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MÚSICA, ARTES, CULTURA E TRANCE!

DEZ #5 SKOT 2016

DEZEMBRO 2016

Some Kind of Trance

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eiro!!!

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EDITORIAL

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Fotografia por Habitat PartyPhoto Soulvision Festival 2016 - Altinópolis, SP

EXPEDIENTE Editor Chefe Bruno Martins Artista da Capa José Barros

Estamos de volta! Sentimos saudade de cada um de vocês, nossos leitores!

Colunistas Aline de Moura, Clara Matangi, Felipe Paes, Iago Dutra, Iuri Gagarin, Marcos Vinicius Matos, Stephen Federolf e Tanara Rodrigues.

Passaram 365 dias desde nossa última edição, que pareceram uma eternidade... Mas acabou. Acredito que as pessoas não fracassam, elas desistem, este é o grande desafio de mostrar algo novo.

Colaboradores desta edição Ana Carolina Lahr, Ana Calmon, Bianca Motta, Bruno Azalim, Celina Leam, Denise Sodré, Fernado dos Santos, Francisco Rodrigues, Gabriela Carvalho, Iuri Gagarin, Luamar Serpa, Marcos Gerlach, Pedro Henrique, Rafael Consul, Rogério Hirata e Wendy Girondi.

Nossos sonhos só podem ser realizados com muito esforço e dedicação e o fruto do trabalho não é colhido como dizem os livros de conto de fadas, mas a alegria de estar no caminho certo é tão incrível e satisfatória quanto rezam as lendas.

Fotógrafo Convidado Lauro Medeiros Impressão Gráfica Pallotti Contato Caixa Postal 2016 São Leopoldo, RS - 93040-970 Tel.: +55 (51) 98258-6743 SKoT Online fb.com/skotrance soundcloud.com/skotrance

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www.psytrancebr.com

Nesta sexta edição da única revista de psytrance do Brasil, mostramos que às vezes é necessário dar alguns passos para trás para conseguir dar um salto, neste caso, queremos alçar vôo. Espero que vocês apreciem esta edição tanto quanto às outras, pois ainda há muito por vir. Ninguém disse que seria fácil. Está tudo certo, nada sob controle. Com amor, Bruno Martins Editor Chefe

Matérias e sugestões de pauta skotmagazine@outlook.com Revista SKoT é uma publicação trimestral da Editora Some Kind of Trance.

Esta publicação foi concebida com amor. Antes de descartar, considere doá-la para um amigo. #5 \

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KAMALA

10 - 11 - 12 MARCH SACRED LOCATION - URUGUAY www.kamalaritual.com 4/

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PSYKOVSKY . MARAMBA


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RITUAL el fruto no es mas prohibido

. KUJATA . INVID MIND

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ÍNDICE Artista da Capa Conheça o trabalho de José Barros

Review Kundalini Festival Chegou a hora da ascensão do festival dos Cannyons Coluna do Jah jah A manipulação sonora das batidas binaurais. Cenografia Entrevista com o cenógrafo Rogério Hirata (Geômetra Nova Arte) Espiritualidade A Era de Aquário

Lançamento da Edição VA Essência - Compilado por Digital X Fotógrafo Convidado A Biografia de Lauro Medeiros

Fotografia Comentada A visão de Felipe Paes sobre o trabalho do fotógrafo convidado Underground Fui numa festa e nunca mais voltei!

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Rio Music Conference 2017 A maior conferência de música eletrônica da América Latina Elemental Mov. Label A arte na produção de vídeos

Conexão Psybient.org Entrevista com Iuri Gagarin, do Gagarin Project 4PM Especial Entrevista com Bruno Azalim

Redução de Danos Conheça o app Fique Legal

Redução de Danos Associação Psicodélica do Brasil

Review Psy-Fi O festival holandês que surpreende a cada edição! Review Santa Liberdade O quê aconteceu no festival que tinha tudo para dar certo? Cinema Uma análise de um curta metragem que vai mexer com os teus neurônios

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ARTISTA DA CAPA

JOSÉ BARROS José Ribamar Barros Neto Natural de Teresina - PI Reside em Manaus - AM fb.com/josebarrosart levittjose@gamil.com

Sua paixão pela arte começou desde que ele se conhece por gente. Seus cadernos sempre foram rabiscados e vivia numa eterna busca por aprender a desenhar, seu primeiro curso de desenho foi aos 13 anos na escola Cláudio Sertório, em Manaus. Sua inspiração vêm de vários lugares, não apenas nas pinturas como também na música, ele acredita que a música pode ser interpretada em forma de rabisco e cor. Um artista que se destaca, na opinião de José, é o artista visionário Alex Grey, seus traços e sua forma de pensar são admiráveis. Como referência, se baseia nos surrealistas e psicodélicos. 8/

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Seus objetivos ao expressar a arte são de fazer o público perceber a magnitude do universo e sua minúscula importância no mundo, diminuindo o ego e seus sentimentos de grandeza, mostrando que fazemos parte de um só corpo, de um ciclo aonde qualquer energia pensada é abduzida e materializada. Um dos seus sonhos é evoluir e se estabilizar na vida artística, expondo em alguns festivais de música, cultura e arte.

Capa da Edição #5 Na capa feita exclusivamente para a Revista SKoT, utilizou algumas técnicas características do seu trabalho. Uma das técnicas que usou foram os efeitos de cor e sombra, buscando elementos que não fugissem do tema determinado, com traços leves e levado pra cultura indiana, assinado com uma técnica tracejada desenvolvida decorrer da sua carreira. Tema : Lua Minguante Enredo : O personagem masculino descobre o sagrado feminino dentro de si mesmo. Cores : Baseado no espectro de cores do signo de capricórnio (vigente no lançamento da revista).

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Na sua segunda edição na Terra dos Cannyons, o Kundalini Festival buscou pôr em prática a experiência do ano anterior e começou a ter uma sintonia maior com as nuvens de São José dos Ausentes. Como de costume, a paisagem inacreditável do festival se mostrou ainda mais incrível este ano, com a ajuda do tempo, uma pequena mudança no período de ocorrência do festival já foi uma grande diferença no clima durante os dias de evento. Desta vez com um foco ainda maior na vivência, o festival propôs o inicio em uma terça-feira, dia 23, mas apenas com o Chill Out em atividade plena. Claro que alguns atrasos aconteceram, mas a programação logo se ajustou aos imprevistos e o público pôde vivenciar ainda mais aquela região tão impressionante. O Espaço Tempo É Arte teve uma atenção especial na programação, oferecendo diversas opções de aprendizado, fazendo da experiência de vida do Kundalini ainda mais rica e gratificante. No caso deste espaço já consolidado do evento, tivemos um esforço ainda maior por parte dos participantes, já que por dificuldades administrativas do festival, os profissionais que trabalharam durante os 6 dias acabaram tendo que doar seu esforço por amor à arte...

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Kundalini Festival - Na Terra dos Cannyons São José dos Ausentes, RS 23 a 28 de Fevereiro de 2016

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Dentro das apresentações sonoras, foi uma edição fantástica, apresentando diversas opções de altíssima qualidade tanto no Main Floor, quanto no Chill Out. O investimento foi alto para apresentar uma qualidade diferenciada de trabalho e isso chamou muita atenção para a construção das sequências do line up das duas pistas. Houve uma preocupação maior na variedade sonora do Main Floor neste ano, com sequências em turnos diferentes de Goa, que é o estilo referência do festival, houve mais espaço para o Forest e o Dark Psy, por exemplo. Entre os grandes nomes do festival, a sequência Sutemi (2 horas) e Sator Arepo (3 horas) foi um encerramento noturno com chave de ouro, no que foi - por incrível que pareça! - a única noite de chuva do festival. Nesta edição houveram duas cerejas no bolo, cerejas muito especiais diga-se de passagem, o grande produtor Seb Taylor trouxe toda experiência na manipulação das ondas sonoras agraciando o público com o Shakta, seu Live de Goa, e com sua banda referência na cena psicodélica, o Kaya Project. Ambas as apresentações foram fantásticas e com certeza superaram as expectativas pela qualidade da produção e profissionalismo dos artistas. Foi um grande passo para o festival e este é o ponto deste review, será que não foi um passo grande demais? Já foram 6 anos de história do festival, desde o inicio ele buscou apresentar uma proposta de vivência diferenciada e que agregasse algo novo dentro da cena brasileira. Além da incessante busca por locais fenomenais que acabaram por encontrar a sua casa no céu, o Kundalini desafia o público a experimentar o festival buscando a sua limpeza interior e uma marca do evento #5 \

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24 a 28 fevereiro

itaipava - rj aldeia akasha

2o edição

haira 12 /

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é a proposta de não comercializar álcool e não permitir a entrada de bebidas alcoólicas no festival. Esta diferenciação acaba trazendo duas grandes questões para a realização do festival: 1 - Até que ponto proibir a liberdade do público não seria incoerente com o intuito de libertação que um festival propõe? 2 - Como compensar esta penalidade de forma que o evento continue sendo produtivo? O Kundalini chegou a um ponto crucial na sua participação na cena brasileira, que talvez seja um dos maiores desafios que um evento tem que enfrentar: a viabilidade. Mesmo tendo uma proposta de evento diferenciada, uma paisagem estonteante e as opções de vivência muito superiores à grande maioria de eventos do Brasil, ele ainda enfrenta dificuldades inerentes à viabilidade financeira do evento. Por ser um local muito específico e com dificuldades atípicas pela sua posição muito acima do nível do mar, um dos grandes desafios do evento é a logística, não apenas do público que é a mais prática de resolver, mas de toda a infraestrutura que é necessária para que o festival possa oferecer certo conforto para os participantes. Lógico que o público de um festival em meio à natureza já espera certas dificuldades, mas ainda assim existem requisitos mínimos que devem ser cumpridos até por questão de segurança. A infraestrutura do evento demanda um investimento altíssimo e nem sempre é um item que se torna “vendável”, então dentro das opções de investimento, acabam ficando em segundo plano quando a preocupação do evento é se #5 \

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REVIEW KUNDALINI FESTIVAL

tornar viável. Este desafio foi ficando cada vez mais evidente na realização do festival. Felizmente, podemos perceber de forma sútil que essa preocupação tornou-se uma prioridade. A produção do evento está em constante evolução e remodelou o formato do festival para aumentar a sua viabilidade. Mesmo com as dificuldades que sua proposta de vivência apresenta, ainda assim vão apostar em manter a sua autenticidade mas buscando outras alternativas para auxiliar no suporte da construção do evento. Como o controle sobre todo o processo logístico do público, por exemplo. Essas mudanças, mesmo que sutis, podem representar uma solução para diversos problemas que acabam acumulando com o passar dos anos, mas que quando são tratados com a devida atenção, podem sim ser resolvidos e permitir uma ascensão ainda maior do festival. Afinal de contas, não é só o público que deve transcender. Cabe ao público buscar apoiar e subsidiar esse conceito, mostrando assim que nossa cena tem muito espaço para crescimento e permitindo que cresçam propostas cada vez mais diferenciadas de festivais pelo Brasil à fora. E na próxima edição? Bom, nos vemos nas nuvens, afinal de contas, temos que valorizar aquilo que é autêntico e tentar compreender que não somos perfeitos, mas devemos ter bons objetivos para que o universo conspire à nosso favor. fb.com/www.kundalinifestival.com.br Bruno Soares Martins fb.com/brunosoaresmartins Fotografia por Bianca Meireles fb.com/biancameirelesfotografia

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excursão KAMALA RITUAL 10 - 11 - 12 MARço - URUGUAi

mais informações Porto alegre - rs

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COLUNA DO JAH JAH

BATIDAS BINAURAIS ele produza uma harmonização e condução estável das ondas cerebrais, causando uma série de bênçãos quânticas. Sinto-me muitíssimo feliz de poder ter compartilhado com vocês ao longo destas edições da revista SKoT, um pouco da minha paixão pelo som e pela ordem do mesmo que origina as lindas músicas que conhecemos e creio que tenha guardado o melhor para o final. (Risos) Hoje eu vou falar sobre um novo conceito de manipulação sonora que, quando eu descobri, sinceramente, foi uma benção na minha vida. Hoje eu vou falar sobre as Batidas Binaurais, o possível limite do progresso áudio-neural. Se não for, eu tenho medo do que virá ainda... As batidas binaurais é o nome dado ao método de arrastamento de ondas cerebrais causado por um defasamento de som entre o que se escuta com um ouvido esquerdo “L” e no direito “R” fazendo com que o cérebro resolva uma equação que acaba por originar diferentes ondas cerebrais e ativando nossa glândula pineal. Poucas horas desse exercício equivalem a anos de meditação. Criado pelo engenheiro de som, parapsicólogo, autor de “journeys out to the body” e jornalista, Robert Monroe, a fim de conduzir o ser a outra consciência a partir dos sons. Basicamente consiste-se em trabalhar os dois hemisférios do cérebro com sons minimamente diferentes, causando um efeito de fase “phase” no áudio fazendo com que

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Na pratica, o ouvido “L” escuta um som em lá “A”, precisamente na frequência de 440hz enquanto que o outro ouvido “R” escutará praticamente a mesma frequência, porém com um desafamento no áudio “450 hz”, por exemplo, com pouquíssimos hz de diferença. A diferença dos sons irá depender de qual será o resultando, foco, concentração, relaxamento, sono profundo, transe, imaginação, criatividade, atenção....

Observação: É uma boa pedida para aqueles que querem explorar o universo da meditação. mas ainda tem muitos desvios de atenção e consequentemente, uma certa dificuldade em domar o elefante do consciente pensativo. Esse treinamento eu me arrisco a dizer que mesmo se tentares desviar o foco do exercício, você não conseguirá. Em outras palavras, isso é um milagre, talvez estejamos toda nossa existência procurando uma maneira tão acessível assim para a ascensão.


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Ondas Theta (Distância do defasamento de 3 à 7 hz) São associadas a estados de transe não tão profundo, sono leve, criatividade, conexão com a parte inconsciente de lembranças do passado, de iluminação e criatividade. Exemplo: Logo então, seguindo a teoria, basta um ouvido ouvir 400 e o outro ouvir 405 ou 406. Ondas Delta (Distância do defasamento de 1 à 3 hz) São as batidas mais lentas, relacionadas ao transe absoluto, sono profundo, calmo, nada Agora vejamos como funciona isso na teoria. A distância intervalar do defasamento das frequências muda a onda cerebral resultante. Podemos ter intervalos de 1 à 30 hz e originando as ondas cerebrais beta, alpha, theta e delta. Ondas Beta (Distância do defasamento de 13 à 30 hz) São responsáveis pela atenção, foco, excitação, concentração, sentido de alerta, percepção do espaço e do tempo. Exemplo: Um ouvido “L” ouvindo 400 hz e o outro ouvido “R” ouvindo 415 hz ou 417 ou 421 ou 425, por exemplo. Ondas Alfa (Distância do defasamento de 7 à 13 hz) São mais lentas em relação as ondas beta, sendo associadas com a sensação de relaxamento e de tranquilidade, desenvolvimento da intuição e aumento da memória. Exemplo: Um ouvido “L” ouvindo 400 hz e o outro ouvido “R” 410 hz, 411 hz ou 408 hz, por exemplo. *A maioria dos estados meditativos comuns vibram na zona de ondas alfa.

raso, em conexão com o mestre silêncio. Então, o que o nosso grande mestre Robert Monroe fez, foi calcular os ciclos por segundo da condução elétrica de ondas cerebrais, estudou o resultado do cérebro em diferentes defasamentos e calculou um jeito de impulsionar as ondas criando ondas sonoras minimamente diferentes e proporcionando uma equação cerebral que resulta nos diferentes estados de consciência. Fantástico, magnifico, de extrema utilidade mundial. Como dizia Tom Jobim, fazer revolução não é sair pra rua de vermelho, toma droga e não usar desodorante... Revolução é criar algo totalmente novo, inédito, algo que mude a visão do mundo depois daquilo, isso é revolução. E foi o que Robert Monroe fez. #5 \

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COLUNA DO JAJÁ

Vale lembrar que distância das ondas, NUNCA pode passar de seu limite intervalar, mas nunca mesmo... Ondas beta começam com a distância de 13 hz e não passa de 30 hz. Ondas alpha começam em 7 hz e terminam em 13 hz, ou seja, quando começam as ondas beta. Ondas theta vão de 3 à 7 hz, quando começa as alpha, e as ondas delta, de 1 à 3 hz. Outro ponto interessante de frisar agora é que, a harmonia musical trabalha em um campo parecido com esse, só que esse foi feito e calculado para dois sons apenas, visando a condução para evolução e expansão de consciência, pra mexer com as ondas cerebrais mesmo. Harmonia estuda muitas vozes, bem mais que duas, em superposição se movendo seguindo uma progressão, o efeito resultante da harmonia musical é diferente, mas não menos fantástico. Para podermos imaginar a diferença, tente imaginar somente dois sons quase iguais sem mudar de altura e depois escute a música clássica, que trabalha mais de 30 vozes e se movendo para vários lados. Ou melhor, imaginem um coral afinadíssimo... Bom gente, como nem tudo na vida são flores, existe um pequeno problema em realizar esse exercício, hoje em dia nós podemos encontrar muitos e muitos vídeos na internet de “2 horas de ondas delta” por exemplo, ou “5 horas de ondas alpha – magic meditation” ou enfim. Na verdade,

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pra você praticar isso, somente terá 100% de aproveitamento em centros de batidas binaurais, eu pessoalmente não aconselho vocês a ouvir qualquer áudio de internet, por que infelizmente, existe muita gente que posta sem ter o conhecimento necessário para fazer o mesmo ou também mau intencionadas mesmo. E as batidas binaurais são algo muito delicado, tem que ter equipamento que seja capaz de projetar EXATAMENTE a quantia intervalar necessária e contínua para criar a onda, não pode ser feito por qualquer um, nem ouvido em qualquer lugar. Qualquer distúrbio de frequência em um procedimento desses pode causar os efeitos contrários e literalmente “desregular” seu cérebro. Coisa séria, viu gente! Então é isso, espero que tenham gostado, desejo que aproveitem bem esse conteúdo, por que é magico, místico e necessário. Desejo há todos vocês nesse novo ano de 2016 muita paz, saúde, boas energias, que vocês possam usar os conhecimentos aqui publicados para o bem e propaguem para todas almas viventes na terra. Foi muito gratificante ter feito esse trabalho para vocês. Um forte abraço de seu irmãozinho Iago André da Silva Dutra aka Jah jah. Nos vemos por aí. Abraços. Iago Dutra fb.com/iago.dutra


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ED.VERÃO | NANO REC 18/mar Progressive 4 anos 08/abr PSY-FI SHOWCASE 17/jun AUSTRALIAN GROOVES 17/jul Hommega anos 18/ago made in israel 02-05/nov progressive festival 09/dez IBOGA - THE HOLOGRAM SHOW 18/fev

facebook.com/progressivefest

www.dM7bookings.com.br #5 \

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ENTREVISTA COM

ROGÉRIO TEIJI HIRATA É um dos poucos artistas visionários da cena Trance que por muitos anos dedicou e ainda dedica seu tempo na elaboração e construção de cenografia e arte visual para festivais psicodélicos. Iniciou sua jornada em 2003 e em 2006 conheceu o seu colega e amigo Cesar Franzoi, com quem criou o projeto Geômetra Nova Arte, com foco maior na geometria, string art e intrincadas colagens, em instalações para grandes pistas e palcos. Atualmente o Geômetra segue ativo, cada um vivendo em uma parte do Brasil. Ambos atuando em trabalho solo e quando conseguem, juntos. Paralelamente, Rogério se dedica a seu trabalho solo como artista plástico, transferindo seu conhecimento do universo psicodélico para quadros, objetos de porcelana, tecidos, luminárias e esculturas tridimensionais. Valorizando e respeitando suas origens, conseguiu fundir a cultura japonesa com a sua arte, em traços que fazem referência ao Shô e materiais como papel de arroz. Uniu a sua aptidão, habilidade motora e sensorial, competência com o domínio das técnicas e de criação, para criar uma arte jamais vista. 20 /

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SKoT - Como você conheceu o Cesar e o que levou vocês a se interessarem pela arte e cenografia? De onde saiu a ideia do projeto Geômetra? Rogério - Nos trombamos pessoalmente por acaso na Klatu (SP) em 2006. Resolvemos na mesma noite que iríamos fazer algo juntos porque admirávamos demais o trabalho um do outro. Nosso primeiro trampo foi o “bicho-do-coco” no UP#07. O nome “geômetra “ veio no UP#08, e só passamos a divulgá-lo em 2010 se não me engano...

Parte da Nave Geômetra Cachoeira Alta 2009 Bicho do Coco Universo Paralello 2007

SKoT - Como você descreve seu trabalho de cenógrafo e artista solo, e quais técnicas você costuma utilizar? Rogério - Tanto nas pistas como fora delas, a geometria, o psicodelismo e a fluorescência são os campos que tenho explorado mais. No mínimo um deles está sempre presente nas instalações em festivais, nos quadros, nas luminárias, enfim, em tudo que tenho feito. SKoT - Qual é a sua fonte de inspiração? Possui alguns artistas que aprecia o trabalho? Rogério - Minha grande inspiração são os festivais e o que conheço nesse universo. Apreciar o trabalho, eu me esforço pra apreciar o de todos. Mas alguns tenho como mestres mesmo, não só na estética mas considerando seus posicionamentos perante a Arte, digamos assim. Citando gente da cena: Cesinha Franzoi, Marcelo Jaz, Sola Tido, Michele Petillo e Lelo.

Flor de Lotus Geômetra Universo Paralello 2008 Palco Rogério Mystic Tribe & Respect 2012

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Palco Rogério Universo Paralello Pista Goa 2009

SKoT - Em relação à cenografia em festas psicodélicas no Brasil, existe algo a melhorar ou está satisfatório para você? Qual a sua visão para o futuro da cenografia em nosso tipo de evento? Rogério - Podemos melhorar sempre. Acho que o público dos festivais, em geral, se contenta com pouco em termos de qualidade das artes visuais. Se por um lado isso abre espaço para iniciantes experimentarem à vontade, por outro cai o investimento de festivais em projetos mais ousados e inovadores. Visualizo um maior intercâmbio envolvendo projetos gringos nos próximos anos, fortalecendo a noção da arte psicodélica como um rompedor de fronteiras, e mais futuramente a fusão desse trabalho de “cenografia” com o de design de naves espaciais. fb.com/ rogerioteijihirata.geometra bit.ly/1Sl1RaC 22 /

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Entrevista por Stephen Federolf Mais conhecido como “Deutsch”, trabalha com cenografia desde 2006 e atua com trabalhos pioneiros desde 1998. Há pouco tempo adquiriu o certificado de trabalho nas alturas e por muitos anos vem se preocupando com a segurança no trabalho dentro da área de cenografia. Além de cenógrafo, Deutsch também é Produtor de Eventos, Dj, Artist Booker na agência Infinite Music e trabalha com diversos eventos no Brasil. fb.com/sfederolf fb.com/deutschdj


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A Era de Aquário Não é preciso ser considerado um sujeito “vibe nova era” pra já ter ouvido falar na “Era de Aquário”, que marcaria um novo tempo, de paz e amor na humanidade. Alguns dos “astrólogos de bar” (ou de festa trance!) afirmam que já a estamos vivenciando desde o ano 2000 ou 2012, mas as teorias sobre o seu início variam muito, desde 1962, para a Gnose, até 2150 ou 2601, as duas maiores teorias astronômicas. Mas primeiro vamos entender o que é uma “Era”? Para a Astronomia, a grosso modo, uma Era é determinada pela passagem do Sol ao longo da região ocupada por uma constelação zodiacal, em razão de um deslocamento do eixo da Terra, que se dá, aproximadamente, a cada 2000 anos. No momento, estaríamos (ou não) passando pela constelação de Peixes, mas é fato que a humanidade já está a sentir as influências da Era de Aquário, em função do chamado “Orbe de Influência”, ou seja, um período de transição. Tais influências teriam relação com os avanços 24 /

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tecnológicos e globalização e ao mesmo o tempo o resgate da sabedoria antiga e ocultismo (uma mistura excêntrica, que levaria a humanidade ao altruísmo, marcas essenciais do signo de Aquário. É interessante comentar que cada Era Zodiacal foi marcada pelas características de cada signo. Era de Câncer (8000 a 6000 aC), em que existia o culto à Deusa Mãe e se iniciou a constituição das famílias (câncer rege a família, a fertilidade).


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Na Era de Gêmeos (6000 a 4000 aC) se estabeleceram a escrita, registros históricos e comércio internacional (eventos ligados à temática de Gêmeos: comunicação, línguas).

A Era de Touro (4000 a 2000 aC) foi marcada por construções em pedra de nível nunca antes visto (as pirâmides, por exemplo), e pelo estabelecimento de moedas, refletindo a simbologia taurina: estabilidade material e finanças.

Na Era de Áries (2000 aC ao Nascimento de Cristo) viu-se agressividade, militarismo, evolução das cidades gregas e do Império Romano (o signo de Áries rege as armas e as ferramentas).

Na Era de Peixes (Nascimento de Cristo), foi um período profundamente ligado ao misticismo, fé e sacrifícios. Toda arte e toda guerra tinham motivos religiosos. Outras religiões não cristãs também tiveram tempos áureos, marcando a busca mística pisciana (mas o período acabou também mostrando o lado negativo de Peixes: a cegueira à realidade).

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ESPIRITUALIDADE

Já com a aproximação da Era de Aquário (aprox. 2.000 dC a 4.000 dC), podemos perceber o avanço tecnológico, a comunicação em massa via internet, a conquista do espaço, iminentes contatos extraterrestres e viagens interplanetárias, movimentos que expandem o homem de uma visão auto-centrada para o sentimento cósmico, uno, total. E o principal: a luta pela liberdade de expressão e de pensamento, típicos atributos aquarianos.*

John Lennon já cantava nos anos 70: “imagine all the people, living life in peace”. São as vibrações revolucionárias da Era de Aquário! Mesmo que estejamos vivenciando atualmente muita escuridão, diz-se que a parte mais escura da noite é justamente antes do amanhecer. Por que não se conectar a essa energia e confiar nos bons presságios? Aline de Moura fb.com/tudoevibe

(*) Percebeu que as Eras caminham “ao contrário” nas casas zodiacais? Também sempre me perguntei isso, mas na minha pesquisa só encontrei a árida explicação de que o “deslocamento do eixo da Terra se faz na proporção de mais ou menos um grau a cada 70 anos, no sentido retrógrado (leste para oeste).”

Fontes da Pesquisa: https://pt.wikipedia.org/wiki/Era_de_Aquarius http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia/O-que-e-aEra-de-Aquario-/12/6170 http://www.brazilsite.com.br/mistiscismo/astrologia/ ocidental/astro03_01.htm http://www.gnosisonline.org/magia-cosmica/a-erade-aquario/ http://planetario.ufsc.br/a-era-de-aquario/

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Tipo: VA Título: Essencia Compiled By Digital-X Lançamento: 2016 Gravadora: Profound Records Gênero: Psychedelic Duração total: 70:55 min 01. Eclipse Echoes - Cosmic Update 06:32 02. Labirinto - X Dimension 06:48 03. Space Vision and 2012 - Info Technology feat. 2012 06:25 04. Space Vision - GroundMantra 07:04 05. Shekinah vs Labirinto - Analog Pulse (Nevermind Remix) 07:16 06. Telepatic - Liquid Tension 06:46 07. Technology - Divines Contacts 07:36 08. Tera - Anunnaki (Smokeship Remix) 07:07 09. Ancient Tribe - Tibet Echoes 07:48 10. Ritual Sequence - Moonlight 07:29

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Conheça o VA “Essencia”!

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No começo de Novembro deste ano, tivemos um lançamento muito especial de um artista brasileiro. Odj carioca, Fernando Santos (aka Digital X), lançou uma compilação de músicas inspiradas na essência da cultura brasilera, trazendo uma precoupação especial em demonstrar a riqueza cultural do nosso país. Buscando apresentar uma linha de som com menos breaks e mais contínua, que possibilite cativar a pista de dança e manter todos conectados com as faixas durante o set, “Essencia” é resultado de anos de experiência dos produtores brasileiros e mostra mais uma vez que a produção autoral do Brasil está evoluindo a passos largos! Não deixe de ouvir essa pérola da música brasileira! Disponível no bandcamp para compra do álbum em alta resolução e para ouvir por streaming!

Digital X fb.com/DigitalDX Ouça agora no Bandcamp! Saiba mais sobre a Profound Records Spinal Fusion, músico de origem indiana, engenheiro de som, começou a produzir música com dezessete anos. Sempre teve um ouvido para música e sons desde a idade os 10 anos de idade! Até que ele realmente começou a experimentar a música eletrônica em 2008 e sentir a atmosfera psicodélica que ele descobriu que ele queria compartilhar e entreter as pessoas com isso. Foi em 2012, na eminência de dar uma plataforma para liberar sua criação, a idéia da Profound Records foi formulada com a ajuda de seu parceiro Radhika Bhanot. Desde então, Profound Records não só deu a ele a liberdade que ele precisava, mas também tem apoiado as próximas gerações de músicos talentosos e DJ’s, juntamente com os nomes proeminentes de forma profunda.   A partir destes humilde começo, Profound tem sido capaz de estabelecer o seu nome entre as principais gravadoras internacionais com um número crescente de seguidores e uma sólida reputação que também foi marcada pela posição # 37 em 2014 pelo Beatport na lista Top PsyTrance Labels.   Profound Records tem evoluído constantemente e está sempre em movimento não apenas por mais um lançamento, mas por produtores e novos artistas genuínos que gostariam de construir um longo relacionamento conosco. Com o compromisso de apoiar a próxima geração, oferece a muitos artistas a tão necessária plataforma para compartilhar sua música com o resto do mundo.   Desde o início, a jornada tem sido um processo contínuo de criação, aprendizagem, afinação e ajustes, dedicada a trazer o melhor do Trance Psicodélico e seus sub-gêneros, oferecendo sons de alta qualidade, mantendo e preservando a cena psicodélica universalmente. www.profoundrecordsofficial.com fb.com/profoundrecords.official #5 \

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FOTÓGRAFO CONVIDADO

Lauro Medeiros Paulista, natural de São Paulo - SP. “Comecei cedo a me enveredar pelo mundo da arte, primeiramente fui convidado a desfilar para algumas confecções de moda lá pelo final dos anos 70, então fui levado por um amigo a cursar pelo SENAC dois cursos, um de Manequim Profissional e outro de Modelo Fotográfico, onde surgiu o meu interesse pela fotografia, fiz dança e em seguida passei a me interessar por Fotografia, nessa época tudo que eu conhecia de fotografia se relacionava a dança e teatro que eram as minhas paixões, nesse período participei de algumas campanhas publicitárias e meu trabalho de destaque foi um filme para a marca Hollywood Sport Line, vivia em agências e produtoras, com esses bons trabalhos consegui comprar meus primeiros equipamentos e resolvi fazer uma viagem pelo Brasil, tinha muito interesse em conhecer a realidade do Nordeste de onde minha família havia migrado. Fotografei tudo e todos com a minha Yashica FX-D , e quando retornei passei a trabalhar com um amigo em projetos independentes, fazíamos catálogos, fotos para books e festas, período de muito aprendizado e curtição, ficamos juntos por alguns anos mas nossa parceria se findou e eu caminhei solo até o meu casamento, nesse período de casado deixei a fotografia de lado e me voltei para a moda, agora na área comercial, até umas férias que fiz para 30 /

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Fotografia por Thiago Smith

a Europa no final dos anos 90 quando a fotografia me arrebatou novamente, mas fiquei só com a vontade, meu trabalho na área comercial ia muito bem. Conheci o surgimento da cena eletrônica e todo o movimento quando fiz essa viagem, voltei interessado em ouvir a nova música que surgia, estava solteiro outra vez e queria sair para relaxar e como nunca fui de ir em bares e boates, passei a frequentar alguns Clubs, que fervilhavam desde os anos da Disco, mas havia algo que eu precisava conhecer, que eram as festas Open air e mais uma vez de férias fui para a Bahia onde tive o meu primeiro contato com uma festa ao ar livre em Trancoso. Em seguida passei a frequentar o Skol Beats e daí conheci as maiores festas que despontaram nesse momento, Tribe e XXXperience, nesse período era apenas um frequentador. Conheci minha atual mulher, a Greicy Oliveira, e à partir daí, saímos todos os finais de semana para dançar nas festas que aconteciam por aqui, logo passei a ser alvo de alguns fotógrafos que faziam fotos para sites direcionados para esse público,


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entre eles o “Raves.com”, fui fotografado uma dúzia de vezes e me tornei amigo de um desses fotógrafos, Bruno Bueno, do qual somos amigos até hoje, e foi em uma conversa em uma dessas festas que ele soube que eu fotografava, de imediato me convidou para fazer parte da equipe do site, insistiu e me pediu um portfólio, algo que eu não tinha, mas sugeri a ele que me colocasse para fotografar uma festa que eu mostraria como eu enxergava a cena, foi incrível minha primeira experiência, foi arrebatadora, uma nova porta se abria para mim.

O Universo Paralello, Festival Mundo de Oz, Samsara, Earthdance, Soulvision, Shivaneris são os núcleos para os quais atuamos como Coletivo. Vale lembrar que nossa primeira experiência fotográfica foi para o AHO Festival em dezembro de 2012. À partir desse ano de 2015/2016 com a cobertura realizada no UP13 o Coletivo Fotográfico passa a se chamar “Coletiva.a.mente”, por entendermos que novos grupos irão se formar e que não haja domínio sobre coletivos. Hoje temos uma página onde diversas coberturas levarão a marca do “Coletiva.a.mente”.

Passei a fotografar pelo site até 2009 quando deu sua venda, à partir daí sabia que estava preparado para um novo desafio que era ser independente dentro da cena, o facebook chegava trazendo novidades, poderia criar de forma independente e havia um mar de novas possibilidades aguardando o meu potencial criativo. Dois anos depois iniciei o planejamento desse Projeto “Coletivo Fotográfico”, por que percebi que havia a necessidade de mostrar uma fotografia mais bem cuidada e com uma veia artística, parti de uma ideia simples, fazer fotos jornalísticas com uma pegada de foto arte, procurei os amigos que já fotografavam a cena por aqui e mãos à obra! Importante citar que à partir dali surgiu também a necessidade de poder proporcionar oportunidades para os novos e conduzir o projeto para um bom final, valorizar a condição do fotógrafo dentro desse contexto. Muita coisa mudou desde então, mas o espírito e amor pela arte apenas se acentuou, vejo hoje grande evolução na fotografia da cena e me sinto feliz em reconhecer diversos fotógrafos surgindo e entendendo o recado.

Tudo e todos são referências para mim, colecionei revistas Photo Francesas e Americanas por anos, tenho diversos livros sobre fotografia, historia da fotografia e as referências deixaram de ser apenas um ou outro, minha visão tende a se ampliar quando estou envolvido com projetos, pesquisar e se informar deve ser regra sempre para quem busca a excelência na fotografia.

“Eu não assino minhas fotos, venho de um outro tempo onde se acreditava que deveríamos ser reconhecidos pela nossa obra e não por nosso nome, mas para quem participa de alguma formação de Coletivo isso é regra”.

Lauro Medeiros

ACESSE : fb.com/coletiva.a.mente fb.com/fotoslauro #5 \

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Características Técnicas

Câmera Nikon D7100 | Lente Nikon 50mm 1:1.4G | ISO 100 Abertura f 3.3 | Velocidade 1/180s

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LAURO MEDEIROS

Ressonar Festival - Lenรงois, BA - 19 a 24 de Janeiro de 2016

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FOTOGRAFIA COMENTADA

A Visão de Felipe Paes fb.com/photopaes

A foto ilustra bem o que é a explosão cultural presente no Ressonar Festival, desde a cidade de Lençóis, semanas antes do festival, que recebe o público com apresentações circenses e arte nas ruas até intervenções artísticas que surgem no meio da pista de dança pelos âmbitos da cratera lunar. Nesse belo retrato, observamos grande influência da fotografia de moda, tanto na produção da modelo, que se apresentou trazendo hiéroglifos em seu rosto, uma maquiagem artística que mistura o “estranho desconhecido” de uma fonte desconhecida, como um enigma a ser desvendado por aqueles que observavam seus gestos e imaginavam qual seria o conceito da sua expressão de arte no festival. Acessórios coloridos bem contrastados com elementos de natureza como penas verdes e amarelas dando alusão a cultura brasileira e indígena, Lauro optou por manter as cores quentes e vivas para não perder tais informações e com uma suavidade na luz que funciona muito bem na pele em retratos, na maioria das vezes femininos, que acredito ter sido pela estrutura que cobria a Astral Zone ou alguma nuvem a frente da luz do sol das 13hr40min. Lauro foi muito inteligente na direção da modelo e no enquadramento, o suave corte que esconde a ponta do cotovelo é muito usado em retratos de beleza pois não fica grosseiro e nem perde a informação do braço da pessoa retratada, como muitos cortes decapitados que vimos por aí. O enquadramento que jogou o rosto da retratada levemente pro terço superior à direita e trouxe uma informação no terço inferior à esquerda diz muito sobre um

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momento ao qual estamos vivendo atualmente, de movimentos culturais que lutam pelo simples gesto de sermos nós mesmos, e de aceitarmos o corpo de forma natural, dando foco a luta de muitas mulheres, a favor da igualdade de gêneros e liberdade de expressão. Um dos fotógrafos mais respeitados na fotografia do trance no Brasil merece nosso tempo para contemplar sua arte e de seus coletivos fotográficos que são formados por diversos pontos de vistas diferentes do mesmo evento. Se você é um dos amantes da fotografia C do trance, quer buscar referências ou só passar o tempo vendo fotos do trance no Brasil, dá uma M olhada em alguns trabalhos realizados pelo Y ‘Coletiva.a.mente’. CM

É uma honra fazer parte disso, aprendermos juntos e podermos mostrar que a fotografia MY do trance vai muito além do que apertar o obturador da câmera na hora certa. CY Em cada leitura fotográfica, um novo CMY aprendizado. Gratidão aos leitores da Revista SKoT Kpor acompanhar a coluna de fotografia comentada e até a próxima viagem. CURIOSIDADE Iaci ícaros by Iaci Kupalua O projeto musical que a garota da foto apresentou no Ressonar é Iaci Icaros onde ela canta mantras sagrados dos xamãs amazônicos sobre bases que cria com sons que capta da natureza e instrumentos eletrônicos, os desenhos no rosto são caracteres de uma fonte que um amigo Kalon cria, essa fonte ta disponível para teclado de mac. https://soundcloud.com/renataalcoba https://iacikupalua.bandcamp.com/releases


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Zuvuya Festival 2016 - Luziânia, GO Fotografia : Bianca Meireles

UNDERGROUND

FUI NUMA FESTA E NUNCA MAIS VOLTEI! Nesta edição farei um breve apanhado sobre minha imersão no vasto mundo da psicodelia. É bem isso que você identificou no título, literalmente, fui numa festa e nunca mais voltei! Era início dos anos 2000 e eu no auge da minha adolescência, cheio de sonhos, muitas revoluções por fazer, munido de diversas rebeldias sem causa (algumas espinhas) e, como todo bom adolescente, não sabia por onde começar. Sempre morei no interior de Santa Catarina e aqui nunca tivemos uma base sólida de diversão. Nossas opções eram limitadas e meu gosto musical passava longe das batidas eletrônicas. Certo dia, alguns amigos que já tinham sido ‘mordidos pelo bixinho’ me apresentaram o psytrance e, pra variar, achei aquilo uma loucura... a musica não fazia sentido pra mim e eu jamais fingiria que gostei de algo só pra agradar a massa. Pois bem, passadas algumas semanas, numa síncope de rebeldia, entramos num carro e rumamos ao norte do estado, local onde rolaria uma ‘festa estranha’. Chegando lá, caíram por terra todos os pré-conceitos que eu tinha. Vi muita gente feliz, fiz muitas amizades, nos divertimos por horas, expandi minha mente e o principal: o bichinho do trance 36 /

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me mordeu e entrou em minha vida de uma forma que nenhuma outra coisa jamais tinha alcançado tamanho efeito. Como sempre fui curioso e minha veia musical sempre me cativou, foi uma questão de tempo até me interessar de forma mais profunda sobre a dinâmica musical, as tendências daquele estilo e, por consequência, entrar de cabeça na arte da discotecagem. Agora fazendo um hiato no texto, importante salientar que eu nunca me deslumbrei ao ponto de me achar espirtualmente elevado e acatar o estilo de vida trancer como um dogma... o


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“As melhores e as mais lindas coisas do mundo não se podem ver nem tocar. Elas devem ser sentidas com o coração.” Hellen Keller Soulvision Festival 2016 - Altinópolis, SP Fotografia : Habitat Partyphoto

trance foi importante na minha vida como forma de auto evolução, mas não ao ponto se tornar minha vida por completo (sim, existe vida fora do psytrance!). Ocorre que numa imersão de autocrítica, comecei a perceber que tudo isso me mudou. Passei a ver o mundo de uma outra forma, mais colorida, menos estressada. Aquela minha rebeldia já não era a mesma. Hoje faço parte de um coletivo que movimenta a ‘cena’ local (se é que isso existe) e, indiretamente, acredito que contribuo de alguma forma para o fomento da arte psicodélica. O destino do ser humano é a evolução. Tudo evolui; não existe um momento igual a outro: a cada instante as pessoas mudam e muda o contexto. Todo o universo está em constante evolução e comigo não foi diferente. Hoje percebo que a maioria das pessoas que conhece esse universo, passa por esta transformação. Os fatos são diferentes mas a dinâmica é a mesma, pra todos. Descobri que aquele meu antigo eu ficou por lá e pra cá veio uma nova pessoa, que continua nessa jornada de loucura sem cura que é o trance! Marcos Vinicius (aka Vasho) fb.com/matos.mv

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RMC 2017

RIO MUSIC CONFERENCE 2017 O tempo traz a evolução, tudo aquilo que é novo precisa passar por processos e experiências que possam torna-lo sábio e pronto para os desafios. Não é diferente na música... Pode ser que não seja o estilo de música que mais impactou a nossa sociedade, mas, com certeza, o psytrance está mudando a nossa sociedade, e está em constante evolução. Cerca de 25 anos após sua concepção nas praias de Goa, este estilo de música eletrônica que criou todo um movimento cultural ao seu redor está cada vez mais preparado e profissionalizado para os desafios que a sociedade impõe. Um grande passo será dado em 2017. Graças à persistência e profissionalismo do dj, Fernando dos Santos (aka Digital -X) e a visão de mercado do empresário Claudio Rocha Miranda teremos painéis onde serão abordados a cultura psicodélica, pela primeira vez na história da música brasileira, com a presença de alguns dos principais profissionais e artistas da atualidade no Brasil na maior conferência de música eletrônica da América Latina, o Rio Music 38 /

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Conference. Na edição Global, que têm sua programação total entre os dias 15 e 28 de fevereiro de 2017, teremos a participação de convidados muitos especiais que irão mostrar para o Brasil e para o mundo que a cena psytrance brasileira está amadurecendo e que isso é só o começo! A equipe da Revista SKoT fica honrada de ser a mídia que irá cobrir e documentar o painel de Psytrance no RMC 2017, com muito esforço, vamos caminhando para um futuro mais próspero e profissional dentro de um movimento tão rico de cultura e arte que tende a crescer muito no mundo inteiro! *Texto publicado na fanpage da revista em 22 de Dezembro de 2016. Afinal, o quê isso significa para a cena? Como a presença de um movimento cultural em uma conferência pode trazer benefícios? Na minha opinião, um dos maiores desafios da cena eletrônica psicodélica no Brasil é desmarginalizar o seu trabalho e comprovar para a sociedade todos os


RMC São Paulo 2016

benefícios que o movimento constrói dia-a -dia. Não apenas para público e profissionais envolvidos, mas toda a sociedade estar ciente das contribuições. É fato que é um movimento muito delicado quando se almeja emergir um movimento que se considera Underground sem perder sua essência... A questão é, qual seria essa essência que devemos manter? Existem muitos pontos que precisam evoluir na nossa cena para que possamos impactar ainda mais e realmente gerar esssa “mudança global” que apesar de distante, é sim possível. Em um movimento que você encontra tantos artistas geniais, pessoas genuinamente apaixonadas pelo que fazem e com especializações tão únicas e impressionantes, nada mais justo que ter uma base sólida de contexto para apresentar toda essa riqueza artística/ cultural para o mundo! Diversas vezes vemos eventos com um conceito inovador sendo derrubados por meios duvidosos e desconexos com a base legal única e exclusivamente por causa do preconceito.

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O Rio Music Conference são duas portas enormes que foram abertas para o psytrance. O dj Fernando Santos e a nossa equipe ficou responsável por reunir as pessoas certas que estão fazendo um excelente trabalho dentro da cena underground, vamos emergir tudo aquilo que vem prendendo a ascensão do trabalho de muitos. Dialogar, questionar, dissertar e concluir para que possamos enfim dar os próximos passos e mostrar para quem quiser ver e, principalmente ouvir, que o psytrance nunca morreu, não vai acabar e que, provavelmente, ainda vai mudar o mundo. Vejo vocês no Rio de Janeiro, palestras entre os dia 15 e 17 de Fevereiro, no Museu de Arte do Rio. www.riomusicconference.com.br fb.com/riomusicconference Bruno Soares Martins Editor Chefe fb.com/brunosoaresmartins #5 \

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SOMANDO NA CENA

A arte sempre esteve presente na vida de Francisco Rodrigues, desde pequeno fazia quadros, desenhos e até artes no Photoshop. No ensino médio e na faculdade de Direito começou a fazer vídeos para os trabalhos acadêmicos, sempre de forma empírica, assistindo tutoriais e aprendendo tudo aquilo que desejava. Foi aí que a Elemental surgiu, nos vídeos, quando muitos elogiaram os resultados daquilo que ele fazia por esporte... Acabou se tornando o que é hoje, seu trabalho! O reconhecimento do seu trabalho aconteceu depois de uma animação para o EP - Sirena assinado pelo artista Dang3r. O mercado possui uma lacuna no ramo de produção de animações para músicas, logo após o trabalho com o Dang3r, o Tiago Sena (aka 4i20), dono da Alien Records que estava na Austrália em tour, mostrou o trabalho da produtora para o Cosmic Flow (artista israelense), ele gostou muito e começaram os trabalhos internacionais. O Cosmic Flow encomendou uma animação para sua música ‘Shanti’ e desde então toda 40 /

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semana surge um request para animar uma música! Na sua opinião, Francisco considera o conceito das artes relativo, porquê depende do tema de cada trabalho. Existem temas que são geométricos, futuristas, psicodélicos, minimalistas... Uma variedade muito extensa de possibildades. A inspiração do seu trabalho vem das formas geométricas e ideias futuristas. A proporção áurea, regra dos terços e o Cubo Metatron são grandes influências, artes incríveis surgem a partir diss. Músicas de artistas como Durs, Greenwolve, Domateck, Freedom Fighters e Reality Test estão sempre presentes em suas playlists. Fora da linha eletrônica ouve muito rock: Black Sabbath, Rammstein, Devils Paradise... A música varia com o sentimento do dia! No cinema, considera Hans Zimmer e Christopher Nolan os melhores produtores atualmente na composição de trilhas sonora e direção de cinema. Os trabalhos deles lhe inspiram muito!


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“Produtora de probabilidades exponenciais...”

Focada na animação de vídeos e produção audiovisual, a Elemental entra para o mercado para inovar e criar novos conceitos de diversão e entretenimento nas tracks disponíveis para promoção dos lançamentos das gravadoras, criando assim uma materialização da música desenvolvida e alimentanto ainda mais a imaginação e sensação do público. O ano de 2017 será de muito trabalho e dedicação. A Elemental .Mov Label passará a lançar músicas e atuar como gravadora no mercado de músicas, com lançamentos no Beatport numa escala global! Já com releases agendados com artistas da Itália, Inglaterra, Israel e Brasil! Trabalhando pesado também no lançamento de podcasts, estão hoje na posição #40 do Podcast tendo artistas de mais de 10 países. Buscando artistas conceituados para lançar ainda mais! fb.com/elementalmov soundcloud.com/emovlabel

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CONEXÃO PSYBIENT.ORG

ENTREVISTA COM IURI GAGARIN

O idealizador do dj set de Chill Out “Gagarin Project” e do portal especializado “Psybient.org”. Sua paixão pela música e pela cultura incentivaram-no a explorar o mundo e mostrar a sua arte! Conheça um pouco mais sobre os projetos do passado, presente e futuro do ucraniano Iuri Gagarin. As performances do Gagarin Project não se limitam a certos gêneros musicais; eu mixo entre psy-downtempo, música psicodélica moderna e grooves techno. Eu também tenho um show de projeção ao vivo, mas a maioria dos eventos não têm a facilidade de fornecer as condições para apresentá-lo. Agora, este é principalmente meu projeto, mas houve momentos importantes onde alguns amigos próximos me ajudaram e empurraramno nas direções certas. Dependendo do momento, convido amigos para se juntarem a mim: músicos, poetas, dançarinos e artistas visuais / gráficos. Juntos, podemos fazer coisas maiores e ir mais longe.

SKoT - Fale um pouco sobre o Gagarin Project? Iuri - Gagarin Project é o nome que eu escolhi para minha realização artística no campo da música e da arte visual. Este projeto é muito inspirado pela infinita capacidade humana e desejo de explorar os universos internos e externos. Este é o meu caminho para o meu crescimento pessoal e exploração do nosso planeta. A participação em eventos artísticos, musicais e comunitários é parte do meu caminho para um estilo de vida consciente, saudável e harmonioso.

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SKoT - Como foi sua primeira experiência com o psytrance e como suas idéias começaram na música eletrônica? Iuri - Meu primeiro encontro com música eletrônica começou com as músicas de rave da década de 90. Eventualmente eu descobri e comecei a colecionar downtempo, lounge, dub e trip-hop. Quanto à cena psicodélica, entrei nela pela porta da música de psicologia que eu descobri praticamente na internet e em algumas festas ilegais em Londres, onde morei.


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Gagarin Project no Kaleidoscopie Festival 2016 em Kiev (Ucrânia)

Mais tarde, por volta de 2010, eu descobri o VJing (mixagem de vídeo) e DJing. Naquele mesmo ano comecei a tocar em vários locais underground em Paris. Desde 2011, tenho tocado regularmente em festivais e eventos em toda a Europa Oriental e Ocidental. A música está permanentemente presente em minha vida, e eu ainda sinto regularmente os arrepios dela tanto em casa como no chill / dance-floor.

SKoT - O que é único em seu projeto e em suas apresentações? Que tipo de experiência você propõe? Iuri - Devido ao meu envolvimento na cena e aos contactos pessoais com artistas e gravadoras, tenho acesso a materiais inéditos e também os meus próprios remixes.

através de vibrações sonoras e dança. Eu dou muita energia e atenção a cada apresentação, gravações de voz originais com mensagens relacionadas à energia da inspiração, consciência, amor e criatividade, desempenham um papel importante nos meus sets. Eu sinto que essas mensagens devem chegar ao seu destino. Quanto à parte técnica - a minha abordagem digital para mixar usando software de áudio multicanal, coleções de amostras e hastes exclusivas, me permite improvisar e re-editar faixas em qualquer lugar.

SKoT - Por que o estilo de música Chill Out?

Cada apresentação é única. O que eu toco depende do artista anterior, tempo de desempenho, energia de pista de dança e meu sentimento pessoal. As apresentações planejadas ou preparadas não fazem sentido para mim. Eu faço a seleção de trilha cuidadosamente, eu não posso tocar algo que não me inspire ou toque-me pessoalmente.

Iuri - Como um ouvinte, eu tento não me limitar a certos gêneros e vou estar sempre aberto para novas experiências de som. Depois de experiências com diferentes sons, notei que a música que me toca profundamente e altera o meu estado de consciência normalmente tem alguns aspectos etno-tribais e principalmente ritmos de ritmo baixo ou médio. Eu sinto que esta música é benéfica para as pessoas, e é por isso que me sinto honrado em transformar e compartilhar essa energia através de mim mesmo.

Quanto à experiência, eu tento criar uma experiência psicodélica em expansão mental

As pessoas que vêm para eventos Chillout geralmente têm o maior estado de consciência, #5 \

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CONEXÃO PSYBIENT.ORG

a bondade - que também é uma boa razão para passar o tempo lá. A cena do chillout psicodélico é incrível, rica e cada humano pode encontrar algo para ele mesmo.

SKoT - Conte-nos sobre o conceito de Psybient.org? Iuri - O projeto psybient.org foi iniciado no outono de 2013. Eu tive uma visão da necessidade de criar um lugar online que centralizasse a informação. Um lugar que se tornaria casa para os amantes psicodélicos do chillout. Meu trabalho no campo de tecnologias de informação e conhecimento de tecnologias da web me permitiu começar sozinho. No momento somos uma pequena equipe de voluntários, abertos a novas idéias e colaborações. As partes mais importantes do projeto são nossos catálogos completos e atualizados regularmente de links para álbuns lançados entre 2011 e 2016 e um calendário de “chillout”, eventos e festivais de todo o mundo. Também recentemente iniciamos um fórum online dedicado à música chill.

SKoT - Em quais pontos-chave você vê a diferença entre a cena brasileira e a cena européia? Iuri - Tenho medo de que eu não tenha experiência e conhecimento suficientes para responder de forma completa e objetiva. Eu só estive no Brasil duas vezes, mas posso dizer que sua cena é muito forte. E os produtores e organizadores de eventos que eu tive a oportunidade de conhecer são muito apaixonados, tanto no chillout quanto no palco principal.

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Gagarin Project no Nataraja Gathering 2016 (França)

Quanto a agora, eu diria que a principal semelhança é o amor à dança, eventos ao ar livre, sistemas de som claro e alto, e muitas pessoas interessantes nos bastidores. A cena europeia, devido à dimensão menor de cada país, é mais internacional e talvez mais diversificada. Temos um nível muito alto de decoração.

SKoT - Há uma pequena cena na França, como você vê o crescimento da cena francesa? Iuri - Tudo é relativo. Nós temos muitos bons artistas e nossa multidão de festa não é tão pequena. Quanto às festas e festivais, não que muitas coisas estão acontecendo em comparação com as cenas Techno e House. Infelizmente, não temos muitos eventos ao ar livre, e nossos eventos indoor são pequenos. Como não temos muitos ao ar livre, muitos franceses viajam pela Europa para experimentar festivais. Organização de festas é um desafio devido a processos legais pesados e​​ a quantidade


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Gagarin Project em entrevista com o portal diyfrequency.com - Abril de 2016

limitada de clubes locais abertos à música não comercial. Eu diria que a maioria dos eventos e promotores aqui são underground. Como eu sei que tem sido assim há vários anos, eu não acho que vai mudar em breve.

SKoT - Conte-nos os seus planos para a parceria entre SKOT e Psybient.org? Iuri - Estamos muito satisfeitos com a oportunidade de colaborar e partilhar a nossa paixão de chillout em suas páginas. Gostaríamos de compartilhar com vocês nossas entrevistas, informações sobre eventos, festivais na Europa e importantes lançamentos de música. Há muitas coisas para ser descoberto, e eu acredito que seus leitores encontrarão muito interesse em nossas páginas na SKoT e em nosso Web site.

Acredito na possibilidade de viver em amor e unidade. Meu desejo é que todos encontrem o caminho do coração, um caminho para a evolução coletiva. Quando mudamos a nós mesmos - mudamos o mundo à nossa volta.

LIVE, LOVE, CREATE! gagarinproject.org fb.com/gagarinproject soundcloud.com/gagarinproject

SKoT - Envie uma mensagem aos nossos leitores: Iuri - Irmãos e Irmãs, viemos de diferentes países, de diferentes etnias. Algumas pessoas tentam nos fazer temer umas das outras, dividir. Mas vamos combater os nossos medos e ajudar as pessoas ao nosso redor a evoluir, vamos salvar a nossa Mãe Natureza para as gerações futuras. #5 \

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4PM - ENTREVISTA BRUNO AZALIM

BRUNO AZALIM

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Bruno, Diza, Tijah e Triphotos no FreQs of Nature Uroboros Label Party 5 Anos por Vinicius Senna

EXPRESSÕES DE

Kundalini Festival 2016

AS DIVERSAS

Nessa entrevista super especial preparada para a Skot, conversei com Bruno Azalim, importante ícone da cena trance nacional e mundial. Nome por trás dos projetos Onionbrain, Nargun e Atropp, Bruno já representou o Brasil em cerca de vinte países, sendo também cocriador da gravadora de som noturno Uroboros Records e do iniciante, mas já consagrado Pulsar. Em algumas perguntas, ele nos fala um pouco da trajetória, carreira internacional e opiniões sobre a cena trance aqui e lá fora. Boas respostas de uma figura importante e, acima de tudo, extremamente humilde frente as suas conquistas.

SKoT - Como começou tudo para você? Onde entra o trance na sua vida e quando toma a dimensão que tomou? Você esperava por isso? Bruno – Tudo começou no início da minha adolescência, quando passei a me envolver com bandas. Passei o segundo grau inteiro tocando contrabaixo ou cantando, mas sempre tive a pira de compor, e sempre foi difícil porque a banda é um coletivo,e fica difícil haver uma conciliação de ideias para as músicas saírem. Até que chegou uma época em que tive que mudar para Vitória (ES), eu tinha 17, 18 anos e chegando lá não conhecia ninguém que tocasse. A música já era minha vida nessa época, e foi então que comecei a produzir música eletrônica, que eu tinha acabado de conhecer. Sempre escutei rock, depois reggae e um dia me apresentaram o psytrance. No fim de 2004 para 2005, minha pira nem era querer discotecar, frequentar as festas, eu pensei “vou fazer esse tipo de som”. Então, quando comecei a ir na rave eu já brincava em programas de produção como o Fruity Loops. Depois de muito estudo, em 2008 consegui tocar os primeiros lives e, desde então, é só história. Se eu for te dizer que imaginava qualquer coisa que aconteceu comigo nos últimos dez anos, eu estaria mentindo, porque jamais imaginei


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Ouça a apresentação de Nargun no Boom Fesitval 2016 poder utilizar minha arte para viajar, conhecer lugares, pessoas. Conheci primeiro grande parte do Brasil e depois disso comecei a tocar fora. Ter pessoas que conhecem e gostam do outro lado do mundo realmente nunca foi esperado, eu me sinto abençoado. Quanto à dimensão que tomou, eu não consigo detectar quando exatamente aconteceu. Foi um processo tão gradual e ao mesmo tempo tão rápido, que as coisas continuam acontecendo e ainda não caiu a ficha. SKoT - Quais são suas aspirações e inspirações atuais para sua carreira e para a cena trance no Brasil? Bruno – Como músico, minha inspiração desde sempre e para sempre é evoluir, melhorar a qualidade do som, produzir músicas mais desafiadoras, tocar o coração e a mente das pessoas de forma mais profunda. Eu penso que esse é um ciclo que nunca vai acabar e que sempre tem como evoluir, aprender e melhorar, essa é minha inspiração! Em relação a cena no Brasil, quem sou eu para ter alguma aspiração sobre algo tão grande? (risos) Mas dentro do festival que produzo com meus amigos e colaboradores, fazemos o que acreditamos. O Pulsar é o espelho daquilo que a gente acredita que deveria ser um festival de psytrance ao nosso gosto. E é isso que tentamos fazer, proporcionar essa experiência para o nosso público. Essa seria minha maior aspiração para a cena trance brasileira: fazer aquilo que se acredita.

SKoT - Como você vê a atual situação da cena trance no Brasil? Bruno – Eu vejo a cena numa fase de mudança, de transição bem interessante. Eu tenho uma teoria de que o psytrance no Brasil se divide em duas cenas independentes, de dois públicos independentes, que em certo ponto se misturam, mas se você for ver de uma forma generalizada, são duas cenas. Eu fico feliz que isso esteja acontecendo agora porque sempre foi apenas um lado dessa cena, e o “lado B – vamos chamar assim”, sempre ficou em segundo plano. Hoje em dia temos um espaço mais democrático, tem eventos só para festas comerciais, tem eventos para festas mais undergrounds, inclusive festivais. E assim o público tem o direito de escolher, não precisa mais ficar muitas horas da festa ouvindo músicas que você não quer, para pegar dois ou três projetos que você acha bacana. Esses últimos 2, 3 anos foram uma fase de transição, de abertura, de uma volta, eu até diria, a cultura inicial do psytrance e todos os seus conceitos que vão além da música. SKoT - Depois de tocar em cerca de vinte países, quais são as principais diferenças e semelhanças que nota entre seu país de origem e os festivais no exterior? Bruno – Na verdade não é uma diferença do Brasil para os outros países, cada país tem a sua peculiaridade, mas se eu for falar uma coisa específica daqui para lá, seria o comportamento das pessoas na pista. Fora do Brasil as pessoas dançam muito mais, com muito menos vergonha, muito menos pudor ou preocupação com o que as pessoas vão pensar, do que aqui. Isso em qualquer país que eu tenha visitado fora do Brasil. Mas ao mesmo tempo não quero diminuir o Brasil, porque temos coisas aqui que não temos lá, o jeitinho brasileiro, aberto, caloroso, receptivo, isso é uma coisa muito bela do povo brasileiro. E isso se aplica a eventos de psy também, a receptividade, o senso coletivo, o compartilhar das coisas, o #5 \

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4PM - ENTREVISTA BRUNO AZALIM

estar todos juntos na pista. Isso, se você vai na Europa é um pouco diferente. Mas ao mesmo tempo o individualismo deles, como eu disse, faz eles não se preocuparem tanto e as pessoas dançam. Dançam de dar gosto, de você não conseguir ficar parado na pista, porque você se sente estranho por não estar dançando, porque todos estão dentro da música e isso é muito lindo, muito legal de vivenciar. SKoT - Como produtor de som noturno, como vê a recente ascensão desse gênero antes não muito conhecido/visado na cena? Bruno – Eu fico muito feliz em ter acompanhado esse processo acontecer desde 2008, 2009 - obviamente já estava acontecendo antes, eu estava iniciando na cena, estava totalmente de fora desse processo. E desde que eu tenho acompanhado tem sido muito legal, porque sempre rolou um preconceito, muitas associações errôneas do peso do som com coisas negativas, com abuso de drogas, com pessoas loucas, não sei! (risos) Mas esse preconceito caiu e de uns anos pra cá eu vejo uma abertura

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Pulsar Festival 2016 Fotografia por Chinchulive

muito maior. O papel de educar o público é, normalmente, dos produtores de festa e os produtores de festa tem aberto espaço para isso porque está funcionando. É como um ciclo: como está funcionando, eles abrem espaço, o público novo, o público jovem, que está chegando agora tem conhecimento disso também, tem a oportunidade de ouvir todos os tipos de som e escolher, tornando a cena mais saudável. Porque em vez de ter que misturar todo mundo – pessoas que às vezes não tem muito a ver umas com as outras, músicas com cunhos totalmente diferentes – hoje temos opção de escolher o que queremos ouvir. Uns anos atrás, um festival de psytrance, tinha obrigatoriamente que agregar todos os gêneros, ou o que fosse mais popular na época, e não tinha muita diferenciação de um evento para o outro nesse quesito. Quando comecei a ir em festas em 2005, 2006 os line ups eram 90% (se não 100%) full on, só full on. Então isso criou uma saturação, uma parte do público escutou isso tantas vezes que o que costumava ser surpreendente na música, deixou de ser. E muitas pessoas saíram e foram procurar outra


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cena, outros gêneros musicais, porque ficava sempre batendo na mesma tecla. Essa ascensão do som noturno, como estamos denominando aqui, e que se divide em vários gêneros, é uma coisa muito boa, na minha opinião, porque promove a diversificação dos estilos. Tem muitas coisas para todos os gostos, tem psy para quem gosta de todo tipo de som na música eletrônica, eu vejo isso como uma coisa boa, que espero que continue sempre crescendo. Não acho que um lado é inimigo do outro, nem que uma coisa tem que se extinguir para que a outra possa existir, para mim a maior beleza do psytrance é isso, essa diversidade, essa abertura e finalmente estamos conseguindo alcançar com a música também. SKoT - Você também é um dos nomes por trás do Pulsar, um festival que veio para mudar paradigmas na cena brasileira. Você acredita que, com o surgimento de mais festivais desse padrão a exigência do público aumentará, deixando festivais menos organizados para trás? Bruno – Pode ser que sim. A gente está vivendo uma época aqui no Brasil de muitas festas, muitos festivais, datas se sobrepondo, eventos para todos os lados. É uma intensidade muito grande e o público já está precisando de algum parâmetro de escolha para poder separar, porque não tem como ir à todas as festas. Mesmo que a pessoa tenha dinheiro, ela não pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Então, isso que aconteceu no Pulsar, toda a organização, todos os pontos que as pessoas falaram, são, basicamente, coisas da visão minha e da organização e de toda a equipe. Porque a gente frequenta festivais e a gente vê coisas que são muito legais, e a gente se decepciona algumas vezes com alguns fatores, então é tudo um reflexo da nossa

Universo Paralello 13 Fotografia por Germano Rolim

vivência nesse tipo de evento. É um padrão que a gente gostaria de frequentar, que a gente gostaria de ver em mais eventos, e a gente espera realmente que surjam mais e mais e isso melhore. Festas e festivais mais organizados, menos organizados, menores e maiores sempre vão existir, independentemente de qualquer coisa. Eu penso que isso vai servir mais para estabelecer um parâmetro para as pessoas. Muitas vezes a gente não vê todo o potencial do festival explorado em muitos eventos por aí. É uma tentativa humilde nossa de tentar fazer algo bacana, um festival como a gente gostaria de frequentar. Se os outros festivais se apegarem a esse padrão, então vou ficar muito feliz, porque vou poder frequentar um festival dessa forma. No Pulsar a gente não consegue curtir nada, só faz com todo o carinho para que as pessoas possam viver essa experiência. fb.com/uroborosrecords fb.com/pulsarfestival.art fb.com/bruno.azalim.1 Tanara Rodrigues fb.com/tanara.rodrigues1

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Green Power Floripa Rua General Bittencourt 576, Loja 1, Centro Fone: 48 32118699

Green Power Balneário Camboriú Rua 1926, 157, Loja 2, Centro Fone: 47 30564566 Green Power Joinville Rua Guanabara, 370, Loja 6, Guanabara Fone: 47 30290084

no atacado e no varejo, monte sua loja conosco! 50 Trabalhamos / #5


REDUÇÃO DE DANOS

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PROJETO FIQUE LEGAL Idealizado pelo Antropólogo Sergio Vidal, o Projeto Fique Legal nasceu como um anexo ao Coletivo Balance da Bahia, teve sua estréia no Universo Parallelo 12 (2013/2014) e se repetiu na edição 2015/2016 novamente se tornando permanente no festival. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, passou a atuar esse ano, patrocinado pela Green Power, a loja de cultivo indoor, já esteve em no Revolution Festival, Origens Festival e na Green Dark Power, fazendo os testes de substâncias para que o público possa conhecer mais sobre as substâncias. Conheça quais são os reagentes e quais substâncias eles identificam: Reagente Marquis - O reagente Marquis é utilizado para detectar a presença de adulterantes em Ecstasy e identificar substâncias e como o MDMA, 2CB, Anfetaminas, Metilona, DMT, NBOMe, Mescalina, Modafinil, Ritalina, entre outras

Saiba mais em : fb.com/projetofiquelegal www.projetofiquelegal.org fb.com/greenpowersmartshop www.greenpower.net.br

Reagente Mandelin - Ele funciona da mesma forma que o reagente Marquis, identificando adulterantes em comprimidos de Ecstasy e remédios falsificados. Além do MDXX, é possível identificar substâncias como o Ketamina, PMA, PMMA, Anfetaminas, Cocaína, Ritalina, entre outras. Reagente Ehrlich - É o único reagente utilizado para detectar positivamente o LSD, assim é possível descartar substâncias como o NBOMe. É possível testar algumas triptaminas como DMT, Psilocibina e Mescalina.

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REDUÇÃO DE DANOS

NASCIMENTO DA ASSOCIAÇÃO PSICODÉLICA: UM PARTO ATIVO Associação Psicodélica do Brasil Em mais um ano o famoso Maio Verde tomou as ruas do Brasil. Mais de trinta Marchas da Maconha explanaram o verde da esperança. Via-se um brilho nos olhos: nossa política sobre substâncias psicoativas há de mudar! E foi neste espírito que, na Marcha da Maconha do Rio de Janeiro, pelo segundo ano consecutivo, a Ala Psicodélica esteve presente. Presentes, manifestando de corpo e alma. Como diz a origem etimológica de psicodélico: manifestação da alma. Distribuímos 100 cartazes que demandavam a legalização do LSD, do MDMA e da Salvia divinorum. Você já deve ter visto alguns destes cartazes pelos festivais do Brasil. E foi exatamente desta forma que a Ala Psicodélica brindou a liberdade: fomentando a expansão da consciência coletiva, na busca de que ampliemos a demanda pela legalização da cannabis e passemos a defender a legalização de todos os psicodélicos. Enquanto se luta pela legalização somente da maconha, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária brasileira (ANVISA) proíbe dezenas de substâncias psicodélicas. Em 2012 foram proibidas a planta Salvia divinorum e seu princípio ativo, a salvinorina A, além do LSA (Argyréia nervosa, Ipomoea tricolor, Rivea corymbosa, etc). Em 2014 foi a vez da

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ANVISA proibir 11 substâncias dos 25x-NBOMe, a metilona e 7 fenetilaminas psicodélicas. Não há pesquisas no Brasil que indiquem o número de usuários de nenhuma destas substâncias, tampouco pesquisas que evidenciem riscos ou danos. Diversas pesquisas mostram o contrário, isto é, que substâncias psicodélicas como LSD, mescalina e psilocibina não deterioram a saúde mental. Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, Teri Krebs e Pal-Orjan Johansen1, analisaram dados da pesquisa nacional dos EUA sobre saúde e drogas, que indicam que usuários destes psicodélicos possuem menores taxas de problemas ligados à saúde mental que a população em geral. No 1º Seminário Internacional sobre a Maconha, realizado pela Fiocruz, perguntei ao presidente da ANVISA, o economista Ivo Bucaresky, o motivo destas proibições. Bucaresky afirmou que, se a Policia Federal informa a ocorrência do uso de uma substância psicoativa não proscrita, a ANVISA a proíbe, sem a devida pesquisa! Mas para regulamentar o inofensivo CBD eles querem anos de provas e evidências. Estão viajando! Bad trip pesada!


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Membros da Associação com o Dartiu no Caleidoscópio dos Psicodélicos na Unicamp - Novembro de 2016

Agora vocês me dizem: isso é aceitável? Não é esse o nosso entendimento. Parte dos integrantes da Ala Psicodélica, que organizaram o 1º Seminário sobre Psicodélicos do Rio de Janeiro no ISERJ2, vêm tornar público que este trabalho gerou uma criança, nascida de parto ativo: trata-se da Associação Psicodélica. Pelo mundo proliferam-se Sociedades e Associações em prol dos diversos usos dos psicodélicos, como o MAPS Canadá, MAPS EUA, a Sociedade Psicodélica na Inglaterra. Mais recente é a onda que surfamos: é preciso não só regulamentar tais usos, mas defender a plena legalização dos psicodélicos. É preciso lembrar que há hoje inúmeros estudos afirmando e reafirmando os benefícios associados a esses usos e não é possível continuar aceitando esse estado alterado de obscurantismo moral/cognitivo. Esse parto ativo nos trouxe a luz! E assim defendemos: • A descriminalização de todas as drogas pelo Supremo Tribunal Federal e a regulamentação, para diversas modalidades de uso (terapêutico, religioso, recreativo, artístico, etc), das substâncias psicodélicas; • O incentivo a ações e organizações de coletivos de redução de danos como os projetos RESPIRE, Balance e Balanceará. Visto que hoje usuários de psicodélicos sintéticos ou semissintéticos se expõem a grandes riscos por não saberem o que estão utilizando. Precisamos é de mais kits de testagem das substâncias e menos hipocrisia!

Em festivais como o Boom Festival em Portugal há projetos de redução de danos que realizam testagens durante o evento, nesse sentido enquanto o STF não julga³ a inconstitucional o art. 28 da lei 11.343, atual lei de Drogas brasileira, não é possível ter esse tipo de atuação no Brasil visto que os coletivos de redução de danos e os usuários são criminalizados. 1 - Krebs TS, Johansen P-Ø (2013) Psychedelics and Mental Health: A Population Study. PLoS ONE 8(8): e63972. doi:10.1371/journal.pone.0063972 2 - ISERJ - Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro. 3 – O julgamento do art 28 está em andamento através do Recurso Extraordinário 635.659 no Supremo Tribunal Federal. Links: Associação Psicodélica do Brasil https://www.associacaopsicodelica.org/ Sociedade Psicodélica - Inglaterra http://www.psychedelicsociety.org.uk/ Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies - Canada http://www.mapscanada.org/ Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies - Eua http://www.maps.org/

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REVIEW SANTA LIBERDADE

Santa RESISTÊNCIA Liberdade No dia 2 de dezembro de 2016 teve início a quinta edição da Santa Liberdade “Sagrado Feminino”, um festival de música, arte e cultura, realizado na cidade de Itapira – SP, no Espaço Natureza, às 20 horas, e com previsão de encerramento no dia 4 de dezembro, às 19 horas. O festival foi produzido a partir de um lineup selecionado, diversas intervenções artísticas, bandas de qualidade, uma decoração maravilhosa com tendas coloridas, placas com mensagens de paz, alegria e amor, o Chilli out possuia redes, balanços e bancos sustentáveis, feitos de pneus e pallets, um ambiente totalmente confortável. Além disso o evento foi planejado em um local de espaço extenso, opções variadas na praça de alimentação, no bar, e uma diversidade de lojas de artesanatos e roupas. Porém, um acontecimento não estava nos planos. O sócio fundador, Wagner Alonso, subiu no palco, no sábado, dia 3, para comunicar uma confirmação ao público, de que a quinta edição da Santa Liberdade foi embargada, impedida judicialmente de continuar, pois a vistoria do local, que estava marcada não foi realizada, os bombeiros não apareceram como combinado, e infelizmente, apesar de inúmeras tentativas de toda produção do evento, realmente não foi possível prosseguir com todo planejamento. Uma notícia que a princípio parecia ruim, afinal, todos os presentes, estavam ali com um espírito humano, com intenções e ações puras, sem nenhum objetivo de prejudicar e incomodar o próximo, nada de errado acontecia ali. Mas uma surpresa maior aconteceu, o amor, o respeito e a união entre todos os presentes foi mais forte. O público continou lá, mesmo sem som, e fizeram dessa Santa Liberdade, uma edição unica

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que jamais será esquecida. O sentimento de solidariedade e companheirismo tomou conta de todos naquele momento. Mesmo sem a música a verdadeira essencia permaneceu, ninguém e nada afetou a alegria e a humildade daquelas pessoas, que carregavam um semblante de agradecimento sincero no rosto. Essa não foi apenas a Santa Liberdade, foi a Santa gratidão, o Santo Amor, o Santo Carinho, onde o verdadeiro própósito do festival foi cumprido, superando as expectativas. Portanto podemos afirmar que aconteceu sim a festa, por meio de momentos surreais e épicos, onde a energia transbordou de dentro pra fora, o coração bateu mais forte, a chuva purificou a alma, e o sentimento de emoção fez parte de todos aqueles que colaboraram diretamente e indiretamente para que tudo isso pudesser ser realizado. A organização com toda atenção, respeito e preocupação com o público se disponibilizou em atender quaisquer duvidas e informações, e em alguns dias será confirmado a nova data da Santa Liberdade, edição 5. Fica aqui, em nome da Revista Skot e de toda família psytrance, o nosso sincero agradecimento a todos que colaboraram e fizeram acontecer. Essa foi exclusiva para os verdadeiros resistentes. Foi a sua, a minha, a nossa querida Santa RESISTÊNCIA Liberdade. fb.com/santaliberdade Gabriela Carvalho fb.com/gabriela.jrc Fotografia por Bruno Camargo fb.com/brunocamargofotografia


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REVIEW PSY-FI FESTIVAL

PSY-FI: UMA FICÇÃO CIENTÍFICA NA TERRA DA PSICODELIA E se nada – nós, o mundo, o universo – fosse real? Para muitos, uma pergunta sem resposta. Para o Psy-Fi, Festival Holandês de Música e Cultura Psicodélica inspirado na Ficção Científica - em inglês Sci-Fi - o desafio de manter seus visitantes em um universo imaginativo repleto de tecnologia, viagem no tempo e realidades paralelas. O esforço tem recebido muitos méritos desde a sua primeira edição, em 2014, quando surpreendeu os adeptos à cena deixando um gostinho de “quero mais”. A segunda edição, realizada no ano passado, teve público recorde surpreendendo até mesmo os organizadores. Escolhi o cenário para viver minha segunda experiência psicodélica internacional. A primeira se deu no Ozora e por isso eu sabia que pelo menos duas diferenças separariam essas vivências: idade e tamanho. O Psy-Fi é um festival muito novo e pequeno se comparado ao primeiro, são três edições e aproximadamente 17 mil participantes, contra 12 edições e 60 mil visitantes*. Ainda assim, o evento representa o retorno da cena na Holanda, onde as festas do gênero foram proibidas por muitos anos, e por isso a grande expectativa.

No país dos psicodélicos, uma tempestade antecedeu nossa chegada ao camping urbano de Leeuwarden e minha primeira impressão foi de que havíamos saído do “Deserto dos Piratas” (como chamei carinhosamente o Ozora na última edição da SKoT) para chegar a uma “Ilha Fantasma” úmida, cinza e caótica. Logo notamos que os atrasos na montagem eram resultado do trabalho extra trazido pelo temporal, mas a cena tocou com tristeza minhas expectativas. Como uma máquina que nos transporta no tempo e espaço, porém, o sol nasceu por entre a dança das músicas ao som da melodia na manhã do dia seguinte. Seguimos com o objetivo de encontrar o melhor lugar para expor nossa arte – ali não é preciso pagar taxas -, mas o brilho do sol transformara aquele úmido cenário num lindo arco íris, impossível de se ignorar. Com a ajuda de uma cenografia de altíssima qualidade, adentramos em um cenário misterioso, louco para que fosse explorado e descoberto. Passamos por lagos recobertos por musgos fluorescentes, cipós surreais e macias superfícies até sermos transportados da floresta encantada para a praia, que agora era puro oceano (ou a alma dele). A festa ficou ainda mais vibrante quando nos demos conta de que já éramos parte daquela alma psicodélica de cores vibrantes num estilo hippie norte-americano dos anos 70. Num clima de paz e amor divertido, acolhedor e alegre, o pôr-do-sol abençoou nosso primeiro dia nessa ficção científica. Sob a vista privilegiada do mirante, presenciei o ato de altruísmo mais lindo da minha vida: enquanto me aconchegava para ver o dia dormir senti uma lágrima rolar ao ter minha atenção presa a um jovem robusto que * Número de participantes referente à edição 2015.

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carregava, alimentava, esquentava e conversava com um amigo cuja vida deu grandes limitações. Com um line elogiado por todos e cenografia indiscutível, a estrutura deixou a desejar em alguns momentos - os banheiros químicos sujos e em pouca quantidade causaram alvoroço nas redes sociais, mas também deixaram muito clara a preocupação da organização ao providenciar novos banheiros para o dia seguinte, por exemplo. Nada que um jovem evento não tivesse que viver para avançar e se eternizar, eu diria. Aliás, uma coragem que tem proposto, inclusive, um novo formato de festival devido às limitações do local, na proximidade de vilarejos, que exige 8h de silencio ininterruptas durante a noite. Desde o ano passado, os palcos encerram suas atividades no começo da madrugada, retornando com força total na manhã seguinte e abusando dos benefícios de uma noite bem descansada. Foi uma nova tempestade que nos trouxe de volta à realidade, três dias mais tarde, com o irrespondível na ponta da língua: e se nada fosse real? Então, tudo seria o inesquecível Psy-Fi..... www.psy-fi.nl Ana Carolina Lahr fb.com/magictale Fotografia por Shoot Your Shot fb.com/ Shoot-Your-Shotphotography-117499898335482

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CINEMA

Você já imaginou viver em uma “Sequência de sonho sem uma narrativa” por alguns intensos minutos? A sensação de acordar num sonho real, uma soltura somática prazerosa, um afinamento sensitivo e sensações físicas, olhos fechados, a beleza rara do maquinário retinal e exploração de toda forma de arte, transcendência da atividade mental. Fjögur Píanó, curta metragem sob direção Alma Har’el, em parceria com a banda islandesa Sigur Rós, é puro teatro avant-garde, mas chamou a atenção especialmente o surrealismo que permeia determinados momentos do mesmo... Nele há espaço para passos de envolvimento com Denna Thomsen, e especialmente para ver Shia LaBeouf fazendo papel de prisioneiro do Controle Mental Monarca, onde conseguimos sentir e ver poeticamente e com um certo surrealismo, a face de uma relação no qual ambas as partes estão passando por uma experiência psíquica — cada um no seu turno estava recebendo a chave de lembranças — diante de um gigantesco e complexo processo evolutivo , infinito em sua variedade. Tudo é registrado em slow motion, com alguns planos incríveis, com cenário repleto de referências ocultas, porém, sempre diferentes, ambos ficam face a face com o que se acredita ser os dois lados de uma mesma pessoa, transitando entre o carinho e a agressividade, enquanto seus corpos fazem uma dança redemoinhante de formas celulares indescritíveis. O que remete bastante a imagem de dois artistas que mudaram a história das

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FJOGUR-PIANÓ


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performances corporais, Marina Abramovic, que durante muitos anos criou e recriou números experimentais e grandes obras de arte, reconhecidas mundialmente, ao lado do seu companheiro, Ulay. Juntos, o casal produziu arte durante 12 anos nômades, entre 1976 e 1988, viajando em um trailer. Eles se diziam um só corpo (nascidos no mesmo dia, em anos diferentes), feito de duas cabeças, mas com a mesma identidade e propósito artístico. No curta metragem, o Equilíbrio Humanoide, representado pelas criações do masculino e feminino, passa por fortes viagens dissociativas, é manipulado por forças externas e suas tentativas de se libertar do controle mental, se assemelha mais e mais com a nossa realidade paradoxal, e a verdade de que as coisas bonitas morrem rápido, como as borboletas, pode ser sentida a cada corte, a cada virada, a cada plano que sempre apresenta um elemento diferente, fazendo conexão com esse quebra-cabeças.

Data de lançamento: 18 de junho de 2012 (mundial) Direção: Alma Har’el Música composta por: Sigur Rós Figurino: Paula Tabalipa Edição: Alma Har’el Elenco: Shia LaBeouf, Denna Thomsen, Ryan Heffington, Austin Westbay

A diversidade de referências e o conteúdo da experiência são ilimitados, porém as suas características são a transcendência de conceitos não verbais, nos levam as dimensões de espaço-tempo, em busca do que temos como identidade, como alguns relacionamentos que temos com nós mesmos ou com pessoas e objetos. É cru, hipnótico, doloroso e psicodélico. https://vimeo.com/43657394 Clara Matangi fb.com/clareirah #5 \

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CRÔNICA

THE EGG(O OVO) Você estava a caminho de casa quando morreu. Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os para-médicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar. E foi aí que você me conheceu. “O que-... o que aconteceu?” Você perguntou. “Onde estou?” “Você morreu,” Eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras. “Havia um caminhão.. e ele derrapou..” “Isso aí,” Eu disse. “Eu.. Eu morri?” “É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre,” Eu disse. Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. “Que lugar é esse?” Você perguntou. “Isso é o paraíso?” “Mais ou menos,” Eu disse. “Você é Deus?” Você perguntou. “Isso ai,” Respondi. “Eu sou Deus.” “Meus filhos... minha mulher,” você disse. “O que tem eles?” “Eles ficarão bem?” “É isso que eu gosto de ver,” Eu disse. “Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa.” Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso. “Não se preocupe,” Eu disse. “Eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de sentir algo ruim por você. Sua mulher vai chorar, mas vai ficar secretamente aliviada. Pra ser sincero, seu casamento estava desmoronando. Se serve como consolo, ela vai se sentir muito culpada por se sentir aliviada.”

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“Ah..”Você disse. “Então o que acontece agora? Eu vou para o Céu, pro Inferno ou alguma coisa do tipo?” “Nenhum dos dois” Eu disse. “Você vai reencarnar.” “Ah,” você disse. “Então os Hindus estavam certos,” “Todas as religiões estão certas de alguma forma,” Eu disse. “Venha comigo.” Você me seguiu enquanto caminhavamos pelo vazio. “Aonde estamos indo?” “A lugar nenhum específico,” Eu disse. “Só gosto de andar enquanto conversamos.” “Então que sentido isso faz?” Você perguntou. “Quando renascer, eu vou esquecer tudo, não é?” Um bebê. Então todas as minhas experiências e tudo que fiz nessa vida não significaram nada.” “Não é por aí!” Eu disse. “Você tem dentro de você todo o conhecimento e experiências de todas as suas vidas passadas. Você só não lembra dessas coisas agora.” Eu parei de andar e coloquei as mãos em seus ombros. “Sua alma é mais magnífica, linda e gigantesca do que você possa imaginar. Sua mente humana pode apenas entender uma pequena fração do que você é. É como colocar o seu dedo em um copo de vidro e ver se está quente ou frio. Você coloca uma pequena parte de você em jogo, e quando tira, você percebe que aprendeu tudo que podia por lá. Você foi um humano nos últimos 48 anos, então ainda não deu tempo de você perceber o resto da sua imensa consciência. Se nós ficarmos aqui por muito tempo, você começará a lembrar de tudo. Mas não faz sentido fazer isso entre cada vida.” “Quantas vezes eu já reencarnei, então?” “Ah, muitas. Muitas e muitas. E em muitas vidas diferentes.” Eu disse. “Dessa vez, você será uma camponesa chinesa no ano 540 D.C.” “Es-espera aí, como?” Você gaguejou. “Você está me mandando de volta no tempo?” “Bem, tecnicamente. Tempo, da forma como você conhece, só existe no seu universo. As coisas


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funcionam de outro jeito de onde eu venho.” “De onde você vem?” Você disse. “Ah claro, “ Eu expliquei “Eu venho de algum lugar. Um lugar diferente. tem outros como eu. Eu sei que você quer saber como é lá, mas honestamente, você não iria entender.” “Ah,” Você disse, um pouco desanimado. “Mas espera. Se eu reencarno em diferentes lugares no tempo, eu poderia ter interagido comigo mesmo alguma vez.” “Claro. Acontece o tempo todo. E já que as duas pessoas tem apenas consciência da sua própria vivência, você nunca sabe que está acontecendo.” “Então, qual é o sentido?” “Ta falando sério?” Perguntei. “Sério? Você está me perguntando o sentido da vida? Isso não meio clichê?” “Bem, é uma pergunta plausível,” Você persistiu. “Eu te olhei nos olhos. “O sentido da vida, motivo pelo qual eu criei todo o seu universo, é para que você amadureça.” “Você ta falando da humanidade? Você quer que nós amadureçamos?” “Não, somente você. Eu fiz todo esse universo para você. Para que em cada nova vida você cresça, amadureça e se torne um intelecto maior.” “Só eu? E as outras pessoas?” “Não há mais ninguém,” Eu disse. “Nesse universo, só existe você e eu.” Você me olhou com um olhar vazio. “Mas e todas as pessoas da Terra...” “Todos são você. Diferentes encarnações de você.” “Que? Eu sou todo mundo?” “Agora você está entendendo, “Eu disse, te dando uma tapinha nas costas. “Eu sou todo ser humano que já viveu?” “Ou quem irá nascer, sim.” “Eu sou Abraham Lincoln?” “E você é John Wilkes Booth, também, “ Completei.

“Eu sou Hitler?” Você disse, horrorizado. “E também é os milhões que ele matou.” “Eu sou Jesus?” “E também é todos que o seguiram.” Você ficou em silêncio. “Toda vez que você enganou alguém, “ Eu disse, “você estava enganando a si mesmo. Cada ato de bondade que você teve, foi feito para consigo mesmo. Cada momento feliz e triste que você teve com qualquer pessoa foi, e será, aproveitado com você.” Você ficou pensando por um longo tempo. “Por quê?” Você me perguntou. “Por que fazer tudo isso?” “Porque algum dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Você é um dos meus. Você é meu filho.” “Nossa,” você disse, incrédulo. “Quer dizer que sou um Deus?” “Não, ainda não. Vocé um feto. Você ainda está crescendo. Quando tiver vivido todas as vidas humanas em todas as eras, você terá crescido o suficiente para nascer.” “Então todo o universo,” você disse, “é somente...” “Um ovo.” Respondi. “Agora é hora de você ir para sua próxima vida.” E eu enviei você de volta... Escrito por Andy Weir Traduzido por Carlos Buosi Indicado por Rafael Consul http://www.galactanet.com/oneoff/theegg_pt-br.html

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POESIA

Renascimento de uma Fênix Frutos da causa e efeito, das más e boas experiências, somos, fomos e seremos. Passamos por um processo de continua auto-reciclagem a cada dia vivido. Por vezes nos tornamos impacientes, arrogantes, talvez, por todas as traições, as decepções para com as pessoas com as quais empenhamos confiança. Nossa esperança é machucada, e um dia ela volta, anestesiando a nossa dor, clamando por um novo recomeço, clamando por felicidade, pois temos esse direito, mas as coisas voltam a sua estaca aparentemente inicial, novamente percebemos que as pessoas valem menos a cada dia, e então sofremos calados, ainda crentes de que um dia as coisas mudarão. E um dia percebemos que tem gente realmente disposta a nos ajudar sem receber nada mais em troca que um único sorriso em nossas faces agradecidas, um pagamento valioso para poucos, e superficial para muitos. Percebemos que existe gente disposta a nos amar sem intenção alguma de nos magoar, ou de se aproveitar negativamente disso. Percebemos que o mundo não é feito somente de pesares, passamos a enxergar mais cores em uma visão antes monocromática e triste, mas ainda assim, machucada, e a partir daí nasce um singelo sorriso, que até então, fora reminiscência de uma face petrificada e corrompida pelos maus que lhe causaram. Nasce uma nova esperança, ainda que pequena e digna de precaução, mas ainda assim, esperança... Dalton Menezes

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SKoT #5 - Dez/2016