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Nathansohn tem 63 anos de idade e quase isso como artista plástico. Autodidata, começou tão cedo a desenhar que nem se lembra quando foi. Mas do surf ele lembra muito bem quando se aventurou nas pranchas ainda de madeirite, numa época que crowd nem existia no vocabulário dos surfistas. Ao lado de Fernandinha, Arduino, Tito Rosenberg, Marcos e Paulo Sérgio Vale, Mario “Bração” Brant e muitos outros precursores e desbravadores de praias como Macumba, Prainha e Grumari, Nathansohn ajudou a construir a história do surf carioca no Arpoador. Para unir suas duas maiores paixões, o local de Ipanema pegou sua caixa de lápis de cor e começou a pintar ondas perfeitas no traço a mão livre que não sabe nem de quem herdou. “De repente da minha mãe, ela era muito habilidosa”, acredita. “Na vida real, tanto a onda como o surfista podem não estar bem, mas no desenho posso fazer com que os dois sejam ideais: a melhor onda com o melhor aproveitamento do surfista”, divertese Nathansohn ao explicar que a relação onda/surfista é o que o motiva a desenhar. Deslizando pelas ondas desde a década de 60 até o século XXI, Carlos Roberto acredita que para ser um desenhista de surf é preciso fazer parte da tribo. “É raro conseguir retratar o surf sem ter vivido”, diz, enquanto termina mais uma de suas obras em sua

casa e retiro, em Vargem Grande, numa mesa cheia de lápis de cor Caran D’Ache e papel Schoellers. Em pé, verificando a perspectiva da obra com um cuidado exato, ele deixa o protagonista para o final. “O surfista é a última coisa que faço. Desenho ele no vetorial e mexo como se fosse uma animação, tenho sempre cuidado com seu tamanho na onda, pois precisa ser perfeito”, explica e conta sobre a novidade em seus quadros, a computação gráfica. Estatístico por formação, Nathansohn aliou equações matemáticas a suas obras. Além de usar o lápis de cor, ele utiliza o mouse e desenha com as Curvas de Bézier. As imagens criadas podem ser ampliadas infinitamente, já que não são formadas por pixels e sim equações que ajustam os parâmetros e proporcionam tal amplitude. “A minha relação com a máquina é muito amistosa, vi aparecer o primeiro PC e estou sempre aprendendo coisas novas, buscando com os jovens”, diz o matemático, que adicionou softwares de desenho e tratamento sobre suas ilustrações. Para conferir de perto as obras do carioca Carlos Roberto Nathansohn, basta entrar em contato com o artista pelos telefones (21) 3204-1461 e 8228-7477.

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Surfar #5  
Surfar #5  

Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

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