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Índice Cepege: primeiros anos - p. 03 ENEGEO - p. 10 Congresso Brasileiro de Geologia - p. 11 Novo Código Florestal - p. 13 Geologia através das lentes - p. 20 Representantes discentes no IGc - p 25 Grupos estudantis - p. 29 Cruzadinhaa Geológica - p. 34

Equipe Substrato: Gabriel Barbosa (Mussum) Felipe Queiroz C. Castro (Hamas) Adrianna Virmond (Leonssyo) Lucas Inglez (Frotta) Letícia Freitas Guimarães (Beiça) Erika Schumacher (Grilhinho) Jamine Takahashi (Sputnik) Vinicius Zacatei (Sinistro) Gabriela Montenegro (Vadiah) Agradecemos ao diretor do instituto, Dr. Valdecir de Assis Janasi, pelo apoio, a Nanci da seção de publicações que tanto nos ajudou e ao pessoal da gráfica do instituto. Muito Obrigado.


EDITORIAL Estamos de volta! Por Felipe Castro (Rhamas)

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u será que começamos agora? Sim, a Substrato já existia. Na verdade, estimamos que seu início tenha acontecido em 2004 (primeira edição encontrada), deixando um material valiosíssimo até seu desaparecimento em 2008. Retornamos por fim, porém, um pouco diferentes na forma e no conteúdo. A essência continua a mesma: compartilhamos a ideia que é necessário criar um espaço para os estudantes exprimirem sua visão das geociências, da universidade e do mundo. Um ambiente livre para discussão e anális critica que permeie os mais diversos temas. No fundo, isso é algo intrínseco a todas as publicações estudantis, assim como a efemeridade. Não me preocupo em saber se a Substrato vai ou não existir daqui a 20 anos. Preocupo-me se acaso não houver revista alguma. Como bem sabemos ser impossível um momento histórico imune a mudanças, considero que sempre haverá nos alunos a vontade de registrá-las. É o que vem acontecendo ao longo dos anos. Observamos isto desde os primórdios do curso de geologia. Revistas nascem, desaparecem e são ressuscitadas (ou não). Isso é mais que natural no ambiente universitário, uma vez que estamos, pelo menos na graduação, apenas de passagem. Por essa razao, creio ser imprescindível a existência de uma revista como a Substrato. Ela tem importância não só no momento atual, em que cumpre seu papel informativo. Ela funciona também como um registro histórico, uma forma de preservar o pensamento de toda uma geração de alunos. Antes da Substrato vieram a “Geologia, ciência e técnica”, a “Mente et Malleo”, os jornais “O Brucutu” e “Fragmento”. Todas publicações com diferentes dosagens de seriedade e descontração. O importante é que elas existiram e deixaram um legado. Por isso, decidimos que, concomitante ao lançamento desta edição, uma exposição sobre a história das revistas e jornais estudantis do CEPEGE seria a melhor forma de revelar a riqueza e importância das mesmas. 01


EDITORIAL Nesta edição de relançamento tratamos como tema principal as mudanças no código florestal brasileiro e seus desdobramentos preocupantes acerca da nova política ambiental do país. Fazemos também desta edição, um convite à todos os habitantes do IGc: participem! Queremos que a revista explore ao máximo o poder de criação dos estudantes. Sem critérios e sem exigências, pedimos apenas vontade de colaborar.

Dessa forma, adianto que o único objetivo concreto da Substrato será estimular os próprios alunos a se engajarem na produção do seu conteúdo, seja ele um artigo científico, desenho, poema, sátira, receita culinária de campo etc. Muito bem vindos a Substrato!

Foto: Gabriel Barbosa

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MEMÓRIAS DO CEPEGE A criação e os primeiros passos (60´s) Por Letícia Freitas Guimarães (Beiça) Colaboradores desta edição: Luiz Ferreira de Vaz Nosso centro acadêmico vivenciou momentos importantes e muitos de seus alunos foram forças significativas na construção da história do nosso país e da nossa comunidade geológica. Por isto, a história do nosso Centro Acadêmico deve ser motivo de orgulho mesmo para aqueles mais desinteressados e será contada em uma coluna especial ao longo das novas publicações da Substrato. Aos interessados na colaboração, por favor entrar em contato através do e-mail: lefguimaraes@yahoo.com.br

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CEPEGE – Centro Paulista de Estudos Geológicos – foi criado em setembro de 1957 (embora documentos oficiais datem a aprovação do Estatuto e consequente oficialização do Centro Acadêmico em 21 de maio de 1958) com a finalidade de promover a organização dos alunos que almejavam melhoras no curso criado em Setembro de 1956, pelo então presidente Kubtschek. O curso (idealizado desde 1954 pelo Ilmo. Prof. Viktor Leinz) criado poucos meses antes da formação da CAGE (Campanha de Formação de Geólogos) e em acordo com a FFCL (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), era sediado no famoso palacete da Glete, e carecia melhorias nas condições de ensino, motivo que propulsionou uma bem sucedida greve na Semana da Pátria de 1957 e culminou com a concepção do CEPEGE (Fotos 01 a 04). A primeira organização estudantil neste âmbito contou com a participação dos estudantes articuladores da greve de 57: Fahad Moisés Arid, Faustino Penalva, José Julho de Castro Carneiro e Moacyr Rabello de Arruda. Inicialmente com uma diretoria provisória e presidido por Faustino Penalva – responsável pela elaboração dos estatutos e da implantação do centro – em 1958, o CEPEGE é então 03


CEPEGE FOTO 1: Presidente Juscelino Kubitschek junto aos primeiros geólogos formados no país, em audiência pública realizada em Brasília a 08 de dezembro de 1960. Fonte: Site Figueira da Glete - foto gentilmente cedida pelo geólogo Armando Gramini, formado pela Escola de Geologia de Ouro Preto.

oficializado, com Fahad tornando-se o seu primeiro presidente oficial. Desde o princípio de sua história, o CEPEGE atuou como um clássico centro acadêmico – diferindo-se dos demais pela incrível união de seus alunos e pelo sentimento fraternal destes; o chamado Efeito Glete, resultado das vastas e intensas horas de convívio. Produzia produtos (adesivos, blusões, chaveiros...) a serem adquiridos pelos alunos, além de lutar por melhorias nas condições de ensino (com reinvindicações por bolsas de estudos e atividades de campo), pela regulamentação da profissão, e do compromisso com publicações diversas e com a divulgação da ciência para a sociedade, sendo tais atuações discutidas adiante. Atividades menos políticas, mas não menos importantes, como a realização de festas e a manutenção do restaurante, eram também desenvolvidas pelo centro. As principais publicações do CEPEGE consistiam em apostilas didáticas, a fim de se transpor o problema da ausência de bibliografias em português e das dificuldades dos alunos com a literatura estrangeira. Havia também os jornais “geológicos” redigidos pelo próprio centro acadêmico e trazia piadas, textos informativos e uma espécie de noticiário que era recheado com as novidades sociais, políticas e educacionais do curso. A primeira edição do jornal denominado “Mente et Maleo” em 1959, trazia a apresentação “levará para fora dos muros deste casarão um incentivo, um estímulo ou um esclarecimento sobre a Ciência da Terra”, além da notícia da conquista do espaço-sede (as primeiras reuniões eram realizadas à sobra da mítica Figueira da Glete) e artigos onde tratava-se de assuntos ligados à ciência propriamente dita. As revistas “Geologia” e “O Brucutu” foram outras publicações dos primeiros anos da geologia, trazendo fotografias e notícias, que Substrato | Junho 2012 04


CEPEGE iam desde a divulgação do Banco do CEPEGE (que oferecia modestos empréstimos aos alunos), à incansável luta pelo devido reconhecimento da profissão e à intensão de instalação do primeiro laboratório geocronológico da América do Sul. A revista “Geologia” teve 2 edições e profetizava em seu início: “Estamos no limiar de uma profissão. Estende-se a nossa frente (...) praticamente todo um continente inculto, geologicamen-

FOTO 2: Palacete Jorge Street – o Palacete da glete, sede do antigo curso de geologia da extinta Fa-culdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Infelizmente e inexplicavelmente o palacete foi demolido no início da década de 70, para dar lugar a um estacio-namento que funciona ainda hoje (Foto 04). Fonte: Site Figueira da Glete.

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te falando. E gerações e gerações de geólogos (...) terão passado até que o Brasil esteja conhecido”. Na sua segunda edição, de 1962, afirmava: “A sua profissão está em todos os lugares, seu escritório é o mundo, pois onde ele for existirão rochas que deverão ser analisadas, elucidadas no seu modo de formação (...) um geólogo deve ser um espírito livre de peias” e noticiava a fundação da ENEGE. Já “O Brucutu” era uma revista bem-humorada, destinada à piadas, sátiras, fofocas e até publicação de poesias, cujo lema era “Mete o Malho”. Apresentou-se em versões impressas em mimeógrafo (foram apenas 3) e também em formato de murais, espalhados pela Glete. Nos primeiros anos de existência do curso de Geologia e de seu centro acadêmico, os alunos travaram diversas batalhas por melhores condições de ensino promovendo assembleias que discutiam a estrutura de disciplinas consideradas deficientes, reivindicavam bolsas de estudos, a extensão do curso para cinco anos (sendo o último dedicado à especialização), a inclusão de disciplinas e a construção do prédio na Cidade Universitária. Outra luta emblemática foi aquela pela regulamentação da pro-


CEPEGE fissão, iniciada em 1959 com o acompanhamento das atividades realizadas no CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura). Ao longo de alguns anos, setores relacionados à atividade mineradora (como a Escola de Minas de Ouro Preto e a Escola Politécnica da USP) lutaram para que os cursos de geologia tivessem seu curriculo restrito, tendo o geólogo atuação apenas acadêmica. Porém, em 1962, após insistentes brigas lideradas pelo CEPEGE, com grande apoio de professores, das demais escolas de geologia do país e até mesmo da sociedade, garantiu-se a regulamentação da profissão e garantiu-se o curso com disciplinas básicas especializadas como Geologia Econômica e Prospecção. A luta pelo currículo mínimo e pela angariação de fundos para as publicações do centro acadêmico junto à Petrobrás acabaram resultando em uma parceria entre a empresa e o CEPEGE. A ação, batizada de DIVULGEO, tinha por objetivo a divulgação da geologia para alunos do 2º grau. Realizada na Semana da Pátria de 1963, a DIVULGEO compreendeu 140 palestras em 77 cidades de São Paulo e do Paraná, atingindo mais de 24 mil alunos.

FOTO 3: Parte do conjunto arquitetônico do Palacete da Glete (área de lazer), com destaque para a frondosa Figueira, ainda preservada no local devido proteção (tombamento) do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo. Fonte: Site Figueira da Glete (acervo Família Street

O CEPEGE também foi muito vangloriado por seu futebol e suas festas. O time de futebol da década de 60 disputou importantes campeonatos de várzea pelo estado de São Paulo, e contava com craques realmente bons de bola, porém pouco fôlego. Uma lenda da época foi o jogo onde os craques geológicos tiveram de sair escoltados pela polícia devido os ânimos exaltados da torcida após o encerramento antecipado do jogo, já que os geo-craques passaram mal devido o “calor” (na realidade, haviam se esbaldado na véspera em um churrasco regado a cerveja e caipirinha oferecido por um fazendeiro). Já as Substrato | Junho 2012 06


CEPEGE FOTOS 4: Imagens obtidas em 2009 no local do antigo Palacete da Glete, onde hoje funciona um estacionamento. Destaque para a ainda frondosa Figueira. Fonte: Site Figueira da Glete.

FOTO 5: O “bixo” Mané Espanhol (Manoel Rys Go-mes)tentando angariar recursos para a passeata da turma de 68. Fonte: Site Figueira da Glete.

FOTO 6: Alunos do curso de geologia (na frente Abreu –T68, e ao fundo à direita Cavalon e Hirata – ambos da T66) e aluna do curso de Química (ao centro Mercedes – T67) na Festa dos Bixos de 1968. A Festa ocorria após a passeata onde os bixos arrecadavam a verba para os centros acadêmicos. Fonte: Site Figueira da Glete.

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CEPEGE geo-festas, que garantiram fama ao CEPEGE, eram organizadas ali mesmo, na Glete. No pátio dispunha-se de barris de chopp (servido em grandes quantidades, porém sem desperdício) que eram habilidosamente ministrados pelos componentes da Turma do Sereno . A fama festeira do C.A. permitiu grande facilidade em conseguir bebidas gratuitamente junto à Antártica e à Brahma. Havia também a sala de aula onde ficava a vitrola que embalava “bailes” onde os mais galanteadores arriscavam seus dotes bailarinos junto às estudantes dos demais cursos. Outro evento promovido pelo CEPEGE era o trote, sendo que a primeira semana de recepção completamente organizada se deu em 1962. O trote envolvia, além do tradicional corte de cabelo, jogos cumpridos pelos bixos, como corridas de obstáculos, onde os calouros eram “alvejados” com folhas podres da figueira, e “passeatas” onde os alunos buscavam divulgar a geologia e angariar fundos para o centro (Fotos 05 e 06). A vida política até o momento era calma, com discussões e posicionamentos políticos livres. O CEPEGE participava intensamente dos movimentos da UNE e da recém-formada ENEGE (Executiva Nacional dos Estudantes da Geologia), até hoje sediada na USP. Porém as coisas começaram a mudar em 1964, com o golpe militar. Na época, comprovando sua relevância no cenário cultural, político e estudantil, o CEPEGE, juntamente com outros centros acadêmicos, participou de uma reunião que tentou organizar uma tentativa de resistência ao golpe, sem sucesso. As grandes intempéries vieram, porém, na década seguinte; mas esse é o assunto da próxima coluna.

Agradecimentos: Agradeço inicialmente ao Xang, pela ajuda com os contatos dos ex-alunos, por emprestar o livro Cale-se e o CD com os registros dos antigos Jornais do CEPEGE. Agradeço também ao Luiz Ferreira Vaz, por responder tão prontamente meu e-mail e permitir

que eu me embasasse em seus textos tão bem escritos. Por último, aos colegas que organizam a nova edição da Substrato, pela paciência com minhas ausências às reuniões.

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CEPEGE

Fontes: Vaz, L.F. (2008) – A fundação do CEPEGE e seus primeiros tempos. In: Revista Substrato, Ano 05, nº 07, pp 12 a 27. Vaz, L.F. (2007) – Os primeiros tempos do CEPEGE. In: Geologia USP – 50 anos. EDUSP, São Paulo. Site dos ex-alunos da Glete: www.figueiradaglete.com.br

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ENEGEO

O passado e futuro do melhor encontro da geologia Por Vinicius Zacatei (Sinistro)

Já está definida a data e o local para o XXXIV Encontro Nacional dos Estudantes de Geologia, que ocorrerá entre os dias 28/07 e 04/08 na praia do Gracez, em Jaguaripe (BA), 240 km a sul de Salvador, próximo a Itaparica. O encontro desse ano será organizado pelos estudantes da UFBA com apoio da Executiva Nacional dos Estudantes de Geologia (ENEGE). Criado em 1978 como instrumento de organização estudantil em um período de reabertura política no final da ditadura militar, o ENEGEO tem sido promovido anualmente, sendo que, hoje em dia, o principal objetivo do evento é promover um intercambio de conhecimento entre os estudantes de diversas escolas de geologia e profissionais da área, assim como, por meio de troca de informações, possibilitar a disseminação do conhecimento geológico e estimular debates e discussões mostrando aos alunos as diferenças entre os cursos do país e as dificulculdades que alguns cursos enfrentam. Os locais escolhidos para o encontro sempre oferecem belos atrativos geológicos e paisagens naturais bem como uma infra-estrutura local adequada para o evento. As atividades principais do encontro envolvem debates e mesas redondas diárias com temas ainda por serem definidos, festas temáticas com bandas locais ou da comunidade geológica, e, no fim do evento, o tradicional futgeo, um campeonato nacional nas categorias masculino e feminino. Este encontro de jovens carismáticos sempre gera boas histórias e apresenta à comunidade geológica personalidades exóticas. Sempre há um ótimo churrasco promovido pela galera do sul (UFRGS e UNISINOS), e sempre conta também com um estoque apropriado de mundialmente famosa cachaça Luiz Alves. O ENEGEO sempre contou com uma participação grande dos alunos da USP e as novas turmas que estão vindo precisam se integrar com o restante da comunidade geológica. O ENEGEO não acaba nunca!!!! E é cada vez mais importante a participação de toda a comunidade geológica cantando o hino da geologia, por que “A Geologia é Foda Pra Caralho!!!!” Substrato | Junho 2012 10


46o CONGRESSO BRASILEIRO DE GEOLOGIA Santos, a capital da geologia em 2012 Por Vinicius Zacatei (Sinistro)

O 46º Congresso Brasileiro de Geologia acontecerá entre os dias 30/09 e 05/10 no Centro de Convenções do Grupo Mendes, na cidade de Santos. Promovido pela Sociedade Brasileira de Geologia (SBG) a cada dois anos, o Congresso Brasileiro de Geologia (CBG) representa o principal fórum de divulgação, discussão e consolidação do conhecimento geocientífico do Brasil. O CBG tradicionalmente se organiza em áreas (tais como geodinâmica e evolução crustal, recursos minerais metálicos e não metálicos e geologia sedimentar, entre outras) que apresentam diversos simpósios temáticos, e seções técnico-cientificas que também são espaços para divulgação de trabalhos. Alem disso o CBG sempre apresenta um tema, que norteia fóruns e discussões, sendo o tema desse ano “gerir os recursos naturais para gerar recursos sociais”, ou seja, discutir o papel das geociências no uso racional dos recursos naturais, o que se ajusta à recente descoberta de grandes reservas de petroleo na Bacia de Santos que, aliás, foi um dos fatores para a escolha da cidade como sede do evento. Além dos já mencionados debates e espaços para publicação de trabalhos cientificos, o CBG tambem conta com palestras, minicursos, excursões e a Expogeo, que reune empresas e instituições públicas do setor. Recentemente foram divulgados os locais de excursão e temas dos minicursos. Não foram divulgados ainda os valores nem o número de vagas para as excursões. Os preços dos minicursos variam entre R$ 150 e R$ 240 para sócios e R$ 190 e R$ 280 para não sócios. O Congresso se destina a estudantes de graduação e pós-graduação, professores e pesquisadores de instituições de ensino e pesquisa e profissionais de diversos segmentos e a organização espera um 11


CONGRESSO publico superior a 4000 pessoas. Para se inscrever no congresso é recomendado aos alunos que se associem a qualquer uma das seguintes instituições SBG, ABAS, ABEQUA, ABGE, SBGf, SBGq, SBP, SGP (Sociedade Geológica de Portugal), SUG (Sociedade Uruguaia de Geologia) e UGB e assim aproveitar os descontos que os associados dessas instituições têm. Para os alunos, além da participação, conta ainda a experiência e a integração com os demais estudantes do país, já que a comunidade geológica conta com apenas 26 escolas em todo o país e grande parte delas estará presente no evento. Há também um cronograma extra-oficial do evento no período noturno, com festas e eventos sociais que são divulgados ao longo do congresso. É uma experiência valida para os alunos de todos os anos, lembrando que no período do congresso não haverá aula no instituto e que a proximidade do local e facilidade de acesso são atrativos a mais para alunos do IGc, visto que os últimos congressos se realizaram em locais distantes (tais como Belém, 2010 e Aracaju, 2006). Para maiores informações acesse www.46cbg.com.br.

Foto: Gabriel Barbosa

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O NOVO CODIGO FLORESTAL

UMA FALHA

CERTAMENTE

Foto: Felipe Queiroz


O NOVO CODIGO FLORESTAL

A polêmica do Código Florestal. Compramos essa briga? Por Lucas Inglez (Frotta) Quem acompanhou as notícias nos últimos dois anos certamente notou a menção de certa polêmica envolvendo a reformulação de parte da legislação ambiental brasileira, o Código Florestal. O cidadão comum, no entanto tem grandes chances de se sentir confuso com relação a tudo isso e não poderia ser de outra maneira, considerando a falta de cobertura da mídia, como de costume, de questões que possam ir contra o interesse dos donos dos meios de produção. Mas afinal de contas, o que é esse Código Florestal? Ele precisa mesmo ser reformulado? Por que os ambientalistas estão tão alarmados e o que nós, protogeólogos temos com isso? desenho: Lucas Inglez

Para compreender essa problemática é preciso voltar no tempo, para 1934, durante o governo de Getúlio Vargas, quando foi primeiramente instituído o Código Florestal Brasileiro, como decreto n° 23.793, juntamente com os códigos da água, das minas, da caça e da pesca com o objetivo de ordenar o uso dos recursos naturais. Mais tarde, em 1965, o decreto 23.793 é revogado em prol da lei 4.771/65, o atual Código Florestal, que tem como pressuposto que a conservação das florestas e de outros ecossistemas interessa a toda a sociedade, sendo eles essenciais para a manutenção dos recursos hídricos, do ciclo das chuvas, da biodiversidade, para o controle do assoreamento dos rios e equilíbrio do clima. FatoSubstrato | Junho 2012 14


O NOVO CODIGO FLORESTAL res esses dos quais depende não somente a qualidade de vida do brasileiro, mas também a atividade agropecuária e a economia como um todo. De maneira a impedir o uso indiscriminado da terra, seja para fins urbanos ou agrícolas, o Código utiliza como dispositivo a transformação em Áreas de Preservação Permanente (APPs) de florestas e outras formas de vegetação: - que margeiem cursos ou massas d’água (mesmos as artificiais); - em topos de morros e outras elevações; - em encostas com declive superior a 45°; - das restingas, dunas e mangues; - das bordas de tabuleiros e chapadas; - de altitudes superiores a 1800m.

A proteção da vegetação em locais com estas características visa principalmente o controle da erosão; a fixação de dunas; a proteção do território nacional; a conservação de sítios de valor estético, científico ou histórico; a sobrevivência de espécies ameaçadas de extinção; a manutenção do ambiente necessário à vida de populações indígenas e outras populações tradicionais e finalmen15

te assegurar o bem estar público. Desde 1965 a legislação passou por algumas poucas modificações algumas delas de caráter mais conservativo, outras que buscavam certa flexibilização, dependendo sempre do momento político e econômico no qual se encontrava o país. De maneira geral, o Código Florestal (CF) se tornou o principal pilar da legislação ambiental brasileira, considerada uma das mais completas do mundo. No entanto, a partir de 1990, diversas investidas foram feitas com o intuito de flexibilizar o CF de maneira radical, sempre causando polêmicas e descontentamento por parte dos ambientalistas. Mas o que aconteceu a partir da década de 90 para que se iniciassem os movimentos contra o Código? O fato é que, a legislação que havia sido por tanto tempo esquecida e ignorada passara a ser posta em prática, com um aumento considerável na fiscalização e na aplicação de multas. Parece que na época o meio ambiente ganhava destaque não apenas no Brasil como no Mundo. Lembre-se da conferência das Nações Unidas realizada no Rio de Janeiro com o objetivo de discutir a conciliação do desenvolvimento sócio-econômico com a conserva-


O NOVO CODIGO FLORESTAL ção dos ecossistemas da Terra, a famosa Rio-92. De qualquer maneira, uma maior rigidez na forma de aplicação das leis ambientais não agradou nem um pouco àqueles que ganhavam muito dinheiro desrespeitando-as, grandes proprietários de terra, principalmente. Sendo assim, em abril de 2010, ficou pronto o Relatório para reformulação do Código Florestal, elaborado por uma comissão da Câmara dos Deputados, presidida pelo líder dos ruralistas, Moacir Micheletto e tendo como relator o deputado do PCdoB – SP, Aldo Rebelo. Dentre as justificativas para a reformulação do código vigente, foi levantada pela comissão a idéia de que o mesmo impede o crescimento da agropecuária brasileira, que precisaria de novas áreas para expandir sua produção e de que as exigências do código seriam impraticáveis, prejudicando especialmente a agricultura familiar. Mas será mesmo? Analisando com atenção as propostas de alteração apresentadas é possível perceber a quem realmente interessa uma legislação ambiental fragilizada. Listando as mudanças temos:

- Anistia aos crimes ambientais Coloca fim na obrigação de se recuperar áreas desmatadas ilegalmente até 22 de julho de 2008, incluindo locais sensíveis do ponto de vista geológico ou de biodiversidade, como topos de morro, margens de rio, restingas, manguezais, nascentes, montanhas, e terrenos íngremes. Este tópico estabelece ainda a suspensão de todas as multas aplicadas até essa data por um período de cinco anos, concedido para que os Estados da Federação se ajustassem às mudanças e criassem programas de regularização ambiental. A justificativa seria evitar uma grande perda para a agricultura nacional e uma injustiça para com agricultores historicamente estabelecidos em certos locais. Por outro lado, um prêmio àqueles que por 43 anos infringiram a lei e que podem continuar se beneficiando das atividades instaladas em áreas ilegalmente desmatadas. Uma injustiça aos que vem cumprindo a lei.

- Redução e descaracterização das APPs

Reduz de 30 para 15 meSubstrato | Junho 2012 16


O NOVO CODIGO FLORESTAL tros a extensão mínima das APPs localizadas às margens de cursos de água, demarcando as matas ciliares protegidas a partir do leito menor do rio e não do maior nível de água. Neste ponto o relatório desconsidera totalmente as diferenças entre os diversos rios brasileiros, seus portes, características climáticas e geológicas do entorno que determinam, por exemplo, o comportamento e a quantidade de água e sedimentos carregados pelo rio. Fora isso, ignora uma das funções básicas de uma APP: a preservação da fauna e flora aquática e terrestre, controle da qualidade da água, controle de erosão, e inúmeros outros fatores que necessitam de uma área mínima de mata nativa para garantir o equilíbrio dos ecossistemas.

dos com a perda de terra produtiva, preservada na forma de floresta nativa. Contudo, nenhuma menção foi feita quanto à renda, ou condição sócia econômica do proprietário. Sendo assim, donos de chácaras, por exemplo, não precisariam manter parte da propriedade com vegetação nativa. Ainda, segundo essa proposta, seria possível que pequenos lotes de terras fossem arrendados por grandes produtores, que se beneficiariam com o uso dos mesmos sem precisar manter uma área preservada.

- Redução da reserva legal na Amazônia

De 80% para 50% em áreas de floresta e de 35% para 20% em área de cerrado dentro da Amazônia Legal - divisão política que engloba oito estados - Isenção de apresentar re- brasileiros situados dentro da serva legal em imóveis com bacia amazônica e que possuem até 4 módulos fiscais em todo em seu território trechos de floo país resta deste bioma. Um convite ao aumento exponencial do desma(o módulo fiscal varia de re- tamento, uma vez que a proposgião para região, podendo valer ta tornaria áreas anteriormente de cinco até 110 hectares de ter- protegidas susceptíveis ao avanra, sendo que um hectare mede ço da agropecuária. 10000 m2) – Esta proposta teria por objetivo favorecer pequenos - Compensação de áreas desprodutores, de agricultura fami- matadas em um Estado por liar, que seriam muito prejudica- áreas de florestas em outros 17


O NOVO CODIGO FLORESTAL Em um ponto, muitos enEstados ou bacias hidrográfitram em acordo. O Código Florescas A idéia seria que, para evitar perda de áreas produtivas, seria melhor preservar onde a terra é mais barata e não necessariamente onde é preciso, ou onde o dano foi feito. Por exemplo: Uma atividade agrícola no Estado do Amazonas não precisaria realizar um programa de compensação de danos ambientais na área afetada, no caso a Floresta Amazônica. Seria possível realizar projetos de compensação na Mata Atlântica da Bahia, ou ainda doar quantia em dinheiro para órgãos encarregados de preservação ou recuperação de ecossistemas. A medida livra aquele que desmata da responsabilidade de reparar o dano social e ambiental no próprio local em que ocorre, além de reforçar a idéia do “desmatou, pagou, levou”. A maior parte das medidas propostas demonstram uma clara falta de embasamento científico, desconsiderando a opinião de biólogos, geógrafos, e oceanógrafos na formulação da nova legislação. De fato, foram encomendados relatórios científicos de cujo conteúdo a maior parte da comunidade científica das principais universidades do país discorda.

tal Brasileiro precisa ser reformulado. Uma legislação escrita há mais de 40 anos encontra-se desatualizada em vários aspectos, o que torna necessária uma séria revisão da mesma levando em consideração os avanços e descobertas da ciência nos campos da biodiversidade e mudanças climáticas, por exemplo. No entanto, o que está sendo feito foge ao bom senso pelo simples fato de não ter sido realizado um estudo aprofundado das questões ambientais e sociais, com a devida participação de especialistas na reformulação da lei. Diante de toda a polêmica, fica explícito o caminho político escolhido pelo Brasil, em que é ignorada a voz da razão e da ciência quando esta opta pela contra-mão da locomotiva do atual modelo de desenvolvimento, estabelecido pelos mesmo velhos coronéis de sempre, que nos ditam como fazer uso da terra.

Mas...e onde o geólogo, ou estudante de geologia se encaixa nesta questão de mudanças na legislação ambiental?

Ora, não seria o geólogo, afinal de contas, um Cientista da Substrato | Junho 2012 18


O NOVO CODIGO FLORESTAL Terra? E como tal não possuiria conhecimento necessário para a compreensão da natureza ainda que seja apenas em seus aspectos geológicos? Sendo assim é de se esperar que, como profissional que atua de maneira ética e consciente, o geólogo, que lida diretamente com o meio ambiente aja de maneira responsável, colocando em prática seus conhecimentos sem esquecer de se questionar sobre seu papel na sociedade e o impacto direto ou indireto que sua atuação tem no mundo. Pois é, parece que o Código Florestal tem grandes chances de ser desfigurado, como resumido aqui na Substrato, mas o que fazer daqui pra frente? As decisões políticas afetam a todos nós de forma direta, o melhor a ser feito é permanecer informado com relação a elas, questionando-as e refletindo. Em junho desse ano será realizada a segunda edição da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, de 1992 (a Rio 92). Agora, 20 anos depois e mais uma vez aqui no Brasil, os países se encontrarão para decidir a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas. Será a Rio+20. Evento 19

importante em que a posição do país com relação aos problemas ambientais será internacionalmente exposta. A polêmica com relação à problemática do Código Florestal e outras envolvendo o meio ambiente continua. E permanecem questões: Qual a posição do Cientista da Terra? Qual a atitude do Geólogo?

MENTE et malleo. Fontes:

“Código Florestal: Entenda o que está em jogo com a reforma da nossa legislação ambiental”. Cartilha desenvolvida pela SOS florestas com apoio da WWF. Acessível por meio do site: http://assets.wwfbr.panda.org/ downloads/cartilha_codigoflorestal_20012011.pdf - Saiba mais sobre a Rio+20, consulte os sites: http://www.uncsd2012.org/ rio20/index.html http://www.rio20.gov.br/


GEOLOGIA ATRAVÉS DAS LENTES Uma introdução ao mundo da fotografia Por Gabriel Barbosa (Mussum)

Durante o mês de março aconteceu o circulo de palestra “Geologia através das lentes”, organizado pelo GGEO junto com o professor Boggiani. Foram chamados 3 fotógrafos formados em geologia aqui no IGc, para falar um pouco sobre suas histórias e experiências. O primeiro a palestrar foi Adriano Gambarini que se formou em 1991 mas logo rumou para a Fotografia, sendo autor de mais de 20 livros de fotografia sobre a serra da canastra, Amazônia e outros. O segundo palestrante foi o Luís Antônio Pereira de Souza mais conhecido como LAPS, ele se formou em 1987 e hoje trabalha com geofísica no IPT porem é um grande amante da fotografia, tendo uma iniciativa bem legal de produzir diversos calendários com suas fotos e presentear os amigos, foram sorteados diversos calendários no dia da palestra e quase todos os participantes levaram um para a casa. O terceiro palestrante foi o Roberto Linsker formado em 1986 ,hoje é dono da editora Terra Virgem, responsável por publicações de grandes fotográfos brasileiros como Pedro Martinelli, Klaus Mitteldorf e o próprio Roberto Linsker, que a mais de 4 anos fotografa para a National Geographic. Aproveitando toda essa onda de fotografia, reSubstrato | Junho 2012 20


GEOLOGIA ATRAVÉS DAS LENTES solvi escrever sobre o básico da fotografia que qualquer pessoa que anseie tirar uma foto legal deve saber.

Básico da Fotografia

Antes de começarmos a explicar sobre técnicas e afins, vamos falar qual a função da fotografia, que, por essência, tem como objetivo registrar o momento, podendo ser o banho de lama ou um evento histórico, o que importa é o registro, não importando a estética nem a técnica. Na sociedade atual a fotografia é uma ferramenta essencial, desde campanhas publicitárias até nosso álbum de bebê, ela tem o poder de divulgar, denunciar, enganar e conscientizar, e com a internet, um fato que acontece agora, em segundos pode estar disponível para o mundo ver. A fotografia prendeu pessoas, mudou gerações e nações inteiras. Quem não conhece a foto da menina Kim Phuc correndo com os braços abertos após um ataque de napalm no Vietnã? Hoje, ela é embaixadora da UNESCO e possui uma fundação de ajuda a crianças em áreas de conflitos.

KIM PHUC AOS 8 ANOS DE IDADE NA GUERRA DO VIETNÃ

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GEOLOGIA ATRAVÉS DAS LENTES Mas como todos gostamos de coisas que sejam agradáveis aos nossos olhos foi criada a técnica fotográfica, que possui muita coisa da pintura e de outros tipos de arte. A fotografia, como o próprio nome diz (Foto=Luz, Grafia=Escrita), é , a grosso modo, nada mais do que registrar a luz que se vê e para isso usamos a ferramenta básica do fotógrafo, a câmera. Como na Geofísica, que temos que saber o básico do funcionamento dos equipamentos para começarmos a fazer algo, na fotografia temos que saber o básico da Câmera. A câmera é o objeto que intermedia o que o fotografo vê e o que ele quer registrar, sendo assim, a câmera é nada mais que uma controladora da luz que o filme/sensor absorverá. Mas como a câmera funciona? Bem, a câmera é uma controladora de luz, e as ferramentas principais que ela usa para isso são abertura do diafragma, velocidade do obturador e velocidade do filme (iso/asa). O diafragma é o primeiro controle no caminho da luz, ele é formado por um conjunto de paletas que se movimentam circunfericamente para aumentar ou diminuir

FIG. 2 DIAFRAGMA E SUAS RESPECTIVAS ABERTURAS.

o buraco pelo qual a luz ira passar, ele é representado pela letra f e acompanha um numero (f/2; f/4; f/5.6)[Fig. 2], esse número é

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GEOLOGIA ATRAVÉS DAS LENTES obtido dividindo-se a distância focal (distância entre a convergência da luz até o plano em que essa imagem será formada) pelo diâmetro da abertura, ou seja, quanto maior o numero maior a área exposta, menor o diâmetro e menor a quantidade de luz que ira passar. O diafragma também é responsável pelo desfoque que a lente gera, chamado profundidade de campo, é um efeito que descreve até que ponto objetos que estão mais ou menos perto do plano de foco aparentam estar nítidos)[Fig. 3],

O obturador é o segundo controle da luz, é com ele que controlamos quanto tempo o nosso sensor/filme será exposto a luz do ambiente que estamos fotografando, ele é representado em fração (1/100; 1/200; 1/8000) mas normalmente só aparece o divisor na tela da câmera, portanto, quanto maior o número , mais rápido será a velocidade do obturador e menos luz passara. O iso/asa é a capacidade do filme de absorver luz. Quanto mais alto o seu valor maior será a sua capacidade de absorver luz. Mas qual o padrão que usamos para que tudo isso possa ser usado de forma adequada? Todas as câmeras saem de fabrica com um fotômetro embutido, que mede a luz refletida. Se todos os objetos refletissem a mesma porcentagem de luz incidente, esse seria o sistema de fotometragem perfeito, mas os objetos tem refletância muito diferentes. Por esse motivo os fotômetros embutidos são padronizados baseados na quantidade de luz que seria refletida por um padrão, esse padrão é chamado de “cinza médio”. 23


GEOLOGIA ATRAVÉS DAS LENTES O cinza médio serve para que a câmera faça uma comparação entre o padrão que ela ja tem e o que ela irá registrar ,assim fazendo com que a quantidade de luz que passara seja a mais próxima possível da quantidade de luz que o cinza médio iria refletir, nem mais claro e nem mais escuro, tanto que se fotografarmos, sem flash, uma parede branca ela sai cinza médio. É por esse padrão que a câmera quantifica a quantidade de luz que ira passar e estabelece os padrões de abertura e velocidade. Todos os fotômetros embutidos em câmeras podem funcionar surpreendentemente bem se a refletância dos objetos que estão sendo fotografados for bem diversificada no ambiente que se esta fotografando. Em outras palavras, se houver uma amostragem balanceada variando de objetos escuros a objetos claros, então a refletância média ficará mais ou menos no cinza médio.

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Representante Discente A função mais importante que um aluno pode exercer na sua graduação Por Augusto Nobre (Globeleza) e Mauri Hirata (Unissex) Os Representantes Discentes, popularmente conhecidos como RD’s, são os alunos que participam dos órgãos colegiados de uma instituição de ensino superior. No âmbito da Universidade de São Paulo existem diversos órgãos colegiados como o Conselho Universitário (CO), a Comissão de Graduação (CG) e a Comissão de Pós-Graduação (CPG) que tomam decisões que valem para toda a universidade. Alguns desses conselhos inclusive contam com a participação de alunos do IGc-USP. Em um órgão colegiado as discussões são realizadas em grupos, visando aproveitar as diversas experiências e opiniões que os seus membros possuem ou representam. O termo colegiado se refere à forma de gestão na qual um conjunto de pessoas com igual autoridade se reune e possui poder de decisão. Mais especificadamente no Instituto de Geociências, existem 25

10 desses órgãos colegiados que compreendem: a Congregação, a Comissão de Coordenação do Curso de Geologia (CoC Geologia), a Comissão de Coordenação do Curso de Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental (CoC Ligea), a Comissão de Graduação (CG), o Conselho Técnico-Administrativo (CTA), O Departamento de Mineralogia e Geotectônica (GMG), o Departamento de Geologia Sedimentar e Ambiental (GSA), a Comissão de Cultura & Extensão (C&T), a Biblioteca e o Programa USP Recicla. Em todas essas comissões, o estatuto do IGc-USP garante o direito de um de seus membros ser um RD. Inclusive esse direito é assegurado pela Constituição Federal, no artigo 206, inciso VI, o que também consta na Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Genericamente, as obrigações de um Representante Discente de um Instituto pertencente à USP incluem ouvir e debater


REPRESENTANTE DISCENTE opiniões com os demais alunos sobre os diversos temas que envolvem o Ensino, a Pesquisa e a Cultura & Extensão que são os três pilares da Universidade. A grade curricular, o oferecimento de disciplinas, as atividades extra-curriculares, estágios, iniciação ciêntífica, ensino à distância e os demais projetos político-pedagógicos do curso estão contidos nos deveres do RD do IGc-USP. Para obterem direito a esses cargos, os RD devem ser estudantes regularmente matriculados na instituição e serem eleitos por seus colegas (na linguagem técnica, “por seus pares”) com mandato de um ano a partir do fim do mandato anterior. Sua função é representar, dentro daquele colegiado a que foi eleito, os interesses do conjunto dos estudantes. Durante o mandato, ele é membro pleno do órgão ao qual foi eleito e participa de todas as decisões que esse órgão toma, devendo expor as ideias dos estudantes sobre os assuntos discutidos e votando a favor da vontade da maioria do corpo discente. Outra atividade fundamental do RD é a divulgação das decisões das comissões e grupos de trabalho na qual fez parte. Durante o mais recen-

te mandato concluído, de 2010/2011, algumas conquistas foram feitas pelos estudantes do curso de Geologia, como a reformulação das disciplinas de Geomorfologia, Sensoriamento Remoto e Fotogeologia e Introdução à Computação para Ciências Exatas e Tecnologia para as novas disciplinas: Introdução às Geotecnologias, Geomorfologia e Fotogeologia e Sensoriamento Remoto. Além da pressão exercida pelos alunos do instituto, por meio do RD responsável, sobre a direção para que a Xerox da Biblioteca voltasse às atividades normais. Contando ainda com importante papel na eleição do atual diretor do instituto, o Profº Dr. Valdecir A. Janasi, na qual os alunos possuem direito a 3 votos por meio dos RD’s da Congregação, do GMG e do GSA, o que representa um poder de decisão maior que muito outros grupos, como os funcionários e os pósgraduandos. Os Órgãos Colegiados do IGc-USP: Para melhor descrever a função de cada representante, as comissões do instituto foram separadas nos seguintes itens: Substrato | Junho 2012 26


REPRESENTANTE DISCENTE

Congregação – Órgão má- avaliações de disciplinas e docen-

ximo do IGc-USP em que são tomadas as decisões finais para entrarem em vigor. Muitas vezes não há delonga em discutir os assuntos pautados, pois já foram anteriormente discutidos em outras comissões e o parecer é repassado à Congregação, mas caso haja alguma discordância, a Congregação tem o poder de alterar uma proposta ou mandá-la novamente à comissão que a havia estudado. CoC Ligea – Comissão que visa discutir os problemas atuais, propor aprimoramentos para o futuro e resolver pautas relativamente simples do curso de Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental, como discutir as avaliações de disciplinas e docentes dos semestres passados. Sem diretamente possuir poder de decisão, a coordenação do curso tem como maior objetivo ser um órgão de discussão de problemas e levantamento de resoluções e/ou opiniões.

tes dos semestres passados. Sem diretamente possuir poder de decisão, a coordenação do curso tem como maior objetivo ser um órgão de discussão de problemas e levantamento de resoluções e/ ou opiniões.

Comissão de Graduação –

Comissão que tem como responsabilidade discutir ou repassar para outras comissões discutirem e dar um primeiro parecer sobre as questões relativas diretamente aos alunos, disciplinas e docentes de ambos os cursos do instituto (Bacharelado em Geologia e Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental).

Conselho Técnico-Administrativo – Conselho em que

se discutem as finanças, patrimônios e recursos humanos do instituto. É responsável por direcionar as verbas internas do instituto para trabalhos de campo, compras de material didático e/ ou de pesquisa. Reparar de bens do instituto, como computadores CoC Geologia - Comissão e veículos ou levantar o preço que visa discutir os problemas para assistências técnicas exteratuais, propor aprimoramentos nas realizarem o serviço E realipara o futuro e resolver pautas zar os trabalhos de RH do institurelativamente simples do cur- to, como contratação de técnicos so de Geologia, como discutir as de laboratório e funcionários 27


REPRESENTANTE DISCENTE terceirizados, como seguranças e funcionários de limpeza. GMG – Departamento do instituto em que são discutidas, ou mandadas para discussão em outras comissões, as questões que dizem respeito aos seus docentes, disciplinas e pesquisas. Também possuindo o poder de dar o parecer interno do departamento aos interessados nas questões levantadas.

ocorre no Museu, na Oficina e pontualmente em projetos de docentes. Biblioteca – Discute todas as questões relativas ao acervo e ao espaço físico da biblioteca. Questões relativas à Xerox também são levantadas. São tratados assuntos como a renovação ou compra de periódicos, a prioridade de aquisição de novos livros de acordo com a demanda ou pedido dos alunos. Avaliar os inventários e anuários e analisar o significado das estatísticas fornecidas pelos sistemas da biblioteca, como os de locação de material, atrasos na devolução e uso de material no espaço interno.

GSA - Departamento do instituto em que são discutidas, ou mandadas para discussão em outras comissões, as questões que dizem respeito aos seus docentes, disciplinas e pesquisas. Também possuindo o poder de dar o parecer interno do departamenPrograma USP Recicla – É to aos interessados nas questões o programa da USP que fornece levantadas. uma primeira caneca aos alunos para redução do uso de copos Cultura & Extensão – Ór- descartáveis que é uma das gão que cuida das atividades políticas em expansão interna sem ligação direta com ensino e na universidade. Cuida da pesquisa com a qual o instituto manutenção do Papa-Pilhas e da está envolvido, como os progra- expansão de programas ecológimas do Museu de Geociências e cos, como a ampliação de campada Oficina de Réplicas. Tratando nhas de conscientização do lixo também da criação e ampliação reciclável. de outros projetos que podem até incluir Bolsas da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão para os alunos envolvidos, como o que Substrato | Junho 2012 28


A.A.A da GEOLOGIA Da criação a ascensão.

Por Beatriz P. Araujo (Dana Cerca) A Associação Atlética Acadêmica da Geologia é um grupo estudantil que visa à participação de times em campeonatos universitários, como: BichUSP, COPA USP, LIGA USP e o tão esperado, BIFE. Os três primeiros são coordenados pela LAAUSP (Liga Atlética Acadêmica da USP). Já o BIFE é uma competição organizada pelas Associações Atléticas Acadêmicas de onze faculdades da USP e geralmente ocorre no feriado de novembro. O objetivo é a integração através de atividades esportivas e sociais entre os alunos.  O nome BIFE vem das iniciais das faculdades fundadoras: BIO, IME, FAU e ECA. Em 2001, além das faculdades fundadoras, participaram também: VET, FÍSICA, GEO, FFLCH, PSICO, QUÍMICA. Assim permaneceu, 10 faculdades com a participação de mais uma convidada a cada ano. Em 2000, duas pessoas que participavam da chapa do CEPEGE, estavam interessadas em levar as questões esportivas mais a sério: Eva e o 101. Mas no momento os campeonatos de sinuca, pebolim e o tradicional areião eram as únicas modalidades praticadas pelos geólogos. Foi na chapa de 2001, que havia o diretor de esporte, Sfíncter, e seu vice, Traweko, que, além dos campeonatos citados, criaram o de taco (ou bétis), no estacionamento da geo e outro de futebol 4x4 que aconteceria no gramado em frente ao Instituto. Porém ambos foram oprimidos pela polícia do campus que não permitiram a finalização destes. Mas o grande objetivo desse grupo era dar continuidade ao que o Eva e o 101 tinham começado e assim, conseguir uma participação no grandioso BIFE. Graças aos contatos certos, o valente Mexinha conseguiu a participação da geo como convidada no BIFE de 2001, além de patrocínio para uniformes. A Geo não decepcionou: levou um número bom de pessoas e participou com 5 times (basquete masculino, handball masculino, futebol masculino e futsal feminino e masculino). Sabemos como os geólogos são fora de casa, segundo relatos, foi um pouco difícil de controlar a galera, mas no final, deu tudo certo. Já que 29


A.A.A DA GEOLOGIA era o começo, a geologia não fez uma grande apresentação esportiva, mas conseguiu uma medalha na natação e o futsal feminino conseguiu ganhar um jogo. Após observarem como as coisas funcionavam nas atléticas, e com base nos resultados do BIFE, o pessoal do basquete masculino, Delano, Samar, Traweko e Sfíncter, deu o empurrãozinho inicial que foi decisivo para começar um legado na história da geologia, uma atlética. Foi pela contratação de técnicos para os times de handball, futebol e futsal que veio a idéia. Com isso resolvido, criaram a atlética para coordenar as participações dos times nos campeonatos da universidade. Foi no BIFE de 2005, em São Sebastião, que a geologia teve um belo destaque na competição: ficou em 3º lugar geral no masculino, por causa dos resultados das seguintes modalidades: campeão no futebol e na natação, semifinais de basquete e handball. Foi pra semifinal no futsal feminino e xadrez. A modalidade que mais se destacou nas edições do BIFE, foi o grandioso xadrez. Que além de serem os campeões em 2006, foram vice em 2007 e novamente campeões em 2008. . Logo no primeiro titulo criou-se o grito “A GEO TÁ GANHANDO O BIFE”, já que o xadrez é a competição que acaba primeiro e a gente ganhava sempre. No ano de 2011 veio a grande mudança, não que tenha trazido resultados muito prósperos, mas foi o começo de uma nova geração da atlética: times femininos. Mesmo com o catadão de basquete no BIFE de 2011, durante o segundo semestre, a geologia começou a ter treinos de futsal e vôlei feminino. Claro que o basquete masculino continuou, o handball masculino se extinguiu e o vôlei masculino renasceu. Em Casa Branca, sede do XII BIFE, fomos em peso, times femininos e masculinos. Não fomos muito produtivos, mas botamos medo nos times adversários com a nossa torcida. Nesse ano, 2012, iremos com muito mais força! Pudemos observar pela classificação dos bichos no BichUSP, que ficou à frente do IME, que teremos reforços no basquete, vôlei, futebol e fustal masculino. E claro que no feminino também pois os treinos de vôlei e futsal continuam, além do de basquete. Fontes: Rodrigo Santini (Traweko), Ana Paula Tanaka (Treme Treme) e Elton Alves (Intimus).

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GGEO

Desbravando as cavidades Por Adriana Virmond (Leoncyo)

Você sabe o que é o GGEO? Provavelmente você se lembra de nós do seu primeiro ano de graduação, na viagem dos bixos ao PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira) para visitação de cavernas. Lembrou? O GGEO ( Grupo de Espeleologia da Geo) é um dos grupos estudantis do IGc e nosso principal foco é o estudo de cavernas. O GGEO foi fundado em meados da década de 80 e existe até hoje, firme e forte. Nesse grupo já passaram vários professores atuais da Geo, como o Ivo Karmann e o Boggiani, ambos fundadores. Lógico que na época deles o GGEO era diferente, com focos diferentes, mas a essência continua a mesma desde aquele tempo: dedicar um pouco de tempo ao estudo das cavernas do Brasil (quem dera do mundo!). O estudo das famigeradas cavidades naturais penetráveis pelo homem (sim, essa é a definição de caverna na nossa Constituição) é pouco explorado no nosso instituto. Temos apenas 31

uma matéria, optativa, que trata desse assunto – Geologia dos Terrenos Cársticos – ministrada pelo Ivo Karmann e com participação do Chico Bill. E aí está mais um motivo para a existência do GGEO. Mas se engana quem pensa que participar do GGEO significa visitar caverna todo fim de semana e fazer apenas passeios turísticos! O GGEO também se empenha no mapeamento de cavernas. Todo ano os próprios integrantes veteranos do GGEO ensinam aos bixos ingressantes as técnicas do mapeamento. Primeiro treinamos nos porões do Instituto e, sempre que possível, levamos essas práticas para a realidade, indo mapear cavernas de verdade. Além disso, o GGEO realiza um projeto, já há alguns anos, nos parques onde há visitação de cavernas no estado de São Paulo. Esse projeto é um curso de “Reciclagem em Geociências”. É como um curso de Geo Geral para os monitores ambientais nesses


GGEO parques, que dura de 4 a 5 dias. O objetivo do curso é ajudar os monitores a responder, com embasamento no pensamento geológico, as perguntas bizarras que alguns turistas fazem às vezes. Além de aulas teóricas que abordam temas desde a origem do universo até geologia ambiental, o curso conta com aulas práticas de minerais e rochas, aula de campo sobre a geologia regional e aula de campo sobre formação de cavernas e espeleotemas. O curso já foi realizado 3 vezes no PETAR (2005, 2006 e 2009) e agora estamos expandindo a quantidade de parques para a realização do curso. Em dezembro do ano passado fizemos o curso no PEI – Parque Estadual “Intervales” – e em dezembro desse ano pretendemos fazer o curso no Parque Estadual “Caverna do Diabo”. E logo vamos voltar ao PETAR e começar tudo de novo. O GGEO, além de ajudar na organização de festas como a GEOSTOCK, também é o responsável pela venda dos blusões da geologia. Somos o grupo estudantil que encomenda e vende os blusões para todos. Que, aliás, vai mudar esse ano! O modelo mudou!!! Será em tecido diferente,

de melhor qualidade. Esperamos que agrade a todos os gostos. Logo logo você poderá encontrar alguém do GGEO sentado numa mesa perto da vivência mostrando o modelo novo e anotando os pedidos para confecção! Mas, se você quer muito o blusão antigo, não pode ficar mais um ano sem ter ele, não perca as esperanças... Caso haja procura o suficiente, confeccionaremos o blusão antigo também. Não perca essas oportunidades!!! Caso queira entrar em contato conosco, não nos procure em nenhuma sala pelo Instituto. Por enquanto estamos sem sala. Logo estaremos utilizando a sala da Abequa (aquela ao lado da GeoJúnior). As reuniões acontecem sempre às quartas-feira às 12h, geralmente no A1. Procure algum dos integrantes do GGEO: Obelix (6º ano), Mussum, Pubiano, Sabugo e Fubanga (4º ano), Biska (3º ano), Leonssyo, Alice, Blowtex, Açafrão, Cássia e Rhamás (2º ano), Bundinha, Sputnik, ComeCome e Constipado (1º ano).

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GEOJúnior

Da teoria a prática Por Mariana Tawata

A Geo Júnior Consultoria é uma Empresa Júnior. Trata-se de uma associação civil de consultoria sem fins lucrativos, formada e gerida exclusivamente por alunos da Geologia e da Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental. Proporciona através do trabalho voluntário o desenvolvimento do potencial de liderança de seus membros, para que promovam um impacto positivo na sociedade. Na Empresa Jr, você tem a oportunidade de desenvolver habilidades de liderança, gestão de equipes, desenvolvimento de projetos e organização de eventos. Com todas as características de uma empresa real, possui CNPJ, estatuto registrado, regimento interno e outras obrigações legais. A Geo Júnior Consultoria oferece aos alunos 33

uma grande oportunidade de antecipar o contato com a teoria e a realidade profissional. Se estiver interessado em nos conhecer, compareça em uma de nossas reuniões. Quinta-feira, 18h. Mais informações em www. igc.usp.br/geojunior.


Cruzadinha Geol贸gica

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