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STUDIOBOX . JUL . AGO . SET . 2014 DIREÇÃO E EDIÇÃO . Bruno Esteves DESIGN GRÁFICO . Cláudia Antunes REDAÇÃO . Studiobox IMPRESSÃO . Eden Gráfico

por CLÁUDIA ANTUNES

Há malas de cartão E malas de mão; Há malas de avião E malas cheias de paixão! Há mais malas na vida de cada um de nós do que imaginamos! Desde bem cedo, logo na maternidade, a mamã tem que preparar a malinha com algumas roupas. A seguir, todos os dias pedem uma mala para isto, aquilo e algo ainda mais! Depois elas vão mudando de cor, formato e destino, numa relação mais ou menos explícita de significados e sentimentos! Existem malas de estudantes E aquelas que não passam das estantes; As primeiras vão cheias de sonho e energia, As segundas são resultado de insónia e muita magia. Outrora havia aquela especial Que continha a riqueza só para o tal; Era a mala do enxoval, Que transportava uma liberdade ideal! Hoje a liberdade é mais sensual, E tem um uso mais real; A tal riqueza passou de preciosidade a simplicidade E a nova mala ganhou mais confiança e autoridade! Qual dessas malas a melhor? Não será nem uma nem outra: Passou-se de uma mala recatada e inferior Para uma mala muitas vezes pedante a rigor! Continuam a fazer-se aquelas malas, Que existem porque tem de ser; Antes pertenciam aos que queriam sobreviver, Hoje aos que querem crescer!

O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO NÃO FOI USADO EM TODOS OS ARTIGOS. A SUA UTILIZAÇÃO FICOU AO CRITÉRIO DOS AUTORES QUE REDIGIRAM OS TEXTOS.

Há malas só com a escova para os dentes lavar, Carregadas de grande responsabilidade; Há outras que contém mais do que muitos num lar, Mas vazias de vivências e emotividade! Das sacolas às malas de alta costura, algumas são para um dia, quase sem pensar, outras para a vida, com caminhos e decisões definidas. À partida, essas malas podem ser feitas e refeitas ao sabor da nossa vontade, da nossa disponibilidade, da nossa necessidade. Contudo, os condicionantes sociais, económicos, familiares e até as modas de ocasião podem arrefecer ou alterar esses desejos. Não podemos parar de as fazer Ou pelo menos deixar de as querer; Cada mala pode levar à mudança Ou à simples andança! A studiobox é uma mala, pequena é certo, mas tão cheia de emoções e sensações! É a nova edição, que vais querer pegar para viajar ao sabor da tua imaginação! Boa viagem!! :)

COLABORAÇÕES/AGRADECIMENTOS ESPECIAIS Adão Ramos, Alexandre Albuquerque, Alexandre Alves, André Aparício, Bernardo Mota Veiga, Bruno Esteves, Bruno Luís Cardoso de Melo, Carla Almeida, Daniel Garcia, Diogo David Pereira, Feliciano Nuno Bastiana Angélico, Fernando Alvim, Grupo Alma, Hugo Macedo, Lopo de Castilho, Luís Leitão, Mauriane Luiz, Marco Santos, João Moreira, Jorge Amaral, José Cruzio, Patrícia Belo, Patrícia Dias, Pedro Morais Leitão, Rui Cabral, Rui Magalhães, Rui Rodrigues Dos Santos, Sílvia Mitev, Susana Andrade, Tiago Froufe Costa, Tiago de Paula, Therbio Felipe M. Cezar DISTRIBUIÇÃO . Studiobox ADMINISTRAÇÃO | PROPRIEDADE . Studiobox - Publicidade e Gestão de Meios, Unipessoal, Lda., Rua Alexandre Herculano, nº 291 R/C, 3510-038 Viseu DEPÓSITO LEGAL . 224690/05 CONTACTO PARA PUBLICIDADE . geral@studiobox.pt 232 435 131 CAPA E EDITORIAL: Fotografia de Nuno Brito, Com Sílvia Mitev.


MAR SALGADO LAR A NOSSA CASA AGORA É FLUTUANTE por MAURIANE LUIZ

Logo depois que começamos a nossa história de amor, decidimos que o nosso futuro seria a bordo de um veleiro e que, com ele, viajaríamos ao redor do mundo, fazendo do nosso estilo de vida o trampolim para ver e aprender cada dia mais. Tem muita história na nossa vida antes do mar... vida normal, como a de qualquer um, ou seja, no corre-corre do dia a dia da cidade grande. Luiz, filho de um pescador de sardinha, se formou em processamento de dados e era empresário na área de recursos humanos em Joinville, SC. Sempre viveu com um pé, quando não com os dois, molhado pela água salgada, ou seja, perto do mar. Mauriane nasceu muito longe do mar, mas quando o conheceu, ficou fascinada. Nos conhecemos em Joinville, quando Luiz precisou de um tratamento dentário e decidiu faze-lo com Mauriane. Muitos anos mais tarde, num restaurante pé na areia, nos encontramos novamente e, enamorados, decidimos transformar o nosso estilo de vida...

Foi ao por do sol do dia 07 de novembro de 2012 que, definitivamente, soltamos as nossas amarras da vida normal da terra, para viver a vida nada normal com a qual sonhamos durante muito tempo. Sonhamos esse sonho juntos e, por isso, não medimos esforços para torná-lo realidade.

Nos mudamos para Roma, na Itália, buscando a cidadania italiana da Mauriane. E depois de cinco longos anos de correria e muito trabalho, compramos o tão sonhado barco: um Lagoon 380, que batizamos “Cascalho”, uma homenagem ao cantinho do mundo onde a nossa história de amor começou: uma praia de pedras, lá em Penha, Santa Catarina.

Sempre gostamos muito de viajar. Viajar pelo mundo, conhecer novos lugares, novas pessoas e novas culturas, interagir com o universo recém-descoberto e fazer dele parte da nossa vida. Para isso, era necessário viajar não como um simples turista. Não com um roteiro específico e quase que imutável. Mas ter toda a liberdade do mundo para ficar tanto tempo quanto se queira num mesmo lugar... se tiver bom, ficar mais e mais. Se não, arrumar as malas e seguir para o próximo destino.

O sonho se tornou realidade e a vida passou a ser regida pelos grandes elementos da natureza.

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Adaptar-se a nova vida no mar, no início, foi muito difícil. Nos mudamos para o barco apenas dois dias antes de soltarmos as amarras em Roma e tínhamos 6 mil milhas náuticas pela frente. Nosso objetivo era chegar à Santa Catarina a tempo para o Natal. Tínhamos menos de dois meses. Era muita coisa nova ao mesmo tempo. Longas navegações, dias e dias no mar, e olhos bem abertos dia e noite. Não conseguimos chegar, nem no Natal e nem no Ano Novo. Levamos 60 dias para chegar ao nosso porto, Armação do Itapocoroy, em Penha, SC. Foi só no dia 5 de janeiro de 2013 que lançamos a nossa âncora na frente da nossa antiga casa. Nesses dois meses, definitivamente abrimos a nossa mente para o que é a vida no mar... ondas grandes, ventos, tempestades... mar calmo e espelhado, magníficos espetáculos do sol e da lua ao nascer e ao se por, o vento e a chuva. Depois de cada navegação, os encontros no próximo porto: a receptividade dos locais e a confraternização com outros

velejadores. Impagável. Como existem sorrisos e solidariedade nesta sociedade alternativa. Sentíamos que tínhamos feito a escolha certa. Da antiga vida em terra, seja no Brasil ou na Itália, sentimos falta dos nossos familiares e dos nossos amigos. Nada substitui o calor da nossa família. Amigos, vamos colecionando pelos quatro cantos do mundo. Mas os velhos e bons amigos, nunca saem do nosso coração. O bom é que, todos agora têm a possibilidade de férias diferentes onde quer que estejamos. A vida do mar nos fez descobrir um outro mundo, um outro ritmo de vida ao qual não estávamos habituados. Aqui, não há a competitividade que sempre se faz presente no dia a dia da cidade e, a agressividade, é considerada um produto sem valor. Encontramos neste mundo um espírito de solidariedade inigualável entre os velejadores, onde o bem é amplamente divulgado para que todos usufruam e, o mal também, para que todos o evitem. Fazer o bem dá mais prazer a quem o faz, do que a quem o recebe. Tudo pelo simples prazer de ajudar. Estamos sempre em casa. E levamos a nossa casa para onde quer que a gente vá. Nosso barco é a nossa base, membro da nossa família e também o nosso lar. Uma das grandes vantagens de viver no mar é que não precisamos programar a nossa viagem e esperar pelas férias. Somos turistas profissionais. O mar é a nossa piscina e as ilhas são o nosso quintal. E porque este estilo de vida é muito mais maravilhoso do que poderíamos ter imaginado, compartilhamos as nossas experiências abrindo as portas da nossa casa a quem quiser conhecer e saborear como é viver a vida a bordo de uma casa flutuante, ao sabor do vento, pelos Mares do Caribe, pulando de ilha em ilha. Conhecendo lugares paradisíacos, convivendo de perto com a natureza no seu estado mais puro, praticando esportes aquáticos, saboreando deliciosas comidas, brindando ao por do sol com champagne, fazendo muitos novos amigos e dando boas risadas. Sem ter endereço fixo e vivendo a vida sem pressa, curtindo cada minuto de cada dia enriquecendo a nossa existência com as mais variadas e impagáveis experiências. ContatoS Website: viveravela.com.br Email: viveravelagmail.com

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por Bernardo Mota Veiga

Aparentemente existem essencialmente dois tipos de pessoas no que diz respeito à forma como lidam com as suas memórias. Aquelas que memorizam as dores e aquelas que memorizam as alegrias. Não existem ambidextros de memórias, i.e. todos vêem apenas metade do copo… a velha história do copo meio vazio e do copo meio cheio. O mesmo acontece com a percepção do futuro que por definição é sinónimo de desconhecimento e para o qual uns olham com êxtase, outros com apreensão. Temos também os eternos optimistas (loucos para os outros) enquanto outros são os suspeitos do costume com as suspeitas de sempre e úncia certeza de uma desconfiança perpétua (Velhos do Restelo para os primeiros). Já ouvi teóricos a afirmar que a beleza de um lugar depende da percepção de quem o visita e não da sua própria beleza em si. Que o mesmo lugar pode ser simultâneamente belo e horrendo dependendo do estado de espírito de quem o vivencia. Como “gato de Schrodinguer ”, o tal que segundo a física quântica pode estar simultaneamente morto e vivo. Durante este Verão, foram inúmeros os factos aleatórios que me levaram a revisitar um lugar perdido para mim à uns 10 Kg atrás…Ou 20 anos, dependendo do observador. Não sei se foi pelo tempo instável, se por uma marcação tardia de uns curtos dias de férias, se por uma placa à beira da estrada, se por uma atracção metafísica, se pela alteração do campo magnético terrestre, se por erro no GPS ou se simplesmente por destino…mas foi lá que fui parar por um dia de Julho de 2014: Pedrogão, Leiria, Portugal.

Pedrogão não é efectivamente belo pelo que lá tem, mas sim por aquilo que lá deixei. Deixei memórias de uma juventude tão irrequieta como responsávelmente irresponsável de um tempo tudo parecia belo. Um mar cheio de pedras que desafiava os surfistas jovens e audaciosos e montados nas suas ferramentas BZ em que hoje nem para um mergulho entrava por meio milhão de qualquer coisa. Uma discoteca que na altura parecia o que de melhor havia na península ibérica (note-se que naquela altura poucos de nós tínhamos vistom muito mais do que esta península) mas na qual dificilmente entrava hoje sem reparar nas bolas de espelhos retro-bimbo-azeiteiro, que na altura nem reparei fazerem parte do decor. Discoteca Casino…mais tarde veio a monstruosa e fatídica StressLess. Um bar que servia de ponto de encontro dos espíritos acampados num parque onde não entrei nesta minha visita, mas que decerto não veria com os mesmos olhos de antes. Um café…restaurante…ou bar onde a seu tempo vendiam almôndegas no pão-ainda hoje não consigo ver a diferença entre uma almondega no pão e um hamburguer! Talvez não passasse de marketing agressivo…mas resultou: Eram as melhores almôndegas no pão da região. Prédios predominantemente antigos, que já o deveriam ser naquele tempo, mas dos quais não me lembro sequer de uma fachada, de uma cor, de um grafiti, de uma porta que não fosse a da discoteca Casino. Fomos muitos os que rumámos a Pedrogão nos anos 90. Uns de roulote, outros de tenda (triangular, porque na altura Iglo era marca de peixe congelado e não um tipo de tendas) , outros com auto caravanas, outros como eu…com nada…mas no final, todos nos juntávamos ali com amizade e como uma espécia de peregrina preparação para o que estava para vir na habitual festa dos 3 dias na Figueira da Foz, do nosso amigo grande…e grande amigo. E Pedrogão era belo. Indubitávelmente Belo naquele tempo! Um lugar não é belo pela percepção, nem é belo pelo que lá se encontra, nem é feio pelo que não tem ou pelo que falta. Um lugar faz-se de pessoas e Pedrogão fez-se lugar não pelos tijolos que lá se encontravam e que permanecem, mas pelo betão das amizades de então, e de hoje: Pedro, Bolacha, Bouchet, Galdinha, Mané, João, Gigio, Pitaitas, Paula, Rita, Xana, Pedro Albuquerque, Huguinho, Placard Electrónico, Joana, Raimundos, Ana, Patrícia, Nicolau, Espinhas, Barbas, etc… As minhas mini férias ganharam mais sentido depois deste desvio imprevisivelmente previsto. Estava escrito que um dia, mais cedo ou mais tarde…eu acabaria por lá voltar. Todos acabarão por lá voltar, cada um por si, cada um pelos seus, mas nenhum se deixará de lembrar do que lá deixou e do que de lá trouxe um dia. Os tijolos...esses aparentemente mantiveram-se.  

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Bruno Luís Cardoso de Melo por JOÃO MOREIRA

Quando, em 2002, Bruno Luís Cardoso de Melo decidiu aceitar o desafio de trabalhar no Golfe Montebelo, em Viseu, estava longe de sonhar que o desporto de gentlemen popularizado na Escócia, mais de um século antes, mudaria a sua vida.

local, que lhe conferem uma envolvência ímpar, resultou fantástica, entregando ao campo um importante diferencial que o tornou rapidamente conhecido pelos amantes da modalidade.

Regressado da Holanda, onde estudara Marketing, Comércio e Comunicação, o jovem Bruno, natural de Farminhão, ambicionava encontrar um trabalho que lhe permitisse continuar os estudos em Economia e aplicar alguns dos conhecimentos adquiridos na sua experiência europeia. O facto de ser um poliglota, dominando cinco línguas, foi factor decisivo na sua contratação para um dos grupos económicos mais sólidos do país – o Grupo Visabeira.

Há época, o golfe ainda era visto com grande reserva pela maioria da população e estigmatizado como um desporto de “ricos”, longe da transversal popularidade que atingia na Europa e nos Estados Unidos. Ainda vinham distantes os tempos do empenho governativo na promoção da modalidade, entendida a partir de final da década passada, como um dos principais factores de atracção turística do país. Porém, o empreendedorismo visionário do Grupo Visabeira, cedo percebeu a importância da afirmação da modalidade na região e em 2007 decidiu mesmo aumentar o campo de 18 para 27 buracos, alargando a oferta de percursos aos seus clientes, procurando colmatar assim, um dos problemas estruturais do Montebelo Golfe: o isolamento em relação a outros campos.

Numa fase de expansão da aposta turística da empresa viseense, o Campo de Golfe Montebelo surgiu como “a menina dos olhos” do fundador da Visabeira, Engº Fernando Nunes. A decisão de trazer “o desporto das elites” para o interior norte foi olhada de soslaio pelos “velhos do Restelo” do costume e considerada por muitos outros, como uma aposta arriscada. Afinal de contas, a maioria dos campos de golfe nacionais localizava-­se no litoral, próximos das grandes cidades e das melhores praias do país. Teria cabimento um campo de montanha, fora das rotas turísticas instituídas? A resposta está plasmada nos seus 17 anos de existência, repletos de prémios internacionais e da realização de dezenas dos mais importantes torneios nacionais.

É por esta altura que o jovem Bruno Melo ingressa nos quadros da Visabeira Turismo como recepcionista do campo. A experiência holandesa e a vontade de servir o melhor possível, aguçaram-­lhe a curiosidade e decidiu inscrever-­se nas aulas de golfe para “aprender a bater umas bolas”. O “swing” não era mau, o desporto estimulante e o companheirismo em redor da modalidade acabaram por transformá-­lo num apaixonado por um desporto que nunca sonhara praticar.

O Montebelo Golfe, desenhado pelos arquitectos Mark Stilwell e Malcolm Kenyon e inaugurado em Setembro de 1997, aproveitou a sua localização única entre as serras da Estrela e do Caramulo para conciliar a oferta das melhores condições desportivas para a prática da modalidade, com uma paisagem ímpar sobre as encostas solarengas da beira. A preocupação ambiental na preservação das espécies locais, nomeadamente dos pinheiros e dos carvalhos existentes no

Em 2009, a Visabeira Turismo decidiu reinvestir no seu campo de Farminhão, ressemeando-o e, talvez não por acaso, decidiu apostar também no seu recepcionista apaixonado pelo golfe, convidando Bruno Melo para director do campo, cargo que ainda hoje ocupa com orgulho. Do jovem Bruno Luís Cardoso de Melo acabado de regressar

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dos estudos na Holanda, sobressaem ainda, a dedicação e o empenho que coloca em tudo o que faz e a ambição de transformar o golfe numa modalidade transversal a toda a sociedade. Pelo caminho, depois de diversas formações na Federação Portuguesa de Golfe, colocou em prática o seu aprendizado em marketing e comunicação e apostou na divulgação internacional do campo através de viagens de promoção para os principais países europeus praticantes da modalidade, em parcerias com mais de 40 campos em Espanha e muitos outros em Portugal, na revitalização das provas da Federação, como a PGA Portugal, a Expresso/BPI Golf Cup, o Torneio Tap Vitoria, o World Corporate Golf Challenge e muitas outras. Mas, os olhos de Bruno Melo ganham outro brilho quando fala do seu sonho de fazer chegar a modalidade às escolas da região e de incentivar os jovens a experimentar, como ele, a emoção da primeira tacada. O Grupo Visabeira tem-­se empenhado na promoção do golfe na região, colocando ao dispor da comunidade os seus profissionais de formação e disponibilizando-se a levar a experiência do golfe aos mais jovens. Segundo Bruno Melo, o caminho trilhado tem sido compensador. O surgimento do Clube de Golfe de Viseu, hoje com mais de 300 associados e do Clube de Golfe do Centro, mostram o dinamismo que o desporto ganhou na região e a importância da proximidade de um campo para a dinamização da modalidade. No entanto, muito há ainda a fazer. Uma das maiores dificuldades com que Bruno Melo se confronta, prende-­se com as reservas com que escolas e autarquias ainda olham o golfe, relegando-o para um plano secundário, apesar da disponibilidade mostrada por clubes e pelos promotores locais da modalidade. Segundo o jovem de Farminhão, “ainda existe uma reserva, um preconceito em relação ao golfe que entrava a sua efectiva divulgação nas escolas da região”. A verdade é que muito mudou desde 97, ano em que Engº Fernando Nunes decidiu acreditar que seria possível trazer o golfe para o interior. Hoje o golfe é encarado como um factor de atracção e desenvolvimento e, apesar, dos entraves de que o jovem sonhador Bruno Melo ainda se queixa, o impacto económico da modalidade encarregar-se-­á de mudar mentalidades e, à semelhança do que acontece um pouco por toda a Europa, fazer chegar a todos o desporto de gentlemen tornado popular nas altas montanhas da Escócia.

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BICICLETAS NA CIDADE: MÚSICA COMPOSTA PARA HUMANIZAR A MOBILIDADE por Therbio Felipe M. Cezar

Busquei dissecar as partes que compõem a música para tentar, de maneira um pouco lírica mas nem por isso menos objetiva, correlaciona-las, se possível, com nossas realidades de ciclistas. Vamos ao desafio. A música a ser tocada é a Mobilidade, um direito primaz de todo ser humano e, como tal, indissociável das sociedades. Não há como separar a música da vida, da mesma forma que não podemos compreender as sociedades sem admitir a mobilidade. A melodia é a parte da música que nós cantamos, por assim dizer, o que difere uma música de outra, sua identidade. Equivaleria, referindo-me à metáfora que ouso construir, aos componentes da mobilidade: pedestres, veículos, traçados urbanos, perfis diferenciados de usuários de bicicleta, suas características identitárias, o que os distingue dos demais sujeitos do trânsito e o que faz que sejam reconhecidos entre os seus iguais.

Assim como uma música bem orquestrada faz com seus ouvintes, a bicicleta harmoniza as pessoas e as cidades. Ela indica a possibilidade de um arranjo entre os ciclistas, pedestres, veículos e o meio urbano, tão necessário, urgente e belo. As ruas fazem as vezes das linhas da pauta ou pentagrama, por onde as notas musicais fazem zig-zag ou se debruçam.

Trazendo a melodia para o nosso estilo, seriam todos os usuários de transportes, públicos ou privados, os pedestres, e ainda os amantes da bicicleta com fins de lazer, esporte, transporte, carga, serviços, tribos urbanas e life style, ou todos eles juntos, se assim for possível.

Tais notas são os ciclistas, com alturas e tons diferentes, mais fortes ou menos fortes, mais ou menos intensos, por mais ou menos tempo, surgindo daqui e dali e desaparecendo sem aviso, como os sons de um acorde. Há muito mais por compreender desta melodia cotidiana e urbana.

Indo um pouco mais além na canção que escolhi para ilustrar este texto, reparei que até mesmo o ritmo da mesma traz à mente o diletante modo de rodar por prazer, seja no campo, na rua ou na beira do mar. Indistinta e indiscriminadamente. Quando me reporto ao ritmo, componente essencial da música, remeto à emergente potencialização de uma de nossas lutas diárias enquanto movimento social mundial: a consolidação do tráfego calmo em específicas partes das cidades.

Então, maestros, busquemos a harmonia. Bicicletas nos caminhos, sentidos aguçados e vamos rodar! “B-I-C-I-C-L-E-T-A... sou tua amiga bicicleta!” Com este enunciado, o grande compositor e músico brasileiro Toquinho, eterno companheiro de Vinicius de Morais, declara a relação mais do que fraterna entre todos nós e a bicicleta, na canção de mesmo nome. Uma amizade tão poderosa e linda, descreve a letra, que nos leva a inúmeros lugares, pelos mais variados motivos, para que possamos adquirir as mais impressionantes experiências.

Tal fato inibe ou mitiga a violência no trânsito que somos todos nós e que resulta, também, de nossas escolhas. A palavra ritmo, ainda, pode ser compreendida como o movimento regular que permite que algo flua, e sem ritmo, a música simplesmente não existe. O ritmo é a pulsação da música e indica movimento! Alguma relação com o trânsito e nossas bikes?

É tão impossível ficar insensível à música quanto ficar insensível ao que resulta em nós, pedalar.

O compasso, por sua vez, seria entre outras palavras, a forma de dividir e inserir uma quantidade de notas dentro de uma determinada unidade de tempo, ritmado. Relacionando com nossa presença no trânsito, seria o mesmo que equacionar espaços e tempos por onde seria emancipador pedalar, livremente, sem riscos maiores e, o que é melhor, com o pensamento solto ao vento.

Ao escutar esta canção novamente, depois de tantos anos, verifiquei que a poesia, simples ao entendimento e sonora aos ouvidos, esclarece inclusive que ao partir em nossa bicicleta temos o mundo sob nossos pés. Ora, que coisa mais poderosa, não é mesmo?!

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Merece avaliar que a música é feita de sons e de silêncio. Sim, o silêncio também faz parte. O silêncio não é a negação da música, mas um de seus mais interessantes recursos. É a sua moldura. Seria como o mobiliário urbano ou a paisagem construída, que muitas vezes esquecemos de observar devido nosso afã de chegar.

Quando dizemos, por vezes, que algo ou alguém desafinou, significa que perdemos a ordem, que nos perturbamos, que fugimos do caráter belo e bom da união dos sons em harmonia. Duro é que, ao desafinar, perde-se a essência da música, a descaracterizamos, e o resultado é dos piores para todos, é um desprazer.

O silêncio existe para contemplar os sons, todos eles. Nossa cidade existe para que a contemplemos enquanto a produzimos.

A sensação que deriva da desafinação é ruim e, por muito tempo, infelizmente, permanece como uma triste lembrança em nossos ouvidos.

Mas, sons, silêncio, pulsação e divisão em compassos, não estão soltos a esmo, de maneira inconsequente, desconexa ou irresponsável. Quando combinados, em proporções diferentes, causam um fenômeno dos mais impactantes quando o assunto é música: a harmonia!

É certo, por outro lado, de que uma das sensações mais incríveis que experimentamos quando pedalamos é a de fazer parte de algo maior e bom. Sei que muitos companheiros de pedal que transitam nas cidades pelo Brasil irão reconhecer-se nesta afirmação.

A harmonia não pressupõe a extinção de um dos componentes da música pela prevalência de outro, ao contrário. Ela se dá quando todos os componentes coexistem, ainda que em um momentâneo desiquilíbrio proporcional.

Fazemos parte de uma obra musical cheia de emoção e que espera que nós, cada um e todos ao mesmo tempo, façamos a nossa parte ao fazer ouvir nossos sons na hora, lugar e contextos exatos, para o bem, para o prazer e para dar significado ao ir e voltar pedalando em paz.

Harmonizar é um exercício que requer paciência, habilidade em juntar ao mesmo tempo vários sons, tempos, silêncios, enfim, para tornar mais prazerosa a linda tarefa de ouvirmo-nos. Harmonizar, entre outros tantos aspectos, requer sensibilidade. Ao reunir vários sons simultaneamente, não se pode permitir que estejam desordenados, com certo volumes imperando sobre os demais, e principalmente, que ao tocá-los nada faça sentido.

Ciclistas, não desafinem. Procuremos e persigamos a harmonia. Há lugar para todos os sons e há muitas composições a serem criadas. Queremos, fortemente, que todos os sons “ciclísticos” façam parte desta música que precisa ser composta, de preferência, harmonicamente, e que ao final possamos chama-la pelo nome de Mobilidade, real e felizmente.

A música existe para fazer sentido. Nossa metáfora, também.

Que ela faça sucesso, pelo bem de nossos ouvidos, almas, corpos e sonhos.

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Do mar para o rio | “All we do is SUP” por Rui Magalhães

É este o conceito da empresa de animação turística Sup in River, que dedica os seus serviços a uma única actividade, o Stand Up Paddle Board ou simplesmente - SUP. Considerado o desporto com maior crescimento a nível mundial e atraindo os mais diversos públicos pelos seus formatos e porque não precisa só de ondas para se praticar, sendo possível fazê-lo em qualquer plano de água. É perfeito para exercitar o corpo e com múltiplos benefícios para a saúde e a garantia de um dia bem passado.

Sediados no Concelho de Oliveira do Hospital e aproveitando os principais rios que correm pela Beira Alta, apostam em fazer desta região um destino de excelência para a prática do Stand Up Paddle, valorizando desta forma os seus recursos naturais. A Sup in River oferece um conjunto de passeios no rio, desde o Vouga ao Dão, passando pelo Mondego e Alva. São várias as hipóteses que poderá encontrar. Poderá ainda optar por uma aventura nas águas da barragem da Aguieira, onde o Mondego e o Dão se cruzam e em conjunto seguem até ao Atlântico, ou subir a Serra da Estrela até aos 1800 metros e parar na lagoa Comprida, para se deliciar com uma experiência única de SUP da qual não se irá arrepender. Junte os seus amigos ou familiares e rume ao Centro de Portugal para um fim de semana ou umas mini férias no coração da Beira Alta, fique num hotel rural e conheça esta região de uma forma nunca antes vista. Afinal, o interior não é só frio e neve! Para o início do inverno e como esta ainda é uma actividade recente em Portugal, sendo este inevitavelmente um período de abrandamento no que diz respeito a passeios de rio, pois as pessoas ainda vêm esta actividade como sazonal, a Sup in River propõe, dentro da mesmo segmento, uma nova vertente desta modalidade. Ou seja, o SUP Fitness, SUP Yoga e SUP Pilates a ser desenvolvida nas piscinas municipais da região. Uma forma diferente de viver o desporto e que está a revolucionar este meio. Quem está sempre por dentro das novidades do mundo fitness já deve ter ouvido falar da nova mania do momento: a Yoga SUP por exemplo, consiste na prática dos ásanas (posições) do Yoga em cima da prancha de Stand Up Paddle (SUP), trabalhando a concentração, equilíbrio, força e consciência corporal do aluno. Tudo isso pode ser feito indoor (piscina) ou outdoor em contacto com a natureza! Já o SUP Fitness e Pilates, para além do equilíbrio, pois estamos em cima de uma prancha a fazer os mesmos exercícios do ginásio, trabalha toda a zona do Core (a força que está concentrada no centro do nosso corpo) o que faz movimentar grande parte dos nossos músculos e toda a nossa resistência física. Outra das mais valias destas vertentes é poder trabalhar paralelemente com outro tipo de desportos, como por exemplo jogadores de futebol ou corredores para poder fortalecer a sua resistência de pernas. E muitos mais benefícios para a saúde, como o stress, cardiovascular, peso com a perca de calorias, e muitos mais. Consecutivamente a redução de hipótese de ter diabetes, ataques cardíacos, AVC, aliviar o stress. +351 238 092 712 | 967 379 530 | www.facebook.com/supinriver | www.supinriver.com

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... empreendedor antes do tempo por Rui Rodrigues dos Santos

pensámos que seria um modelo de negócio, mas não resultou... apareceram as grandes cadeias de lojas com marcas baratas e massificadas, foi um passo muito à frente. Este projecto durou apenas 4 ou 5 anos. Estás na rua e estás numa grande superfície comercial, como é o Palácio Geral, quais são as principais diferenças? Acima de tudo a oferta. No shopping pensa-se num todo, na rua é cada um por si. Na rua não há nem haverá união, no shopping há uma união, pode ser forçada, mas há e funciona, é tudo diferente. A mentalidade é completamente diferente. É necessária uma evolução profunda, uma reformulação de mentalidades. Há desinvestimento, quando devia haver o contrário. Há que perceber que cada vez que se deixa de vender é porque não se tem para oferecer e não o contrário, o cliente só vai onde há o que quer, se não há não pode lá ir. Novos horários, acompanhar as tendências e modernizar. A experiência que eu tenho diz-me que na rua há menos gente a comprar, as pessoas estão menos disponíveis para comprar. O shopping proporciona outras actividades complementares, o que influi em muito a disponibilidade.

Como foi a aventura de ser empreendedor em 1993? Por essa altura resolvi que tinha chegado a altura de trilhar o nosso caminho, começámos a procurar, identificar possibilidades e necessidades...

Há que repensar a estratégia comercial das ruas, não esquecer que só se vende se tivermos clientes, se eles andarem nas ruas, mas com condições e motivação para comprar.

ASSIM NASCE uma surf-shop em Viseu, na Rua Escura? Sim e contra todas as expectativas, ou quase todas, a coisa andou e fomos evoluindo, devagar, com cuidado, mas sempre a evoluir... sem loucuras...

Viseu, a melhor cidade para viver? É um facto. É uma cidade espectacular para viver, com uma grande qualidade de vida, tudo perto de ti, tens praia a uma hora, Lisboa e Madrid perto...

Viseu, sem praia... Se calhar por isso mesmo. Apostámos na tendência, em fazer diferente e ter coisas diferentes. Fomos vendo o mercado, começámos ir cedo a feiras internacionais e isso moldou em certa parte o nosso caminho.

É uma cidade que tem evoluído francamente e, parece-me, vai continuar a evoluir. Que futuro para o comércio tradicional? Não esboço um sorriso para isso, infelizmente. Agora cabe a todos, sem excepção, criar condições para mudar este paradigma...

Apareciam marcas novas, começavam a aparecer nas revistas, íamos vendo e começávamos a comprar. O caminho era e é, ou passava e passa pela introdução de marcas novas, novidades, no mercado. Também aqui, é preciso inovar. Estar sempre um passo à frente... Perceber e antecipar...

Energy, um projecto para continuar? Sim, sem duvidas nenhumas. Assim o esperamos.

Da Rua Escura ao Palácio do Gelo, sem nunca largar o centro histórico... 10 anos na Rua Escura, mudámos de loja e abrimos no Palácio, correu tudo muito bem... estivemos 10 anos na Guarda... Entretanto chega 2007/2008, a crise e o Palácio do Gelo em obras. Tempos complicados, voltámos a estar só na rua, com duas lojas. Tínhamos, também, um novo miniprojecto chamado “my shoes”, onde apostávamos só em edições limitadas, produtos muito alternativos... estava muito à frente e, erradamente,

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por Marco Santos

Ciclismo Urbano é a utilização da bicicleta como transporte de cidade, geralmente para pequenas distâncias. Com o congestionamento do tráfego urbano e a progressiva invasão do espaço público, a bicicleta tornou-se uma das principais alternativas  para melhorar a habitabilidade, a qualidade de vida e o ambiente  citadinos. Conhecer os seus direitos e deveres, enquanto condutor(a) de bicicleta, as regras de  trânsito, as técnicas para evitar acidentes, a escolha dos melhores percursos para  pedalar com conforto nas suas viagens, são elementos essenciais para que possa desfrutar ao máximo das vantagens do ciclismo urbano. A City Bike Color ambiciona levar os viseenses a colorir a cidade com as suas bicicletas. É uma comunidade com objetivos sociais e ambientais, que deseja dar cor à cidade de uma forma saudável, alegre e divertida. Qualquer dúvida ou esclarecimento não hesite em contactar-nos através do nosso endereço eletrónico citybikecolor@gmail.com ou pela nossa página. www.facebook.com/citybikecolor

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ANDAVER PORTUGAL | TURISMO ECOLÓGICO por JORGE AMARAL

ANDAVER Portugal é um projeto que está a arrancar e visa criar uma Rede Nacional de Turismo Ecológico, que beneficia quer o turista, quer a cidade. Qualquer interessado, poderá visitar uma cidade num passeio ecológico e tranquilo, de acordo com uma rota recomendada. Isto através da TRIKKE, que é um veículo elétrico, de fácil utilização e uma opção muito divertida e ecológica para passear. Neste âmbito, ANDAVER Portugal pretende criar um spot onde os equipamentos estarão disponíveis, mediante aluguer (por tempo definido), e onde será fornecida informação de utilização e roteiros possíveis de realizar e usufruir. Pretende-se com este projeto abranger várias cidades por todo o país e, com isso, contribuir para a dinamização do turismo nacional. Considerando que se trata de um projeto com base num equipamento ecológico e ao alcance de qualquer um, trata-se de uma aposta na modernidade e na saúde das cidades. A TRIKKE é: - Fácil de montar e iniciar. - Quadro dobrável, fácil de transportar e armazenar. - Bateria amovível e fácil de carregar através de qualquer tomada 220-240v. - Simples de usar e segura pela estabilidade de três rodas. - Condução em pé, o que dá grande visibilidade da estrada. - Aprovada pela RDW (instalações de teste na Holanda, Organismo Notificado), Ministério Holandês de Infraestruturas e Ambiente, SWOV (Fundação para a Pesquisa da Segurança Rodoviária). - Sem emissão de CO2 - Sem emissão de partículas. - 100% Reciclável.

Para mais informações e compras online do equipamento: www.andaver.pt www.facebook.com/andaverportugal

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por Rui Rodrigues dos Santos

É a frase do momento. Instalada em pleno centro histórico da cidade Viseu, junto à Porta do Soar e ao Paço Epicospal, facilmente se dá pela “Taberna da Milinha”, casa de porta aberta, ladeada por pequenos bancos e meias-­pipas, que servem de apoio e extensão à sala de refeição interior, acolhedora e a fazer lembrar as antigas “tabernas”, casas de boa comida e bom vinho, separada por um vidro da “sala de operações”, onde o “Chefe” Diogo vai dando o devido trato às varias iguarias de carácter regional que na “Taberna da Milinha” se podem degustar. Na “Taberna da Milinha” é, também, dado destaque ao vinho. Com uma carta dos ditos, onde pontifica o Dão, selecção cuidada, de qualidade e com uma variedade de opções de escolha para todos os gostos e “carteiras”. Desta paixão pelos vinhos nasceram os jantares vínicos, onde é dado destaque a um produtor e em que a cozinha é trabalhada em função do dito... Têm carácter regular e constituem uma excelente oportunidade para ficar a conhecer o que de melhor se produz na região e perceber que a cozinha tradicional também pode ser e é criativa. Com uma opção de almoço, durante os dias da semana, consubstanciada numa iguaria do dia, a “Taberna” torna-­se uma opção séria para todas as situações. Com serviço simpático, merece uma visita, sendo que após a primeira, se corre o risco de ficar “taberno-­dependente”, tornando as visitas mais regulares. Com um ano de existência, a “Taberna da Milinha” é já um caso sério no panorama gastronómico da cidade. Viseu agradece...

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DE LUANDA AO CACIMBO CERVEJARIA por JOÃO MOREIRA

primeira década deste século um novo conceito de negócio: o “Cacimbo Cervejaria”.

Luanda, década de sessenta. Aurélio de Figueiredo Loureiro e Maria Isaura Martins da Silva Loureiro haviam escolhido, como milhares de portugueses, a efervescência cosmopolita da capital da mais importante província ultramarina portuguesa, para organizar a sua vida. Por lá, dedicaram-­se à restauração, com o sucesso que Luanda permitia a todos. Eram tempos de um desenvolvimento extraordinário, a que os sabores caseiros da metrópole davam, a uns o aconchego familiar, a outros a magia exótica do desconhecido.

Num espaço elegantemente decorado, onde se procuram conciliar a modernidade com o ambiente familiar que sempre caracterizou o espírito dos fundadores, o “Cacimbo Cervejaria” é uma concretização de um projeto, onde se unem de forma harmoniosa e consistente as sensações e sabores de mar e terra. Aqui encontramos, certamente, as iguarias que fizeram famosa a casa fundada em 76 na Rua Alexandre Herculano, lado a lado, com fresquíssimos peixes e mariscos, cuidadosamente trabalhados por mãos experientes, para nos proporcionarem o que de melhor a nossa costa tem para oferecer.

A urgência do regresso imposto, ao invés de acabar com o sonho de Aurélio e Maria Isaura, entregou-lhes a confiança de repetirem em terras lusas, ainda por cima na terra de Viriato, o sucesso conquistado além-­mar. Assim nasceu “O Cacimbo”, palavra herdada da saudosa passagem africana e que significava uma manhã orvalhada, como tantas pela capital da Beira Alta. Sem pretensões que não fossem as de melhor servir os melhores produtos, “O Cacimbo” foi-­se afirmando ao longo de anos de extraordinária qualidade culinária, a que sempre soube juntar um atendimento eficiente, num ambiente familiar. Assim, sem exageros noticiosos nem busca de falsos prémios, o pedacinho “luandense” de Aurélio e Maria Isaura foi conquistando o exigente palato dos viseenses, transformando-­se, muito justamente, numa das referências gastronómicas da cidade. Por ali, a qualquer hora do dia, era possível degustar umas pataniscas, uns bolinhos de bacalhau, um sempre quente leitão, um frango assado na brasa, um genuíno queijo da serra e tantas outras iguarias, acompanhadas pelos melhores vinhos regionais.

Localizada numa das ruas mais centrais de Viseu, a Rua Mendonça, servido por uma agradabilíssima esplanada coberta, a novíssima aposta de “O Cacimbo” é um espaço de múltiplas facetas, onde Rui Loureiro, a cara da nova geração, apostada na continuação do sonho familiar, promove exposições de grandes artistas regionais e nacionais, entregando ao lugar um cariz cultural que resume o espírito de mecenas com que a família Loureiro sempre entendeu o seu negócio. Hoje, o “Cacimbo Cervejaria” é já uma referência gastronómica da cidade, onde além dos vários bifes e do leitão, também se poderá deliciar com uma inigualável mariscada, cataplanas várias, amêijoas, camarões e toda uma variada espécie de peixes frescos, fazendo jus à tradição “Cacimbo”. O enólogo da casa aconselhará as melhores escolhas de uma garrafeira que contempla os melhores vinhos regionais e nacionais. As sobremesas da região concluem um apetecível cardápio que fazem do novo espaço do tradicional “Cacimbo” uma paragem obrigatória para os amantes da boa gastronomia.

A segurança duma clientela fixa, numa casa bem organizada, permitiu às novas gerações, herdeiras do empreendedorismo familiar, apostar no crescimento da marca e lançar no final da

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O RESTAURANTE por PATRÍCIA DIAS

A Quinta de Lemos tem aberto ao público o restaurante que se encontra no Edifício de Lemos, com Diogo Rocha a chefiar a cozinha, apresentando nos seus menus uma forte ligação à natureza. ‘Mesa de Lemos’, o restaurante da Quinta de Lemos, em Viseu, aberto ao público sob o comando do Chef Diogo Rocha. Em perfeita harmonia com a natureza, as vinhas da Quinta e a tranquilidade das paisagens do Dão, o restaurante ‘Mesa de Lemos’ oferece aos seus clientes uma gastronomia com produtos regionais trabalhados com imaginação e em plena comunhão com as técnicas da cozinha moderna num espaço de excelência, sofisticado, moderno e acolhedor. Inserido no Edifício de Lemos, espaço nomeado este ano para os prémios internacionais do ArchDaily (o mais popular site de arquitectura do mundo), entre os 5 melhores do mundo, o restaurante também funciona para convidados da Quinta de Lemos. As portas estão abertas ao público, mediante reserva, apenas para jantares às Sextas-Feiras e Sábados onde os vinhos da Quinta de Lemos são harmonizados com a carta proposta.

O menu de degustação tem um preço médio de 50€/pessoa sem vinhos. A carta de vinhos do restaurante é composta pelos vinhos da Quinta de Lemos, estando previsto o alargamento da carta a seleções do enólogo residente da Quinta de Lemos, Hugo Chaves, oriundos de outras regiões. Pierre de Lemos, responsável da Quinta de Lemos, assume que “a abertura do restaurante ao público é mais uma forma de apresentarmos, agora pela via da gastronomia, a filosofia da Quinta de Lemos que assenta essencialmente na natureza. Em tudo o que fazemos, a natureza e preservação do estado natural das coisas são as premissas que nos garantem que temos um produto de qualidade e coerente com aquilo em que acreditamos. O restaurante ‘Mesa de Lemos’ utiliza muitos ingredientes que são produzidos na propriedade e todo o conceito apela à seleção de produtos de elevada qualidade”.

O Chef Diogo Rocha, natural da região, assume o comando da cozinha do restaurante ‘Mesa de Lemos’ para levar a cabo um projeto de gastronomia sustentável baseado em sabores nacionais e da época, onde a principal preocupação são os ingredientes: mantê-los no seu estado mais puro e natural e levá-los à mesa com os sabores mais genuínos. Para o restaurante ‘Mesa de Lemos’ o Chef prepara uma ementa que apela não só ao sabores e aos produtos da região, mas também de todo o país: “Da Quinta de Lemos…as ervilhas”, “Do Algarve…o Lavagante”, “De Vouzela…a vitela de Lafões”, “Da Serra da Estrela…o queijo”, “Das águas do mar de Peniche…a Dourada”, “Das Berlengas…os percebes”, “Do Rio Mondego… o arroz”, “Do Caramulo…o cabrito” são exemplos de pratos que trazem até à ‘Mesa de Lemos’ o mar, a terra, o rio e a serra”.

O Chef Diogo Rocha trabalha na área da cozinha profissional, desde cedo, estudou no Curso de cozinha e Pastelaria de Coimbra, é licenciado em produção alimentar e restauração, e está, neste momento a finalizar a tese sobre produtos da Serra da Estrela do Mestrado de Sustentabilidade de Turismo no ESTH. Profissionalmente passou por projectos tão diversos como: Encontrus (catering), restaurante Terreiro do Paço, Villa Joya e Valle Flor - como estagiário; em 2008 entra para o grupo Dão Sul e um ano depois assume a chefia executiva de todo o grupo com 3 espaços de restauração: Quinta de Cabriz, Quinta do Encontro; Paço dos Cunhas de Santar. Desde 2009 faz parte do corpo docente da Escola Superior de Turismo de Seia, dando a cadeira de Gastronomia e Enologia.

SOBRE A QUINTA DE LEMOS Nasceu em meados dos anos 90 pela mão de Celso de Lemos, com o sonho de criar vinhos exclusivos. Um vinho dedicado aos seus amigos mais próximos e à família, que sirva para unir as pessoas e, torno de boas conversas e que reforce a ligação entre as pessoas. A quinta encontra-se no vale do Dão, escondida numa altitude de 340m, onde se encontram 25 hectares de vinha e 3000 oliveiras, num total de 25ha de terreno. A Quinta de Lemos possui vinhos típicos do Dão desde 2005, tendo já vinhos premiados internacionalmente. Para mais informações, por favor, contactar: Patrícia Dias (+351) 913 456 722 . patricia.dias@chefsagency.net | Ana Brandão (+351) 916 027 353 . ana.brandao@chefsagency.net

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CONTINUA... por rui rodrigues dos santos

“Provir”, se tem mais de 30 anos recorda-­se com toda a certeza desta marca viseense, conhecida pelas suas laranjadas, rebuçados e amêndoas, que faziam as delícias de pequenos e grandes... Vem isto a propósito da “ocupação” das suas antigas instalações pelo multi-complexo onde podemos encontrar um conceito diferente de bar-­restaurante. Falamos de “a Fábrica -­restaurante, bar e esplanada.” Ocupando uma das alas da antiga fábrica, esta nova “a Fábrica” recebe-nos com uma mui agradável esplanada onde se pode ter bons momentos de convívio em qualquer momento do dia, inclusive na “hora de comer”. No interior, espera-­nos uma sala de pé direito alto, com a decoração a remeter para o imaginário da “Provir” e onde se destaca um palco ao qual sobem todos os fins-­de-­semana as mais variadas bandas e artistas da região, sendo que a noite de domingo é reservado aos talentos de cada um, com uma animada sessão de KARAOKE. As primeiras quartas-feiras de cada mês estão reservadas ao “FADO”. Com uma variedade de menus e de sugestões degustativas muito interessantes, “a Fábrica” é uma opção a ter em conta em qualquer dia da semana e para qualquer tipo de refeição. De segunda a sábado, ao almoço, apresenta um “menu fábrica”, diferente todos os dias e de preço bastante acessível. “A Fábrica” apresenta-se como uma casa multidisciplinar e que conjuga num só espaço várias vertentes, que a tornam num lugar a visitar e, seguramente, voltar...

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“LINK VISEU”, um link entre a cultura e o território

“LINK Viseu”, já deu por este nome estampado num pequeno livro, a lembrar as publicações de bolso de outros tempos, espalhado por vários e múltiplos locais de Viseu e dos concelhos limítrofes. Também, pelas redes sociais internet, com este “link” já se deparou. Sempre com uma capa apelativa, a agenda cultural “LINK Viseu” vai muito para além do normal repositório estilo calendário muito comum na maioria das agendas culturais e de eventos que conhecemos. A revista procura ser, também, um forte canal de comunicação para as empresas e instituições da região, apostando para isso, na divulgação das mesmas e, ao mesmo, tempo dar a conhecer a opinião de “opinion makers” que com a revista colaboram. Com um cariz fortemente regional, a “LINK” começa a estar presente no dia-a-dia de todos, seja na carteira, na mesa de trabalho, no café ou no PC... transformando-se cada vez mais numa ferramenta de ajuda ao planeamento do nosso dia-a-dia cultural, das nossas “fugas” da rotina quotidiana, dando-nos a conhecer o que se passa e vai passar no território que nos rodeia ao nível da cultura, eventos e espectáculos. A “LINK” tem a ambição de ser mais do que uma agenda cultural, para já está a trilhar caminho nesse sentido...

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com Adão Ramos por Rui Rodrigues dos Santos

Como é ter um bar que se tem mantido a navegar nestes últimos 15 anos, com altos e baixos? Já por AQUI passaram várias gerações, pais, filhos e netos. representantes de várias gerações, todos conhecem o Adão. Sim, é de todo gratificante trabalhar neste projecto. Ao longo do tempo ver as pessoas crescer, aliás temos clientes que entraram aqui pela primeira vez aos 3 anos e hoje são homens e vêm aqui já na 2ª geração, o que é muito gratificante. Passámos por momentos bastante complicados, mas acho que o trabalho tem sido positivo,.

15 anos de Irish, como surgiu? A ideia surgiu com um dos sócios iniciais deste projecto, que residiu nos EUA durante quase 20 anos, onde a cultura irlandesa é muito presente e onde existem vários bares irlandeses. Este foi, inicialmente, um projecto de 2 amigos, no qual me empenhei, daí tendo surgido a ideia de criar um irish bar em Viseu. 15 anos depois? É uma aventura já longa, até porque inicialmente eu era para fiar no projecto apenas como consultor e 15 anos depois aqui continuo...

É fácil ser empresário da indústria da noite em Viseu? Não, não é nada fácil, aliás nada há nesta vida que o seja. É necessário fazer alguns pontos de situação a certas alturas da vida, sobre os hábitos de consumo, sobre o tipo de clientes que queres atingir e outros. Ao longo do tempo, temos vindo a fazer essas alterações com cuidado, precisamente para não ferir a alma inicial do bar e que pretendemos para este projecto.

Mas o Adão não começou aqui, já vinha... Sim, já tinha muita experiência em bares. Nessa altura era, também, recepcionista num hotel, fazia parte do departamento comercial. Um dos sócios era director desse hotel, que me convidou a fazer parte desse projecto, em função da minha experiência e porque éramos amigos...

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Estás no Centro Histórico desde sempre, hoje é moda, na altura não era. Como vês este movimento, esta evolução para o centro histórico? perspectivas? Nós acabamos de levar um pouco com esta “Movida”. Mas à luz da verdade, se calhar, fomos nós, Irish e outros colegas, que acabámos por chamar atenção para esta zona da cidade, que ganhou nova vida. Basta pensar que há 15 anos atrás essa zona da Sé, era uma zona escura, com áreas degradadas onde as pessoas tinham medo de circular e ao longo deste tempo foi-se construindo uma nova Sé, atraindo novas pessoas, uma nova dinâmica. Hoje em dia é mais fácil, houve e há grandes intervenções, quer por parte da Câmara, quer de particulares. Acho que estamos a colher o fruto daquilo que andámos a semear estes anos todos, uns ainda estão, outros saíram, o que é certo é que continuamos a trabalhar nesta zona. Acreditamos que é o sítio certo, como se tem vindo a confirmar. Quais são os desafios que se põem para o futuro do Irish? Os desafios são muito de acordo com o que se pretende para esta zona. Aposta na qualidade máxima, continuar a ser um cartão de visita da cidade, ganhar novos clientes, nomeadamente estrangeiros. Apesar da inspiração irlandesa, somos um bar de Viseu, representamos a cultura de Viseu. O desafio é esse mesmo, continuar, o que não é fácil. Dá-nos bastante prazer estar aqui com 15 anos e aceitar os novos desafios. Acho que o cliente está mais exigente, sabe cada vez mais o que quer e nós temos que procurar ir de encontro às exigências e necessidades dos mesmos. Irish bar em poucas palavras... Ponto de encontro, a nossa casa, Eu costumo dizer que o Irish é nosso, não é meu, aliás já deixou de o ser. Até costumo contar o que se passou quando alterámos o jornal diário e na altura os cliente fizeram um abaixo-assinado com cerca de 60 assinaturas contra essa mudança... a qual acabou por não acontecer. Viseu, melhor cidade para viver? Torna-se cada vez mais a melhor cidade para viver, a evolução tem sido fantástica, sendo que ainda há muito por fazer, mas estamos no caminho certo. Centro histórico? É o futuro, é cada vez mais o sitio certo na hora certa. Os clientes? São o fundamental da casa... são eles que definem o que está certo e o que está errado. No fundo e resumindo, são o Irish.

Com base temática na Irlanda o The Irish Bar caracteriza-se por um ambiente acolhedor e familiar disponibilizando um serviço eficiente. Contando já com treze anos de existência, procura a satisfação diária dos clientes oferecendo uma grande variedade de Cocktails, Vinhos, Cervejas e Espumantes. Contamos com a sua visita. Largo pintor gata 8 | 3500 - 136 Viseu adao.ramos@gmail.com | t. 232 488 156 horário 09h00 às 02h00 | encerra domingo de manhã GPS n 40º 39.582 w 7º 54.749 40.659741 -7.912321

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OLGA DA LUZ FIGUEIREDO BAPTISTA DE ALMEIDA por Alexandre Albuquerque

O casamento apesar de entrar na sua vida muito tardiamente, é assumido de imediato, na representação do papel de mãe, pelo nascimento de três robustos rapazes, que viria a educar com supra sabedoria e a exercer a posição de esposa extremosa, atenta e sempre com muito amor. Esse amor, três décadas mais tarde, viria fatalmente a ser abalado pela doença terminal que fulmina o seu querido esposo trazendo-lhe muita dor e desestabilização emocional. A sua vida dedicou-a inteiramente à família, não deixando de explorar o seu gosto pela arte e pela pintura a aguarela ou a óleo, em particular. Para isso usou diferentes materiais com características distintas onde a tela, as sedas, a madeira, a cerâmica ou mesmo o cartão, serviram de suporte da sua inspiração, independentemente das suas dimensões. Refere-se que a miniatura era uma das suas especialidades. Da mesma forma procurou evoluir tecnologicamente, descobrindo actividades de natureza artesanal que lhe permitissem aplicar, habilmente, o seu gosto e talento, com composições únicas através de bordados em enxovais, cortinados ou colchas. Também se aventurou com sucesso na pintura de bandeiras e estandartes religiosos e na produção de estruturas minuciosas aplicando pedras exóticas, missangas ou mesmo escamas de peixe, proporcionando sempre uma beleza impar.

Olga da Luz Figueiredo Baptista de Almeida nasceu na freguesia “Ocidental” da cidade de Viseu no ano de 1918. É criada no seio de uma família modesta, constituída pelo seu avó, José Ferreira Baptista, mestre correeiro e comerciante nesta cidade, figura distinta pelas medalhas de prata e bronze alcançadas em certame promovido pelo “Museu do Louvre”, em Paris, aquando da inauguração da torre “Eiffel” nessa cidade francesa, pelo tio, oficial militar de carreira, a mãe, senhora recatada e destinada à orientação das lides de casa e pelo seu pai também oficial militar e que vem a falecer três anos após o nascimento da sua filha, depois de ter contraído “paludismo”, em missão africana.

Revelou também o seu talento e mestria na produção de registos de carácter religioso fazendo sobressair pagelas com imagens sagradas ou estatuetas de Cristos em marfim ou madeira. As redomas, em vidro, foram outra das actividades que mereceram a sua preferência através da colocação no seu interior, de imagens de santos graciosamente decoradas, tornando as suas visualizações, muito interessantes.

Órfã de pai, a sua educação, depois da instrução primária, vira-se para Lisboa, “Colégio Feminino de Odivelas”, onde se fixa como aluna interna para fazer todo o seu percurso liceal. Cumprido este ciclo escolar, regressa à sua terra natal e aí, vê-se impedida por decisão familiar, de voltar a Lisboa e poder cursar as “Belas Artes”, ensino conotado, na época, como muito vanguardista e pleno de ideias avançadas ou de ruptura com os modelos sociais, pré-estabelecidos.

Outros trabalhos efectuou, para ofertar aos seus amigos e muito especialmente aos netos que, nas ocasiões especiais, mimava com recordações acompanhadas de poesias ou mensagens cheias de sentimento, realçando sempre os valores da vida e desejos de um futuro promissor. A prosa e a poesia foram outra forma de arte que soube dominar aplicando uma linguagem simples e muita imaginação, conjugando as palavras de forma a expressar o sentir da sua alma.

Como um mal nunca vem só, e talvez por profunda tristeza, contrai entretanto uma doença pulmonar grave, da qual resulta a perda, em grau muito elevado, da sua audição, sentenciando-a assim a uma clausura doméstica, sempre sob a supervisão da sua mãe para a tornar numa verdadeira “fada do lar”.

Felizes os netos que privaram da sua companhia, pelo amor imenso que o seu coração doou.

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TEOTÓNIO PEDRO DE ALBUQUERQUE por Alexandre Alves

BREVE BIOGRAFIA (…) Teotónio Pedro Albuquerque é natural de Serrazela, freguesia de Vila de Igreja (Sátão), mas desde há muito vive radicado em Viseu. Nasceu artista e, como tal, tudo tem feito para manter a fidelidade á sua vocação, o que não tem sido nada fácil. Os sacrifícios que fez não têm conta. Lutou contra impressões e más vontades, sentiu por vezes o desânimo a invadi-lo. Com a supressão da especialidade de Serralharia Artística que na Escola ministrava, as dificuldades agravaram-se, desvanecendo-se as suas possibilidades de realização. Uma vez mais, porém, não se deu por vencido e reagiu com todas as forças, pois bem mais forte que tudo era aquele sonho que acalentava, aquele anseio que cumpria materializar-se. Se a Arte era uma das razões maiores da sua vida, realizar-se como artista era, por conseguinte, uma necessidade vital. E realizou-se. Fundamentalmente o material empregado na sua execução é o ferro. Embora mestre Teotónio de Albuquerque trabalhe com igual desenvoltura o cobre e outros metais (e mesmo a madeira) que somente emprega como “iluminura”. Não se segue, em rigor, esta ou aquela Escola, não obedece a este ou á quele estilo. Com grande liberdade, trabalha ao sabor da sua inspiração, colhendo aqui uma sugestão, além outra, mas sempre de modo a que a obra venha a resultar num todo harmonioso e tecnicamente perfeito. É assim que, estilisticamente, em irmanados, os elementos góticos com os renascentistas, os românticos com os do rococó ou da “Arte Nova”. Porém, os mais empregados são os elementos góticos e renascentistas. Os seus retratos revelam, a par de grande sensibilidade, uma mão adestrada e fiel, e são ricos os motivos de decoração vegetalista (folhas de acanto e de jarro, flor-de-lis, de jarro, de alcachofra, de papoila e de mirto); animalistas (dragão, galo, cavalo marinho, cabeças de serpente e de lobo) e geométricos (entrançados, cordas, torcidos), além da figura humana (cabeça de Baco). Esta é, em resumo, a obra que o Mestre Teotónio de Albuquerque oferece á nossa contemplação – conjunto valioso em cuja execução ele pôs todo o seu esforço toda a sua sensibilidade, toda a sua grande alma de Artista.

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Fui à (tua) RUA DIREITA [...] Deixei lá esta ‘coisa’ (qu’Aqui te fica relembrada) : «... quantos milhares de vezes calcorreei desde menino e moço (até hoje e... não sei se e quantas mais o farei) - essa via-mestra da velha urbe que, de berço, me serviu e, da memória, jamais se m’afastará! OBRIGADO AlbuQ pelo cão’vite! ... um belo dia serás o mais longevo e persistente artista plástico que, por aí nascido, aí pinta e subsiste ainda e sobretudo ! ...no histórico monumento onde a tua Oficina, o teu Laboratório, o teu Atelier e a Memória de teus Pais e da infância se colam às paredes, ao tecto, ao chão...e permanecem, intactas, suspensas no Ar que te alimenta e onde habitas! Numa galáxia que eu conheço. Bem.» José-Luis Ferreira

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“Em eloquentes traços artísticos, o autor retracta-nos os recantos e encantos de todo o território concelhio, levando-nos a conhecer e a descobrir muito do nosso património arquitectónico, arqueológico e histórico que, a muitos dos nossos visitantes, passa despercebido. Apesar de se tratar de uma mostra direccionada para todos os tipos de público, ela é também, pelo seu carácter didáctico, uma obra vocacionada para toda a comunidade escolar”. Dr. Evaristo Pinto, Diretor do Museu Municipal Manuel Soares de Albergaria - Carregal do Sal

Feliciano Nuno Bastiana Angélico, nasce a 27 de Novembro de 1971, em Melun, Seine-et-Marne (França). Filho de pais oriundos do planalto mirandês. Reside em Viseu desde do ano de 2000. Percurso académico e profissional Frequenta entre 1989 e 1992, a Escola Secundária Soares dos Reis, os Cursos de Arquitectura e Design.. Obtém Bacharelato, em Educação Básica (1º CEB), no Instituto Superior Politécnico - Escola Superior de Educação de Viana do Castelo no ano de 1996. Em 1997, obtêm Licenciatura, em Educação Visual e Tecnológica, na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo. Em 2008 conclui pós-graduação em Ciências da Educação, especializando-se em Administração e Organização Escolar, pela Universidade Católica Portuguesa de Viseu. Professor de Educação Visual e Tecnológica (2ºCEB), Expressão Artística (1º CEB) e Professor tutor (2º e 3º CEB), de Quadro de Agrupamento de Escolas de Sever do Vouga. Percurso artístico Expõe desde Setembro de 1990, primeira exposição, até aos nossos dias com uma participação em uma centena de exposições coletivas e individuais. Tem obras, que fazem parte do património artístico de instituições públicas, privadas e coleções privadas neste nosso país, Espanha, França, Brasil. Em 2007, projeto de ilustração de marcadores de livros/ bookmarks, (técnica mista - café, aguarela e tinta da china policromática) retratando paisagens do Parque do Douro Internacional. Em 2012, “PELOS CAMINHOS DE PORTUGAL E ILHAS” e “PELOS CAMINHOS DE PORTUGAL E ILHAS EM PELOURINHOS”- os distritos de Viseu, Vila real, Guarda, Porto, Aveiro e Castelo Branco, .em marcadores de livros/páginas, um novo projeto inovador, investigador e ilustrador, aplicando técnica mista aguarela, tinta da china monocromática e desenho à pena/artpen, retratando todo o património cultural, etnográfico e arquitetónico, religioso, militar e civil, dos concelhos de Miranda do Douro, Vila Nova de Paiva, São Pedro do Sul, Sever do Vouga, Trancoso, Freguesia de Cogula/Trancoso Vouzela, Oliveira de Frades e a cidade de Viseu.

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Comercializa as suas obras tendo como parceiro, unidade hoteleiras, lojas, postos de turismo e diretamente da sua página www.facebook.com/bastianaangelico, marcadores de livros reproduzidos, por 1 euro e em conjuntos de 10 marcadores de livros pela quantia de 9.00 euros em embalagens criadas para este produto.


Performance | Leonor Keil, Festival de Música da Primavera, Viseu, 2012 por JOSÉ CRUZIO

Não houve anónima grelha de ventilação de um metro numa gigantesca urbe matizada em tons de cinza. Nenhum delírio cinematográfico. Mas um espaço vazio, corpo, expressão e sons “apropriados e, por fim, recriados”. Três frames de uma Leonor num espaço vazio. Expressões e pulsões à flor da pele. Os movimentos intuídos e, depois, extravasados na vastidão do espaço. No vazio. Do lado de cá, enquanto espectadores, novas narrativas sobre o observado. Ao mesmo tempo, um novo e insuspeito papel: o de um Pigmalião. Ao fruir do todo, idealizando – para consigo próprio – um objecto de desejo. Um simulacro ansiado. Que o deixa de ser quando se “quebra” a magia do momento. Quando o retiramos do enquadramento, novamente o vazio.

FOTOGRAFIAS | CARINA MARTINS

Restando... três frames.

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“Reza a história desta aldeia que foi na Última Ceia, durante a Consagração Que Jesus, vendo uma falta, Criou o vinho do Dão.”

Sou do tempo … em que vinho era sinónimo de Dão. por JOÃO MOREIRA

Por essa altura ainda o Dão vivia da glória de outros tempos. Dos míticos vinhos de 64 e 70 da Federação dos Vinicultores, dos tintos de 80 e 85 da UDACA e das geniais obras de arte vínica cuidadosamente preparadas pelo laborioso trabalho e saber do saudoso Engenheiro Vilhena no Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão. Nesses tempos, falar-se de vinho, era falar-se do Dão - a mais antiga região demarcada de vinhos de mesa do país. A fama levara-o às quatro partidas do mundo e, quer pela exigência da quantidade requerida por compradores, quer pelo envelhecimento dos mestres que os elaboravam, quer ainda pela ganância económica de alguns, habitualmente associada aos casos de sucesso, a verdade é que na última década do século passado, salvo honrosas excepções, os vinhos do Dão passaram a ser uma sombra de si mesmos. Ultrapassada em quantidade e, sobretudo, em qualidade por Douro e Alentejo, a região viu-se confrontada com a necessidade de se renovar. Felizmente, foi isso que fez. O amor às encostas solarengas do Vale da Estrela de muitos dos seus filhos apaixonados pela arte vínica, jovens enólogos entretanto regressados às origens, permitiu o ressurgimento dos clássicos vinhos do Dão. As vinhas velhas, na sua grande maioria poupadas à praga da filoxera, embutidas em pequenos talhões da encosta do rio que deu nome à região demarcada, símbolos do arreigado sentido de propriedade das gentes da Beira, foram sendo substituídas por vinhas novas,

elegantes, meticulosamente orientadas à exposição solar e exclusivamente compostas pelas castas características da região, como que anunciando publicamente o surgimento de um tempo novo. Com vinhas novas, novo vinho apareceu. Um pouco por toda a parte surgiram novos rótulos dum vinho com tradições seculares. O vinho das tradicionais quintas da Beira Alta, cientificamente elaborado, sem perder a alma que sempre o caracterizou, economicamente viável e aberto ao mercado, igualmente novo, do enoturismo. A esse caminho trilhado por particulares, somou-se um gigantesco trabalho de profissionalização das adegas cooperativas que perceberam a urgência do saneamento financeiro, a necessidade da produção de vinhos de qualidade e o papel fundamental do marketing para o seu sucesso comercial. Hoje, o Dão recupera paulatinamente o seu lugar de região única no panorama dos vinhos de mesa em Portugal. Sem pressas, como que acompanhando o tempo que as vinhas novas levaram a crescer e a dar fruto. Como na safra agrícola, a região esperou o resultado da enxertia, do desenvolvimento da videira, dos primeiros cachos e finalmente da transformação da uva em mosto, para voltar a afirmar-se a nível nacional e internacional. Deu tempo ao tempo, como convém nestas coisas da lavoura. Hoje colhe os frutos. Com vinhos de qualidade ímpar afirmando-se sem complexos no exigente e restrito clube da viticultura mundial, o Dão respira novos ventos de esperança. A percepção de que o mercado vinícola extravasa significativamente a simples compra e venda de vinhos, permite um novo olhar sobre a trave mestra da agricultura regional. A incorporação das riquezas turísticas, históricas e etnográficas locais no produto vinho do Dão, é hoje uma realidade, abrindo caminho ao turismo da tradição e da genuinidade. Os “terroirs” da Beira Alta, envoltos em séculos de história e duma beleza natural incomparável, podem e devem ser os motores dum novo turismo que vai conquistando cada vez mais espaço a nível europeu e mundial. O vinho enquanto experiência única de percepção e partilha da realidade local é factor essencial de revitalização do turismo regional, num momento em que, cada vez mais, os visitantes do nosso país procuram experiências alternativas aos circuitos tradicionalmente oferecidos pelas agências de viagens. Em cidades como Viseu, percebe-se esta mudança de paradigma, ao falarmos com os turistas que, cada vez em maior número, procuram o interior do país como destino das suas férias. Mas, é sobretudo conversando com os proprietários das novas vinhas, com os directores das Adegas Cooperativas, os novos enólogos e os responsáveis pelo turismo regional, que percebemos a dimensão desta transformação e desta nova forma de entender o Dão, enquanto região única para a afirmação do enoturismo nacional. Que assim seja.

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por FERNANDO ALVIM

As pessoas falam muito na ”saudade” e no “cozido à portuguesa” como símbolos maiores deste país e ainda não perceberam que a “esperança” é a melhor coisa que tem Portugal. Não há país com mais esperança que o nosso e se querem saber, há uma esperança portuguesa que não consigo encontrar em lado mais algum, a não ser neste. E que estava aqui agorinha mesmo e desapareceu entretanto. Se não se importam, deixem-me ir ver nos bolsos. Falando a sério, em todo o mundo, a esperança é entendida com algo que devemos ter até morrer e essa, é justamente a diferença que nos distingue. Em Portugal, a esperança é algo que temos, mesmo depois de morrer. E por isso é tão forte e tão nossa. E se, reparem bem, quando em situações de notória calamidade pública, com imagens de pilhagens, bandidos aos saltos como se fugissem do Chuck Norris, incêndios, prédios destroçados e feitos em pó, e a repórter a perguntar a quem passa: “Ainda resta alguma coisa senhor?”, invariavelmente todos respondem “Não resta nada, não resta nada!” e posto isto, começam num pranto que Deus me livre. Todos, calma aí! Se for um português a ser entrevistado, eu aposto – e estou aqui a colocar 10 euros na mesa por causa das coisas – eu aposto dizia, que obviamente que dirão “ Não resta nada!” mas – e agora é que é! – “mas que ainda há esperança!” E posto isto, desatam também num pranto, que ninguém é de ferro. Daí que Portugal parta em vantagem em relação a qualquer outro país, por ter esta coisa que muitos confundem com optimismo mas que não é, que é esperança e é da nossa como fosse uma espécie de vinho caseiro, aqui do terreno se é que me entendem. E é esta casta que nos faz acreditar para além do razoável e acreditar que vamos ganhar o campeonato, que a Maddie vai aparecer com vida, que nunca seremos como a Grécia, que um dia Eládio Clímaco regressará aos Jogos sem fronteiras. É esta esperança, a portuguesa, que faz de nós o que realmente somos: de Portugal. Chama-se uma esperança chamada Portugal!

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ilustração de DANIEL GARCIA


Nas entrelinhas do dia a dia por DANIEL GARCIA

Pare. Respire fundo. Apague o telefone e o computador por um momento, e faça um intervalo dessa torrente de vozes, imagens e informação que nos rodeia. Entre o emprego e a família, das relações sociais à política, dos media às inovações, o quanto conseguimos ainda sentir? As ilustrações de Daniel Garcia baseiam-se na observação das pequenas subtilezas e contradições tanto da nossa sociedade como do dia a dia: pequenos pedaços de humanidade dos quais somos conscientes, mas por vezes esquecemos. “Estará a nossa percepção a tornar-se completamente dependente da tecnologia?”, “Quais os tipos de hierarquia existentes na nossa sociedade?”, são apenas algumas das questões postas e talvez… também por si.

Mais informações e contactos em: www.danielgarciaart.com www.trilinestudio.com

Com obra publicada em Portugal, Espanha, na Alemanha e na Polónia, colabora regularmente com o Diário de Notícias e com a revista National Geographic Traveler bem como vários clientes nas áreas de design gráfico e arquitectura através da marca TRILINE STUDIO.

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por HUGO MACEDO

Os filmes com cenas fortes, costumam ter um separador inicial, para prevenir os mais sensíveis de ficarem chocados. Entendam o meu próximo parágrafo, como algo semelhante. As poucas pessoas que, ainda, nutram alguma estima por mim, neste momento deverão ir ver o que está a dar na TV… e não voltem!!!:) Principalmente os portadores de crias… vulgarmente conhecidos por pais! Muitas vezes me perguntam : “Olha lá oh Macedo… mas tu não gostas de crianças?!” Eu não gosto é dos pais das crianças!!! Irritam-me solenemente, a maioria dos encarregados de educação (se calhar é esta palavra – EDUCAÇÃO – que tem que ser interiorizada) ocidentais. Pois então, digam-me que tipo de educação têm as crianças que não podem tocar em terra… porque é sujo, tem micróbios e é onde os cães fazem as suas necessidades! Crianças que se levam uma chapada na escola, é promovido um chá das cinco na escola, para debater e intervir sobre os problemas de violência naquele estabelecimento de ensino. Pais que, num encontro familiar, dão iPhones e iPads para as mãos dos putos, para que estes não os chateiem.  Que falam com as crianças, como se fossem atrasados mentais… não percebendo que estão a colocar-se a um nível bem inferior, atrasando apenas o seu desenvolvimento! Incutem tal espirito de facilitismo àqueles que serão os adultos de amanhã, que não terão qualquer perseverança na busca de um objectivo, quando confrontados com a primeira dificuldade. Criam crianças mimadas, egoístas e birrentas e sem qualquer espirito criativo… a não ser encontrar a melhor maneira para passar para o nível seguinte no jogo dos doces… ou comprar Apps, como se não houvesse amanhã, esgotando o plafond do cartão de crédito do Papá! Epá… uma criança tem que contactar com a natureza! Tem que se sujar de lama, que cair de uma árvore e partir os dentes (os de leite, claro… para isso é que eles servem), tem que levar uma ou duas chapadas do gajo mais forte da turma… tem que desenhar numa folha de papel.  Tem que apelar à imaginação fazendo bonecos de plasticina (Esta geração ainda sabe o que isso é?!?!)… Deixem as crianças viver, errar e aprender com esses erros!  Torna-os mais fortes psicologicamente e previne que, na puberdade, se queiram suicidar após o primeiro desgosto amoroso. :) Este super-proteccionismo assusta-me e cria personalidades aberrantes! Claro que há excepções… e essas, gabo-as veemente! Depois deste meu desabafo… Conto uma das minhas experiências em África… Where else?

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Em 2010, fui visitar uma vila de pescadores Sukuma, nas margens do Lago Victoria, Tanzânia. A esperança média de vida não é muito alta, por isso a quantidade de crianças é quase a mesma que dos adultos.  São imensos!!! Quando chegámos, fomos o centro das atenções, obviamente!  Os olhos dos putos africanos são a coisa mais expressiva que existe!  Não resisto a fotografar um, e outro, e outro…  É brutal virar a máquina para que se vejam nas fotografias! As reacções são do mais genuíno que existe! Ali, as crianças vivem em harmonia com a natureza.  Partilham experiências com outras crianças e adultos. Têm que apelar à criatividade para criarem os próprios brinquedos!


Levámos um saco cheio de doces para lhes dar! Alinhámos duas filas uma com os meninos e outra com as meninas, para que cada um tivesse direito a uma guloseima. Se calhar havia ali miúdos que nunca tinha provado um rebuçado.

Quando todos os doces já tinha sido distribuídos, veio um menino dar-me a mão, cheio de vergonha! Aponta para a máquina, para que lhe tirasse uma fotografia.  Era este menino e foi esta fotografia. :)

Mostro-lhe a fotografia e ele dá uma enorme gargalhada!  E em seguida, agarra-me na mão e dá-me o único doce que ela tinha recebido. E acreditem, foi uma luta para que ela ficasse com o doce!  Lá acabou por comer, transpirando felicidade! Claro que gosto de crianças!!!

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O Outro Lado da Rua, álbum de estreia do grupo ALMA

Primeiro trabalho discográfico conduz-nos numa viagem por sonoridades Ibero-Afro-Americanas. Lançamento a 02 de outubro de 2014. Tango Flamenco – Albatango -; ou da Morna - Uma Janela. Faixas que abordam de forma mais ou menos filosófica, nas palavras de Júlio Vilela, o tema “Como o Homem Modernus se vê a si próprio através dos olhos de quem o observa n`O Outro Lado da Rua!”.

O Outro Lado da Rua é uma viagem pelo tempo e pela imaginação. Um disco que fala do infinito, do aqui e do agora, de um passado que é presente, de uma Lisboa de outrora e de hoje, do eu e a cidade, de como vemos e somos vistos por quem observa n`O Outro Lado da Rua. Um reencontro de várias vidas e outros eus. De vidas que se escoam, renascem e reencontram...do Fado da vida.

O Tejo é o ponto de partida e chegada. Intemporaliae a Caravela que traz no futuro a voz de um passado. O cenário é a noite de Lisboa. As “doze Colinas” as diferentes sonoridades e estilos de música que nos ligam à diáspora e à história imaginária da Grande Ibéria. O Bairro Alto é o Ágora, o epicentro da trama.

O álbum O Outro Lado da Rua marca a estreia do grupo ALMA, um projeto musical que nasce do convite feito pelo Guitarrista e Compositor, Júlio Vilela a quatro amigos: Zeca Neves no Contrabaixo, João Barradas no Acordeão, João Ferreira na Percussão e Teresa Macedo na Voz.

Testemunho da maturidade artística dos músicos, O Outro Lado da Rua tem como fio condutor a forma de interpretação. É a sonoridade específica e própria do álbum, fruto do trabalho dos músicos e da voz suave e translúcida de Teresa Macedo, que dão corpo ao projeto e conduzem o ouvinte a descobrir os ALMA.

Integralmente acústico, o primeiro trabalho discográfico dos ALMA apresenta doze temas portugueses onde se cruzam as sonoridades do Fado - Fado (Não Sei) -; do Tango - Ler a Sina -; da Pop - Paixão Pelo Olhar -; do Bolero - Bolero-Bossa -; do

Ficha técnica Teresa Macedo .................. voz Júlio Vilela ................... guitarra João Barradas ........... acordeão Zeca Neves ........... contrabaixo João Ferreira ........... percussão Composição e letras:

Júlio Marques Vilela Produção:

Alma Gravação e distribuição:

Estúdios VBM/Records Misturado e Masterizado por:

Luciano Barros, Rui Fingers e Júlio Vilela Fotografias:

Luís Macedo Ilustração e Design:

Vitor Batalha

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Alinhamento 1. Despedida de Córdoba 2. Uma Janela 3. Albatango 4. Bolero- Bossa 5. A Mi Niño Vasco 6. LeraSina 7. Fado (Não sei) 8. Paixão pelo Olhar 9. Estranha solidão 10. O Mendigo 11. O Outro Lado da Rua 12.(Apenas) Mais um Cigarro *A titulo de exceção no dia de lançamento o acordeonista será o José Valente


“caminho”

caminho é um trabalho que antes de existir já era amado... Lançamento a 05 de outubro de 2014, na FNAC Viseu. Neste momento, com o Fado já enraizado na sua essência, Sílvia Mitev decide lançar este disco que permite revelar as suas influências búlgaras e africanas e, essencialmente, a sua ligação ao Fado. O resultado é um conjunto de músicas que nos transportam para um universo intenso e meigo, vigoroso e expressivo. A sonoridade reporta todo o fascínio e entrega da artista pela vida, pelos outros e pela música. O disco conta com uma grande diversidade de originais, alguns Fados tradicionais e alguns poemas de Sílvia Mitev, mais uma das suas facetas artísticas.

O percurso através de três culturas, três formas de vida, três sonoridades conduziu Sílvia Mitev a uma profunda e extasiada relação com a música! Caminho é a designação perfeita para descrever numa palavra todos os sentimentos e conhecimentos desenvolvidos ao longo dos anos. Sílvia Mitev cultivou desde cedo o gosto pela música, dotando-a de uma imensa cultura musical. Este conhecimento levou-a até ao Fado, que a seduziu e conquistou. A magia que envolve esta descoberta, leva a artista a cantar e sentir todo o universo de sensações e emoções que o Fado lhe desperta.

O que se espera do caminho é que todos que o ouçam tenham vontade de viver e de voltar a ouvi-lo!

Criou-se, assim, uma relação íntima e muito intensa, de dedicação e entrega.

Ficha técnica Silvia Mitev ............................... voz Hugo Edgar ...... guitarra portuguesa André Miguel Santos ... viola de fado João Paulo Rato .... guitarra clássica Carlos Martins .......... baixo acústico Francisco Mendes ........ contrabaixo no tema [Ao Cimo da Rua]

Telmo Lopes .......................... piano no tema [Ao Cimo da Rua]

Jaume Pradas ................ percussão no tema [Mãe Negra] Produção e Direção Musical:

Telmo Lopes Produção Executiva:

José Carmo Gravações:

EPM Estúdio, Telmo Lopes Misturas:

CANOA STUDIOS, Nelson Canoa Masterização:

CANOA STUDIOS, Nelson Canoa Fotografia / Photograpfy:

Hugo Macedo Artwork:

Studiobox

Alinhamento 01. ao cimo da rua música e letra Carlos Peninha 02. caminho [Leva o meu coração contigo] música e letra Paulo Martins 03. apenas a saudade música Carlos Peninha, letra Maria Moreira 04. mãe negra música Paulo de Carvalho, letra Alda Lara 05. um fado nasce música e letra Alberto Janes 06. um sonho real música e letra Miguel Zi 07. fado menor da paixão música Alfredo Marceneiro, letra Sílvia Mitev 08. teresa triste música e letra Paulo Martins 09. flor-de-lis música José Carlos Gomes, letra Sílvia Mitev 10. o destino do fado música Tó Zé Brito , letra A. Tavares Telles 11. porque fugiste do meu peito música e letra António Andrade 12. fado penélope música José Mário Branco, letra Manuela de Freitas / José Mário Branco 13. os campos minados do amor música e letra Luís Lapa

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“VIRIATVS” - O HERÓI VIRIATO por Bruno Esteves

Os Lusitanos eram povos que habitavam na Península Ibérica. Criados como pastores, treinados para caçadores e posteriormente guerreiros, os Lusitanos lutavam pelas suas tribos. Quando os Romanos invadiram a Península Ibérica, entre os Lusitanos, houve um que se destacou entre os guerreiros, o seu nome era Viriato. Não sendo o rei dos Lusitanos, Viriato foi líder na luta contra os Romanos e considerado um homem de princípios, justo e honesto. Depois de lutas bem sucedidas acabou traído pelos seus, enquanto dormia. Viriato ficou para sempre na memória do povo. O nome Viriato é indissociável da cidade de Viseu e por isso a Studiobox criou a marca VIRIATVS, uma homenagem e uma referência. Visitar a cidade de Viriato é poder levar na memória e na bagagem um VIRIATVS. O merchandising da marca está disponível em hotéis (Hotel e Golf Montebelo e Hotel Grão Vasco), lojas (Fnac e Quiosque da Sé), cafés, bares e restaurantes (Esplanada do Rossio, Irish Bar e Restaurante Cacimbo) e online em www.viriatvs.com. O kit VIRIATVS pode ser adquirido por 19,99€ e inclui uma t-shirt, uma caneca, um bloco de notas e um lápis. Para mais informações www.facebook.com/viriatvs. A comunidade VIRIATVS por Portugal e pelo Mundo está em expansão! Envia a tua foto com a T-shirt VIRIATVS e o local e participa no facebook do guerreiro!

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ANDRÉ APARÍCIO | RECIFE | BRASIL

Um livro:

FICHA TÉCNICA

André AparÍcio país Brasil cidade Recife nome

desde 2012 (há 2 anos)

UmA MÚSICA:

Um PRATO:

Ferramentas Lean, Gestão, Liderança,….. Keane – Somewhere only we know Polvo à Lagareiro; Arroz de Entrecosto

LATITUDE -8° 2’ 24,236 S LONGITUDE -34° 53’ 13,5 W

1. COMO É QUE TUDO COMEÇOU? O QUE O FEZ FAZER AS MALAS E DEIXAR VISEU? Tudo começou quando o meu antigo chefe da Martifer foi convidado para trabalhar para este grupo multinacional espanhol, com sede em Madrid. Nesse momento, ele tentou escolher uma equipa que o acompanhasse e eu fui um dos eleitos.

2. O QUE FAZIA EM PORTUGAL? E ACTUALMENTE QUAL É A SUA ACTIVIDADE PROFISSIONAL? Trabalhava na PSA – Peugeot Citroen Automóveis Portugal, S.A, em Mangualde. Na altura tinha a funçäo de Responsável de Convergência da Linha de Montagem (Gestäo da Produçäo e Implementaçäo Ferramentas Lean). Em Dezembro de 2010, mudei-­me para o Grupo Gonvarri. De Dezembro de 2010 a Dezembro de 2012, trabalhei no Departamento Técnico e Industrial Corporativo, na área das Energias Renováveis, rodando quase “meio mundo”: Espanha, Brasil, Turquia, Índia, Dinamarca, Alemanha,...

Desde os tempos da faculdade, e após ter efectuado Erasmus na Bélgica, que sempre tive o “bichinho” de ter uma experiência profissional no estrangeiro. O facto de ter essa experiência com uma pessoa que já conhecemos, facilitou, em parte, a tomada de decisäo. A decisäo mais difícil foi deixar a família (mulher e dois filhos).

Desde Dezembro de 2012 até à presente data, estou residente na fábrica de Torres Eólicas instalada em Recife, desempenhando a funçäo de Director Geral Adjunto. Sou responsável pelos Departamentos de Qualidade, Produçäo e Planeamento.

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3. COMO FOI A ADAPTAÇÄO, QUAIS FORAM AS PRINCIPAIS DIFICULDADES AO CHEGAR A BRASIL Em termos pessoais, houve algum receio do ponto de vista de segurança. Recife, para quem näo sabe, é umas das cidades mais perigosas do Brasil. Felizmente, até à presente data, näo tive a infelicidade de passar por qualquer momento de “aperto”. Sendo uma cidade com cerca de 2 milhöes de habitantes, o tempo gasto em deslocaçöes é muito diferente da nossa “grande terrinha”. Em termos profissionais, muitas diferenças.... Como costumam dizer muitos Brasileiros, “o Brasil está divido em dois países: “um de Säo Paulo para baixo e outro de Säo Paulo para cima”! Quem já teve a oportunidade de estar nestes “dois cantos”, sabe bem do que falo...Recife teve o seu “boom” nos últimos 5-­6 anos, durante o último mandato de Lula da Silva. Até esse momento, vivia praticamente do Turismo e do Cultivo da Cana de Açúcar. A falta de mäo de obra qualificada e o grau de comprometimento dos trabalhadores säo um grande obstáculo para a indústria. Estes factores ainda se tornam mais críticos, quando falamos de uma indústria 100% manual. 6. SENDO BRASIL UM PAÍS DIVERSIFICADO E TÄO DIFERENTE DE PORTUGAL, JÁ TEVE OPORTUNIDADE DE CONHECER OUTRAS CIDADES? Tive a oportunidade de conhecer algumas cidades do Nordeste, como por exemplo Salvador, Natal e Pipa e, como näo podia deixar de ser, o “famoso e grandioso” Rio de Janeiro! Sem dúvida, uma cidade a näo perder!

4. O QUE MAIS O SURPREENDEU NO BRASIL? O QUE MAIS GOSTA NESSE PAÍS? A felicidade das pessoas. As pessoas säo muito felizes com muito pouco! Pelo que posso ver, eles aproveitam a vida... a vida, para eles, está sempre em primeiro lugar. Vivem cada momento como se näo soubessem o que vai acontecer amanhä! A maioria, näo faz planos para o futuro. Este estilo de vida, como podem entender, näo é muito compatível com a actividade industrial.

7. PORQUE NÄO REGRESSOU ATÉ AGORA A PORTUGAL? Falta de projecto desafiador e insegurança associada à instabilidade económica do país.

Para os amantes de praia, a possibilidade de o fazer durante todo o ano, é um outro aspecto positivo. A variaçäo da temperatura em Recife é de 23-­33ºC, durante todo o ano. A única diferença é “calor com chuva” ou “calor sem chuva”! Por fim, e quando há tempo, temos sempre o churrasco, as caipirinhas, as caipifrutas, a Skoll, a Original e a Bohemia...

8. LONGE DE VISEU HÁ TANTOS ANOS, DO QUE SENTE MAIS SAUDADES? Da família em geral, em especial, da minha mulher e dos meus filhos, e dos amigos!

5. A REALIDADE DA CIDADE ONDE ESTÁ ACTUALMENTE É BEM DIFERENTE DE VISEU, QUAIS SÄO AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS?

9. COMO É QUE É VIVER NO BRASIL? FORA DA VIDA PROFISSIONAL O QUE MAIS GOSTA DE FAZER NOS TEMPOS LIVRES? Infelizmente, näo tenho muito tempo livre. A fábrica trabalha 24h/dia, 7dias/semana e 365 dias por ano. Sendo assim, tenho que estar “sempre ligado”! No entanto, quando se encontra um tempinho livre, costumo deslocar-me a Porto de Galinhas para fazer praia, corro na Avenida Boa Viagem (avenida principal junto à Praia de Recife) e faço “umas patuscadas” com os amigos (intercâmbio gastronómico)!

Näo existe comparaçäo possível.... Viseu é “pequenino” mas tem tudo organizado! Recife é gigantesco mas com muitas falhas ao nível de infra-­estruturas básicas. Se chove 2-­3 dias seguidos, temos água quase pelo capot do carro; estradas novas em que o asfalto dura 2 meses; cabos de energia e de telecomunicaçöes suspensos... Acho que säo um bom exemplo

10. PRETENDE VOLTAR UM DIA? Claro que sim. Gostaría de voltar... Se näo conseguir regressar, terei que voltar a levar a minha família comigo! Nesse momento, lá terei que começar mais uma “negociaçäo”, que se prevê difícil...

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[CEM] IRONIAS DO DESTINO por RUI RODRIGUES SANTOS

Como surgiu esta vontade de escrever um livro, uma história? “(Cem) Ironias do destino”, provavelmente essas “ironias” começaram ser desvendadas na 4ª classe e ganhei um prémio para a melhor composição entre algumas da escola e outras da região. Esse gosto por escrever acho que vem daí, Desde então, fui sempre escrevendo, sem partilhar, fui fazendo uns traços de escrita que fui guardando, mas que na verdade não usei para este livro, o primeiro. “(Cem) Ironias do destino”, essa ideia surge algures no início de 2014, em que houve um dia em que decidi realmente fazer algo e comecei por escrever 4 páginas sobre a vida de alguém inspirando-me em alguns factos reais e outros menos reais. Criei uma história ficcional que representa uma vida em concreto, amores e desamores, amizade, companheirismo, misturando isso tudo numa história transversal, onde a ficção aparece a marcar o ritmo, transparece a mensagem de que, efectivamente, somos muito daquilo que vivemos no dia-a-dia e muito menos aquilo que idealizamos como um futuro fantástico. Acho que por vezes nos esquecemos de valorizar aquelas que são as simplicidades da vida, os momentos que passamos com os amigos, a família e com as pessoas com quem gostamos de estar, são muito mais importantes que outros aspectos...

E se de repente alguém te disse-se que tinhas ficado milionário, sem causa aparente, desconfiavas ou não? Eu creio que tinha mesmo que desconfiar, até porque hoje em dia, ninguém dá nada a ninguém. Em “(Cem) Ironias do destino” alguém queria tornar outro alguém milionário, com uma cabala que podia ter sido extremamente perigosa, mas houve alguém que se preocupou com isso e acho que talvez tenha resolvido a situação.

Caso para dizer que o destino está sempre à espreita... Tal e qual... e esse (cem) que representa um número e ao mesmo tempo uma ausência vai de encontro a isso mesmo. Na perspectiva em que eu creio que as coisas acontecem num determinado momento porque estava assim destinado, ou não... Essa é que é a questão, que eu acho sempre difícil de responder e não consigo chegar a uma conclusão...

Este livro está escrito de forma encadeada, prende a atenção capítulo atrás de capítulo. Vai ter continuação ou esta história acaba aqui? É uma boa questão, eu parei ali porque achei que fazia sentido. Mas podia ter continuidade, foi um ponto. Vamos ver... para já é um final.

Daí a negação... Sim, daí a negação, nessa perspectiva. Agora existiram muitas coincidências para a história mais importante que está aí, para que a parte mais importante acontecesse, tiveram que existir determinados momentos que realmente conduziram o destino...

A capa... A capa foi idealizada por mim, é uma fotografia minha e da minha irmã, real, que consegue transpor algo do interior do livro. Esta carrinha diz muito a um determinado grupo de pessoas.

Mas não é um livro biográfico? Não, não é. Tem alguns momentos de inspiração na vida e alguns lugares que costumo frequentar, é um tributo também à cidade de Viseu, a Rua Direita, por exemplo, tem uma descrição que acho fantástica. Tondela, onde dou aulas, mas é muito mais que isso.

Sem coincidências não há amores verdadeiros? Há horas para tudo na vida, efectivamente há horas e segundos na vida em que tomamos decisões, precipitadas ou não e que podem precipitar tudo de diferente... Ironias do destino? Sim... de uma coisa tenho a certeza, sem essas coincidências não podem existir amores verdadeiros... ou amores, mesmo que não sejam verdadeiros.

Isto é o inicio de uma carreira de alguém que nos vai transmitir mais histórias? Eu espero que sim, que isto não fique por aqui... Aliás tenho um outro livro já bastante adiantado, pelo que espero em 2015 ter novidades nessa matéria.

É um livro de um homem apaixonado? Sim, tem muito amor e muita paixão à mistura...

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O Vinho, a Garrafa e a Rolha de Cortiça por Lopo de Castilho

FOTOGRAFIA DO MUSEU DO SACA-ROLHAS

Mistérios do Saca-Rolhas e do nascimento de uma trilogia perfeita: O Vinho, a Garrafa e a Rolha de Cortiça Museu do Saca-Rolhas – Mais do que ser um mero repositório de objectos, o Museu do Saca-Rolhas pretende ser um ponto de partida de reflexões várias: por um lado, sobre a evolução técnica, estética e funcional, deste objecto aparentemente banal, mas tão importante na nossa relação com o vinho – o Saca-rolhas – ; por outro lado, sobre a relação histórica entre Vinho, Garrafa e Cortiça, trilogia quase divina que ficaria incompleta sem este simples mas crucial objecto, o Saca-Rolhas.

civilizações greco-latinas, especialmente pelo antigo Império Romano.

A História do saca-rolhas, objecto actualmente indissociável, no nosso imaginário colectivo, do vinho e das garrafas de vinho, guarda ainda muitos mistérios; a sua verdadeira história, as suas verdadeiras origens, estão encobertas num certo mistério…

Neste tipo de recipientes terão circulado ao longo de todo o mediterrâneo, milhões de litros dos mais variados líquidos, entre os quais vinho e azeite, cujo vedante do respectivo “gargalo” já terão sido “rolhas” de cortiça.

Antes de mais, uma verdade essencial: o saca-rolhas foi inventado (ou adaptado) para a rolha, e não o contrário.

As ânforas, de destintos tamanhos e tipos de boca, tinham dimensões que variavam normalmente entre 1,50m a 30cm de altura, as mais pequenas, sendo estas últimas, frequentemente destinadas ao transporte de vinho.

Quanto à “rolha” de cortiça (as outras, sintéticas, poluidoras, e pouco amigas dos bons Vinhos, são coisas recentes), desde tempos imemoriais que terá sido utilizada para tapar a boca ou bocal de recipientes de barro, contendo líquidos ou outros conteúdos, fosse para os proteger de deterioração, fosse ainda para facilitar o seu transporte, sem risco de derramamento do respectivo conteúdo.

É importante salientar que, no território que constitui actualmente Portugal, têm sido encontradas diversas ânforas, cujo conteúdo foi muito provavelmente vinho. Assim, desde muito cedo, a cortiça se tornou um aliado e companheiro do Vinho, como o comprovam diversos achados arqueológicos, entre os quais uma ânfora datada do século 1 a.C., encontrada em Éfeso ou as diversas ânforas vinárias descobertas nas ruinas da cidade mártir de Pompeia.

Julga-se que já no antigo Egipto, cerca de 3.000 a.C., terão sido usados recipientes de barro, para armazenamento de vinho, cujo bocal receberia uma rolha em cortiça. Na Grécia, por exemplo, foram recentemente descobertos fragmentos de cerâmica que, após análises diversas, se concluiu que teriam contido vinho, datando de 4200 a.C..

Neste ponto, aproveitamos para relembrar outra verdade indiscutível, o sobreiro, a árvore da qual é extraída a cortiça, e que desde os mais longínquos tempos, permitiu ao Homem confeccionar acessórios vários, entre os quais vedantes para recipientes, isto é “rolhas”, é originária dos países

Um exemplo típico e fácil de ser perceptível por qualquer um dos nossos leitores, seriam as ânforas, as quais foram produzidas em quantidades verdadeiramente industriais pelas

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de pólvora), tinha que se recorrer a um acessório específico, concebido para esse fim, constituído por um conjunto de duas espirais, tal e qual alguns tipos de saca-rolhas!

mediterrânicos; ou seja os primeiros Homens a terem utilizado este magnífico material – 100% natural -, para estas e outras funções, terão sido os diversos povos da bacia mediterrânica, pois eram aqueles que tinham esta matéria-prima, directamente à sua disposição.

Mas terá sido mesmo assim? Não é a verruma (instrumento utilizado para perfurar madeira) muito anterior ao advento das armas de fogo?? Quanto a nós, é bem mais provável que este instrumento de carpintaria, que também tinha a sua utilidade na indústria da tanoaria (arte com mais de dois mil anos de História), esteja efectivamente na génese do saca-rolhas.

Os nossos Reis, logo nos primórdios da História Pátria, tiveram noção da riqueza constituída pelo sobreiro, e já no remoto ano de 1209, Dom Sancho I criava a primeira lei mundial, que o protegia; em 1292, El Rei Dom Dinis volta a elaborar nova lei que visava proteger sobreiros.

Na verdade a garrafa de vinho mais antiga que se conhece, é bem anterior às armas de fogo, e datará do ano de 325 da nossa era; descoberta na Alemanha, perto da cidade de Speyer, no túmulo de um legionário Romano, guarda ainda boa parte do seu conteúdo original.

Quanto à garrafa de vidro, que para nós actualmente também é indissociável do vinho, importa mencionar que foi, durante boa parte da sua existência, algo relativamente raro, frágil e precioso; por essas razões, muitos crêem que, só tardiamente terá começado a ser utilizada para guardar e preservar esse precioso líquido, que tantos momentos mágicos nos proporciona: O Vinho!

Assim sendo, a verdade é que, ao contrário do que é normalmente afirmado, muito antes do advento da indústria vidreira Inglesa, nos séculos XVII/ XVIII, já a garrafa de vidro tinha sido utilizada para guardar vinho, devidamente rolhado, como forma de garantir a sua preservação. E, fosse qual fosse o método ou técnica empregue, certamente que a sua a abertura exigiria a utilização de algum instrumento, ou seja de um “Saca-rolhas”, no sentido mais lato do termo.

O Vidro em si mesmo, também é muito provável tratar-se de uma invenção dos povos mediterrânicos, sendo a sua descoberta atribuída ora aos Fenícios ora aos antigos Egípcios. Seja como for, a sua criação parece datar de cerca de 4.000 anos a.C., sendo que por volta de 1.400 a.C., os Egípcios terão descoberto a técnica do sopro do vidro, que se revelará crucial, entre outros, para o desenvolvimento de garrafas. Como em tantas outras coisas, a Roma Imperial desenvolveu uma verdadeira indústria vidreira, tornando correntes taças e frascos de vidro.

Envolto em todos estes mistérios, e desconhecendo nós actualmente como seriam abertas essas primeiras garrafas, o que temos por certo é que, com o aparecimento de garrafas de vidro – material 100% reciclável e amigo do ambiente mais “industriais” e feitas de um vidro mais resistente, com uma capacidade mais “standardizada”, em meados do século XVIII, se começou pouco a pouco a redescobrir as vantagens de preservar o vinho em Garrafas de vidro, vedadas com rolhas de cortiça; e com elas nasceu também uma incrível perfusão de saca-rolhas!

Nos seus primórdios a garrafa terá servido principalmente para guardar outras preciosidades – perfumes e outros unguentos raros – e, muito provavelmente terá sido também nesses primeiros tempos, que a garrafa de vidro, conheceu o uso da rolha de cortiça.

Foi também em pleno século XVIII, no reinado de Dom João V, que em Portugal nasceu uma verdadeira Industria vidreira, sendo a mesma estabelecida na Marinha Grande.

Facto incontestável, confirmado por recentes descobertas arqueológicas, é que no antigo Egipto, por volta de 1250 a.C., já se fabricavam pequenas garrafas de vidro, destinadas a guardar preciosos perfumes.

Mas, quem efectivamente muito contribuiu para o desenvolvimento dessa mesma indústria, nomeadamente no fabrico de garrafas de vinho, foram os britânicos que, simultaneamente colocaram também o saber das suas indústrias de fundição e cutelaria, ao dispor do fabrico e desenvolvimento de um “novo” instrumento, o saca-rolhas.

A título de curiosidade, mencionamos que no Museu Abade Baçal, existe uma rara garrafa de perfume, da época Romana, com rolha de cortiça. Muito possivelmente, da necessidade de abrir estas pequenas garrafas, guardiãs de perfumes preciosos, é que terá surgido a criação do mais antigo saca-rolhas…

Desvendar e dar a conhecer estes e outros pequenos mistérios e curiosidades, indissociáveis de duas das maiores riquezas nacionais, - o Vinho e a Cortiça – é também uma das missões que o projecto Museu do Saca-Rolhas encara como suas. Estamos convictos de que tal missão muito contribuirá, não só para uma valorização dessas duas riquezas nacionais, mas também para o aumento do prestígio da “Marca Portugal”.

Bem, neste ponto as opiniões dividem-se e muitos daqueles que têm escrito sobre a origem do saca-rolhas, especulam que terá sido outra a sua génese. Para diversos autores este instrumento da nossa paixão seria posterior ao advento da difusão das armas de fogo portáteis, ou seja, arcabuzes, pistolas e mosquetes! Como e porquê? Como os entendidos e amantes das armas antigas mais facilmente percebem, estas primeiras armas de fogo, eram de carregar pela boca (a culatra era fechada, sem abrir) e quando, por algum motivo o disparo não se realizava, e havia necessidade de retirar a carga do cano (bala, bucha e carga

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Outono/Inverno: Você Está Na Moda por CARLA ALMEIDA

Mais uma vez, e com todo o prazer, volto a estar presente neste nosso “cantinho”, para vos vir falar um pouco acerca das tendências de moda para a nova estação que se aproxima. Muitos de nós ainda estão a aproveitar os últimos raios de sol, que este ano teimaram em escassear, outros estão a desfazer malas, a regressar à rotina, aos poucos. Sendo uma altura “saudosista” e que necessita de um maior esforço da nossa parte, nem tudo é mau! Vem aí uma nova estação, onde nos esperam roupas e acessórios novos, sim, porque o tempo mais frio é convidativo para o uso de mais acessórios e mais diversificados.

Recuperando já um pouco do que se tem vindo a ver ao longo dos anos, as tendências vintage, o voltar aos anos românticos trazidos pela moda francesa, neste Outono/ Inverno a inspiração vem-nos dos anos 60. Deste modo, voltam a estar presentes os cortes trapézio, quer em vestidos, quer em saias, as mini-saias vão ser um dos must have desta estação, no entanto dando sempre um toque moderno e despreocupado aos outfits. Relativamente aos tons, os pastéis predominam, no entanto voltam-se a misturarem com cores fortes e neons. Relativamente aos padrões, são destacados os padrões eco dos anos 60 bem como os artísticos.

Inicia-se agora a altura da queda da folha, de mudança na natureza, mas quanto à moda há tendências que são reaproveitadas o que tendo em conta a conjuntura económica se torna bastante favorável para o mundo feminino. Às vezes basta um olhar diferente e renovador para que uma peça seja reajustada e se virmos bem, as únicas peças mais imprescindíveis acabam por ser sempre os casacos e as botas, perdição para tantas mulheres. No entanto, podemos também surpreender com as novas tendências que se avizinham.

Uma das peças que não pode faltar, em nenhum armário feminino são os casacos, que para além de muito quentes e absolutamente indispensáveis, mais que um mero agasalho, podem bem demarcar o estilo de uma pessoa. Este ano, o clássico eterno, ou seja o casaco longo com tendências masculinas, é-nos apresentado como uma peça obrigatória. O preto, sendo a cor predominante da era clássica, veio para ficar, no entanto para quem não gosta de cortes tão direitos, pode optar por casacos um pouco mais cintados, mas sempre com linhas retas.

Outra grande tendência que, de certa forma, se mantém, são as malhas. Estas para além de serem práticas e confortáveis, conjugadas com um bom acessório, como os cintos, ou umas botas mais chics, acabam por dar para as duas ocasiões, tendo ainda a vantagem de serem peças muito quentes, o que é bastante favorável para as nossas condições climáticas. Mais uma vez, os estilistas, para este tipo de peças, apostam em tons neutros como os beiges ou os pastéis.

Outra peça que a vai conquistar são as capas. Estas chegam-nos de todos os feitios e cores, sendo um substituto do tão usado casaco. Destacam-se as que têm padrões ou acessórios como os bordados, ou as pérolas e remetem-nos para os contos de fadas. Outra cor absolutamente obrigatória vem da era do ouro. Mais uma vez os dourados vieram em força, quer em acessórios, quer em pormenores nas peças de vestuário, ou até mesmo em apliques para calçados. Uma tendência que se tem vindo a demarcar é a fantasia. Esta, embora pareça exagerada aos olhos de muitos devido aos materiais usados como as plumas, os bordados, usados na medida certa, acabam por fazer realçar as peças de vestuário, delinear silhuetas, e serem focos de atenção, personificando os outfits. Outra tendência bem demarcada neste Outono/Inverno são os caquis, acompanhados do look militar, que para além de serem inspirados nos uniformes, não deixam de todo de dar o seu toque feminino, já que se apresentam bastante cintados, modelando a silhueta. Depois de tudo isto, o importante mesmo é aproveitar mais esta nova época e usufruir de todas as experiências que poderá ter oportunidade de viver. Mas acima de tudo sinta-se bem consigo própria e seja fiel a si mesma! Esse é o grande truque para andar sempre bonita.

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UMA NOVA LUZ NA SUA VIDA! por Pedro Morais Leitão | CEO LUZBOA

A LUZBOA – Comercialização de Energia Lda é uma nova empresa de Viseu que vai operar no mercado liberalizado de electricidade em Portugal continental já a partir do último trimestre de 2014. O QUE É O MERCADO LIBERALIZADO DE ELECTRICIDADE? O mercado liberalizado permite a livre concorrência nos mercados de electricidade, possibilitando o aparecimento de vários comercializadores de energia e, consequentemente, uma maior escolha por parte dos consumidores. A totalidade dos consumidores em BTN (domésticos e pequenos negócios) têm um período transitório de 3 anos, até ao final de 2015, para mudar para um comercializador em mercado. No entanto, os consumidores com potências contratadas iguais ou superiores a 10,35kVA deverão escolher um comercializador de electricidade a operar no mercado liberalizado até ao final de 2014. Com esta última fase de extinção das tarifas reguladas para consumidores domésticos conclui-se o processo de liberalização dos mercados de eletricidade em Portugal continental.

O processo de mudança de comercializador é gratuito, não exige a mudança de contador, e é accionado pelo comercializador com quem celebrou um novo contrato de fornecimento de electricidade. Agora você é livre de escolher quem é o seu fornecedor de electricidade seja em sua casa ou na sua empresa, beneficiando de um mercado concorrencial em que várias empresas competem entre si para adquirir quota de mercado. Sugerimos uma visita à página da ERSE (Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos) para informações mais completas: www.erse.pt A LUZBOA – COMERCIALIZAÇÃO DE ENERGIA A LUZBOA quer ser a sua escolha na hora de mudar de fornecedor de electricidade e está a trabalhar na preparação da entrada em mercado, prevista para o último trimestre de 2014. A LUZBOA está a fazer uma campanha de pré-registos para que, quem se registar até ao final de Outubro de 2014, possa vir a beneficiar do tarifário “Luzboa Fundadores”. Todos se podem inscrever na nossa página de internet www.luzboa.pt através do formulário próprio para o efeito que lá encontram. Não se fica vinculado a nada. Quando o nosso tarifário vier a público as pessoas serão contactadas com uma proposta que são livres de aceitar ou não. Não há “letras pequenas”! Em breve será possível contratar com a LUZBOA através da página de internet e via telefone, além do contacto pessoal que será possível nas várias acções de promoção e através dos nossos agentes e comerciais. Como já referido, estamos sedeados em Viseu e achamos que a cidade nos pode dar as condições estruturais de que necessitamos, incluindo o capital humano que iremos procurar localmente para as diversas áreas de actividade da empresa. Além do nosso foco principal, que é a comercialização de electricidade, a LUZBOA está também a preparar a oferta comercial de soluções de autoconsumo através de kits fotovoltaicos que serão facilmente instalados na sua casa ou empresa e conectados a uma simples tomada. Desta forma poderá reduzir ainda mais a sua conta de electricidade e também a sua “pegada de carbono”, produzindo e consumindo parte das suas necessidades de electricidade. E você? Quer ter LUZBOA na sua vida?

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por Tiago Froufe Costa

Como tudo o que é bom, o Bons Rapazes também começou de umas conversas valentes a seguir ao jantar à volta de algumas garrafas de vinho. DÃO, claro. Porque vinho é no DÃO e no Douro, não me lixem. Vão ler umas coisas por aqui mas o melhor vai ser mesmo isto: converti mais um alfacinha ao vinho do DÃO. O Pedro está para lá de fã e às vezes sai “para lá de Baghdad”, na maioria delas com Adega Penalva do Castelo. Mas também faz parte. (Começo mesmo a acreditar que o meu papel no mundo é converter os alfacinhas em apreciadores de vinho nortenho mas isso sou eu com as minhas idiotices.)

Dizer que tudo é perfeito seria mentir-vos, alimentar um pequeno bicho desta dimensão dá bastante trabalho, confesso-vos. A construção da marca também passa por algum investimento próprio que ajuda a crescer e a indicar o caminho que pretendemos tomar. E, como vos digo, dá trabalho. Mas a cima de tudo um prazer muito grande que não nos deixa parar. E podem contar com novidades em breve.

Em Dezembro de 2013 começava mais uma aventura n(d)as nossas vidas, é que quando se eleva um projecto desta forma e o damos a conhecer a tanta gente diariamente, acabamos por assumir um compromisso e fazemos o maior dos esforços para que não seja um flop. O Bons Rapazes arrancou no primeiro mês com cerca de 1 milhão e 500 mil visualizações e uns milhares de seguidores pelas redes sociais. Estava lançado eram ainda 20h e às 23h já devíamos levar 12.000 seguidores no facebook e a sensação de dever cumprido, sucesso do evento garantido e convidados satisfeitos. Podiamos jantar à vontade e relaxar na companhia de um chá escocês. Meses depois, o “porquê fazerem isto” repete-se com alguma frequência e nós temos a resposta na ponta da língua, é que sair para trabalhar é completamente diferente de sair para um regabofe. É a desculpa perfeita, nós vamos trabalhar. Vamos mesmo trabalhar! Mesmo quando fazemos uns kms de mota pela Serra da Estrela, estamos a trabalhar. Mesmo quando passamos pela experiência de tirar a cerveja perfeita, estamos a trabalhar. Criámos o posto de trabalho que queríamos, aquele que sabíamos que nos daria prazer cumprir e para o qual teríamos sempre disponibilidade. O Bons Rapazes não é mais que um prolongamento do nosso dia a dia, dos conteúdos que consumimos e dos sítios por onde andamos. Não temos tudo o que divulgamos, infelizmente, mas a piada acaba por ser mesmo essa; o sonho, a ambição, não é só de quem nos segue e lê mas também é nossa e passamo-la pelos nossos posts. As motas, os carros, a moda, os acessórios, os gadgets, as viagens. Qual é o tipo que apesar dos 30 e poucos anos que não gosta disto?

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www.bonsrapazes.com


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Crónicas de Viagem – O Rio de Janeiro por JOÃO MOREIRA

Maurício tinha tudo para dar errado. Nascido preto, na favela do Vidigal, Morro dos Dois Irmãos, cartão postal do Rio de Janeiro, órfão de pai e com os dois irmãos agarrados, ainda guris, pelo tráfico de droga, Maurício era o protótipo perfeito do futuro bandido carioca. Não falo do malandro, personagem mítica da literatura e da música brasileiras, simpático e bonacheirão, habituado ao engodo e ao biscate, ao pequeno roubo e à briga de bar. Falo de bandido à séria, de AK47 na mão, baseado no canto da boca e nenhuma noção do valor de uma vida humana. Como os seus dois irmãos, podia ter começado, ainda criança, como aviãozinho dos reis do morro, a vender as doses de droga com que os mauricinhos do asfalto animam os finais de semana e as festas nas luxuosas coberturas da zona sul. Mas, Maurício não se deixou encantar pelos ténis fluorescentes, nem pelas roupas de marca, nem pelo apelo sexual dos bailes funk. Entusiasmavam-­no a escola e os livros e o sonho de uma vida fora da comunidade. Por isso, durante anos desceu do morro ao asfalto, imune às provocações de irmãos e amigos, que o tentavam com maços de grana e a companhia de “neguinhas gostosas doidas para transar”, ansioso para chegar ao trabalho que lhe permitia frequentar a escola, passaporte para o sonho de ser escritor ou jornalista. Conheci Maurício numa manhã quente de Agosto. Era barman no bar do hotel em que me instalara no Rio e era impossível ficarmos indiferentes ao seu sorriso contagiante. Entre um sumo de laranja e um expresso curto, contou-me a sua história. Faltava-lhe um ano para concluir a licenciatura em Literatura Portuguesa. Adorava Eça e Camilo, Camões e Pessoa. Discordou quando comparei Machado de Assis a Eça, defendendo intransigentemente a escrita cuidada do português, que a seu ver, Machado não conseguia atingir. Falei-­lhe de Agustina e Cardoso Pires, de Herberto Helder e Mourão Ferreira. Perdemo-­nos nas origens do samba e na poesia cuidada do quase analfabeto Cartola, na beleza musical da bossa e na revolução cultural descida dos morros, através do funk e do hip hop. Voltámos à conversa por diversas vezes e numa delas, perguntou-­me se lhe enviaria o “Livro do Desassossego” e a “Mensagem”, em edição portuguesa, pois segundo ele as edições brasileiras alteravam algumas palavras, tirando genuinidade aos poemas.

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Enviei os livros algum tempo depois, ao seu cuidado, para o hotel. Não sei se os recebeu e, nem mesmo quando o reencontrei, anos mais tarde, já gerente dum dos restaurantes mais famosos de Ipanema, me lembrei de lhe perguntar. Foi um reencontro surpreendente e emocionado. Com a altivez resultante do dever cumprido, Maurício, licenciado em Literatura Portuguesa, gerente de restaurante e aprendiz de jornalista, não escondeu a lágrima emocionada que lhe rolou pelo rosto ao perceber o enorme orgulho que sentimos por ele. -­Ainda mora na comunidade? Perguntei. -C ­ laro, né. Para quê mudar se tenho a melhor vista do Rio? Esperto este Dr. Maurício, gerente de restaurante, licenciado em Literatura Portuguesa, aprendiz de jornalista, que ainda arranja tampo para ensinar português e introduzir na literatura as crianças da sua comunidade, o Morro do Vidigal. Maurício tinha tudo para dar errado. Mas acreditou que tudo ia dar certo. E deu. Sempre que folheio o Globo, o Folha, o Estadão, ou a Veja, a Época a Isto É, procuro o seu nome, Maurício Aparecido dos Santos, sei que um dia o vou encontrar.


Studiobox Revista  

Edição de outubro 2014

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