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Pessoal

No posto seis de Copacabana e nas esquerdas do Arpoador, o garoto amadureceu. Sua primeira prancha foi um presente que seu pai fez com o pessoal do arsenal de Marinha. “Interessante que já era de resina epoxi, o material usado nos barcos. A prancha tinha o desenho de uma âncora no fundo e foi nessa época que comecei. Meus pais se separaram e morava com a minha mãe e a minha avó. Nos fins de semana, meu pai enchia o carro e me levava para Prainha”, lembra Joca Secco. Na década de 80, em parceria com o grande amigo Ricardo Martins, foi criada a Hidrojets. “Começamos em Copa eu, Ricardo, Luís Ferreira e Paulinho. Continuamos eu e Ricardo. O Luís hoje é Procurador da Justiça e o Paulinho está na Austrália”, lembra. Apesar de algumas dúvidas pelo caminho, não teria mais jeito, Joca e o surf nunca mais se separariam. Pode-se dizer que a primeira fábrica, Hidrojets, teve sucesso. As encomendas aumentavam e já havia uma boa equipe de surfistas. No início, responsável pelo gloss e pelo polimento das pranchas, Joca logo evoluiu para shaper, já que novos funcionários foram contratados. Entretanto, numa época de grande instabilidade econômica e inflação implacável, veio o Plano Cruzado e uma rasteira que seria uma lição para os ainda jovens empresários. A inexperiência faria com que pagassem um alto preço que daria fim de uma vez por todas à Hidrojets, pelo menos sob o comando dos shapers. “Aprendemos quase tudo no início, na base de tentativas e erros. Fomos apanhando e aprendendo. Não tínhamos a marca registrada e um cara (o ex-deputado Turco Loco, de São Paulo) acabou registrando. Ele tentou nos vender, mas não tínhamos como gastar tanta grana, ainda mais por uma marca que era nossa. Foi aí que a Hidrojets acabou de vez”. Durante dois anos, Joca e Ricardo separaram-se. Ricardo manteve-se mais atuante, enquanto Joca dividia seu tempo entre o trabalho com o irmão Pedro e a fabricação de pranchas. Durante o dia trabalhava como corretor de cargas de navios. À noite, voltava à função de shaper na sala montada

na cobertura do apartamento da avó. Foram dois anos nessa vida. De um lado o emprego que garantiria a estabilidade com a menor margem de erros. Do outro, o sonho de viver do surf e a vocação para esculpir pranchas. Joca trilhou os dois caminhos enquanto foi possível, mas o volume de trabalho nos dois seguimentos crescia. Os dois empregos juntos tornavam-se inviáveis, era uma questão de tempo. O casamento com Ana Laura, sua companheira até hoje, também era mais um motivo de pressão. O surfista do Arpoador já não era mais um garoto e uma decisão teria de ser tomada. Qual caminho seguir? O mais provável ou o cheio de incertezas? “O Ricardo começou a dar o gás nessa fase e a equipe de surf ficou toda com ele. Quando cheguei a esse dilema, ele falou que teríamos que continuar. Meu irmão, vendo isso, disse que era para tirarmos umas férias e irmos para Tavarua. Falei para ele: Pô, para Tavarua resolver? Aí é que não vou resolver nada mesmo! Mas quando voltei não teve jeito. Foi muito importante a ajuda do meu irmão e toda a estrutura que tive na família. Se me desse mal, ele me garantiu que poderia voltar a trabalhar com ele, isso foi fundamental.” Ricardo e Joca voltaram a trabalhar juntos. Como estavam sem fábrica, o espaço na fábrica de laminação Superglass tornou-se o novo quartel general da dupla. Lá dividiam as salas com outros shapers, como Gustavo Kronig e Crivella. “Foi uma época muito legal e fizemos bastantes pranchas. O meu volume e o do Ricardo ficaram além do que a Superglass gostaria de trabalhar. Começou a atrasar muito as entregas das pranchas e isso incomodava. Depois (em 1993) viemos direto para cá”, disse Joca, já na atual fábrica, num terreno em Vargem Grande (RJ) de três mil m², mais de 20 funcionários e três shapers, já que Cláudio Hennek, o Alemão, ex-atleta da extinta Hidrojets, entrou para o time. E assim segue o trabalho do shaper. Sempre ao lado de Ricardo Martins, o grande amigo da Rua Santa Clara, em Copacabana, colega de colégio e surfista do mesmo pico. “O Ricardo é uma pessoa espetacular. Posso dar ênfase à honestidade e ao respeito. Na verdade, somos amigos, sócios e concorrentes há 30 anos. Nunca tivemos problema. Sempre respeitei os clientes e atletas dele e vice-versa. Pensamos na mesma linha, com os mesmos ideais.”

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O início: de Hidrojets à Wetworks

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Surfar #5  
Surfar #5  

Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

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