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este valor, descontados os impostos, é 100% revertido para o

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PEQUENOS PRAZERES

UMA ESCOLA PARA TODOS BRINCAR NA ÁGUA E SE FEZ A LUZ: 31 NASCIMENTOS TODO MUNDO MERECE UM JARDIM

* 2 mai/jun 2008

BANHO DE CHUVA FILMES PARA SE APAIXONAR + COMIDA,SAÚDE, VIAGEM,TRABALHO

recomeço

Todo fim traz a chance de a gente se reinventar. Histórias incríveis de superação ensinam que dá, sim, para mudar


editorial

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o que vale é a ação

Somos quem podemos ser NINGUÉM ESTÁ CONDENADO A NADA. Tento me lembrar disso toda

vez que me pego suspirando por algo que não vai bem. Temos a tendência de andar com a pedra no sapato, sofrendo e se irritando, em vez de parar tudo e lidar com o problema. É comum cair na tentação de transformar o que incomoda em grandes dramas insolúveis: é o discurso do “é difícil”, do “não consigo”, do “não é minha culpa”, do “não tenho tempo”. Talvez porque assim a gente tenha uma desculpa pra se poupar do risco (e do trabalho) de fazer diferente – afinal, se é impossível, de que adianta tentar? Reclamar é fácil, mudar não. Mas, quando ouço histórias como as que você vai ler nesta edição, de gente comum (mas de garra extraordinária) que não deixou que nada as impedisse de seguir em frente, percebo a verdade: quem dá os limites do que podemos ou merecemos na vida somos nós mesmos. Todo problema pode ser uma chance de rever nosso caminho; todo fim pode ser o começo de outra história. A questão é aceitar quando não dá mais – e ter a determinação de partir pra outra, ainda que seja incerta. E, sabe, nem precisa ser um fim drástico, como uma perda ou uma doença. A vida é feita de ciclos. Todos os dias enfrentamos pequenos fins: nos relacionamentos, no trabalho, nos hábitos do cotidiano, nas nossas vontades. Quando algo não satisfaz mais, deixa-se de valer o esforço, quando os sentimentos ou a paciência se esgotam, cabe à gente reinventar a maneira de ser, fazer, pensar. Ninguém está condenado a viver mal. Ao contrário. A vida está cheia de prazeres a ser desfrutados, missões a ser abraçadas, sonhos para acontecer. Melhor gastar energia se arriscando em algo novo do que perder tempo sofrendo com o que passou. Esta revista está cheia de histórias lindas de gente que recomeçou, reinventou, mudou de idéia – e, ao fazer isso, mudaram seu mundo e o das pessoas à sua volta. Espero que elas inspirem você também.

Roberta Faria EDITORA-CHEFE

Cada nova edição de Sorria* é um recomeço. Para ir do zero à revista que você tem em mãos, contamos com o talento, o esforço e as idéias de muitas pessoas especiais. Uma salva de palmas para nossos novos brilhantes colaboradores.

Amanda Rahra

Claudia Carmello

Nina Weingrill

Thiago Almeida

Daniela Almeida

Gunther Ishiyama

Marília Filgueiras

Bruno Moreschi

Eloá Orazem

André Rodrigues

P.S.: Se esta é a primeira vez que você compra Sorria*, vale a explicação: ela é uma revista social da Editora MOL. Descontados os impostos, 100% do valor que você paga por ela é doado ao Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), um dos maiores e melhores hospitais no país a tratar o câncer infantil. O GRAACC fica em São Paulo, mas atende, gratuitamente, milhares de jovens pacientes do Brasil todo, realizando desde consultas até transplantes, além de atuar no ensino e na pesquisa. Ao oferecer um tratamento que preza a qualidade de vida, seus índices de cura são iguais aos dos hospitais de ponta dos Estados Unidos e da Europa. O GRAACC existe graças à parceria com a Universidade Federal de São Paulo, ao patrocínio de centenas de empresas e à colaboração de milhares de pessoas como você, que se associaram a essa causa. Comprar Sorria* também é uma grande forma de ajudar.


índice

5

conversar Cartas

28

6

capa Quando o fim é o começo

descobrir 8 5 prazeres simples

34 conhecer O homem do Sesc

14

Delícia de massagem

36 movimentar Viemos da água

conviver 16 Escola de todos

cuidar Um jardim pra você

18

amar 20 A arte de nascer

© Gunther Ishiyama

proteger

trabalhar O melhor de cada um

24

40 comer O bolinho da vó

42 viajar

Sozinha no mundo

46 brincar Cultura + diversão

50 ajudar Quem precisa de você


conversar DIRETORA EDITORIAL Roberta Faria DIRETOR EXECUTIVO Rodrigo Pipponzi

6

dividir para crescer

CONSELHO EDITORIAL

Amanda Kartanas, Antônio Sérgio Petrilli, Cristiana Pipponzi, Daniela Masson, Fernando de C. Marques, Roberta Faria, Rodrigo Pipponzi, Tammy Allersdorfer EDITORA-CHEFE

DIRETORA DE ARTE

roberta@revistasorria.com.br

claudia@revistasorria.com.br

Roberta Faria

Claudia Inoue

EDITORA ASSISTENTE

EDITORA DE ARTE

ccarmelo@editoramol.com.br

anapaula@revistasorria.com.br

Claudia Carmello

Ana Paula Megda

REPÓRTERES

DESIGNERS

amanda@revistasorria.com.br

andre@revistasorria.com.br

Amanda Rahra

André Rodrigues

Eloá Orazem

Natália Tudrey

Nina Weingrill

Marília Filgueiras

PESQUISA E PRODUÇÃO

ATENDIMENTO

jessica@revistasorria.com.br

elaine@revistasorria.com.br

eloa@revistasorria.com.br

natalia@revistasorria.com.br marilia@revistasorria.com.br

nina@revistasorria.com.br

Jéssica Kibrit

Elaine Duarte

COLABORADORES

Bruno Moreschi, Camila Rutka, Daniela Almeida, Gustavo Pereira, Marcela Besson, Marilia Neustein (texto) | Gunther Ishiyama (design) | Adriana Komura, Gabriel Silveira, Thiago Almeida, Estúdio Mol Vanessa Reyes, Nelson Provazi (ilustração)| Daniela Toviansky, Rodrigo Braga (fotografia) | André Costa (tratamento de imagem) | Júlio Yamamoto, Marina de Souza (revisão) ATENDIMENTO COMERCIAL

comercial@revistasorria.com.br

No decorrer de março e abril, recebemos centenas de e-mails e telefonemas de leitores inspirados pelas histórias da primeira edição de Sorria*. Aqui estão alguns deles – e nosso obrigado a todos.

DISTRIBUIÇÃO

Droga Raia TIRAGEM

120 mil exemplares PRÉ-IMPRESSÃO E IMPRESSÃO

Plural

Sorria* – Para Ser Feliz Agora é impressa em papel LWC 80g

A revista Sorria* – Para Ser Feliz Agora, edição # 2, ano 1, é uma publicação bimestral da Editora MOL Ltda. A revista é vendida nas lojas da rede Droga Raia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. O valor pago pelo preço de capa é, descontados os devidos impostos, 100% doado ao GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). Não admitimos publicidade editorial FALE COM A GENTE

contato@revistasorria.com.br |Telefone (11) 3034-3839 Rua Fidalga, 593, loft 6, São Paulo, SP, CEP 05432-070

www.revistasorria.com.br INSTITUIÇÃO BENEFICIADA

PRESIDENTE

DIRETORA

Sérgio Antônio G. Amoroso

Maria Helena F. Veríssimo SUPERINTENDENTE GERAL

VICE-PRESIDENTE

Antônio Sérgio Petrilli

DIRETOR

SUPERINTENDENTE DO VOLUNTARIADO

Fernando de C. Marques Paulo Anthero S. Barbosa

Lea Della Casa Mingione

PATROCÍNIO

FOTO DE CAPA

Andrews de Borba (Cherry Models) foi fotografado por Daniela Toviansky. Assistente de fotografia: Luiza Horta. Maquiagem: Patrícia Cardin. Tratamento: André Costa AGRADECIMENTOS

Capa - Marco Tucci Seção Ajudar - Boreal Tecidos, Tecelagem Cinerama Seção Viajar - Metrô Sumaré Seção Movimentar - Feliciano Natação, Club Athletico Paulistano

Tenho 32 anos e estudo para cursar medicina. Decidi pela profissão depois de visitar uma amiga que havia ganhado o primeiro filho. Acabei tendo contato com uma criança com câncer. Senti uma vontade enorme de fazer algo, ainda mais agora com meus filhos crescidos.Ver a revista me fez lembrar disso. Nada na vida acontece por acaso. Parabéns!

Comprei Sorria* por causa de um dos temas da capa – “Todo mundo pode dançar” – e pelo valor revertido para o GRAACC. Foi um chamado. Quando a editora relata como entrou pela primeira vez no hospital do GRAACC e se perguntou:“mas do que eu estava reclamando mesmo?”... Nós sentimos isso todos os dias. Há três anos, minha esposa e eu idealizamos Giovana Zanchetta, por e-mail o Solidariedança, um projeto para arrecadar, por meio da dança, Muito bom o primeiro número da alimentos, roupas e brinquedos para revista! A capa é uma gracinha, de bom doar a instituições. Fiquei feliz com a gosto e bem fotografada. Um astral iniciativa da revista e me emocionei ótimo. E ela está muito gostosa de ler. com as matérias. Agora também Parabéns a Daniela Toviansky pelas queremos colaborar com o GRAACC. fotos da matéria “Tudo em família”.  Fernando e Cintia Loureiro Lima Quem dera tivéssemos mais revistas Coelho, São Paulo (SP) assim no mercado. Aliás, é um absurdo serem descontados impostos da publicação, que angaria fundos para uma instituição séria como o GRAACC. Alguém precisa mudar a legislação que rege esse tipo de coisa, não?

Juliana Valentini, por e-mail


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Parabéns pela revista e pelo gesto nobre de direcionarem o dinheiro ao GRAACC! Além de estar ligada a um instituto de apoio às crianças com câncer, a Sorria* carrega um valor muito familiar. Não tem como não gostar de ler!

Alice Elias, por e-mail Inteligente, suave, interessante, atual e cheia de sensibilidade. Acabo de me tornar fã da Sorria*.

Ana Cláudia, por e-mail A revista traz artigos de excelente qualidade e que me ajudaram a repensar valores, inclusive sobre o voluntariado.

Parabéns a todos os colaboradores por esse projeto tão lindo. Meu coração até ficou mais leve.

Khellen Balan, por e-mail A graciosa balconista ofereceu-me a oportunidade de fazer o bem e eu comprei a revista. Sem saber, ela acabou por me fazer o bem. Tive a oportunidade de conhecer uma edição alegre, feita para nos inspirar na busca pela felicidade. Enchi os pulmões de ar – de São Paulo mesmo, podem rir – e caminhei feliz até o trabalho.

Meus parabéns! O conteúdo é excelente, os textos são muito bem escritos e as fotos, maravilhosas! Simplicidade, clareza e consistência. Continuem com esse belíssimo trabalho.

Fernanda Gazola, Belo Horizonte (MG) Fiquei tão encantada com as matérias da Sorria* que a coloquei em meu consultório e dei algumas de presente. Estou ansiosa esperando a edição número 2, 3, 4...

Patricia Del Menezzi, por e-mail

Alessandra Santos, por e-mail

Fiquei feliz com o que li na revista. Sou voluntária e acho muito legal um veículo de comunicação cumprir essa importante função social.

Recentemente, uma amiga do trabalho me emprestou a revista e disse: “É a sua cara, dá uma lida”. Adorei! A iniciativa, por si só, já é honrosa. Acrescida de temas tão agradáveis e estimulantes, torna-se ainda mais digna e grandiosa. É dessa bondade que o mundo precisa.

Adorei a foto da seção Descobrir, “Foi um rio que passou”. A imagem das duas senhoras sorrindo exprime tudo o que a revista quer passar.

Lígia Pin, por e-mail

Pablo Sganzerla, São Paulo (SP)

Graziela Pinto, por e-mail

Sônia Tavares, Taubaté (SP)

Prestando contas

Sorria* é uma revista social. O preço de R$ 2,50 que você paga por ela, descontados os impostos, é 100% doado ao GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer). E esses são os resultados da primeira edição:

Foram impressas 120 mil revistas. 1.500 revistas foram distribuídas, gratuitamente, nas ações de divulgação e aos patrocinadores.

118.500 revistas foram colocadas à venda em 207 lojas da Droga Raia em SP, RJ, MG e PR. Do lançamento, em 17 de março, até 7 de maio, dia de fechamento desta edição, foram vendidas 118.000 revistas.

O valor arrecadado com a venda foi de R$ 295.000,00. Pagamos R$ 30.000,00 em impostos, , gerando assim, com esta primeira edição, uma renda líquida de R$ 265.000,00, revertida ao GRAACC. Esse valor será usado na construção de um segundo prédio para o hospital, que vai ampliar o número de atendimentos a jovens pacientes com câncer. E ainda: graças à divulgação deste trabalho, centenas de pessoas preencheram a ficha na contracapa da revista e se tornaram sócios-mantenedores do GRAACC.

Espalhe essa idéia. Juntos, podemos fazer muito mais!

* VALORES APROXIMADOS, DE ACORDO COM O BALANÇO DE VENDAS DO DIA 7 DE MAIO.


descobrir

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o melhor do dia-a-dia

Diário de bordo texto M a r c e l a B e s s o n

ilustração G u n t h e r I s h i y a m a

foto D a n i e l a T o v i a n s k y


9

Você consegue se lembrar do sonho da noite passada? Às vezes é difícil juntar imagens, pessoas sem rosto e frases inacabadas. Mas essas viagens fantásticas podem ser registradas num diário. Anotar os sonhos ajuda no autoconhecimento, estimula a reflexão, auxilia psicoterapias e inspira idéias e soluções. No começo pode ser difícil lembrar-se de tudo. Mas o hábito de registrar os sonhos logo ao acordar fortalece essa memória. Alexandre Freire, cientista da computação, é testemunha disso. Há dez anos, ele se apaixonou

pela prática. “Vale escrever ou desenhar as narrativas”, diz. Hoje,

Alexandre está tão treinado que é capaz de descrever em detalhes cores, pessoas e conversas que invadiram seu sono – a imagem

acima é de seu diário. Assim como ele, também fizeram os mestres

Franz Kafka, Edgar Alan Poe e Federico Fellini, transformando sonho em arte. Na internet, o site criado pelo designer Dimitri Lime reúne

viagens oníricas de gente comum (tente você: http://dromma.org). A biblioteca de sonhos traz um sem-fim de histórias. Conte a sua.


Como uma locomotiva Viajar de trem é deslizar. Sem tropicão nem turbulência, os vagões rodam pesados e decididos, num sacolejar manso que embala a gente. Quando o corpo se acostuma com o movimento, a sensação é a de que estamos parados: a paisagem é que corre lá fora. Aqui dentro da cabine, o tempo é outro. E a época em que se ia e vinha de locomotiva pelo Brasil, por necessidade ou luxo, passou. Dela restam poucos trilhos por cidades do interior que nasceram – e adormeceram – ao redor de estações. As estradas de ferro foram cobertas de asfalto, e as viagens nunca mais tiveram o mesmo charme. Mas é preciso reencontrar essa decadência elegante dos trens, que guarda nostalgias de coisas que nem chegamos a viver. Pequenas rotas viraram passeio turístico, como a Curitiba–Paranaguá, na foto, que atravessa a Serra do Mar paranaense. Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo também têm seus trilhos (veja em www.abottc.com.br). Em viagem, um conselho de dom Pedro I, amante do trilhar: de vez em quando, feche os olhos. Retas e curvas suaves invadirão seus pensamentos. texto B r u n o M o r e s c h i


© 1 Divulgação 2 Rick Rycroft/ AP Photo

O mundo a passeio texto G u s t a v o P e r e i r a

Pra quem não tem, parece obrigação. Mas quem é dono sabe: andar com cachorro é mais prazer do que função. Deixar-se levar pelo faro dele por outros caminhos. Prestar atenção no que passa batido só porque, pro cão, é novidade muito interessante. Pegar-se rindo da coleira enroscada entre as pernas, com orgulho dos elogios ao amigo, satisfeito de ver o rabo frenético agradecendo a atenção. Passeio assim desenguiça o corpo e desanuvia a cabeça. Elaine Rocha, de São Paulo, pega o elevador às 5h30. É só a primeira das 14 viagens que faz ao dia para andar pelo bairro com Ágata, Kiara e Kelly. “Uma de cada vez, para não dar confusão. Dá trabalho, sim, mas faço com um sorriso no rosto”, conta. Sabe bem ela das vantagens. A maior: não existe jeito mais eficaz de fazer amigos. A simpatia do bicho (e a paz do dono, com essa desculpa tão boa pra parar tudo e ir passear) atrai o olhar de quem vem apressado. Uma troca de sorrisos, um afago no pêlo, qual é o nome?, e pronto: no meio da multidão anônima, um cachorro liga as pessoas – e conecta a gente mesmo em outro ritmo.


Não se

reprima

Cantar é o jeito de expressar coisas que,

ditas em prosa, não soam do mesmo jeito.

Vem daí a vontade de entoar aquela música pra alguém, a certeza de que a canção foi feita pra você ou o poder de um simples

refrão resumir um turbilhão de sentimentos inexplicáveis. Um velho ditado inglês já

dizia: para ser honesto, cante. Soltar a voz é instintivo. Como tal, pode até ser reprimido – mas que está aí dentro de você, ah, está. É de tempos imemoráveis que colocamos

ritmo na voz, transformamos emoção em bem, tão bem: pesquisas mostram que, ao

cantar com prazer, fortalecemos o sistema

imunológico, diminuímos os hormônios do estresse e aumentamos os do bem-estar.

Na atenção ao canto, aprendemos a ouvir o corpo. Respiramos melhor, a postura se

acerta, as emoções se soltam. Pode ser num coral ou no karaokê, dirigindo, no banho, acompanhando o disco. A voz não nasce

técnica – é a força que brota e se espalha por todos os cantos. Deixe sair.

texto M a r i l i a N e u s t e i n ©1

© 1 Birgid Allig/zefa/Corbis/LatinStock 2 divulgação

melodia, fazemos versos de preces. E faz


©2

Nas nuvens

texto D a n i e l a A l m e i d a

A vontade é a de que as figuras não desapareçam. A mente flutua até as alturas, viajando por amontoados de algodão-doce. Cavalos. Um homem de chapéu. Flores. Navios em pleno céu. Quem nunca passou a tarde apenas olhando para cima e brincando de dar forma às nuvens? Nesse jogo de adivinha, basta deixar solta a imaginação. O que é dinossauro para um pode ser jacaré para outro. Num instante, o vento faz do pássaro um avião. A mulher de perfil... Uma simples nuvem. Tudo depende da generosidade (e da poesia) de quem vê: aquela ali pode ser uma mera cumulus nimbus trazendo chuva, ou um menino pulando num pé só, o que escolher. A previsão é de céu limpo? Dá-se um jeito. Foi o que fez Vik Muniz, artista plástico brasileiro radicado em Nova York. Com um avião de pulverização agrícola, desenhou no céu azul nuvens feitas de fumaça. A obra de arte pública ficou registrada na série Pictures of Clouds. Mas se você prefere viajar em terra firme basta olhar para cima. Resgatar a deliciosa brincadeira de criança, esperando sem pressa elas passarem. Deixar leve o pensamento. E voar.


conhecer

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gente que faz a diferença

Não é utopia Conheça Danilo Miranda, o homem por trás do Sesc de São Paulo. Para ele, difundir a cultura e o bem-estar entre todas as pessoas é urgente, é possível e transforma texto N i n a W e i n g r i l l

foto D a n i e l a T o v i a n s k y

DANILO, NO SESC BELENZINHO: “CULTURA É TUDO AQUILO QUE VOCÊ CRIA”


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PODE PARECER UTOPIA. Só em 2007, 14 milhões de pessoas freqüentaram as unidades

do Serviço Social do Comércio (Sesc) da capital paulista. Viram shows, peças, mostras, praticaram esportes ou foram ao dentista. O Sesc tem uma programação eclética, com artistas de ponta, a preços acessíveis. Abriga um festival de filmes em webcam, feitos por gente comum. Traz uma atração da Europa para a unidade do Belenzinho, na periferia – não aos bairros nobres de sempre. E mistura música erudita com caipira, arte com brincadeira de criança. Parece utopia, mas é só um objetivo levado a sério. O sério, nesse caso, pode ser personificado na figura de Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc paulista há 24 anos. Ele acredita piamente que o objetivo formal da entidade – que não tem fins lucrativos e é financiada por empresas – é algo muito concreto: promover bem-estar social, desenvolvimento cultural e melhoria da qualidade de vida da comunidade.Talvez por isso esteja dando tão certo. O reconhecimento de seu trabalho a favor da cultura é unânime. Cientista social e filósofo, na entidade desde 1968, ele já foi chamado pelo dramaturgo Gerald Thomas de “o maior ministro da Cultura que o Brasil já teve” . Danilo recebeu Sorria* em seu escritório para um bate-papo: Sorria* – Jadel Gregório, nosso recordista sul-americano de salto triplo, teve sua primeira oportunidade no Sesc. Por que facilitar o acesso à cultura e ao esporte pode ser transformador? Danilo – Cultura, esporte, informação, inclusão digital, todo esse conjunto torna um cidadão mais feliz, mais confortável, mais integrado. E capaz de saber o que quer da vida. Porque decidir implica ter informação, conhecimento, convivência, observação. Também precisamos estar preocupados com nossa relação com a sociedade, com a política, o meio ambiente. Indivíduos que não participam, que ficam à margem da sociedade, vão ter um protagonismo reduzido. A proposta do Sesc é oferecer às pessoas a chance de crescer, desenvolver-se, dar uma contribuição e receber também. É interação. Uma cena como ver gente jogar papel para fora do ônibus, por exemplo, isso é falta de protagonismo? Danilo – É isso. O sujeito não tem informação. Ele não sabe que aquilo pode provocar o entupimento de um bueiro e causar uma enchente. Essa percepção de que nós fazemos parte de um todo, e que esse todo pode ser melhor ou pior conforme a contribuição que nós, individualmente, damos, é rara. E não é que a gente faça um

trabalho para dizer: “Olha, você é responsável, tome cuidado com o que faz”. Não é didaticamente inteligente fazer isso. O que você tem de fazer é proporcionar uma programação em que essa informação esteja embutida de maneira indireta, sutil. E proporcionar isso deve ser trabalho de quem? Danilo – De todos. Especialmente de organismos mantidos com recursos públicos, ou da iniciativa privada que tenha finalidade de interesse público. Mesmo nas sociedades mais simples, menos tecnológicas, há momentos em que o indivíduo não está trabalhando nem produzindo nada, está simplesmente participando de uma experiência cultural, de uma cerimônia... Os povos mais simples têm isso bem presente. É inerente ao ser humano: a alegria, o brinquedo, o prazer, o jogo. Faz parte. Cultura e entretenimento, por exemplo. Você acha que está claro para a maioria o que é um e outro? Danilo – Não. Entretenimento também pode ser cultura, e vice-versa. Tem de tomar algum cuidado aí. Do ponto de vista antropológico, cultura é tudo aquilo que você cria, que transforma a natureza. Alimentação, vestuário, caneta, caneca, vidro. Mas há uma diferença entre a cultura que

“Cultura, esporte, informação, inclusão digital, todo esse conjunto torna um cidadão mais feliz, mais confortável, mais integrado”

é educação, que torna as pessoas melhores, e a cultura que é mero entretenimento. Um tipo de cultura que não faz pensar, que repete o de sempre, é próprio do entretenimento. Agora, uma apresentação refinada de um poeta, um escritor, se me dá prazer, pode ser chamada de entretenimento. E o que mais quer o Sesc? Danilo – Mais unidades [hoje são 17 na Grande São Paulo e 15 no interior e litoral], mais presença em novos bairros e no interior e passar mais enfaticamente a idéia da ocupação produtiva do tempo livre. Você sabia que nós somos uma sociedade em que o tempo livre vai ser cada vez maior? Vamos produzir mais em menor tempo. E isso significa que teremos mais tempo para continuar produzindo, mas aí é produzir para a gente mesmo. Gostaria que todas as instituições percebessem o papel que têm no que tange a esse compromisso com a sociedade. Nós temos de preparar um mundo melhor para quem vem depois da gente. Não sou utópico. Acho isso fundamental. Sou contra a sociedade do conflito e da competição permanentes, contra o desentendimento como forma de vencer e ultrapassar. Eu parto da idéia da igualdade absoluta entre os seres humanos. Afinal, somos todos portadores dos mesmos direitos.


conviver

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o espaço de todos nós

Ainda são raras as instituições de ensino que abrem suas portas para aqueles que não são seus alunos. As experiências mostram que isso dá certo – e faz bem pra todo mundo

texto B r u n o M o r e s c h i

fotos D a n i e l a T o v i a n s k y

É SÁBADO DE MANHÃ , e o lugar já está

cheio. Uma turma joga capoeira; outra, basquete. No parquinho, um monte de crianças. O pessoal do churrasco já está acendendo o fogo. Daqui a pouco chegam os times de futebol, e um grupo da escola de samba vem ensaiar o enredo também. À tarde vai ter casamento, mas a festa não atrapalha o encontro dos budistas na outra sala. No fim do dia, acontece um sarau de música e poesia, que vai terminar em baile com valsa e, quem sabe, até um funk ou uma canja da garotada do cavaquinho. Aqui, tem lugar pra todo mundo. Esse lugar não é clube, nem academia, nem igreja, nem parque, nem centro

cultural. É uma escola pública de ensino fundamental no Peruche, periferia de São Paulo, que abriu seus portões para a comunidade – e, assim, se tornou o maior espaço de convivência do bairro, fazendo as vezes de...clube,academia,igreja,parque e centro cultural, tudo ao mesmo tempo.“Escola não é delegacia, onde só se deve entrar quando há um problema. Aqui podemos educar não só crianças e adolescentes como também todos que moram próximos”, ensina Waldir Romero, o diretor da Comandante Garcia D’Ávila, escola que virou de todos. Experiências como essa são raras na educação brasileira – e, ainda assim, infinitamente mais freqüentes entre escolas

CENAS DE UM SÁBADO NA COMANDANTE GARCIA D’ÁVILA: JOGO DE BASQUETE, CASAMENTO, AULA DE CAPOEIRA. TUDO E TODOS CONVIVENDO JUNTOS


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públicas do que particulares. Pena. Porque é bom pra todo mundo. Para os alunos, porque deixam de ver a sala de aula só como obrigação e começam a entendê-la também como lugar de lazer – e as atividades extras são, além de aprendizado, fonte de desenvolvimento emocional. Para os pais, porque, ao se aproximar do colégio, se envolvem mais com a educação dos filhos. A comunidade ganha um novo espaço para aprender, divertir-se e conviver. E para a escola porque, ao ser abraçada, tem chance de se tornar mais bem-cuidada e gerida, já que é um espaço compartilhado (e fiscalizado) por todos. Na escola de Waldir Romero, foi isso que aconteceu. Até sua abertura, ela era conhecida como “maloquinha”. Suja, depredada e perigosa, mas começou a mudar depois que o diretor instituiu os bailes de funk e hip hop aos sábados.A iniciativa ganhou o respeito e a boa vontade dos alunos, o que

Por que a escola fecha nos fins de semana? Por que só ir à aula ou em dia de reunião? Ela pode fazer mais por nós – e nós por ela

facilitou o convite aos pais para que viessem nos fins de semana praticar esportes. Hoje, a escola está aberta o ano todo. Além das atividades extras – a maioria ministrada por voluntários da comunidade –, como teatro, música e toda sorte de esportes, abriga os eventos de quem é do bairro, desde a escolha da rainha de bateria de escola de samba até casamentos. O espaço ficou limpo e organizado, e a repetência e a evasão escolar diminuíram drasticamente. Fazer uma mudança dessas é um trabalho grande, mas pode ocorrer até de fora para dentro. É o caso do colégio Rui Bloem, em Mirandópolis, que há dois anos é considerado pelo Enem a melhor escola pública estadual da capital paulista, à frente de muitas particulares. Lá, o motor da transformação foi a Associação de Pais e Mestres – que, vejam só, é dirigida por alguém que não é nem professor nem mãe de aluno. A telefonista aposentada Maria

Neuza Guidoni tomou para si o trabalho de zelar pelo espaço como forma de agradecimento pelo que seu marido e suas filhas, agora adultas, aprenderam ali. Ela ajuda a administrar as verbas, briga por paredes bem pintadas, jardins floridos e festas para unir a comunidade.“É a nossa escola”, diz. Esse senso de pertencimento é a chave para envolver pessoas e criar um espaço que atenda todos. Seja pública, seja privada, a escola pode fazer mais – e nós podemos fazer mais por ela. É o que acredita a educadora Fátima Freire: “Não é preciso reinventar a roda para criar uma instituição mais acolhedora”, afirma. “Trata-se de mudar a forma de tomar as decisões. Todos se sentam e discutem o que fazer, como numa reunião de condomínio, em que todos estão interessados no bom funcionamento do prédio.” E, assim como nas reuniões de condomínio, tudo começa com uma medida muito simples: aparecer lá.


cuidar

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nosso mundo, nossa vida

TODOS PODEM TER UM JARDIM Não importa se é um pedacinho de terra ou um amontoado de vasos no canto da sala. Cultivar plantas é acessível a qualquer pessoa e faz a vida florescer texto A m a n d a R a h r a É UMA DESSAS IMAGENS que a gente guarda, mesmo sem nunca

ter vivido de fato. O gramado verde, macio, com os pés descalços. Os canteiros perfumados e floridos de roxo, vermelho, amarelo, cor-de-rosa. A pitangueira carregada, o pé de jabuticaba fazendo sombra. O cheiro da terra molhada depois da chuva. A trepadeira cobrindo o muro, novas mudas nascendo do chão, uma abelha zunindo, a fileira de formigas em marcha. Isso é um jardim: pode ser o da sua casa de infância ou o da casa dos seus sonhos, tanto faz. Todo mundo tem um, plantado ou à espera de brotar. Jardins são espaços de pausa. Onde a infância acontece, contempla-se a vida, descansa-se do resto. Eles estão na literatura, na mitologia, na religião, ao redor das construções grandiosas. São metáforas para a vida: se bem-cuidados, nascem, crescem, florescem, murcham e recomeçam. Cultivá-los é entrar em consenso com a natureza, cuidar de si mesmo e presentear os outros com uma paisagem. Ah, suspira-se. Mas onde andarão os jardins agora? Para tê-los é preciso, antes de tudo, terra. Que nas cidades jaz sob

ilustração A d r i a n a K o m u r a

cimento e asfalto, e só em poeira aparece nos apartamentos.Tudo bem. Um jardim não é feito apenas de grandes espaços planejados. Uma floreira na janela, um quadradinho no chão, aquele descampado no fim da rua: pode nascer de qualquer lugar. Sabe bem disso dona Yayo Uemura,de São Paulo.O jardim dela é de uma causa só: orquídeas. Aos 90 anos, ela já perdeu a conta de quantas têm.Vivem numa estufa nos fundos de casa.Yayo compra mudas raras quando estão ainda bem miúdas.Vão levar anos para dar a primeira flor. Não faz mal.A graça é cuidar, duas horas por dia pelo menos.“São como filhas”, diz. E, mesmo quando estão prestes a explodir em cores, ela mal vê, porque empresta os vasos floridos à família e às amigas. Quando caem as flores, pega de volta. E vai tratar da planta, por mais um ano até a próxima floração. O cuidado e a espera são lições de quem cultiva um jardim. As plantas têm suas necessidades e o próprio tempo. Podem gostar da ajuda, mas não são controladas pelo jardineiro. E vê-las se desenvolver é assistir a um pequeno, porém grandioso, espetáculo.


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Cultivar um jardim é entrar em consenso com a natureza, cuidar de si mesmo e presentear aos outros com a paisagem Manoel Pires descobriu isso jovem: seu primeiro curso de paisagismo foi aos 14 anos. Trinta anos depois, ele abastece uma porção de jardins paulistanos a partir do seu, onde cada muda é cuidada como se nunca fosse sair dali. Planta flores, folhagens, temperos, árvores, tudo misturado do seu jeito, sem ordem aparente.“Sei onde está cada uma”, conta. Mesmo sendo trabalho, é o seu jardim. Como Manoel, o jardim do professor Rubem Alves tem sua própria lógica, que não é o dos ângulos perfeitos e espécies vistosas: é o das suas lembranças. Quando menino, o jardim era o lugar de sua maior felicidade. Longe dos adultos, podia ser ele mesmo. Cresceu desejoso de ter um pedaço de terra como aquele da infância. Quando finalmente conseguiu, não chamou paisagista. “Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro”, escreveu. Memória também é o que motiva a professora de filosofia Ivani Cunha Di Sarno a ter um jardim na varanda de seu apartamento, em São Paulo. Sua mãe, Helena, era dona de um dedo verde. “Ela pegava galhinhos por onde passava. Era colocar num vaso que florescia”, lembra. Seu segredo eram algumas misturas caseiras, como regar com a água do arroz lavado, e o carinho com que cuidava das mudas.“Quando surgia um botão, ela dava um beijo para que virasse flor,”, conta. Faz quase cinco anos que Helena se foi. Ivani ainda cultiva a flor-de-maio, o antúrio e o lírio-branco da mãe na varanda – a lembrança dela vive em seu jardim.

OEL

DICAS DO SEU MAN

jardim a mangueira? Um Um cacto ou um idar cu o m co a ib rdim. Sa é sempre um ja ço, to ou pouco espa Tenha você mui ina, ss sa m��o boa ou as luz ou sombra, plantas para a natureza tem visita a uma loja a seu feitio. Um uma conversa especializada e m jardineiro pode um de canto com a. vid a as flores de su lhe apresentar , os ques básic Alguns outros tru ro Manoel: ei in segundo o jard rco, planta com este # Alimente sua osso. ca e farinha de húmus de minho arroz oída e a água do Casca de ovo m s. soluções caseira lavado são boas o tem planta. Cada tip # Mate a sede da elas l ra ge em e, mas uma necessidad e os ad rn te dias al pedem regas em a. id úm te eiramen terra sempre lig o é cortar folhas # Pode. O básic lhos secos. amareladas e ga a terra canteiro, revolva # Seja vaso ou e. do, para que arej de vez em quan


amar

20

as relações que importam

E se fez a

luz

31 dias de um mês, 31 partos, 31 mães e... 1 bebê. Para cada uma dessas mulheres, só a sua criança nasceu. Conheça as histórias tão inéditas desses momentos tão iguais texto B r u n o M o r e s c h i

MARISA MATHEY, 38, E SUA BEBÊ, LUÍSA

fotos D a n i e l a T o v i a n s k y


21

NA HORA OU BEM ANTES , de forma planejada ou intrometida, de parto normal ou cesa-

riano, com choro, do jeito que for: eles e elas teimam em nascer. Na frieza dos números, quatro bebês surgem por segundo neste mundo de 6,5 bilhões de ex-bebês. É normal as pessoas comentarem que todos eles se parecem, a famosa carinha de joelho. Bobagem. Na emoção das mães, na palavra das famílias, cada número desses é uma história única. Conforme a teoria da experiente parteira Raimunda da Silva, do Amazonas: “Está para nascer um bebê igual ao outro”. A seguir, 31 histórias de mães e bebês brasileiros, nascidos em cada dia do mês de março. Partos fundamentalmente iguais, que geraram vidas fundamentalmente inéditas.

Dia 1º 11h49 São Paulo (SP)

Dia 5 0h16 Londrina (PR)

Quando Márcia Aparecida, 38, descobriu

Os amigos caçoavam de Fausto Pereira, 42,

De novo, não

que teria o segundo filho, temeu um

repeteco: seu primeiro menino, de 2 anos,

ficou 25 semanas na UTI e tem os músculos teimosamente rígidos. Mas, no primeiro dia de março, Gustavo nasceu, normal:

Faustão, a mãe

ao dizer que ele estava grávido. O futuro pai dormia mal, tremia quando lia os exames

e, em um domingo chuvoso, sentiu desejo por maçã argentina. Ao assistir ao parto da mulher, a pressão baixou e, quando

Dia 9 21h15 Criciúma (SC)

Pequeno padeiro

Ninguém sabe se Pedro vai gostar de lidar

com pães, tradição da família Aguiar. A mãe Rute, 34, nutre esperanças. O prenúncio, ao menos, foi favorável: dia 9, atrás do balcão da padaria, a mãe sentiu o sangramento. O trabalho de parto começou ali mesmo, com cheiro de pão saído do forno.

Dia 10 17h10 Curitiba (PR)

O retorno da forma

Há um ano, Luciana dava seus primeiros

passos. Já a mãe, Gabriela Silva, 25, escondiase nos 38 quilos que ganhou durante a

gravidez. Precisava renascer. Conseguiu neste dia, quando subiu na balança e

constatou a volta dos exatos 62 quilos.

recuperou os sentidos, já havia parido.

Dia 11 16h50 Rio Branco (AC)

Dia 2 16h32 Mococa (SP)

Dia 6 13h35 Rio de Janeiro (RJ)

Nove meses, doze livros. Enquanto o marido

A vida de Ana Leite, 28, soava desafinada:

Meu nome é Adelaide Martins, tenho

“Veio ensinar o irmão a andar”.

Sinfonia

não via os pais havia anos e o irmão

esbravejava seu rancor em público. Seu

sonho profissional – a música – também

não parecia próximo. Renato nasceu e deuse o afinar das notas: a família resolveu as pendengas no próprio quarto de hospital.

De quebra, Ana recebeu o tão almejado “sim” do conservatório de música: seria aceita.

Primeira pessoa

33 anos. A revista me convidou para que eu contasse a linda história do nascimento do meu Lucas. Topei,

sob a condição de que eu mesma escreveria o texto. Tenho certeza

lençol a fez sufocar o ego e ela permitiu que levassem a mãe ao hospital mais próximo.

Dia 4 21h17 Porto Alegre (RS)

À espera

O escolhido

garotão de 8 anos por entre os bebês do abrigo de órfãos. A mãe entrou ali de olho num branquinho, de cabelos

pressa de buscar o misterioso pai que tarda a retornar. Nasceu. Já são duas à espera.

ser mãe. O máximo que conseguiu foi o

posto de tia. Dez exames depois, descobriu que não nasceu para gestar. Adotar?

“Contra o destino”. Se pudesse, escolheria ter gêmeos univitelinos em um dia entre 10 e 14. Pouco importa o mês.

Marisa Mathey, 38, gosta de desafiar as leis

crescido. Nesse dia, João nasceu de novo.

Quando soube que mamãe teria mais

chutava sua barriga, talvez, como a mãe, na

Sonho

triplamente excluído: negro, pobre e

vermelhas. Foi lá que se deixou seduzir três últimos meses de gestação, a filha

antes do fim de Dom Casmurro.

Dia 13 13h30 São Paulo (SP)

emocionaram mesmo foi com o menino

Dia 8 3h30 São Paulo (SP)

pelos “olhos enigmáticos” de Souza. Nos

livro de piadas. O bebê Gusmão nasceu

cacheados. Mas ela e o marido se

Luciana Barros, 26, surgia sempre impecável no agitado bar gaúcho de paredes

silenciosas, leu dos clássicos russos a um

O desejo de Luciana Nunes, 32, sempre foi

O filho de Maria, 45, surgiu como um

da barriga da filha mais nova. O sangue no

de tudo para aplacar a solidão. Nas tardes

(Mas pelo menos tentei.)

A parteira Raimunda Silva, 51, gaba-se dos mãos. Mas o sétimo, José, custou a zarpar

petróleo, a grávida Luiza Ribeiro, 29, fez

Dias 10 a 14 qualquer horário Marília (SP)

pois tudo correu bem na gestação.

Dia 7 19h42 Curitiba (PR)

netos porque surgiram com a ajuda de suas

arriscava cálculos em uma plataforma de

de que meu relato não vai ser publicado,

Dia 3 4h Nova Airão (AM)

Orgulho de vó

Entrelinhas

O inimigo mora ao lado

um filho, Pedro Milan, 12, vislumbrou um

Nas mãos da ciência

naturais. Quando sofreu uma convulsão

cerebral, foi atrás da cura por conta própria.

Tempos depois, casou-se com um homem 30 anos mais velho. Deparou com o improvável e teve Luísa por inseminação artificial.

concorrente. Ameaçou fugir de casa por

Dia 14 15h12 Florianópolis (SC)

o pior de todos. Ele permanece aborrecido,

O nascimento de Elis foi capa de jornal.

pensamento e tachou aquele dia como

mas já ensaia sorrir para o pequeno Gustavo.

Extra! Extra!

A mãe, Cristiane Cordioli, 30, diagramadora


amar

22

do jornal A Hora, assumiu uma coluna

Em tempos de contenção de gastos,

Borges, 33, constatou que a Carolinna

grávida. Na sala de parto, além dos médicos,

a 75 quilômetros. E acha que compensou:

O gerador demorou cinco minutos para

semanal contando as aventuras de uma o repórter e o fotógrafo foram apurar a notícia que nascia.

preferiu ir de ônibus ao hospital de Niterói, o bebê nasceu bem e ela economizou R$ 80,00 do táxi.

nasceu. Bem na hora do parto, a luz acabou. reacender as luzes. Para a mãe, foi um longo piscar de olhos.

Dia 15 19h32 São Paulo (SP)

Dia 18 15h12 Florianópolis (SC)

Dia 21 18h10 Niterói (RJ)

Helena Martins, 34, adora coincidências.

As feições da pequena Amanda começaram

A família Groissman sempre festejou o

Tempo seco

Quando sua mãe nasceu, um mundo de água caiu do céu. Na sua vez, a

tempestade alagou toda a zona norte da cidade. Mas sua Bianca veio e teve

de se contentar com um sol de rachar e nenhuma nuvem no horizonte.

Dia 16 17h45 São Paulo (SP)

Valente precoce

Surpresa!

a criar forma há dois anos, quando

Osvaldina Vieira, 27, “deixou de se cuidar”.

Quando o exame confirmou o “positivo”, a

futura mãe comprou um par de sapatinhos e ligou para o marido: “Vem aqui pro meu trabalho?” Quando ele chegou,

ela mostrou os sapatos. Em público, ele chorou convulsivamente.

Ele decidiu e nasceu. Simples assim.

Dia 19 21h34 Milão (Itália)

resolveu desafiar as intempéries da vida

A carioca Ludmila Carrão, 29 anos, causava

O bebê de Gabrielle Arruda, 31, apressado, no sétimo mês da gestação. Mas desistiu

quinze minutos mais tarde. O mundo era pesado demais e os pulmões de Luciano não suportaram.

Dia 17 19h43 Magé (RJ)

Novos flashes

frisson nas passarelas internacionais. Um dia não a escolheram para um desfile em

Londres e o marido, belga, injuriado, sugeriu

à mulher uma profissão menos humilhante. Ela, então, escolheu ser a mãe de Catherine.

Economia

Dia 20 15h07 Sarandi (PR)

Paula Neves, 24, a mãe não teve dúvidas.

Foi só pela dor e pelo som que Lindmara

Quando Agatha quis sair da barriga de Ana

MÁRCIA APARECIDA, 38, COM OS FILHOS PEDRO, DE 2 ANOS, E O RECÉM-NASCIDO GUSTAVO

No escuro

Bebê-guloseima

Purim – que comemora a salvação dos judeus persas em 450 a.C – na casa da matriarca. Neste ano, celebraram no

hospital. Quando sua avó apareceu no quarto, Sheila, 24, fez piada. Além das

orelhas de hamã, típico doce judaico, aquele era dia de orelhinhas da bebê Renata.

Dia 22 15h38 Brasília (DF)

Uma barriga conectada

Gisele Souza, 31, descobriu que estava

grávida e entrou no Orkut. Pelo menos uma vez por dia, compartilhava as dores e as

alegrias da gestação via internet. Quatro

dias de silêncio depois e as amigas virtuais, em pânico, leram a mensagem: “Nasceu!”

Dia 23 23h16 Campo Mourão (PR)

Quem é que manda

Ela queria que seu filho nascesse em abril. Aconteceu um mês antes. Queria um


23

menino, apareceu Luma. Sonhava com

uma criança com os fios de cabelo lisos do marido, vieram enroladinhos como

os seus. No dia 23, veio ao mundo “uma

mulherzinha de personalidade”, resume Malu Amaral, 29.

Dia 24 8h28 Brasília (DF)

Registro antecipado

Maria Helena, 23, tem a mania de escrever tudo no diário. Por nove meses, o livrinho

virou a crônica de um nascimento. Um dia depois de Olívia nascer, ela fez questão de

pegar o dedinho da criança e tocar na frase que dizia: “Que linda é minha filhinha”.

Dia 25 11h11 Rio Branco (AC)

Só o que faltava

Uma noite de amor foi suficiente para

Renata Gama, 32, voltar para o ex-marido.

Eles haviam se separado, pois “faltou algo

a mais na relação”. Não falta mais. Gustavo, prezando a harmonia do lar, tratou de nascer um mês antes do previsto.

Dia 26 19h56 Paris (França)

Tradução simultânea

O charme parisiense sensibilizou a

pernambucana Maria Lutia, 28: tanto, que ela até sentiu que estava grávida no primeiro mês. Isadora nasceu

poliglota. Enquanto os pais a saudavam em português, os médicos davam as orientações fazendo biquinho.

Dia 27 7h39 Corumbá (MS)

Hora de parar

Em janeiro de 2005, Silvamara Martins, aos

16 anos, estreou como grávida. Nasceu José

MARITH BERBE, 30, COM SOFIA

Pedro. Em um ano, foi a vez de Gustavo.

Dia 29 21h13 Cambé (PR)

preparados para o nascimento de Sofia.

barriga. Agora veio Rodrigo. Para ela, a prova

Três meses antes de Yolanda nascer,

outros. Porque, quando seu bebê nasceu,

Passaram-se cinco meses e Priscila surgiu na derradeira de que precisa se cuidar.

Dia 28 19h18 Joinville (SC)

Ahhhhhhhhhhhhhhhhh

Milene Tambosi sempre quis filhos,

mas temia a dor do parto. Uma amiga,

Hi... não era

Claudia, 35, já tinha roupinhas para os cinco

primeiros anos da filha. O quarto, todo rosa,

Dia 31 17h30 Salvador (BA)

foi Carlos, bebê que gosta mesmo é de azul.

O engenheiro Francisco Almeida, 35,

um engano de ultra-sonografia. Quem veio

Dia 30 1h20 São Paulo (SP)

berros, a ponto de o médico perguntar

Marith Berbe, 30, é pediatra. Acreditava

repetidamente se estava tudo bem.

ela chorou muito. Marith Berbe, 30, é mãe.

ainda cheirava a tinta quando Yolanda virou

mãe de dois, deu a dica: “Grite bem alto para espantar a dor”. Virou mãe aos

Afinal, sua vida é lidar com crianças. Dos

Igual às outras

piamente que seus nervos estavam

PQP

atendeu o telefone tapando o ouvido

esquerdo para calar a britadeira. Ouviu:

“Ainda não é primeiro de abril. Seu filho

nasceu!” Emocionado, Chicão soltou um palavrão daqueles!


trabalhar

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para viver melhor

texto N i n a W e i n g r i l l , c o m r e p o r t a g e m d e G u s t a v o P e r e i r a ilustração T h i a g o A l m e i d a

QUANDO DUAS OU MAIS pessoas traba-

Partilhar experiências, idéias e gostos. É assim que vamos trabalhar daqui pra frente

lham juntas para alcançar um mesmo objetivo, o resultado quase sempre surpreende. O fato é que duas cabeças pensam melhor que uma. Essa idéia, aparentemente simples, sustenta o mundo. De cooperativas de reciclagem a enciclopédias na internet, colaborar é tarefa essencial no nosso dia-a-dia. Se você ainda não faz, vai precisar aprender. Por quê? Segundo James Surowiecki, autor do livro A Sabedoria das Multidões, as empresas começaram a perceber que os resultados melhoram quando todos têm o mesmo objetivo. Para ele, grupos com pessoas diversificadas solucionam problemas com mais eficiência. E o melhor: todos levam o crédito.

A troca vale mais Em um mundo competitivo como o nosso, uma situação em que todos saem ganhando parece rara. Mas existe. Sérgio Longo, de 41 anos, descobriu que trocar experiências,

erros e acertos pode mudar uma vida. Em 2003, Longo, que foi morador de rua, entrou por engano em uma fila da Coopere – uma cooperativa especializada em reciclagem. Cinco anos se passaram e Sérgio, hoje tesoureiro da Coopere, viu sua vida tomar outro rumo. “Virei gente”, diz. “Achava que estava fora do mundo, que não pertencia a lugar nenhum, e agora aqui estou. Eu precisava fazer parte de um grupo.” Na Coopere, as pessoas se unem para trabalhar pelo sucesso do empreendimento. E, claro, ganham dinheiro por seu esforço. “Para receber a recompensa, no entanto, é preciso escutar os outros. E aí você passa a trocar experiências, a ampliar seu conhecimento e a desenvolver novas habilidades. Sua atitude muda e a auto-estima cresce”, afirma Mariza Camalionpe, psicóloga especialista em recursos humanos.. A colaboração permite a todos – dentro de uma companhia, empresa ou de um mesmo grupo – ter um nível semelhante


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de conhecimento. E isso democratiza a sociedade, fazendo com que as pessoas trabalhem para um bem maior. “O trabalho cooperativo é como um time de futebol. Se o volante é driblado, o zagueiro precisa ir atrás e fazer a cobertura. No final, todos ganham ou perdem juntos”, diz Mariza.

A internet mudou tudo Revoluções na tecnologia, na economia global e na sociedade são as maiores responsáveis pela criação desses novos modelos de relacionamento, todos ancorados na comunidade e na auto-organização. E isso não é sinônimo de anarquia. Como no esporte, em que o capitão representa os outros jogadores, a colaboração também pede hierarquia.“Mas ela é reconhecida pelos trabalhadores, que vêem em alguém a capacidade de fazer o negócio funcionar”, avalia a psicóloga. De acordo com uma pesquisa feita pela especialista em colaboração virtual Jaclyn Kostner, a cultura da cooperação ultrapassa até as diferenças regionais. É só encontrar quem tenha interesses parecidos com os seus que você pode bolar, trabalhando junto a distância, um roteiro para a TV, seqüenciar o genoma humano, remixar uma música, encontrar a cura de uma doença ou aperfeiçoar um novo software. Matheus Rossi e Milan Repovž são pro-

O trabalho colaborativo exige que se escute o outro. A troca de experiências leva ao desenvolvimento de novas habilidades e a uma mudança de atitude, em que cada um faz a sua parte e todos têm o mesmo objetivo va disso. Separados por 9,3 mil km, o bancário mineiro e o estudante de engenharia de Liubliana, na Eslovênia, utilizam o Linux – um tipo de Windows, só que gratuito – para trocar informações e aprimorar o programa. Os dois criam ferramentas para o software e redistribuem suas mudanças pela internet, deixando o Linux cada vez melhor. “Eu não conseguia fazer o processador entender o que futebol significava”, lembra Matheus. Milan o ajudou. Agora trocam até cartões de Natal: o trabalho colaborativo também ajuda a fazer amigos. Flickr, Second Life, YouTube e outras comunidades on-line sobrevivem dessa maneira. O filósofo francês Pierry Lévy classifica esse fenômeno como “inteligência coletiva”, muito bem exemplificado pela Wikipédia, uma enciclopédia on-line em que os usuários acrescentam e editam os verbetes sentados em casa e sem ganhar nada por isso. A versão em português

do site já tem mais de 371 mil artigos e sua margem de erro é menor do que a da conceituada Enciclopédia Britânica. Agora,nada disso acontece sem envolvimento. Para Henry Jenkins, do Instituto Tecnológico de Massachusetts, o trabalho colaborativo, em qualquer âmbito, formase ao redor de interesses comuns. “O conhecimento construído por essas pessoas é tão sério e comprometido que pode ser maior do que a experiência de qualquer especialista”, diz Henry. É só começar.


Da esquerda para a direita: Sara Luana Nunes Nonato, encarregada; Vagner Machado Lima, gerente; Luciana Guindler Sergi - suporte operacional. Filial Droga Raia Sumaré

Estamos em clima de Festa! Nós da Droga Raia estamos em festa. A primeira edição da revista Sorria* foi um grande sucesso. Nossos clientes sorriram para o projeto e em pouco mais de um mês e meio, foram vendidos quase 120 mil exemplares. Prova de que sorrir é sempre o melhor remédio.


A revista Sorria* é vendida em toda rede Droga Raia e toda a renda (descontados os impostos) é revertida para o GRAACC. Com a participação de funcionários e clientes, a 1ª edição da revista Sorria* destinou o valor total de R$ 265.000,00. E isso é só o começo!


crescer

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valores que mudam a vida

Quando o f im

é o começo

QUANDO TINHA 8 ANOS de idade, João

Carlos Martins já era um gênio. Aos 20, apresentava-se ao piano com as melhores orquestras, nos maiores palcos do mundo. Sua maneira de tocar, com mãos tão rápidas que os dedos sobre as teclas pareciam borrões, era considerada pelos mais respeitados críticos de música clássica brilhante, virtuosa, possessa. O jovem pianista, um cabeludo magro, de óculos e fraque, que fazia cara de maluco enquanto interpretava as obras de Bach, era aplaudido de pé. Então, aos 26 anos, num jogo de futebol, João morreu pela primeira vez. Com 26 anos, Mara Gabrilli era livre. Morava sozinha. Fazia duas faculdades, de publicidade e de psicologia, trabalhava, namorava. Gostava de sair pra dançar e de correr longas e exaustivas maratonas. Desde criança, quando jogava tênis, nadava, tocava piano e violão, vivia dando piruetas e subindo em árvores, tinha o espírito do desassossego. Quando podia, viajava. Chegou a viver um ano e meio na Itália. Com menos tempo, ia ao litoral. Olhar o mar a ajudava a pensar sobre a vida que queria ter. E então, aos 26 anos, ao voltar da praia, essa Mara morreu.

A vida acaba e recomeça todos os dias. Adaptar-se às mudanças pode ser difícil, lento e assustador. Mas dessa transformação renascemos mais fortes e realizados

Ninguém está preparado para o fim. Seja previsível, já sentido num aperto no peito pelo jeito como andam as coisas, seja inesperado, como um degrau que não se viu no chão, todo fim é uma perda... Do que se tinha como certo. De planos e perspectivas acalentados. De quem pensávamos ser. Pode ser um relacionamento, um trabalho, sua saúde plena, uma fase da vida — tanto faz. Quando algo acaba, uma parte da nossa história se encerra. E há duas maneiras de lidar com isso: apegando-se ao que sobrou ou começando tudo de novo. “Recomeçar é nascer outra vez”, pensa Dulce Critelli, filósofa e terapeuta existencial, da PUC de São Paulo.“Não se trata de partir do zero: já temos uma vida, um passado, um jeito de ser. É a disposição de se lançar ao desconhecido.” O que provoca a transformação pode ser pôr em prática o velho sonho de largar tudo e viajar, uma doença,uma paixão ao virar a esquina,a perda do emprego, uma gravidez, a chuva no meio da festa, um acidente. Algumas coisas controlamos — e muitas outras não. Bastante natural, pondera Dulce.“A vida é assim. Não podemos planejar tudo. O inesperado nos convoca, e é preciso lhe dar uma resposta.”

As vidas de João Quando foi convocado para uma pelada com a Portuguesa paulistana, seu time do coração,João Carlos Martins aceitou.A Lusa estava de passagem por Nova York, onde morava. Durante o jogo, no verão de 1966, uma pedrinha resvalou do chão e foi cravar no braço do pianista. Cortou um nervo, e os movimentos da mão direita endureceram. Um ano de fisioterapia. Quando voltou aos palcos, um respeitado crítico americano escreveu que João não era mais o mesmo. “Tinha razão. Eu não estava concentrado na música, mas nas minhas limitações”. Foi sua primeira morte. Arrasado, João vendeu os pianos, anunciou o fim da carreira e virou treinador de boxe. Se não podia ser o grande Martins, não queria mais saber da música. Só que João descobriu que doía mais ficar longe do palco que aceitar sua nova condição — e decidiu enfrentar o piano, mesmo com limitações. Depois de sete anos de reflexão, treinos exaustivos e tratamentos intermináveis, ele reestreou. Para surpresa geral, havia superado não só a lesão, como o próprio talento: o músico que voltava, mais maduro, era ainda melhor do que o perdido naquele jogo de futebol.

© divulgação

texto R o b e r t a F a r i a com reportagem de Amanda R a h r a e N i n a We i n g r i l l fotos R o d r i g o B r a g a ilustração N e l s o n P r o v a z z i


RECOMEÇAR É... APRENDER A DIFERENÇA ENTRE O MUITO DIFÍCIL E O IMPOSSÍVEL. E SE REINVENTAR, TANTAS VEZES QUANTO FOREM NECESSÁRIAS, COMO O MAESTRO E PIANISTA JOÃO CARLOS MARTINS


crescer

30

João renasceu. Aclamado como um dos melhores intérpretes do compositor alemão Johann Sebastian Bach que o mundo já havia visto, tornou-se o primeiro artista erudito latino-americano a receber um disco de ouro nos Estados Unidos. Viajou o mundo se apresentando, conviveu com as maiores figuras do seu tempo, fez fama e fortuna. Poderia ser o final feliz — mas a história ainda teria outras reviravoltas. Primeiro vieram as dores na mão machucada, que o obrigaram a uma longa pausa nos anos 1990. Quando voltou pela segunda vez, um assalto na Bulgária em 2002 terminou com uma pancada na cabeça que paralisou o lado direito de seu corpo. Pois João entrou para os casos raros da medicina ao se submeter a um tratamento experimental nos Estados Unidos e recuperar os movimentos em menos de um ano. Voltou a se apresentar, mas a cura não fora completa. Logo as dores voltaram, tão fortes que ele escolheu cortar um nervo do braço. Os longos dedos de pianista se crisparam, e, da mão direita, sobrou o dedão para tocar. E, claro, os cinco dedos do lado esquerdo. Pois João resolveu: seria o primeiro concertista de uma mão só do mundo. Por meses, ensaiou dia e noite. Na primeira apresentação, foi aplaudido de pé. Mas a mão estava estranha. Tanto esforço causou uma câimbra permanente. “Você nunca mais vai tocar”, disse o médico.“Dessa vez eu soube que tinha chegado ao fim da linha.” João ainda tentou tratamentos dolorosos e incertos. Recuperou o movimento de três dedos. Se no passado fazia 21 notas de uma escala por segundo, agora precisava de 21 segundos para fazer uma nota. Ficou deprimido, é claro. E, então, uma noite, João sonhou com Eliezer de Carvalho, um dos maiores maestros que o Brasil teve. No dia seguinte, ligou para uma faculdade de música e se inscreveu nas aulas de regência. Um ano depois, em 2004, João Carlos Martins, aos 64 anos, com as partituras decoradas na cabeça e um jeito peculilar de mexer os braços -— já que não pode virar páginas nem segurar a batuta com as mãos -— fundou a primeira de suas duas orquestras, a Bachiana Filarmônica. O pianista virou maestro. No ano passado, fez 110

RECOMEÇAR É... RENUNCIAR AO SOFRIMENTO, ACEITAR AS MUDANÇAS E SE PERMITIR CRESCER COM ELAS. COMO FAZ MARA GABRILLI, PSICÓLOGA, PUBLICITÁRIA E VEREADORA TETRAPLÉGICA


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apresentações. De vez em quando, senta-se ao piano e toca com os quatro dedos bons. Na maior parte do tempo, comanda.“Como se cada músico fosse uma tecla.”

É preciso morrer “Recomeçar é mudar de vida em vida. Implica poder morrer para renascer”, fala Dulce Critelli. João passou por todas as fases: negou, resistiu, sofreu, até que, esgotadas as tentativas, aceitou — e foi buscar uma nova maneira de viver.“Aprendi a separar o muito difícil do impossível”, conta ele.“Para superar o muito difícil, é preciso ter disciplina de atleta, que estabelece a cansativa mas necessária rotina de treinos e tentativas, e alma de poeta, porque, sem sonho, não há recomeço.” E o impossível, João? “Encara-se com humildade.” A filosofia dele, aprendida na marra, é antiga. Os gregos estóicos já diziam que, na vida, há dois tipos de acontecimento: os que dependem e os que não dependem de nós. “Aqueles que são de nossa responsabilidade, devemos enfrentar. Já os incontroláveis, não adianta remoer”, diz Yolanda Muñoz, filósofa da PUC-SP. Aceitar o imponderável, no entanto, não significa se conformar -— mas entender que, diante do

que não controlamos, valem mais o esforço das tentativas e as pequenas conquistas do que medir nosso valor (e nossas possibilidades) diante de metas distantes. Disse outro filósofo, o alemão Friedrich Nietzsche:“O que não nos mata nos fortalece”. À primeira vista pode ser difícil encarar, mas o que nos derruba também pode ser o que nos dá forças para levantar. “Para recomeçar, antes é preciso viver cada etapa do problema, sem negar o sofrimento. Não é amanhã que vamos enfrentar tudo: é aos poucos”, fala Yolanda. A resposta, diz ela, está em reunir forças para aprender e se reinventar. Não há fórmulas. Para cada problema e cada pessoa, há mil soluções. “Todos podemos transformar a tragédia num impulso para a vida.” Desenvolver esse potencial de reinvenção, no entanto, tem lá seus pré-requisitos. Primeiro: é preciso desejar. Imensamente. Não é aquele hipotético “ah, que bom seria se...”. É lá, na essência, que deve morar a vontade de mudança.“E,então,é dizer sim a esse desejo”, fala Dulce Critelli. É a certeza de querer ir em frente que nos ajuda no passo seguinte: renunciar às outras possibilidades e focar no novo caminho.“Por fim, é fazer a nossa parte. O resto, é a vida.” E, sim, nada disso adianta se não estamos disponíveis, física e mentalmente, para a mudança. Como João, que, por mais que deseje ser de novo o virtuose que foi aos 20 anos, não pode: seu corpo já não acompanha sua vontade.

O começo no fim O corpo de Mara Gabrilli também não. Em 1994, quando estava com 26 anos, voltava de Paraty, no litoral carioca, para São Paulo, onde vivia. Seu então namorado se perdeu numa curva e o carro rolou 15 metros ribanceira abaixo. Ele e um amigo que estava no banco de trás saíram com uns arranhões. Ela teve a terceira vértebra cervical esmagada. Pernas, braços, tronco: nada mexia mais. Mara se tornou tetraplégica. Movimenta apenas a cabeça e o pescoço. No começo, nem respirar sozinha conseguia. Ainda no hospital, o médico disse que Mara tinha 1% de chance de voltar a andar. Trágico? Não para ela.“Um por cento não é zero”, diz. Depois de três meses internada e


crescer

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Recomeçar exige desejo e renúncia. Antes, é preciso viver cada etapa, com seu sofrimento. O fim é também de onde tiramos força dois reaprendendo a respirar, Mara passou outros seis nos Estados Unidos, cuidando do novo corpo e da cabeça.“Não tinha tempo para ficar deprimida. Precisava lutar.” Mais fortalecida, começou uma peregrinação por hospitais e centros de pesquisa no mundo todo, em busca de melhoras possíveis — e de uma esperança de cura. “Por um tempo, minhas perspectivas foram muito ruins”, conta.“Vivia eu mesma o tempo todo. Levava um dia inteiro para cuidar das coisas básicas, como tomar banho. Centrada na minha dificuldade, estava ficando chata”, relata. Mara foi então procurar a psicologia -— não para si, mas para os outros. Voltou à faculdade para clinicar. Atender os pacientes lhe deu clareza.“Ouvir os problemas dos outros me distanciou dos meus.Vi que podia ajudar.” Ao mesmo tempo, continuavam as viagens pelo mundo. Nelas, Mara conheceu trabalhos brilhantes que, na volta ao Brasil, a inspiraram na criação de uma ONG para trazer soluções e pesquisas de lesão na medula para o Brasil. O Projeto Próximo Passo — hoje, Instituto Mara Gabrilli -— deu um novo sentido à sua vida. Além de ajudar muita gente, abriu as portas para a política, onde Mara ampliou seu trabalho. Em 2005 foi convidada a assumir a Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na prefeitura de São Paulo. Em 2007 virou vereadora. Graças a ela, cada linha de ônibus na cidade tem ao menos um veículo adaptado, dezenas de quilômetros de calçadas foram reformadas e deficientes ganharam acesso à cultura e ao mercado de trabalho por meio de programas especiais. Para Mara, o fim foi o começo. Até o carro capotar, ela trabalhava com venda de publicidade em painéis eletrônicos. “Nunca mais pensei em gastar meu tempo

com isso”, conta.“Sobreviver me fez ver que tinha de fazer algo maior, que me transformasse e transformasse a vida de outras pessoas. Não seria a mesma se o acidente não tivesse ocorrido. Minha condição me tornou mais sensível para entender as necessidades dos outros.”

Recomeçar todo dia A história de Mara impressiona por sua capacidade de aceitar o que houve. Seja em grandes dramas, como uma paralisia, seja nos pequenos obstáculos do dia-a-dia, o mais comum é negar: fingir que não está acontecendo, culpar o mundo injusto ou apenas lamentar o fim. “Existe a idéia de que não mudar é mais fácil. Mas resistir à transformação exige ainda mais energia”, fala Dulce Critelli.“Faz-se um esforço enorme para reafirmar a cada dia as mesmas convicções e objetivos. Não se permitir fluir diante do inesperado é recusar a vida.” É como no mar: podemos insistir em nadar contra a corrente, desistir e nos deixar levar... ou nadar, sim, mas usando a onda a favor. “Resistir dá a falsa idéia de que podemos prever tudo, e na repetição estaremos protegidos”, diz Yolanda Muñoz. As desculpas que costumamos dar para não mudar têm a ver com o apego.“Para recomeçar é preciso enfrentar o novo e abrir mão do que é conhecido e confortável. Isso exige renúncia”, diz Dulce. E, no fim das contas, mudamos de qualquer maneira -— porque esse é o ciclo natural da vida.“Todos os dias vivemos e morremos um pouco. Pensamos no recomeço apenas para situações extremas, mas a transformação é constante: é sinal de que estamos vivos”, diz Yolanda. Mara, no esforço diário de fazer exercícios para cultivar a saúde do seu corpo imóvel, sabe disso.


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RECOMEÇAR É... SE ADAPTAR DIANTE DAS INEVITÁVEIS — E INCONTROLÁVEIS — DIFICULDADES DA VIDA. COMO ALBERTO AMARAL JR., ADVOGADO BRILHANTE E CEGO DESDE QUE NASCEU

João, reaprendendo a tocar e a reger, também. A transformação não é só fazer grandes mudanças, mas pequenas adaptações para lidar com o que não controlamos. Alberto Amaral Junior faz isso desde que nasceu. Advogado, é professor de direito internacional da Universidade de São Paulo (USP). Fala fluentemente inglês, francês, italiano e espanhol, é pesquisador e autor de quatro livros. Toda essa carreira foi construída a despeito de sua limitação: Alberto é cego. Nascido em Itápolis, cidade no interior paulista, onde não havia professores, escolas nem livros adaptados a sua deficiência, ele encontrou no empenho dos pais a possibilidade de adaptar-se ao mundo, mesmo que fosse preciso reinventar o jeito de fazer as coisas todos os dias. A mãe de Alberto estudou braile para poder alfabetizá-lo. Assim, pôde freqüentar a escola — acompanhado da mãe ou de uma tia na sala de aula, que repassavam a ele o que era escrito no quadro. Na época do vestibular, estudava através das aulas e leituras gravadas em fita cassete pelos pais. Quando foi para a faculdade, a mesma USP onde hoje ensina, a família inteira se mudou para São Paulo. Durante os cinco anos do curso, seu pai o acompanhou às aulas. Como os livros não tinham versão em braile, os pais transcreviam os códigos de direito ou gravavam fitas. Foi assim também nas duas pós-graduações que fez. “Nunca subestimei minha capacidade ou superestimei meu problema”, conta Alberto. “As dificuldades foram essenciais para chegar aonde estou. Encaro minha limitação apenas como algo que exige mais de mim. Ser cego é um problema entre tantos; cada um tem os seus. Começar de novo é uma tarefa diária para todos, não só para mim.” E, afirma Alberto, a arte de se reinventar não é feita só nas dificuldades.“Sempre que atingi um objetivo, vi que podia ir além. É a vontade de me superar que move o desejo de recomeçar -- e, assim, crescer e alcançar coisas novas.” Ou como diria Mara Gabrilli: “Não é questão de ser ou não deficiente, mas de como cada um ultrapassa as barreiras que inevitavelmente a vida oferece. É esse movimento que define nossa grandiosidade”.


proteger

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corpo, mente, alma

Sueca, shiatsu, drenagem, reflexologia. Há pelo 5 mil anos a massagem é uma forma instintiva de buscar o bem-estar. Vai uma mãozinha? texto D a n i e l a A l m e i d a

ilustração G a b r i e l S i l v e i r a

VOCÊ SABE O QUE HÁ em comum entre

o imperador romano Júlio César, a rainha Vitória, da Inglaterra, e o fundador da psicanálise, Sigmund Freud? Todos eles adoravam uma massagem. E quem não gosta? Sabe-se que ela existe há pelo menos 5 mil anos, como busca do equilíbrio entre corpo e mente – idéia difundida no Oriente – ou do funcionamento saudável do organismo – na visão ocidental comum. Mais do que técnica, massagear é natural. Repare como a fricção é uma ação instintiva.“Quando você bate uma parte do corpo, sem perceber, logo esfrega a região”, diz a massoterapeuta Alessandra Fleming , do Spa L’Occitane.“O gesto ativa estruturas nervosas que aliviam a dor.” A massagem, então, pode ter sido o primeiro ato terapêutico do homem das cavernas. Na raiz grega da palavra, massagem vem de amassar. Formalmente, é todo movimento feito num corpo com fim terapêutico. Afetivamente, porém, pode ser brincadeira, um chamego em alguém que se ama.

Esse bem-estar tem explicação científica.“Do ponto de vista fisiológico, a massagem promove aumento da circulação sanguínea e linfática, do fluxo de nutrientes e dos movimentos das articulações”, diz a fisioterapeuta Bianca Olivieri.“E também a resolução de hematomas, o alívio da dor, o estímulo sexual, o relaxamento.” Com tanto benefício oculto numa simples sessão de aperta, estica e puxa, não é difícil achar gente que é viciada em massagem. Como Maria Isabel Marques, de 47 anos. Ela faz duas sessões de drenagem linfática por semana, além das possíveis em viagem: em aeroporto, hotel e navio. “Largo tudo por uma boa massagem”, conta. O marido e a filha acabaram contaminados. E se desejar uma horinha de prazer também for de sua natureza, conheça a seguir as técnicas mais populares de massagem do país. Escolha uma e faça como os sábios: tenha um massoterapeuta para chamar de seu (mas só vale profissional realmente qualificado, viu?).


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Quem sabe faz a hora

Não precisa agendar nem pagar. Basta

dar-se um minutinho de bem-estar com uma automassagem. Siga nossas dicas e (suas) mãos à obra

Adeus dor de cabeça Pressione o ponto entre a base do

polegar e a do

indicador. Aperte-o por um minuto e

faça movimentos circulares. Inspirada no shiatsu, a pressão acaba com as dores de cabeça e ajuda o intestino a funcionar. Ombro amigo

No chuveiro, debaixo de água quente,

pegue uma bucha

de banho e esfregue a região do trapézio

(músculo das costas entre o pescoço e o

ombro) por três minutos para cada lado.

Massagem clássica (ou sueca) Obra do sueco Peer Henrik Ling, combina fisiologia e ginástica, que estimula a circulação e o relaxamento com deslizamentos e batidinhas em seqüência. O foco é o bom funcionamento do organismo no nível corporal. Não há o conceito de energia. Reflexologia podal Mal ligamos pra eles. Mas, para a reflexologia, nossos pés abrigam pontos reflexos ligados ao corpo todo. Se pressionados, eles ativam a circulação, a liberação de toxinas e a restauração do equilíbrio natural geral. Parece só alegria, mas pode doer. Shiatsu Da medicina chinesa, é feita com pressões nos meridianos: canais de energia que percorrem o corpo. Os toques ajudam os órgãos a funcionar e reequilibram o fluxo energético. É uma massagem preventiva.

A fricção ativa a circulação, enquanto a elevação da temperatura relaxa.

Pernas renovadas Com a ponta dos dedos, pressione

e puxe o músculo

da panturrilha em direção à parte de

trás do joelho, para cima. Os movimentos vigorosos evitam varizes e relaxam a musculatura das pernas.

Pisando macio

Reza a reflexologia: nos pés ficam as terminações

nervosas de todo

o corpo. Ao massageá-las, você estimula todos os órgãos. Pressione a extensão da sola inteira com os polegares.

Faça movimentos circulares, em vez de deslizar os dedos.


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as delícias do exercício

Dois H

e um O

Piscina, mar, rio, lagoa,

A VIDA NA TERRA SURGIU há mais de 4

corredeira, banheira, chuva,

bilhões de anos, depois que dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio resolveram ficar juntos. Nós, humanos, antes mesmo de nascer, já tínhamos as primeiras aulas de natação, no útero de nossa mãe. Cerca de 70% do nosso corpo é feito de água. Nada mais natural do que sentir-se em casa com ela. Primeiro vêm os prazeres. Quem curte competir tem a natação, o surfe, o pólo aquático, até nado sincronizado. Viciados em adrenalina mergulham do alto ou para o fundo, enfrentam corredeiras no rafting, descem cachoeiras no cascading. Perseguidores da boa forma podem aderir à hidroginástica e brincalhões, ao biribol. E até preguiçosos têm vez: basta boiar. Depois vêm os benefícios. Dentro da água, a atuação da gravidade sobre as articulações diminui, então é mais fácil alongar e aliviar as dores. Ganhar massa muscular e melhorar a resistência cardiovascular também é batata. “E a água ajuda a combater o estresse”, afirma o professor de natação Guilherme Assis de Siga. “Na natação, por exemplo, a concentração exigida na hora de respirar e se movimentar faz com que você alivie as tensões e esqueça um pouco dos problemas.” Por último, vem o risco: não querer mais sair de dentro d’água.

água fria, água morna, bolsa d’água. Qualquer atividade molhada faz bem. E, para os personagens dessas histórias, também vicia texto G u s t a v o P e r e i r a fotos R o d r i g o B r a g a

© Divulgação

movimentar


DE NARIZ TAMPADO Quem nunca brincou de ver quem agüenta mais tempo sem respirar debaixo d’água?

Digamos que Karol Meyer, de 39 anos, levou a molecagem a sério. A recifense já bateu

quatro recordes mundiais de apnéia, esporte que é quase aquela brincadeira de criança. Já ficou 7 minutos e 18 segundos dentro

de uma piscina, parada – a modalidade é a estática. Na apnéia dinâmica também

é fera: desceu 91 metros de profundidade só na força dos pulmões. Karol é atleta,

funcionária da Caixa Econômica Federal,

em Florianópolis, tem família e dá palestras. Vida agitada. Mas jura que tudo isso some quando está submersa: ela se concentra

nas batidas de seu coração e “entra em um mundo de silêncio e paz”. “Ficar debaixo d’água é uma terapia. Ali estou comigo mesma e com a natureza”, diz.

AULA? QUE AULA? Sofia nem tem todos os dentes mas

é só sorrisos na piscina. A “peixinha”

de 1 ano e 9 meses é vidrada na bolinha amarela. Joga pra cima e vê, achando

o máximo, ela afundar e boiar sozinha. Bebê que faz natação, dizem os

especialistas, respira melhor, fortalece

pernas e braços e turbina a coordenação motora. Mas, para Sofia, a escola é só

festa. Quem a vê tão faceira mal acredita quanto ela era acanhada. A mãe, Daniela Hirschfeld, conta que, depois das aulas, a pequena “ficou mais ‘elétrica’ e interage melhor com gente de fora da família”.

A professora, Andréa Amaro, garante que

as crianças vivem uma relação intensa com a natação. Sofia concorda. A aula pra ela

dura até o banho de banheira da casa da

vovó Edna. Onde também sorri, banguela.


MÁSTER LEVEZA, MÁSTER ALEGRIA Silvana Nabuco, de 66 anos, sempre foi da água. Quando era criança passava horas na piscina. Depois praticou windsurfe, vela, vivia

no barco da família. Mas aos 51 anos achou que precisava de mais. Resolveu virar nadadora. Treinava no mar, no Guarujá, à noite. Um dia cismou de competir seu primeiro mundial máster de natação, nos Estados Unidos (EUA): faturou duas medalhas de prata. Um

parêntese: natação máster significa que os competidores têm mais de 25 anos. Daí a modalidade é dividida em categorias por faixa

etária: 25 a 29 anos, 30 a 34 etc. Hoje Silvana tem recordes mundiais em seu nível de nado costas, nos 50 e 100 metros. Treina uma hora e meia por dia. Adora o fato de que, dentro da piscina, não precisa

usar bolsa nem sapato – dois acessórios que ela odeia. Se não nada,

fica triste. Quando está dando suas braçadas, olha para cima e deixa o pensamento fluir. “A piscina é a hora da alegria, da leveza.”


A LUZ QUE VEIO DO MAR Foi cedo que o santista Valdemir Corrêa ficou preso na escuridão

de seu corpo. Nascido com má-formação ocular e vítima de erros

médicos, aos 27 anos seus olhos se fecharam para não mais abrir. E a luz veio do mar. Um dia, ele ouviu no rádio um professor de

surfe buscando alunos deficientes. Foi até ele. O segredo era aguçar os sentidos. Ele ouve a chegada da onda e sabe a hora de remar;

pela luz do sol, identifica leste e oeste, praia e alto-mar. Valdemir ajudou a criar a primeira prancha para cegos do mundo:

emborrachada, para evitar contusões, e com marcações em relevo que ajudam no equilíbrio. É em cima dela que ele se sente livre.

“Entrar na onda e fazer manobras só depende de mim. Em terra, minha autonomia é limitada. Na água, é total.”


comer

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sabores que confortam

Da infância

para a mesa

Crocante por fora e molhadinho por dentro. Assim, toda receita de bolinho de arroz é uma delícia. Mas qualquer uma perde para a que nossa avó fazia texto D a n i e l a A l m e i d a

fotos R o d r i g o B r a g a

SÁBIAS ERAM NOSSAS AVÓS. Muito antes

da onda ecologicamente correta, elas já tinham certeza da bobeira que é desperdiçar comida. A mais gostosa prova dessa ciência é o bolinho de arroz, petisco com sabor de almoço na casa dos velhinhos. A massa de sobras de arroz frita a colheradas é uma invenção feliz de quem tentava aproveitar restos de refeição. Quem foi não se sabe. Pode ter sido herança dos portugueses ou, então, uma versão do italiano arancino, feito de risoto. O fato é que o bolinho caiu no gosto do povo. E as receitas seguiram a sabedoria popular, que agrega aqui, mistura ali, à sua moda. Por isso, em cada canto do país, o quitute vai à mesa de um jeito. Na Bahia ficou doce, assado com coco, arroz e açúcar. No Espírito Santo, ex-escravas teriam aproveitado uma supersafra de arroz, em 1920,

para ir vender a delícia em Vitória, batizada bolinho de arroz da serra. Em Roraima, ele é quibe de arroz, pois leva recheio de carne antes de saltar na frigideira. Dominar o segredo de um bom preparo, aliás, era desejo de muitas mocinhas casadoiras que buscavam a escola de culinária Wilma Kövesi, aberta em 1979. Betty Kövesi Mathias, filha de Wilma, hoje à frente da instituição, diz que a receita sempre fez parte do Curso de Principiantes, e de lá não sai. O sucesso é simples: como o arroz é básico, dependendo do tempero, cada bolinho fica único.“Minha mãe dizia: ‘Não busquem na minha comida o tempero de suas avós’”, conta.“Receita é referência. Depois cada um coloca um pouco de si.” Para variar, nossas avós sabiam. Será por isso que não há bolinho de arroz no mundo com o sabor de infância que o delas tem?

SEGREDO DE FAMÍLIA

O bolinho tradicional é este. Mas vasculhe também os velhos livros de receitas da família: quem sabe o segredo daquele temperinho especial não esteja perdido pela casa INGREDIENTES 250 gramas de arroz cozido

trigo e o leite. Misture tudo até dar liga.

25 gramas de salsinha picada

da massa em óleo quente e novo – vai render

75 gramas de queijo parmesão ralado 125 gramas de farinha de trigo 50 mililitros de leite 2 gemas

MODO DE FAZER Misture o arroz cozido com o queijo ralado

e a salsinha. Adicione as gemas, a farinha de

Com uma colher de sopa, pingue as porções

cerca de oito bolinhas. Frite até dourar. Seque bem no papel-toalha. Para variar, você

pode usar arroz integral ou acrescentar

à massa pimenta biquinho, coco ralado, verduras picadas, rechear com pedaços de queijo, camarão...

Receita fornecida pelo Bar Pompéia


DA ESQUERDA PARA A DIREITA: ANA ELISA FARIA, RICARDO BULCÃO E BRUNA KIBRIT, NO BAR POMPÉIA, EM SÃO PAULO

RECEITA DA NONNA

Nascido na Sicília, ilha no sul da Itália, o arancino também é feito de sobras, mas de risoto, de preferência o milanês, preparado com arroz

arbóreo, caldo de carne, vinho, açafrão e parmesão. No recheio, vale tudo INGREDIENTES

MODO DE FAZER

2 xícaras de risoto pronto (feito com arroz

Misture tudo até obter uma massa firme.

1 ovo

de sopa, ponha a massa na palma da mão

arbóreo ou carnaroli)

2 colheres de farinha de trigo

100 gramas de queijo parmesão ralado

1 colher de sopa de azeite ou de manteiga Noz-moscada

Pimenta-do-reino Açafrão em pó

Farinha de rosca

Unte a mão com azeite. Com uma colher

e vá moldando bolinhas. Faça um furo no meio e recheie com cubos de mussarela,

molho à bolonhesa bem apurado (se tiver

muito caldo, desanda!), ou um refogado de cogumelos. Passe na farinha de rosca. Frite em panela bem funda com óleo fervente. Receita fornecida pela cantina Aracini


viajar

EDITH, SEMPRE DE MALAS PRONTAS: COMEÇOU POR CAUSA DOS SANTOS. CONTINUA PELOS AMIGOS A FAZER

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destinos que transformam


A dona de seu nariz

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Ela é casada, tem dois filhos, uma carreira de professora e 72 anos. De quando em quando, deixa tudo em São Paulo e vai viajar pelo mundo. Quem não quer ser Edith? texto D a n i e l a A l m e i d a

foto R o d r i g o B r a g a

ERA A TÍPICA AVENTURA por albergues e

capitais do Velho Mundo. Edith e Luna faziam mochilão pela Europa. Uma amiga juntou-se a elas em Londres e as garotas saíram para curtir a balada. À meianoite, Edith resolveu voltar sozinha de metrô. Um bêbado começou a assediá-la no meio do caminho. Assustada, correu em disparada até o hotel. Chegou ilesa e com mais uma história pra contar. Edith é Maria Edith Almeida e tem 72 anos. Luna Almeida tem 23. São avó e neta. “Ficamos tão próximas naqueles 25 dias de viagem, em 2006, que foi difícil se separar”, confessa Luna. É verdade que Edith não é qualquer avó. Há mais de 30 anos essa professora e alfabetizadora aposentada viaja pelo mundo. O mapa da Europa está em sua cabeça:

só à Itália, já foi cinco vezes. Conhece todas as grandes capitais e a América, mas não se furta a novos destinos (comprove nas fotos da próxima página). E nada de excursões da terceira idade: viaja sozinha ou com amigas queridas, como Alda Farina, parceira de muitas malas. Para ver o mundo, abriu mão de estar com a família. O marido nunca a acompanhou. “Ele fica em casa porque tem medo de avião”, sussurra. A curiosidade nasceu nos tempos da escola, em Araçoiaba da Serra, no interior de São Paulo. Edith ouvia sobre a vida dos santos católicos e ficava imaginando como seriam aqueles lugares onde eles viveram. O tempo passou, veio o casamento, os dois filhos, e a vida seguia como mandava o figurino. Um dia chegou o convite que nem os santos foram capazes de inspirar:

viajar pelos Estados Unidos de carro, com mais três casais. Era o ano de 1975. Seriam dois meses on the road, cruzando 11 estados. Só no aeroporto caiu a ficha de Edith. “Olhei para trás e vi meu marido e meus dois meninos, de 10 e 12 anos, acenando. Alda falou: você é louca de deixá-los”. Edith respondeu: “Vamos embora”. E foi. Pegou gosto. Nada mais a impediria de viajar. Tanta independência não escapou da falação dos familiares. Edith ficou com a lembrança desses comentários. Também dos momentos de solidão, como o que sentiu na romântica Veneza, longe de seu amor. Mas guardou como jóias as suas histórias. Seus olhos brilham quando fala de cada pessoa que cruzou seu caminho mundo afora. “Viajar pra mim é sinônimo de felicidade”, diz. O próximo destino será a Dinamarca e o Leste Europeu, em junho. Mais do que os lugares, em seus caminhos quer ver gente. “Há amigos a fazer.”


© Arquivo Pessoal/Reprodução


brincar

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pequenos grandes prazeres

Para viver um grande amor texto C a m i l a R u t k a

A paixão nos transforma – e, por tabela, muda a vida inteira. É rara, transtorna, passa logo, mas cada dia sob seu efeito é inesquecível. Para se encantar pelo amor (ou encontrar inspiração para buscá-lo), uma seleção de textos, filmes e discos que aceleram o coração

As Pontes de Madison. Filme

Para amar, amar, amar Tudo de Vinicius de Moraes.

Todo mundo pode se apaixonar, ama r, sofrer, perder-se e se reencontrar. Mas ninguém expressa tão bem as dore s e as delícias da paixão quanto o poeta Vinicius – “Que seja eterno enquanto dure” é só uma das suas muitas frases incríveis. Em músicas, poesias e crônicas, há gerações o Poetinha ajuda a gente a dizer com o se sente. Para iniciantes e iniciados , suas coletâneas são perfeitas.

de Clint Eastwood, EUA, 1995. Nos anos 60, durante uma viagem dos filhos com o marido, Francesca, sozinha em casa, conhece Robert, um fotógrafo a trabalho na região. Por quatro dias, os dois vivem uma intensa paixão. Ao final, ela terá de escolher entre a vida que construiu em família – digna e bela, mas entediante – e o grande amor de sua vida. Para . pensar e se debulhar em lágrimas

Para abrir os olhos

A Marca de uma Lágrima. Livro

de Pedro Bandeira, 1985, Moderna. Há mais de 20 anos um bestseller entre adolescentes, conta a história de Isabel, uma garota tímida que está apaixonada pelo primo, Cristiano. Só que ele gosta da melhor amiga dela, Rosana – que o corresponde. Cega pela idealização que faz de Cristiano, Isabel demora a perceber que outro amor pode estar a seu lado.

Para se declarar O Último Romântico. Disco de Lulu Santos, 1987,Warner. Coletânea com os grandes sucessos do músico, virou hino da juventude apaixonada nas décadas de 80 e 90. Além da faixa-título, traz hits como Um Certo Alguém, Certas Coisas e a contagiante Tão Bem, dona dos versos “E ela me faz tão bem / Ela me faz tão bem / Que eu também quero fazer isso por ela.” Para tocar na serenata.

Para assumir Alta Fidelidade. Livro de Nick

Hornby, Rocco. Filme de Stephen Frears, EUA, 2000. Rob é o dono de uma loja de discos viciado em fazer listas tipo “5 melhores”. Depois de ser abandonado pela namorada, faz o top five dos foras que levou na vida – e vai atrás dessas mulheres para entender onde errou. No caminho, descobre mais sobre si mesmo e sobre relacionamentos. Romance pop, do ponto de vista masculino.

© Imagens divulgação ilustrações Gunther Ishiyama

Para se permitir


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Para rever conceitos

Orgulho e Preconceito.

Livro de Jane Austen, vár ias editoras. Filme de Joe Wr ight, Inglaterra, 2005. Na Ing laterra do século XVIII, Elizabe th tem de se casar. Um candid ato poderia ser o rico e tac iturno Sr. Darcy. Mas ele a esnob a de primeira – e Liz jura od iá-lo para sempre. Na troca de farpas, o moço se apaixo na. Para dar o troco, ela o des preza. Até se dar conta de qu e está louca de amor também . Será tarde demais para voltar atrás? Lindo, clássico e imperd ível.

Para namorar

Sunshine of Your Love. Disco

de Ella Fitzgerald, 1969, Polygram. Diva do jazz, Ella flerta com o rock nesse disco, que, do começo ao fim, só fala de uma coisa: paixão. Hits como Hey Jude, dos Beatles, Sunshine of Your Love, de Eric Clapton, viraram declarações quentíssimas. Mas tem romance e melancolia também. O amor não te corresponde? Toque a linda This Girl’s In Love with You e cante junto. Costuma funcionar.

Para ir em busca

História de Dois Amores. Livro

de Carlos Drummond de Andrade e Ziraldo, 1985, Record. A prosa do poeta Drummond é acompanhada pelas ilustrações do artista Ziraldo e nessa fábula do elefante Osborne des gran vivem dois Os da pulga Pul. aventuras antes de encontrar a grande paixão da vida deles – e to descobrir que o amor é o sentimen Livro s. todo de r tado mais liber e. infantil, história para qualquer idad

Para superar as diferenças

ixão. O Despertar de uma Pa

A-China, Filme de John Curran, EU livro de , o 2006, e O Véu Pintad ord. Rec , W. Somerset Maugham o com a Nos anos 30, Kitty se cas cia iên ven médico Walter por con gança, o – e logo o trai. Como vin olado marido a leva para o des io ao interior da China. Em me s, eles se goa caos, à solidão e às má – e se nte me conhecem verdadeira . rem cob apaixonam pelo que des

Para repensar o que se deseja Sabrina. Filme de Billy Wilder, EUA, 1954. Desde criança, Sabrina é apaixonada por David, filho da milionária família da qual seu pai é chofer. Ao perceber que o playboy nem sabe que ela existe, Sabrina parte para Paris. Ao retornar, transformada, David finalmente a nota. O irmão mais velho dele, o sério e solitário Linus, também. Para ver que nem sempre queremos o que desejamos.

Para se entregar

Melhor

É Impossível. Filme de James L. Brooks, EUA, 199 7. “Você me faz querer ser um ho mem melhor.” A frase, dita po r Melvin, personagem de Jack Nic holson, à garçonete Carol, resum e o que o amor faz pela gente. Esc ritor obsessivo, anti-social, gro sseiro e mal-humorado, ele tem a vida transformada ao se apa ixonar. Para conquistá-la, precis a mudar tudo o que tinha como certo.

Para tomar coragem

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Filme de

Jean-Pierre Jeunet, França , 2001. Em Paris, a romântica e solitária Amélie encontra sentido na vida quando começa a ajudar secretamente as pessoa s que a cercam. Para fazer o bem a si própria, decide concre tizar sua paixão platônica pel o tímido Nino e traça um plano para fazê-lo seguir pistas que o levarão até ela. Para se inspirar.


brincar

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pequenos grandes prazeres

Mar de estrelas texto d a R e d a ç ã o

ilustração V a n e s s a R e y e s ( E s t ú d i o M O L ) NO FUNDO DO TUBO, UMA FLOR COLORIDA. Um movimento da mão,

e ela vira estrela, mandala, floco de neve, teia de aranha. As cores se misturam, as formas se multiplicam, e cada desenho, tão simétrico, nunca será como o outro. Um caleidoscópio entrega no nome grego a função: kalos quer dizer belo; eidos é imagem; e scopeo significa vejo. Quem olha por essa luneta perde a noção do tempo assistindo a belezas geométricas surgindo de surpresa, uma atrás da outra. O brinquedo foi inventado na Inglaterra, em 1817, e em pouco tempo se espalhou pelo mundo. Os desenhos formados pelos caquinhos de vidro colorido viraram a graça das crianças e instrumento de trabalho para adultos, que na repetição das formas encontraram inspiração para criar padrões em tecidos, estampas, bordados e até jardins. Se seu baú de preciosidades da infância não guarda mais essa diversão, construa o próprio caleidoscópio – a graça é ainda maior quando se escolhem as miçangas, pedras, canudos e miudezas que formarão as imagens.

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Como fazer

1. Junte os espelhos. Com a parte refletora

lados fechados com o plástico. Agora é

três espelhos. Fixe-os com a fita-crepe.

de luz, girar lentamente e olhar através

para dentro, monte um triângulo com os

Você precisa de:

# 3 espelhos de 20 cm de comprimento por 3 cm de largura

# 1 triângulo equilátero de cartolina de 7,5 cm de lado com um orifício central de 1 cm

# Fita-crepe e adesiva

# Miçangas, canutilhos e contas de plástico

2. Monte o caleidoscópio. Feche uma

só apontar o brinquedo para uma fonte do buraco. Não é um barato?

das pontas da peça com o acetato ou

4. Decore. Com papel tipo contact,

adesiva. Coloque as miçangas e afins

e o fundo do caleidoscópio por fora, para

plástico transparente, colando com fita dentro do caleidoscópio e tampe a outra extremidade da mesma maneira.

3. Finalize. Cole o triângulo de cartolina

com um furo no meio por cima de um dos

plástico ou cartolina, “encape” as laterais ele ficar bonitão. Pronto!

+ Além das miçangas, você pode usar

cristais, pedaços de vidro, sementes miúdas, canudos cortados, pedacinhos de papel...


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tomar banho de chuva texto M a r c e l o C o b r a * , e m d e p o i m e n t o a M a r c e l a B e s s o n Foto R o d r i g o B r a g a

“QUANDO OS PINGOS D’ÁGUA despencam incessantes lá de cima,

eu não me escondo: deixo molhar meu rosto. Fecho os olhos e é como se voltasse a ter 10 anos de idade e uma porção de amigos ao redor querendo a mesma coisa que eu: jogar bola em meio ao chuvisco. Por isso eu amo tomar banho de chuva. Pra mim, ela tem gosto de infância. Cada gota que cai em São Paulo traz a chance de refrescar a memória dos tempos de criança em Foz do Iguaçu, onde nasci e cresci. No condomínio em que morava existiam dois prédios. No vão entre eles, uma quadra. Da janela do quarto dava pra ver: cimento batido, traves, linhas, arquibancada... A molecada toda se conhecia, e eu era o caçula na roda de amigos-quase-irmãos.

Criamos uma regra: se chovesse, era hora de pelada lá embaixo. E o cheiro de chuva, aquele que o vento sopra gelado, sinalizava passe livre para nós. Tudo meio improvisado, inclusive a bola, trazida do vizinho Paraguai. Nem tínhamos posições definidas em campo. O mais importante era deixar a bola rolar e correr pra abraçar a chuva. A mesma sensação de liberdade eu experimentava quando levava os turistas da família pra ver as cataratas, nosso cartão-postal. Capa de chuva? Pra quê? Bom mesmo era se molhar na poeira de água ao pé das fontes. E sabe que a garoa paulistana é até parecida com aquela névoa molhada respingando das cachoeiras? Experimente fechar o guarda-chuva pra ver.”

*Marcelo Cobra tem 20 anos, é estudante de jornalismo e acha que chamar São Paulo de Terra da Garoa é um elogio


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a quem precisa

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OS ÚLTIMOS MESES passaram rápido para

Lorrayne Salles. Ela estava ocupada com sua festa de aniversário: 15 anos, completados em 19 de abril. Queria um baile com vestido branco rodado, tiara de princesa e DJ para dançar até de manhã.A família não estava a fim de comemoração. Pois Lorrayne insistiu tanto que não teve jeito.Com ela, é assim mesmo. Fala o que bem entende e tem respostas (às vezes, desbocadíssimas) pra tudo. Por onde passa, é como furacão: correndo, inquieta, levantando a poeira e o tédio – o que lhe rendeu o apelido de Espalha-Brasa entre os adultos, Pimentinha para os amigos. Tanta presença é também

a razão de toda sua popularidade.Tem 550 amigos no Orkut e mais um monte de outros que faz por onde anda. Passa horas na internet, enlouquecendo a mãe, que pede que saia um pouco da frente do computador. Lorrayne, nem aí. Baixa músicas, monta álbuns de fotos da turma, fala sem parar pelo MSN. Com as amigas, o assunto são os mais importantes: meninos, as mudanças do corpo, truques de maquiagem, cores lindas para pintar as unhas, chatices da escola, as últimas modas. Com garotos, anda de implicâncias – mas, aqui entre nós, sonha em encontrar um namorado “que seja sincero e carinhoso”. Seus segredos são os maiores do mundo. Não escreve diário porque tem medo de que caia em mãos erradas. Também não gosta de receber

conselhos. “Prefiro presentes”, brinca. Sua festa de debutante foi o maior deles. Dias antes, fez uma longa sessão de fotos para o book. Passou tardes escolhendo as músicas: hits de pop, rock e funk, para se acabar de dançar. Das tradições, só deixou de lado a valsa – porque seria difícil combiná-la com as muletas que usa desde que amputou a perna direita, em junho passado, por causa de um câncer ósseo. Não fez falta. Lorrayne estava linda e feliz. Bom mesmo foi ter os amigos ao redor, depois de um ano em São Paulo, em tratamento no GRAACC. “Melhor perder a perna que a vida”, diz. Porque você comprou Sorria*, milhares de jovens pacientes como ela poderão ser curados e viver a adolescência com toda a intensidade. Obrigada.

© 1 Rodrigo Braga 2 Arquivo Pessoal ilustração Gunther Ishiyama

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Sorria* 2