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Jan/Fev/Mar de 2011 Edição #04

Ilustração . Literatura . Moda . Música . Grafite . Fotografia . Cinema

quitanda Confira o blog Ganhei do Ex e FofysFactory

Top Ten

As dez melhores do Flickr

banda letuce Um casal. Muito amor e muita música.


Expediente Coordenação Geral Sthefany Frassi | Féffi

Projeto Gráfico e Diagramação Sthefany Frassi | Féffi

jan/fev/mar de 2011 • edição #04

Os poemas nas páginas verdes são de Thaiana Gomes.

Colaboradores Finzo, Alan 23, Minetto, Juliett, Digo C, Pilar Bierro, Matheus Costa, Tiago Spina, Mozart Fernandes, Selo Coletivo, Grupo Acidum, Duo 6emeia, Banda Letuce, Julia Moreno, Ganhei do Ex, Fofysfactory, Lívia Colbellari, Nacha Boyeras, Larissa R, Daniely Alves, Roberta Zouain, Natália Mendes, Soma, Daniela Goulart, Tony Katai, Laura Melo, Karen Francisco e Kauê Scarim. Agradecimentos Agradecemos a todos aqueles que de alguma forma participaram desta publicação, direta ou indiretamente, colaborando para a possível realização.

Todos os materiais publicados são de responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da revista. é proibida a reprodução total, parcial de textos, fotos e ilustrações, por qualquer meio, sem prévia autorização dos artistas ou do editor da revista. A Strombolli está aberta para novas ideias e experimentos. Para colaborar envie seu material para o e-mail: o desenho da capa é de finzo www.flickr.com/finzo

contato@strombolli.com.br


PORTFÓLIO Finzo www.flickr.com/finzo

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Alan 23 www.flickr.com/finzo

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Minetto www.flickr.com/ederminetto

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Juliett www.julieet.carbonmade.com

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Digo C www.flickr.com/digo_c

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Pilar BieRro www.flickr.com/pilarberrio

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Matheus Costa www.flickr.com/tomatespacial

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música 92

Letuce www.myspace.com/letuceletuce

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música • reviews Por julia moreno

quitanda 100

ganhei do ex www.ganheidoex.com.br

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fofysfactory www.flickr.com/fofysland

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Tiago Spina www.flickr.com/alexsenna

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Um mundo de ambiguidades Por lívia colbellari

STREET.ART

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Mozart Fernandes www.flickr.com/mozartfernandes

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selo coletivo www.flickr.com/selocoletivo

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grupo acidum www.flickr.com/grupoacidum

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duo 6emeia www.6emeia.com

cinema

fotografia top ten literatura Noite em claro

Por kauê scarim


artes pl谩sticas

portf贸lio

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Finzo โ€ข Itรกlia

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Finzo โ€ข Itรกlia

Desenho > Finzo www.flickr.com/finzo

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Finzo โ€ข Itรกlia

Desenho > Finzo www.flickr.com/finzo

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Finzo โ€ข Itรกlia Desenho > Finzo www.flickr.com/finzo

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Finzo โ€ข Itรกlia

Desenho > Finzo www.flickr.com/finzo

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Finzo โ€ข Itรกlia Desenho > Finzo www.flickr.com/finzo

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29 Eu estarei observando você, Um pedacinho por vez. Te darei meu coração E sussurros no escuro. A minha alma está perto... Mantendo-me acordada, O que mais posso fazer? Por Thaiana Gomes 11


Alan 23 • Brasil

Desenho > Alan 23 www.flickr.com/fotoilustracao

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Alan 23 • Brasil


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Alan 23 • Brasil

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Alan 23 • Brasil

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Minetto • Brasil

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Minetto • Brasil

Desenho > Minetto www.flickr.com/ederminetto

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Minetto • Brasil

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Minetto • Brasil


Minetto • Brasil

Desenho > Minetto www.flickr.com/ederminetto

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Minetto • Brasil

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The beginning Estou me atirando . . . . . . . . Est達o atirando em mim Por Thaiana Gomes 25


Julliet • Brasil


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Julliet • Brasil

Desenho > Julliet www.julieet.carbonmade.com

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Julliet • Brasil

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Julliet • Brasil

Desenho > Julliet www.julieet.carbonmade.com

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Julliet • Brasil

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Digo C • Brasil

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Digo C • Brasil

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Digo C • Brasil

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Digo C • Brasil

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Desenho > Digo C www.flickr.com/digo_c

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Digo C • Brasil

Desenho > Digo C www.flickr.com/digo_c

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Pilar Berrio • Colombia

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Pilar Berrio • Colombia

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Desenho > Pilar Berrio www.flickr.com/pilarberrio

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Pilar Berrio • Colombia

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Desenho > Pilar Berrio www.flickr.com/pilarberrio


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Pilar Berrio • Colombia

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Pilar Berrio • Colombia

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Desenho > Pilar Berrio www.flickr.com/pilarberrio

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Pilar Berrio • Colombia

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Tudo ou nada Tudo ou nada se tornou áspero, farpado É o meu concreto. Tal qual é tangível farol certeiro Por Thaiana Gomes 47


Matheus Costa • Brasil

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Matheus Costa • Brasil

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Desenho > Matheus Costa www.flickr.com/tomatespacial


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Matheus Costa • Brasil

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Matheus Costa • Brasil

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Tiago Spina • Brasil

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Tiago Spina • Brasil

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Tiago Spina • Brasil

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Desenho > Tiago Spina www.tiagospina.com


Tiago Spina • Brasil

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Tiago Spina • Brasil

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Grafite

Street•art

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Mozart Fernandes • Brasil

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Mozart Fernandes • Brasil

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Mozart Fernandes • Brasil

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Mozart Fernandes • Brasil

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Street art > Mozart Fernandes www.flickr.com/mozartfernandes

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Selo Coletivo • Brasil

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Selo Coletivo • Brasil

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Selo Coletivo • Brasil

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street art

O Selo Coletivo *Texto de Robézio Marqs

O que há por traz desse selo? Uma carta ativista? Um recado de dominação do mundo, avisando que tudo será bombardeado com imagens impressionantes para assim chamar a atenção de todos? Não, nada disso...

Expandindo as possibilidades dos “lambes”, stencils, stickers, produzidos a partir dos confrontadores desafios que o fazer coletivo exige, mas sempre na busca de soluções naturais que a vontade artística proporciona.

O vôo do Selo Coletivo não vem a jato, mas sim de balão, calmamente reconhecendo a paisagem ao mesmo tempo em que sua sombra refresca o caminho. Esse balão do selo, não é inflado pelo fervor de idéias apresadas, mas sim por sopros de pura liberdade, criatividade e poética.

Mas se engana quem pensa que com toda essa leveza o Selo Coletivo não se arrisca com pousos forçados, pois é justamente nas sobras e brechas do caos urbano que essa tripulação de artistas mais se arrisca a aterrissar. Seja compondo as lacunas e vazios da insensibilidade das ruas ou trazendo calor a frieza das galerias o Selo consegue atingir a grosseria do cotidiano com a resposta mais aguda que só a delicadeza é capaz. o

Ao acompanhar a trajetória das artistas que compõem esse grupo, percebe-se o quão são capazes de reconhecer a privilegiada visão panorâmica do momento artístico que vivenciam. Suas criações partem da técnica do lambe-lambe oriunda das manifestações de comunicação de massa e referentes artisticamente a cultura de rua, porém seus deslocamentos, ampliações de uso e composição já se assumem perspicazes no pensamento e nos processos mais heterogêneos que a arte urbana vem se expandindo. Alheio as mudanças ou reestruturações de rótulos ou títulos, o Selo segue com suas confecções minuciosas, e suas mesclas em papeis, tecidos, texturas e citações.

“Meu grafismo e minhas circunvoluções são potentes e a liberdade que sopra no verão tem a fatalidade em si mesma”. Clarice Lispector (Água Viva)

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Street art > Selo Coletivo www.flickr.com/selocoletivo


Selo Coletivo • Brasil

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Grupo Acidum • Brasil

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Grupo Acidum • Brasil

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Street art > Grupo Acidum www.flickr.com/grupoacidum


Grupo Acidum • Brasil

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Grupo Acidum • Brasil

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Street art > Grupo Acidum www.flickr.com/grupoacidum

Grupo Acidum • Brasil

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Duo 6emeia • Brasil

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Duo 6emeia • Brasil

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Street art > 6EMEIA www.6emeia.com.br

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Duo 6emeia • Brasil

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Street art >6EMEIA www.6emeia.com.br


street art

6emeia O duo 6emeia foi criado e desenvolvido pelos artistas Anderson Augusto conhecido como SÃO, e Leonardo Delafuente conhecido como Delafuente, moradores do bairro da Barra Funda onde se iniciou o projeto com o intuito da mudança e transformação do cotidiano. O objetivo é modificar o meio ao qual todos vivemos propondo um novo olhar e uma reflexão em cima de temas gerados pelo trabalho inusitado e criativo, que consiste em pintar bueiros, postes, tampas de esgoto e qualquer outro objeto que construa o cenário urbano. Com os bueiros pintados propomos um novo tipo de linguagem entre arte/cidade e arte/ pessoas. Colocando a arte a serviço e alcance de todos. Mostrando que até o mais esquecido e indiferente objeto, se olhado com cuidado pode exalar arte. Os bueiros já pintados pelo 6emeia são como gotas coloridas em um imenso balde cinza. Afirmando dessa maneira que a arte não necessita necessariamente estar vinculada ou pendura em paredes de galerias ou museus. Em uma cidade tensa, confusa e mergulhada em cores como o cinza e beje, o duo 6emeia destoa da paisagem com sua paleta de cores, levando vida e bom humor a todos. o *Texto retirado do site www.6emeia.com.br

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música

Letuce *Texto de Robézio Marqs

Ela multiartista, ele multiinstrumentista. Um casal. Mil afinidades. Milhares de referências. Trocas. E muito amor. E muita música. Assim é o Letuce, projeto musical que os namorados Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos fundaram em 2008 e que agora da à luz ao seu primeiro rebento, o CD “Plano de Fuga pra cima dos outros e de mim”, lançado pelo selo independente carioca Bolacha Discos. Com produção de *Iky Castilho* e do próprio *Lucas*, que também assina a direção musical e os arranjos, o disco-exórdio do *Letuce* traz 12 faixas das quais 10 são de autoria do casal e duas são regravações: “Acontecimentos”, sucesso de Marina Lima e Antonio Cicero, e “Sérieuse Affaire”, uma deliciosa versão francesa para Caso Sério, hit de outro casal, Rita Lee e Roberto de Carvalho. Mais do que testadas nos diversos shows que a banda *Letuce* apresentou no Rio (e também SP, Paris e Londres) desde sua criação até a hora de entrar em estúdio, as composições de Lucas e Letícia presentes em “Plano de Fuga...”, e que viraram sucessos entre o público da banda, são verdadeiras odes pós-modernas ao encontro de duas cara-metades. Em músicas como “De Mão Dada”, “Êxodo Lunar”, “Binóculos”, “Potência”,“Horizontalizar”, “Ballet da Centopéia”, “Piscina Haikai”, “Seresta Quentinha”, e as escritas em inglês “Tuna Fish” e “Darwin’s Fairy Tale” – todas no disco – o casal expõe tudo aquilo que este tipo de encontro provoca: diversões, esperanças, projeções, sonhos, expectativas, cumplicidades, detalhes, intimidades, desejos, realizações, descobertas, constatações, ilusões. “Descobri a Letícia como quem esbarra num tesouro precioso sem procurar por ele. A curiosidade com a qual ela trata o processo de criação musical me surpreendeu. Intuitiva e moderna, Letícia escreve de uma maneira clara e direta sem se perder em firulas linguísticas e mantendo uma autoralidade implacável. Um prato cheio para um músico que ama harmonias e deseja canções”, revela Lucas sobre a namorada.

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Com o apoio da excelente cozinha de Rodrigo Jardim, no baixo, e Thomas Harres, na bateria, Lucas e Letícia dão vazão, tanto no palco como no estúdio, à enorme criatividade e irreverência que lhes são tão peculiares. Não seria pra menos. Leticia é uma show-woman nata. Atriz formada pela CAL e ex-estudante de Letras, com o grupo Comédia de Salto foi uma das primeiras mulheres cariocas a atuar no gênero “stand-up comedy”, numa época em que esse tipo de espetáculo nem sonhava em virar moda na cidade. Figura inconfundível, alta, extrovertida e com uma postura alternativa, foi selecionada por uma telefônica para rodar a América Latina no comando de um programa de mochileiros justamente por não fazer o tipo “apresentadora gostosa que pula de paraquedas e grita ‘que adrenaliiiiiina’”. Compositora desde criança e com dezenas de canções no baú, Letícia começou a enveredar com mais seriedade no mundo da música a partir de 2006, quando fundou a banda de rock Letícios e, logo depois, a banda de eletrônica Ménage a Trois. Já Lucas tem a música correndo nas veias desde cedo, e é a ela que ele sempre se dedicou. Formado em harmonia funcional e improvisação pelo curso Ian Guest de aperfeiçoamento musical em 1998, desde então atua como compositor e executor de diversos projetos musicais em teatro e cinema. Em seu currículo constam trabalhos como a composição e execução de trilhas sonoras da peça “Antônio e Cleópatra” de Willian Shakespeare em cartaz em 2006 e 2007, e do desfile da coleção da estilista Lena Santana no Fashion Rio, em 2004. Até que um dia Letícia encontrou Lucas, e Lucas encontrou Letícia. Amor e musica à primeira vista. Literalmente. A primeira composição em parceria do casal nasceu logo no segundo encontro e daí pra frente a produção a dois não parou mais. A criação da banda foi uma consequência natural desse processo. O CD, pensado e realizado com a calma de quem encontra no outro a segurança necessária para seguir adiante com um trabalho sério e dedicado, é a prova de que devemos e podemos acreditar no amor. E é isso que o Letuce quer mostrar e dividir com o público. Escute e apaixone-se você também! o 94


o Música >Letuce www.myspace.com/letuceletuce Veja o clipe da música Potência: http://www.youtube.com/ watch?v=5Brb0v1QZsM

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música • reviews

weezer *Texto de Julia Moreno

Em meados dos anos 90 os garotos do Weezer conseguiram agradar a gregos e troianos fazendo músicas que grudam na cabeça como “Buddy Holly’ e músicas que te fazem pensar, como “Say It Aint So” no mesmo álbum, o Blue. Como nem tudo são flores a banda ficou parada na critica por um bom tempo, por que depois do fracassado Pinkerton (hoje cult) ficou difícil imaginar que a banda sobreviveria. Mas eles voltaram em 2001 com uma sonoridade mais pop e assim tivemos o “Green Álbum”, o “Maladroid” e a ovelha negra, o “Make Belive”. Depois do “Red Album”, nosso vocalista Cuomo decidiu dar asas ao seu “Pinkerton” interno e se juntou aos caras do rap. Atualmente conseguindo manter alguns fiéis fãs, o Weezer se tornou uma caricatura de si mesmo, mas hoje vemos outro Cuomo, que já não agrada tanto como antigamente, mesmo escrevendo suas canções indies.

O atual disco “Hurley” - sim é o gordinho de Lost - mistura as referências da banda e coloca uma pitada de novidade, a musicalidade dançante! Assim, escutamos um álbum com muitos sintetizadores, como nos dois singles já lançados “Memories” e “Rulling Me” que tão cheias de tecladinhos e sons que mais parecem brinquedos infantis. Mas se o que você procura é se jogar na pista de dança, não deixe de ouvir “Smart Girls” no maior estilo “batidão”, assim como a faixa “Represent” que está na versão deluxe de lançamento. Mas o Hurley (George Garcia na vida real) também tem seus momentos baladas, como “Unspoken” que tem um tom acústico e bem fofo com um final mais rock, típica trilha de filme. A faixa “Times Fly” conta com uma produção que a torna mais diferente, batidas e violões que juntos formam uma gravação meio


atípica da banda, mas no fim acaba sendo uma faixa exótica e que agrada os que esperam por novidades. Em “Run Away” climinha 60’s com backing vocals e guitarras marcantes. Somando as dez musicas do álbum, temos um disco mais eclético musicalmente e diferente do antecessor “Ratitude” do ano passado. Eu sei que depois

de tudo isso pode ser meio esquisito aturar um cara que cursou a faculdade de Harvard e hoje cria letras bobinhas, ora românticas, ora com rappers, mas se você estiver com o ouvido despretensioso não deixe de conferir “Hurley” que não é tão primoroso quanto o “Blue Album”, mas pode animar bem a sua festinha. o


quitanda

ganhei do ex *Texto de Ganhei do Ex

Consumir de forma exagerada e sem limites, apenas por prazer e sem nenhuma reflexão do impacto que causamos no meio ambiente, é prática que está cada vez mais fora de moda. A preocupação com a sustentabilidade, ou seja, a capacidade de usufruirmos dos recursos naturais sem comprometer o futuro das próximas gerações, será um desafio cada vez mais presente em nosso dia a dia, principalmente se quisermos continuar vivendo com qualidade e conforto aqui no planeta Terra ;) Diante disso, alternativas para um consumo mais consciente e com menos impactos social e ambiental estão ganhando

um grande número de adeptos. Consumir com consciência, definitivamente, está na moda! Com essa bandeira, surgiu o “Ganhei do Ex” – www.ganheidoex.com.br –, um bazar virtual onde é possível vender e comprar peças usadas. O site oferece roupas, calçados, acessórios, itens de moda, design e decoração, frutos do desapego de pessoas de todo o Brasil. É um espaço para quem quer se desfazer daquilo que já não usa mais e também para quem quer aderir ao reuso de produtos, comprando peças cheias de história, a preços acessíveis. Qualquer um pode participar, basta ser cadastrado no site para começar a vender e comprar. A lógica do blog é bem simples. Quando resolvemos desapegar das peças encostadas no fundo do armário, permitimos que outras pessoas encontrem novos significados para aquilo que, para nós, já não tem utilidade. Por outro lado, quando compramos um produto usado, um novo produto deixa de ser produzido e, assim, poupamos os recursos naturais, economizamos energia e diminuímos o volume de lixo. Por fim, todos saem ganhando e o planeta agradece!

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A história do blog O “Ganhei do Ex” começou como blog em dezembro de 2009, a partir da ideia de duas irmãs e do namorado de uma delas. No Natal desse ano, a publicitária Roberta Calazans ganhou do namorado, o artista plástico Rogério Campos, dois sapatos que não lhe couberam e, mais, que não podiam ser trocados por terem sido comprados em uma liquidação. Um tanto chateado com a situação, Rogério se comprometeu em anunciar os sapatos na Internet e comprar um novo e belo presente de Natal com o dinheiro da venda. Como acontecia todo final de ano, Roberta e sua irmã, a designer de moda Marcela Calazans, já haviam separado para doação

as roupas, sapatos e acessórios que não usavam mais, hábito herdado e incentivado pela mãe. Durante uma reunião informal, os três resolveram criar um blog para colocar a venda os presentes “frustrados” e todas as peças separadas naquela “limpa” de final de ano. Além dos próprios desapegos, também reuniram os desapegos do restante da família e passaram a incentivar amigos e visitantes do blog a fazerem o mesmo, enviando as peças que já não lhes serviam para serem vendidas no blog recémcriado. O nome foi ideia de Rogério que, depois de errar na escolha dos presentes daquele Natal, achou que se tornaria o “ex” da história. 101


Em menos de 6 meses de atuação, já não era possível atender a demanda de todo o Brasil com a estrutura de blog. As irmãs tiveram que investir na criação de um site e de um sistema para facilitar a gestão das compras e vendas. Foi nesse momento que mais um integrante passou a fazer parte do time. O Jota, que além de namorado da Marcela também é analista de sistemas, entrou na história e construiu um sistema que tornou grande parte dos processos do site automáticos. Com a chegada do quarto elemento, o time ficou completo. Hoje, com a nova estrutura, os próprios usuários podem, sozinhos, cadastrar os seus produtos e promovê-los. As compras e vendas são intermediadas pelo “Ganhei 102

do Ex”, que recebe 15% de comissão para gerenciar todos os processos e garantir a segurança dos envolvidos – compradores e vendedores. Mais do que ser um bazar virtual, o “Ganhei do Ex” quer espalhar por aí ideias para um consumo mais consciente, mostrando que o desapego e a reutilização de produtos, além de boas práticas, podem ser bem divertidos. Ao comprar e vender no site, meninas e meninos de todo o Brasil experimentam uma nova forma de consumo e comprovam que é possível fazer aquisições incríveis gastando pouco e, melhor, com respeito ao meio ambiente e às próximas gerações. o


Ganhei do Ex – Blog Bazar http://www.ganheidoex.com.br Email: sac@ganheidoex.com.br Divirta-se comprando, vendendo ou fazendo tudo ao mesmo tempo!

Para saber mais sobre como vender no Ganhei do Ex: http://ganheidoex.com.br/vender Para ver a vitrine do bazar e comprar no Ganhei do Ex: http://ganheidoex.com.br/bazar Para entender como o site funciona: http://ganheidoex.com.br/pag/comprar-aqui-e-seguro


quitanda

fofysfactory Carol Grilo e sua mãe tem mais de 60 produtos que incluem bolsas, nécessaires, passando por bolsinhas para celulares e artigos para bebês e cozinha. Japonesas, norte-americanas, espanholas, inglesas, argentinas e portuguesas são algumas das clientes de seus produtos, que são vendidas pela internet e em algumas lojas no Brasil. Através de redes sociais e do boca a boca, a marca já foi assunto para as revistas

Capricho e Trip Linhas Aéreas, o jornal Folha de São Paulo e o portal Veja Online, além de suas peças já terem sido usados no cenário do programa humorístico “Sob Nova Direção”, da novela “Duas Caras” e da TV Globinho. Seu ateliê também rendeu um post no blog norte-americano Lifehacker, especializado em tendências para a vida contemporânea, e no blog brasileiro De(coeur)ação sobre estilo de vida e interiores.


1 - Como surgiu a FofysFactory? A FofysFactory surgiu sem querer. Sou arquiteta, e sempre gostei de desenhar. Mexendo em materiais guardados na casa da minha mãe, achei feltros e decidi testar umas ilustrações com eles, fazendo colagem. Adorei trabalhar com este material e logo foram surgindo outras ideias. Minha mãe sempre costurou e me ajudou a colocar em prática algumas das minhas criações. Na época, coloquei algumas fotos no Flickr e logo surgiram as primeiras encomendas. Até hoje trabalhamos juntas, eu e minha mãe. 2 – Desde quando existe a FofysFactory? Desde 2005. No final de 2006 abandonei meu trabalho como arquiteta para me dedicar exclusivamente à FofysFactory. 3 – Conte um pouquinho sobre vocês :) Como já disse, a FofysFactory é formada por mim e minha mãe. Tudo é feito a quatro mãos. Trabalhamos juntas e, às vezes separadas, cada uma em sua casa. Dividimos o trabalho, mas já temos nosso método, tudo flui muito bem.

4 – Explica como funciona o processo. É feito por encomenda? As pessoas podem escolher cada detalhe do produto? Nós trabalhamos sob encomenda, mas temos nossa lista de produtos. Porém, estamos sempre abertas a sugestões. Muitas novas ideias surgem de pedidos de nossos clientes. Essa troca é muito legal. 5 – Quanto tempo leva para produzir e entregar um produto? Pedimos de 2 a 3 semanas. Mas varia muito com o tamanho do pedido. 6 – Qual produto favorito das pessoas? Qual que você faz com mais freqüência? As vendas são bem variadas, mas tem os produtos mais queridinhos, que é o portamaquiagem (que também serve de estojo). www.flickr.com/fofysland/sets/72157605969153554

O mais novos queridinhos são o portapassaporte e o porta-cartões, por serem produtos criados recentemente. www.flickr.com/fofysland/sets/72157624799164208 www.flickr.com/fofysland/sets/72157624588792456

7 – Qual material utilizado? Usamos muitos materiais: tecidos, botões, viés, botões forrados, feltro, etc. o


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Quitanda > Fofysfactory Site: www.fofysfactory.com.br Facebook: www.facebook.com/FofysFactory Twitter: www.twitter.com/fofysfactory


CINEMA

Um mundo de ambigu Uma narrativa simples para um tema difícil *Por Lívia Colbellari

Histórias que tratam sobre temas tabus sempre me interessaram. Foi por isso que assisti a XXY, o título vai parecer familiar para quem estuda ou já estudou biologia. O filme é sobre uma adolescente chamada Alex, que nasceu com os dois sexos. O primeiro longa metragem de Lúcia Puenzo tem um clima sombrio devido a várias cenas silenciosas e com pouca luz. A diretora mostra de maneira muito sensível e sem moralismos, a angustia de Alex por não saber quem é. Além disso, ela trabalha com várias ambiguidades no filme além do sexo da protagonista. Assim que Alex nasceu, seus pais a levaram para morar em um pequeno vilarejo no Uruguai para evitar que ela sofresse preconceito. O filme começa quando ela completa 15 anos e sua mãe, disposta a operá-la para que ela se torne uma menina ‘normal’, chama um casal de amigos. O homem é especialista em cirurgia estética e se interessa pelo caso clínico da jovem. O casal também traz com eles o filho adolescente. Ao contrário da mãe, o pai chamado Kraken e interpretado pelo ator Ricardo Darin, demonstra desde o começo que ama a 108

filha como ela é. Ele diz que ela é perfeita e não tem nenhuma doença. Kraken é contra a operação, apóia as escolhas de Alex e a defende daqueles que a consideram uma aberração. Ao longo da trama, um misto de curiosidade e admiração faz com que o filho do casal e Alex se sintam atraídos. A paixão que parecia inocente passa a ser voraz, até que algo inusitado acontece entre eles tornando a relação ainda mais confusa. O drama argentino de 2007 retrata dilemas adolescentes somados a questão da intersexualidade, o que torna essas questões mais intensas ainda. Alex (Inês Efron) tem dúvidas sobre sua personalidade e sua sexualidade assim como qualquer outro adolescente. Ela também possui um comportamento confuso, mostra-se muitas vezes agressiva, mas em outras situações é tímida e sensível. O ganhador do Premio de Crítica do Festival de Cannes é um filme de pouco diálogos, as cenas focam nas expressões e nos olhares dos atores. Em muitas cenas o estranho é comparado com o normal. É um filme fascinante (ou angustiante, conforme a opinião). o


uidades

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Blog > LĂ­via Colbellari www.liiviacor.blogspot.com

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fotografia

top ten

Foto > Nacha Boyeras www.flickr.com/nachaboyeras

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o

Foto > Larissa R. www.flickr.com/satie


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Foto > Daniely Alves www.flickr.com/danicachinhos


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Foto > Roberta Zouain www.flickr.com/rzouain


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Foto > Natรกlia Mendes www.flickr.com/netali


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Foto > Soma www.flickr.com/fillesurlepont


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Foto > Daniela Goulart www.flickr.com/asleeponasunbeam


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Foto > Tony Katai www.tonykatai.com


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Foto > Laura Melo www.flickr.com/eumelolaura


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Foto > Karen Francisco www.flickr.com/karenfh


CONTO

despedida Noite em claro *Por Kauê Scarim

Enquanto o ônibus seguia cambaleando

por quem eu estava esperando. Mais

pela noite, eu tentava me concentrar no

baixo que a média e com uma barbicha

que tinha que fazer. Precisava me con-

em tanto desgrenhada, não aparentava

centrar.

ter mais que 30 anos. Após pagar a passagem e girar a roleta, encaminhou-se

O silêncio reinava absoluto dentro do

diretamente até mim. Seus movimentos

veículo, quebrado apenas por eventuais

eram meio mecânicos, como se os tives-

encontros dos pneus com os poucos bu-

se ensaiado antes de subir os degraus do

racos das ruas. Eu estava sentado bem no

ônibus. Sem tirar meu olhar de seu rosto,

meio do ônibus, na poltrona de corredor

permiti que passasse pela minha frente

exatamente em frente à porta de saída.

e que se sentasse na poltrona ao meu lado, na janela. Assim que o fez, evitando

Além de mim, do cobrador e do motoris-

meus olhos, tomou algumas longas gol-

ta, havia três pessoas no ônibus: um ca-

fadas de ar.

sal, nas últimas poltronas, e um homem dormindo encostado na janela, duas ca-

Pouco depois, percebendo minha insis-

deiras à minha frente. Em minhas mãos

tência em observá-lo, meteu a mão no

havia um pequeno objeto embrulhado

bolso, tirou de lá um bolo de notas e me

em papel verde-musgo, a exata cor do

deu. Sem contar, entreguei o embrulho a

assento em que estava sentado. Meus

suas inseguras mão estendidas. Ele pe-

olhos estavam fixos na porta de entra-

gou e guardou sobre as pernas, envol-

da. Já estava há mais de 20 minutos no

vendo-o com os braços com um senti-

ônibus e eu sabia que deveria estar che-

mento quase paternal.

gando. Tudo certo. Tudo como combinado. Após mais algumas ruas de espera, final-

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mente o ônibus parou, mais abruptamen-

Mas, quando eu me levantei, apoiando

te que o normal, e nele entrou o homem

minha mão no assento, e dei sinal para


o ônibus parar, ele me olhou, numa mes-

e todos os passageiros do ônibus. Neste

cla de assustado e indagador. Aquilo não

momento, o motorista percebeu o que es-

estava correto. Não estava no script. Des-

tava acontecendo, parou o carro e tentou

ci antes de qualquer oportunidade de ele

fugir pela porta da frente.

dizer algo. O fogo o alcançou na altura do primeiro Assim que pisei na rua, fui engolfado pelo

degrau, e suas costas foram engolfadas

ar frio da noite. Enquanto observava a

pelo rubro vento que neste momento es-

partida do ônibus, peguei meus cigarros

tava chegando ao tanque de combustível

e meu isqueiro, de prata. Dei uma última

do ônibus. O vento da morte. O motoris-

olhada para o veículo. Dentro dele, a pou-

ta saiu para a rua e se jogou na calçada,

cos metros de mim, um contador regres-

para a noite fria e estrelada, esperando

sivo zerava-se.

por uma ajuda que nunca chegaria. Poucos segundos depois, o motor explodiu e

Abri a tampa do isqueiro e chamas ir-

uma grande cratera de fogo se formou no

romperam debaixo da poltrona em que

meio do asfalto.

há pouco eu estava sentado. No mesmo momento em que a primeira baforada de

Não muito longe, em uma rua parale-

fumaça saiu da ponta do cigarro, a carne

la, um homem magro, de blusão e tênis

do homem sentado no ônibus começou

vermelho, pagava um táxi com um bolo

a tostar diante da progressão do fogo no

enorme de dinheiro, pedindo para o mo-

veículo. Comecei a andar no sentido con-

torista ficar com o troco, e soltava a última

trário, e, antes de meu terceiro passo, as

baforada de seu cigarro antes de jogá-lo

chamas já haviam alcançado o cobrador

fora, na calçada.

o

o

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#4 Edição da Revista Strombolli