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Nossa Terra Governo do Estado do Ceará | Secretaria do Desenvolvimento Agrário n°2 | ano 02 | janeiro | 2010

CEARÁ

Energia renovável

brotando no semiárido

Terra - Ceará 1 Projeto de Algas | Mandiocultura | Tratores | Galinhas Caipira | Substituição de CopasNossa Casa de Mel Biodiesel | Arca das Letras | Captação in Situ | Pacto das Águas | Projeto Mandala


Cid Ferreira Gomes

Governador do Estado do Ceará

Camilo Sobreira de Santana

Secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado

Antônio Rodrigues Amorim Secretário Adjunto da SDA

Wilson Vasconcelos Brandão Secretário Executivo da SDA

José Maria Pimenta

Presidente da Ematerce

Edílson de Castro

Presidente da Agência de Defesa Agropecuária

Francisco Bessa

Superintendente do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace)

Marcelo Pinheiro

Presidente do Instituto Agropolos do Ceará

Reginaldo Moreira

Presidente da Central Abastecimento do Ceará(Ceasa)

Revista Nossa Terra Ceará - Edição 2 Coordenação Editorial - Celso Oliviera Textos - Janaína Gouveia e Natercia Rocha Fotografia - Banco de Dados da Assembleia Legislativa do Ceará,

Celso Oliveira, David Pinheiro, José Wagner, Natercia Rocha e Renato Aguiar Projeto gráfico - ponto2design Tratamento de Imagens: Elton Gomes / Local Foto Jornalista responsável: Natercia Rocha ( Registro n.39996-SP) Realização: Assessoria de Comunicação e Marketing, da Secretaria do

Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA) 85. 3101.7631 / 3101.8058 / www.sda.ce.gov.br / nossaterra@sda.ce.gov.br

Tiragem: 5.000 exemplares Impressão: Celigráfica Janeiro - 2010 2

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Nossa Terra CEARÁ A segunda edição da Revista Nossa Terra Ceará, da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), chega como um presente para o futuro de cearenses do Interior e da Capital. Primeiramente, porque esse veículo vem abrindo importante espaço institucional para o trabalho realizado no semiárido nordestino, e que vem se consolidando como um dos setores mais importantes no Brasil: o da Agricultura Familiar. Segundo, porque os emocionantes relatos de vidas registrados aqui, denotam mais que a colheita generosa de ações semeadas pelo Governo do Ceará nos últimos anos. Eles mostram cenas, até então raras, de Sertanejos verdadeiramente satisfeitos com os resultados do respeito e atenção dedicados aos trabalhadores do campo nessa primeira década de século 21 no nosso Estado. O Brasil vive hoje a experiência de ver as três esferas de governos: Federal, Estadual e Municipal, realizando ações articuladas, com altos investimentos em projetos que, fortalecem e valorizam as marcas profundas do rosto dessa gente corajosa, de mãos calejadas e pés ressequidos, mas que estão no cerne da construção desse Estado. Mas tudo isso é só o começo. Temos uma longa caminhada pela frente. Vamos continuar nessa frente de batalha porque, para cumprirmos nossa missão, precisamos estar a postos. Somos responsáveis pelo desenvolvimento e continuidade dos programas direcionados ao meio rural. E essa prosperidade passa pela compreensão de que, independente de termos nas mãos enxadas ou canetas, somos parte de um todo. Cada um é peça complementar na construção de um mundo melhor, mais limpo, mais justo. Vamos plantar, cultivar, cativar e colher, porque o futuro continua sendo o melhor presente que a Vida nos concede. E que 2010 traga bom tempo para todos nós. Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará

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Sumário Projeto de Algas

Projeto de algas mobiliza assentamento Maceió - 06

Mandiocultura

Mandiocultura melhora qualidade da farinha no Ceará - 12

Tratores

100 Tratores – A entrega que entrou para a história - 16

Galinha Caipira

Assentamento Fazenda Estreito é exemplo de empresa rural - 20

Biodiesel

Biocombustível - 24 Energia Renovável brotando no Semiárido - 25 Essa é a hora, chegou nossa vez - 26 Entrevista com o presidente da Petrobras Biocombustível Miguel Rossetto - 30


Substituição de Copas

Substituição de copas de cajueiros aumenta produtividade - 34

Casa de Mel

“Ó abelha rainha, provo do favo do teu mel” - 41

Entrevista

Ministro do Desenvolvimento Agrário Guilherme Cassel - 44

Arca das Letras

Ceará é líder nacional em implantação de Bibliotecas Rurais - 48

Captação In Situ

Uma técnica para guardar a água do Sertão - 51

Pacto das Águas

Um acordo democrático - 53

Projeto Mandala

O ciclo da vida - 54 Tempo de fartura no Sertão - 55 A marcha da evolução - 56


Projeto de Algas

Projeto de algas mobiliza assentamento Maceió Itapipoca - CE

No Assentamento Maceió, em Itapipoca, equipes trabalham estruturas de cordas com algas que serão “plantadas” no mar.

Até chegar à maloca revestida de palha de coqueiro, erguida em meio ao estirão de areia, a paisagem de mar retilíneo é deslumbrante. E o sol a pino das primeiras horas da manhã, acompanhado dos ventos fortes dessa época do ano, não impedem que moradores do Assentamento Maceió, em Itapipoca, costa oeste do Ceará, se reúnam em mutirão para trabalhar a principal matéria-prima do lugar: as algas. 6

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Pescador trabalhando com rede de pesca e algas.

Juntos, pescadores, agricultores e marisqueiras se acomodam pelo chão para montagem dos 50 metros de cordas, adquiridas há pouco mais de um ano, com recursos do Projeto São José. Nas cordas, mudas extraídas nas marés baixas, já limpas, e espalhadas sobre a lona preta, são presas às cordas e, depois, em paquetes, levadas ao mar para serem plantadas em estruturas de madeira submersa. É com apoio financeiro e visando geração de emprego e renda, que o Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), está investindo no cultivo, produção e comercialização das algas provenientes do Assentamento Maceió.

“Meus bisavós moravam aqui e queremos que nossos tataranetos continuem tirando seu sustento desse lugar, que é nosso por direito, conquistado através da luta do povo”, diz, com firmeza, dona Ana Maria Félix Pinto, marisqueira e presidente da Associação do Imóvel do Assentamento Maceió. E continua. “Antes, a gente colhia alga somente na época de maré, em lua nova e lua cheia. Botava pra secar estendida no sol, levava pra casa no lombo do jumento e dava tudo quase de graça na mão do atravessador. Depois do Projeto São José a comunidade planta as corda no mar, zela, colhe, guarda, elas tão crescendo mais rápido que antes. Era isso que precisava pra

garantir vida e sustento de nossos filhos por aqui. Ninguém quer ir caçar sufoco na cidade grande”, reflete dona Ana. O registro da retirada de algas no litoral do Ceará data da década de 70. Naquele tempo, e até um ano atrás no Assentamento Maceió, as algas marinhas eram extraídas de bancos naturais, coletadas na praia e secas na areia. Claro que, além de desvalorizadas para comercialização, com o passar dos tempos, as retiradas constantes superaram a capacidade de preservação dos bancos naturais de algas, causando redução no volume extraído. Menos produto, pouco trabalho, nenhuma renda. A migração parecia inevitável.

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Projeto de Algas

O trabalho com algas gera emprego e renda para famílias inteiras no Assentamento Maceió, litoral oeste do Ceará.

A HISTÓRIA DESSE PESCADOR NÃO É “HISTÓRIA DE PESCADOR” “O projeto de algas que esse governo trouxe pro assentamento, complementa o plantio da terra e pode dar uma vida melhor pra nós e pras futuras gerações. Agora a gente tem condições de produzir alga em larga escala”, garante o pescador artesanal e agricultor, Francisco Gaspar dos Anjos, o Chico, empolgado com o resultado da primeira colheita marinha. Com a liberação da primeira parcela do Projeto São José, moradores de três (Maceió, Jacaré e Apiques), das 11 comunidades que vivem diretamente da pesca dentro do Assentamento Maceió, compraram cordas para trabalhar. Com liberação da segunda parcela, eles já começaram a construir galpão e secadores solares ali mesmo, no campo de dunas. “Foi montado 50 metro de corda, com 50 secundária de um metro. Pri8

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meiro montamos sete corda, como experiência, para ver se a área era propícia. O resultado primeiro foi muito bom. Hoje, aqui, tem quatro equipes, com seis pessoas, implantando 24 estruturas, que são dois módulos, cada um com 12 estruturas. E nossa visão é expandir mais”, diz Chico. Empolgado, o pescador destaca a recente capacitação ministrada por ONG local, com palestras a respeito de como produzir, preparar e comercializar de forma sustentável as algas do Assentamento Maceió. A melhoria no processo produtivo permitiu que o preço da alga seca, saltasse de R$ 0,30 para R$ 15,00 o quilo. “Está iniciada a construção do galpão para armazenar material, bomba de água doce e secador a base de energia solar. Esse projeto da SDA ajuda o pescador na área da produção e representa a força da resistência contra a especulação imobiliária. Tem gente que pensa que no litoral do Ceará só

tem turismo. Por causa desse trabalho aqui, o jovem não precisa ir embora, buscar sonho longe da realidade dele”, enfatiza o pescador Gaspar dos Anjos.

“O projeto das algas é mais um incentivo para estimular o pescador. Porque pesca não dá sustentabilidade todo o tempo, tem época que pára. Essa é mais uma forma de conseguir renda, de dar condições para o pescador viver na praia”. Francisco Luiz Sousa Felix Presidente da Colônia Z3, do município de Itapipoca.


“Estamos tendo acompanhamento com o pessoal de Flecheiras, que já estão bem adiantados, e até beneficiam as algas fazendo shampoo, creme, geléia, iogurte. Essa foi a primeira colheita depois do projeto. E foi boa. Tenho certeza que tá chegando um tempo bom”. Ana Maria Félix Pinto Marisqueira e presidente da Associação do Imóvel do Assentamento Maceió

“É importante essa parceria do Governo do Ceará porque abriu perspectiva que não tinha antes. Sem o projeto, isso tudo aqui não estaria acontecendo. Acompanho essa comunidade desde 1976, quando começou, na Igreja Católica, o Movimento das Comunidades Eclesiais de Base. E esse lugar sempre se destacou pelo interesse e organização”. Maria Alice Mccabe - Americana naturalizada brasileira, freira da Congregação Notre Dame de Namur, excompanheira da religiosa Dorothy Stang.

Maria das Graças Nascimento e Pedro da Conceição Sousa, trabalhadores rurais e assentados.

A luta pelos 5.844 hectares de terras do Assentamento Maceió, localizado no distrito de Marinheiros, em Itapipoca, litoral oeste do Ceará, se deu na década de 80. A população é estimada em 800 famílias, distribuídas em 11 comunidades: Apiques, Bom Jesus, Mateus, Córrego da Estrada, Barra do Córrego, Coqueiro, Humaitá, Jacaré, Lagoa Grande, Maceió e Bode. A comunidade de Maceió é a maior, por isso dá nome ao assentamento. O lugar é formado por zonas de praia, póspraia, campos de dunas, lagoas, riachos e mata de tabuleiro.

Você sabia... Algas marinhas são plantas primitivas, desprovidas de caules, raízes e folhas. Também não possuem sistemas vasculares, nem produzem flores, sementes ou frutos. O sistema reprodutor é caracteristicamente unicelular, ou seja, a reprodução ocorre por divisão celular, assexuada. São encontradas em costas rochosas, agarradas às pedras.

“Esse projeto resgata o trabalho das mulheres e chega como mais uma fonte de renda. Os homens têm o pescado, a agricultura e, também, as algas. Todos querem permanecer nessa faixa de terra para preservar e cuidar. Esse assentamento é grande, demanda muitas questões do litoral e o Projeto São José, além de prever a geração de renda, cuida da fixação do homem no mar”. Raimundo Filho dos Santos, o Pequeno Técnico em Agropecuária e morador do Assentamento Maceió

Mais informações pelo telefone 88. 3673.7052

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Mandiocultura

Agricultores Familiares e técnicos comemoram o sucesso da primeira colheita da variedade de mandioca, tipo Pretinha, que aumentou a colheita da safra de 8 para 35 mil quilos por hectare.

Mandiocultura melhora qualidade da farinha no Ceará Camocim - CE Organizados em grupos comunitários, pequenos produtores do Assentamento da Fazenda Estreito, em Camocim enchem os cestos de palha com a macaxeira colhida na roça e colocada na balança ali mesmo, meio do tempo, para controle de pesagem. Depois de tudo anotado e com a matéria-prima aprumada na carroça, o cortejo se prepara para ir em direção à Casa de Farinha recémconstruída. 12

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Mas, antes de seguir adiante, na Unidade Técnica Demonstrativa de Mandioca (UTD), agricultores familiares comemoram o resultado da experiência pioneira implantada na Região Norte do Estado: o rendimento e a qualidade da Mandioca Tipo Pretinha, adquirida através do Programa de Distribuição de Sementes e Mudas, superou todas as expectativas. Somente no segundo semestre de 2009, a unidade de teste rendeu mais de 35 mil quilos por hectare, média de 3,5 quilos por planta. As variedades tradicionalmente usadas na região nunca superaram a casa dos oito mil quilos por hectare. Essa revolução está sendo possível devido aos investimentos realizados através do Projeto de Modernização e Fortalecimento do Setor da Mandiocultura, programa que o Governo do Estado do Ceará, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, vem dedicando atenção especial. São propostas simples e inovadoras, como preparo correto do solo, cultivo no momento oportuno, plantio de alta produtividade, espaçamento adequado e seleção de manivas-sementes e outros, mas que estão fazendo a diferença no campo. BASE DA ECONOMIA No Ceará, a cultura da mandioca constitui a base da economia dos agricultores familiares das regiões Litorânea, Chapada do Araripe e Chapada da Ibiapaba. De acordo com Antonio Raimundo dos Santos, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), estudos recentes mostram que 85% do que é produzido nessas zonas mandioqueiras, ocupam a maior parcela da força de trabalho das famílias rurais, além de seus produtos serem inteiramente destinados à alimentação humana. “O que torna o cultivo da mandioca sustentável, é a capacidade de produzir em solos cujo teor de fósforo é baixo, além de realizar fotossíntese em condições de estresse hídrico, sem falar

No Ceará, a cultura da mandioca constitui a base da economia dos agricultores familiares das regiões Litorânea, Chapada do Araripe e Chapada da Ibiapaba.

Força e vigor das raízes colhidas na Fazenda Estreito

nas muitas utilidades e aplicabilidades no consumo humano, no preparo de bolo, beiju, broa, carimã (puba), confeitos, farinha, goma, macaxeira cozida ou frita, mingau, maniçoba, pão, torta, tapioca e muito mais”, destacou o engenheiro-agrônomo. O cultivo da mandioca também faz a diferença na alimentação animal, através da mandioca fresca (raiz e parte

aérea), seca (raspa e feno) e ensilada (raiz e parte aérea). Na indústria, a participação também é significativa, sendo usada na produção de adesivo, álcool, borracha artificial, bandeja de ovos, cola, cimento, duratex, farinha, fécula, fita gomada, fita isolante, inseticida, movelaria, mineração, macarrão, perfuração de poço de petróleo, papel, papelão, remédio, têxtil e outros. Nossa Terra - Ceará

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Mandiocultura

Novas Casas de Farinha geram emprego, renda e melhoram a qualidade de vida de agricultores familiares no interior do Estado.

TEM GROSSA, FINA, QUEBRADINHA... Antigamente era assim: área de raspagem sem reservatório para lavar raízes, fornecimento de água irregular, chão batido, paredes caindo, teto escurecido pela fumaça, quase sempre coberto de teias de aranha e animais domésticos circulando. O resultado não podia ser outro: produção, preço e qualidade lá em baixo. Hoje a realidade é outra. Com o projeto das novas Casas de Farinha, os espaços de descascamento, lavagem, produção e armazenamento da macaxeira foram reorganizados. E as atividades entre famílias, reestruturadas. Agora, as mulheres responsáveis pela raspagem da mandioca, colhida na hora pelos homens do lugar, cuidam 14

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em eliminar toda terra das raízes, revezando o modo de tirar a casca: uma descasca metade, e outra, de mãos limpas, elimina a parte que falta. Totalmente sem casca, as macaxeiras são lavadas em tanque de água corrente. O capricho feminino na limpeza tem colaborado no aumento na renda rural. De acordo com o secretário do Desenvolvimento Agrário, Camilo Santana, as unidades modernas de Casas de Farinha reduziram o consumo de lenha em 50% e os produtores passaram a se preocupar com o destino da manipueira* e o equilíbrio ecológico. Até 2011, a meta é realizar 200 convênios de modernização com associações de pequenos produtores rurais. “Havia gestão e tecnologia ultrapassadas, bloqueio nos canais de comercia-

lização, insuficiência no crédito rural, ineficiência na política de preços mínimos, produtividade baixa, e outros. Esse trabalho de Modernização, inclusive incentivando as Boas Práticas de Fabricação (BPF)*, aumentou o nível das bases de organização das comunidades, melhorou índices de produtividade no campo e novas alternativas de mercado estão aparecendo para o agricultor familiar”, destaca o secretário. O funcionamento das instalações modernas, equipadas com forno automático, prensa, balança, depósito, cevador, peneira e outros. O leitor também irá conhecer na experiência da Associação dos Pequenos Produtores do Sítio São Tomé, lá no município de Itapipoca.


Você sabia... Boas Práticas de Fabricação (BPF) são medidas que devem ser adotadas pelas indústrias de alimentos a fim de garantir a qualidade sanitária e a conformidade dos produtos alimentícios com regulamentos técnicos. A Legislação Sanitária Federal regulamenta essas medidas em caráter geral, aplicáveis a todo o tipo de indústria de alimentos, e específico, voltadas às indústrias que processam determinadas categorias de alimentos. Manipueira é o resíduo líquido gerado na prensagem da mandioca, com alto teor de toxicidade, geralmente despejado nos rios e no solo. Estudos divulgados no site da Universidade de Campinas (Unicamp) mostram a “Produção de Biossurfactantes Utilizando Manipueira como Substrato”. Pesquisadores descobriram um processo para aproveitar a água derivada da prensagem de mandioca na produção de biossurfactantes, substância que alcança níveis de 80% no refino do petróleo incorporado em areia, além de ter grande potencial nas indústrias alimentícia e farmacêutica.

Crédito na linha de Consolidação da Agricultura Familiar, do Programa Nacional de Crédito Fundiário, vem acentuando produção e consumo de farinha no Ceará.

ANTIGAS CASAS DE FARINHA SÃO RESTAURADAS Depois de plantada a maniva e colhida na roça, a macaxeira é levada para Casa de Farinha, descascada e colocada na água para amolecer e fermentar ou pubar. Em seguida, a mandioca é triturada ou ralada em pilão ou no ralador ou caititu. A parte ralada cai em uma espécie de cocho, depois é prensada no tipiti (tipi = espremer e ti = líquido, na língua tupi) onde é retirado um líquido venenoso chamado manipueira (ácido anídrico). A massa da mandioca que decanta durante a pubagem, a popular goma, é largamente utilizada nas cozinhas do interior cearense. Com ela são preparadas tapiocas, bolos, sequilhos, mingaus e ainda para ‘engomar’ roupas. PROJETO DE MODERNIZAÇÃO E FORTALECIMENTO DO SETOR DA MANDIOCULTURA Antonio Ricardo da Mota é um dos 21 agricultores familiares que moram no Sítio São Tomé, em Itapipoca, região Norte do Ceará. Ele está satisfeito com o incremento que o Governo do Estado vem dando ao Setor da Mandiocultura. “Conseguimos arrancar uns 600 quilos que foi rapado e lavado e, pela primeira vez, moído na prensa dada pelo governo. Depois foi espremer tirando a goma, peneirar na máquina nova, uma beleza, antes de ir para o forno. Mas daí tem que ver, somente quando tiver bem grolada, tira, deixa esfriar e passa mais uma vez na peneira fina. Depois toca no fogo até dá o ponto bom da farinha”, ensina o agricultor.

Equipamentos modernos padronizam qualidade da farinha

Mais informações na Ematerce 85. 3101.2416

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Tratores

Francisco Monteiro de Sá veio receber o trator doado para Associação Comunitária para o Progresso do Sítio Unha-de-Gato, do município de Ipaumirim, Centro-sul do Ceará

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100 Tratores – A entrega que entrou para a história “Por causa de uma única chuva que dá, e o sujeito não havia preparado a terra devido a falta do trator, perde a safra inteira. Já vi caboco plantar na sexta e outro na segunda. O primeiro, que pegou a chuva, vingou a plantação toda. O segundo foi só derrota”.

Francisco Alves da Silva, presidente da Associação dos Pequenos Produtores do Sítio São José, em Juazeiro do Norte

Essa experiência foi narrada por seu Francisco Alves da Silva, presidente da Associação dos Pequenos Produtores do Sítio São José, em Juazeiro do Norte, região do Cariri, no dia em que deixou a terrinha para vir à Fortaleza somente para participar de uma solenidade, coisa rara de acontecer. Mas o motivo era justo. Seu Francisco, e líderes comunitários de 93 municípios do Ceará, vieram à Capital a convite do Governo do Estado, como personagens principais das associações beneficiadas com a entrega de 100 tratores, equipados com escarificador, sulcador, batedeira de feijão, debulhadora de milho e bombas de lubrificar. Um marco na história agrícola do Ceará. E a festa foi inesquecível. Com as má-

quinas perfiladas ao longo da Avenida Bezerra de Menezes, em frente à sede da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), o governador Cid Gomes, o secretário Camilo Santana, autoridades e convidados, comemoraram a conquista junto aos agricultores. “Diminuir os custos de produção, fazer o preparo do solo na hora certa e de forma correta, é o sonho de todo agricultor. O sertanejo está se organizando, tendo condições de programar suas atividades. O governo do presidente Lula prioriza o trabalhador de base familiar. Essa ação grandiosa vem coroar o compromisso dele, e de todos nós, com a melhoria da qualidade de vida no sertão”, destacou o governador.

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Tratores

O Projeto São José custeou o investimento de R$ 6,5 milhões para a compra dos novos tratores

MECANIZAÇÃO INCREMENTA A AGRICULTURA FAMILIAR O investimento de aproximadamente R$ 6,5 milhões, que atendeu seis mil famílias, de 93 municípios do Estado, foi realizado através do Projeto São José, com recursos do Banco Mundial e do Tesouro do Estado. O objetivo da compra visa aumentar a produção das lavouras de pequenos produtores rurais através da mecanização agrícola. Além dos tratores, foram entregues implementos e os beneficiados capacitados para utilizarem bem as máquinas. “A compra coletiva com implementos através de licitação única permitiu que cada trator saísse ao custo de R$ 51 mil, economizamos R$ 20 mil por máquina, do que estava previsto ser gasto. Com isso, ficamos com recursos para investir em novos equipamentos e beneficiar outras comunidades”, enfatizou o secretário Camilo Santana. Naquela manhã antológica, quando os discursos e as entregas das chaves haviam cessado, os tratores foram ligados e todos saíram em carreata pelas ruas. 18

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O governador Cid Gomes na entrega dos Tratores.


MECANIZAÇÃO INCREMENTA AGRICULTURA FAMILIAR Dias depois, longe da Capital, quando os primeiros tratores começavam a ser distribuídos pelo Interior, moradores do distrito Caxitoré, em Umirim, zona Norte do Ceará, fizeram um reboliço para receber a promessa de melhoria da comunidade. “Esse é o começo para o trabalhador melhorar o sistema de produção. Os custos vão baixar e todos terão que aprender a gerenciar essa empresa coletiva, que tem 100 donos. Para isso, é necessário transparência no gerenciamento desse bem de produção, porque vai refletir na renda dos produtores”, ressalta o engenheiro-agrônomo da Ematerce, Manoel Sousa Neto. De fato. Para que os tratores cumpram as funções para as quais foram adquiridos, representantes das associações receberam capacitação ministrada por técnicos da Ematerce. O objetivo do treinamento foi garantir a utilização sustentável do solo, através da qualificação dos trabalhadores rurais, para uso adequado do trator e seus implementos. “A capacitação incentiva e difunde práticas de conservação de solo, eleva a vida útil das máquinas, além de reduzir o processo erosivo nas áreas mecanizadas”, completou o técnico. Mas é para trabalhar na preparação do solo de forma diferenciada, através do método de captação de água chamado “In Situ”, que o uso dos tratores deve ser incentivado. A próxima matéria mostra a técnica de preparo do solo que, associado à captação e armazenamento de água da chuva por meio de sulcos, favorece a retenção da umidade por mais tempo, melhorando o aproveitamento das plantas. Dona Antonia Isabel Pinto Chaves é presidente da Associação Comunitária do Distrito de Caxitoré, em Umirim. Nasceu lá. O pai, no final da década de 50, chegou ao lugar para morar na vila de casas construídas pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Naquele tempo, trabalhou de operário na construção do açude

Flávio Cunha, Tobias Neto, Pedro Estevão, Manuel Sousa, Antonia Izabel Chaves, Natividade Alves, Paulo Roberto, Jader Braga, Juvenildo Guimarães, Francisco Carleone e Antonio José.

Caxitoré, nas frentes que arregimentavam mão de obra dos “cassacos”. O açude ficou pronto em 1960, “e a primeira sangria foi em 62”, relembra Isabel. “Esse trator vai beneficiar 100 famílias, das localidades de Caxitoré , Torrões, Limoeiro, Oiticica, Umari e Recife. Para nós, isso aqui é um sonho realizado, vem trazendo vida nova, incentivo e valorização ao homem do campo. É muito necessário que o Governo ofereça projetos produtivos, que gerem renda, que animem o povo. É preciso que o agricultor tenha consciência que tem alguém olhando por ele”.

No distrito de Caxitoré, em Umirim, moradores vislumbram trabalho e fartura com a chegada do novo trator.

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Raimundo, Serapião e Francisco. Dedicação integral aos trabalhos no Assentamento Fazenda Estreito, em Camocim

Galinhas Caipira

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Assentamento Fazenda Estreito é exemplo de empresa rural Camocim - CE De Estreito a Fazenda só tem o nome. Na verdade, o pedaço de terra escondido no meio do mato, lá no extremo norte do Ceará, distante 36 quilômetros do município de Camocim, é abundante, largo, farto e espaçoso. A história que será contada agora é um exemplo ímpar da revolução silenciosa que vem transformando a realidade do sertanejo que vive no semiárido cearense. Relatos de vidas de pessoas simples, que trabalham de janeiro a janeiro, ora com tempo bonito pra chover, ora “numa seca medonha”, mas que, com políticas públicas cada vez mais presentes no campo, veem florescer o potencial de suas capacidades. As 22 famílias da Associação Comunitária dos Assentados da Fazenda Estreito, que moram e trabalham nos 638 hectares, adquirido em 2007, através do Programa Nacional de Crédito Fundiário, na Linha de Combate à Pobreza Rural, do Governo Federal em parceria com o Governo do Estado, vem construindo uma espécie de empresa do campo. No lugar, foi investido cerca de R$ 385 mil na construção de um estábulo, 21 casas, quatro hectares de reserva legal,

três hectares de feijão irrigado, 10 hectares de capim, quatro hectares de sabiá, abastecimento de água de todas as casas, uma agroindústria, um aprisco, um aviário, quatro hectares de fruticultura irrigada, reforma de duas casas e compra de equipamentos agrícolas. São através de ações amplas e resultados práticos, que Governo do Estado, através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), compactua e afina o discurso na realização de programas, criando ambientes propícios para evolução da agricultura familiar. “Estamos acompanhando esse assentamento desde a desapropriação e aquisição da terra. Discutimos com produtores e agricultores familiares a questão de projetos integrados que, de fato, deem sustentabilidade ao assentamento”, destaca o gerente local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce), Marcos Antonio Monteiro Freitas. Nossa Terra - Ceará

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Galinhas Caipira

GALINHAS SÃO CRIADAS LIVRES NO TERREIRO O passeio pela propriedade, digno de roteiro turístico, começou com visita ao antigo galpão de galinha de corte, hoje adaptado para galinha caipira de postura. Conquistado através do SIC de Avicultura Caipira Poedeira, o projeto no valor de pouco menos de R$ 30 mil, conta hoje com quase 400 galinhas pondo, em média, 200 ovos/dia, produção que já sai do assentamento com venda certa para Barroquinha, Camocim e Granja. Outro fato que chamou atenção é a questão do gênero envolvendo a unidade familiar. Ao redor das galinhas poedeiras, mulheres e jovens se revezam nos trabalhos que não podem parar. É coletar ovos, servir ração, manter água nos bebedouros e até observar o comportamento das ´bichinhas´ entre galpão e piquete, que é de porta aberta. “Todo trabalho aqui é vinculado e dentro de procedimentos agroecológicos”, garante o agricultor Serapião Nascimento. E complementa. “Essa cama que fica aí no galinheiro (esterco), com a maravalha (raspa de madeira), a gente utiliza tudo na biocompostagem. A agricultura está transformando esse assentamento de 22 famílias, em uma só. Isso é agricultura familiar de verdade”, lembra Nascimento.

O galpão de 8m de largura e 16 de comprimento, que já existia na propriedade, foi reformado e estruturado para criação de aves de postura. Foi construído piquete de 16m de largura por 50m de comprimento, junto ao galpão, com tela de galinheiro. E, no piquete, montado sistema de irrigação convencional, feita adubação mineral e plantado a lanço o capim Brachiaria Decumbens, como fonte de alimento volumoso.

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Nossa Terra - Ceará

Foram compradas pintainhas sexadas com apenas dois dias de vida da raça Lohmann Brown. Antes da chegada das pintainhas foi feita desinfecção do galpão com o lança chamas, colocada camada de 10cm de maravalha (raspa de madeira) no piso e montados os equipamentos (comedouros, bebedouros, círculo de proteção e campânula). A utilização do círculo de proteção e da campânula tem como objetivo controlar a temperatura corporal das aves na fase de pintos até o 10° dia de vida, uma vez que não possuem o aparelho termorregulador desenvolvido.

Os assentados vendem ovos nas comunidades vizinhas, nos municípios de Barroquinha, Chaval e Camocim. A bandeja com 30 ovos é vendida a R$ 6,00. O acompanhamento e assistência técnica desse e de outros projetos existentes no Assentamento Estreito são feitos pela Ematerce, por equipe de três técnicos: um zootecnista, um engenheiro agrônomo e um técnico em agropecuária.

O sistema de criação é de forma semi-intensiva, onde as aves a partir da 3ª semana de vida passam parte do dia no galpão recebendo ração concentrada (balanceada) nas fases: Inicial (até a 6ª semana); Crescimento (da 7ª a 17ª semana); e Postura (da 18ª a 80ª semana); e algumas horas pastando no piquete. As aves são pesadas semanalmente (10% do lote) para controle da conversão alimentar (consumo de ração x ganho de peso).

Mais informações na Ematerce de Camocim 85. 3621.6488 ou 85. 8616.6751


Ensaio

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Biodiesel

O laboratório da Usina de Quixadá foi apontado, em 2009, pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), como de melhor qualidade do Brasil

Biocombustível

O Ceará na vanguarda da sustentabilidade Quixadá – CE Seu Antonio Godofredo Teodósio de Macedo mora no distrito de Dom Maurício, Sítio Tanques, a 30 quilômetros de Quixadá, no Sertão Central do Ceará. Ele plantou a mamona em adesão ao Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), do Governo Federal. Agricultor experiente, mesmo com ‘inverno castigador’, conseguiu ter uma produtividade de 1.068 quilos de mamona por hectare. Ele, e mais 19.511 agricultores, de 168 municípios cearenses, são protagonistas da gênese de uma história que tem tudo para transformar a realidade de famílias pelo interior do estado. Mas, como todo bom começo, precisa de esforço extra para vingar. O que promete mudanças radicais nos rumos do homem do Sertão inclui a Unidade de Produção de Biodiesel de Quixadá, inaugurada há pouco mais de um ano pela Petrobras Biocombustível, subsidiária da Petrobras criada para dar foco à atuação da Companhia na área de produção de biocombustíveis. A Usina de Quixadá, que já produziu 49 milhões de litros de biodiesel, alcançando no mês de dezembro de 2009 a produção de 180 mil litros/dia, teve sua capacidade de produção ampliada em novembro de 57 milhões para 108 milhões de litros/ ano de biodiesel, ou seja, poderá produzir 90% a mais que a capacidade com a qual foi inaugurada em agosto de 2008. Os números expressivos, conquistados em tempo reduzido, que podiam ser mais uma das muitas histórias da Capital Nordestina dos Discos Voadores, são reais e concretos. Tanto que o laboratório da unidade cearense foi apontado, pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombutíveis (ANP), como o melhor em termos de qualidade no País. O compromisso honrado de seu Antonio, que plantou e entregou a mamona contratada pela Petrobras Biocombustível, é mais amplo do que a maioria imagina. É nossa pequena e valiosa colaboração na nova ordem mundial: a de preservar o Meio Ambiente. É o Ceará aprendendo a produzir fontes renováveis de energia. 24

Nossa Terra - Ceará

A Petrobras Biocombustível distribuirá para a safra de 2009/2010, no Ceará: 110.675 kg de sementes de mamona BRS Nordestina 40.000kg de sementes de mamona BRS Energia 8.500kg de sementes de girassol Embrapa 122.


Energia renovável brotando no semiárido No aniversário de um ano da Usina de Quixadá, o presidente da Petrobras Biocombustível, Miguel Soldatelli Rossetto, o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e coordenador de Biocombustíveis da Secretaria da Agricultura Familiar, Marco Antônio Leite e o secretário do Desenvolvimento Agrário do Ceará Camilo Santana, participaram do Encontro de Mobilização para Safra 2009/2010, com a presença de agricultores familiares, sindicatos, federações e entidades de classe ligadas à agricultura familiar. O objetivo da mobilização foi somar esforços para superar os desafios do processo de suprimento agrícola com mamona e girassol e aperfeiçoar os relacionamentos com os agricultores familiares, visando garantir o compromisso com o desenvolvimento do Brasil e cada vez mais aumentar a participação da agricultura familiar no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Na ocasião, Miguel Rossetto disse aos produtores do compromisso que os governos Federal, Estadual e Municipal, estão empreendendo para fortalecer a agricultura familiar no Ceará. “A Petrobras tem profundo respeito pelos sindicatos, cooperativas, movimentos sociais, são representações legítimas dos trabalhadores. Temos que aumentar a produtividade média da mamona. Com boas técnicas e bons manejos, podemos triplicar essa produção, resultando em mais vendas por área plantada, gerando mais renda para o agricultor”, ressaltou o presidente. Poucos dias antes dos agricultores cearenses serem convidados a se mobilizar por uma grande safra em 2010, que contribuirá para fortalecer uma matriz energética cada vez mais limpa e renovável, mantendo o Brasil como destaque mundial na produção e uso dos biocombustíveis, o presidente Lula anunciava que, a partir de janeiro de 2010, o percentual de biodiesel no diesel consumido no Brasil subiria de 4% para 5%. Com a nova proporção na mistura com o diesel mineral, o cálculo é que a produção de biodiesel no Brasil dobre em relação aos 1,2 bilhão

Encontro de Mobilização para Safra 2009/2010

de litros produzidos em 2008. “Nossas usinas têm tecnologia para produzir biodiesel com várias matériasprimas, permitindo o desenvolvimento de alternativas regionais de oleaginosas. Estamos dando um passo extraordinário de uma longa caminhada. Nossa tarefa é fazer esse trabalho conjunto. Há muito aprendizado a ser construído. Acreditamos que, em quatro anos, tenhamos um volume de produção importante. Queremos, aos poucos, substituir soja e algodão, por mamona e girassol”, disse o representante do MDA, Marco Antonio Leite. Nossa Terra - Ceará

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Biodiesel Moradores do distrito de Dom Maurício, no Sítio Tanques, da Fazenda Esperança, em Lagoa da Pedra, e de outras comunidades do entorno, se reuniram para entregar a mamona produzida em suas terras

Essa é a hora, chegou nossa vez O biodiesel vem chamando atenção da Comunidade Européia pela capacidade de reduzir a emissão de poluentes e outros gases causadores do efeito estufa, contribuindo para melhorar condições ambientais no mundo inteiro. Observando aquelas palavras importantes, seu Godofredo Teodósio coça a cabeça por debaixo do chapéu como quem não entende bem como é que o roçado dele pode contribuir com tudo aquilo. Mas sabe que, para fazer essa roda girar, é preciso gente com força e coragem para trabalhar. 26

Nossa Terra - Ceará


Para além dos benefícios vanguardistas amplos, o que, de fato, chamou atenção do Governo do Ceará nesse programa, foi o potencial de geração de emprego dentro da agricultura familiar. Hoje, pelos sertões, a renda anual de uma família que cultive, por exemplo, cinco hectares de mamona, com produção média entre 700 e 1,2 mil quilos por hectare, pode variar entre R$ 4,0 mil e R$ 7,0 mil. E o mais interessante de tudo isso: a oleaginosa pode ser consorciada com culturas de milho e feijão. Somente em 2009, o estado investiu cerca de R$ 12 milhões no Programa do Biodiesel. A área plantada que era de 9,4 mil hectares (ha), saltou para 32,5 mil ha, e a meta para 2010 é ultrapassar 50 mil hectares com plantio de mamona e girassol. O diferencial histórico desse projeto é colocar questões mundiais, como produção de energia e efeito estufa, diretamente ligadas à agricultura familiar. De acordo com o secretário do Desenvolvimento Agrário, Camilo Santana, investimentos e ações na produção de oleaginosas no Ceará, já estão promovendo significativas transformações pelo interior. “Há incentivos financeiros, distribuição de boas sementes, corretivos de solos, assistência técnica, preço de venda compatível com mercado e compra garantida. É a hora e a vez da agricultura familiar no Ceará. Claro que ninguém pensa em substituir cultivos tradicionais por oleaginosas. Pelo contrário, produção de alimentos é prioridade, a idéia é incrementar esse potencial produtivo. A primeira colheita, a do feijão, garante alimentação da família; a segunda, do milho, assegura a manutenção dos pequenos animais; já em outubro, novembro, enquanto colhe mamona, pode até deixar os caprinos, a famosa poupança do sertanejo, reproduzindo. É renda o ano inteiro no Sertão”, destacou o secretário. Mesmo sabendo que, somente em 2015, o Ceará terá demanda suficiente

para abastecer 50% da necessidade da usina de biodiesel, o gerente regional da Usina de Quixadá, João Augusto, destacou o bom desenvolvimento econômico do empreendimento. “O biodiesel de Quixadá é produzido principalmente com óleo de soja, ainda trazemos matéria-prima de outras regiões do país, mas a meta é gerar aqui a criação de um grande mercado agrícola regional”. Agricultor experiente, seu Godofredo Teodósio diz, desconversando e indo embora: “Só vou continuar porque sei que essa ruma de coisa boa vai acontecer mesmo, tanto aqui em Quixadá, como lá pelo fim do mundo”.

Você sabia...

Para estimular o plantio de oleaginosas no semiárido, o Governo Federal lançou o Selo Combustível Social, com medidas que estimulam a inclusão social da agricultura nessa cadeia produtiva. A certificação outorgada pelo MDA para produtores de biodiesel e projetos de produção prevê a participação em leilões, benefícios fiscais, e acesso amplo a financiamentos junto a instituições financeiras credenciadas. Terão direito a desoneração de tributos as indústrias que produzirem biodiesel com a matéria prima

adquirida da agricultura familiar com preços pré-estabelecidos, oferecendo segurança aos agricultores familiares. E os pequenos produtores, além de terem à disposição linha de crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), também podem participar como sócios ou quotistas das indústrias extratoras de óleo ou de produção de biodiesel, seja de forma direta, por meio de associações ou cooperativas de produtores.

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Biodiesel DADOS SDA PARTICIPAÇÃO DOS AGRICULTORES FAMILIARES NA PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013 NÚMERO DE FAMÍLIAS 40.438

40.000

32.824

40.538

33.605

DADOS SDA PETROBRAS DADOS PARTICIPAÇÃO DOS AGRICULTORES FAMILIARES ÁREA COM OLEAGINOSAS NA CEARÁ PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013 NO | 2008 - 2013 DADOS SDA DE FAMÍLIAS NÚMERO ÁREA (ha) PARTICIPAÇÃO DOS AGRICULTORES FAMILIARES NA PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013 40.000 120.000 NÚMERO DE FAMÍLIAS

30.000

30.000

30.000 20.000 60.000

20.000 14.827

10.000 20.000

10.000 2008

2009

2010

2011

2012

101.095 101.345

ÁREA (ha) 100.000 120.000 80.000

30.506 14.827

60.000 80.000 40.000 60.000 20.000 40.000

3.885

3 2010 2010

2011 2011

2012 2012

2013 2013

2010 2008 2009 DADOS PETROBRAS PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013 DADOS SDA PRODUÇÃO (t) PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013

2011

2012

2013

2009 2009

100.000 PRODUÇÃO (t)

101.095 101.345

101.095 101.345 80.000 60.000

60.490

50.100

80.000 41.388

40.000

20.000 40.000

20.000

2008

2008

2013

101.345

12.982 12.866 34.098 30.506 2009

2009

60.490

60.000 40.000

60.490

60.000

26.000 41.388

40.000 20.000

20.000 2010

2011

2012

2010

2011

2012

2013

2013

891

3.084

12.866 2008

12.982 2009

2010

2011

2012

2013

2008

2009

2010

2011

2012

2013

As matérias-primas utilizadas na produção do biodiesel são: Algodão; Amendoim; Babaçu; Buriti; Canola; Dendê; Gergelim; Girassol; Jojoba; Linhaça; Mamona; Nabo Forrageiro; Óleos de Fritura; Palmiste; Pequi; Pinhão Manso; Soja; Tucumã; Resíduo Industrial; Sebo; Gordura Animal. 28

Nossa Terra - Ceará

39.600

32.600

41.388

100.000 120.000 80.000 100.000

34.098

100.000 80.000

100.000 60.000

DADOS ÁREASDA (ha ÁREA COM NO CEARÁ | 120.000 ÁREA (ha

29.600

41.388

2008 2008

2013

DADOS SDA PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013 DADOS SDA PRODUÇÃO (t) ÁREA COM OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013

29.100 33.605

29.600

60.490

19.693 24.680

40.000 20.000

10.000

40.538

26.700 32.824

80.000

24.680

2013

40.538 40.438 101.345 101.095

100.000 40.000

DADOS PET ÁREA COM O NO CEARÁ |

20.000


40.000 10.000

2008

8 - 2013

0

2

2009

2010

2011

2012

2013

DADOS PETROBRAS PRODUÇÃO DE OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013

DADOS PETROBRAS ÁREA COM OLEAGINOSAS NO CEARÁ | 2008 - 2013

PRODUÇÃO (t)

ÁREA (ha) 120.000

100.000

100.000

80.000

29.600 80.000 66.400 60.000

73.400

73.400

60.000

50.100

53.400

40.000

42.362

40.000

39.600 32.600 26.000

20.000

20.000 6.721 2013

2008

2009

2010

2011

2012

2013

891

3.084

2008

2009

2010

2011

2012

2013

Biodiesel

50.100

0

2

20.000

3.885

2013

1 - A Petrobras possui 3 usinas de produção de biodiesel, em Candeias (Bahia), Montes Claros (Minas Gerais) e Quixadá (Ceará). Recentemente, as unidades tiveram capacidade de produção aumentada dos atuais 57 milhões para 108,6 milhões de litros do produto, cada uma - incremento de 90% sobre a capacidade atual. Com o aumento, as três usinas elevarão a capacidade instalada da Petrobras Biocombustível para produção anual de 326 milhões de litros de biodiesel por ano. Está previsto para o ano de 2010 a duplicação da usina de Candeias (BA). A Petrobras Biocombustível também formalizou uma parceria com a empresa BSBIOS, em novembro de 2009, adquirindo 50% da Usina de Biodiesel de Marialva no Estado do Paraná, com capacidade de produção de 120 milhões de litros de biodiesel por ano, que entrará em operação em abril de 2010;

2 - Em 1975, o Brasil lançou o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) – maior programa comercial de uso de biomassa para fins energéticos no mundo. Dois anos depois, o professor Expedito Parente, da Universidade Federal do Ceará, descobriu o biodiesel a partir do óleo de algodão e, em 1980, registrou a primeira patente mundial de biodiesel, hoje de domínio público; 3 - Os biocombustíveis são fontes de energia que contribuem para a redução da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera. Este é seu principal papel na matriz energética. Como os gases gerados na sua queima são reabsorvidos no crescimento da safra seguinte, há equilíbrio entre emissão e absorção de poluentes. Além disso, o uso dos biocombustíveis, como etanol e biodiesel, ajudam a reduzir as emissões de monóxido de carbono (CO) e dióxido e carbono (CO2);

4 - Desde janeiro de 2005 até o término de 2007, o Brasil consumiu mais de 850 milhões de litros de biodiesel. Para o ano de 2009, a estimativa de consumo é de 1,3 bilhão de litros de biodiesel. Para 2010, com a entrada em vigor da obrigatoriedade da mistura de 5% de biodiesel (B5) ao óleo diesel mineral, a demanda deve subir para 2,3 bilhões de litros anuais.

Mais informações: Usina de Biodiesel de Quixadá, na Rodovia Quixadá - Banabuiu - BR 122 S/N - Juatama, Quixadá, CE CEP: 63900-000. fone: 85. 3266.4657 www.petrobras.com.br

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Entrevista

“Juntos, vamos garantir matéria-prima para todas unidades produtoras da empresa” Miguel Rossetto Presidente da Petrobras Biocombustível Miguel Soldatelli Rossetto nasceu em São Leopoldo (RS), em 4 de maio de 1960. Cientista Social, foi vice-governador do Rio Grande do Sul entre 1999 e 2003, Ministro do Desenvolvimento Agrário de 2003 a 2006 e, em maio de 2009, assumiu a presidência da Petrobras Biocombustível. Em visita à Usina de Biodiesel instalada no município de Quixadá, sertão central do Ceará, durante o Encontro de Mobilização para Safra 2009/2010, Miguel Rossetto conversou com a Revista Nossa Terra Ceará e avaliou a expansão do Programa no Estado. 30

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“Começamos a caminhada da produção da mamona e girassol em grande escala no Ceará e no Nordeste. Logo queremos iniciar a do pinhão manso. Apesar do longo aprendizado a ser construído, estamos seguros de que, no máximo em três anos, teremos aqui um volume de produção importante. Veremos uma curva no crescimento da matéria-prima regional”. Miguel Rossetto Presidente da Petrobras Biocombustível NOSSA TERRA CEARÁ – Qual avaliação do primeiro ano de funcionamento da Usina de Quixadá? ROSSETTO - O ano de 2009 foi para a Petrobras Biocombustível o primeiro de funcionamento ininterrupto, e nesse período, conseguimos produzir mais de 40 milhões de litros de biodiesel de uma capacidade instalada de 57 milhões. Estamos entusiasmados com a região liderada pela Usina de Quixadá e com a ampliação de capacidade de produção da usina, em andamento, de forma a abastecer o Ceará, estados Nordeste e do Norte brasileiro. Faz parte da estratégia da Petrobras estimular e priorizar mercados agrícolas regionais. Nosso compromisso é com o desenvolvimento local. Queremos que a maior parte da renda agrícola gerada pela demanda de produção fique na região onde estão instaladas nossas usinas, e que seja apropriada pelos agricultores familiares. NTC – É o começo de uma nova era? ROSSETTO – É o início do futuro. Estimulamos a cultura produtiva, asseguramos matéria-prima com regularidade, qualidade e preços compatíveis para nossas usinas de biodiesel. Aqui no Ceará, temos uma relação extraordinária com o Governo do Estado. Desde o início estamos juntos cons-

truindo esse programa. Aprendendo, comemorando acertos e mudando eventuais opções equivocadas. Hoje, nosso grande desafio é ampliar a produtividade de mamona e girassol por hectare. Já são mais de 19 mil agricultores familiares e a meta para 2010 é contar com mais de 30 mil produtores no Ceará trabalhando para o Programa do Biocombustível. É o começo de uma nova era no Sertão. NTC – Momento oportuno já que o Ceará está em pleno crescimento econômico. ROSSETTO – O Ceará e o Brasil estão em efervescência. E para isso firmamos parceria com instituições, cooperativas de assistência técnica, prefeituras, secretarias de agricultura, universidades, sindicatos e outros. Mas, particularmente, o compromisso da Secretaria do Desenvolvimento Agrário, tem sido fundamental para o sucesso desse programa. Encerramos o primeiro ano de atividades com grande satisfação pelos resultados conquistados, estamos confiantes na consolidação desse projeto nos próximos anos. Firmamos convênios de trabalho com Banco do Brasil e, ainda em 2009, devemos realizar com o Banco do Nordeste. O objetivo de tudo isso é responder a uma estratégia clara:

desenvolver mercados agrícolas regionais, assegurando que a renda para aquisição da matéria-prima fique no Ceará. Vamos seguindo juntos nesse crescimento. NTC – Qual o próximo passo? ROSSETTO - Inovamos quando asseguramos contrato de médio prazo, de cinco anos, com produtores. Com isso, a Petrobras Biocombustível mostra que vem para ficar, que quer ter relação duradoura com agricultores associados. Asseguramos renovação de valores a serem pagos no contrato a cada ano, garantimos preço básico de mercado, pagaremos o que for melhor para o agricultor, em dia, de forma adequada, com sementes de boa qualidade e relação de financiamento com bancos. Em 2009, concluímos contratações de instituições que prestarão serviços de assistência técnica para associações de agricultores conveniados com a Petrobras Biocombustível. Pretendemos, portanto, a partir desse movimento, assegurar que agricultores contratados tenham relação qualificada com profissionais agrícolas que auxiliem no aumento da produtividade. A Petrobras Biocombustível será, no futuro, uma das melhores empresas no setor do mundo, e o Ceará estará junto construindo a história. Nossa Terra - Ceará

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Ensaio

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Substituição de Copas

Seu Chico Colondrongo, do Sítio Jacarandá, em Camocim, confessa que estranhou o projeto de substituição de copas. Hoje, garante ter sido o melhor investimento feito em suas terras.

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Substituição de copas de cajueiros aumenta produtividade Bom contador de histórias, seu Francisco José de Araújo, carrega além do nome de batismo do pai e do avô, o apelido que também fora dos três: Chico Colondrongo. O velho guerreiro hoje caminha satisfeito entre pomares de cerca de 800 cajueiros que tiveram suas copas substituídas nos últimos anos. Mas nem sempre foi assim. No começo, conta ele, “chegou esses home aqui pra fazer uma enxertia nesses cajueiro. Eu, que não tinha conhecimento do produto, pensei: rapaz, tem que derribar meus pé. Num queria aceitar de jeito nenhum. Mas meu filho entrou na história e acabou que fez o trabalho em 30 pés, escapou 28. Passou-se dois mês e eles vieram fazer a tal enxertia. Com pouco mais começou sair os “olhozim”, e a crescer, e a crescer, e a florar”, recorda seu Chico. A história das terras de seu Chico, e de mais 2.500 novos hectares de substituição de copas de cajueiro, é o retrato do desenvolvimento sustentável da cajucultura, implementado no interior do Ceará. E, para incentivar esse crescimento, o Governo do Estado criou, no primeiro semestre de 2009, a Câmara Setorial do Caju, composta por integrantes da cadeia produtiva,

incluindo segmentos da produção, beneficiamento e setor público. A meta é que a Câmara acompanhe ações e projetos, inclusive o subsídio oferecido pelo Governo no valor de R$ 600 por hectare de copa substituída. Enquanto isso, seu Chico Colondrongo segue andando depressa no meio do mato, contando suas histórias. “Aí eles aconselharo: tire a premera flor. Meu menino tirou. Desde esse momento em diante, colho aqui o melhor caju que já vi na vida. Vem gente de todo canto procurar, bom de lutar, é de pegar caju com a mão, e o chão fica grossim de castanha. Até ano passado foi cortado caju aqui. De pouco, devagar, porque gosto de deixar tudo direito, cuidar da pausaria, das folha, é uma mão-de-obra forte. Mas estou vendo o resultado dessa luta”.

“Colho aqui o melhor caju que já vi na vida. Vem gente de todo canto procurar, bom de lutar, é de pegar caju com a mão” Chico Colondrongo, agricultor.

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Substituição de Copas De filho para pai. As novas gerações do Sítio Jacarandá aprendem e ensinam como melhorar a produção do caju no interior do Ceará.

Desenvolvimento sustentável é meta em Camocim Lúcia Sousa Melo Freitas é a primeira mulher nomeada pelo Estado a ocupar o cargo de Gerente Regional da Ematerce no Ceará. Apressando o passo para acompanhar seu Chico Colondrongo pelo pomar de caju, a administradora falou do desafio que é fazer com que projetos do Governo sejam bem aplicados nos seis municípios que coordena: Chaval, Barroquinha, Granja, Martinópolis, Uruoca e Camocim. “Hoje o Estado está presente em todas as atividades, somos o governo no campo, podemos ajudar mais e melhor ao agricultor familiar. Trabalhamos para que essas famílias tenham um desenvolvimento sustentável. E sustentabilidade é fazer com que haja no campo atividades integradas, calendário sazonal, produção o ano inteiro. Sustentabilidade se faz no dia-a-dia”, orienta Lúcia. E finaliza. “Me sinto feliz por ser pioneira na gerência feminina da Ematerce. No mais é trabalhar para dar aos homens e mulheres do campo a assistência de qualidade, dedicação e compromisso que eles merecem”.

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Saiba mais

A aplicação da tecnologia de Substituição de Copa em Cajueiros consiste basicamente de quatro etapas: SELEÇÃO DAS PLANTAS A substituição de copas poderá ser realizada em todas as plantas do pomar (substituição total), em fileiras alternadas ou apenas nas plantas improdutivas. Neste caso é necessário controlar a produção individual das plantas por pelo menos três anos consecutivos para subsidiar a seleção daquelas comprovadamente improdutivas, que terão, portanto, suas copas substituídas.

Márcio Araújo é filho de seu Chico Colondrongo e um dos principais enxertadores da região. Somente na propriedade da família, cerca de 750 plantas foram cortadas e enxertadas com substituição de copas. Ele explicou o trabalho de enxertia realizado dentro do Programa de Substituição de Copas em Cajueiros pouco produtivos. “Aqui na região eram produzido de 250 a 300 quilos por hectare de cajueiro comum adulto. Com essa tecnologia, a produção saltou para 500, 600 quilos. Para fazer esse trabalho, escolho a planta para tirar material genético e faço uma poda drástica. Corto toda planta, deixo só os galho seco, adubo e irrigo. A partir daí a planta começa brolhar. Esses brolhos, chamado garfo, é o material genético que é levado para outra planta, cortada em outra propriedade. Desses garfos, tiro as borbulhas, como se fosse uma gema que se encontra na planta. Tiro com canivete e enxerto no galho de outra planta cortada. Esse é o processo”.

Você sabia...

A Câmara Setorial do Caju, formalizada a partir da Portaria Nº 086/2009, é composta por representantes que integram sua cadeia produtiva, incluindo os segmentos da produção, beneficiamento e setor público. O Ceará possui 57.577 produtores, ocupando área de 386.757 hectares. O setor do caju é responsável pela geração de 28 mil empregos no campo, e mais de 15 mil na indústria. O caju também é recordista na pauta de exportações do Ceará. Em 2008, as exportações de castanha de caju somaram US$ 150 milhões, representando 11,46% do total exportado, ficando atrás apenas dos calçados.

CORTE DAS PLANTAS Utilizando motosserra, o corte das plantas selecionadas deverá ser realizado por pessoal habilitado, em bisel, a uma altura média de 0,40 m do solo. Devido à oferta natural dos propágulos que serão utilizados na enxertia, a decapitação das plantas deverá ser realizada no período de abril a agosto, para as condições do Estado do Ceará. SELEÇÃO DAS BROTAÇÕES Com o objetivo de reduzir a competição entre os ramos que funcionarão como porta-enxerto, deve-se iniciar esta operação quando as plantas emitirem as primeiras brotações. Recomenda-se selecionar aqueles mais vigorosos, localizados ao redor do tronco e próximos ao local do corte. A quantidade de brotações depende do número definitivo de enxertos que se deseja no final do processo. ENXERTIA A enxertia deverá ser realizada quando as brotações atingirem um diâmetro de cerca de 1 cm. Em pomares com idade variando entre 20 e 30 anos, as brotações estarão aptas à enxertia entre o 3º e o 4º mês após o corte das plantas. O método indicado é a borbulha em placa. FONTE: Embrapa Agroindústria Tropical Mais informações pelo número 88. 3621.6488

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Ensaio

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Casa de Mel

“Ó abelha rainha, provo do favo do teu mel” Itapipoca - CE

Manejo correto, roupas apropriadas e revisões periódicas, principalmente em épocas de floradas, são essenciais no apiário.

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Produção de mel gera emprego e renda para moradores do assentamento Barro Vermelho, em Itapipoca.

Circula uma tensão quando chega hora de ir até o apiário colher o mel maduro nas caixas. É devagar que o agricultor Laudelino Pinto veste o macacão branco que protege todo corpo e cabeça, prende luvas e botas com cuidado, e confere repetidas vezes se não ficou brecha para ferroadas. As abelhas africanizadas que estão trabalhando nas 20 colmeias instaladas no Assentamento Barro Vermelho, em Itapipoca, através do Projeto Crédito Fundiário, são conhecidas pela produtividade e agressividade. “Agora o tempo é outro”, reflete Laudelino enquanto se apronta. “Antes aqui era só capim, agora tá bem reflorestado. Temos cultura de banana, ata, manga, afora o sequeiro, milho, feijão. E com essa beleza de Projeto de Apicultura? Com apoio do Governo conseguimos montar a casa com máquina, centrífuga, desoperculador, tanque, tudo. E o que a gente produz, vende mesmo”, comemora o agricultor. Laudelino, de fumegador de fole na

mão para amansar as abelhas, carrega também o formão do apicultor para soltar os quadros e um pegador. E se o ataque foi exatamente como o previsto, - enfurecido, a produtividade foi à altura. As seis caixas da primeira colheita, que estavam com “os favos bem madurim”, renderam 70 quilos de mel puro. As casas das abelhas montadas dentro da mata de sabiás e marmeleiros, e a Casa de Mel, são resultados de projetos direcionados pelo Programa de Crédi-

to Fundiário de Combate à Pobreza Rural, em parceria com o Governo do Estado do Ceará através da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA). Enquanto Laudelino trabalha, as abelhas atacam, e o barulho emitido na tentativa de ultrapassar a roupa de proteção pessoal é apavorador. O retorno é um pouco mais difícil. Além das melgueiras* pesadas, as abelhas não sossegam fácil, e seguem firme no ataque até mais da metade do caminho de volta. Nossa Terra - Ceará

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Casa de Mel

PROJETO DE MEL ADOÇA A VIDA DA FAMÍLIA INTEIRA Já na Casa do Mel, onde Luzia Rogério e Maria Carmelita, paramentadas, aguardam de garfo desoperculador* nas mãos para receberem os favos colhidos, o clima é de assepsia e tranquilidade. A extração dos quadros de mel maduro é feita em mesa própria, depois levados para centrifugadora para serem processados, coados e, por fim, envasilhados. Para facilitar a vida dos apicultores cearenses, esses produtores estão sendo capacitados em técnicas de produção, comercialização, organização, gerenciamento e associativismo, através do Projeto Expansão da Apicultura no Ceará: Agricultura Familiar. A ação, coordenada e executada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Estado do Ceará (Senar-AR/ CE), tem apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão do Ceará (Ematerce), e recursos repassados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário. De acordo com o secretário Camilo Santana a meta é melhorar a renda dos trabalhadores rurais através da transferência de tecnologia e qualificação. “Nosso foco é no desenvolvimento e fortalecimento da agricultura familiar. Queremos inserir o homem do campo no mercado, de forma organizada, permitindo a geração de renda”, destacou o titular da SDA. O agente rural Eduardo de Jesus, que além do Barro Vermelho, acompanha as comunidades Mulatão, Deserto e Sítio Matas, disse que a previsão é que sejam colocadas 75 colmeias no campo. *Garfo desoperculador Quando as abelhas enchem o alvéolo, grande quantidade de água acompanha esse mel, é quando se diz que o mel está verde. Quando fica maduro, com pouco teor de água, os alvéolos são cobertos com fina camada de cera, o opérculo. A retirada chama-se desoperculação e se faz com ajuda do garfo desoperculador.

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Quando os favos pesados de mel trazidos do apiário chegam à Casa de Mel, as mulheres se encarregam do processo de extração, centrifugação e envasilhamento.

“O mel daqui, da colheita até a extração, é concorrido, não dá pra quem quer. O que produz é vendido, as pessoas vem comprar aqui, nem precisa oferecer. Além disso, os moradores são muito interessados, facilita o trabalho. O governo está investindo forte, a construção dessa Casa de Mel foi a realização de um sonho”. Mais informações 88. 8813.8489 Eduardo de Jesus – agente rural


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Entrevista

Agricultura Familiar é promessa nas Olimpíadas Guilherme Cassel Ministro do Desenvolvimento Agrário

O ministro Guilherme Cassel concedeu entrevista à Revista Nossa Terra Ceará durante o encontro “Brasil Rural Contemporâneo - VI Feira da Agricultura Familiar, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o engenheiro civil, natural de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, fez análise da atual conjuntura do segmento em âmbito nacional. Agente Fiscal do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, Cassel atuou como sub-secretário da Fazenda de Porto Alegre; sub-chefe da Casa Civil do Governo do Estado do Rio Grande do Sul; secretário-geral do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e chefe de Gabinete do vice-governador, Miguel Rossetto. De 2003 até março de 2006, foi secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e, a partir de abril de 2006, assumiu o comando desse Ministério. Como porta-voz de milhares de produtores que hoje são valorizados e respeitados por todo o País, Guilherme Cassel, colhe fartas estatísticas positivas, resultado de ações sincronizadas com governos de Estados e Municípios. Nessa entrevista, o ministro faz balanço geral da Agricultura Familiar pelo Brasil. 44

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NossaTerraCeará – A Agricultura Familiar está em maior evidência? Cassel - O Brasil vem tendo novidades nos últimos anos, nosso País mudou muito, e uma das transformações mais significativas é no meio rural, setor que, ainda, é olhado com pouca atenção. Durante muito tempo nos acostumamos e enxergar o rural brasileiro como lugar de atraso, pobreza. Era como se fosse um espaço dividido em dois: de um lado uma agricultura em escala, moderna, produtiva, com alta tecnologia; de outro, uma agricultura familiar de subsistência, atrasada, o lugar da pobreza. E essa é uma visão equivocada. Um dos grandes méritos do governo Lula foi resignificar a Agricultura Familiar para a sociedade brasileira. Foi mostrar que esse não é o espaço da improdutividade, pelo contrário, é um setor econômico relevante. Em uma Feira tão grande, eles aparecem de forma mais clara, evidenciam sua força. NTC – Há uma série de políticas agregadas nesse avanço. Cassel – Claro. A Agricultura Familiar hoje contribui com 70% de tudo que consumimos no dia a dia. São R$ 56 bilhões por ano, isso é mais de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. É da Agricultura Familiar que vem mais de 75% de toda mão de obra no campo. Isso tudo é muito significativo. Esse é um setor que nunca teve atenção dos governos, era deixado de lado. E essa é a novidade. A partir do governo Lula, desenvolvemos políticas públicas permanentes de apoio, estimulando, apostando que o setor fosse rapidamente responder com mais produtividade.


E estamos aqui contando essa história de sucesso. NTC – As pessoas no campo já vivem o resultado dos investimentos. Cassel - Ampliamos o volume do crédito do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), modernizamos, massificamos e democratizamos para todas as regiões do País. Criamos o Seguro Agrícola de Preço e de Clima, refizemos o Sistema Nacional de Assistência Técnica, criamos políticas públicas de comercialização, como o Programa de Aquisição de Alimentos. Criamos o Programa de Combate à Pobreza no Meio Rural, o Território da Cidadania, o Programa de Modernização Acelerada da Agricultura Familiar, que é o Programa Mais Alimentos. E, com todos esses programas, inevitavelmente, houve impacto na Agricultura Familiar, dando mais estabilidade para quem vive no campo. As pessoas quiseram, e puderam, permanecer lá, passando a produzir melhor. NTC – A Feira é um reflexo do que está acontecendo Brasil afora. Cassel – Naturalmente. O que aparece aqui nesse encontro é resultado da trajetória de um governo que apoia um setor econômico, reconhece sua vitalidade, sua importância econômica. E ele vem respondendo com enorme qualidade. Recentemente, foi divulgado o Censo Agropecuário 2006/2007, e veio confirmando nossas perspectivas: a Agricultura Familiar é mais produtiva que a agricultura em escala. A primeira, com 24,5% da área cultivável, é responsável por 38% do valor bruto da produção. Ou seja, é mais produtiva por hectare, gera mais emprego, tem mais diversidade, é mais adequada à rotação de culturas, preserva o meio ambiente. Estamos comemorando a redescoberta da Agricultura Familiar. Os resultados são excelentes.

NTC – Deve ter bastante visitante do interior, inclusive do Ceará. Cassel – Sem dúvida, sem dúvida. Essa Feira tem vários objetivos, um deles é fazer com que agricultores de todos os pontos do País se encontrem. Porque o Brasil é rico, diverso, multicultural. Esse é o momento onde produtores do Nordeste conhecem os do Sudeste, Norte, Sul, Leste, Oeste, há um intercâmbio interessante entre quem vende e quem compra também. É o momento de divulgar a riqueza da Agricultura Familiar, sair do discurso, mostrar, na prática, essa diversidade de produtos. Temos, aqui, no Rio de Janeiro, mais de 10 mil produtos diferentes, de altíssima qualidade, produzidos pelo nosso povo, as pessoas ficam deslumbradas, muitas desconhecem isso. Existe um Brasil rural escondido, e faz parte de nossa cultura. NTC – A Agricultura Familiar tende a se fortalecer. Cassel– Estamos em uma área de 25 mil metros quadrados, com 650 estandes, e todas as regiões do Brasil estão representadas. Somente a rodada de negócios gira em torno de R$ 10 milhões. São 600 toneladas de produtos vendidos, nos seis dias de encontro,

para público de cerca de 300 mil pessoas, todas com quatro, cinco sacolas nas mãos. Como o Rio de Janeiro é centro difusor e consumidor importante, um centro do País, permitir que esse espaço urbano por excelência, entre em contato com o rural, a sensação que se experimenta é de deslumbramento, encantamento mesmo. Isso é importante porque abre mercados. O Ceará aqui mostra bem isso. NTC – E os planos para o futuro? Cassel - O Brasil está vivendo esse ambiente mágico, com Copa do Mundo em 2014, Olimpíadas em 2016, e precisamos nos preparar para isso. O tema alimentação é dos mais importantes. Aliás, o mundo inteiro está voltado para essa agricultura mais limpa, saudável, orgânica, e isso a Agricultura Familiar faz bem. Já iniciamos etapas de negociação com redes hoteleiras, supermercados, assinamos convênio com Ministério do Turismo, tudo para desenvolver produtos visando 2014/2016. Agricultores familiares de todos os Estados do Brasil estarão unidos nesse sentido. Há muito trabalho pela frente.

O Censo Agropecuário 2006, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela primeira vez na história registrou dados da agricultura familiar brasileira em suas pesquisas. O levantamento identificou 4.367.902 estabelecimentos de agricultura familiar, que representam 84,4% do total (5.175.489 estabelecimentos), ocupando 24,3% (ou 80,25 milhões de hectares) do espaço agropecuário brasileiro. Mesmo abrangendo apenas um quarto da área, a agricultura familiar responde por 38% do valor da produção (ou R$ 54,4 bilhões) desse total. Ou seja, ainda que cultivando espaços menores, o segmento é responsável pela segurança alimentar do País, produzindo 70% do feijão, 87% da mandioca e 58% do leite consumidos no Brasil. Já são mais de 12 milhões de trabalhadores, ou seja, quase 75% do total da mão de obra no campo. O valor bruto da produção na agricultura familiar é de R$ 677 por hectare/ano.

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Programa Arca das Letras

Ceará é líder nacional em implantação de Bibliotecas Rurais

Jovens do Assentamento Lagoa do Mineiro, em Itarema, descobrem o prazer da leitura nas incríveis histórias que chegam na Arca das Letras.

Um bom livro é capaz de fazer você viajar, de provocar a imaginação e de emocioná-lo. Imagine levar todo esse universo de possibilidades para comunidades que, na maioria das vezes, não têm acesso ao mundo da leitura. Essa é a missão do Programa Arca das Letras, um projeto do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) executado pela Secretaria do Reordenamento Agrário em parceria com os Estados, que incentiva a leitura no meio rural através da implantação de bibliotecas e a formação de Agentes de Leitura. 48

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O programa que funciona em todo o país desde 2003, instala, em média, três bibliotecas por dia em áreas rurais. O Ceará é o Estado com maior número de bibliotecas rurais implantadas no Brasil, com 700 unidades, em 87 municípios. Somente de julho a outubro de 2009, foram instaladas 85 Arcas. Cada uma delas com acervo de, aproximadamente, 200 livros e coleções de histórias em quadrinhos. Os títulos estão distribuídos em livros didáticos para pesquisa escolar, livros técnicos, especializados e de interesse da comunidade. Antes de o programa ser instalado é preciso que Agentes de Leitura sejam capacitados através de um treinamento em que participam diversos representantes e lideranças locais do mesmo território ou município. “O Agente de Leitura faz toda a diferença para o sucesso do programa. Quando ele assume a responsabilidade de ser um motivador, as pessoas da comunidade passam a ter um interesse maior pela leitura”, ressalta Sandra Bandeira, coordenadora do Arca das Letras no Ceará. Um exemplo da diferença que o Agente de Leitura pode fazer no Projeto está em Itapipoca. Nesse município, estão instaladas 117 Arcas de Leitura. Segundo Beatriz Mello Mattos, técnica do Projeto no Ceará, em Itapipoca o agente vai até às comunidades para orientar moradores quanto ao uso das bibliotecas. Beatriz também destaca que o município é o único em que o Agente de Leitura é remunerado. A construção da Arca é feita sob medida, em um tamanho padrão. No Ceará, elas são confeccionadas por detentos do Instituto Presídio Paulo Pro-


fessor Olavo Oliveira II (IPPOOII). “Além de incentivar a leitura, o Programa também tem esse aspecto social. Os presos que fabricam os móveis se envolvem o que ajuda na recuperação deles. Eles se preocupam com o destino que a Arca terá e que uso estão fazendo dela”, diz Sandra Bandeira. Para a coordenadora do projeto no Ceará, é gratificante trabalhar em um Programa que ajuda na construção da cidadania. Sandra concorda que o Arca das Letras é um pontapé inicial para desenvolver o hábito da leitura no meio rural. Ela lembra também, que em algumas localidades, a Arca ficou pequena em relação ao acervo montado pela comunidade. Conclui dizendo que “a leitura é um presente que abre as portas para um mundo de possibilidades”. Dentre as instituições já mencionadas o Programa Arca das Letras ainda

conta com apoio do Instituto Agropolos do Ceará, Banco do Nordeste, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Secretaria de Estado de Cidadania e Justiça, na fabricação de arcas com presos do IPPOO II, com a Delegacia do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Ceará, e de alguns municípios que fabricam as arcas no sentido de ampliar as comunidades com bibliotecas.

O Ceará é o Estado com o maior número de bibliotecas rurais implantadas no Brasil. São 700 Arcas, espalhadas em 87 municípios, levando mais de 192 mil livros para comunidades rurais. O Programa Arca das Letras atende mais de 92 mil famílias do campo e conta com 1.432 agentes de leitura, voluntários, moradores das comunidades rurais, que dedicam parte do seu tempo livre para o trabalho de incentivo à leitura e de empréstimo dos livros

Dona Maria José Coelho de Sousa, mora lá em Curral Grande, nas proximidades do município de São Gonçalo do Amarante. Trabalha na cantina de uma escola que recebeu uma Arca recheada de livros com histórias incríveis. De pouca fala, dona Mazé só não larga o sorriso de alegria “em ver a vida melhorando”. “Livro só é bom porque dá ocupação. Duvido menino querer tá na rua, sendo besta, tendo uma formosura dessa na Escola. Eu também vou querer conhecer esse negócio melhor”.

Você sabia... Em dezembro de 2008, três Bibliotecas Rurais Arca das Letras do Ceará foram selecionadas pelo Premio Machado de Assis - Pontos de Leitura, do Ministério da Cultura, recebendo, cada biblioteca: computador, impressora, 500 livros de literatura, enciclopédia, mesa, cadeira, estantes, puffs, tapete e almofadas. As bibliotecas vencedoras são do Assentamento Escalvado, de Itapipoca; da Comunidade Indígena Viração e da Comunidade Quilombola Torres, ambas de Tamboril. Mais informações : Sandra Bandeira, no Instituto Agropolos 85. 3101.1670

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Captacão In Situ

Captar e armazenar água por meio de sulcos controla erosão, conserva solo, diminui custos e favorece recarga dos lençóis de água.

Captação in Situ – Uma técnica para guardar a água do Sertão Um ditado popular, bem questionável sinaliza para o uso de uma técnica que vem fazendo toda a diferença nas atitudes dos agricultores do semiarido cearense com relação à irregularidades das chuvas: “se você não pode vencer o inimigo, junte-se a ele”. Isso porque se não é possível combater a falta de água em algumas regiões do nosso estado, precisamos desenvolver formas de conviver com essa adversidade do nosso clima. A maneira encontrada então foi a captação In Situ uma técnica na qual sulcos e valetas são construídos nas áreas de plantio para juntar a água da chuva. 50

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“No primeiro ano, é necessário que o agricultor seja orientado por um técnico, para que os sulcos sejam feitos de forma planejada. A operação inclui implementos de trações motora e animal. O método tem duração de até 5 anos, com manejo após cada cultivo.” Essa tecnologia que começou a ser desenvolvida pela Secretária de Desenvolvimento Agrário (SDA), através da Ematerce, faz parte do Projeto de Práticas Agrícolas e Convivência com o Semiarido. Voltada para a agricultura familiar ela que tem como premissa básica o desenvolvimento de ações práticas/ tecnológicas associadas ao manejo e à preservação dos recursos naturais, solo e água. A captação In Situ consiste em um sistema de preparo do solo com a construção de sulcos em curva de nível para captar e armazenar água em determinadas áreas. Isso retém e conserva a umidade da terra por mais tempo, o que favorece o crescimento das plantas em períodos de estiagem. “Esta prática de conservação do solo está dentro dos processos de transição agroecologicos” explica Josualdo Justino Alves, engenheiro-agrônomo da Ematerce, mestre em Irrigação e Drenagem. Mesmo em períodos em que o volume de chuvas surpreende pela quantidade, a técnica ainda assim, apresenta vantagens. Na quadra chuvosa de 2009, em que várias regiões do Ceará sofreram com inundações, a captação In Situ funcionou como uma forma de preservação do solo. O engenheiro-agrônomo explica que “como os sulcos são em níveis, você retém sedimentos que vêm das lavouras, de terras cultiváveis, ao invés desses sedimentos se perderem em rios”.

O resultado dessa prática tem sido animador para os agricultores e técnicos envolvidos no processo. Para se ter uma idéia da produtividade com a utilização da captação In Situ, um experimento realizado pela equipe da Ematerce, no município de Tauá, conseguiu que o mesmo milho plantado em áreas contíguas com a técnica convencional e a captação In Situ tivessem resultados bem diferentes. Enquanto os agricultores que usaram a primeira técnica obtiveram uma produtividade baixa, de 270kg/ha, em virtude da estiagem a captação In Situ apresentou uma produtividade média de 2.580kg/ ha. O experimento ganhou reconhecimento nacional. “O aumento da produção em relação a outras técnicas ou ao plantio convencional, normalmente, chega a 30%” destaca Justino. Números que tendem a aumentar com o incentivo do Governo do Estado. A entrega de 100 tratores a associações de pequenos agricultores do interior do Ceará é uma forma de dar suporte ao desenvolvimento dessas práticas. “Essas máquinas são importantes implementos para melhorar diretamente a produtividade desses agricultores” diz Josualdo. Com os bons resultados colhidos até agora e com o aporte do governo do Estado, a perspectiva para o agricultor do semiarido é que, mesmo em períodos de estiagem, a colheita de uma boa safra está garantida. Nossa Terra - Ceará

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Pacto das Águas

Pacto das Águas Um acordo democrático

O Pacto das Águas é resultado da união do parlamento e da sociedade cearense em torno da construção de uma política de águas para o Ceará. Um instrumento democrático para discutir a questão dos recursos hídricos no Estado: assim pode ser definido o Pacto das Águas. Articulado pelo Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembleia Legislativa, essa ação inédita no Brasil trouxe a sociedade civil organizada para debater e pensar soluções para o enfrentamento dos problemas referentes aos recursos hídricos do Ceará. O trabalho do Pacto das Águas chegou ao seu ponto máximo com a entrega para a população do Plano Estratégico de Recursos Hídricos do Estado e mais 11 cadernos regionais das bacias hidrográficas, em dezembro de 2009, na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. A cerimônia de lançamento do Plano contou com a participação do governador do Estado Cid Gomes, do presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará deputado Domingos Filho, dentre outras autoridades. Segundo Eudoro Santana, secretário-executivo do Conselho de Altos Estudos, a 52

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proposta do Pacto é vitoriosa, por conseguir elaborar um documento com informações detalhadas sobre as bacias hidrográficas do Estado, por também, reunir no mesmo documento sugestões apresentadas pelos municípios sobre suas problemáticas. “O documento entregue pelo Pacto das Águas traz informações científicas sobre a capacidade de cada bacia, seu potencial e suas demandas. Essas informações são fundamentais para que a sociedade entenda o que são as bacias hidrográficas. Hoje, no mundo inteiro, as bacias hidrográficas são vistas como territórios propícios para que a partir de estudos como esse seja possível fazer planejamentos estratégicos para diversas outras áreas”, destaca Eudoro Santana. Até chegar a sua conclusão, o Pacto das Águas passou por várias etapas, que envolveram a realização de 157 encontros municipais, 33 seminários e oficinas regionais, em um período de dois anos. Em seu primeiro momento, o trabalho foi descobrir de que forma a sociedade via a questão dos recursos hídricos no Estado, uma descoberta que aconteceu através do diálogo com associações, entidades públicas, organizações não-governamentais e universidades. O segundo passo foi montar um plano estratégico que foi dividido em quatro eixos: “Água para beber, Água e desenvolvimento, Convivência com o Semiárido e Sistema de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado”. Esse trabalho também foi dividido por usuários: quem ofertava água e quem demandava água. Para Eudoro, “essa iniciativa resultou em um grande impacto na vida das pessoas. Em primeiro lugar, porque mais de dez mil pessoas participaram pela primeira vez da formatação de uma política pública importante para o Ceará, em segundo, porque resultou em um conhecimento maior da realidade da água no Estado”. A partir dessas demandas da sociedade, foi possível construir planos estratégicos. E eles são os mais diversificados. “Em relação aos carros-pipa,

uma chaga no Ceará, essa questão foi colocada pelo Governador do Estado como um dos grandes desafios do Pacto das Águas. Os debates resultaram em várias sugestões que devem atingir a meta de acabar com essa forma tão terrível de abastecimento de água”, destaca Eudoro. A situação dos carros-pipa exemplifica bem como funciona o Pacto das Águas. Se a demanda por esse tipo de abastecimento de água tem que ser extinta no Ceará, principalmente porque foi um desejo da sociedade, a ação do Estado foi pactuar junto com a Assembleia Legislativa no sentido de que os programas desenvolvidos fossem voltados para eliminar os carros-pipa. O pacto entregou as demandas da sociedade, e elas foram acatadas entre secretarias e poder público de uma maneira geral. Uma ação em andamento executada pelo Instituto Agropolos e motivada pelo Pacto das Águas é “O caminho das águas na rota do carro-pipa” um projeto que “consiste em fazer um levantamento de 33 municípios que já foram atendidos por carros-pipa nos últimos anos e a partir daí, fazer um diagnóstico nessas comunidades e apontar soluções” explica Mércia Cristina Mangueira Sales, da célula de planejamento e coordenação da Coordenadoria de Programas Especiais, da Secretária do Desenvolvimento Agrário (SDA). O próximo passo do Pacto das Águas, segundo Eudoro Santana, é fazer com que os 34 programas que fazem parte do plano estratégico venham a ser executados. Para isso, o secretário-executivo do conselho de Altos Estudos diz que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Domingos Filho, vai constituir uma comissão especial para acompanhar e avaliar permanentemente o trabalho de execução do Plano Estratégico. “Tornar concretas as propostas desse plano é a resposta que devemos dar para as milhares de pessoas que participaram de todo o processo de construção desse Pacto”, finaliza Eudoro.

VEJA ALGUNS DESAFIOS ESTABELECIDOS PELO PACTO DAS ÁGUAS A SEREM ENFRENTADOS PELOS GOVERNOS PARA QUE MUDANÇAS SEJAM EFETIVAMENTE IMPLEMENTADAS: - Elaborar políticas públicas capazes de induzir o modelo de desenvolvimento que considere as vocações do Estado, sua estrutura social, cultural e ambiental com justiça e equidade na gestão das Águas; - Estabelecer e implementar uma política estadual de convivência com o semiárido continuada, construída de forma descentralizada e participativa; - Desenvolver na população a consciência e a capacidade de convivência com o semiárido, a partir de programas de comunicação permanente e educação ambiental; - Estruturar política de saneamento sustentável que contemple os portes de sistemas e as necessidades da população, em grandes aglomerados ou pequenas localidades rurais, com controle social, regulação, fiscalização e monitoramento público, buscando a universalização do acesso; - Garantir o aumento da oferta hídrica nos seus diferentes aspectos: complementar a infraestrutura de acumulação, interligar bacias, estimular o reuso, a dessalinização da água do mar e melhorar a eficiência na demanda.

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Projeto Mandala

O ciclo da vida Viçosa do Ceará - CE

Através da Mandala, os pais, Antonio José e Elizabete, ensinam à filha, Yasmim, a valorizar a terra cultivando alimentos limpos.

“Em 2003, ouvimos falar em Mandala e ficamos apaixonados, era a resposta de nossos anseios. Hoje, nessa pequena área, conseguimos viabilizar produção de hortaliças, fruteiras e criação de pequenos animais. E uma das questões mais bacanas da Mandala é o movimento da família”. 54

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Quando Antonio José de Sousa, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Viçosa do Ceará, na Serra da Ibiapaba, diz isso, ele reflete novos modelos de núcleos familiares, de jovens agricultores, em formação pelo sertão do Ceará. Tudo com incentivo e orientação do Governo do Estado. A tecnologia de irrigação da Mandala foi desenvolvida inicialmente no Estado da Paraíba, e, hoje, seu sistema de irrigação circular vem facilitando, de forma sustentável, a produção de diversas culturas, de modo integrado, por muitos lugares. Na casa avarandada, cujo jardim é a própria Mandala, a única filha, Yasmim, deixa as bonecas e vai colher, a pedido da mãe, Elizabete, alfaces para o almoço preparado com quase tudo cultivado no lugar. E ela volta serelepe, comendo morangos e tomates tirados do pé, inteiramente limpos de agrotóxicos. A Mandala de Antonio, Elizabete e Yasmim, em andamento no Sítio Juá dos Vieiras, é um dos 63 manejos desse tipo, implementados em 106 municípios do Estado, pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), através da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce). De acordo com o supervisor do Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento das Cadeias Produtivas da SDA, e coordenador estadual do Projeto Mandala, José Ximenes de Farias Júnior, a prática tem proporcionado transformações significativas na base da agricultura familiar. “Esse projeto vem mudando a realidade local, gerando renda no campo, melhorando a qualidade de vida no Sertão”, disse o engenheiro agrônomo.


Alface, couve, tomate, cenoura, maxixe, coentro, batata, pimentão, milho, macaxeira, galinhas, codornas, cabras, tilápias, patos, marrecos. Tem paisagem nova nos terreiros do Sertão.

Tempo de fartura no Sertão Dona Odete, dona Tereza, seu Francisco das Chagas, todos de Siqueira, juntamente com seu Justino Xavier, se esmeram nos cuidados com a Mandala implantada nas terras que, até bem pouco tempo, era usada apenas para o manejo de agricultura de sequeiro (milho e feijão). Hoje, o sistema de canteiros concêntricos, formados ao redor de uma fonte de água, vem comprovando que é possível cultivar, ter fartura e renda durante todo o ano. O Agente de Assistência Técnica e Extensão Rural, da Ematerce de Viçosa, Ilmar Oliveira da Silva, destaca que a Mandala é um instrumento importante na facilitação da convivência do pequeno produtor com o semiárido. “Hoje muita gente não quer mais consumir agrotóxicos. Eles realizam uma feira uma vez por mês, e as vendas são certas”. Para o técnico em Agropecuária do Instituto Agropólos, Antonio Romão Fontenele Filho, tão importante quanto comercializar, é consumir alimentos sadios. “Essa é uma região de carrasco, serrado, os agricultores não tiveram costume de cultivar hortaliças. Mas as novas gerações estão chegando, ensinando e aprendendo. A inovação está sendo aceita e a sede deles agora é por capacitação”. Nossa Terra - Ceará

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Projeto Mandala

A marcha da evolução Tururu - CE

Graça Patrício, do Assentamento Novo Horizonte, e outros moradores, cuidam da Mandala repleta de hortaliças, verduras e da farmácia viva que cresce ao redor.

Pouco mais de um ano depois de implantada a Mandala do Assentamento Novo Horizonte, em Tururu, a 200 quilômetros da Capital, moradores já colhem frutos do trabalho. É berinjela, maxixe, milho verde, macaxeira, pimentão, tomate, cebolinha, abóbora, pimenta doce, cenoura, beterraba, couve, coentro, agrião, hortelã, banana, maracujá, e outras preciosidades, vendidas quase diariamente na feira. A secretária de Políticas Agrícolas e Reforma Agrária, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Graça Patrício, conta que, há pouco mais de um ano, ela e outros assentados decidiram apostar na viabilidade do Projeto Mandala dentro do Assentamento. “No começo eu não queria, já cuido de uma farmácia viva. Mas, hoje, trabalho para organizar a Mandala de maneira que mais famílias se envolvam. Dá trabalho, todo dia tem que olhar, aguar, cuidar. Mas compensa, e muito”, garante Graça. A escolha das plantas, hortaliças e frutíferas cultivadas nas Mandalas, depende da vocação do agricultor e da família. Em comum, o mais forte é a vontade de resgatar a dignidade no campo, através de projetos de soluções simples, eficazes e de baixo custo. 56

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Você Sabia...

A mandala básica repete o desenho do sistema solar. No centro, o sol, ou tanque de água, com o vértice de madeira que sustenta as mangueiras de irrigação e, ao redor dele, as órbitas dos planetas - os canteiros. Os primeiros servem ao plantio de hortaliças, para alimentar as famílias e outros para culturas diversas. O último canteiro é destinado à proteção ambiental: cercas-vivas ou plantas de porte, para controlar infestação de insetos e evitar ventos excessivos.

O tanque circular, bombeado através de tubos plásticos perfurados, tem jorro de água capaz de alcançar cerca de um metro em qualquer direção. O tanque é utilizado na criação de peixes, patos ou marrecos. As fezes, ricas em nitrogênio e potássio, contribuem para fertilizar os canteiros, cujas folhas, frutos ou grãos, servem de adubo para outras plantas ou de alimentos para agricultores familiares.

O conceito do Projeto Mandala é a interação entre elementos, um influenciando outro. O nome vem de “Mandala Cósmica”, representação gráfica do universo. A palavra significa “círculo”, em sânscrito. Símbolo universal, cultuado desde a antiguidade, caracteriza-se por traçados ao redor de um ponto central, obedecendo eixos de simetria. Seu contorno exterior não é necessariamente circular, mas dá ideia de irradiar-se de um centro ou mover-se em direção a ele.

A Agência Mandalla, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), sediada em João Pessoa (PB), é coordenada por Willy Pessoa. Suas ideias hoje estão disseminadas em assentamentos rurais, aldeias indígenas, quilombolas e periferias urbanas de vários Estados do País, como Paraíba, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Mais informações na Ematerce pelo telefone 85. 3217.7872 Nossa Terra - Ceará

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Revista Nossa Terra - N. 02