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DIAGNÓSTICO HISTOPATOLÓGICO DE LESÕES EM FÍGADO DE BOVINOS ABATIDOS EM MATADOUROS DE MACEIÓ E MATA GRANDE ESTADO DE ALAGOAS Marcus Vinicius Izidoro da Fonseca. Taciana de Holanda Lopes Marcus Túlio Jatobá dos Santos Naelson Geoelando Emerson Alencar Santos José Andreey Almeida Teles Kézia dos Santos. Carvalho Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde

Resumo: O fígado é um órgão de valor comercial diferenciado e devido as suas funções metabólicas, é susceptível a diversos tipos de alterações e geram prejuízos que advêm das rejeições dos fígados no matadouro. O objetivo deste trabalho foi estudar e diagnosticar lesões hepáticas em bovinos abatidos em matadouros no estado de Alagoas. Foram acompanhdos no total 1.307 abates, sendo encontrado lesões em 51 fígados. Dentre as lesões foram diagnosticadas: espessamento capsular, abscessos, granulomas, Degeneração gordurosa, telangiectasia, Infiltrado inflamatório, Fibrose, Congestão, Hemorragia e Neovascularização. PALAVRAS-CHAVE: Rejeição de Figados. Matadouro. Lesões Hepáticas. Abstract: The liver is an organ of commercial value and because of the different metabolic functions, is susceptible to various types of changes and generate losses that arise from rejection of livers in the slaughterhouse. The aim was to study and diagnose liver damage in cattle slaughtered in abattoirs in the state of Alagoas. Acompanhdos were 1,307 total slaughter, found lesions in 51 livers. Among the lesions were diagnosed: capsular thickening, abscesses, granulomas, fatty degeneration, telangiectasia, inflammatory infiltrate, fibrosis, congestion, hemorrhage and shunts. KEYWORDS: Rejection of Livers. Slaughterhouse.Liver Injury

INTRODUÇÃO A atividade pecuária desenvolveu-se no Brasil na época da colonização surgindo como atividade secundária e de suporte à produção das outras culturas. A dinâmica da criação de gado localizou-se inicialmente no Nordeste; migrando posteriormente para a região Sul, para o Sudeste e, mais recentemente, para o Centro-Oeste brasileiro (SARANDIN 2006). A inspeção sanitária de carnes representa ação preventiva da mais alta relevância para a saúde pública, no controle da qualidade higiênico-sanitária dos alimentos, compreendendo um conjunto de atividades que visam proteger a saúde da população através da prevenção de doenças veiculadas por alimentos, atendendo a um propósito econômico (PASSOS, KUAY 1996). O matadouro constitui relevante instrumento do sistema de Vigilância Epidemiológica, permitindo o diagnóstico de enfermidades, entre elas as de caráter zoonótico, e possibilitando


a avaliação de programas de controle e erradicação destas enfermidades (UNGAR, GERMANO 1992). A condenação de órgãos, vísceras e carcaças de animais destinados ao abate pelo serviço de inspeção veterinário é importante para a saúde publica, pois muitas das alterações patológicas são devidas a zoonoses. Portanto, tal prática tem o objetivo de tornar seguro o consumo humano dos alimentos inspecionados (HERENDA et al., 1994). De acordo com (FREITAS 1999), uma grande dificuldade enfrentada, pelos inspetores em estabelecimentos de abate, tem sido relacionada à segurança em diagnosticar as diversas enfermidades e, em seguida, estabelecer o destino apropriado e confiável para as carcaças e vísceras desses animais. O fígado é um órgão de valor comercial diferenciado, porém, em virtude das suas funções metabólicas, é susceptível a diversos tipos de alterações (KUNZ et al. 2003; KANO, MAKIYA 2001). Os prejuízos que advêm das rejeições dos fígados no matadouro devem ser considerados (TAYLOR 1986; BERNARDO, DOHOO, DONALD 1990). Dentre as afecções mais freqüentes do fígado, são encontrados: Abscessos, granulomas, telangiectasia, hepatite, fasciolose, hidatidose e tuberculose (SARANDIN, 2006). O objetivo deste trabalho foi estudar e diagnosticar lesões hepáticas em bovinos abatidos em matadouros no estado de Alagoas. Diferenciando-as por meio das características micro e macroscópicas encontradas nas lesões hepáticas, sendo estas, estabelecidas por meio de exame anatomo e histopatológico a fim de caracterizar o possível agente e/ou fator promotor da lesão.

2 MATERIAIS E MÉTODOS As amostras de fígado foram obtidas no período de um ano, em matadouros localizado na região do Estado de Alagoas e foram processadas no laboratório de Histopatologia da Clínica Escola Veterinária da Faculdade de Ciencias Biológicas e da Saúde/FCBS. Foram colhidos fragmentos de fígado que apresentaram lesões de diferentes naturezas para identificação das alterações anatomo-patológicas e histopatológica. 2.1 Processamento das amostras Análise histopatológica para diagnóstico Para o diagnóstico histopatológico das lesões hepáticas foram coletados fragmentos de fígados que apresentaram lesões, seguida a coleta, foram fixadas em formol tamponado a 10%, incluídas em parafina, cortadas em micrótomo rotativo a 5 µm e coradas com hematoxilina-eosina.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO No matadouro localizado em Mata Grande, das visitas realizadas para coleta de material não foram encontradas lesões hepáticas significativas para o estudo, as únicas lesões encontradas nos fígados inspecionados dos 95 animais abatidos, ocorreu em fígados de quatro animais, e correspondiam a manchas esbranquiçadas na superfície capsular sem penetração


para o parênquima hepático, Todos eles foram representados na microscopia por fibrose da cápsula hepática e em nenhum caso observou-se algum tipo de reação inflamatória. Estas lesões são sugestivas de migração parasitária ou seqüelas de peritonite asséptica (Jones et al. 2000, p.1110). Portanto, este tipo de lesão podem ser destinados ao consumo humano após a retirada do fragmento lesionado, já que não representam nenhum processo infeccioso ativo. No matadouro Mafrial, localizado na cidade de Maceió Estado de Alagoas, foram inspecionados 1212 bovinos abatidos, destes 47 apresentaram fígados com algum tipo de lesão macroscópica. Dos 47 fígados com lesões 25,5% (12/47) apresentaram nódulos abscedatívos (material purulento encapsulado), 34,1% (16/47) apresentaram nódulos granulosos (material caseoso), 12,7% (06/47) áreas avermelhadas e/ou amareladas consolidadas, 10,6% (05/47) apresentaram áreas multifocais avermelhadas ora demonstrando elevações na superfície capsular ora áreas de depressões, 15% (07/47) apresentaram áreas focalmente esbranquiçadas e 2,1% (01/47) dos fígados apresentaram nódulos firmes irregulares com superfície elevadas. Na analise dos fígados, observou-se que as alterações anatomo-patológicas apresentaram no estudo histológico alterações morfológicas (tabela 1) na maioria compatíveis com suas características macroscópicas, e em alguns casos foram observadas lesões somente no histopatológico.

Nº de Lesões

Diagnóstico histopatológico Abcessos

28

Degeneração gordurosa

2

Infiltrado inflamatório mononuclear

20

Necrose caseosa (granulomas)

6

Telangectasia

3

Fibrose hepática

8

Congestão

3

Hemorragia

2

Neovascularização sistêmicos)

(shunts

porto

2


Tabela 1 – Diagnóstico morfológico e número de lesões encontradas dentro das 47 amostras analisadas.

Dentre os diagnósticos morfológicos a de maior ocorrência foi a presença de abscessos, em 28 amostras, mas que na análise anatomo-patológica foram visualizadas em apenas 12 fígados dos 47 lesionados, como grande parte dos abscessos só foram identificados na histopatologia, eles são denominados de microabcessos e geralmente se apresentam distribuídos de forma multifocal e são causados pelos mesmos agentes que causam alterações abscedatívas macroscópicas, provavelmente este comportamento do agente seja decorrente da capacidade do agente em provocar lesões.

Figuras. 01 e 02 respectivamente: Lesões abscedatívas macroscópicas encontradas no parênquima hepático com proeminência capsular.

Figura 03: Lesão granulomatosa macroscópica encontrada no parênquima hepático com proeminência capsular.


Figura 04: Área focalmente extensiva, avermelhada, depressiva, e circundada por área depressiva e mais clara.

Figura.05: Aumento de volume parênquimae espessamento de capsula.

do

Figura. 06: Área focal de espessamento capsular.


Os abscessos hepáticos representam prejuízos econômicos para os produtores e consumidor final. O fígado por si só representa apenas uma perda mas, se pensar que devido aos abscessos os animais passam a comer menos, reduzem o ganho médio diário e decresce a eficiência de conversão alimentar, reduzindo a performance de produção e, consequentemente, o rendimento da carcaça, então os prejuízos são realmente grandes (Nagaraja e Lechtenberg 2007). Os abscessos hepáticos são causados por várias bactérias, sendo as anaeróbias os microrganismos predominantes. Fusobacterium necrophorum é o principal agente etiológico, seguido de Arcanobacterium pyogenes. Têm também sido isolados Bacteroides sp, Clostridium sp, coliformes, Mobiluncus sp, Mitsuokella sp, Pasteurella sp, Peptostreptococcus sp, Porphyromonas sp, Prevotella sp, Propionibacterium sp, Staphylococcus sp, Streptococcus sp, e outras bactérias Gram-positivas e Gram-negativas (Nagaraja e Lechtenberg 2007). A presença de abscessos hepáticos são resultantes da extensão de feridas causadas por corpos estranhos penetrantes no retículo ou extensivos de uma acidose ruminal que acomete animais que recebem grandes quantidades de carboidratos (JONES, 2000). As bactérias podem alcançar o fígado através de uma série de vias distintas: a veia porta; uma infecção umbilical; infecções ascendentes do sistema biliar; bacteremia com disseminação para o fígado pela artéria hepática; migração parasitária e por extensão direta de um processo inflamatório dos tecidos adjacentes ao fígado (CARLTON E MacGAVIN 1998). Nas análises realizadas, observou-se também freqüência significativa de infiltrado inflamatório mononuclear. Nas amostras, estes infiltrados apareciam acompanhando os focos de necrose, as áreas de fibrose ou circundando ás áreas de abscesso (Figura A). As células predominantes na maioria dos casos foram os plasmócitos seguidos dos linfócitos. De forma geral um processo inflamatório caracteriza-se por ser uma reação do tecido vascularizado frente a um agente agressor respondendo ao insulto com a saída de líquidos e células do sangue para o interstício, podendo ser aguda ou crônica. (CARLTON e MacGAVIN, 1998). Na inflamação aguda observa-se a ocorrência em um tempo curto e predominância de células polimorfonucleares, dentre as amostras apenas em um caso observou-se a presença deste tipo de infiltrado inflamatório. A inflamação crônica caracteriza-se por apresentar um curso mais longo, predominância de células mononucleares, frequentemente aparecem os linfócitos, macrófagos e plasmócitos, observa-se também a ocorrência de destruição tecidual e ainda reparação mediante a substituição do tecido normal por tecido fibroso (MCGAVIN E ZACHARY, 2009). Em todos as amostras que apresentavam células inflamatórias mononuclear, elas apareciam associadas a proliferação de tecido conjuntivo circundando as áreas necrosadas ou associadas a focos de fibrose, significando que naquelas lesões hepáticas haviam ainda a persistência do agente etiológico( Figura B). No estudo histológico de 6 amostras hepáticas observou-se a presença de granulomas. Estas lesões caracterizam-se macroscopicamente por massas arredondadas, firmes de coloração amarelada a esbranquiçada, podendo variar de alguns milímetros a diferentes centímetros e histologicamente observa-se coleções organizadas de macrófagos ativados, com transformação em células epitelióides, e circundados por colar de linfócitos ou, ocasionalmente, plasmócitos e eosinófilos (CHEVILLE, 2004). Curcio et al. cita que bactérias incluindo Nocardia spp., Staphylococcus aureus, Streptococcus spp., Pseudomonas aeruginosa eArcanobacterium pyogenes podem causar esses granul~çlkijhb homas e que são encontrados com freqüência em matadouros no Rio Grande do Sul.


Em oito casos foram encontrados fibrose hepática e em 2 deles acompanhados por neovascularização, conhecido por shunts porto sistêmicos que corresponde a um desvio da circulação intra hepática devido a fibrose, esta ocorre para substituir o parênquima hepático (KELLY, 2007). Nas amostras em que foram vistas congestão e hemorragias, elas apresentava-se com distribuição multifocal e de gravidade leve, morfologicamente possuíam pouco significado, no entanto podem provocar alterações macroscópicas que levam a condenação do fígado na linha de inspeção. Foi verificado que as lesões microscópicas visualizadas caracteristicamente não seriam provocadas pelo Mycobacterium sp. agente causador da tuberculose, de forma geral, é provável, devido as características histológicas gerais, que a presença dos granulomas, abscesso e dos processos inflamatórios observados podem ter sido causado por outros agentes etiológicos, como parasitas, fungos e principalmente outros agentes bacterianos. As lesões histopatológicas da tuberculose caracterizam-se por uma área central de necrose caseosa, às vezes mineralizada, circundada por células gigantes tipo Langehans, células epitelióides, histiócitos e na periferia a presença de células mononucleares, principalmente macrófagos, alguns linfócitos e raros plasmócitos, circundados por tecido conjuntivo fibroso, configurando o folículo tuberculoso (OLIVEIRA 1986). Em três casos foi diagnosticado telangiectasia, esta alteração é uma afecção comum em bovinos e caracteriza um achado de matadouro, portanto não tem consequência no animal vivo. Corresponde à dilatação de grupos de sinusóides hepáticos após se terem perdido os hepatócitos. Ocorre por todo o fígado, identificando-se áreas em depressão, vermelho escuras, irregulares mas bem delimitadas, variando o tamanho entre o de uma cabeça de alfinete até alguns centímetros. As manchas escuras visíveis à superfície do órgão no histopatológico representam uma cavidade onde o sangue estagnou e que está rodeada por pouco estroma e alguns hepatócitos atrofiados (Stalker e Hayes, 2007) (Figura C).

A

B

C Fotomicrografias de lesões hepáticas. Figura A abscesso, figura B fibrose e proliferação de tecido conjuntivo na região periportal.


O conhecimento do “status” sanitário dos animais criados no estado de Alagoas por meio do diagnóstico de algumas doenças como a tuberculose e a identificação de outras doenças pouco estudadas, é uma ferramenta indispensável para montar estratégias de monitoramento dos rebanhos e um conhecimento específico sobre as enfermidades que acometem em especial os bovinos.


CONCLUSÃO O diagnóstico das lesões observadas nos animais estudados, baseou-se nos aspectos anatomo-patológicos e histopatológicos. Concluímos que em nossos estudos, não foi encontrado animais com lesões compatíveis com tuberculose e que outros agentes podem causar lesões semelhantes a provocadas pela tuberculose bovina. Um outro aspecto também significativo nos resultados obtidos é a repetição das mesmas lesões encontrada em diferentes amostras, isto significa um sinal de advertência sobre a presença constante de determinados agentes na população bovina, levando a um prejuízo econômico e na saúde animal, ressaltando que estes animais fazem parte da alimentação humana. Estudos de pesquisa envolvendo alterações patológicas constituem uma importante prática de conhecimento de diferentes agentes etiológicos e seus principais danos a saúde animal e por extensão a saúde humana, contribuindo com isso para uma qualidade da produção alimentícia com derivados oriundos de origem animal. E contribui ainda para o preenchimento de muitas lacunas presentes na inspeção sanitária, no desenvolvimento de novas orientações de conhecimento e reciclagem da prática rotineira dos inspensionistas presentes nos matadouros.

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KELLY, W.R. The liver and biliary system. In: JUBB, K. et al. Pathology of domestic animals. 4.ed. New York, USA: Academic, 2007. p.319-406. KUNZ, A. et al. Monitorias sanitárias. Embrapa suínos e aves. [on line]. Sistemas de produção, 2. Versão eletrônica, janeiro/2003. http://sistemasdeprodução.cnptia.embrapa.br/ FontesHTML/Suinos/SPSuinos/autores.html. McGAVIN, M.D.; ZACHARY, J. F. Bases da Patologia em Veterinária. 4 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. P.155-164. NAGARAJA, T. G.; LECHTENBERG, K. F. Liver abcesses in feedlot cattle, Veterinary Clinics Food Animal Practise, 23 ed, 2007. p. 351-369. OLIVEIRA, P.R.; REIS, D.O.; RIBEIRO, S.C.A.; SILVA, P.L.; COLELHO, H.E.; LÚCIO, W. F.; BARBOSA, F.C. Prevalência da tuberculose em carcaças e vísceras de bovinos abatidos em Uberlândia. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v. 38, n. 6, 1986. p. 965-971. PASSOS M. H.CR. KUAYE, A.Y. Avaliação dos laudos analíticos, de alimentos do campinas São Paulo, no período de 1987 a 1993. Higiene Alimentar I, São Paulo, v. 10, n.41, 1996, p. 7-10. RADOSTITS, O.M., BLOOD, D.C. e GAY, 1994. Veterinary Medicine. 8 edition. Baillière Tindall. London. SARANDIN, C. O comércio internacional da carne bovina Brasileira e a indústria frigorífica exportadora. Dissertação de mestrado, Campo Grande, UFMS, 2006. p. 23-43. STALKER, M. J.; HAYES, M. A. Liver and biliary system. In : Maxie, M.G. Pathology of domestic animals.v. 2.5ª edição). Philadelphia: Sounders Elsevier. 2007. p.297-388. TAYLOR, D. J. Pig Disease; 4ª edição. The Burlington Press Ltd.(Great Britain), 1986. p. 113-121, 139-143, 179-181. UNGAR, M. L.; GERMANO, P. M. L. Prevalência da cisticercose bovina no estado de São Paulo, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 26, 1992. p. 167-172.


INQUÉRITO SOROEPIDEMIOLÓGICO DE LENTIVIRUS DE PEQUENOS RUMINANTES NO MUNICÍPIO DE DELMIRO GOUVEIA, ALAGOAS – BRASIL.

Anacleto Bruno Barrosa Costa Brunna Dias de Emery Mariana Vieira Araújo José Andreey Almeida Teles Sílvio Romero de Oliveira Abreu Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde

RESUMO: Objetivou-se realizar inquérito soroepidemiológico para obtenção da prevalência de lentivírus em pequenos ruminantes no município de Delmiro Gouveia-AL. Das 215 amostras testadas pela técnica de microimunodifusão em agar gel, 1,86% (4/215) apresentaram-se positivas, sendo três ovinos e um caprino. Com base nos resultados obtidos contatou-se que a infecção por LVPR é baixa em Delmiro Gouveia tanto na população de caprino como na de ovino, apresentando-se, entretanto, mais presente nos ovinos, o que parece ser uma tendência para a região, não havendo ainda uma explicação clara sobre isso, visto que a forma de exploração pecuária é a mesma para ambas espécies.

Palavras-Chave: Infecção Vira. Caprino. Ovino. Epidemiologia.

ABSTRACT: Aimed to conduct seroepidemiological survey to obtain the prevalence of small ruminant lentivirus in the city of Delmiro Gouveia - AL. Of the 215 samples tested by the technique of microimmunodifusion agar gel, 1.86% (4 / 215) were positive, three sheep and a goat. Based on the results obtained by contacting the infection LVPR Delmiro Gouveia is low in


both the population of goats as in sheep, presenting, however, more present in sheep, which seems to be a trend for the region, not there is still a clear explanation for this, since the form of livestock farming is the same for both species.

KEYWORDS: Viral Infection. Goat. Sheep. Epidemiology.

INTRODUÇÃO

Lentivirus são membros da família Retroviridae não oncogênicos, espécieespecíficos e que causam infecção para o resto da vida do hospedeiro, produzindo enfermidades com longos períodos de incubação, desenvolvimento clínico progressivo e degenerativo (HAASE, 1975). Os protótipos dos lentivirus são o vírus maedi/visna dos ovinos e o vírus da artrite-encefalite caprina dos caprinos (CAEV) (NARAYAN e CORK, 1985). Outros lentivirus incluem o HIV (Human Immunodeficience Vírus), responsável pela síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA) nos primatas (POPOVIC et al. 1984), o vírus da AIE (Anemia Infecciosa Eqüina) que acomete os equídeos (CHEEVERS e McGUIRE, 1985), e o FIV (Vírus da Imunodeficiência Felina) que causa a síndrome da imunodeficiência adquirida dos felinos. As doenças causadas pelo vírus maedi/visna e o CAEV têm períodos de incubação que variam de meses a anos. O aparecimento dos sintomas clínicos geralmente é insidioso e desenvolve-se de forma progressiva e degenerativa ao longo de anos, podendo levar o animal à morte (ZINK et al. 1987). Existem duas principais síndromes clínicas e patológicas nos ovinos infectados com o vírus maedi/visna. A mais comum das duas é a pneumonia intersticial crônica. Ela é conhecida como visna (dispnéia no idioma da Islândia - islandês). Os pulmões afetados estão severamente consolidados, com marcado adelgaçamento do septo interalveolar e numerosos folículos linfocíticos dentro do parênquima. Muitos animais


com pneumonia também desenvolvem visna (degeneração no Islandês), que é a forma neurológica da doença (NARAYAN e CORK, 1985). Alguns ovinos infectados com o vírus maedi/visna desenvolvem inflamação da glândula mamária e / ou quadros de artrite (DENG et al. 1986). O padrão da doença em caprinos infectados com CAEV está na dependência da idade.

Em

filhotes com

menos de seis meses de

idade, CAEV causa

leucoencefalomielite desmielinizante que resulta em uma rápida quadriplegia (CORK et al., 1974). Alguns filhotes com CAEV também podem desenvolver pneumonia intersticial de severidade moderada. Em caprinos adultos, o CAEV desencadeia uma síndrome multissistêmica que envolve primariamente o tecido conjuntivo de revestimento sinovial, causando artrite crônica; o úbere, causando inchação e endurecimento das glândulas com ou sem mastite e queda na produção; os pulmões, levando à pneumonia intersticial crônica; e em animais idosos, o sistema nervoso central, levando à leucoencefalite (GARCIA et al., 1992). Em tecidos não-neurais, o vírus maedi/visna infecta exclusivamente células do sistema fagocítico mononuclear, incluindo promonócitos na medula óssea e macrófagos nos órgãos afetados, e seus linfonodos associados (NARAYAN et al., 1982; GENDELMAN et al., 1985). A infecção ocorre pela transmissão de um animal a outro dos monócitos e / ou macrófagos portadores do vírus, presentes essencialmente no colostro, no leite e no sangue. Essas características fazem com que a transmissão, principalmente no período neonatal pela ingestão do colostro ou do leite seja a mais freqüente, entretanto é admitida a possibilidade de transmissão horizontal, pelas secreções e excreções como fezes, saliva, secreções urogenitais e respiratórias (ADAMS et al., 1983). A condição de viremia por toda a vida do animal possibilitaria a transmissão por materiais cirúrgicos e agulhas contaminadas com sangue de animais infectados (AL-ANI e VESTWEBER, 1984). No Brasil, a ocorrência da infecção pelo CAEV foi registrada por testes sorológicos (MOOJEN et al., 1986) e posteriormente pelo isolamento viral (HORTZE et


al., 1992) no Rio Grande do Sul. Em Pernambuco, inquérito soro-epidemiológico visando determinar a prevalência da artrite-encefalite caprina (AEC) em caprinos leiteiros do Estado, mostrou que 17,6% (70/397) dos animais testados, provenientes de 40 criações localizadas em 20 municípios, apresentaram sorologia positiva. Cerca da metade (19/40) dessas criações apresentou pelo menos um animal positivo (Saraiva Neto, 1993). Além disso, testes sorológicos têm demonstrado ocorrência de animais soropositivos para maedi/visna e CAEV na Bahia (FITERMAN, 1988; ASSIS e GOUVEIA, 1994), no Ceará (Pinheiro et al., 1989, ASSIS e GOUVEIA, 1994), em São Paulo (GARCIA et al., 1992) e em Minas Gerais (ASSIS e GOUVEIA, 1994), o que mostra a ampla disseminação dos lentivirus de pequenos ruminantes no país. Em muitos desses Estados ainda faltam estudos mais detalhados que determinem a prevalência da AEC, o que é fundamental para avaliação da amplitude do problema no país. O Nordeste brasileiro firma-se como o principal produtor nacional da ovinocaprinocultura, envolvendo pequenos, médios e grandes produtores, o que auxilia na fixação do homem ao campo e amplia as alternativas de renda, principalmente nas regiões mais carentes do sertão, onde o ovino e o caprino adaptam-se adequadamente, oferecendo carne, leite, pele e derivados. O efetivo ovino no Brasil em 2005 foi estimado em 15.588.041 de cabeças, estando na região Nordeste 9.109.668 cabeças. Do total nordestino, o Estado de Alagoas detinha 209.417 ovinos. Em relação à caprinocultura, o efetivo do Brasil para 2005 era de 10.306.722 animais; estando no Nordeste 9.542.910 cabeças. Alagoas contava nesse período com 67.766 animais (IBGE, 2005). Apesar do contingente de pequenos ruminantes não muito expressivo em relação ao total de animais na região, Alagoas, assim como o Brasil como um todo, vem observando nos últimos anos um interesse crescente por parte dos pecuaristas em investir na pecuária de pequenos ruminantes, mas havendo ainda a necessidade de uma melhor estruturação na cadeia produtiva, principalmente na implementação de técnicas de agregação de valor aos seus produtos (EMBRAPA, 2006). Dentre os vários fatores que dificultam um aumento na produtividade na ovinocaprinocultura destaca-se a sanidade dos rebanhos, incluindo fatores de grande


impacto como verminoses, desequilíbrios nutricionais e doenças infecto-contagiosas (RIBEIRO, 1998). As lentiviroses estão entre os principais entraves para alcançar-se melhores níveis de produtividade dessa pecuária em nosso país, estando essas doenças no Plano Nacional de Sanidade Caprina e Ovina do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que prevê a obrigatoriedade de testes sorológicos periódicos como forma de erradicação das lentiviroses no país (BRASIL, 2006). Este trabalho teve por objetivo levantar a prevalência das lentiviroses dos pequenos ruminantes no Município de Delmiro Golveia - AL, por este fazer parte do APL (Arranjo Produtivo Local) da ovinocaprinocultura em Alagoas, com a finalidade de fornecer dados estatísticos, que complementem estudos anteriormente realizados em nosso Estado, para que possam ser utilizados não apenas para guiar novos trabalhos em epidemiologia descritiva para essas enfermidades nos demais municípios de Alagoas, mas também para fornecer subsídios para a implementação de medidas de controle sanitário direcionado a esses agentes tanto por parte dos pecuaristas como pelos órgãos governamentais responsáveis por políticas de fomento à nossa pecuária.


2 MATERIAL E MÉTODOS

Os animais testados eram provenientes de nove propriedades escolhidas por conveniência distribuídas pelo município de Delmiro Golveia – AL. O critério utilizado para a escolha das propriedades foi o de produtores devidamente cadastrados na COOFADEL – Cooperativa dos agricultores familiares de Delmiro Golveia que concordaram em participar do inquérito. Por ocasião da visita em cada propriedade foi aplicado um questionário abordando dados como manejo alimentar, tipo de criação, dentre outros, que poderiam ter relação ou não com o lentivírus de pequenos ruminantes. Depois de adequada contenção dos animais a coleta foi realizada por punção da veia jugular externa. Foram coletados aproximadamente 4ml de sangue de cada animal sendo este acondicionado em tubos de ensaio sem anticoagulante. Os tubos foram devidamente identificados e acondicionados em caixa isotérmica sob refrigeração até a chegada ao laboratório de pesquisas do Curso de Medicina Veterinária da Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde – FCBS, da Fundação Educacional Jayme de Altavila - FEJAL. O sangue coletado foi centrifugado á 3.500 RPM durante 15 minutos para a obtenção do soro e este foi acondicionado em micro tubos (Eppendorf®). Para cada amostra foram feitas três alíquotas que foram congeladas a aproximadamente –20 oC até o momento do teste. O teste utilizado foi o de microimunodifusão em agar gel (MICRO-IDAG) com quite comercial1. Antes de realizar a prova o gel de agarose foi diluído em banho-maria e acondicionado em placas de petri numa proporção de 14 ml por placa. Após solidificação, as placas foram levadas a refrigeração e acondicionadas emborcadas numa temperatura de aproximadamente 10 oC. Após 24 horas alcançou-se completa solidificação e desidratação parcial do gel obtendo-se assim uma melhor consistência para realização do teste. Com o gel já pronto foram perfurados os poços com o auxilio de uma roseta de sete furos, sendo um central e seis periféricos de tamanhos alternados e eqüidistantes. Paralelamente a

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isso o soro padrão (positivo), o soro teste e o antígeno foram colocados a temperatura ambiente para descongelamento. Depositou-se 10µL de antígeno no orifício central e 10µL de soro padrão nos poços pares periféricos. Nos poços ímpares periféricos foram adicionados 30µL de soro teste. As placas foram incubadas em câmara úmida a temperatura ambiente. As leituras foram realizadas depois de 72 horas completas. Foram julgados reativos os casos onde observou-se a formação de uma linha de precipitação entre o antígeno e o soro suspeito com identidade à linha formada entre o soro padrão e o antígeno ao final das 72 horas.

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram analisadas 215 amostras de soros, sendo 145 pertencentes a animais da espécie ovina e 70 pertencentes a animais da espécie caprina de raças leiteiras e nativas/SRD. Os animais estavam distribuídos em suas aptidões como sendo de corte, leiteira e mista de ambos os sexos com idade superior a seis meses. Do total de amostras testadas 1,86% (4/215) mostraram-se positivas à IDGA para a pesquisa de anticorpos antiLVPR sendo três fêmeas da espécie ovina e um macho da espécie caprina, a prevalência entre os ovinos analisados foi de 2,06% (3/145) e entre os caprinos de 1,42% (1/70). Os animais confirmadamente positivos para o teste de IDGA eram provenientes de quatro propriedades distintas de um total de dez analisadas que adotavam em sua totalidade regime extensivo de criação onde o cabrito ou burrego eram mantidos com a mãe até a fase de desmame. Este último fator é um ponto importante para a contração da doença tendo em vista que a principal via de disseminação das lentiviroses é o colostro, sendo importante a separação dos animais neonatos de suas progenitoras sorologicamente positivas (EAST et al.,1993; PETERHANS et al., 2004; STACHISSINI A.V.M et al., 2007). Estudos soroepidemiológicos anteriormente realizados em municipios do Estado de Alagoas como Igací, Coité do Nóia, Piranhas e Giral do Pociano, em 2008, apresentaram prevalência de 2,76% (5/181) caprinos infectados para lentivirus (SANTOS, N.A.P et al, 2008), o que demonstra que essas doenças parecem apresentar um padrão de prevalência muito próximo nas regiões do sertão e agreste alagoano. No Município de Piranhas onde a atividade da ovinocaprincultura exerce destaque, um estudo mais recente feito em 2010 com 220 amostras de caprinos e ovinos demonstrou uma prevalência de 1,36% (3/220) nos animais analisados, todos ovinos, para anticorpos anti-LVPR, sendo os ovinos infectados naturalmente apenas pelo vírus Maed/Visna (COSTA et al, 2009). Os resultados encontrados superam os obtidos por PINHEIRO et al. (2001) no Estado do Ceará onde se concentra grande parte da caprinocultura do nordeste, que observou uma prevalência de 1% (40/4019) de infecção em caprinos de raças leiteiras e nativas/SRD, mas


se assemelha a estudo feito no Estado do Rio Grande do Norte, onde foram analisados caprinos das mais variadas raças em 42 propriedades escolhidas por conveniência e encontrou-se uma taxa incidência de 1,5% (11/110) animais positivos para o CAEV na IDAG, (SILVA et. al 2005). No Município de Juazeiro na Bahia, Lima et al (2009), em estudo de dez propriedades que adotavam regime extensivo de criação de caprinos com aptidão leiteira e mista, analisando 150 amostras pela IDAG não encontrou soroposividade alguma para CAEV. Anteriormente em 2007 ainda na Bahia em pesquisa de anticorpos contra Maedi/Visna em ovinos a prevalência encontrada foi de 0,5% (1/200). Dados obtidos através de estudos anteriores em outras cidades do Brasil mostram que a prevalência esta bem variada e em alguns casos vem se atenuando em lugares onde a atividade da ovinocaprinocultura exerce papel no desenvolvimento econômico. Esta idéia pode ser reforçada com base nos dados obtidos em estudos mais antigos como no caso de pesquisas feitas com rebanhos caprinos da grande Fortaleza, Ceará Melo e Franke (1997) relatam prevalências de 40,73% (101/248), em Pernambuco de 17,6% de CAEV, (SARAIVA, S. A. 1993), e no Rio de Janeiro, onde fora analisadas 562 amostras de soros caprinos de múltiplas aptidões, com 14,1% (79/562) de animais positivos para CAEV (MOREIRA, C.M; OELEMANN, W.M.R; LILENBAUM, 2007). Alguns Fatores influenciam o índice de prevalência, como por exemplo, a origem dos animais, sendo a aquisição destes realizada fora do município, em outro Estado ou país um fator de maior risco para a presença de animais infectados com LVPR (PINHEIRO, 2004). A partir dos questionários repassados aos proprietários, constatou-se que nem todos os animais eram oriundos do Estado de Alagoas; havendo algumas propriedades adquirido animais em municípios e Estados vizinhos. Das dez propriedades avaliadas 60% (6/10) criavam ovinos, 20% (2/10) caprinos e 20% (2/10) criavam animais de ambas espécies conjuntamente. Destas, 40% (4/10) apresentaram animais soropositivos.


No Ceará, Pinheiro (2001) verificou soropositividade para CAEV em 9,2% (12/130) das fazendas pesquisadas. Outro estudo feito no município de Piranhas, Alagoas, obteve incidência de 12,5% de soropositividade em um total de 16 propriedades pesquisadas. Quanto ao regime de criação, Melo e Franke (1997) expondo fatores importantes como práticas de confinamento e mamadeira coletivas, muito usadas no regime intensivo, que facilitam a transmissão da CAE, demonstram que a incidência nas propriedades tecnificadas vem aumentando. Ao mesmo tempo, é de suma importância ressaltar que a criação extensiva com crias junto às mães até a fase adulta como observado no presente trabalho, também se constitui um importante fator de risco. Sell (2000) constatou que em 88,2% das propriedades não existe controle de entrada de pessoas junto ao rebanho, assim como, o ingresso de novos animais na propriedade é realizado sem exames sanitários prévios e sem uso da quarentena. No presente estudo nenhuma das propriedades havia realizado exames sorológicos para avaliação da presença de CAEV e Maedi/Visna, bem como também não contavam com sistema de quarentena.


CONCLUSÃO

Com base nos resultados obtidos contatou-se que a infecção por LVPR é baixa no município de Delmiro Golveia tanto para as populações de caprinos como nas de ovino, apresentando-se entretanto, mais presente dentre os ovinos, o que parece ser uma tendência para a região, não havendo ainda uma explicação clara sobre isso, visto que a forma de exploração pecuária é a mesma para ambas espécies.

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