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Editorial… ou uma espécie de… E eis que estamos em “Agosto, pleno verão”, como diz uma célebre música de uma banda portuguesa de meados dos anos 80, só não estamos no mediterrâneo nem estão 40º à sombra ou mesmo ao sol… Estamos mesmo em Portugal, mormente em Viseu, a melhor, dizem, cidade para viver. Como sempre nestas questões, uns concordam, outros não e ainda outros concordam à segunda, quinta, sábado e domingo, discordando nos outros dias, excepto quando é feriado à sexta, nunca percebi porquê, mas… Adiante, para uns tempo de férias, para outros tempo de “feirar”, que é como quem diz, ir à Feira de S. Mateus comer umas farturas e levar os miúdos ao carrocel ou aos carrinhos de choque… A feira preenche-nos o imaginário, os cheiros e as cores, os sons, as barracas e os barraqueiros… trazem à memória os furos dos chocolates, a barraca das argolas, ou mesmo a memória ver tomates a voar de encontro a um qualquer cançonetista nacional, daqueles que marcaram de forma indelével o passado, presente e quiçá o futuro, do cançonetismo nacional… É tempo de regresso das emoções aos relvados dos estádios, até mesmo a alguns do Euro 2004… Agitam-se as bandeiras, afinam-se as gargantas, agudiza-se a paixão… no entanto, no final, invariavelmente, a culpa é sempre ou quase sempre do mesmo, que diga-se, em abono da verdade, quase nunca tem culpa… É, ou foi, também, tempo de “fazer” esta revista, que agora está nas suas mãos, daqui a pouco sabe-se lá onde estará. Com gosto, amor e carinho, mas não só, se fez mais um número da sua Studiobox. Fácil não foi mas impossível também não, fez-se, está aqui, esperamos que goste e prometemos voltar. Até já. por Rui Rodrigues dos Santos escreve de acordo com a antiga ortografia COLABORAÇÕES/AGRADECIMENTOS ESPECIAIS. Académico de Viseu, Alidanças, António Cardoso, António Filipe Pimentel, APPACDM, Bernardo Mota Veiga, Brites Motores, Município de Viseu, Ear of Vegas, Eunice Silva, Heitor Castel’Branco, João Pedro Pinto, José Pedro Gomes, Kristina Kovaleska, Lopo de Castilho, Luíz e Mauriane, Madame Limousine, Mappa, Mara Pedro, Mónica Baptista, Patrícia Belo, Pedro Frutuoso, Pedro Vaz Pinto, Rui Rodrigues dos Santos, Shutter Down, Susana Andrade, Susana Borges, Therbio Felipe M. Cézar, Viriathvs Runners. FOTO CAPA/EDITORIAL.

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MGV

MUSEU GRÃO VASCO | O edifício e a fundação do museu No centro histórico de Viseu, o imponente edifício, contíguo à Catedral, acolhe as valiosas colecções e serviços do Museu Grão Vasco. A sua construção teve início em 1593, sendo na origem destinado a seminário. É uma vasta construção em granito mandada edificar pelo Bispo D. Nuno de Noronha, prolongando-se as obras pela primeira metade do século XVII, com o Bispo D. Frei António de Sousa. Adossado parcialmente à Catedral, constitui com esta e com a Igreja da Misericórdia o ponto mais alto da cidade de Viseu, dominando o seu centro histórico. Embora se desconheça a autoria do projecto original, é provável que se deva a um arquitecto de origem castelhana, à semelhança do que sucedeu com o da actual fachada da Catedral, encomendado ao salamantino João Moreno. A fundação do Museu ocorreu precisamente há 99 anos, a 16 de Março de 1916, e surge no contexto histórico das reformas republicanas. O Decreto da criação do Museu Grão Vasco definia-lhe um acervo composto pelos valiosos quadros existentes na Sé de Viseu, pelo importante tesouro do Cabido da Sé, além de outros objectos de valor artístico ou histórico que pudessem ser cedidos e se tornasse conveniente incorporar no mesmo museu. Almeida Moreira, entusiasta da ideia de dotar a cidade de um museu, consegue, antes da sua nomeação efectiva como primeiro director e organizador do mesmo, abrir as portas ao público em 1914, na sala do cabido e seus anexos, junto do claustro superior da Sé. Em 1931, após algumas obras de beneficiação no edifício da Paço dos Três Escalões, inauguram-se as primeiras salas de exposição permanente. Ao contrário do que sucedia com o exterior, já que o edifício conserva genericamente uma marca identitária singular e poderosa, o interior, objecto de obras sucessivas de readaptação aos mais diversos serviços que ao longo dos séculos aí se foram instalando, ainda antes da ocupação do museu e chegando mesmo a coincidir com ele, encontrava-se profundamente degradado e descaracterizado.

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MUSEU GRÃO VASCO | As colecções Em nada surpreende que o pintor Vasco Fernandes, celebrizado no decurso dos séculos como o Grande Vasco, seja a referência maior, na designação e nos conteúdos deste Museu. As pinturas que o artista fez ao longo das primeiras décadas do séc. XVI, precisamente para as diversas capelas da Catedral e para outras igrejas da região, dão-lhe, desde logo, um lugar de destaque no panorama da museologia portuguesa e do património artístico nacional. O Museu Grão Vasco possui ainda diversas colecções, constituídas por obras de arte maioritariamente provenientes da Catedral e de igrejas da região. Aos objectos originalmente destinados a práticas litúrgicas (materializados na pintura, escultura, ourivesaria e marfins), acrescem peças de arqueologia, uma colecção importante de pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, exemplares de faiança portuguesa, porcelana oriental e mobiliário. Ao longo de quase 100 anos de existência, o Museu Grão Vasco reuniu um extraordinário e diversificado acervo, abrangendo um arco cronológico, artístico e tecnológico muito vasto. Destaca-se o notável núcleo de pintura primitiva renascentista que ocupa o piso superior e que está dedicado, com particular relevo, à obra de Vasco Fernandes, bem como dos seus colaboradores e contemporâneos. Neste núcleo podemos observar diversos tesouros nacionais, evidenciando-se o grande painel figurando São Pedro e a Adoração dos Magos, na qual, pela primeira vez, se representa na Europa a figura de um índio brasileiro. No piso intermédio expõem-se, por amostragem, colecções de arte românica e gótica, escultura religiosa dos séculos XVI a XVIII, arte dos “Descobrimentos” (África, Índia e Extremo Oriente, na qual se inclui um importante hostiário proveniente da Serra Leoa), artes decorativas (mobiliário, faiança, porcelanas e pratas), pintura barroca e neoclássica (destacando-se uma notável Natureza Morta representativa da arte peninsular do século XVII), retrato (com parte da obra do viseense José de Almeida Furtado – 1778-1831 – e uma obra do renomado pintor europeu Raimundo Madrazzo – 1841-1920), terminando na pintura naturalista e modernista portuguesa dos séculos XIX e XX, onde avultam importantes nomes como Tomazini, Alfredo Keil, Tomás da Anunciação, Silva Porto, Marques de Oliveira, João Vaz, Carlos Reis, Veloso Salgado, José Malhoa, Columbano Bordalo Pinheiro, Falcão Trigoso, Artur Loureiro, Joaquim Lopes, António Carneiro, entre outros. Em reserva estão diversas colecções assinaláveis: pintura, escultura, numismática, têxteis, azulejaria, arqueologia e documentação histórica. O Museu Grão Vasco possui nas suas colecções vinte e duas peças classificadas como “Bens Culturais Móveis de Interesse Nacional”, vulgarmente conhecidos como “Tesouros Nacionais”. O Museu assume um papel de relevância patrimonial incontornável, quando nos referimos à quantidade e qualidade de “bens de interesse nacional” integrantes das suas colecções o que nos dá bem conta da importância do Museu Grão Vasco, no contexto da afirmação da identidade cultural do nosso País.

Categoria: Pintura Denominação: São Pedro Título: São Pedro Autor:VascoFernandes (c.1475-1542) Local de Execução:Viseu Datação:1530 d.C. Matéria:Óleo Suporte: Madeira de Castanho

Categoria: Mobiliário Denominação: Contador de mesa Autor: Desconhecido Local de Execução: India Datação: 1675 d.C. - 1695 d.C. Matéria: Teca (base), ebano, sissó, marfim, madeiras exóticas e latão (cobreado) Técnica: tecnica de construção: cavilhada e pregada

Estas obras estão abrangidas por disposições legais especiais, que as protegem e classificam como bens raros e excepcionais. Para a sua classificação foram tidos em conta critérios como o carácter de autenticidade, originalidade, raridade e singularidade, mas também o génio do seu criador, o interesse do bem como testemunho simbólico ou religioso, ou ainda o valor estético, técnico ou material da obra. Significativos são ainda os bens provenientes de doações ou legados, destacando-se o de Alberto Eduardo Navarro (1891-1972), Visconde da Trindade e de Ana Maria Pereira da Gama (1923-2008). O piso inferior do museu dispõe de áreas destinadas a exposições temporárias, livraria, loja, cafetaria, biblioteca de arte e arquivo histórico, contribuindo assim para a diversidade de oferta expositiva e formativa ao visitante.

Categoria: Cerâmica Denominação: Prato Autor: Desconhecido Local de Execução: Lisboa (?) Datação: XVII d.C. Matéria: Faiança Técnica: Peça rodada. Pintura a azul e manganês.

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Museu Grão Vasco | Serviço Educativo Em 1960 foi criado o Serviço Educativo do Museu Grão Vasco. Nas palavras do então director, Fernando Russell Cortez, este serviço permitia “… incrementar a função educativa do Museu, acompanhando a evolução de uma nova sociedade, (…) contribuindo de forma destacada para a verdadeira e real democratização do saber, mostrando, sem possibilidades de contestação, a polivalência dos Museus (…) e o largo papel a desempenhar na valorização da grei.” O Museu Grão Vasco tornava-se assim num dos primeiros, a nível nacional, a pôr em prática um serviço de extensão educativa, concretizando o desejo de fazer do Museu uma instituição mais dinâmica. Na década de 70 o Serviço Educativo desenvolveu um programa pedagógico e artístico que marcou profundamente a sociedade visiense, através de actividades de ocupação de tempos livres e dos saraus educativos que ocorriam no auditório Gulbenkian instalado na Casa-Museu Almeida Moreira, nessa altura um anexo do Museu Grão Vasco. Hoje, o Serviço Educativo do Museu Grão Vasco orgulha-se de ser herdeiro deste espírito pioneiro, acumulando a experiência e o saber de todos aqueles que aqui realizaram, ao longo de anos, inúmeras visitas guiadas e actividades que promovem o conhecimento adquirido por prática, observação e experimentação. Hoje, como ontem, o Serviço Educativo do Museu Grão Vasco possibilita uma compreensão acessível das obras expostas e incentiva o enriquecimento pessoal, desenvolvendo competências e despertando emoções, através de múltiplas e diversificadas experiências.

Categoria: Têxteis Denominação: Fragmento de Sebasto Autor: Desconhecido Local de Execução: Inglaterra Datação: 1475 d.C. - 1499 d.C. Matéria: Fio de seda policroma; fio laminado dourado e prateado; cordão de enchimento e linho Suporte: Base do bordado: linho

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MUSEU GRÃO VASCO | Arquivo Histórico O Museu Grão Vasco possui no seu acervo, para além de importantes colecções artísticas no domínio da pintura, escultura, cerâmica, etc, um significativo espólio documental que constitui o Arquivo do Museu Grão Vasco. Reúnem-se neste arquivo cerca de 1300 documentos, 17 livros manuscritos e 4 selos avulsos, abarcando uma cronologia que se estende dos séculos XIII ao XX, na sua maioria provenientes do cartório do cabido da Sé de Viseu, à excepção da documentação posterior à República, relativa ao período de instituição do museu e de criação das suas colecções. Este acervo está organizado pelos seguintes fundos arquivísticos: - Pergaminhos: 1230 - 1840 (90 docs.) - Documentos Avulsos: 1431 - [séc. XX] (cerca de 1200 docs.) - Livros: 1361 - 1844 (17 liv.) - Fragmentos: [séc. XIII] - 1608 (2 docs.) - Selos Avulsos: [séc. XIII - XV] (4 ex.) Não sendo a colecção predominante deste museu, este espólio é, todavia, um precioso testemunho da história da Sé e da cidade de Viseu e um importante instrumento para a fixação da identidade colectiva à escala local, nacional e internacional. A constituição deste fundo documental liga-se, desde logo, à criação do Museu Grão Vasco quando, em 1916, ficavam à salvaguarda do museu os quadros e a escultura da catedral, o tesouro e o não menos importante fundo documental dos cartórios da Sé e do cabido, deixando-se ainda em aberto a possibilidade de incorporar outras peças de relevante valor artístico ou histórico. Em Janeiro de 1932 cria-se o Arquivo Distrital de Viseu, instalado no adro da Sé, na torre de menagem medieval até aí ocupada pela cadeia civil, com a finalidade de albergar, para além dos documentos dos cartórios paroquiais, notariais, judiciais e dos extintos mosteiros e congregações religiosas do distrito, os códices, pergaminhos e papéis avulsos provenientes dos cartórios da Sé e do cabido de Viseu, que até então se mantinham à guarda do Museu Regional de Grão Vasco. No entanto, já em 1919, este corpus documental tinha sido sujeito a uma escolha criteriosa que lhe apartava a documentação relacionada com as obras seiscentistas e setecentistas da Sé, tendo sido então entregue ao primeiro director do Museu Grão Vasco. É esta selecção de documentos que permaneceu no Museu Grão Vasco, nunca chegando a integrar o Arquivo Distrital de Viseu, que hoje constitui a maioria do acervo do Arquivo do Museu Grão Vasco. Em 2007 editou-se o catálogo do AMGV, que permite o acesso virtual a cada documento, acompanhado da respectiva descrição arquivística, a datação (cronológica e tópica) e o sumário (sucinto mas o mais completo possível), seguido de diversos elementos informativos. Tão significativo como as demais colecções museológicas que integram o Museu Grão Vasco, e o posicionam como de referência nacional, o Arquivo do Museu Grão Vasco merece especial destaque e afirma-se como indispensável para todos aqueles que querem saber mais sobre a história da Sé e da cidade de Viseu. MUSEU GRÃO VASCO | Centenário Prestes a atingir os cem anos de existência e detentor de um acervo de referência, o Museu Grão Vasco foi recentemente classificado formal e oficialmente como “Museu Nacional”, por ser, de facto, uma referência nacional incontornável e por ser assim que todos o vêm, interpretam e consideram.

Categoria: Ourivesaria Denominação: Jarro de Água às Mãos Título: Aguamanil Autor: Desconhecido Datação: 1740 d.C. - 1765 d.C. Matéria: Prata dourada Técnica: Fundida e relevada

É uma forma de reconhecimento da sua dignidade ao longo destes 100 anos e um meio que o ajudará à melhoria dos resultados que pretende alcançar no futuro. Para as comemorações do centenário do Museu, em 2016, está prevista uma programação diversificada e singular …… Ganham, assim, nova actualidade as palavras do escritor Aquilino Ribeiro: “O Museu Grão Vasco não é Viseu; não é a Beira. É Portugal. Mais que Portugal é o mundo, pois que a arte tem feição ecuménica.” –in Almanaque Bertrand, Lisboa, 1937, pág. 79. Museu Grão Vasco, 2015 Agostinho Ribeiro (Director)

Agostinho Ribeiro - Curso do Magistério Primário, pela Escola do Magistério Primário de Lamego, 1978; - Licenciatura em História, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1984; - Curso de Pós Graduação em Museologia Social, pelo Departamento de Ciências do Património da Universidade Lusófona, 1993; - Mestrado em Museologia e Património Cultural, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2002; - Curso de Formação em Gestão Pública (FORGEP), organizado pelo INA – Instituto Nacional de Administração, 2006.

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MNAA

História de Portugal em Património, a constituição das coleções segue o ritmo do processo histórico nos séculos XIX, XX e XXI que tem vindo atravessando: primeiro por efeito da extinção das congregações religiosas (origem do museu que, por determinação de D. Maria II, se estabelece em 1836 na recém criada Academia Nacional de Belas Artes, reunindo essencialmente acervos de pintura); depois com a organização, em 1882, da celebrada Exposição retrospectiva de arte ornamental portuguesa e espanhola, que despoletaria a sua criação, dois anos mais tarde; enfim com a implantação da República, em 1910 (e no quadro da sua própria reorganização e nova denominação de Museu Nacional de Arte Antiga), acolhendo novo espólio proveniente dos antigos palácios reais e, de novo, do património da Igreja (sés e paços episcopais). De então para cá, o Museu cresce pacificamente por aquisições públicas e doações e legados de particulares (não raro, vultuosos), cujos nomes agora, ano a ano atualizados, acolhem o visitante de hoje, num magma imponente que alastra pela parede no renovado átrio principal: atestando publicamente o reconhecimento da instituição e estimulando a consolidação de uma prática civilizacional. Assim, por caminhos vários, foram entrando no museu muitas das obras-primas que hoje fazem a sua reputação universal: do Rafael, adquirido com a verba para esse efeito estabelecida pelo Rei-Artista D. Fernando II; aos Pereda ou Vernet, comprados pela Academia no espólio da Rainha Carlota Joaquina de Bourbon; ao Cranach, doado pelo conde de Carvalhido; ao Dürer, adquirido pelo Estado ainda no século XIX; ao Piero della Francesca, entrado no museu,

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MESTRE PORTUGUÊS DESCONHECIDO O Inferno c. 1510-1520 Óleo sobre madeira de carvalho 
119 x 217,5 cm Proveniência: Convento extinto em 1834 MNAA, inv. 432 Pint (Fotografia © DGPG/ADF/Luisa Oliveira)

AUTOR DESCONHECIDO Cruz de D. Sancho I Portugal, 1214 Ouro, safiras, granadas, pérolas e aljôfares 
65 x 34,5 cm Proveniência: Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, 1916 MNAA, inv. 540 Our (Fotografia © DGPG/ADF/José Pessoa)


Sala de pintura europeia com obras de Hans Holbein, o Velho, e Jheronimus Bosch (Fotografia © MjMeneses – Cenjor)

pelo mesmo método, já no século XX; aos Painéis de São Vicente, ao Apostolado de Zurbarán, ou à Virgem de Memling, de incorporação religiosa; ao tríptico de Bosch e a pinturas de Bermejo, Van der Goes, Mabuse, Holbein, Hooch ou Tiepolo, provenientes das coleções reais — para referir apenas o caso da pintura. De facto, é com o voltar da primeira década do século XX (e com a nova missão decorrente da formulação Museu Nacional de Arte Antiga), que o MNAA define a um tempo coleções e vocação: pintura portuguesa e europeia dos séculos XIV ao XIX (na atualidade em áreas distintas do edifício); desenho europeu e português (séculos XV a XIX) e gravura europeia e portuguesa (séculos XVII a XIX) — confinados estes, pela intrínseca fragilidade das espécies, às reservas do Gabinete de Desenhos e Gravuras, mas regularmente mobilizados no quadro do programa expositivo específico, que o Museu organiza na adjacente Sala do Mezanino; escultura, globalmente portuguesa, dos séculos XIII a XIX (mas com bolsas de relevo: do notável torso grego, do século V a. C., aos alabastros de Nothingam, às cerâmicas Della Robbia, à Danae de Rodin); ourivesaria e joalharia portuguesas (séculos XII a XIX), sector, porém, recentemente enriquecido com a incorporação de quase 400 peças de joalharia goesa dos séculos XVIII a XX; ourivesaria francesa (a coleção, verdadeiramente única, de serviço de mesa e quarto da antiga Casa Real); cerâmica, com destaque para a nacional (séculos XVII e XVIII) e a porcelana da China (séculos XVI a XIX); mobiliário português (séculos XV a XIX) e europeu (com relevo na a produção francesa do século XVIII); têxteis, nacionais, europeus e orientais (séculos XIV a XIX), incluindo paramentaria, tapeçaria, tapetes e bordados; vidros portugueses e europeus (séculos XVI a XIX); artes da Expansão, de África à Índia, da China ao Japão.

KANO DOMI, atrib. Biombo Namban Japão, períodos Momoyama (1568-1603)/Edo (1603-1868), c. 15931600 Engradado de madeira revestido de papel, folha de ouro, pintura policroma a têmpera, seda, laca, cobre dourado 172,8 x 380,8 x 2 cm Proveniência: Compra (mercado de arte, Japão), 1952 MNAA, inv. 1638 Mov (Fotografia © DGPG/ADF/Francisco Matias) MESTRE JOÃO Relicário Portugal, c. 1510 Ouro, esmaltes, pérolas, diamante, cristais de rocha e cabuchões de esmeraldas e rubis 35 x 15,5 x 12 cm Proveniência: Mosteiro da Madre de Deus, Lisboa, 1883 MNAA, inv. 106 Our (Fotografia © DGPG/ADF/José Pessoa)

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MNAA Um mundo, que compreende ainda sectores outros, de menor expressão, mas não menor significado artístico: dos bronzes e vidros italianos do Renascimento (incluindo as extraordinárias porcelanas Medicis) aos contadores flamengos, de tartaruga, pedras duras e madeiras raras. Ou à Sala Patiño, assim chamada, com a sua boiserie dourada e branca, proveniente do Palácio Paar de Viena (o americano MET exibe outra, de menores dimensões) e mobiliário proveniente de Versalhes, doação generosa do diplomata boliviano e milionário Atenor Patiño, em 1969, cujo ambiente sumptuoso e rococó o visitante encontra nas imediações (como não poderia deixar de ser), das salas dedicadas às artes decorativas francesas desse período — na mesma ala do palácio onde se alongam as salas da pintura europeia.

GIL VICENTE, atrib. Custódia de Belém Portugal, 1506 Ouro e esmaltes policromos 
73 x 32 x 26 cm

AUTOR DESCONHECIDO Saleiro África, Benim, primeiro quartel do século XVI Marfim
 19 x 9,8 cm Proveniência: Compra (Leiria & Nascimento), 1951 MNAA, inv. 750 Esc (Fotografia © DGPG/ ADF/Luisa Oliveira)

Sala de pintura e escultura portuguesas. Fonte Bicéfala e pintura de Francisco Henriques (Fotografia © MjMeneses – Cenjor)

Como não poderia deixar de ser, porém, será esta o termo do percurso — antes, talvez, de baixar à grande temporária e ao jardim, demandando, lá ao fundo, a sala onde se albergam As Tentações de Santo Antão, de Hieronimus Bosch, uma das jóias de maior quilate entre as que se guardam no Museu. Antes, o visitante é recebido (se entrando pelo acesso principal) pela arte portuguesa e da Expansão, disposta nos três pisos da ala nova de Rebello de Andrade. Aí se apercebe de que as coleções que o Museu lhe oferece, engrandecidas embora, de continuo, por generosas doações e importantes compras, são, antes de mais, herança da História: por isso que ilustram, no seu conjunto, essa mesma História, de mais de oito séculos, que, com a aventura marítima, se globalizaria. Assim, mesmo que ilustrando, em patamar de objetiva excelência, o que de melhor se produziu ou acumulou em Portugal nos domínios acima enunciados, entre a Idade Média e os alvores da Contemporaneidade, o MNAA é, em amplíssimo sentido, um museu do mundo e para o mundo: multicultural como o próprio país. Primeiro museu nacional é, ainda, enfim, por natureza, parceiro incontornável na atividade museológica internacional, pertencendo-lhe, por inerência, a dignidade de museu normal: o que define a norma, as boas práticas, em acordo, uma vez mais, com os padrões internacionais, seja em matéria de conservação e de museografia, seja no âmbito do seu serviço de educação, pioneiro no País. Hoje enfrenta os novos desafios do mundo contemporâneo: nas suas exigências de abertura e fruição cultural, no âmbito da nova sociedade da informação e da circulação. Por isso também a pressão crescente do turismo, que busca de modo cada vez mais intenso a sua dimensão de História de Portugal em Património. Apesar disso, a sua escala moderada (diz-se na Europa que é o mais pequeno dos grandes museus), e talvez mesmo a sua estrutura física, feita de adições, estirada frente ao Tejo, permitem-lhe ainda, em boa parte, proteger-se da pressão agitada e predatória do turismo de massas, que em outros pontos de Lisboa preferencialmente se concentra — ou, pelo menos, diluí-la. Preservando, com os tesouros que o habitam, a ilusão de constituir ainda um jardim secreto (o último), que se frui e se desvenda.

Sala de pintura europeia com obras de Zurbarán (Fotografia © Ricardo Dias - Cenjor)

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por António Filipe Pimentel Diretor do Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa


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PALANCA NEGRA GIGANTE Símbolo de Angola, a Palanca Negra Gigante, é considerada por muitos o mais belo e nobre dos antílopes. Hippotragus niger variani é uma subespécie de palanca que só existe em Angola, descoberta em 1909 por Frank Varian, Engenheiro Inglês que trabalhava nos caminhos de ferro de Benguela. Este belo mamífero mede entre 1,90 e 2,50 m de altura e pesa entre 200 e 270 kg. Ao contrário do que sugere o nome, apenas os machos adultos são de cor negra, sendo as fêmeas e as crias castanhas. O termo gigante refere-se exclusivamente aos cornos que são notavelmente maiores do que de todas as outras raças de Palanca, cerca de 1,5 m e que são a sua melhor arma de defesa e ataque. Longos, paralelos e curvos de uma imponência única. Existe uma outra espécie de palanca: a vermelha ou ruana (Hippotragus equinus). E a preta que tem quatro subespécies: a palanca negra comum, a palanca de kirk, a palanca de roosevelt e a gigante. Outra forma de as distinguir além do tamanho dos cornos são as manchas brancas da face. A palanca negra gigante tem uma mancha branca isolada perto do olho, enquanto que na palanca negra vulgar essa mancha prolonga-se até à boca. A palanca negra gigante tem uma distribuição geográfica muito restrita, existe apenas em duas áreas de conservação: o Parque Nacional da Cangandala, a 30 km da cidade de Malanje, e a Reserva Natural Integral do Luando nas províncias de Malange e do Bié. A Palanca Negra Gigante vive em terrenos arborizados, em manadas de 10 a 30 animais, com um macho dominante ou em grupos celibatários de machos, junto a cursos de água. Alimenta-se de ervas e folhas e seu período activo ocorre durante o início da manhã e ao cair da tarde. A palanca negra gigante atinge a maturidade sexual entre os 2 e 3 anos de idade. O período de gestação é de 9 meses. No final da estação húmida a fêmea gera uma cria que desmama aos 6 meses. Os seus principais predadores são o leão e o leopardo. Mas o pior de todos é, sem dúvida, o homem. Por ter sido caçada até à exaustão chegou a julgar-se que a espécie já estava extinta. A palanca negra figura desde 1933 na lista das espécies «sob protecção absoluta», estabelecida pela «Convenção para a Protecção da Fauna e da Flora Africana». Este antílope endémico de Angola tem actualmente estatuto de “Criticamente ameaçado” (UICN, 2010). Infelizmente a Palanca negra gigante é um animal seriamente ameaçado de extinção. Na década de 70 estimava-se a existência de cerca de 2500 palancas, hoje vivem menos de 100 animais, a caça furtiva com armadinhas e armas de fogo é a principal causa desta diminuição e continua a ser a maior ameaça ao símbolo nacional. Terminada a guerra, em 2002, julgava-se que a Palanca Negra Gigante estava extinta. Veio-se a provar o contrário em expedições e levantamentos aéreos. Teve então início, em 2003, o projeto de conservação da palanca gigante inserido no Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola actualmente supervisionado pelo Ministério do Ambiente em parceria com o Governo da Província de Malanje. O projeto tem atividades implementadas pela Fundação Kissama sob a coordenação de Pedro Vaz Pinto.

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Em 2005 com a colocação de câmaras fotográficas com sistema de infravermelhos foi possível captar as primeiras fotografias, em 20 anos, de palancas negras gigantes no Parque Nacional da Cangandala. Descobriu-se então que na Cangandala havia uma única manada sobrevivente, com apenas 9 fêmeas e nenhum macho adulto. Sem a presença de um macho as palancas negras estavam a reproduzir-se com outra espécie, a palanca vermelha. A extinção por hibridação estava iminente. Em 2009 foi criado um santuário onde se colocaram as 9 fêmeas e um macho trazido da Reserva do Luando, o Duarte, que daria início à reprodução da espécie. A manada ficou assim longe dos híbridos e do macho de palanca vermelha e confinada a uma área mais fácil de monitorizar. Em 2010 nasceram duas crias dessa manada. Em 2011 com o objectivo de aumentar o núcleo reprodutor foram capturados e transportados do Luando para a Cangandala, 2 machos e 6 fêmeas. O projecto pretende continuar a estudar e monitorizar a população de palancas sobreviventes, contribuir para a sua protecção e estimular a reprodução nas suas áreas de origem. A protecção efectiva da palanca poderá contribuir a médio prazo para a melhoria das condições de vida das comunidades, para o desenvolvimento da região e acima de tudo para o orgulho do povo angolano por salvar o mais conhecido símbolo nacional. Angola escolheu naturalmente como símbolo este animal, único que não existe em nenhuma outra parte do mundo.


“Recentemente foi possível resgatar a população de palancas negras gigantes da extinção iminente e quase irreversível no Parque Nacional da Cangandala, todavia o futuro da espécie é ainda bastante incerto uma vez que a palanca permanece numa situação demográfica muito delicada e sujeita a uma grande pressão de caça furtiva. A Fundação Kissama, dando sequência ao trabalho realizado nos últimos anos, continua empenhada em colaborar com o Ministério do Ambiente e Governo Provincial de Malanje, no sentido de assegurar a conservação deste animal extraordinário.” Pedro Vaz Pinto CIBIO/InBio – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, Universidade do Porto, Vairão, Portugal Departamento de Biologia, Faculdade de Ciências, Universidade do Porto, Porto, Portugal ISCED – Instituto Superior de Ciências da Educação da Huíla, Lubango, Angola The Kissama Foundation, Luanda, Angola

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O Caos, a Borboleta e a Avalanche A Teoria do Caos trata sistemas complexos e dinâmicos que apresentam uma sensibilidade especial a que, simplificando, chamamos de “sensibilidade às condições iniciais”. O ponto basilar da Teoria do Caos assenta no conceito de que comportamentos aleatórios também são governados por leis cuja formulação origina essencialmente dois resultados possíveis após a entrada de variáveis: um resultado ordenado dentro das margens estatísticas de erros previsíveis (como por exemplo a gausseana que prevê o numero de cartas pretas ou vermelhas) ou um resultado ordenado cuja resultante futura é caótica ( como pode acontecer na formação de uma núvem). O facto de uma pequena alteração das condições iniciais de um problema poder provocar uma catastrófica diferença no resultado final foi apelidado de Efeito Borboleta – “Uma borboleta bate as asas no Porto e origina uma tempestade em Hanoi” . A nossa vida está repleta de efeitos Borboleta e cada decisão que tomamos consciente ou inconscientemente pode efectivamente originar tempestades hoje, amanhã ou daqu por uns anos valentes na nossa vida, na sociedade , no planeta, no universo. Na realidade, a comprovação do fenómeno Borboleta apenas é possível quando conseguimos replicar as condições iniciais de uma experiência isolando uma variável de todas as outras, ou seja, repetir a experiência com as mesmíssimas variáveis mas sem o batimento das asas. Problema: na nossa vida, não podemos repetir experiências, porque no momento em que vivemos algo, tomamos alguma decisão, ou obtemos um qualquer resultado...afectamos de tal forma o sistema pela nossa interacção com o meio, que torna impossível repetir a experiência voltando tudo para trás como se a experiência não tivesse acontecido. No laboratórrio é possível isolar o factor tempo e voltar a experiência para trás...na nossa vida, não! É aqui que entram os fractais, é aqui que entra entra o gato de Schrodinger... Portanto a nossa vida é mesmo feita de fenómenos borboleta em catadupla, que por sua vez é regida pela teoria do Caos, que por sua vez define as acções e consequências cujo resultado cai na probabilidade prevista de erro no final, ou cai no fenómeno caótico de um resultado absolutamente imprevísivel...aliás, previsível na medida em que a imprevisibilidade foi prevista pela própria Teoria do Caos. A Matemática tem isto de belo; dá um valor exacto para aquilo que conseguimos prever e um valor exacto para tudo aquilo que não conseguimos prever. Daí que um dos primeiros passos da Gestão passe por quantificarmos: “O que sabemos, o que não sabemos e o que não sabemos que não sabemos” Trocando em Miúdos: É absolutamente possível prever qual a probabilidade que temos em encontrar um emprego caso tenhamos um diploma. Mais ainda, é possível calcular a probabilidade de sermos mais bem remunerados se o nosso Diploma for da Universidade A, ou da Universidade B; mas não é possível prever à nascença se querermos ser Engenheiros ou Médicos. O que é possível prever é que existe uma probabilidade de não existir qualquer probabilidade de sermos Nadador Profissional no caso de, por exemplo, sofrermos um determinado trauma com água que altere as condições iniciais - Efeito Broboleta. Somos permanentemente atacados pelo efeito Borboleta ainda que as nossas ligações neurais estejam formatadas para encontrar uma lógica intrínseca entre causa e consequência. Por vezes não conhecemos as causas e por vezes não antecipamos consequências. Por vezes até temos consequências por causas

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que não são as causas que pensamos serem as originárias. Este texto está fácil hoje...Mas o tema que eu escolhi para este artigo não é Teoria de Caos nem o fenómeno Borboleta, até porque já não é a primeira vez que escrevo sobre a analogia da Teorria do Caos e o quotidiano Humano. O tema de hoje é um tema sobre o qual nunca escrevi mas que também vivemos no dia a dia e que também se encaixa na criticalidade dos sistemas: Fenómeno Avalanche. Acho que este fenómeno todos conhecem, certo? É do senso comum que se trata de um fenómeno caótico....mas na realidade não o é. É possível prever a formação de uma avalanche, aliás, é mesmo um dos fenómenos mais bem estudados na Física, Matemática e Electrónica. Mais ainda, toda a tecnologia moderna assenta neste fenómeno com o surgimento do Díodo de Zener cujo princípio de funcionamento advém de fenómenos de avalanche de electrões que definem o estado on-of da corrente eléctrica que o atravessa. Se adicionarmos lenta e uniformemente um grão de areia de cada vez sobre uma superfície plana, estes começam a amontoar-se criando um declive suave enguanto o monte de areia sobe. À medida que se acrescentam os grãos e o declive fica demasiado íngreme, alguns grãos deslizam causando pequenas avalanches. Se continuarmos a adicionar areia, o declive aumenta gradualmente assim como o tamanho médio das avalanches. Até aqui é perfeitamente “formulável” e previsívisível a dimensão e o momento de cada avalanche. O declive médio do monte de areia pára de aumentar quando este atinge o ângulo de repouso em que o adicionar de um grão pode originar uma avalanche catastrófica (não prevísiveis em dimensão) passando ao estado supercrítico. No final desta avalanche, o monte estará novamente num estado subcrítico ou...digamos...estável. Ou seja, o mesmo monte de areia não sofre duas avalanches seguidas sem que sejam acrescentados grãos suficientes após a primeira, uma vez que após cada avalanche o monte de areia encontra novamente a estabilidade. É incrível a aplicabilidade do fenómeno de avalanche nas nossas vidas e em tudo o que nos rodeia. Passamos a vida a construir montes de areia e passamos a vida a ver aquele grão criar uma avalanche: O ultimo copo de shot que nos faz cair em avalanche, uma queda de uma bancada em Wembley, uma manifestação na Grécia, uma desilusão amorosa, um motim numa prisão, um pranto de lágrimas, um tremor de terra, um vulcão têm origem naquele ultimo “grão de areia”. Penso mesmo que os sentimentos humanos estão formatados para viver em avalanche. Habituamo-nos a fazer montes de areia, contendo as emoções até que aquele ultimo grão nos faz sorrir incessantemente ou chorar copiosamente. Está visto que a nossa mente e o nosso coração estão formatados para construir em altura e que cada grão é colocado em cima de todos os outros e não ao lado dos outros que já lá estão, e por isso arrumamos tudo dentro de nós como se estivéssemos a construir uma pirâmide de Gizé ou um quantum dot. É talvez a necessidade Humana de levarmos tudo ao limite, os nossos montes ao limite... para depois descambar num desmoronamento em avalanche. O segredo da vida pode passar por gerir a criticalidade, por gerir os declives e por limitar as avalanches (já que não podemos fugir delas) às suaves e previsíveis em vez de acrescentar grãos e


mais grãos até que o angulo de repouso seja alcançado e as avalanches se tornem catastróficas. É talvez colocar a racionalidade suficiente nas decisões que impossibilitem as nossas avalanches e as dos outros. É “não esticar demais a corda”, é “não pisar demais o risco”, é não “encher demasiado o saco”. No fundo sabemos o que provoca as avalanches, mas preferimos vivê-las. Algo dentro de nós parece ordenar-nos em permanência a colocar mais um grãozinho que não vai fazer diferença no nosso monte...e no monte dos outros. O bom do fenómeno de Avalanche é o facto de não haver duas seguidas, o facto de após uma avalanche podermos gozar da estabilidade que necessitamos para reconhecer a nova forma, o novo declive em que o nosso monte de areia se estabilizou, e ganhar know how e forças para a próxima. Depois, é fazer o que gostamos de fazer: Tentar prever a nova avalanche, esquecendo-nos que a mesma vai provavelmente obedecer ao fenómeno Borboleta, que por sua vez se esconde na previsibilidade na teoria do Caos. Podemos portanto complicar em explicações, mas eu gosto de lhe chamar Magia!

por Bernardo Mota Veiga

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Amadeu Jesus Duarte, S.A. 29 anos de actividade Amadeu de Jesus Duarte, S.A. é uma empresa vocacionada para o mercado das Obras Públicas e Construção Civil, nomeadamente redes de água e saneamento Surgiu em Março de 1986, tendo como sócio fundador o Sr. Amadeu de Jesus Duarte, caracterizado pela sua capacidade empreendedora, capaz de implementar e liderar uma organização empresarial virada para o futuro. Ao longo destes 29 anos de actividade, tem conseguido atingir uma quota de mercado muito significativa nas regiões de Viseu, Guarda e Castelo Branco. A empresa tem como base de negócio a compra e venda, por grosso, de materiais de construção para Obras Públicas de Redes de Água e Saneamento.

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Antigas instalações


A sua actividade visa também responder às necessidades das autarquias, indústrias, profissionais em nome individual e outras entidades públicas e privadas. Como filosofia empresarial, a Amadeu Jesus Duarte, S.A. aposta na busca sistemática de soluções, no sentido da excelência dos seus serviços. A empresa tem-se pautado por criar relações de compromisso mútuo com os seus fornecedores certificados, de modo a garantirem, em conjunto, a chave para um crescimento sustentado. Fruto desta relação e da capacidade de todos os que, fazendo parte dos quadros da empresa, contribuem diariamente para o seu sucesso, a Amadeu Jesus Duarte, S.A. é hoje uma empresa líder no seu ramo capaz de oferecer uma gama de soluções completa, inovadora e de elevada qualidade. Este sucesso tem sido destacado e reconhecido por várias entidades.

Empresa Premiada Em Março de 2000, recebeu a Medalha de Mérito Municipal e, em Abril de 2002, o Diploma de Honra atribuído pela AIRV e Associação Comercial do Distrito de Viseu, como reconhecimento pelo assinalável desempenho empresarial. A posição de liderança no mercado tem sido evidenciada com a conquista dos reconhecidos prémios PME – Excelência (Comércio), nos anos de 1999, 2000 e 2001, e do estatuto PME Líder que tem mantido há mais de 10 anos consecutivos, através do reconhecimento do IAPMEI. A empresa tem sido ainda galardoada anualmente com o “Certificado Cliente Aplauso”, distinção conjunta da Escola de Gestão do Porto e do Millennium BCP.

Qualidade e Certificação Em Setembro de 2005, a empresa começou a implementar um Sistema de Gestão da Qualidade, segundo a Norma NP EN ISO 9001. A empresa passou assim a ser certificada pela APCER e IQNET, valorizando os seus métodos e processos de gestão e a qualidade dos seus produtos.

Novos desafios No final de 2007, adquiriu um espaço para instalar uma infra-estrutura moderna e funcional, capaz de garantir uma melhoria significativa das condições de trabalho e de atendimento aos seus clientes, fornecedores e de todos que contribuem para o bom funcionamento e sucesso da empresa. Após um processo de idealização, planeamento e construção, a Amadeu Jesus Duarte, S.A. abriu as portas das suas novas instalações no ano de 2010, onde as novas tecnologias e as energias renováveis também não foram esquecidas. Recentemente, a empresa decidiu apostar no sector da rega agrícola, onde se especializou, conseguindo servir os seus clientes com os melhores produtos do mercado. Esta tem-se revelado uma aposta ganha, representando uma grande percentagem do volume de vendas da empresa.

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Amadeu Jesus Duarte, S.A.

Como nasceu a AJD? Em 1986, na região de Viseu, identificámos uma necessidade no mercado da construção civil, obras públicas e redes de água, saneamento e telecomunicações. Essa necessidade estava ligada à falta de especialização nesta gama de produtos. Considerámos que o caminho correcto era avançar para essa especialização, no sentido de estabelecer uma empresa com soluções globais para as redes de água e saneamento, drenagem, gás, electricidade e telecomunicações. Durante estes 29 anos, acompanhámos a evolução das tecnologias à medida que íamos crescendo, e hoje podemos concluir que a decisão do nosso fundador se revelou correcta.

Num sector de actividade de concorrência intensa,na sua opinião,quais são as mais-valias da AJD em relação aos restantes? A AJD diferencia-se certamente pela sua postura no mercado. Uma postura de rigor caracterizada pela escolha criteriosa dos produtos, pela aposta na qualidade e na procura das melhores soluções do mercado para os nossos clientes. Orgulhamo-nos dos nossos parceiros e da relação duradoura e de confiança que mantemos com eles. É assim que evidenciamos as mais-valias desta empresa que está a chegar aos 30 anos de experiência na área.

As novas instalações da empresa abriram em 2010, num contexto difícil da economia portuguesa.Como é que a AJD tem enfrentado as contrariedades do mercado? As novas instalações são o resultado de um longo de processo de projecção que valeu a pena e que se revelou acertado, apesar da conjuntura difícil da economia portuguesa.

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Foi um passo em frente na nossa diferenciação positiva, sendo uma mais-valia para enfrentar o mercado. Em primeiro lugar, conseguimos proporcionar, em simultâneo, melhores condições de trabalho aos nossos colaboradores e melhores soluções aos nossos clientes. Em segundo lugar, deu-nos mais visibilidade e permitiu-nos ter uma melhor e maior oferta de produtos. Aumentámos as vendas ao balcão, por exemplo, graças às melhores condições de armazenamento dos produtos. Por último, deu-nos a possibilidade de apostar em novas gamas de produtos, como é o caso da rega de jardim e nomeadamente a rega agrícola, que é um sector cada vez mais importante na nossa actividade.

Quais são aos maiores desafios da empresa para os próximos anos? Queremos que os próximos anos sejam marcados pela consolidação da nossa posição no mercado. É fundamental ultrapassar esta fase mais crítica do mercado e do país, encarando o futuro com optimismo e sempre com muito rigor na gestão. Mas ninguém faz nada sozinho. O trabalho tem de ser de todos. A AJD pode-se orgulhar da equipa coesa que tem mantido ao longo do tempo e quero aproveitar este momento para agradecer a todos os que têm colaborado com a empresa e contribuído diariamente para o nosso crescimento e sucesso.


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Mara Pedro Descobri que, afinal, é uma menina simples, sempre de sorriso no rosto e que a sua paixão pelo fado nasceu quando tinha 4 anos, ao ouvir voz da Amália Rodrigues, numa barraquinha de música, na praia da Barra, em Aveiro. Mara... 16 anos dos quais 12 anos a cantar... muitas histórias deves ter para contar! M: Realmente o fado faz parte do meu crescimento, não me reconheço sem ele. As crianças começam a cantar na escola, também foi assim contigo? M: Na verdade eu já cantava antes de ir para a escola...sempre cantei...é algo que me acompanha. O meu instrumento está dentro do meu corpo, portanto cantar faz parte de mim e o FADO foi sempre a minha eleição! Como foi receber o 1.º lugar no concurso de Fado em Alverca, onde participaram tantos fadistas e tu tinhas apenas 9 anos? M: (risos) Lembro-me que havia muitos concorrentes e eu era a participante mais nova. A noite prolongou-se até de madrugada e….quando anunciaram o meu nome eu estava a dormir no colo da minha mãe. Conheci nessa noite a mãe da fadista Raquel Tavares que estava ao meu lado e gritava “Ah fadista… pareces a minha Raquel quando era pequena, com essa rosa vermelha”. Seguiram dois autocarros de Viseu para Alverca nesse sábado, para a noite de Fados e regressaram no domingo à hora da missa (risos).

Seguiram-se mais prémios? M: Sim …participei em muitos concursos pelo país….maioritariamente no Algarve e fui conquistando aí alguns prémios, com valores monetários que permitiam a minha participação, pois de Viseu ao Algarve ainda era longe. Houve uma semana que fomos para o Algarve duas vezes. Eu era sempre a mais nova das concorrentes. Era eu com 9 e os outros com idades entre os 18 e 45 anos. No último concurso em que participei, o júri disse-me que eu não deveria concorrer mais….deveria fazer espetáculos! Eu só tinha 9 anos, mas todos me viam como se tivesse mais e isso aumentava cada vez mais a minha responsabilidade. Nunca senti que me facilitavam a vida por ser tão jovem, era sempre o contrário, tive sempre de provar que merecia estar ali. Os músicos olhavam para mim com alguma pena…mas depois de me ouvirem tudo mudava. Lembro-me num concerto que fiz em Paris, onde fui acompanhada por músicos residentes... o guitarrista veio confessar-me no final do concerto “Ai menina, tiro-te o chapéu…quando olhei para ti vi-te tão pequenina… e nos ensaios estavas tão envergonhada que pensei…coitadinha, vai ser lançada às feras” (risos). Houve algum prémio que te deu mais prazer? M: Todos os prémios foram importantes e tiveram um significado muito especial, pois todos me ajudaram a crescer, e um artista sem história é como um povo sem raiz. Contudo houve um que me deixou especialmente feliz. Eu tinha 9 anos….a minha mãe adaptou o meu vestido de comunhão, com uma faixa verde, o meu pai deu-me um alfinete com uma clave musical

www.marapedro.pt

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Mara Pedro em prata e lá fomos para Lisboa. Concurso dos jovens cantores CLAVE DE PRATA, em Carcavelos. Foi o único concurso em que participei, onde todos tínhamos idades aproximadas. Concorri com uma canção inédita, POVO INTEMPORAL, composta por mim e pelo meu professor de piano na altura, José Carmo. A letra era de uma psicóloga amiga da minha mãe, a Ana. Ganhei o 1.º lugar com a melhor música, melhor letra e melhor interpretação. Foi especial porque quando estavam a anunciar o vencedor, os outros concorrentes gritavam o meu nome….todos gostaram do meu tema e isso deixou-me muito contente…. E os concursos televisivos? M: Os concursos foram uma grande experiência e foi também uma época em que fui alvo de muita exposição mediática. Surgiu o concurso da SIC, Portugal tem Talento, ao qual concorri e fiquei apurada até à gala final. Acontece que na mesma altura iniciaram o concurso da TVI, UMA CANÇÃO PARA TI, concorri e também fiquei apurada. Por mim ficava nos dois, mas em termos televisivos isso não era possível e tive que escolher! A SIC não gostou que eu tivesse desistido em prol do concurso da TVI, mas se tinha que escolher, escolhi aquele onde todos tínhamos idades aproximadas. Aprendi muito com os concursos, principalmente a gerir os meus medos, dominar situações e saber lidar e gerir o imprevisto.

Não é muito vulgar alguém da tua idade ter um CD editado, contudo tu já tens 3, sendo que o último foi lançado quando tinhas 15 anos, podes contar-nos porquê? M: Na verdade o 1.º CD DOCE FADO, com temas maioritariamente tradicionais e com dois inéditos, foi uma necessidade... eu tinha 11 anos mas já cantava há sensivelmente 6 anos e já tinha feito algumas gravações FADO PORTUGUÊS, CANÇÃO DO MAR…. que passavam na rádio que me deu voz, a Emissora das Beiras. Cheguei a participar num CD de músicas de criança, quando tinha 8 anos, chamava-se CASINHA DO DRAX, onde tinha uma música AS CORES. As pessoas pediam essas gravações mas a rádio precisava de algo registado, daí o aparecimento do 1.º albúm, que foi um sucesso... teve que ser editado duas vezes. Aos 14 anos gravei novamente, a minha voz estava diferente, mais madura nessa altura. Conheci em Espanha, depois de um concerto, um grande músico argentino, Daniel, que me convidou para gravar. Surgiu assim FADO ALMA DO MUNDO, porque eu era a única portuguesa entre eles, espanhóis, com musicalidades muito diferentes, mas que me encantaram. No ano seguinte, com 15 anos, entro em estúdio novamente para gravar FADO SORRISO, produzido por um grande músico, CUSTÓDIO CASTELO que se encantou com a minha voz, considerou ter maturidade vocal invulgar para os meus poucos anos. Não existe uma data pré-definida para gravar, é um caminho feito com trabalho, no qual me empenho cada vez com mais vontade e, claro que o 4.º CD também está a ser preparado, neste quero cunhá-lo com temas escritos e musicados por mim, para que possa defendê-lo melhor... para que seja um pouco a minha história...como nos fados de Amália, se os escutarmos com atenção percebemos toda a sua vida. Gosto do piano e tenho aulas desde os meus 8 anos. Agora que terminei o 11.º ano com sucesso e no 12.º sei que vou ter mais tempo disponível, porque são menos disciplinas, quero dedicarme mais à minha música….é possível que procure neste instrumento alguns temas.

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A pergunta que deves ouvir sempre: o que queres ser quando fores grande? M: (risos) Penso que já quis ser tudo! Massagista, Fisioterapeuta….enfim, gosto muito da área das ciências e tem sido a minha escolha escolar, contudo começo a perceber o que quero fazer para o resto da minha vida, pelo que vou preparar-me para prestar provas em Fevereiro de 2016, na ESMAE, Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, para entrar em CANTO...quero estudar também composição! Tens feito muitos concertos no estrangeiro. Como é cantar além fronteiras? M: Tenho feito cada vez mais concertos no estrangeiro. Cantar fora do país permite-me crescer, porque é muito enriquecedor conhecer outras culturas, outros lugares, outros públicos. Mas também me leva a uma preparação mais cuidada, onde a escolha do reportório é pensada para cada público, onde o meu inglês é posto à prova, pois vou a lugares onde não existem portugueses na plateia e tenho que comunicar com eles. Cantar Fado tem sido uma segunda escola para mim, que caminha lado a lado com a escola regular. Estar longe de Lisboa é um impedimento no teu progresso artístico? M: Penso que não! Devido à minha idade a minha mãe nunca viu com bons olhos as casas de fado, pois o horário era impróprio para uma criança como eu, penso que ainda hoje ela pensa assim e eu já tenho 16 anos (risos). Raramente fui… lembro-me da primeira vez… tinha 8 anos! Tanto pedi aos meus pais que


lá me fizeram a vontade. Fomos ao CLUBE DE FADOS em Lisboa! Os fadistas dessa noite eram a Cuca Roseta, o Miguel Capucho e a Joana Amendoeira. Nunca mais irei esquecer…. o sono estava a dominar-me! Só despertei quando chegou a minha vez. Comecei a cantar a seguir à Joana….era 1h da manhã. Ouvia a minha mãe a arrastar o meu pai para irmos embora, mas o meu pai percebeu que todo o meu esforço merecia a espera. O grande Mário Pacheco olhou para mim com uma certa pena, mas depois consegui arrancar-lhe um grande sorriso. Os outros músicos sorriam enquanto tocavam e isso aumentava a minha segurança. Recordo-me do Miguel Capucho me dizer “estiveste muito bem miúda”. Estar longe de Lisboa fez com que seguisse outro percurso, habitueime a gerir os meus espetáculos, a proteger a minha voz utilizando o microfone….nas casas de fado os jovens esforçam muito a voz, que ainda não está formada. Escolho os músicos que gosto que me acompanhem, preparo o meu espetáculo, enfim…. adoro o público e o palco. Esperas um dia ser uma fadista famosa? M: Cantar fado tem uma responsabilidade acrescida…não é uma música qualquer, é a “nossa música”, património português que temos que divulgar com muita dignidade e respeito, porque estamos não só a mostrar a nossa voz, mas também a partilhar a nossa cultura. Espero continuar a ter a voz que Deus me deu e continuar a amar cantar o nosso FADO. O meu sonho é cantar em todos os lugares do mundo, como fez a Grande Amália, se isso é ser famoso então hei-de ser, porque quero muito!

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Madame Limousine

“Quem é a Madame Limousine? O rock n´roll tem destas coisas, coisas que se repetem com uma cadência conhecida, o ritmo das grandes canções, das músicas que ficaram por aí durante meses, anos, décadas… a mulher que inspira as letras e os ritmos… É assim com os Rolling Stones, foi assim com os Led Zeppelin… e tantos outros. Mas não é assim com os Madame Limousine. Para esta banda de Viseu, composta por cinco músicos da cidade, a sua “madame” não inspira músicas, sequer os poderosos riffs de guitarra aconchegados num incandescente groove, a “madame” dos Madame Limousine é a essência do todo. E, no entanto, estes rapazes ainda andam, ao fim de alguns anos, em busca da ferramenta, da dica, que lhes permita decifrar quem está por detrás da sua “madame”, a mulher de que se recordam apenas na forma de silhueta a entrar numa luxuosa limousine. Isabel dos Santos, Cinha Jardim ou Beti Grafstein são alguns dos nomes cujos rumores apontam como possíveis “madames”. O nome “Madame Limousine” surgiu depois de os músicos terem visto (uma única vez) a silhueta feminina desta misteriosa mulher entrar numa limousine, momentos depois lhes ter sido entregue um estúdio (devidamente equipado) e uma carta com a seguin-

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te mensagem: “Cumpram os meus caprichos e nunca mais vos faltará nada. Ass: Madame.“ E assim tem sido desde então. Sempre a salivar pela dama, os Madame Limousine estavam condenados ao “sensual rock”, que remete, como os próprios admitem, para longas noites em cabarets… provavelmente à espera de ver entrar pela porta a madame generosa nas formas e na carteira a mandar abrir garrafas de champagne com gestos rápidos e decididos. Ainda não aconteceu. Até ver, os cinco rapazes de Viseu vão sossegando a fornalha em riffs que sustentam as suas canções emolduradas por frases como esta: “Esquece as horas e o tempo espaço sideral, movimento lento estacionário orbital”. E como os Madame Limousine andam de cabaret em cabaret, numa desenfreada busca pelo momento em que um corpo feminino preencherá o vazio deixado por aquela silhueta a entrar numa limousine, “para já não é primordial para a banda ir para estúdio gravar”. Antes disso, querem “conquistar o seu espaço no circuito através dos palcos”. Perante isto, adivinha-se, e a banda confirma-o, que um trabalho discográfico surgirá algures no meio desta intensa procura, “como consequência da estrada” que os levará ao disco de originais… e à mulher que lhes realizou o sonho. por Ricardo Bordalo, jornalista profissional da LUSA. Fotos por Pedro Sales


Fรกbio Costa

Jota

Joca

Fabio Madeira

Rui Costa 25


Mappa

Pedro Guerne e João Lucena e Vale conheceram-se há cerca de 5 anos, através de amigos em comum e juntos passaram por várias bandas de covers. Paralelamente desenvolveram outros projetos musicais, cada qual na sua área, mas sem nunca perderem a vontade de trabalharem juntos. Há cerca de 2 anos começaram a delinear os Mappa, Fruto de um trabalho de composição conjunto, os temas dos Mappa foram aos poucos tomando forma, começaram a ser trabalhados um a um, pensando em todos os pormenores, procurando as melhores soluções para cada momento. Com letras originais, ou de poetas portugueses, o resultado é uma música eclética, viva e dinâmica. O processo criativo foi-se aperfeiçoando, a conjugação de conhecimentos foi dando cada vez mais frutos. Procuraram uma sonoridade própria, através da fusão de vários estilos, do Pop ao Rock, do Jazz ao Reggae, tendo sempre como objetivo final a qualidade das suas composições. Depois de terem alguns temas criados, pensados, e gravados pelos próprios, estava na altura de dar um passo em frente e procurar um vocalista que se interessasse pelo projeto e que se sentisse tão envolvido como os dois estavam. Foi uma etapa difícil, ouviram muitas vozes, passaram tardes a fazer audições, até finalmente escolherem o André Faria. A empatia entre os três foi imediata, não só a nível musical, mas também pessoal. O André entrou e provou ter sido a escolha certa. Com o seu timbre de voz, imprimiu aos temas um carácter pessoal, sem desvirtuar o carácter do projeto, sendo mesmo de sua autoria a letra e a melodia de um dos temas. Uns meses depois entrou para o projeto o guitarrista Fernando de Oliveira. Outra escolha acertada! A banda começava a tomar forma. Os restantes membros (Guitarra elétrica, Baixo e Saxofone) só vão entrar na banda quando começarem os ensaios para o primeiro concerto. Este é o próximo passo, e talvez o mais importante. Depois da apresentação da banda no Facebook, ficou claro que o projeto está a ser bem aceite pelo público, mas o primeiro grande teste está para breve: a realização de um concerto de apresentação, com cerca de 10 temas originais e a gravação de um álbum.

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Fnac. Impossível não aderir.


Shutter Down

“Shutter Down é uma banda de Rock Covers viseense, formada em 2011 e constituída por Jorge Pinto no Baixo, André Zumckeller na Guitarra solo, Carlos Andrade na guitarra ritmo, Sérgio Maia na voz e André Lázaro na bateria. A banda conta já no seu currículo com mais de cem concertos por todo o País e alguns em Espanha, de onde podemos salientar semanas académicas, concentrações de motards, galas de solidariedade, festa de Réveillon 2014/2015 organizada pela Câmara Municipal de Viseu, Feira de São Mateus, bem como bares, clubes e associações.

Depois de três anos dedicados a clássicos de Rock, Shutter Down definiu como principal objectivo para 2015, a gravação de um álbum de músicas originais, que têm vindo a ser compostas desde meados de 2013. O primeiro avanço desses temas originais, é o mais recente single “THE EDGE OF DOMINATION” que a banda disponibilizou com videoclip no passado dia 1 de Março na internet. Com este single a banda pretende mostrar o que o seu primeiro álbum intitulado de “Awake” irá trazer na bagagem.

Contactos: Telemóvel: 968 233 026 | 965 051 793 E-mail: shutterdownrock@gmail.com Facebook: www.facebook.com/shutterdownrock Youtube: www.youtube.com/user/Shutterdownrock CROWDFUNDING: http://ppl.com.pt/pt/prj/shutter-down

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Neste momento a banda está numa campanha de crowdfunding para financiar o seu primeiro álbum de estreia (http://ppl.com.pt/pt/prj/shutter-down ) que resumidamente se trata de um financiamento colaborativo com o objectivo de angariar fundos, cujo investimento se irá traduzir numa compra antecipada do álbum.”


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Alidanças DESEJA SAÚDE E BEM ESTAR? ENTÃO NÃO SE ESQUEÇA DE DANÇAR! Dançar, dançar, dançar...basta querer, é só começar! A dança é uma das expressões artísticas mais antigas. Na pré-história dançava-se pela vida, pela sobrevivência, o homem evoluiu e a dança obteve características sagradas, os gestos eram místicos e acompanhavam rituais. Na Grécia, a dança ajudava nas lutas e na conquista da perfeição do corpo, já na Idade Média se tornou profana, ressurgindo no Renascimento. É considerada a mais completa das artes, pois envolve elementos artísticos como a música, o teatro, a pintura e a escultura, sendo capaz de exprimir tanto as mais simples quanto as mais fortes emoções. A dança enquanto atividade física liberta a endorfina, uma substância relacionada com o prazer, um exercício completo que integra corpo e mente. Os benefícios da dança para o corpo são inúmeros, de entre eles destacamos: maior flexibilidade, coordenação motora, perda de peso, melhoria da condição física, bem como tantos outros. Há dez anos que já não têm motivos para não praticar Dança em Viseu! Com o Alidanças, Ateliê de Dança, fundado a 12 de julho de 2005, inicialmente constituído por oito alunas de Hip Hop, hoje já são mais de cem praticantes nas diferentes modalidades, Ballet Clássico, Jazz Afro e Hip Hop. Em 2010 esteve na base da constituição da Enérgica – Associação Juvenil de Viseu (Enérgica AJV), sendo ainda hoje parte integrante da mesma no Departamento Cultural. Dentro da Associação desenvolvemos uma parceria ativa com atividades ao longo de todo ano, o que proporciona a nossa intervenção em várias áreas e participação em inúmeras ações, como recentemente se verificou na 2ª edição do Enérgica Ativa: Desporto & Arte. Sendo um evento com características multidisciplinares, onde conseguimos encaixar na perfeição o nosso sexto espetáculo, o “Let’s Dance 2015... Música Misteriosa”. Os desafios eram enormes e as exigências cada vez maiores. No entanto, com o empenho, dedicação e muito trabalho de todos os envolvidos, proporcionamos mais um grande momento interartes para a Cidade de Viseu. Com um público que ultrapassou as 1000 pessoas, tivemos o privilégio das presenças do João Bota, Guilherme Gomes, Conservatório Regional de Música de Viseu, Art & Manha e dos brilhantes utentes e técnicos da APPACDM de Viseu. À conversa com Mónica Baptista...

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Mónica, como surgiu o Alidanças? Surgiu pela vontade da partilha dos meus conhecimentos na área da dança, aliados à atividade física. É muito importante informar as pessoas dos benefícios desta atividade, sensibilizá-las para a sua prática contribuindo para a grande luta ao sedentarismo. Sempre desejei criar um grupo de exibição que pudesse dar resposta aos convites realizados por várias entidades da nossa cidade, mostrando assim, as suas qualidades desportivas e culturais. Qualquer pessoa pode-se inscrever no Alidanças? Sim, desde que tenha mais de 3 anos de idade e que se consiga movimentar sem dificuldades motoras. É possível formar alunos na área da dança? O Alidanças em parceria com a Enérgica AJV, no final de cada ano letivo realiza uma cerimónia de Entrega dos Certificados de participação dos praticantes na modalidade e respetivo nível a que pertencem. Quando o praticante demonstra corretamente as competências propostas para um determinado nível, e apresenta uma boa performance, é convidado a transitar de nível. Para que o nosso ensino se torne ainda mais credível, começamos há alguns anos a estudar o programa da International Dance Teacher Association e da Royal Academy of Dance (as duas com protocolo entre ambas) condicionando e encaminhando os nossos praticantes à realização de exames que futuramente os certifiquem como professores de Dança, ou mesmo bailarinos profissionais.


Ao longo destes 10 anos, quais os pontos mais marcantes? Um dos pontos que mais me marcam, é ver a evolução de cada praticante ano após ano. Muitas vezes arrepio-me ao vê-los Dançar, algo que eu criei, quando está tudo lá, ritmo, estilo, expressão e muito feeling! Outro aspeto fundamental, é a construção da grande família que hoje somos, a ajuda mútua de uns colegas para os outros, a preocupação de cada um deles em verificarem se tudo está perfeito, como a “Mónica gosta!” Já vamos no sexto espetáculo, este ano já realizado no Pavilhão Multiusos de Viseu, por ser um evento considerado pela autarquia, de “interesse municipal”. Teve o nome de “Let´s Dance 2015... Música Misteriosa”, foi dedicado a nós que comemoramos 10 anos e também às pessoas com necessidades especiais e a quem cuidada delas diariamente, por isso escolhemos uma instituição que felizmente, abraçou o nosso evento como se fosse o deles e tudo correu excelentemente. Muito obrigada à APPACDM de Viseu! Quais os projetos para o futuro? Desejo continuar a dar resposta aos vários convites propostos ao nível das nossas atividades. Aumentar cada vez mais o número de praticantes de cada modalidade bem como aprimorar os seus conhecimentos. Onde e quando é que as pessoas interessadas se podem inscrever? Todas as pessoas interessadas na prática da Dança em qualquer altura poderão ir à sede da Enérgica AJV, na rua 21 de Agosto, nº179, Viseu e experimentar gratuitamente, uma aula de cada modalidade e se desejar, efetua de seguida a sua inscrição iniciando a sua grande Dança!

Prof. Mónica Baptista Licenciada em Educação Física - 2004 Fundadora do Alidanças, Ateliê de Dança - 2005 Certificada pela International Dance Teachers Association - 2012 geral@alidancas.com 918 381 623www.facebook.com/alidancas

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Viseu: rhythm of holiday The world is a book, and those who do not travel read only a page. Saint Augustine It is not a secret that travelling is a contagious thing, which opens wide door to the world. Firstly, travelling is the opportunity to know something new about other cultures, citizens of the country and, of course, to be closer to their traditions or even become a part of it. Travelling is like a challenge, full of adventures in every corner in your way. Moreover, it is the priceless chance to learn about yourself, to know better who you are. Also, travelling is the opportunity to become more open person, more communicative, confident and, of course, more happy. If you are in a good mood then you can share happiness with everybody around you. Every person who you meet in your journey is like a gift. Firstly, you can learn a lot from them and teach new things as well. You live only once, but if you do it right – once is enough! My obsession of journey started in Athens, in the capital of Greece. There I was studying at ‘National and Kapodistrian University’ for 5 months. It was 5 months of new experiences in my life, unforgettable journey full of adventures, new friends. I got valuable knowledge during studies and facing with casual lifestyle of Athens. Influenced by these things, after the stunning Greece I went to Turkey (Istanbul), Italy (Rome and Catania), Poland (Warsaw), Czech Republic (Prague) and Romania (Bucharest). I understood that travelling is the one thing in life, which enriches you every time to travel. After the trips you are never the same person, you become more positive and have wider view point of life. This summer, I decided to take one more opportunity, which was offered by life. I took the challenge to do internship in Portugal by Erasmus+ programme. This time I wanted to discover more: mentality of Portuguese, to see the beautiful nature of this country, to get new experience during the intership, knowledge and meet new people in my life. Moreover, the final stop of my trip was not the capital of Portugal, but little-known town of Portugal – Viseu. Viseu is the small city in the Centro Region of the Portugal. The astonishing thing is that Viseu is one of the largest cities in Europe without a railway connection. When I arrived here with my friend I did not expect that Viseu is so wonderful and stunning. There are a lot of friendly people, beautiful nature, next to each other spaced houses, museums, churches, cathedral, exclusive architecture and parks, where you can do sport, relax or even spend time with your friends. Moreover, older men are playing with cards and enjoying the time.

salsa and latina dances. The lessons start in the evening. Everyone, who loves those dances should come to this square and to learn basic steps of these dances for free. Moreover, in this square, if you will go near the church you can see the great panorama of Viseu. There is good place for couples, for everyone who likes panoramic view, wants to relax or just to admire the view – this place is perfect. I would like to add that this city has plenty of cute and nice places to go, all you need – to have motivation to discover.

Also, people who are working with me at StudioBox (there I am doing an internship) are so nice and friendly, like everyone in Especially those who are interested in architecture must take a Viseu. Moreover, you can not just to work, but to talk with them look of the interior of the cathedral. It is decorated with various about everything, to make a joke and etc. sculptures and paintings. The cathedral was started to build in the 12th century. It combines a variety of styles, for example: ManueIn general, Viseu is not so big city. If you want to reach some line, Renaissance and Gothic. The cloisters are small but contain places, you can go by foot, do not need use any buses, to buy treats such as the Romanic Gothic doorway and paintings of the tickets. Also, the city has the main street, which is called Rossio life of St Theotonius which make me wonder what he got up to. de Viseu. This street leads to the heart of the city. In addition, close to the cathedral is the Grao Vasco Museum, which is also worth a visit. The museum is named in honor of the First of all, we (with me was my friend Simona) visited the city’s world-renowned Portuguese artist, Vasco Fernandes. In the muSe Cathedral and the church of Mercy, which is in front of the seum you can see the sculptures, religious monuments, paintings. cathedral. Between them is the nice square, where you can find Moreover, the museum has two parts, one of them is religiuos, and not just beautiful view, but also you can learn to dance bachata, another one is modern.

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In the first part of the museum you can see the oldest counters of Madeira, Portuguese stonewares, which were built in 17-18th century, religious jewelery, teapot of 1836-37. Also you can find a lot of religious sculptures. For example, S. Gabriel, Eneranda Martir, Santa Ursula, Santa Bona, S. Sebastiao. Museum has a lot of paintings of Joao Peralta, Vasco Fernandes e Francisco Henriques, Vasco Fernandes e Gaspar Vaz and others. All of them are eye catching. In the second part of this museum, you will find modernizm. You will see mask of ogre and others strange things. Also, there is a lot of paintings of Helena Almeida, Jorge Queiroz, Avelino as, Alvaro Lapa. I would like to add, that this part of museum, is not for everyone, because person has to like art like this. On the other side of cathedral is another small square, surounded with cafeterias and bars. The thing that surprised me, that this city has a lot of events. One of them is called Jardim Efemero, it is time when people can see the figures of flowers, which are spread out on the ground and remind Baroque style. In this square everyone can find transformation into a contemporary Baroque Garden. Plants transformed by topiary creates tunnels and passages through green balls, cones and spirals plant. In the middle of some green elements we found sculptures and vessels characteristic of the Baroque era, albeit in a reinvented form.

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Viseu: rhythm of holiday

Moreover, in this square you can watch a movie through the big screen. Viseu centre is full of the people, especially in the evening. There they can drink something, enjoy nice cup of tea or espresso, they can dance or even, as I said before, watch a movie. Actually, Viseu has not only beautiful squares in the centre, but the most important is the symbol of this city – Viriatus. If you want to reach this warrior, you have to use funicular. Using this funicular we can go down at the foot of the city. Without funicular it will be too difficult to go up, especially, for old people. Viriatus was the most important leader of the Lusitanian people that resistes Roman expansion into the regions of western Hispania or western Iberia, where the Roman province of Lusitania would be established. In general, it is nice when a small town has its own legend.

Moreover, one of the strangest things for me was the man, who is walking along the small streets with his bicycle. This man is not just a simple man, he is one who sharpens knives. For me it was new and funny thing, because there is no something similar in Lithuania. By the way, when he is walking along the streets, he is whistling with fife and when he is playing with fife, people know that he is somewhere near their houses. Actually, the most important thing, that happenned to me in Viseu, is the meeting with Consul Jorge Antas de Barros. When I was walking around the streets of Viseu, I found the Lithuanian Consulate of Honorary, which is led by him. This Consulate is the first foreign Consulate of Honorary in the city. I decided to talk with Consul about the Consulate, what they are doing, what about the plans in the future and etc. When we arranged the meeting, he was talking not just about the Consulate, but also about his life, responsibilities and jobs. Also he said, that this Consulate is more representative place, because in Viseu they do not have a lot of community of Lithuanian people. Actually, in all Portugal, there is just around 300 people of Lithuanians. In general, it was pleasure to talk with him, because like all Portuguese people, he is nice and communicative person.

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Therefore, I am very excited and full of good emotions during the first week I am here, so many adventures were faced and many are waiting in the future. Undoubtedly, the city is enchanting, it is good to be here, not to rush and enjoy every single moment of life truly. I hope that the city will continue to entertain and encourage me to tap into a new journey and will leave footprints in my heart, as well will fill with nice memories my mind. by Kristyna Kovalevska

EstagiĂĄria na empresa Studiobox ao abrigo do programa Erasmus+.


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EAR OF VEGAS Foi em 2013 que um grupo de jovens discutiram a possibilidade de criar uma linha de roupa abrangente a todo o público, contudo sendo esta mais direccionado aos jovens. A Ideia foi ganhando ritmo e espírito de vontade e em julho de 2013 apresentou-se a nova marca ao publico exterior, a Ear Of Vegas. Uma marca nacional, onde a mesma aposta na originalidade e qualidade de todos os seus produtos, e acima de tudo na garantia da satisfação do seu cliente. Destaca-se ainda, pelo conceito familiar entre todos aqueles que fazem parte do projeto. A Ear Of Vegas está a crescer de dia para dia e é devido a todos que apoiam esta linha, que continuamente representa Viseu e Portugal a nível internacional.

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Ear of Vegas celebra 2º Aniversário A marca de roupa Ear of Vegas foi criada em 2013 por um grupo de jovens que discutiram a possibilidade de criar uma nova linha de roupa dedicada aos jovens. Uma marca nacional, mais propriamente de Viseu, a qual está a obter sucesso com o seu conceito, tendo já ultrapassado mais de 20 mil gostos na sua página oficial do facebook e exportado um nivel consideravel de vendas para o estrangeiro. Além disso, conta com figuras públicas que colaboram na promoção da marca, tais como, Blaya (protagonista dos Buraka Som Sistema), Débora Picoito, Rúben Boa Nova e Elisabete Moutinho (participantes do programa de televisão Casa dos Segredos). Passados dois anos de existência, a Ear of Vegas no dia 24 de julho assinalou o seu aniversário na discoteca Iceclub, em Viseu. Contou com muitas surpresas, a presença do Actor João Maria Bonneville e Demo da banda de música Expensivel Soul foram uma delas. Mais de 500 pessoas estiveram presentes, criando um ambiente memorável. Salientar que o evento contou com o apoio absoluto por parte da empresa United Events, esta parceria recente da Ear of Vegas, na àrea de gestão e organização de eventos. Além disso, a Ear of Vegas para este terceiro ano já possui alguns objetivos, um deles é a primeira loja física em Viseu. Mas para um futuro breve a marca irá estar presente no Festivais a promover os seus produtos e o seu próprio conceito. Por fim, a marca garante novos tipos de linhagem de roupa, de forma a abranger todos os gostos. www.facebook.com/EarOfVegas

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maria-ridingcompany

As motos custom estão de volta. É um revivalismo, um lifestyle cool de gente ligada ao design, à moda e às artes, mas é mais do que isso. Ter uma mota customizada é um manifesto contra a uniformização da economia global, é o apelo a diferenciação, o desejo de ser diferente. A marca Maria Riding Company existe há cerca de seis anos ou talvez mais. Oficialmente, foi criada em 2011. Luís Correia, 40 anos, e Rui Alexandre, 42, ansiavam por um certo tipo de liberdade que, não o escondem, se confundia com saudades da adolescência. Nunca mais se divertiram tanto, depois de terem entrado na universidade e começado a trabalhar. Antes, andavam de skate e de moto, faziam surf, improvisavam tudo, divertiam-se. “Fazer surf, hoje, não tem tanta graça”, diz Rui. “Há escolas de surf, professores, equipamento. Quando eu era miúdo, ia de comboio para Carcavelos, ou de camioneta para a Ericeira, sozinho. Fui assaltado duas vezes. Não tinha dinheiro, não usava fato. A praia estava deserta…” Depois, Rui entrou para o curso de Bioquímica. Fez o mestrado, ganhou uma bolsa de investigação de quatro anos, para concluir o doutoramento. Luís fez o curso de Design no IADE e começou a trabalhar em agências de publicidade, em design gráfico, webdesign. De repente, nem eles sabem explicar o que aconteceu. Luís sentiu que estava farto de pôr a sua criatividade ao serviço de outros. Cansado de vender marcas que não eram dele, decidiu criar a sua própria. Rui deitou fora a bolsa do doutoramento. Aterrorizado com a ideia de passar cinco anos fechado num laboratório, nunca mais quis saber de radicais-livres e antioxidantes, que eram a sua área de investigação. “Foi uma decisão rápida, mas sei que definitiva. Decidi dedicar-me apenas ao design.” Os dois amigos sempre gostaram de motos antigas, mas à sua ideia de negócio não foi alheia a noção de que as motos customizadas, ou personalizadas, estavam a tornar-se imensamente populares em vários países. As motos modificadas inspiradas em modelos europeus dos anos 1950 e 60 faziam sucesso, principalmente entre profissionais da moda, gente li-

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gada ao design e às artes, acima dos 40 anos de idade. Era uma tendência ligada ao revivalismo estético, em combinação de uma ideologia antiglobalização e uniformização. Luís e Rui foram pioneiros em Portugal a explorar este conceito. Sabiam que havia aí um nicho de mercado, que lhes permitiria desenvolver um conceito, uma marca a seu gosto, sem concessões comerciais, que fabricasse motos de modelo único, personalizadas, e pranchas de surf. “Não fazemos concessões nem planeamentos comerciais. Não queremos subverter o espírito da marca, para que possamos continuar orgulhosos dela. O que nós queremos é fazer as nossas próprias coisas”, diz Rui. O revivalismo estético e a combinação de uma ideologia anti-uniformização da marca Maria Riding Company, não se limita apenas as motos customizadas, é acima de tudo um estilo de vida associado à liberdade e improviso da adolescência, onde o skate, as motas e o surf estavam sempre presentes. Foram estas as características que cativaram Pedro Frutuoso quando em 2012 conheceu a marca que lhe trazia as melhores recordações do seu estilo de vida de adolescente. Pedro tem um percurso profissional de mais de 20 anos em cargos de gestão em multinacionais em sectores como consultoria, e-commerce e retalho. O seu envolvimento com a marca e a aproximação aos seus sócios fundadores foi um processo natural e gradual. Com a combinação de competências dos atuais três sócios, a marca entra agora numa fase bastante promissora, que para além da costumização de motos, pranchas de surf e skates, prepara o lançamento de um coleção de acessórios e roupa informal e prática, com inspiração nos anos 70 e 80 onde as corridas de motos eram para pilotos corajosos, o surf não era para meninos e o skate só para alguns.

www.maria-ridingcompany.com

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Açores, um paraíso no imenso azul atlântico

O Arquipélago dos Açores (nome de aves de rapina, confundidos por serem muito idênticas aos milhafres aí existentes desde a altura do seu descobrimento) situa-se em pleno Atlântico Norte, entre a América do Norte e a Europa, a 760 milhas marítimas de Lisboa e a 2110 de Nova Iorque e é formado por três grupos de ilhas de origem vulcânica, o Grupo Oriental constituído pelas ilhas de Santa Maria e São Miguel, o Central que integra a Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial e o Ocidental que engloba as ilhas das Flores e Corvo, apontadas por alguns investigadores como vestígios da lendária Atlântida. Longe vai o ano em que pela primeira vez me decidi a viajar até aos Açores. Lembro como se fosse hoje toda a mistura de sensações que, ao olhar pela pequena janela daquele “pássaro de aço”, me invadiram num turbilhão inesperado. Ao ver aquelas pequenas ilhas senti que algo de mim ali pertencia, senti que aquelas pequenas porções de terra iriam ser parte da minha vida. Hoje, passadas quase duas décadas, ainda sinto que pouco conheço e muito “elas” ainda me têm para mostrar, ainda hoje sinto todo o mesmo turbilhão de sensações que me invadem cada vez que, ao olhar pela pequena janela, pequenas ilhas começam a aparecer no meio daquele imenso oceano azul. Escrever sobre as Ilhas Açorianas cada vez se tem tornado mais difícil, muito já se tem escrito nos últimos anos e, por mais que se continue a escrever, nada fará jus a toda uma beleza impar e indescritível, a todo um passado histórico e a toda uma cultura única. Tentarei, nesta minha primeira colaboração com a Valeu, descrever de uma maneira generalista esta Região Autónoma Portuguesas e guardarei para próximas colaborações alguns artigos mais específicos, principalmente na área do turismo ou em jeito de literatura de viagem. Historicamente sabe-se já haver referências a nove ilhas em posições aproximadas das açorianas no oceano Atlântico, em livros e mapas cartográficos desde meados do século XIV. Não se sabe ao certo se foi Diogo de Silves, em 1427, ou Gonçalo Velho Cabral, em 1431, o primeiro navegador a avistar a primeira ilha a ser descoberta, Santa Maria, mas foi, decerto, com a epopeia marítima portuguesa, liderada pelo Infante D. Henrique, que os Açores entram definitivamente no mapa da Europa e sendo também com o Infante que o arquipélago começar a ser povoado.

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Ao longo de séculos, os Açores e os Açorianos resistiram a erupções vulcânicas e terramotos, isolamento, invasões de piratas, guerras políticas e doenças. Dois grandes momentos marcam a sua história, a resistência ao domínio espanhol na crise da sucessão dinástica de 1580 e o apoio à causa liberal na guerra civil de 1828-1834. Já no século XX, os Açores atravessam e sobrevivem à epopeia baleeira, ondo os homens e os seus pequenos botes baleeiros de madeira confrontavam no imenso mar azul os gigantes cachalotes. Herman Melville, autor da famosa obra literária “Moby Dick”, realça as qualidades destes Homens do Mar. Ele afirma que «não poucos destes caçadores de baleias são originários dos Açores, onde as naus de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam, frequentemente para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores caçadores de baleias». A cultura da baleação açoriana foi interpretada criativamente por escritores e poetas, pintores e artesãos de scrimshaw (arte


de trabalhar e pintar o dente e o osso de baleia). No século XX, vários realizadores estrangeiros filmaram os baleeiros açorianos executando uma técnica de caça que parecia desaparecida desde há 100 anos. Após 1986 a caça à Baleia foi definitivamente proibida no arquipélago mas continuou presente no quotidiano das gentes das ilhas e a relação secular entre o homem e a baleia não desapareceu com a interdição da caça, reinventouse então uma nova atividade – a observação de cetáceos – e multiplicaram-se os polos culturais, científicos e museológicos. Os Açores são atualmente um dos maiores santuários de baleias do mundo. Entre espécies residentes e migratórias, comuns ou raras, avistam-se mais de 20 tipos diferentes de cetáceos nas suas águas, o que corresponde a um terço do total de espécies existentes no Mundo. A observação de cetáceos é uma atividade que pode ser praticada nas águas de todo o arquipélago, sendo o Pico e do Faial as maiores referências nesta área, o que se explica pela forte tradição baleeira presente nestas duas ilhas. A facilidade de encontrar baleias e golfinhos nestas paragens foi acompanhada pelo desenvolvimento de operadores turísticos dinâmicos e respeitadores da vida animal. Segundo a empresa Norberto Diver, os Açores oferecem um

conjunto de excelentes condições naturais que permite a prática de mergulho nos Açores durante quase todo o ano, o difícil é escolher por onde começar. Existem dezenas de spots, adequados a diferentes tipos de mergulho. Zonas costeiras e baixas onde se contemplam magníficas grutas e arcadas submarinas. Restos de barcos naufragados, agora refúgio de lírios, meros e garoupas que saúdam os visitantes. Aguas oceânicas profundas, habitat de grupos de jamantas que planam na vertigem azul. Mergulhar com tubarões azuis (os Açores são o único spot de mergulho com tubarões na Europa) e, com alguma sorte, com tubarões martelos. Raras e misteriosas fumarolas subaquáticas. Os Açores têm sido considerados por vários órgãos de comunicação social internacional, como um dos pouco locais paradisíacos do Oceano Atlântico. Os Açores são, sem dúvida, um dos melhores lugares para a prática do mergulho na Europa. O arquipélago oferece, também, condições únicas para o desenvolvimento do turismo de natureza, graças ao seu património natural único. Esse património foi preservado e classificado e inclui a biodiversidade marinha, a flora e a fauna, cavidades

vulcânicas e geopaisagens, parques e jardins botânicos, bem como outros recursos naturais exclusivos de cada ilha. Tudo isto, juntamente com as cidades e aldeias tradicionais dos Açores, apresentam oportunidades sem igual para o turismo de natureza. A revista National Geographic Traveler elegeu o arquipélago dos Açores como as segundas melhores ilhas do mundo, atrás das ilhas Faroé, na Dinamarca. No artigo Best Rated Islands são avaliados 111 destinos por 522 peritos em turismo sustentável, sendo definidos como “sítio paradisíaco, com construções bem conservadas, natureza respeitada e habitantes sofisticados, cuja maioria já viveu fora”. Os caprichos do clima “impedem” a massificação de turistas seduzidos “pelas montanhas vulcânicas, pelos vales verdejantes das Flores ou pelas baías da Terceira”. Os Açores têm procurado afirmar-se como ilhas de qualidade e excelência, onde aquilo que é genuíno e diferenciador marca a diferença e impõe-se num mundo cada vez mais Global, e contribui para a valorização do seu património natural e cultural, facilmente comprovado pelas iniciativas e galardões nacionais e internacionais, como a eleição da Lagoa das Sete Cidades e da Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico como Maravilhas Naturais de Portugal. O Geoparque Açores, que em breve se candidata às redes europeia e global sob os auspícios da UNESCO, e representa o mais recente desafio nesta caminhada. A classificação pela UNESCO do centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo e da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico como Património Mundial da Humanidade são reconhecimentos de monta e uma atração turística. Na lista indicativa de candidaturas Portuguesas à UNESCO encontram-se mais dois sítios, o Algar do Carvão e a Furna do Enxofre. Tal como a classificação das ilhas Graciosa, Corvo e Flores como Reservas da Biosfera. Mas muito mais há para ver e visitar nos Açores. Desde as suas caldeiras e lagoas, com destaque para as das Sete Cidades, Fogo e Furnas em São Miguel, aqui ainda pode encontrar a Poça da Veja, o Parque Terra Nostra, o Nordeste, as cascatas de água quente em plena floresta Açoriana, o Ilhéu de vila Franca. Mas a lista contínua, as fajãs e as encostas de São Jorge, o vulcão dos Capelinhos e a Marina da Horta, as grutas e algares do Pico, Graciosa e Terceira, as cascatas das Flores, as praias de areia branca de Santa Maria, a montanha do Pico, o Museu dos Baleeiros das Lajes do Pico, museus, solares, parques, o casario típico, um dos 10 cafés mais conhecidos no Mundo, o Peter Café Sport na Horta, são alguns dos exemplos do que os Açores têm para oferecer. Juntando a isto a cozinha tradicional Açoriana e os vinhos, com destaque para os vinhos do Pico, encontrados em várias adegas das casas reais europeias, tem razões mais que suficientes para visitar as ilhas que são, cada vez mais, um destino de eleição para o Turismo Europeu e já uma referência Mundial. A presença Açoriana é forte no Continente Americano. O primeiro destino de emigração dos Açorianos foi o Brasil, no século XIII. Seguindo-se os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro a partir do século XIX. Entre os Estados Brasileiros os que mais guardam a influência açoriana no Brasil são os de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A cultura açoriana ficou de tal maneira bem preservada que ainda se vê em certas localidades costumes e hábitos populares seculares, como o de contar estórias e lendas fantásticas, fazer rendas e bordados, cultivar ervas medicinais e comemorar as festas do mar e do Divino Espírito Santo.

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Açores, um paraíso no imenso azul atlântico

Tanto a área litoral de Santa Catarina como a capital, Florianópolis, têm origem basicamente açoriana. Foram os 6.071 imigrantes do arquipélago que ao se juntaram aos 4.193 locais catarinenses (índios, paulistas, negros e espanhóis) no século XVIII deram origem aos desterrenses, atuais florianopolitanos. A partir do século XIX a presença Açoriana também se passa a encontrar nos Estados Unidos da América, Bermudas e Hawaii. O último destino de emigração Açoriana foi o Canada, a partir de meados do século XX que, mesmo sendo um destino recente, o número de Açorianos que emigraram foi elevado. Voltando ao arquipélago, e em jeito de despedida. Os Açores estão cada vez mais na moda como destino turístico, contudo é preciso ter o cuidado de não se deixar, não se permitir, uma massificação do turismo nas ilhas. É como destino turístico sustentável, mantendo a beleza natural e selvagem das suas paisagens que as ilhas são consideradas um Paraíso, e assim se devem manter. Será através da sua história, das suas tradições e da sua cultura, usando o Turismo Náutico, o Turismo Cultural, o Turismo de Natureza e Aventura, a Gastronomia e Vinhos e o Turismo de Raízes, que os Açores se poderão afirmar definitivamente como um Destino Turístico de eleição. Cabe, por isso, às entidades competentes o saber “planear”, “organizar”, “controlar” e “dirigir” o futuro turístico de cada uma das ilhas de uma maneira específica e de todo o arquipélago de uma maneira geral. Para mim continuarão a ser uma paragem obrigatória durante os meses de Verão e o meu destino turístico de eleição para a Vida. Local que, pela qualidade de vida que hoje em dia oferece aos seus habitantes, poderia ser perfeitamente a minha “casa”. por Heitor Castel’Branco

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O mar se tornou a nossa estrada.

...e essa viagem a nossa vida! O mar se tornou a nossa estrada... e essa viagem a nossa vida! A maioria das pessoas quando pensa em tirar umas férias, imagina uma semana ou duas, num destino bem distante e, geralmente, em um lugar tropical. Dias quentes e ensolarados, praias, drinks refrescantes, cenários paradisíacos, céu e mar azul. Num dia, uma praia deserta, areia branquíssima e muita vida submarina para ser admirada através dos mergulhos. Trilhas e caminhadas por ilhas inteiras que por algum tempo passam a ser só suas. No outro, uma praia badalada com muita música, bares e pessoas de todos os lugares do mundo. Novas amizades. No fim do dia, do alto de um morro, da areia da praia ou ainda envolto por águas calmas e cristalinas, assistir ao espetáculo que o sol consegue produzir ao se por, mudando as cores e compondo todo o cenário como um verdadeiro artista. Esse é o nosso mundo. Esse é o mundo ao qual pertencemos. Ou seria, o mundo que pertence a nós. O mundo que conquistamos. Não importa. O descrito não é um cenário qualquer. É o quintal da nossa casa. É o estilo de vida que escolhemos para ser o nosso. Sonhamos com ele por anos e anos. E fomos capazes de tornar o nosso sonho realidade. Não é um período sabático. Pessoalmente, não temos a intenção de estabelecer um prazo para essa aventura. Percebemos que, se tivessemos tudo que possuíamos e o necessário para viver dentro da nossa própria casa, além da capacidade de carregar tudo isso conosco, não sentiríamos vontade de acelerar o passo e voltar para o conforto do nosso lar. Poderia ser um motorhome. Mas somos do mar. Então, transformamos um barco a vela na nossa casa flutuante e itinerante. E o mar se tornou a nossa estrada e essa viagem, a nossa vida.

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É muito fácil encontrar barcos por aí. Novos ou usados. Entretanto, o barco ideal para viver esse tipo de aventura, tem que ser aquele que, assim que você colocar os seus olhos e os seus pés nele, você sinta que deve ser seu. Tem que ser bonito, confortável e espaçoso. Dentro e fora. Mas, sobretudo, tem que ser seguro. Afinal, você espera viajar milhares de milhas com ele, nas mais diversas condições de mar e nada de errado pode acontecer. Especialmente porque as coisas erradas nesse caso, sempre acontecem no meio do nada. O barco que escolhemos é de fabricação francesa, um catamarã Lagoon 380s2. Um dos modelos mais construídos de toda a história. Optamos pelo catamarã por ser bem mais confortável que um monocasco, seja em navegação seja na ancoragem. O seu pequeno calado nos permite navegar com segurança em lugares mais rasos e o fato de ser construído com vários compartimentos estanques, o torna praticamente inafundável. O espaço interno e externo e o aproveitamento de cada cantinho é impressinante. Tudo vira armário ou gaveta. A área de convívio é espetacular: temos quatro cabines, dois banheiros, a sala com a cozinha, a varanda de popa ou cockpit e o trampolim, nosso lugar preferido ao por do sol. Além disso, os céus mais estrelados, o maior quintal e a maior piscina de borda infinita do mundo. Acima de tudo, a nossa viagem tem nos levado para muitos lugares maravilhosos. Lugares remotos que, quando habitados, o são por pessoas singulares, honestas, simples, despretenciosas e com os pés no chão, movidas pelo seu amor pelo mar, pela natureza e pelo próximo. Verdadeiros paraísos na terra. E vai continuar assim até que encontremos algo que nos encante tanto, tanto, que nos impeça de o deixar. Nosso barco também pode ser seu! Tem muitos lugares lindos para serem visitados. E, na nossa opinião, a maioria deles são lugares dos quais nunca ouvimos falar e que não fazem parte das listas dos melhores do mundo. As ilhas Virgens Britânicas e a cadeia das Exumas nas Bahamas, ambos arquipélagos do Mar do Caribe, são dois exemplos típicos do que acabamos de falar. As Ilhas Virgens Britânicas são um destino paradisíaco que, o fato de ser ainda bastante desconhecido o torna exclusivo. Um arquipélago formado por mais de sessenta ilhas, na sua maioria desabitada, com histórias de piratas, destilarias de rum, mergulhos sem igual em cavernas, rochas e naufrágios, surf, kitesurf, stand up paddle, praias de areia branquíssima e águas de um azul indescritível. Muito agito também, se assim o desejar. Muitos beach bares, marinas e resorts que abrem seus bares e


restaurantes para o público. Dentre suas jóias, estão as The Baths, um labirinto de grutas de grutas formado por um amontoado impressionante de pedras gigantes, com a água do mar escorrendo entre elas, dando origem a maravilhosas piscinas naturais. E o que dizer de Sandy Cay, uma ilhota de areia branca, banhada pelo mais turquesa dos mares, tão grande quanto quinze minutos de caminhada para rodeá-la (tudo depende da sua pressa!), com alguns co-

queiros e que pode ser toda sua, pelo menos por algumas horas. Já a cadeia das Exumas, é um destino ainda mais exclusivo. Um arquipélago com mais de trezentas ilhotas, que faz parte das Bahamas, localizado em cima de um banco de areia tão grande, possível de ser visto do espaço. Essa condição deu nome à região: Bahamas significa baixios. A navegação em águas tão rasas é um espetáculo a parte. A diversidade de azuis é incontável e, somado aos inúmeros bancos de areia, formam um cenário natural inigualável. É um destino para amantes da natureza. Apesar das paisagens de cinema, não tem agito. É o caso do Thunderball Grotto, a gruta que fez parte do filme do 007 com o mesmo nome e, Warderick Wells, um parque marinho onde você acaba sendo parte do caleidoscópio unicamente em tons de azul que o rodeia. Vida marinha? Super abundante. Arraias, golfinhos, peixes das mais variadas cores e tamanhos, muitos corais coloridos, cavalos marinhos e até tubarões. Você pode velejar conosco a bordo do Cascalho. Escolha seu destino e entre em contato: viveravela@gmail.com

Quem somos nós! Luiz Fernando, nasceu em Santos, São Paulo, formado em Análise de Sistemas e empresário na área de Recursos Humanos. Mauriane, nasceu em São José do Cedro, Santa Catarina, formada em Odontologia, trabalhava no seu próprio consultório. Aproveitando uma oportunidade que a vida nos deu, decidimos largar tudo e girar o mundo a bordo de um veleiro. As vésperas de completar três anos de vida no mar, já somamos em nosso curriculum, mais de dezoito mil milhas náuticas navegadas. Navegamos no Mar Mediterrâneo, de Roma até Gibraltar, de onde partimos para a travessia do Oceano Atlântico no sentido norte-sul e leste-oeste, para chegar em Fernando de Noronha, solo brasileiro. Depois descemos toda a costa brasileira, até chegar em Santa Catarina, onde jogamos âncora na baía de Armação do Itapocoroy, mais precisamente numa praia sem areia, só com pedrinhas: a Praia do Cascalho. Lugar onde nasceu a nossa estória juntos e o sonho de viver a vela também. Não por acaso, Cascalho foi o nome que escolhemos para batizar o nosso barco. Subir a costa brasileira novamente, começou em seguida. De lá, chegamos ao Caribe onde já passamos duas temporadas, navegando de uma ilha para a outra. Atualmente estamos nos Estados Unidos, navegando pela Intra Costal Waterway. Nós temos tão pouco tempo nessa coisa incrível chamada “vida”. Depende de nós tirar o melhor dela. Esperamos vê-lo em algum lugar da nossa estrada e da nossa história. por Luiz e Mauriane

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Ver, sentir e ser

Caminho dos Diamantes Minas Gerais - Brasil. Notório pedaço da história do país e da América do Sul. Destino cobiçado para o currículo da grande maioria dos cicloturistas brasileiros e estrangeiros. Sabores inimitáveis; cenários que inspiram segurança e tranquilidade; paisagens naturais e culturais que impressionam. Inspiração para músicos, poetas e outros artistas. Se tudo isto ainda não for o suficiente, ouse descobrir muito mais ao pedalar ‘devagar’ por esta porção incrível da Estrada Real. Uma das primeiras sensações que se tem ao iniciar o percurso, em Diamantina, é que tudo o que há para ser visto é demais, não cabe nos olhos, porque para qualquer lado que se dirija o olhar há algo que nos captura, seja pela perplexidade diante do belo, pela simplicidade das gentes ou pela velocidade da vida que insiste em ser menor do que a de nosso mal costume. Há de se calibrar o olhar enquanto se pedala pelas ruas de pedra da cidade do ex-Presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, inclinadas e vestidas de toda cor misturada ao branco da roupagem dos casarios carregados de tempo, porém, impecavelmente revitalizados e cuidados pela sua comunidade. Seja à luz do dia ou durante as madrugadas tranquilas facilmente se percebe o zelo e o esmero com a limpeza, pelo menos do que nos foi possível notar. Lapidada pela sua gente, Diamantina se revela rica, sobretudo, em detalhes. Para vê-los, faz-se necessário perder-se rua após rua de um casco histórico recoberto de atrações, boa mesa e segurança. Todo esta atenção com a hospitalidade pode ser encerrada em dois dos bons exemplos por lá encontrados com facilidade: Pouso da Chica, aconchegante e confortável pousada onde se degusta um café da manhã regional impecável e o Espaço B, no Beco da Tecla, um feliz patchwork de livraria, café, restaurante, onde os pratos servidos provam que quem os preparou sabe muito do riscado. Sentir os aromas e os sabores das manifestações culturais durante a estada em Diamantina atiça a vontade por saber o que virá depois.

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Portanto, partir é um verbo que não se deveria permitir conjugar quando a referência é a quase tricentenária cidade, que além de ser tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), também é reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. Tudo parecia dizer: ‘Veja as calçadas, as eiras, beiras e tribeiras, meu senhor. Veja as telhas nada simétricas feitas ‘nas coxas’ dos escravos; veja as torres das igrejas e o Café Baiuca na Praça Correa Rabelo. Repare nas janelas ornadas com flores ou com ‘namoradeiras’, simpáticas estátuas femininas feitas em madeira colocadas ao borde das aberturas de guilhotina, não para seduzi-los, mas para encantá-los’. Ao buscar sair da cidade, invariavelmente o cicloturista será saudado por várias pessoas, quase que como um agradecimento por incluir no roteiro de viagem algumas horas percorrendo seu lugar, sua jóia, sua casa. Esta maneira de ser não abandona o cicloturista em nenhum momento sequer, até encontrar o caminho de terra que leva em direção a São Gonçalo do Rio das Pedras, Milho Verde, Três Barras e Serro. Mal o grupo se acostuma com o som da rodas sobre o chão árido, o caminho permite um encontro inusitado. Tivemos a graça de parar alguns minutos para conversar com o casal Nemo Romero e Jimena, jovens argentinos, artistas de rua, empurrando duas bicicletas simples carregadas com toda a sorte de tralhas e, pasmem, um monociclo e um bambolê!!!! Nada surpreenderia mais a um grupo de cicloturistas usando bicicletas caras e super equipadas do que cruzar com dois outros cicloviajantes em tais condições. Aliás, penso que os sorrisos do casal ao encontrar-nos foram ainda mais surpreendentes. O nome Itapanhoacanga (pedra cabeça-de-negro, na língua nativa Tupi), confesso, foi por mim soletrado e treinado durante as longas horas de pedal como um mantra, porém, possivelmente repercutiu em um dos mais belos cenários de toda a viagem. Este distrito de Alvorada de Minas é um pequeno fragmento de caminho composto de passagens sobre rios e estradas estreitas, as quais faziam crer que, logo após, seria possível vislumbrar muito mais além. E a promessa foi cumprida. Antes mesmo de poder chegar ao final da subida, impossível não deter-se diante da figura imponente do Seu Sebastião, com menos de 1,60m de altura, camisa azul surrada e bonezinho


branco posto na cabeça, caminhando com dificuldade, mas com fé. A saudação hospitaleira carregada de doce simpatia deixava entrever o moleque de calças curtas e boca suja de manga sabina por traz daquele semblante de 83 anos, cuja cútis mais lembrava os caminhos tortuosos de terra e mato pelos quais passamos. Com uma foice sobre os ombros, o pequeno homem feliz, indo ao trabalho na roça, era feito de uma boniteza que emociona, com olhos de jabuticaba que se fizeram mais brilhantes enquanto conversávamos, como se fôssemos nós, o momento mais belo do dia. Depois da prosa ligeira e de coçar a cabeça meio que sem entender o que essa gente viera, de tão longe e de bicicleta, fazer no seu “cantinho de mundo”, seu Sebastião dita aquela frase que, até agora, repercute em nossas cabeças: “vai com Deus e obrigado por visitar a minha cidade”. Ser Estrada Real, nas formas mais singelas, pode revelar uma grandeza incomensurável. Sebastião que sumiu entre a poeira das bicicletas morro abaixo... Sebastião, um sonho de ‘sertão’...de ser tão Estrada Real. Não se furte a chance de perceber Santo Antônio do Norte e Córregos, povoados de quase uma rua só, que já foram visitados por figuras importantes da história como o naturalista francês Auguste de Saint – Hilaire, em 1817. Siga, sem afrouxar a pedalada em direção a Conceição do Mato Dentro, Morro do Pilar e Itambé do Mato Dentro, emolduradas pela Serra do Cipó. Nesta última, Itambé, uma hospedagem de extremo conforto e hospitalidade espera o cicloviajante. Depois de muito pedalar, não deixe de conhecer a Pousada Lava-pés, onde o João Dornelas recebe a todos com esmero, oferecendo uma noite repositora de energias e uma gastronomia de excelente padrão. Mais à frente, em Cocais, distrito de Barão de Cocais, podese ter acesso ao Caminho do Sabarabuçu, pequeno trecho da Estrada Real que leva em direção a Ouro Preto, passando por Caetés, Sabará, cercanias do Parque Estadual da Serra do Rola Moça, Honório Bicalho e Acuruí. Porém, a localidade reserva um lugar ainda mais especial para o cicloturista. Além das igrejas de Nossa Senhora do Rosário e da Capela

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Ver, sentir e ser Nossa Senhora de Sant’Ana, ambas do século XVIII, o sítio arqueológico da Pedra Pintada reúne centenas de pinturas rupestres de mais de 8 mil anos, além de uma vista monumental. Entre Barão de Cocais e Santa Bárbara, o convite a visitar o Santuário e Parque Natural do Caraça não pode deixar de ser atendido. E os motivos são vários e inimitáveis. Ali, junto à Serra do Espinhaço, ergueu-se um colégio e um mosteiro, em 1774. Presidentes da República, como Afonso Pena e Arthur Bernardes, tiveram lá seus estudos. A igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens, de 1883, é um convite ao silêncio interior. A hospedagem é simples, porém confortável e extremamente caprichosa. As refeições, com hora marcada, permitem recobrar os ânimos e deixar os sentidos mais aguçados para o que está por vir, ao cair da noite. No meio do breu da madrugada, em um dos acessos ao santuário, é possível ter um encontro que mexe com as sensações dos visitantes. No silêncio da nossa espera, lobos-guarás se aproximam precavidamente em busca da refeição noturna entregue pelos religiosos internos, todas as noites. Não há como não deixar-se hipnotizar por aquela presença tão especial, altiva, elegante e cheia de si, ainda que em processo de extinção. Após uma noite de sono renovador, no caminho Santa Bárbara-Catas Altas, mais uma razão para buscar compreender a importância da Estrada Real, não apenas para as Minas Gerais, mas para todo o sertão brasileiro. O bicame de pedra pelo qual cruzamos se constitui em uma obra de engenharia em forma de aqueduto que, em 1792, servia ao garimpo, de onde provém o nome ‘catas’. Hoje, restam nada mais do que cento e poucos metros de tal construção, possível de visitação. Dali em diante são poucos quilômetros até Ouro Preto, onde o repouso e o conforto esperam o cicloturista excelência da Pousada Sinhá Olímpia. Se há o entendimento que o cicloturista é um consumidor que replica seu repertório de experiências variadas, tem gosto bem formado, é exigente em termos de conforto, segurança e diversidade, e se há claramente o interesse em atrair o segmento cicloturístico para o Caminho dos Diamantes, há que se realizar um forte investimento em mídia qualificada, a fim de consolidar este público. Os saberes e sabores do Caminho dos Diamantes esperam pelos cicloturistas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Ver, sentir e ser Estrada Real...Diamantes postos ao caminho para serem colhidos. por Therbio Felipe M. Cezar

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fotos by: Wladimir Togumi Instituto Estrada Real www.institutoestradareal.com.br Livraria e Espaço B Beco da Tecla, nº 31 - Diamantina (38)3531-6005 Pousada Pouso da Chica www.pousodachica.com.br - Diamantina (38) 3531-6190 Pousada Sinhá Olímpia Ouro Preto: http://www.sinhaolimpia.com.br (31) 3551- 6369 Santuário do Caraça www.santuariodocaraca.com.br (31) 3837 – 2698


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Ingredientes: Leite de vaca pasteurizado , Sal, Cloreto de Cálcio, Coalho, conservante: Lisozima de Ovo, Fermentos Lácteos.+/- 45% M.G/M.S. Conservar em local seco e fresco. CASCA NÃO COMESTIVEL Composition: Lait pasteurisé de vache, Sel, Chlorure de calcium, Présure, conservateur: Lysozyme d'oeuf, Ferments Lactiques. +/- 45% M.G/M.S. CROÛTE NON COMESTIBLE Conserver dans un endroit frais et sec Consumir de preferência antes do fim de:

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Barracão - Valverde . 3570-211 Aguiar da Beira | Tel: 232 688 294 . Fax: 232 680 155 E-mail: geral@lactoserra.pt - dep.comercial@lactoserra.pt | www.lactoserra.com


Visienses pelo mundo

Nome: António Cardoso Idade: 39 País: USA Cidade: Nova Iorque Desde: 2000

Como é que tudo começou?

Como foi a adaptação?

Após finalizar o meu curso de formação de hoteleria, trabalhei em Viseu no hotel Montebelo durante 1ano. Viseu é uma cidade formidável, que estará sempre perto de mim, mas também era o momento certo para propulcionar a minha carreira profissional, e Nova Iorque era a cidade certa para seguir esse rumo.

Os primeiros anos foram difíceis, especialmente pelo facto de ter deixado família e amigos para trás. Mas acho que isso faz parte da vida, e, consequentemente, tive a oportunidade de conhecer outras pessoas, e fazer novas amizades, o que me fez adaptar rapidamente também à cultura Nova iorquina. Pelos anos que ca estou sinto-me completamente integrado, e de certa forma um pouco Nova Iorquino.

O que te fez fazer as malas e deixar Viseu? depois da minha primeira visita a Nova Iorque fiquei deslumbrado com o dinamismo e oportunidades que a cidade oferecia. Os melhores hotéis, melhores restaurantes e chefes, e também uma variedade cultural única, tudo numa cidade! Que mais poderia desejar? Inicialmente, pensava que seria uma curta estadia, talvez 3 anos, mas com o passar do tempo fiquei atraído pela energia e complexidade que a cidade me transmitiu, e acabei por ficar.

O que fazias em Portugal? Em 1998 era cozinheiro no Hotel Montebelo.

E atualmente qual é a tua atividade profissional? Actualmente sou Chefe Executivo do Hotel Conrad em Nova Iorque.

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Quais foram as principais dificuldades ao chegar aos Estados Unidos? Acima de tudo o que mais me custou foi estar longe da família, o resto foi certamente mais fácil. A nivel profissional, consegui criar um rumo positivo desde o inicío, talvez porque já tivesse uma intuição que seria nesta cidade que ia catapultar a minha carreira e começar a minha jornada.

O que mais te surpreendeu nos Estados Unidos? Definitivamente a variedade cultural que existe e o interesse social que as pessoas têm também para querer aceitar a nossa cultura Portuguesa. Acho que esta cidade está cheia de oportunidades, e as pessoas são muitas vezes validadas não pelo estatuto social, mas meramente pelo valor e talento que possuem sendo lhes dada a oportunidade de ser bem sucedidas.


Uma música:

Pearl Jam-”Given to Fly”

Um livro:

Three cups of tea- Greg Mortensen

Um prato:

Frango assado com limão (feito pela minha Mãe)

Porque não regressaste até agora a Portugal? Definitivamente ainda não é hora, mas tenho voltado em férias, normalmente vou directamente para o Algarve, onde a minha família vive agora. Mas este ano vou a Viseu, para matar saudades. Acho também que ainda não será a altura certa para tomar essa decisão, mas num futuro breve talvez sim voltarei.

Como é que é viver nos Estados Unidos? O que mais gostas nesse país? Sendo um país enorme, em cada cidade existem caracteristicas únicas e diferenciadas, pela cultura, história, e a própria riqueza natural que eu acho formidável. Existe uma variedade incrivel de destinos para conhecer neste país, e tudo facilmente alcançável..

A realidade onde estás actualmente é bem diferente deViseu,quais são as principais diferenças? Talvez em termos de população, em Nova Iorque vivem aproximadamente 8.5 milhões de pessoas, o que por vezes me dá uma sensação de fobia. Por outro lado, sinto a falta da vida pacata, e por vezes, simples que levava em Viseu. Havia tempo para a família, para estar com os amigos, e levar a vida sem ser constantemente a 100km/hora.

Sendo os Estados Unidosl um país diversificado e tão diferente de Portugal, já tiveste oportunidade de conhecer outras cidades? Sim, estive no Arizona, Philadelphia, Chicago, Los Angeles, Miami, Florida, Hawaii e continuo a explorar novas cidades, sempre que tenho disponibilidade.

Vivo em Nova Iorque desde 2000, e na minha opinião acho que é uma das cidades mais formidáveis para viver! À parte de muitas razões, o facto, de que quase tudo está disponível e ao teu alcance, boa gastronomia, concertos, exposições, etc. Há sempre que fazer, 24 horas por dia, sem parar. Mas também por esse facto, também se torna uma das mais caras cidades para viver nos EUA, e também do mundo. É uma cidade extremamente organizada, e onde é muito fácil de circular após poucos dias de visita. Apesar de nem todos concordarem é considerada uma das cidades mais seguras e com o indice criminal mais baixo dos EUA.

O que mais gostas de fazer nos tempos livres? Gosto de ir a restaurantes e explorar novas experiências gastronómicas. Passo parte do meu tempo livre em actividades de exercício, quer seja fazer jogging no Central Park, ou mesmo aulas de Yoga no Inverno. Também assisto a concertos, e exposições artísticas no MOMA ou outros museus. Emfim, há sempre muitas opções nesta cidade!

Pretendes voltar um dia? Penso que sim, mas ainda é uma idea que têm que ser formulada por vários factores pessoais e profissionais. Neste momento ainda acho que tenho muitos objectivos a concretizar por aqui. Talvez mais uns anos e logo se verá.

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CRÓNICA POR SUSANA BORGES O meu nome é Susana Borges, 36 anos, ativista de direitos humanos e em busca desse mistério de sermos capazes de “amar incondicionalmente” e da afirmação dos direitos de todos através da não-violência e da luta pacífica. Principais referências, desde sempre, encontradas em: Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela, Aung San Suu Kyi ou Dalai Lama. Em causa estão, invariavelmente, a liberdade e a igualdade de todos no Mundo! Se fosse Florbela Espanca, diria: “Eu sou a que no mundo anda perdida, eu sou a que na vida não tem norte, sou irmã do sonho…”. A minha proposta é levarvos nesse sonho, nesse mundo idílico em que acredito. Vou levar-vos nas minhas viagens, enquanto me quiserem acompanhar. Faço missões humanitárias e viagens que vão muito além da tónica turística. Não esperem de mim dicas de viagem e muito menos de hotéis de luxo ou de spots turísticos! Esse não é o meu propósito, nem o da crónica que vos vou escrever, enquanto nos fizer sentido. Alguém anónimo terá dito que: “Travel is the only thing you buy that makes you richer”. Não podia estar mais de acordo! As minhas viagens têm muito de exploratório, de descoberta, bem ao estilo National Geographic, a que assistia em miúda, fascinada com o que existe neste Mundo que nos acolhe! Cresci a admirar todos os seres e, mais tarde, aprendi a respeitar e aceitar todos os humanos! A ordem pode parecer estranha, mas todos sabemos que, muitas vezes, é mais fácil admirar um lagarto do que amar um humano! E esse é o grande desafio da descoberta do mundo e dos humanos que o habitam. São viagens físicas, sim, mas que me vêm despertar outras viagens, as interiores, em busca do sentido da vida, da reflexão sobre as desigualdades, sobre a incompreensão e separações entre humanos. O que vos proponho é a descoberta de lugares, pessoas, culturas, religiões, cores, cheiros e sabores, cada um com a sua magia e a sua verdade, sem que se anulem ou se sobreponham. No final, acabamos por descobrir que, algures no mundo, habitam humanos como nós, em busca dessa coisa que é a felicidade! Muitas vezes, apenas um conceito ou construção social em torno de coisas que nada têm a ver com a felicidade de que todos precisamos! Por agora, transporto-vos até África, mais concretamente, até ao São Tomé e Príncipe de 2011, a minha primeira missão e o meu primeiro amor! Este texto foi escrito em 2012, ainda em “ressaca” da paixão que São Tomé me deixou, após 1 ano de vida naquele país. Foi escrito para uma outra revista e talvez hoje escrevesse de outra forma, destacasse outros aspetos, mas pareceu-me uma boa maneira de “dar à luz” esta viagem de crónicas, que vamos fazer juntos, deixando-vos com a inocência das palavras, típica do primeiro amor, embora sobre uma jornada que, mal sabia, estava apenas a começar! Mas como todas as caminhadas se fazem com o primeiro passo e como o primeiro passo nasce da vontade, da garra que há dentro de nós…venham daí conhecer as Ilhas mágicas do “Léve-Léve” e despertar para outras realidades de “Humanos Como Nós…Algures no Mundo!”

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SãoTomé - A magia da linha do equador Onde nos perdemos no e do tempo… São Tomé… Bastou-me chegar ao aeroporto, surpreendentemente designado de “Internacional”, para perceber o quanto aquela terra e aquelas “gentes” me iriam encantar pela sua genuinidade e carisma… Desço as escadas do avião e sinto-me “abraçada” por uma humidade que se entranha em mim, que me envolve desde o primeiro momento, que “primeiro se estranha, mas depois se entranha”. Quem não gosta, não vai gostar nunca, mas quem chega disponível para explorar e dar-se com abertura e simplicidade, ficará apaixonado e rendido para sempre. Venho para ficar um ano, com o intuito de trabalhar para o desenvolvimento local em algumas das comunidades mais isoladas e pobres da Ilha de São Tomé. Apesar de quase 48 horas sem descanso, o espírito de descoberta e o encanto por África não me deixam dormir. Caminho sem direção, falo com todos, porque todos falam comigo. O meu nome é “branca, branca…dá doce”, por vezes, “branca, vou casar com você”. Também sou “mulata”, “dona”, “dama” ou “tia” para os mais pequenos. Rendo-me à alegria das ruas, à música por todo lado, aos velhos táxis amarelos que buzinam como loucos, à mistura de cheiros que nos baralha, entre os bons e os maus, paradoxalmente, gosto da confusão, da desarrumação, da sujidade, do desenrasca do santomense em cada canto; do peixe fresco coberto de moscas, lado a lado com os panos africanos, dos motoqueiros que passam e param para ganhar uma corrida, das “brancas e brancos” que, como eu, deambulam pela cidade, cobertos de suor, a arrastarem-se em passo lento, já perdidos no tempo, onde o tempo deixou já de ter o mesmo significado e, sobretudo, onde deixa de exercer tanta pressão sobre nós. Terra quente, húmida, de tonalidades de verde que desconhecia existirem, terra fértil, de recantos virgens. Terra de cheiros, sabores, de musicalidade, de potencialidades inexploradas. Tudo germina e cresce em São Tomé, com a água das chuvas, o calor e as terras virgens. Terra do safú, da jaca, do mangustão, da fruta-pão que se encontra em cada jardim, no mato, na beira da estrada, dos caroceiros nas praias paradisíacas, repletas de coqueiros, onde as crianças sobem munidas do machim, brinquedo e instrumento de sobrevivência que manuseiam desde tenra idade com mestria, para derrubar e rachar os cocos, a jaca, os cachos de banana, o cacau. Da terra e do mar, emerge o alimento diário das famílias. A fome é uma realidade que não se compreende, nem se pode aceitar por aqui. Percebo, desde o primeiro momento, que as crianças são a grande riqueza e o potencial deste pequeno país. Estão por todo o lado, brincam, dançam,


lambuzam-se a chupar caroços de caja manga, metem-se com os “brancos”, pedem coisas, seja o que for, porque os brancos habituaram-nas a pedir, especialmente doces, correm atrás de nós e, sobretudo, sorriem e riem abertamente, semeiam alegria no coração de todos que por ali passam. Fazem-nos perceber que, afinal, é possível ser feliz com tão pouco, apesar das roupas rotas, dos chinelos gastos ou dos pés descalços. Têm tanto para nos ensinar, fazem-nos sentir que a vida é tão simples no “léve-léve” santomense. A cooperação para o desenvolvimento não é um conceito ou uma prática unidireccional e sempre que levamos a ajuda a outros povos e culturas, recebemos e trazemos muitos ensinamentos dessa experiência. São Tomé apresenta-se-me como um misto de culturas, de referências e de identidades, que se revelam pelo Tchiloli (folclore tradicional santomense, com um toque teatral), pelas danças tribais, o bulawé e tantos outros encantos terminados em “ê”. Terra dos já denominados “capitães de areia”, crianças que crescem com o apoio umas das outras, com rituais muito peculiares de sobrevivência e de afirmação. Meninos que se juntam para arriscar a sua sorte no mato, enfrentando todos os perigos que aí se escondem (caso da cobra preta), para assegurar o alimento diário que lhes garante a sobrevivência. O alimento das crianças é sazonal. Quando há jaca, praticamente, só comem a jaca que roubam das árvores; na época da manga, aumentam as parasitoses intestinais, porque não tiram a casca, nem lavam; na época de chupar o cacau, assaltam as plantações das roças. Não são meninos da rua, porque têm casa, família, mas são meninos da vida, que sabem o que é lutar pela vida desde que começam a dar os primeiros passos. A mortalidade infantil em São Tomé atinge, sobretudo, crianças em idade pré-escolar (0-5 anos), porque dependem ainda dos cuidados maternos. O problema é uma espécie de círculo vicioso: os homens são poligâmicos e orgulham-se de ter filhos com várias mulheres, mesmo que não tenham condições de contribuir para o sustento dos filhos; as mulheres, à imagem de “Medeia”, para se vingarem dos homens abandonam os filhos um bocadinho à sua sorte e reúnem-se para beber vinho da palma e esquecer a revolta face aos maridos que desaparecem durante semanas ou meses para irem ter com as outras mulheres/ famílias ou com as “boquitas” (espécie de amantes); as crianças veem-se obrigadas, desde muito cedo, a lutar pela

sobrevivência e, quando chegam à adolescência, reproduzem o padrão que aprenderam. O homem tem direito a várias mulheres e a procriar com todas, a mulher revolta-se e bebe e assim sucessivamente. São Tomé tem ainda um grande passo a dar no que respeita à igualdade de género. Terra dos “banhos de rio”, da beleza paisagística que ofusca e deslumbra, da sensualidade das danças com corpos suados e colados, dos cheiros a verde, mar, frutas e flores, da “dawa” fresca, do búzio do mato e do mar, do peixe com fruta, banana ou mandioca, da cacharamba e do calulu. São Tomé encerra, em si, encantos e mistérios paradoxais. Uma terra onde não se compreende que exista ainda tanta fome e desnutrição, onde a corrupção, transversal a grande parte dos países do continente africano, oferece resistência face à mudança e ao desenvolvimento socioeconómico que seria de esperar, num país que recebe tanta ajuda externa e em que cerca de 93% do orçamento de Estado é assegurado pela ajuda externa. São Tomé parece ter parado no tempo. Encontramos ainda as roças da época colonial, com as casas senhoriais e as sanzalas ocupadas pelas comunidades, tudo destruído, mas surpreendentemente belo. O tempo não parece ter passado por ali, tem uma dimensão e um valor que nós, ocidentais, industrializados, desconhecemos. Dizem-nos o tempo todo “branca, léve-léve…” e o mais surpreendente é que, passado algum tempo, que não conseguimos quantificar, prever ou controlar, apercebemo-nos que fomos “encantados” pela magia da latitude zero. A vida deixa de ser o passado que nos prendia ou o futuro que nos angustiava, o tempo é agora, por hoje “desenrasco” o que comer, por hoje sou feliz a dançar um “bulawé” entre amigos, tudo se resolve, tudo se desenrasca, este é o maior ensinamento de São Tomé. Xaué, anté mungu ê! * * Adeus, até amanhã! (Prepara a mochila para a próxima viagem…)

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Viriathvs Runners A reconversão da antiga linha do Dão para uma Ecopista, foi, ao nível da atividade física ao ar livre, marcante para a população de Viseu. Terá sido ali que a partir da primavera de 2007, milhares de pessoas deram as primeiras corridas e pedaladas a céu aberto, algumas após anos de interregno devido à vida sedentária entretanto instalada. Vai daí que, uns, não resignados com este marasmo, e outros, pretendendo alternar a frequência regular em ginásios, com a ajuda das redes sociais, travaram conhecimento entre si, e, desde os primeiros contatos virtuais até à marcação de treinos, o tempo que mediou foi curto, tal era a vontade de juntar vários corredores em comunhão de interesses. E foi assim que, no final de 2014, com 25 pessoas presentes no primeiro treino, surgiu o grupo Viriathvs Runners – Viseu, um grupo aberto a todos os amantes da corrida. Os nossos treinos, que atualmente reúnem um grupo eclético, foram fixados bissemanalmente para a 4.ªs e 6.ªs-feira, com percurso de caminhada, corrida intermédia e corrida principal, com cerca de 5km, 8km e 10km, respectivamente, em que juntamos terrenos mais planos a terrenos mais desnivelados. Os percursos variam semanalmente, bem como o ponto de encontro. Com início às 19h30, duram cerca de 1 hora e o local de encontro é para já, no Fontelo, um espaço verde com estacionamento público e que convida à prática desportiva. Constituído por cerca de 120 membros, sendo um terço praticantes assíduos de há pelo menos um ano, entregam ao atletismo local e regional, a sua alegria e dedicação. Olhando para trás e fazendo uma retrospetiva dos últimos seis meses do grupo, sentimo-nos orgulhosos por contribuir para o bem-estar físico e psicológico dos nossos participantes, estamos extremamente contentes pela evolução e pelo aumento gradual do número de participantes que esperamos que continue a aumentar cada vez mais. O nosso objetivo é, mais do que correr, ajudar as pessoas a largar o sedentarismo e motivá-las todos os dias, em todos os treinos a fazer mais e melhor, a adquirir a paixão pela corrida, a paixão pelo convívio em grupo aliado ao desporto. Com um calendário de provas já definido até ao final de 2015 e para o 1.º semestre de 2015, é fácil reparar nas camisolas com o símbolo dos Viriathvs Runners, que frequentemente compõem o pelotão das muitas S. Silvestres, Meias-maratonas, Maratonas, Trails runnings e outros eventos organizados em território nacional e fora dele. Assim, com o lema “Viseu, a melhor cidade para correr”, e um logótipo que recebeu inspiração do escudo do herói Lusitano ‘Viriato’, este Clube, com as pessoas que o constituem, o seu querer, o seu empreendedorismo e solidariedade, julga que, dentro das próprias limitações, irá contribuir para a prática e promoção do desporto na Cidade de Viseu, uma cidade de corredores e tal como diz o lema dos Viriathvs “ A melhor cidade para Correr”. Acho que o essencial que poderemos dizer acerca dos membros dos Viriathvs e aquilo que nos dá maior satisfação é ver semana após semana, mês após mês e prova após prova, os progressos de cada um individualmente. As suas conquistas e a partilha com o grupo. É muito gratificante o reconhecimento de cada um dos elementos do grupo ao afirmarem que essa superação só foi possível graças ao grupo e à motivação que nele se gera. Não é raro ouvirmos dizer, a cada um deles: “Sem os Viriathvs e sem o apoio do grupo nunca teria conseguido alcançar determinado objectivo “. Basta constatar que neste momento, quase todas as pessoas que integram o grupo há mais de 6 meses, já participaram em competicões a nível nacional e alguns até a nível internacional.

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As Histórias Sensoriais da APPACDM deViseu A historia sensorial tem como objetivo: explorar uma história através de objetos, materiais e sons que permitam a estimulação dos cinco sentidos. Em 2012 a história do Patinho Paf (uma história criada pelos alunos da Escola de Ensino Especial e depois publicada em livro) foi adaptada para história sensorial, inicialmente apresentada aos clientes da organização e posteriormente, em 2013, trabalhada em pequenos ateliers com bebés e crianças, na comunidade. Cantar a canção do patinho Paf, sentir a textura do fantoche (pato Paf), cumprimentar o tio Manuel da quinta, manipular o pau da chuva e ouvir o som... . Estas e outras ações conseguem intensificar a vivência da historia e torná-la mais acessível para todos. Em 2014 surgiu a criação de uma nova história sensorial, tendo como público-alvo inicial os clientes do Lar Residencial da APPACDM de Viseu. Alguns estímulos visuais e as vivências dos elementos do grupo deram origem a uma nova história, denominada “O sonho do Pavarrotti” que depois foi adaptada para historia sensorial. Todos os materiais alusivos, bem como o livro foram construidos pelos colaboradores e clientes. Estes, além de serem público, são também intervenientes na apresentação e desenvolvimento da história. Assim e após análise dos resultados, decidiu-se avançar com este projeto para crianças em idade pré-escolar. As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de um jeito próprio. Os conhecimentos são construídos a partir das interações que estabelecem com outras pessoas e com o meio em que vivem. As memórias são criadas a partir de atividades rotineiras. Mas, o aprender não é somente memorizar informações, para tal é preciso saber relacioná-las e refletir sobre elas. O corpo oferece elementos para a construção do indivíduo enquanto ser pensante, afetivo e social capaz de reconhecer-se na coletividade. Reforçar a consciência do corpo por meio da exploração do mundo, através de estímulo das perceções da visão, tato, audição, olfato e até do gosto/paladar. As propostas contidas no projeto  histórias sensoriais fazem tudo isto, ajudando a desenvolver e explorar o imaginário da criança. Pelo menos tem sido este o feedback das crianças e educadoras por onde a nossa história sensorial, “O Pato Paf” tem passado. Já contamos com cerca 14 escolas num total de cerca de 438 crianças. As atividades do projeto foram trabalhadas de modo significativo para que as crianças possam manusear diversos utensílios estimulando sempre a curiosidade e atenção da criança. Além de aguçar os sentidos, é atribuir significado às sensações, sentimentos e imaginação; sendo trabalhadas de forma integrada, a perceção, a intuição e a cognição, proporcionando o desenvolvimento continuo da capacidade criativa da criança. O processo foi desenvolvido através de diferentes atividades de interpretação e investigação, pesquisas, experiências e observações, onde os alunos demonstraram curiosidade. As crianças são seres ativos nas suas aprendizagens, observando, participando, interagindo com os materiais, lógica dos sons e texturas dos objetos. O presente projeto aborda a importância do estímulo dos sentidos sensoriais na aprendizagem como parte fundamental do desenvolvimento da criança de creche e/ou infantário com base em atividades realizadas no desenrolar da história. Tem-se como objetivo evidenciar a importância da utilização do tato, da visão e da audição no envolvimento com o mundo e na descoberta do individuo como ser único e subjetivo na construção de experiências através da perceção com os sentidos . Para tanto, se abordará a importância dos sentidos sensoriais do corpo no processo de ensino-aprendizagem, através da influencia do lúdico e da prática cientifica na construção cognitiva na consciência de mundo e individual pelo uso dos sentidos.

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A Publicidade Emagrece .....!!! Chegou o Verão e com ele a loucura das dietas. Todos os anos, por esta época, somos invadidos pela informação publicitária com a promessa de emagrecer sem sacrifício. O facilitismo invadiu-nos em todos os ramos da sociedade até mesmo na saúde e as dietas são as mais influenciáveis porque todas as pessoas querem emagrecer de forma milagrosa. A expressão mais utilizada neste mundo das dietas é: “ Saiba como emagrecer sem sacrifícios.” Só a publicidade consegue ludibriar os mais incautos..... Porquê?? Porque, na verdade, a publicidade dá o primeiro passo, a motivação para começar. Quando um indivíduo se propõe a fazer dieta, começa sempre por algo que o motive, que seja rápido e eficaz, ora estas promessas só a publicidade sem rosto de um profissional o consegue. Vejamos um exemplo concreto: o que lhe parece uma “Coca-Cola Light” ??? uma bebida sem cafeína, sem gás, sem açúcar e cheia de adoçante artificial.... e uma maionese Light ??? e melhor, “Batata Frita Light” ??? sabe que a tradução da palavra Light é leve, logo, a publicidade não está a enganar o consumidor, nós é que padronizamos a palavra Light para dietas de emagrecimento ou para alimentos saudáveis o que é um enorme erro. Como estas expressões temos os produtos alimentares “marketirizados”: Corpos Danone, Linha Zero, etc. A finalidade do marketing é criar valor e satisfação no cliente, gerindo relacionamentos lucrativos para ambas as partes. A publicidade é a divulgação de produtos, serviços e ideias junto ao público, tendo em vista induzi-lo a uma atitude dinâmica favorável. Em sentido estrito, tem um caráter comercial é, então, um conjunto de meios adotados para levar o produto ou serviço ao consumidor. Saiba interpretar aquilo que consome e não pague a publicidade na tentativa de ser mais saudável e de emagrecer. Voltando a tentativa de emagrecimento, a última coisa que uma pessoa que inicia dieta quer ouvir é dificuldades, sacrifícios, mudanças de hábitos alimentares, exercício físico, beber 1,5 de água, tudo o que na verdade faz com que se perca peso e depois se consiga a manutenção do mesmo. Depois de gastar o dinheiro na publicidade inicia-se o regime alimentar, o aumento do consumo da água e faz-se exercício físico. Continuam os meses de Verão e continua a dieta, porque o corpo está exposto e há objetivos próximos. Chega o Outono. Os dias arrefecem, pedem um casaco e chegam as uvas, as castanhas, mais tarde as restantes iguarias do Inverno,... Logo, a dieta fica para o ano seguinte e tudo volta ao normal. Passam assim 8 meses a comer sem preocupação, a água a reduzir e como está frio para caminhadas, cessa o exercício.

Por todos estes motivos, chega-se à conclusão de que a publicidade emagrece, porque desperta o facilitismo para o verão. Mas todos se esquecem que o ser humano não é um iô-iô e de que todas as tentativas fracassadas, fazem com que cada ano que passa, juntamente com a idade, o objetivo fique cada vez mais distante Sinta motivação sempre, pela sua saúde. Não faça da dieta um período de Verão com o incentivo da publicidade, com isso só consegue uma enorme frustração, gastos desnecessários e um corpo frágil e com muita facilidade em engordar. Qualquer pessoa consegue emagrecer o difícil é a manutenção do peso, e isso só se consegue com muita motivação e força de vontade. A publicidade não pode substituir a inteligência emocional. por Eunice Silva Nutricionista

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Motores

David Brites Como começou o teu gosto pelas corridas de automóveis e em especial pelos rallyes? o teu pai? família? Sem dúvida que o facto de ter acompanhado desde sempre o meu Pai na sua carreira, desde o Rallicross aos Ralis, fez com quem ganhasse um gosto especial e um enorme carinho pela modalidade. Desde muito novo que conheço o ambiente, habituei-me a andar dentro e fora do carro. Tive muita sorte em poder acompanhá-lo, é um grande exemplo para mim, em tudo, Ralis inclusive! Quais as principais dificuldades na angariação de apoios? O facto de viveres numa cidade do interior dificulta mais essa acção? Viver no interior é claramente redutor, pois não só a quantidade, como a dimensão das empresas é inferior aos grandes centros. Como consegues conciliar os estudos/trabalho com as provas? Não sobra muito tempo, trabalhar, estudar e fazer Ralis, ocupa a “agenda” toda mas também não é tão dificil quanto parece. Com força de vontade tudo se faz, e tento fazer tudo bem feito, sempre. Neste momento, como te está a correr o campeonato e que planos delineaste? Estamos em segundo lugar do Campeonato Nacional de Ralis Iniciados, a apenas um ponto do primeiro classificado, embora ainda não tenhamos conseguido fazer um Rali “limpo”, tenho aprendido bastante, pelo que considero que está a correr bem. Os planos que traçámos desde o início passam por tentar acabar todas as provas, pois somar pontos é muito importante, e para ganhar, primeiro é preciso acabar! Mas logicamente quero sempre fazer mais e melhor.

Que viatura estás a utilizar eque tipo de preparação tem? Também interferes na preparação/manutenção? O carro é um Peugeot 206 GTI, um Grupo A, feito a pensar na competição,começando logo pelo chassi. Não é um carro da última geração mas garante uma excelente performance! Sim, faço de tudo um pouco no carro, é preciso despender muito tempo na manutenção do carro, e para isso somos também apoiados pelos nossos parceiros. Como foi o teu início de carreira e que projectos tens para o futuro? Onde gostarias de chegar? Iniciei-me em 2012, fiz alguns Ralis Sprints perto de casa com um Peugeot 205 mi16. Por agora estou focado no meu atual projeto, espero conseguir abrir algumas “portas” apos este ano! Até onde gostava de chegar? Bem, tenho muita vontade, de ir... o mais longe possível.

Com a vinda do Rally de Portugal para o norte do país, achas que Viseu tem condições para o receber brevemente? Sem dúvida que temos condições, e muitos adeptos deste desporto em Viseu, seria fantástico ter o Rally de Portugal em “casa”. por João Pedro Pinto

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Design de Objectos Um Saca-rolhas do País do Sol Nascente Por Lopo de Castilho

É indiscutível o peso que o Japão, especialmente a partir da segunda metade do século XX, tem tido em termos de produção industrial. Consequentemente, em matéria de Desenho de producto, ou se preferirem, em termos de Design, tem marcado de forma indelével, o nosso quotidiano. Basta olharmos à nossa volta para constatarmos quanto a cultura material que nos rodeia, está repleta dos mais variados objectos provenientes do arquipélago nipónico. Sejam eles electrodomésticos, computadores, máquinas fotográficas, automóveis, ou outros objectos, eles estão um pouco por todo o lado. Todavia, quando se trata de objectos Vínicos, mais concretamente de saca-rolhas, serão certamente poucos os leitores que pensarão no Japão… Com efeito, quando se pensa na culinária deste país e nas suas bebidas, é normal pensar-se em chá, e em saquê, mas muito poucos pensarão em vinho, e menos ainda em Saca-rolhas… E todavia foi a Portugal coube a honra da introdução do Vinho no Japão! Sim, para além do Reino de Portugal ter sido a primeira nação europeia a estabelecer relações, com esse distante País do Oriente, em meados do século XVI, foi também com as nossas Naus, que o vinho chegou, ao Japão; Vinho de Portugal! Nessa época o vinho era transportado em tonéis, que iam de Portugal e era frequente ser oferecido como presente aos senhores feudais japoneses que muito o apreciavam. Entre eles, Vinho Moscatel, pois sendo um vinho fortificado, isto é ao qual foi adicionada aguardente, estava mais apto a resistir a essa interminável viagem, sem se adulterar pelo caminho. Viviam-se então tempos conturbados no Japão, que tentava passar de uma nação feudal fragmentada, para um reino com um poder centralizado. Essas lutas internas, aliadas a fortes intransigências religiosas locais, que temiam a influência crescente do Cristianismo, difundido pelos nossos missionários, foram gradualmente dificultando o comércio com o Japão. E assim, pouco mais de cinquenta anos passados do desembarque de São Francisco Xavier no Japão, em 1549, o catolicismo que aí conhecera uma rápida e intensa propagação, encontrava-se sobe crescentes ameaças. E as nossas Naus foram tendo que reduzir as suas idas a essas paragens. A título de curiosidade, mencionamos ainda que 1º vinho a ser produzido no Japão, devido às dificuldades crescentes no comércio entre este País e resto do mundo, terá sido feito por missionários lusos, em 1610, por ordem do bispo português D. Luís de Cerqueira. Poucas décadas depois, o Japão fecharia os seus portos ao mundo, isolando-se dele, por mais de dois séculos! Estes, só se voltariam a abrir, por pressão militar americana, em 1853. Desde então o Japão procurou recuperar rapidamente o seu atraso tecnológico, face às nações ocidentais, industrializan-

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do-se maciçamente. Em simultâneo, renasceu também o interesse pelo vinho e pela sua cultura. Contudo, devido às dificuldades que o cultivo da vinha apresenta neste país, por as suas condições climatéricas serem pouco favoráveis à viticultura, a produção de vinho deste país é até hoje relativamente residual. Mas regressemos à indústria, e ao Desenho Industrial. Com a abertura do Japão ao mundo, neste país procurou-se copiar um pouco do que melhor se fazia nos países mais desenvolvidos. Assim, entre 1885 e 1890, estabeleceu-se um sistema de patentes industriais; neste, a primeira referência ao registo de uma patente para um saca-rolhas data de 1901. Todavia, durante a 1ª metade do século XX, a indústria japonesa procurou, mais do que a originalidade, copiar modelos ocidentais, os quais se limitava, quando muito, a aperfeiçoar ligeiramente. Mas no pós segunda grande guerra mundial, depois uma terrível derrota militar, o Japão ambicionava renascer. E para tal, sabia que só podia contar com a extraordinária capacidade dos seus artífices e industriais. Mas, se queriam valorizar a sua produção industrial, era fundamental que esta não se limitasse a imitar o que se fazia no ocidente. Por isso, procuraram desenvolver e valorizar a criatividade e o Design de excelência. Assim, em 1957, o ministério da Industria e do comércio externo Japonês, lançou um prémio de Design, como objectivo principal ajudar na reconstrução da indústria japonesa do pós-guerra, através do incentivo à criação de produtos mais competitivos. É esta a origem dos “Good Design Award” - em Japonês – actualmente um dos prémios de Design de maior reputação mundial. Para ter uma ideia da sua importância, basta mencionar que, anualmente, mais 1000 empresas e designers submetem candidaturas a este prémio! Mitsunobu Hagino, arquitecto, designer e empresário, autor do saca-rolhas de que vamos falar, já foi por diversas vezes nomeado para este prestigioso prémio. E a colecção de acessórios de cozinha de que o mesmo faz parte, FD STYLE - Kitchen gadgets-, também recebeu essa distinção em 2009 (prémio nº 09B03026).


“Desenvolvimento de um Projecto: 1º passo - Conceito ; 2ºpasso - Variantes; 3º passo - Aperfeiçoamento ; 4º passo - Produção em massa”

Nascido em 1965, em Kurosaki-machi, Niigata, Hagino sente uma profunda ligação com a sua região de origem, onde existe uma tradição de indústria metalomecânica de excelência. Com o objectivo de valorizar o trabalho de toda essa indústria, de média e pequena dimensão, e o saber dos seus operários, criou em 1999 a empresa FD STYLE. Tal como o Design que concebe, a sua visão empresarial visa uma produção sustentável, assente na excelência e na preservação de saberes ancestrais. Por isso este seu projecto assenta numa estreita colaboração com pequenas e médias empresas locais; Estas tornam-se assim menos dependente de subcontratos de fornecimento, para os grandes grupos industriais. Esta proximidade permite ao Designer uma supervisão e diálogo constante com as pequenas e médias empresas que produzem os fantásticos utensílios de cozinha da FD STYLE. A qualquer momento, numa base diária, não só visita as fábricas e oficinas onde estes são produzidos, mas também os próprios fornecedores de metal. Desta forma pretende, não só que se preservem saberes ancestrais do trabalho dos metais, mas também que os objectos que concebe e desenha, venham a ter uma vida útil bastante longa. O seu objectivo é conceber objectos de tal modo intemporais que, daqui a 20 ou 30 anos, ainda continuem a ser fabricados. A julgar pelo Saca-rolhas, objecto que mais directamente nos diz respeito, não duvidados que tal venha a suceder! Este excepcional saca-rolhas, nascido em 2008, pauta-se efectivamente por uma primorosa qualidade de fabrico. O Saca-rolhas OWL – é este o nome da peça- , tal como as demais “ferramentas” desta serie de objectos de cozinha, todos em aço inoxidável, são ainda revestidos por uma tinta époxica mate. Esta, para além de lhe conferir uma protecção extra contra a ferrugem, facilita a sua limpeza, bem como, confere a este utensilio um maior conforto de utilização. Sem dúvida alguma estamos perante um Design com um certo estilo japonês; O saca-rolhas não se aparenta a uma espada de Samurai, mas ainda assim tem um vincado estilo masculino, elegante e discreto; Discreto, quando fechado, pois uma vez aberto, tal como se abre uma navalha “borboleta”, revela-se uma espiral, tão original, como todo o conjunto; a partir desse momento, nenhum enófilo lhe ficará indiferente.

Antes de terminar este artigo, não poderíamos deixar de agradecer a amabilidade do Sr. Hagino, que enviou, desde o Japão, não só um exemplar deste fantástico saca-rolhas, mas também protótipos e desenhos do mesmo. Sem dúvida alguma um espólio único a enriquecer ainda mais o Museu do Saca-rolhas! geral@museudosacarolhas.com www.musedosacarolhas.com www.facebook.com/museu.dosacarolhas www.facebook.com/sacarolhas.mor pt.pinterest.com/MuseuSacaRolhas

Esta singular espiral, apresenta um original espigão central, que visa facilitar o centrar da espiral, quando se perfura a rolha. Mas, antes disso, entreabrindo apenas ligeiramente o cabo, este tem em cada metade do mesmo, uma meia circunferência, que lhe permite cortar qualquer cápsula, que proteja o gargalo da garrafa que se pretende abrir… Vê-se que é uma peça pensada em todos os seus detalhes. Quanto a extrair rolhas, as duas pernas de apoio de que este saca-rolhas dispõe, que só se revelam quando abrimos o saca-rolhas, permitem extrair qualquer rolha sem dificuldades de maior. Pela nossa experiência com este saca-rolhas, estamos em crer que a aspiração desta empresa nipónica e do seu Designer, de criar objectos em que os seus clientes possam confiar sempre, longe de ser uma panaceia, é uma realidade.

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Académico de Viseu

Sócio num Clique O Académico de Viseu tem já em marcha uma nova campanha para angariação de sócios, uma das novidades é a adesão online. Todos os interessados podem fazer a adesão através da página oficial do clube (www.academicodeviseufc.com) e são várias as modalidades à escolha. Para esta nova época desportiva, o clube está a criar várias parcerias com diversas empresas para oferecer novas vantagens aos associados. Assim sendo, para esta época estão disponíveis novas modalidades: Sócio Cativo (já existente) e Sócio Não-Cativo. O Cativo paga uma anuidade, tem direito a entrada em todos os jogos da 2ª Liga no Estádio do Fontelo e vantagens a anunciar. O Não-Cativo paga também uma anuidade, tem desconto em bilheteira nos jogos da 2ª Liga no Estádio do Fontelo e também vantagens a anunciar. Nesta nova modalidade de sócio há 3 categorias diferentes: Adulto, Estudante e Correspondente. Local

Não Sócio

Sócio

Central Coberta

12€

8€

Laterais

8€

6€

Central Descoberta

6€

4€

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Pertencer à “família academista” é, desde ontem, mais fácil. O Académico de Viseu lançou uma nova campanha para associados e das novidades faz parte a adesão online. Através do site oficial do clube todos os interessados podem fazer a adesão e, este ano, com novas modalidades. Com o objetivo de mostrar que “ser sócio compensa”, como sublinharam os responsáveis pelo departamento de marketing do clube, o Académico está a criar várias parcerias que vão possibilitar aos sócios um conjunto de descontos, em diversas empresas. Mas, antes das vantagens, é preciso aderir. Para a nova época estão disponíveis duas modalidades: sócio cativo, que já existia e sócio não cativo. O sócio cativo continua a pagar uma anuidade, a ter direito a assistir a todos os jogos da Segunda Liga e a usufruir dos descontos com as empresas parceiras. O sócio não cativo paga uma anuidade, não terá acesso livre aos jogos mas sim um desconto no valor dos bilhetes – bancada central passa de 12 para 9 euros, laterais de 8 para 6 euros e central descoberta de 6 para 4 euros. Nesta nova modalidade existem três categorias: adulto (35 euros), estudante (25 euros) e correspondente (20 euros). Este modelo de sócio terá também acesso aos restantes descontos com as empresas parceiras. Para já, segundo os responsáveis, estão fechados protocolos com a Visabeira, Luzboa (com tarifários para sócios do Académico) e Meo (descontos para novas adesões). Ao longo do ano vão ser anunciadas novas parcerias.

“Criar vantagens aos associados e mostrar que ser sócio compensa” é o grande objetivo desta nova campanha e, para os responsáveis, “qualquer uma das modalidades traz benefícios”. Quanto ao aumento dos preços, nos sócios cativos, frisaram que “não são significativos” e que surgem para poder criar mais condições aos associados. Segundo os responsáveis, os camarotes, por exemplo, poderão passar a ter serviço de bar, entregue no local, assim como comida a ser vendida nas bancadas. “Não queremos apenas que se façam sócios, queremos que se juntem ao clube e que tenham condições”, sublinharam. Nas modalidades de associados foi ainda reativada a de sócio atleta que terá uma anuidade de 17,50 euros, para todos os atletas do clube, nas diferentes modalidades. Também este tipo de sócio terá acesso aos vários descontos nas empresas parceiras. Com esta nova campanha para associados o clube quer “aumentar a família academista”, que perdeu sócios na última época e “unir, cada vez mais, a cidade ao clube”. Para se ser sócio do Académico basta ir ao site oficial e preencher o formulário ou dirigir-se à sede do clube, no Estádio Municipal do Fontelo, de segunda a sexta, das 9h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00. E, brevemente, na loja do Académico, no Palácio do Gelo.


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Feirar está-nos no sangue!

por Jorge Sobrado

Só uma grande marca atravessa o tempo e vive 623 anos! Só uma grande marca se inscreve de forma tão sanguínea numa comunidade! Só uma grande marca convoca tantos afetos, tantos imaginários e até controvérsias. A Feira de São Mateus está de volta e a pôr-se, outra vez, mais bonita e mais atrativa. De 7 de agosto a 13 de setembro, feiramos juntos!

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“Feirar está-nos no sangue” é, em 2015, o lema deste grande evento popular, cultural e económico, que transforma Viseu todos os anos e torna a cidade o destino de centenas de milhares de visitantes e de tantos reencontros. Este ano, há muitas novidades na Feira de São Mateus e uma nova atitude na sua comunicação. Novidades que assentam num projeto de revitalização do certame. Comunicação que abre as portas a outras experiências e a novas memórias. Um novo palco ganhará raízes no espelho de água do Pavia e coloca o público de frente para o skyline do Centro Histórico; Rasgaremos uma nova avenida que fará recordar o antigo Picadeiro;

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“Feirar está-nos no sangue” é um lema de uma identidade coletiva que diferencia a Feira de São Mateus e os viseenses. É um lema que interpela visitantes e turistas e torna a experiência da descoberta magnética. Como sempre em Viseu, desde há quase dois anos, são os viseenses os protagonistas das nossas imagens. Os braços e mãos que utilizamos nas imagens são de viseenses e amigos de Viseu, de várias gerações.

A iluminação de pórticos e avenidas honrará o imaginário de luz das grandes feiras; Assistiremos a mais e melhores concertos, para todos os gostos e públicos, em particular jovens; Viveremos com maior intensidade o herói mítico de Viseu, o Viriato, na celebração do seu Dia; Partilharemos conjuntamente um regresso à nossa memória coletiva, no primeiro inventário participativo de Viseu; E na imagem apresentamos uma nova atitude!

Outras novidades da edição de 2015:

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Mas a nova atitude é também de humor!

Os bilhetes poderão, pela primeira vez, ser comprados online através da Blueticket e da rede de “lugares habituais”. Temos uma APP da Feira para estarmos em todos os smartphones e lançamos a “FSM TV”, um canal corporativo da Feira no MEO Kanal.

Para quem gosta de dizer mal da Feira, há boas propostas. Num saco de boxe que esteve na apresentação da Feira, poderá descarregar as suas frustrações e… começar de novo!

A sinalética de orientação para todos os visitantes será renovada e reforçada. - São 38 dias de festa – de 7 de agosto a 13 de setembro – e 22 deles são de entrada gratuita. Os restantes têm preços de 2,5€, 5€ ou 7,5€. Há um bilhete geral, pack especiais de fim-desemana e descontos para famílias, idosos, portadores de deficiência e jovens.

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Feirar está-nos no sangue!

Feirar à lupa Edição nº623 (sem interrupções). 850 mil entradas, 330 mil visitantes (em 2014). 300 expositores. 50 mil metros quadrados de animação e experiências. 9 mil metros quadrados de diversões. 50 concertos. 30 tascas e restaurantes. 50% dos visitantes são turistas ou de fora (em 2014). 200 postos de trabalho diretos criados. 88% dos visitantes avaliam a Feira como “Boa”, “Muito Boa” ou “Excelente”.

Saiba tudo em

www.feirasaomateus.pt www.facebook.com/feirasaomateusviseu

apresentação da Feira, com concerto dos Madame Limousine junto da estátua de Viriato

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Edição Agosto 2015

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