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Pedro Monteiro

Pedro Henrique, atleta Wetworks, voando na Praia do Cachorro, em Noronha.

Um Ano para Comemorar

O tempo passou e, desde a primeira fábrica, nos anos 80, quase uma vida. De futuro incerto, a solidificação de uma carreira como shaper. Se valeu a pena seguir esse caminho? A resposta é sim. Mas o conformismo e a acomodação não podem existir. O mercado não alivia e é implacável. É preciso sempre evoluir, buscar o melhor. Viver no Brasil como shaper é viável, mas não uma tarefa fácil. As incertezas da profissão são evitadas pela maioria dos jovens de classe média, como era Joca no início. Outra questão é fazer o consumidor entender o porquê do valor da prancha. “O mercado está competitivo no mundo inteiro. Quando comecei não havia informação nenhuma e quem as tinha não passava adiante. Hoje você vê tudo na internet e, se quiser fazer uma prancha, faz. Você faz pelo computador, lamina em qualquer lugar e a prancha vai boiar. Acaba que você coloca no mercado um material de quinta categoria e muita gente acha que é tudo igual. A desvalorização da prancha vem com a de todo o mercado brasileiro. Temos um custo elevado, concorrendo com produtos mais baratos e de baixa qualidade. O problema não é o cara não ter dinheiro. Gostaria de comprar uma Ferrari, mas, de repente, não posso. O problema é dizer que tudo é igual, o que não é. É impossível fazer uma prancha barata e de qualidade. São muitos gastos com atletas e material de primeira linha”, diz Joca.

Em termos de resultado em competições, o ano de 2008 foi excelente. Dois de seus surfistas, que foram trabalhados pelo shaper desde cedo, conquistaram títulos importantíssimos. Guga sagrou-se campeão brasileiro e Bruno Santos venceu a etapa do WCT em Teahupoo. Para Joca, que tem entre as prioridades os resultados em competições, um ano quase perfeito. “O Bruninho é o melhor tube rider do Brasil em todos os tempos e provou isso nesses anos de triagem de Pipe Masters e Taiti. O Pepê era muito bom, o Valdir Vargas, o Herdy e mais vários também. Falaram que o Bruno não sabe pegar tubos de backside. O cara que falou isso nunca viu e falou uma besteira com uma autoridade que não tem. Tentou estragar a imagem de um surfista que não merece. Se o Bruno Santos fosse americano, ele estava rico. Seria como o Jamie O’Brien e ganharia não sei quantos milhões para ficar em Pipe pegando onda. Não ficariam contestando ele.” Outro momento que emocionou Joca em 2008 foi o título de Gustavo Fernandes, campeão brasileiro. “É um surfista que tem um dos melhores backsides que já vi, como o Pedro Müller. O Guga é a mesma coisa. É muito bom surfista, pega ondas grandes e é um excelente competidor. Me emocionei com ele porque, como acontece com os torcedores de futebol, sou fanático pelo surf.”

Álvaro Freitas

Viver de shaper no Brasil

Joca em seu escritório.

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Surfar #5  
Surfar #5  

Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

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