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Annibal

Arquivo Pessoal

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Da esq. para dir. Joca com quiver do Renan Rocha; bons tempos na Zona Sul e ao lado de sua esposa Ana Laura.

Brasil e o Mundo

Anniba

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Um exemplo de assunto que deixa Joca intrigado é o mercado nacional e os brasileiros no WCT, coisas que para ele caminham lado a lado. “Na época de Renan, Teco, Fabinho, Peterson, Herdy e Victor, os caras eram o esquadrão brazuca. O brasileiro tinha muito mais personalidade. Não existe mais personalidade, união. Ninguém trabalha na mesma linha, no mesmo objetivo e fica cada um por si. É uma discussão ampla e seríssima. No final do ano tínhamos apenas três brasileiros com chance no WQS. Por que isso? Os surfistas pioraram? Não. Acho que é porque eles têm menos personalidade, apoio e união. O mercado virou contra eles”, analisou. “O brasileiro já é um povo colonizado por natureza e nos deixamos ser colonizados pelo esporte. As marcas internacionais querem vender a imagem do atleta havaiano, australiano, americano e o produto brasileiro está perdendo o valor. Não respeitam mais o brasileiro porque ele quer se fingir de gringo e o mercado está vendo isso. Vemos várias marcas brasileiras que investem no circuito, em mídia e

atletas. Por que o mercado diz que é uma marca brega? São as mesmas roupas, tecido, estampa. O mercado tem que acordar. Tenho o maior orgulho de usar marcas brasileiras e isso repercuti lá fora”, completou Joca. Assim como acontece com as marcas, Joca acredita que essa desvalorização chega às pranchas nacionais, que esbarram na competição com as estrangeiras, inclusive no mercado interno. “Lá fora eles têm uma proteção muito grande com os nossos produtos e com as pranchas acontece a mesma coisa. Não vou dizer que as minhas pranchas para o Hawaii são melhores que as dos havaianos, mas não podem falar que as pranchas brasileiras não funcionam no Hawaii. O Bruninho mesmo arrebenta com pranchas brasileiras nas ondas mais cascudas do mundo. Isso é tudo imagem. Essa desvalorização da prancha e da roupa brasileira é muito séria. Não sou dono da verdade, mas é uma coisa que acredito que esteja acontecendo. Eles estão querendo que sejamos um mercado consumidor e estão conseguindo”, falou e disse. Quando questionado se a vida de shaper realmente valeu à pena, a resposta de Joca foi imediata: “Faria tudo novamente igual, não me arrependo de nada que fiz, apenas algumas coisas que não fiz.”, reflete com muito orgulho da profissão.

Do shaperoom para dentro d’agua para testar suas pranchas.

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Surfar #5  

Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

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