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por CLÁUDIA ANTUNES

E vai mais uma... Uma panóplia de histórias, Uma mostra de artes e ofícios, Uma grande reunião de variedades, Uma compilação de letras, cores, imagens e amor... Uma revista de todos e para todos! É a studiobox que volta para mais uma edição, Numa modernidade demasiado fugaz, Onde os amigos virtuais são mais do que os reais, Partilhar é mais fácil do que andar, Ser falado pode ser como um tornado alado, que cresce sem parar, Mostrar ao mundo basta apenas clicar; Onde o boato passa muito facilmente a verdade, Um convite pode alcançar o mundo sem dificuldade Imagens criam uma máscara de uma diferente realidade...

STUDIOBOX . ABR . MAI . JUN 2014 DIREÇÃO E EDIÇÃO_Bruno Esteves DESIGN GRÁFICO_Cláudia Antunes REDAÇÃO_Studiobox IMPRESSÃO_Eden Gráfico COLABORAÇÕES/AGRADECIMENTOS ESPECIAIS_ALEXANDRE LIBÓRIO, Ana Barata da Rocha, APPACDM, BIORURAL, CAROLINA BORGES, CARLA ALMEIdA, CCDV, CERDAMA, CMV, Fátima Marques, A.M. GALOPIM DE CARVALHO, hugO MACEdO, JARDIM DAS BORBOLETAS, JOÃO CERVEIRA, JOÃO MOREIRA, JORGE SObRADO, MARIA dE OLIVEIRA dIAS, Patrícia belo, PAULO COELHO, PEDRO CARVALHO, JORGE AMARAL, JOSÉ CARLOS CARVALHO, JOSÉ PEDRO GOMES, PORQUESIM, RUI COSTA, RUI RODRIGUES DOS SANTOS, SANDRA OLIVEIRA, SILVIA MITEV, SUSANA ANDRADE, Teresa Loureiro, TIAGO DE PAULA, ThERBIO FELIPE M. CEzAR, UNIÃO DAS TRIBOS, CARLOS GUERRA. DISTRIBUIÇÃO_Studiobox ADMINISTRAÇÃO | PROPRIEDADE_ _Studiobox - Publicidade e Gestão de Meios, Unipessoal, Lda. Rua Alexandre Herculano, nº 291 R/C, 3510-038 Viseu DEPÓSITO LEGAL_224690/05 CONTACTO PARA PUBLICIDADE_ geral@studiobox.pt

Tudo a par de economias quase perdidas, De uma sociedade que continua a fechar os olhos E a viver a correria do dia a dia! Mas temos e devemos parar, Parar para olhar e principalmente amar! Será utopia pedir isto a quem conta cada cêntimo para pagar contas e mesmo assim não chegar? Pode ser, mas temos que tentar! Quando se ama, o dia ganha mais forma; Quando se encontra amor no que se faz, não custa tanto contar os trocos para as despesas pagar... Certo é que com ou sem amor o tempo voa e com ele as horas, Um tic-tac permanente que avisa com subtileza que está na hora de amar! Esta revista pretende também alertar Que esta hora deve chegar... A hora de amar a si próprio, Ao que o rodeia, Ao que faz, Ao que deseja, Ao que lê e ao que vê, De encontrar o que mais prazer lhe dá fazer, para assim poder amar o que faz; A revista studiobox quer mostrar e expressar este amor que vai além do virtual...

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO FOI USADO EM TODOS OS ARTIGOS. A SUA UTILIZAÇÃO FICOU AO CRITÉRIO DOS AUTORES QUE REDIGIRAM OS TEXTOS.

Ama e sê mais feliz!


por Ana Barata da Rocha, Diretora Geral SAILSPOT Estar no mar, a bordo dum barco à Vela, é um sentimento de satisfação pessoal e bem-­estar inigualável. A Vela é um desporto extremamente saudável que proporciona momentos fantásticos e tem muito a oferecer a todos os velejadores, desde os que sentem aquela excitação na primeira vez que vão para o mar, aos que têm anos de experiência. Para os que ganham o “bichinho” de andar à Vela, raramente existe cura e outra atividade que substitua a sensação de navegar. A Vela é muito mais do que um desporto e facilmente se transforma num estilo de vida muito próprio e único, onde se cria um laço forte com a envolvente, o barco e o prazer da navegação, seja na companhia dos amigos, família ou sozinho. A SAILSPOT – Serviços Náuticos Lda é uma empresa dedicada a atividades náuticas, que surgiu do entusiasmo e paixão pelo mar e que tem por objetivo fomentar a iniciação e prática da Vela de Cruzeiro, promover passeios divulgando todas as potencialidades paisagísticas da região da Ria de Aveiro, bem como divulgar a modalidade através de Eventos Náuticos de “Team Building” para Empresas. É o resultado de um longo percurso e paixão familiar na prática de vela ligeira, de competição e de cruzeiro. Na SAILSPOT procuramos transpor este ambiente familiar, estilo de vida e alegria para todos os nossos clientes, desde os mais exigentes que gostam de competição (e querem viver a experiência de participar em regatas competitivas) até aos clientes que querem simplesmente navegar ao seu ritmo e desfrutar da Ria de Aveiro (através dos nossos programas de Batismos de Vela, Sunset Sailing e outros Programas feitos à medida – Festas de Aniversário, Despedidas de Solteiro, Passeios com paragens gastronómicas), onde a componente lazer/passeio assume maior relevância. Pretendemos partilhar o gosto pela Vela com os nossos clientes, oferecendo-­lhes também a oportunidade de aprender a andar à Vela na Ria de Aveiro. A SAILSPOT é formada por uma equipa jovem com vasta experiência no mundo da Vela e cada

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um dos nossos colaboradores contabiliza mais de 15 anos na modalidade, como velejadores e como treinadores de equipas de competição. Os nossos Cursos de Iniciação visam proporcionar um primeiro contacto com a Vela, numa aprendizagem bem estruturada e contínua, em veleiros muito fáceis de manobrar. Qualquer idade é boa para se iniciar na modalidade, sendo que os jovens se adaptam com mais facilidade e não há dúvidas de que é melhor começar a andar à Vela quando se é novo -­não por ser difícil aprender mais tarde mas porque irão perder durante muito tempo o prazer de navegar. Este desporto é, por vezes, conotado como “exclusivo” e apenas acessível a pessoas de classe alta. Corrijo, sempre que posso, esta ideia pré-­concebida pois nos largos anos da minha experiência conheci e fiz amigos de várias classes sociais e o único elemento que sempre foi partilhado e que continua presente é o gosto pela Vela. O Mar nunca nos cansa e tem sempre coisas novas para nos ensinar. No entanto, a grande maioria das pessoas desconhece, efetivamente, este sentimento de diversão e de realização pessoal, de desafio e de refúgio que nos torna tão dependentes da Vela. Continuaremos a acreditar no projeto SAILSPOT e a partilhar com os nossos clientes o segredo da nossa felicidade (o prazer de andar à Vela), proporcionando-lhes momentos inesquecíveis na prática desta modalidade.

Para mais informações: www.sailspot.pt | www.facebook.com/sailspot.abr3 | info@sailspot.pt | +351 910 664 470 . 234 026 290

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por JOÃO MOREIRA

A proa corta as águas levemente revoltas pelo vento. Algumas gotas salgadas atingem-nos a face, aliviando os efeitos dum Sol intenso. Em frente, uma imensidão de mar. São quinze metros de barco. Da proa à ré. Quinze metros comandados com mestria pelo Ti Zé Rito, arrais orgulhoso do moliceiro com o mesmo nome. O “Zé Rito” é como um filho para o pescador artesanal, natural da praia da Torreira, na Murtosa. Construiu-o com as próprias mãos durante dois meses de intenso e cuidadoso trabalho, em madeira de pinho, como manda a tradição. O Ti Zé Rito vem de uma família de apanhadores de moliço. Homens da Ria. Dum tempo em que a Ria se enchia de cor. Da cor das proas pintadas dos moliceiros que se faziam ao mar para sustento das gentes da região. Eram outros tempos. Tempos em que os moliceiros se contavam aos milhares entre Mira e Ovar, apanhando as algas que serviam de adubo à lavoura, transportando mercadorias e gado. De costados baixos para facilitar a colheita e o carregamento do moliço, fundo plano e pequeno calado, para poderem navegar na Ria e nos seus braços de baixa profundidade sem encalharem nos bancos de areia, os moliceiros eram uma ferramenta agrícola “num ecossistema muito particular – a laguna - que era ao mesmo tempo rio e mar, terra e água”. Foi nesses tempos que o Ti Zé Rito ganhou amor aos barcos da Ria. Um amor entregue como que em testamento pelo seu pai e pelo seu avô e que ele tem sabido transmitir a filhos e netos. Foi esse amor aos moliceiros que o levou a dedicar-se à construção dessas embarcações míticas de proa

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recurvada, cuja origem documentada remonta ao primeiro quartel do século XVIII. Esgotada a sua função económica, quase desapareceram na década de setenta do século passado, para renascerem pouco depois, como barcos-museu, destinados a passeios turísticos - as gôndolas da Veneza portuguesa. Hoje são símbolo cultural de Aveiro, lado a lado com os ovos moles e a Arte Nova. Foi, por isso, com mais orgulho ainda, que o Ti Zé Rito, festejou o baptismo do seu moliceiro. O “bota-abaixo” do “Zé Rito” aconteceu a 4 de Julho de 2009, numa festa emocionada, que juntou na Torreira familiares e amigos, entre eles o artista plástico José Manuel Oliveira, que pintou o barco, decorando-o, como manda a tradição, com painéis na proa e na ré. Lançado à água para a sua viagem inaugural, com a ajuda da população, o “Zé Rito” rompeu as águas da Ria num dia de sol radioso, céu azul e uma brisa suave. Um dia como hoje, afirma Mestre Rito, enquanto nos guia com mãos hábeis através da incomparável beleza desta foz do Vouga, com paragem prometida para “umas enguias como nunca provaram”, afiança o arrais. Ligeiramente atrás, vela erguida, como que seguindo-nos os passos, vem o “Manuel Silva” comandado pelo Zé Pedro, neto do Ti Zé Rito, que do alto dos seus 14 anos, mira a Ria com o olhar sábio de quem nasceu para ser mestre. Seguimos viagem, com a certeza de que a tradição dos moliceiros não acabará nunca, enquanto a arte da navegação na Ria continuar a passar de geração em geração e a ser vivida com o amor e a dedicação que o Mestre Zé Rito e o seu neto Zé Pedro lhe devotam.


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w ww. i n te r n a c i o n a lo p t i ca .co m 8

Rua Casimiros 43-r/c-E, 3510-061 VISEU

Tel : 232 431 642 Fax: 232 432 660

internacionaloptica@gmail.com


A City Bike Color é uma comunidade com objetivos sociais e ambientais, criada por três viseenses que desejam dar cor à cidade de uma forma saudável, alegre e divertida. Bicicleta, liberdade, boa saúde e bom humor combinam bem. A bicicleta evoca sempre imagens de liberdade e desperta a mesma simpatia em todos. A ideia da criação de eventos pela CBC com alguma frequência ajuda a que se torne mais fácil usar a bicicleta quando mais pessoas do seu circulo têm o mesmo hábito. Tem-­se conseguido aliciar amigos e familiares a ir de bicicleta para o trabalho, tornando-­se mais divertido quando outras pessoas que trabalham diariamente usam a sua bicicleta como meio de transporte. https://www.facebook.com/citybikecolor citybikecolor@gmail.com

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por Therbio Felipe M. Cezar Não, não se trata de mais um texto a fazer apologia às bicicletas. Tampouco se pretende filosofar sobre algo pouco concreto, porque seria banalizar o pensamento e o tempo que já não temos. Minha atenção está focada em um pequenino detalhe da vida de cada um de nós, impactado e impactante ao mesmo tempo: as cidades, seu presente e seu futuro. Começo sugerindo que existam dois momentos onde a totalidade das cidades no mundo se encontra: o “já” e o “ainda não”. Explico-me. Inúmeras cidades ao redor do planeta já acusam o estado de colapsadas pelo caos do trânsito, ou mesmo pelos resultados ou efeitos da depredação socioambiental (só sabemos da natureza porque existimos e pensamos sobre ela), mas ainda não estão conscientes da urgente e necessária mudança de comportamento e de modo de vida. Outras, talvez tão próximas de nós, ainda não estão prontas ou aptas para as mudanças, mas já começaram a planejar coletivamente após terem definido os porquês, as maneiras e para que finalidade querem tais mudanças. Sabemos de cidades que já procuraram técnicos e especialistas para tratar de suas patologias urbanas (mais uma vez, sociais), mesmo que ainda não tenham total noção do quanto esta escolha ou decisão trará resultados qualitativos à vida de cada um e de todos os cidadãos, presentes e futuros. Sim, lá e aqui, hoje e amanhã, mais uma ou menos uma cidade requer para si o título de ‘cidade amigável’, outra daquelas invenções do mercado que se tornou jargão barato, já que o conceito de sustentabilidade foi banalizado pela mídia e pelas bocas desqualificadas e ainda não surgiu nenhum termo tão complexo e tão simples a sua vez, que o suplantasse. Quando, ao início, tratei as cidades como um “pequenino detalhe da vida de cada um de nós” não quis mediocrizar estes espaços de ser e estar com os outros, apenas me remeti à efemeridade de nossos anos gastos indo e vindo, num causticante e viciante gerúndio, que efetivamente nos faz ir de casa para o trabalho olhando para o ‘chão’ imersos em nossos problemas, tão ‘imensos e vorazes’ (como se fossem apenas nossos) que consomem nossa atenção, até que nos damos conta de que já chegamos ao nosso destino. Lá irão, uma após a outra, nossas horas de trabalho, para que enfim possamos voltar, invariavelmente, pelo mesmo caminho de sempre, com nosso olhos hipnotizados no ‘nada’, prontos para repetir tudo na manhã seguinte. Um detalhe, esta é tal cidade em que vivo e não a vivo. Um detalhe pequeno é este prédio ou esta praça que sempre esteve

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diante de mim e que jamais consegui interpretar suas figuras ou detalhes arquitetônicos, porque jamais me atrevi a elevar ou desfocar meu olhar. Outro pequeno detalhe, lembrei de esquecer, do que existe na rua ao lado, e que de mim se escapou durante estes anos todos porque jamais por lá cruzei, porque escolhi invariavelmente seguir pelo mesmo caminho de sempre. Parte das cidades e das pessoas que nelas vivem reagem às necessárias mudanças com aquele eterno e cinzento Complexo de Gabriela (eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim), e perdem a rara e potencial oportunidade de fazer diferente, de fazer a diferença. Notamos, nos últimos anos, o quanto a escolha pela bicicleta tem estado presente nos reclames televisivos, nas campanhas de marketing de bancos, cremes dentais, absorventes íntimos, refrigerantes, imobiliárias, destinos turísticos, partidos políticos, universidade, e pasmem, até mesmo em lançamentos de automóveis. Ironicamente, quase nenhuma destas empresas investe em educação para a ciclomobilidade urbana ou para a ciclocidadania, da mesma forma que não o fazem em adoções de estruturas cicloviárias em consórcio, em parcerias com o poder público, ou quem sabe até mesmo, através da tal ‘responsabilidade social’, outra daquelas falácias que encantam os ouvidos de quem ainda ignora o real sentido da expressão. Não vou longe, a realidade crua nos tem mostrado que uma boa maioria das empresas do mercado de bicicletas também não aposta ou investe em educação para a ciclomobilidade ou para a ciclocidadania, dizem tão somente que não lhes compete; mal sabem elas o quanto isto democratizaria o acesso à bicicleta, sensibilizaria o poder público, aumentaria o consumo inteligente e responsável, além de ajudar a vida em milhares de cidades e por inúmeros motivos. Possivelmente, esta avalanche publicitária tenha pegado uma carona nisto que ouso chamar de um dos maiores fenômenos socioculturais dos últimos 400 anos, sob a forma de um movimento pacífico em prol da vida, individual, coletiva e do planeta, direta ou indiretamente, no já e no ainda não. Talvez, tudo esteja motivado pelo crescente número de pessoas a aderir, por força da necessidade, pela moda, pelo esporte ou pelo diletantismo à causa da bicicleta. Não importa o motivo, isto é um fato social pleno. Porém, assim como ocorreu com os automóveis, a velocidade e o crescimento do volume de indivíduos a fazer uso da bicicleta cotidianamente não se fazem acompanhar por estruturas cicloviárias


condizentes, nem mesmo por um modelo de educação mais emancipadora, mais libertadora, quem sabe, ainda que mais responsável. Será que lógica deste movimento está realmente fundada na transformação sociocultural promovida pelo uso inteligente e irrestrito da bicicleta? Será que, em parte e em certa medida, não se trata de mais uma tentativa utilitarista-individualista de resolver uma questão estritamente econômica e de falta de acessibilidade, e que caberia, por sua vez, ao Estado, observar? E ainda assim, ou melhor, já não seria hora de cada ciclista sair de sua individualidade e dar sua contribuição ensinando a sua comunidade sobre os benefícios universais da bicicleta, sobre a responsabilidade de quem a utiliza, ou até mesmo, doar parte do seu tempo para organizar, planejar e subsidiar pacíficas, plurais e benéficas formas de exigir todas as condições e melhorias para a ciclomobilidade e a ciclocidadania? Continuamos a olhar, melancolicamente, as cidades como algo além de nós, a nosso serviço e de acordo com nossos interesses, quando seria oportuno e bem- vindo observar como nos traduzimos nelas, impregnando-as com o nosso melhor e com o que em nós não é tão bom. Sejamos claros: a cidade é o espelho daquele que se diz cidadão, e independe do Estado para tal. Se a cidade é suja, é porque aquele que ali vive também o é. Se a cidade é pacífica, agradável e acolhedora, é reflexo do que lá vive. Se, por sua vez, é violenta, insidiosa, inacessível e promíscua, não passa de uma projeção dos atores sociais que nela habitam e de suas escolhas. Não podemos aceitar que se entenda a cidade meramente como um somatório de problemas decorrentes de questões demográficas. Mais que tudo, é um ambiente inter-relacional que surge de experiências socioculturais, socioeconômicas e socioambientais, no tempo e no espaço. Quando nos chegam novidades do mundo da bicicleta pelas redes sociais e, até mesmo, através da boa e velha carta, sempre esperamos ouvir sobre novos lugares onde a bicicleta e seus usuários já não são vistos como seguidores de uma moda sem objetivos. Queremos saber mais sobre as cidades feitas pelas pessoas e para as pessoas, como orienta o excelente arquiteto dinamarquês, mas antes de tudo, cidadão Jan Gehl. Parte da missão deste homem e suas equipes é criar cidades melhores para as pessoas viverem. Isto significaria dizer “cidades melhores para pessoas melhores”? Quando penso sobre isto algo me remete até minha infância no interior do sul do Brasil, quando indistintamente precisávamos de tão pouco para viver. Não ansiávamos por muito, desde que as pessoas ao nosso redor estivessem felizes. Naquela época, para mim a bicicleta era o presente esperado no Natal, a fim de garantir a folia molequeira cheia de boniteza, a zingrar por todas as ruas empoeiradas pelo esquecimento. Forçando um pouco a memória, coincide o fato de que muitas pessoas também não tinham carro (objeto para poucos), e a bicicleta também era veículo para chegar ao trabalho, escola, encontrar a namorada ou carregar coisas como o botijão de gás, por exemplo. As cidades, por sua vez, também possibilitavam o deslocamento de veículos movidos à tração humana.

Voltamos à realidade atual e projeções futuras. Provavelmente, algumas gestões públicas tratarão de Copenhaguenizar suas cidades, porém este pode não ser o caminho natural para chegar a um resultado semelhante. Digo isto me baseando na reflexão de que um molde triangular jamais dará forma a um objeto redondo, e vice- versa. Às vezes, modelos aplicados como soluções para determinados problemas não se aplicam em outra parte ou problema diferente. Parte das transformações sonhadas e desejadas, além de requeridas, para as cidades num futuro próximo passam, imediatamente, por escolhas atuais mais humanas e com reflexos mais coletivos por parte de cada um de nós, ainda que isto nos custe certo desconforto momentâneo, adaptação dolorosa ou até mesmo, mudanças de perspectivas pessoais. Vivemos em um momento bastante delicado da história, porque jamais soubemos tanto sobre tanta coisa, e possivelmente, em mesma escala, jamais tivemos tanta capacidade para transformar nossa realidade comum. A opção pela bicicleta, universalmente, não pode ser tomada com base em modismos, consumismos elitistas, ou até mesmo, por uma postura reacionária e violenta, que usará as mesmas formas de expressão do sistema que repudiamos, o qual lastima, ofende e aniquila a mim, a você e às pessoas que nem mesmo eu ou você conhecemos, no já e no ainda não, no agora e no depois. Este pequenino detalhe da vida de todos nós está presente na sua rua, no seu quintal, mas também está diante da TV que você não desliga e nos celulares que nos dominam a atenção. Está no estacionamento vertical, na vaga viva, na intermodalidade, nos paraciclos, mas também está naquele sinal vermelho que você cruzou, hoje pela manhã, só porque não vinha ninguém, apenas um ciclista. Está na escolha dos governantes, dos homens do mercado, dos empreendedores, mas também está presente na vida daquele que não tem escolhas. Está presente na bike silenciosa rumo à escola, rumo ao treino, ao cinema ou, tão somente, rumo aos próximos quilômetros. Quem sabe apenas esteja presente. Enfim, sua cidade, no presente e no futuro está em você, em mim, e acredito concretamente que nós possamos fazer algo de surpreendente. Afinal, você leu até esta linha, vai discutir este tema com seus pares e na próxima linha eu poderei lhe agradecer por ter feito a diferença durante este tempo que já não temos, juntos. Vamos estabelecer este diálogo a favor de uma cidade mais humana, de uma cidade feita por pessoas e para pessoas. Já!

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Este filme vem no seguimento da “Ultima Famel”, que foi um filme académico do Jorge Monte Real com co-produção Kinjolas Motion Pictures, mas com atores e atrizes conhecidos, que acabou por ter um circuito nas salas de cinema em Águeda, Cine Teatro S. Pedro e no S. Jorge em Lisboa. Devido ao sucesso do filme foi emitido na Benfica TV durante três meses, com sucessivos aumentos de share, foi publicado no Youtube, batendo o record do filme português mais visionado nessa plataforma universal (quase 700.000 visualizações). Avancei assim para um novo guião e a minha produtora decidiu fazer a sequela: nasceu a Famel Top Secret. Visto ser uma comédia para toda a família e um filme muito português com um elenco cheio de caras conhecidas (Merche Romero, Vitor Norte, Paulo Futre, José Carlos Pereira, Ana Brito e Cunha, Liliana Aguiar, Dani e muitos outros), a estratégia de distribuição será diferente a intenção da produção é fazer chegar em primeiro lugar às cidades e locais mais deslocados sendo o target pretendido os motards, pessoas que normalmente não frequentar o cinema e a faixa etária dos 35 aos 90 anos pelas memórias e recordações que o tema transporta. O Filme Famel Top Secret foi apresentado para distribuição Internacional no Festival de Cannes, em Portugal vai ser exibido num festival de Cinema itenerante em junho e julho passando por Albergaria-a-Velha, Viseu, Paços de Ferreira e Vale de Cambra. Em Vilamoura, no Agua Moments a 17 de julho, decorrerá a festa de promoção do evento MEO ARENA Moto In com a possibilidade dos motards assistirem ao filme em cima das motos no ground floor da Arena e os restantes expectadores na bancada. O filme é uma comédia para toda a família com 1 hora e meia de entretenimento prometido.

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Teresa Loureiro, 36 anos, Médica Dentista, natural de Viseu. Participou na recente edição Masterchef Portugal da TVI tendo chegado ao TOP 10.

Tê, conta-­nos tudo, como surgiu esta ideia de participar no Masterchef? Sou fã e seguidora do Masterchef Austrália, um dia estava em casa sozinha a ver o programa quando em rodapé passou uma nota a dizer que iria haver uma edição portuguesa e a indicação do site para inscrição. Pensei que seria uma experiência que gostaria de viver e sem hesitar inscrevi-­me nessa mesma noite. Para dizer a verdade, nunca mais me lembrei do assunto até que, passado sensivelmente um mês, recebi um email a dizer que tinha sido selecionada para um primeiro casting e que teria 15 dias para confirmar a presença. Estava decidida a não comparecer, até que nas vésperas do casting uma amiga insistiu tanto para eu ir que me pôs a pensar... se realmente queria perder uma oportunidade como aquela... e eu que não gosta de deixar nada por fazer... Não tinha nada preparado mas nessa noite falei com o meu Marido que me perguntou se realmente gostaria de ir... e que participando não teria nada a perder...

É uma receita que nem é habitual fazer mas que correu muito bem e fui a primeira receber a colher de pau pela mão do Chef Miguel! O prato estava saboroso, bonito e com boa textura e cremosidade.

Como te sentiste nessa altura? Quando vejo as câmaras a apontar para mim e a minha Mãe diz: “Tê, olha que é para ti!”, fiquei tão surpreendida como expectante! Passar esta fase era já um grande feito! Depois de estar nos 51 eleitos comecei mesmo a pensar que havia a real possibilidade de chegar ao programa. Comecei a ficar assustada, preocupada e com medo! Como poderia deixar as minhas filhas? O meu Marido? O meu trabalho? Não era o desafio nem a competição que eu temia pois o meu objetivo sempre foi aprender novas técnicas, conhecer o mundo da culinária pelo qual sou apaixonada. E avancei, iria até onde fosse possível.

E quando começou essa aventura? O que se seguiu então? No dia 17 de janeiro, no Porto. Apresentei o meu prato, uma panna cotta de baunilha e iogurte grego com frutos silvestres. Ao olhar para os outros pratos pensei que não teria hipótese... nessa fase éramos 3000 concorrentes. Regressei a Viseu e para minha surpresa passados 3 dias recebi um email com a informação que tinha sido selecionada para ir ao Terreiro do Paço! Continuava com as minhas dúvidas mas o meu Marido incentivou-­me e disse “Agora vais até onde der!”

Outra prova desta vez para escolher 30 dos 50 concorrentes. Esta prova já entraria nas gravações do programa. Escolhi confecionar um folhado de cabrito com míscaros acompanhado de uma salada, um prato servido no meu casamento. As coisas não correram muito bem e pensei que iria ficar pelo caminho, a massa não cozeu convenientemente mas o recheio convenceu e acabei por passar com o sim do Manuel Luís Goucha e do Rui Paula e um não do Miguel Vieira.

E assim foi, começou a minha caminhada rumo ao Masterchef!

E qual foi o prato que escolheste apresentar no Terreiro do Paço? Optei também por fazer uma panna cotta desta vez de caramelo com pain perdu que é um pão recesso passado por um preparado meu, aquecido, frito e servido em cima da panna cotta.

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Na última eliminatória para a entrada no programa informaram-­nos que teríamos que nos apresentar no LX Factory e levar uma mala com roupa para duas semanas. E eu lá fui... fiz uma malinha com duas mudas de roupa pois achava mesmo que não ficaria... Nesse momento simpatizei de imediato com algumas pessoas e criei empatias que perduram. Algumas delas viriam ser o meu ombro amigo dentro do programa.


Seria a seleção dos 15 que entrariam para o Masterchef? Sim, dos 30 para os 15 concorrentes. Era uma prova às escuras, haveria um ingrediente e com ele fazer teríamos que fazer uma receita criativa, saborosa e bem apresentada. O ingrediente era o pão... Mas o que é tu fazes com pão? Na hora nem consegues pensar... Optei por fazer umas fritas de pão com crème anglaise, pensei que se tinha sido bem sucedida no prato anterior agora faria algo do género. Chegada a hora das escolhas, fui contando as vagas que iam restando.... A primeira a ser escolhida foi a Margarida, a nossa Dama de Ferro! Uma Senhora! Até que chegou a minha vez! Na hora não manifestei grande alegria porque pensei: ai... o que vou fazer? Nunca pensei que chegasse de facto aos 15... Decidi ligar ao meu marido para me ir buscar, estava decidida a não ficar... mas ele já estava em Viseu!

Estava então tomada a decisão? Pois foi uma ajuda para a minha permanência... disse para mim mesma: ok, fico uma semana pois serei eliminada. O tempo foi passando, e eu fui ficando... com o tempo, e apesar das saudades de casa, cada vez tinha mais vontade de continuar, de aprender, de viver esta experiência tão especial! Cheguei ao top 10 o que me orgulhou muito!

E o balanço desta experiência? Posso dizer com toda a certeza que repetia! Foi duro, foi! Largar tudo durante um mês e uma semana... tive tantas saudades das minhas Filhas, do meu Marido, da minha Família! Mas foi uma experiencia única, tenho muitas coisas boas a retirar, aprendi tanto e conheci pessoas tão especiais!

Viviam todos na mesma casa, como foi passar tanto tempo com os restantes concorrentes? Bom... o convívio nem sempre foi fácil, inicialmente éramos 17 pessoas a viver num apartamento. Muitos e muito diferentes... Tinha que se fazer um esforço haver entendimento, mas claro há sempre coisas que nos agradam menos ou mesmo que nos desagradam! A maioria de nós chegou ao fim com laços de amizade.

Planos para o futuro? E o que farias se ganhasses o primeiro prémio? Isso seria ótimo claro! Quem não gostaria de ganhar? O primeiro prémio é um curso de um ano em Madrid... teria que ponderar muito bem... mas sinceramente não pensei nisso...

Para já vou lançar um blogue: Temperos da Tê, será um blog dedicado à culinária, como não podia deixar de ser! Mas terá também um carácter pessoal, os meus seguidores poderão acompanhar um pouco mais para além da minha vida na cozinha. Estará em breve online!

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por MARIA DE OLIVEIRA DIAS

os melhores e mais frescos ingredientes: compramos as nossas frutas e legumes a produtores locais e preferimos os que são certificadamente biológicos. Não têm corantes, conservantes e outros ingredientes com nomes impronunciáveis. Não usamos adoçantes químicos e preferimos farinhas e açúcares (quando usamos) pouco ou nada refinados. Para reduzirmos o desperdício e aumentarmos a qualidade fazemos as nossas próprias farinhas, leite, tofu, cozemos as nossas leguminosas, entre muitas outras coisas. Fazemos uma ginástica diária para podermos oferecer-lhe os melhores preços. De resto, nós levamos isto muito a sério. Para nós o “saudável e natural” não é uma moda, é um princípio. Mas somos fanáticas pelo sabor: tudo tem obrigatoriamente que ser absolutamente delicioso. As nossas iguarias são feitas com amor para ficar com água na boca e o coração a palpitar. O lema do The Love Food é: Aqui, a gula deixou de ser pecado. Ouse viciar-se!

O blog The Love Food nasceu pela mão de Maria de Oliveira Dias, em 2010, com o intuito de partilhar receitas e dicas que facilitem o dia-a-dia de quem quer comer e viver de forma mais saudável e ética, sempre sem perder a gula nem o glamour. Depois de mais de uma centena de receitas originais, vários eventos – desde a 1ª Mostra de Pastelaria Vegana de Lisboa à Ceia de Natal Vegana – , e de 400.000 visitas ao blog, Maria de Oliveira Dias iniciou este ano duas grandes aventuras: a realização de vários Workshops pelo país e criação da marca The Love Food, com design gráfico de Afonso Pessanha, responsável por toda a imagem do projecto. O The Love Food é agora, para além de um blog, uma marca de comida saudável e 100% vegetal – bolos e salgados - com venda ao público através de encomendas mas, sobretudo, para revenda para outros estabelecimentos comerciais. Com fábrica em Lisboa, temos disponíveis várias linhas de produtos: Linha Leve, sem açúcar e baixa em gorduras, a Linha Sem Glúten, a Linha Salgadinha e a Linha Gulosa. Os nossos produtos são feitos à mão com

Maria de Oliveira Dias é vegetariana desde os 12 anos e vegana há 6 anos. Actriz de formação, estudou e trabalhou em teatro cinema e televisão em Bruxelas, Paris e Nova York. De volta a Portugal vive em Lisboa e trabalha com várias companhias de teatro, funda a sua própria companhia, trabalha regularmente em televisão e torna-se Mestre em Estudos de Teatro pela Faculdade de Letras de Lisboa. A paixão pela cozinha vem de família e é iniciada através da influência da avó e da mãe, exímias cozinheiras. Depois de abrir o seu mundo gastronómico com muitas viagens, começa aprender a arte da culinária saudável em cursos no Instituto Macrobiótico Português, em oficinas com a chef Sarah Britton e com a chef Tatiana Cardoso, entre outros. No último ano estagiou nos considerados dois melhores restaurantes vegetarianos de São Paulo: o Moinho de Pedra e o Banana Verde. De volta a Portugal cria a sua marca de comida saudável e continua a partilhar receitas no blog, nomeadamente baseadas na cozinha tradicional portuguesa, tornando-as mais leves, nutritivas e saudáveis. Saiba mais em thelovefood.pt e thelovefood.blogspot.com. Contactos: Maria de Oliveira Dias | 914 651 380 thelovefood@hotmail.com 17 VIAGENS


Londres, 8 de Maio, 2014 - a SITU, a primeira balança nutricional inteligente que todos podem usar.

A SITU é um simples balança de cozinha com um chip Bluetooth que transmite dados para o iPad. A aplicação mostra o conteúdo exacto dos nutrientes de qualquer alimento pesado na balança, seja um único ingrediente ou uma refeição completa. Pela primeira vez é possível obter a quantidade exacta de calorias, açucares, sal, proteínas, vitaminas e minerais de qualquer alimento com base no peso dos ingredientes. Terminou a campanha de angariação de fundos noKickstarter recentemente e foi bem sucedida. A SITU angariou em apenas um mês cerca de £40.000 (aproximandamente 49.000). Teve uma excelente cobertura mediática recolhendo excelentes critícas em publicações tão diversas como: TheDaily Mail, TechCrunch, CNET, Askmen, Engadget, Stuff, T3, Yahoo News, Fast Company,Sábado, P3, etc. A SITU é um ferramenta didática para todos aqueles que contam as calorias que ingerem, diabéticos, hipertensos, atletas, e qualquer pessoa que queira viver uma vida mais saudável. A SITU ajuda-o a atingir as suas metas dando acesso a informação muito difícil de obter anteriormente.

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A SITU foi inventada pelo Michael Grothaus, um ex. funcionário da Apple e jornalista de tecnologia que lutou durante anos pela a perda de peso. Apesar de saber que cozinhar alimentos frescos em casa era mais saudável, Michael cedo se apercebeu, que a maioria das pessoas desconhecem as calorias existentes nos alimentos frescos. Em busca de uma solução, juntou-se com José Farinha, engenheiro e fotógrafo, para tornar a SITU uma realidade. Michael já perdeu cerca de 25Kg em seis meses com a ajuda da SITU. Este produto inovador está agora disponível para ajudar as outras pessoas a viver uma vida mais saudável, qualquer que sejam os seus objectivos, sejam eles perder peso, ganhar massa muscular, reduzirem os maus hábitos nutricionais, ou contribuir para uma alimentação mais saudável e equilibrada. A SITU funciona! A SITU estará disponível este Outono. Website: www.situscale.com Company email: info@situscale.com Video demos: vimeo.com/situscale Facebook: facebook.com/situscale Twitter: twitter.com/situscale


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por RUI RODRIGUES DOS SANTOS

Na estrada que liga Castro Daire a Cinfães, depois de passar a aldeia do Picão, vira-­se à direita onde encontramos uma estrada digna do interior de um Portugal profundo, mas de uma beleza paisagística quase única que compensa largamente o constante bordejar da serra... Em cerca de 10/15 minutos chegamos à aldeia, segundo alguns, mais alta de Portugal... A Gralheira, “princesa da serra”, perdida na serra de Montemuro...

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Aqui chegados, rapidamente damos pelo largo do fontanário, capela e cemitério, onde se ergue de forma rude e granítica o restaurante “Recanto dos Carvalhos”, que contrasta com o “calor” e simpatia com que Cassilda e sua esquipa nos recebem e nos conduzem numa viagem sensitiva e sensorial pelas especialidades da serra e não só... Depois de pequena espera, aos fins-­de-­semana convém reservar, eis que somos conduzidos à sala de refeições, situada no piso superior, com uma vista sobre a encosta da serra, com apresentação cuidada, “carinho” no atendimento e rapidez q.b. num serviço em que colidem de forma positiva todos os “ingredientes” necessários para uma experiência palato-­sensorial única. Vamos a isso então... Com uma vasta e cuidada lista de pratos, centremos as nossas atenções numas entradas de qualidade superior, já a deixar antever o que virá a seguir, de realçar o pratinho de enchidos de nota positiva e um queijo da serra com mel, a roçar o limiar do fantástico.... Da experiência degustativa que se seguiu ficam as gratas recordações retiradas do Cabrito grelhado, da posta arouquesa e de um javali grelhado, tudo de qualidade superior quer ao nível do palato, quer da percepção olfactativa e visual. A aposta em fornecedores locais, garante a autenticidade e qualidade da cozinha “serrana”, fazendo esquecer a necessidade de regresso à urbanidade e ao bulício da vida citadina, de onde Cassilda “fugiu” para se vir reencontrar com os prazeres mais simples da vida nesta Gralheira do alto da serra que a acolheu com a desconfiança natural de quem vê chegar um “estrangeiro” mas que rapidamente a acolheu como a “Ruça”, filha adoptiva desta terra perdida na serra mas aberta para o mundo, onde a par da cozinha tradicional podemos encontrar pizzas de qualidade superior, no mesmo recanto onde, à sobremesa, nos deliciamos com doces de confecção local que nos fazem elevar ainda mais o prazer sensorial desta nossa viagem... Antes de regressar, tempo para descobrir algumas das maravilhas de Gralheira e de contemplar a paisagem única que a envolve no bulício natural da agitação de quem tem do tempo uma noção exacta de que o mesmo tempo é o tempo que fazemos... Com uma certeza, vamos voltar...

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À Descoberta do Novo Mundo dos Cogumelos !

A Biorural é uma marca criada por três jovens agricultores visienses, que primam pela excelência dos seus produtos e pelo cuidado e respeito que têm pela natureza. Apresentou-se ao público no início de Junho do ano corrente e tem como objetivo a divulgação e comercialização dos produtos da sua lavra. A crescente e generalizada preocupação com a alimentação e a importância de se consumirem alimentos mais saudáveis, faz com que a procura de novas soluções para a nossa alimentação faça cada vez mais sentido, até porque o interesse por refeições alternativas é cada vez maior. Neste contexto, a Biorural decidiu apostar na cultura de cogumelos e nas suas propriedades. Existem inúmeras variedades de cogumelos, mas tendo em conta a facilidade de cultivo, as propriedades dos mesmos, e a sua adaptação e conjunção com novos sabores, optou por trabalhar com apenas duas espécies de cogumelos. São elas o Shiitake e o Pleurotus Ostreatus. O cogumelo Shiitake é proveniente da Ásia, mas apesar da sua predominância neste continente, é a terceira variedade de cogumelos mais cultivada no mundo. Tem grandes capacidades curativas, entre as quais a redução do colesterol e a redução da pressão arterial. É também importante na prevenção do cancro, devido à sua ação nas células, e na prevenção da trombose. Fazem parte dos seus componentes o ferro, fibras, vitamina C, várias proteínas e é uma excelente fonte de selénio. A outra variedade de cogumelos, o Pleurotus Ostreatus, também conhecido por cogumelo Ostra, devido ao seu aspeto e à sua tonalidade que pode variar entre o bege e o acinzentado mais perto do seu interior, é mais comum na América do Norte e na Ásia. Devido às suas características é um alimento de fácil de cultivo, adaptando-se a vários ambientes e temperaturas. Relativamente às suas propriedades curativas, podemos destacar o facto de ser um bom anti-inflamatório, já que reforça todo o sistema imunitário o que provoca o aumento da produção de células. Tudo isto faz também desta tipologia de cogumelos um bom antioxidante. 22

www.biorural.pt

À semelhança do Shiitake, o cogumelo Ostra atua também na redução do colesterol e na prevenção do cancro. Para além de tudo isto, ao consumirmos o cogumelo Ostra podemos desfrutar de componentes benéficos para a nossa saúde, como vitaminas do complexo B, vitamina A e minerais. É também conhecido por ser uma fonte de proteínas, tendo também a enorme vantagem de ser baixo em teor de gorduras. Percebido o valor destes cogumelos para a nossa saúde e o seu sabor adaptável, como referido anteriormente, para além da comercialização dos frescos, tornou-se importante descobrir novas formas de os introduzir na nossa alimentação, daí a aposta na criação da alheira de legumes e cogumelos e do doce de cogumelos. Estando na zona centro e tendo a tradição dos enchidos tão presente na nossa cultura regional, a alheira de legumes e cogumelos é uma boa alternativa para aqueles que não apreciam as carnes e obviamente para aqueles que preferem uma alimentação mais cuidada à base de legumes. Mantendo o seu sabor de alheira, não perdendo aquele gosto tradicional, é uma forma de desfrutar o paladar de uma tradição com todas as vantagens para a sua saúde. O doce de cogumelos mantém o toque tradicional da nossa região, a que o doce remonta, mas de uma forma mais inovadora. Neste doce, para além dos cogumelos laminados, podem-se encontrar sabores como o limão e no fim retém-se um certo travo exótico proveniente das especiarias. Para quem gosta de sabores mais arrojados, sem ter que se preocupar com a linha e com as calorias, tem um produto à sua disposição que não se arrependerá de experimentar. Depois desta breve explanação sobre os nossos novos produtos e o benefício que os cogumelos podem trazer para a nossa saúde, esperamos ter conseguido despertar-lhe a curiosidade de os experimentar. Deste modo, para mais informações pode consultar o nosso site: www.biorural.pt ou enviar um email para o seguinte endereço geral@biorural.pt para qualquer tipo de esclarecimento. Ficamos à sua espera e tal como nós ficará rendido a este maravilhoso mundo dos cogumelos que tem muito para nos dar e saborear!


Identidade do CCDV

É uma Federação de Associações Culturais, com personalidade jurídica sem fins lucrativos com sede na rua Francisco Alexandre Lobo, n.o 53, freguesia de Santa Maria-Viseu, como consta da certificação que foi extraída da escritura exarada de folhas oitenta e seis e oitenta e oito, do livro n.o 663 – B do Primeiro Cartório Notarial de Viseu do dia 16 de Março de 1982, com publicação em Diário da Republica – III série n.o 109 de 12 de Maio de 1982 página 6600. É detentor do número de pessoa colectiva 501 408 185 – e com o registo de CAE 90020 – e – 94991. Conserva como sua Propriedade, pela Natureza do Acto de Compra e Venda do livro n.o 398 – A Folhas 81 – 82 em 5 de Julho de 1985 do Segundo Cartório Notarial de Viseu, a fracção autónoma designada pela letra ”F” destinada a Teatro e Cinema, com a Área de quatrocentos e quinze metros quadrados do prédio urbano, em regime de propriedade horizontal, sito no gaveto das Ruas Formosa e D. Francisco Alexandre Lobo, da Freguesia de Santa Maria da cidade de Viseu, onde se implantou o “Auditório Mirita Casimiro”. Assenta o seu enquadramento legal na personalidade jurídica de Associação sem fins lucrativos, e, no seu objecto estatutário estabelece : promover, apoiar, e dinamizar as acções culturais do concelho de Viseu e do Distrito, na perspectiva de plena fruição cultural das populações de forma a contribuir para a sua progressiva emancipação e em moldes de inteira liberdade de criação.

Regionais, Grupo de Zés Pereiras e Associações com diversidade mas de objectivo cultural. O Auditório Mirita Casimiro é uma sala de actividades com 170 lugares, palco, Bar e Galeria de Exposições. É utilizada para actividades diversas sendo as suas Associações filiadas quem mais usufrui do equipamento. O Centro Cultural Distrital de Viseu continua no seu Auditório Mirita Casimiro a ser a casa abrigo de artistas plásticos, jovens iniciados nas práticas de animação cultural e local de encontro das gerações. Desde 1989 que o Auditório Mirita Casimiro recebe anualmente o publico de Viseu podendo afirmar-se que de crianças e jovens muitos se estrearam pela primeira vez a ver um Cinema ou um Teatro. É referência e memória no quadro cultural da cidade e região pelo que, apesar das muitas dificuldades que vai passando que espelha também as das suas associações, tem esperança em tempos melhores e assim vai resistindo sem receios promovendo a cultura tradicional duma região rica em praticas culturais e prestando um enorme e relevante serviço nessa área. Em Fevereiro de 2014 tomou posse a nova Direcção do Centro Cultural a qual conta com interesse das Associações Filiadas para a dinamização e promoção cultural das tradições do Distrito e região de Viseu.

Tem inscritas 200 associações espalhadas por todo o distrito de Viseu.

Assumidamente interveniente o Centro Cultural ao serviço da cultura da região de Viseu:

Nas inscrições de Associações pontuam as de cariz tradicional e comunitário como os Rancho Folcloricos, Bandas e Filarmònicas, Escolas de Música, Grupos de Teatro Amador, Grupos Corais Polifónicos, Grupos Etnográficos e Tunas

Colóquios e Conferências, Quadros Etnográficos, Desfiles e Arruadas, Festas e Arraiais, Feiras à Moda Antiga, Encontros de Poetas e Escritores, Pintura, Teatro, Cinema, Música Popular, Tradições do Entrudo e Amentar das Almas, Registos e Recolhas 23


por JOÃO MOREIRA

Sou do tempo das mercearias. As mercearias portuguesas eram lugares maravilhosos, com uma variedade infindável de produtos bem expostos, na generalidade sem se darem grandes ares, mas emanando uma profusão de aromas capazes de nos elevarem aos altos píncaros e com sabores autênticos que nos remetiam para os natais e as páscoas, passados em casas dos avós. O seu segredo, estava, como é fácil de perceber, na escolha dos produtos. As frutas, legumes e tubérculos, eram sempre fresquíssimos e caseiros, além de abundantes e baratos no tempo devido da sua colheita e pura e simplesmente inexistentes fora desses períodos, como que garantindo a sua frescura e a proveniência dos pequenos agricultores da região. Não raras vezes, quando, guloso, pretendia antecipar a chegada de qualquer produto, era imediatamente posto no lugar pelo proprietário, que olhando de soslaio, respondia: – Até me vieram oferecer, mas não era flor que se cheirasse. Sabe, ainda não é tempo deles.

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E pronto, estava o caso arrumado e lá era encaminhado para “estes que chegaram hoje e estão tão fresquinhos que ainda se notam as gotas de orvalho. Ora veja”. As mercearias reuniam, regionalmente, o que de melhor se produzia em Portugal. Esse era o seu segredo, aliado ao saber do merceeiro que mais parecia um chefe de cozinha, sugerindo conjugações perfeitas para almoços e jantares, a que acrescentava sempre duas ou três coisinhas que nunca nos passaria pela cabeça comprar e que se tornavam pequenos vícios a que, desde aí, não conseguíamos resistir.

De facto, hoje, praticamente tudo é gourmet. Pizzas gourmet, hambúrgueres gourmet, azeites gourmet, vinhos gourmet, empadas gourmet, pães gourmet, gelados gourmet, chouriças gourmet... Para não falar nos ditos espaços gourmet que, de repente, invadiram todos os recantos do país. Não existe cidade que se preze que não tenha uma padaria, mercearia, supermercado, restaurante, cervejaria, roulote, que não seja gourmet. Até na tasca mais esconsa e bafienta, encontramos, quanto mais não seja, uma garrafinha de azeite gourmet, que o proprietário ostenta com orgulho.

As mercearias variavam em função da sua localização. Nas pequenas aldeias, chamavam-­‐se vendas e além de todas as coisas boas que todas as outras ofereciam, também vendiam os produtos mais inimagináveis, nos quais se incluíam gasolina e petróleo, adubos, alfaias agrícolas e uma profusão de sementes capaz de envergonhar a americana MONSANTO. Estrategicamente situada ao lado, com porta comunicante, existia uma pequena taberna, destinada a aliviar os incómodos da espera e as agruras do frio do Inverno e do calor do Verão, com uns tintos do produtor ou umas minis geladinhas, a que se podiam juntar umas pataniscas de bacalhau, uns peixinhos da horta ou uma saladinha de feijão frade. Indo com tempo, enquanto ao lado aviavam o pedido, jogava-­se uma sueca ou um dominó e comentavam-­‐se os jogos de Domingo, as últimas safras agrícolas e os dislates habituais dos políticos.

Não há paciência! Tanto mais quanto, entrando numa loja gourmet, nos deparamos com uma gigantesca variedade de produtos de todo o mundo, excepto de Portugal. Se não acreditam, é só testar. Experimentem entrar nesses encantadores e charmosos espaços e vão verificar que encontrarão rúcula impecavelmente acondicionada, mas procurem umas ervilhas de quebrar, viste-­las! Vão encontrar dezenas de variedades de cogumelos desidratados e frescos para confeccionar os mais deliciosos risotos, mas tentem descobrir uns míscaros para um arrozinho a correr, era o descobrias. Vão percorrer corredores com presuntos e enchidos com todas as estrelas do universo, mas descubram umas morcelas da Beira Alta ou uns maranhos da Beira Baixa – desculpe, não recebemos. Quanto a águas, até os mais incrédulos ficarão admirados com a variedade que por lá existe e surpreender-­ -se-ão com uma extraordinária e extraordinariamente cara água japonesa que resulta do degelo de icebergs, mas de um oitavo de Castelo para o whisky que tanta falta nos faz, nem uma amostra. Num canto, com enorme destaque, lá estará um sushimen devidamente fardado e preparado para lhe entregar os melhores sushis e sashimis, mas umas empadinhas de perdiz, nem vê-­las.

Nas cidades, sobretudo nas grandes, além de diversas mercearias de bairro, existiam as mercearias finas, onde como o próprio nome indicava a coisa piava mais fino. Estas eram verdadeiros antros de perdição para qualquer gastrónomo que se prezasse. A selecção de produtos, de tão perfeita, chegava a irritar e originava visitas regulares em busca das coisas mais estapafúrdias, com o intuito de embaraçar o gentil proprietário, o que acabava por nunca acontecer, pois do canto mais recôndito, lá aparecia o nosso pedido, normalmente a preços exorbitantes, como que castigando a ousadia da brincadeira, que como está bem de ver, saía cara. Nestas mercearias, os produtos dividiam-­se quanto à sua qualidade, como dizia um grande amigo, em três tipos: bons, muito bons e óptimos e a que, como que por requinte de malvadez, os proprietários acrescentavam uns mimos extra, como doces regionais, empadinhas, pastéis de massa tenra, bolinhos caseiros, que, ou eram os “melhores do Mundo”, ou os “melhores da Europa.” Em Lisboa, sobretudo na Rua do Arsenal, acontecia existirem ainda algumas mercearias especializadas em produtos provenientes das antigas províncias ultramarinas e que inundavam o ar de perfumes exóticos que aguçavam a curiosidade e nos levavam a sonhar viajar, mundo fora, para esses lugares distantes. Vieram-­me estas recordações à memória a propósito da proliferação que aconteceu em Portugal nas últimas décadas de umas lojas meio ambíguas a que se decidiu chamar gourmet e que pretenderam ocupar o espaço religiosamente preenchido pelas mercearias finas. E quase conseguiram.

Nunca consegui entender a falta de interesse destas lojas pelos bons produtos nacionais. Claro que por lá existem alguns, mas esforço na procura dos melhores, preocupação em mostrar a excelência da produção nacional, pelo menos na mesma medida em que se preocupam em mostrar a de outros países, nunca encontrei. Felizmente, as velhinhas mercearias, conseguiram resistir estoicamente, com produtos portugueses ou talvez por isso, a esta “invasão estrangeira” e lá continuam, garantindo a manutenção do que em Portugal se faz de melhor, como é o caso da magnífica Conserveira Nacional, com filas de turistas à porta, ansiosos por conhecer os verdadeiros produtos portugueses. Por isso, aconselho o leitor a fazer uma visita a esses ícones da qualidade no nosso país e a deixar-­se guiar pela mão sábia dos merceeiros, raríssimos conhecedores de cada um dos produtos que têm nas suas prateleiras, e verá que se vai surpreender com a riqueza do que vai encontrar. É que de facto, os nossos produtos são mesmo “os melhores do mundo”. Ora experimente!

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Jerónimo Heitor Coelho [FOTOGRAFIA]

POR A.M. GALOPIM DE CARVALHO

No jargão dos mineiros alemães do século XVI, Quarz era a pedra branca, de aspecto leitoso, já então vista como ganga associada ao minério. Essencial na composição do granito e de algumas outras rochas, o quartzo é um dos minerais mais característicos e abundantes ao nível dos continentes, onde ocupa a segunda posição, com cerca de 16%, logo a seguir aos feldspatos (60%). Pela sua abundância, diversidade e características químicas (grande resistência aos processos de meteorização) e físicas (elevada dureza e tipo de fractura, cor, brilho e outras), o quartzo é um importante recurso natural da sociedade industrial. Acompanhou a história do Homem, desde a Idade da Pedra aos dias de hoje, como uma das mais procuradas matérias-primas. Tais potencialidades conferem a este mineral um importante papel nas indústrias do presente (com destaque para a fundição, a cerâmica, a vidraria, a cristalaria, a óptica, a química, a medicina reconstrutiva, a electrónica, a relojoaria e a joalharia) e com imensas perspectivas nas tecnologias do futuro. Entre 1961 e 1986, o quartzo foi explorado no Monte de Santa Luzia pela “Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos”, de Canas de Senhorim, do que resultou o enorme rasgão na paisagem que ali se observa. Desta exploração, durante alguns de anos, ficou-nos uma pedreira abandonada, onde o quartzo filoniano contrasta com a densa arborização envolvente, aspecto que se manteve desde que ali terminou a lavra, sem que o agente económico tivesse procedido a quaisquer trabalhos de requalificação do local. Fazer do local um geossítio com interesse científico, pedagógico e turístico e complementá-lo com um pequeno museu e centro de interpretação foi a solução em boa hora concretizada pela autarquia, Único no Mundo, o Museu do Quartzo foi concebido para, numa primeira fase, de âmbito local, servir as escolas da região e divulgar conhecimentos entre o cidadão comum. Neste propósito, reúne uma repre-

sentação significativa de exemplares desta espécie mineral e suas variedades, a par de equipamentos interactivos adequados e de oficinas pedagógicas. A médio prazo, numa segunda fase, de âmbito nacional, aspira-se a uma colaboração activa com as universidades, o que começa a ser uma realidade, e as empresas interessadas no quartzo como matéria-prima nas mais variadas tecnologias. Na eventualidade de previsível sucesso deste embrião de saber, e se as entidades competentes (a Autarquia e/ou o Poder Central) assim o entenderem e apoiarem, o Museu do Quartzo poderá e deverá evoluir para um Centro de Investigação Científica e Tecnológica em torno desta temática, a nível internacional, domínio amplamente justificável e, por si só, susceptível de atrair patrocínios por parte de grandes empresas interessadas na investigação e na utilização do quartzo. Inaugurado no dia 30 de Abril de 2012, com a presença do Ministro da Educação, Prof. Nuno Crato e do Presidente da Câmara, Dr. Fernando Ruas, o Museu do Quartzo caracteriza-se por notável dinamismo expresso por diversas conferências, duas Feiras de Minerais, Gemas e Fósseis, três exposições temporárias, lançamento e apresentação de livros, seminários, congressos, recitais de música, concertos pedagógicos, múltiplas actividades para crianças e mais de 30 000 visitantes, dos quais cerca de 9 000 são alunos das escolas de todo o país.

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POR Jorge Sobrado Adjunto do Presidente da Câmara Municipal de Viseu; Professor Convidado da Universidade do Porto.

UMA CIDADE PRECISA DE UMA MARCA?

O que é uma marca? Vivemos hoje num mundo de marcas, imagens, sinais, símbolos, slogans e mensagens, que se multiplicam e competem entre si pelo reconhecimento das pessoas: de audiências, públicos, clientes, comunidades e seguidores. Mas comecemos por perguntas simples: o que é afinal uma marca? É uma imagem ou uma palavra? Uma boa definição seria a de um “sinal”. Um sinal que representa uma “identidade”: produto, serviço, ideia, pessoa (CR7!), instituição ou território. A marca é, assim, um “emblema”! É um sinal distintivo formado por palavras, ícones, símbolos e cores, num desenho próprio e diferenciador.

Para que serve? Basta lembrar a força emocional e simbólica dos emblemas de alguns dos nossos clubes de futebol para realizarmos o potencial de impacto e adesão de uma marca. São vários os objetivos da criação e gestão de marcas. O mais imediato e primitivo é o de reforçar a identidade e o reconhecimento de um “produto”. A marca cumpre também o papel de diferenciar a oferta da concorrência, através de valores, atitudes, mensagens e promessas distintivas e poderosas – desejavelmente, únicas. Exemplificando: património, cultura, vinhos e gastronomia, muitos destinos portugueses oferecem, mas só um é que pode proporcionar a experiência do “berço da nacionalidade” (Guimarães), dos vinhos do Porto (Porto/Gaia), da cidade dos Descobrimentos e de Pessoa (Lisboa), de uma paisagem heroica (Douro) ou do mito do guerreiro-pastor que foi Viriato (Viseu). Quando realiza o seu potencial, uma marca serve para valorizar o seu “produto” junto de grupos e públicos, através do reconhecimento, reputação, empatia e também do envolvimento. Nalguns casos, as marcas são o principal ativo da “oferta”. Vejam-se “superbrands” como a Coca-Cola (clássica e sempre ativa), a Absolut Vodka, a Apple, a Nike, a Lacoste, a MacDonalds ou a Starbucks. O valor do produto está, em 28

grande medida, no estatuto das marcas. Entre nós, temos para além de emblemas de futebol, algumas marcas de cerveja e os vinhos do Alentejo… Note-se ainda como as marcas colocam hoje a sua energia em experiências reais de envolvimento e de construção de comunidade: festivais de música, iniciativas de solidariedade e de responsabilidade social, grupos de interesse... A Rexona protagonizou o caso mais recente e mais impactante, com a campanha da 1ª escola de atletismo adaptado em Portugal. São estratégias de “ativação” das marcas, com o objetivo de convocar, implicar e vincular os seus públicos numa experiência positiva e relevante.

Marcas para os territórios?… Como as marcas comerciais disputam os seus clientes, a sua fidelização e o seu envolvimento positivo, os territórios competem hoje pela construção da sua comunidade e pela fixação e atração de residentes, turistas, estudantes, criativos e investidores. O city marketing e o marketing territorial ocupam-se das estratégias de marca nos territórios, e da construção de promessas reais, diferenciadoras e sustentáveis para a sua comunidade e para novos públicos. A marca “I love NY”, com quase 40 anos, é um dos casos clássicos e pioneiros de marca de uma cidade e de um destino turístico, de eventos e experiências. Na Europa diversos casos marcantes são conhecidos: Amsterdão, Madrid, Bilbao, Dusseldorf. Em todas as marcas encontramos uma forte associação à identidade local, à convocação de uma experiência e à vinculação da comunidade. O marketing territorial é uma realidade recente e ainda difusa em Portugal, mas que conta com algumas experiências de sucesso em Lisboa, no Alentejo, Porto, Douro e em Guimarães.


O coração comunica a posição geográfica no país, mas também o compromisso de uma sociedade inclusiva, onde ninguém é deixado para trás. As flores evocam o estatuto de uma cidade-jardim, amiga do ambiente. Mas é claro que uma marca nunca diz tudo. Para aumentar o seu potencial de comunicação, deram-se à marca “extensões”, com ícones relativos a Viriato, ao Centro Histórico e à Sé, à Família e ao Fontelo.

Uma marca para Viseu? São os benefícios e as vantagens deste tipo de experiências que Viseu pode aproveitar, valorizando-se! A marca territorial “Viseu melhor cidade para viver”, que foi recentemente adotada e está a aparecer nas ruas, cria elos positivos de identidade na comunidade e pode ser um recurso de participação e de promoção. Esta marca afirma e partilha uma promessa concreta e um compromisso real na comunidade e junto de turistas, novos residentes, estudantes e investidores: um território inclusivo, com identidade e um padrão elevado de qualidade de vida. Também aqui, mas não só, radica a nossa diferenciação.

Esta marca está a chegar progressivamente à comunidade: nas portas das lojas, nos táxis, em eventos desportivos ou solidários, na publicidade. Os viseenses são e terão de ser os primeiros e mais importantes embaixadores da sua marca. São por isso desafiados a “vestir a camisola” e levar o nome e a identidade de Viseu mais longe. Como uma pessoa, também a marca evolui e veste-se para diferentes ocasiões e momentos. Em Junho e Julho, por altura do Mundial de Futebol, a marca apresenta-se com as cores nacionais e uma mensagem de apoio à Seleção.

A marca de Viseu é constituída por um octógono amarelo, com a inscrição “Viseu a melhor cidade para viver”, e um pictograma composto por duas flores no interior de um coração. A forma octogonal é inspirada simbolicamente na “Cava de Viriato”, emblema único e marcante de Viseu, muito distintivo, classificado como monumento nacional e com uma origem histórica enigmática. 29


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JOSÉ CARLOS CARVALHO [FOTOGRAFIA]

por JOÃO CERVEIRA (in ROMensaio, CHIADO Editora, Junho 2014) Tempo(s) de bo’boletas... cigalas... fo’migas... Tempo(s) de ROMensaio (...) _ Uma borboleta, pois quê?!... Gostas? _ As bo’boletas não são assim! _ Ai, não?! Faz tu, então. _ Eu não sei fazer bo’boletas. _ Se não sabes, explica-me: as borboletas não são assim porquê?!... _ Maria, sabes, elas têm tantas cores, pois têm?, aninhando-se melhor por entre o (a)braço esquerdo dela. _ Pois sim, mas também as há que são branquinhas como a neve e os ursos. Duvidas, é? _ Os ursos não são brancos! _ Enganas-te... O urso polar é branco, branquinho. Tão alvo, tão branco, que se faz de neve, sabias? _ Hummm!... Sério?! _ A sério, pois. Por isso se diz qu’ela engole tudo quanto mexa. Até atletas alpinando aos píncaros de montanhas!... _ Upsss! É nada!..., contrai-se bué. Têm dentes, é?!... Ou é com as garras?!... _ É assim: os dois são amigos. Amigos, não, amissíssimos!... Um o espelho do outro! Se um diz mata, já o outro esfolou! Se o segundo diz come, o primeiro engoliu já! Percebes, pois percebes? _ Pois, Maria, mas nunca vi nenhuma bo’boleta branca! Juro., boceja, alargadamente, ávido de repouso. _ Tanto melhor, Antoninho... É da maneira que vais passar a conhecê-la. Queres? _ Sim, mas eu du’mo contigo, ‘tá?... Afaga-lhe o revirar do cabelito sobre a testa de fora do bordo do ninho. E continua desenhando... (...) Dona borboleta branca era vaidosa, pois era. Nem havia outra (de) igual! Todos lhe prestavam, por isso, montes d’atenção!... Se borboletas calhasse, ai que noiva linda que és! Se grilos e cigarras, vestes de gala como ninguém! Ratos, baratas e escaravelhos, ih, ih, parece que nem sol vê!... Até meninos e meninas se coibiam nunca de lhe jogar ‘tadita, descorou, desmaiou!... Um dia, outro e outro... e mais... Dona borboleta branca se fartou. Elogios, sempre os mesmos! Gozação, muita, mesmo muita. E da pior!... _ Já dorme. Como sempre, o meu Antoninho..., (re)poisa o lápis e a sebenta no seguir do travesseiro riscado de azul e de branco OMO. (...) E voou... voou... voou... E reparou, à vinda, quão se haviam escancarado, só p’ra si, as pétalas, todinhas, de malmequeres, de rosas e de gladíolos, de narcisos, jacintos e violetas! Todas, todas, murmurando(lhe) beija-me e terás minha cor... toca-me e haverás meu tom... (...) 31


“Tenho obras ao pé de um picasso e de um dali, espero que eles não se importem...”

Com aulas solitárias, no reduto da mundivivência, uma atracção vocacional para um entendimento exploratório da arte pictória uma busca experimental que se revela pujante de energia criativa, porventura em estádio de mutação, que gera uma expectativa alicerçada num visísivel talento nato. Autodidacta, experimentalista, pesquisa outros mundos no seu mundo explorando a força de uma, aparentemente, muito forte, caligrafia gestual, expansiva, pletórica de cor!

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Nos mestres e amigos se alicerçaram os fundamentos técnicos da sua pintura, posiciona–se numa eloquente proximidade sensível, a universos da sensibilidade Plástica que parecem situá-lo nos limites da saturação temática e motivacional. (JOSÉ LUÍS FERREIRA) CRITICO DE ARTE, SOCIÓLOGO, POETA, MEMBRO DA UNESCO.

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http://musica.sapo.pt/

http://youtu.be/U6XbAj8yqc8 http://youtu.be/GHfAvfQBZ7U www.facebook.com/uniaodastribos

A música está-lhes no sangue e o rock na alma.

Em 2013 decidiram unir os seus talentos e começar a trabalhar num projecto comum. Sérgio Lucas na voz (Vencedor do concurso Ídolos) António Corte Real na guitarra (UHF), Wilson Silva na bateria (More Than a Thousand) e Cebola no baixo (Dr. Estranho Amor e UHF) são a “União das Tribos”. O single “As Pedras que Nunca Pisei” começa a rodar nas rádios já no final deste mês, o disco chega às lojas no final de Abril.

O grupo assinou contrato com a distribuidora esta semana e a partir de dia 21 de Abril o disco estará disponível em todo o mundo.

Com influências claras do rock anglo-saxónico, a “União das Tribos”, promete agitar o panorama musical nacional.

A edição física sai dia 28 de Abril pela Compact Records e poderá ser adquirida no circuito normal de lojas.

O vídeo do tema “As Pedras que Nunca Pisei” pode ser visto no youtube. União das Tribos assina edição digital com a Nmusic.

Promoção: magda.promocao@gmail.com + 351 913 63 90 93

O disco da União das Tribos vai estar disponível na versão digital em 240 países através da Nmusic.

Concertos e agenda: Info@luckyman.com.pt + 351 917 51 95 37 35


HUGO MACEDO [FOTOGRAFIA]

O caminho através de três culturas, três formas de vida, três sonoridades conduziu silviaMITEV a uma profunda e extasiada relação com a música! O destino aqui traçado contou com o apoio de uma família com íntima ligação à música onde todos cantavam e o pai é uma grande referência. Além disso, este toca guitarra e o avô tocava “gaida” (gaita búlgara). Esta aventura pelo mundo e pela música teve passagem logo nos primeiros anos pela Bulgária, onde nasceu, a seguir por Angola, onde passou os melhores anos da sua infância e teve o primeiro contacto com a língua portuguesa, e mais tarde por Portugal.. Aos 11 anos, na Bulgária, iniciou os estudos musicais e frequentou durante muitos anos o curso de teclas na Escola de Artes de Shumen. Esta foi a primeira etapa na sua formação musical e vocal. Os seus interesses passavam pelo jazz, blues, samba, alternative rock e músicas africanas. Anos mais tarde, repleta de amor pela vida e pelas músicas do mundo, encontrou o fado, a canção popular portuguesa, ícone cultural de Portugal… e o fado encontrou a sua voz. Geralmente lento e triste, sobretudo quando fala de amor e de saudade, mas também animado e jovial quando aborda temas sociais ou festivos. Esta descoberta inesperada provocou em silviaMITEV uma imensa admiração e vontade de compreender o que este grandioso som transportava e que a tocou de uma forma tão calorosa e profunda. A língua portuguesa ainda não era dominada na perfeição, mas os sons conseguiam chegar diretamente ao seu coração. A voz que iniciou toda esta experiência foi a de Amália Rodrigues, com a sua extraordinária e singular personalidade. A sua presença assumia o Fado de corpo e alma, facto que também seduziu e encantou Sílvia. Toda esta magia leva a artista a cantar e sentir todo o universo de sensações e emoções que o Fado lhe desperta. Embora no início não pensasse que este poderia estar ou ser o seu futuro, ele foi-se integrando na sua vida de forma gradual e cada vez mais profunda. Com o seu timbre de voz quente e intimista, a relação de silviaMITEV com o Fado vai sendo cada vez mais intensa. Em 2008 estreia-se como cantora de fado nos palcos nacionais, inclusive em programas televisivos da RTP e da SIC. 36


HUGO MACEDO [FOTOGRAFIA]

Neste momento, com o Fado já enraizado na sua essência, silviaMITEV decide lançar um disco que permite revelar as suas influências búlgaras e africanas e, essencialmente, a sua ligação ao Fado. O resultado é um conjunto de músicas que nos transportam para um universo intenso e meigo, vigoroso e expressivo. A sonoridade reporta todo o fascínio e entrega da artista pela vida, pelos outros e pela música. O disco conta com uma grande diversidade de originais, alguns Fados tradicionais e alguns poemas de Sílvia, mais uma das suas facetas artísticas, com o acompanhamento da guitarra portuguesa, viola, baixo acústico em alguns temas contrabaixo, piano e percussão. Este disco orgulha todos os envolvidos, é um trabalho que antes de existir já era amado. O gosto pela música de silviaMITEV, desde muito cedo desenvolvido, permitiu-lhe conhecer várias direcções e optar com consciência por este: o do Fado. Um caminho que tem vindo a ser percorrido com muita dedicação e entrega. Nesta perspetiva, a escolha do nome do disco foi óbvia: CAMINHO. Esta é a designação perfeita para descrever numa palavra todos os sentimentos e conhecimentos desenvolvidos ao longo dos anos. O que se espera do CAMINHO é que todos que o ouçam tenham vontade de viver e de voltar a ouvi-lo!

Página Oficial de facebook www.facebook.com/SilviaMitevFado | Site Oficial: www.silviamitev.com Agenciamento: Winnerin | Produção e imagem: Studiobox Contacto: 968 945 371

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33 BANDAS PORTUGUESAS 33 TEMAS INÉDITOS SHOWCASES DAS BANDAS NO FÓRUM FNAC CONSULTE CULTURAFNAC.PT

A TOTALIDADE DAS RECEITAS DESTE CD REVERTE A FAVOR DOS PROJECTOS DA AMI EM PORTUGAL

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39 m undo


por Carla Almeida

Tendências de Moda: Quem não as tem? Hoje em dia, a vida é cada vez mais exigente. O tempo já não é marcado ao dia, mas ao segundo, e a necessidade de rapidez emerge de uma forma volátil. No entanto há preocupações que nunca serão deixadas para trás e a necessidade de “estar bem” é uma delas. Cada vez mais a imagem é o cartão-de-visita de uma pessoa e no mundo feminino não podia ser diferente! Para além de todas as tarefas que têm que fazer no dia-a-dia a mulher gosta de se sentir bem consigo própria e enquadrada na sociedade. Surge assim a necessidade de seguir as tendências de moda. Mas afinal o que é esse conceito de tendências? Muitos estilistas e críticos de moda consideram que as tendências provém de diversos estudos, pesquisas e análises de fenómenos ou acontecimentos sociais que pré-anunciam o que vai acontecer num curto espaço de tempo, aproximadamente seis meses, e que irão interferir no consumo e comportamento das pessoas. Estas, identificam cores, temáticas, formas, tecidos de uma determinada estação, apontando diretrizes estilísticas. Se a moda reflete a sociedade, as tendências desvendam-nos os seus desejos. Deste modo, em todas as estações, existe uma acérrima preocupação em saber quais as tendências que se avizinham, e nesta primavera/verão, não será diferente. Fazemos-lhes então o convite a vir connosco, já que destapamos um pouco o véu do que está para acontecer nas estações mais quentes do ano. Este ano, vão estar presentes duas grandes tendências: uma clássica e romântica adaptada a pessoas urbanas, mas que nunca se esquecem dos detalhes, sendo os pormenores o ponto fulcral, e outra denominada por Safari Chic, onde vão estar em voga tanto estilos tribais e padrões que nos lembram a aventura, como peças clássicas e tecidos mais nobres, como a seda. Na tendência clássica e romântica, podemos encontrar tons pastel, o clássico branco e preto que nesta estação vai-se usar como nunca, quer em separado, quer em combinações, o laranja e o aqua fresh, também denominado como azul piscina, como forma de realçar o vestuário. Um detalhe que estará presente no vestuário são as rendas e os padrões florais que irão dar um toque mais personalizado ao estilo de cada pessoa. Os tecidos vão ser maioritariamente esvoaçantes, leves, repletos de movimento e com

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transparências. As camisas largas, as saias de cortes retos e assimétricas, as leggings slim e os macacões são o “must have” desta tendência. Em relação à tendência Safari Chic, reinam os padrões complexos como os padrões de animais, os tecidos exóticos, os tons terrosos, e a utilização de pormenores como as franjas, importando o espirito de aventura. Se adotar este estilo, no seu armário não podem faltar coletes, nem bermudas. Abuse dos acessórios e das tachas. Estando aberta a época balnear, é impossível evitar a típica preocupação “o que vou levar para a praia?”. Este verão promete-nos uma grande variedade de biquínis, maioritariamente cai-cai, e inspirados nos anos 20. As peças de roupa, podem ser complementadas com sandálias de plataforma ou em estilo botim e sabrinas para os dias mais frescos. A grande tendência do calçado para este ano são mesmo as tiras, as correntes ou cordas e os apliques, que já vêm de estações anteriores. Nesta Primavera/Verão alie-se ao que mais a identifica, desfrute das cores, do conforto que a roupa lhe pode trazer, abuse dos acessórios mas acima de tudo seja você mesma. Por mais cliché que seja, sem dúvida que o melhor acessório que uma mulher pode usar é o sorriso!


41 SEGURANÇA


por HUGO MACEDO, FOTÓGRAFO http://www.pelomundofora.com/e-relativo/

A minha ida a São Tomé não foi algo, há muito, desejado. Acabou por ser fruto do acaso e surgiu sem grandes planos e sem grandes expectativas, também. Um dia, uma pessoa de quem gosto muito, mostrou-me a seguinte equação: FELICIDADE= REALIDADE – EXPECTATIVAS

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Talvez tenha sido a sua aplicação involuntária que me fez gostar muito de São Tomé! Os São-Tomenses são exímios a oferecer um “Turismo Naïve” – conceito inventado por mim (estou muito orgulhoso!). Pelo potencial que o país tem e forma artesanal/não comercial com que abordam a questão. O que, para mim, torna tudo especial e confortavelmente descontraído. Como dizia uma senhora, “Esta ilha dá-nos tudo o que nós precisamos – comida, água – somos felizes assim. O turismo é uma oportunidade a explorar, mas não queremos que seja de massas e, com isso, perder a nossa génese”. Do Jeep alugado que “…é um carro que tem Matemática!!”, na descrição feita pelo «Contente», porque fechava os vidros automaticamente… Das duas ou três pessoas com quem falei ou me cruzei e respondiam “Intermédio!!”, com um sorriso de orelha-a-orelha, quando lhes perguntava se estava tudo bem. Também havia outra versão, a resposta: “É relativo!”.  Priceless!!!!! Ou o «Gordo», que ao agarrar num objecto e perguntarmos o que era, responde: “É manteiga pá!  Não sabes o que é manteiga?!”.   Vive sozinho numa cabana, no meio do nada e salvou-nos, vendendo-nos uns pães com chouriço e a tal, manteiga. Íamos fazer uma caminhada e nenhum sítio para almoçar, num raio considerável!

E o pescador, sentado no seu barco, à beira-mar a fazer tempo para ir para a faina? Esse sabia, em detalhe, informações sobre cada ponto da ilha e a correspondente meteorologia … Mais tarde, viemos a perceber que, se calhar, ele nunca tinha ido, sequer, aos locais dos quais falava com tantas certezas, já que nada correspondia ao que nos tinha dito.  Aliás, a resposta à pergunta que lhe fiz, relativamente ao número de filhos que tinha, fala por si: “Média de 10!!” São Tomé é mesmo, “ver para crer”!  Se me perguntarem se gostei, respondo como os locais dizem quando está tudo fantástico: “É relativo!”

A Professora vaidosa que pede uma fotografia com os seus alunos: “Vá!! Tira Tira! Para o meu Pai lá de Portugal ver como estou importante! Sim!! Ele mora em Loures!”

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Espaço de interesse ambiental e cultural Eventos Azurva – Aveiro A razão do projeto

A Ideia

O Aquecimento Global deve-se ao aumento da concentração de gases com efeito de estufa e, como sabemos, é da responsabilidade do Homem. As Alterações Climáticas fazem-se sentir à face da terra e nos oceanos.

O jardim de borboletas destina-se a proporcionar não só um espaço lúdico, como também cultural, alertando a sociedade civil, escolas e comunidade científica, para a necessidade de proteger o meio ambiente.

Segundo estudos feitos pela União Internacional da Conservação da Natureza foram documentadas 875 espécies, em extinção, desde o ano de 1500 até ao ano de 2009, no entanto sabemos que, para além destes números, existem outros não contabilizados.

O espaço é consignado à criação dum oásis para proteção dos insetos em geral e, neste caso, a borboleta (lepidóptera) como garante da polinização para o desenvolvimento e manutenção dum equilíbrio que permita a conservação da natureza, a biodiversidade assegurando deste modo sobrevivência humana.

A Polinização é o transporte do pólen, dos estames de uma flor, até à parte feminina de outra flor, para que este processo ocorra precisamos de dois intervenientes: os insetos, borboletas, abelhas, etc.. e flores.

As borboletas irão usufruir de fontes de néctar (em áreas soalheiras) e plantas hospedeiras (em zonas sombrias) para as lagartas criarem as crisálidas; estas são as condições essenciais de base para o desenvolvimento do projeto.

Podemos ser gotas de água…., Mas juntos…., formamos um oceano.

Borboletário Aveiro Único no País Visitas por Marcação E-mail: alexismadeira@sapo.pt Tm. 91 210 77 56 – 93 280 65 22

Mecenas Ecossistema Tropical de 121m2 Plantas Tropicais Fontes de Néctar Plantas Hospedeiras

Importante: Nenhum exemplar do Borboletário foi capturado no seu ambiente, provêm de estufas especializadas contribuindo desta forma para a preservação da natureza.

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Fui durante vários anos professora contratada do ensino secundário mas o fato de não ter sido colocada nos 2 últimos anos, conduziu a que tentasse associar e convergir as aptidões adquiridas, a vocação, o gosto pessoal, e também o tempo disponível na criação de uma marca de artesanato de decoração, a Artwheel. Escolhi como matéria-prima base a lã e os trabalhos que realizo são peças de decoração originais, feitas à mão, em feltro e lã merino através da técnica de feltragem artesanal “nedlle felting”, que consiste em trabalhar o feltro seco com uma agulha. O nome da marca procura ser representativa dos meus trabalhos já que as formas redondas são as que servem, maioritariamente, de base aos temas que desenvolvo, como é possível ver nas imagens abaixo expostas. Candeeiros, bonecas e peças decorativas de parede são neste momento os produtos criados por mim, uma imagem colorida, alegre, original e descontraída.

fatamarques@gmail.com www.facebook.com/fatamarques www.facebook.com/pages/Artwheel/334256126717681

Candeeiro de teto

Candeeiro de mesa

Técnica: nedlle felting Material: lã merino Dimensões: aprox. 110 cm

Chamo-me Fátima Marques, tenho 39 anos, resido em Alcains (no concelho de Castelo Branco) e licenciei-me em Pintura, na Escola Universitária das Artes de Coimbra, no ano 2000.

Técnica: nedlle felting Material: lã merino, feltro, lã e madeira Dim.: aprox. 180 cm

ARTE E DECORAÇÃO

Boneco Viriatvs

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S E R A RE FER ÊNC IA

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A CERDAMA MARCA PRESENÇA EM VÁRIOS ESPAÇOS DE LAZER E DIVERSÃO, A CAMINHO DE SER A REFERÊNCIA EM PORTUGAL...

A Cerdama nasce em 1992, com Armando Jaco Cardoso. Crescemos a partir de um negócio familiar tendo, atualmente, a nossa sede em Moimenta da Beira. Somos uma distribuidora de grandes marcas de bebidas de mercado global e nacional e, todo o nosso esforço garantiu e assegurou o sucesso com novas parcerias. Em 2012, fizemos uma aliança com a Pacific Sky Corp, e desta união surge uma incrementação do negócio de forma planeada e com objetivos definidos. A nossa empresa dá uma grande importância aos recursos humanos, reconhecendo que são estes a grande força motriz e que asseguram o melhor serviço. É através do seu trabalho que garantimos a satisfação e fidelização do cliente, já que são caracterizados como uma equipa predisposta a trabalhar e a evoluir. Tendo como objetivo a eficácia do seu trabalho conhecem, a fundo, os objetivos e procedimentos da empresa. Todos os dias são reunidos os esforços para continuar a standardizar os processos e métodos, controlando a rentabilidade, para, desta forma, se conseguir otimizar o negócio e melhorar o serviço prestado, sendo que, a nossa primazia é assegurar a qualidade, a segurança, a eficácia e a rapidez. Uma logística rentável e eficaz são o novo desafio da Cerdama, já que é a nossa pretensão garantir a sustentabilidade a longo prazo. Com esta parceria, já foram conseguidos diversos e gratificantes resultados, como o crescimento e a expansão para as principais cidades da região centro e norte, sendo elas: Vila Real, Peso da Régua, Viseu e Tondela. A Cerdama atualmente possui já três centros de distribuição e em dois anos duplicou o número de clientes. Para 2014/2015, o plano estratégico foi traçado com três alicerces fundamentais: o posicionamento, o crescimento e a otimização. Deste modo, o grande objetivo a que a Cerdama se propõe é de elevar o posicionamento do negócio no mercado regional e nacional. A excelência desta empresa assenta no crescimento e em ser a referência em Portugal.

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Um livro:

O Diário Secreto de Adrian Molle UmA MÚSICA:

Pink Floyd – Wish you were Um PRATO:

Leitão da Bairrada

LATITUDE -12° 21’ 51 S LONGITUDE 13° 32’ 9 E

FICHA TÉCNICA

Carlos Guerra 40 anos país Angola to cidade Lobi

na verdade fazia um pouco de tudo, à semelhança de muitas outras empresas familiares onde a “versatilidade” é uma obrigação.

nome

idade

(há 4 anos) desde 2010

Como referi anteriormente, vim para Angola trabalhar no mesmo ramo. Desempenhei a função de coordenador de produção na sede em Luanda durante 4 anos e agora vim para o Lobito, numa mudança radical de ritmo (quem conhece Angola sabe o que quero dizer!), como coordenador comercial, responsável pela sucursal da Damer nesta zona do país.

Como foi a adaptação, quais foram as principais dificuldades ao chegar a Angola? A adaptação ao País foi relativamente fácil.

Como é que tudo começou? O que o fez fazer as malas e deixar Viseu? Tudo começou com o fecho da gráfica onde trabalhava. Empresa familiar e centenária, o fecho da Tipografia Guerra levou-me, tal como a milhares de outros portugueses, a olhar para a emigração como uma solução para o problema da falta de oportunidades em Portugal. É no entanto importante referir que nunca me senti obrigado a sair... sempre foi algo que vi com bom olhos fosse qual fosse o cenário profissional que enfrentasse. A oportunidade de trabalhar em Angola surgiu quase por acaso. Em conversa com um amigo (e viseense...) que já estava em Angola há algum tempo, falou-se numa oferta de emprego na minha área. Respondi ao anúncio, fui à entrevista e ao fim de um mês de desemprego estava novamente empregado!

O que fazia aqui em Portugal? E actualmente qual é a sua actividade profissional? Em Portugal trabalhava numa gráfica familiar, a Tipografia Guerra, onde desempenhava funções de diretor de produção... 50

O clima é bom, a língua é a mesma e de uma forma geral o povo é afável. O mais difícil foi a mudança nos hábitos de vida. O facto de não ter a companhia da família, partilhar casa com colegas, etc.... Ter de criar novos hábitos, enfim, até que se acaba por entrar numa rotina e não ter água para os banhos ou não ter luz durante largas horas passou a fazer parte do dia a dia. É de salientar, no entanto, e apesar dos poucos anos que cá estou, que noto mudanças significativas no país. As estradas melhoram, surgem os hipermercados (que tanta falta fazem aos expatriados!!), a vida noturna é muito grande existindo imensos espaços muito agradáveis para um simples jantar à beira mar ou uma noite de completa “loucura”. A segurança melhora, não deixando no entanto de ser necessário ter sempre alguns cuidados básicos.

O que mais o surpreendeu em Angola? O que mais gosta nesse país? Angola consegue sempre surpreender-me com a constante descoberta de locais paradisíacos, a beleza natural das praias de água sempre quente. A variedade de atrativos naturais,


parques e reservas ecológicas, jardins, quedas de água, para além da fauna e uma flora cheias de raridades.  Por outro lado, continua a existir um gritante paradoxo entre a riqueza natural e o desenvolvimento humano. Angola dispõe das mais importantes reservas de petróleo, gaz e diamantes de África mas a subnutrição continua a explicar uma grande parte da mortalidade infantil. É um absurdo. Este País tem um clima fantástico. É sem dúvida o que mais me agrada. Em Luanda o clima é tropical quente e húmido, aqui no Lobito, o clima é mais seco pela proximidade com o deserto do Namibe. Angola tem também uma cultura muito rica e variada. Uma das formas de expressar essa cultura é através do artesanato, de que eu tanto gosto bem como de algumas músicas e danças tradicionais.

Porque não regressou até agora a Portugal? Portugal atualmente não oferece condições a ninguém para regressar.

Devo dizer que gosto de cá estar. Basta ter o espirito e compreender as diferenças culturais que existem entre os nossos povos para que seja mais fácil. Respeitar a diferença!

A realidade da cidade onde está actualmente é bem diferente de Viseu, quais são as principais diferenças? Nem vale a pena começar a enumerar. Tudo é diferente de Viseu. Mas são impressionantes as semelhanças existentes entre o Lobito e o Algarve há cerca de há 30 anos atrás. Tavira ou Altura assemelham-se em tudo a esta realidade, sendo que o clima é mais atrativo, nunca é preciso aquele agasalho que mesmo no Algarve, em pleno Verão, à noite, às vezes sabe tão bem. No entanto, devo referir que o Lobito é uma cidade muito limpa, com jardins e parques muito bem tratados e com muitas casas do tempo colonial completamente recuperadas. É uma cidade muito segura. É perfeitamente normal passear à noite a pé pela cidade ou ir a uma esplanada de um restaurante ou de um café beber um sumo ou tomar um chá ou um café. Aqui no Lobito é onde finalmente consegui recuperar um hábito que tinha e que tanta falta me fazia: andar a pé na rua!

Sendo Angola um país diversificado e tão diferente de Portugal, já teve oportunidade de conhecer outras cidades? As únicas cidades que conheci até agora foi justamente Benguela, o Lobito onde vivo agora e claro, Luanda onde passei os últimos 4 anos... Agora com a família toda reunida não faltarão oportunidades para visitar outras cidades como o Namibe, Lubango e o Huambo.

Felizmente consegui reunir todas as condições para poder trazer a família para cá e assim por já não estar a faltar nada não conto regressar a Portugal tão cedo.

Longe de Viseu há tantos anos, do que sente mais saudades? Como disse anteriormente, tinha saudades de poder andar a pé, de me sentir seguro. Agora, felizmente, mesmo isso já é possível. No entanto, claro que a terra que nos viu nascer está sempre no nosso coração... Saudades da família que ainda ficou, dos amigos, dos nossos sítios, enfim, da nossa cidade!

Como é que é viver em Angola? Fora da vida profissional o que mais gosta de fazer nos tempos livres? Viver em Angola, como já referi, é fácil. Havendo alguns cuidados básicos resultantes da criminalidade, da falta de qualidade dos cuidados de saúde e de alguns produtos alimentares, a vida tem um ritmo normal. Nos tempos livres a praia acaba por ser a ocupação que mais tenho. É óbvio que estar com amigos (alguns feitos cá outros de tempos de juventude em Viseu) é outra forma de passar o tempo livre. Se bem, que ao contrário do que muita gente pensa, os tempos livres não são assim tantos... É que em Angola o trabalho é “a sério” e trabalham-se muitas horas.

Pretende voltar um dia? Um dia? Não sei... neste momento não... Amanhã? Talvez... 51


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por PAULO COELHO

Angkor Wat Spa Room Considerado provavelmente como “o SPA mais pequeno do mundo”, o Angkor Wat Spa Room situa-se no quarto piso do Hotel Infante Sagres 5****, no coração do Porto, integrando a cadeia conceituada da “Small Luxury Hotels of the World”. O hotel apresenta o charme típico dos hotéis europeus, onde o mármore e a decoração luxuosa se destacam. Ocupa um edifício dos anos 50, a sua atmosfera combina o estilo neobarroco e um irreverente estilo contemporâneo. O Angkor Wat Spa Room, foi inspirado no templo localizado nas ruínas de Angkor no Cambodja, o Spa é composto por uma sala de estar e uma sala de tratamento, onde a decoração é cuidada e atenta aos pormenores, com detalhes resultantes da combinação dos ideais Budista e Hindu. Neste pedaço exclusivo do Oriente, encontramos um ambiente único com tratamentos de massagens relaxantes, banhos revigorantes, óleos vegetais aquecidos, chás calmantes, fragrâncias quentes e misteriosas, rituais místicos e ultrassons envolventes, onde o relaxamento e a total revitalização é o seu principal objetivo. Destaque para o Relaxing Head & Face Massage que se centraliza no relaxamento da cara e da cabeça, que resulta numa sensação de leveza e bem-estar global promovidos pelos óleos ayurvédicos aquecidos. Sem dúvida, um espaço a visitar e a experimentar para quem se quer abstrair do stress diário e dos problemas do mundo.

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JOSÉ CRUZIO [FOTOGRAFIA]

COM SANDRA OLIVEIRA

EM ENTREVISTA

Como é que nascem oS JE? Durante 9 anos fui gerente, sócia e criadora de uma loja de design, ao mesmo tempo fazia direcção artística de uma galeria de arte com o António Henriques por onde passaram os melhores artistas portugueses e internacionais de arte contemporânea. Estávamos muito habituados a produções, trabalhámos em muitas feiras internacionais e numa dessas muitas saídas para o estrangeiro, na Feira Internacional de Design de Milão, num passeio com uma amiga pelas ruas de Milão, na zona do quadrilátero estava uma instalação de flores e música com cerca de 8 m2, fixei o olhar... sabia que havia em Viseu, todos os anos, o cinema na Praça D. Duarte, normalmente com muito pouca que gente, o que me deixava triste. Ao mesmo tempo o centro histórico cada vez mais decadente, sem lojas... Eu achava importante as pessoas fazerem as pazes e reencontrarem-se com o seu centro histórico e a sua memória. A meu ver, depois dos anos 80, ficámos deslumbrados com tudo o que era estrangeiro, deixámos a nossa memória e a nossa história de lado... Eu achei importante fazer um reencontro com a nossa própria história, ter orgulho em ser da Beira, na nossa história até porque nem tudo o que vem de fora é bom. Achei que fazendo e propondo um jardim em grande escala, na praça icónica, outrora, Praça Camões, hoje Praça D. Duarte, onde existia grande comércio, podíamos reviver um pouco dessa vida “antiga”. Quando cheguei e comecei a falar sobre a ideia com a minha filha e com alguns amigos, uns apelidaram-me de megalónama, outros apoiaram-me incondicionalmente e dispuseram-se a ajudar a levar a cabo a ideia. Desafiei a cria verde, fui à Câmara, onde não conhecia ninguém, gostaram do projecto e eís-nos aqui. O orçamento era baixo, cerca de € 6.000! No ano seguinte, já com mais tempo, conseguimos organizar mais o projecto, com outra estrutura e programação. Hoje em dia, os JE estão enraízados nas prácticas da cidade, até porque é feito para os locais, com e artistas internacionais, essa universalidade dá-lhe uma dimensão global e é por aí que o JE se afirmam, não pretendem ser para elites, mas sim trazer projectos de qualidade internacional, alguns bastante difíceis, para as pessoas conhecerem e aumentarem o seu léxico cultural.

A quantidade nunca foi o objectivo, mas também nunca deixei de pensar que isso seria possível, sou um pouco utópica e acho que as práticas culturais podem ser formas agregadoras de cooperação e solidariedade em prol de uma melhor cidade, uma melhor economia, uma melhor sociedade. Eu acho, em teoria que isto pode acontecer, estes são os principios básicos dos JE, eu uso as práticas artístiscas para chegar a esta dimensão e isto sempre esteve inscrito desde a 1a edição. A complexidade e esta dimensão atinge-se também porque temos um maior orçamento, decorrente do cumprimento de objectivos das edições anteriores.

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LUÍS BELO [FOTOGRAFIA]

Quando começou isto tudo tinha noção onde podiam chegar “estes” Jardins, ou foi uma surpresa os JE terem-se tornado num ícone da cidade?


JOSÉ CRUZIO [FOTOGRAFIA]

Todos os anos elaboramos um projecto, que nos leva quase 6 meses a preparar e que não pára, é um trabalho efémero, exigente mas necessário, até porque trabalhamos numa base de alocação anual, o que nos obriga ater que “conseguir” ano a ano a “existência” dos próprios JE’s e daí decorre, ou não, a continuidade do mesmo. É isso que nos dizem os responsáveis do Munícipio de Viseu, é disso que depende o orçamento e a capacidade realizativa dos JE.

Os JE têm, obrigam já a uma estrutura fixa de pessoas? Sim, mas que não se verifica na prática, as pessoas que me acompanham estão em regime de voluntariado. Mas começa a tornar- se difícil não ter uma estrutura fixa, os JE são o ano todo, não apenas os dias em que todos os visitam. Há uma logística brutal, que a maior parte das pessoas desconhece, são muitas actividade e realizações... E muito disto só é possível porque existe um apoio das empresas ao nível da logistica, se assim não fosse os custos seriam incomportáveis... Uma nota para a Cria Verde e para a Carpintaria, fundamentais para que existam JE, mas são muitas mais, que aqui e acolá nos vão apoiando.

e ao mesmo tempo respeitarmos o outro, que é assim que podemos ser uma sociedade melhor.

Em modo de provocação e ao contrário do que muitos pensam, os jardins são do povo? Os jardins são do povo, os jardins são o povo, porque a política é do povo, não é partidária. Uma prática artística tem sempre uma conotação política e não partidária. Política por que estamos a falar de valores, de principios de cooperação, de principios de relação com o outro e dinamização humana e isso depois reflecte-se na nossa vida, na economia, no nosso quotidiano. E é essa utopia que acredito que se pode inscrever em cada um de nós.

Destas edições passadas, se tivesse que escolher um ou dois momentos altos... Escolhia o momento da senhora sentada nas pedras, lembro-me da instalação que fizemos na funerária... mas são muitos os momentos... ver a Rua Direita por volta da 1h da manhã com as lojas abertas e milhares de pessoas nas ruas foi um momento muito emocionante...

Há uma coisa muito importante que está sempre presente, como identifico sempre os criativos e as empresas de Viseu, eu penso sempre em que tipo de projectos e desafios posso colocar para que se possam ultrapassar, aumentar a sua capacidade de risco, artística e criativa.

São uma forma de intervenção civica e pela cidadania...

Os JE são uma forma de provocação da sociedade civil?

E os JE deste ano, o que podemos esperar?

Sim, sempre. Essa provocação positiva é sempre inscrita em quaquer desafio. Crítica e reflexiva, porque é muito interessante verificar que as pessoas podem não perceber o que estamos a dizer mas sentem- no quando entram nos JE, sentem a liberdade de poder ser o que querem. E há coisas que me emocionam como, no ano passado, uma senhora aqui da Praça D. Duarte estava sentada no chão e disse-me: “Olhe menina, vivo aqui há 40 anos e nunca me sentei no chão e hoje estou aqui nestas pedras quentes...” e sentiu-se livre, isto é do que mais me emociona, tudo o que falo aqui está reflectido neste comportamento e é por isso que eu luto e essa provocação é essa, nós sentirmo-nos livres mas criticos

Tudo..., vamos ter uma programação muito diversificada, um autêntico mosaico entre o novo e o velho mas sempre com um padrão em comum, a qualidade...

Os JE são uma forma de intervenção?

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“PorqueSim” é um projeto que está a arrancar e com vários desafios pela frente. Aqui coabitam roupa, mobiliário, artesanato, arte, merchandising e design, livros, vinho e, acima de tudo, uma experiência de “boas energias”. Esta Casa das Artes e do Design está na zona histórica de Viseu, numa casa do séc. XVI, com um pequeno terraço bastante convidativo. É na Praça António José Pereira, no nº33, que fica mesmo sobre o arco que dá acesso ao restaurante “Grão Mestre”. Existem simplesmente... PorqueSim!

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www.porquesim.pt geral@porquesim.pt www.facebook.com/casaporquesim +351 232 098 165


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CLÍNICA DENTÁRIA ALEXANDRE LIBÓRIO TERESA LOUREIRO carolina borges ALEXANDRE LIBÓRIO

Branqueamento dentário

Actualmente a estética tem uma grande relevância no quotidiano de qualquer pessoa. Assim, o branqueamento dentário assume não só um papel muito importante para as pessoas que valorizam a sua imagem como também um papel muito positivo em termos de auto-confiança e na relações inter-pessoais. Ao representar um tratamento equilibrado, no que respeita à relação custo benefício e, ao ter repercussões estéticas rápidas levou a uma maior procura por uma grande percentagem da população. Atendendo a que o branqueamento dentário se enquadra na prestação de cuidados de saúde, este só deverá ser executado pelo médico dentista, uma vez que as opções existentes nos supermercados, farmácias, entre outros, têm eficácia duvidosa e constituem opções pouco seguras. Hoje em dia existem diversos materiais e técnicas que, escolhidas correctamente, fornecem resultados eficazes e seguros. A selecção da técnica a ser utilizada depende das condições clinicas do paciente, tendo sempre como base a melhor relação eficácia/segurança. Qualquer pessoa com bom estado de saúde oral, a partir dos 18 anos, pode fazer um branqueamento. Pacientes com problemas dentários e gengivais devem realizar os necessários tratamentos prévios. No caso de o paciente ter próteses fixas e restaurações, estas terão de ser trocadas após o branqueamento pois este não atua sobre as mesmas. É necessário ter em conta que existem diversos tipos de pigmentação, e que nem todo o tipo de pigmentação tem como indicação o branqueamento dentário. A cor do dente é influenciada pela combinação da sua cor intrínseca, associada a propriedades do esmalte e dentina, e pela presença de algumas manchas extrínsecas que se podem formar na superfície do dente, associadas a hábitos tabágicos, ingestão de alimentos ricos em corantes entre outros. O aspecto branco do dente pode ser obtido por vários métodos e caminhos, incluindo pastas dentífricas branqueadoras que mantêm a cor previamente alcançada pelo branqueamento, raspagem e polimento para remover manchas de tártaro, branqueamento interno de dentes desvitalizados, branqueamento externo de dentes vitais ou mesmo a possibilidade de colocação de coroas em situações de coloração muito acentuada. 58

Os produtos de branqueamento interno e externo são à base de peróxido de hidrogénio, peróxido de carbamida entre outros compostos. Recentemente foi proibida a venda livre e directa ao doente destes produtos de branqueamento com concentrações entre 0,1 e 6% de peróxido de hidrogénio. De modo geral os efeitos secundários a nível dentário e gengival estão relacionados com a concentração dos produtos, a forma como são aplicados e as condições específicas de cada paciente, que podem levar a lesões graves e duradouras em casos de aplicação incorrecta. Mais especificamente surge frequentemente sensibilidade dentária e desconforto gengival que cessam com a interrupção do tratamento. Desta forma, é importante salientar que o branqueamento dentário é um procedimento médico que deve ser estudado e avaliado pelo médico dentista, de forma a orientar melhor o tratamento para ir de encontro as espectativas do paciente de forma eficaz e segura.


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por PEDRO CARVALHO Estudante Enfermagem Veterinária da Escola Superior AgrÁria de Viseu

Puro-Sangue Lusitano “Cavalo de sela mais antigo do Mundo, sendo montado há mais de 5 mil anos.” A 7 e 8 de Março organizam-se as “I Jornadas de Equinicultura” em Viseu, uma parceria entre a empresa Diogo Themudo, Lda., a Escola Superior Agrária de Viseu e a Coudelaria Soares Neves. O cavalo Lusitano foi apresentado, aos que já conheciam ou não, numa das suas maiores vertentes a Nobreza. Ao longo da história da Península Ibérica o cavalo “Equus caballus” desempenhou um papel de grande destaque, estando ligado à vida dos povos que a habitaram. Existem inúmeros relatos desta relação ancestral entre o homem e cavalo em que, por exemplo, após a derrota imposta por Viriato aos Romanos, estes acabaram por comprar cavalos ibéricos para reequipar as suas tropas e adoptaram os métodos da cavalaria ibérica, nomeadamente o estilo de montar com o joelho flectido, conhecido como “a gineta”. Os seus ancestrais são comuns aos da raça Sorraia e Árabe. Essas duas raças formam os denominados cavalos ibéricos, que evoluíram a partir de cavalos primitivos existentes na Península Ibérica dos quais se supõe descenderem directamente o pequeno grupo da raça Sorraia ainda existente. Cavalo de sangue quente como o sangue Inglês ou o Árabe, o Puro-sangue Lusitano é o produto de uma selecção de milhares de anos, o que lhe garante uma grande empatia com o cavaleiro.

aptidão natural para a concentração e grande predisposição para exercícios de Alta Escola. Assim, o Lusitano revela-se não só no Toureio e Equitação Clássica, mas também nas disciplinas equestres federadas como Dressage, Obstáculos, Atrelagem e, em especial, Equitação de Trabalho, estando no mesmo patamar que os melhores especialistas da modalidade. Terão sido os Puro-Sangue Lusitanos os cavalos usados na produção do filme “O Senhor do Anéis”.

Contactos de alguns Criadores Puro-sangue Lusitano: www.coudelariasoaresneves.com www.facebook.com/coudelaria.neves www.facebook.com/lusitanos.cerca www.cavalo-lusitano.com www.alterreal.pt Associação Responsável em Portugal: A.P.S.L - Associação Portuguesa Criadores Cavalo Puro Sangue Lusitano

Seleccionado como cavalo de raça e de combate ao longo dos séculos, é um cavalo versátil, cuja docilidade, agilidade e coragem lhe permitem hoje competir em quase todas as modalidades no Mundo do desporto equestre. No limiar do ano 2000 o Puro-sangue Lusitano volta a ser procurado como montada de desporto e de lazer e como reprodutor pelas suas raras qualidades de carácter e genética. O Puro-Sangue Lusitano pode descrever-se com um animal nobre, generoso e ardente, mas sempre dócil e sofredor. Tem andamentos ágeis e elevados projectando-se para diante, suaves e de grande comodidade para o cavaleiro, com

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QUANDO UM SONHO SE TORNA REALIDADE ...

Há 37 anos atrás vários pais e técnicos especializados no apoio a jovens com deficiência, “sonharam” que seria possível rentabilizar as potencialidades do jovens com deficiência mental, de forma a torná-los mais autónomos e úteis à sociedade, além de lhes proporcionar espaços e condições de bem estar, de molde a que o sorriso deles possa, como soi dizer-se, ser a “sua imagem de marca”. Nada como meter mãos à obra e eis que em 1 de Dezembro de 1976, ao fim de inúmeras reuniões, noites mal dormidas, o sonho se torna realidade. “Nascia” em Viseu uma Delegação da APPACDM, delegação essa que se tornaria uma APPACDM autónoma em 19 de Abril de 2000. Muitas e ilustres pessoas se empenharam nesta grandiosa obra! Não podendo aqui recordá-los a todos, penso ser de total justiça relembrar a Prof. Judite Antunes, o Prof. Fernando Santos, a Educadora Natália Sousa, o Coronel Armando Saraiva e a Dra Luísa Costa, como fermento impulsionador desta Grande Instituição. Paulatina, mas sustentavelmente, esta APPACDM cresceu, passou de Abraveses para as suas actuais instalações na Quinta do Corgo em Repeses, onde adquiriu um quinta com 18 hectares em 1988, passou a partir de 1995 a ser a entidade gestora do Internato Victor Fontes, conhecido também por Centro de Educação Especial de Viseu e desde Dezembro de 2013, deixou a sua área de conforto em termos físicos que era a cidade de Viseu e abriu um Estabelecimento em Vila Pouca em Santa Comba Dão. Assim, a prestação de cuidados da Instituição, sendo de âmbito distrital, exerce-se em 3 Estabelecimentos distintos: Sede em Repeses, Internato Victor Fontes em Jugueiros e Estabelecimento em Vila Pouca Santa Comba Dão. Somos uma Instituição que tendo por Missão – Integrar a pessoa na sua diversidade, por Visão - Ser referência nacional de valores e práticas de excelência, na integração da pessoa com deficiência e outros públicos em situação de risco e vários Valores – Integridade, Rigor, Confidencialidade, Privacidade, Transparência, Diversidade, Integração/ Cidadania, Humanidade, Criatividade, Flexibilidade, Solidariedade e Responsabilidade, responde hoje em várias vertentes/ frentes. Assim, na Sede, temos um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) que, no momento, dá resposta a 74 utentes e um Lar Residencial que tem 31 utentes, alguns que passam

connosco os 365 dias do ano, pois não têm retaguarda familiar, sendo a APPACDM a sua família. Igualmente temos um Departamento Educacional (Escola de Ensino Especial) que in loco dá resposta, no momento, a 6 jovens, já que a APPACDM, através dos seus técnicos e englobados no Centro de Recursos para a Inclusão (CRI) dá resposta a cerca de 77 nos diversos Agrupamentos escolares do concelho de Viseu e mesmo noutros limítrofes. Ainda na Sede temos um Departamento de Formação e Integração Profissional, que através dos seus vários cursos, Operador Agrícola, Empregado de Mesa, Cozinheiro, Operador de Acabamentos de Madeira e Mobiliário, Operador de jardinagem e Empregado de Andares, tenta formar e integrar jovens, com algum grau de deficiência, que, no momento, são cerca de 94. No Internato Victor Fontes, temos também um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) que dá resposta a 60 utentes e um Lar de Apoio que tem 26 utentes. Estamos, no momento, em conversações com a Segurança Social para que este Estabelecimento passe a integrar a própria estrutura APPACDM, através de um outro tipo de Acordo. Ainda em Santa Comba Dão, temos igualmente um Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) que dá resposta a 27 utentes e um Lar Residencial que tem 12 utentes. Numa perspectiva de sempre querer fazer mais e melhor, aceitámos o desafio de nos candidatarmos à Certificação pelo Modelo Europeu EQUASS e é com muito orgulho que podemos afirmar que somos uma das 27 Instituições Europeias que está certificada com o grau de Excelência. Com o apoio da Segurança Social, da Câmara Municipal de Viseu, de mecenas, das várias centenas de sócios, das variadíssimas Candidaturas a vários projectos, com as inúmeras actividades lúdicas, culturais e desportivas, para os nossos utentes e para a sociedade civil em geral, temos conseguido sobreviver às dificuldades, com que diariamente nos defrontamos, tendo felizmente para tudo encontrado uma solução. Até quando? Não sabemos responder! Uma última palavra para os extraordinários colaboradores, cerca de 150, que diariamente tudo fazem para tornar a vida dos nossos utentes “um hino à alegria”, pois ao vê-los sorrir e manifestarem-nos o seu carinho, todo o nosso trabalho tem grande retorno. Não nos podemos esquecer, que o muito que por eles fazemos, recebemos em troca muito mais ...

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REVISTA STUDIOBOX  

ABRIL.MAIO.JUNHO 2014

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