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ANO 7 - N° 38 - 2011 aNO 7 – Nº 38 – 2011 eXeMPlaR De a s s i N a N t e veNDa PROiBiDa

A boa forma de

Nathalia Gomes no Vila Ventura

www.sulsports.com.br

Nos mares da Patagônia de caiaque Entrevista exclusiva com Jorge Gerdau Johannpeter sobre o início do surfe no sul do Brasil Nathalia veste live!


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Editorial

FOTO: GUILHERME LEPORACE

Está chegando...

Falta pouco agora, mas estamos quase lá! Os 8 anos da revista, que serão comemorados no final do ano, estão logo ali. Estamos na incrível edição 38 agora, e só faltam duas para a 40ª! Para este aniversário, preparamos três ações especiais: uma já foi lançada, a estreia da Sul Sports TV, que teve a sua primeira filmagem no lançamento da revista, em maio. Mas ainda vem aí o livro da Sul Sports, em capa dura, que está ficando incrível! E também vamos lançar a coleção de camisetas estilizadas da Sul Sports, em conjunto com a Indiada. As primeiras peças já estão no forno, e logo em breve a primeira coleção estará nas lojas da Indiada com exclusividade! Enfim, bastantes novidades para você que sempre nos prestigiou nestes anos. Mas falando em revista, esta edição também tem algumas novidades: agora vamos contar com matérias lá do outro lado mundo, já que, diretamente da Austrália, a dupla de amigos Gustavo Faraco e Pierre Mallmann irá nos contar algumas novidades do país dos cangurus – e nesta edição eles já deram um belo início, com uma matéria sobre o festival de blues que rolou por lá. Também estreando agora, a colunista cultural Thaiane vai nos atualizar ou relembrar de algumas atrações culturais que a capital recebe e que às vezes passam desapercebidas pela grande maioria. Thaiane vai registrar tudo aqui! E claro, temos muito, mas muito esporte de aventura: tem caiaque na Patagônia, gente velejando no Guaíba e pelo mundo, kitesurf, Stock Car, off-road e... os ensaios, a marca registrada da revista! Boa leitura, Equipe Sul Sports

Índice

ANO 7 – Nº 38 – 2011 EXEMPLAR DE A S S I N A N T E VENDA PROIBIDA

A boa forma de

Foto: Christiano Cardoso Modelo: Nathalia Gomes

Nathalia Gomes no Vila Ventura Nos mares da Patagônia de caiaque Entrevista exclusiva com Jorge Gerdau Johannpeter sobre o início do surfe no sul do Brasil NATÁLIA VESTE LIVE!

8 COLABORADORES | 10 CURTAS | 24 ORTOPEDIA | 26 EVENTO | 28 BODY ONE | 30 LANÇAMENTO | 34 CULTURA | 36 CONGRESSO | 38 SPORTS GIRL | 40 PSICOLOGIA DO ESPORTE | 40 AVENTURA | 48 TRIP | 52 MOCHILÃO | 60 ODONTOLOGIA DESPORTIVA | 62 BLITZ | 64 FISIOTERAPIA ESPORTIVA | 66 NA PAREDE | 70 DESTINO | 72 DIREITO DESPORTIVO | 74 FUTEVÔLEI | 76 IMAGEM | 78 PORTFÓLIO | 82 FESTA | 84 STOCK | 86 SUBWAY | 88 EVENTO | 90 KITE | 96 ATIVIDADE FÍSICA | 98 MÚSICA | 102 DESTINO AZUL | 108 CONEXÃO CURITIBA | 110 CONEXÃO RJ | 114 CAIAQUE | 118 OFF-ROAD | 120 ENTREVISTA | 126 MARKETING ESPORTIVO | 128 IRONMAN | 132 ENSAIO | 140 CORRENDO PELO MUNDO | 146 TOQUE FINAL |

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> COLABORADORES <

Ana Karina Belegantt e João Paulo Lucena (Aventura)

> EXPEDIENTE <

Cris Berger (Correndo pelo Mundo)

Ano VII – N° 37 – 2011

DIRETOR Christiano Cardoso sulsports@sulsports.com.br Diego Larré (Fotógrafo)

André Larrêa (Fotógrafo)

ASSESSORIA JURÍDICA

Almeida&Almeida Advogados e Eduardo Di Giorgio Beck Rafaella Malucelli (Conexão Curitiba)

Leonardo Spencer (Trips)

REVISÃO 3GB Consulting – Consultoria em Comunicação Corporativa – www.3gbconsulting.com.br DIRETORA COMERCIAL Roberta C. Teixeira

Roberta Borges (Ehlas.com.br)

Carlos Peçanha (Música e Viagens)

DESIGN/EDITORAÇÃO Vinícius Santos IMPRESSÃO Gráfica Pallotti

Ana Balardim (Conexão Rio de Janeiro)

Beto Conte (Viagens)

A REVISTA SUL SPORTS É 100% GRATUITA, E VOCÊ PODE ENCONTRÁ-LA NESTES LOCAIS: ACADEMIAS: 3 Figueiras, ACM Fitness, ALJ, Alternativa, Base, Bio Ativa, BioDinâmica, Body One Club, Body Sull, Cia Athletica, Derose (3 Sedes), Esporta, Esporte Brasil, Fitness Hall, Fits, Heroos, HP Fitness, Ipanema Sports, JB Nunes, Metaforma Estúdio, MR, Natacenter, Natasul, Nika Paddle, On Line Fitness, Oxigênio Sports, Porto do Corpo, Pro Gym, Quality Fitness, Renz Fitness, Sal da Terra, Smart Fit, Stúdio 1 Fitness, Sul Jiu Jitsu, VITTA. BARES, CAFETERIAS E RESTAURANTES: Bazkaria, Café do Porto, Dado Pub, Fratello, Z Café, Le Bistrot, Oficina do Açaí, Peppo Cucina, Riversides Shikki Café, Saúde no Copo, Suzanne Marie Restaurant, Todo Saúde. CLUBES: Associação Leopoldina Juvenil, GNU, Jangadeiros, PUCRS Parque Esportivo, Sogipa, Veleiros do Sul. LOJAS: Amitié, Big Wall, Bike Tech, Brasil Sul, Datelli, Homem Company, Indiada, Flex Nutrition Center, LIVE! Concept Store, Óptica Foernges, Paquetá Esportes, SNC Sports. + LOCAIS: Copagra/Ford, Espaço Glam, Hotel Vila Ventura, Nicholas Galvão Espaço de Beleza, Sexton, Simpala/GM, SPA Porto Alegre, Vitalita SPA, W Station. *

Locais com grafia destacada são também anunciantes desta edição.

PERIODICIDADE Março, Maio, Julho, Setembro e Dezembro ASSINATURAS www.sulsports.com.br TIRAGEM 5.000 revistas asseguradas por Deloitte

CONTATOS Rua Padre Chagas, 185, sala 1103 Porto Alegre - RS - 90570-080 Fone: 51 3222.1397 E-mail: sulsports@sulsports.com.br Site: www.sulsports.com.br www.facebook.com/christiano.cardoso @sulsports

A revista Sul Sports não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios veiculados. Opiniões e conceitos emitidos pelos colunistas e colaboradores não representam necessariamente os da revista.

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O VELOCĂ?METRO MEDE TANTO A VELOCIDADE QUANTO OS BATIMENTOS DO CORAĂ&#x2021;Ă&#x192;O.

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Respeite a sinalização de trânsito. SulSports38.pdf 9

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Curtas Linea Premium A LINEA PREMIUM SEVEN BOYS oferece uma seleção de três variedades de pães produzidos a partir de receitas que combinam porções generosas de ingredientes superselecionados. As versões Castanhas & Nozes, Granola & Passas e 12 Grãos Sem Adição de Açúcar são também preparadas com um toque a mais: o toque do chef. Outro diferencial sem similar apresentado pela LINEA PREMIUM SEVEN BOYS é a combinação gourmet com o caráter de saudabilidade. Farelo de trigo, flocos de centeio, sementes de girassol, sementes de linhaça marrom, fibra de trigo, gergelim em grãos, açúcar mascavo, gordura de palma, nozes, castanhas, uva passa, ameixa, castanha de caju, granola, soja e aveia são apenas alguns dos ingredientes adicionados às receitas. O site www.sevenboys.com.br apresenta dados sobre a empresa, linhas de produtos e demais lançamentos.

Gregory Diegues O piloto, que compete na categoria cadete, foi vice-campeão sul-americano de kart na 1ª Copa Codasur. O campeonato ocorreu na cidade de Nova Santa Rita (RS), no kartódromo internacional do Velopark, o maior complexo automobilístico da América do Sul. Na corrida final, após travar duelos emocionantes, o jovem piloto, que sofria com o fraco rendimento de seu motor, mostrou muita determinação, competência e habilidade ao superar seus adversários com ultrapassagens sensacionais. O piloto conquistou, uma a uma, posições importantes que fizeram com que cruzasse a linha de chegada logo após o líder e recebesse a bandeirada final na 2ª posição, conquistando o vice-campeonato sul-americano.

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Curtas Lars Grael vence em Angra Veleiro de 1933 vence I Regata de Veleiros Clássicos em Angra dos Reis. A primeira Regata de Veleiros Clássicos foi um sucesso! O evento aconteceu em maio de 2011, em frente ao Hotel Novo Frade, em Angra dos Reis. A academia Fitness Hall continua inovando e trazendo

Enquanto o sol brilhava, formando um lindo pano de fundo para as belas

novidades a seus alunos. Sempre focando em trazer bem-

ilhas de Angra, os velejadores desfilavam toda a sua técnica para obter o

estar ao seu aluno, a academia Fitness Hall estará promo-

melhor desempenho de seus barcos.

vendo, juntamente com a SNC (Sports Nutrition Center), várias ações promocionais nas novas atrações que a academia oferece: Treinamento Funcional e Dança de Salão. Em breve, Treinamento Suspenso. Mais informações em www. fitnesshall.com.br.

A chegada foi apertadíssima, com menos de dez segundos de diferença entre primeiro e segundo colocados. Os três primeiros veleiros foram Marga, Orion e Lady Lou, nessa ordem. O Marga, mais antigo da competição (fabricado em 1933), foi um presente de Torben Grael ao seu irmão, Lars Grael, que guiava o barco. Mais informações: www.midiabacana.com.br.

Alison e Emanuel conquistam o ouro na final brasileira A festa era verde e amarela e nela sobressaiu a dupla que vestiu verde, na final do Campeonato Mundial de Vôlei de Praia 2011, em Roma, na Itália. Alison e Emanuel venceram Ricardo e Márcio por 2 sets a 0 (21/16 e 21/15) e ficaram com a medalha de ouro. Com o título, Emanuel conquistou o tricampeonato mundial (1999, 2003 e 2011), enquanto Alison estreou no lugar mais alto do pódio na competição que acontece a cada dois anos.

CAT Footwear A marca de calçados mundialmente reconhecida por design de qualidade, conforto e durabilidade apresenta novos modelos de botas masculinas no Brasil. Um dos modelos dessa gama de lançamentos é o Levitate. Silhueta versátil, materiais de qualidade e a tecnologia aplicada iTechnology são as características principais do modelo, perfeito para o dia a dia. Outro ponto de destaque é a durabilidade: o seu genuíno sistema Goodyear de costura evita o descolamento do calçado, proporcionando mais força e resistência. Disponível nos números 38 a 43. Mais em: www.catfootwear.com. 12 > SUL SPORTS

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Curtas Ecocaminhantes na Patagônia 2012 Natureza e paisagens exuberantes, muito ar puro e águas límpidas. Esses são alguns dos “prêmios” reservados aos que elegem, como nós, os EcoCaminhantes, a Patagônia argentina e chilena como roteiro de viagem. O grupo está com as inscrições abertas aos interessados em acompanhá-los em uma série de caminhadas e trekkings na Patagônia. É ótima oportunidade de desfrutar as belíssimas paisagens do fim do mundo, com caminhadas guiadas no Parque Nacional Los Glaciares e Tierra del Fuego, na Argentina, e Parque Nacional Torres del Paine, no Chile. A viagem será realizada de 17 de fevereiro a 4 de março de 2012. Informações: www.ecocaminhantes.com.br ou pelo (51) 8411-6221e 9958-1059.

Flex Nutrition na Expo Nutrition & Sports Show, no Rio de Janeiro

Matheus Stumpf e Valdeno Brito vencem a Itaipava GT3 O fim de semana de sonho para a dupla Valdeno Brito e Matheus Stumpf terminou com uma vitória dupla em Santa Cruz do Sul. Foi a segunda conquista deles, que haviam vencido também a prova da véspera, e a terceira consecutiva em 2011. Resultados tão positivos que permitiram que eles assumissem a liderança do campeonato, agora empatados com Cleber Faria. Foi o primeiro fim de semana de corrida do novo carro. A dupla havia largado em 12º lugar. Com a segunda colocação, Claudio Ricci, parceiro de pilotagem do paulista Rafael Derani, ajudou a formar uma dobradi-

A Expo Nutrition é a única feira do setor de nutrição esporti-

nha gaúcha em Santa Cruz do Sul. O vencedor, Matheus Stumpf, também

va no Brasil que reúne as mais importantes marcas nacionais e

é piloto local e corre em parceria com o paraibano Valdeno Brito.

importadas de suplementos, vitaminas, minerais e isotônicos, além das mais conceituadas empresas do setor. A Flex Nutrition

FOTOS DUDA BAIRROS

estará presente com seu stand, apresentando as marcas que importa e comercializa com exclusividade no Brasil, como VPX, Scivation e PrimaForce. A Expo Nutrition acontece de 14 a 16 de julho, no Píer Mauá, Rio de Janeiro, paralela à 13ª Rio Sports Show e Fight Pavilion. Visite os sites www.exponutrition.com. br e riosportshow.com.br para mais informações. Venha retirar seu convite na Flex Nutrition loja Amélia Telles, 392, fone (51) 3333.1182.

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Curtas É Peeeennntaaaaaa!!!! Clube Guaíba-Porto Alegre (GPA) conquistou o 1º lugar na classificação geral do XVI Campeonato Sul-Americano de Remo Master, disputado na província de Tigre, na Argentina. Com o resultado, a equipe patrocinada pela Elipse Software sagrou-se pentacampeã do torneio. O acordo, firmado com a Elipse em abril deste ano (2011), prevê o apoio, durante os próximos dois anos, da empresa desenvolvedora de soluções de software para automação. Uma parceria que, segundo o vice-presidente de esportes do GPA, Marcelo dos Santos Richter, tem tudo para trazer ainda mais troféus e medalhas ao clube de remo mais antigo do Brasil, fundado pela comunidade germânica de Porto Alegre em 1888. Mais informações e imagens do evento podem ser encontradas nos sites www.remomaster.org.ar ou www. martaesergio.com.br.

jornalista e relações públicas Patrícia

Cielo brilha em Paris

Zingalli criaram uma confraria só

O velocista brasileiro Cesar Cielo ganhou três medalhas de ouro

para mulheres. Apaixonadas pela

no 5º Open de Paris (FRA), sendo uma delas nos 50 m livre, pro-

vida e experts no planejamento

va em que é campeão olímpico e mundial e recordista mundial. E

e organização de eventos, elas

Cielo ainda fez o melhor tempo do mundo no ano, com a marca

chegaram à conclusão de que

de 21s66, na piscina do Le Croix Catelan, no Bois de Boulogne.

precisavam aproveitar o Espaço de

Agora, tem as duas melhores marcas de 2011 na prova, uma vez

Eventos Quero Mais (propriedade

que a marca anterior, de 21s73, feita em maio, também pertencia

de Valéria e Valesca) para organizar

a ele. O barbarense Cesar Cielo, de 24 anos, terminou o Open de

encontros de mulheres de bem

Paris com um balanço muito positivo, como confirmam as três

com a vida, que gostam de curtir

medalhas de ouro nas três provas que nadou.

A empresária e administradora de empresas Valéria Totel, a empresária e psicóloga Valesca Totel e a

FOTO CESAR DUTRA

Projeto Lulu’s

bons momentos. Nasceu assim

FOTO ALEXANDRE VIDAL / FLA IMAGENS

a Confraria das Lulu´s, que hoje conta até com a parceria da marca Elegance na criação de uma coleção de lingeries: a LULU´S INTIMATES. 10% de toda a venda da coleção são destinados à Casa Marta e Maria.

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Curtas

FOTO FABIO URA/ZDL

Marroquina vence Maratona de São Paulo com novo recorde Em um fim de corrida emocionante, a marroquina Samira Raif superou a queniana Rumokol Elisabeth no quilômetro final e venceu, com novo recorde, a 17ª edição da Maratona de São Paulo. Samira Raif registrou 2h36min01 e superou por seis segundos a marca de Maria Zeferina Baldaia, obtida em 2002. No masculino, o queniano David Kemboi foi o vencedor, mas não quebrou a melhor marca. Válida para a Liga de Ouro e para o Ranking CBAt/CAIXA de Corredores de Rua, a Maratona de São Paulo foi uma realização da Rede Globo, com organização da Yescom. A supervisão esteve a cargo da IAAF, CBAt, AIMS e FPA, com apoio especial da Prefeitura de São Paulo e do Governo de São Paulo. A prova teve patrocínio da CAIXA e da Adidas, patrocínio especial da Fisk e apoios da Montevergine, HCor, Café Três Corações, Gatorade, Probiótica e TAM Viagens.

FOTO RICARDO LEIZER

Mitsubishi Cup Sol, tempo seco e muita poeira marcaram o primeiro sábado de inverno do ano durante a quarta etapa da Mitsubishi Cup (rali de velocidade cross country), disputada em Poços de Caldas. Prova travada e técnica, com piso duro e liso, pista estreita, muitas sequências de curvas e trechos sinuosos fizeram a festa dos apaixonados por velocidade e pelos autênticos 4x4 da marca. Com quatro das sete etapas concluídas, a briga pelo título da temporada foi um show à parte, nas categorias Pajero TR4R Light, Pajero TR4ER Light, PajeroTR4 ER, L200 RS, L200 Triton RS e L200 Triton RS Handcap. Décimos de segundos foram disputados do início ao fim pelas duplas nas três provas, de cerca de 30 quilômetros, contagiando o público presente ao circuito. A Mitsubishi Cup tem patrocínio de Itaú, Gol Linhas Aéreas, Castrol, Pirelli, Magneti Marelli, Transzero, Mira, Mapfre, Daslu Homem e Artfix. Mais informações no www.mitsubishimotors.com.br.

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Curtas

FOTO SYLVIA DIEZ

Deloitte é a nova patrocinadora da Confederação Brasileira de Rugby

A Deloitte é a nova patrocinadora da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu). A organização de consultoria e auditoria, que completa 100 anos de atuação no Brasil em 2011, auxiliará a CBRu em seu planejamento estratégico mirando 2020. O rugby brasileiro segue em ascensão e passa por uma fase de estruturação do esporte. Em pouco mais de um ano da nova gestão, a CBRu fechou acordos de patrocínio com Topper, Bradesco e Cultura Inglesa. Dentro de campo, as seleções nacionais seguem a evolução. A equipe feminina é heptacampeã sul-americana e acaba de voltar da Europa, onde disputou torneios importantes na Holanda, em Portugal e na Itália, vencendo, em Roma, na fase classificatória, a equipe neozelandesa, a campeã do torneio. Outras informações no site www.brasilrugby.com.br.

II Etapa do Campeonato Gaúcho de Jiu-jitsu

A realização da II Etapa do Campeonato Gaúcho de Jiu-jitsu constituiu um marco na história da competição regional. O ritmo da disputa foi ditado pela grande festa da torcida FOTO: ELIAS EBERHARDT

que lotou as arquibancadas e pelo excelente nível técnico dos atletas que se apresentaram no tatame. Segundo o diretor-técnico da Federação Gaúcha de Jiu-jitsu (FGJJ), Fernando Paradeda, esse foi o maior e melhor campeonato estadual dos últimos tempos. “Todos estão de parabéns e temos que comemorar, pois o que presenciamos nas dependências do Petrópole Tênis Club é resultado de muito trabalho, dedicação e união de todos os envolvidos. Sobrou amizade, cordialidade, respeito e todas aquelas premissas que fazem parte dos pilares do jiu-jitsu e que defendemos diariamente nas academias”, ressaltou. De acordo com os organizadores, foram mais de 1.000 espectadores e 400 atletas inscritos durante a competição. Outras informações podem ser obtidas no site www.fgjj.com.br.

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ORTOPEDIA

Artrose do quadril O MITO DE SER O SOFRIMENTO DE IDOSOS Dr. Marco A. Telöken A artrose é a doença articular mais comum que ocorre como consequência de desequilíbrios mecânicos e biológicos, os quais induzem o desgaste progressivo da cartilagem. Embora frequentemente atribuída aos idosos, há várias condições adversas que podem evoluir para artrose também em jovens. No quadril, a artrose é uma das causas mais comuns de incapacidade física, com limitações de atividades diárias, implicações psicossociais e ocupacionais. 5 a 10% dos indivíduos acima de 60 anos de idade podem apresentar artrose do quadril leve a moderada.

Fatores de risco para a artrose no quadril: ™ <Zc‚i^XV/VgigdhZ‚XdbjbZbbZbWgdhYZjbVbZhbV[Vb†a^V# ™ 9dZcVh YV ^c[}cX^V/ Y^heaVh^V Yd fjVYg^a! YdZcV YZ AZ\\"EZgthes e epifisiólise. ™ 9dZcVhVYfj^g^YVhXdbdVcZXgdhZVkVhXjaVgYVXVWZVYd[„bjg/gZaVX^dcVYVXdbdjhdZmXZhh^kdYZWZW^YVhVaXd‹a^XVh!jhd de corticoides e doenças metabólicas. ™ KVg^VZhYV[dgbVVgi^XjaVg/^bpacto femoroacetabular. ™ IgVjbVh\gVkZh/[gVijgVhYVeZakZ e do fêmur. ™ Obesidade ou sobrecarga em atividades esportivas.

Como são os sintomas? A dor é o principal sintoma. No início, ocorre apenas com os movimentos da articulação, e melhora com o repouso. Subir escadas, entrar e sair do carro, calçar meias podem se tornar tarefas mais difíceis. A dor passa a ser profunda, até mesmo em repouso, com irradiação eVgVVXdmVZd_dZa]d#Bj^iVhkZoZhVYdg‚VXdbeVc]VYVYZg^\^YZo VdaZkVciVg"hZeZaVbVc]djVe‹hjbadc\deZg†dYdhZciVYd#BVccar passa a ser um sinal de comprometimento mais avançado.

Como é estabelecido o diagnóstico? Dh gZaVidh YV ]^hi‹g^V! d ZmVbZ Ydh bdk^bZcidh Vgi^XjaVgZh! V marcha e radiografias simples são, em geral, suficientes para o diagnóstico.

Pode ser prevenida? :mXZideZadh[VidgZh\Zc‚i^XdhZedgVa\jbVhYdZcVhYV^c[}cX^V! VVgigdhZYdfjVYg^aedYZhZgegZkZc^YVdjYZhVXZaZgVYV#BVciZgdeZhd ideal, ter disciplina e orientação em atividades físicas, moderação no uso de bebidas alcoólicas e não fumar são consideradas atitudes va-

liosas para a saúde da cartilagem articular. No entanto, vale lembrar que a artrose também ocorre em indivíduos magros, que nunca tiveram igVjbV!cd[jbVbZcdWZWZb#<VgVci^VcdZm^hiZ

Como tratar? O objetivo principal do tratamento é o alívio da dor, proporcionando a recuperação da capacidade do indivíduo de realizar suas atividades habituais.

Tratamento não cirúrgico 6cVa\‚h^XdhZVci^"^cÓVbVi‹g^dhZm^\ZbjbXdcigdaZb‚Y^XdeZgbVnente. A automedicação representa grande risco de constipação intestinal, problemas renais graves, hipertensão arterial, gastrites, úlceras e hVc\gVbZcidY^\Zhi^kd#BV^hkjacZg{kZ^hhddheVX^ZciZhXdbbV^hYZ 65 anos, tabagistas e consumidores crônicos de álcool. O uso de suplementos para cartilagem pode contribuir com o alívio dos sintomas, mas ainda são necessárias evidências para comprovar sua eficácia. Não há evidências de benefício do uso de calor, frio, ultrassom ou laser, se não forem associados a ZmZgX†X^dh# Egd\gVbVh VYVeiVYdh | ^YVYZZ|[jcX^dcVa^YVYZYdeVX^ZciZ! concentrando-se no fortalecimento e cVÓZm^W^a^YVYZ!i„bVZhY^gZiVhcd processo de reabilitação da artrose. BZhbd eVX^ZciZh Xdb \gVcYZ eZgYV da mobilidade articular podem realioVgZmZgX†X^dhYZbjhXjaVdZb^hdbZig^VXdcigVdbjhXjaVghZb movimentar a articulação), visando a manutenção do tônus muscular, eg^cX^eVabZciZYVXdmV!YVXdajcVZYdVWYdbZ#

Tratamento cirúrgico Quando o diagnóstico é precoce, com a identificação de algum fator mecânico corrigível, as cirurgias preservadoras do quadril – osteotomias e videoartroscopia – cumprem seus objetivos. Nos estágios avançados, com dor crônica e perda da qualidade de vida, está indicada a artroplastia total do quadril, a cirurgia ortopédica de maior benefício. Os resultados em pacientes com atividade funcional intensa são melhores do que nos pacientes com menor atividade. Isso sugere que o melhor momento para indicar uma artroplastia é aquele em que ainda não ocorreu o declínio da função. Dr. Marco A. Telöken – CRM 15526 – Membro titular da Sociedade Brasileira de Quadril e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia Av. Carlos Gomes, 403, conj. 604, Porto Alegre - RS. Fone: (51) 3328.2328

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> EVENTO <

Donas Run Brasil em Porto Alegre 1ª corrida exclusivamente feminina na capital gaúcha Fotos Christiano Cardoso

Ingrith Nascimento Barbosa (Gruppen) nos 4 km e Elenir Stropper (Gruppen/Famastil) nos 8 km foram as primeiras a chegar na primeira corrida de Porto Alegre feita somente para mulheres. O Donas Run foi criado pela All Sports e tem como grande diferencial ser uma corrida 100% feminina. No dia anterior à prova, a retirada dos kits foi feita na Usina do Gasômetro, junto com várias atividades diferenciadas. No domingo pela manhã, às 9h30 foi dada a largada de mais uma prova que veio para ficar no calendário de corridas de POA! Elisa Faccioli, que coordenou e criou todo o projeto, ficou muito satisfeita com o resultado do evento e contou ainda com um ótimo clima para o dia da prova. O Donas Run contou com os patrocínios YZEVcVbWgV!8Vaa^VcYgV!DcdYZgV!A^kZ8dcXZeiHidgZZBVgn@Vn#™

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Octeto da Body One Club vence Maratona de Porto Alegre A manhã do domingo, dia 22 de maio, foi de muito suor e superação para a turma dos corredores. Na data, aconteceu a edição de 2011 da Maratona Internacional de Porto Alegre. Para dar um tempero diferente, a prova deste ano foi realizada sob um calor atípico para a época, o que representou mais um desafio para os competidores. Na categoria masculina, o vencedor foi João Marcos Fonseca, conhecido como João Gari; já na feminina, a vitória ficou com Antônia Bernadete Lins de Silva. Mas o destaque aqui vai mesmo para a equipe da Body One, que conquistou brilhantemente o primeiro lugar na categoria octeto feminino – modalidade de revezamento. O time foi formado por Adriane Rodriguez, Andréa de Moraes, Fabrizia Marini, Jéssica Ponzoni, Milene Martins, Patrícia

Octeto Body One – campeão da Maratona de Porto Alegre

Brinckmann, Silvia Chytry e Simoni Mueller. As meninas

Adriane Rodriguez. Corre há dois anos. Já participou de quase 40 provas. Aluna da Body One há nove meses. Andréa de Moraes. Corre há 13 anos e disputa provas há dois. Já participou de cerca de dez provas. Aluna da Body One desde a abertura da academia, em 2006. Fabrizia Marini. Corre há cinco anos. Já participou de mais de 30 provas. Aluna da Body One desde a abertura da academia, em 2006. Jéssica Ponzoni. Corre há cinco anos. Primeira prova de que participou. Aluna da Body One há quatro anos e meio. Milene Martins. Corre há dois anos. Já participou de cerca de 20 provas. Patrícia Brinckmann. Corre há cinco anos. Já disputou mais de 40 provas. Aluna da Body One desde a abertura da academia, em 2006. Silvia Chytry. Corre há três anos. Já disputou mais de 40 provas. Aluna da Body One há três anos. Simoni Mueller. Corre há dois anos. Já disputou mais de três provas. Aluna da Body One há três anos.

não deram chances para as adversárias e, depois de se revezarem durante os 42 quilômetros de prova, conseguiram a suada vitória. Segundo o professor Eduardo Remião, que, junto com César Salgado e Ana Carolina Severini, orienta a preparação das corredoras, o resultado é fruto de dedicação aos treinamentos e de uma estratégia bem-sucedida no dia da prova. “Todas elas participaram com frequência dos treinos com nosso Grupo de Corrida. Isso fez a diferença. E no planejamento da prova, optamos por deixar por último a corredora mais forte, pois sabíamos que, se a equipe estivesse bem colocada, haveria chance de partir para a vitória. E foi o que aconteceu”, conta Remião. A Maratona de Porto Alegre é a mais antiga do Brasil. Nos últimos anos, a modalidade de revezamento foi incluída na prova e rapidamente atraiu muitos participantes, com várias equipes assessoradas por professores ou clubes de corrida. O octeto da Body One Club superou outros dez con_jcidhÄZbjbidiVaYZ-%ViaZiVh#™

BODY ONE CLUB – RUA SILVA JARDIM, 375 – PORTO ALEGRE – RS F: (51) 3012.5024 – WWW.BODYONECLUB.COM.BR 28 > SUL SPORTS

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> LANÇAMENTO 37 <

Apoio: 30 > SUL SPORTS

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Fotos Diego Larré SUL SPORTS < 31

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Cultura

Por Thaiane Estauber

A partir desta edição, a jornalista, atriz e modelo Thaiane estará nos atualizando sobre algumas coisas bacanas que rolam no meio cultural aqui no Sul. Para receber sugestões e dicas, ela estará a postos pelo e-mail thaianeestauber@hotmail.com.

FOTO DIVULGAÇÃO

Zeca baleiro agita a boemia gaúcha

O Circo Girassol comemora 10 anos

Zeca baleiro, cantor e compositor de MPB do Maranhão, esteve em Porto Alegre em junho, no Bar Opinião, fazendo uma retrospectiva de sua carreira com canções valorizadas em arranjos contagiantes. O repertório incluiu criativas releituras de canções já consagradas pelo público, como Salão de Beleza, Babylon, Telegrama, Quase Nada, Você Não Liga Pra Mim e Vai De Madureira, entre outras. Zeca Baleiro, nome que ganhou na faculdade de agronomia por ser apaixonado por comer balas (chegou a abrir uma loja de doces e guloseimas), começou sua carreira compondo melodias e músicas para peças infantis de teatro, nas quais se destacou pela qualidade de suas letras.

Uma das mais importantes companhias circenses do Brasil completa seus dez anos de atividades intensas, dando uma inestimável contribuição

Tears for Fears em Porto Alegre Com seis álbuns lançados e mais de 30 milhões de discos vendidos em todo o mundo, o Tears For Fears volta ao Brasil depois de 15 anos. E Porto Alegre não poderia ficar de fora dessa. No dia 4 de outubro, às 21h, o Pepsi

para o desenvolvimento da arte no Rio Grande do Sul. O Girassol percorreu mais de 300 cidades, apresentando-se, com sua lona ao ar livre, em teatros e ginásios do Estado e do País, promovendo oficinas, desenvolvendo pesquisas de dramaturgia circense e de linguagem dos palhaços.

on Stage recebe os hitmakers Roland

Fundada pelo ator, produtor, drama-

Orzabal e Curt Smith, para delírio dos

turgo e diretor Dilmar Messias, a com-

fãs gaúchos. Shout, Everybody Wants

panhia foi pioneira em Porto Alegre na

to Rule the World, Woman in Chains, Advice for the Young at Heart, entre muitas outras, vão embalar o show que abre a turnê do duo no Brasil.

realização de um circo-teatro moderno e expressivo, sendo fundamental na formação da maioria dos artistas locais que atuam na área.

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“E se o que tanto buscas só existe em tua límpida loucura? Que importa? Exatamente isso é o teu diamante mais puro!” (Quintana)

Grupo de Teatro Galpão

FOTO: JULIANO BLOTTA/STUDIO CONCEPT

Às vésperas de completar trinta anos de existência em 2012, o Grupo Galpão apresenta “Tio Vânia (aos que vierem depois de

Feira Nacional de Beleza e Cosméticos The Beauty

nós)”, de Anton Tchekhov, no Festival do

A The Beauty é um dos maiores eventos de beleza

Teatro Brasileiro (FTB). O Grupo Galpão é

e cosméticos do País: foram três dias para esbanjar

uma companhia de teatro que tem sua ori-

beleza, mostrar tendências e novidades na área de

gem ligada ao teatro popular de rua, mon-

estética, com shows, desfiles, workshops, dicas de

tando espetáculos de grande comunicação

maquiagens, cortes, cores e penteados, tudo para

com o público. O grupo de atores, que tra-

ficar por dentro do que vai ser moda na próxima es-

balha com diretores convidados, desenvol-

tação. Os maiores nomes do mundo da beleza esti-

ve pesquisas com vários elementos cêni-

veram por lá e movimentaram o público no Centro

cos, com destaque para as linguagens do

de Eventos da FIERGS, em Porto Alegre. Eu estive

circo e da música (sempre tocada ao vivo

presente desfilando para a equipe do Mirage Inter-

pelos próprios atores), traduzindo para

coiffeur, com direção artística de César Augusto e

uma linguagem brasileira vários clássi-

cabelo criado por Jefferson Schuartzenhoff.

cos, numa fusão do erudito e do popular.

A feira é anual. Para não perder os próximos lançamentos desse mercado, confira no site todas as dicas: http://www.thebeauty.com.br/.

FOTO LUCIANE PIRES

O que era para ser apenas um café para os alunos da Casa de Teatro de Porto Alegre, criada pelos atores Zé Adão Barbosa e Jeffie Lopes, tornou-se o Café Bertoldo. O café Bertoldo é uma grande novidade na noite gaúcha, inspirado na vida e obra do dramaturgo alemão Bertold Brecht. Lá você encontra um misto de arte, bom gosto e diversão. É um ambiente aconchegante para conversar com os amigos, apreciar comidas e bebidas num confortável sofá, depois de um dia cansativo

Café Bertoldo, um lugar para arte e diversão

de trabalho, e ainda prestigiar as intervenções artísticas, os shows, as performances, a música, os esquetes teatrais, a exibição de filmes, os grupos de pesquisa e as festas de confraternização que rolam por lá. Tudo isso aberto à classe teatral e ao público em geral.

Festival do Teatro Brasileiro (FTB) Cena Mineira Consolidado em diversas regiões do País, chega a Porto Alegre o Festival de Teatro Brasileiro (FTB) – Cena Mineira –, um rico mosaico composto de espetáculos cênicos, oficinas de qualificação de atores e de formação de plateia concebidas por experientes e consagrados atores, companhias e grupos de Minas Gerais, além de ações de estímulo ao intercâmbio entre grupos. Por aqui passarão grupos renomados como o Galpão, o Giramundo e o Luna Lunera, em diversas salas e parques da cidade. SUL SPORTS < 35

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> CONGRESSO <

II Congresso Internacional de Direito Desportivo Contemporâneo: um evento que se consolida em Porto Alegre.

Kalil, Fortunati, Caputo Bastos e o anfitrião, Eduardo de Lima Veiga

Monteneri, Daniel e Massimo Coccia

Fotos Rodrigo Firmiano

Quem esteve presente, nos últimos dias

esportivos em termos urbanísticos, am-

Lei 12.395, de março deste ano, como as

23 e 24 de maio, na sede do Ministério

bientais e sociais.

que afetaram o contrato de trabalho do

Público do Rio Grande do Sul, em Porto

Em uma abordagem mais ligada à práti-

jogador de futebol e os clubes que pro-

Alegre, buscando aprofundamento nos

ca e à administração do desporto, o pre-

movem a formação dos atletas de desse

temas que fazem parte do dia a dia do

sidente da CBT, Jorge Lacerda, expôs aos

esporte.

trabalho com o esporte, não saiu desa-

quase 400 participantes do evento como

Outras reflexões sobre tópicos atuais no

pontado. O II Congresso Internacional

a entidade está preparando atletas, árbi-

âmbito do futebol brasileiro foram rea-

de Direito Desportivo Contemporâneo

tros e treinadores para representar o País

lizadas pelo ministro do TST Guilherme

proporcionou, não só aos profissionais

nas Olimpíadas. Marco Aurélio Klein, re-

Caputo Bastos, em sua palestra sobre a

da área jurídica, mas também a todos

presentando o Ministério do Esporte, ex-

compatibilidade entre o atleta profissio-

os interessados em questões de gestão,

plicou como se dá a atuação do órgão em

nal de futebol e as leis trabalhistas bra-

marketing e negócios do esporte, uma oportunidade de agregar conhecimento, estabelecer contatos e conhecer figuras nacionais e internacionais de grande destaque nesse meio.

relação ao desporto de alto rendimento,

sileiras. Todos esses temas, distribuídos

à situação do Brasil, aos objetivos do País

entre os dois dias de atividades, foram

quanto ao desempenho nos Jogos Olím-

harmonicamente combinados na grade

picos e aos meios que estão sendo utili-

de programação com palestras que con-

zados para tornar o nosso esporte mais

templaram assuntos de impacto interna-

Parte dos palestrantes brasileiros abor-

competitivo.

cional, apresentados por conferencistas

dou temáticas voltadas à preparação

Outro grande tema debatido no evento foi

brasileiros e estrangeiros.

para os grandes eventos desportivos que

o das recentes alterações introduzidas

A atividade dos agentes foi a matéria da

o Brasil receberá nos próximos anos: o

na Lei 9.615, a famosa Lei Pelé. O diretor

qual tratou o advogado Marcos Motta,

prefeito de Porto Alegre, José Fortunati,

do Departamento de Registro e Transfe-

que traçou um paralelo entre a regu-

tratou dos preparativos da cidade para

rências da CBF, Luiz Gustavo Vieira de

lação atual existente sobre esse pro-

receber a Copa do Mundo; esse grande

Castro, tratou da atuação da entidade

fissional e as propostas da FIFA para a

evento também permeou as palestras do

diante dessa mudança legislativa. Luiz

alteração dessas normas. Outro tema

promotor de Justiça Mauro Andrade e da

Felipe Santoro, advogado que participou

abordado, tão atual quanto o anterior,

professora Betânia Alfonsin, que falaram

dos debates que levaram à nova configu-

foi o das polêmicas janelas de transfe-

sobre a implementação do Estatuto do

ração da Lei Pelé, expôs com detalhes as

rência no futebol, apresentado por um

Torcedor e o impacto dos megaeventos

diversas modificações introduzidas pela

dos coordenadores-gerais do evento,

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o advogado Daniel Cravo Souza. A de-

trouxeram aos presentes um panorama

monstração das limitações das janelas e

do futebol argentino e as principais ma-

a apresentação de sugestões para ame-

térias que estão sendo discutidas naque-

nizar seu impacto negativo e preservar a

le país. Por outro lado, o advogado Ramy

estabilidade dos contratos e o equilíbrio

Abbas, do clube árabe Al Jazira, apresen-

das competições foram dois dos tópicos

tou diversos elementos e peculiaridades

discutidos pelo também colunista da

que caracterizam a cultura de negócios

Revista Sul Sports.

no Oriente Médio.

A questão dos contratos entre clubes e

Merecem destaque, por fim, as confe-

jogadores foi apresentada, dessa vez com

rências do suíço Michele Bernasconi e do

enfoque nas normas pertinentes da FIFA,

italiano Massimo Coccia, cujo enfoque foi

também por Gianpaolo Monteneri, advo-

voltado aos negócios envolvendo o espor-

gado suíço e ex-chefe do Departamento

te. O primeiro tratou do ambush marke-

do Estatuto do Jogador da FIFA. A pales-

ting ou marketing de emboscada, prática recorrente de algumas empresas que pode ser prejudicial aos patrocinadores oficiais de grandes eventos esportivos e aos próprios organizadores dos eventos. O segundo abordou a problemática do antitruste no contexto de grandes eventos esportivos, dando exemplo de casos em que essa prática foi identificada e quais as consequências que se seguiram. Ainda, discorreu sobre os esforços já realizados pelos países e pela União Europeia para evitar que se formem trustes, afetando, na maioria das vezes, os consumidores.

tra tratou especialmente das consequências da quebra contratual, determinadas pelo artigo 17.1 do Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores da FIFA. O atual chefe do Departamento do Estatuto do Jogador da FIFA, Omar Ongaro, também esteve presente ao Congresso, expondo o funcionamento do Transfer

Matching System (TMS), que foi recentemente implantado para realização dos registros de transferências internacionais de jogadores de futebol. Além disso, os objetivos e os efeitos positivos do sistema também foram abordados em sua palestra. Árbitro do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), o italiano Luigi Fumagalli discorreu sobre como a FIFA regula os procedimentos de arbitragem nas disputas do futebol, e como pode dar-se a atuação do TAS nesse tipo de situação. Ainda na temática jurídica do futebol, o diretor de assuntos jurídicos do FC do Porto (Portugal), Daniel Lorenz Pereira, proferiu conferência sobre os direitos econômicos de jogadores de futebol.

Bernasconi, Norberto e Omar Ongaro

Betânia Alfonsin e Anizio Gavião

Danrlei

José Fortunati

Um evento que, a cada edição, busca ampliar seus horizontes, para tratar da forma mais completa possível os temas que têm merecido atenção no cenário desportivo internacional, contando sempre

Kalil, Jayme e Daniel

com autoridades e figuras destacadas nesse meio: assim pode ser definido o Congresso Internacional de Direito Desportivo Contemporâneo. O número expressivo de participantes que se fizeram presentes reflete a relevância do assunto e o interesse que provoca, o qual ultrapassa a expectativa da Copa e das Olim-

Mussoi, Alberto Delgado, Cesar Faccioli e Vitor Hugo Palmeiro

píadas que teremos, e se relaciona com

Não foi apenas o Brasil e seu futebol que

o desenvolvimento e a profissionalização

tiveram espaço no Congresso: os profes-

cada vez maior do mercado desportivo

sores Gabriel Lozano e Gustavo Abreu

WgVh^aZ^gd#™ Platéia qualificada, lotada e atenta

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SPORTS

Joice Previatti Fotos: Christiano Cardoso NOME COMPLETO: Joice Previatti. APELIDO: Joicinha. IDADE: 27. CASADA, SOLTEIRA, ENROLADA? Enrolada. NATURAL DE: Capão da Canoa, RS. SIGNO: Áries. DO QUE MAIS

Apoios:

GOSTA NO SEU CORPO: Pernas. MELHOR PRAIA: Capão da Canoa. PRATICA ESPORTES:

Sim, musculação. ESTILO DE MÚSICA PREFERIDO: Eclética. CURTE BALADAS: Sim. UM LIVRO: “A lei da atração”. VOCÊ SE ACHA CIUMENTA? Sim. E NA ACADEMIA, QUANDO VOCÊ ENTRA, A GALERA FICA EM ESTADO DE CHOQUE? Humm... Não sei! (Risos). O QUE VOCÊ ACHOU DE FOTOGRAFAR PARA A SUL SPORTS? Foi ótimo, uma experiência maravilhosa.

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Gostou? Veja mais em www.sulsports.com.br

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PSICOLOGIA DO ESPORTE

As superstições no esporte Márcia Pilla do Valle Na última coluna, falamos sobre a importância de estabelecer

Muitas vezes o uso de rituais ou amuletos pode ser entendido como

rotinas psicológicas que auxiliem na boa performance no espor-

um sinal de falta de confiança – afinal, por que treinar e se prepa-

te. Prometi falar sobre as superstições e como elas se relacio-

rar, se o resultado depende de algo externo? Sabemos que a sorte

nam com as rotinas. Promessa feita e cumprida!

é um componente de qualquer competição esportiva, mas o treino

No meio esportivo, é bastante comum encontrarmos atletas e es-

e a preparação visam justamente (entre outras coisas) minimizar

portistas criando rituais ou comportamentos supersticiosos ao

as chances do azar. Portanto, os rituais podem ser uma tentativa

longo de sua carreira: usar a camisa da sorte, entrar na quadra

de controlar aquilo que nos escapa, que está fora de nosso contro-

com o pé direito, beijar a corrente, etc. E a pergunta que vem

le. Sempre lembro o Oscar do basquete, que dizia “Mão santa, não!

a mente é: por que se cumpre esse ritual? Porque, em algum

Mão treinada!”, quando se referia ao seu apelido.

momento, esse comportamento se associou a um resultado po-

Com uma rotina psicológica, você se organiza melhor, você tem

sitivo. O oposto também pode ocorrer: começar a associar maus

a sensação de maior controle, porque os passos a serem reali-

resultados com características externas (roupa, cor, algum mo-

zados são treinados e controlados por você mesmo. As rotinas

vimento ou palavra...). Algumas vezes essas associações podem evoluir para uma crença maior, sendo criados então os amuletos, os rituais, as pequenas obsessões. O interessante é que, embora as

preparam-no para ter maior concenCOM UMA ROTINA PSICOLÓGICA, VOCÊ SE ORGANIZA MELHOR, VOCÊ TEM A SENSAÇÃO DE MAIOR CONTROLE, PORQUE OS PASSOS A SEREM REALIZADOS SÃO TREINADOS E CONTROLADOS POR VOCÊ MESMO.

tração e buscar seu estado emocional ideal, para melhor desempenho. Já as superstições e os rituais supersticiosos “engessam” o atleta, porque o poder outorgado ao comportamento

pessoas racionalmente neguem ou

ou amuleto é maior que a competên-

minimizem a importância dessas su-

cia do esportista. Na verdade, ele se

perstições, no nível do comportamento, as seguem cumprindo.

destitui de competência no momento

Tanto na cultura esportiva como no nosso dia a dia, incorpora-

em que deposita no comportamento ou no objeto o poder de rea-

mos pequenos rituais que nem questionamos (bater na madeira

lização ou não da performance.

para afastar o azar, não passar embaixo de uma escada, etc.).

Os rituais e comportamentos supersticiosos estão presentes na

Todo ritual proporciona um conforto, já que possibilita uma

cultura esportiva e na nossa própria vida cotidiana. Não quero

sensação de relativo controle sobre determinada situação. E é

aqui demonizar o seu uso, deixando culpados aqueles que lan-

nessa questão que ele se assemelha às rotinas psicológicas. A

çam mão disso, mas sim alertar para o uso e a dependência

grande diferença está no caráter quase mágico com que se re-

demasiada desse recurso como forma de se eximir da respon-

veste um comportamento ritualístico ou objeto-amuleto. Desse

sabilidade no resultado. Bons resultados dependem de treino,

modo, a realização do ritual é condição para impedir a má sorte

esforço e dedicação. Nenhum problema em termos algumas

ou o mau resultado, e por isso tem um caráter premonitório,

crendices que nos apoiem em determinados momentos, mas

“mágico”: tem de ser realizado, sob pena de sanção. A depen-

não reverta isso em condição necessária para seu bom desem-

dência gerada dessa crença é o prejudicial nesses casos, pois o

penho. Você tira o controle de você. Não permita. Busque o con-

que acontecerá na hipótese de se extraviar o amuleto da sorte

trole. Reforce os treinamentos e sua confiança e... boa sorte!

ou se, por algum motivo, não se puder cumprir com o comportamento ritualístico?

Márcia Pilla do Valle – CRP 07/5511 Rua Hilário Ribeiro, 294, –cj. 303 – Porto Alegre – F: 9112.1278 www.psicoesporte.com.br marcia@psicoesporte.com.br

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> AVENTURA <

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Texto e fotos: João Paulo Lucena > Colaboração: Ana Karina Belegantt

Velejador, recebi o convite do comandante João Baptista Beck Pinto, o “Tita”, para ajudar a trazer seu veleiro de Rio Grande a Porto Alegre. Proposta aceita prontamente, compusemos a nossa tripulação de convidados para a aventura: Demósthenes, seu irmão; o filho Francisco de 12 anos; e minha esposa Ana Karina Belegantt.

A Lagoa dos Patos é a maior da América do Sul e carinhosamente conhecida dos gaúchos como o seu “Mar de Dentro”. Por sua ligação com o oceano e o estuário do Rio Guaíba, a navegação por essa rota se dá desde a época da colonização, passando por sossegadas praias de areias brancas, dunas, figueiras e locais isolados, de uma beleza agreste e ainda intocada. E foi nesse cenário que rolou o velejo cobiçado por qualquer marinheiro que se preze: buscar um veleiro na cidade de Rio Grande, na foz da Lagoa dos Patos com o Oceano Atlântico, e levá-lo com segurança a Porto Alegre, às margens do Rio Guaíba, em uma navegada de mais de 180 milhas náuticas (333 km). O trajeto é considerado o maior percurso em água doce do hemisfério sul e tem sido palco não só de muitos naufrágios, devido aos perigos da lagoa, mas também de grandes cruzeiros e regatas memoráveis. Por três dias, singramos uma imensidão de água doce, vigiados de longe por faróis centenários e garças curiosas. Como companhia, nada mais que o vento e a fraternidade dos marinheiros.

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Farol Capão da Marca

1º dia – De Rio Grande ao Bujurú

res do Rio Grande do Sul.

exige continuar navegando a motor com

Isso acontece porque a Lagoa dos Patos,

o barco batendo forte contra as ondas e

Dia da partida! O Rio Grande Yatch Club é

apesar de imensa, não é muito profunda,

deixando um pouco mareados os mari-

escala obrigatória para as embarcações

apresentando grandes perigos à navega-

nheiros mais inexperientes...

que sobem do Atlântico Sul para a costa

ção, como bancos de areia, neblina, for-

Os equipamentos eletrônicos em um ve-

brasileira ou para quem desce rumo sul

tes ventos e ondas perigosas. Não raros

leiro incrementam muito a segurança da

para o Uruguai, a Argentina e a Antártica.

marinheiros consideram mais difícil ve-

navegação. A bordo temos radar, sonar,

Ali embarcaremos no veleiro Arraia Man-

lejar no Mar de Dentro do que no próprio

GPS, cartas náuticas eletrônicas e piloto

ta, rumo à capital gaúcha.

Oceano Atlântico...

automático. Conduzir uma embarcação

Vamos às compras no mercado público de

Logo na partida do porto de Rio Grande,

nessas condições deixa tudo mais con-

Rio Grande, e a intenção é içar velas após

já avistamos, do outro lado da foz da la-

fortável, mas a atenção dos tripulantes

o almoço. O melhor de tudo: estamos em

goa, a histórica São José do Norte, com

ainda é essencial quanto a tudo o que

plena safra de camarão, e um bom esto-

seus casarões centenários e a barca que

ocorre em torno, em especial a variação

que vai para a despensa, a fim de manter

atravessa o canal com automóveis, cami-

das condições climáticas e obstáculos

tranquila e satisfeita a tripulação. Afinal,

nhões, passageiros, carroças e cavalos,

que podem estar à deriva na água, não

barriga cheia ainda é o melhor remédio

estes últimos personagens indissociá-

previstos nas cartas náuticas. Com Tita,

contra motins a bordo...

veis da cultura rural gaúcha.

vou me revezando na roda do leme, de

Zarpamos de Rio Grande com a meta de

Vamos percorrendo o Canal da Feitoria

chegar à barra falsa do Bujurú, um bom

ladeados por milhares de estacas de

abrigo para pernoite junto à costa leste

armadilhas de camarão. Os pilotos pre-

da Lagoa dos Patos, precisando vencer

cisam estar atentos a esses obstáculos

Entre milhas e milhas de água doce por

um percurso de 60 milhas náuticas.

que avançam indevidamente para dentro

todos os lados, chegamos ao nosso pon-

do canal de navegação, e que são apeli-

to de pernoite perto da meia-noite, com

dados de “paliteiro” pelos navegantes.

uma lua maravilhosa pintando a lagoa de

A primeira etapa dessa viagem é seguir parte da hidrovia da Lagoa dos Patos pelo Canal da Feitoria, rota obrigatória para

Justo ao pôr do sol, saímos do canal, fi-

todas as embarcações de médio e gran-

xando rumo direto para o Bujurú, abrigo

de porte que seguem para o Atlântico ou

do nosso pernoite. O vento está de proa,

que têm como destino as águas interio-

contrário ao rumo necessário, o que nos

tempos em tempos delegando a tarefa para o piloto automático, mas sempre atentos a tudo o que acontece no veleiro.

prata. Mesmo sendo tarde, não dispenso um mergulho nas suas águas, onde apenas uma pequena brisa impede que a superfície se torne um espelho perfeito.

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2º dia – Do Bujurú ao Farol de Itapuã Diferentemente do dia anterior, não havia vento pela manhã, e a jornada a vencer ainda era mais longa: 80 milhas (148 km) até o Farol de Itapuã, marco geográfico que separa a Lagoa dos Patos do estuário do Rio Guaíba, em cujas margens já está Porto Alegre. Em “árvore seca” no linguajar náutico (sem velas), partimos do Bujurú até o Farol Capão da Marca, uma torre de metal de 1849, marco histórico da região e ainda em pleno funcionamento junto à costa

trocada por um infinito horizonte de água doce e um céu salpicado de pequenas nuvens

leste da Lagoa dos Patos.

que prenunciam possibilidade de chuva para mais tarde.

O dia estava claro, com nuvens espar-

A movimentação a bordo com o vento e a rota constantes se resume a estar atento às

sas no céu, sol forte e bastante calor, o

velas, cuidar para não cair ou bater em algo com o balanço do barco, apreciar a natu-

que nos obriga a nova parada para banho

reza e jogar muita, mas muita conversa fora. E mais um espetacular pôr do sol para ir

na lagoa. Dali seguimos rumo norte até

fechando o dia com chave de ouro...

outro farol histórico, o Cristóvão Perei-

Cansados depois de 13 horas de viagem com vento e sol forte, vislumbramos as luzes do

ra, uma construção maciça de alvenaria

Farol de Itapuã dando as boas-vindas aos que adentram o estuário do Rio Guaíba. Já é

erguida em 1886 que, desde muito lon-

noite alta, estamos próximos da meia-noite, e a lua nos ajuda a fundear na Praia do Sítio,

ge, se ressalta na paisagem com a sua

dentro da área do Parque Estadual de Itapuã, onde passamos a noite. Parte da tripulação

silhueta esguia e caiada de branco.

vai direto para a cama, e o resto sobe ao convés para apreciar a noite e “a fresca”, termo

A profusão de faróis à margem leste da La-

carinhoso pelo qual o gaúcho do interior costuma chamar a brisa leve...

goa dos Patos não se dá por acaso. Bem pelo contrário, confirma o grande perigo existente para a sua navegação. Unindose aos faróis Capão da Marca e Cristóvão Pereira há ainda outros marcos luminosos, como o do Bujurú e o da Barra, construído em São José do Norte, em 1896. Durante toda a viagem, o comandante João Baptista vai repassando ao atento filho Francisco a sua experiência marinheira e também os segredos da “Costa Doce”. Aprender a navegar com bússola e cartas náuticas ainda é um conhecimento indispensável para o velejador, mesmo após o advento dos instrumentos eletrônicos, como o GPS. Agora velejando de “rédeas soltas”, perdemos de todo a visibilidade da terra,

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3º e último dia – Do Farol de Itapuã a Porto Alegre A Praia do Sítio é nossa velha conhecida e, para mim, o mais belo fundeadouro do Rio Guaíba. Agora que estamos a somente 20 milhas de Porto Alegre, a alvorada é mais tranquila – cada um acordando conforme o corpo vai pedindo, enquanto se escuta ao longe o ronco dos bugios na mata nativa que recobre essa pequena baía ao lado do Farol de Itapuã. A paisagem novamente se transformou, e nem parece que estamos em uma praia fluvial do Rio Grande do Sul. Quem sabe, não fosse pela cor da água, até Farol Cristóvão Pereira

se poderia confundir com alguma praia do litoral do Rio de Janeiro ou de Santa Catarina. Enormes rochas de granito arredondadas pelo tempo compõem um bonito cenário com palmeiras, orquídeas, bromélias, cactáceas e figueiras centenárias, recobertas de barba-de-pau, lugar de combates históricos durante a Revolução Farroupilha. Após o almoço, içamos velas e seguimos com bom vento rumo a Porto Alegre. No caminho vamos cruzando pela Ilha do Junco, a Ponta da Fortaleza, a Vila de Itapuã, a Ilha Chico Manuel, as Pedras do Arado, a Ponta Grossa, a Ilha Pedras Brancas, passando por velejadores de classes diversas – wind, kite, monotipos, veleiros oceânicos – enquanto ao mesmo tempo vamos preparando o barco para a chegada. Poucos sabem, mas o Rio Grande do Sul rivaliza com

www.terra-australis-br.blogspot.com

o Rio de Janeiro como maior polo de vela do Brasil, tanto na formação de velejadores, inclusive de classe

http://www.webventure.com.br/comunidade/blog/home/id/85

olímpica, quanto na construção de embarcações de primeira linha. Finalmente, depois de uma magnífica velejada, vamos chegando de mansinho, velas caçadas, motor em baixa rotação, e atracamos no clube náutico Veleiros do Sul, em Porto Alegre, base permanente do Arraia Manta. Corpo cansado, mas com a mente leve, barco e tripulação em segurança, a satisfação da missão cumprida depois de 160 milhas navegadas. Agora é se despedir temporariamente dos amigos, recuperar as energias e já começar a pensar na próxima viagem! Afinal, como bem diz o Amyr, “um dia é

preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir...”.

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> TRIP <

Chile

Por Leonardo Spancer

Continuando a trip do colunista Leo Spancer, vamos acompanhar agora a sua passagem por Santiago, no Chile, uma cidade acolhedora e de muitas riquezas naturais!

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Após cinco dias em São Pedro do Atacama, chegava a hora de

apresentação como a estrela da noite; com mais de 40 anos de

continuar viagem continente abaixo: o próximo destino era a

piano e pupila de Vinicius de Moraes e Toquinho, ela, junto com

charmosa e acolhedora Santiago do Chile, 1.200 km ao sul. Uma

um trio de baixo, violão e bateria, fez todo mundo aplaudir em

van me aguardava às 7h da manhã, o dia ainda começava no deserto. Segui do hotel para Calama e, às 10h35, embarquei para Santiago, 2 horas de voo. Tudo tranquilo, 15 mil pesos para o táxi e, em meia hora, eu chegava à região de Providencia. Fiquei no hotel La Embassade, na Calle Suiza, 2084. O local é um casarão antigo com apenas três quartos abertos para hóspedes. Achei uma excelente escolha, parece que você está em casa, tudo muito arrumado e bonito, além de bem exclusivo, pois dificilmente encontrava outros hóspedes.

pé quando tocou “Chega de saudades”, entre outros clássicos

Como sempre faço, saí para andar ao redor do hotel, gosto de

terceiro dia de viagem, às 10h da manhã, eu já estava na Rota

saber onde estou, os serviços que existem nas proximidades,

68, sentido litoral. Carro alugado, sol e zero de trânsito. Ótimo!

é meio que um processo de adaptação. Não precisei ir muito

Uma vez em Viña del Mar, fiquei impressionado com o tamanho

longe para descobrir que estava em uma ótima região da cida-

da cidade, bem grande, muitas pessoas, muitos carros, talvez

de. A Rua Pedro de Valdivia, uma importante avenida da região,

porque fosse início de verão aqui – e sexta-feira. Sinceramente,

toda arborizada e cheia de bonitas casas, passava na esquina do

não gostei de Viña del Mar. Achei uma cidade muito organizada,

hotel. Nela mesmo fui a um ótimo restaurante, o Ligúria. Des-

porém sem charme algum; pareceu-me uma cidade fria, mas,

cobri depois no guia que é um dos restaurantes do momento na

claro, posso estar equivocado, dado que passei apenas uma tar-

capital chilena, e o lugar é legal mesmo, com o cardápio cheio

de na região. De lá segui para Valparaíso (elas ficam a 10 minu-

de bons pratos e um ambiente interessante.

tos uma da outra). A cidade é patrimônio da humanidade pela

Como já tinha lido, todo mês de janeiro é o mês cultural de San-

UNICEF, devido a características da arquitetura local, cheia de

tiago, e nesse ano “Santiago a Mil” trazia inúmeras atrações,

ruas com casas de madeira antigas e bem conservadas; a cida-

entre eles shows, teatros e exposições, muitas delas gratuitas.

de tem também um importante porto de cargas, que não para

No Parque das Esculturas, aconteceram shows diários de jazz,

um segundo. Próximo ao porto, você pode pegar um bondinho

e, no primeiro dia na cidade, a brasileira Eliana Elias fez uma

para acessar um interessante mirante, com visão panorâmica

da MPB. Excelente programa. Tirei o segundo dia para ir andando até a região central da cidade, conhecer o Mercado Central, o Museu de Artes Modernas, o Cerro Santa Lucia e suas ruas cheias de comércio, ambulantes e vida. Encontrei uma livraria gigante, gosto delas; como sempre faço, comprei livros de capa dura com fotos e história da cidade e aproveitei para estudar um pouco sobre Valparaíso e Viña del Mar – destinos que eu iria conhecer no dia seguinte. No

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de toda Valparaíso e Viña del Mar. Aproveitei para fazer algumas

“Mote com Huesillos” (uma espécie de soja com uma água ca-

pequenas compras, comer algo e esperar pelo pôr do sol para

ramelizada e uma bola de açúcar queimado). Fiz algumas fotos

fazer algumas fotos noturnas. O sol só desceu depois das 21h, e

enquanto o sol não caía totalmente na base do morro e depois

acabei indo embora somente depois das 22h. Achei interessante

subi ao seu ponto mais alto. No caminho, ainda acompanhei um

o fluxo de pessoas que vinham ver a bela vista da região. Agora

casamento que acontecia na catedral, logo ao lado da Virgem.

era hora de pegar a estrada e voltar para Santiago.

Lá em cima estava muito frio e ventava; por volta das 21h30, a

Sábado amanheceu um dia lindo, assim como os anteriores.

noite começou a chegar. Tripé montado, umas 15 fotos de todos

Peguei o carro e desci a avenida Ricardo Lyon, cruzei o rio, pe-

os lados, e fomos embora – uma linda lua fazia companhia.

guei a avenida Bela Vista, sentido Centro, e entrei à direita na

No último dia em Santiago, ainda tive tempo de conhecer a re-

Calle Pio Nono. Ali nessa região existem várias ruas com res-

gião de San Fernando, reduto de excelentes vinícolas, menos

taurantes bacanas – destaque para uma espécie de centrinho

famosas que a “badalada” Concha y Toro, porém mais charmo-

chamado Patio Bellavista, bem bacana, todo aberto, com vários

sas, menores e mais artesanais. A viagem leva duas horas par-

restaurantes e lojinhas; os preços variam, mas na maioria são

tindo de Santiago, e lá é importante ter um bom mapa ou pedir

um pouco mais caros que em outras regiões. Uma vez ali, andei

informações. As vinícolas oferecem bons restaurantes e tour de

por várias ruas, almocei, passei por lugares bem alternativos,

degustação. Existe muita inteligência na produção do vinho, no

outros mais conservadores, bem bacanas, tem para todos os

cultivo das uvas e na sua perpetuação. Valeu a pena. Só não se

gostos. A tarde já ia caindo, e o destino final do dia era o Cerro

esqueça de maneirar no vinho, porque são duas horas de estra-

San Cristóbal, para fotografar a cidade com a noite chegando.

da para voltar.

O limite para entrar no parque é 21h, e custa 2 mil pesos; de-

Após cinco dias em Santiago, um lugar tranquilo, bonito e bem

pois você tem até as 22h para deixar o local. Uma vez dentro do

cuidado, novamente chegava a hora de continuar viagem, agora

parque, fui em direção à “Virgem”, que fica no alto do morro. Lá

para o destino final: El Calafate, no sul da Argentina. Lá eu visi-

em cima, dezenas de pessoas aproveitam o lindo final de dia:

taria glaciares, veria icebergs, comeria boas empanadas, apro-

muitos sobem de bicicleta e aproveitam para descansar, uns ti-

veitaria os longos dias de verão e passaria muito frio. Na próxima

ram fotos, outros somente observam, alguns comem o famoso

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> MOCHILテグ <

Amazテエnia

Cuzco - Peru

Puno - Peru

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Lisboa - Portugal

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Pé na estrada e mochila nas costas Por Mauricio Tonetto

Quem nunca teve vontade um dia, mesmo que somente em pensamento, de chutar tudo para o alto, colocar uma mochila nas costas e andar por aí, experimentando o mundo? Há uns que levam a sério a cogitação e a transformam em estilo de vida. São os chamados mochileiros ou backpackers, um grupo crescente de anônimos espalhados pelo globo que, por meio das redes sociais e de relatos boca a boca, vêm transmitindo aos novos e antigos viajantes a cultura mochileira. Se você também pretende quebrar os seus próprios paradigmas e botar o pé na estrada sem rumo certo, pegue um mapa, um bloco de anotações, leia esta reportagem e abra espaço à aventura em sua rotina.

Machu Picchu - Peru

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Próximo a Salta, no norte da Argentina, tive de conversar em espanhol por mais de 15 minutos com quatro policiais, que tentavam de todas as formas aplicar o achaque (extorsão). Na Bolívia, fomos abordados por guardas que pediam notas de reais e refrigerantes. No Peru, éramos parados a todo momento por traficantes nas ruelas de Cuzco. Já no Deserto do Atacama, no Chile, quase fomos enganados por um homem que nos oferecia condução para uma festa que não existia.

Um dos mais notáveis e cultuados an-

e diversão, batendo de frente com o pes-

darilhos do mundo moderno, o escritor

simismo natural de um século incerto.

americano Jack Kerouac (1922-1969)

O movimento dessa geração foi funda-

dizia que “há sempre uma estrada em

mental para o sucesso da onda hippie e,

qualquer lugar, para qualquer pessoa,

posteriormente, para a consolidação da

em qualquer circunstância”. Ícone da

cultura mochileira entre os jovens.

geração beat, que mudou a cara da juventude mundial no final da década de

Quanto menos, melhor

1950, ele levantou temas controversos

As vivências de Kerouac exerceram um

para a dura época pós-Segunda Guerra

charme irresistível sobre a geração con-

(1939-1945): não conformidade e criati-

testadora dos anos 1960. Desafiando

vidade espontânea. Narrando aventuras

as famílias e instituições tradicionais,

em vagões de trem empoleirados e via-

milhares de americanos botaram suas

gens sem destino em meio a bêbados e

mochilas nas costas e percorreram os

vagabundos rejeitados pelo american

Estados Unidos de trem, ônibus, moto-

way of life, Kerouac despejou em livros como “On The Road” os sentimentos de milhões de jovens ansiosos por aventura

cicleta e a pé, adotando um novo estilo de viajar. Passados 50 anos, a principal herança desse tempo para a juventude

Resistencia - Argentina 54 > SUL SPORTS

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Valle de la Luna - Chile

Valle de la Luna - Chile

atual é a forma desapegada e corajosa de

mais respeitosas, pois passamos a olhar

empreender aventuras, resgatando a não

para valores pessoais. Tratamos de igual

conformidade e a criatividade espontâ-

para igual o cara que está de terno e o

nea por meio de trips econômicas e inde-

cara que está de bermudas. Além de ser

pendentes. “Essa sensação de desapego

mais econômico, viajar com o mínimo é

combina totalmente com meu conceito

saudável”, conta Bruno Damásio, marido

de liberdade. Viajei com meu marido para

de Juliane Borsa.

viver na Itália por seis meses no inverno somente com uma mala, e foi mais do

Preparar-se para imprevistos

que suficiente! Por quase um mês, roda-

Em 2009, quando fazia um mochilão de

mos com apenas uma pequena mochila

carro pela América Latina na companhia

nas costas, passamos por quatro países,

de sete amigos, enfrentei algumas situa-

enfrentamos variações incríveis de tem-

ções inusitadas. Próximo a Salta, no norte

peratura e, mesmo assim, não sentimos

da Argentina, tive de conversar em espa-

falta de nada, em momento algum. Duas

nhol por mais de 15 minutos com quatro

peças de roupa, um bom e confortável

policiais, que tentavam de todas as for-

tênis, um casaco para enfrentar o frio e

mas aplicar o achaque (extorsão). Na Bo-

pronto. Precisa mais?”, indaga a psicólo-

lívia, fomos abordados por guardas que

ga Juliane Borsa, 29 anos.

pediam notas de reais e refrigerantes. No Peru, éramos parados a todo momento

Adoção de novos valores

por traficantes nas ruelas de Cuzco. Já no

Um dos requisitos básicos para se fazer

Deserto do Atacama, no Chile, quase fo-

um mochilão é deixar de lado o excesso de

mos enganados por um homem que nos

coisas que acompanham o nosso dia a dia.

oferecia condução para uma festa que

Além disso, é preciso disposição para se

não existia. Todo cuidado é pouco, como

virar com pouco e encarar as dificuldades

relata Bruno Damásio. “Quem já esteve

com naturalidade. “O fato de a gente ter

na Itália sabe que as estações de trem

apenas algumas peças de roupa foi quase

são bastante confusas. Quando você me-

terapêutico. Entre tantos benefícios, acho

nos espera, muda o horário e o local de

que passamos até a nos conhecer melhor!

partida e você tem que sair correndo. E foi

Não valorizamos nada mais a não ser nos-

numa dessas situações que, na hora de

sa essência. Não tínhamos apetrechos

voltar para casa, acabamos entrando em

que tentavam nos disfarçar ou embelezar

um trem errado. Na troca e na correria

a nossa natureza. Quando nos despimos

para não perder o certo, deixamos a mo-

de nossos bens, só temos o interior, e

chila em outro veículo. Não deu tempo de

quando isso vem à tona, as relações são

voltar. Assistimos a ela ficando para trás

Um dos requisitos básicos para se fazer um mochilão é deixar de lado o excesso de coisas que acompanham o nosso dia a dia. Além disso, é preciso disposição para se virar com pouco e encarar as dificuldades com naturalidade.

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Saiba mais Os sites www.mochileiros.com, www.lonelyplanet.com, www.oviajante.uol.com.br e www .albergues.com.br são boas referências sobre a cultura mochileira. Califórnia - EUA Ilha de Los Uros - Peru

com passaportes, documentos, dinheiro,

lecendo vínculos posteriores via internet.

chave... A solução foi recorrer ao serviço

A rede mundial é um instrumento pode-

de auxílio ao turista. Nessas horas você

roso para quem deseja viajar de mochila,

percebe a limitação do seu vocabulário e

pois ajuda a traçar roteiros, encontrar

lamenta por não ter estudado mais! Tive-

hospedagem barata, fugir de lugares pe-

mos de descrever nossa mochila, o trem

rigosos, prever gastos, buscar locais al-

e o vagão, além de explicar o porquê de

ternativos e penetrar de uma forma mais

termos ‘abandonado’ nossas coisas lá.

intensa na essência das culturas. A ex-

Felizmente a recuperamos.”

periência ensina que não existe uma fór-

Comunidade mundial

mula pronta para cada viagem, pois tudo depende do objetivo do mochileiro. Por-

Graças às redes sociais, como Facebook

tanto, o passo inicial é esquecer o velho

e Twitter, além de centenas de blogs, há

esquema de pacote turístico com hotel e

um contato cada vez maior entre mochi-

preparar o espírito para o improviso e a

leiros em todos os continentes. Se você

simplicidade, pois, como Jack Kerouac

for para um albergue no Rio de Janeiro,

ensinou, “aquilo que sentires encontrará

por exemplo, verá europeus, orientais e

por si mesmo o seu caminho... apaixona-

latinos trocando ideias e relatos e estabe-

iZeZaVijVZm^hi„cX^VÇ#™

Salta - Argentina

Sobre o autor Mauricio Tonetto tem 27 anos, é jornalista graduado pela PUCRS e já viajou para 10 países em três continentes, com pouco dinheiro e muita disposição. Confira fotos e crônicas dessas aventuras em www.mauriciotonetto.com.br. Fronteira Peru/Bolívia 56 > SUL SPORTS

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ODONTOLOGIA DESPORTIVA

Como ocorre a cárie? PERGUNTAS FREQUENTES NA ODONTOLOGIA. Mário Silveira de Souza Os micro-organismos vivem em nossa cavidade oral, assim como dentes formam uma engrenagem entre si, e quando perdemos uma em outras partes do corpo. O segredo é deixá-los em uma quantidade peça desse sistema, os músculos que envolvem a mastigação necestal que não causem problemas e que permitam ao nosso organismo sitam compensar essa falha, gerando assim uma sobrecarga musse defender. Quando ingerimos açúcar (sacarose), essas bactérias cular. Essa situação acaba gerando lesões musculares nessa região orais ingerem esse mesmo açúcar e eliminam, como produto final, ou, ainda, na articulação que une a mandíbula ao crânio. Os sinais uma substância ácida. A boca, estando com o Ph ácido, começa a e sintomas dessa alteração podem ser desde cansaços na mastigadescalcificar o dente. Ele perde cálcio e começa a se “desmanchar”. ção, passando por dores de cabeça, até dores de ouvido e também no O bom da história é que nosso organismo, pela saliva, faz com que pescoço – e, em casos mais sérios, podem ocasionar problemas na esse Ph ácido da boca volte ao normal em poucas horas, e então o articulação, levando inclusive ao travamento completo da mandíbula. dente ganha novamente todo o cálcio que perdeu enquanto a boca Além de lesões na musculatura envolvida na mastigação, lesões nos estava ácida. Esse processo é dinâmico e está sempre ocorrendo na dentes presentes na boca também ocorrem com a falta da dentição cavidade oral. Quando a descalcificação é tanta que chega a formar completa. Desgastes excessivos e até fraturas podem ocorrer em uma cavidade no dente, estamos diante função dessa má engrenagem dental. da tradicional cárie, e se faz necessária Um segundo motivo não tão patológico, a intervenção do dentista para limpeza mas não menos importante, é o fator LEMBRAMOS QUE NENHUM MATERIAL e correção. estético e fonético. Pessoas “desdentaRESTAURADOR SUBSTITUI UM DENTE LEGÍTIMO. Então como controlar a cárie? das” ou com os dentes “tortos” perdem ASSIM, A MELHOR ALTERNATIVA É CUIDAR Controlamos a cárie a partir do moautoestima e acabam secundariamente CRITERIOSAMENTE DA HIGIENE BUCAL, COM mento em que conseguimos deixar a desenvolvendo problemas como estresboca menos ácida. Podemos fazer isso se, depressão, angústia, etc. O terceiro A UTILIZAÇÃO DE ESCOVA DE DENTES E FIO de duas formas: e último fator tem relação direta com a DENTAL DIARIAMENTE E COM CONSULTAS 1. Diminuindo a quantidade de bactésaúde do sistema digestivo do indivíduo. REGULARES AO CIRURGIÃO-DENTISTA, A FIM DE rias na boca – escovando melhor os Na boca inicia-se a digestão, e quando PREVENIR FUTURAS PERDAS. dentes e utilizando fio dental. não mastigamos adequadamente os aliObs.: A qualidade da escovação é mentos, acabamos por sobrecarregar as mais importante que a frequência. funções do resto do aparelho digestivo, Daí a importância do fio dental. É melhor limpar 100% da boca, causando problemas como dores estomacais e intestinais, prisão de com escova e fio dental, uma ou duas vezes ao dia, do que usar ventre, hemorroidas e também mau hálito. somente escova e limpar os dentes três a quatro vezes ao dia. Os motivos apresentados são os primordiais pelos quais indica2. Diminuindo a quantidade de alimento (açúcar) para essas bactémos a reposição de um dente perdido. Lembramos que nenhum marias produtoras de ácido. Ou seja, fazendo um consumo racional terial restaurador substitui um dente legítimo. Assim, a melhor alterde açúcar, o que significaria aumentar o intervalo entre as ingesnativa é cuidar criteriosamente da higiene bucal, com a utilização de tões. Não precisamos comer menos doces, e sim comer de uma escova de dentes e fio dental diariamente e com consultas regulares forma inteligente, em intervalos maiores de tempo, e não a toda ao cirurgião-dentista, a fim de prevenir futuras perdas. hora. Assim o organismo tem tempo de tornar a boca menos áciDr. Mário Silveira de Souza – CRO 10.814 da, e a cárie não ocorre. Membro da Comissão de Práticas Integrativas e Novas Especialidades do CRO-RS

Por que repor um dente perdido?

Representante da Abrodesp – Ass. Brasileira de Odontologia Desportiva no RS. Fone: 51 3340.6057 www.odontoplanalto.com.br – mario@odontoplanalto.com.br

Três motivos básico respondem essa pergunta. Primeiro, pois os

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> BLITZ <

Fitness Hall, uma academia que não para de crescer! Fotos: Christiano Cardoso

Prestes a completar 8 anos, a Academia Fitness Hall traz muitas novidades aos seus alunos, como as esteiras e elípticos da marca Life Fitness, líder mundial no segmento, que estão presentes na sala de musculação da academia. São os melhores equipamentos disponíveis na atualidade. Novas aulas de ginástica estão sendo oferecidas, entre elas a de Treinamento Funcional, que já é uma das mais frequentadas

DJ para animar os alunos!

da Fitness Hall. A Dança de Salão também é novidade e está fazendo o maior sucesso. Um novo site foi lançado no mês de junho. Muito mais atual e funcional, ele é alimentado diariamente com informações sobre saúde, nutrição, entre outras, além de estar diretamente “linkado” com as principais redes sociais – Facebook e Twitter. E as novidades não param por aí: no mês de julho, a Fitness Hall lançará a aula de Treinamento Suspenso, que certamente será mania nas principais academias do Brasil. Para ficar por dentro de tudo que rola na academia, entre no site deles (www.fitnesshall.com.br) e descubra por que ela será VhjVeg‹m^bVVXVYZb^V™

Equipe de Corrida Fitness Hall Equipe de primeira linha!

Equipe de professores da Fitness Hall 62 > SUL SPORTS

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Aula de treinamento funcional

TV para os alunos

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FISIOTERAPIA ESPORTIVA

Esqui na neve – um risco de lesão junto à diversão Silviane Vezzani Ainda não terminei de tratar as lesões que ocorreram na temporanas nas pernas; o melhor é pensar no troco junto com as pernas, pois da passada, e mais uma temporada de esqui na neve está chegando. esse conjunto, trabalhando em perfeita harmonia, dará uma condição Mesmo os lesionados do inverno do norte já pensam na neve do sul. melhor para o esquiador. Fale com seu preparador físico para criar Isso demonstra que o esqui na neve entrou no gosto dos brasileiros, um treino voltado ao esqui. fazendo com que as duas temporadas estejam disputadas. Caso você tenha uma lesão ou deficiência prévia, não deixe de traMas... tar antes de viajar. É importante chegar à montanha 100%, ou quase O que sabemos sobre joelho hoje vem de pesquisas de granlá. Esqui é um esporte que exige forma física para se poder aproveitádes instituições que trabalham com esquiadores. Grandes atletas, lo. Esses tratamentos podem levar certo tempo, por isso comece-os grandes lesões. Não há como negar que o esqui é um esporte lesivo dois meses antes de viajar. Instabilidades articulares crônicas devem (além do joelho, o ombro é uma articulação ameaçada nesse esporte ser revisadas. Lembre-se de que exercícios com sobrecarga não atiradical). Pesquisas sugerem que esvam suficientemente a musculatura esquiadores jovens, magros e com pouca tabilizadora, que é profunda; portanto, experiência são a população de maior temos de ter treino específico para isso, risco de lesões. Os atletas iniciantes são e o momento é este. 33% mais suscetíveis a lesões do que os Se ocorrer alguma lesão durante a esquiadores experientes, assim como as descida, pare imediatamente e procumulheres têm mais lesões de joelho do re ajuda. Não continue esquiando, isso que os homens, que apresentam mais aumenta a lesão e pode acabar com a lesões de ombro e cabeça.1 semana. Após o dia inteiro esquiando, utilize Pela popularidade atual, as montaas facilidades dos hotéis para relaxar. nhas recebem vários tipos de atletas, As piscinas térmicas são ótimas opções. dos experientes aos esquiadores de NÃO FORCE O SEU CORPO ALÉM DA SUA Gaste um tempo grande caminhando e primeira neve. A união deles no mesmo soltando as pernas e a lombar. Mas não momento resulta em um número enorCAPACIDADE, NÃO O DESAFIE EM MONTANHAS gaste muita energia, a semana está come de atropelamentos, acidente responE ESTILOS QUE AINDA NÃO SÃO OS SEUS meçando. Caso seja acostumado com sável por várias lesões como luxação do NO MOMENTO. CRIE ESSA CAPACIDADE E massagens, também é uma excelente ombro, fratura de clavícula, rupturas HABILIDADE AOS POUCOS. AFINAL, A PRÓXIMA opção; se você não costuma fazer, cuimusculares, entre outras. Saber qual TEMPORADA CHEGA LOGO, E TEMOS DE ESTAR dado, pois pode ficar relaxado demais e é sua montanha é fundamental para a não conseguir esquiar no outro dia. prevenção das lesões. PREPARADOS PARA ISSO. Não force o seu corpo além da sua Uma preparação física prévia à temcapacidade, não o desafie em montaporada é uma boa solução para evitar as nhas e estilos que ainda não são os seus no momento. Crie essa calesões decorrentes do esforço repetitivo causado pelo gesto esportipacidade e habilidade aos poucos. Afinal, a próxima temporada chega vo. Realizar muitos exercícios de pernas como agachamento e deslilogo, e temos de estar preparados para isso. zamentos laterais ajuda a simular o trabalho dos membros inferiores. Toda a força vem da estabilidade pélvica; quanto mais forte e estável Equipe Silviane Vezzani estiver a pelve, mais controle e habilidade o atleta terá na descida, e Rua Silva Jardim, 375 – Porto Alegre – F: 3328.6364 Junto à Body One club – silvezzani@kieling.com.br assim diminuirá um pouco a força nos joelhos. É errôneo pensar ape1

http://www.sportsinjuryclinic.net/cybertherapist/bysport/skiing-injuries.htm

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> NA PAREDE <

Em um dia quente de “Forno Alegre”, chegou um e-mail de um amigo que dizia assim: “Conheci um guri que acabou de ser o primeiro gaúcho a escalar a montanha Fitz Roy na Patagônia. Ricardo ‘Rato’, o cara, é de família do interior de Torres, e acho que é uma boa matéria para a Sul Sports. Se tiver interesse, me avisa. Bjs...”. Claro que tinha interesse, pois já estava com saudades da galera da Sul Sports, e resolvi deixar um pouco de lado a aventura de subir no escorregador com a minha filha em um dia de sol escaldante e saber mais sobre Fitz Roy – uma montanha localizada na fronteira da província de Santa Cruz, no extremo sul da Argentina, considerada por muitos alpinistas profissionais como o maior de todos os desafios do seu esporte, porque suas paredes verticais requerem técnica impecável para serem conquistadas. Ademais, o clima da região é excepcionalmente traiçoeiro. O nome é uma homenagem a Robert FitzRoy, capitão do navio que levou Charles Darwin em sua viagem ao redor do mundo. E foi lá do alto dos seus 3.375 metros que o gaúcho Ricardo Baltazar Oliveira, mais conhecido como Rato, gritou para o mundo: “EEEIIAIIAAAAA! SAIU LOCOOOOOO! CRAVEI O BICHANO! CUME DO FITZ FEITO! AGORA SIM JÁ POSSO VOLTAR TRANQUILO!”. Deixei de lado um pouco o livro da Branca de Neve e fui conhecer a história do Rato que ascendeu o imponente Fitz Roy.

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Sábado, dia 19 de fevereiro de 2011 Estávamos eu e o Júlio (carioca Júlio Campanela) no meio do glaciar da aproximação da base do Fitz Roy. Seguimos para o passo superior (caminhada alpina) até nos instalarmos no bivac lá pelas 16h.

que estava com o espanhol resolveu de-

assegurava, eu tentava dormir batendo

sistir e descer, porém, antes disso, nos

queixo.

perguntou se aceitávamos seu parceiro sim, que ele poderia vir conosco. Tinham

Segunda, 21 de fevereiro de 2011

que ver a cara do loco, quase chorando

Já eram 2h da madrugada e nada de ver

de felicidade.

o cume. A moral foi baixando, estávamos

espanhol, chamado Ino. Dissemos que

desidratados, com fome e perdidos. Au-

Havia muita gente para também atacar

Peguei a ponta da corda e comecei o bai-

o cume. Depois de umas cinco enfiadas

le. Passei voando pelo 6º! O Júlio e o Ino

de corda e um bivac gelado, levantamos

vinham escalando juntos limpando. Na

Finalmente chegamos ao pé de uma tre-

às 23h pra comer e atacar a famigerada

3ª enfiada pedi, para os três argentinos

pada de rocha e gelo. Decidimos parar,

“Brecha dos Italianos”.

que iam à nossa frente, licença para pas-

eu não conseguia ficar acordado. Engoli-

sar. Eles iam igual tartaruga! A parede

mos aquele bivac famoso quase no cume.

jorrava água das fendas, pois o verglass

Eu construí uma espécie de taipa e orga-

estava derretendo com o calor que fazia.

nizei a favela brasileira (plástico, manta

Domingo, dia 20 de fevereiro de 2011 À 1h da manhã, já estávamos em marcha, cruzando o glaciar do passo superior cheio de gretas sinistras (íamos encordados, eu na frente, abrindo caminho e seguido até por três argentinos que haviam saído ainda primeiro que nós). Saltei várias gretas e caí com uma perna dentro de uma delas, que por sorte era pequena. Afundei até a cintura!

Passei os argentinos e comi 50 metros de um diedro, graduado em 6b+, molhado e frio. Depois guiei uma enfiada mais e passei a bola pro Júlio. Ele guiou também umas 5 enfiadas e passou pra mim de novo. O espanhol não escalava muito bem em rocha. Fiz mais um par de enfia-

mentou o vento...

térmica, mochila pra entrar dentro e essas coisas). O Ino entrou na bolsinha de bivac de maricón. O Júlio, acho que nem dormiu, ficou derretendo neve com o je-

tboil e disse que dormiu um pouco, até que ferveu a água, que derramou entre suas pernas.

das e encarei a última pra sair na rampa de neve que dá acesso ao cume. Um 6c

Sobe, sobe, chegamos ao pé da brecha lá

(francês) duro e gelado! Já era umas 21h

pelas 3h da manhã, e aí nos preparamos

(quase noite). Artificializei o passo de 6c

para trepar a sinistra Rymaia e escalar os

e meti o restante em livre. Os locos subi-

300 metros de 5º misto. Demoramos um

ram e aí começou a epopeia!

pouco porque logo encostou um espanhol e um argentino. Nos embolamos um pouco, mas tocamos para arriba. Chegamos ao topo da “Silla dos Franceses” (no pé da rocha) lá pelas 9h da manhã. Ali sim estava uma muvuca! Havia um casal na segunda enfiada (que não se movia), uma cordada de Bariloche na primeira, os três argentinos no pé da via esperando para entrar e nós, que chegamos seguidos de um espanhol e de um argentino. Tivemos de esperar ao sol (dormi um pouco); os três argentinos entraram na enfiada (6ª), mas não se moviam. Júlio começou a falar em desistir, e já era

A tal rampa final não tem nada de fácil, na verdade é a maior roubada! Em plena noite, de lanterna, frio... Nunca passei tanto frio na minha vida! Estava ainda com os dois dedões dos pés insensíveis, dormentes! Foram uns 300 metros de misto a 50º de inclinação, um gelo petrificado pelo vento, que nem os crampons agarravam direito. Para esse trampo, passamos a bola para o espanhol, como forma dele pagar o arrego que demos para ele. O bixo foi bem, de piqueta e crampom foi encontrando o caminho, mas demorava muito!

quase meio-dia. O normal é começar a

Essa parte final do Fitz é enorme e ruim

parte de rocha às 7h! Então o argentino

de a gente se orientar. Quando o Júlio

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Sonhei um pouco, um daqueles sonhos

música nos ouvidos o tempo todo, e o e

até a laguna de “Los Tres”, e depois mais

que sonhamos quando se está em casa

espanhol dizia que ouvia o mesmo. Quan-

aquelas três horas até Chalten e a Per-

quentinho. Mas acordar e ter de encarar

do eu piscava, via flashes tipo de máqui-

dição!

a dura realidade – congelado, cansado,

na fotográfica, nunca mais vou esquecer

No fim da cordada, três argentinos de-

prestes a ser varrido pelo vento – não é

isso. Devia ser efeito da desidratação, de

sistiram. O parceiro do espanhol desceu

fácil! Engolimos algo liofilizado e olha-

tanto tempo sem dormir. Terminamos o

solo, o casal desistiu na 3ª cordada. En-

mos a parede final. Não era mais tão feia

último rapel justo às 10h da noite de se-

quanto escalávamos, cruzávamos louco

quão parecia à noite. Era uma trepindan-

gunda, e aí restava voltar as 2h de cami-

baixando que subiram pelo outro lado da

ga entre blocos e gelo. Dale pra arriba, 30 minutos e finalmente o cume do Fitz Roy, com o sol nascendo.

nhada no glaciar até o bivac do passo e a

montanha ou que subiram um dia antes

salvação.

que nós, inclusive um guia italiano (que foi acertado por uma pedra na brecha e quebrou a clavícula), o qual fora contra-

tos e rindo. Dava pra ver tudo embaixo:

Terça, 22 de fevereiro de 2011

Poincenot, Guillamet, El Chalten e, in-

Nos encordamos e chegamos lá pela 1h

foto do corpo do Bernardo na Afanassief

clusive, o Cerro Torre já não parecia tão

da manhã no bivac. Eu já tinha os dedos

– mas, segundo contam por aqui, não en-

imponente. Comemoramos e iniciamos a

dos pés completamente congelados. Eu

contram nada.

caravana da coragem!

alugara uma bota semirrígida da Mad

Fomos os últimos a fazer cume nessa

Rock que até aguentou bem o tranco,

janela de tempo. Voltamos com a cabeça

porém acabou molhando no glaciar, pois

feita e felizes pela sorte que tivemos em

a neve na volta estava feito um pirão.

relação ao tempo. Duas noites e dois dias

Tranquilos no acampamento, derrete-

pra poder trepar no grandalhão, o bicho

mos neve e comemos toda a comida que

não se entrega fácil! Excelente saldo:

tínhamos mocado no bivac, porque desde

Agulha Guillamet, El Mocho, Agulha Me-

o bivac do cume não tínhamos comido

dia Luna e Fitz Roy!

Ficamos uma hora no cume sacando fo-

Descer todo o morro. Rapel e rapel sem fim. Mas por sorte deu tudo certo, a corda trancou só uma vez e foi fácil reverter. Só o tempo que na segunda virou um pouco, entrou nuvens e um pouco de chuva. Na descida da brecha foi mais sinistro, já estávamos muito cansados, o Júlio não encontrava as ancoragens e acabávamos

mais nada além de vento.

tado para levar um fotógrafo para tirar

Esta foi a primeira temporada de Pata-

rapelando em uns pitons abandonados e

Na terça, nos levantamos lá pelas 10h da

gônia de Rato, que promete, na próxima,

uns cordins velhos. Beckapeávamos as

manhã, nevava um pouco, arrumamos as

uma aventura em Cerro Torre. Enquanto

paradas e eu descia por último (o mais

coisas e nos tocamos para baixo. Foram

isso, volto para as histórias das prince-

levinho) limpando. Eu já escutava uma

duas horas de glaciar e gretas sinistras

hVh#™

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> DESTINO <

ESPORTEPARAAALMA! PORCRISBERGER

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Que tal um trekking na beira dos cânions do sul do Brasil? Caminhar 25 quilômetros em cima dos campos da serra, pelas coxilhas do Rio Grande, onde paredões de granito chegam a 1.500 metros de altitude e você está no topo deles? Parar na metade do dia e fazer um piquenique? Deixar o silêncio prevalecer, a natureza ser o centro das atrações, e o esporte, a diversão predileta? Tudo começou com um despretensioso final de semana em Cambará do Sul. O pessoal do Parador Casa da Montanha havia convidado a Sul Sports para conhecer aquelas bandas com mais intimidade, e fui escalada para a honrosa missão. Anos antes, eu havia feito a travessia entre os cânions numa reportagem para a saudosa e extinta revista Ícaro. Naquela ocasião, dormi na borda do cânion Churriado e, em dois dias, caminhei do Malacara ao Fortaleza. A experiência foi incrível, e eu mal podia esperar para repetir a aventura. Por isso, logo que cheguei, comecei a investigar a possibilidade de um trekking partindo do Fortaleza, meu cânion predileto, o mais selvagem. Por sorte, junto de nós, estava um casal com espírito 100% esportista. Pronto! O grupo estava montado, e o programa de domingo, definido. Meu entusiasmo era tão grande que nem mesmo eu ter passado mal (supermal) na madrugada me tirou da programação, que começou cedinho, foi até os últimos raios de sol e estava deliciosa! O sábado acabou servindo para atividades mais “lights” entre elas curtir o parador. Programinha, diria eu, aconselhável! Uma passarela de madeira separa as barracas; na parte de cima, essas cabaninhas, feitas de lona, têm uma cama de casal ou duas de solteiro e um banheiro sem chuveiro. Umas gracinhas! Charmosas e românticas. Para esses hóspedes, os chuveiros ficam em outra casa bem equipadinha. Já na parte de baixo, há banheiro completo e jacuzzi na sacada. Definitivamente, a minha escolha. Adoro lembrar-me do som do riozinho que corre ali perto e da visão que se tem das araucárias na colina da frente! Que lugar lindo! Uma paisagem singela e adorável. Um lugar para namorar, ler um livrinho, contemplar a paisagem, descansar e depois deixar a endorfina correr solta! As refeições são feitas no restaurante, onde fica uma salinha com lareira e o check-in. Clima rústico, grande janelas de vidro deixando a natureza roubar a atenção dos visitantes e um atendimento digno desses lugares menores, que buscam encantar com o carinho de receber bem, de forma personalizada. A alma agradece, e o corpo volta gZcdkVYd#™

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DIREITO DESPORTIVO

O antitruste na organização de grandes eventos esportivos* Daniel Cravo A realidade do esporte como segmento de trabalho e oportunidade de negócios já não é uma novidade para os brasileiros. A proximidade de grandes eventos como a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, contribui para acelerar um processo de evolução e aprofundamento das relações no esporte, confirmando essa tendência que já se consolida no País. Ao mesmo tempo em que as redes de contatos e negócios, estimuladas por esses grandes eventos, têm influência positiva para a sociedade como um todo, surgem novos problemas a serem enfrentados. No II Congresso Internacional de Direito Desportivo Contemporâneo1, foram apresentados alguns desses aspectos que podem acarretar danos aos próprios eventos e a todos os que pretendem tomar parte neles de alguma forma. Uma das abordagens nesse sentido foi realizada pelo professor Massimo Coccia.

às normas de proteção à livre concorrência, violando, em especial, os artigos 101 e 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Nesse caso, embora mantida a exclusividade da bandeira do patrocinador do evento para a compra com cartão de crédito, restou convencionado que, nos casos de transferência bancária, a Comissão Organizadora da Copa arcaria com o valor das taxas de câmbio, a fim de manter a necessária igualdade de tratamento entre os consumidores. Embora a temática explorada pelo conferencista pareça tratar de casos distantes de nossa realidade, com a referência a situações envolvendo países e normas estrangeiras, o debate proposto, na realidade, nos conduz à reflexão sobre a situação brasileira, provocada precisamente por Massimo Coccia ao final de sua exposição: como essas questões serão vistas no País? O Brasil está preparado para enfrentá-las?

Pois bem, além de disposições gerais, o ordenamento jurídico brasileiro Conjugando sua rica experiência profissional como advogado, professor possui uma lei que visa especificamente de Direito Internacional e árbitro do TASà preservação da concorrência, a Lei nº CAS (Tribunal Arbitral do Esporte), o italiaHÁ MUITO TEMPO A ATIVIDADE ESPORTIVA 8.884, de 1994 – a qual, ao mesmo temno discorreu sobre as “Preocupações relapo, estabelece a estrutura e as funções do cionadas ao antitruste na organização de DEIXOU DE SER MERAMENTE LÚDICA, PARA Conselho Administrativo de Defesa Econôgrandes eventos desportivos”. Apresentou SE CONVERTER TAMBÉM EM OPORTUNIDADE mica (CADE). Vale notar que desde 2004 as principais normas da União Europeia DE CRESCIMENTO ECONÔMICO E FATOR DE tramita, no Congresso Nacional, o Projeto relativas ao direito de concorrência, exemde Lei 3.937/2004, que pretende realizar alplificando sua aplicação nos grandes evenINFLUÊNCIA NO MERCADO DE TRABALHO. gumas alterações no sistema atual, visantos esportivos com casos reais, como, por do à maior proteção da livre concorrência. exemplo, os relativos à venda de ingressos Esse projeto de lei tem provocado intenso debate entre os profissionais da para as edições da Copa do Mundo de Futebol na França, em 1998, e na área, pairando no ar um questionamento no mesmo sentido dos anterioAlemanha, em 2006. res – estaremos preparados para implementar eficazmente as alterações No caso da Copa de 98, a Comissão Europeia entendeu que o condicionapretendidas pelo novo texto legal, caso aprovado? mento da compra de ingressos para os jogos à informação, por parte do Como afirmamos de início, há muito tempo a atividade esportiva deixou consumidor, de um endereço na França, consistia discriminação entre rede ser meramente lúdica, para se converter também em oportunidade sidentes e não residentes naquele país e, portanto, abuso de uma posição de crescimento econômico e fator de influência no mercado de trabalho. dominante no mercado, contrariando o artigo 86 do Tratado da CE. Como Nesse sentido, não há dúvida de que, em determinadas hipóteses, dentro consequência, essa exigência para a aquisição de ingressos foi afastada. do “mundo esportivo”, não será possível fugir-se à aplicação de normas e Já em 2006, a problemática consistia no seguinte: de um lado, a compra práticas relacionadas ao direito concorrencial. dos ingressos com cartão de crédito somente podia ser realizada por meio O assunto tratado pelo professor Massimo Coccia, portanto, ilustra perfeide uma única bandeira, no caso a Mastercard, patrocinadora do evento; de tamente a relevância que vem sendo atribuída ao “fenômeno esportivo” e outro, a aquisição via transferência bancária, por parte dos consumidores a necessidade imperiosa de uma abordagem interdisciplinar em relação de outros lugares, sem conta bancária na Alemanha, em especial de oua alguns grandes temas do business esportivo. tros países alheios à União Europeia, acarretava um ônus excepcional a esses consumidores, os quais teriam de arcar com o pagamento das taxas bancárias necessárias à realização do câmbio para a remessa do numeDaniel Cravo Souza, inscrito na OAB/RS sob o nº 34.417, sócio do escritório Daniel Cravo Souza e Advogados Associados, associado a Campos Advocacia Empresarial. rário, encarecendo, assim, o preço dos ingressos em relação àquele pratiDiretor Jurídico do Sport Club Internacional, Assessor Jurídico da FGJ, Consultor Jurídico da CBT, membro da Comissão de Legislação e Direito Desportivo da OAB/RS e do Grupo cado frente aos consumidores alemães. A flagrante limitação ao mercado de Trabalho para Copa de 2014, Professor convidado do IDC e IBDD. Av. Praia de Belas, de consumo, na ocasião, foi considerada pela União Europeia como lesiva 1554 – PORTO ALEGRE – f: 3025.3300 – danielcravo@hotmail.com *

Escrito em colaboração com Paula de Castro Moreira. Vide matéria das páginas 38 e 39

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> FUTEVÔLEI <

ARTE DA CABEÇA AOS PÉS

Habilidade e técnica. Quesitos que se uniram para encher os olhos daqueles que se aglomeravam em volta da quadra montada no CETE, no bairro Menino Deus, para ver o primeiro campeonato gaúcho de futevôlei. Evento que levou o nome de Copa RS Sicredi de Futevôlei reuniu um grupo de peso de apoiadores, como Marpa, Paquetá e o próprio Sicredi, que largaram na frente investindo nesse esporte genuinamente brasileiro, que atrai cada vez mais praticantes no mundo. Criado na década de 60, o esporte hoje conta com federação internacional e mostra pinta de que veio para ficar. Com eventos atrativos ao público, desperta interesse de todas as idades e olhares perplexos com a plástica do jogo que reúne as duas paixões do brasileiro, futebol e praia. São dois atletas para cada lado, com as regras similares às do vôlei de praia; porém, não é permitida a utilização dos membros superiores – o que faz com que os jogadores ultrapassem a rede de 2,15 metros de altura com os pés para atacar. Foi unindo todos esses ingredientes que o Rio Grande do Sul recebeu pela primeira vez um evento de primeira categoria para o esporte. Uma estrutura impar permitia que até os atletas amadores que participaram na categoria ABERTO se sentissem como profissionais. A grande atração foi a categoria ELITE, que reuniu os melhores atletas do RS e alguns convidados de outras localidades do País. A maratona de jogos, que ocorreu nos dias 21 e 22 de maio em um abençoado Jogada Redbull Best Trick

final de semana que mais parecia meados de fevereiro, teve a dupla Ricar e Mi-

Texto: Rafael Barleze > Fotos: Ane Borges

chel, de Porto Alegre, sagrando-se campeã gaúcha de futevôlei.

Futebol e praia unem as duas paixões do brasileiro e transformam hoje o futevôlei num esporte que não para de crescer.

A estrutura montada e o hambiente criado para os atletas era um show à parte. O

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comunicador Rafinha, da Rádio Atlândida, que é um amante do esporte, distraía o público com uma narração típica da tribo do futevôlei, além de distribuir brindes com minijogos e coordenar a trilha sonora da quadra. A Cia. Athlética e a Gatorade cuidavam dos jogadores nos momentos pré e pós-jogo, com atendimento dos profes-

Cléber e Sérgio Barriga (70 anos): duas gerações no futevôlei

sores, como alongamento, aquecimento e hidratação dos staffs. A área VIP desviava a atenção das belas jogadas apenas para receber os mimos dos staffs da Redbull e do Totosinho. E para complementar jogadas de tirar o fôlego, defesas inacreditáveis, “sharkattacks” e bicicletas fizeram do torneio um prato cheio para quem participou. E para encerrar o evento, o restaurante FARO lotou para receber a festa de premiação do evento! Os créditos todos ficam com o Sicredi e demais patrocinado-

Rafinha, da Atlântida

Premiação da categoria Elite e o organizador do evento Rafael Barleze

Dica de saúde: estudos comprovam que a prática do futevôlei é uma das atividades físicas de maior queima calórica entre os esportes. No Rio de Janeiro, as mulheres costumam treinar por ser ele um esporte com baixo índice de lesão, que trabalha muito os membros inferiores e abdômem, além de manter o bronzeado o ano todo.

res, que se mostram inovadores ao apoiar esportes novos, dando oportunidades aos melhores atletas do nosso estado de justificar seu dia a dia de treinamentos com um “palco” perfeito para afirmar o bordão YdZhedgiZ#™ Marquinhos Tite e Marquinhos Beto

Cia. Athletica

— É a primeira edição do evento. Com ela, queremos difundir o futevôlei no Estado e propiciar novas edições do campeonato — projeta o organizador do evento Rafael Barleze.

Confira como ficou o pódio das categorias: CATEGORIA ELITE 8VbeZZh/G^XVgZB^X]ZaGH3K^XZ"XVbeZZh/BVgfj^c]dhZI^iZGH IZgXZ^gdaj\Vg/8aZWZgGHZ8Vg^dXVG?3FjVgidaj\Vg/7ZidGHZ7gjcdEG CATEGORIA ABERTO 8VbeZZh/8VcdVhGHZ=j\d<D3K^XZ"XVbeZZh/<j^a]ZgbZZ6cYg‚GH IZgXZ^gdaj\Vg/I^V\dZ>XVGH3FjVgidaj\Vg/:aZ[VciZZ<„GH SUL SPORTS < 75

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Imagem Por Denise Wichmann

A trajetória de Denise... Já na faculdade, como estudante de Publicidade e Propaganda, passei a observar mais de perto a interação da fotografia com a

Denise Wichmann, um dos nomes mais conceituados do Estado quando se fala em fotografia publicitária, tem como referências Picasso, Duchamp e Mondrian e estará agora presenteando os leitores da Sul Sports com alguns dos seus trabalhos realizados no seu estúdio em Novo Hamburgo.

“A fotografia sempre me deu prazer: ordenar um momento, detalhar de forma a buscar na contemplação uma foto bem composta, sempre me fizeram pensar, observar e entender antes de clicar”, Denise

publicidade e a arte. Conhecer câmeras, lentes, filmes e técnicas de revelação em PXB, testar meu olhar em trabalhos, certamente foi bastante relevante para o meu “pensar fotográfico”. Foi uma fase que me inspirou a ter um olhar próprio e descobrir em mim a capacidade de expressar sentimentos e minha individualidade por meio das imagens. Pensava que uma imagem precisava buscar uma nova leitura e não cair na banalização de apenas mais uma foto. Sempre que fotografava, pensava numa tela de pintura, como se eu quisesse pintar ao meu redor, compor com precisão a luz e tudo que envolve uma obra. Compunha buscando as formas, linhas, planos, cores, de maneira bastante intuitiva, muitas vezes fugindo da objetividade, tentando aproximar-me da arte. Foram anos fotografando por gosto, e nessa busca de observar constantemente fui descobrindo que a fotografia é um universo infinito de possibilidades – e isso foi revelando o meu gosto pela fotografia. No Plano Collor, a crise dos calçado atingiu Novo Hamburgo, atingiu minha família, (casada, com três filhos), o que me levou à decisão de me profissionalizar. Entrei de cabeça no mundo da fotografia publicitária, usando da minha intuição, dos meus significados. Já havia trabalhado como produtora de moda, fazia composições para still em um estúdio de uma amiga fotógrafa e fui entendendo que os resultados que aconteciam nunca eram os que eu desejava... Minha forma de expressar era diferente na iluminação, minha luz era mais dramática. Sempre acreditei na minha forma de entender a luz, gosto de luz pontuada e pouca luz. Aprendi, do meu jeito, a ser fotógrafa observando e criando meu jeito de ser. Descobri que “menos é mais”: e que o segredo está na simplicidade de materializar um momento. Na imaginação e na dramaticidade com que se trabalha a luz. Sempre penso que minhas fotos têm muito do meu

Campanha Calçados Legaspi Tem a proposta do único, do conceitual e do atemporal. A pesquisa e o desenvolvimento de suas bolsas e acessórios de moda resultam em produtos que aliam alta tecnologia ao trabalho artesanal consagrado da marca. CAMPANHA INVERNO 2011. MODELO CIBELE RAM. AGÊNCIA AZURE.

interior. Luz e sombra nunca podem faltar. 76 > SUL SPORTS

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Calçados Wolp Produtos voltados às mulheres modernas, que apreciam calçados diferenciados e ao mesmo tempo confortáveis. A coleção foi criada pela renomada estilista Francesca Giobbi. MODELO LETICIA KLEEMANN. AGÊNCIA WAY MODELS.

Editorial Revista Expansão Revista de Novo Hamburgo que atinge leitores e anunciantes da região Sul, mantendo uma postura de excelência na comunicação.

Editorial Revista Wish Joseima Kroth, proprietária da Loja ConceitoGiovanella, firmou parceria com Beto Klein, hair stylist, na qual surgiu a ideia de editar uma revista dedicada a atender os desejos que a moda disponibiliza, trazendo dicas e novidades do mundo fashion. MODELO TANARA RUPPENTHAL. SUPER AGENCY.

Editorial Autoral White Colorful O branco em predominância, com pequenos pontos coloridos em detalhes.

Mercur Uma das marcas mais reconhecidas do Brasil, que produz de material escolar e de artesanato a soluções flexíveis para a indústria. Foram desenvolvidas aproximadamente 150 fotos, dando um novo conceito às embalagens da Mercur. SUL SPORTS < 77

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> PORTFÓLIO <

Câmera na mão, shape no pé

Texto: Laís Bozzetto > Foto: Arquivo Pessoal

Antes mesmo de ensaiar os primeiros passos e aprender a andar, Guilherme di Paoli Leporace já se arrastava em cima de um skate que a família tinha em casa. Mas a paixão por esportes radicais apareceu bem antes, nasceu com ele, coisa da alma mesmo. O carioca, criado na praia de Ipanema, usava o skate como meio de transporte para ir até a beiramar, e foi lá que decidiu conhecer outras modalidades, dessa vez dentro d’água: o bodyboard e o skimboard. No asfalto, andando de skate, ou no mar com uma prancha, ele estava feliz, mas só se sentiu completo quando, com sua personalidade comunicativa e persistente, conseguiu enxergar o esporte com as lentes de uma máquina fotográfica. 78 > SUL SPORTS

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Modelo Danielle Germano. Vista do morro Pรฃo de Aรงucar, RJ. SUL SPORTS < 79

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Afastar a janela e ver o mar de Copacabana e o Rio de Janeiro abrindo os braços. Uma paisagem que inspira e expira boas ideias. Mais que isso, um lugar propício para a prática esportiva perto da natureza. É com esse cenário que o carioca Guilherme Di Paoli Leporace tem o privilégio de conviver. Um garoto, com apenas 20 anos, mas com experiências de sobra no mundo dos esportes radicais, seja como praticante, seja mesmo como mero observador. Desde criança, Leporace já brincava com um skate que perambulava pela casa onde morava, na praia de Ipanema. Era um garoto muito agitado, e o alvo das travessuras sempre era o “shape com rodinhas”. Aos seis anos de idade, aprendeu a andar de skate sozinho com os amigos no play do prédio. O interesse pelo esporte aumentou, e o garoto então descobriu uma escolinha na Lagoa Rodrigo de Freitas: – A escola ficava em uma quadra de futebol, mas o professor levava umas rampas pra garotada treinar as manobras. Comecei a frequentar e gostei – conta Leporace. Das andadas de skate pela orla, surgiu a curiosidade sobre um novo esporte: o bodyboard. Como Leporace não gostava muito de ir à praia,

Bernardo Picorelli. Porto Alegre, RS.

ficava só observando a galera que praticava. Um dia ele pediu emprestada a prancha para um amigo e aprovou as manobras, agora sobre as

Red Bull Air Race 2010 Rio

ondas: – Depois de experimentar o body, acabei comprando uma prancha pra mim e não saí mais da praia. Um tempo depois, vi outro amigo fazendo

skimboard. Eu, que já tinha a manha do skate, peguei rápido o ritmo. Gostei tanto que comecei a investir em pranchas, consegui patrocínio de algumas marcas, participei de campeonatos em várias cidades e visitei fábricas. Acabei me envolvendo mesmo nessa história – relata Leporace, que admira o surfe, mas admite não ser um grande praticante desse esporte. O carioca ainda explica que sempre teve uma prancha em casa, mas sempre a usou para se divertir. Hoje, ele ainda pratica o skimboard e tem o patrocínio da Du.Preto, de São Paulo.

Atrás das lentes, um novo olhar Foi por meio do esporte que novas descobertas surgiram na vida de Leporace. Ainda bem garoto, foi fotografado andando de skimboard na praia. Na época, o esporte era novidade no Rio de Janeiro, e isso despertou o interesse do fotógrafo Marco Terranova, que estava fazendo fotos para um livro e resolveu pedir para os pais do garoto autorização para uma sessão de fotos. Desde então, Terranova nunca mais teve paz. Isso porque, depois do resultado positivo do trabalho, brotou em Leporace a vontade de fotografar: – Enchia o Marco com milhões de perguntas sobre fotografia, e ele resolveu ir à minha casa me passar algumas dicas e me emprestar uma máquina analógica, pra que eu começasse a entender sobre foto. Ligava

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Ski Mountain Park. São Paulo

sempre pra ele e pedia para avaliar minhas ima-

– É uma adrenalina diferente da que sentia no

gens. Nos tornamos amigos, e hoje até trabalho

esporte, mas bem intensa também – revela.

como seu assistente. O Marco foi o meu maior

Entre os outros trabalhos realizados, estão

incentivador – lembra.

as fotos publicadas em sites esportivos como

Da curiosidade veio o impulso para comprar

máquina do pai. Com as facilidades no paga-

Rico Surf e DropBoards, imagens em revistas como a Onda Carioca, além dos registros fotográficos do campeão de montainboard Bzinho e dos freelas para o JB Online.

mento, bastou convencer os pais da ideia para

Leporace, que está acabando a Faculdade de

Leporace sair fotografando, agora com uma

Fotografia, já conseguiu seu registro profissio-

câmera mais completa. O que no início era um

nal no Ministério do Trabalho como Repórter

hobby virou objetivo. A brincadeira começou a ficar séria quando Leporace, que no colégio desejava cursar Educação Física, jogou tudo para o alto apostando todas as suas fichas no talento com a foto. Sempre incentivado pela família, o carioca começou a fazer cursos e faculdade de fotografia, estimulado pela compra da primeira máquina e já decidido a ser um profissional da área.

Fotográfico, e também na ARFOC, que é a As-

Como fotógrafo, Leporace já acumula algu-

aproveita para treinar e rever os amigos. O que

mas experiências na bagagem. Trabalhou,

se tornou obra-prima da sua profissão signifi-

nos dois últimos meses de existência do Jor-

ca para ele o poder de definir. Leporace explica

nal do Brasil, com mídia impressa e, segundo

facilmente o que é para ele a fotografia:

ele, teve a oportunidade de conviver e apren-

– Pra mim, representa objetivo, sensibilidade.

der com profissionais experientes como Evan-

Saber o que quero e ter ao mesmo tempo uma

dro Teixeira, Jorge Odilar, Urbano Herbíste e

gama infinita de descobertas ainda pela frente.

Vitor Silva. Foi esse trabalho que trouxe a ele

Vontade de avançar na vida, de sempre buscar

o interesse em trabalhar como repórter foto-

aprendizado e novos caminhos a seguir – de-

gráfico:

hVWV[Vd[di‹\gV[dedgegdÒhhdZeV^md#™

a primeira câmera profissional. Foi em 2009, quando um amigo surfista estava vendendo a

sociação Nacional dos Repórteres Fotográficos. Atualmente trabalha como freelancer e tem vários projetos em mente. O principal deles é fazer uma exposição de fotos que estará ligada aos esportes e à natureza. Hoje, ele é mais fotógrafo do que atleta, pois a profissão exige investimento e dedicação, mas a prancha não fica de lado. Quando tem alguma folga,

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> FESTA <

Bio Ativa inaugura nova sede!

Fotos: Diego Larré

Uma galera superanimada foi prestigiar a abertura de mais uma unidade da academia Bio Ativa, agora no bairro mais valorizado da capital gaúcha. A nova academia fica no Bela Vista, bem pertinho da praça da Encol. Para quem gosta de dar uma corrida antes de malhar, é a dica que fica! Dando início às operações, os proprietários armaram aquele tradicional coquetel de inauguração, para apresentar a academia aos novos alunos. Circulou por lá muita gente bacana, e o comentário positivo sobre a nova Bio Ativa era único. Todos se surpreenderam com a estrutura e os aparelhos importados oferecidos pela nova academia. Uma ótima localização e amplo estacionamento fazem da unidade um novo passo para essa marca de sucesso. Para conhecer, é fácil, fica na Rua Alegrete, nº 460. Você também pode consultar o site (www.bioativabelavista.com) ou agendar um horário por telefone (51) 3062-9952 e 3062-9953, e será atendido por um profissional que irá lhe dar todas as expliXVZhhdWgZVcdkV7^d6i^kV™

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> STOCK <

ÁTILA ABREU QUEBRA TABU E

voa baixo no Velopark

FOTOS CHRISTIANO CARDOSO

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Desde 2008 que um piloto não vencia duas corridas seguidas na Copa Caixa Stock Car, a principal categoria do automobilismo brasileiro. Mas no autódromo do Velopark, na quarta etapa do ano, o sorocabano Átila Abreu (AMG Motorsports) quebrou a escrita porque contou com a chuva nas duas últimas voltas, superou Thiago Camilo (Ipiranga RCM) pouco antes da entrada do safety car e repetiu o que havia feito na corrida passada, em Ribeirão Preto. “Eu precisava muito de uma vitória que não fosse em um circuito de rua”, comentou Átila Abreu (AMG Motorsports). O Rio Grande do Sul sempre recebeu duas etapas da Stock Car, e se você nunca teve vontade de ver este show de esporte e automobilismo, está mais que na hora de pelo menos dar uma chance a um dos grandes eventos do esporte que acontecem no Sul do País. Organização e estrutura de primeiro mundo fazem da Stock Car um dos maiores eventos da América do Sul. A estrutura dos camarotes e dos paddo-

cks (locais reservados para os convidados) é um evento à parte. Nesses locais privados, todos os patrocinadores do evento podem trazer os seus clientes para que possam assistir a tudo no maior conforto. O camarote da Chevrolet, por exemplo, sempre é um dos mais disputados, e neste ano a RedBull compartilhou o seu espaço com o Mini, do grupo Eurobike. Não deu outra: som de qualidade e bebidas para todos! Virou uma festa em particular, que está registrada aqui. Agora a próxima etapa aqui no Sul será em Santa Cruz do Sul. Agende-se e não perca essa disputa entre os melhores pilotos do País! A Copa Caixa de Stock Car tem organização e realização da Vicar Promoções Desportivas, com supervisão da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). A Caixa é um dos patrocinadores oficiais da principal categoria do automobilismo, dando nome à divisão, que ainda tem o patrocínio da Goodyear, além do copatrocínio de Esso, Bosch, Mobil Super, Pioneer, e do apoio da Itaipava e do Governo da Bahia. As montadoras são Chevrolet e EZj\Zdi#™ SUL SPORTS < 85

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> SUBWAY <

CIRCUITO SUBWAY POA DAY RUN Porto Alegre ganha mais um circuito no seu calendário de provas de corrida de rua! Fotos: Christiano Cardoso Artistas circenses

Escola de samba

Banda cover do U2 para animar o público

Podemos definir com certeza que a gran-

lógica do atleta. O resultado no geral foi

atrações extras, como serviços de mas-

de sacada desta etapa foi a separação

ótimo e aprovado pela maioria dos cor-

sagens, alongamentos (que foram feitos

dos percursos. Quem correu 5 km foi

redores!

pela galera da Cia Athletica), show ao

para um lado, e quem correu os 10 km

Para quem não sabe ainda, esta foi so-

vivo do cover do U2, artistas circenses e,

foi para outro. Mas uma coisa é fato: para

mente a primeira etapa de um total de

no meio do percurso, escola de samba,

quem quer fazer um bom tempo na pro-

3, então pegue a sua agenda e anote lá:

para dar aquela empolgação extra. Ba-

va, correr com atletas que estão fazen-

14 de agosto, com percursos de 5, 8 e

cana isso, não?

do exatamente o mesmo percurso que

16 km, e 20 de novembro, com percur-

Bom, seguem aqui algumas das imagens

você é tecnicamente beeemmm melhor.

sos de 5, 10 e 21 km, todas com larga-

para você ver como foi a função toda e

Pô, quem tá correndo somente 5 km vai

da e chegada no Barra Shopping. Legal,

preparar-se para a próxima. Ou você

numa velocidade bem maior que a dos

né? Esse circuito foi realizado pela Run

nunca ouviu falar que correr faz bem

que estão na prova dos 10 km, e isso às

Sports, e como eles nunca deixam por

para a saúde? Quer mais? Olhe lá: www.

vezes prejudica muito a questão psico-

menos, a prova contou com algumas

edVYVngjc#Xdb#Wg#™

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Roberta e Guilherme

Rodolfo, Lais e Laila

10 Km masc

5 Km fem

Ridan, Fábio, Karine, Joice e Pedro 10 Km fem

Luiza, Luciane e Magali

Maira e Lisiane

5 Km masc

Luciano, Marco e Cristiano

Lisiane e Paulo

Lounge Subway fez sucesso

Lauro

A Subway POA Day Run teve os patrocínios da Subway (máster), Win Sports, Piá, Gatorade e Asics. Apoio médico foi da Unimed POA, e o projeto ficou por conta de Clarissa Haas. Organização e realização, RUN SPORTS.

Edmar, Tatiane e Ângelo

Daniela e Ricardo

Cristina, Giovanni, Cláudio e Ridan

Cristiane e Victor Hugo

Aliucha Andréa Menezes

Ana Carolina e Evandro

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> EVENTO <

Surf’s up! Texto: Laís Bozzetto > Fotos: Christiano Cardoso

Quem esteve no litoral norte gaúcho no mês de maio observou um cenário diferente. Passados 10 anos sem receber um grande campeonato em solo gaúcho, foi a vez de a praia de Xangri-lá abrir suas portas para o Super Surf International Prime – uma semana de muita adrena-

mo familiarizados com o mar sulista, não

no Super Surf. Nos anos seguintes, com

lina, ondas grandes e público na beira

foi a vez dos surfistas gaúchos. Porém,

regularidade, foi possível realizar as eta-

da praia, confirmando o que muitos já

um deles foi longe. Com a torcida toda a

pas do amador e do profissional, além do

sabiam, a potencialidade do nosso lito-

seu favor e se sentindo em casa, Stéfano

projeto Madeiriti Trópico, possibilitando o

ral. A Sul Sports esteve lá para acompa-

Dorneles, irmão do veterano e conhecido

resgate da história do surfe no Estado:

nhar esse momento importante do surfe

Pedra, chegou até a quarta fase, ficando

gaúcho, novamente entre os principais

– Podemos ver que o surfe gaúcho está

entre os 24 melhores, mas caiu em uma

picos da cena nacional, e vai contar, nas

em processo de crescimento. No passa-

bateria difícil, com grandes intervalos e

próximas linhas, o que rolou por lá e na

do, só tinha o surfista Pedra em desta-

ondas curtas. Para ele, foi gratificante le-

segunda etapa em Imbituba/SC. Já dizia

que, e agora tem sangue novo chegando.

var o Rio Grande do Sul além na etapa:

Essa nova prioridade, que entrou em

Em constante evolução. É assim que o

2007, ajudou para que pudéssemos ver

membro da Federação Gaúcha de Surf

esse campeonato em 2011 abrilhantan-

Do Sul do Brasil para o mundo. Essa é

Gabriel de Mello vê o esporte no cenário

do o litoral gaúcho. Mas o que falta para

a imagem que ficou na cabeça de muitas

atual. O fato de, em 2007, ter assumido

que o surfe gaúcho decole de vez? Para

pessoas depois da passagem do Super

uma nova presidência na FGS fez com que

Mello, a resposta é bem simples:

Surf pela praia de Xangri-lá. A etapa que abriu o campeonato no País foi excepcional. Ondas grandes, dias de sol e o friozinho tradicional do Estado nessa época desenharam o horizonte do litoral norte.

uma nova proposta entrasse em vigor. De

– Falta patrocínio, mas principalmen-

lá pra cá, a ideia é colocar o Rio Grande do

te que as prefeituras ajudem e apoiem

Sul no mapa do surfe nacional. Há qua-

o esporte. Tem que investir também na

tro anos, os estaduais voltaram com for-

nova geração, com projetos sociais e es-

ça, além do amador e do profissional. Foi

colinhas de surfe. Ainda vamos chegar lá

A galera de fora do Estado pôde assis-

possível, também, recolocar um gaúcho

ÄXdcXaj^jdbZbWgdYV;<H#™

a música do Queen: “Follow that dream, Surf’s up!”...

tir à variedade de condições das ondas, o que fez com que os jet skis se tornassem fundamentais para os atletas nas baterias de sábado. Dia, inclusive, em que as ondas alcançaram as estruturas do campeonato na areia da praia. Mes-

CONFIRA TODAS AS ETAPAS DO SUPER SURF NO BRASIL: 1ª Xangri-lá (RS) – 3 a 8 de maio. 2ª Praia da Vila, Imbituba (SC) – 31 de maio a 5 de junho. 3ª Rio de Janeiro (RJ) – ASP Masters Championships / 25 a 31 de julho. 4ª Litoral Paulista (SP) – praia a ser definida / 18 a 23 de outubro.

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FOTO MARCELO NITSCHKE SECOM XANGRI-LÁ

Odirlei Coutinho e Orlando Carvalho

Espetáculo do Medina nas ondas da Vila Quem acompanha surfe sabe que a Praia da Vila, em Imbituba - SC, sempre foi palco para grandes campeonatos da modalidade. E não é por menos. Trata-se de uma praia com linda beleza natural, boa estrutura turística e, principalmente, altas ondas. Um dos picos mais conhecidos dos surfistas no Brasil e no mundo, já recebeu diversas vezes o principal campeonato de surfe mundial, o WT, que reúne a elite dos atletas desse esporte. Neste ano, a competição teve sede no Rio de Janeiro, e a explicação é simples: questões financeiras. Nem a federação, nem governo do Estado e prefeitura receberam contraproposta. Isso já veio definido da Austrália. A partir daí, em dezembro de 2010, começamos a mexer os pauzinhos para trazer um evento com tanto impacto como o WT. Falei com o organizador do Super Surf, entramos com o financeiro

0(;6(

$

solicitado, e o resultado é esse que vocês viram, uma brincadeira bacana e boas ondas – explica Leite Fred Leite, Presidente da FCS. Mas nem todos estavam para brincadeira. Com duas notas 10 em aéreos sensacionais nas ótimas ondas da Vila, Gabriel Medina, com apenas 17 anos, desbancou vários veteranos e mostrou que é o menino fenômeno de Maresias, São Paulo. O paulista, além das notas máximas, arrebatou uma série de FOTO DANIEL SMORIGO

notas 9, impondo o ritmo das baterias e tirando as chances dos adversários. Já na final, em uma explosão de energia e harmonia com a galera, Medina arrancou notas excelentes com batidas, rasgadas e aéreos, executados numa vibração inconfundível com as esquerdas da Vila. Não podia dar outro resultado, Medina venceu o australiano Tom Whitaker e agora assegura a 27ª posição no ranking

([LVWHPVHWHELOK}HVGH SHVVRDVQRPXQGRHYRFr SRGHVHFRPXQLFDUFRPHODV

da ASP Tour.

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> KITE <

Texto: Laís Bozzetto > Fotos: Divulgação

Ele não vive do esporte, mas vive para o esporte. Apaixonado por kitesurf, Dárcio Nowitski é cabeleireiro e, há dois anos, pratica o esporte apenas por hobby, ou vício. Sempre dentro d’água, o fenômeno do kite viaja em busca dos melhores picos e veleja pelo menos três vezes por semana para se testar e melhorar as manobras – um dom que exige dedicação e exercício para estar sempre a favor do vento... A Sul Sports bateu um papo com o cara, que nos contou um pouco da sua história com o esporte e deu umas dicas para quem está afim de começar a velejar. Confira tudo na entrevista bacana que fizemos com ele e descubra se o kitesurf também é a sua praia.

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Nome: Dárcio Nowitski.

Sul Sports – Seu primeiro contato com os esportes marítimos foi com o surfe. De onde

Profissão: cabeleireiro.

surgiu interesse em praticar essa modalidade, e como aprendeu?

Música que não sai do MP3:

Eu sempre fui fascinado pela água, pelo mar, e muito ligado à natureza, tanto que

“Shine Forever”, André Sarate.

estudei em um colégio agrícola (risos). Um dia eu fui à praia, vi a galera surfando e

Uma praia: Isla de Coche.

gostei. Aprendi sozinho a pegar onda. Porém, o litoral gaúcho sempre teve muito vento,

Um som que inspira na hora do

e certa vez fui surfar e tinha uma ventania. Foi aí que vi outra galera andando de kite

kite: do SOJA e eletro house. Adrenalina é... Andar a mais de 80 km/h em cima da água e dar megaloop a mais de 30 nós. Um momento... Campeonato Gaúcho em Rio Grande e meu casamento. Se eu não fosse cabeleireiro, seria... Não me imagino fazendo outra coisa! Não vivo sem... Ir à praia todo final de semana. Sonho em conhecer... Nossa, muitos lugares! Um pico inesquecível: Los Roques, mar transparente do Caribe!

e comecei a observar. Enquanto eu pegava uma onda, eles pegavam dez. O interesse pelo kitesurf começou aí. Sul Sports – E como o kitesurf entrou na sua vida?

O kitesurf entrou na minha vida em Maracaipe, no Recife. Eu viajei até lá pra pegar onda, e elas chegavam a 2 metros. Mas o swell se afastou da costa, e as ondas ficaram em meio metro. Foi então que resolvi experimentar o kite. Procurei o Fabinho, que é professor, e aprendi rapidinho. Fiz três aulas, e ele dizia que eu era um prodígio. Eu achei que ele estava puxando o meu saco, mas não era. Aprendi nesse tempo algumas manobras que a maioria dos alunos consegue fazer só depois de três meses. Sul Sports – Então foi amor à primeira vista?

Nossa, paixão total! Pretendo fazer para o resto da minha vida. É uma mistura de adrenalina, aventura, emoção. Nada explica a sensação de conseguir voar a 15 metros de altura. No kitesurf, não existe limite, porque o esporte ainda está em desenvolvimento. Além do mais, se pode criar muito... É alucinante e apaixonante. Sul Sports – Nos primeiros contatos com o kitesurf, alguma vez você sentiu medo?

Senti, sim, mas no início. Depois eu perdi esse medo e queria arriscar. É que eu sou hiperativo, então nas primeiras vezes da prática eu já queria voar. Lembro que, no primeiro dia, o instrutor me disse pra não puxar a barra, mas mesmo assim eu puxei. Saí rolando na areia, quase quebrei a clavícula e ainda por cima levei um xingão. Nessa vez, senti muito medo e não queria mais saber de kitesurf. Sul Sports – Para aprender kite, tem que saber as técnicas que envolvem o esporte, mas você acredita que, além disso, existe também um pouco de dom?

É habilidade. Sou cabeleireiro, atendo em média 30 mulheres por dia. Acredito que o meu forte são as mãos (risos). Sem brincadeira, tenho mesmo uma habilidade manual. Por exemplo, eu sempre gostei de futebol, mas nunca consegui jogar direito, porque não tinha jeito com os pés. Já no vôlei eu jogava melhor. O kite é uma mistura de habilidade manual, aprendizado das técnicas e paixão por adrenalina. Sul Sports – Para praticar kite, quais as principais lições que se deve ter antes de entrar na água?

Antes de pensar em entrar na água e comprar o equipamento, a pessoa deve procurar um curso. É preciso aprender os princípios básicos de manuseio da barra, de vento e de autorresgate. A pessoa tem que estar preparada caso algum imprevisto aconteça dentro d’água. Imagina se uma corda arrebenta? É por isso que o atleta tem que estar pronto, e isso só um professor pode fazer. Além do que, uma pessoa mal preparada pode trazer riscos não só pra ela, mas também aos demais atletas, inclusive para os que não estão praticando.

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Sul Sports – E a dica de quem é

Sul Sports – Para quais

fenômeno na água, qual é?

lugares você já viajou?

Dicas mais profissionais e técnicas...

Bah, muitos! No Brasil, já andei por todo

O kite, como qualquer esporte, é um eter-

o litoral. Fora do País, já fui pra Isla Mar-

no aprendizado, porque o equipamento

guerita, que é um arquipélago no Caribe;

está evoluindo. Eu pratico três vezes por

Los Roques e Isla de Coche, na Venezue-

semana, pois, para se tornar melhor no

la; Long Beach, nos EUA; e Dublin, na Ir-

esporte, tem que se exercitar constan-

landa. Aliás, essa viagem pra Dublin foi

temente. No meu caso, tem que estar

demais, água congelante com -4ºC. E a

na água sempre. Meu conselho é usar

próxima parada é em Cancun.

equipamento novo e bom. Os de 2009 pra cá estão muito melhores, porque te dão

Sul Sports – Conta para a gente

mais segurança, são mais rápidos. Uma

qual foi a kitetrip inesquecível e

aula com um equipamento novo equivale

aquela que foi um desastre.

a 20! Os kites de 2006 pra trás, imagine

Olha, todas as kitetrips são boas. Lem-

só, não tinham freio! Então, comprem

bro de uma vez em Isla de Coche em que

bons aparelhos.

conheci um grupo de italianos em um hotel. Os gringos têm um site de kitetrip,

Sul Sports – Você se considera um viciado

e acabamos fazendo uma amizade bem

em kite? Kitesurf é viciante?

bacana. Aprendi a falar italiano, veleja-

Sou viciado em kite, aliás, esse é meu

mos juntos e eles me adotaram. Esses

único vício! É sério, o kitesurf é muito

dias eu recebi um e-mail desses italia-

viciante. Todas as pessoas que eu apre-

nos, que me convidaram pra ir até a Itália

sento se apaixonam pelo esporte e não

com tudo pago. De lá, eles vão até a Es-

param mais.

panha só para ministrar uma clínica de manobras. Como vou a Cancun, vou ter

“Antes de pensar em entrar na água e comprar o equipamento, a pessoa deve procurar um curso. É preciso aprender os princípios básicos de manuseio da barra, de vento e de autorresgate. A pessoa tem que estar preparada caso algum imprevisto aconteça dentro d’água. Imagina se uma corda arrebenta?”

Sul Sports – Você viaja pelo menos três

que adiar um pouco essa viagem, mas

vezes por ano para praticar o esporte.

vou ir com certeza! Então, o legal dessa

De onde sai tanta motivação? E também

kitetrip foi fazer essas amizades, que duram até hoje.

grana, disposição, parceria...?

É, realmente eu viajo bastante, às vezes faço quatro kitetrips por ano. Justamente

Sul Sports – E a badtrip, qual foi?

por isso, não tenho muitas parcerias de

Cheguei a Caracas e começou o fenôme-

viagem – não é todo mundo que conse-

no El Niño. Fiquei quatro dias esperando

gue acompanhar. Mas sou comunicativo

o vento e uma semana sem velejar. O pior

e faço várias amizades por onde eu vou.

é que os aeroportos ficaram fechados, e

No Caribe, por exemplo, muita gente me

não tinha nem como voltar para o Brasil.

conhece. Disposição sempre tem! Eu procuro nos sites internacionais de sur-

Sul Sports – Qual a sua preparação com

fe na internet os melhores picos. Vejo os

relação ao corpo para a prática do esporte?

lugares, alguns vídeos dos caras locais

Você faz academia e um treino específico?

praticando kite, e me mando pra lá. Eu

Faço reforço para todos os membros, prin-

também nunca tenho 30 dias de férias,

cipalmente nos ombros e nas pernas, que

até porque não tem como fazer isso, en-

são os grupos musculares mais exigidos

tão tiro de 10 em 10, o que faz com que

no kite. Mas fortaleço tudo, porque é muito

eu viaje mais.

impacto e é perigoso se lesionar. Quanto à

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alimentação, cuido por saúde mesmo, pro-

ção mundial do esporte. Porém, eu vou

Sul Sports – Manda um recado para a

curo me cuidar, tomo suplemento de pro-

apenas a uma etapa fora do País, que vai

galera que tem vontade de aprender a

teínas. Enfim, não bebo, não saio na noite,

ser na Argentina. Vou participar para me

modalidade, mas que precisa daquele

pra estar zero no outro dia e arrebentar no

testar, avaliar em qual nível eu estou em

empurrãozinho...

kite. Acho que o esporte puxa isso...

comparação aos outros atletas. É pro-

Eu sempre digo que o kite é indicado para

vável que tenha uma etapa no Brasil, na

todas as pessoas, com qualquer idade. É

Sul Sports – Quanto ao equipamento,

qual possivelmente estarei também. En-

um esporte completo, que mescla equi-

quais são os melhores modelos? Existe

fim, serão testes.

líbrio, adrenalina e emoção. Para mim, é uma terapia, uma fuga dos problemas,

algum tipo específico de aparelho para determinada condição de vento?

Sul Sports – E quais são os próximos

um antiestresse. Acho que, por ter um

Sim, existem modelos específicos para

projetos?

contato direto com a natureza, você pode

cada situação de vento. Quando tem mui-

Eu e um amigo, o Diego Manfredi, esta-

descarregar as energias ruins e se reno-

to vento, é melhor usar um kite peque-

mos com um plano, juntamente com a mi-

var. Vejo o kitesurf como uma modalida-

no; se tiver pouco vento, é bom usar um

nha patrocinadora, a No Stress, de rodar

de que traz conhecimento e que aproxi-

menor. O ideal mesmo é ter os dois, para

um filme sobre o kitesurf. O filme vai ter a

ma as pessoas, porque, diferentemente

velejar em todas as condições de vento.

supervisão de um diretor de cinema e vai

do surfe, procura-se velejar onde tem

Já os modelos ideais são os Deltas C.

passar pelo litoral gaúcho, catarinense,

outros velejadores. Vale muito a pena, é

Shape. Sou patrocinado pela Mangavien-

nordestino, além de Peru e Caribe.

k^X^VciZ™

to, mas várias empresas estão aderindo a esse modelo, pois é fácil de decolar e é muito estável, “encaixa” no vento. Sul Sports – Conta para os leitores da Sul Sports sobre os títulos que você já ganhou no litoral gaúcho.

“O kite é indicado para todas as pessoas, com qualquer idade. É um esporte completo, que mescla equilíbrio, adrenalina e emoção. Para mim, é uma terapia, uma fuga dos problemas, um antiestresse.”

Primeiro, é importante explicar que o kitesurf, no Rio Grande do Sul, não tem campeonatos de nível profissional, só amador. Em 2009, tiverem três etapas do amador, uma em Osório, outra em Torres e a última no Laranjal. Dessas, eu venci todas. Já em 2010, aconteceram duas etapas, uma delas em Osório, aonde foram atletas veteranos de São Paulo. Ganhei cinco das sete regatas. Na etapa em Rio Grande, que tinha mais de 40 kites, venci seis das sete regatas. Como esse ano ainda não teve a terceira etapa, fui campeão das duas primeiras do open. Sul Sports – Agora você vai em busca do primeiro título internacional. Como estão as expectativas e a preparação?

É, essa é a primeira disputa internacional de que eu participo. O nome do campeonato é PKRA, que é a maior competi-

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ATIVIDADE FÍSICA / SAÚDE

Controle seu treino! Rodrigo Dall’Aqua

Analisando algumas teorias do treinamento esportivo e compameta não for atingida, o treinador não terá como explicar ao aluno rando-as com os métodos utilizados pelos treinadores que tive o priem que parte do processo houve falha. Será empírico tanto quanto vilégio de conhecer, observo que todos têm opiniões semelhantes e montar um planejamento de treino sem realizar uma avaliação física opostas em diversos quesitos, como métodos de planejamento, meou um “teste-controle” preliminar. todologia de treino, etc. Porém, todos são convergentes ao afirmarem A precariedade no monitoramento não pode mais acontecer, a importância do controle sobre todas as variáveis de seu treinamento não com as facilidades que a tecnologia nos proporciona – hoje te(volume, tonelagem, frequência, intervalo, estímulo, etc.), indepenmos acesso às planilhas eletrônicas até em aparelhos celulares dentemente do modelo a ser seguido. (cabe mencionar que esse controle pode Durante a prática de qualquer ativitambém ser feito à moda antiga, com dade física, os estímulos utilizados depapel e lápis). Lembrem-se: o aspecto DURANTE A PRÁTICA DE QUALQUER terminam a carga de trabalho à qual o quantitativo de seu treino depende de ATIVIDADE FÍSICA, OS ESTÍMULOS UTILIZADOS indivíduo é submetido. A velocidade de vocês, porém o qualitativo depende de DETERMINAM A CARGA DE TRABALHO À QUAL transformação adaptativa que ocorre no seu treinador! Bravo à Cia. Athletica, O INDIVÍDUO É SUBMETIDO. A VELOCIDADE DE organismo e o nível de adaptação atingique está desenvolvendo um programa do são condicionados pelo caráter, pela esplêndido, capaz de orientar com direTRANSFORMAÇÃO ADAPTATIVA QUE OCORRE NO magnitude e pela orientação das cargas trizes científicas o professor a planejar o ORGANISMO E O NÍVEL DE ADAPTAÇÃO ATINGIDO utilizadas. Possuir controle sobre seu treino de qualquer indivíduo (cardiopata, SÃO CONDICIONADOS PELO CARÁTER, PELA treinamento é essencial para a obtenção diabético, hipertenso, etc.) e, principalMAGNITUDE E PELA ORIENTAÇÃO DAS CARGAS dos resultados – tão importante quanto mente, capaz de armazenar todas as ino próprio ato de treinar. Ou seja, para o formações importantes do treinamento, UTILIZADAS. estabelecimento de metas e objetivos, para que o treinador e o próprio aluno devemos adotar ações que aumentem possam verificar os acertos e erros dua probabilidade de que esses sejam alcançados, sendo importante rante o processo de treinamento. entender o conceito de administração geral do treino, que abrange o No âmbito esportivo, percebemos que os treinadores que posplanejamento e o controle. suem controle sobre essas variáveis são os que obtêm mais sucesso. A organização, bem como a habilidade de usar o tempo com eficiBernardinho sabe até quantas vezes seus atletas reclamaram duranência, devem tornar-se um item básico em nosso treinamento. Planete o treino! – por isso, se continuar assim, ele sempre comandará um je cada ação (ou exija que seu personal o faça). Na maioria das vezes, time vitorioso. É simples: achando a fórmula do sucesso, é só repetila com menos erros. Não a achando, somente será possível a correos ganhos são adquiridos nos detalhes. Falhem ao planejar, e estarão ção com os dados necessários, senão a próxima tentativa terá como planejando falhar. Exemplo disso ocorre na maior parte das academias, onde são utilizadas “fichas de treino” – estas, em geral, muito parâmetros os mesmos dados que a anterior. simplificadas e incapazes de armazenar todos os dados necessários. Por Rodrigo Dall’Aqua (CREF – 010334 – G/RS) Justifica-se que já seria o suficiente para quem não almeja resultados Especialista em Treinamento Desportivo, Treinamento de Força e em Medicina ótimos (como um atleta); porém, ao pensarmos assim, mesmo que a Esportiva. Presidente FELP-RS e sócio da “mTORsports” – Assessoria Esportiva. ambição de seu aluno seja “apenas” perder 5 kg de gordura, se essa site: www.mtorsports.com

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> MÚSICA <

Ben Harper 98 > SUL SPORTS

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Mr. Bob Dylan. Mr. B.B. King. Mr. Ben Harper. Jethro Tull. Pra fazer uso de um termo corrente: que lineup. O Blues n’ Roots, porém – como bem sugere o nome –, não flerta com a modernidade, mas caminha noutra direção: celebra a retomada das raízes (roots) da boa música. Em tempos de aridez – Beyoncés, Rihannas, Justin Biebers! –, o festival, também conhecido por Blues Fest, deu voz a ícones do passado – somem-se à lista Elvis Costello, Grace Jones, Ernest Ranglin, ZZ Top, Joe Louis Walker – e a artistas contemporâneos que se curvam e bebem das grandes influências do passado, como o próprio Ben Harper.

O festival nasceu com o nome de The East Coast Blues, em Byron Bay, na costa leste australiana, 800 km ao norte de Sydney e 180 ao sul de Brisbane. Era 1990. Em 2011, entre os dias 21 e 26 de abril, cumpriu 22 primaveras, tempo em que cresceu – chegando a 17 mil visitantes/dia e seis dias de evento – e amadureceu – vide a impressionante lista de artistas. O processo de internacionalização vinha de tempo, mas o grande salto foi dado em 2011 – e o fato estava na boca da multidão, estupefata. A estrutura do evento neste ano abarcava cinco palcos, três bares, duas praças de alimentação cobertas e uma área de descanso igualmente coberta, de onde se puderam conferir as performances no palco Mojo, o principal. Tangenciando essa área, foi reservado um largo espaço para acampamento, onde a organização levantou barracas para locar aos visitantes. Garantindo o bom andamento, foi montado um sistema de trânsito (de automóveis e pessoas) competente

Blues n’ Roots o maior festival de música da Austrália

Por Gustavo Faraco e Pierre Bestetti Mallmann

e de segurança cuidadosa. Embora a prevenção contra a violência não possa ser nunca descartada, o tom reinante no festival é o da paz. O cume do festival, claro, foi alcançado por meio da música. Assistiu-se a uma sucessão de sho-

ws “mágicos”, como se ouvia com frequência de fãs entusiasmadíssimos. “Êxtase”, “experiência espiritual”, “magnífico”, também eram termos correntes. Parte desse deslumbramento se deveu à sinergia entre público e artistas. Em muitas

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The King of Blues

das apresentações, essa via de alimentação mútua deu cor especial. B.B. King, se não encantou tanto com virtuosismo, iluminou por meio de sua empatia. Bob Dylan, o ícone, bastava ser... Bob Dylan. Pra sorte de quem viu, ainda esteve inspirado. Conhecido pela inconstância nas performances ao vivo, foi ovacionado em suas duas apresentações. Recebeu muita energia e contentamento dos fãs, e chegou a declarar posteriormente seu “prazer” em participar do festival, numa rara demonstração de empatia. Ben Harper injetou energia ao lado dos Inocent Criminals e meaningful music com sua outra banda, Fistful of Mercy. Grace Jones foi uma vez mais um

show no palco. Jethro Tull e a flauta de Ian Anderson aveludaram o clima. E as linhas pra dar nome aos gênios acabam bem antes do final da lista. Na ala dos mais jovens, Trombone Shorty & Orleans Avenue foi um dos

Se o nome do evento aparenta restringi-lo àqueles estilos musicais, a diversidade imperou. Rock, reggae, ska, música indígena e outros estilos se juntaram ao blues, num coquetel muito apreciado pelo público.

destaques. Em sua última música, todos os integrantes trocaram de instrumento – incluindo o leading vocal, assumido pelo baixista –, sem deixarem o brilhantismo. Rodrigo y Gabriela, um duo acústico mexicano, e Little Bushman, banda neozelandesa, foram também muito bem recebidos. Se o nome do evento aparenta restringi-lo àqueles estilos musicais, a diversidade imperou. Rock, reggae, ska, música indígena e outros estilos se juntaram ao blues, num coquetel muito apreciado pelo público. The Melbourne Ska Orchestra (ska), Joe Louis Walker (blues), Wolfmother (heavy-

Elvis Costelo

metal psicodélico?), Trinity Roots (reggae), Little Bushman (rock psicodélico), George Clinton & Parliament Funkadelics (groove, funk) são apenas alguns. Mais de cem artistas se apresentaram no “quadro oficial” do evento, que contou também com inúmeros artistas independentes. No que tange aos visitantes, igualmente a pluralidade era dominante: culturas diversas, gente de todo tipo; gente jovem, famílias com bebês de colo, os de meia-idade, idosos, raças distintas, cores também, passaportes dos quatro cantos. Este é aspecto chave nos genes do festival: os organizadores/idealizadores se autodenominam um festival “nacional e internacional, multicultural”, e não é retórica vazia. A diversidade reina. Por fim, o festejo da cultura indígena australiana, sugerida pelo termo “roots” (raízes), foi novamente um esforço que distinguiu o festival de outros. A cerimônia de abertura foi aborígene – arakwal –, e um dos artistas mais admirados no evento foi Gurrumul, um aborígene cego, compositor tocante, figura totêmica. No final das contas, no frigir dos ovos, no juízo final, o Blues Fest não se trata de passado ou presente, branco ou negro, nativo ou urbano: trata-se da música (e da arte) atemporal, que reverbera na alma de geração após geração; trata-se da música verdadeira. Não no sentido da verossimilhança – Britney Spears é de carne e osso, creiam –, mas no da honestidade, da arte que vem da alma (com perdão pelo clichê). Em época de planície – “flatness”, diriam os gringos de bom gosto –, há de se fazer reverência a esses monstros da música, jovens ou meio enrugadinhos. Peace. Love. Joy. Let’s knock on Heaven’s Door#™

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Para mais informaçþes, fotos, notĂ­cias, acesse o site do Blues Fest â&#x20AC;&#x201C; www.bluesfest.com.au.

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> DESTINO AZUL <

Navegar é preciso...

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Por Laís Bozzeto

17 de agosto de 2008. Começava aí uma

Muitos têm o sonho de conhecer o mundo, porém poucos têm a coragem e a oportunidade para tornar esse desejo realidade. Para dois catarinenses, nascidos na ilha da magia, a paixão pelo mar e pelos esportes náuticos foi motivo suficiente para encarar esse desafio. Descobertas, experiências e entrega, algo chamado Destino Azul.

expedição cheia de sonhos. Planejada pelos amigos de infância Diogo Guerreiro e Flávio Jardim, a viagem tinha um destino: o mundo. A bordo do Itusca, um catamarã de 45 pés, a dupla colocou a mochila nas costas e largou tudo em busca de lugares diferentes, sessões de surfe e novos experimentos. Mesmo embarcando há dois anos, a viagem foi idealizada muito antes. Do sonho até a realização, foram exatamente 10 anos: – Foi uma batalha intensa. Tudo o que tínhamos era a vontade de descobrir o mundo. Tínhamos um grito interno para encontrar essa capacidade humana, esse limite. Queríamos mais de nossas vidas – conta Diogo. Desde a partida, em Floripa, até o final da viagem foram dias intensos. Diogo e Flávio percorreram um roteiro tropical, buscando conhecer locais remotos e peculiares para a prática de esportes radicais. Encontraram paisagens exuberantes e ondas nunca antes exploradas. Também visitaram sociedades e culturas diferentes. Porém, nem tudo saiu como planejado. Os caras encontraram, durante o percurso, alguns empecilhos. A dupla escapou de dois tsunamis, de um vulcão, de um grupo pirata e de um ciclone. Diogo se lembra de como foram os episódios durante a viagem: – Foram dias de tensão profunda. Escapamos de um tsunami em 2009, no Pacífico Sul. Sentimos uma variação de maré, mas achamos uma baía para nos abrigar. No ano seguinte, na Indonésia, pegamos o tsunami em alto mar, mas não fomos atingidos por causa da grande profundidade da água no lugar em que nos encontrávamos. Porém, vários barcos que estavam na costa foram afetados – explica.

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O catarinense também descreve o medo que sentiram dos gru-

SC, para avaliar os estragos da tempestade, tivemos que decidir

pos piratas. Segundo ele, só em 2010 foram 500 alertas sobre

entre desistir do sonho ou seguir em frente – afirma Diogo.

o risco de sequestro. Diogo também conta que isso aconteceu

Após o experimento mal-sucedido, eles se organizaram e, moti-

quando estavam na parte oeste do Oceano Índico e viram um

vados pelo sonho, seguiram em frente para uma nova tentativa.

barco ser sequestrado ao lado deles. Mais um motivo para a du-

Em 2004, a dupla voltou ao mar, e o desafio era grande: percor-

pla ficar em alerta máximo e com a adrenalina lá em cima.

rer os 8.120 km da costa brasileira de windsurfe. Se realizado,

Ainda assim, os momentos positivos prevaleceram e ainda estão

o plano seria a maior jornada da modalidade em todo o mundo.

frescos na memória dos caras. Um lugar inesquecível para a

Ao final, após viajar durante um ano e dois meses, dormir em

dupla foi Papua Nova Guiné, uma ilha no sudoeste do Oceano

180 cidades e cruzar 17 estados, a dupla percebeu que a verda-

Pacífico. Segundo os viajantes, foi importante observar o cho-

deira distância entre o Chuí e o Oiapoque era a transposição de

que cultural nessas ilhas deste que é um país primitivo, onde o

suas próprias barreiras pessoais. Depois das dificuldades, veio

dinheiro não tem muito significado. Foi também próximo a essas

a recompensa de entrar para o livro dos recordes como “a mais

ilhas que rolou a “surf session” memorável, mais especifica-

longa jornada de windsurfe no mundo”.

mente na Ilha de Palau, na Micronésia:

O segundo recorde a ser quebrado foi a travessia dos 400 km de

– Surfar lá foi demais, porque não tinha ninguém no mar e tava

mar aberto da ilha de Fernando de Noronha a Natal, RN. Porém,

rolando altas ondas. Acho que nós fomos as primeiras pessoas

um dia antes da expedição, Flávio foi mordido por um cachor-

a pegar onda lá – comenta Flávio.

ro. Mesmo assim, Diogo não desanimou e foi atrás da segunda

Dos lugares mais conhecidos, a Indonésia também foi conside-

marca no Guiness. Assim, ele conseguiu completar a maior tra-

rada alucinante para a prática do surfe, mas, mesmo apaixona-

vessia oceânica de windsurfe do mundo – mais uma vez sem

dos pelo mar, a dupla não ficou restrita aos esportes marítimos.

barcos de apoio, equipamentos adaptados ou pranchas espe-

Os catarinenses também fizeram corridas pela mata, trilhas

ciais, apenas uma mochila nas costas.

e saltaram de bungee jump na Ponte Bloukrans, na região de

A lição e o amadurecimento

Plettenberg Bay, na África do Sul. O lugar tem 216 metros e é considerado o maior do mundo para a prática do esporte.

Das duas viagens e dos dois recordes, Diogo e Flávio tiraram as lições para a última expedição, que terminou em fevereiro

Do Chuí ao Oiapoque e o livro dos recordes

deste ano. Bem-sucedida e cheia de histórias na bagagem, a

Quem pensa que essa foi a primeira viagem juntos está engana-

viagem teve seu desembarque na praia de Garopaba, SC, local

do. Antes do passeio pelo mundo, eles quebraram alguns recor-

onde tudo começou. Os viajantes foram recebidos com festa no

des. A dupla, que se conhece desde criança e que compartilha

Café Mormaii Beach Club.

da paixão pelas águas salgadas, já planejava algumas aventuras

A dupla mantém em segredo os próximos projetos, mas avisa

menos audaciosas. Na adolescência, Diogo participou de com-

que neste ano vão ficar pelo país. Agora, eles realizam palestras

petições de windsurfe, e Flávio, de Optmist, desde os seis anos.

empresariais sobre superação de desafios e motivação, além de

Partindo de Florianópolis, SC, a primeira viagem, em julho de

planejarem a realização de um documentário e de um livro de

2001, tinha a pretensão de chegar a Ilhabela, SP, a bordo do

fotos e escritos.

veleiro “Xamã”, de 31 pés. Na época, Diogo e Flávio eram jovens

Sobre o sonho realizado, eles afirmam que não foi fácil, prin-

de 20 anos e sabiam pouco sobre navegação em alto-mar:

cipalmente por terem de deixar a família e os amigos. Mesmo

– Partimos num ciclone extratropical com ventos fortes e on-

assim, não restam dúvidas a Diogo e Flávio de que, para atingir

das grandes. Quando estávamos a cerca de 100 km de terra,

um objetivo, é preciso abrir mão de algumas coisas. Para eles,

uma onda emborcou o barco. Foi um verdadeiro terror. Caímos

dificilmente conseguiriam amadurecer se não tivessem viajado.

no mar, estava frio e quase morremos. Aquilo foi um divisor de

Se pudessem definir a viagem em uma única palavra, ela seria

águas. Quando, ainda apavorados, aportamos em Porto Belo,

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> CONEXÃO CURITIBA <

NA LUTA

pela quarta olimpíada Juraci Moreira: superação pelo sonho da medalha Por Rafaella Malucelli

Ele nada, corre e pedala em busca de um sonho, o mesmo sonho de muitos, mas do qual ele é um dos poucos brasileiros que chegou perto: a medalha olímpica do triatlo. O curitibano Juraci Moreira caiu nas graças do povo quando conquistou a medalha de bronze nos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro, em 2007. Porém, sua história vai muito além dessa importante medalha.

Direto do centro de treinamento em Portugal, onde ficará sediado até as Olimpíadas de 2012, Juraci nos contou sobre sua batalha pela vaga olímpica na equipe brasileira de triatlo. Depois de um ano parado, devido a um sério problema no tendão de Aquiles, Jura, como é carinhosamente chamado pelos amigos, tenta uma das vagas para as Olimpíadas de 2012, que será a quarta da sua carreira. “Tenho uma lesão crônica em ambos os tendões de Aquiles, e no final de 2009 e início de 2010, foi bem crítico. Tive que parar totalmente e fiquei seis meses sem correr, tratando a lesão, para poder estar de volta este ano com chances de disputar a vaga para Londres 2012 e uma medalha”, comenta o atleta, que ainda mantém um tratamento de fisioterapia preventiva.

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Agora, Juraci corre atrás do tempo perdido

Hoje já sou um dos mais velhos – 32 anos

e está participando das etapas do Circuito

– no circuito, e, por termos tantos garotos

Mundial, organizado pela ITU (Internatio-

com um bom desempenho, as disputas

nal Triathlon Union), que pode ser considerado uma prévia para as Olimpíadas. “O Circuito Mundial, para mim, tem como finalidade me classificar para a Olimpíada; ainda não penso em vencer uma prova e ser o campeão mundial, pois a classificação olímpica é baseada em vários resultados no circuito, e vai somando pontos para o ranking olímpico. Como retornei só este ano após a lesão, estou indo progressivamente e espero, já no final do ano, passar a pensar em poder vencer uma etapa ou outra”, explica Juraci.

estão bem acirradas. Num espaço de um

No circuito da ITU, competem os princi-

cinco nomes fortes que estão disputando

pais atletas do mundo, e isso não deixa

as vagas olímpicas comigo. Posso afir-

surpresas para os Jogos Olímpicos. Po-

mar que é um dos melhores momentos

rém, há uma grande diferença entre um

para o triatlo brasileiro, e podemos ter

evento e outro: “Numa Olimpíada, todos

surpresas positivas para as Olimpíadas

chegam no seu auge. Fica difícil compa-

de Londres 2012 – e principalmente com

rar as provas do Circuito Mundial com a

os novos nomes que vão aparecer para a

prova olímpica, pois a Olimpíada é úni-

Rio 2016”, prevê Juraci. Nós ficamos na

ca, é a prova da vida de todos os atletas,

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minuto, podem chegar os 20 primeiros numa etapa do circuito mundial. Por isso, tenho que treinar com muito mais intensidade, para aguentar esse ritmo imposto por essa nova geração”, analisa. Em ritmo parecido ao internacional, os atletas brasileiros estão se qualificando, e várias promessas podem se revelar em 2016. “A equipe brasileira está em processo de formar novos talentos que podem representar o Brasil nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Porém, já temos uns

então o nível sempre é muito superior a tudo que passamos em outras provas”. Até dia 31 de maio de 2012, acontecem as provas que dão oportunidade para pontuação no ranking para a vaga olímpica. Enquanto isso, Jura segue treinan-

PRINCIPAIS TÍTULOS DE JURACI

do sem parar em Portugal, para encarar sua quarta Olimpíada e buscar o sonho

Bronze nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro 2007.

de todo o atleta: a medalha olímpica. Po-

Pentacampeão Brasileiro de Triathlon.

rém, ele mesmo diz que o nível não está baixo, e a luta vai ser dura. “Esta vaga

Campeão do Mundialito de Fast Triathlon 2008 e 2009.

será a mais disputada de todas, já que

3º lugar na Copa do Mundo do Japão 2002.

hoje temos bons brasileiros na disputa do circuito mundial; e como estive lesio-

Campeão dos Jogos Sul-americanos da Argentina 2006.

nado, perdi o ano de 2010 e provas que

Atleta mais jovem a disputar o Triathlon nas Olimpíadas de Sidney 2000.

pontuam para o ranking”, declara. Segundo o experiente triatleta, o nível nacional e mundial está muito alto. “O nível está cada vez mais forte, com mais jovens.

Atleta olímpico em Sidney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008. Campeão do Triathlon Internacional de Portugal, Guatemala, Argentina, México, Equador, Chile e Quênia.

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> CONEXÃO RIO DE JANEIRO < O histórico das mulheres nas piscinas brasileiras não é muito longo. Depois de Maria Lenk ser recordista mundial nas

Borboleta de

Batom

Olimpíadas de Helsinque, em 1939, nas categorias 200 m e 400 m de peito, surgiu a pernambucana Joanna Maranhão, que foi bronze nos 400 m livre dos Jogos Pan-Americanos, em 2003. Depois dela, apenas as atletas Daynara de Paula e Gabriella Silva representam promessa e despontam em nível realmente competitivo. Gabriella atingiu o índice olímpico em maio de 2008, nos 100 m de nado borboleta, e com um tempo de 58s90 ganhou o Troféu Maria Lenk, que, na ocasião, asFOTO SATIRO SODRÉ

segurou sua vaga nos Jogos de Pequim. Depois de vibrar muito com o tempo, a nadadora saiu da piscina e correu para a arquibancada, para abraçar os pais, que assistiam ao torneio. E como será que uma menina tão nova e com tanta responsabilidade encarou sua primeira Olimpíada? Gabriella responde...

“Nas eliminatórias, onde fiz meu melhor tempo, cometi diversos erros. Minha maior defasagem é nos fundamentos, como saída – que não foi nada boa – e chegada. Por isso, sei que ainda tenho muito para melhorar, para fazer muito melhor.” (Gabriella Silva) Nos Jogos de Pequim, em 2008, Gabriella Silva provou realmente ser uma campeã, quando surgiu sendo a “única nadadora mulher brasileira a ir a uma final olímpica”. A novata foi a única nadadora na-

Por Ana Balardim > Fotos Divulgação

A natação feminina no Brasil aos poucos vem revelando novos talentos. E como você sabe, a Sul Sports não podia deixar de mostrar uma singularidade, uma verdadeira pérola que foi descoberta no fundo do mar... E essa pérola tem nome e sobrenome... Falo da carioquinha da gema Gabriella Silva, que com apenas 22 anos já é destaque da nova geração de natação feminina.

cional que passou para as semifinais dos 100 m borboleta, chegando à final com o oitavo melhor tempo (58s00). Já com a vitória garantida e um novo recorde sulamericano, Gabriella terminou a prova como sétima colocada.

“Não dormi nada na noite anterior. Estava

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pilhada. Não gostei do tempo, mas achei que nadei bem. Acertei todos os fundamentos.” (Gabriella Silva) No Mundial de Piscinas de Roma, em 2009, outro destaque para Gabriella, que terminou na quinta colocação – ela chegou a bater os primeiros 50 m na liderança, mas perdeu o ritmo e fechou a prova com o tempo de 56s94. Para se ter uma ideia, a medalhista de ouro, a sueca Sarah Sjostrom, quebrou o recorde mundial na ocasião, com 56s06, deixando para trás a australiana Jessicah Schipper (prata), com 56s23, e a chinesa Liuyang Jiao (bronze), que conseguiu 56s86. Pou-

“A natação feminina está crescendo, e esses tempos são uma prova disso.”

quíssima diferença!

“Foi muito equilibrada a final dos 100 m borboleta feminino do Mundial de Piscinas em Roma.” (Gabriella Silva)

FOTO SATIRO SODRÉ

Além do bom desempenho na prova individual, ela também disputou o revezamento 4 x 100 m medley (individual e equipe), em que, ao lado de Carolina Mussi, Fabíola Molina e Tatiana Lemos, bateu o recorde sul-americano, com 4min02s61, garantindo a 10ª posição para o Brasil. Mas o jardim de Gabriella não foi sempre cheio de borboletas... Em 2009, no mundial de Roma, ela teve problemas com uma vértebra, que se refletiu no ombro esquerdo. Tal problema impossibilitou Gabriella de participar do Mundial de Dubai. Na época a atleta passou por uma cirurgia, mas hoje está totalmente recuperada. Agora ela treina para seguir evoluindo e melhorar ainda mais para a competição de Londres em 2012.

“Minha rotina de treinos é bem puxada, são onze treinos por semana (nove dentro da água e três fora da água). Faço isso de segunda a sábado, são cerca de seis horas por dia de total dedicação.” (Gabriella Silva)

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sempre ficam juntas, ajudando a dar impulso.” (Gabriella Silva)

tentar outros esportes, como ginásti-

“Meu grande ídolo na natação sempre foi o Gustavo Borges, admiro ele como atleta e como ser humano.” (Gabriella Silva)

Dentro da água, Gabriella escolhe sem-

ca olímpica, judô e balé. Até chegar ao

Apesar de Gabriella já ter nadado nas

pre usar o que for mais confortável, o

Pinheiros, seu atual clube, onde está

modalidades crawl e medley (individual e

melhor maiô, os melhores óculos e a

desde 2006, ela defendeu outros clu-

equipe), ela conta que escolheu se dedi-

melhor touca, mas fora da piscina a his-

bes do Rio. Seus dez primeiros anos de

car à modalidade borboleta, porque é a

tória é outra. Essa borboletinha d’água é

treino foram pelo Fluminense. Depois

que mais gosta de praticar desde que co-

vaidosa aos extremos, e quando pergun-

Gabriella ficou dois anos no Flamengo e

meçou a frequentar as piscinas, com seis

tada a respeito, ela abre logo um sorri-

um ano no Minas Tênis Clube. Seu atual

anos de idade.

são e responde: “Não saio de casa sem

“No nado borboleta, os braços são erguidos simultaneamente para fora da água, imitando os movimentos das asas da borboleta. Quando voltam para a água, são estendidos ao mesmo tempo que o nadador mergulha a cabeça. As pernas

batom”! Gabriella pode esquecer qualquer coisa na hora de arrumar as malas para viajar, mas o que nunca falta é sua nécessaire gigante, cheia de maquiagens e esmaltes coloridos, mostrando que o showXdci^cjV[dgVYVhe^hX^cVh#™

Gabriella conta que só passou a se dedicar inteiramente à natação depois de

treinador é o André Luis, que também cuida do preparo de nadadoras como Flávia Delaroli, Juliana Kury e Michele Lenhardt, mas Gabriella já passou pelas mãos de Alberto Silva, o Albertinho, que já treinou nomes como Gustavo Borges e Cesar Cielo.

FOTO SATIRO SODRÉ

“Moro longe de casa, e é uma emoção muito grande conquistar isso com meus pais aqui. Nem sei como fiz esse tempo. Sem explicação. Estava muito nervosa, nem conseguia dormir à noite, de tanta ansiedade, que estava quase chorando. Fiz um trabalho de relaxamento antes de cair na piscina, pra não ficar ainda mais ligada.”

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FOTO SATIRO SODRÉ

Participações Pan do Rio de Janeiro / 2007 / 100 m borboleta – 3º lugar / bronze Troféu Maria Lenck / 2008 / 100 m borboleta – 1º lugar / garantindo vaga em Pequim Jogos Olímpicos de Pequim / 2008 / 100 m borboleta – 7º lugar / 4 x 100 m medley (individual e equipe) – 12º lugar Mundial de Piscinas e Roma / 2009 / 100 m borboleta – 5º lugar / 4 x 100 m medley (individual e equipe) – 8º lugar

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> CAIAQUE <

CANOAGEM OCEÂNICA: DE CAIAQUE AOS CAMPOS DE GELO

Janela aberta na

Patagônia Por Álvaro Walendowsky

Fotos Juan Zuazo - Yak Expediciones

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Certa vez li um artigo escrito pelo fotó-

mos situações de risco e analisamos as

grafo norte-americano Tom Ulrich, sobre

qualidades técnicas de ambos para que

uma experiência vivida na Patagônia, que

nos tornássemos a cada minuto mais

dizia assim: “Você não pode fugir do tem-

confidente e confiante um ao outro.

po da Patagônia. Embora a palavra ‘tem-

Na noite fria e silenciosa de Puerto Tran-

po’ não faça justiça às forças elementa-

quilo, ao pé do fogo, jantamos de ouvidos

res que regem a extensão dos glaciares

atentos às histórias de um dos construto-

no sul do Chile e da Argentina. O vento

res da Carretera Austral, um legítimo pio-

lhe derruba. A neve enterra você vivo. A

neiro da Patagônia. Já na noite seguinte,

névoa gelada obscurece a visibilidade por

véspera da partida oficial, agora acam-

dias. É um lugar que faz você se sentir

pados em uma fazenda às margens do

pequeno, mas também muito vivo”.

Rio Exploradores, saboreávamos o mate

O artigo é uma descrição fiel das con-

amargo ouvindo causos e as histórias do

dições climáticas da Patagônia. E assim

campesino chileno que ali morava, e da

foi o início da minha expedição, sob as

luta de seu povo contra as represas que

intempéries do tempo patagônico, com o

por lá estrangeiros querem instalar.

principal objetivo de atingir o Glaciar San

Na região conhecida como Três Rios,

Rafael (limite norte dos Campos de Gelo),

exatamente na confluência dos Rios Te-

a bordo de um caiaque em uma expedição

reza, San Jose e Exploradores, este úl-

de autossobrevivência em companhia do

timo de proveniência glaciar. Por sobre

experiente guia e remador chileno Juan

suas águas, que corriam com velocidade,

Zuazo, quarenta e cinco anos de idade,

partimos em direção às águas do Pací-

trinta deles dedicados à canoagem.

fico. Antes, teríamos de cruzar a Baía

Tudo começou no pequeno povoado de

Exploradores, acesso ao canal oceânico.

Coyhaique, ainda no pampa chileno. À

Dali para frente, de remada em remada,

medida que viajávamos por terra, o cená-

estaríamos cada vez mais próximos ao

rio sul chileno mudava bruscamente. Da

isolamento total.

imensidão dos pampas ao cenário pito-

Sob a chuva e rajadas de vento de quaren-

resco da Carretera Austral, cercada por

ta quilômetros por hora, ondas oceânicas

densas florestas e montanhas com seus

de proa explodiam no caiaque, que car-

cumes nevados. Glaciares e até cachoei-

regava mais de oitenta quilos de carga, e

ras congeladas em pleno verão. A tempe-

por vezes no rosto. Nos aproximávamos

ratura caía a cada quilômetro.

do mar, acompanhados do impetuoso

Em Puerto Tranquilo, elegante vilarejo às

tempo. Chegamos até Punta Entradas,

margens do Lago General Carrera, pla-

uma ponta de terra que adentra a baía

nejamos uma remada de adaptação ao

antes do acesso ao grande fiorde.

equipamento até as Capillas de Marmol,

Ali ficamos. Apenas pouco mais de doze

mas não a fizemos. Diante da condição

quilômetros remados, e o ar de frustra-

de ventos fortes, optamos por realizar

ção pairou entre nossos olhares. “Tería-

um treinamento, afinal, não nos conhecí-

mos de cruzar o Paso Quesahuen e atin-

amos pessoalmente e estávamos rumo a

gir a Isla Leonor ainda hoje”, comentou

um dos lugares mais remotos e hostis do

Juan. “A coisa para fora não está boa,

planeta, solitários.

não temos visibilidade, nem possibilida-

Hora de ir para água e sentir o frio de

des de remar nestas condições”, voltou

boas vindas. Treinamos resgate, simula-

a afirmar. Como deve agir um bom expe-

SUL SPORTS < 115

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Ao adentrar na laguna, tive o sentimento de conquista; apesar de ter todo o caminho de volta a percorrer, houve a sensação do dever cumprido. De longe, avistamos um grande glaciar, o San Quintin, e, à nossa frente, o já imponente San Rafael.

Alegria de um lado, nova frustração e preocupação de outro. Em busca de um local de acampamento, demos de cara com uma vegetação baixa, mas alagada e protegida por uma floresta extremamente densa. A noite começava a cair, e a temperatura que a seguia já beirava o zero grau. Cruzamos para outro lado da península e encontramos um velho e abandonado acampamento de pescadodicionário, optei pela coerência, e demos

Canal Ballena, que se une com as águas

res, onde dormimos exaustos.

início à montagem do acampamento,

do Canal Cupquelan para formar o tene-

O dia do ataque à Laguna San Rafael

sob chuva e temperatura que já beirava

broso Canal Elefantes, temido por suas

amanheceu gelado na Patagônia, com os

os cinco graus, ainda na luz do dia. E foi

grandes ondas geradas pelos ventos do

caiaques congelados. A maré seca espa-

naquele momento que entendi facilmen-

quadrante norte, que se canalizam, ga-

lhou pedaços de gelo por toda a penín-

te por que Juan achou graça quando eu

nham força e tamanho e viajam rumo ao

sula, inclusive na praia onde estávamos.

quis embarcar uma toalha de banho no

sul.

Deixamos o acampamento assim que a

caiaque; ela é inútil.

A chuva havia dado uma trégua; havia

maré começou a encher. Atravessamos a

E a partir dali começou o jogo emocional

apenas precipitações ocasionais. Logo,

imensa baía e logo navegávamos em ve-

e psicológico da natureza remota e hostil.

não havia mais vento, e por um milagre

locidade nas águas surpreendentemente

Desde o início, sabíamos que estaríamos

da natureza o mar alisou de forma ini-

calmas, por entre pedaços de gelo no ca-

completamente sozinhos naquele lugar

maginável. Na primeira aparição de luz

nal de acesso à laguna chamado de Rio

e que seria uma verdadeira expedição

solar, Juan brincou: “Viu, existe sol na

Tempanos.

de autossobrevivência. Começávamos a

Patagônia!”.

Ao adentrar na laguna, tive o sentimento

monitorar a maré durante o dia ou noite

Com tal milagrosa mudança, a decisão foi

de conquista; apesar de ter todo o cami-

afora, montando castelinhos de pedra a

a de aproveitar a janela de tempo que se

nho de volta a percorrer, houve a sensa-

cada movimento das águas, para cima e

abria diante de nós, e “braços pra que te

ção do dever cumprido. De longe, avista-

para baixo, pois era ela quem nos ajuda-

quero”! Em um longo dia com total per-

mos um grande glaciar, o San Quintin, e,

ria ou não a avançar rumo ao nosso obje-

missão da natureza, cruzamos o raso e

à nossa frente, o já imponente San Ra-

tivo, a Laguna San Rafael.

temido Paso Quesahuen a favor da maré

fael.

Ainda na escuridão da madrugada, levan-

e do vento, por mais de sete horas nos

Pela manhã seguinte, com o sol a pino e

tamos acampamento. Juan tomou a lide-

caiaques e mais de quarenta e dois quilô-

céu de brigadeiro, nos aproximamos do

rança, comigo à sua popa. De lanterna de

metros remados. Com o plano adiantado,

Glaciar San Rafael por uma trilha que nos

cabeça focada, eu visualizava somente as

entramos na Península de Taitao, a pou-

levou bem próximos da grande massa de

faixas refletivas em X de seu colete. Ra-

co mais de vinte quilômetros do grande

gelo milenar, onde o silêncio imperador é

pidamente entrávamos na exposição do

glaciar.

cortado por estrondos de gigantes blocos

116 > SUL SPORTS

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de gelo que se partem e explodem nas águas gélidas. Maré a subir no período da tarde. Hora de iniciar o retorno, mas antes, um passeio diante dos paredões de gelo de oitenta metros. Imponente, titânico, ameaçador, deslumbrantemente branco, que chega a ser azul. Estávamos diante da história glaciar do planeta, o limite norte dos Campos de Gelo do Sul, a maior reserva de água doce fora das massas polares e da Groenlândia, um vestígio do extenso manto de gelo que cobriu grande parte da Patagônia há cerca de um milhão de anos. Ali, é possível sentir a terra viva! A cada dia, nosso total isolamento era provado. Seguidas tentativas de contato VHF em busca da previsão meteorológica eram em vão. O piloto de um barco de resgate que nos encontraria na Baía Exploradores e nos levaria rio acima no final da expedição, contratado e pago há três meses, jamais respondeu aos nossos chamados, e a cada tentativa Juan me relembrava: “Estamos realmente sozinhos”. A temperatura despencava a cada dia, ultrapassando os cinco graus negativos. As madrugadas eram congelantes. A janela da Patagônia continuava aberta, uma benção divina. Por outro lado, havia certa decepção interior, por não ter sido colocado à prova pela natureza – e ali seria o local perfeito. Embora não seja uma expedição longa em termos de quilometragem, ela é muito técnica, devido às condições climáticas adversas. Para nossa surpresa, o tempo abriu, sem vento, com sol, mar liso, quase um milagre naquela região. Com esse fator natural a favor, concluímos a aventura em tempo recorde, seis dias. O objetivo foi cumprido, e acabei me tornando o primeiro brasileiro a atingir um glaciar pelo mar, navegando em um caiaque. Que kZc]VVeg‹m^bV™

SUL SPORTS < 117

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> OFF ROAD <

D Austrália, Nova Zelândia, Costa Rica... todos esses países são muito conhecidos e relacionados aos esportes de aventura atualmente, mas às vezes, para a prática de muitos desses esportes, não é necessário fazer um grande deslocamento. Aqui, bem perto de Porto Alegre, na Ilha das Flores, é possível, por exemplo, praticar o off-road, um esporte que tem como principal objetivo a superação de obstáculos em terreno acidentado. E o melhor de tudo é que esse local fica a menos de 20 minutos do centro da cidade.

Off-Road

Ilha das Flores Fotos e texto Leandro Fraga (Raí)

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O off-road é um esporte que mistura adrenalina, superação, técnica de pilotagem, trabalho em equipe e muita aventura, sempre junto à natureza. Toda essa combinação, a cada ano, atrai cada vez mais adeptos. E com o objetivo de proporcionar aos entusiastas off-roaders uma experiência diferenciada, foi realizado no dia 14 de maio o 1° Desafio Off-Road na Ilha das Flores. A competição foi feita em circuito fechado e serviu para testar as habilidades dos pilotos e a resistência de seus veículos 4x4. As equipes eram formadas por um piloto e um navegador, com cada dupla em um veículo, e venceria a equipe que fizesse o trajeto em menor tempo – o off-road é um esporte em que, na maioria das vezes, os campeões são aqueles que conseguem transpor os obstáculos em menor tempo, e não quem anda mais rápido. A competição foi dividida em duas etapas: na primeira delas, os competidores percorreram o trajeto em sentido horário. Já na segunda, o trajeto foi feito em sentido anti-horário. Conhecimento técnico, trabalho em equipe, superação e, por que não, sorte, foram requisitos fundamentais para vencer as dificuldades do Desafio

Off-Road. Todos os competidores da prova fazem parte do Jeepbom Grupo Off-Road, que consiste em uma turma que há mais de quatro anos se reúne semanalmente para trocar ideias sobre os 4x4 e, é claro, programar novas trilhas e pas-

Agradecimentos: Ecolife Aventura (www.ecolifeaventura.com.br), empresa pioneira em turismo de aventura em Porto Alegre; ao Jeepbom (www.jeepbom.com.br); Caminhos 4x4 (www.caminhos4x4. com.br); Revenda Stark; e ao Porto Alegre Boat Club (www. portoalegreboatclub.com.br).

seios por todos os cantos do Rio Grande do Sul. Os competidores desde o início meteram pressão nas máquinas, o que despertava curiosidade de quem passava perto da trilha, na estrada de carro. Alguns amigos foram presenciar o que estava rolando, como nosso amigo Alex e tantos outros que passaram por lá no momento de competição. O evento durou pouco mais de três horas, tempo suficiente para todos saberem que em Porto Alegre se pode fazer off-road de nível sem precisar se descolar muito. No 1° Desafio Off-

Road, os campeões foram Shaid, como piloto, e Eduardo Barth, como navegador, na Cherokee Sport, que por sua vez estava possuída, fazendo o trajeto em 3’04”. Em segundo lugar, ficou a Hilux com o piloto Rafael e o navegador Élio, fazendo o trajeto em 3’10”. Em terceiro veio nosso brother Éverson, mais conhecido como Chuck, com o seu Stark branco no qual representa a marca aqui no Estado, e ao seu lado o navegador Leandro. SUL SPORTS < 119

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> ENTREVISTA <

O surfe, aqui, surgiu com ele... Texto Ana Karina Belegantt (AKB) > Fotos João Paulo Lucena e Angelo Dautd

Durante as gravações do Programa Adrenalina (Canal Futura / Globo Internacional) sobre “o início do surfe no sul do Brasil”, no Madeirite Trópico, em Torres, conheci Jorge Gerdau Johannpeter (JGJ) prestigiando e cumprimentando os organizadores do evento. Ele foi apoiar os filhos, netos e sobrinhos, todos surfistas, tomando chimarrão, sentado nas pedras das guaritas para se abrigar do vento de março. Pegando minha filha no colo com carinho de avô, brincou, riu, contou suas lembranças de infância pelas praias de Torres, suas experiências esportivas, sua vivência desbravadora e aventureira... sempre com o surfe na ponta da língua! Não foi uma entrevista, foi um bate-papo descontraído e alegre com o empresário que, há 46 anos, trouxe a primeira prancha de surfe para o estado do Rio Grande do Sul.

120 > SUL SPORTS

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AKB – Como foi o seu primeiro contato

AKB – O senhor guardou a prancha daquela

com o surfe? Na real não existia o surfe, e

época?

sim o “pegar onda”; então como foi o seu

JGJ – Sim, guardei. Deixava aqui na casa

primeiro contato com o “pegar onda”?

da minha mãe. A família vinha para Tor-

JGJ – Bem, nós desde crianças pegáva-

res no tempo em que se vinha de carreta

mos jacaré!

de boi (risos). Para chegar a Itapeva, aqui ao lado, vinha-se de barco de Tramandaí,

AKB – Aquele surfe sentado...

descia ali e pegava a carreta de boi para

JGJ – Não, não, remando, sem nada, pe-

se chegar a Torres. Aquele chalé de ma-

gava onda remando... nós (Jorge, Klaus

deira colado no morro é do meu tio-avô.

e Frederico) saíamos mar afora. A minha

Então, a minha família toda sempre este-

mãe já pegava onda... Ela era uma atleta.

ve muito vinculada a Torres.

Aí, desde pequenininhos, nós sempre íamos mar afora, para pegar onda. Então,

AKB – Como foi trazer essas pranchas para

já éramos muito ligados ao mar desde

cá, porque as pessoas não sabiam o que

antes da existência do surfe. Então, mui-

era aquilo... Como eles olhavam vocês com

to jovens, nós pegávamos jacaré sem

aqueles equipamentos, o que era isso?

equipamento.

JGJ – Naquela época, Torres não tinha estrada, era um acesso difícil. Ia-se para

AKB – Mas onde vocês nadavam?

Torres pela praia...

JGJ – Aqui, na Praia Grande. A gente sempre escolhia o melhor lugar...

AKB – Pela areia?

JGJ – Sim, os carros vinham pela areia, AKB – Aqui em Torres.

pela praia. Às vezes, o mar estava com

JGJ – Sim, aqui em Torres. Aí, eu vi uma

uma ressaca forte, e não se conseguia

coisa no cinema: um pessoal no Rio de

chegar (risos). Isso aqui era totalmente

Janeiro pegando onda com esse equipa-

isolado. Eu vinha à praia da Guarita e não

mento chamado de Madeirite. Então, eu

tinha mais que dez famílias veraneando

tive contato com aquele pessoal de praia

aqui. A praia era vazia, havia pouca gente,

no Arpoador. A gente os via pegando onda

porque realmente Torres era mais longe.

e, aí, me informei onde arrumaram as

O acesso era difícil.

pranchas, que eram de Madeirite, para

“A minha mãe já pegava onda... Ela era uma atleta. Aí, desde pequenininhos, nós sempre íamos mar afora, para pegar onda. Então, já éramos muito ligados ao mar desde antes da existência do surfe. Então, muito jovens, nós pegávamos jacaré sem equipamento.”

trazer para cá... As primeiras pranchas

AKB – Aí, chegaram aqui com as

que nós trouxemos para cá eram de Ma-

pranchas...

deirite e foram fabricadas ali numa car-

JGJ – Chegamos com as pranchas e co-

pintaria que ficava no final da praia de

meçamos a nos exercitar. Acompanhando

Copacabana e Ipanema...

o pessoal do Rio, de repente, apareceram algumas pranchas já importadas do Ha-

AKB – Bem no Arpoador...

vaí, estilo porta.

JGJ – Sim, bem ao lado do Arpoador tinha essa carpintaria de móveis normais, mas

AKB – Fabricadas nos EUA,

o cara lá sabia fazer. Ele dava um shape

especificamente na Califórnia.

no Madeirite. E essa primeira prancha,

JGJ – Sim, vinham do exterior. Eu e meus

temos até hoje guardada...

irmãos Klaus e Frederico compramos es-

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dessa geração de mais velhos que estão pegando onda são os pioneiros. São todos filhos de amigos nossos que veraneavam aqui, do Bins, do Sefton. Nós três é que somos os verdadeiros pioneiros do processo, dos desbravadores para Santa Catarina. Em Santa Catarina, ninguém fazia surfe. Quando nós chegamos lá, parecíamos uns bichos estranhos (risos). AKB – E como era, como se fez essa transição daqui para SC, até porque as praias lá atraem mais pela geografia, pelo visual, pelas ondas, então o local é que chamou vocês para irem surfar lá?

JGJ – O litoral aqui do RS é muito aberto. O único litoral que tem um pouco de avanço da serra do mar é aqui em Torres, na praia da Guarita ou da Cal, assim como os molhes do Mampituba. Quando nós começamos, os molhes também não existiam (risos). AKB – Não existiam os molhes? Uma geração inteira ligada ao esporte: João (neto), André (filho) e Eduardo Bier (sobrinho)

JGJ – Não! Nada, nada... Nós pegamos sas pranchas. Nós temos essas pranchas

esse processo e fomos aprimorar o surfe.

lá em Santa Catarina. Guardamos isso

Então, saímos a pesquisar outras praias

como relíquias. São pranchas enormes,

em Santa Catarina.

várias vezes remendadas (risos). AKB – E era deserto,

“ Eu diria que a própria continuidade dessa geração de mais velhos que estão pegando onda são os pioneiros. São todos filhos de amigos nossos que veraneavam aqui, do Bins, do Sefton. Nós três é que somos os verdadeiros pioneiros do processo, dos desbravadores para Santa Catarina. Em Santa Catarina, ninguém fazia surfe. Quando nós chegamos lá, parecíamos uns bichos estranhos” (risos).

AKB – (Risos).

completamente sem ninguém,

JGJ – O Fernando Sefton também com-

ali na região de Garopaba?

prou e juntamos uma turma com essas

JGJ – Garopaba existia, mas era uma

pranchas. Essa gurizada aqui de hoje,

vila de pescadores. Não havia casas de

meus filhos, começaram a surfar com

veraneio. Na Praia do Rosa, não tinha

cinco, seis anos, já vendo o “pegar onda”

ninguém. Eu conheci a antiga proprietá-

desde cedo. Esse é o pessoal agora que

ria, Dona Maria, porque nós compramos

está aí com 45, 50 anos.

um pedaço de terra ao norte da praia do Rosa, que é a mais famosa hoje nessa

AKB – Então, o surfe aqui iniciou pelas

região. Tinha três famílias na Praia do

famílias, né?

Rosa, com toda aquela propriedade, a

JGJ – Sim, totalmente pelas famílias...

terra não valia nada, plantavam mandioca, não tinham acesso... Para poder che-

AKB – O senhor, seus filhos...

gar à praia, tínhamos de ir a pé, subir o

JGJ – Eu diria que a própria continuidade

morro, descer carregando prancha, e fi-

122 > SUL SPORTS

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lhos, e água, carregavam umas mulas de

tirava onda de ninguém, porque eram tão

lá fora, todo mundo é igual. Quando se

carga para levar as coisas (risos). Sabe

poucos (risos). Hoje, o grande problema

passa tempo sentado numa prancha,

como é, surfista, para pegar onda, não

do litoral é a falta de respeito, [todos] se

olhando e esperando onda, a sequência,

tem limite.

atropelam. O pessoal local não fazia sur-

se cria um relacionamento e uma amiza-

fe, então era fácil na época, a praia es-

de grandes. Então, nós tivemos oportuni-

AKB – É aventura...

tava totalmente à nossa disposição, um

dade de conviver com esse processo.

JGJ – É... Se é para trabalhar, a gente

troço sensacional!

não consegue levantar. Pro surfe, a gente

AKB – E o senhor surfa ainda até hoje,

acorda às quatro na manhã, às cinco, e

AKB – Era sempre uma brincadeira?

como está seu surfe?

não tem horário... Na busca pelas me-

JGJ – Totalmente. Nós descobrimos tam-

JGJ – Às vezes, entro no mar. Hoje, eu

lhores ondas, a gente pensa: com esse

bém a praia da Vila, um local com uma

estou com o joelho um pouco prejudica-

vento, acho que é naquele lugar e a gente

condição natural excepcional, com as

do. Mas estou aqui, namorando o mar e,

se manda e vai pegar as ondas (risos). É

ilhas. Ali, nós pegamos, em épocas de

vendo esse movimento todo, me dá uma

uma motivação sem limites que se bus-

ressaca, ondas de três a quatro metros.

vontade louca de entrar lá (risos). Entro no

ca nesse processo. Aí, fomos avançan-

Uma vez, eu estava lá fora, no mar, e só

mar, nado um pouco, remo, etc. Tenho mi-

do. Mais tarde, foi organizado o primeiro

podia voltar na onda, e pensei: o que eu

nhas pranchinhas bem guardadas (risos).

campeonato de surfe.

tô fazendo aqui? (risos).

AKB – Que ano foi?

AKB – Mas todo mundo pensa isso, depois

do surfista de aventureiro, de desbravador

JGJ – Deve ter sido por 68. Não tenho cer-

que está numa roubada (risos)...

no seu dia a dia, no seu trabalho, com sua

teza, mas tem algumas fotos de jornal.

JGJ – É, mas é um impacto sensacio-

família? Porque o senhor é um surfista

nal...

nato, nasceu na água, trouxe o surfe

AKB – Onde o senhor carrega esse espírito

AKB – Final da década de 60...

para cá... Então onde aplica essa alma do

JGJ – É. Fizemos o primeiro campeonato

AKB – E como foi essa contracultura em

surfista na sua vida?

gaúcho de surfe!

que o senhor entrou bem, sua família

JGJ – Eu tenho convicções profundas de

na identificação do surfe, não como

que você não consegue ser esportista ou

AKB – E foi aqui na Guarita?

algo rebelde, e sim como uma atividade

atleta, de qualquer tipo de atividade, de

JGJ – Sim, nesse local onde estamos

familiar, porque aqui no Sul não teve

uma forma passiva. O espírito do espor-

hoje, aqui na festa do Madeirite. E naque-

muito essa cultura de beira de praia, dos

tista surfista é de um desbravador, é um

la época, nós trouxemos o Barriga como

“hippies” com o surfe...

corajoso, o desafio de querer e buscar

juiz.

JGJ – Foi uma geração posterior. Nós

mais. Qualquer tipo de esporte cultiva na

começamos já com uma idade próxima

pessoa esse tipo de formação. Sou con-

AKB – Quem é o Barriga?

aos 30 anos, já tínhamos filho, trabalhá-

victo de que o esporte deve ser estimula-

JGJ – Barriga era um surfista histórico.

vamos profissionalmente com grande

do na formação do jovem, porque faz uma

Ele foi um dos pioneiros do Rio de Ja-

responsabilidade. E meus irmãos tam-

pessoa ser diferente. Ela passa a ter uma

neiro. Depois ele largou o surfe e fez asa

bém. O Fernando Sefton era diretor ou

atitude de vida diferente e aquele espírito

delta.

gerente de câmbio lá do Banco Nacional

de desafio, de querer ganhar. No surfe,

do Comércio. Começamos fazendo surfe

você pesquisa onde esta o local da onda

AKB – E como foi esse campeonato aqui,

nos finais de semana. Acompanhamos o

do dia, há o desafio de não perder a onda.

porque, se vocês eram os pioneiros, foi um

movimento de quase formar uma gera-

Isso aprimora a pessoa e você passa para

campeonato meio família, tipo um amigo

ção com a cultura de surfista, mas nós já

qualquer outro esporte. Continuo prati-

traz o filho, que traz outro amigo...

estávamos fora dessa faixa.

cando hipismo. Fui campeão brasileiro

JGJ – Nós éramos talvez umas dez, quin-

e meus filhos também. Comecei minha

ze pessoas surfando, no máximo. Não ti-

AKB – Dá para se dizer que era distante?

vida fazendo outros esportes: nado, atle-

nha problema para pegar onda. Ninguém

JGJ – Distante não digo, porque no mar,

tismo, ginástica, tudo desde criança, por-

SUL SPORTS < 123

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que a educação dos meus pais foi muito

tem essa chance de entrar no mar e po-

forte nisso...

der fugir da pressão, é uma delícia.

AKB – Proporcionaram-lhe isso?

AKB – Qual a mensagem que o senhor

JGJ – Sim, me proporcionaram. Nós com-

mandaria em relação ao surfe, para quem

petíamos aqui na travessia do Mampituba

quisesse começar a praticar – crianças,

ou lá da ponte da BR até aqui nadando.

adolescentes? É possível viver do surfe?

O esporte diferencia as pessoas, porque

Que informações os pais podem passar aos

quem faz, normalmente não é passivo e

filhos?

vai direcionar a sua energia. Nos Estados

JGJ – Hoje já existe uma vantagem: o

Unidos, se você observar – e eu faço isso

surfe é tão difundido que é difícil que

por curiosidade –, está cheio de presi-

algum jovem não tenha tentado surfar.

dentes e grandes empresários que foram

Para aqueles que quiserem praticar, há

campeões de algum esporte. É claro que

chance muito grande de aprender – exis-

as universidades lá propiciam isso. É um

tem escolas para crianças bem peque-

pouco da cultura anglo-saxônica, mas

nas aprenderem a surfar, a oportunidade

eu tenho a convicção de que o esporte

hoje existe. Aos pais, eu me permito dizer

aprimora o ser humano enormemente.

o seguinte: coloque seu filho no esporte.

Então, quem tem a chance de fazer qual-

:hZ[dgcdhjg[Z!bZa]dgV^cYV™

“Quem pratica o surfe, quem está naqueles momentos lá no mar, na natureza, tem uma gratidão enorme de ter a oportunidade de conviver com a natureza... Aos pais, eu me permito dizer o seguinte: coloque seu filho no esporte. E se for no surfe, melhor ainda!”

quer tipo de esporte, não deve deixar de fazer, muito menos deixar de pegar ondas... (risos).

Jorge Gerdau Johannpeter e Ana Karina Belegantt

AKB – E os surfistas têm uma ligação muito forte com a natureza, com a preservação ambiental, foram os primeiros que começaram a ser preocupar com o meio ambiente, com ecologia...

JGJ – Quem pratica o surfe, quem está naqueles momentos lá no mar, na natureza, tem uma gratidão enorme de ter a oportunidade de conviver com a natureza. Portanto, esse tipo de sensibilidade é despertado nos surfistas. É um crime o que fazemos com nosso litoral, Brasil afora. O litoral de Santa Catarina, por exemplo? Eu vi isso tudo virgem, não tinha nada. Quando nós saíamos de Torres e íamos até a altura de Florianópolis, era uma beleza extraordinária, uma natureza vigorosa. Quando você estava no mar, via a vegetação natural, a Mata Atlântica, animais, pássaros. Era algo maravilhoso. E na vida de hoje, como a gente é bombardeado pelo estresse urbano, quem

Esta matéria contou com o apoio do Programa Adrenalina. Programa Adrenalina. Horários: 4ªf às 21h e domingo às 17h30min. Realização: Canal Futura (SKY Canal 8 e NET Canal 32) e TV Unisinos(UHF Canal 30). Produção: Clip Produtora. Apresentação: Ana Karina Belegantt e Leo Sassen. Mais em: www.adrenalinatv.com.br

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MARKETING ESPORTIVO

Ronaldo, fenômeno de marketing Wesley Cardia

Há alguns dias, estive na 9INE, agência de marketing esportivo

marca Duracel e ainda fez piadas inserindo a conhecida fabricante

criada pelo maior grupo de publicidade do mundo (WPP) em par-

de baterias no contexto das respostas aos jornalistas. O patroci-

ceria com o Ronaldo Fenômeno. A agência, estabelecida há pou-

nador adorou, e a marca apareceu em toda a mídia.

cos meses, já se dá ao luxo de deixar na lista de espera empresas interessadas em contratar seus serviços.

A 9INE continuará a ter retorno. E novos clientes vão bater à sua porta nos próximos meses, porque há um comprometimento

Multinacionais como Claro, Duracel e Glaxo Smith Kline já fa-

do Ronaldo com essas empresas. Isso me fascina porque, segui-

zem parte da lista de clientes, além de um grupo de atletas que

damente, vejo atletas patrocinados por uma marca usando pro-

entregaram suas carreiras para administração da 9INE – sem

dutos de concorrentes – e até eventos que deveriam garantir a

desconsiderar as marcas que já patrocinam Ronaldo há anos,

exclusividade de anunciantes inserem marcas de rivais. O exem-

como a Nike.

plo Ronaldo deveria ser seguido por

Ao contrário do que muitos ima-

AO CONTRÁRIO DO QUE MUITOS IMAGINARAM

atletas, clubes e entidades esportivas.

ginaram por ocasião do lançamento

POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO DA AGÊNCIA,

Em vez de reclamarem da dificuldade

da agência, Ronaldo não é apenas um

RONALDO NÃO É APENAS UM ABRE-PORTAS.

de obter patrocínios, deveriam tratar

abre-portas. Ele dá expediente, interfere nas estratégias dos clientes e opina nas campanhas. Esse potencial único foi apreendido pelo Fenôme-

ELE DÁ EXPEDIENTE, INTERFERE NAS ESTRATÉGIAS DOS CLIENTES E OPINA NAS CAMPANHAS.

de atletas de ponta não pode se restringir às quadras, aos tatames e aos gramados. É preciso que haja com-

no desde o início da carreira. Ele foi o primeiro craque a ter um assessor de imprensa full time. Ele

profissionalmente deles. O empenho

prometimento também na hora de prestigiar os parceiros comerciais fora desses locais.

usa os produtos de seus patrocinadores e faz questão de dizer

Entendo que o Ronaldo seja um caso único. E que sua ima-

quem são eles e de endossar cada uma das marcas. Isso significa

gem esteja praticamente dissociada da de um clube em especial

retorno para os investidores que pagaram milhões para atrelar

depois de ter jogado em vários deles. Mas se ele é um sujeito pe-

seus logotipos a um dos maiores jogadores de todos os tempos.

culiar dentro do campo, fora dele ele está se mostrando melhor

O efeito é sólido. Mais e mais empresas querem associar suas

ainda. Por tudo isso ele é um exemplo: seja para aqueles que pra-

marcas a ele.

ticam esporte de calção e camiseta, seja para aqueles que estão

A entrevista dada por Ronaldo há alguns dias, na tarde do seu jogo de despedida da Seleção Brasileira, é uma prova desse comportamento com visão de mercado. Ele usou uma camisa com a

de terno no escritório. Wesley Cardia Mestre em Comunicação, consultor de marketing, especialista em marketing esportivo e Diretor da Maestro Marketing

126 > SUL SPORTS

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> IRONMAN < O que você faz em oito horas do seu dia? Num domingo ensolarado, por exemplo, de que forma preenche as 8h15min03 seguintes ao instante em que acorda? Esse foi o tempo que o argentino Eduardo Sturla levou para vencer o Ironman Brasil 2011, em Florianópolis, no domingo 29 de maio. Lá pelas 10h, quando você pensava em levantar da cama, o Sturla já tinha nadado 3,8 km e pedalado cerca de 90 km, mas ainda estava longe da linha de chegada. Sturla e outros quase dois mil triatletas – entre eles, 17 representantes da RaiaSul Assessoria Esportiva, que tem como professores Frank Silvestrin, Wilson Mattos e Chris Abbott e é uma das maiores equipes de triatlo do Estado –, partiram mar de Jurerê adentro, às 7h, para um longo dia (mas pergunte para qualquer um deles e você ouvirá que “foi tudo muito rápido”). O tamanho desse dia vai variar muito, e aí está um dos aspectos curiosos dessa prova que, a cada ano, atrai mais in-

Por Loraine Luz > Fotos: André Larrêa

teressados. Por volta do meio-dia, quando você provavelmen-

Para perder a noção das horas, experimente fazer uma prova de Ironman!

te pensava no almoço, o Sturla começava uma maratona. E o pessoal da RaiaSul estava espalhado pelo percurso de 180 km de ciclismo. “Nesse momento, eu aguardava os nossos atletas fazerem o retorno dos 90 km, para conferir se estavam passando dentro do tempo planejado. A prova é muito calculada para aqueles que buscam uma vaga no Mundial, e o ciclismo também pode ser determinante para esta conquista”, explica Frank Silvestrin. Também técnico da equipe, Wilson Mattos acompanhava os atletas de perto, com uma moto, e passava informações para o Frank via rádio. Aí já se tem uma ideia de por que um Iron é um desafio também para os técnicos de equipes. A grande maioria dos atletas que começam no triatlo é praticante de corrida ou natação, lembra Frank, mas traz características distintas, que precisam ser trabalhadas. Ainda assim, um mesmo Iron vai ser diferente para cada um deles, ou seja, são 17 planejamentos distintos. “É imprescindível treinar pelo menos dois anos e passar pelas provas mais curtas, depois intermediárias, para depois chegar ao Ironman. O ponto não é o quanto você vai nadar, pedalar e correr, mas sim como você chegou lá. Por isso, contar com uma assessoria especializada é importante”, afirma Wilson Mattos. Se as condições climáticas já são parte importante e uma incógnita em qualquer prova de triatlo, num Iron isso se potencializa: nada-se com o dia nascendo, fica-se sobre a bike a

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manhã toda e boa parte da tarde e, quando a noite cai, ainda tem muita gente correndo. O tempo máximo para a conclusão dos 3,8 km de natação, 180 km de pedal e 42,1 km de corrida é de 17 horas. Por exemplo: quando o Sturla cruzou a linha de chegada, por volta das 15h, Silvia Paz, a única mulher na equipe da Raia, estava começando os 42,1 km de maratona. Chegar após oito horas de prova, como fez o argentino vencedor, é para poucos: neste ano, 13 conseguiram. Na casa das nove horas de prova, foram apenas 140 – entre eles, quatro triatletas da RaiaSul: Cristiano Santos, Alex Azambuja, Alex Valverde (que se creditaram a uma vaga no Mundial do Havaí, em outubro) e Márcio Danieli. “O nível da prova este ano foi muito alto. Os amadores estão investindo muito na preparação e na dedicação aos treinos. Os equipamentos evoluem constantemente, e esse conjunto tem feito a diferença. Por causa dessa disputa mais acirrada, chegar na casa das nove horas não foi suficiente para o Márcio pegar vaga”, explica Frank. O sonho de nadar, pedalar e correr na mítica ilha serve de motivação para baixar os tempos no Ironman Brasil. A prova em Floripa é a única seletiva da América do Sul para o Mundial. “Uma prova de Ironman não é um fim, mas um meio, um processo. O objetivo é a construção de um atleta, um sonho”, afirma Wilson, lembrando um dos atletas da Raia (Roque Echel) que por pouco não pegou vaga também. “O Ironman é um mistério. Alguns voltam apenas pra completá-lo e sentir de novo a emoção da chegada, caso de muitos dos nossos atletas, como o Humberto Camargo, que voltou lá pela terceira vez mesmo tendo treinado apenas quatro meses”, finaliza Frank.

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De Floripa pro Havaí

Saiba mais sobre a equipe em www.raiasul.com.br ou pelo e-mail raiasul@gmail.com

“Largar no Havaí já será fantástico, pois é um sonho realizado. Mas isso não tira o desejo de realizar uma grande prova e fazer um bom tempo. Minha vontade é muito grande. Treinamos com um inverno bem frio e, em outubro, chegamos ao Havaí com muito calor (beirando 40°C) e bastante umidade. Vou controlar na natação e no ciclismo, já que na maratona a temperatura é alta. Não coloco um tempo específico para a prova, sou bem realista. Vou treinar o possível para realizar uma grande prova!” Alex Azambuja, 35 anos, treinador na RaiaSul e um dos triatletas da equipe que conquistaram a vaga para o Mundial no Havaí. Outro deles, Alex Valverde, está indo ao Havaí pela segunda vez. Cristiano Santos, embora creditado para isso, decidiu não ir a Kona este ano.

Equipe RaiaSul no Ironman 2011, por ordem alfabética Alex Azambuja > 9h21min23 | Alex Valverde > 9h47min09 | André Cruz > 12h54min02 | Carlos Torres > 11h26min34 Cristiano Santos 9h08min14 | Eduardo Ávila > 10h39min35 | Gustavo Bastos > 12h10min40 | Henrique Cramer > 11h33min06 Humberto Camargo > 11h39min55 | Julio Martin Luque > 10h41min16 | Márcio Danieli > 9h37min23 Márcio Mottin > 12h06min04 | Marcos Aurélio Costa > 12h42min14 | Mateus Oliveira > 11h58min36 Mauro Rosa > 14h26min26 | Roque Echel > 10h22min45 | Silvia Paz > 12h10min37

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> ENSAIO <

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NOME COMPLETO: Nathalia Machado Gomes, mas prefiro Nathalia Gomes (risos). APELIDO: Naty. IDADE: 20 anos. LOCAL DE NASCIMENTO: Porto Alegre. SIGNO: Libra. AGÊNCIA: Super. RELIGIÃO: Católica. MÚSICA: “Lucky” - Jason Mraz Feat Colbie Caillat. PREFERE UM CINEMA, UM JANTAR OU UMA BALADA? Balada. Mesmo acompanhada, sou muito festeira... TEMPO COMO MODELO: 5 anos. PROFISSÃO: Estudante de jornalismo e modelo. SOLTEIRA? Namorando. PRATICA ESPORTES? Qual? Amo jogar handebol e correr na rua... FOTOGRAFAR É CONSEGUIR CAPTAR O QUE EXISTE ATRÁS DO QUE SE VÊ COM OS OLHOS... é segurar o tempo e tornar tudo importante... PARA VOCÊ, QUEM É A MODELO PERFEITA? Alessandra Ambrósio, [é] maravilhosa! UM LUGAR NO MUNDO PARA VIVER: Lugar que gostaria de conhecer, Bora Bora; mas pra morar, Porto Alegre. MELHOR PRAIA: Qualquer uma, desde que tenha ótimas companhias...

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Este ensaio teve o patrocínio de: Live! Concept Store MODELO: NATHALIA MACHADO GOMES/SUPER AGENCY | FOTOS: CHRISTIANO CARDOSO | LOCAÇÃO: HOTEL VILA VENTURA | ROUPAS: LIVE! CONCEPT STORE | MAKE: AMANDA NOVAES/ SEXTON | HAIR: JONATHAS DINIZ/SEXTON SUL SPORTS < 139

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> CORRENDO PELO MUNDO <

Casas

pelo

mundo! Por Cris Berger

Tenho a impressão de que quem viaja muito a trabalho acaba chamando de “casa” os lugares

onde se hospeda. Já aconteceu isso com você? Comigo, sempre. Dormir em um lugar charmoso, confortável, com serviços que mimam a gente, faz o “estar longe de casa” ser divertido! Foi nessas andanças que descobri dois lugarzinhos que foram “minhas casas” por alguns dias: Viuda del Diablo, no Uruguai, e Don Ramon, em Canela, na serra gaúcha.

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Eram cerca de oito horas da noite quando dei por encerrado meu dia de trabalho no Chuí – eu estava fazendo uma reportagem sobre fronteiras – e escolhi me hospedar em Punta del Diablo. “Nos ombros” eu tinha centenas de quilômetros de Porto Alegre ao extremo sul e mais algumas horas de fotografias e entrevistas. No meio dos 50 km até a praia uruguaia, fui presenteada com um pôr do sol supercolorido. O vento parecia estar a favor! A noite estava estrelada. Fazia um pouco de frio. Descemos do carro, eu e minha parceirinha de viagem, felizes por encontrar a pousadinha depois de um zigue-zague pelas ruas de terra e areia. Rose Marie nos recebeu de forma cordial, e não levou muito tempo para ficarmos amigas e termos bons momentos de conversa. Lembro que era uma delícia cruzar a fronteira e voltar “para casa”, tomar um banho quente com a ducha forte relaxando os músculos fatigados, se enrolar no roupão, checar e-mails, tomar chá na cafeteira que fica na mesma prateleira que os DVDs de filmes. Depois, vestir uma roupa confortável e jantar no andar de baixo. Do cardápio, escolhíamos o peixe com molho de camarão ou vinho e legumes assados na parrilla (os quais pedimos todos os dias, de tanto gostar). Além dos ótimos tannats, tínhamos a companhia de Rose Marie e Leonardo, os fiéis escudeiros da Viuda. Teve um dia que acordei bem cedinho e fui ver o sol nascer; não precisei ir longe, da sacadinha da pousada se tem uma bela vista da praia. Aliás, a pousada fica na beira da praia, apenas uma duna a separa do mar. Claro que curtir aquele visual só aguçou a vontade de sair e dar uma caminhada. Logo me deparei com o deque de madeira da Viuda, local que escolhi para tomar um chimas, curtir o sol de inverno e ver o vai e vem das ondas. No verão há serviço de praia, cadeira e guarda-sóis para os hóspedes. A Viuda é uma pousada simples, não há luxo, mas charme de sobra! Cada quarto tem uma jacuzzi grande (ao lado da cama), a decoração é uma gracinha, com cores claras e a proposta de ser rústica, num clima praiano. No café da manhã, há frutinhas, frios, sucos e pão caseiro (o ponto alto do café). No terraço há espreguiçadeiras; à noite as velas são acesas, e o clima fica ainda mais romântico. Claro que saí de lado com a promessa de voltar adequadamente acompanhada de alguém do sexo masculino. Já combinei que vou ficar no quarto de madeira que tem jacuzzi grudada no janelão, de onde o mar é visto de camarote. A privacidade? Total! Basta fechar a persiana lateral que será apenas você, seu amor e o oceano.

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Clima praiano

Viuda del Diablo www.laviudadeldiablo.com

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Para curtir as

montanhas

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Na agenda havia três dias de fotos em Gramado. Como “casinha”, escolhi a pousada Don Ramon, em Canela. Fiz check-in quando o sol já havia se posto e minhas fotos no belo Aspen Mountain já estavam concluídas. O velho e bom sentimento de missão cumprida e vontade de chegar a um lugar aconchegante aflorava, quando o táxi fez a curva e estacionou em frente à pousada com jeitinho de casa de boneca. Ao entrar no apartamento, encontrei uma bandeja com chá e bolinhos caseiros, de lamber os dedos – mimo que se repetiu noite após noite. Logo que eu soube do spa da pousada, agendei uma massagem; minhas costas pediam pelas mãos do Luciano Cavalin, altamente recomendado como o melhor massoterapeuta da região. Afirmo não haver dúvidas em tal colocação. Durante uma hora, fui alongada, relaxada, e todas aquelas mil contraturas, aliviadas, numa técnica chamada Ayurveda! Saí flutuando. Mesmo quem não está hospedado pode usar o spa. Recomendo com louvor! A pousada Don Ramon pertence à Ester e ao Valmor, que estão constantemente investindo nela. Eles acabaram de fazer a suíte Alecrim, digna de entrar na listinha de lugares para amar com todo o conforto, charme e apetrechos de uma vida a dois – ou seja, jacuzzi com cromoterapia, lareira e uma cama com dossel para “deitar e rolar” nos lençóis com fios egípcios e rendas Trussardi. Bem decorada e extremamente convidativa. O café da manhã é farto, doces e salgados em forma de bolos, tortas, quiches e pães de queijo, iogurtes e cereais, frios e pães, cada dia um suco diferente, e espumante! Corredores de plantão podem fazer seu treino saindo da pousada, pois ela está localizada no comecinho da estrada que dá acesso ao Parque do Caracol, num cenário lindo. Quem precisa de uma “forcinha” para se exercitar pode contar com a ajuda de um personal trainer, serviço que faz parte da filosofia zen da Don Ramon de oferecer aos seus hóspedes maneiras de equilibrar mente e corpo ZYZegZhZgkVgdbZ^dVbW^ZciZ#™

Medalha de Ouro Vinalies França 2009 Espumante do Ano no 1º Guia de Vinhos Brasileiros – Revista Gula

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> TOQUE FINAL <

Um guri de Porto Alegre em Nova York O skatista gaúcho Alexandre Vaz, de 20 anos,

FOTOS ATILLA CHOPA/RED BULL CONTENT POOL

será o representante brasileiro no maior campeonato internacional de street skate amador, o Red Bull Manny Mania. O atleta local venceu a final brasileira, realizada no bairro do IAPI, na Zona Norte de Porto Alegre. O brasiliense Luiz Paulo “Aladim” terminou em segundo lugar, e o paulista Murilo Romão completou o pódio. Nessa vertente do skate de rua tradicional, valem apenas as manobras combinadas com bases chamadas de “manuais”, em que o atleta se equilibra em apenas duas rodas do

skate. Com a conquista, Alexandre se juntará a amadores de mais de 30 países em Nova York, em busca do título do Red Bull Manny Mania World Finals 2011. “Nem acredito que eu ganhei. Foi muito difícil, estava sentindo algumas câimbras e cada passagem era um esforço. Ganhei a final na pura força de vontade”, comemorou o campeão, logo após ter garantido o passaporte para o desafio internacional, inédito para qualquer brasileiro.

Alexandre Vaz executa um nollie nose manual

Após duas baterias semifinais de dez minutos,

Luiz Paulo Aladim faz um switch kickflip manual

foram definidos os quatro finalistas, dois deles gaúchos. A vaga para o Red Bull Manny Mania World Finals ficaria entre Alexandre Vaz (RS), Murilo Romão (SP), Luiz Paulo “Aladim” (DF) e

MuriloRomao, nollieflip360manual

RESULTADO – FINAL NACIONAL: 1. Alexandre Vaz (Porto Alegre/RS)

Douglas “Molocope” (RS).

2. Luiz Paulo “Aladim” (Brasília/DF)

A disputa e o nível técnico, que vinham se

3. Murilo Romão (São Paulo/SP)

mostrando bem equilibrados, deram lugar à

4. Douglas Prestes “Molocope” (Novo Hamburgo/RS).

eficiência das manobras de Alexandre, que fizeram vibrar os fãs de skate presentes no IAPI. A revelação local conseguiu combinar truques complexos com manual nas entradas e saídas, sem cometer erros, garantindo o primeiro lugar, a passagem para Nova York e a festa da comunidade do skate porto-alegrense. A final nacional do Red Bull Manny Mania em Porto Alegre contou com o apoio da LRG e da 98H]dZh#™ DouglasMolocope, BacksideTailslid 146 > SUL SPORTS

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