que acessibilidade não se trata apenas de uma questão de arquitetura. Enquanto possibilidade de recepção dessas pessoas é, claro, condição necessária; contudo, não suficiente. Trata-se também, senão sobretudo e até em primeiro lugar, de uma questão ética, postural – tem uma faceta subjetiva e outra objetiva. Parto da ideia de que existe algo em comum entre todo ser humano, que nos permite justamente chamar cada pessoa, em si distinta, pelo mesmo nome (ser humano), que nos coloca sob o mesmo princípio e, enfim, de algum modo nos faz iguais. E se somos de algum modo iguais, isso é indício de que deve haver alguns aspectos da vida em comum válidos para todos. Assim parece ser, por exemplo, uma das liberdades mais básicas e fundamentais: a de andar por aí, de ir e vir, de se locomover. Estima-se que existam atualmente cerca de 25 milhões de pessoas com deficiência no Brasil - não é pouca coisa. É claro que aí se incluem todos os tipos de deficiên-

cia, mas isso é detalhe. O que importa é que essas pessoas participam concretamente deste corpo ao qual chamamos humanidade e, diretamente ou por intermédio daqueles que com elas convivem, pagam impostos e movimentam a economia. Vê-se assim que a consideração da pessoa com deficiência é primeiro de natureza ética e só depois de natureza jurídica. Daí o dever de oferecer a elas a possibilidade de uso e fruição da liberdade (e direito) de ir e vir e de interagir com o mundo. Falando mais claramente: espaços e instrumentos públicos ou de uso coletivo devem estar aptos a receber as pessoas com deficiência, do contrário o administrador está sendo antiético e infringindo a lei. Não é só a repartição pública, o banco ou a prefeitura, é também o (seu) bar, o (seu) restaurante, a (sua) loja, o shopping e até mesmo os apartamentos de prédios novos ainda em planejamento ou construção. Um exercício interessante de se fazer é o seguinte: imagine que o mundo seja dominado, comandado por pessoas com deficiência, já pensou que mordomia seria para vocês que não têm deficiência alguma? Rampas, esteiras, elevadores, espaços amplos e confortáveis, tecnologia facilitadora etc. Talvez o dia em que as pessoas se derem conta de que um mundo adaptado é um mundo melhor para elas mesmas, talvez haja uma revolução, até lá elas continuarão pagando fortunas em apartamentos de 50 m² e um dormitório felizes da vida com a casa própria. São muito espertos esses normais!

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Imagine entrar em um lugar onde todas as épocas se misturam em araras de ferro e prateleiras de madeira. Um lugar onde roupas modernas, retrôs, vintages ou velhas mesmo estão à disposição por uma pechincha. Falando assim, parece que esse lugar não existe, mas os brechós existem há muito tempo e, em momento de acesso fácil à moda, estão sendo cada vez mais valorizados. A professora de moda da FIB e especialista em sustentabilidade na moda, Verena Lima, ressalta o valor socioambiental dos brechós, “os brechós estendem a vida útil do produto de moda, ou seja, prolongam um ciclo de vida que atualmente é muito curto, muito efêmero; e essa efemeridade, essa sazonalidade, faz parte da lógica do sistema da moda.” Verena também fala sobre a vida-útil das roupas, observando que “o que perde a validade é o ‘imaterial’, o estético simbólico,


tags: brechó, moda, fashion, retro, vintage

que são descartados quando ainda são válidos, ‘materialmente’ duráveis”. Como o comportamento do consumidor influencia diretamente no mercado, a professora observa que quando os produtos são reutilizados o processo de fabricação também muda o seu fluxo e vice-versa, influenciados também por novas ferramentas como o design e o marketing. Com o crescimento do apelo das mídias ao consumo consciente e com o resgate de valores como família e tradição, na opinião de Verena, a aceitação dos consumidores tende a crescer cada vez mais, além de ser uma questão cultural por ser um produto que já pertenceu a outra pessoa. A professora acredita que ainda haja preconceito e “principalmente uma certa ‘desconfiança’ da parte dos consumidores”.

A História Não há muitos registros sobre a origem dos brechós no Brasil. Umas das teorias é que no século XX um mascate chamado Belchior ficou conhecido por vender roupas e objetos de segunda mão no Rio de Janeiro e com o passar do tempo o nome de estabelecimentos com esse intuito passou de loja de Belchior para Brechó, simplesmente. Alguns historiadores consideram os brechós uma fonte riquíssima de dados de outras épocas da história tanto da moda quando da sociedade de um determinado lugar e por isso o valor do brechó foge do limitado fim comercial das lojas convencionais.

Em Bauru Pesquisando pela cidade de Bauru os diversos brechós da cidade, descobrimos

que em sua maioria estão localizados no centro, nos arredores da Avenida Rodrigues Alves e que suas localizações são pontos antigos, com compradores fiéis, de anos, e também com uma clientela rotativa de estudantes das universidades da cidade, que procuram por peças exclusivas e inovadoras. O Brechó Ponto Fixo tem uma clientela fiel tanto de quem compra as roupas como de quem fornece. A proprietária Sônia ressaltou o prazer de se trabalhar em brechós pelo fato da mercadoria ser algo inesperado, as roupas que chegam são sempre uma novidade e não seguem uma tendência da indústria da moda. Um fato interessante é que as roupas mais vendidas no brechó são artigos masculinos. Sobre o preconceito Dona Sônia fala sobre mudança: “antes as pessoas tinham receio em comprar em Brechó sim, agora melhorou”, conclui. Um estilo inovador de brechó é o Empório Contracultural Extinção, especializado em discos de vinil, vestuário e cultura, também localizado em Bauru. O lugar é bem vanguardista, além de brechó, é um sebo e exibe filmes semanalmente. Outro Brechó que visitamos é o Ponto Certo, que apesar de estar na mesma rua que o Ponto Fixo e terem um nome tão semelhante são de proprietárias diferentes. Dona Silene Maria Bertoli Gimenis, 55, dona do brechó diz que todas as classes sociais vistam o Ponto Certo. Ela ressaltou também o movimento feito por estudantes de moda e arquitetura que vem em busca de um bom acervo nos brechós. “Os jovens são mais desprendidos, mais esclarecidos”, confirma Silene. Todos os vendedores ressaltaram o cuidado que tem com as roupas usadas que recebem quando são vendidas. Elas são lavadas, consertadas (se necessário) e passadas, e só assim expostas.

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Na Internet Mas não só de nostalgia e tradição se fazem os brechós. Atualmente, é fácil encontrar na internet os chamados Brechós Virtuais. A Casa dos Brechós, por exemplo, já se explica no próprio slogan: “tudo o que rola nos bazares online”. Nesse endereço que começou como um simples blog de uma verdadeira “garimpeira” de brechós online, hoje é um site e já tem diversos colaboradores e parceiros. Lá existe uma lista imensa de bazares e

brechós online espalhados por todo o Brasil e a partir dos links é possível “bater uma perna” por vários deles. Outro brechó online é o da Mi Svicero. Ela é uma garota de 18 anos de Bauru, já conhecida no núcleo de moda da cidade por suas fotos e produções exibidas no seu blog e nas redes sociais. Ela sempre apresentou ter uma alma muito empreendedora e no seu site ela mesma posa com as roupas ofertadas e os preços são realmente muito bons, além de o frete ter um preço único para todo o país.

Endereços Brechó Ponto Fixo Compra e venda de confecções, calçados e objetos semi-novos em geral (som, TV, vídeo) Avenida Rodrigues Alves, 7-43 (14)3234-5220 / (14)3021-0335 Brechó da Zé Roupas, calçados, bolsas, utilidades domésticas, novos e usados Rua Monseunhor Claro, 1-18 (14)3206-9418 / (14)8803-9729 Brechó Ponto Certo Compra e venda de roupas, calçados e objetos semi-novos em geral Avenida Rodrigues Alves, 5-33 (14)3234-4944 Empório Contracultural Extinção Rua Cussy Júnior, 8-17 (14) 3018-1733 museudofuturo@gmail.com extincaodiscos.blogspot.com Brechó Virtual Mi Svicero www.misvicero.com.br Casa dos Brechós www.casadosbrechos.com


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Revista Tag #5