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Roberto Price

Jóquei Clube lotado para a sessão de surf.

Mineirinho garantiu o Brasil no Top 10.

Brasil Só Com Três No WCT

Surf Pro Na Telona O Rio de Janeiro recebeu em grande estilo no Jockei Club da Gávea a lenda do surf e ex-campeão mundial Shaun Tomson para a pré-estréia do documentário que conta o nascimento da profissionalização do surf com cenas históricas da década de 70: Bustin’down the door, dirigido por Jeremy Gosch. A noite do dia 7 de dezembro finalizou o maior evento de cinema a céu aberto do país. O Claro Cine contou com uma seleção de 26 atrações musicais e 21 filmes de todos os gêneros exibidos na mega-tela. Todos os olhares voltados para o surf polido dos ainda jovens Wayne Bartholomew, Ian Cairns e Shaun Tomson. O longa metragem mostra a temporada de inverno de 1975 no Hawaii, quando esse grupo de surfistas, vindos da Austrália e da África do Sul, dedicou toda vida e muitas economias para criar um esporte, uma cultura e uma indústria do surf que hoje gera bilhões de dólares. Antes de começar a exibição, Shaun Tomson, hoje com 51 anos e no filme com apenas 18, deixou seu recado. “Espero que todos vocês, com esse filme, sintam-se realizando um sonho que nós pudemos realizar, o sonho de chegar ao Hawaii como completos desconhecidos e mudar a história no surf”, disse o sul-africano, que foi aplaudido por mais de mil pessoas. Shaun foi o único não-australiano a ganhar o título mundial, em 1977, quando já se passavam nove anos de circuito. Ficou entre os seis melhores competidores do mundo entre 76 e 84. Passou 14 temporadas no mundial e se aposentou em 89. Após a apresentação, Shaun posou para dezenas de fotos e mostrou que além de um grande surfista também é uma pessoa de muito carisma.

Feserj Premia Melhores Do Ano Numa reunião para comemorar mais um ano de muito trabalho, surfistas de diferentes categorias compareceram em peso no encontro dos melhores do Rio, dia 17 de dezembro, no Espaço Cades, no Recreio. O evento que marcou o término da temporada teve 55 surfistas homenageados pela Feserj. Os troféus de melhor do ano levam os nomes de duas personalidades marcantes do surf nacional e que nos deixaram recentemente: o carioca Caio Monteiro, ex-técnico da equipe brasileira e hexa-campeão pela equipe do Rio de Janeiro, para a modalidade pranchinha, e Olímpio Batista, baiano radicado no Rio e campeão brasileiro profissional de Longboard, para a modalidade dos pranchões. Também foram homenageados Gustavo Fernandes, campeão brasileiro; Jeremias da Silva e Mainá Tompson, campeões brasileiros profissionais de Longboard; Bruno Santos, campeão mundial da etapa em Teahupoo; Simão Romão, campeão no Arpoador do WQS; e Raoni Monteiro, campeão sul-americano. Mais resultados: www.feserj.com.br.

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O WCT 2008 foi encerrado em dezembro sem o Billabong Pipeline Masters provocar mudanças entre os 27 atletas mantidos na elite para este ano. O Brasil tem apenas três representantes na lista dos 42 classificados: o paulista Adriano de Souza, o cearense Heitor Alves e o paranaense Jihad Khodr. É o menor número desde 1993, quando tínhamos os pioneiros Fábio Gouveia, Teco Padaratz e Peterson Rosa. É também a primeira vez na história que a França e a África do Sul se igualaram ao Brasil. Mesmo perdendo na estréia, Heitor continua no Tour. Já Jihad garantiu seu nome na lista da elite mundial com o vice-campeonato no primeiro desafio da Tríplice Coroa Havaiana e uma das etapas do WQS, em Haleiwa Beach. Mineirinho, mais tranqüilo, permanece ao ficar entre os Top 10 do WCT. Neco Padaratz que voltou a sentir fortes dores nas costas e poderia ganhar um dos convites oferecidos pela ASP aos que se machucaram na temporada, vai entrar com um pedido para 2010, pois este ano pretende fazer o tratamento completo. Ainda assim, o Brasil teve seu pior desempenho no Mundial desde a estréia das duas divisões: apenas dois foram mantidos pelo ranking principal e só um classificou-se pelo acesso, fato que existiu apenas uma vez na história do surf, na primeira edição, em 1992, quando o paranaense Peterson entrou para a elite. Naquele ano, Teco foi o primeiro campeão mundial do WQS e já tinha sua permanência garantida pela WCT, assim como Fabinho. No ano seguinte já eram nove brazucas entre os Top 44 e chegou a onze em 2001, dez em 2002 e voltou a nove em 2003, manteve oito por três temporadas e daí caiu para sete, seis e agora três. A temporada passada teve o maior número de provas importantes no país (seis) em toda história do WQS. Na reta final, chances não faltaram para nossos representantes. Na etapa de Itajaí, em Santa Catarina, por exemplo, dos cinco brasileiros que chegaram as quartas, nenhum deles passou da rodada dos 24 e se complicaram. Só que mais importante ainda era Pedro Henrique, Raoni Monteiro, Léo Neves e Hizunomê Bettero terem conseguido chegar à final. Os dois últimos ficaram em terceiro lugar e dependendo das etapas mais difíceis, Haleiwa e Sunset, para entrar no WCT. Assim, nove brasileiros chegaram com chances de vagas nas etapas do Hawaii, mas para a decepção da torcida brasileira apenas Jihad conseguiu. Para completar, sem a classificação para o WCT, os quatro cariocas: Raoni, Léo, Pedrinho e Simão Romão acabaram perdendo seus patrocínios na virada do ano.

Surfar #5  
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Revista Surfar #5 ( Janeiro / Fevereiro 2009 )

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