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O surfista Jorge Spanner, 22 anos, prometeu e cumpriu. Mesmo da forma mais difícil, sem nenhum patrocínio e apoio, o carioca conseguiu uma vaga, pela primeira vez, na elite do surf brasileiro ao ficar em quinto lugar no ranking do Brasil Tour. Com grande incentivo do pai, ele superou a perda do patrocínio e continuou seu trabalho. Mostrou que é um cara guerreiro, característica presente também em seu surf forte e com bastante explosão, que garantiu o vice-campeonato carioca. Esse novo representante carioca no Super Surf é o atleta revelação de 2008 escolhido pela Revista Surfar. O cara apavorou geral! Por: Adriana Berlinck Foto: Álvaro Freitas Você não acha que foi um erro investir no WQS sem ao menos uma base no brasileiro?

Com novo patrocinador, você vai se jogar novamente no WQS?

Não tem como dizer que foi um erro porque eu adquiri muita experiência, foi muito bom pra eu viajar o ano todo, estar com os melhores surfistas do mundo, aprendi muita coisa, então, eu acho que só veio a somar na carreira. Tentei pular uma fase sim, achei que investindo no WQS no ano de 2007 eu ia conseguir um patrocínio, só que eu vi que no Brasil as coisas estão meio difíceis.

Vai depender exclusivamente da vontade do meu futuro patrocinador, porque não dá mais, meu pai gastou muito dinheiro. Todo dinheiro que consegui em campeonato ia direto pra uma conta que a gente abriu para eu viajar. Por mais que você se dê bem, gasta muito nesses campeonatos. Vai depender só disso mesmo. Se os patrocinadores desejarem que eu fique só aqui no Brasil, ou se eles me apoiarem para ir lá para fora, aí vou com tudo.

Como você reagiu ao perder o patrocínio no momento crucial da sua carreira? Foi complicado, eu estava fora do Brasil quando recebi a notícia e pensei: “Caramba, tô aqui fora investindo mó dinheiro, meu patrocínio...” Dá aquela mexida, você fica abalado, mas eu sempre tive muita garra e corri atrás pra entrar pro Super Surf. Na dificuldade, eu tento buscar aquela força e até me deu mais instigação.

Minha estratégia será treinar muito, voltar a fazer o trabalho que eu fazia com Cacau, meu treinador desde pequenininho. Será um trabalho bem completo, com outras atividades voltadas para o surf, como natação e musculação. Vou voltar com força total a treinar, me dedicar pra conseguir já brigar pelo título no Brasil.

O que passou na sua cabeça quando venceu sem patrocínio a etapa do estadual em Saquarema com os melhores atletas do Brasil?

Qual o estilo do seu surf e a onda que você gosta de surfar?

Três anos atrás estava bem no ranking do Brasil Tour, mas acabei fraturando o joelho e perdendo o resto do ano todo. Quando voltei, em 2007, já foi correndo Brasil Tour e WQS. Fiquei na portinha e só não entrei porque perdi uma etapa em Pernambuco. Em 2008, sem patrocínio, eu decidi ir com tudo pro Brasil Tour. Pensei também em parar, correr atrás de um trabalho e voltar a estudar, só que parei pra analisar e percebi que podia fazer o que fosse pra ficar bem e ter dinheiro, mas longe do surf não estaria feliz. Então, a gente puxa aquela força lá de baixo e vai com tudo, porque vai dar certo. O que achou dessa procura das marcas só neste momento que você se deu bem nos campeonatos? Aqui no Brasil é muito assim. Viajei bastante, fui pra Austrália e lá conheci surfistas profissionais e vi que é diferente daqui: quem surfa bem e tem um surf diferenciado está ganhando um dinheirinho vencendo ou não campeonatos. Como você acha que estão os brasileiros no circuito mundial?

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Qual vai ser sua estratégia de trabalho para esse ano?

O que falta é um pouco de empenho, de profissionalismo e de dar tudo pelo esporte. A galera no Brasil é mais surfista do que atleta, porém tem que ser mais atleta ainda, viver 24 horas o surf, fazer tudo em prol do esporte. Isso engloba alimentação, novos treinamentos, equilíbrio de mente e corpo. E a estrutura todo mundo sabe que deixa muito a desejar.

O estilo do meu surf, eu definiria como surf de linha e forte, que usa bastante a borda, bastante pressão, surf de pegada. E a onda que eu mais gosto é a bem pesada, com bastante área para trabalhar, onde você consegue alongar mais os arcos, fazer um surf mais linha e pressão. . Ver a galera nas competições correndo com patrocínio, enquanto você está numa situação incerta, mexe com teu ego, te deixa irado, como é? Com certeza. Mas em momento algum eu invejo, são meus amigos e eu fico amarradão que eles estão com patrocínio. Porém, isso me dá uma instigação para eu mostrar serviço, meu surf, mostrar que eu tenho qualidade também pra ter patrocínio. Dá uma força, um estímulo. Como você se define como surfista? Sou um atleta que tem um potencial muito grande, bem focado. Desde pequeno, estou sempre fazendo um trabalho com o Cacau. Na academia faço tudo voltado para o surf e sou um surfista que virá com tudo. No Brasil, pode-se dizer que sou uma promessa.pequenininho. Ele vai unir eu e Simão Romão num trabalho bem completo, com outras atividades voltadas pro surf como natação e musculação. Vou voltar com força total a treinar, me dedicar pra conseguir já brigar pelo título no Brasil.

Surfar #5  

Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

Surfar #5  

Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

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