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Por João Moreira

Editorial “(…) Como aquela fosse uma noite muito santa e muito álgida – o Salvador ia nascer nas palhas para lembrar aos homens que vêm do nada e para lá caminham – mãe e filha se deixaram ficar ao lume, tão perto, que a chama do toro de carvalho, reatando-se depois de sopitar, alumiava mais que a candeia. A Mãe no seu luto de viúva, chaile roto pelos ombros, mal tinha acabado de espiar a roca e cismava; a pequena, dez anos espertinhos e medrados, com um pauzito ia atiçando o fogo, entretida a ver dançar e rodopiar os mil fogaréus da combustão.” Aquilino Ribeiro, in “Sonho de uma Noite de Natal.” Mais um Natal se aproxima e as cidades enchem-se de música e de luz. Um sorriso diferente conquista o olhar dos transeuntes, como se uma aura de boa vontade e simpatia ofuscasse, momentaneamente, o ritmo mal humorado do dia-a-dia e, aqui e ali, é possível assistir, num gesto de inusitada compaixão, a um olhar mais atento aos mendigos com que nos cruzamos habitualmente. Muitos de nós, imbuídos desse espírito natalício, aproveitamos a época para visitar amigos e familiares votados ao esquecimento diário e outros, solidariamente mais ousados, dividem um pouco do seu tempo com presos e doentes. Algo muda em cada um de nós durante os dias que antecedem o Natal, como se, entre o lufa-lufa dos presentes comprados à ultima hora, fossemos tocados por uma centelha de paz interior que nos leva a sermos um bocadinho melhores para com os outros. Mas, passadas as festas, tudo volta à normalidade e mesmo quando, em conversas sobre o assunto, insistimos na necessidade de fazer do espírito de Natal a regra e não e excepção, acabamos por deixar cair no esquecimento essa intenção tão generosa. Talvez por isso, por alturas de Natal, gosto de regressar a Aquilino e a essa frase que recordo desde a infância: “o Salvador ia nascer nas palhas para lembrar aos homens que vêm do nada e para lá caminham.” Há, na simplicidade quase bíblica com que o Aquilino define o nascimento de Cristo, algo de tão genuinamente humano, que nos remete para a essência do incomensurável amor contido nesse momento redentor, ocorrido algures em Belém da Judeia, já lá vão mais de 2000 anos. É essa humanidade palpável, reconhecida e reconhecível, do nascimento desse menino, numa manjedoura, aquecido pelo sopro de uma vaca e de um burro e envolto em palhinhas, que anualmente nos comove, independentemente da nossa crença religiosa. É a singeleza do exemplo, escolhido por esse Deus tornado Homem que, de certa forma, nos humaniza, ao menos, uma vez por ano. O ideal seria, é claro, que o Natal fosse todos os dias. Que este espírito solidário nos acompanhasse ao longo de todo o ano, ou melhor, ao longo de toda a vida. Mas, o Natal é um começo... É a nossa garantia individual de que somos capazes de olhar além das nossas preocupações e dos nossos umbigos, ao menos, uma vez ao ano. É a reconfortante centelha de esperança num mundo menos individualista. E é possível! Basta que, chegados aos Reis, deixemos bem visível o menino nascido entre palhas no estábulo de Belém e olhemos para ele de vez em quando, com o mesmo olhar que lhe devotamos no Natal. Vão ver como vai fazer toda a diferença. É que, de tempos a tempos, precisamos de algo que nos faça regressar a Aquilino reduzindo-nos à nossa insignificância terrena, recordando que “o Salvador vai nascer nas palhas para lembrar aos homens que vêm do nada e para lá caminham.”

COLABORAÇÕES/AGRADECIMENTOS ESPECIAIS. Amadeu Fernandes, Ana Nunes, Bernardo Mota Veiga, Bruno Alves, Bruno Esteves, Drª Odete Madeira, Francisco Cappelle, Grabriela Gonçalves, Heitor Castel´Branco, Jenine Rausch, Joana Abreu, João Moreira, Lemos Figueiredo, Lopo de Castilho, Luís Araújo, Narciso Soares, Nuno Vaz, Padre Amadeu Castro, Patrícia Belo, Paulo kassoma, Pedro Sousa, Prof. José Ernesto Silva, Ricardo Azevedo, Rodrigo, Gomes, Rui Monteiro, Silvia Mitev, Simona Kurcikeviciute, Susana, Andrade, Therbio Felipe M. Cezar, Tiago Miguel FOTO CAPA/EDITORIAL. Modelo Modelo Micheli Vicenzi Maquiagem Priscila Wolff Vestido Atelier Aster Scheidt Colar Carolina Vecchietti Chlôe fotografia Criativa Produção e Direção Beto Barreto DISTRIBUIÇÃO . Studiobox • ADMINISTRAÇÃO | PROPRIEDADE . Studiobox - Publicidade e Gestão de Meios, Unipessoal, Lda., Rua Alexandre Herculano, nº 291 R/C, 3510-038 Viseu • DEPÓSITO LEGAL . 224690/05 CONTACTO PARA PUBLICIDADE . geral@studiobox.pt, 232 435 131 O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO FOI USADO EM TODOS OS ARTIGOS. A SUA UTILIZAÇÃO FICOU AO CRITÉRIO DOS AUTORES QUE REDIGIRAM OS TEXTOS.


em busca das origens Lapa, terra de lenda, de história e de fé! Que terá em comum o Rio de Janeiro, S. Paulo, Angra dos Reis, Araçiba no Brasil, com o Porto, Braga, Vila Viçosa ou Sernancelhe em Portugal?! Tão-somente um Culto Mariano antiquíssimo dedicado a Nossa Senhora da Lapa! Na era da globalização, é interessante constatar como a informação “voa” por todo o lado, e descobrir ou redescobrir os mais variados temas e assuntos é fácil, muitas vezes dependendo de um simples “click” no “enter” do computador, conseguindo-se percorrer grandes distâncias físicas em segundos, sem sair do mesmo lugar. Em tempos idos,quando não existia esta simplicidade de conexão, foi necessário força, perseverança e vontade, para permitir aos seres humanos volutear-se pelos quatro cantos do mundo com obstinação, coragem e fé, desenhando na humanidade uma mistura de culturas e raças, transformando os povos e imprimindo-lhes uma identidade ainda hoje latente. A ciência tem curiosidade nessas misturas de ADN, mas o interesse do homem, concentra também o seu campo de pesquisas noutras formas e manifestações de ser e existir.

Uma delas é a Fé! As origens da religiosidade são um dos laços predominantes de união entre povos, relacionando-os com outras culturas, transformando-os e dando-lhes um “cunho característico”, que ostentam e compartilham para a posteridade. Não é por acaso que, ao viajarmos pelos mais díspares destinos, somos surpreendidos pela sensação de encontrar algo que já faz parte do nosso conhecimento ou da nossa vivência: é a percepção de uma informação partilhada, mesmo não sabendo qual o início ou o porquê dessa partilha. Um exemplo, é surpreender a quem viaja com destino a Portugal, ver nomeado nos roteiros ou nas visitas turísticas ao Porto ou a Sernancelhe, este no interior das Beiras, o nome “Lapa”, relacionando-o de imediato com Rio de Janeiro ou S. Paulo no Brasil, consciencializandose de forma instantânea que algo os relaciona entre si, afilando uma sensação de pertença. Isso se denomina regresso às origens!

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Em 978 Almançor, a caminho de Santiago, passou pelo interior da Beira Portuguesa, arrastando com enfurecida raiva religiosa tudo o que de fé contrária se impusesse ao seu traçado caminho, forçando a fugir de pavor Religiosas que transportaram consigo o seu mais querido e

amado símbolo de fé, a Imagem de Na Senhora, procurando escondê-la no mais insólito e recôndito lugar do país, hoje denominado “Lapa”, no alto da serra com o mesmo nome. “Lapa” é um regionalismo beirão, significando pedra ou gruta rochosa. Foi no interior de uma lapa que a Imagem foi encontrada 500 anos depois, por uma pequena pastora muda, que sendo agraciada pelo milagre da fala, fez despoletar um culto fortíssimo de devoção à denominada Nossa Senhora da Lapa. Em ua honra foi erguido um Santuário, e Imagens representativas foram transportadas em caravelas para a India e Brasil, sendo a difusão deste culto facilitada pela actividade missionária da Ordem Jesuíta No Brasil a Devoção à Senhora da Lapa espalha-se rapidamente, levantam-se várias capelas ou igrejas em Sua honra e louvor, atingindo imenso impacto, retornando a Portugal pelas entusiásticas pregações do missionário brasileiro Pe. Ângelo Sequeira que nas cidades do Porto e de Braga conseguiu dinamizar de forma profunda esta mesma devoção. De tal forma no Brasil, Esta foi querida e acarinhada, que a imagem existente no Santuário da Lapa, (Casa Mãe do culto), em Sernancelhe, na actualidade ostenta uma coroa cravejada de diamantes e um colar de 20 brilhantes, feitos com os primeiros diamantes extraídas das minas da Casa de Bragança no Brasil, oferta de D. Pedro II, ( 1677, junho)* e a Igreja da Lapa no Porto, é detentora do Coração de D. Pedro IV, (I do Brasil). Nos dias que correm, facilmente ouvimos falar de “Lapa” ou de “Menino Jesus da Lapa” no Rio de Janeiro, em Silva Jardim - S. Paulo, Vazante- Minas Gerais, Cubatão, Araçuaí- Minas Gerais, Ravena – Sabará, Angra dos Reis, Araçaíba, Rossão, Bom Jesus da Lapa – Salvador, Ribeirão da Ilha, Panamá e em outros lugares do Brasil, subentendendo cada um de nós que também pode encontrar a sua própria entidade não só no ADN da ciência mas também no da Fé. Não se estranhe pois que qualquer peregrino Português, Indiano, Africano ou Brasileiro, galgando ao alto da recôndita e fresca Serra da Lapa, em romagem ao seu Santuário, aí experimente a sensação de regressar às origens *SIPA ,http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3799, consulta em 2015/04/24 Texto por Ana Nunes (Gestora Turística do Santuário da Lapa)


5 santuário da lapa SERNANCELHE VISEU - PORTUGAL

igreija da lapa ribeirão da ilha florianópolis-brasil

visita dos ´ principes do brasil a portugal

O sol lançava seus raios intensos e brilhantes; um vento fresco e suave amenizava a atmosfera, abrindo espaço para uma manhã diáfana. Estávamos a mais de 900 metros de altitude, e o lugar, abençoado pela presença da Mãe de Deus há mais de cinco séculos, tomara o nome de Santuário da Senhora da Lapa, situado geograficamente no Distrito de Viseu e Concelho de Sernancelhe. Era este o ambiente naquele 6 de Junho, sábado matinal, que SS.AA.RR. os Príncipes Dom Antônio e Dona Christine de Orleans e Bragança, acompanhados das filhas, Princesa Maria Amélia e marido e Princesa Maria Gabriela, iam encontrar quando lá chegaram, em peregrinação, pelas dez horas. Alguns membros da Confraria Militar de Nossa Senhora da Conceição, amigos da Casa Imperial do Brasil, convidados (este estes, encontrava-se o vice-presidente da Câmara local) e o simples povo fiel ali presente juntaram-se aos ilustres visitantes. Perde-se na memória histórica as estreitas ligações do Santuário da Lapa à Casa de Bragança. Assim, a peregrinação dos Príncipes do Brasil àquele lugar sagrado revestia-se de um enorme significado simbólico.

Depois de terem assistido à Santa Missa, seguiuse uma ida à sacristia onde assinaram o Livro de Honra. Após este acto, percorreram o trajecto que todo peregrino faz dentro do pequeno templo de granito que alberga a belíssima imagem da Senhora da Lapa. Tornaram-se simultaneamente irmãos e embaixadores do Santuário. Após este acto religioso, a direcção da Irmandade ofereceu um opíparo almoço aos visitantes, que puderam constatar o carinho e apreço com que os responsáveis do Santuário costumam receber os visitantes ilustres e não só. O local onde está situado o Santuário mais parece uma colina rochosa, sustentada por uma formação granítica. Quem ali chega, poderá pensar na frieza da pedra. Engana-se. O Santuário atrai e arrebata pelo seu lado aconchegante, onde a alma repousa de suas angústias; o silêncio que permeia o espaço quebra o ritmo trepidante da vida moderna e apazigua o espírito; o sobrenatural católico que povoa o ambiente atira os pensamentos para as mais altas esferas da contemplação eterna. Como é bom viver sob a sombra da Senhora da Lapa! Texto por José Narciso Soares


Breve

- Na obra faz referência de como eram constantes as “apresentações”, (Consagrações) dos peregrinos “Á Senhora” no interior da gruta. 1645 – D. João IV cria o título de “Princesa da Beira”, como designação da filha mais velha do monarca, independentemente de ser ou não a herdeira presuntiva da coroa; - O título `Princesa da Beira` foi inaugurado por D. Joana, coincidindo o nome da própria (Joana) com o da pastorinha que encontrou a imagem de N. Srª da Lapa na gruta; - Segundo a tradição, e em trovas populares, conta-se que D. João IV ofereceu uma imagem de N. Srª da Lapa ao Santuário.

Ano 983 - Fuga das monjas do convento de Sermilo, transportam a imagem de Nossa Senhora de quem são muito devotas escondendo-a numa gruta granítica (lapa)

Reinado de D. Pedro II 1677 – Oferece à imagem de Nossa Senhora da Lapa uma coroa e um colar de pedras preciosas extraídas das minas da Casa de Bragança no Brasil; - Multiplica-se o culto e devoção no Brasil a N. Sª da Lapa.

explanação e cruzamento de dados entre o Santuário de Nossa Senhora da Lapa e a Casa Real através dos tempos.

Sec XII – D. Afonso Henriques expulsa os mouros entre o Douro e o Minho 515 Anos foi o tempo em que a imagem permaneceu na gruta até ser encontrada Reinado de D. Manuel I 1498 -Uma pastorinha muda de nascença e de nome Joana, descobre a imagem; - Dá-se a descoberta do Caminho Marítimo para a India Reinado de D. João II; - É convidada a companhia de Jesus para vir para Portugal. Reinado de D. João III 1551- O Bispo de Lamego, D. Manuel de Noronha escreve em 2 Novembro do referido ano à Rainha D. Catarina D`Áustria na qual alude à intenção de construir uma igreja no lugar de romagem de Nossa Senhora da Lapa. 1536 - O Pintor Garcia Fernandes pinta 2 quadros de Nossa Senhora da Lapa, hoje colocados em Vila Viçosa Reinado de D. Sebastião 1575 - Em nome da Coroa, D. Sebastião, o legal proprietário da Ermida de Nossa Senhora da Lapa, uniu a abadia da Rua à qual o santuário estava associado, com as 5 igrejas anexas, ao colégio de Coimbra, que os jesuítas entretanto tinham aberto; - Na batalha de Alcácer Quibir alguns soldados eram portadores de medalha protetora em honra de Nossa Senhora da Lapa. 1578 – Segundo a tradição do povo e transcrito em quadras populares a 4 de Agosto do ano atrás citado, a imagem de Nossa Senhora da Lapa chorou lágrimas de sangue durante a batalha de Alcácer Quibir; - É corrente pela zona, que D. Sebastião doou alguns pertences seus ao santuário. Devido a várias movimentações e acontecimentos, os mesmos desapareceram.

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Reinado de D. Filipe II 1610 – Autoriza o ermitão da Lapa a pedir esmola para o Santuário; - Também na mesma data, Pe. João Alves, designado no cargo de Visitador, no desempenho do mesmo cargo, visita a Lapa. São dele as primeiras impressões. (Constam dos manuscritos da Companhia de Jesus em Roma) Reinado de D. João IV 1636 – O Padre António Leite, grande impulsionador da consagração de N. Srª da Conceição como rainha de Portugal, visita a Lapa e é dele a primeira obra narrativa sobre o Santuário da Lapa;

Reinado de Afonso XVI 1683 – A planta do Colégio da Lapa, executada pelo Pe. António Cordeiro, é enviado para Roma a fim de ser aprovada; 1685 – A primeira pedra para a construção deste foi benzida e lançada. Reinado de D. João V 1714 – Com o edifício do colégio meio acabado, têm início, nele, as aulas de latim. 1718 – O Pe. António Cordeiro publica a sua obra “O Loreto Lusitano” (Documento único, à guarda deste santuário. Melhor testemunho dos acontecimentos e factos passados no Santuário; - O Monarca visitou o Santuário da Lapa várias vezes; - É oferta sua, duas lamparinas de prata com as armas reais, várias alfaias para a Imagem da Senhora e Menino Jesus da Lapa; - A imagem do Menino Jesus está vestida de forma principesca à corte de D. João V, e, assim tratado, por “Principezinho da Beira”. 1734 – Reorganiza o sistema de títulos da família real. A partir desta data, tanto o título do “Príncipe do Brasil” como o de “Príncipe da Beira” poderiam ser atribuídos a pessoas dos dois sexos. Reinado de D. José I 1759 – Com a expulsão dos Jesuítas a instâncias seu 1ª ministro Sebastião José de Carvalho e Mello, é arrolado todo o património do Santuário, ficando novamente na posse da coroa; - D. José foi o 1º primogénito a usar o título “Príncipe da Beira”. Reinado de D. Maria I 1764 – Existia em Lisboa uma igreja pertencente à Casa do Infantado. A igreja ainda hoje se reconhece filial de Nossa Senhora da Lapa, da diocese de Lamego. 1781- A 26 de Maio, dá Foral ao Concelho da Lapa. 1783 – Amplia o templo da Basílica de Estrela e translada para lá a imagem de Nossa Senhora da Conceição da Lapa. 1791 – Isenta de Jurisdição paroquial a igreja da Povoa do Varzim por alvará de 21 de Fevereiro, aprovando os estatutos da Irmandade da qual se declarou protectora. 1793 – Doa à mitra de Lamego a Igreja e o colégio e tudo o que lhe pertencia; - Pelo novo sistema de reorganização dos títulos de família real, foi a primeira Princesa da Beira, futura rainha D: Maria I .


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Reinado de D. João VI - Foi enquanto príncipe regente e por sua mão quem, a 20 de Dezembro de 1793, entregou à mitra de Lamego, em nome de sua mãe D. Maria I,a Igreja e o colégio e tudo o que a este pertencia. Reinado de D. Carlos - Agracia D. Manuel de Melo Castro com a renovação do título de Família “Conde da Lapa”.

2015 - Consagração de Sar o Infante Dom Afonso de Santa Maria à Nossa Senhora da lapa a 6 de Setembro. Cumprindo uma tradição de séculos SAR O Príncipe da Beira consagrou-se a Nossa Senhora no Santuário da Lapa (Sernancelhe, Viseu) dando continuidade ao acto praticado pelos príncipes e princesas da beira ao atingirem a maior idade. Apesar do Santuário de Vila Viçosa, nunca a Família Real portuguesa deixou de estar intimamente ligada ao Santuário da Lapa O profundo significado espiritual e simbólico deste acto não fica, por certo, indiferente a nós portugueses. Neste acto singelo far-se-á história, pois renou-se a ligação estreita e sentimental entre o Povo da Beira e o seu Príncipe.

Príncipe da Beira e Reitor padre Alves de Amorim.

Procissão com milhares de peregrinos.

Nossa Senhora da Lapa.

D. Duarte Pio 1998 – Pelas comemorações dos 500 anos da existência do Santuário, visitam o Santuário de Nossa Senhora da Lapa SS AA RR Os Duques de Bragança, Senhor D. Duarte Pio e Senhora Dª Isabel de Bragança, na peregrinação de 10 de Junho como peregrinos.

Ainda hoje o Santuário da Lapa pela tradição popular tem o cognome de “Príncipe da Beira” e Nossa Senhora da Lapa é a “Princesa da Beira” D. Afonso de Santa Maria

Bibliografia consultada:

SS.AA.RR. D. Duarte e D. Afonso de Bragança.

- “História da Aparição e Milagres que fez Nossa Senhora da Lapa” ; Pe. António Leite; 1639 - “ O Loreto Lusitano” ; Pe António Cordeiro; 1717 - “História do Santuário da Lapa”; M. Gonçalves da Costa ; 2000 - “Terras da Beira, Cernancelhe e seu Alfo”z; Ab. Vasco Moreira, Edição Fac-Similada 1997 - “Trovas Populares”, PE. Francisco Ferreira - “Caminhos e devoções. Viajar no Douro Medieval e moderno”; Amândio Morais Barros & Susana Pacheco Barros¸ Estudos & Documentos, vol. VI (11, 2001, (1º), 181-195 - htt://pt.ikipedia.org/wiki/Pr%C3%ADncipe_da_Beira , 24-072014


ENTREVISTA

confraria

Entrevista realizada por Drª Odete Madeira ao Almoxarife da Confraria, Prof. José Ernesto Silva.

saberes e sabores da beira “grão vasco”

De forma sucinta defina as linhas mestras do património cultural gastronómico/ou de produtos que a Confraria dos Saberes e Sabores da Beira “Grão Vasco” preserva, investiga e divulga. A Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco”, preserva, investiga e divulga todos os produtos tradicionais da região da Beira Alta. Nos seus Capítulos Temáticos faz uma criteriosa seleção dos produtos tradicionais a serem apresentados e degustados nos seus jantares. Como poderia apresentar a vossa Confraria?

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A Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco”, tem vindo a desenvolver atividades que honram o compromisso assumido à treze anos aquando da sua criação. As iniciativas centram-se essencialmente na vertente cultural onde salientamos os Capítulos Temáticos, o Festival do Caldo, as Publicações várias (A Importância das Confrarias Báquicas e Gastronómicas na Promoção Turística, Á Mesa com Isabel Silvestre, Alafum de Prazeres, Artes e Tradições Portuguesas I e II, Alexandre Alves – Investigador, Cônsul Aristides de Sousa Mendes, Tributo a Aristides de Sousa Mendes, Arnaldo Malho – Artes e Artistas de Viseu, Malhando o Ferro com Arnaldo Malho, Sete Olhares Sobre Viseu, Festival do Caldo I a VIII, As Plantas do Nosso Contentamento, Encontros com o tempo, O Pratinho da Zirpela e o Mundo Rural,…), a atribuição dos prémios Beirão de Mérito a entidades e personalidades que se destacam em diferentes áreas culturais, desportivas, sociais, … as Entronizações (6 realizadas em Viseu e 3 realizadas em Terras de Vera Cruz), entre outras. Contudo, de alguns anos a esta parte, a Confraria também se tem dedicado aos problemas sociais da sua área geográfica, levando, Natal após Natal, cabazes com bens alimentares essenciais à elaboração da Ceia de Natal e brinquedos (caso haja crianças) a famílias carenciadas. Uma das áreas que também tem vindo a trabalhar nos últimos anos é a ligação com os inúmeros clubes portugueses da Diáspora.

A Confraria tem na parte cultural a Tuna “Sabores da Música”. Esta Tuna é a estrutura da dinamização lúdica da Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco”, ligada ao Conselho de Artes e Tradições, no sector “Arca de Saberes da Música”.O Conselho Enófilo tem como patrono o Infante D. Henrique, Duque de Viseu. Este Conselho tem como propósitos promover eventos enófilos bem como defender e divulgar os vinhos da nossa região. O Conselho Gastronómico tem como patrono Aquilino Ribeiro, grande vulto das letras portuguesas e beirão de alma e coração. Este conselho tem como objetivos recolher, defender e divulgar a gastronomia beirã. Sinteticamente explique a importância do vosso produto na alimentação e na gastronomia da comunidade, da região, do país e/ou de outros países. A Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco” não defende um produto em específico mas sim um todo que abrange a gastronomia beirã, a enofilia da região e os saberes culturais do seu povo. Explique abreviadamente a origem desse(s) produto(s) e/ou especialidades culinárias. Foram objecto de classificação e/ou certificação? Tal como foi dito na pergunta anterior, a nossa Confraria não defende um produto específico mas sim um todo gastronómico. Nos capítulos levados a efeito pela Confraria dos Saberes e Sabores da Beira “Grão Vasco”, que propósitos privilegiam? O Conselho Gastronómico tem como objetivos recolher, defender e divulgar a gastronomia beirã. Como tal, os seus Capítulos têm sempre uma forte vertente gastronómica onde são degustados pratos tradicionais da beira. No entanto, os Saberes também ocupam uma grande parte destes capítulos. Os temas abordados versam sempre aspetos culturais da região beiraltina.


Anualmente, a Confraria realiza uma campanha de solidariedade social, recolhendo alimentos, brinquedos e roupas que depois são distribuídos pelas famílias mais carenciadas da sua região. Organiza, com o apoio da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, cursos de formação para dirigentes associativos da Diáspora (já foram feitas 4 edições). Também realizou durante oito anos consecutivos o Festival do Caldo. Neste momento, devido essencialmente à crise que Portugal tem vivido, este evento está parado. A Confraria tem produzido e publicitado trabalhos de investigação e promoção dos produtos e do receituário local e regional? A Confraria tem tido a preocupação de recolher e divulgar, através de publicações várias e artigos em revistas, algumas das marcas mais significativas da gastronomia da sua região. De entre algumas dessas publicações, destacamos: A Importância das Confrarias Báquicas e Gastronómicas na Promoção Turística, Á Mesa com Isabel Silvestre, Alafum de Prazeres, Artes e Tradições Portuguesas I e II, Festival do Caldo I a VIII, As Plantas do Nosso Contentamento... Descreva resumidamente qual o impacto dessas atividades, ações e trabalhos junto da autarquia, outras autoridades, comunidade local e região. As iniciativas levadas a cabo pela Confraria têm sido sempre bem recebidas quer junto das entidades oficiais do Distrito quer junto da comunidade local e regional. Exemplo disso é a participação ativa das entidades em todas as iniciativas levadas a cabo por nós. Quanto à comunidade local, figuras de destaque ou anónimos participam e recorrem com frequência à Confraria sempre que necessitam de algum esclarecimento ou ajuda nas áreas que abrangem. Também participam nos mais variados eventos por nós promovidos. A Confraria dos Saberes e Sabores da Beira “Grão Vasco” é habitualmente convidada para estar presente ou participar em atos promovidos pelo poder local, regional, nacional? Em caso afirmativo diga quais, como e com que resultados para a Confraria. A Confraria é regularmente convidada para participar e colaborar com o poder regional e nacional. A tuna Sabores da Música, parte lúdica da nossa Confraria, é o sector que mais participa nestes eventos. No entanto, também o seu Almoxarifado é, com frequência, convidado a participar em atos oficiais promovidos pelo poder regional e nacional. Estas participações são importantes para a Confraria pois permite-lhe dar a conhecer todo o trabalho desenvolvido em prol da defesa e conservação da Cultura Popular e Tradicional da região da Beira Alta. Na sua opinião o trabalho desenvolvido pela Vossa Confraria é reconhecido na Comunidade e na Região? O trabalho levado a cabo pela Confraria, durante os seus treze anos de existência, é reconhecido e apreciado pela

comunidade. Exemplo disso são os inúmeros convites que tem recebido para participar em atividades diversificadas por toda a região, para apadrinhar eventos ou outras confrarias. Recentemente, deslocou-se à Suíça para apadrinhar uma Confraria portuguesa nascida em terras alpinas. A Confraria tem parcerias ou protocolos de cooperação com outras Confrarias e/ou Federações/Associações de Confrarias? A Confraria está, neste momento, representada em 22 países do mundo, através da Diáspora portuguesa, e tem 2 protocolos de representatividades recíproca assinados. O primeiro protocolo foi celebrado entre a Confraria e a Casa do Distrito de Viseu no Rio de Janeiro e o segundo celebrado entre a Confraria e a Confraria Feminina do Vinho e do Espumante de Farroupilha, Rio Grande do Sul, Brasil. No ano 2000, a gastronomia foi classificada como património cultural imaterial. Que considerações faz desta classificação? Considero uma decisão feliz pois a Gastronomia, a par de outros aspetos da cultura tradicional e popular é uma das que nos distingue dos outros povos. A nossa Gastronomia é única e apreciada, podemos dizer, no mundo inteiro. Que papel considera que a gastronomia desempenha na promoção turística do País? A Gastronomia Portuguesa é uma das marcas principais na promoção do nosso país. Cada vez mais apreciada por quem nos visita desempenha um forte papel no desenvolvimento da economia local. Como seria possível conseguir a internacionalização da nossa gastronomia? A meu ver a nossa Gastronomia já está muito divulgada e internacionalizada. Para isso, muito devemos aos portugueses da Diáspora que promovem, e bem, tudo que se refere ao seu país de origem. A título de exemplo, um dos melhores restaurantes de Toronto é português, chama-se “Chiado”, e é exclusivo da Gastronomia Tradicional Portuguesa. Em Zurique, um dos restaurantes de maior referência da cidade é português e privilegia, também, a gastronomia tradicional do nosso país. Exemplos como estes existem, felizmente, um pouco por todo o mundo. Também as feiras internacionais de mostra de produtos tradicionais são um fator importante para a internacionalização da nossa gastronomia. O que pensa das recentes modificações operadas na “Nona Arte”? Considero a revista “Nona Arte” uma publicação bem conseguida que privilegia e divulga a nossa Gastronomia. Os artigos sobre aspetos históricos da gastronomia portuguesa que aborda são de extrema importância para quem gosta, estuda e se preocupa com este sector da cultura tradicional portuguesa. Quanto à divulgação dos eventos levados a cabo pelas Confrarias Portuguesas é também importante porque nos dá a conhecer a realidade confrádica que o país está a viver. Parabéns aos editores e produtores pelo bom trabalho realizado.

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Para além dos Capítulos enumere outras atividades levadas a efeito com regularidade pela vossa Confraria.


Um Museu na Praca de Toiros ´ O Museu do Saca-rolhas por Lisboa por Lopo de Castilho No passado mês de Outubro, o Museu do Saca-rolhas andou pela primeira vez pela capital e começou logo por aquele que é actualmente, um dos mais importantes eventos de divulgação e promoção de alguns dos melhores vinhos de Portugal, o Mercado de Vinhos do Campo Pequeno. Com efeito entre os dias 23 e 25 desse mês, tal como nós, rumaram para a capital mais de 100 produtores nacionais de vinhos de grande qualidade. Este evento, que terá a sua 5ª edição já no próximo ano, tem como uma das suas principais características, ser uma montra privilegiada de promoção, para pequenos produtores de vinhos de norte a sul de Portugal. Todos eles têm em comum o facto de constituírem uma selecção alguns dos melhores vinhos de Portugal, que não estão nas grandes superfícies. Assim sendo, trata-se também de uma oportunidade única, do grande público da Capital descobrir umas quantas preciosidades a que normalmente não tem acesso. Como não poderia deixar de ser, num evento onde estiveram presentes todas as regiões do país, o Dão estava excelentemente representado.

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como seja o caso de Azeites Virgem, enchidos, queijos e compotas, numa uma selecção muito criteriosa de algumas das nossas melhores iguarias. Entre os produtores de queijos, não poderíamos deixar de mencionar a presença dos fantásticos produtos da Queijaria de Povolide, a única queijaria de excelência, do Concelho de Viseu. Este evento que Recria o espírito dos antigos mercados portugueses, num cenário cercado de vinho por todos os lados, pretende promover tudo o que de melhor se faz, relacionado com o vinho.

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Segundo os organizadores do certame, o evento destina-se assim a contribuir de forma significativa para a divulgação, estímulo e sustentabilidade de micro empresas nacionais, que pela sua reduzida dimensão e apesar de toda a sua qualidade, tem muitas vezes bastantes dificuldades em vingar; O objectivo crucial passa desta forma pela sensibilização para a aquisição de produtos portugueses, de grande qualidade, contribuindo deste modo para o fortalecimento da economia portuguesa. Eis objectivos com os quais o projecto Museu do Saca-rolhas se identifica totalmente!

Para além dos vinhos, este evento contou ainda com um leque restrito de produtores de outras iguarias, que dão ainda mais relevo a grandes vinhos; Na arena do Campo Pequeno, em piso alcatifado e espaço coberto, também não faltaram alguns produtos tradicionais portugueses, A importância deste certame é tal que, logo à entrada, o IVV – Instituto da Vinha e do Vinho -, um dos parceiros institucionais do evento, expunha um interessante espólio de objectos antigos, relacionados com a elaboração de vinhos. E, paredes meias com esse espaço, lá estava também o Museu do Saca-rolhas. Tivemos a honra de ser convidados pela organização do evento, para nos associarmos a este grande encontro vínico, contribuindo deste modo para abrilhantar ainda mais este certame, e simultaneamente divulgarmos o nosso projecto e missão, junto dos mais de 10 000 visitantes, com que contou o Mercado de Vinhos do Campo Pequeno. Visto que já haveria outros antigos objectos vínicos presentes, optámos por pôr em destaque a actualidade e o Design. Assim, como quantidade nem sempre é sinónimo de qualidade, seleccionámos para esta mostra, apenas quatro saca-rolhas de excepção, alguns dos quais já aqui mencionámos, em anteriores artigos da Revista StudioBox.


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Quatro saca-rolhas, quatro designers, de distintas gerações e latitudes diferentes, percorrendo o mundo, dos Estados Unidos ao Japão. Nas novas gerações, Line Bogen, com o seu prático saca-rolhas LTB; de Itália, a ainda jovem mas já bastante experiente Designer Alessandra Baldereschi, com o extraordinário Saca-rolhas Helix. Do Japão, a eficiência do Saca-rolhas OWL, do nipónico Mitsunobu Hagino. Por último, uma sentida homenagem a um dos grandes arquitectos e designers Norte-Americanos do século XX, falecido no corrente ano, Michael Graves, com um dos saca-rolhas por ele concebidos. Cada um destes saca-rolhas esteve exposto individualmente, num original “pedestal”, integralmente revestido a cortiça, ou não fosse o Museu do Saca-rolhas uma instituição que tem como um dos seus objectivos primordiais, a promoção desta nobre matéria, que é também uma das maiores riquezas nacionais. Em pano de fundo, um vídeo onde os diversos Designers falavam do seu trabalho. Este foi elaborado por dois dos nossos mais recentes parceiros, a Macro Makers e a Critec - Design de Comunicação. Para além do mais, estes dois parceiros estiveram presentes durante todo o evento, para nos auxiliarem num maior intercâmbio com os muitos visitantes que nos procuraram. E foram muitos os visitantes que não resistiram também a tirar uma foto, “emoldurados” na moldura revestida a rolhas, concebida pela jovem empresa de Moimenta da Beira - Macro Makers -, chefiada pelo dinâmico Tiago Ramos. Como sempre a Studio Box, esteve também ao lado do Museu do Saca-rolhas, desde o primeiro instante; sendo autores da nossa imagem institucional, a sua colaboração é sempre crucial e por isso aqui fica o nosso agradecimento sincero. Em matéria de agradecimentos, gostaríamos ainda de mencionar aqui um “Beirão” de origem, mas radicado na capital, o Dr. Tomás Caldeira Cabral, organizador do evento, pelo simpático convite, bem como pelo seu entusiasmo em relação ao Museu do Saca-rolhas. A todos os nossos parceiros e apoiantes, o nosso “Bem Haja” pelo seu apoio incondicional.

Se esta foi a nossa primeira presença num grande evento vínico, foi certamente a primeira de muitas; Graças a este nosso primeiro grande sucesso, já chegaram até nós convites para estarmos presentes noutros eventos, nacionais e internacionais. E, novos parceiros, e desafios é coisa a que estaremos sempre abertos. Saca-rolhas, vinhos, garrafas e cortiça, aliança perfeita, conjugadas pelo Museu do Saca-rolhas com o melhor Design mundial; eis de forma resumida o projecto Museu do Saca-rolhas, e o trabalho que desenvolve em prol de Portugal. Nota Final: Quando estávamos a escrever este artigo, ocorreram os horrendos episódios de dia 13 de Novembro, em Paris. E como amantes de vinhos, ocorreu-nos lembrar a todos que, de uma religião e um grupo de fanáticos que são inimigos do Vinho, dificilmente seria de esperar alguma coisa boa… Aqui fica a nossa breve reflecção e homenagem a todas as vítimas deste, bem como de tantos outros atentados, cometidos por estes bandos de criminosos.

Fotografias e legendas: 1 Saca-rolhas Helix, da designer Alessandra Baldereschi, executado pela prestigiada empresa Italiana De Vecchi, durante a exposição no Mercado de Vinhos.

2 Mais de 100 produtores presentes: instantes antes do início do certame.


sou de bom garfo Quem visita Viseu e a sua zona histórica encanta-se com as suas ruas e as memórias nelas contidas. A cada esquina que o visitante contorna surgem novas descobertas. Quando a fome aperta e os meus amigos me perguntam onde se come bem na melhor cidade para se viver, tenho que responder: Existe um estabelecimento entre a rua do Carmo e a rua Direita, ao fundo de um túnel com com um ambiente requintado mas simultaneamente informal aliado à gastronomia tradicional portuguesa: O Pateo.

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O Pateo é um dos restaurantes mais apreciados da cidade de Viseu, como cliente reparo que os turistas que o visitam ficam agradavelmente surpreendidos com a sua cozinha e quando regressam à cidade fazem questão de voltar para saborearem os vários pratos. Muitas são as

especialidades da casa, desde o bacalhau à moda da aldeia, o bitoque na caçarola, a grelhada terra e mar, o polvo dourado com migas, o espeto de lulas com gambas entre tantos outros. Estes podem ser acompanhados pela excelente selecção de vinhos do Dão e néctares do Douro e do Alentejo. A decoração com as suas madeiras, cerâmicas, plantas, quadros e candeeiros transporta ao passado aqueles que o visitam.

Um restaurante que surpreende diariamente os seus clientes, quer pela qualidade e detalhe quer pelo acolhimento simpático.


13 Falar do restaurante O Pateo sem referir o seu chef seria incompreensível. Miguel Pinto é a alma do Pateo, um profissional dedicado que ama o que faz. Entrega toda a sua alma, recebe os clientes, gere as reservas, está ao balcão, faz compras, lida com fornecedores, enfim tudo faz para que o Pateo seja um espaço apreciado e valorizado. Aos meus amigos sempre aconselho uma visita a este restaurante com a certeza de que apreciarão a típica cozinha beirã e que regressarão à cidade com vontade de repetir a experiência! Lemos Figueiredo


Vinho Ou uma questão de conceito? Se procurarmos uma definição de gastronomia ficamos a saber que é um “conjunto de conhecimentos e práticas relacionadas com a cozinha, nomeadamente a confecção de refeições, com a arte de saborear e apreciar as iguarias”. O vinho, como elemento gastronómico, raramente aparece nas definições como “elemento agregador” numa refeição que nos inspira e alimenta o corpo e o espírito.

“O vinho é, hoje por hoje, o grande atractivo de quem procura conhecer uma região e por isso falamos de enoturismo, um conceito cada vez mais na moda. “

Naturalmente que, e nem todos estarão de acordo, o vinho é fundamental numa refeição. É claro que para muitos um bom prato pode ser sempre acompanhado de água, cerveja ou outra qualquer bebida, mas, convenhamos, não é a mesma coisa. Depois, falar de harmonização é “casar” vinho com comida. O vinho é, hoje por hoje, o grande atractivo de quem procura conhecer uma região e por isso falamos de enoturismo, um conceito cada vez mais na moda. O vinho é um “dos maiores potenciais turísticos de Portugal”, numa altura em que, segundo dados conhecidos recentemente, metade dos turistas que visitam produtores de vinho em Portugal são estrangeiros e destes 45% vão do Brasil. Mas o enoturismo precisa de gente que “perceba da poda” e que o entenda como forma de promoção e divulgação e não como uma despesa. Lembro-me de uma viagem à Alemanha, há quatro anos, em que fiz uma visita às regiões vitícolas em torno de Frankfurt, a atenção que os produtores de vinho tinham com os visitantes. A fórmula é simples: convidam-se os passantes a visitar a adega, a vinha, que, no caso, ficava junto à adega, enquanto a conversa vai fluindo em torno do projecto, as castas plantadas e a forma de fazer o vinho. Tudo de uma forma simples e sem grandes ‘trunfos na manga’. Na verdade, ficámos a saber quase tudo. Depois de provar os tintos na cave, tirados dos pipos, fomos encaminhados para uma sala de provas, onde o ‘confronto’ com o portefólio daquele produtor nos esperava. Uma mesa com garrafas já abertas e copos de prova e amabilidade e gentiliza ‘dadas’ à descrição. Depois da prova, fomos convidados a dar a nossa opinião sobre os vinhos, que a senhora agradeceu, com a mesma amabilidade com que nos abriu a porta. No meu caso, e também dos meus companheiros de viagem, acabei por comprar algumas garrafas, não que tal me fosse imposto, tampouco sugestionado, mas porque senti a obrigação de o fazer após aquela recepção e a atenção que nos foi dada. Ficámos a saber que aquele produtor vendia metade das 50 mil garrafas que produzia à porta da adega.

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Em Portugal, na maioria dos casos, não existe esta cultura, embora esse conceito esteja a mudar, não só porque as Rotas, mais ou menos organizadas, estão a funcionar, mas também porque há maior abertura por parte dos produtores, em muito devido à chegada de gente nova e com mente mais aberta, nomeadamente enólogos e outros profissionais do sector bem preparados.

Por Terras de Vera Cruz, nomeadamente em torno de Curitiba, - a região que melhor conheço -, o conceito é o mesmo, mas salpicado com alguns “truques” que são, naturalmente, um complemento para o produtor, desde lojas de vinhos à entrada das vinícolas, até a áreas de restauração junto às adegas e às vinhas, num conceito mais agregador, mas ao mesmo tempo eficaz de escoamento da produção, não só na venda directa na loja, mas também no restaurante. No meio de tudo isto, a atenção e simpatia de quem recebe, fundamental para cativar os visitantes e que, naturalmente, volta outras vezes. No Brasil, o vinho é um ‘mundo de surpresas’. De país importador, o Brasil é hoje também produtor de vinhos, que se vêm afirmando, nomeadamente na produção de espumantes de excelente qualidade. Mas, o mundo do vinho é um mundo de conceitos. O conceito enoturismo, de bem receber, de harmonização, de prova, do gosto e de muitos outros. Porém, só o vinho reúne o consenso quanto ao conceito da amizade. Assim, brindo à vossa… com vinho, naturalmente. Texto por José Luís Araújo (Jornalista)


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RECANTO DOS

CARVALHOS RESTAURANTE PIZZARIA

www.recantodoscarvalhos.com


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´ o que e nacional e bom

“Este é outro dos segredos da nossa culinária. O facto dos produtos que queremos, gulosos como somos, comer quando nos apetece, não se compadecerem com a nossa gulodice e aparecerem apenas no tempo certo,...”

O meu regresso a Portugal nestes tempos de Advento, tem sido marcado por uma viagem gastronómica aos sabores únicos que pautaram a minha infância e adolescência e à redescoberta dos produtos genuínos, que no tempo certo, aparecem para nos alegrar a existência. Ao contrário da cozinha brasileira, riquíssima em condimentos, molhos e especiarias, a cozinha portuguesa é do mais simples que existe e é essa simplicidade que faz dela uma das melhores do mundo. Por aqui, a gastronomia vive da frescura, que é como quem diz da qualidade dos alimentos, confeccionados da maneira menos elaborada possível. Veja-se, por exemplo, o célebre ditado que determina que só existem três maneiras de comer bacalhau: cozido, assado ou estragado. Deixando de lado o exagero óbvio, a verdade é que dos legumes aos peixes, passando por mariscos e carnes, a melhor forma de realçar os sabores únicos que possuem é cozê-los ou assá-los (grelhá-los), de preferência temperados apenas com um pouco de sal, para depois, na mesa, os regarmos com o melhor e mais saudável dos molhos, o azeite. E isso, sabemos fazer como ninguém. Ora eu, acabadinho de chegar de uma temporada mais longa do que o habitual em Terras de Vera Cruz, mal pisei solo lusitano, atirei-me a uma garoupa fresquíssima, que depois de levemente cozida em água do mar onde viveu a vida toda e acompanhada de uns grelos de nabo ainda cobertos de pequenas gotas do orvalho da manhã, me transportou aos tempos da meninice, obrigando-me a uma inusitada caminhada pelos pinhais das encostas do Dão, em busca de míscaros, escassos este ano, por vicissitudes climatéricas que os tornaram ainda mais desejados, a fim de saciar a minha ânsia de sabores do passado.

Este é outro dos segredos da nossa culinária. O facto dos produtos que queremos, gulosos como somos, comer quando nos apetece, não se compadecerem com a nossa gulodice e aparecerem apenas no tempo certo, indiferentes aos nossos pantagruélicos desejos. E, quando, como que por magia, os descobrirmos fora de tempo nas prateleiras de qualquer mercado ou mercearia, desconfiemos, porque não satisfarão as nossas exigentes papilas gustativas, habituadas apenas a degustá-los no seu melhor. Mas, voltemos aos míscaros, que depois de lentamente guisados (e guisar é outra arte bem portuguesa) em lume brando e tendo por companhia um arroz sujo de forno, me devolveram o orgulho de ser beirão, filho desta terra abençoada, onde brotam, por entre musgo, raízes e pedras, os melhores cogumelos do mundo, apenas não reconhecidos (ainda bem, acrescento invejoso), por manifesto desconhecimento, caso contrário, iriam parar, à semelhança dos melhores peixes da nossa costa, à mesa dos mais conceituados restaurantes mundiais.


O cozido que se lhes seguiu, mais para matar saudades da morcela e da chouriça da beira, é talvez o mais acabado exemplo de como algo de simples pode resultar de forma tão saborosa e completa. Como sabemos, o cozido à portuguesa não tem segredos, a não ser o da escolha dos melhores ingredientes, carnes, enchidos e, sobretudo, couves, nabos e cenouras bem frescos, utilizando a água da cozedura lenta dos produtos, para a confecção do arroz e para regar as carnes mais secas e ir aquecendo os legumes durante o repasto. A verdade é que não há que se lhe compare! Tinha saudades destas iguarias rudes, mas genuínas e da forma despreocupada como as vamos preparando. Em boa verdade, empenhamos mais dedicação à cata dos produtos nos mercados ou nas hortas caseiras do que na cozinha, na sua elaboração. Na nossa culinária, os ingredientes são os reis e isso faz toda a diferença.

Claro que, nos últimos anos, os novos chefs de cuisine, que pululam um pouco por todas as regiões do país, reinventaram pratos tradicionais, entregando-lhes ousadas roupagens, mas mantendo no essencial a simplicidade da sua confecção. A cozinha de autor, como hoje se gosta de chamar às criações mais ou menos inovadoras de alguns desses novos cozinheiros, resultou apenas quando estes optaram por basear as suas experiências nos produtos tradicionais da nossa gastronomia, fugindo à tentação de copiar tendências que nada tinham a ver com as raízes culinárias portuguesas. Viseu é um belíssimo exemplo disso mesmo. A sensatez de alguns dos chefs que mais têm sobressaído na culinária beirã permite-nos desfrutar de experiências gastronómicas extraordinárias regadas com o novo vinho do Dão, a que a nova geração de enólogos soube devolver o carácter que lhe granjeou fama num passado não muito distante. Esta combinação tem feito a diferença e, confesso, encheu-me de orgulho!

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Texto Por João Moreira


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Boas

Festas


casas do prior Centro Social e Casas do Prior

O Centro Social e Paroquial de Trevões localiza-se no concelho de S. João da Pesqueira, em pleno coração do Douro vinhateiro, património mundial da UNESCO. O Alto Douro Vinhateiro é uma região de uma beleza inigualável que reflecte a sua evolução tecnológica, social e económica. A paisagem para além de ser uma obra de arte da natureza reflecte o trabalho árduo do Homem, que a moldou até a transformar naquilo que é hoje em dia: um manto de socalcos que se desenrola nas encostas não só da beira rio, mas de todos os montes e vales envolventes. É neste espírito do povo duriense, de luta, empenho, coragem e vontade de concretizar obra que surgem os sonhos. O sonho desta instituição começou em 1982, num encontro comunitário. Foi um percurso longo e trabalhoso, mas que hoje apresenta muitos e bons frutos. Na altura, com a angariação de fundos entre a população e o trabalho voluntário de alguns, construiu-se um pequeno edifício que durante anos foi o Centro de Dia e a base do Serviço de Apoio Domiciliário da Instituição. Esta obra foi inaugurada a 2 de julho de 1994, com os respectivos acordos de cooperação com a Segurança Social. Mas as necessidades das pessoas idosas da região e a vontade de melhorar o apoio a esta geração tão vulnerável, cujas carências não eram colmatadas só com esta infraestrutura, exigiam outro tipo de resposta. Em 1996 começou a sonhar-se e a trabalhar-se num novo projecto: a construção de um Lar. Após a escolha da localização para a construção do novo edifício, elaborar o projecto e conseguir ajudas financeiras, foram algumas das dificuldades só ultrapassadas pelo grande empenho, dedicação, motivação e dinamismo do Pe Amadeu.

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Foi assim que nasceu o Lar de Santa Marinha - orgulho do povo de Trevões. A festa da inauguração decorreu no dia 20 de Setembro de 2002, com a presença do então

Neste espaço pretendemos guardar, preservar e divulgar obras de arte antigas, reflexos da sua beleza e do seu valor, para que as gerações vindouras possam testemunhar a história e riqueza das suas raízes, nas quais assentam o presente. Ministro da Segurança Social e do Trabalho, Dr. António José de Castro Bagão Félix. A Estrutura Residencial para Pessoas Idosas é uma resposta social desenvolvida em alojamento colectivo, que se destina a idosos em situação de maior risco de perda de independência ou de autonomia, com pouco ou nenhum apoio familiar, ou ainda quando as condições de habitabilidade são incompatíveis com um nível mínimo de qualidade de vida. Aos idosos desta resposta prestam-se serviços permanentes e adequados à situação particular de cada indivíduo, tendo em vista a manutenção das suas capacidades físicas e mentais, para que o processo de envelhecimento se desenvolva de forma normal. Para que isto seja possível intervimos nas mais diversas áreas, proporcionando a todos os nossos idosos: uma visita semanal do médico; um enfermeiro; presença diária de uma animadora sócio-cultural que fomenta diversos tipos de actividades mediante a capacidade física e psicológica de cada um; aulas de ginástica; refeições variadas; a recitação diária do Terço; passeios lúdicos e religiosos, etc. Temos Acordo com a Segurança Social para 31utentes, distribuídos por 18 quartos, 5 individuais e 13 duplos. No entanto, o recurso à institucionalização de um idoso é feito só quando a solução apresentada por outras respostas sociais não é suficientemente satisfatória. O Serviço de Apoio Domiciliário é uma resposta social que se traduz na prestação de cuidados individualizados e personalizados no domicílio, a indivíduos e famílias quando, por motivo de doença, deficiência ou outro impedimento, não possam assegurar temporária ou


O SAD prestado pelo Centro Social e Paroquial de Trevões tem características muito específicas que o diferenciam dos serviços prestados pela generalidade das Instituições. Os clientes têm ao seu dispor as carrinhas do Centro Social para que, sempre que seja necessário, se desloquem às nossas instalações para fazerem a sua higiene pessoal, uma vez que a maioria dos utentes não tem condições de habitabilidade que lhes permitam tomar banho nas suas próprias casas. São confeccionadas quatro refeições por dia e entregues por duas vezes: à hora do almoço e ao jantar. Sempre que o cliente necessita de auxílio para fazer pequenas compras ou pagamentos de serviços como água, luz e telefone os idosos recorrem às colaboradoras, que diligentemente resolvem estas situações. Os nossos clientes usufruem ainda da possibilidade de vir semanalmente ao médico sem qualquer tipo de custo. Este serviço inclui o transporte do cliente até ao Lar e a entrega da medicação prescrita pelo médico no seu domicílio, sem que tenha que se deslocar à sede do concelho para a adquirir. Em alguns casos faz-se a preparação e entrega da dose diária de medicação.

Porém, o acompanhamento dos clientes desta resposta é mais próximo, uma vez que se deslocam diariamente às nossas instalações onde são satisfeitas as suas necessidades básicas e onde se fomentam relações interpessoais de forma a evitar o isolamento. Temos 10 clientes em Centro de Dia. Surge um novo sonho, um novo projecto. Uma vez que Trevões é uma vila rica em património cultural e religioso, decidiu esta Instituição recuperar uma casa antiga par criar o Mast – Museu de Arte Sacra e Oficina de Cultura. Neste espaço pretendemos guardar, preservar e divulgar obras de arte antigas, reflexos da sua beleza e do seu valor, para que as gerações vindouras possam testemunhar a história e riqueza das suas raízes, nas quais assentam o presente. Depois de mais uma etapa alcançada surge um novo desafio: contribuir para a reabilitação do centro histórico de Trevões onde se localiza a Igreja Matriz (Património Nacional) o Museu de Arte Sacra, o Museu Etnográfico e diversas casas brasonadas de grande valor arquitetónico. De um edifício quase em ruínas e aproveitando todas as suas características de casa agrícola criaram-se as Casas do Prior.

Centro de Dia é, também ele, uma resposta social desenvolvida tendo como principal objectivo a manutenção do idoso no seu meio. Os nossos clientes usufruem de todos os serviços de que dispõem os clientes do Serviço de Apoio Domiciliário.

Este empreendimento pretende ser uma resposta hoteleira que proporciona conforto uma excelente alternativa turística para a prática de atividades em permanente contacto com a natureza no seu estado mais puro. Ao ficar alojado nas Casas do Prior, terá a oportunidade de disfrutar de ótimos dias de descanso, perfeitos para uma fuga à rotina. É o local perfeito para Fins de semana, férias, turismo de habitação e turismo rural.

Texto por Dra. Luisa (directora técnica da instituição)

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permanentemente, a satisfação das suas necessidades básicas e/ou as actividades de vida diária.


entredesafios Formação Profissional

“...desenvolvimento pessoal e melhoria da qualidade dos recursos humanos das organizações e gerar riqueza de conhecimentos e sabedoria.”

A Entredesafios surge em Viseu em 2014, através da 1ª parceria estabelecida no âmbito da prestação de serviços com uma entidade formadora certificada pela DGERT. Desde então a Entredesafios tem vindo a sedimentarse no mercado formativo, adquirindo uma vasta experiência profissional, tendo estabelecido várias parcerias desde então.

rização dos recursos humanos através de um serviço que agrega valor acrescentado e que se reflita na melhoria da performance organizacional, pelo melhor desempenho individual. Temos como princípio, realizar ações de formação profissional, privilegiando o desenvolvimento pessoal e ir ao encontro da satisfação e expectativa de cada um.

A nossa empresa está entre outras, presente no apoio à actividade da formação profissional, onde opera sob protocolos estabelecidos com entidades protocolares com o IEFP, e certificadas pela DGERT na execução de várias acções de formação em várias áreas distintas. No desenvolvimento da nossa actividade, desempenhamos tarefas e/ou actividades especializadas em função do estabelecido em protocolo.

Visão

A empresa Entredesafios, vocacionada para a colaboração e apoio ao coordenador Nacional/Regional, criou condições para garantir um serviço com elevados padrões de qualidade aos formandos e aos seus parceiros. Em consequência dessa estratégia, da sua boa execução e reconhecimento público, a Entredesafios atingiu um volume de formação até agora significativo. O conhecimento da marca ENTREDESAFIOS tornou-se irrefutável, pela vasta oferta de formação executada e, pelo profissionalismo prestado em cada projecto que abraçamos, revelando o valor intrínseco dos desafios que fazem parte do nosso projecto.

QUEM SOMOS

A Entredesafios é, actualmente conhecida no apoio ao sector da formação profissional, regendo-se pelos mesmos princípios que estiveram na base do sucesso das formações executadas e apresentadas que actualmente a compõem, tornando evidente, que a dimensão e o crescimento são conciliáveis com a manutenção de um serviço de excelência. Corresponder ou exceder as expectativas dos nossos parceiros, apresentando as melhores soluções de formação baseadas no diagnóstico de necessidades e suportadas por serviços de qualidade e rigor é um dos nossos princípios.

Missão 22

A Entredesafios tem como missão contribuir para a valo-

Ser uma empresa de referência, excelência e inovadora na área da formação profissional e contribuir para o desenvolvimento pessoal e melhoria da qualidade dos recursos humanos das organizações e gerar riqueza de conhecimentos e sabedoria. Desenvolver e qualificar Recursos Humanos; Utilizar estratégias formativas e de apoio adequadas e eficazes para prover as necessidades económicas, sociais e pessoais de todos e de cada um; Aumentar a qualidade da formação e a notoriedade dos organismos com os quais intervêm; Inovar e credibilizar a formação; Destacar-se como organização de referência, inovadora e competitiva, para os setores do Comércio e dos Serviços; Contribuir para a qualificação e melhoria do desempenho, através de ações de formação a membros de entidades militares e civis ligadas à Defesa Nacional e à Proteção Civil, no âmbito de eventuais protocolos que venham a ser estabelecidos; Visamos orientar e auxiliar o setor empresarial através de estratégias personalizadas e ajustadas às necessidades da empresa, indo ao encontro do mercado, através de consultoria.

Os Nossos Valores Rigor Integridade Comprometimento Valorização Inovação


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a toca do vinicius Uma onda que se ergueu no mar Breves considerações às margens da Bossa Nova Há coisas que não se explicam. Sentem-se. Assim é a minha relação com o Rio. Muito antes de o visitar pela primeira vez, já éramos íntimos. O oceano que nos separava parecia reduzido ao tamanho de um pequeno curso de água, que eu pulava com facilidade para chegar à outra, ambicionada, margem. Quase diariamente, deambulava pela Rio Branco, ou pela Presidente Getúlio, perdia-me nas pequenas ruelas do Centro e parava no Arco do Teles para ouvir as rodas de samba, antes de me sentar na penumbra do Bar Luiz e tomar o melhor chope do centro da cidade. Mais tarde, havaiana no pé, short e camiseta, sorriso aberto ao sol de verão, feito carioca, percorreria o calçadão, do Leme ao Leblon, adentrando, por vezes (mais do que as desejáveis), nas refrescantes ruas de Copacabana e de Ipanema para chopear e bater papo sobre futebol, quase único tricolor, num mundo de vascaínos e flamenguistas. Com o fim de tarde, recolheria à Travessa, para um café regado a livros e revistas, antes de um passeio pela Visconde de Pirajá e uma oração rezada em silêncio na pequena Igreja de Nossa Senhora da Paz, partindo, depois, noite dentro pelos botecos de Botafogo e pela animação incontida da Lapa.

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Percorri cada um destes pedaços de Rio e tantos outros, num tempo em que a internet era coisa de ficção científica e a única forma de viajar em sonhos era a literatura. Por isso, foi pelas mãos de Vinicius e Drummond, de Garcia-Roza e Rubem Fonseca, de Ubaldo Ribeiro e Nelson Rodrigues, de Machado de Assis e Lima Barreto que deambulei sentado na casa de meus pais, em Viseu, Portugal, pelas ruas desta cidade ímpar. Mas, essa paixão começara muito antes, num final de manhã chuvosa de agosto de 1981, aos dez anos de idade, na Figueira da Foz, onde, por tradição familiar íamos a veraneio mal as aulas terminavam e o calor de verão se fazia anunciar. Nessa manhã longínqua, impossibilitado de ir brincar para a praia, fiquei em casa lendo e tendo como única companhia os sons distantes da velha Philco a preto e branco, que nos acompanhava religiosamente nesta mudança anual. De repente, um

som dissonante, estranho, mas melodioso e ritmado começou a ganhar corpo na velha televisão e uma voz quase inaudível confiscou toda a minha atenção. Parei a leitura e concentrei-me na TV, onde um homem de terno escuro, sentado numa banqueta de madeira, violão na mão, entoava “pois há menos peixinhos a nadar no mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca...” Durante quase uma hora ouvi atentamente João Gilberto, num show gravado ao vivo na TV Globo. Meu Deus, o que era aquilo? Que música, que batida, que voz suave e gostosa. Que genialidade, que perfeccionismo. Sei que saí de casa e fui procurar todos os LP’s do João disponíveis no mercado. Comprei dois, os que encontrei: Getz/Gilberto e João Gilberto e foi um verão inteiramente dedicado à Bossa Nova e à descoberta da cidade que lhe dera origem. Um verão que mudou a minha vida. Muitos anos decorreriam até que aterrissasse pela primeira vez no Galeão, ou melhor, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim e pudesse confirmar, ao vivo e a cores, cada um dos motivos dessa incontrolável paixão. Dessa primeira vez, quando a porta do avião se abriu e senti no rosto uma baforada de ar quente, percebi que estava em casa. E nem o trajeto pela Linha Vermelha, ladeada de favelas numa espécie de choque de realidade, nem o cheiro putrefato da Baía de Guanabara, presente de Deus envenenado pelo Homem, mudaram o meu encanto pelo Rio. Nessa viagem inicial, descobri, por acaso, o mais charmoso e encantador recanto de Ipanema, a Toca do Vinicius e por lá me perdi, horas a fio em conversas com o seu fundador e proprietário Carlos Alberto Afonso, sobre a música e a poesia, a política e a sociedade, e sobre as muitas divertidas estórias dos génios que entregaram ao mundo a mais extraordinária das músicas modernas – a Bossa Nova. Treze anos percorridos sobre essa primeira de muitas outras visitas que foram acontecendo depois, regresso, como editor da Revista Valeu à Toca do Vinicius, para conversar com Carlos Alberto Afonso, um dos mais genuínos cariocas que conheci. Uma enciclopédia viva da riquíssima história da música popular brasileira e um preocupado e empenhado divulgador da diversidade cultural do Brasil. Aqui fica o registro possível de uma inolvidável tarde de conversa à roda da música e da poesia, da política e da literatura.


Revista Valeu – Como é que começou a Toca do Vinicius? Por que começou a Toca? Esse projeto que é, antes de mais, de divulgação musical, poética, literária e cultural, mas que também é político e social, com um sentido obviamente interventor e de mudança? Carlos Alberto Afonso – Em primeiro lugar, muito obrigado pela oportunidade desse papo. Bem, nós não visamos às mudanças, acreditamos nas transformações. Eu por princípio acredito na transformação, eu luto pela transformação e acredito que as alterações têm de resultar de transformações e não de mudanças. Eu tenho 65 anos e tive uma criação faustosa, uma adolescência faustosa e uma primeira idade adulta também faustosa, sem problemas financeiros, mas muito presa. Muito fechada em casa. Já na época havia mitos em relação à segurança, a história de um carro preto que raptava crianças. – Sorriso provocante no rosto. - Então, os meus amigos, eram os amigos dos meus pais. Acabei por ter uma infância solitária, não ausente de amor, mas solitária. Numa espécie de solidão camoniana: o andar solitário entre a gente. – Risos. – Eu vivia entre toda a gente, solitariamente. Talvez por isso, sempre gostei de pensar. Sempre senti necessidade de pensar. E isso me acompanhou ao longo da vida. Mesmo na minha atividade profissional, como professor, a minha disciplina não foi exatamente literatura, eu gosto muito de literatura, mas podia ter sido professor de História, de Filosofia, de Ciências Sociais, trabalhei com um grande e querido antropólogo, Darcy Ribeiro durante um bom tempo. Aliás, a minha perspectiva é sempre antropológica, mas a minha disciplina era Teoria Literária, quer dizer, o que me fascinava, não era tanto a emoção que o texto, fosse ele qual fosse, podia produzir em mim, o que fascinava era tentar descobrir o funcionamento daquele discurso.

Revista Valeu – Quando aconteceu a descoberta desse gosto pela literatura e pelo funcionamento do discurso literário? Carlos Alberto Afonso – Não foi com a minha primeira leitura. A minha primeira leitura, fascinante, inesquecível (eu tive muita sorte com isso), foi “Mar Morto” do Jorge Amado. Eu li “Mar Morto” com catorze anos e “Mar Morto” é um exercício lírico, é uma prosa de carga poética, de essência poética e despertou muito a minha emoção, mas a necessidade da reflexão veio depois, ela veio de Machado de Assis e nunca mais me deixou. Hoje, por

Por outro lado, há um personagem contemporâneo nosso, por quem eu tenho, em primeiro lugar, um grande, um enorme respeito. Eu respeito esse personagem como a muito pouca gente. O grau de respeitabilidade que guardo por ele, eu precisaria pensar um bocado para conseguir reunir meia dezena de destinatários desse respeito. Depois entra a admiração. Quer dizer, além do respeito, eu sinto uma enorme admiração por ele. Então eu tenho ocupado bastante tempo, destinado o meu tempo disponível, que é sempre muito exíguo, a pensa-lo. Eu estou falando de João Gilberto. João Gilberto. – Repete, como que querendo reforçar a importância desse nome. - E onde entra o Machado de Assis? Eu jamais tive dificuldades em definir as minhas convicções. A minha convicção foi sempre uma convicção fácil em relação ao João Gilberto. A compreensão é que não é tão fácil, exige reflexões, inclusive um pequeno acervo de fatos, em suma, Simão Bacamarte é um personagem de Machado de Assis, no conto “O Alienista” e é um paralelo que eu tenho trabalhado com João Gilberto. Ambos trancam a sociedade no mundo e ficam libertos, ficam inteiramente livres. – Risada generalizada. Revista Valeu – Devia escrever sobre isso. Que paralelo fantástico!

Carlos Alberto Afonso – É, estou escrevendo. Então, estas são coisas que vêm a partir da nossa visão de mundo, sempre refletindo. Não apenas em relação à emoção, gostando ou não gostando, se emocionado ou não, mas fundamentalmente, em relação ao material humano, à sociedade – Carlos, esboçando um sorriso marcado pelo arrastar suave da palavra sociedade, com uma acentuação particularmente aberta e prolongada da penúltima sílaba. – A sociedade é a palavra chave de tudo! A minha professora é a história, sem dúvida nenhuma, por isso para mim há um binómio fundamental: produção e sociedade.

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exemplo, com 65 anos, eu continuo dependente dele. Depois com Karl Marx. Aliás, estou fazendo uma resenha de “Karl Marx Vida e Obra”, escrita por Leandro Konder e que foi a leitura que salvou a minha vida, pois de certa forma foi ela que me livrou do caminho, obviamente com a melhor das intenções, carinhosamente imposto – risos – pelos meus pais. Com essa leitura eu percebi a minha vocação e foi ela que me orientou vocacionalmente para o ensino da literatura.


O professor é assim. Viaja nas conversas mantendo o norte. Parece perder-se em longas explanações sobre a as coisas, quando de repente, quando menos esperamos, retoma a nossa pergunta e aí percebemos como foi importante esse passeio pela história, pela literatura, pela sociedade para a resposta final. Ainda não sabemos como surgiu a “Toca do Vinicius”, mas com certeza, lá chegaremos. Carlos Alberto Afonso – Tudo isto apenas intuído. – Continua. – Mas, a partir de certo momento não apenas intuído, mas, com o trânsito da linguagem para a língua sendo devidamente realizado, efetivamente refletido. Revista Valeu – Isso aconteceu em que altura da sua vida? Carlos Alberto Afonso – Volto atrás, à minha infância. A minha busca sempre foi solitária. Eu aprendi, sobretudo, com essa solidão. A solidão me levou à reflexão, a brincar de carrinho e a ver e a jogar futebol, sempre. O divertimento da minha vida, sempre foi o futebol: ver e jogar. Revista Valeu – Qual é o seu time? Carlos Alberto Afonso – Eu sou vascaíno. Toda a minha família é portuguesa, com dupla nacionalidade, menos eu. Somos patrícios. – Ri Carlos, bem humorado.

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Revista Valeu – Isso eu lembro. A nossa primeira conversa há muitos anos acabou nas alheiras de Mirandela. Carlos Alberto Afonso após uma sonora gargalhada – Meu Deus, as alheiras. São o alfa e o ômega da minha vida! Tudo começa e acaba nas alheiras. – Brinca sobre a sua particular paixão pelo embutido português. Carlos Alberto Afonso – Mas, regressando. Assim, nessa solidão me fui formando e com 19 anos, já escrevia a correspondência do Presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Danton Jobim. E por quê? Porque eu tinha uma boa caneta. Eu tinha uma boa expressão tanto oral, quanto escrita. E foi engraçado, porque durante muito tempo, ele lia, cortava aqui, acrescentava ali e isso me frustrava um pouco.

Revista Valeu – O exercício da censura inconsciente não era simpático para si. Carlos Alberto Afonso – É de fato não era. – Expressão de saudade estampada no rosto. – Embora fosse exclusivamente técnica, a minha escrita. Mas, lembro o que senti quando escrevi a correspondência para o Richard Nixon, Presidente dos Estados Unidos, cumprimentando pela chegada do homem à Lua, então o Danton Jobim leu e disse assim: Pode datilografar como está. – Puxa a vida! Você não pode imaginar o que senti. Olhe aqui, ainda hoje me arrepio. – Carlos esticando o braço para mostrar os pelos eriçados pela emoção. - Esse foi o meu primeiro lugar de trabalho. Eu fazia faculdade de direito de manhã para o Itamaraty, faculdade de letras à noite, por minha causa e à tarde trabalhava na ABI que foi a minha primeira grande casa. Acho que o primeiro grande amor da minha vida. Neste momento, a Toca do Vinicius é invadida por um grupo de turistas e Carlos, para quem o atendimento personalizado é fator decisivo da sua empreitada cultural, abandona a entrevista para, sorriso afetuoso nos lábios, receber cada um dos curiosos visitantes do seu pequeno espaço da Rua Vinicius de Moraes em Ipanema. Quem entra na Toca, sabe ao que vem. Mais do que discos ou livros, busca as pequenas estórias que estão por detrás de cada um deles e sabe, à partida, que Carlos é um repositório dos episódios picarescos que fizeram a História da Bossa e da Cidade Maravilhosa. Aproveitamos para fumar um cigarro na Calçada da Fama de Ipanema, outra das ideias do professor, que a definiu da seguinte forma há tempos atrás - Eu diria que é um monumento de autoconstrução, na medida em que não é um escultor que produz essas peças, mas a própria pessoa que está sendo lembrada é quem grava suas mãos, escreve seu nome e a data. Então a Calçada da Fama não apenas quer ser, ela é um monumento representativo da cultura brasileira, em diversas das suas formas de produção: o esporte, a literatura, a música, a arquitetura e assim sucessivamente. – De fato assim é. Aqui estão imortalizados nomes como os de Elis Regina, Oscar Niemeyer, Chico Buarque, Elizeth Cardoso, Vinicius de Moraes, Ruy Castro, Daniel Jobim, Zico, Pixinguinha, Henri Salvador, Paulo Gracindo, Garrincha, entre tantos e tantos outros, numa espécie de monumento à memória coletiva de um país que se imortalizou pelas suas diversas formas de manifestação cultural.


Revista Valeu – Voltemos à Bossa e à batida e à voz do João Gilberto. Carlos Alberto Afonso – Item um: A emergência da Bossa Nova e a minha emergência existencial, elas coincidem. A Bossa Nova é formulada durante os anos 50 e eu também fui formulado durante os anos 50, então existe uma coincidência cronológica. Item dois: Tudo começou com o meu interesse pelo mundo. Veja a disciplina de que fui professor: Teoria Literária. Por que teoria literária? A teoria literária ela não só enseja como estimula relações interdisciplinares. Então você está mexendo com teoria literária significa que você está mexendo com escultura, com pintura, com música, ou seja, com aquilo que você achar que deva fazer para fortalecer o seu trabalho. Revista Valeu – A Bossa foi inovadora ao trazer a poesia para a música? Carlos Alberto Afonso – Não, não, não, não. Absolutamente não. Isso é um grande equívoco. A Bossa não precisa de poesia, não precisa de letra. A letra é importante para a canção, não para a linguagem. Música é uma coisa, canção é outra. Pintura é uma coisa, tela é outra. Então, da mesma forma que a tela materializa a pintura, a canção materializa a música. Minha sociedade é uma sociedade inteligente, talentosa, mas garotona, adolescente e imatura culturalmente, não falo de cultura acadêmica, falo de hábitos. Por exemplo, o hábito da relação com a execução musical. A minha sociedade, ela está habituada à relação participativa, então, ela precisa ser sujeito daquela relação musical. Ela pode estar ouvindo João Gilberto no Theatro Municipal e ela vai querer cantar junto com o João Gilberto não percebendo que ele não vai ficar contente, não por nada, mas porque o trabalho dele é a música, sendo a canção a forma como essa música vai chegar às pessoas, mas ele investiu um enorme tempo, muita expectativa na concepção das harmonias, na criação das estruturas harmônicas, na bolação dos arranjos, na pesquisa daqueles acordes, e no momento em que ele serve esse lauto banquete, é como se tivesse servido o vinho mais caro do mundo e você derramasse um pouco de água dentro, porque você gosta de suco de uva. – No meio desta fabulosa dissertação sobre a música de João Gilberto, Carlos atendeu uma ligação telefônica que despachou em segundos – estou muito ocupado, já ligo – sem perder o foco no que dizia sobre o mestre. – A Bossa Nova é uma música contemplativa, é música, é a forma de executar alguma coisa, seja ela qual for e ninguém tem o direito de desconhecer isso, porque João Gilberto ensinou isso para todo o mundo. Quando João Gilberto gravou canções que nasceram antes da Bossa Nova, Ary Barroso, Noel Rosa e tantos outros, quando ele gravou canções estrangeiras, transformando-as em samba primeiro, ele simplesmente nos sinalizou pela práxis, ele não nos sinalizou com discurso, ele nunca ousou sair daqueles limites, amplos por sinal, da arte. Ele se expressa artisticamente. Ele entende que a sociedade é a grande beneficiária da produção artística. Ele não pode levar para a sociedade nada que não seja o melhor que ele pode levar. E qual

é o melhor que ele pode levar? Não é analisar as coisas, porque ele não se propõe ser o analista daquele processo musical. Ele é artista. Ele se propõe à arte. Na hora em que ele quer comunicar coisas é através do exercício da arte que ele comunica. No caso, da Bossa Nova, que nasceu como forma alternativa de interpretar o ritmo samba, como opção à forma tradicional de interpretação, que era o choro. João Gilberto começa a formular a sua interpretação musical desde o final dos anos 40, início dos anos 50, absolutamente fanático pelo samba e enorme conhecedor da música popular brasileira. Começa a formular e não a inventar. A partir de elementos da música popular brasileira ele começa a propor uma nova linguagem, uma linguagem que sirva de alternativa à linguagem choro, para a execução do samba. Ponto. – Termina Carlos assertivo. - Então, a Bossa Nova foi a nave espacial levada pelo movimento, que foi o foguete propulsor que a leva até ao espaço. Chega lá, joga a nave em órbita e ele, foguete, explode e cai no mar. Há histórias musicais que se limitam ao movimento, porque a nave não entra em órbita, então o foguete explode com nave e com tudo. Aquele registro vai ficar na história com respeitabilidade, com seriedade. Nós temos propostas musicais com as quais aconteceu isso, que não têm permanência, que não se desdobram, não têm presença genética em formulações futuras, ficam na história, simplesmente. Não é o caso da Bossa Nova. No caso da Bossa Nova, o foguete levou a nave, colocou-a em órbita e a nave está orbitando e vai orbitar sempre, já presente geneticamente em outras propostas musicais posteriores. Quando você pega o tratamento que o João Gilberto dá às cordas tanto do violão quanto do piano, o trabalho dele com o silêncio, você vai observar isso em outros violões posteriores sem qualquer compromisso com a Bossa Nova, como aquela presença genética dos pais nos filhos sem que faça deles cópias.

Você vê a execução instrumental da Bossa Nova e não só instrumental, mas instrumental vocal, porque uma Leny Andrade não tem voz, tem um instrumento na garganta, então você ouve a Leny, aqueles elementos genéticos típicos do Jazz (o Jazz é a grande música, a minha geração, a geração da Bossa, ouve Jazz desde que nasceu e isso foi muito bom), o improviso, o gosto pelo improviso, as dissonâncias, você percebe que esses elementos do Jazz têm com a estrutura da Bossa Nova relação acessória, quer dizer, a sua ausência não compromete a Bossa, não é estrutural. Tem? Bacana pra chuchu, tremenda vibração, adorei. Não tem? Sem problemas, mas o comportamento Bossa Nova está lá presente.

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Aos poucos, a Toca vai esvaziando e regressamos à conversa com o nosso anfitrião.


Revista Valeu – O que quis dizer ao falar dos silêncios na música do João Gilberto?

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Carlos Alberto Afonso – Em São Paulo ele foi convidado para inaugurar o Credicard Hall. Isso é fato, embora muito didático, que tenho pena que não tenha sido devidamente aproveitado pela mídia. Então, tinha eco lá no Credicard Hall e ele observou isso e veio o técnico e corre daqui, tenta dali, o público já impaciente e o João – Tem eco, tem eco. Até ao momento em que após muitas tentativas, o técnico vem com a ideia de convencê-lo que não tem mais eco e chega ao pé do João e diz: agora acabou não tem mais eco. E o João: Você fez todos os esforços que podia ter feito? – Carlos baixando o tom de voz, como que imitando João Gilberto – Sim, sim, claro – responde o técnico. – Além desses esforços não há mais o que fazer? – Retruca João. - Não, não. – Aí o João pega o violão e vai embora. Quando ele vai saindo, um jornalista do Globo, ultra hábil, um diplomata, que soube respeitar e admirar o João, que é um artista, que é patrimônio brasileiro, um dos maiores patrimônios da gente, das nossas artes, pergunta: E aí João não deu, né? Ao que João responde: Não. Eu trabalho com a pausa. – Gargalhada geral. – Esse “eu trabalho com a pausa” seria matéria de 2, 3 páginas nos jornais para a nossa sociedade aprender, naquilo ali, o que é a Bossa Nova, o que é João Gilberto, porque é que não pode ter eletrônico. Tudo naquele: “eu trabalho com a pausa”. Claro, a pausa é um elemento fundamental. Para você ter uma ideia, antes dessa linguagem se materializar documentalmente por inteiro, numa gravação, ele acompanhou Elizeth Cardoso numa parceria em uma gravação dela de duas músicas do Tom e do Vinicius, “Chega de Saudade” e “Outra Vez” e o pessoal comentava: esse cara é maluco. Por quê? Porque em vez de fazer aquela pegada, aquela batida contínua de acompanhar o samba, dang dinga dang – Exemplifica – Ele trabalhou o silêncio, ele apresentou a pausa. Quer dizer, nesse momento, e a Bossa Nova não começa aí, há um vagido, um primeiro vagido, quer dizer, um componente estético daquilo que ele estava formulando coloca a cabeça de fora da vagina da mamãe, já está aparecendo ali, olhando, vendo a barra que ia segurar, porque o nascimento mesmo é 10 de Julho de 1958, com a gravação do 78 rpm do Chega de Saudade. Então, olha só, esse componente, quando a Bossa Nova ela vem à luz documentalmente, já havia um prénúncio, já havia um “tô chegando na área”, através de quê? Da pausa! Foi a primeira coisa que surgiu daquilo que estava nascendo, exatamente a pausa, tal a importância! É um componente do quadro estético da Bossa Nova. Para perceber melhor: eu tenho vários amigos paulistas e paulistanos. Um deles, muito meu amigo mesmo, com quem estou sempre brincando, não gosta do João Gilberto e ele é intimamente ligado ao futebol, profissionalmente ligado ao futebol e um dia chegou aqui furioso com o João e eu retruquei: Marcão há possibilidade de uma partida de futebol com uma bolinha quadrada? – Como assim? – Quadrada! – É claro que não, né. – Você consegue imaginar o publico exigindo que a partida se realizasse com uma bola quadradinha? O Público reclamando: Má vontade!! Porque é que não joga com a quadrada? Quebra o galho. O João tocar com reverber equivale mais ou menos ao futebol com bola quadrada. Algum futebolista toparia jogar com bola quadrada? Parece uma piada. Pois olha, para o João, que trabalha com a pausa, o reverber, o eco, é uma bola

quadrada, Marco, a gente tem de entender isso. O João Gilberto, Marco, tem dimensão internacional e por quê? O que é que é internacional? É a linguagem. A internacionalidade nasce por causa da universalidade da linguagem. Se a linguagem não fosse universal, a Bossa Nova não seria internacional. O japonês não entende aquilo que está sendo cantado, mas ele entende aquela harmonia, é educado suficientemente para a percepção da música. Eu só quero chamar a atenção para esse fato: a Bossa Nova não é um movimento, é uma linguagem para cuja implementação houve um movimento, ou seja, uma interação múltipla de artistas, de jovens, mostrando uns aos outros e de repente uma documentação gravada, até que ela entrasse em órbita. Entrou em órbita e permanece graças à força de estrutura. Ela não é alvenaria que você quebra com o martelo, ela é alicerces, vigas, pilastras. É isso daí, é uma estrutura.

Revista Valeu De que forma Vinicius de Moraes entrou na Bossa e na sua vida? Afinal, esta é a “Toca do Vinicius”. Carlos Alberto Afonso – Antes demais, Vinicius entrou na minha vida, porque com 12 anos de idade eu já sabia que seria um profissional da diplomacia, porque os meus pais tinham decidido que eu seria diplomata. Eu não sabia o que fazia um diplomata, não tinha a menor ideia do que era isso de ser diplomata, mas já sabia que ia ser diplomata. Era assim que funcionava na minha casa e em muitas casas durante os anos 50. Aí, com 12 anos de idade, eu que sabia que seria diplomata, vi num jornal (Eu quero dizer a você que eu tenho esse jornal. Meus pais eram memorialistas obsessivos e eu herdei esse fascínio pelo documento) um diplomata de carreira, sentado num night club, de terno e gravata, óculos de lentes escuras (aliás esse par de óculos me pertence, como mexas do cabelo dele, eu sou barra pesada – risos – muitas ex-mulheres dele que o amaram e me amaram, de maneira diferente, claro, reconheceram o meu trabalho e me legaram algumas coisas que guardo cuidadosamente)e fiquei incrédulo. Aquilo me fascinou. Fascinou o garoto de 12 anos e toda uma geração. Foi o fascínio exercido pela informalidade, pela atitude. É preciso entender Vinicius de Moraes do ponto de vista da atitude e do ponto de vista da obra. Do ponto de vista da obra, Vinicius foi um grande poeta. Ponto. Do ponto de vista da atitude ele foi único.

Revista Valeu – Um transformador. Carlos Alberto Afonso – Exatamente. Um transformador, não um “mudador”. Um transformador. E isso daí fascinou toda a minha geração. O personagem Vinicius de Moraes e o seu comportamento. O Vinicius sempre foi uma pessoa muito honesta. Nunca estive com ele como estou aqui com você, mas tenho essa impressão dele, de uma pessoa muito correta e muito honesta. Aliás, aquilo que eu falei sobre a Bossa, de não ter necessidade de letra, apenas o ouvi a outra pessoa – Vinicius de Moraes. Ele um dia afirmou que “a Bossa era o canto puro e solitário de João Gilberto, indefinidamente trancado no seu apartamento, arrancando das cordas do seu violão as


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harmonias e acordes dissonantes.” O Vinicius era muito inteligente. Olha a facilidade dele, uma facilidade única de fazer o trânsito entre a linguagem e a língua. Quer dizer, ele pensava preciso e correto e encontrava a palavra precisa e correta que correspondia a esse pensamento preciso e correto. É essa química. A minha admiração por ele sempre foi muito grande. Aí, quis o destino que eu fosse o quê? Professor de Literatura. Então usei e abusei de textos de Vinicius de Moraes. Criei muita proximidade. Vira parente. Tenho saudades da minha mãe, do meu pai, do Vinicius... – Risos. Carlos Alberto Afonso – Daí eu escrevi trabalhos, sempre pretendi que o Vinicius de Moraes chegasse aos segmentos mais populares da sociedade, porque eu estava trabalhando sobre alguém muito relevante no meu segmento, nada mais. Então você vê o seguinte, em 1993, ele faria 80 anos e por coincidência, a Toca é de 1993, por quê? Ronaldo Bôscoli e isso ocupa uma página inteira da biografia dele “A Bossa do lobo”, me convidou para fundarmos juntos, a Casa da Bossa Nova. Revista Valeu – Só para enquadrar, Ronaldo Bôscoli que foi um dos pais da Bossa Nova. Carlos Alberto Afonso – Eu diria que ele com Aloysio de Oliveira foram os dois grandes líderes. O Aloysio fundador da Elenco, mais empresarial, mais organizado, mais produtor e o Ronaldo mais ativo, mais passeata, mais sociedade, mais eu. – Risos – Com um detalhe, o Ronaldo Bôscoli era um cara muito culto, um letrista extraordinário. Revista Valeu – O letrista do Rio. Carlos Alberto Afonso – Sem dúvida alguma. Só a canção dele “Rio” – E Carlos trauteia: “rio que mora no mar, sorrio pro meu Rio...” - essa canção ela tem, dentre as canções laudatórias da cidade que eu conheço, a imagística, o acervo de imagens mais rico de todas. “Rio que não dorme porque não se cansa.” Puta que pariu – Exclamamos em uníssono. – “É sal, é sol, é sul...” você sabe o que é isso? Você sabe onde é que ele foi pegar isso? Oswald de Andrade, o futurista. Estou falando do movimento modernista no Brasil no princípio de século e o Oswald ele concebeu um movimento que era a antropofagia e a antropofagia consistia em quê? Em comer os valores existentes, que no caso eram os valores europeus. Então a proposta dele era devorar, simplesmente acabar com a primazia da tradição europeia no comportamento literário. O momento era o momento da América e não mais da Europa. Era o novo, no continente novo. Então, em determinado momento, Oswald de Andrade, arrebatado diz assim: “América do sol, América do sal, América do Sul.” O Bôscoli, muitos anos depois vai consubstanciar isso na cidade do Rio de Janeiro: Rio é sal, é sol, é sul. – Pela segunda vez durante a entrevista, Carlos estica o braço, mostrando o arrepio que sentiu ao recordar esta ligação extraordinária entre o movimento futurista e a poesia de Ronaldo Bôscoli. Carlos Alberto Afonso – Inspiração? Inspiração o cacete. Ele simplesmente tem uma bagagem de cultura acadêmica gigantesca e ele foi buscar aquele fresco na cabeça dele para atribuir ao Rio a consubstanciação daquela fórmula.

Revista Valeu – Dispersamo-nos da questão. Carlos Alberto Afonso – Sim. Regressemos então a 1993 e ao convite de Ronaldo Bôscoli para fundarmos a Casa da Bossa Nova. Ele disse para mim: você é professor e - aí ele usou aquela modéstia vaidosa – eu manjo um pouquinho de show – modéstia vaidosa porque ninguém manjava tanto quanto ele. E ele sabia disso – vai ser muito bom, porque você entra com essa parte de palestras e eu com a organização de alguns shows. O que é que você acha? – Eu estou encantado, porque de certa forma isso é o desdobramento das coisas em que eu acredito, significa interagir com a sociedade. Eu estou maravilhado e por isso diria já eu topo, mas quero conversar em casa e depois te digo. Mas aí, saí de lá e fui conversar direto com o Prefeito da cidade, o César Maia, grande protetor da Bossa Nova, e expliquei a ideia. Ele disse: “Carlos Alberto, a ideia é ótima e eu vou colocar você falando com o Diretor do Patrimônio da Cidade para ver se tem um imóvel disponível, se não tiver nenhum disponível, então faremos o seguinte, eu vou negociar com o Estado ou a União uma permuta, porque a ideia é maravilhosa. Isso é Rio de Janeiro”. Eu fui falar com o Diretor de Patrimônio, analisamos uma lista de imóveis municipais e não havia nada de nada. Aí continuamos procurando e surgiu uma coisa que estava no Arpoador, mas não deu em nada. Entretanto, conversei com a minha mulher e os meus filhos e expliquei que queria fazer uma pequena livraria com discos, voltada para a música e naturalmente, focalizando a Bossa Nova e que tinha de dar uma resposta ao Ronaldo Bôscoli, mas teria um detalhe, eu não tinha como ficar a tempo inteiro porque ainda dava aulas. O conceito seria meu, a direção minha, mas precisava da ajuda deles e eles aceitaram revezarse. Então, fui falar com o Ronaldo e expliquei-lhe: vamos fazer, mas não


uma casa. Se crescer vira casa, mas se não crescer não faremos papel feio, vai ser a Toca da Bossa Nova. Aí ele riu e disse: faz o que você quiser. Aluguei uma lojinha neste quarteirão, na Visconde de Pirajá nº318 e decidimos inaugurar em setembro, porque seria próximo do final do ano e eu precisava vender para manter o espaço. Ficou uma gracinha. Pequenininha, 12 metros quadrados, do tamanho de um banheiro de casa de rico. Acontece que no dia 14 de Abril eu ia fazer uma palestra lá em Bom Sucesso e vejo no Caderno B do saudoso Jornal do Brasil uma página inteira com a seguinte manchete: “Quem salvará o ano do poeta?” Falta de patrocínios, etc para comemorar os 80 anos de Vinicius de Moraes e uma proposta: o lançamento de um movimento chamado SOS Vinicius. Aquilo me deprimiu barbaramente. Eu não li a matéria toda, dobrei o Caderno B, corri para o orelhão e liguei para casa de Sérgio Cabral Pai. Quando o Sérgio Cabral prefaciou o meu livro, ele me contou que quando era vereador ele requereu na Câmara Municipal o título de Cidadão Benemérito Post-Mortem para o Vinicius de Moraes e isso me emocionou por várias razões, mas, sobretudo, pelo mérito, porque isso era a cara do Vinicius. A maior comenda que ele podia receber: ser cidadão benemérito dessa cidade que nós amamos, muito, muito, muito, como a uma pessoa. Só que teve um problema, o Tribunal de Contas requisitou o Sérgio Cabral, ele interrompeu o mandato e o requerimento foi arquivado. Isso nunca me saiu da cabeça. Naquele momento, eu li, corri para o orelhão e falei com ele. Ele já tinha lido e perguntou como podia ajudar. Eu pergunteilhe se ele me autorizava a pedir ao Saturnino Braga, que era vereador, para desarquivar aquele requerimento. O Sérgio Cabral vibrou e mandou avançar. Fui para a Câmara Municipal, falei com o Saturnino que disse: estou dentro. No dia 19 de Outubro de 1993, dia do aniversário do poeta, à noite, a Câmara Municipal da cidade dele, estava lotada – Carlos emocionado – com artistas, dois ônibus de alunos meus da escola pública e muito mais gente para homenagear Vinicius. Então o Saturnino me preparou uma surpresa maravilhosa porque me condecorou com a Medalha Pedro Ernesto, a mais alta condecoração do Município do Rio de Janeiro e me pediu para que eu proferisse a palestra da noite e eu conduzi toda a cerimónia. Chico Alencar cantou, Baden Powel, enfim, foi maravilhoso. Vinicius de Moraes cidadão benemérito da sua cidade, a cidade que ele amava. Uma emoção muito forte. A outra forma de contribuição foi a decisão tomada familiarmente de mudar o nome da Toca da Bossa Nova, para Toca do Vinicius. Não foi uma decisão facilmente aceite. A minha mulher, descendente de uma família de comerciantes e com uma visão comercial aguçada, perguntou-me: Meu bem, você tem certeza disso? Tenho, respondi. Por quê? Porque quando você falou no nome Toca da Bossa Nova eu achei perfeito porque reunia todos os autores da Bossa, Carlos Lyra, Tom, João Gilberto, Pery Ribeiro, Menescal, Leny Andrade e tantos outros. Já pensou quantos nomes tem por trás desse nome, quantos milhares de fãs de cada um deles? Agora Vinicius? Nem Drummond.

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Ela tinha razão. Nesse mesmo ano, tinha saído um livro – Carlos vai pegar o exemplar em questão, memorialista como é, e mostra-nos o célebre “Três Antônios e Um Jobim” de Zuenir Ventura – que reproduz uma conversa entre quatro Antônios barra pesada, Antônio Cândido, Antônio Calado, Antônio Houaiss e Antônio Carlos Jobim, os maiores intelectuais brasileiros. O livro é uma reprodução, não é uma paráfrase, ele gravou e reproduziu

os diálogos. Isto em 1993, só para que você tenha uma ideia do significado do nosso poeta amado naquele momento, quando eu fiz a Toca. – Carlos procura no livro o trecho que nos quer reproduzir e começa, com voz pesarosa:

Antônio Cândido: No momento Vinicius não está bem junto à crítica, digamos que ele não está na moda. Antônio Calado: Claro que não está. Antônio Cândido: Não está na moda, mas eu acho uma grave injustiça.

- Então, naquele momento, de fato, Vinicius não era conhecido a não ser por um círculo muito estrito de pessoas. A Companhia das Letras estava, ainda, adotando a obra do Vinicius. Ele não tinha uma distribuição organizada. Ele não chegava ao grande público. Ele chegava a nós, ao nosso segmento, entendeu? A Companhia das Letras estava pegando a obra dele para fazer essa loucura maravilhosa que tem feito ao longo desses anos. Uma semana depois da Toca do Vinicius nascer, em 27 de setembro de 1993, – mais uma vez Carlos busca nas prateleiras da sua extraordinária biblioteca particular o exemplar que quer mostrar – no dia 7 de outubro, eu ganhei esse presente, capa dura, já Companhia das Letras, com a seguinte dedicatória:

“Amigo Carlos, sem você tenho a certeza de que não seríamos ninguém, como dizia o poeta. Toda a gratidão pelo seu empenho e dedicação ao poetinha. Com carinho de seus filhos e principalmente de sua filha Luciana de Moraes.” Então, aqui foi uma grande pedreira. Com o passar do tempo e os lançamentos que a Companhia das Letras foi fazendo da obra do poeta, Vinicius passou a ser mais fácil de carregar. Mas no início, no momento daquele artigo do Caderno B do Jornal do Brasil, não foi fácil. Mesmo assim, em 2008, tive necessidade de colocar na entrada uma facha grande dizendo Bossa Nova, porque Vinicius é poesia e eu cansava de sair daqui de dentro, onde ouço os comentários de quem está na porta, para explicar que aqui não era só Vinicius, também tinha os outros, Tom, Lyra, Menescal, todos. E foi em 2008, porque coincidiram, os 15 anos da Toca e o cinquentenário da Bossa Nova. Nesse ano aluguei um colégio e organizei um Congresso de 30 horas de atividades, naturalmente com um primeiríssimo time, Ruy Castro, Ricardo Cravo Albin, Tárik de Souza e mensagens e depoimentos dos maiores da Bossa.


Revista Valeu – Está para breve a Casa da Bossa Nova? Carlos Alberto Afonso – Não, o Instituto Bossa Nova Rio, que já está registrado, finalmente. O projeto comporta uma sala de exposições periódicas, uma sala de exposições permanentes, que será o Museu da Bossa Nova, uma sala de multimídia, para concertos, workshops, palestras e uma sala de pesquisa e biblioteca, cdteca, videoteca, etc. Então esse é o projeto do Instituto Bossa Nova Rio, que é a Casa da Bossa Nova. Mas, regressando, acabei por fazer as duas franquias aos meus amigos e com o resultado financeiro que daí adveio, fiz o Congresso. Um ano antes, mandei um email ao Prefeito César Maia sugerindo que o ano do cinquentenário fosse decretado Ano da Bossa Nova na cidade do Rio de Janeiro, para engajar os organismos públicos, escolas e demais estruturas públicas. Momentos depois ele respondeu aceitando e sugerindo que eu preparasse o decreto que ele aprovaria. Logo de seguida avancei com a ideia de tombar a Bossa Nova como Patrimônio Cultural da cidade. Tudo isto em 2007, como forma de preparar o ano do cinquentenário. Junto ao final do ano, quando vou tratar do registro da marca para poder franquear, verifico que entre o Natal e o Ano Novo de 2007, tentaram usurpar a minha marca. E quem? Os filhos do Vinicius de Moraes. Agora que era famosa, queriam usurpar-me a marca. Eu escolhi o melhor advogado da cidade, Vieira de Melo e disse-lhe: eu não tenho dinheiro para lhe pagar. Ele respondeu: você não vai me pagar, a causa em si vai me pagar. Levou 4 anos e em 2012 o INPI rejeitou a solicitação deles, reconhecendo o meu direito de precedência. – No olhar de Carlos Alberto, uma profunda e notória tristeza ao recordar essa traição injusta e indesculpável para com quem, tanto fez para elevar o nome do poeta na sua cidade e no país.

Saio para a Rua Vinicius de Moraes com a noite tomando conta da Cidade. Caminho distraidamente em direção à famosa Garota de Ipanema, cabeça ainda cheia dos sons e das histórias da Bossa. Sento numa mesa virada à calçada bebericando um chope gelado e olhando na parede o fac-simile da letra original da música que celebrizou mundialmente a Bossa:

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça É ela a menina que vem e que passa Num doce balanço, caminho do mar...” Meu Deus!!!! Esse é o Rio que eu amo!

Carlos Alberto Afonso – Contei tudo isto João, para que perceba o que é a Toca e para que entenda que aqui, como dizia o meu avô, aqui tem um gajo. A gente luta, a gente briga.

Revista Valeu – “Pela gente com olhos no chão, sempre pedindo perdão porque é quase nada”?

Texto e Fotos por João Moreira

Carlos Alberto Afonso – Sobretudo.

Entrevista concedida à Revista Valeu, Santa Catarina, Brasil parceira da Revista Studiobox.

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- Desde os cinco anos de idade da Toca que dois amigos meus, um de Curitiba e outro de São Paulo, andavam insistindo para eu franquear o conceito e eu sempre negando. Mas nesse ano percebi que estava em condições de fazer essas franquias. A Toca estava pronta. O formato dela estava desenhado. A partir daqui, só a Casa da Bossa Nova como tinha sonhado o Ronaldo Bôscoli quando me convidou. Porque o meu plano sempre foi esse, de em torno da Toca, construir a Casa e isso foi acontecendo, não em concepção física, mas em substância, através dos concertos na calçada, dos shows, como o da Escola Naval, do Congresso. Agora precisamos achar um lugar, porque só agora a quantidade de peças do Museu é muito maior do que o espaço em que ele ficava, aqui em cima, o arquivo, é muito maior do que o espaço em que ele ficava, aqui em cima. Precisamos de um novo espaço e eu já estou conversando com o Governo do Estado para o efeito.


Maria buzina 15 anos de conquistas e simplicidade

Uma sociedade calcada na busca pelo par perfeito, do carro novo, do cargo mais alto da empresa e que só usa as peças ditadas pela moda. Este modelo de vida nunca encontrou muito espaço nos pensamentos de Gabriela Gonçalves (Gabi), que desde a adolescência, já dava pistas do mundo diferente que buscaria tecer – pelo menos para quem quisesse acompanhá-la. Neta de caminhoneiro, cresceu brincando com as ferramentas que encontrava na oficina do avô José Manoel (Nequinha), por quem tinha muito carinho, ouvindo as histórias de suas viagens. Se encantou por um universo muitas vezes ignorado pela maioria das pessoas, fazendo dos pregos, caixas, ferramentas enferrujadas e tudo o mais que se deparasse, objetos de sua arte. Qual não foi sua felicidade, por uma oportuna estripulia do destino, quando fora procurar couro para confeccionar uma bolsa e o vendedor lhe oferecera outro tipo de material: lona de caminhão. Ainda que não soubesse trabalhar com o tecido, resolveu comprar o desafio. Foi para casa com mais de 90 metros de lona. Mais tarde, sem mesmo ter percebido, constataria que ali nascia a principal característica do seu trabalho e que traria à vida um sonho chamado “Maria Buzina”.

Olho na estrada! O percurso é longo... Construir uma marca nunca foi a meta de Gabi: “as coisas foram acontecendo”. Com seus quatorze anos, iniciava a carreira de artesã e deixava florescer o espírito empreendedor, vendendo desde seu artesanato até sanduíche natural na escola. Chegou a trabalhar em um escritório de advocacia e em uma rede de supermercados até tomar o rumo que desejava, ingressando no Bacharelado Interdisciplinar em Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

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Por volta do ano 2000, nas empreitadas iniciais, o chão da casa dos pais já se encontrava todo furado. Gabi improvisava com as ferramentas que tinha, herdadas do avô. Foi testando, pegando dicas e aprimorando seu trabalho, recebendo o luxuoso auxílio dos familiares. A tia comprou um vazador para ajudar a furar o tecido, a avó cedeu um cômodo para que montasse um ateliê. Quando saiu com a sua primeira bolsa confeccionada, mesmo sem interesse na venda, uma amiga quis comprá-la na hora. “Ela não quis nem esperar eu ir em casa, me deu

logo uma sacola de plástico para colocar minhas coisas”, relembra com bom-humor. A partir dali o boca-a-boca se encarregou de aumentar a demanda. O primeiro grande salto da carreira foi quando participou da Feira da Providência, no Rio de Janeiro. Vendeu quase todas as bolsas e com o dinheiro arrecadado pôde comprar uma máquina de costura. A experiência a estimulou a procurar outras oportunidades semelhantes. Com a ajuda financeira de uma prima, participou da Babilônia Feira Hype, também no Rio de Janeiro, onde lojistas do mundo inteiro se reúnem a procura de produtos alternativos. Na altura, Fernando Molinari, sócio fundador da feira, se encantou pelos produtos e encomendou 250 bolsas para serem distribuídas no Rio Moda Hype, concurso de novos estilistas do Fashion Rio. Foi o primeiro pedido em larga escala que recebeu. Em um mês, ainda que não tivesse muita estrutura, conseguiu entregar tudo no prazo. Detalhe: as peças tinham o mesmo modelo, mas cada uma tinha um bordado e pintura diferentes. “Quando surgiu o trabalho, todo mundo que aparecia lá em casa fazia alguma coisa. Pintava etiqueta, colava, recortava... No natal, enquanto acontecia o churrasco em casa, eu estava produzindo e eles me ajudando”. Assim decolava sua carreira. Muitos contatos com lojistas foram feitos, produziu bolsas para a rede de lojas


33 da Cantão e clientes encomendavam novos produtos em todas as partes do mundo. Chegou a abrir loja física por três vezes, em Juiz de Fora (MG), onde reside, mas atualmente prefere vender somente pela internet. “A parte administrativa é desestimulante. Gosto de me dedicar mais à criação e cuidar das minhas filhas”.

“Coração de Lona” O coração é sem dúvidas ingrediente fundamental da fórmula da Maria Buzina. No nome, a palavra “buzina”, homenageia a vida dos caminhoneiros. Remete às marcas que aparecem quando se lava a lona que faz as bolsas, remanescentes de suas viagens. Às marcas no corpo do avô, deixadas por um acidente envolvendo fogo na estrada. É também a tatuagem que Gabi carrega em sua panturrilha com a logo da Maria Buzina. No contraste entre a rusticidade da lona e a delicadeza da pintura à mão, ela expressa sua arte. “Não me considero empresária nem estilista. Sou artista plástica e me apropriei de um objeto de moda para divulgar minha arte. Acho que um produto acessível a qualquer pessoa pode tocar mais do que uma obra numa galeria ou museu”. Na confecção dos produtos, recebe o auxílio da irmã, Carol, além da participação das suas filhas Helena, 7, e Manuela, 5, que veem seus desenhos tornando-se embrulho dos produtos enviados para as mais diferentes regiões do planeta. “Eu acredito muito nelas. Digo que os desenhos são lindos e, como não temos espaço para guardar tudo, podemos mostrar a arte delas para os nossos clientes. Elas adoraram”. Quando cheguei no ateliê para fazer a entrevista, a Gabi recolhia duas cartas que chegavam de uma cliente, endereçadas à Manuela e Helena.

Almir Satter, Renato Teixeira e Paulinho Moska, são alguns dos músicos que sempre se apresentam em shows e entrevistas usando a correia de violão que ganharam de presente da Maria Buzina. Em seu trabalho artesanal, busca produzir artigos personalizados. Desde carteiras (R$60) a malas de viagem (R$980), procura adaptar o produto às necessidades do cliente, sendo na maioria das vezes encomendado. Foi o caso de Janaína Simplício, criadora da página “Olhar de João”, que relata as experiências da viagem que está realizando com o filho. A procura de uma mochila que valorizasse a experiência humana que busca na jornada, não teve dúvidas em procurar a Maria Buzina: “Eu não tinha ideia de como a mochila seria. Quando mostrei a foto dos lugares que íamos conhecer na primeira fase da viagem, o João foi dizendo o que achava e comentando coisas como ‘a gente pode ir de bicicleta’. Daí Gabi teve a brilhante ideia de colocar essas frases na mochila”, comenta Janaína. O resultado agradou tanto o menino, que comentara com a mãe: “Parece um sonho a mochila que a Gabi fez para a gente”. Os viajantes já passaram por oito estados e mais de trinta cidades no Brasil, com previsão de término em fevereiro de 2016. Janaína pretende preencher a parte de trás da mochila com as percepções do filho ao longo da viagem. Texto Por Rodrigo Gomes

“Quando surgiu o trabalho, todo mundo que aparecia lá em casa fazia alguma coisa. Pintava etiqueta, colava, recortava... No natal, enquanto acontecia o churrasco em casa, eu estava produzindo e eles me ajudando”.


Vende -se Bom senso - Bom dia, eu gostaria de 400 gramas de queijo, 300 gramas de presunto e 1 litro de bom senso, por favor.

Que sonho... Bom senso assim, disponível, à venda na padaria ou na farmácia, subsidiado pelo Estado para a população carente. Bom senso como direito fundamental consagrado pela constituição, pela ONU!! Provavelmente como advogada teria prejuízo, pois, o que seria da minha profissão se todos tivessem bom senso? Direitos de todos os consumidores prontamente atendidos, divórcios sempre consensuais, crianças a viver em lares harmoniosos, empresas e gestores públicos norteados pela boa fé, sem corrupções públicas ou privadas. Muitas leis cairiam no desuso, pois seriam desnecessárias. Os pequenos aborrecimentos do quotidiano são pequenos isoladamente, mas acumulados todos num mesmo dia, seria digno de cenas daquele filme “um dia de fúria”, e para isso, uma dose de Bom Senso acredito que já seria bem eficaz. Imagine... Ir ao cinema e ninguém ficar a conversar ou a esmagar aquele saquinho de amendoim que é minusculo, mas que parece conter amendoins infinitos, ou doces, ou seja lá o que for, desde que seja num saquinho pequeno e com efeito Dolby Surround, também à venda nos teatros. Aliás, por falar em conversas paralelas, preciso apontar as conferências ou palestras que mais parecem pontos de encontro, happy hours, do que pessoas interessadas no tema que está a ser abordado; pessoas como eu, um ser estranho, que vai com o intuito de prestar atenção. Inútil, porque não consigo ouvir nada além de risadinhas ou críticas aos palestrantes, e claro, sempre nas cadeiras junto aos meus ouvidos, que sorte a minha! Os estacionamentos dos Shoppings em que as pessoas fisicamente saudáveis não utilizem as vagas reservadas aos deficientes e estacionem seu carro dentro da lógica “tenho 1 carro posso ocupar 1 vaga”. Fazer compras de produtos exatamente idênticos aos anunciados e prometidos pelos comerciantes e estes, por sua vez, receberem o pagamento na data combinada, no valor combinado, nem mais, nem menos. Restaurantes sem placas de “não é permitido fumar” num determinado número de mesas. Para que todos fumem? Claro que não! Para respeitar o bom senso. Neste caso, bom senso é concluir que o fumo não respeita placas, não desvia do ambiente de uma mesa para outra, onde não é permitida sua permanência, fumo não faz curva, não dá marcha atrás, ou então não sabe ler, o que de qualquer forma inviabiliza o respeito pretendido pelas placas. Nesse item, acredito que seriam necessárias doses extras de bom senso, pois imagino quantos torceram o nariz ao ler este parágrafo. A música que o outro gosta de ouvir só ele ouve pela rua, ou no transporte coletivo, através de phones de ouvido, afinal o seu gosto musical, pode não ser o mesmo das outras pessoas e ouvidos não fecham e não possuem tampas.

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E que maravilha se acabássemos com os rótulos, o exagero, o drama. Na ânsia de tentar achar uma solução para a falta de bom senso, fomos etiquetando atitudes e palavras... Se você diz “não gosto de“ a chance de ser considerado, homo-

fóbico, xenofóbo, racista, feminista, ou qualquer nomenclatura que defina um preconceito execrável é enorme. Evite. E a boa e velha palmada? Aquela que tendo você mais de trinta anos levou quando criança e sabe que mereceu. Nem por isso se tornou um psicopata ou ficou traumatizado, não é mesmo? Na verdade não era a dor era o estalo! O estalo organizava a casa. E antes que venham dizer que faço apologia ao crime, aos maus tratos de menores, à tortura, quero dizer em minha defesa que prefiro o método “olhar fatal”, vale muito mais do que uma palmada, é discreto e eficiente. De qualquer forma o que traumatiza não é a palmada é a ausência de amor. É a violência. A palmada a qual me refiro era cheia de bom senso. Mas como aplicar a disciplina do “olhar fatal” hoje? As crianças não estão interessadas no olhar que os pais fazem para elas, se calhar, nem têm a certeza que os pais possuem os dois olhos, nunca prestaram a devida atenção. A nova geração já nasceu atualizando o Status, confirmando presença no evento “Parto”. Estão todos vidrados, hipnotizados pelas novas tecnologias. Nem percebem o que se passa ao redor, nem ouvem, e quando respondem é com uma malcriação qualquer que significa que foram interrompidos do mundo virtual, muito mais interessante do que a vidinha oficial, com pessoas de verdade, aulas, comida, sol... para quê tudo isso? “Mãe! Fecha essa persiana! Esse sol está fazendo reflexo no ecrã!” Já penso que talvez seja melhor, além da venda, aplicarem bom senso junto das vacinas para garantir uma dose mínima. Além da venda e da vacina ainda restaria uma lacuna no comércio do Bom senso: ter bom senso de saber que está com baixos níveis de bom senso. Porque os “sem bom senso natos”, criados por pais igualmente sem bom senso, jamais suspeitariam que não possuem padrões mínimos para o convívio saudável em sociedade. Certa vez, Julia convidou dois casais de amigos para jantar em sua casa. Dedicou todas as horas desse dia ao jantar, acordou e foi buscar as flores para enfeitar a casa, preocupou-se com os aperitivos, com o prato que iria servir, com a harmonização deste com o vinho, com a sobremesa, a toalha, a música, enfim, com tudo que pudesse tornar o clima agradável. Toca a campainha, Julia abre a porta sorridente, começam os cumprimentos e eis que surge Zik, o seu cãozinho, um Basset Daschund que também veio receber as pessoas e fazer o seu habitual check list ou cadastro de cheiros. No entanto, uma das convidadas diz: “Ah Julia... eu não sabia que tinhas um cão. Eu detesto animais, podes prender na varanda?” Ao que Júlia respondeu de primeira: “Posso sim, mas acho que vais ter frio...”. Enquanto não temos Bom senso à venda, o senso de humor será sempre o melhor remédio. Nós advogados ainda teremos muito trabalho pela frente, ainda não há previsão de comercialização de bom senso, então que tenhamos bom humor, para tornar a jornada mais leve. Só tenho agora uma dúvida: quem irá medir o bom senso e determinar que seja mesmo “bom”?

Jeanine Rausch


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CONTADOR Fazia-me confusão que lhe chamassem Contador e só muito tarde percebi o quanto o nome se adequava ao fim a que se destinava. De tudo o que de antigo tem... é surpreendente o tão actual que hoje é. Desde pequeno que me lembro da minha avó ter aquele móvel na sala de estar. Hoje parece-me mais pequeno do que quando do alto (baixo) dos meus 5 anos me parecia chegar ao teto aquela peça esculpida num entrançado negro-dizem que foi moldado em pau preto... ou será pau santo. O Contador é um móvel “destinado a servir a actividade de contar”. É uma peça de desenho funcional tipicamente português a que as colónias deram o aspecto e a consequente necessidade. Um contador tem geralmente dezenas de pequenas gavetas que serviam para guardar “dinheiro, valores ou documentos comprovativos de receita e despesa, notas de dívida e outros documentos de contas”. Já naquela altura a imaginaçao explodia dentro de mim. Sempre imaginei ser um móvel carregado de segredos e nunca fui capaz de abrir uma gaveta que fosse. Nao sei o que lá se guardava. Em bom rigor nunca vi ninguém abrir uma daquelas gavetas. É curiosa a forma como as exigências de organização contabilística de então originaram um móvel com tão apurada racionalidade. Afinal de contas nesses tempos o papel era a única forma de conferir a titularidade de bens. No limite do papel como bem quantificável, vem a nota, o tal dinheiro. Naquele tempovo tempo do lacre ocre valia, selava, comprometia e assegurava. Hoje os bites tomaram o lugar das folhas de papel soltas amareladas pelo tempo, ou das fotografias manchadas pela luz, ou dos livros encarquilhados pelas estações secas e húmidas. Já pouco é o que temos em papel e mesmo as “notas” estão ameaçadas pelo dinheiro electrónico a que chamam Bitcoin, mas o mais curioso é que se manteve o racional do principio organizativo do Contador das mil gavetas. Hoje cada gaveta passou a ser uma pasta amarela num disco rígido dividido em gavetas/partições de um computador que ele próprio de tão pequeno cabe numa gaveta. Mudou o tempo, manteve-se a razão.

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Geneticamente ou socialmente, fomos “educados” a conviver com espaços compartimentados. É aí que o nosso cérebro encontra ordem, é dessa forma que o nosso racional consegue etiquetar e armazenar conhecimento, experiência e lógica. Lidamos mal com o espaço amplo. Acho que sempre lidámos. Ao amplo chamamos caos, aos compartimentos chamamos ordem, ainda que por vezes criemos tantos compartimentos que acabamos por cair na compartimentação infinitesimal (cada compartimento guarda apenas uma coisa) que por sua

vez volta a cair no caos pseudo-compartimentado. Talvez o espaço amplo nos retire os pontos referenciais que o nosso cérebro precisa para saber onde está! Quem não tem no seu PC a famosa pasta chamada “outros”? Ainda que o efeito final se mantenha o mesmo, a elevação de pontos fronteira é comum a todas as culturas. Em Portugal um compartimento de uma casa divide-se de outro por tijolo de oito...no Japão usa-se um biombo de papel. No final...fica a divisão...o compartimento, a gaveta. O instinto animal revela-se por defeito possessivo. A necessidade de posse de área de um leão não é diferente da necessidade humana de delimitar o seu espaço seja ele de zona de conforto ou simplesmente zona de segurança. O mundo ainda não está preparado para fusões territoriais, culturais nem religiosas. A diferenciação individualizada garantida pela genética e pelo carácter de unicidade de cada um de nós leva-nos ao completo paradoxo de nós próprios: Sendo individuais temos a necessidade de nos agruparmos em grupos. No fundo


39 não nos agrupamos pelo que não temos de diferente mas pelo critério das menores diferenças. Já que todos somos diferentes como indivíduos que somos por imposição genética, cada grupo é para nós,no fundo, o menos diferente dos grupos. É isso que nos permite aceitar que outros entrem na nossa gaveta e na gaveta do grupo. Fica sempre um ponto fronteira. Existe sempre esse terrível ponto fronteira que define o que está do lado de cá e do lado de lá. A civilização não está preparado para assumir uma cultura infinita, uma cor infinita, uma raça infinita e uma religião infinita. Quando digo infinito quero dizer indiferenciável, quero dizer na plena aceitação da diferença como igual.

Se colocássemos uma fila de 20 indivíduos em linha cada um com uma pele mais escura do que o anterior (ou vice versa), não iríamos porventura conseguir identificar onde começa o “branco” ou o “preto”. Olhar a cor sem olhar a cultura é o mesmo que olhar para uma folha de papel branca num quarto sem luz e tentar adivinhar a sua cor. Um dia não necessitaremos do móvel Contador como o que a minha avó sempre teve na sala de estar, porque não precisaremos de ter uma etiqueta para atribuir o valor das coisas...o valor das pessoas...o valor do mundo. Não precisaremos mais de contar o que temos, mas sim de contar com todos. Bernardo Mota Veiga

Não há dúvidas de que o ser humano caminha na direcção da fusão, mas a perfeita fusão só acontece na perfeita paz e na perfeita aceitação do conceito infinito que torna a diferença uma extensão do igual. Muito temos que evoluir até chegar lá...mas se os continentes se fragmentaram da Pangeia à 400milhões de anos, é impensável que possamos querer ter todas as fronteiras eliminadas numa única geração, ainda que a velocidade do mundo seja cada vez maior. No choque cultural existirão avanços e recuos numa espécie de movimento harmónico acelerado em que os avanços serão superiores aos recuos mas em que os recuos são inevitáveis como forma de captação da energia necessária ao próximo movimento.

Vamos virar o ano mais separados do que quando o iniciámos mas estamos cada vez mais perto do tal mundo de conceitos infinitos. A regressão antecede a aceleração e o ponto final será mais acima do que o ponto inicial. Chamam-lhe normalmente Esperança. Esperamos que no futuro haja mais paz e mais tolerância à igualidade diferente. Provavelmente não será já em 2016...mas não nos cabe a nós estar por nós mas pelos que virão. Cabe-nos ser menos egoístas sem deixarmos de ser justos, cabe-nos construir mais valores que incorporem os valores de outros, e cabe-nos respeitar aquela diferença ao ponto que a mesma caiba na nossa gaveta e não na pasta a que chamamos de “outros” como podíamos chamar de “lixo” ou de “tudo o que não sei onde arrumar”. Se tudo couber na nossa gaveta, o Contador passa a ter uma única gaveta.


A arte de rui monteiro “É um artesão, que se dedica apaixonadamente à arte de trabalhar a madeira, entregando-lhe beleza e funcionalidade.”

Rui Manuel Monteiro é um apaixonado pela arte de talhar e trabalhar a madeira e desde cedo que se revelou bastante hábil na área manual. É natural de Luanda e desde os 14 anos que reside em Viseu, onde exerce a sua atividade profissional na área da formação, em simultâneo com as suas criações artísticas. O primeiro projeto com impacto foi realizado enquanto estudante da escola Grão Vasco, na projeção e execução de um carro para as Cavalhadas de Vildemoinhos, uma tradição secular da cidade de Viseu, com o qual saiu vencedor em 1975, com o tema “Viseu no ano 2000”. Desde aí, que desenvolve e executa vários projectos criativos na difícil arte de talhar a madeira.

Um dos projectos que mais aliciou e desafiou o artista foi a realização da maquete de um centro educativo, onde foi formador. Este trabalho artístico iniciou-se com a visualização da imagem aérea do local que o motivou e levou à construção de uma maquete feita em madeira de pinho. Rui Manuel Monteiro tem a facilidade de criar peças através de imagens e de manusear a madeira para qualquer finalidade. É essa paixão que o levou a desenvolver trabalhos para diversas finalidades, desde troféus, decoração, mobiliário, expositores, utilidades a partir de paletes, transformação e aproveitamento de materiais e maquetes de edifícios, jardins sensoriais, etc. Rui não tem qualquer formação superior, tem sim, carteira profissional de marceneiro e de formador. É um artesão, que se dedica apaixonadamente à arte de trabalhar a madeira, entregandolhe beleza e funcionalidade. Todos os seus projetos e obras são criações exclusivamente suas, provenientes de uma inspiração baseada no seu amor pelo seu trabalho. Actualmente tem como ambição: conseguir uma carrinha antiga e transforma-la toda em madeira, aproveitando apenas o equipamento necessário para funcionar. Rui Manuel Monteiro é um artista incormormado e inquieto que vive à procura de novos desafios. Fica aqui o contacto para que seja você o próximo a desafia-lo.

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Rui Manuel Monteiro: ruimtom@gmail.com


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Viseenses pelo mundo Ficha Técnica Nome Nuno Vaz Idade 41 anos País Noruega Cidade Kongsberg Desde 2009

COMO É QUE TUDO COMEÇOU? O QUE O FEZ FAZER AS MALAS E DEIXAR VISEU? A saída de Viseu ocorreu em 1992 quando fui estudar para o Porto. Uma vez concluído o curso, continuei a residir e trabalhar na área metropolitana do Porto. No início de 2008, ao constatar um abrandamento das expectativas relacionadas com a evolução da Construção Civil em Portugal, comecei a procurar alternativas no estrangeiro. Alguns colegas meus já começavam a receber propostas de expatriação na Europa de Leste, Norte de África, Angola e Brasil. Como havia essa tendência das empresas Portuguesas para Leste e Sul, foquei a minha atenção para o Norte da Europa. Participei em sessões de apresentação do IEFP/EURES, relacionadas com a Noruega e a Finlândia. Mais tarde, recebi propostas de trabalho para a Noruega e Finlândia, das quais optei por uma multinacional com representação na Noruega. O QUE FAZIA AQUI EM PORTUGAL? E ATUALMENTE QUAL É A SUA ATIVIDADE PROFISSIONAL? Em Portugal desenvolvia actividade como Engenheiro Civil, na área de projecto e fiscalização relacionados com Construção Civil. Em 2008, desempenhava funções de coordenador de projecto, com particular incidência no domínio das estruturas.

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Actualmente, continuo na mesma empresa que me levou para a Noruega, a FMC Technologies, que concebe, fabrica e vende sistemas de extracção submarinha de petróleo e gás. Sou responsável pelo grupo de simulação e cálculo de estruturas e tubagem do departamento onde trabalho. COMO FOI A ADAPTAÇÃO, QUAIS FORAM AS PRINCIPAIS DIFICULDADES AO CHEGAR À NORUEGA? Foi misto entre deslumbramento e adversidade. Como chegámos em Janeiro, havia um certo encanto da paisagem e cidade nevadas, do género típico conto de Natal. Mas logo na semana seguinte, a temperatura desceu aos trinta graus negativos! Existiram uma série de rotinas que rapidamente passaram a fazer parte do quotidiano, como por exemplo, ter de limpar a neve da noite anterior para conseguir sair de

Uma música “Ágætis Byrjun” De Sigur Rós Um livro The Innovator’s Dilemma” De Clayton M. Christensen

um prato Sushi

casa; ou o hábito de deixar os sapatos à entrada de casa, principalmente quando se entra na casa dos outros. Dada a instabilidade do clima, e dos longos períodos de chuva/neve, não se deve estar à espera do bom tempo para vir passear para a rua. Os Noruegueses têm um ditado: “Não existe mau tempo, apenas má roupa.” Obviamente a língua é uma grande barreira, apenas atenuada graças ao facto que praticamente todos os Noruegueses serem fluentes em Inglês. Dada a latitude da região, a diminuição da duração e intensidade da luz do sol entre os meses de Novembro e Março provoca alterações no bioritmo. Nos primeiros anos, era normal sentir-me bastante cansado às 20h visto que já era de noite desde as 15h. Claro que durante o Verão é precisamente o oposto com o sol a pôr-se às 24h e a nascer às 3h. Em termos de sociedade a adaptação foi bastante fácil visto que os Noruegueses são simpáticos e acolhedores, com uma cultura semelhante à nossa. A boa organização das instituições públicas permite uma rápida inclusão dos trabalhadores estrangeiros na sociedade. No geral, o bom funcionamento das infra-estruturas leva a que não se sinta muita diferença comparativamente ao que estamos habituados em Portugal. O QUE MAIS O SURPREENDEU NA NORUEGA? O QUE MAIS GOSTA NESSE PAÍS? O equilíbrio oferecido entre a vida profissional e vida familiar, e as condições (não só do ponto de vista de remuneração) que são oferecidas aos funcionários das empresas. Para um Norueguês, o trabalho é uma parte importante da vida, mas não a mais importante. Existe um enorme respeito pelo meio ambiente - a Noruega é o país no mundo, per capita, com o maior número de carros eléctricos e híbridos, sendo o seu consumo de electricidade maioritariamente suportado por barragens. Tem paisagens deslumbrantes, entre florestas, montanhas, lagos e fiordes, sendo um hábito nacional os passeios em família, ou entre amigos, pela natureza. A REALIDADE DE KONGSBERG É BEM DIFERENTE DE VISEU, QUAIS AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS? Antes de mais, convém realçar que apesar de ser uma cidade (a 80km de Oslo), Kongsberg tem 25 mil habitan-


43 tes (1/4 da população de Viseu), mais parecendo uma vila em Portugal. É uma cidade que gravita em torno do parque industrial, cuja génese ocorreu com a exploração das minas de prata no século 17 e, posteriormente com a transição para a indústria de defesa e armamento no início do século 19. Actualmente, no parque industrial estão estabelecidas várias multinacionais de áreas de negócio da defesa, aeroespacial, marítima, petróleo e automóvel.

A realidade/dinâmica laboral e as condições oferecidas pelas empresas Portuguesas ainda estão muito aquém do que é praticado na Noruega. A oportunidade/diversidade de desenvolvimento de carreira, flexibilidade nos horários de trabalho, as ferramentas disponibilizadas, o equilíbrio da profissão com a vida familiar e a remuneração ajustada à função desempenhada, são aspectos que as empresas na Noruega usam para motivar e, em simultâneo, reter os recursos nas suas organizações.

As principais atracções da cidade centram-se no festival de jazz na primeira semana de Julho e no centro de ski que funciona durante o Inverno. O resto do tempo, dada a sua localização entre montes, florestas e lagos, os tempos livres são passados em actividades no exterior (jogging, btt, caminhadas, ski crosscountry, etc.).

LONGE DE VISEU HÁ TANTOS ANOS, DO QUE SENTE MAIS SAUDADES? Da proximidade e familiaridade da comunidade onde se está inserido. Quando a comunidade onde estamos inseridos está repleta de amigos e caras conhecidas, torna a vivência numa cidade como Viseu numa experiência muito agradável.

Dada a pacatez (por vezes demasiada) e tranquilidade, é uma cidade excelente para disfrutar do binómio trabalho-vida familiar, onde as crianças têm um ambiente de grande descontracção. É comum ver crianças de 6 anos a irem a pé sozinhas para a escola, ou na companhia de outros amigos vizinhos.

Há pequenos hábitos e rotinas que tendemos a ignorar, mas cuja experiência de uma cultura diferente como a Norueguesa, é reveladora de como são parte de nós.

A NORUEGA É UM PAÍS ENORME. JÁ TEVE OPORTUNIDADE DE CONHECER OUTRAS CIDADES? Sim, desde a capital Oslo passando por várias cidades na costa sul e oeste. Ainda por visitar está a antiga capital Trondheim e, mais a norte (dentro do círculo Árctico), Tromsø onde se pode vislumbrar as auroras boreais entre Dezembro e Março. No geral, é um país com paisagens deslumbrantes que variam entre os fjordes, florestas, montanhas e glaciares. Com uma área aproximadamente igual à Alemanha e apenas 5 milhões de habitantes (aprox. 12km2/habitante) é normal circular-se bastantes quilómetros em estradas no interior sem avistar qualquer casa ou construção. PORQUE NÃO REGRESSOU ATÉ AGORA A PORTUGAL? Até ao momento, na área de negócio em que trabalho, existem muito poucas empresas a trabalhar em Portugal e, as que existem, não possuem o nível de conhecimento e tecnologia que existe na Noruega.

COMO É VIVER NA NORUEGA? FORA A VIDA PROFISSIONAL O QUE MAIS GOSTA DE FAZER NOS TEMPOS LIVRES? O ritmo de vida é bastante tranquilo, existindo mais tempo para disfrutar os tempos livres. Havendo uma comunidade de famílias Portuguesas em Kongsberg, é inevitável que a actividade mais comum seja o convívio entre amigos durante o fim-de-semana. Dada a envolvente natural, as actividades de tempo livre são igualmente repartidas com btt, caminhadas e prática de ski/snowboard. PRETENDE VOLTAR UM DIA? Sim, julgo que a minha experiência internacional e o conhecimento acumulado nesta área poderão dar um contributo a empresas nacionais nas áreas da energia e metalomecânica. A pergunta que se coloca é quando? Julgo que uma vez alcançados os objectivos pessoais, e tendo desafios em Portugal onde possa colocar as minhas competências ao serviço do País.


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Turismo de Experiencia a nova realidade

Cada vez mais a oferta de destinos turísticos é maior e com isso vem uma maior concorrência e uma maior necessidade de diversificar as atrações e as possibilidades de experiências para o turista. Oferecer experiências turísticas que despertem emoções nas pessoas é a grande tendência actual do turismo. Os turistas habituados a determinados destinos procuram novas experiências, seja nesses mesmos destinos, seja em destinos diferentes ou pouco explorados. O turista experiente quer, cada vez mais, novas sensações, novos sabores, novas emoções. É um turista cada vez mais exigente que procura viver novas realidades e passar por experiências que sejam diferenciadoras em cada viagem, de maior poder de compra, com idades entre os 35 e os 50 anos e habituados e viajar com regularidade. Este tipo de turismo envolve relações diferentes e proporciona momentos que não são comuns à realidade e ao cotidiano do turista e onde a questão económica não é tida em conta. Aqui, o turista não procura somente uma viagem, procura experiências, produtos turísticos que não costuma consumir no dia-a-dia, procura algo que o enriqueça culturalmente, existe a fuga ao stresse, o contacto com a natureza ou o superar dos seus próprios limites O que se tem verificado é que tem havido mudanças na maneira como se consome o turismo, onde é cada vez mais importante valorizar as particularidades e especificidades de cada destino, envolvendo vários tipos de produtos e serviços dentro da mesma viagem, dentro do Turismo de Experiência.

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“O turista experiente quer, cada vez mais, novas sensações, novos sabores, novas emoções.”

O Turismo de Experiência é um novo nicho que vai muito além dos circuitos tradicionais, onde o turista volta ao mesmo hotel todos os dias, e incluem uma lista de pontos de visita obrigatória para postar fotos nas redes sociais e comprar produtos ou recordações locais em lojas de lembranças padronizadas. No Turismo de Experiência a ideia é estimular a vivência com a identidade do destino e o envolvimento com as comunidades e culturas locais, meio ambiente e modo de viver, o experimentar da gastronomia da região e o aprender de novas actividades. Facilmente se percebe que o Turismo de Experiência é um turismo de nichos, completamente oposto ao Turismo de Massas. É possível que destinos massificados possam oferecer aos turistas que os visitam algumas experiências mas, de qualquer das maneiras, é o tipo de turista de procura experiências que faz a diferenciação em relação aos destinos e produtos que procura. Se se fizer uma fizer uma análise de destinos que ofereçam o Turismo de Experiência, rapidamente se pode concluir que estão longe de serem destinos massificados. O Turismo de Massas é realizado usualmente por pessoas de menor nível de rendimentos, que viajam, na sua maioria, em grupos, com gastos escassos e controlados, com permanências de curta duração, e que ocupam, por norma, estabelecimentos hoteleiros de menor categoria ou meios complementares de alojamento (parques de campismo, apartamentos, quartos particulares, entre outros). Nas deslocações, a preferência nos transportes é dada ao automóvel, ao autocarro e aos voos “Lowcost” e “Charter“, sendo a época de férias, predominan-


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temente, no Verão, em especial, em Julho e Agosto, no caso Europeu, orientado, em particular, para os centros de maior concentração turística. A massificação do turismo leva à intensiva utilização das infra- estruturas e equipamentos turísticos, à excessiva utilização dos espaços (que, muitas vezes, poderá levar à sua destruição), perverte a calma e o repouso que está na origem de importantes correntes turísticas, degrada os monumentos e os centros históricos e destrói o património natural mais sensível. Um conceito fortemente ligado ao Turismo de Experiência é o da Autenticidade. O Turista de Experiências, ou “experience seeker”, procura experiências autênticas. É, por isso, importante que as regiões percebam quais os seus fatores distintivos e diferenciadores e saibam aproveitar, preservar e promover o seu património, costumes, tradições, gastronomia e as suas gentes, fazendo a distinção entre os demais vulgares destinos sem sustentabilidade. Portugal é um país rico em história, património, cultura e com uma grande variedade etnográfica, verdadeiros motores de desenvolvimento regionais, combatendo a sazonalidade, promotores de cada região de uma maneira específica e do país de uma maneira geral. Para isso é importante cuidar do património, costumes e tradições, preservando a autenticidade, as suas identidades e a sustentabilidades do próprio destino. É já prática comum algumas quintas vitivinícolas oferecerem experiências relacionadas com o vinho e com a vinha, sendo a época mais procurada a altura das vindimas onde o turista pode participar na apanha da uva e na sua pisa. Em outras regiões o turista pode participar na apanha da azeitona, ou na elaboração de queijos e compotas. Vários são as unidades hoteleiras que oferecem “workshops” de culinária. Também rica é a oferta turística na área da Saúde e do Bem-estar com várias experiencias no domínio dos SPA’s. A diversidade de produtos turísticos no país proporciona experiências únicas, que se podem encontrar essencialmente no Turismo Náutico, no Turismo de Natureza, no Turismo Cultural e Religioso e no Enoturismo. Um destino em Portugal que deve optar por ser um destino de Turismo de Experiências é o arquipélago dos Açores, tendo conseguido alguns prémios a nível internacional e onde se destaca o galardão atribuído pela “National Geographic Travel” de “Melhor destino sustentável do Mundo”. Aliando a sustentabilidade à autenticidade temos a combinação perfeita para que o arquipélago se oriente para nichos de turismo e fuja ao turismo de massas, apresentando experiências de grande qualidade, únicas e autênticas.

É impensável conseguir conhecer os Açores numa única viagem. São nove ilhas que se podem dividir em 4 grupos para visitar, o grupo Oriental com as ilhas de São Miguel e Santa Maria, o grupo Ocidental com as ilhas das Flores e do Corvo, e o grupo Central, dividido em 2 pequenos grupos, um com as ilhas da Terceira e Graciosa e o outro constituído pelas ilhas do Triangulo (Faial, Pico e São Jorge). Todas as ilhas têm as suas particularidades e as suas belezas. Contudo a recente abertura ao mercado dos voos “low-cost” para a Ilha de São Miguel foge, na minha opinião, ao que pode e deve ser o tipo de turismo para as ilhas, um turismo de nichos que, usando o Turismo Náutico e o Turismo de Natureza, aliados ao Turismo Cultural e ao Enoturismo, se oriente para esta nova realidade do turismo, o Turismo de Experiências. No arquipélago são várias as experiências que se oferecem ao turista. As ilhas do Triângulo são um exemplo de um leque variado de experiências que se podem encontrar nas ilhas açorianas. Desde o escalar a mais alta montanha de Portugal na ilha do Pico, visitando a Paisagem da cultura da Vinha da Ilha e que são Património Mundial da Humidade da UNESCO, ou descer ao interior da terra nas grutas da Torre, visitar o vulcão dos Capelinhos e a mais emblemática marina do Atlântico Norte na ilha do Faial, descer e conhecer as Fajãs da ilha de São Jorge, desde visitar os parques naturais, com destaque para o Parque Natural do Faial e do Trilhos dos Vulcões, visitar vários espaços museológicos como o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, os museus ligados ao vinho e à cultura da Vinha da ilha do Pico, o excelente Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico, entre outros, muito há para ver e conhecer nestas ilhas de raro beleza e que juntas oferecem a possibilidade de numa mesma viagem conhecer 3 ilhas como se de um só destino se tratasse. Claro que no Turismo de Experiências são muito valorizadas actividades mais participativas. Sendo as ilhas do Pico e do Faial umas das maiores e melhores referências Mundiais no que se refere à observação de cetáceos e a um passado ligado à caça da Baleia, estas ilhas apresentam várias empresas onde o turista poderá ver e conhecer as grandes baleias e os belos golfinhos que cruzam ou habitam o mar dos Açores, ou fazer pequenos passeios, à vela ou a remos, nos antigos botes baleeiros (hoje recuperados para provas de regatas e passeios turísticos). Sendo este Mar uma referência a nível Mundial,


aqui se pode encontrara águas temperadas, límpidas e cristalinas onde a prática do mergulho é um dos Ex-libris da região. Para quem já é um mergulhador credenciado poderá encontrar aqui vários locais de mergulho que são autênticos paraísos de fauna subaquática e com vários níveis de exigência, e que vão desde os tradicionais mergulhos de costa, aos mergulhos em pleno oceano, ao mergulhar com as magníficas jamantas ou com os incríveis tubarões azuis. Contudo, para quem não está devidamente credenciado para a prática do mergulho com escafandro autónomo, os centros e escolas de mergulho proporcionam baptismos de mergulho de mar para um primeiro contacto com o mundo subaquático, acompanhados por instrutores com larga experiência de mergulho e conhecedores deste mar azul. Na pesca desportiva também o arquipélago oferece experiências que marcam, sendo a mais emblemática a pesca ao espadarte, mais conhecida por “Big Game”, onde este, após pescado, é novamente posto em liberdade. Também em gastronomia as ilhas são ricas e variadas. Aqui o turista poderá provar os pratos regionais acompanhados dos conhecidos vinhos açorianos, com destaque para os vinhos do Pico, ou passar por experiências únicas como provar as sopas do Espírito Santo, encontrando as portas abertas dos moradores locais onde estas são oferecidas a quem passa.

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Mas muitas mais experiências o turista poderá ter aqui. Experiências não só ligadas ao mar e às paisagens naturais das ilhas mas também a todo um património, a uma cultura, usos e costumes, a uma História e às suas gentes. Visitar o arquipélago, e independente das ilhas que escolher, há a garantia de experiências únicas e autênticas.

Mas, seja os Açores ou outro destino qualquer, e independentemente da opinião dos académicos, há que perceber o que realmente interessa para as regiões e, sem lobbies ou interesses pessoais ou empresariais, encontrar a mais-valia que sirva turisticamente os interesses dessas mesmas regiões. É preciso saber olhar para cada região não só como um todo, mas também saber olhar para as suas diferentes partes e áreas, desenvolvendo cada uma das suas necessidades individuais e específicas. De que serve aos Açores que se queira salvar a hotelaria de São Miguel e tornar esta ilha como a ilha de maior procura do arquipélago, se se esquecer todas as outras ilhas, abandonando infraestruturas e retirando serviços, levando as “low-cost” para São Miguel e Terceira, permitindo a massificação do turismo, quando nada disto serve os interesses turísticos da região?! Usando o exemplo de Portugal Continental e a divisão turística desse território, pode-se continuar a referenciar a importância do Turismo de Experiências e a importância de se saber cuidar das particularidades de cada região. Turisticamente falando, Portugal encontra-se dividido em 7 regiões; Porto e Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve, Madeira, Açores. Utilizando o exemplo da Região de Turismo do Centro, esta ainda se encontra dividida em 7 Pólos de Marca Turística: Ria de Aveiro, Viseu/Dão-Lafões, Serra da Estrela, Coimbra, Castelo Branco, Oeste e Leira/Fátima/Tomar. Não adianta olhar para a maior região turística de Portugal e querer trata-la como um tudo sem se olhar as especificidades e particularidades de cada um dos seus pólos, assim como também será um erro grave que se possa vir a assumir Aveiro e Coimbra como as únicas cidades de interesse para a região. Antes de continuar e como não é intenção que este artigo seja de leitura compreensível somente a quem possa perceber de Turismo, é importante ainda referir que Portugal, através do um plano turístico, denominado “Plano Estratégico Nacional de Turismo” (PENT), dividiu o Turismo em 10 produtos: Sol e Mar, Golfe, Turismo de Negócios, City Break, Touring – Turismo Cultural e Religioso, Resorts Integrados e Turismo Residencial, Turismo de Natureza, Saúde e Bem-estar, Náutico e de Cruzeiros, Gastronomia e Vinhos. Dificilmente, se não mesmo impossível, se pode encontrar um Pólo em que os 10 produtos definidos pelo PENT tenham o mesmo peso, a mesma importância.


vel mundial na Nazaré, chamar Aveiro de “Veneza Portuguesa”, com todas as diferenças que existem entre elas e com todas as diferentes experiências que se podem oferecer aos turistas, se olharmos para o Centro de Portugal e se permitir que ele seja tratado como um “todo” ou deixar que interesses políticos, empresariais ou pessoais se sobreponham aos reais interesses da região!?

De que vale a esta região ter a mais alta montanha de Portugal Continental, a maior e mais importante zona termal do país, o maior centro de culto Mariano do Mundo (Fátima), os sítios património Mundial da Humanidade da UNESCO (Convento de Cristo em Tomar, Universidade de Coimbra – Alta e Sofia, Mosteiro da Batalha, Mosteiro de Alcobaça), ser uma referência do Surf a ní-

O Turismo de Experiências é uma nova realidade, uma realidade oposta ao Turismo de Massas e que cada região tem de saber optar pelo que mais lhe interessa, a quantidade (nas massas) ou a qualidade (nos nichos)!

“O que se tem verificado é que tem havido mudanças na maneira como se consome o turismo, onde é cada vez mais importante valorizar as particularidades e especificidades de cada destino, envolvendo vários tipos de produtos e serviços dentro da mesma viagem, dentro do Turismo de Experiência.”

É possível, e assim deve ser, olhar para a região e para os seus Produtos Turísticos e saber encontrar os mais representativos e capazes de oferecerem as maiores e melhores experiências aos turistas, contudo as acções e estratégias devem ter em conta, como já referido, as particularidades e especificidades de cada Produto e, principalmente, de cada Pólo, sempre que o cuidado de não negligenciar, esquecer ou deixar para 2º ou 3º plano nenhuma das partes, sabendo encontrar o equilíbrio sustentável para toda a Região, permitindo as “massas” nas zonas onde essa é a solução, mas dotando essas mesma zonas de capacidade para esse tipo de turismo, e preparando outras zonas para o Turismo de Experiências, dotando essas mesmas zonas de todas as condições para que se tornem referências neste segmento de “nichos”.

Texto e fotos por Heitor Castel’Branco

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Voltando a olhar para a Região de Turismo do Centro facilmente se pode perceber que o Turismo de Sol de Mar terá uma prioridade maior nos Pólos que detenham uma linha de costa atlântica, que o Turismo de Saúde e Bem-estar terá uma prioridade maior no Pólo Viseu/ Dão-Lafões, que o Turismo Náutico será uma prioridade maior na região do Oeste, apesar de estar presente em toda a costa, que o Touring terá maior prioridade nas cidades de Aveiro e Coimbra, que a componente religiosa do Touring terá um peso maior no Pólo de Leiria/Fátima/Tomar, que a componente de montanha do Turismo de Natureza terá maior importância no Pólo da Serra da Estrela. Se de uma maneira geral a gastronomia e Vinhos estão fortemente presentes em todo o território Nacional, seja ele continental ou insular, a componente vitivinícola é mais forte, falando desta região, nos Pólos de que englobem regiões demarcadas, principalmente as do Dão e da Bairrada. Também a região Centro é forte, de uma maneira geral, no que ao Turismo de Natureza diz respeito, tendo também a nível do Turismo de Negócios havido um crescimento relativo, principalmente nas cidades de Aveiro, Coimbra e Viseu, assim como, a nível Cultural, Portugal apresenta uma larga oferta em todo o seu território.


Ampliando os lacos

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Por Therbio Felipe M. Cezar Basta uma rápida circulada na principal rede social da atualidade para se perceber a geométrica troca da informações possível através deste meio de interação. É indiscutível seu alcance e capilaridade. Mas, temos que ir além disto. Porém, possivelmente, um dos mais impactantes resultados das postagens em ambiente virtual é o que se dá concretamente, seja nas ruas, trilhas e dentro de casa. É algo muito maior do que curtir, comentar e compartilhar. Trata-se, como me orienta um amigo aqui ao lado, da consolidação do conceito de mobilidade sustentável. A simples postagem de uma foto de bicicleta gera ou desencadeia uma série de expressões que, ao passo das horas e dos dias, vai fechar o circuito de relações presentes e inexoráveis à palavra ‘ciclo’. E a gente sabe que, entre inúmeras postagens de mau gosto e vazias, existe um número ainda maior de opiniões que, independente do caráter e origem, merecem respeito, principalmente, por se tratar de um grupo identificado por um símbolo, a nossa inseparável bicicleta. As orientações que surgem após um pedido de ajuda sobre um equipamento ou um caminho específico ampliam os laços desta rede, fortalecem o conhecimento acumulado e, ainda, disseminam a principal informação: estamos todos contribuindo uns com os outros. Acompanhamos grupos de ciclistas em todas as regiões do país e observamos que a ampliação desta rede de relacionamentos, dentro do universo da bicicleta, está incidindo positivamente também no plano das escolhas. Dizemos isto, porque é absolutamente claro verificar que mais e mais famílias adotaram ou estão adotando a bicicleta como veículo prioritário, como lazer qualificado e sociocultural, e ainda, como maneira de formar novos sujeitos. Gente, nem precisamos citar os exemplos porque eles estão por toda parte, e a nossa volta, há sempre uma nova experiência de CicloCidadania sendo comprovada. Será que percebemos que estamos, indiscutivelmente, formando novos usuários de bicicleta? Os filhos de meus amigos não precisarão ser sensibilizados num futuro próximo sobre tudo o que encerra escolher pela bicicleta. Sim, eles já estarão fazendo a grande diferença em um mundo colapsado e serão os multiplicadores desta corrente do bem, ampla e irrestrita. A teia precisa que cada linha seja forte o suficiente para auxiliar a sustentar toda a estrutura.

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É para isto que geramos conhecimento e o compartilhamos entre nós e além de nós.


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Educar o Cerebromentamos estímulos negativos, que originam respostas emocionais negativas, como a raiva, a criar um padrão no nosso cérebro e para a Felicidade estamos a intensificar estas respostas. Joana Abreu – Psicóloga Clínica da Oficina de Psicologia Some people pursue happiness. Others create it (Croix Sather) Muitas vezes, utilizamos e ouvimos expressões como “está com o coração partido” ou “o meu coração está capaz de rebentar”, como se este órgão fosse a casa que acolhe o que sentimos. Sabe-se, contudo, que é no nosso cérebro que encontramos o arco-íris de emoções que colora a nossa vida. A importância do cérebro é inquestionável no nosso funcionamento enquanto seres humanos, desde as necessidades mais básicas (como comer ou dormir), até às mais complexas (como a criatividade ou a resolução de problemas). O cérebro recebe informação originária de todas as partes do nosso corpo, interpretando-a e orientando a forma como o corpo deve responder. Imagine que coloca a mão numa superfície quente. Os recetores sensoriais da sua pele enviam uma mensagem ao seu cérebro, e este, por sua vez, interpreta um sinal de dor e envia um impulso que faz com que retire a mão dessa superfície. Nesta harmonia perfeita entre o cérebro e o funcionamento humano, existe uma vulnerabilidade para o sofrimento: a complexidade do nosso cérebro confere-nos a capacidade de pensar o passado e antecipar o futuro, interferindo na forma como percecionamos e nos relacionamos connosco, com os outros e com o que nos rodeia. Para além disso, o cérebro humano tende a focarse preferencialmente nas experiências que rotula como negativas, mesmo quando as positivas as superam. Suponha que se encontra no supermercado a um sábado à tarde, altura em que o fluxo de pessoas é elevado, e se dirige para as caixas de pagamento. Contudo, as filas estão tão compridas que se estendem pelos corredores das secções. Com o tempo de espera, começa a sentir-se claramente chateado com a situação. À medida que ali-

Não é fácil conceber a ideia de que um órgão tão organizado e estruturado como o cérebro, em que cada área apresenta determinadas características e é responsável por funções específicas, contribuindo para a nossa adaptação e sobrevivência, pode também representar uma fragilidade nossa. Mas é assim. E não faz mal. Se o cérebro é o responsável pelo problema, então também faz parte da solução. Para ajudar o seu cérebro a dizer “sim” à felicidade, deixamos-lhe algumas sugestões, tendo como princípio que o contacto com experiências positivas transforma estados mentais em novas redes neuronais. Isso mesmo: atuamos na estrutura do nosso cérebro, instalando o positivo! Seja artista: crie experiências positivas, como procurar factos positivos no seu dia a dia, partilhar o que é bom com os outros ou produzir coisas boas. Mais do que isso, enriqueça-as, aumentando a duração e a intensidade do contacto com as mesmas. Leve as experiências para onde quer que vá: permita-se aproveitar as experiências positivas, focando intencionalmente a sua atenção nas emoções e nas sensações corporais que essas experiências despoletam. Trate estas experiências como fazendo parte de si. Mude o “chip”: adote uma postura de aceitação perante as experiências negativas e recorra a emoções positivas para as substituir por experiências positivas. Liberte-se do que é negativo e substitua por algo positivo. Todos os dias são bons dias para ter boas experiências. Todos os dias são bons dias para educar o cérebro. Hoje, é dia de ser feliz.


´ os hibridos Os Híbridos foram criados para facilitar o seu dia-a-dia.

Os Híbridos foram criados para facilitar o seu dia-a-dia. Quando o primeiro Híbrido Toyota chegou à estrada algumas pessoas pensavam que um carro com dois motores fazia apenas parte do futuro. Agora, apenas duas décadas depois, os Híbridos Toyota passaram a acompanhar as histórias de mais de oito milhões de pessoas por todo o mundo.

O que é um Híbrido? Poupa combustível, reduz as emissões, gera a sua própria energia… quando uma tecnologia lhe oferece tanto, pode pensar que os Híbridos são uma tecnologia um pouco complicada. Mas não é verdade! Os Híbridos Toyota foram desenhados para facilitar a vida de quem os usa. Vida facilitada com um Híbrido

O dobro da potência, o dobro do divertimento

Economizar o combustível Não é segredo que, na maioria dos automóveis, a condução na cidade aumenta os custos com a gasolina. Os Híbridos Toyota, não se comportam como a maioria dos carros. Para começar, eles reciclam energia e têm dois motores – um a gasolina e outro elétrico – uma combinação perfeita que oferece números incrivelmente baixos como o consumo de 3.3 litros de gasolina aos 100km. Números estes que podem ser ainda mais reduzidos conduzindo em Eco Mode. Se pretende eliminar totalmente o consumo basta selecionar o EV-Mode, carregar com calma no pedal e não gastará nada enquanto acelera até aos 50km/h.

Um sentimento de tranquilidade

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Quando aciona o EV-Mode num Híbrido Toyota, vai notar algo de especial – nada! O silêncio e a tranquilidade Os nossos modelos Híbridos reúnem dois motores: um a do motor é algo que tem que experimentar para poder gasolina e outro elétrico. Esses dois motores trabalham acreditar. O EV-Mode emite zero emissões e produz uma em conjunto para fornecer mais potência, sempre que condução extremamente suave. necessário. Se precisar de uma performance extra basta Emissões reduzidas pressionar o botão “Power” e desfrutar do passeio. A união perfeita entre os motores a gasolina e elétrico faz com que um Híbrido Toyota emita apenas 75g de Aceleração: Ambos os motores fornecem CO2 por km, valores incrivelmente baixos para um carro energia ao veículo para oferecer o máximo familiar. Quando se conduz em EV-Mode, é possível acedesempenho. lerar dos 0 aos 50km/h sem produzir qualquer emissão. Desaceleração e travagem: O sistema recicla energia Existe mais CO2 num balão. cinética para carregar a bateria. Descubra mais viagens com zero-emissões Ultrapassar: Ambos os motores fornecem energia ao veículo para oferecer o máximo desempenho. Encontre no Prius Plug-in, um carro com todos os benefíParagem: Ambos os motores são automaticamente des- cios dos nossos modelos Híbridos, mas com uma distânligados para que não se desperdice energia enquanto a cia de percurso ainda mais extensa para mais viagens viatura se encontra parada. com zero emissões.


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"O Aprendiz de ^

Consciencia" Sinopse do livro A criança, o campo, a amizade, o sonho, o mar. A história de quem cresce e se perde num mundo de Deus, a história de quem cresce e ama, de quem cresce e não se encontra, de quem procura nos caminhos da vida, um, o seu. Um pedaço de todos nós, numa história de fé, de quando ela se perde, de quando ela se encontra, de quando ela é o mote para nos encontrarmos com o passado, presente em todos os dias dos nossos dias. Pedro Sousa, nascido em 1971 em Viseu, cidade onde vive, casado, pai de dois filhos, autor do livro “Ócios do Tinto”, editado em 2014 e recentemente, autor do livro “ O Aprendiz de Consciência”

Como caracterizas o Aprendiz de Consciência? É um romance poético, que fala de amor, de escolhas, de reflexões. Do amor, do amor aos pais, aos filhos, a Deus. É um livro que nos leva aos anos 70, às ruas da cidade e à vida no campo. Que nos fala da adolescência, dos sonhos de criança, da perca, das desilusões e acima de tudo da amizade e da importância que ela tem, desde a infância à fase adulta. É uma história de conhecimento e desconhecimento, de dúvidas, da forma como olhamos o mundo e vemos a vida, e a vontade de como a queremos conquistar. Porquê poético? Por causa da forma de escrita. Dos rendilhados, da maneira como descrevo os personagens e as paisagens. Da forma como as palavras se repetem, de como se contradizem, dando força à ideia e acentuando a mensagem.

Fráguas, porque é a aldeia da minha mãe e onde ia algumas vezes. Além disso pelo local lindíssimo que é, e que vale a pena visitar. E na minha cidade, Viseu. A cidade onde nasci e cresci e que neste livro tentei retratar, tanto pela descrição dos locais da minha infância, como a Rua do Comércio onde o meu avô trabalhava, a casa dos meus avós e bisavós e os jardins, de Sto. António e das Mães, o Rossio, e a igreja dos terceiros. É um livro autobiográfico? Não, de forma alguma. É um livro onde são retratados alguns dos locais que para mim foram importantes e que os enquadrei na história. Nem a aldeia, nem a cidade, nem os locais, estão assinalados no livro, pelo que será até nisso uma própria viagem do leitor a esses locais, tanto para os que já os conhecem, e que os podem ver com outros olhos, como para a imaginação de quem ainda não teve essa oportunidade. Quem é o aprendiz deste romance?

Desenrola-se em que ambiente? Este livro é uma viagem. Por um lado, uma viagem pelo mundo rural. Um mundo rural de solidariedade e amizade, sempre presentes. E de sonhos pela cidade grande, de sonhos de ver o que nunca se viu e só os livros da escola nos ensinam que existem. Por outro lado, a cidade, uma outra vida, o eterno contraste, a saudade. Alguns locais específicos?

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Sim. A acção desenrola-se na aldeia de Fráguas, concelho de Vila Nova de Paiva e, na cidade de Viseu. Em

O aprendiz somos todos nós, todos, e sem exceção. Às vezes é preciso reforçar essa ideia. Temos de tirar conclusões do que fazemos e dos passos que damos na vida. Essas conclusões e essas acções são o que nos vai influenciar no futuro. A forma como as entendemos, a forma como as interpretamos e o que fazemos depois com toda essa informação, isso tudo, é o resultado de quem somos. É aí que entra a parte filosófica do livro? Em parte sim. É no diálogo entre os personagens e a


Essa poderá ser a Consciência? Pode. Enquanto resultado de todas as reflexões, enquanto aceitação do caminho escolhido, enquanto forma de estar perante a vida, na certeza que só nós a poderemos mudar. Quem é a personagem principal? Este livro centra-se à volta de Clara. Uma menina e depois mulher, pela qual facilmente nos apaixonamos e dificilmente vamos esquecer. É toda a personificação da infância. Dos sonhos e da aventura, do conhecimento, do querer sempre mais e dar conta que o tempo não tem tempo para ela. É assim a Clara menina, a Clara que apenas quer ver o mar. E depois, o contraste com a Clara mulher. Mas embora o livro seja em torno de Clara, ela só pode existir porque existem outras personagens, que lhe dão força e a elevam de tal forma que a tornam a personagem principal. É marcante. O que difere este Aprendiz de Consciência do teu primeiro livro “Ócios do Tinto”? Tudo, (risos). Difere tudo. O “Ócios do Tinto” é um livro de riso, de comédia, de humor. Escrevi-o com o nome de Bocejo Lopes. Bocejo porque é preciso acordar e deixarmos de nos estarmos constantemente a lamentar. E o Lopes, porque é um nome do mais português que há. Também quis separar os projectos literários, até porque este nome e o próprio livro, estão associados a uma marca, Curt’Azia Beirã, que está sempre presente tanto neste como em outros projectos, como eu lhes chamo, de riso. O livro retrata a história de uns desalinhados e trapalhões descobridores, que com base no relato de um bêbado pastor, resolvem partir para a descoberta de uns documentos antigos acerca da origem do mundo. Este é o mote para a mais desorganizada expedição alguma vez feita e como o nome indica, o Tinto não falta, (risos). Como se passa de um género de comédia, para um romance com estes contornos? Facilmente, (risos). O riso está ou pelo menos deveria estar presente em todos os minutos das nossas vidas. Não ganhamos nada em andar tristes e confusos com banalidades. Eu gosto de me rir, sou uma pessoa divertida por natureza, e foi o que tentei espelhar neste “Ócios do Tinto”. É um livro que é o meu reflexo, divertido. Por outro lado, a vida também tem a sua parte mais séria, embora eu não saiba nem quero saber o que é mais sério, mas isso são

outras contas, (risos), mais reflexiva, como as preocupações, os medos, os anseios. E assim, naturalmente, saiu “O Aprendiz de Consciência”, saiu do meu lado menos risonho, menos alegre. A alegria e a tristeza estão sempre juntas… Sempre. Uma dá mais ou menos força à outra, esperemos é que seja a alegria a sobrepor-se à tristeza. Este livro está à disposição dos leitores em que formato e locais? Este livro foi lançado tanto em papel como em Ebook. Encontra-se nas livrarias habituais e, em todo o mercado online das grandes cadeias, como na Amazon. Também o podemos encontrar diretamente no mercado Brasileiro. Projetos para o futuro, podemos esperar mais lançamentos? Claro, (risos). Já estão alguns trabalhos em andamento e alguns conjuntos. Mas tirando esses estou já a escrever a continuação do ”Aprendiz de Consciência”, para sair para o ano, e quem sabe também a continuação do “Ócios do Tinto”. Um para o Natal e outro para o período de férias. Continuação das histórias ou dos géneros? Talvez as duas coisas. Depende dos personagens. Mas lá para Fevereiro digo-te, (risos). Obrigado Pedro, foi um gosto ter-te aqui e felicidades. Obrigado eu, e felicidades também para os teus projetos

Ócios do Tinto https://www.facebook.com/ociosdotinto/?fref=ts O Aprendiz de Consciência www.facebook.com/ O-Aprendiz-de-Consciência-1453874031589035/?fref=ts Livrarias Brasil Ócios do Tinto http://www.easybooks.com.br/literatura-biografias-humor-e-quadrinhos/literatura-estrangeira/ocios-do-tinto/ O Aprendiz de Consciência http://www.easybooks.com.br/literatura-biografias-humor-e-quadrinhos/literatura-estrangeira/o-aprendiz-deconsciencia/ Pedro Martins Sousa, nasceu em Setembro de 1971 em Viseu, cidade onde cresceu, estudou e reside. Casado, pai de Beatriz e Pedro, publicou o seu primeiro livro, do género comédia, em 2014, com o pseudónimo Bocejo Lopes e o título, “ Ócios do Tinto”. Em 2015 foi autor na, Antologia de Poesia Contemporânea, “Entre o Sono e o Sonho” Vol. VI. O, “O Aprendiz de Consciência”, é o seu segundo livro e o seu primeiro romance.

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discussão de questões do dia à dia, que serão sempre as eternas discussões, como os conceitos de amizade e de amor, em todas as suas vertentes, a perca, as escolhas e Deus. O próprio papel da igreja nestas questões, e em outras, a forma como culpamos ou como nos sentimos injustiçados, a forma como vemos os outros e o mundo. Todas estas reflexões, todas estas questões estão presentes neste livro e os personagens dão voz a estas interrogações que vão sendo reflectidas em todos os momentos.


Valuable internship in Portugal – experience, knowledge and sunny smiles Olá! It’s a well known greeting in Portugal, but do not mix it with ¡hola, it’s the Spanish one. How you already understood I will tell you my impressions from the westernmost country in Europe. To begin with, I would like to explain the meaning of travelling from my point of view. It’s a saying that you shouldn’t worry about failures, should worry about the chances you miss when you don’t even try. Travelling is a thing, which already is on my interest list, because I can get an experience, develop myself and see how beautiful the world is not just from the computer screen, stories or pictures. If you want to discover places you need to do it by yourself and ensure how big the mountain is, or how impressive the Acropolis of Athens is, or to approve that the Paris, it’s really one of the most romantic city in the World and it’s not just one of the stereotypes. We are all different with not similar opinions, so better see things with your eyes, hear the sound of the Ocean waves by our ears and face with adventures by your ,,fur”. Secondly, adventures, foot tired from long walking, shoes asking for relax, breathtaking views, unseen beauty and feeling that in your mouth are mixing different flavours of exotica, obscurity and desire to get familiar to places you never been before. Your camera, which is not able to capture all the moments, so you need to enjoy the beauty of moment and draw experience as gushing spring water – enrich your memory. That can perfectly describe the meaning of travelling, which can verify depending on each person.

ABOUT ME and importance of TRAVELLING

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I’m a graduated Lithuanian girl, this summer I finished my studies at Vilnius University, Kaunas Faculty of Humanities, got Bachelor of Philology. After my studies I wasn’t sure what to choose for the Master degree, in my mind were some possible options. First one to continue studies in Philology field of area, however other part of me wanted opposite thing to study Communication or Publishing. Since I understood it’s very hard task to choose, I decided to gain international experience and have a memorable summer. I didn’t want to be in hurry to decide, because it’s serious decision in life. That moment I felt it to be as the right choice and now I’m happy I took this challenge and opportunity life gave to me. I already have international skills, which were gained last year during Erasmus studies in Greece, city Athens. Moreover, I already travelled to some countries

and am familiar with Italy, Spain, Austria, The Netherlands, Slovakia, Check Republic, Poland and the Greek culture. That’s why I can say I fell in love with travelling to new places, I hope in the future I will travel more and will have a possibility to explore other continents. Travelling and getting familiar with new countries is a thing, which admire me. Undoubtedly, every trip leaves deep footprints in our heart and mind, all the time you learn something more what you didn’t know before. Travel is more than the seeing of sights, it is a change that goes on, deep and permanent, in the ideas of living. My trip begun at the end of the June, since then I already spent 3 unforgettable months in Portugal. The time here passed by so quickly, that I didn’t even realize it. I stayed here till the beginning of October. They were filled with nice moments, valuable experience, new people, lot of smiles and sunny days, exploring the places and cognition of cultural background.

I found PORTUGAL as a country, which must be on the travel list This country is impressive and unique as well, it’s easy to fall in love with its culture and beauty. There many places you can explore and see. Undoubtedly Portugal is not imagine without famous Porto vine, deep cof-


I have already missed the espresso breaks during the work so much. It’s an expected way to finish every meal. In fact, café is very ingrained into the Portuguese lifestyle, culture and history that without this drink the people don’t imagine even a day. Coffee drinking is a serious business in Portugal. For me it’s a country of discoveries and contrasts.

VISEU – unique, cosy and perfect place to live For three months as my new, temporary home became very nice city called Viseu. It’s located in Central Region of Portugal. This city is just around 100,000 citizens, so it’s cozy, calm and not stressful city comparing to the capital or bigger cities. I should mention that it’s not touristic city as well. Be ready to face with real Portuguese life style and traditions. Viseu is approximately 50 km away from the Atlantic ocean, moreover it’s comfortable to travel to other places in Portugal or even to Spain, from this city. I could say, it’s located in a perfect place for exploring. One more astonishing thing, that this city is now one of the largest cities in Europe without a railway connection. Have in mind that this country has the Mediterranean climate and very hot summers, but not in the cities which are not far from the Ocean. Viseu is rich in cultural, religious and historical heritage, had diverse things to do, parks to take a nice walk and enjoy the fresh air, lot of activities and an active night life, which is never boring. I really liked to live here, it fulfill me with a lot of nice moments, impressions and unforgettable experience!

My internship in MOODOPTIC As we get familiar with the country and city, let’s talk more about the internship itself. I did my internship in MoodOptic, which is a growing ophthalmic store and expanding the chain rapidly. It’s e-commerce project based on 3 differentiation drivers: extremely competitive price, speed of delivery and unique customer experience. It has a wide range of products and relevant brands to offer for customers in all over the world. There are 5 countries in this chain: Italy, Spain, Germany, UK and Portugal, but the supervisor of the MoodOptic said they want to spread and collaborate with more countries in the near future. The inventors of the idea to establish MoodOptic are Nuno Cabral and Nuno Maia, both they are trying to do them best in motivating the staff, searching for new ideas and they really like what they are doing, that’s I think is the main idea. If you love your job, other people will feel this. It was launched in year 2012, since that MoodOptic gained appreciation from customers, was formed the circle of loyal customers. Most of time here I was translating webpage from English to Russian and Lithuanian language, do a comparison of rivals and prices, write an article. I gained a lot of new knowledge about the contact lenses, prescription and sunglasses, had an opportunity to be a part of a very nice and entertaining collective. The atmosphere was cozy and really nice, every day here I wanted to smile more and complain less.

STUDIOBOX – place, where ideas are realized and turned to reality Studiobox it’s a very nice company of advertising in Viseu, where work creative, friendly and energetic people, full of new ideas every day. Even the atmosphere in Studiobox seems very artistic and special. That’s a place where people are happy and like the work they do, all the time searching for new ideas and have positive thinking. I’m happy I met those people as well, as well I would like to say huge thank for the Bruno Esteves, who helped me to get familiar with Studiobox and I’m more thankful, because he helped me to share my experience with Portuguese people – my article can read many people. That’s due to the Portuguese people warmness and kindness, both in MoodOptic and Studiobox I felt very nice atmosphere.

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fee drinking traditions, various cuisine and sea food, of course the mouth-melting and delicious pastries, Pastel de Nata here is the leader. Wistful Fado is a piece of music art here, which done a huge impact to the culture of this country. Azulejos it’s one more thing, which is seen almost behind every corner in Portugal, with colourful ceramic tiles can be decorated benches, walls of the buildings or even the whole train station. This is both artistic and cultural thing Portugal should be proud of, this is creative, careful and very unique art. Moreover, Romanesque and Gothic influences have given Portugal some of its greatest cathedrals, which are fantastic places to visit. The second religion here is certainly football, and famous player Christiano Ronaldo. As well the Atlantic Ocean, mountains and sunny Mediterranean climate are the bonuses for Portugal and attract lot of people to come here.


REVISTA STUDIOBOX – what, why, whom? This magazine is a touch of cultural and artistic news. As well it’s full of news, you can find information about the lifestyle and moda, art, also about the vine culture, music and even more. It is a free publication magazine, which helps people to get familiar to the general information and what is happening in Viseu. The business and cultural panorama of the city need this type of publications. Moreover, it surely gives a useful contribution to the booster and cultural dynamics of the city. The development of regions also depends on joint actions such as this, and in this case, can be approximated Viseu and Aveiro’s business and cultural level. I think this idea to have such a magazine is essential and very useful. It’s a saying that A people without the knowledge of their past history, origin and culture is like a tree without roots. I think this magazine perfectly helps to discover the cultural background, which sometimes can amaze, sometimes can help to find out unknown things and enrich your mind.

VIRIATUS – symbol of Viseu VIRIATVS it’s Warrior Lusitano, the Roman Empire fought for the freedom of his people and the symbol of Viseu. City is well known as a Land of Viriatvs. Here you will find the pastry named Viriatvs, some souvenirs, caffes to honor the Warrior. As well it was built a statue made in bronze and it’s base is in stone. It’s one of the touristic points in Viseu as well, and must be visit. It has 2.5m high and Viriatvs is represented in a heroic position and has some soldiers around it. Also you can find very nice VIRIATVS package, which included T-shirt, cup, pencil and a nice notebook – perfect gift to your friends and nice memory from this city. I took some for Lithuania as a present from Viseu.

In this particular city, to be honest, I faced with a little language problem, because it’s not a touristic one, not all the people can speak in English, but there is nothing that can’t be solve. If you truly want to understand each other you will find a way. To add, I found the people both in Studiobox and MoodOptic as very nice and friendly. All in all, I had a possibility to see how the real Portuguese life seems, to taste lot of nice meals here, to enjoy espresso every single day and to enjoy the mountainous view, which is seen from almost all the places in Viseu. Once again, nature in Portugal is adorable and breathtaking! I truly think that if you want to reach your determined aim decidedly you can do this, just never stop believe in yourself. Don’t be afraid to sail from the safe harbor and leave your comfort zone in order to see and experience something much bigger you can ever imagine. Portugal – is a country, which should be on your travel list, which now has a place in my heart! Of course, Viseu takes the biggest part, because I spent here so much time. To sum up, I would like to say a big thank (port. obrigado) for “Partners 4 Value Program” for this opportunity. I had a perfect chance to explore new country, to get valuable experience, get new friends, acquaintances and discover more things about myself. “Learn everything you can, anytime you can, from anyone you can, there will always come a time when you will be grateful you did.” (Sarah Caldwell)

AND…a little bit more…

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To sum up, I gained lot from this time I spent here: was improved my English and Italian skills, I met new wonderful people, with whom I hope to keep in touch or at least I know I will have a place to stay next time I will visit Portugal. As well, I had a nice opportunity to face with real Portuguese life style, cultural features and know more about traditions, cuisine. Most important thing I learn how to enjoy every single moment and sometimes not be in hurry, take a sip of coffee instead or just nicely sit in a park. Believe me people from south are very positive, energetic and ready to help you even your Portuguese in not good.

Simona Kurcikeviciute, Erasmus+, from Lithuania simona.kurcikeviciute@gmail.com


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geral@powerhitsproduction.com


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libero

Boaventura Malenga nascido em Novembro de 1996, conhecido pelo nome artístico Libero, é um rapper e produtor musical Angolano. Natural de Nova Lisboa (Huambo) passa toda a sua infância em Luanda com os seus Pais. Aos 12 anos muda-se para o Huambo onde passa a viver com a sua irmã. Nesta cidade Libero desperta para o Rap influenciado por: Valete, Kid MC, Kendrick Lamar, Halloween J. Cole e pelo seu irmão mais velho Salomão Malenga, também ele rapper com nome artístico Marley Jackson. A música passa assim a fazer parte da sua sua vida. Aos 16 anos decide concretizar os seus sonhos e junta-se a Mauro Dallas a Poetic Life e em 2013 lança o seu primeiro trabalho a solo, a mixtape intitulada “Jinchurick do Rap” com a participação de toda a Poetic Life. Em 2014 muda-se para Portugal, Viseu onde trabalha com a editora Power Hits Production estando já o próximo trabalho em fase de preparação.


“Francisco Cappelle volta em versão acústica, a solo, sendo que a possibilidade de uma banda não está posta de parte.”

francisco cappelle Francisco Cappelle é músico, compositor e intérprete. Tem dezenas de músicas onde expressa ao mundo o seu coração e a sua alma de eterno sonhador. Francisco é viseense e há quem se lembre de o ver tocar com uma banda de norte a sul do país há alguns anos atrás. Um dia parou... Um dia deixou a sua racionalidade falar mais alto e achou que poderia viver sem a música, que podia viver com um emprego das 9h às 18h como quase toda a gente, mas a verdade tornou-se dura ao provar de que ele apenas consegue ser feliz através da música. O regresso anunciado é em Janeiro de 2016, o regresso de um músico para quem esta paragem foi sinónimo de crescimento e maturidade. Hoje considera ter outro perfeccionismo e uma vontade renovada de levar uma mensagem ao mundo através das suas músicas. Francisco Cappelle volta em versão acústica, a solo, sendo que a possibilidade de uma banda não está posta de parte. Aquilo que sente é uma enorme vontade de ser feliz, como só a música o poderá fazer.

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Sente saudades de cantar, de interagir com o público, de sentir que o que compôs e canta faz sentido no coração de quem escuta. A vida para Francisco

Cappelle não se concebe de outra forma senão passando por aquilo que sabe fazer de melhor: a música. As melodias, de Francisco Cappelle, essas, são desfiles de sons que apelam ao coração e que se conjugam para pintar as silhuetas da imaginação e em perfeita harmonia, culminam no explodir de refrões vibrantes. A simplicidade, tão complexa da música de Francisco Cappelle, aquece os corações frios, dos dias de Inverno.

Contactos: facebook.com/ franciscocappelle.oficial E-mail: francisco.cappelle@me.com Telefone: 964 779 348


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Tiago Miguel Guitarra Portuguesa

Tiago Miguel Félix Santos – Guitarra Portuguesa Tiago Santos, começou a tocar guitarra portuguesa com apenas 16 anos é atualmente guitarrista profissional e professor nas escolas Mozart em Viseu. Entre os jovens intérpretes, como um dos instrumentistas mais requisitados no acompanhamento de fadistas da zona de Viseu e arredores. Embora resida em Viseu, já pisou palcos de Norte a Sul de Portugal, teatros e coliseus, e atua frequentemente no estrangeiro (Espanha, França, Suiça, Holanda, Polónia, Bulgária, etc...) Nascido em Lisboa e com raízes na música, desde cedo abraçou esta arte através de vários estilos musicais – Folclore, Tunas Académicas, Bandas alternativas e Fado – tem-se dedicado à prática, ensino e estudo da guitarra portuguesa, tendo a versatilidade de acompanhar os estilos de Coimbra e Lisboa. Tiago Santos aprendeu a tocar guitarra portuguesa como autodidata. Revê-se nos estilos dos grandes guitarristas

Aos amantes do fado moderno e tradicional, estejam atentos a esta nova revelação.

Carlos e Artur Paredes, Armandinho, Fontes Rocha, José Manuel Neto e tem vindo a aprimorar o seu estilo com o Mestre contemporâneo Custódio Castelo. Praticante de vários instrumentos de corda como guitarra, bandolim, cavaquinho, entre outros, é no fado e na guitarra portuguesa que se destaca. Para além de integrar grupos como “7 Torres”, “Brisa Beirã” e “Fado em Si”, é guitarrista freelancer acompanhando nomes como Sílvia, Mara Pedro, Ana Laíns, Dina Pinto, Cristina Nóbrega, entre vários. Ainda muito jovem deu início ao seu percurso profissional acompanhando diversos artistas nas noites de fado. Foi neste ambiente que a sua interpretação ganhou amadurecimento e estilo muito próprio de interpretação. Aos amantes do fado moderno e tradicional, estejam atentos a esta nova revelação.


ricardo azevedo

“Musicalmente, sou um artista muito nostálgico. Admiro bastante os anos 50 e 60.”

Ricardo Azevedo liderou a banda EzSpecial até ao ano de 2006, tendo dado até essa altura mais de 300 concertos de Norte a Sul, passando por salas emblemáticas como os Coliseus e festivais de verão. Temas como “Daisy”, “My Explanation”, “I Really am Such a Fool”, entre outros, são músicas deste compositor e intérprete que estiveram durante meses no número 1 de airplay das rádios portuguesas e que ainda continuamos a ouvir. Em 2007, Ricardo Azevedo, com o seu primeiro disco a solo e em português “ Prefácio ”, granjeou um enorme reconhecimento. Ao todo, foram extraídos do álbum, seis temas para novelas nacionais da TVI e da SIC. Podemos destacar temas como “Pequeno T2”, “Entre o Sol e a Lua” e os “Os Meus Defeitos” (dueto com Rui Veloso). Em Setembro de 2009 foi lançado o seu segundo disco a solo “ O Manual Do Amor” produzido por Mário Barreiros. Deste trabalho foram extraídos três temas para as rádios nacionais: “Luz Fraca”, “O Beijo” e “Somos Dois Espaços”. O terceiro disco de originais intitulado “Frente e verso” foi lançado em Julho de 2012 e teve entrada directa para o top nacional de vendas. Destacamos o “O amor não me quer encontrar” e o tema “Juras de amor”. Ao fim de 15 anos de carreira, quem é o Ricardo Azevedo? Em muitas coisas sou a mesma pessoa que era há 15 anos atrás. Mas naturalmente cresci em muitos aspetos. Pessoalmente e profissionalmente. Estou mais maduro. Como está a decorrer a digressão? Está a correr muito bem. No entanto ainda vai no início. O próximo ano vai ser muito preenchido e estou muito entusiasmado por poder levar os festejos dos meus 15 anos a muitas cidades.

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Está a preparar um acústico, que temas se vão ouvir? Vou lançar um disco acústico, retrospetiva de carreira.

Terá apenas um tema inédito, pois a ideia é mesmo revisitar e compilar todos os temas da minha autoria que escrevi ao longo destes anos na música. Desde os tempos que fundei os Ez Special, até ao presente. Projectos para o futuro? Tocar bastante ao vivo e após o disco acústico, irei começar a trabalhar num novo disco de originais. Acha que a crise afectou o panorama dos artistas portugueses? Claro que sim! A crise afetou toda a sociedade Portuguesa. E como a arte não é um bem de primeira necessidade, nós acabamos por sentir mais. Mas felizmente Portugal tem grandes artistas e a qualidade prevalece sempre. Algumas marcas estão associadas ao seu nome... O que é o Eter9? Eter9 é uma rede social Portuguesa, presente no mundo inteiro, que assenta na inteligência artificial. Está a ter muito sucesso no estrangeiro e isso como Português deixa-me muito orgulhoso. Para além disso foi criada pelo meu grande amigo Henrique Jorge. Um visionário! Acha-se um artista futurista? Musicalmente, sou um artista muito nostálgico. Admiro bastante os anos 50 e 60. No entanto, gosto de pensar que em algumas coisas sou desconformado. As redes sociais e o Eter9 em particular, fazem-me querer ser bastante arrojado e atual. Uma mensagem para os seus fãs? Obrigado a todos por estes 15 anos e prometo que irei estar aqui para as curvas! Ou melhor, para os palcos!!!


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banda expresso cool Uma viagem pelo tempo e pelo mundo!

Uma nova poderosa banda com um conceito único de performance ao vivo. Apesar de nascer em Viseu, a Expresso Cool é constituída por quatro elementos internacionais. Quarto músicos de excelência com carreiras distintas e projetos à parte. Unidos pelo gosto de “música de qualidade”, criam este projeto no início de 2015 juntando diferentes estilos musicais, tais como jazz, blues, funk, samba, rock e world music. Toda esta mistura explosiva tem a sua explicação. Vindo de três cantos do mundo: Portugal, Brasil e Bulgária (Litos Dias – baixo elétrico, André Zumckeler – guitarra elétrica, Filipe Lapa Monteiro – bateria e Sílvia Mitev – vocais) e com percursos bastante variados, certamente trazem imensa diversidade e peso cultural neste projeto. Stadrards de jazz e blues dos anos 30, 40, 50 e 60; funk dos anos 60 e 70; evergreens de rock português dos anos 70 e 80; eternos êxitos de samba como os do Tom Jobim; morna de Cabo Verde; world music; bem como hits da música atual... Compositores e interpretes como Etta James, Ella Fitzgerald, Stevie Wonder, Elvis Prestley, Tina Turner, James Brown, Ray Charles, Wild Chery, Bob Marley, The Doors, U2, Police, Jafumega, GNR são só alguns exemplos do amplo repertório da banda Expresso Cool.

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Litos Dias – (baixo elétrico) é natural de Chaves, Portugal. A sua paixão pela música surge aos 13 anos, quando começa a ter aulas de viola. O baixo elétrico entra na sua vida aos 15 anos como autodidata e posteriormente começa a estudar o instrumento. Licenciado em

Educação Musical, mais tarde estuda com o baixista Pedro Lemos, atualmente estuda Jazz com o baixista Pedro Barreiros na Escola de Jazz do Porto. O seu percurso musical começa desde as garagens a tocar com os amigos, até aos grandes palcos nacionais, tocando com vários artistas do panorama musical português. André Zumckeler (guitarra elétrica), nascido em São Roque (estado de São Paulo), Brasil, começa a tocar guitarra por hobby aos 7 de idade e alguns anos mais tarde frequenta o conservatório/centro cultural de Brasital (em São Roque) com vocação - guitarra clássica. Entra no curso de guitarra eléctrica aos 16 anos com diversos mestres e professores de vários estilos musicais, blues, rock, jazz etc. de guitarra eléctrica com diversos professores de vários estilos musicais, blues, rock, jazz etc. Tendo já uma vasta experiência, acompanhou diversos músicos no Brasil e em Portugal, participou em inúmeros projetos musicais e culturais. Atualmente para além de músico de performance é professor de guitarra eléctrica e guitarra clássica nas escolas Mozart em Viseu, aonde dá aulas há mais de 10 anos, e com uma experiência de mais de 15 anos como professor em Portugal e no Brasil. Filipe Lapa Monteiro (bateria) Desde muito cedo e por influência do seu pai (o músico Lapa Monteiro), desde muito cedo que integra e participa nos mais diversos projetos musicais. Na sua Formação Musical Inicial passa por diversas aulas particulares e estuda durante 2 anos Piano no Conservatório de Música de Leiria. Formado


Sílvia Mitev (vocalista) é natural de Shumen, Bulgária. O seu gosto pela música surge ainda de criança, tendo sido influenciada pelo seu pai (também cantor e músico profissional). Aos 10 anos de idade começa a frequentar o curso de teclas, formação vocal e solfejo no conservatório da sua cidade natal. Entre música e viagens pelo mundo inteiro, passa uma grande parte da sua infância consciente em Lobito, Angola e os 5 anos de vida em África marcam para sempre esta alma ainda muito jovem. Assim cria o gosto pelas músicas e culturas do mundo. Ao longo dos seus estudos de samba, jazz e evergreens mundiais, aos 15 anos torna-se teclista e backing vocalista de uma banda de música alternativa na Bulgária. Radicada em Portugal já há mais de 15 anos, licenciou-se em Turismo pelo IPV e pós-graduada em Gestão de Recursos Humanos pelo ISLA. Posteriormente regressa aos estudos musicais dedicando-se a Canto Jazz e Improvisação. Desde os primeiros dias em Portugal apaixona-se pela música mais típica de Portugal – o Fado, onde tem uma carreira internacional a solo (com nome artístico Sílvia).

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pela Escola Profissional de Artes da Beira Interior com o Curso de Instrumentista Profissional, na Classe de Percussão (das Profsª Fátima Juvandes e Isabel Silva), conclui o Curso em 2006 com nota de 18 Valores. Ao longo deste período estudou e trabalhou com alguns dos melhores professores nacionais nomes como: Eduardo Lopes, Mário Teixeira, Miguel Bernard, Pedro Carneiro, bem como a participação em inúmeros Workshops e Master Class administradas por grandes músicos nacionais e internacionais. Mantendo sempre a sua aproximação à bateria, integrou diversos projetos culturais tais como: Orquestra APROARTE, Orquestra Sinfónica da Beira Inteiror, Orquestra de Sopros da EPABI, Grupo de Percussão da EPABI, pelos quais realizou inúmeros concertos pelas principais salas de espetáculos do país. Atualmente por Viseu, mantém ativa a sua maneira de olhar e interpretar o instrumento, pondo em prática toda a sua vivência de 25 anos musicais.

Apesar de “ainda muito jovem” a banda Expresso Cool rapidamente está a conquistar o mercado nacional com inúmeros concertos espalhando a sua área de atuação de Viseu e arredores para o país inteiro. Neste momento, estão a trabalhar no seu primeiro original, tal como a organizar a sua primeira digressão internacional em 2016/2017 começando pela Europa de Leste, apresentando o seu magnífico trabalho em vários festivais de jazz e músicas do mundo.


´ CALENDaRIO

Um projecto que apoia a Liga Contra o Cancro A vida talvez seja uma viagem, mas alguns de nós são obrigados a cumprir uma exigente digressão em defesa da própria vida. É o caso dos heróis e das heroínas que enfrentam o cancro. O que fazer para os homenagear? Como animá-los nesse exigente percurso, tão cheio de poderosos obstáculos? E, de caminho, como recordar-lhes o conjunto de «pequenos nadas» de que é feita a vida? Eis as permissas deste CALENDÁRIO, erguido por Luis Portugal, Lucia Moniz, Tozé Santos e José Guedes, com o apoio inequívoco da Liga Portuguesa Contra o Cancro, como entidade de referência nacional, no apoio ao doente oncológico e sua família, que é simultaneamente um roteiro de esperança e uma evocação de algumas das coisas boas que esperam os nossos heróis e heroínas à chegada, quando lhes for consentido retomar a sua viagem. Aquela que todos deveríamos ter o direito de percorrer inteira até ao fim. Junte-se a nós a apoie esta nobre causa! Todos juntos faremos a diferença…

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Calendário, um álbum que espera por si!


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Revista Studiobox Dezembro 2015  
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