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!"#$%&'()*+#,"-,"#*.&'$,/0&1"2&33,"#$%&'()*+#,"*,"34,".&'$,/0&1 MARÇO DE 2013

EDIÇÃO # 06 | ANO 02

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EDITORIAL A SEXTA EDIÇÃO DA ÚNICA REVISTA COM CONTEÚDO EXCLUSIVO SOBRE O CACD NO BRASIL! Enquanto   alguns   rezam   para   que   o   Edital   do  CACD   2013   dê   o   ar   de   sua   graça,   escolhemos   alguns   temas   de   estudo   importantes   para   aprofundar   nesta   edição.   Dessa   forma,   os   candidatos   podem   aproveitar   esse   tempo   “bônus”   para   estudar   mais  e,  assim,  fazer  menos  promessas  aos  entes  divinos  (dessas  que  a  gente  sabe  de   antemão  que  não  vai  cumprir...). Quem  ilustra   a   nossa   capa   é   o   Embaixador   da   Bélgica   e   de   Luxemburgo,   André   Amado.  Ele,  que  também  foi  diretor  do  Instituto  Rio  Branco  (1995-­‐2001)  e  subsecre-­‐ tário   geral   de   Energia   e   Alta  Tecnologia   do   Ministério   das   Relações   Exteriores   (2008-­‐2011),  fala  da  formação  do  diplomata  e  da  preparação  para  a  carreira,  além  de   temas  relevantes,  como  as  relações  bilaterais  Brasil-­‐Japão  e  Brasil-­‐Peru  (países  onde   também   atuou   como   embaixador)   e   da   política   de   promoção   dos   biocombustíveis.   Amado  lança,  neste  mês  de  março,  o  livro  “Por  dentro  do  Itamaraty,  Impressões  de   um  diplomata”,  editado  pela  FUNAG.

Direção  Geral Priscila  Canto  Dantas  do  Amaral

Com   o   intuito   de   auxiliar   o   candidato   com   informações   para   a   primeira   fase   e   argumentos  para  a  terceira,  o   Sapientia  traz  artigo  da  doutoranda  do  Instituto  de   Relações  Internacionais  da  USP  Patrícia  Tambourgi  sobre  a  Cooperação   Sul-­‐Sul  no   governo  Lula  (2003-­‐2010).  Na  seção  “Opinião   Crítica  de   Convidado”,  as  geógrafas   Regina   Araújo   e   Paula   Watson   discutem   o   papel   da   sociedade   brasileira   na   construção  do  agronegócio  brasileiro.

Colaboradora Juliana  Piesco

Coordenadora  e  Editora-­‐Chefe Ana  Paula  S.  Lima Revisão Claudia  R.  D.  Simionato

Edição  de  Arte BlueCherry  Comunicação  e  Marketing

A  Professora  Sapiente  Letícia  Nunes  de  Moraes  comenta  uma  questão  de  baixo   desempenho   da   prova   de   História   do   Brasil   de   2012,   sobre   a   política   externa   brasileira  em  relação  à  Argentina  durante  o  governo  Castelo  Branco. A  edição  de  março  também  traz  entrevistas  com  o  terceiro-­‐secretário  Gerson  Cruz   Gimenes,   em   “Vida   de   Diplomata”,   e   com   a   psicóloga   do   Médico  Sem   Fronteiras   Débora  Noal  ,  no  “Sapientia  Inspira”.  Na  seção  “Vida  de  Concurseiro”,  Gabriela  M.   escreve  sobre  alguns  fatores  que  envolvem  a  preparação  para  o  CACD. ‘”Ƥǡ ‘†‡‹š‡†‡–‘ƒ”—̺ƒˆ±…‘ƒŽƒ—†‹ƒ̺‡̺…ƒˆ±ƒ˜‡…ƒ’‹‡–‹ƒ̺Ǥ Boa  leitura  e  bons  estudos! Equipe  Revista  Sapientia ƒ’‹‡–‹ƒ‡†‹Ƥ…ƒ–

ADVERTÊNCIA A   Revista  Sapientia   é   uma   publicação   do  Curso  Sapientia,   preparatório   para   o   Concurso  de  Admissão  à  Carreira  de  Diplomata.  Seu  conteúdo  tem  cunho  estrita-­‐ ‡–‡ ƒ…ƒ†²‹…‘ ‡  ‘ ‰—ƒ”†ƒ ‡Š—ƒ ”‡Žƒ­ ‘ ‘Ƥ…‹ƒŽ …‘ ‘ ‹‹•–±”‹‘ †ƒ• Relações   Exteriores   ou   quaisquer   outros   órgãos   do   governo.   Tampouco   as   opiniões   dos   entrevistados   e   autores   dos   artigos   publicados   expressam   ou   espelham  as  opiniões  da  instituiçãoSapientia.  Esta  revista  é  imparcial  política  e   ideologicamente   e   procurará   sempre   democratizar   as   discussões,   ouvindo   diferentes  opiniões  sobre  um  mesmo  tema.  Nosso  maior  objetivo  é  fomentar  o   debate,  salutar  à  democracia  e  à  construção  do  conhecimento  e  da  sabedoria  dos   candidatos  à  carreira  de  diplomata. A  marca  Sapientia  é  patenteada.  É  permitida  a  reprodução  das  matérias  e  dos   artigos,   desde   que   previamente   autorizada   por   escrito   pela   Direção   da   Revista   Sapientia,com  crédito  da  fonte.

Agradecimentos Embaixador  André  Amado, Cesar  Nascimento, Gerson  Cruz  Gimenes, Regina  Araújo, Paula  Watson, Patrícia  Tambourgi, Letícia  Nunes  de  Moraes, Débora  Noal, Rodrigo  da  Silva  Rocha, Gabriela  M. Médico  Sem  Fronteiras, Luciana  Gigghi, Ticiana  S.  Fontes  Gomes, Aline  Eller, Beth  Vansan, Felipe  Mattei, Thainá  Vansan.

Rua  Alexandre  Dumas,  1711 São  Paulo  –  SP CEP  04717-­‐003  –  Santo  Amaro   São  Paulo/SP-­‐  Brasil Tel.:  +55  11  2599-­‐8333 revistasapientia@cursosapientia.com.br

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SUMARIO

CAPA MARÇO 2013

24

VIDA DE CONCURSEIRO

26

INICIATIVA SAPIENTIA

29

CAFÉ COM A CLAUDIA DICAS DE PORTUGUÊS

CRESCIMENTO INTELECTUAL E PESSOAL NA PREPARAÇÃO PARA O CACD

06

ENTREVISTA DE CAPA EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO

31

UN CAFÉ AVEC SAPIENTIA DICAS DE FRANCÊS

14

PROFESSOR SAPIENTIA COMENTA

34

SAPIENTIA INSPIRA

16

OPINIÃO CRÍTICA DE CONVIDADO

39

SAPIENTIA INDICA AGENDA DE EVENTOS

19

ESPAÇO ABERTO: ARTIGO ENVIADO

41

CHARGE

22

VIDA DE DIPLOMATA

BRASIL-­ARGENTINA, 1964-­1967

DE ONDE VEM A FORÇA DO AGRONEGÓCIO?

COOPERAÇÃO SUL-­SUL: BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE CONCEITO E MODALIDADES NA ERA LULA

COM GERSON CRUZ GIMENES

COM DÉBORA NOAL, PSICÓLOGA DO MÉDICO SEM FRONTEIRAS


ENTREVISTA

EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO POR ANA PAULA S. LIMA

Temos de ter uma formação generalista, porque a maior contribuição do diplomata é desenvolver uma visão de conjunto dos problemas, mas, ao mesmo tempo, temos de ter gente mais comprometida com alguns temas específicos. Para isso, precisamos de mais diplomatas, digamos 5 mil. Hoje somos 1500. Foto: Cesar Nascimento / Divulgação

Nascido no Rio de Janeiro e egresso da Sociologia da Pontifícia Universidade Católica, o Embaixador André Mattoso Maia Amado foi diretor do Instituto Rio Branco (1995-2001) e subsecretário-geral de Energia e Alta Tecnologia do MRE (2008-2011). Chefiou as embaixadas em Lima (2001-2005) e Tóquio (2005- 2008). Ocupa, no momento, a embaixada em Bruxelas, cumulativa com Luxemburgo (desde 2011). Escreveu quatro romances: Desde os Tempos da Esquina (Record, 1989), A Casa de Dona Iolanda (Maltese, 1992), Exílio Nacional (Topbooks, 2001) e Clube dos Injustiçados (a ser publicado este ano pela Record). Exílio Nacional recebeu o Prêmio de Nacional de Literatura Luiza Claudio de Souza, em 2002, dado pelo Pen Clube do Brasil, na modalidade de ficção. O Embaixador lança neste mês de março o ensaio Por Dentro do Itamaraty, Impressões de um Diplomata (FUNAG, 2013). CURSO SAPIENTIA:

O senhor vem de uma família muito tradicional. É sobrinho do político da República Velha e diplomata Gilberto Amado e primo de segundo grau de Jorge Amado. O senhor teve um con06

para o IRBr quando morreu. Mas com Jorge, tive mais contato, ele EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO: sempre com Zelia (Gattai) do lado, Com o meu tio tive menos convívio. um duplo privilégio. Ele viajava muito como membro da CURSO SAPIENTIA: Corte de Haia. Lembro-me mais dele no cais do porto, desembar- Foi influenciado, de alguma forma, por eles? cando no Rio. Acabava de entrar vívio próximo dessas figuras?


EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Decerto, a figura do Gilberto deverá ter pesado na minha decisão. Até hoje a ONU homenageia o grande jurista que foi com um Gilberto Amado Memorial Day. Mas a influência mais direta terá sido de meu irmão mais velho, Luiz Amado, o primeiro diplomata da nova geração. Em termos de literatura, viajava nos livros de Jorge Amado cheio de ideias na cabeça, torcendo para que, um dia, eu pudesse escrever também. CURSO SAPIENTIA:

O senhor esteve à frente do IRBr durante o governo FHC. É sabido que a ampliação do quadro diplomático com as turmas de cem, durante o governo Lula, democratizou o Itamaraty. Isso significa que o perfil do diplomata hoje mudou? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Tenho alguma resistência ao uso amplo do termo “democratizar”, sobretudo para o Itamaraty. É uma profissão hierarquizada, à qual só podem ter acesso pessoas que tenham concluído um curso universitário e, ainda assim, depois de muito estudo de matérias como Português, História, Geografia, Direito e Economia, para não mencionar idiomas, em particular o Inglês. Qualquer um pode inscreverse no concurso de admissão. Será, no entanto, que, num país onde poucos chegam à universidade e um número menor de pessoas fala inglês,

ser ou não aprovado no IRBr é sinônimo de democracia? CURSO SAPIENTIA:

Será que não poderíamos ver a questão da democratização do Itamaraty em termos de maior acesso de pessoas da classe média à carreira? O senhor, por exemplo, vem de uma família bastante tradicional, o que é uma minoria no Brasil.

política externa brasileira tornou-se mais popular no governo do Presidente Lula, porque o Presidente FHC CURSOiniciado SAPIENTIA: tinha imensa projeção do Brasil no exterior. O Presidente Lula teve o mérito de reforçar e, com seu carisma pessoal, ampliar isso, o que, de novo, não é sinônimo de começo da democratização do Itamaraty.

EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Venho, sem dúvida, de uma família das altas tradições do Itamaraty, só que nem por isso meus pais deixavam de ser da classe média, professores como eram ambos. Meus colegas de concurso tinham todos em sua grandíssima maioria a mesma origem. A ampliação do número de aprovados não me parece ter alterado, portanto, a percentagem de estudantes de classe média aprovados no IRBr. Apenas deu mais visibilidade, por ser um universo maior. CURSO SAPIENTIA:

Esse ponto foi levantado porque sobrenomes tradicionais acabam tendo bastante destaque na história da política externa brasileira. Além disso, normalmente se atribui à gestão Lula grande contribuição nesse movimento de democratização do Itamaraty. EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Você insiste, e deverá ter suas razões, em distinguir um “depois do governo Lula”. A

O diplomata redige ou fala o tempo todo. Em ambos os exercícios, ele é refém da precisão e da correção (...). Até hoje, algumas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (...) não são cumpridas ante a alegação de imprecisões em parágrafos operativos, às vezes por conta do uso de mero artigo definido ou indefinido.

Amado, André. Por dentro do Itamaraty, Impressões de um Diplomata

CURSO SAPIENTIA:

Em seu ensaio sobre a formação do diplomata, o senhor fala das mudanças no mundo contemporâneo. 07


Diante desse panorama, o perfil do diplomata também muda? De que forma? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Muda e muda para valer. O problema é tentar definir um único perfil para o diplomata. Ele pode ser mais executivo, isto é, destacar-se em organizar eventos, tomar providências e antecipar-se, na prática, às decisões logísticas, etc. Pode também ser mais reflexivo, voltado mais para a análise das tendências que impulsionam o concerto de nações. Pode, ainda, ser um grande interlocutor social, alguém que, numa recepção oficial, saberá por talento próprio distinguir que autoridades valerá mais a pena cultivar. Qual desses diplomatas, se é que esgotei todos os estilos, é o melhor funcionário? Será que alguém conseguirá reunir todas essas virtudes? O ideal haverá de ser, como se diz em linguagem futebolística, um diplomata que saiba jogar nas onze posições, mas isso é difícil. Além do mais, o diplomata do começo do século XX não tinha nada a ver com o do pós-guerra; menos ainda com o da Guerra Fria, ante o congelamento das relações internacionais em torno dos interesses das duas superpotências; e a globalização e a multiplicidade de temas na agenda de DORATIOTO: trabalho não terão exigido uma maneira diferente de os diplomatas atuarem? CURSO SAPIENTIA:

“Diante dos cenários incrivelmente mutantes da relações internacionais, o diplomata (...) tem de ser treinado sem cessar. É como ele vai poder adaptar-se ao mundo à sua frente. Tanto mais porque, dentro do Itamaraty, a diversidade de funções é infindável”.

EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Tanto mais porque, dentro do Itamaraty, a diversidade de funções é infindável. Do cerimonial a uma divisão política, passando pela área jurídica e consular, sem excluir as negociações multilaterais, que hoje se estendem de atum atlântico ao espaço sideral, de regras de comércio a energia nuclear, de desarmamento a meio ambiente, etc., como poderá o diplomata sobreviver com competência se não for treinado? O treinamento começa por si mesmo. O diplomata terá de estudar os assuntos que, com frequência perturbadora, se modificam sobre sua mesa de trabalho. Isto é, terá de estudar a vida toda. E, nos intervalos, ser treinado pela instituição, sobretudo em idiomas e “skills”, como técnicas de negociação, administração financeira, recursos humanos, assistência a brasileiros no exterior, etc. CURSO SAPIENTIA:

É sabido que um diplomata deve É por esse motivo que o senhor ter uma formação generalista. Ao defende, em seu livro, o treina- mesmo tempo, notamos uma mento do diplomata? demanda cada vez maior por um 08

quadro de funcionários cada vez mais especializado. A Presidente Dilma, inclusive, chegou a falar disso na formatura da Turma de 2010-2012 do IRBr. Essa necessidade já vem ou virá a ser refletida no concurso? De que forma? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Estamos chegando a um ponto em que o diplomata acaba sendo um generalista especializado. Não dá. Temos de ter uma formação generalista, sim, porque a maior contribuição do diplomata é desenvolver uma visão de conjunto dos problemas, mas, ao mesmo tempo, temos de ter gente mais comprometida com alguns temas específicos. Para isso, precisamos de mais diplomatas, digamos 5 mil. Hoje somos 1500. Não podemos nos dar o luxo de treinar funcionários fora de suas mesas de trabalho. O treinamento hoje é “on the job”, cuja melhor tradução seria “no peito”. O Roberto Azevedo, reconhecido perito em questões da OMC, a ponto de estar competindo para dirigir a Organização, é engenheiro de formação. A carreira exige de alguns a especialização. Clodoaldo Hugueney, outro grande especialista em OMC, teve formação em Economia, mas acho que foi a exceção. A grande maioria dos diplomatas que pilotaram as negociações econômicas internacionais do Brasil no exterior procedeu da área de Direito. Da mesma forma como os que se distinguiram em temas


como direito do mar ou direitos humanos não necessariamente tiveram formação jurídica. A especialização dentro da carreira tem sido, até o momento, o resultado das experiências profissionais que se vão acumulando. No fundo, o diplomata é um pouco refém de suas trajetória na carreira. Isso tem de mudar, sem, no entanto, comprometer a função precípua do diplomata, ter a visão de conjunto. CURSO SAPIENTIA:

Podemos então dizer que o concurso procura um perfil mais generalista, mas que é a experiência no Itamaraty que vai moldar e especializar o diplomata?

Além de rigoroso, o concurso é de impecável lisura. As provas são desidentificadas. O número de cada uma só é revelado no

CURSO SAPIENTIA:

momento de cotejar prova por

Todos os anos entram no Itamaraty jovens com e sem experiência no mercado de trabalho. Quais seriam as vantagens e desvantagens desses dois perfis? Ter alguma experiência profissional anterior ao Itamaraty é visto com alguma importância ou é preferível que ele seja “tábula rasa”, tendo dedicado sua vida apenas aos estudos?

prova com as notas atribuídas pelos examinadores diante de atenta plateia. Não se conseguiria, mesmo se houvesse alguma instrução explícita — e, como funcionário do Itamaraty há mais de 40 anos, jamais soube de caso que pudesse justificar insinuações nessa linha —, influir no resultado do exame.

EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Como disse, no começo, no concurso, no curso inicial do IRBr, o perfil a ser desenvolvido no diplomata é o do generalista. Pouco a pouco, ele vai, de maneira natural, buscando repetir as experiências que mais o gratificaram, em cujo trato ele se revelou mais capaz. Do ponto de vista da instituição, a grande ênfase tem de ser a de que o diplomata, generalista ou perito, se torne acima de tudo um especialista da defesa e projeção dos interesses nacionais. CURSO SAPIENTIA:

Como o candidato deve se preparar para a carreira diplomática diante da crescente demanda por especialização?

ele quer defender o país acima dos interesses empresariais e corporativos, também de todo legítimos. Se a resposta for afirmativa, ele será muito bem-vindo na carreira.

Amado, André. Por dentro do Itamaraty, Impressões de um diplomata

EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Eu acho que a primeira pergunta que o futuro diplomata deve se fazer é se ele está disposto a trabalhar pelo Brasil. Trabalhar pelo país é abrir mão de uma série de coisas, é trabalhar por metas que dizem respeito a 195 milhões de pessoas e não a uma determinada empresa, partido ou centro de pesquisa. Eu costumo dizer que o candidato, ao se transformar em diplomata, deixa de ser pessoa física e passa a ser pessoa jurídica, por estar representando o país. A pergunta fundamental é se

EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Quem traz uma experiência de trabalho traz um amadurecimento adicional, portanto deverá, em princípio, ser logo nos primeiros momentos um funcionário promissor. Mas eu conheço várias pessoas que chegaram “cruas” e se revelaram funcionários extraordinários. Tudo depende das pessoas, mais do que de regras rígidas. CURSO SAPIENTIA:

O senhor foi embaixador no Peru na época dos escândalos que levaram à renúncia do Presidente Alberto Fujimori (1990-2000) e à eleição de Alejandro Toledo (2001-2006). Ambos os governos eram próEUA. Na gestão Toledo, inclusive, foi assinado um Tratado de Livre Comércio com os norte-americanos. No mesmo período, no entanto, surgem iniciativas para a integração na 09


América do Sul envolvendo o Peru, como a IIRSA, de 2000, e criação da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em 2002. Como eram as relações entre Brasil e Peru naquele momento? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Sua pergunta é muito interessante porque provoca uma reflexão de grande relevância para as relações internacionais. Não existem opções exclusivas. Quando eu cheguei ao Peru, já estavam muito maduras as negociações dos países andinos com os EUA para um acordo de livre-comércio. Era um fato inconteste, mas de forma alguma queria dizer excluir a possibilidade de acordos com outros países. Um chanceler brasileiro costumava brincar com a imagem de que, nas relações internacionais, poligamia não é pecado. Tanto assim que o Mercosul logrou finalizar com o Peru um importante acordo de comércio na mesma época, e o Brasil concluiu entendimentos para, entre muitas outras operações, participar da construção de uma obra de infraestrutura colossal, a Transpacífico, estrada que une o Acre ao porto de Ilo, no Pacífico. CURSO SAPIENTIA:

O senhor era o embaixador no Japão em 2008, ano do centenário da imigração japonesa no Brasil. Que aspectos definem essa relação bilateral? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

A relação bilateral é marcada por uma grande troca. Em 1908, começou a imigração japonesa 10

para o Brasil, cuja contribuição para a formação de nossa sociedade e para o desenvolvimento de nossa economia, em especial da agricultura, foi inestimável. A partir de 1988, foi a vez de os brasileiros buscarem melhores oportunidades no Japão. O fato é que, em 2008, quando se celebrou o centenário da imigração japonesa, havia 1,7 milhão de descendentes de japoneses no Brasil e 231 mil brasileiros residentes no Japão. Muito tínhamos a festejar, e a programação de eventos pôde contar, no Japão, com o apoio da família imperial e, no Brasil, com o entusiasmo de todos nós, filhos como somos de muitas nacionalidades. Tudo isso deu face humana à já dinâmica parceria econômicocomercial entre o Brasil e o Japão.

no Cerrado brasileiro, transformando essa região no grande celeiro agrícola do país. Além da agricultura, a siderurgia e a construção naval muito devem a investimentos japoneses. É fundamental que continuemos contando com a parceria do Japão para aumentarmos a competitividade dos brasileiros. CURSO SAPIENTIA:

O Brasil encontra no Japão um parceiro importante em acordos de transferência de tecnologia? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Sim. A escolha do Brasil pelo sistema nipo-brasileiro de televisão foi uma decisão DORATIOTO: muito bem pensada à época porque um dos condicionantes dessa escolha era a transferência de tecnologia na área de semicondutores, entre outras. Acertou-se com o Japão um horizonte muito profícuo CURSO SAPIENTIA: nessa área. Citando esse Quais são os desafios dessa acordo como exemplo, vejo relação? que o Brasil tem evoluído muito nas suas relações interEMBAIXADOR ANDRÉ AMADO: nacionais por não mais querer Desafios há sempre. O maior “caixas pretas” em termos de deles é acrescentarmos valor tecnologia estrangeira. agregado às nossas exporCURSO SAPIENTIA: tações. Não há problema algum em exportar commodi- A crise financeira de 2008 afetou ties, mas não é suficiente. Com as relações bilaterais Brasil-Japão? mercados exigentes como o japonês, nós precisamos de EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO: produtos sofisticados para A crise de 2008 afetou todo aumentar nossa entrada no mundo, mas afetou menos o país. Para isso, precisamos de Brasil porque, diferentemente pelo menos duas coisas: investir de outras nações, nosso país DORATIOTO: em inovação e tinha optado por investir no fortemente buscar cooperação científica e seu mercado interno, seja por tecnológica com outros países. meio do crescimento da Em relação ao Japão, essa coope- produção, seja por meio do ração já ocorreu, por exemplo, aumento do mercado consu-


Foto: Cesar Nascimento / Divulgação

midor. Os programas sociais levados a cabo a partir de 2003 resultaram na inclusão de 40 milhões de pessoas. Isso nos deu um colchão muito grande para suportar a redução das exportações brasileiras. A partir de 2010 e 2011, no entanto, evidenciou-se uma perda de competitividade da exportação brasileira, o que nos está levando hoje aos investimentos extraordinários que se projetam na área de infraestrutura. São investimentos de mais longo prazo que, quando se concluírem, colocarão o Brasil em posição

muito destacada no cenário biocombustíveis. Não se pode internacional. supor, assim, que a Europa seja uma futura produtora de CURSO SAPIENTIA: relevo nessa área. O que é O senhor foi também subsecre- importante é obter o entenditário-geral de Energia e Alta mento dos europeus de que a Tecnologia do MRE (2008- produção de biocombustíveis 2011). Que trabalhos vêm sendo contribui enormemente para a desenvolvidos em relação ao redução da emissão de gases etanol e aos biocombustíveis na de efeito estufa na atmosfera. Temos caminhado muito bem Europa? nesse sentido, sobretudo o EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO: meu colega aqui em Bruxelas, Ao contrário do Brasil, a Europa que trabalha junto às comuninão tem grande disponibili- dades europeias. dade de terras para a produção CURSO SAPIENTIA: de cana-de-açúcar ou de outros produtos agrícolas que A importação seria, então, uma podem ser transformados em opção para a UE? 11


EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

É uma opção. A Suécia, a França e vários outros países já importam etanol do Brasil. Trabalhamos agora pela redução da tarifa sobre o etanol brasileiro. A Alemanha pensa de maneira muito positiva nesse sentido. CURSO SAPIENTIA:

Há ainda resistência na UE por conta do argumento de que o etanol prejudica a produção de alimentos e o meio ambiente? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Há uma grande discussão sobre um conflito entre a produção de gêneros agrícolas para etanol e a segurança alimentar, o que vejo como um desvario. Sabemos no Brasil que a produção de cana-de-açúcar contribui até para a produção alimentar do país. Existem lugares no estado de São Paulo, como Sertãozinho e Jabotical, que produzem cana durante oito meses ao ano e, nos quatro restantes, soja, feijão e amendoim. Portanto, o mesmo terreno da cana-deaçúcar produz também alimentos. A produção de cana-deaçúcar de maneira alguma desloca a produção de alimentos, tanto é verdade que a área reservada à cana-de-açúcar no Brasil não passa de 1% da área agricultável, e eu não conheço caso em que o 1% possa comprometer os outros 99%. Acho que essa alegação faz parte de alguma campanha de pessoas que preferem outro tipo de fonte de energia. Mas o Brasil fez muito bem em investir em biocom12

bustíveis, sobretudo em etanol. CURSO SAPIENTIA:

Durante os anos em que o senhor esteve à frente da subsecretaria de Energia e Alta Tecnologia, que avanços foram alcançados na área de etanol e biocombustíveis? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Adiantamos entendimentos importantes com países centroamericanos e africanos. Acreditamos que o etanol poderá reduzir a dependência dos países da importação de petróleo. Algumas nações africanas sangram grande parte de seus orçamentos com a importação de petróleo. O etanol é uma alternativa econômica evidente. E, no plano social, não esquecer a importante contribuição à elevação do nível de vida dos trabalhadores. No Brasil, são os mais bem pagos do campo e se dão ao luxo, na proporção de 50%, de oferecer 9 anos de ensino básico a seus filhos, quando a média nacional é de pouco mais de 7. Nós queremos passar essa nossa experiência a outros países. CURSO SAPIENTIA:

De que forma isso é feito? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Nem todo país pode produzir bens agrícolas. E os que podem têm de respeitar alguns limites. Por isso, o projeto de cooperação do Brasil com países situados nos trópicos começa com um estudo de viabilidade. A Fundação Getúlio Vargas está perfeitamente qualificada para empreender esses estudos, que visam a determinar o que, quando, como, onde e a que custo pode ser produzido,

levando-se em conta as condições climáticas, o solo, a geografia, as leis ambientais, as reservas protegidas, a produção tradicional, etc. O objetivo é assegurar a exploração sustentável de biocombustíveis. Busca-se, também, aumentar o número dos países produtores e, garantida a sustentabilidade do cultivo, o de países consumidores, para tornar os biocombustíveis uma commodity, o que dará mais segurança de mercado à atividade. Estamos convencidos de que esta possa ser uma importante contribuição do Brasil a países em desenvolvimento, sem omitir que, concluídos os estudos de viabilidade, a construção das usinas para a transformação tanto de canade-açúcar em etanol como de outros vegetais em óleo diesel deverá contar com interesse dos empresários brasileiros, integrantes da ABIMAC (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), cuja capacidade na produção dos equipamentos envolvidos é por todos reconhecida. CURSO SAPIENTIA:

Há também parcerias do gênero em relação à Ásia? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

Não. Em parte porque a China, por exemplo, só pode usar 7% de seu território para a produção agrícola, área que está, como é fácil de entender, inteiramente tomada para alimentar os mais de 1.3 bilhão de pessoas. Chegamos a estabelecer contatos com a Indonésia, Vietnã e Filipinas, mas foram incipientes.


CURSO SAPIENTIA:

Nos últimos anos, vemos um aumento dos incentivos à produção de carros elétricos em países desenvolvidos como o Japão e os EUA. Isso, de alguma forma, concorre com os interesses brasileiros em promover o etanol e a experiência com os carros flex-fuel? EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO:

O flex-fuel é uma bênção porque dá ao indivíduo a possibilidade de escolher a quantidade de gasolina e de etanol que quer colocar no carro em função do preço que está na tabela. E mais: em termos de sociedade, entre 2004 e 2008, o uso do flex-fuel somente na cidade de São Paulo evitou a emissão na atmosfera de uma quantidade de CO2 na atmosfera equivalente à que uma floresta com 115 mil árvores teria ajudado a economizar. Quanto ao carro elétrico, não há dúvida de que, quando ele está em movimento, a emissão de CO2 é mínima. Mas aí vêm os problemas. Primeiro, o custo de produzir a bateria. Os materiais utilizados na produção da bateria são poluentes? Qual é a fonte de energia do carro elétrico? Se for termoelética, é altamente poluente. Portanto, a opção do carro elétrico para mim é um cobertor curto. Polui menos ao rodar, e polui uma barbaridade para produzir a bateria e também para se alimentar. Cobre a cabeça, descobre os pés. Cobre os pés, descobre a cabeça.

tragédia nuclear, em grandes riscos. Eu apenas cito o exemAlém do etanol e dos biocom- plo da França: 85% da energia bustíveis, o que mais tem sido desse país provêm da energia feito na área de energia? O nuclear, e nunca houve Itamaraty atua de alguma acidente algum lá. As usinas forma em relação ao pré-sal? nucleares, no caso brasileiro, atendem a todos os préEMBAIXADOR ANDRÉ AMADO: requisitos de segurança. O A Petrobrás é um ator muito Brasil não pode abrir mão importante na área do pré-sal. disso por uma circunstância Foi extremamente compe- elementar: é um dos três tente no desenvolvimento de países do mundo que contecnologia para a exploração segue ter importante jazida de de petróleo em águas profun- urânio (a sexta do mundo) e, das, na criação de um novo ao mesmo tempo, dominar o esquema de comercialização ciclo do combustível nuclear. com o mundo e é muito com- Tendo dado todas as garantias petente na busca dos investi- de uso pacífico da energia mentos necessários para a nuclear, nós temos que conempreitada. A política do pré- tinuar a manter essa opção sal é definida pelo conselho aberta dentro da matriz enerdiretivo da Petrobrás, que atua gética brasileira. de maneira bastante autônoma. Por fim, no tocante à energia A nossa colaboração com a hidroelétrica, posso dizer que Petrobrás tem sido muito somos um dos poucos países estreita em áreas em que possa do mundo que ainda tem haver problemas. água para usar como fonte de energia. Nós só usamos de CURSO SAPIENTIA: 20% a 25% do nosso potencial E quanto à energia eólica, solar, hidráulico. Em muitos países nuclear e hidroelétrica? da Europa, já se esgotou essa opção energética. Só que a EMBAIXADOR ANDRÉ AMADO: grande maioria dos recursos Temos trabalhado as alternati- disponíveis em hidrologia está vas eólica e solar. O Brasil é um na Amazônia. Então, temos de país privilegiado pela incidência tomar cuidado com o aspecto do sol e pela extensão da sua ambiental. Estou plenamente costa. Logo, temos grandes convencido de que todos os oportunidades nessas áreas. O projetos em andamento – seja desafio ainda é o custo para que em Belo Monte, seja nos rios possamos desenvolver tecnolo- Tapajós e Madeira – levam em consideração os cuidados com gias próprias. Quanto à energia nuclear, é um o meio ambiente. Lógico que tema muito mal apresentado, e há vozes contrárias. Assim funo acidente de Fukushima não cionam as democracias, onde ajudou. Quando as pessoas terminam prevalecendo os pensam em energia nuclear, argumentos mais sólidos e pensam em energia atômica, em fundados. CURSO SAPIENTIA:

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PROFESSOR  SAPIENTIA  COMENTA

BRASIL-­ARGENTINA,

1964-­1967

LETÍCIA  NUNES  DE  MORAES

Doutora e mestra em História Social pela USP. Graduada em História e Jornalismo. Autora do livro Leituras da Revista Realidade (1966-1968), publicado pela Alameda Editorial em 2007, e de inúmeros artigos. Em   2012,   a   prova   de   terceira   fase   do   Concurso   de   Admissão   à   Carreira   Diplomática   uniu   dois   temas   cobrados   com  frequência  pela  banca  examinadora   em   uma   única   questão:   a   relação   bilateral   Brasil-­‐Argentina   e   a   política   externa   brasileira   adotada   durante   o   primeiro  governo  do  regime  militar.   Dizia  a  questão:  “Ao  assumir  a  Presidên-­‐ cia   da   República,   em   abril   de   1964,   o   Marechal   Castelo   Branco   alterou   os   rumos   da   ação   do   Brasil   no   plano   internacional.   Caracterize   as   rupturas   ˜‡”‹Ƥ…ƒ†ƒ•ƒ•”‡Žƒ­Ù‡•†‘”ƒ•‹Ž…‘ƒ Argentina,   em   decorrência   da   política   externa   brasileira   adotada   no   primeiro   governo  do  regime  militar”. Amado   Cervo   referiu-­‐se   à   política   de   ”‡Žƒ­Ù‡• ‡š–‡”‹‘”‡• ‹’Ž‡‡–ƒ†ƒ ’‡Ž‘ Marechal   Humberto   de   Alencar   Castelo   Branco   como   “correção   de   rumos”   (2010,   p.398).   Isso  porque,   após   o  golpe   civil-­‐militar  que  depôs  o  presidente  João   Goulart,  o  governo  militar  que  assumiu  o   poder   rompeu   com   a   Política   Externa   Independente   (PEI)   iniciada   durante   o   governo  de  Jânio  Quadros.   A   “correção   de   rumos”,   no   dizer   de   Amado   Cervo,   refere-­‐se   ao   retorno   à   conduta   de   alinhamento   aos   Estados   ‹†‘• ‘ …ƒ’‘ †ƒ• ”‡Žƒ­Ù‡• ‹–‡”ƒǦ cionais.  Assim,   juntos,   Vasco   Leitão   da   —Šƒǡ ‹‹•–”‘ †ƒ• ‡Žƒ­Ù‡• š–‡”‹-­‐ ores,   e   o   Marechal-­‐presidente   Castelo   Branco   “propuseram-­‐se   a   desmantelar   os   princípios   que   regiam   a   Política   Externa   Independente,   tais   como   o   nacionalismo,   base   da   industrialização   brasileira,   o   ideário   da   Operação   Pan-­‐Americana   e   a   autonomia   do   Brasil   em  face  da  divisão  bipolar  do  mundo  e   da  hegemonia  norte-­‐americana  sobre  a   América  Latina  (CERVO,  2010,  p.  394)”. A   política   externa   brasileira   durante   o   primeiro  governo  militar,  de  1964-­‐1967,   foi  forjada  no  contexto  da  Guerra  Fria  e   14

seguia   duas   vertentes.   De   um   lado,   pautou-­‐se   pela   teoria   geopolítica   do   Marechal  Golbery   do  Couto   e  Silva   e,   de   outro,   pelo   pensamento   das   elites   ‘”‰Ÿ‹…ƒ• ˜‹…—Žƒ†ƒ• ƒ ‹•–‹–—‹­Ù‡• como  IPES,  IBAD,  ADEP,  promotoras  do   anticomunismo   por   meio   da   dissemi-­‐ nação   da   Doutrina   de   Segurança   Nacional.  Ambas  muito  disseminadas  na   Escola  Superior  de  Guerra  (ESG). Carlos   Eduardo  Vidigal,   em   sua   tese   de   doutorado   defendida   em   2007   sob   a   orientação  de  Amado  Cervo,  apresentou   — Š‹•–×”‹…‘ †ƒ• ”‡Žƒ­Ù‡• †‹’Ž‘ž–‹…ƒ• entre   Brasil   e  Argentina   com   base   nas   mudanças   de   regimes   políticos   dos   dois   países,  que  foram  muitas  no  período  em   questão,  por  reconhecer  a  “íntima  vincu-­‐ lação   entre   regimes   políticos   e   política   exterior  (2007,  p.  71)”: Dz• ”‡Žƒ­Ù‡• †‹’Ž‘ž–‹…ƒ• ”ƒ•‹Ž-­‐ Argentina   passaram,  entre   1962  e  1966,   ’‘” –”²• •—„’‡”À‘†‘•ǡ †‡Ƥ‹†‘• ƒ ’ƒ”–‹” das  mudanças  políticas  –  em  nível  presi-­‐ dencial   –   ocorridas   nos   dois   países   –   o   primeiro   corresponde   à   Presidência   de   José  Maria  Guido,  que  teve  a  duração  de   cerca   de   um   ano   e   meio   (29/03/1962   a   12/10/1963),   no   qual   a  Argentina   adotou   uma   política   exterior   ocidentalista,   enquanto  o  Brasil  prosseguia  com  a  PEI,   •‘„ ‘—Žƒ”–Ǥ †‡–‹Ƥ…ƒǦ•‡‡••ƒˆƒ•‡— afastamento   político   e   diplomático   entre   os   dois   países.   O   segundo   teve   curta   duração,   aproximadamente   seis   meses,  situado  entre  a  posse  de   Arturo   Illia   (12/10/1963)   e   a   deposição   de   Goulart   (31/03/1964),   caracterizado   pela   convergência   das   políticas   exteriores   dos   dois   governos,   em   meio   a   grande   instabilidade   interna,   tanto   no   Brasil   quanto   na   Argentina.   O   terceiro,   mais   longo,   com   dois   anos   e   três   meses,   ”‡ˆ‡”‡Ǧ•‡•”‡Žƒ­Ù‡•†‘‰‘˜‡”‘ƒ•–‡Ž‘ Branco   com   a   Argentina   de   Arturo   Illia,   estendendo-­‐se  até  o  golpe  comandado  

pelo   General   Juan   Carlos   Onganía   ȋ͚͠Ȁ͘͞Ȁ͙͡͞͞ȌǤ‡••ƒˆƒ•‡˜‡”‹Ƥ…‘—Ǧ•‡— processo   de   reaproximação   marcado   pelas  iniciativas  de  integração  e  coope-­‐   ração  (VIDIGAL,  2007,  p.70)”. A   PEI   foi   orientada   pela   ação   livre   de   compromissos   ideológicos   e   voltada   ’ƒ”ƒƒ‡š’ƒ• ‘†ƒ•”‡Žƒ­Ù‡•‹–‡”ƒ…‹‘-­‐ nais   com   vistas   a   objetivos   comerciais,   além  da  busca  por  maior  protagonismo   ƒ• ”‡Žƒ­Ù‡• ‹–‡”ƒ…‹‘ƒ‹•Ǥ ‡Ƥ‹ƒǦ•‡ǡ ainda,   por   uma   conduta   de   defesa   da   paz,   do   desarmamento   e   contrária   à   realização  de  experiências  nucleares.     Após  o  golpe  de  1964  e  já  empossado  na   Presidência   da   República,   Castelo   Branco   “declarou   que   a   posição   neutra   que  o  país  vinha  mantendo  nos  últimos   governos   —   ‘fuga   diante   da   realidade   internacional’   —   era   agora   substituída   por   uma   ‘opção   fundamental   que   †‡…‘””‡ †ƒ Ƥ†‡Ž‹†ƒ†‡ …—Ž–—”ƒŽ ‡ ’‘ŽÀ–‹…ƒ ao   sistema   democrático   ocidental’   (DHBB,  2009)”. A   despeito   da   menção   ao   “sistema   democrático   nacional”,   presente,   aliás,   em   todos   os   discursos   dos   presidentes   militares   durante   os   21   anos   de   regime   militar   no   Brasil,   o   que   houve   foi   a   instauração   de   um   Estado   autoritário.  A   ruptura   institucional   levada   a   efeito   pelos  conspiradores  em  1964  encontrou   ”‡•’ƒŽ†‘ƒ•’”‘’‘•‹­Ù‡•†ƒ Ǥ A   politica   exterior   imposta   pelo   novo   regime   fundamentava-­‐se   nos   estudos   geopolíticos   do   General   Golbery   do   Couto   e   Silva.   A   tese   defendida   por   Golbery   dizia,   em   resumo,   que   as   …‘†‹­Ù‡• ‰‡‘‰”žƤ…ƒ• †‡–‡”‹ƒ ‘ destino   de   uma   nação   na   medida   em   que   a   capacidade   de   desenvolvimento   econômico   depende   dos   recursos   de   que   é   dotada.   Da   mesma   forma,   ao   estabelecer   alianças   políticas   e   estra-­‐ tégicas   deve-­‐se   considerar   a   posição   ‰‡‘‰”žƤ…ƒ†‘ƒŽ‹ƒ†‘Ǥ••‹ǡ ‘Šƒ˜‡”‹ƒ


CASTELO BRANCO

lugar  para  a  neutralidade  em  situação  de   guerra  total  e  permanente  (SILVA  apud   ALVES,  2004,  p.55). No  contexto  da  AmĂŠrica  Latina,  a  teoria   aplicada   resulta   no   entendimento   de   que,   tendo   em   vista   a   sua   localização   Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x2018;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x17E;ƤÂ&#x2026;Â&#x192;ÇĄ Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021; Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x17E; Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;-­â&#x20AC;? Â?Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2018;Â? Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x192;Â?Â&#x2019;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2039;Â?ĆŞÂ&#x2014;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2021; controle  dos  Estados  Unidos,  o  â&#x20AC;&#x153;Gigante   do   Norteâ&#x20AC;?.   Ainda   de   acordo   com   Golbery,  o  Brasil  ocupa  o  lugar  de   parceiro  mais  importante  para  os  EUA  no   quadro   de   alianças   ocidentais.   Em   grande  medida,  por  sua  posição  geogrĂĄ-­â&#x20AC;? ƤÂ&#x2026;Â&#x192;Ǥ   Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192; Âą garantida   pela   extensĂŁo   territorial   que   favorece  o  controle  do  Atlântico  Sul,  alĂŠm   dos   vastos   recursos   naturais   e   da   grande   população.  â&#x20AC;&#x153;Os  militares  acreditam  com   toda   evidĂŞncia   no   â&#x20AC;&#x2DC;destino   manifestoâ&#x20AC;&#x2122;   do   Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;ÇĄ Â&#x2021;Â? Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x192; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2039;­ Â&#x2018; Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x2018;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x192;ƤÂ&#x2026;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021; estratĂŠgica   e   em   seu   potencial   para   alcançar   uma   posição   de   superpotĂŞncia   (ALVES,  2004,  p.56)â&#x20AC;?. Para   a   sua   pesquisa   de   doutorado,   Vidigal   consultou   a   documentação   das   chancelarias   brasileira   e   argentina.    Um   documento   da   embaixada   argentina   no   Rio  de  Janeiro  revelava  o  desejo  

GOLBERY DO COuTO E SILVA

ARTURO ILIA

brasileiro  de  liderança,  de  ser  a  â&#x20AC;&#x153;ponteâ&#x20AC;?   entre   a  AmĂŠrica   do   Norte   e   a   do   Sul   e   â&#x20AC;&#x153;alcançar   possibilidade   de   ser   um   mediador   entre   Ocidente   e   Oriente   e   entre  à frica   e   Europaâ&#x20AC;?   (VIDIGAL,   2007,   p.50).  Tal   aspiração,   entretanto,   encon-­â&#x20AC;? trava   na   Argentina   uma   barreira   difĂ­cil   de   ser   vencida,   o   que   condicionava   a   polĂ­tica  brasileira  à  da  vizinha  do  Sul. A   postura   da   Argentina   em   relação   aos   Estados  Unidos  foi  muitas  vezes  diver-­â&#x20AC;? gente   da   conduta   seguida   pelo   Brasil.   Ainda   durante   a   Segunda   Guerra,   quando  GetĂşlio  Vargas   aceitou   entrar   no   campo   de   batalha   ao   lado   dos   estado-­â&#x20AC;?   unidenses   em   1944,   a   Argentina   se   recusou,   juntamente   com   outros   paĂ­ses   latino-­â&#x20AC;?americanos. Duas   dĂŠcadas   depois,   instalada   a  Guerra   Fria,   durante   as   presidĂŞncias   dos   civis   JosĂŠ  Maria  Guido  e  Arturo  Illia,  o  clima  de   convulsĂŁo   polĂ­tica   se   acentuou   e   houve   hostilidades   entre   as   prĂłprias   Forças   Armadas.   Dominada   por   setores   de   direita,   a   Argentina   se   aproximou   dos   Estados  Unidos,  condenou  Cuba  e  apoiou   a   intervenção   na   RepĂşblica   Dominicana   (CANDEAS,   2005,   p.   20).   â&#x20AC;&#x153;Assim,   ao   longo  do  perĂ­odo  que  se  estendeu  de  

março   de   1962   a   junho   de   1966,   as   Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;ÇŚÂ&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x192; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â? Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D; um   momento   de   afastamento   â&#x20AC;&#x201C;   senĂŁo   ruptura  â&#x20AC;&#x201C;  e  por  outro  de  reaproximação   (VIDIGAL,  2007,  p.80)â&#x20AC;?. A   politica   externa   de   Castelo   Branco,   contudo,   teve   vida   curta   e   resultados   efĂŞmeros.   Segundo   Amado   Cervo,   de   1964   a   1967,   prevaleceram   a   bipolari-­â&#x20AC;? dade   em   virtude   do   â&#x20AC;&#x153;alinhamento   ao   Â&#x201E;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;ÇĄÂ&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022; prioritĂĄriasâ&#x20AC;?,   a   abertura   ao   capital   estrangeiro,   a   contradição   marcada   pelo   descompasso   entre   as   diretrizes   ideolĂłgicas   e   o   realismo   da   polĂ­tica   internacional   (2010,   p.   398).   O   sucessor,   Marechal   Costa   e   Silva,   mudaria   os   rumos   da   polĂ­tica   externa   e   retomaria   alguns  pontos  da  PEI. A   banca   do   concurso   procura   constante-­â&#x20AC;? mente  inovar  os  temas  e  as  abordagens   solicitadas   nas   provas,   mas   algumas   Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â? Â&#x2039;Â?Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D; Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2020;Â&#x2039;ƤÂ&#x2026;Â&#x2014;Â&#x17D;-­â&#x20AC;? dade   aos   candidatos.   Ă&#x2030;   preciso   estar   atento   Ă s   tendĂŞncias   de   assuntos   presentes   nas   provas,   ampliar   a   biblio-­â&#x20AC;? Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x192;ƤÂ&#x192;ÇĄ Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x201D; Â&#x2021;ÇĄ Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â?ÇĄ  Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D; Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021; Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x2018;Â&#x2022; Â?Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;ƤÂ&#x2018;Â&#x2022; propostos  pelos  examinadores.

Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x192;ƤÂ&#x192;ÇŁ ALVES,  Maria  H.  M.  Estado  e  Oposição  no  Brasil,  1964-­â&#x20AC;?1984.  Bauru:  Edusc,  2004. ÇĄÂ&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x201D;Â&#x2018;ǤÂ&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;ÇŚÂ&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x192;ÇŁÂ&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x192;Â?Â&#x17E;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2DC;Â&#x192;Â?­Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x2018;Â&#x2022;ǤÂ&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x17D;Ă&#x20AC;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2039;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x17D;Ǥ [2005].  DisponĂ­vel  em  <http://www.scielo.br/pdf/rbpi/v48n1/v48n1a07.pdf>.  Acesso  em  14.02.2013. CERVO,  Amado.  HistĂłria  da  polĂ­tica  exterior  do  Brasil.  BrasĂ­lia:  UnB,  2010. SILVA,  Golbery  do  Couto  e.  Conjuntura  polĂ­tica  nacional,  o  poder  executivo  &  geopolĂ­tica  do  Brasil.  Rio  de  Janeiro,  J.Olympio,  1981   apud  ALVES,  Maria  H.  M.  Estado  e  Oposição  no  Brasil,  1964-­â&#x20AC;?1984.  Bauru:  Edusc,  2004.  

ÇĄÂ&#x192;Â&#x201D;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2018;ǤÂ&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;ÇŚÂ&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x192;ǤÂ&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2014;­ Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x2020;Â&#x2039;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Č&#x2039;Í&#x2122;ÍĄÍ&#x17E;Í&#x161;ÇŚÍ&#x2122;ÍĄÍ Í&#x17E;Č&#x152;ÇĄÍ&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2DC;Í&#x;ǤÍ&#x203A;Í&#x203A;Í Â&#x2019;ǤÂ&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Č&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2021;Â? Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022; Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Č&#x152;ǤÂ?Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Ă&#x20AC;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192;Ǥ     Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Ă&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x17E;ƤÂ&#x2026;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2018;Ǥ Â&#x2014;Â?Â&#x201E;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2026;Â&#x2018;Ǥ CPDOC-­â&#x20AC;?FGV,  3  ed.,  2009.  DisponĂ­vel  em:  <http://cpdoc.fgv.br/acervo/dhbb>. Acesso  em  20  fev.  2013.   15


OPINIAO  CRITICA  DE  CONVIDADO

DE ONDE VEM A

FORĂ&#x2021;A DO AGRONEGĂ&#x201C;CIO?š REGINA ARAĂ&#x161;JO E PAULA WATSON Regina AraĂşjo ĂŠ doutora em Geografia pela Universidade de SĂŁo Paulo (USP), autora e organizadora de diversos livros na ĂĄrea. Paula Watson ĂŠ graduada em Geografia pela mesma instituição.  Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D; Âą Â&#x2018; Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2014;Â?Â&#x2020;Â&#x2018; Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x201D; individual   de   produtos   agrĂ­colas   do   mundo,   atrĂĄs   apenas   dos   Estados   Unidos.   A   UniĂŁo   Europeia,   como   um   bloco   de   paĂ­ses,   ĂŠ   lĂ­der   absoluta.   A   performance   brasileira   ĂŠ   de   fato   espetacular,   considerando   seu   recente   Â&#x2039;Â?Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018; Â?Â&#x2018; Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018; Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2014;Â&#x2019;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2013;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022; agrĂ­colas  mundiais,  atĂŠ  entĂŁo  monopoli-­â&#x20AC;? Â&#x153;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2019;Â&#x192;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018; Â?Ă&#x20AC;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x17D; Â&#x2020;Â&#x2021; desenvolvimento.   E   mais   espetacular   ainda  se  consideramos  o  ritmo  do  incre-­â&#x20AC;? mento  das  vendas  externas  de  produtos   agrĂ­colas   registrado   pelo   Brasil   -­â&#x20AC;?   35,2%   em  2009,  17%  em    2010,  23,8%  em  2011²     â&#x20AC;&#x201C;   e   os   imensos   superĂĄvits   acumulados   Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2018; Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x192;Â&#x2018; Â&#x17D;Â&#x2018;Â?Â&#x2030;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2018; ĂŻÂ&#x17D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2026;²Â?Â&#x2039;Â&#x2018;Ǥ Nesse  quesito,  aliĂĄs,  o  Brasil  supera  atĂŠ  a   UniĂŁo   Europeia:   o   Ăşltimo   relatĂłrio   da   Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x2014;Â?Â&#x2020;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2018;Â?ÂąÂ&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018; Č&#x2039;Č&#x152; Â&#x2039;Â?Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;Â?Â&#x192; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;ÇĄ Â?Â&#x2018; Â&#x192;Â?Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021; Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2DC;ÇĄ Â&#x192;  Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2018;Â&#x2014; Â&#x2014;Â? Â&#x2020;¹ƤÂ&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2013; Â&#x2020;Â&#x2021; Í&#x2020; Í&#x161;Í? Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x160;Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;Â?Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x192;Â?­Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2014;-­â&#x20AC;? tos   agrĂ­colas,   enquanto   o   nosso   paĂ­s   Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2014;Â?Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x17E;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2020;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Í&#x2020; Í?Í  Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x160;Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2018;Â? Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x192; Â&#x2018; do   gigante   norte-­â&#x20AC;?americano,   equiva-­â&#x20AC;? Â&#x17D;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x192;Í&#x2020;Í&#x161;Í&#x;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x160;Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;Î&#x192;Ǥ Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â? Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x161;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;ÇĄÂ&#x2018;²Â&#x161;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018; do   agronegĂłcio   repercute   favoravel-­â&#x20AC;? mente   no   comportamento   da   balança   comercial  brasileira,  que  em  2011  alcan-­â&#x20AC;? çou   um   superĂĄvit   de   aproximadamente   Í&#x2020;Í&#x203A;Í&#x2DC;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x160;Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;ǤÂ&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192; o   peso   crescente   das   exportaçþes   de   produtos   primĂĄrios   em   geral   â&#x20AC;&#x201C;   e   do   agronegĂłcio  em  particular  â&#x20AC;&#x201C;  nas    nossas  

Regina  Araújo

exportaçþes.     Estudo   recente   do   IPEA   mostra   que,   entre   2005   e   2011,   o   peso   relativo  desses  produtos  na  pauta  subiu   de  29,3%  para  47,8%.  Em  contrapartida,   no   mesmo   perĂ­odo,   os   manufaturados   sofreram   uma   queda   em   sua   partici-­â&#x20AC;? Â&#x2019;Â&#x192;­ Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Í?Í?ÇĄÍ&#x2122;ÎŹÂ&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Í&#x203A;Í&#x17E;ÇĄÍ&#x2DC;ÎŹÎ&#x201E;Ǥ Uma   anĂĄlise   apressada   dos   nĂşmeros,   ainda   que   possa   despertar   algum   desconforto   diante   da   perda   de   importância  relativa  da  estrutura  produ-­â&#x20AC;? tiva   de   base   industrial,   consolidada   na   segunda  metade  do  sĂŠculo  XX  e  voltada   para   o   mercado   interno,   sugere   que   o   agronegĂłcio   vem   cumprindo   com   Â&#x2021;ƤÂ&#x2026;Â&#x2039;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2018; Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x192; economia,   atĂŠ   mesmo   blindando   o   Brasil   e   os   brasileiros   das   crises   que   atormentam   os   paĂ­ses   centrais   e   suas   populaçþes.   Ă&#x2030;   dessa   narrativa   que   a   cĂşpula   do       agronegĂłcio  brasileiro  parte  para  anun-­â&#x20AC;? ciar  seus  feitos  e  enunciar  suas  deman-­â&#x20AC;? das:   o   Estado   deve   resolver   gargalos   Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2030;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2022;  Â&#x2021; ĆŞÂ&#x2021;Â&#x161;Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â&#x201D; Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x192;Â?Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;ÇĄ ambos   entraves   ao     espetĂĄculo   do   crescimento.   Parece   simples,   mas   nem   os   feitos   nem   as   demandas   sĂŁo   o   que   parecem.   No   que   concerne   aos   â&#x20AC;&#x153;feitosâ&#x20AC;?,   quem   Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2014; Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018; ²Â&#x161;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2018;Â?Â&#x2021;ÇŚ gĂłcio?  No    artigo  â&#x20AC;&#x153;AgronegĂłcio  e  comĂŠr-­â&#x20AC;?

Paula  Watson

cio   exterior   brasileiroâ&#x20AC;?,   membros   do   Instituto   do   ComĂŠrcio   e   Negociaçþes  

Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Č&#x2039; Č&#x152;ÇĄÂ&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2022; Ǥ Â&#x192;Â?Â?ÇĄ Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x160;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2018; arauto   da   transformação   do   Brasil   em   Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x153;Â&#x2021;Â?Â&#x2020;Â&#x192; Â&#x2030;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201E;Â&#x192;Â&#x17D;ÇĄ Â&#x2021;Â?Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â? Â&#x192; Â&#x2021;Â?Â&#x2018;Â&#x201D;Â?Â&#x2021; Â&#x2039;Â?Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x;Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x201D;ÂąÂ&#x2020;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;DzÂ&#x2018;ƤÂ&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;Çł concedidos   Ă    agricultura   comercial   nas   Â&#x2020;ÂąÂ&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Í&#x2122;ÍĄÍ&#x;Í&#x2DC;Â&#x2021;Í&#x2122;ÍĄÍ Í&#x2DC;Î&#x2026;ǤÂ&#x2018;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x192;ÇĄ a    pesquisadora  Denise  Elias,  baseada  em   dados   da   ÇĄÂ&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;DzÂ&#x2022;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â?ÇŚ tante   de   crĂŠdito   rural   somarmos   os   Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x201E;Â&#x2022;Ă&#x20AC;Â&#x2020;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2022; ƤÂ&#x2022;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x192;Â&#x2018; Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D;ÇĄ Â&#x192; Â&#x2026;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021; infraestrutura,   entre   outros,   terĂ­amos   quase  50%  da  receita  nacional  do  ano  de   Í&#x2122;ÍĄÍ&#x;Í&#x;ÇłÎ&#x2020;ǤÂ&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2039;Â?Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x201D;ÂąÂ&#x2020;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x2014;Â&#x192;ÇĄ ainda   que   em   outros   moldes:   de   acordo   com   o   Plano   Nacional   AgrĂ­cola   Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2122;Č&#x20AC;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x161;ÇĄÂ?Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022; Í&#x2020; Í&#x2122;Í&#x2DC;Í&#x;ÇĄÍ&#x161; Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x160;Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x192; Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192; comercial,    em  um  aumento  de  7,2%  em   comparação  com  a  safra  passada.  Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2030;Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x192;ÇĄ Â&#x192;Â&#x2039;Â?Â&#x2020;Â&#x192;ÇĄ Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2018; Â&#x2C6;Â&#x2014;Â?Â&#x2020;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x17D; Â&#x2020;Â&#x192; Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2014;­ Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Ă&#x20AC;ƤÂ&#x2026;Â&#x192; Â&#x2021; Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2026;Â?Â&#x2018;Â&#x17D;Ă&#x2014;Â&#x2030;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192; Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192; Â&#x2021;Â? Â&#x2039;Â?Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x2039;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2019;ĂŻÂ&#x201E;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2022;ÇĄÂ&#x2013;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2018; ÇĄ    Â&#x2021; Â&#x192;  Â?Â&#x192; Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2018; agronegĂłcio     brasileiro.     Nas   demais   Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2013;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x2021;Â? Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;ÇĄ as   tecnologias   foram   e   estĂŁo   sendo   desenvolvidas  por  enormes  corporaçþes   privadas,  muito  bem  remuneradas  pelos  

Í&#x2122;ǤÂ&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2030;Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x153;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2014;Â&#x201E;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2030;Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x17D;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192; Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x161;Ǥ 2.Dados  no  MinistĂŠrio  da  Agricultura  e  PecuĂĄria  (MAPA) Í&#x203A;ǤÂ&#x2018;Â&#x201D;Â&#x17D;Â&#x2020;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Č&#x2039;Č&#x152;Ǥ Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2022;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2122;ǤÂ&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2018;Â?Ă&#x20AC;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;ǤÂ&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2030;Č&#x20AC;Â&#x2021;Â?Â&#x2030;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x160;Č&#x20AC;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;̸Â&#x2021;Č&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2022;̸Â&#x2021;Č&#x20AC;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2022;̸Â&#x2021;ǤÂ&#x160;Â&#x2013;Â?Ǥ Í&#x153;Ǥ ÇĄÂ&#x2018;Â?Â&#x152;Â&#x2014;Â?Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2021;Â? Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;ÇĄÍ&#x2122;Í?ǤÍ&#x2DC;Í&#x161;ǤÍ&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2122;ǤÂ&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2018;Â?Ă&#x20AC;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?Â&#x160;Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2019;ÇŁČ&#x20AC;Č&#x20AC;Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;ǤÂ&#x2039;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x192;ǤÂ&#x2030;Â&#x2018;Â&#x2DC;ǤÂ&#x201E;Â&#x201D;Č&#x20AC;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x17D;Č&#x20AC;Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x2022;Č&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2021;Â&#x2022;Č&#x20AC; Â&#x2022;Č&#x20AC;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x152;Â&#x2014;Â?Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;̸Â&#x2021;Â?̸Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;Č&#x20AC;Í&#x2122;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x161;Í&#x2122;Í?̸Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x152;Â&#x2014;Â?Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2021;Â?Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;ǤÂ&#x2019;Â&#x2020;Â&#x2C6; Í?ǤÂ&#x192;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2122;Â&#x192;Â&#x203A;Â&#x192; Â&#x192;Â?Â?Â&#x2021;Â&#x2013;ǤÂ&#x192;Â&#x17D;Â&#x17D;Â&#x2039;ǤDzÂ&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2018;Â?Â&#x2021;Â&#x2030;Ă&#x2014;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2018;Â?ÂąÂ&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x161;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2018;dzǤÂ&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;ÇĄ Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄÂ?ǤÍ&#x17E;Í&#x153;ÇĄÂ&#x2019;ǤÍ&#x2122;Í&#x153;ÇŚÍ&#x161;Í&#x;ÇĄÂ&#x2020;Â&#x2021;Â&#x153;Â&#x2021;Â?Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2018;ÇŚÂ&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2018;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2DC;Í&#x153;ÇŚÍ&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2DC; Í&#x17E;ǤÂ&#x2021;Â?Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022;ǤDz Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201E;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;­ Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;dzǣÂ&#x192;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2039; Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D; Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;dzǤ Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇŁÂ&#x2020;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2019;ÇĄÍ&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2DC;Í&#x203A;ǤÂ&#x2030;ǤÍ&#x2122;͠ǤÍ? 16


Foto:  Divulgação/  Governo  Federal

seus  serviços.   Portanto,    se  o  sucesso  de  fato  existe,  ele   é   uma   conquista   do   conjunto   da   socie-­‐ dade  brasileira,  que   investiu   e   continua   investindo  pesadamente  na  criação  e  na   expansão  de  um  setor  agrícola  moderni-­‐

œƒ†‘ǡƒ‹†ƒ“—‡‡••‡’”‘…‡••‘•‡–‡Šƒ iniciado  em  uma  época  na  qual  ela  não   –‹Šƒ ˜‘œ ƒ–‹˜ƒ ƒ †‡ˆ‡•ƒ †‡ •‡—• interesses.   Na  ponta  da  demanda,    o  discurso  da   cúpula  do  agronegócio  embute  na  

singela   expressão   “gargalo   logístico”   uma  tarefa  bem  mais  espetacular  do  que   ‘ •—’‘•–‘ ²š‹–‘ †‘ •‡–‘”Ǥ  ƒ”ƒ …”‹ƒ” alternativas   de   escoamento   dos   produ-­‐ –‘• †‘ ƒ‰”‘‡‰×…‹‘ ‘‡–”‘Ǧ‡•–‡ Ȃ especialmente  a  soja  -­‐,  o  governo  

Foto:  Eskinder  Debebe  /  Divulgação  ONU

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Ilustraçþes:  Paula  Watson

Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2018; Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x17E;  Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x192; Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2030;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x192; Â&#x160;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Ă&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â?-­â&#x20AC;? Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x;Â?Â&#x2021;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x192;Ǥ  Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x192;ÇŚÂ&#x2022;Â&#x2021; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2014;m   projeto   ambicioso,   considerando-­â&#x20AC;?se   a   dimensĂŁo   continental   do   territĂłrio   brasileiro:  desafogar  as  vias  e  os  portos   Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2014;Â&#x17D; Â&#x2021; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2014;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021; Â&#x2021; Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x201D; Â?Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2022; Â?Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018; DzÂ&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2018; Norteâ&#x20AC;?,   o   â&#x20AC;&#x153;paraĂ­so   da   logĂ­sticaâ&#x20AC;?,   conforme   expressĂŁo   precisa   que   dĂĄ   tĂ­tulo   ao   artigo   da   senadora   KĂĄtia   Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2014;Î&#x2021;Ǥ Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x17D;Ă&#x2DC;Â?Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2021;Â? Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x160;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x2021; Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013; Â&#x2018; Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2030;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2022;ĆŞÂ&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021; de   cerrados,   na     forma   de   enormes   bacias  de  drenagens  postas  a  serviço  de   algumas   centenas   de   produtores   e   de   Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x153;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2014;Â? Â?ĂŻÂ?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2018; Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2014;Â&#x153;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2022;Ǥ  Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2021; Â&#x2020;Â&#x192;  Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;­ Â&#x2018; Brasileira   das   IndĂşstrias   de   Ă&#x201C;leos   Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022; Č&#x2039; Č&#x152; Â&#x2039;Â?Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;Â?Â&#x192; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x192;Â&#x2022; ÍĄ empresas   associadas   sĂŁo   responsĂĄveis   por   aproximadamente   72%   do   volume   de  processamento  de  soja  do  Brasil.  NĂŁo   Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x161;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x201D;Ă&#x2DC;Â?Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022; do   agronegĂłcio   tecem   Ă    suposta   Â&#x2039;Â?Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x201D;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x192;Â?Â&#x201E;Â&#x2039;-­â&#x20AC;? entalista   em   assuntos   do   interesse   brasileiro,  considerando  que  as  5  empre-­â&#x20AC;? sas   que   encabeçam   essas   listas   sĂŁo   corporaçþes   transnacionais,   a   saber:   ADM   (EUA),   Cargill   (EUA),   Bunge   Č&#x2039; Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x192;Č&#x152;ÇĄ Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x203A;Â&#x2C6;Â&#x2014;Â&#x2022; Č&#x2039; Â&#x201D;Â&#x192;Â?­Â&#x192;Č&#x152; Â&#x2021; Grupo   Noble   (Cingapura)   .   Para   estes   Â&#x2026;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x192; Â&#x2030;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201E;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2021; Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D; Â&#x2014;Â? direito  restrito  ao  capital.   No  entanto,  a  senadora  quer  mais,  

muito   mais.   Preocupada   com   a   parcela   da  renda  dos  produtores  comprometida   com  os  â&#x20AC;&#x153;custos  logĂ­sticosâ&#x20AC;?,    bate  na  tecla   na   precariedade   da   infraestrutura.     No   mesmo   artigo   ela   critica   a   demora   na   licitação   do   porto   de   Itaqui,   no   Mara-­â&#x20AC;? Â?Â&#x160; Â&#x2018;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2018;ÇĄÂ?Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x201D;ĂĄ,  o  licencia-­â&#x20AC;? mento  da  ampliação  terminal  portuĂĄrio   Â&#x2020;Â&#x192; Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x17D; Â&#x2021;Â? Â&#x192;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D;ÂąÂ?ÇĄ Â&#x2013;Â&#x192;Â?Â&#x201E;ÂąÂ? Â?Â&#x2018; ParĂĄ,   e   cobra   investimentos   pĂşblicos   Â?Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2022; ĆŞÂ&#x2014;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192;ÇĄ Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Č&#x20AC;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x152;Ă&#x2014;Â&#x2022; Â&#x2021; Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x192;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x2022;ÇĄ DzÂ&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â? Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D; Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2022;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;-­â&#x20AC;? Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x160;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022;dzǤ Um   vĂ­deo   institucional   da   ferrovia   Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2021;ÇŚÂ&#x2014;Â&#x17D; Â&#x192;Â?Â&#x2014;Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x2022;Â&#x2021; Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x192; DzÂ?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2018;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x17E;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x192;Î&#x2C6;ÇĄ Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2039;Â?Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x160;Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x192; Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x152;Â&#x192; Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192; rumo   aos   mercados   externos.   Mesmo   Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â?ÇĄÂ&#x192;Â&#x2039;Â?Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â?Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â?Â&#x2019;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â?Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018; DzÂ&#x2021;ƤÂ&#x2026;Â&#x2039;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Â?Â&#x2018; Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x192; portuĂĄrio   do   Norte   obriga   o   Centro-­â&#x20AC;? Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2014;­ Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021; Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x17E;ÇłÎ&#x2030;ÇĄ Â&#x2018;Â&#x2014; Â&#x192;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192;­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2030;²Â?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2018; DzƤÂ&#x2026;Â&#x192; Â&#x2026;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2018;ÇĄ Â?Â&#x2018; Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;ÇĄ Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x192; Â&#x2039;Â?Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2022;-­â&#x20AC;? trutura  montada  para  o  escoamento  da   Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x192;ÂąÂ&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â?Â&#x192;dzΠÎ&#x20AC;ǤÂ&#x2039;Â?Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192; de   fato   ĂŠ   precĂĄria,   se   comparada   a   de   Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2019;Â&#x192;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2014;Â?Â&#x192; Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x153; Â&#x2018; Â?Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018; simples:   a   fronteira   agrĂ­cola   avançou   nas   Ăşltimas   dĂŠcadas,   na   esteira   de   oferta  de  terras  baratas,    em  uma  regiĂŁo   distante   dos   portos   oceânicos   e   desprovida   de   sistemas   logĂ­sticos.   Ao   longo   deste   processo,   pelo   menos   metade  da  cobertura  original  dos  ecoss-­â&#x20AC;? istemas   do   cerrado   foi   desmatada   e   transformada  em  campos  de  cultivo.  A  

comparação   com   os   custos   logĂ­sticos   dos   EUA   e   da   UniĂŁo   Europeia,   cujos   Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2013;Ă&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013; Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x160;Â&#x17E;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2018;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2014;Â?Â&#x2022;ÂąÂ&#x2026;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄÂ? Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2021; evidencia  mĂĄ  fĂŠ. Nesse  contexto,  e  enredada  pela  narra-­â&#x20AC;? tiva   que   ajudou   a   criar,   a   senadora   volta   suas  baterias  para  a  legislação  ambien-­â&#x20AC;? tal   supostamente   responsĂĄvel   pelo   atraso     dos   licenciamentos,   e   para   a   morosidade  do  governo,  que  deveria  ser   Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x17E;Â&#x2030;Â&#x2039;Â&#x17D;Â?Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x160;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2026;ĂŻÂ&#x17D;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2022;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;-­â&#x20AC;? Â?Â&#x192;Â&#x201D; Â&#x192; Â?Â&#x192;Â&#x153;Ă&#x2DC;Â?Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x2021;Â? Â&#x2014;Â? imenso   corredor   multimodal   de   expor-­â&#x20AC;? tação,   defendendo   que   o   que   ĂŠ   bom   para  o  agronegĂłcio  Ê  bom  para  o  Brasil. A  realidade,  porĂŠm,  destoa  dessa  narra-­â&#x20AC;? tiva.  A   maior   parte   dos   brasileiros   vive   em  aglomerados  urbanos,  com  infraes-­â&#x20AC;? trutura   verdadeiramente   precĂĄria   de   mobilidade  e  de  moradia,  e  com  deman-­â&#x20AC;? das   urgentes   em   termos   de   investimen-­â&#x20AC;? Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2019;ĂŻÂ&#x201E;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â&#x152;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D;ǤÂ&#x2022; brasileiros  que  vivem  no  campo,  por  sua   Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x153;ÇĄ Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x160;Â&#x192;Â? Â?Â&#x192;Â&#x152;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021; Â&#x2021;Â? propriedades   familiares,   que   constituem  84,4%  do  total  das  proprie-­â&#x20AC;? dades   rurais,   empregam   74,4%   do   pessoal   ocupado   na   agropecuĂĄria   e   se   espremem   em   24,3%   da   ĂĄrea   total   dos     Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2039;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;Ǥ Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D; Â&#x2022;Â&#x2021; Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2022;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;-­â&#x20AC;? Â?Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2013;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x192;ÇĄÂ?Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021; 26%     dos   estabelecimentos   rurais   do   Â&#x2019;Â&#x192;Ă&#x20AC;Â&#x2022; Â? Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192;Â? Â&#x201D;Â&#x2021;Â?Â&#x2020;Â&#x192; Â?Â&#x2021;Â?Â&#x160;Â&#x2014;Â?Â&#x192; Â&#x2021;Â? 2006,   ano   do   Ăşltimo   censo   Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x17E;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2018;ǤÂ&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x153;ÇĄÂ&#x2018;Â&#x2022;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;-­â&#x20AC;? ros    nĂŁo  estĂŁo  convidados  a  usufruir  das   Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x153;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x152;Â&#x2014;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x201D;Ǥ

Í&#x;ǤÂ&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2014;ǤDzÂ&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2021;ÇŁÂ&#x2018;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2030;Ă&#x20AC;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;dzǤ Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;ǤÂ&#x192;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄÍ&#x17E;Č&#x20AC;Í&#x2DC;Í Č&#x20AC;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2122;ǤÂ&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2018;Â?Ă&#x20AC;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?ÇŁÂ&#x160;Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2019;ÇŁČ&#x20AC;Č&#x20AC;Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;Í&#x2122;ǤÂ&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x160;Â&#x192;ǤÂ&#x2014;Â&#x2018;Â&#x17D;ǤÂ&#x2026;Â&#x2018;Â?ǤÂ&#x201E;Â&#x201D;Č&#x20AC;Â&#x2C6;Â&#x2022;Â&#x2019;Č&#x20AC;Â?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Č&#x20AC;Â?Â&#x2021;Í&#x2DC;Í&#x17E;Í&#x2DC;Í Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2122;Í&#x161;Í&#x203A;ǤÂ&#x160;Â&#x2013;Â? ͠ǤÂ&#x160;Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2019;ÇŁČ&#x20AC;Č&#x20AC;Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;ǤÂ&#x203A;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201E;Â&#x2021;ǤÂ&#x2026;Â&#x2018;Â?Č&#x20AC;Â&#x2122;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2026;Â&#x160;ÇŤÂ&#x2DC;Îł Â?Â&#x152;Â&#x2014;Í?Â&#x153;ÇŚ ͥǤ Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄÍ&#x161;Í&#x161;Č&#x20AC;Í&#x2DC;Í Č&#x20AC;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2DC;ǤÂ&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2018;Â?Ă&#x20AC;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?ÇŁÂ&#x160;Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2019;ÇŁČ&#x20AC;Č&#x20AC;Â&#x2122;Â&#x2122;Â&#x2122;Í&#x2122;ǤÂ&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x160;Â&#x192;ǤÂ&#x2014;Â&#x2018;Â&#x17D;ǤÂ&#x2026;Â&#x2018;Â?ǤÂ&#x201E;Â&#x201D;Č&#x20AC;Â&#x2C6;Â&#x2022;Â&#x2019;Č&#x20AC;Â?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Č&#x20AC;Â?Â&#x2021;Í&#x161;Í&#x161;Í&#x2DC;Í Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x17E;ǤÂ&#x160;Â&#x2013;Â? Í&#x2122;Í&#x2DC;ǤÂ&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄÍ&#x2DC;Í?Č&#x20AC;Í&#x2DC;Í?Č&#x20AC;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2122;Í&#x2DC;ǤÂ&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2018;ÇŚÂ&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Ǥ 18


ESPACO  ABERTO:  ARTIGO  ENVIADO

COOPERAÇÃO SUL-­SUL: BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE

CONCEITO E MODALIDADES NA ERA LULA Por  Patrícia  Tambourgi¹ Entre  os  anos  de  2003  a  2010,  podemos   observar  a  valorização  sem  precedentes   da   relação   do   Brasil   com   países   em   desenvolvimento  em  termos  de  Política   Externa   Brasileira     (PEB).   Abertura   de   embaixadas   em   países   em   desenvolvi-­‐ mento   (como   as   19   inauguradas   no   continente   africano   desde   2002),   coalizões  (como  o  IBAS  e  o  G-­‐20  comer-­‐ cial)   e   um   discurso   que   enaltece   as   relações   do   tipo   Sul-­‐Sul   mostram   uma   postura  de  maior  aproximação  com  esse   grupo   de   países.   O   incremento   das   relações   Sul-­‐Sul   objetivaria   colocar   em   novos   termos   o   diálogo   Norte-­‐Sul,   na   medida  em  que  a  ação  coordenada  dos   países   em   desenvolvimento   poderia   reduzir  as  assimetrias  internacionais  de   poder  .   Para   além �� da   abertura   de   embaixadas,   das  coalizões  e  do  discurso,  outro  indica-­‐ dor   dessa   valorização   é   o   crescimento   das   atividades   brasileiras   voltadas   para   o   oferecimento   de   cooperação   interna-­‐   cional  para  o  desenvolvimento,  ou  seja,   cooperação  Sul-­‐Sul  (CSS).   Este   artigo   visa   a   apresentar   de   forma   sucinta  o  conceito  de  CSS,  bem  como  as   características   e   as   modalidades   da   cooperação  internacional  brasileira  para   o  desenvolvimento.    

I.CONCEITO De   acordo   com   a   Organização   das   Nações   Unidas   (ONU),   Cooperação   Sul-­‐Sul   é   uma   nomenclatura   ampla   que   abrange   ações   de   colaboração   entre   d ois   o u   m ais   p aíses   e m   d esen-­‐ volvimento  .   Essas   ações   não   estão   restritas   a   —ƒ ž”‡ƒ ‡•’‡…ÀƤ…ƒǤ ‘†‡ •‡” realizadas   em   diversos   âmbitos:   político,  e conômico,  s ocial,  c ultural,   técnico,   ambiental   e,   até   mesmo,   esportivo.  Trata-­‐se  de  compartilha-­‐

mento   de   conhecimento,   de   técni-­‐ cas   e   de   recursos,   com   o   intuito   de   promover  o  desenvolvimento. Similarmente   ao   conceito   acordado   ’‡Žƒ• ƒ­Ù‡• ‹†ƒ•ǡ ƒ †‡Ƥ‹­ ‘ ‘Ƥ…‹ƒŽ †‡  ƒ†‘–ƒ†ƒ ’‡Ž‘ ”ƒ•‹Ž informa  que  C SS: “[...]  é  a  t otalidade  d e  r ecursos  i nves-­‐ tidos   pelo   governo   federal   brasileiro,   totalmente   a   fundo   perdido,   no   governo   de   outros   países,   em   nacio-­‐   nais   de   outros   países   em   território   brasileiro,   ou   em   organizações   inter-­‐ nacionais   com   o   propósito   de   contribuir   para   o   desenvolvimento   internacional,   entendido   como   o   fortalecimento   das   capacidades   de   organizações   internacionais   e   de   grupos   ou   populações   de   outros   países   para   a   melhoria   de   suas   condições  socioeconômicas.”     Além  d e  S ul-­‐Sul,  e sse  t ipo  d e  c oope-­‐   ração   entre   países   em   desenvolvi-­‐ mento   é   chamado,   também,   de   cooperação   p ara   o   d esenvolvimento   ou  cooperação  horizontal.    

II.CARACTERÍSTICAS Em   2010,   o   governo   brasileiro   teve   iniciativa  até  então  inédita.  Pela  primeira   vez,   foi   feito   um   estudo   de   contabili-­‐ zação   nacional   das   atividades   de   coope-­‐   ração  brasileira  .  A  condução  dos  traba-­‐   lhos   foi   encabeçada   pelo   Instituto   de   Pesquisas  Econômicas  Aplicadas  (IPEA),   com   participação   de   diversos   setores   do  governo  federal,  nomeadamente  da   Agência  Brasileira  de  Cooperação  (ABC)   e   do   Ministério   das   Relações   Exteriores   (MRE).  O  resultado  foi  o  primeiro  levan-­‐ tamento   sobre   Cooperação   Brasileira   para   o   Desenvolvimento   Internacional:   2005-­‐2009  (COBRADI). O  prefácio  é  assinado  pelo  ex-­‐presidente  

Luiz   Inácio   Lula   da   Silva.   No   texto,   o   então   presidente   ressalta   que   a   coope-­‐   ração   internacional   brasileira   para   o   desenvolvimento   vale-­‐se   da   “expor-­‐ tação”   de   soluções   internas   para   países   …‘†‹Ƥ…—Ž†ƒ†‡••‹‹Žƒ”‡••„”ƒ•‹Ž‡‹”ƒ•ǡ evocando  solidariedade  entre  as  nações.   Alguns   princípios   são   enfatizados   no   †‹•…—”•‘‘Ƥ…‹ƒŽǤ‡–”‡‡Ž‡•ǡ†‡•–ƒ…ƒ-­‐ •‡ǣȋ‹Ȍƒ ‘‹†‹ˆ‡”‡­ƒǢȋ‹‹Ȍ‘”‡•’‡‹–‘ soberania;   (iii)   a   não   intervenção   em   assuntos   internos;   (iv)   a   defesa   da   autodeterminação.    ”‡•’‡‹–‘ ƒ ‡••‡• ’”‹…À’‹‘•ǡ …ƒ”‘•  †‹’Ž‘ƒ…‹ƒ „”ƒ•‹Ž‡‹”ƒǡ ‘ †‹•…—”•‘ ‘Ƥ…‹ƒŽ reforça  a  não  imposição  de  condicionali-­‐ dades.   Tradicionalmente,   a   oferta   de   cooperação   vem   acompanhada   da   requisição   de   algo   em   troca.   Basta   pensar   nos   auxílios   dados   pelo   Fundo   Monetário  Internacional  (FMI)  aos  países   latino-­‐americanos   na   década   de   1990.   Para   que   o   dinheiro   fosse   liberado,   era   necessário   seguir   uma   cartilha   de   ‡š‹‰²…‹ƒ•Ǥ ‘ “—‡ –ƒ‰‡   „”ƒ•‹Ž‡‹”ƒǡ …‘–—†‘ǡ ‘ †‹•…—”•‘ ‘Ƥ…‹ƒŽ enaltece  o  fato  de  não  haver  imposição   de   condicionalidades.   Além   disso,   ressalta-­‐se  que  a  cooperação  brasileira  é   oferecida   somente   em   caso   de   solici-­‐ tação  do  país  demandante.         ‘” Ƥǡ ˜ƒŽ‡ ‡…‹‘ƒ” “—‡ǡ ’ƒ”ƒ ‘ governo   brasileiro,   não   deve   haver   distinções   entre   países   doadores   e   países   receptores.   O   ato   de   cooperar   deve  ser  entendido  como  uma  “troca  de   semelhantes,   com   mútuos   benefícios   e   responsabilidades”  .  Segundo  o  discurso   ‘Ƥ…‹ƒŽǡ  ‘ Šž ƒ †‹…‘–‘‹ƒ †‘ƒ†‘”-­‐ receptor;  há  apenas  parceiros  e  parcerias.   Por  isso,   a  CSS   ser   considerada   coope-­‐   ração  horizontal,  ou  seja,  uma  forma  de   cooperação   em   que   não   prevalece   a   lógica   da   hierarquia   (modelo   “top-­‐down   aid”,  associado  aos  chamados  “doadores   tradicionais”).

1.Patrícia Tambourgi é doutoranda no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo. 2.VIGEVANI & CEPALUNI, 2007. 3.CARDOSO & MIYAMOTO, 2012. 4.United Nations Office for South-South Cooperation. Disponível em: http://ssc.undp.org/content/ssc.html 5.IPEA, 2010

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Foto:  Eskinder  Debebe  /  Divulgação  ONU Contribuições  a  organizações  internacionais  como  a  ONU  fazem  parte  da  CSS.  A  foto  registra  o  encontro  do  ex-­‐presidente   Lula  e  do  secretário-­‐geral  da  ONU,  Ban  Ki-­‐moon,  em  Gana,  um  dos  países  que  recebem  a  ajuda  brasileira.

III. DADOS O  Brasil  efetua  CSS  desde,  pelo  menos,   a   década   de   1970   .   Mas   foi   apenas   a   partir   de   meados   do   primeiro   mandato   do   governo   Lula   que   o   país   começa   a   ganhar   expressão   no   cenário   interna-­‐   cional  como  oferecedor  de  cooperação,  e   não  mais  apenas  de  tradicional  receptor.   O  COBRADI  2010  traz  estimativas  sobre   o   total   desembolsado   em   cooperação   entre  os  anos  2005  e  2009.  Antes  desse   período,  os   dados   estão   dispersos   e   não   sistematizados.   A  TABELA   1   apresenta   ƒ• ‡•–‹ƒ–‹˜ƒ• ‘Ƥ…‹ƒ‹• •‘„”‡ ‘ –‘–ƒŽ aplicado   pelo   governo   brasileiro   em   cooperação  horizontal  no  lustro  em  tela.  

TABELA 1. COOPERAÇÃO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO INTERNACIONAL 2005-2009. ANO

US$*

2005

158.103.452,99

2006 2007

277.208.407,83 291.898.650,33

2008

336.829.868,50

2009

362.210.063,08

TOTAL

1.426.250.442,73

FONTE: LEVANTAMENTO DA COOPERAÇÃO BRASILEIRA PARA O DESENVOLVIMENTOINTERNACIONAL 2005-2009.

Foto:  Logan  Abassi  /  Divulgação  ONU

IV. MODALIDADES

*US$ em valores correntes. A  metodologia  utilizada  no  Levantamento   Os   valores   apresentados   até   o   ano   de   apresenta  5  modalidades  de  oferecimento   2009   sugerem   que   a  CSS   brasileira   tem   de   cooperação   internacional,   como   …”‡•…‹†‘†‡ˆ‘”ƒŽ‡–ƒǡ’‘”±ǡ‰”ƒ†—ƒŽΉǤ mostra  a  TABELA  2.    

TABELA 2. MODALIDADES DE COOPERAÇÃO BRASILEIRA. MODALIDADE

DEFINIÇÃO

ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA10

Recursos destinados a salvar vidas, aliviar o sofrimento e manter e proteger a dignidade da pessoa humana durante ou após a ocorrência de conflitos ou desastres naturais. Ex: contribuições, em 2009, a Cuba, Haiti e Honduras para reconstrução após passagem dos furacões Gustav, Ike e Hannah.

BOLSAS DE ESTUDO PARA ESTRANGEIROS

Concessão de bolsas para nacionais de países recebendo qualquer tipo de educação, capacitação, treinamento ou aperfeiçoamento no Brasil ou no exterior.

COOPERAÇÃO TÉCNICA, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA

Disponibilização a outros países em desenvolvimento das experiências e dos conhecimentos de instituições especializadas nacionais, com o objetivo de colaborar na promoção do progresso econômico e social de outros povos. EX: transferência de tecnologia por meio da EMBRAPA a países da América Latina e África. Contribuições regulares para OIs com personalidade jurídica de Direito Internacional Público e cujos tratados foram internados na ordem jurídica nacional. EX: doação de recursos para o Programa Mundial de Alimentos/ONU.

CONTRIBUIÇÕES A ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS E BANCOS REGIONAIS OPERAÇÕES DE PAZ

Fonte: IPEA 6.LEITE, I.C., 2010. 7.IPEA, 2010. 8.LEITE & HAMANN, 2012.

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Forças militares e policiais brasileiras destinadas à garantia dos direitos humanos, ao monitoramento de eleições, à reabilitação e desmobilização de soldados, ao aconselhamento sobre estabilização civil, ao recolhimento de armas da população civil, à desativação de minas terrestres dentre outros. Ex: MINUSTAH.


Distribuição   de   comida   e   ĂĄgua   em   CitĂŠ   Soleil,   em   Porto   PrĂ­ncipe,   no   Haiti   (Foto:  Sophia   Paris/   Divul-­â&#x20AC;? gação  ONU)

V. SOLIDARISMO INTERNACIONAL versus INTERESSE Â&#x152;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2021;ƤÂ&#x17D;Ă&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2014;Ă&#x20AC;­Â&#x2018;Â?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x17D;ÇĄ em   sua   clĂĄssica   obra   O   Direito   das   Gentes,   foi   um   dos   precursores   na   defesa   da   prĂĄtica   da   cooperação   entre   as   naçþes.   Na   realidade,   percebia   uma   noção  moral  que  ia  alĂŠm  da  cooperação,   Â&#x2026;Â&#x2018;Â?ƤÂ&#x2030;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2018; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â?Â&#x2018;Â&#x2014; Â&#x2020;Â&#x2021; ofĂ­cios  de  humanidade.   â&#x20AC;&#x153;Os   ofĂ­cios   de   humanidade   sĂŁo   esses   socorros,  esses  deveres,  a  que  os  homens   estĂŁo   obrigados,   reciprocamente,   na   qualidade   de   homem,   ou   seja,   na   qualidade  de  serem  feitos  para  viver  em   sociedade,  os  quais  tĂŞm  a  necessidade  de   ajuda   mĂştua,   para   a   prĂłpria   preservação   e   felicidade   e   para   viverem   de   maneira   Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â?Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x153;Â&#x192;ǤÂ&#x201D;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; as  Naçþes  nĂŁo  estĂŁo  menos  submetidas   Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022; Â?Â&#x2022; Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x2022; Â?Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;ÇĄ Â&#x2018;Â&#x2022; deveres  que  um  homem  tem  para  com  os   outros   homens,   uma   Nação   os   tem   de   maneira  prĂłpria  para  com  as  outrasšš  â&#x20AC;?. Nascido   cerca   de   50   anos   depois   da   Â&#x2026;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;­ Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2019;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192;Â?Â&#x2018;ÇĄÂ&#x192;Â&#x2013;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x17D; ĂŠ  considerado  um  dos  pais  da  tradição  

liberal   de   anĂĄlise   das   relaçþes   interna-­â&#x20AC;?   cionais.   A   ele   se   opĂľe,   contudo,   uma   percepção   realista   das   relaçþes   entre   os  Estados,  para  a  qual  o  interesse  Ê  o   motor  das  açþes  externas  de  um  paĂ­s.   Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;ÇĄ Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2018; Â&#x2018;ƤÂ&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D; enaltece   o   viĂŠs   solidĂĄrio   nos   atos   de   cooperar.   Considera,   tambĂŠm,   a   cooperação  como  uma  parceria,  e  nĂŁo   uma  relação   de   hierarquia,   por   meio   da   qual  os  dois  lados  saem  ganhando.   Mas   que   tipo   de   ganhos   obtĂŠm   o   paĂ­s   por   meio   de   CSS?   Sugere-­â&#x20AC;?se,   em   primeiro   lugar,   adensamento   de   â&#x20AC;&#x153;soft   powerâ&#x20AC;?.   TambĂŠm   possĂ­vel   considerar   ganhos   comerciais,   econĂ´micos,   polĂ­ti-­â&#x20AC;? cos,   aprofundamento  de   laços   culturais,   etc.   As   verbas   empregadas   em   coope-­â&#x20AC;?   Â&#x201D;Â&#x192;­ Â&#x2018;Â? Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2018;ÇĄÂ&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2018;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;ƤÂ?Â&#x2039;­ Â&#x2018; do   IPEA/MRE,   totalmente   a   fundo   perdido.   Embora   o   discurso   solidarista   seja   forte,   a   prĂĄtica   indica   a   possibili-­â&#x20AC;? dade  de  bons  frutos  nĂŁo  apenas  para  o   paĂ­s   que   recebe,   mas   tambĂŠm   para   o   paĂ­s  que  oferece  cooperação.  

VI.CONSIDERAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES FINAIS A   CSS   tem-­â&#x20AC;?se   tornado   cada   vez   mais   importante   na   agenda   externa   brasileira.   Com  efeito,  a  CSS  cresce  no  Brasil  de  

maneira  lenta  e  gradual,  e  sem  a  existĂŞncia   de  uma  verdadeira  polĂ­tica  de  cooperação   internacionalš².   Ă&#x2030;   necessĂĄrio   atentar,   todavia,  para  a  maneira  como  vem  sendo   conduzida  a  CSS  pelo  Estado  brasileiro.   A  despeito  da  discussĂŁo  sobre  se  Ê  positivo   ou   nĂŁo   a   ausĂŞncia   de   imposição   de   condi-­â&#x20AC;? cionalidades,  o  fato  Ê  que  a  sua  nĂŁo  exigĂŞn-­â&#x20AC;? Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;ÇĄÂ&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2039;Â?Â&#x2026;Ă&#x20AC;Â&#x2019;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018; Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x192; Â? Â&#x2018; Â&#x2039;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â?­ Â&#x2018; Â&#x2021; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018; Â? soberania,   fortalece   o   discurso   de   Brasil   Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018; Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2020;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x192; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2039;ƤÂ&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192; Â&#x2021; conciliatĂłria,   nĂŁo   imperialista,   com   tolerância   ĂŠtnica,   religiosa   e   cultural.   Trata-­â&#x20AC;?se   de   atributos   do   â&#x20AC;&#x153;soft   powerâ&#x20AC;?   nacional,  empregados  favoravelmente  ao   paĂ­s  nĂŁo  sĂł  no  incremento  de  suas  relaçþes   com   paĂ­ses   em   desenvolvimentoš³,   mas   tambĂŠm   na   possibilidade   de   geração   de   ganhos  polĂ­ticos  e  econĂ´micos,  por  exem-­â&#x20AC;? plo.   Nesse   sentido,   a   prĂĄtica   de   CSS   contribui  para  a  estratĂŠgia  mais  ampla  de   construção   de   uma   imagem   positiva   e   atuante  no  cenĂĄrio  internacional. O  IPEA  deve  divulgar,  em  breve,  um  levan-­â&#x20AC;? tamento   atualizado   com   dados   atĂŠ   2012.   O   novo   estudo   permitirĂĄ   anĂĄlise   mais   consistente   sobre   a   evolução   da   CSS   brasileira,   viabilizando   observação   dos   resultados   desse   novo   instrumento   de   polĂ­tica  externa  brasileira.  

REFERĂ&#x160;NCIAS BIBLIOGRĂ FICAS CARDOSO,  S.,  &  MIYAMOTO,  S.  (2012).  A  polĂ­tica  externa  dos  governos  Geisel  e  Lula:  similitudes  e  diferenças.  Revista  de  Economia  &   Relaçþes  Internacionais  ,  vol.11  (21),  33-­â&#x20AC;?49. IPEA.   (2010).   Cooperação   Brasileira   para   o   Desenvolvimento   Internacional:   Primeiro   Levantamento   (2005-­â&#x20AC;?2009)   -­â&#x20AC;?   Guia   de  Orientaçþes   BĂĄsicas.  BrasĂ­lia. IPEA;  ABC(a).  (2010).  Cooperação  brasileira  para  o  desenvolvimento  internacional.  BrasĂ­lia:  IPEA:  ABC. LEITE,   I.   C.,   &   HAMANN,   E.   P.   (2012).   Â&#x2018;Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x2013;ÂąÂ&#x2026;Â?Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192; Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192;ÇŁÂ&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x17D;ÇĄ Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;ƤÂ&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2021; Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Ǥ   Fonte:   Instituto   IgarapĂŠ:   http://igarape.org.br/wp-­â&#x20AC;?content/themes/igarape_v2/pdf/Nota_estrategica_04_outubro.pdf LIMA,  M.  R.  (2010).  Tradição  e  Inovação  na  PolĂ­tica  Externa  Brasileira  .  Plataforma  DemocrĂĄtica. THE  ECONOMIST.  (2010).  Speak  softly  and  carry  a  blank  cheque.  The  Economist  . ÇĄǤǤČ&#x2039;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2DC;Í&#x153;Č&#x152;ǤO  direito  das  gentes.  BrasĂ­lia,  DF:  Instituto  de  Pesquisa  de  Relaçþes  Internacionais  :  Editora  Universidade  de  BrasĂ­lia. 

 ÇĄǤǥĆŹ ÇĄ ǤČ&#x2039;Í&#x161;Í&#x2DC;Í&#x2DC;Í&#x;Č&#x152;ǤÂ&#x2018;Â&#x17D;Ă&#x20AC;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x161;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2DC;Â&#x192;ÇŁÂ&#x192;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2013;ÂąÂ&#x2030;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â?Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2039;ƤÂ&#x2026;Â&#x192;­ Â&#x2018;ǤCONTEXTO   INTERNACIONAL  ,  vol.  29  (nÂş2),  273-­â&#x20AC;?335. 9.Os nĂşmeros apresentados no COBRADI sĂŁo questionados na reportagem â&#x20AC;&#x153;Speak softly and carry a blanque chequeâ&#x20AC;?, da revista britânica The Economist. Segundo o artigo, os dados providos pela ABC sĂŁo inferiores Ă  realidade. No texto, reconhece-se, contudo, que o Brasil, sem atrair muita atenção, estĂĄ rapidamente se tornando um dos maiores provedores de cooperação a paĂ­ses pobres. 10.O termo utilizado atualmente pelo MRE ĂŠ â&#x20AC;&#x153;cooperação humanitĂĄriaâ&#x20AC;?. 11.VATTEL, 2004. 12.LEITE & HAMANN, 2012. 13.LIMA, 2010.

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VIDA  DE  DIPLOMATA Na seção “Vida de Diplomata”, a Revista Sapientia entrevista diplomatas atuantes no Ministério das Relações Exteriores brasileiro, com o intuito de saber mais sobre a carreira diplomática, considerando seus desafios e dificuldades, e os caminhos traçados para chegar ao tão desejado sonho da aprovação no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata.

ENTREVISTA COM O DIPLOMATA

GERSON CRUZ GIMENES POR ANA PAULA S. LIMA

O Terceiro-Secretário Gerson Cruz Gimenes, 32 anos, foi aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata em 2009. Formado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Gerson trabalha atualmente na Divisão de Pessoal do Itamaraty. Nesta entrevista, o diplomata conta os desafios enfrentados durante a preparação para o concurso – ele já era casado, tinha um filho e teve de trabalhar durante boa parte desse período – e fala do trabalho que desenvolve hoje no Ministério. Sapientia Pergunta: “—‡‘Ž‡˜‘—‡•…‘ŽŠƒ†ƒ…ƒ””‡‹”ƒ †‡†‹’Ž‘ƒ–ƒǫ—ƒ†‘‹••‘‘…‘””‡—ǫ

GERSON CRUZ GIMENES: De   ˆ‘”ƒ‰‡”ƒŽǡ‘†‡•ƒƤ‘†‡”‡’”‡•‡–ƒ”‘ •–ƒ†‘ „”ƒ•‹Ž‡‹”‘ ‡ — …‘–‡š–‘ ‹–‡”ƒ…‹‘ƒŽ ƒ‹• …‘’Ž‡š‘ ‡ …‘ †‹ˆ‡”‡–‡•ƒ–‘”‡•Ǥ•’‡…‹Ƥ…ƒ‡–‡ǡ’‡Žƒ ’‘Ž‹˜ƒŽ²…‹ƒ†ƒ…ƒ””‡‹”ƒ‡’‡Žƒ’‘••‹„‹Ž‹-­‐ †ƒ†‡ †‡ –”ƒ„ƒŽŠƒ” ‡ †‹ˆ‡”‡–‡• ž”‡ƒ• ȋ’‘ŽÀ–‹…ƒǡ —Ž–‹Žƒ–‡”ƒŽǡ ‡…‘Ø‹…ƒǡ ‡‡”‰±–‹…ƒǡ …‘•—Žƒ”ǡ …‡”‹‘‹ƒŽǡ ‡–”‡ ‘—–”ƒ•Ȍǡ •‡Œƒ ‘ ”ƒ•‹Žǡ •‡Œƒ ƒ ”‡†‡ †‡ ’‘•–‘•‘‡š–‡”‹‘”Ǥ

Sapientia Pergunta:

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Sapientia Pergunta: 2—‹–‘…‘—‘—˜‹”‘•†‘•…ƒ†‹-­‐ †ƒ–‘•“—‡‘’”‘…‡••‘†‡’”‡’ƒ”ƒ­ ‘ ’ƒ”ƒ‘…‘…—”•‘–ƒ„±‘•‡•‹ƒƒ ‡•–—†ƒ”Ǥ ••‘ ƒ…‘–‡…‡— …‘ ˜‘…²ǫ žƒŽ‰—ƒ†‹…ƒ“—‡“—‡‹”ƒ…‘’ƒ”-­‐ –‹ŽŠƒ” …‘ ‘• Ž‡‹–‘”‡• †ƒ ‡˜‹•–ƒ ƒ’‹‡–‹ƒǫ

GERSON CRUZ GIMENES: Esse  

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GERSON E SUA ESPOSA FLÁVIA

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Sapientia Pergunta: ƒ”ƒ ƒ–‡” ƒ …‘…‡–”ƒ­ ‘ǡ ± ‡…‡••ž”‹ƒ„‘ƒ†‘•‡†‡•‡”‡‹†ƒ†‡ ‡’‡”•‡˜‡”ƒ­ƒǤ—ƒŽ“—‡”’‡••‘ƒ± …ƒ’ƒœ ‡  ‘ †‡˜‡ •—„‡•–‹ƒ”Ǧ•‡Ǥ —–”ƒ †‹…ƒ ± ’”‘…—”ƒ” ‡…ƒ”ƒ” ‘ …‘…—”•‘ ‘…‘‘—ˆƒ”†‘ǡƒ• …‘‘—̺‡•–‹Ž‘†‡˜‹†ƒ̺ǡ—”‹–—ƒŽ †‡’ƒ••ƒ‰‡Ǥ

Sapientia Pergunta:

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GERSON CRUZ GIMENES: 2—‹–‘ GERSON CRUZ GIMENES:  ”‡Žƒ–‹˜‘ Œ—Ž‰ƒ”Ǧ•‡ ‡ˆ‡–‹˜ƒ‡–‡ ’”‡’ƒ”ƒ†‘ ƒ’‘‹‘ˆƒ‹Ž‹ƒ”ˆ‘‹†‡…‹•‹˜‘Ǥ‹Šƒ‡•’‘•ƒ Žƒ˜‹ƒ †‡‘•–”ƒ˜ƒ …‘Ƥƒ­ƒ ‡ ‡— ²š‹–‘ȋƒ‹•†‘“—‡‡—’”×’”‹‘Ȍ‡•‡’”‡ ‡ ‹…‡–‹˜‘—Ǥ ‡— ƤŽŠ‘ ‘”‡œ‘ǡ Š‘Œ‡ …‘ ͟ ƒ‘•ǡ ‡”ƒǡ ƒ‘ ‡•‘ –‡’‘ǡ ‹Šƒ• †‹•–”ƒ­ ‘ǡ ˆ‘”­ƒ ‡ ‘–‹˜ƒ­ ‘Ǥ ‡— ’ƒ‹ ‡ ‡—• ‹” ‘•ǡ ƒ’‡•ƒ” †‡  ‘ –‡”‡ …‘Š‡…‹‡–‘ †ƒ• ’‡…—Ž‹ƒ”‹†ƒ†‡• †ƒ ’”‘˜ƒǡ ˆ‘”ƒ –ƒ„± ‡— „”ƒ­‘ †‹”‡‹–‘Ǥ —–”‘ •—’‘”–‡ “—‡ ’”‘…—”‘ ‡…‹‘ƒ” ˆ‘‹ ‘ †‘• ’”‘ˆ‡••‘”‡•ǡ “—‡ •‡–‹”ƒ ‘• ’”‘‰”‡••‘• ‡ „—•…ƒ”ƒ ‹…‡••ƒ–‡‡–‡ ‹…‡–‹˜ƒ”ǡ ‹…Ž—•‹˜‡ǡ ƒ’‘–ƒ†‘ ‹Šƒ• ˆ”ƒ“—‡œƒ•Ǥ  ˆƒÀŽ‹ƒ †‡˜‡ •‡” ‡–‡†‹†ƒ …‘‘ — …‘„—•-­‐ –À˜‡Ž’ƒ”ƒƒ’”‡’ƒ”ƒ­ ‘Ǥ•‡”Š—ƒ‘± ‹’‡Ž‹†‘’‘”†‡•ƒƤ‘•Ǣ‹’‘”–ƒ—‹–‘†‡ “—‡ˆ‘”ƒ…ƒ†ƒ—‘•‡ˆ”‡–ƒǤ”‘…—”‡‹ǡ ƒ ‡†‹†ƒ †‘ ’‘••À˜‡Žǡ  ‘ …‘Ž‘…ƒ” ƒ ˆƒÀŽ‹ƒ ‡ ‘• ”‡•’‡…–‹˜‘• …‘’”‘‹••‘• ‡ •‡‰—†‘ ’Žƒ‘Ǥ  Žƒ˜‹ƒ –ƒ„± –‹Šƒ ƒ†˜‡”•‹†ƒ†‡• ‘ –”ƒ„ƒŽŠ‘ǡ †ƒ ‡•ƒ ˆ‘”ƒ “—‡ ‘ ‘”‡œ‘ ‡•–ƒ˜ƒ ‘ ‹À…‹‘†‘†‹ˆÀ…‹Ž’”‘…‡••‘†‡ƒŽˆƒ„‡–‹œƒ­ ‘Ǥ 2 ”‡…‘‡†ž˜‡Ž –ƒ„± –‡” •‡’”‡ —Žƒ‘Ǥ‹’‘†‡”ž˜‡Ž‡ƒ•‘”–‡

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Sapientia Pergunta:

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GERSON

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Sapientia Pergunta:

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GERSON CRUZ GIMENES: 

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VIDA  DE  CONCURSEIRO A candidata Gabriela M. analisa alguns fatores externos que podem viabilizar a aprovação e conta por que seu aprendizado vai alÊm das disciplinas cobradas na prova.

CRESCIMENTO INTELECTUAL E PESSOAL

NA PREPARAĂ&#x2021;Ă&#x192;O PARA O CACD GABRIELA M. Quem  estuda  hĂĄ  mais  de  dois  anos  para   o   Concurso   de   AdmissĂŁo   Ă    Carreira   de   Diplomata   deve   estar   familiarizado   Ă s   oscilaçþes   e   aos   questionamentos   que   essa   escolha   implica.   Claro   que   cada   caso  Ê  único.  JĂĄ  vi  de  tudo:  paraquedista   Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x192;Â?Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x192;ƤÂ?Â&#x192;Â&#x17D;Â?Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2039;Â?Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x192;-­â&#x20AC;? tiva;  pessoas  que  obtiveram  a  aprovação   apĂłs  um  ou  dois  anos  de  estudo;  gente   que   foi   aprovada   depois   de   seis   ou   mais   anos  de  preparação;  entre  outros.  A  meu   ver,  o  tempo  necessĂĄrio  atĂŠ  a  aprovação   no   concurso   irĂĄ   depender   de   uma   sĂŠrie   de   fatores,   como   famĂ­lia,   formação   e   a   prĂłpria   personalidade   do   candidato.   NĂŁo   ĂŠ   como   uma   receita   de   bolo,   mas   sĂŁo  pontos  que  devem  ser  considerados.

FAMĂ?LIA No  inĂ­cio  da  minha  preparação,  conheci   uma  garota  que,  embora  fosse  extrema-­â&#x20AC;? mente   inteligente,   parecia   desfocada:   faltava   Ă s   aulas   e   nĂŁo   deixava   de   sair   mesmo   durante   a   semana.   Passou   na   primeira   tentativa.   Conversando   com   Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;ÇĄ Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x201E;Â&#x201D;Â&#x2039; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192; ƤÂ&#x17D;Â&#x160;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;²Â?Â&#x2039;-­â&#x20AC;? cos   reconhecidos.   Ainda   que   nĂŁo   seja   um   prĂŠ-­â&#x20AC;?requisito   para   a   aprovação,   crescer   em   um   ambiente   que   coloca   uma  pessoa  em  contato  com  as  ideias  de   grandes   intelectuais   ĂŠ   uma   vantagem.   Ela  jĂĄ  havia  lido  algumas  obras  de  refe-­â&#x20AC;?   Â&#x201D;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x2018;  Â?Â&#x192; Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;ÇĄ Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D; pura   curiosidade.   Acredito   que   tudo   o   que   se   faz   por   prazer   tem   maior   assimi-­â&#x20AC;? lação   e   retenção   na   memĂłria.   Sorte   e   mĂŠrito  dela. Outro   fator   importante   nos   estudos   ĂŠ   que  a  famĂ­lia  aprove  o  projeto   do   candi-­â&#x20AC;? dato   e   entenda   que   a   aprovação   pode   levar   um   tempo.   Para   quem   nĂŁo   teve   muito   contato   com   a   maior   parte   das   disciplinas   do   CACD,   acho   importante   um  perĂ­odo  de  foco  total  â&#x20AC;&#x201C;  sem  trabalho   e   com   algumas   concessĂľes,   como   a   Â&#x2020;Â&#x2039;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x2014;Â&#x2039;­ Â&#x2018; Â?Â&#x192; Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x201C;Â&#x2014;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x2021;Â?Â&#x2022; Â&#x2021; saĂ­das  com  os  amigos.  Se  o  candidato   24

Compartilhar fichamentos e dicas com os colegas, e evitar a competitividade ajudam a manter um ambiente de tranquilidade no decorrer da preparação. Ausência de conflitos ajuda a manter o foco e a motivação.

nĂŁo   contar   com   o   apoio   emocional   e   ƤÂ?Â&#x192;Â?Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x192;Â?Ă&#x20AC;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192;ÇĄÂąÂ&#x2C6;Â&#x2014;Â?Â&#x2020;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; planeje   como   irĂĄ   se   bancar   durante   o   perĂ­odo   em   que   estiver   estudando.   Fazer  uma  poupança  antes  Ê  desejĂĄvel,   assim  como  fazer  trabalhos  esporĂĄdicos   durante  a  preparação.  Por  outro  lado,  a   pressĂŁo  da  famĂ­lia  pode  ser  um  estimu-­â&#x20AC;? lante,  porque  nĂŁo  acomoda  o  candidato.   Se  ele  sabe  que  tem  o  apoio  da  famĂ­lia   somente  durante  um  perĂ­odo,  Ê  natural   que  se  force  um  pouco  mais. Trabalhar  e  estudar  Ê  viĂĄvel,  desde  que  o   candidato   consiga   se   organizar   e   abdique   de   algumas   coisas,   como   horas   Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;Ă&#x20AC;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2022;Ǥ Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â? Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2030;Â?Â&#x2039;ƤÂ&#x2026;Â&#x192;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; ele  deve  se  isolar  do  mundo,  mas  tentar   conseguir  um  equilĂ­brio  entre  os  estudos   e   outras   atividades.   Se   o   candidato   estiver   motivado,   ele   farĂĄ   concessĂľes   Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2DC;²njÂ&#x17D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2014;Â?Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2018;Ǥ

FORMAĂ&#x2021;Ă&#x192;O ACADĂ&#x160;MICA Quanto   mais   cedo   o   candidato   decidir   que   quer   ser   diplomata,   melhor,   pois   poderĂĄ  iniciar  o  estudo  de  idiomas  mais  

cedo,   assim   como   direcionar   a   sua   Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;Â?Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;²Â?Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2021; ƤÂ?Ǥ Intercâmbios,   estĂĄgios   em   Ăłrg��Łos   governamentais   e   no   terceiro   setor,   Â&#x2039;Â?Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Ă&#x20AC;ƤÂ&#x2026;Â&#x192;ÇĄ Â&#x201E;Â&#x2018;Â? Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x2021;Â?Â&#x160;Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;²Â?Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x152;Â&#x2014;Â&#x2020;Â&#x192;Â? Â?Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Ǥ Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x201D; Â&#x2018;Â&#x2022; estudos   com   seriedade   desde   a   Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x201D;Â?Â&#x192;Â&#x2014;Â?Â&#x160;Â&#x17E;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?-­â&#x20AC;? volve   caracterĂ­sticas   que   ajudarĂŁo   no   concurso   como   disciplina,   organização,   boa   capacidade   de   concentração   e   de   assimilação  dos  conteĂşdos. No   meu   caso,   a   decisĂŁo   de   estudar   para   Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2021;ÇĄÂ&#x2013;Â&#x201D;²Â&#x2022;Â&#x192;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2039;Â&#x2022; de  haver  me  formado  em  Propaganda  e   Marketing.   Eu,   que   nunca   havia   me   esforçado  muito  para  passar  de  ano  no   colĂŠgio   e   na   faculdade,   quase   tive   um   Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2026;Ă&#x2014;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2018;ǤÂ&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;ƤÂ&#x2018;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2021;Â?Â&#x2018;Â&#x201D;Â?Â&#x2021;Â&#x2021; eu   me   sentia   frustrada   na   maior   parte   das   vezes.   NinguĂŠm   gosta   de   ser   Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;ÇĄ Â?Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2039;²Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192; Âą Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;-­â&#x20AC;? dade   desejĂĄvel,   pois   permite   que   o   candidato   se   mantenha   equilibrado   e   resiliente   durante   a   preparação.   No   primeiro  ano,  alĂŠm  das  aulas,  conseguia   estudar,  no  mĂĄximo,  quatro  horas  por  


dia.  Pode  não  parecer  muito,  mas  era  o   •—Ƥ…‹‡–‡ ’ƒ”ƒ ‡ †‡‹šƒ” ‡šƒ—•–ƒ ‡ ‡— sabia  que  estava  fazendo  o  melhor  que   podia.  Com  o  tempo,  a  concentração  e  o   conhecimento   das   matérias   aumenta-­‐ ram,   elevando   a   qualidade   dos   meus   estudos.   Com   isso,   consegui   aumentar   as  horas  de  estudo  de  forma  gradual.

PERSONALIDADE DO CANDIDATO ‘•†‹ƒ•†‡Š‘Œ‡ǡƒ‡š’”‡•• ‘Dz‹–‡Ž‹‰²-­‐ cia   emocional”   está   em   voga.   Quem   é   “—‡—…ƒ•‡†‡’ƒ”‘—…‘‡ŽƒƒDz‘…² Ǥdz ‡ ‡ ƒ”–‹‰‘• •‘„”‡ ²š‹–‘ ’”‘Ƥ•-­‐ sional,   familiar   e   até   amoroso?   Eu   acredito   que   seja   um   elemento   impor-­‐ tante  na  preparação.  Surtar,  não   acredi-­‐ tar  na  própria  capacidade,  desvalorizar-­‐ se,  ser  carrasco  de  si  mesmo  atrapalham   muito.   Minha   dica   é:   seja   bacana   consigo   mesmo,   reconheça   seus   pontos   fracos,   mas   nunca   se   esqueça   dos   seus   pontos   fortes   e   das   conquistas   obtidas   durante   a   preparação.   Reconheça   que   o   processo   é   cíclico:   com   fases   de   mais   foco   e   outras   com   um   rendimento   intelectual  mais  baixo.  Pensar  de  forma   saudável  ajuda  a  manter  a  motivação  e  a   sanidade  mental. Outra   coisa   que   observei   e   ainda   ‘„•‡”˜‘±“—‡ƒ…‘˜‹˜²…‹ƒ…‘‘—–”‘•

pode   ser   desestabilizadora   para   alguns   candidatos.  Não  raro  vemos  emergir  em   nós  mesmos  e  em  outros  sentimentos  de   competitividade,   inveja   (sim,   é   difícil   admitir)   e   constantes   comparações   com   nossos   colegas.  Com   o   tempo,   percebe-­‐ mos   que   se   trata   de   uma   grande   armadilha,  que  só  nos  descontrola.  Cuide   dos  seus  relacionamentos  –  sejam  lá  quais   forem.  Tente   não   se   afastar   de   amigos   antigos  e  da  família  (eles  são  um  oásis  no   ‡‹‘ †ƒ ’ƒ”ƒ‘‹ƒ ‡ †‘ ‡•–”‡••‡Ȍ ‡ Ƥ“—‡ atento   ao   estabelecer   novas   relações,   com   pessoas   que   tenham   o   mesmo   ‘„Œ‡–‹˜‘“—‡˜‘…²Ǥƒ”ƒ“—‡‡••ƒ•relações   •‡Œƒ’‘•‹–‹˜ƒ•ǡƒ…”‡†‹–‘“—‡•‡Œƒ•—Ƥ…‹‡–‡ agir   com   generosidade,   trocando   dicas   e   Ƥ…Šƒ‡–‘• …‘ ‘• …‘Ž‡‰ƒ• ‡ —•—ˆ”—‹†‘ da   companhia   deles   nos   momentos   de   lazer.  Quando  a  generosidade  não  bastar  e   seu  colega  despertar  qualquer   sentimento   ‡‰ƒ–‹˜‘ ‡ ˜‘…²ǡ –ƒŽ˜‡œ •‡Œƒ ‡ŽŠ‘” •‡ impor  ou  se  afastar.  Percebi  que  a  gente  é   muito  responsável  pelo  ambiente  que  nos   circunda.  Claro  que  muitas  dessas  dinâmi-­‐ cas   se   formam   sem   a   gente   se   dar   conta,   mas  é  preciso  tentar  se  manter  alerta  ao   que   certos   estímulos   nos   provocam.   O   ideal   é   conseguir   manter   um   ambiente   œ‡‡•‡—‹–‘•…‘ƪ‹–‘•Ǥƒ•‡‹†‡˜‡” gente   preparada   pondo   tudo   a   perder   no   dia   do   T PS   por   causa   de   estresse   ou   porque   h avia   t erminado   u m   n amoro  

meses  antes.  O  nome  disso?  Autossabo-­‐ tagem.

A PREPARAÇÃO PARA O CACD A   preparação   para   o   concurso   não   traz   apenas  um  ganho  em  conhecimento.  Não   ± ƒ’‡ƒ• ‡ ‘”–—‰—²•ǡ …‘‘‹ƒǡ ‹•–×”‹ƒ‡‡‘—–”ƒ•ƒ–±”‹ƒ•“—‡Ƥ…ƒ‘• melhores.   Não   é   apenas   a   capacidade   de   associação   e   de   argumentação   que   melhora.   Tenho   tido   oportunidade   de   conhecer   muito   sobre   mim   no   decorrer   desse   processo   e   sobre   o   outro,   que   no   Ƥ†ƒ•…‘–ƒ•‡±– ‘†‹ˆ‡”‡–‡ƒ••‹ de   mim.   Passei   a   me   aceitar   um   pouco   mais  e  ganhei  jogo  de  cintura.   Como  eu  disse  no  começo,  o  concurso  nos   expõe  constantemente  às  nossas  falhas.  É   preciso   admiti-­‐las   e   tentar   melhorá-­‐las.   Creio  que  o  nome  disso  seja  maturidade.   Vejo   a   escolha   de   estudar   para   o  CACD   como  um  ato  de  extrema  coragem,  pois   obriga   qualquer   um   a   sair   da   zona   de   conforto.  Seria  mais  fácil  não  se  deparar   com   nada   que   nos   expusesse   nem   que   abalasse   as   nossas   próprias   certezas   (certeza  de  que  merecemos  mais  do  que   qualquer   um,   certeza   da   nossa   “geniali-­‐ dade”,   da   nossa   sagacidade,   etc).   Aproveite   esse   tipo   de   questionamento   para   crescer   não   apenas   intelectual-­‐ mente,  mas  também  como  indivíduo.  

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MARATONA SAPIENTIA

CACD 2013

CURSOS DE REVISテグ PARA AS

4 FASES DO CACD


O CURSO SAPIENTIA COM VOCĂ&#x160; DO INĂ?CIO AO FIM DA SUA APROVAĂ&#x2021;Ă&#x192;O! A MARATONA CACD 2013 ĂŠ composta por 4 etapas, cada uma direcionada a uma fase do CACD!

1ÂŞ ETAPA: PROVA OBJETIVA 2ÂŞ ETAPA: CURSO DE REDAĂ&#x2021;Ă&#x192;O

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DESCONTOS

PROGRESSIVOS

3ÂŞ ETAPA: PROVAS DISSERTATIVAS 4ÂŞ ETAPA: CURSO DE LĂ?NGUAS

Quanto mais etapas você cursa, maior o seu desconto! E você ainda garante vantagens para os cursos regulares e avançados do Sapientia! Não perca mais tempo e inscreva-se jå!!

MATRĂ?CULAS ABERTAS

PARA A ETAPA 1: PROVA OBJETIVA tBVMBTEFINJODPNFYQPTJĂ&#x17D;Ă?PEFDPOUFĂ&#x17E;EPF resolução de questĂľes do CACD tSFQSJTFEBTBVMBT WĂ&#x201C;EFP Ă&#x2C6;VEJP

tBVMBTĂ&#x2039;OPJUF tEVSBĂ&#x17D;Ă?PTFNBOBT /B&5"1"EB."3"50/"$"$%BDBSHBIPSĂ&#x2C6;SJBEBTBVMBT varia conforme o peso da disciplina na prova objetiva. MAIS QUESTĂ&#x2022;ES NA PROVA OBJETIVA

INFORMAĂ&#x2021;Ă&#x2022;ES: (11) 2599.8333

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MAIS AULAS

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PRIMEIRA ETAPA DA MARATONA SAPIENTIA CACD 2013: SEGUNDA LARGADA Vai ser dada a segunda largada na Primeira Etapa da Maratona rumo ao CACD 2013! Estão abertas as matrículas para a segunda turma do curso preparatório para a primeira fase do concurso (prova objetiva). Serão oito semanas de aulas de uma hora e meia de duração, com exposição de conteúdos e resolução de questões de primeira fase. Ainda está na dúvida? Entre em contato conosco pelo querosabermais@cursosapientia.com.br e venha se tornar um Sapiente!

SEGUNDA ETAPA DA MARATONA SAPIENTIA CACD 2013: TUDO PRONTO! O Sapientia está preparando seu curso para a segunda fase do CACD 2013. A professora Claudia Simionato, à frente na Direção Pedagógica, continuará ministrando aulas expositivas e corrigindo as redações seguindo, rigorosamente, conforme já é de praxe, todos os prazos estipulados. A ficha técnica do curso e a abertura das matrículas acontecerão tão logo sejam definidas as datas do Concurso. Fique atento! As

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vagas serão limitadas.

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CAFE  COM  A  CLAUDIA

PONTUAĂ&#x2021;Ă&#x192;O A dificuldade no uso dos sinais de pontuação aparece frequentemente nas aulas de redação. Ao mesmo tempo que os sinais tentam recriar no texto o movimento da lĂ­ngua oral, eles tambĂŠm demandam o conhecimento da gramĂĄtica normativa, principalmente de sintaxe. Embora a reprodução da cadĂŞncia da fala seja sempre uma aproximação, hĂĄ casos mais objetivos que sĂŁo dignos de nota. Adriano da Gama Kury, em Ortografia, Pontuação, Crase , ĂŠ, na minha opiniĂŁo, o que melhor descreve essas regras. Importante lembrar que, no TPS, nĂŁo ĂŠ preciso se preocupar com vĂ­rgulas opcionais. Uma questĂŁo de C ou E que traz um advĂŠrbio nĂŁo virgulado nĂŁo ĂŠ errada, por exemplo. Erros no TPS sĂŁo vĂ­rgulas separando termos essenciais de integrantes, sujeito de verbo, verbo de seu complemento, ou seja, normalmente sĂŁo vĂ­rgulas a mais, nĂŁo a menos. Vejamos aqui alguns casos em que a vĂ­rgula tem função distintiva:

VĂ­rgula antes da conjunção â&#x20AC;&#x153;eâ&#x20AC;? HĂĄ  vĂ­rgula  antes  da  conjunção  â&#x20AC;&#x153;eâ&#x20AC;?  em  quatro  casos:  

a)  Quando  muda  o  sujeito  da  oraçãoš

ƤÂ?Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022;ÇĄÂ&#x2021;Â? Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2021;Â?Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â?Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;ǤČ&#x2039;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Č&#x152;  Â&#x201E;Č&#x152;Â&#x2014;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2018;DzÂ&#x2021;dz¹Â&#x2039;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x192;DzÂ?Â&#x192;Â&#x2022;dzǥÂ&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2018;¹ǥÂ&#x2013;Â&#x2021;Â?Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2018;   Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2022;Â? Â&#x2018;Â&#x2022;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x161;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2C6;Â&#x2014;Â&#x2030;Â&#x2039;Â&#x201D;ǤČ&#x2039;Â&#x2013;Â&#x17E;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021; Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Č&#x152;  Â&#x2026;Č&#x152;Â?Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2022;Ă&#x20AC;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2022;ÂąÂ&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x17D;   Â&#x153;Â&#x2014;Â?Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2DC;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2DC;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x153;Â&#x2014;Â?Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x192;ǤČ&#x2039;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Č&#x152; Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x2014;Â?Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2018;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â? Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x192;­Â&#x192;Â?Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â?Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2022;ǤČ&#x2039;Â&#x2021;Â&#x2026;Ă&#x20AC;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2022;Č&#x152; 

Â&#x2020;Č&#x152;Â&#x2018;Â&#x201D;²Â?Â&#x2C6;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2021;Č&#x2039;Â?Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2021;ÇĄÂ?Â&#x192;Â&#x2022;Â?Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x192;­ Â&#x2018;Â? Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Č&#x152;

Â&#x192;Â&#x2DC;ÂąÂ&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;ÇŚÂ&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2018;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2018;Â?Â&#x160;Â&#x2018;Â&#x2014;ǤČ&#x2039;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;Č&#x152;  Â?Â&#x192; Â&#x2018;Â&#x201E;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2DC;Â&#x192;­ Â&#x2018;ÇŁ Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â?Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2021;Â&#x2014; Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2018; DzÂ?Â&#x192;Â&#x2022; Â?Â&#x192; Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x192;­ Â&#x2018; Â? Â&#x2018; Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?dzǥ Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D; Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄ Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x152;Â&#x192;Â? Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x2018; Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x152;Â&#x2014;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x17E;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;ÇĄÂ?Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2014;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â? Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x17E;ÇŚÂ&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2DC;Ă&#x20AC;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2022;ǤÂ&#x2014;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2021;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2013;Â?Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x192; Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2021; Č&#x201A; Â&#x2021; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â?Â&#x2013;Â&#x2018; Â&#x2018; Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018; ƤÂ&#x2026;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192; Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x161;Â&#x2018; Â&#x2026;Â&#x2018;Â? Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x2DC;Ă&#x20AC;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x2022;ǤÂ&#x2021;Â&#x152;Â&#x192;Â? Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022; Â?Â&#x2018; Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2DC;ÂąÂ&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2022;ÇĄÂ&#x2021;Â?Â&#x17E;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Ă&#x2014;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2022;ÇĄÂ&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021; Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2014;Â&#x201D;Â&#x203A;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x192;ÇŁ Â?Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2019;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2014;ÇŚÂ?Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â?Â&#x2021;Ǥ Â?Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2018;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Ǥ Â&#x192;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â?²Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Í&#x2122;Í Í?ÍĄÇĄÂ&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x201E;Â&#x2021;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x192;Ǥ Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2039;Â?Â&#x2026;Ă&#x20AC;Â&#x2019;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2030;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2DC;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2021;ƤÂ?Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x201D;Ǥ Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2039;Â&#x2022;ÇĄÂ&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2021;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2014;ÇŚÂ&#x192;Ǥ Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x153;Â&#x2014;Â?Â&#x2030;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2039;Â?Â&#x2026;Â&#x201D;ÂąÂ&#x2020;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x2018;Ǥ Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2020;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x152;Â&#x2014;Â?­Ă&#x2122;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2021;Â?Â&#x192;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â? Â&#x2018;DzÂ&#x2021;dzǥÂ&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x160;Â&#x17E;Â&#x2DC;Ă&#x20AC;Â&#x201D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x17D;Â&#x192;Ǥ 1.Os nomes de livros sĂŁo sempre sublinhados.

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A vírgula pode diferenciar uma classificação sintática. Por exemplo, se escrevemos:  

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No TPS ȋ͚͘͘͠Ȍ Cada  uma  das  opções  subseqüentes  reproduz  períodos  do  texto,  aos  quais  se  acrescentaram  uma  ou  mais   ˜À”‰—Žƒ•ǡ“—‡ƒ’ƒ”‡…‡‡‰”‹–ƒ†ƒ•‡•—„Ž‹Šƒ†ƒ•ǡ•‡‰—‹†‘Ǧ•‡—ƒŒ—•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒǤ••‹ƒŽ‡ƒ‘’­ ‘‡“—‡± ‹’”‘…‡†‡–‡ƒŒ—•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒƒ’”‡•‡–ƒ†ƒ’ƒ”ƒ‘ƒ…”±•…‹‘†ƒȋ•Ȍ˜À”‰—Žƒȋ•ȌǤ  ƒȌ•‘Ž†ƒ†‘‡‘ƒ”‹Š‡‹”‘’‡”—–ƒ”ƒ„‘ˆ‡–ƒ†ƒ•ǡƒ‹•‘—‡‘•–‡×”‹…ƒ•ǡ—ƒ‡•“—‹ƒ†‡‹Šƒ ”—ƒǡ’‘”…ƒ—•ƒ†ƒƒ‘”ƒ†ƒ…‘—ǡ“—‡†‡˜‹ƒ…Šƒƒ”Ǧ•‡ƒ”Ž‡‡Ǥ   —•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒǣƒ˜À”‰—Žƒ•‡’ƒ”ƒƒ†Œ—–‘•ƒ†˜‡”„‹ƒ‹•“—‡‡š’”‡••ƒ‘­Ù‡•†‹ˆ‡”‡–‡•Ǥ  „Ȍ†—‡Ž‘†—”‘—˜‹–‡‹—–‘•ǡ‡…‹“ò‡–ƒ’‡••‘ƒ•ƒ••‹•–‹”ƒǤ   —•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒǣƒ˜À”‰—Žƒ•‡’ƒ”ƒ‘”ƒ­Ù‡•…‘‘”†‡ƒ†ƒ•“—‡ǡ—‹†ƒ•’‡Žƒ…‘Œ—­ ‘Dz‡dzǡ–²•—Œ‡‹–‘•†‹ˆ‡”‡–‡•Ǥ  …Ȍ†‹Ƥ…—Ž†ƒ†‡–‘–ƒŽˆ‘‹”‡…‘•–‹–—‹”‘†‡Ž‹–‘ǡ’‘”“—‡ǡ–ƒ–‘‘‹“—±”‹–‘’‘Ž‹…‹ƒŽ“—ƒ–‘ƒˆ‘”ƒ­ ‘ de   culpa   perante   o   juiz,   as   espontâneas   e   numerosas   testemunhas   prestaram   depoimentos   inteiramente   …‘–”ƒ†‹–×”‹‘•Ǥ   —•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒǣƒ•˜À”‰—Žƒ•‹•‘Žƒ‘ƒ†Œ—–‘ƒ†˜‡”„‹ƒŽƒ–‡…‹’ƒ†‘Ǥ  †Ȍ‘‘…‘‡­ƒ”ƒ‡…‘‘Ƥ†ƒ”ƒƒŽ—–ƒǡˆ‘‹‹’‘••À˜‡Žƒ’—”ƒ”Ǥ   —•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒǣƒ˜À”‰—Žƒ‹•‘Žƒ‘”ƒ­ ‘•—„‘”†‹ƒ†ƒƒ†˜‡”„‹ƒŽƒ–‡…‹’ƒ†ƒǤ  ‡Ȍ‹ƒ–‡†ƒ’”‡²…‹ƒ†ƒˆ‘‡ǡˆ”‹‘‡†‡•ƒ„”‹‰‘ǡ‘’”‹‡‹”‘ƒ–‡”‹ƒŽˆ‘‹‘ƒ‹•’”ך‹‘‡ƒ’”‹‡‹”ƒ –±…‹…ƒǡ‹’”‘˜‹•ƒ†ƒ’‡Žƒ—”‰²…‹ƒ˜‹–ƒŽǤ   —•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒǣƒ˜À”‰—Žƒ‹†‹…ƒ‡Ž‹’•‡†‘˜‡”„‘Ǥ ‘†ƒ•ƒ•Œ—•–‹Ƥ…ƒ–‹˜ƒ•‡•– ‘…‘””‡–ƒ•ǡ‡‘•ƒǡ“—‡±ƒ”‡•’‘•–ƒǤƒǡƒ˜À”‰—Žƒ ‘‹•‘Žƒ‘”ƒ­ ‘ƒ†˜‡”Ǧ „‹ƒŽƒ–‡…‹’ƒ†ƒǤ˜À”‰—Žƒ‡•–ž‹•‘Žƒ†‘‘”ƒ­ ‘•—„‘”†‹ƒ†ƒsubstantivaǤƒ‘”†‡†‹”‡–ƒǡ”‡…‘Š‡…²ǦŽƒ Ƥ…ƒƒ‹•ˆž…‹Žǣ ’—”ƒ”…‘‘…‘‡­ƒ”ƒ‡…‘‘Ƥ†ƒ”ƒƒŽ—–ƒˆ‘‹‹’‘••À˜‡ŽǤ ȋ’—”ƒ”‹••‘ˆ‘‹‹’‘••À˜‡ŽǤη‹••‘ηȌ ‘”ƒ­ ‘±‘„Œ‡–‘†‹”‡–‘†‘˜‡”„‘‘‹Ƥ‹–‹˜‘ǡ’‘”•—ƒ˜‡œï…Ž‡‘†‘•—Œ‡‹–‘†ƒ‘”ƒ­ ‘Dzˆ‘‹‹’‘••À˜‡ŽdzǤ ƒŽ‡Ž‡„”ƒ”“—‡ǡ‘–‡š–‘‘”‹‰‹ƒŽǡ‡•–ƒ‘”ƒ­ ‘ ‘–‹Šƒ˜À”‰—Žƒ‡Š—ƒ‡“—‡‡Ž•‘—Šƒ…‘””‘„‘”ƒ “—‡  ‘ Šž ˜À”‰—Žƒ ‡–”‡ ƒ ‘”ƒ­ ‘ •—„•–ƒ–‹˜ƒ ‡ •—ƒ ’”‹…‹’ƒŽǣ Dz‘• –‡”‘• ‡••‡…‹ƒ‹• ‡ ‹–‡‰”ƒ–‡• †ƒ ‘”ƒ­ ‘Ž‹‰ƒǦ•‡—•…‘‘•‘—–”‘••‡’ƒ—•ƒǢ ‘’‘†‡ǡƒ••‹ǡ•‡”•‡’ƒ”ƒ†‘•’‘”˜À”‰—Žƒ•Ǥ•–ƒ±ƒ ”ƒœ ‘’‘”“—‡ ‘±ƒ†‹••À˜‡Ž‘—•‘†ƒ˜À”‰—Žƒ‡–”‡—ƒ‘”ƒ­ ‘•—„‘”†‹ƒ†ƒ•—„•–ƒ–‹˜ƒ‡ƒ•—ƒ’”‹…‹Ǧ ’ƒŽdzȂȋ’ž‰Ǥ͘͞͝Ǥ͛‡†ȌǤ

Na redação  ‘•‡‡•“—‡­ƒ†‡“—‡Šž˜À”‰—Žƒƒ’ו‘†—’Ž‘–”ƒ˜‡•• ‘ǡ“—ƒ†‘‘••‹ƒ‹••‡ƒ…——Žƒǣ ƒ“—‡Ž‡‡’‹•×†‹‘Ȃ“—ƒ†‘‡Ž‡…Š‡‰‘—Ȃǡƒ…Š‡‹“—‡‡—’”‡…‹•ƒ˜ƒ†‡ƒ‹•…ƒŽƒǤ 30


UN  CAFE  AVEC  SAPIENTIA

OS VERBOS

AMENER/RAMENER, APPORTER/RAPPORTER IGOR BARCAš Estude  Idiomas  (www.estudeidiomas.com)

Entre meus estudantes de francês, sempre hå uma dúvida constante: qual Ê a diferença entre amener e ramener? E entre apporter e rapporter? Sempre respondo que não hå muito com o que se preocupar, pois qualquer dos verbos que você utilizar em sua fala serå compreendido. Não existe uma diferença muito clara entre eles quando tratamos da comunicação oral. Na escrita, porÊm, essas diferenças aparecem e Ê muito importante conhecê-las para poder utilizar esses verbos com propriedade. AlÊm do mais, quem não vai querer mostrar esse conhecimento ao avaliador da quarta fase?

Para iniciar o primeiro tópico do artigo, vamos começar pelo par amener/ramener e, em seguida, analisar o nosso segundo par nem tão romântico: apporter/rapporter. Para finalizar, construiremos uma tabela que melhorarå ainda mais nossa compreensão e facilitarå nossa assimilação.

1. AMENER Â&#x2039;Â&#x2022; Â&#x192; Â&#x2020;Â&#x2021;ƤÂ?Â&#x2039;­ Â&#x2018; Â&#x2020;Â&#x2018; Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2018;ÇŁ Çź conduire   vers   un   endroit Â&#x2018;Â&#x2014; vers   une   personne   une   personne,   un   animal   Âť,   Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2020;Â&#x2014;Â&#x153;Â&#x2039;Â&#x201D;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â?Â&#x17D;Â&#x2014;Â&#x2030;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2039;Â?Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x192;ǤÂ&#x192;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x2014;Â?Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2022; Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x201D; Â&#x2018;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2030;Â?Â&#x2039;ƤÂ&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2018;ÇŁ a)   Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x192;Â?°Â?Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2039;Â?Â&#x2018;Â?ƤÂ&#x17D;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2039;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x160;Â&#x192;Â&#x2039;Â?Ǥ Â&#x201E;Č&#x152;Â?°Â?Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x192;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2018;Â?Ǥ c)  Quâ&#x20AC;&#x2122;est-­â&#x20AC;?ce  qui  vous  amène  ici  ? Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x152;Â&#x2021;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â?ƤÂ&#x17D;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x17E;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â?Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x2014;ÂąÂ?ǢÂ?Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201E;ÇĄton  ami  Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x17E;Â&#x17D;Â&#x2021;Â&#x2DC;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x192; Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x192;ǢÂ&#x2021;ÇĄÂ?Â&#x2018;ĂŻÂ&#x17D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â?Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x161;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x17D;Â&#x2018;ÇĄÂ&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2021;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2018;Â?Â&#x192;Â?Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x2014;ÂąÂ?Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2018;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x2039;ÇĄÂ&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x152;Â&#x192;ÇĄ Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x153; Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x17D;Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2014;Â?Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x201D;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x17D;Â&#x2014;Â&#x2030;Â&#x192;Â&#x201D;Ǥ Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x152;Â&#x17E;Â&#x2C6;Â&#x2018;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2039;Â?Ă&#x20AC;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2030;Â&#x2018;ÇĄÂ&#x2021;Â&#x161;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2018;amenerÂ?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2018; apporterÇĄÂ?Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2021;Â?Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2018;¹ǥÂ&#x2019;Â&#x2018;Â&#x201D;ÂąÂ?ÇĄÂ&#x2026;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2021;Â? Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x201C;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2021;Â&#x2030;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2026;Â&#x201D;Â&#x2039;Â&#x2013;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x17D;Ă&#x20AC;Â?Â&#x2030;Â&#x2014;Â&#x192;ÇŁ Amène  les  ustensiles  ! Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2018;ÇĄÂ&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2018;amenerÂ&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x17E;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2020;Â&#x2014;Â&#x153;Â&#x2039;Â?Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2030;Â&#x2018;Â&#x2021;Â? Â&#x2018;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x192;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2014;Â?Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x192;Â&#x17D;ÇĄÂ&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â&#x2021;Â? Â&#x2022;Â&#x2014;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;ƤÂ?Â&#x2039;­ Â&#x2018;ǤÂ&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2026;Â&#x201D;Ă&#x20AC;Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x192;Ǥ Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x192;ƤÂ?Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x153;Â&#x192;Â&#x201D;ÇĄÂ&#x192;Â&#x2039;Â?Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x160;Â&#x17E;Â&#x192;Â&#x2019;Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x201E;Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2014;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x201E;Â&#x2018;Â&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â?Â&#x2039;Â?Â&#x192;l  s'amenÂ&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x2018;Â?Â&#x2018;Â&#x2022;Â&#x2021;Â?Â&#x2013;Â&#x2039;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2021; Í&#x2122;Ǥ Â&#x2030;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x201D;Â&#x2026;Â&#x192;ÇĄÂ&#x2019;Â&#x201D;Â&#x2018;Â&#x2C6;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2022;Â&#x2018;Â&#x201D;Â&#x2020;Â&#x2021;Â&#x2C6;Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2026;²Â&#x2022;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2022;Â&#x2013;Â&#x192;Â?Â&#x2018;ÇĄÂąÂ&#x17D;Â&#x2039;Â&#x2026;Â&#x2021;Â?Â&#x2026;Â&#x2039;Â&#x192;Â&#x2020;Â&#x2018;Â&#x2021;Â?Â&#x2021;Â&#x2013;Â&#x201D;Â&#x192;Â&#x2022; Â&#x201D;Â&#x192;Â?Â&#x2026;Â&#x2021;Â&#x2022;Â&#x192;Â&#x2022;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192; Â&#x2021;Â&#x2019;Â&#x2021;Â&#x17D;Â&#x192;Â?Â&#x2039;Â&#x2DC;Â&#x2021;Â&#x201D;Â&#x2022;Â&#x2039;Â&#x2013;ÂąÂ&#x2020;Â&#x2021;Â&#x192;Â?Â&#x2013;Â&#x2021;Â&#x2022;Ǥ 31


venirǡ‹•–‘±ǡ…‘‘•‹‰‹Ƥ…ƒ†‘†‡˜‹”Ǥ‡Œƒ„‡ǡ‡•–‡—•‘±ƒ’‡ƒ•ˆƒ‹Ž‹ƒ”‡–ƒ„± ‘…‘†‹œ…‘‘ ”‡‰‹•–”‘‡•…”‹–‘Ǥ ŽŽ‡•ǯƒ°‡–‘—•Ž‡•˜‡†”‡†‹•ƒ˜‡…•‡•‡ˆƒ–•Ǥ

2. RAMENER ž’ƒ”ƒ‘˜‡”„‘ramener‡…‘–”ƒ”‡‘•ƒ••‡‰—‹–‡•†‡Ƥ‹­Ù‡•Ȁ—–‹Ž‹œƒ­Ù‡•Ǥ‡Œƒ‘•…ƒ†ƒ—ƒ†‡Žƒ•…‘ •‡—•†‡˜‹†‘•‡š‡’Ž‘•ǣ ƒȌǼAmener  de  nouveau  vers  quelqu’un  une  personne,  un  animalǽǤ‡•–ƒ†‡Ƥ‹­ ‘ǡ‡…‘–”ƒ‘•ƒ‹†‡‹ƒ†‡ ”‡’‡–‹­ ‘ǡˆ—­ ‘‘”‹‰‹ƒŽ†‘’”‡Ƥš‘”‡ǦǤƒ•‘–‡“—‡‘˜‡”„‘•‡”˜‹”žƒ’‡ƒ•’ƒ”ƒ’‡••‘ƒ•‡ƒ‹ƒ‹•Ǥ

Žƒ”ƒ‡±•‘ƒ‹…Š‡œ‘—•Ǥ „ȌǼ‡‡”ƒ˜‡…•‘‹ƒ—Ž‹‡—“—ǯ‘ƒ“—‹––±ǽǤƒ”‡…‡…‘ƒƒ–‡”‹‘”ǡƒ•Šž—ƒ†‹ˆ‡”‡­ƒ…‘•‹•–‡–‡ǣ –”ƒœ‡‘•ƒŽ‰‘’ƒ”ƒ‘Ž‘…ƒŽ†‡‘†‡•ƒÀ‘•ǡ’ƒ”ƒ‘‘••‘Ž—‰ƒ”†‡‘”‹‰‡ȋ“—‡±‰‡”ƒŽ‡–‡‘••ƒ…ƒ•ƒȌǤ ŽŽ‡ƒ”ƒ‡±—‘‹•‡ƒ—Žƒƒ‹•‘Ǥ …ȌǼFaire  revenir  quelqu’un  au  lieu  d’où  il  est  parti  ǽǤ”ƒ–‹…ƒ‡–‡ƒ‡•ƒ†‡Ƥ‹­ ‘†ƒƒ–‡”‹‘”ǡƒ•…‘ —•‘†‡•–‹ƒ†‘‡š…Ž—•‹˜ƒ‡–‡ƒ’‡••‘ƒ•Ǥ ŽŽ‡ƒ”ƒ‡±•‘ƤŽ•Žƒƒ‹•‘Ǥ ǯ‘—„Ž‹‡’ƒ•†‡”ƒ‡‡”Ž‡•‡ˆƒ–•Ǥ

Žǯƒ”ƒ‡±Žƒƒ‹•‘Ǥ ‡‘•ƒ‹†ƒ‘‡’”‡‰‘…”‹–‹…ƒ†‘†‘˜‡”„‘‡“—‡•– ‘…‘‘•‡–‹†‘†‡rapporterǤ‘‘ ‘…—•–ƒ”‡’‡Ǧ –‹”ǡ‡•–‡—•‘ ‘•‡ˆƒœƒ†‡“—ƒ†‘’ƒ”ƒ‘•’”‘’ו‹–‘•†ƒ‡•…”‹–ƒǣ ‹–—˜ƒ•Ž̹±’‹…‡”‹‡ǡ”ƒ°‡Ǧ‘‹—Œ‘—”ƒŽǤ ˜‡”„‘  ramener–ƒ„±’‘••—‹—’”‘‘‹ƒŽǡ“—‡•‹‰‹Ƥ…ƒ•‡”±•—‡”ǡ‘—•‡Œƒǡ”‡•—‹”Ǧ•‡ǣ ƒ’Š‹Ž‘•‘’Š‹‡†‡Žƒ˜‹‡•‡”ƒ°‡–”‘‹•‘–•ǣƒ‰‡”ǡ„‘‹”‡ǡ†‘”‹”Ǥ ‘••ƒ•‡‰—†ƒ†—’Žƒ±ƒ‹••‹’Ž‡•†‡…‘’”‡‡†‡”ǡ’‘”‹••‘•‡”‡‘•ƒ‹•„”‡˜‡•ǡƒ•…‘–‹—ƒ”‡Ǧ ‘•…‘‘•‡š‡’Ž‘•Ǥ

3. APPORTER ˜‡”„‘apporterƒ…‡‹–ƒƒ•‡‰—‹–‡†‡Ƥ‹­ ‘ǣ ƒȌǼ”‡†”‡ƒ˜‡…•‘‹‡–’‘”–‡”ƒ—Ž‹‡—‘–“—‡Ž“—ǯ—‘—“—‡Ž“—‡…Š‘•‡—‘„Œ‡–‹ƒ‹±‘——‘„Œ‡–ƒ‹± “—‹‡’‡—–•‡‘—˜‘‹”Ǥǽ••‡±‘•‡–‹†‘†‘˜‡”„‘–”ƒœ‡”Ȃ–”ƒœ‡”ƒ‘Ž—‰ƒ”‘†‡ƒŽ‰—±‘—ƒŽ‰‘‡•–žȂƒ• ƒ–‡–‡“—‡‡Ž‡•‡”‡ˆ‡”‡ƒ—‘„Œ‡–‘‹ƒ‹ƒ†‘‘—ƒ‹ƒ†‘ǡ“—‡ ‘’‘†‡•‡‘˜‡”ȋ‡••‡…ƒ•‘ǡ— „‡„²±…‘•‹†‡”ƒ†‘—‘„Œ‡–‘ǨȌǤ ŽŽ‡œ‡…Š‡”…Š‡”…‡––‡’‘‡‡–ƒ’’‘”–‡œǦŽƒǦ‘‹Ǥ   ƒ…Š‡”…Š‡”Ž‡„±„±‡–ƒ’’‘”–‡ǦŽ‡Ǧ‘‹Ǥ ‡’”‘ˆ‡••‡—”ƒƒ’’‘”–±•‘‘”†‹ƒ–‡—”Žǯ—‹˜‡”•‹–±Ǥ 32


4. RAPPORTER ‡”‡‘•†—ƒ•†‡Ƥ‹­Ù‡•’ƒ”ƒ‡•–‡‘••‘‹‘˜‡”„‘ǣ ƒȌǼ’’‘”–‡”†‡•‘Ž‹‡—†ǯ‘”‹‰‹‡—‘„Œ‡–‹ƒ‹±‘——‘„Œ‡–ƒ‹±“—‹‡’‡—–•‡‘—˜‘‹”Ǥǽƒ‹•—ƒ †‡Ƥ‹­ ‘ ’ƒ”ƒ ‘ ˜‡”„‘ –”ƒœ‡”ǡ …‘‘ •‡ ƒ• ‘—–”ƒ• Œž  ‘ ˆ‘••‡ •—Ƥ…‹‡–‡• ȋ”•ȌǤ “—‹ ×• ‡•–ƒ‘• ”‡–‹”ƒ†‘—‘„Œ‡–‘‹ƒ‹ƒ†‘‘—ƒ‹ƒ†‘ȋ ‘‡•“—‡­ƒ†‘„‡„²ǨȌ†‡•‡—Ž—‰ƒ”†‡‘”‹‰‡ǣ–”ƒœ‡‘• —ƒ‰ƒ””ƒˆƒ†‡˜‹Š‘†ƒ‡”…‡ƒ”‹ƒǡ–”ƒœ‡‘•‘‰—ƒ”†ƒǦ…Š—˜ƒȋ“—‡‡•–ž•‡’”‡‡‘••ƒ…ƒ•ƒȌ’ƒ”ƒ ‘ ‘•‘ŽŠƒ”‘•“—ƒ†‘‡•–ž…Š‘˜‡†‘ǡŽ‡˜ƒ‘•—„‡„²’ƒ”ƒ‘…‘Ž‘†ƒ ‡ǡ‡–…Ǥ ‘—•ƒ˜‘•”ƒ’’‘”–±—‡„‘—–‡‹ŽŽ‡†‡˜‹†‡Žǯ±’‹…‡”‹‡Ǥ ǯ‘—„Ž‹‡’ƒ•†‡‡”ƒ’’‘”–‡”‘’ƒ”ƒ’Ž—‹‡Ǥ  

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SAPIENTIA  INSPIRA DÉBORA NOAL, PSICÓLOGA DO MÉDICO SEM FRONTEIRAS

MISSÃO NO LADO

OCULTO DO MUNDO POR ANA PAULA S. LIMA

A seção "Sapientia Inspira" reúne histórias de pessoas que encontraram formas de superar as dificuldades e de alcançar seus objetivos.

D

±„‘”ƒ‘ƒŽˆƒŽƒ…‘…ƒŽƒ‡†‘­—”ƒǤ À  primeira  vista,  não  dá  sinais  de  ser  a   —ŽŠ‡” ˆ‘”–‡ ‡ …‘”ƒŒ‘•ƒ “—‡ •‡ Œ‘‰‘— no  mundo  antes  mesmo  de  terminar  a   ˆƒ…—Ž†ƒ†‡†‡•‹…‘Ž‘‰‹ƒ‘‹–‡”‹‘”†‘ ‹‘ ”ƒ†‡†‘—ŽǤ ‘‹—‹–‡”…Ÿ-­‐ „‹‘ƒ•’ƒŠƒǡ†—”ƒ–‡ƒ˜‹†ƒ—‹˜‡”-­‐ •‹–ž”‹ƒǡ “—‡ …‘‡­‘— ƒ ‡•„‘­ƒ” ‘ ’Žƒ‘“—‡‹‹…‹ƒ”‹ƒ†‡’‘‹•†‡ˆ‘”ƒ†ƒǣ …‘Š‡…‡” ‡ –”ƒ„ƒŽŠƒ” ‡ –‘†‘• ‘• ‡•–ƒ†‘•†‘”ƒ•‹ŽǤ‹ˆÀ…‹Žǫ±„‘”ƒ‡ ’‡•‘— ‹••‘Ǥ’”‘˜‡‹–‘— ‘• …‘–ƒ–‘• ‡•–ƒ„‡Ž‡…‹†‘• †—”ƒ–‡ ƒ ‹Ž‹–Ÿ…‹ƒ ‡•–—†ƒ–‹Ž ‡ ‘ ’”‹‡‹”‘ –”ƒ„ƒŽŠ‘ǡ ‘ ה—‘…‹ƒŽ—†‹ƒŽ†‡‘”–‘Ž‡‰”‡ǡ ‡Œƒ‡‹”‘†‡͚͘͘͝ǡ’ƒ”ƒ’‡†‹”…ƒ”‘ƒ para   as   delegações   presentes   no   ‡˜‡–‘Ǥ—‡”‹ƒ …‘‡­ƒ” ’‡Ž‘ƒœ‘-­‐ ƒ•ǡ ƒ• …‘•‡‰—‹— —ƒ …ƒ”‘ƒ ’ƒ”ƒ ‡”ƒ„—…‘Ǥ Numa   dessas   andanças   pelo   Brasil,   ”‡•‘Ž˜‡— ’ƒ”–‹…‹’ƒ” †‘ ’”‘…‡••‘ †‡ seleção   da   organização   não   governa-­‐ ‡–ƒŽ ±†‹…‘ ‡ ”‘–‡‹”ƒ•ǡ “—‡ ƒŒ—†ƒ˜À–‹ƒ•†‡†‡•ƒ•–”‡•‡…‘ƪ‹–‘• ±–‹…‘• ‡ •‘…‹ƒ‹• ‘ —†‘ –‘†‘Ǥ ‡•…‘„”‹—Ǧ•‡Ǥ‡•†‡‡– ‘ǡ’ƒ”–‹…‹’‘— de   aproximadamente   quinze   missões   no   exterior   e   de   muitas   outras   no   ”ƒ•‹ŽǤ ‡ƒŽ‹œƒ ƒ–± Š‘Œ‡ ‘ ’”‘Œ‡–‘ “—‡ •—”‰‹— ƒ •’ƒŠƒǡ †‡ …‘Š‡…‡” ‘• ‡•–ƒ†‘•„”ƒ•‹Ž‡‹”‘•‡‡Ž‡•–”ƒ„ƒŽŠƒ”Ǥ

SAPIENTIA: Você já esteve em aproximadamente 15 missões no exterior. Que países visitou? Já   estive   três   vezes   no   Haiti   e   no   ‘‰‘Ǥƒ„±ˆ—‹’ƒ”ƒƒ —‹±ǡ’ƒ”ƒ ƒ ˆ”‘–‡‹”ƒ †ƒ —À•‹ƒ …‘ ƒ À„‹ƒǡ pa”ƒ‘—‹”‰—‹•– ‘ǡ’ƒ”ƒƒ‡’ï„Ž‹…a  

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‘‹‹…ƒƒǡ‡–”‡‘—–”‘•Ǥ

SAPIENTIA: Você viaja o tempo inteiro? Tem uma base no Brasil? Depois   de   formada,   morei   muito   tempo   no   Sergipe,   mas   hoje   vivo   em   ”ƒ•ÀŽ‹ƒǤƒ†ƒ•‡ƒƒƤ…‘—‡•–ƒ†‘ †‹ˆ‡”‡–‡ǡ‘“—‡–‡ƒ˜‡”…‘ƒ“—‡Žƒ ideia   que   eu   tinha   antes   de   terminar   a   ˆƒ…—Ž†ƒ†‡Ǥ

SAPIENTIA: Como é o trabalho do MSF? Vocês atuam de que forma? Cada  missão  tem  uma  demanda  dife-­‐   ”‡–‡ǡ †‡Ƥ‹†ƒ ’‡Ž‘ ‘„Œ‡–‹˜‘ †‡ …ƒ†ƒ ’”‘Œ‡–‘ ‡ †ƒ ˆ‘”ƒ­ ‘ ‡ ‡š’‡”‹²…‹ƒ ’‡••‘ƒŽ‡’”‘Ƥ••‹‘ƒŽ†‘•‡˜‘Ž˜‹†‘•Ǥ ‘‘ •‘— ’•‹…׎‘‰ƒǡ ƒ–—‘ ƒ ‹Šƒ área  em  todas  as  missões,  sendo  que,   ‡ƒŽ‰—ƒ•†‡Žƒ•ǡ–”ƒ„ƒŽŠ‘ƒ‹•…‘ o   atendimento   direto   da   população;   em   outras,   ofereço   treinamento   de   ’‡••‘ƒŽ‘—•—’‡”˜‹•‹‘‘‘–”ƒ„ƒŽŠ‘†ƒ equipe   de   saúde   mental,   podendo   ƒ‹†ƒ…‘‘”†‡ƒ”’”‘Œ‡–‘•ƒ…‹‘ƒ‹•‘— ‹–‡”ƒ…‹‘ƒ‹•Ǥ

Foto: Arquivo Pessoal

’‡••‘ƒ• “—‡ Šƒ˜‹ƒ •‘ˆ”‹†‘ ƒ„—•‘ •‡š—ƒŽǤƒ„± –”ƒ„ƒŽŠ‡‹ ‘ ‘‰‘ǡ atendendo   pessoas   que   haviam   •‘ˆ”‹†‘ —ƒ •±”‹‡ †‡ –‘”–—”ƒ• ‡ ƒ‡ƒ­ƒ• †‡ ‡•–—’”‘• …‘Ž‡–‹˜‘•Ǥ Ž‹ǡ ×•ˆƒœÀƒ‘•‘•’”‹‡‹”‘•ƒ–‡†‹‡-­‐ tos   a   esses   indivíduos.   Na   região   •‡””ƒƒ†‘‹‘†‡ ƒ‡‹”‘ǡ‡Žƒ„‘”ƒ‘• ‡•–”ƒ–±‰‹ƒ• †‡ •ƒï†‡ ‡–ƒŽ ‡ –”ƒ„ƒǦ ŽŠƒ‘•…‘ƒˆ‘”ƒ­ ‘†‡’‡••‘ƒŽ‡ǡ ƒ‹• ”‡…‡–‡‡–‡ǡ ‡•–‹˜‡‘• ‡ ƒ–ƒƒ”‹ƒǡ…‘‘‹–—‹–‘†‡…‘ˆ‘”-­‐ ƒ” ‡•–”ƒ–±‰‹ƒ• –ƒ„± ƒ ž”‡ƒ †‡ •ƒï†‡ ‡–ƒŽǤ ƒ†ƒ ’”‘Œ‡–‘ ± —ƒ ’‘”–ƒ “—‡ •‡ ƒ„”‡ǡ —…ƒ •ƒ„‡‘• „‡ ‘ “—‡ ‡…‘–”ƒ”ǡ ƒ’‡ƒ• –‡‘• —ƒ ‹†‡‹ƒ †‘ “—‡ ± ’‘••À˜‡Ž ˆƒœ‡”Ǥ

SAPIENTIA: De que forma é possível contornar os desafios impostos por diferenças linguísticas e culturais?

Nesses   lugares,   o   sofrimento   ’•‹…‘Ž×‰‹…‘ ± —‹–‘ ‰”ƒ†‡Ǥ ‘” estarem   em   estado   de   sofrimento   ƒ‰—†‘ǡ ƒ• ’‡••‘ƒ• ‡ ‰‡”ƒŽ ƒ…‡••ƒ apenas   a   língua   materna,   que   normal-­‐ mente   não   são   nossos   idiomas   de   –”ƒ„ƒŽŠ‘Ǥ‰‡–‡–”ƒ„ƒŽŠƒ…‘–”ƒ†—-­‐ –‘”‡•ǡ ƒ• ƒ…‹ƒ †‡ –—†‘ …‘ ƒ ’‡”…‡’­ ‘ –ž…‹–ƒǡ ‘— •‡Œƒǡ …‘ ƒ“—‹Ž‘ “—‡±’‘••À˜‡Ž’‡”…‡„‡”•‡ƒ˜‡”„ƒŽ‹-­‐ SAPIENTIA: Como são essas œƒ­ ‘Ǥ ‘” ‹••‘ǡ ’”‡•–ƒ‘• ƒ–‡­ ‘ missões humanitárias? ‡–—†‘‘“—‡ƒ’‡••‘ƒ‡š’”‡••ƒ…‘ A  minha  primeira  missão  foi  no  Haiti,   ‘ …‘”’‘ ‡ ’‘” ‡‹‘ †‡ ‘—–”ƒ• ˆ‘”ƒ• ‡ ͚͘͘͠ǡ —ƒ …‹†ƒ†‡ …Šƒƒ†ƒ “—‡ ‘•‡ŒƒƒˆƒŽƒ‡ƒ‡•…”‹–ƒǤ Gonaïves,   onde   prestei   atendimento   ’•‹…‘Ž×‰‹…‘ ƒ‘• •‘„”‡˜‹˜‡–‡• †‡ — SAPIENTIA: No Congo, você foi a ˆ—”ƒ… ‘Ǥ ‘‰‘ ‡ •‡‰—‹†ƒǡ ‡‡†‡‹ primeira mulher a entrar numa ‘—–”ƒ ‹•• ‘ ‘ ‡•‘ ’ƒÀ•ǡ …‘


mesquita, um lugar tido como exclusivo dos homens. Como ser respeitada e se fazer ouvida nessas situações? No  Congo,  atendi  muitas  mulheres  da   ”‡Ž‹‰‹ ‘ …ƒ–׎‹…ƒ ‡ †ƒ ”‡Ž‹‰‹ ‘ —­—Ž-­‐ mana.   Muitas   vinham   de   outras   …‹†ƒ†‡•ǡ…ƒ‹Šƒ†‘†—”ƒ–‡Š‘”ƒ•‡ Š‘”ƒ• ‘ ‡‹‘ †ƒ• ƒ–ƒ•Ǥ ‘” ‡••‡ ‘–‹˜‘ǡ’”‡…‹•‡‹†ƒƒŒ—†ƒ†‡••ƒ•†—ƒ• …‘—‹†ƒ†‡•ǡ ’ƒ”ƒ “—‡ ‡••ƒ• —ŽŠ‡”‡• •‘—„‡••‡ ‘†‡ „—•…ƒ” ƒŒ—†ƒ’•‹…‘Ž×‰‹…ƒ‡†‡•ƒï†‡Ǥ—”ƒ–‡ †—ƒ• •‡ƒƒ• ‡— ‹ƒ …‘˜‡”•ƒ” –‘†‘• ‘• †‹ƒ• …‘ ‘• Š‘‡• ‡ …‘ ƒ• mulheres   do   lado   de   fora   de   uma   ‡•“—‹–ƒǡƒ–±“—‡‘”‡•’‘•ž˜‡Ž’‡Žƒ …‘—‹†ƒ†‡ —­—Žƒƒ ‡ …‘˜‹†‘— ’ƒ”ƒ ‡–”ƒ” ŽžǤ  ‹Šƒ primeira   reação   foi   perguntar   se   eu,  sendo  mulher,  poderia  entrar.  

–”‡‹ ˜‡•–‹†‘ …ƒŽ­ƒ ‡ …ƒ‹•‡–ƒǡ ‡ •‡ Ž‡­‘ ƒ …ƒ„‡­ƒǤ —†‡ ˆƒŽƒ” olhando   nos   olhos   dos   homens   e   das   —ŽŠ‡”‡•ǡ “—‡ Ƥ…ƒ˜ƒ ƒ–”ž• †‘• –‹Œ‘Ž‘•ˆ—”ƒ†‘•†ƒ‡•“—‹–ƒǤ‡•–ƒ…‘ a  questão  dos  olhos,  porque,  no  geral,   as   muçulmanas   não   olham   nos   olhos   †‘• Š‘‡•Ǥ …‘˜‹–‡ ˆ‘‹ — ”‡…‘Ǧ Š‡…‹‡–‘ †ƒ …‘—‹†ƒ†‡ —­—Ž-­‐ ƒƒ ƒ‘ ‘••‘ –”ƒ„ƒŽŠ‘Ǥ Ž‡• ˜‹ƒ “—‡‘•’”‡‘…—’ž˜ƒ‘•…‘‡Ž‡•‡ǡ ‡ ”‡–”‹„—‹­ ‘ǡ ‘• …‘Ž‘…ƒ”ƒ — Ž—‰ƒ”†‹ˆ‡”‡…‹ƒ†‘ǡ“—‡ˆ‘‹ƒ‘’‘”–—‹-­‐ †ƒ†‡ †‡ ˆƒŽƒ” …‘ ‘• Š‘‡• —ƒ sexta-­‐feira,   dia   sagrado   para   eles,   dentro  de  uma  mesquita.  Da  mesma   ˆ‘”ƒǡ ’—†‡ ˆƒŽƒ” …‘ ‘• …ƒ–׎‹…‘• em   igrejas   aos   domingos.   Foi   muito   importante   poder   transitar   por   todos   ‡••‡• ‡•’ƒ­‘•ǡ –‡†‘ …—‹†ƒ†‘ …‘ ‡Ž‡•‡’‡”…‡„‡†‘“—‡‡Ž‡•”‡–”‹„—‡ ‡••‡…—‹†ƒ†‘Ǥ

SAPIENTIA: Quais foram as suas impressões do Haiti?  ƒ‹–‹±—’ƒÀ•ˆ‘”–‡†‡–—†‘Ǥ‘†ƒ• ƒ•‹••Ù‡•‡š‡…‘ƒ‰‡–‡ǡƒ• ‘ ƒ‹–‹ –”ƒ•„‘”†ƒ •‡•ƒ­Ù‡•Ǥ ‘†‘ —†‘“—‡˜‹•‹–ƒ‘’ƒÀ•…‘…‘”†ƒ“—‡ Žž‘…Š‡‹”‘±—‹–‘ˆ‘”–‡ǡ“—‡ƒ•…‘”‡• são  intensas,  que  a  maneira  pela  qual   ƒ•’‡••‘ƒ••‡…‘—‹…ƒ–‡ˆ‘”­ƒǤ •Šƒ‹–‹ƒ‘•• ‘„ƒ•–ƒ–‡•ƒ‰ƒœ‡•ƒ sua   fala,   mas   nem   sempre   são   ’‡••‘ƒ•ˆž…‡‹•†‡–”ƒ„ƒŽŠƒ”Ǥ•˜‡œ‡• sentimos   uma   agressividade   que   eu   não  tomo  para  mim,  pois  se  trata  de   —ƒƒ‰”‡••‹˜‹†ƒ†‡Š‹•–×”‹…ƒǡ‘“—‡± „ƒ•–ƒ–‡ …‘’”‡‡•À˜‡Ž •‡ …‘Š‡Ǧ …‡‘• — ’‘—…‘ ƒ‹• †ƒ Š‹•–×”‹ƒ ‡ †ƒ• †‹Ƥ…—Ž†ƒ†‡• “—‡ ‡Ž‡• ˜² enfrentando   desde   sempre.   A   †‡•…‘Ƥƒ­ƒ …‘ ‘ ‡•–”ƒ‰‡‹”‘ ± †‡…‘””²…‹ƒ†ƒ†‘‹ƒ­ ‘

Foto: Arquivo Pessoal 35


Foto: Divulgação MSF

estrangeira  e  de  anos  e  anos  de  espo-­‐ Ž‹ƒ­ ‘Ǥ‘”‹••‘ǡ‡—‡–‡†‘“—‡ǡ’ƒ”ƒ ‡Ž‡•ǡ ˜‡” —ƒ ’‡••‘ƒ „”ƒ…ƒǡ –”ƒœ ƒ ‡×”‹ƒ †‘Ž‘”‹†ƒ †‡ — ’ƒ••ƒ†‘ ”‡…‡–‡Ǥ SAPIENTIA: Há alguma situação difícil que você tenha passado no Haiti? São   várias   as   situações   em   que   nos   sentimos   ameaçados,   por   exemplo,   “—ƒ†‘’ƒ••ƒ‘•†‡…ƒ””‘‡Ž—‰ƒ”‡• ermos,  em  regiões  onde  houve  muitos   …‘ƪ‹–‘•Ǥ  ˆƒ–‘ †‡ •‡” „”ƒ…‘ǡ ‘— ƒ’‡ƒ• †‡ ƒŽ‰—ƒ ‘—–”ƒ ƒ…‹‘ƒŽ‹†ƒ†‡ que  não  a  haitiana  e/ou  atuar  em  nome   de   uma   organização   estrangeira,   pode   ‘•…‘Ž‘…ƒ”‡—ƒ•‹–—ƒ­ ‘†‡˜—Ž‡”ƒ-­‐ „‹Ž‹†ƒ†‡ǡƒ‡†‹†ƒ‡“—‡˜‹”ƒ‘•— ƒŽ˜‘ ˆž…‹ŽǤ ‘”ƒ —‹–ƒ• ƒ• ‘…ƒ•‹Ù‡• ‡“—‡’ƒ••ƒ‘•’‘”„ƒ””‹…ƒ†ƒ•ǡonde   36

havia   pessoas   armadas.   Nessas   horas,   ƒ …ƒ —ŽŠ‡” “—‡ ‡•–ƒ˜ƒ ‡••ƒ  ‘†ž’ƒ”ƒ•ƒ„‡”•‡˜‘…²˜ƒ‹•‡”˜‹•–‘ missão  e,  por  isso,  era  um  alvo  muito   ˆž…‹ŽǤ‘‘‰‘‡—ƒ–‡†‹ƒ—ŽŠ‡”‡• …‘‘ƒŽ‹ƒ†‘‘—…‘‘‹‹‹‰‘Ǥ que   eram   violentadas   sexualmente.   SAPIENTIA: Você já esteve numa ”ƒ ‡•–—’”‘• …‘Ž‡–‹˜‘•ǣ —ƒ …ƒ situação em que sentiu muito mulher   era   estuprada   por   30,   40   medo? Š‘‡•Ǥ Ž‰—ƒ•  ‘ …‘•‡‰—‹ƒ ƒ‹• …ƒ‹Šƒ”ǡ ‘—–”ƒ• ˆƒŽ‡…‹ƒ ‘”ƒ˜ž”‹ƒ•‡—ƒ†ƒ•ƒ‹•†‹ˆÀ…‡‹• †‡˜‹†‘ƒŠ‡‘””ƒ‰‹ƒ•Ǥ‡—•ƒ„‹ƒ“—‡ ˆ‘‹ ‘ ‘‰‘Ǥ  „ƒ•‡ †ƒ ‹•• ‘ †‘ •‡‡Ž‡•‡–”ƒ••‡ƒ‘••ƒ„ƒ•‡ǡ‡—±   ‡•–ƒ˜ƒ Ž‘…ƒŽ‹œƒ†ƒ —ƒ …‹†ƒ†‡ que   estaria   no   lugar   daquelas   “—‡ ”‡…‡„‹ƒ —‹–‘• ”‡ˆ—‰‹ƒ†‘• —ŽŠ‡”‡•Ǥ ‡„”‘Ǧ‡ †ƒ •‡•ƒ­ ‘ †—”ƒ–‡‘…‘ƪ‹–‘ƒ”ƒ†‘Ǥ2”ƒ‘•ƒ de  esperar  o  momento  em  que  iria  ser   …ƒ ‘”‰ƒ‹œƒ­ ‘ ‹–‡”ƒ…‹‘ƒŽ ƒ–ƒ…ƒ†ƒǡƒŽ†‘”‹ƒǤ—–”ƒ•‹–—ƒ­ ‘ ƒ“—‡Ž‡ ‡•’ƒ­‘ǡ ‘ “—‡ ƒ…ƒ„‘— †‹ˆÀ…‹Ž ˆ‘‹ ‘ —‹”‰—‹•– ‘ǡ ƒ’ו — –”ƒœ‡†‘—ï‡”‘…ƒ†ƒ˜‡œƒ‹‘” …‘ˆ”‘–‘ ±–‹…‘ ‡–”‡ —œ„‡“—‡• ‡ de  pessoas  para  perto  da  gente.  Uma   “—‹”‰—‹œ‡•Ǥ‘‘‘•—œ„‡“—‡•ˆ‘”ƒ †ƒ• …‘•‡“—²…‹ƒ• †‹••‘ ± “—‡ ‘• ‘• ’”‹‡‹”‘• ƒ •‡”‡ ƒ–ƒ…ƒ†‘•ǡ …‘ƪ‹–‘• ƒ”ƒ†‘• –ƒ„± prestamos   primeiramente   auxílio   a   …‘‡­ƒ”ƒ ƒ Ƥ…ƒ” —‹–‘ ’”ך‹‘•Ǥ eles,  despertando  a  animosidade  dos   •…—–ž˜ƒ‘• ”ƒŒƒ†ƒ• †‡ ‡–”ƒǦ “—‹”‰—‹œ‡•ǡ “—‡ …Š‡‰ƒ”ƒ ƒ ‘• ŽŠƒ†‘”ƒ‡‰”‹–‘•‘–‡’‘–‘†‘Ǥ—‡”ƒ apedrejar.  


SAPIENTIA: Imagino que o medo e a tensão sejam sensações constantes durante as missões. Como essas experiências te mudaram como pessoa? ‘Œ‡ ‡ †‹ƒ ‡— ‡ •‹–‘ …‹†ƒ†  †‘ —†‘Ǥ ‡ ‡— •‘—„‡” †ƒ ‘…‘””²…‹ƒ de   um   tsunami   na   Ásia,   de   um   ter-­‐   ”‡‘–‘ƒ…‡ƒ‹ƒ‘—†‡—…‘ƪ‹–‘ ±–‹…‘ ƒ ˆ”‹…ƒǡ ƒ •‡•ƒ­ ‘ ± ƒ ‡•ƒ †‡ —ƒ –”ƒ‰±†‹ƒ ƒ ‹Šƒ …‹†ƒ†‡ ƒ–ƒŽǤ  “—ƒŽ“—‡” Ž—‰ƒ” †‘ —†‘–‡Š‘ƒŽ‰—±†ƒ‹Šƒ”‡†‡ •‘…‹‘ƒˆ‡–‹˜ƒǤ••‹…‘‘ˆ—‹ƒ–‘†‘• ‘• …‘–‹‡–‡•ǡ ‘• …‘–‹‡–‡• ˜‹‡”ƒ ƒ–± ‹Ǥ  ‘ ‹’‘”–ƒ ’ƒ”ƒ ‘†‡‡—˜žǡ‘•‡–‹‡–‘±‘‡•‘Ǥ SAPIENTIA: As reações humanas diante dessas tragédias são parecidas em todos esses lugares? Que aspectos culturais você pôde observar trabalhando com essas populações?  …‘–‡š–‘ ‡ “—‡ ˜‹˜‡ — •‡” humano  não  o  faz  sofrer  mais  ou  

ƒ•…—Ž‹ƒǤ ƒ •‡ƒƒ ‡ “—‡ ‡— …Š‡‰—‡‹ǡ Šƒ˜‹ƒ ‡••‡ Ž‘…ƒŽ ͙͟ ‹Ž Š‘‡•‡‡‘•†‡͙͘͘—ŽŠ‡”‡•ǡ ‹•‘Žƒ†ƒ• ‡ †—ƒ• ‘— –”²• „ƒ””ƒ…ƒ• †‡–”‘ †‘ …ƒ’‘Ǥ ••‡• Š‘‡• –‹Šƒ…‘•–—‡•ǡŠ‹•–×”‹ƒ•‡†‘”‡• distintas.   Muitos   haviam   sido   –‘”–—”ƒ†‘•…‘„ƒ””ƒ•†‡ˆ‡””‘‘— –‹Šƒ –‹†‘ ‡„”‘• †‘ …‘”’‘ †‡…‡’ƒ†‘•Ǥ ”ƒ ‹ï‡”ƒ• ƒ• formas   de   agressão.   No   mesmo   ‡•’ƒ­‘ǡ Šƒ„‹–ƒvam   muçulmanos,   Š‹†—•ǡ …ƒ–׎‹…‘•ǡ „—†‹•–ƒ• ‡ ’‡••‘ƒ• †‡ ˜ž”‹ƒ• …—Ž–—”ƒ• ‡ ‡–‹ƒ•Ǥ Ž‰—• Š‘‡• –‹Šƒ ‘ Šž„‹–‘ †‡ –‘ƒ” „ƒŠ‘ •‡ ”‘—’ƒ ‘ …ƒ’‘ ƒ„‡”–‘ǡ ‡“—ƒ–‘ ‘—–”‘• …‘„”‹ƒ ‘ …‘”’‘ –‘†‘Ǥ  ”‡•—Ž–ƒ†‘ †‡••‡• …Š‘“—‡• …—Ž–—”ƒ‹•‡”ƒ“—‡ǡ‡•‘ƒ’ו–‡”‡ •‘ˆ”‹†‘ –ƒ–ƒ ˜‹‘Ž²…‹ƒǡ ˆ‘”ƒ SAPIENTIA: Você esteve recentesurgindo   ainda   outras   formas   de   mente na fronteira da Tunísia ƒ‰”‡•• ‘ǡ †‡ …—Š‘ …—Ž–—”ƒŽǡ “—‡ com a Líbia, no campo de refugiaƒ…ƒ„ƒ”ƒ  –”ƒ•ˆ‘”ƒ†‘Ǧ•‡ ‡ dos de Shousha. Quais foram os ˜‹‘Ž²…‹ƒˆÀ•‹…ƒǤ‡…‡„‹ǡ’‘”‡š‡’Ž‘ǡ maiores desafios nessa missão? —‹–‘• …ƒ•‘• †‡ ‡•’ƒ…ƒ‡–‘ †‡ ••ƒˆ‘‹—ƒ‹•• ‘„‡‡•’‡…‹ƒŽǡ Š‘‡•“—‡Šƒ˜‹ƒ–‘ƒ†‘„ƒŠ‘ nus  ou  semi-­‐nus.  Alguns  eram   porque  foi  preponderantemente  

‡‘•ǡ ‘ “—‡ —†ƒ ± …‘‘ ‡Ž‡ ‡š’”‡••ƒ‡••‡•‘ˆ”‹‡–‘Ǥ‘”‹••‘ǡ ± ˆ—†ƒ‡–ƒŽ ‡•–ƒ” ƒ–‡–‘ • ”‡ƒ­Ù‡•…‘”’‘”ƒ‹•ǡ•ˆ‘”ƒ•’‡Žƒ• quais   as   pessoas   dizem   que   •‡–‡ †‘” ‡ “—‡ ’”‡…‹•ƒ †‡ ajuda.   Nem   todos   expressam   isso   de  forma  evidente.    Como  eu  disse   antes,  no  Haiti,  muitas  pessoas  se   ‡š’”‡••ƒ …‘ ƒ‰”‡••‹˜‹†ƒ†‡ǡ ‘ que   não   deixa   de   ser   uma   reação   ƒ‘•‘ˆ”‹‡–‘‡†‘”Ǥ ‘±—‹–‘ diferente   da   pessoa   que   me   olha   …‘‘•‘ŽŠ‘•ƒ”‡Œƒ†‘•‡‡’‡†‡ — ƒ„”ƒ­‘Ǥ — ’”‡…‹•‘ •ƒ„‡” Ž‡” –‘†ƒ• ‡••ƒ• ˆ‘”ƒ• — …—”–‘ ‡•’ƒ­‘ †‡ –‡’‘Ǥ 2 ’”‡…‹•‘ Ƥ…ƒ” …‘ ‘• …‹…‘ •‡–‹†‘•  ƪ‘” †ƒ pele  o  tempo  todo.

Foto: Arquivo Pessoal 37


violentados   sexualmente   por   outros   homens   porque   iam   ao   „ƒŠ‡‹”‘†‡’‘”–ƒƒ„‡”–ƒ‘—’‘”“—‡ ˆƒœ‹ƒ •—ƒ• ‡…‡••‹†ƒ†‡• ‡ Ž—‰ƒ”‡• ƒ‹• ‡”‘•Ǥ ••‡• ’‡“—‡-­‐ nos   mal-­‐entendidos   eram   vistos   …‘‘—’‡†‹†‘†‡˜‹‘Ž²…‹ƒǤ SAPIENTIA: Como essas questões puderam ser resolvidas no campo de refugiados de Shousha? ו ƒŒ—†ƒ‘• ‘ …ƒ’‘ ƒ •‡ reorganizar,   tentando   separar   as   ’‡••‘ƒ• ‡ „ƒ””ƒ…ƒ• ‡ Ž‘…ƒ‹• †‡ „ƒŠ‘Ǥ ‘‹ —‹–‘ „‘‹–‘ –‡•–‡Ǧ —Šƒ” ‡••ƒ ”‡…‘•–”—­ ‘ ±–‹…ƒǡ …—Ž–—”ƒŽ‡”‡Ž‹‰‹‘•ƒƒ“—‡Ž‡Ž‘…ƒŽǤ ‘‹ uma   ajuda   simples   que   surgiu   da   ‡•…—–ƒ …ŽÀ‹…ƒǤ ‡••ƒ ˆ‘”ƒǡ ’—†‡‘•‡Žƒ„‘”ƒ”‘˜ƒ•‡•–”ƒ–±‰‹ƒ• †‡…‘˜‹˜²…‹ƒ‘…ƒ’‘Ǥ SAPIENTIA: Durante esse tempo no MSF, há alguma história que marcou você profundamente? —‹–ƒ ‰‡–‡ ‡ ƒ”…ƒǤ ‡”ƒŽ-­‐ mente   quando   me   perguntam   “—‡ ‡ ƒ”…‘—ǡ ‡— ’‡•‘ ‘ Sonel,   porque   foi   a   primeira   vez   “—‡‡—…‘‰‹–‡‹—ƒƒ†‘­ ‘Ǥ”ƒ— ‡‹‘ †‡ ͙͘ ƒ‘• “—‡ Šƒ˜‹ƒ ’‡”†‹†‘ ‘• ’ƒ‹• ‡ “—‡ ˜‹˜‹ƒ …‘ —ƒ –‹ƒ — †‘• „ƒ‹””‘• ƒ‹• ˜‹‘Ž‡–‘• †‡ ‘”–‘ ”À…‹’‡Ǥ ו ƒ–ÀŠƒ‘• — ’”‘–‘ •‘…‘””‘ ‡••‡Ž‘…ƒŽǤ‘‡Žˆ‘‹ƒ–”‘’‡Žƒ†‘ ’‘”—…ƒ””‘†‘‡š±”…‹–‘‡“—‡„”‘— ƒ „ƒ…‹ƒǤ ‘•‡‰—‹‘• ‹’‘”–ƒ” toda  uma  estrutura  de  platina  para   ”‡ƒŽ‹œƒ” ‡Ž‡ —ƒ …‹”—”‰‹ƒǡ ƒ• “—ƒ†‘ …‘—‹…ƒ‘•  –‹ƒ †‡Ž‡ “—‡ǡ‡…ƒ•‘†‡•‘„”‡˜‹˜²…‹ƒǡ‡Ž‡ ’”‡…‹•ƒ”‹ƒ Ƥ…ƒ” ‘ À‹‘ ‘˜‡ ‡•‡• ‹‘„‹Ž‹œƒ†‘ —ƒ …ƒƒǡ ƒ –‹ƒˆ‘‹‡„‘”ƒ‡—…ƒƒ‹•˜‘Ž–‘—Ǥ Ž‡ ‡ ƒ”…‘— ’‘”“—‡ ‡”ƒ — ‡‹‘ …‘ ‘ŽŠ‘• “—‡ „”‹ŽŠƒ˜ƒǡ ƒŽ‡ †‡ •‡” „‡ǦŠ—‘”ƒ†‘ǡ ƒ• que   não   se   mexia.   A   gente   ela-­‐   „‘”‘— ‡•–”ƒ–±‰‹ƒ• ’ƒ”ƒ “—‡ ‡Ž‡ …‘–‹—ƒ••‡•‡†‡•‡˜‘Ž˜‡†‘‡•‡ •‡–‹••‡ …”‹ƒ­ƒ †—”ƒ–‡ ‡••‡ ’‡”À‘†‘Ǥ ‡˜ž˜ƒ‘• ƒ …ƒƒ dele  para  fora  todas  as  manhãs,   38

”‡˜‡œž˜ƒ‘Ǧ‘• ’ƒ”ƒ „”‹…ƒ” …‘ ‡Ž‡Ǥ”ƒ„ƒŽŠ‡‹‡••‡‡•’ƒ­‘†—”ƒ–‡ ƒŽ‰—• ‡•‡•ǡ ƒ• …Š‡‰ƒ˜ƒ ‘ ‘‡–‘ †‡ ‹” ‡„‘”ƒ ‡ ‡—  ‘ –‹Šƒ …‘”ƒ‰‡ †‡ …‘–ƒ” ’ƒ”ƒ ‡Ž‡Ǥ Todas  as  manhãs  ele  perguntava  se   ƒ ”ƒ…ƒ Šƒ˜‹ƒ …Š‡‰ƒ†‘ ‡ –‘†‘• •ƒ„‹ƒ “—‡ ƒ ”ƒ…ƒ ‡”ƒ ‡—Ǥ‡˜‡ —†‹ƒ“—‡‡—…Š‡‰—‡‹‡—ƒ‡ˆ‡”-­‐ ‡‹”ƒ Šƒ˜‹ƒ …‘–ƒ†‘ ’ƒ”ƒ ‡Ž‡Ǥ – ‘ǡ ‘‘‡Ž †‹••‡ǣ Dz‹Šƒ  ‡ǡ ‡—’ƒ‹ǡ‹Šƒ–‹ƒǡ–‘†‘•‡ƒ„ƒ-­‐ †‘ƒ”ƒǤ ‘…² –ƒ„± ˜ƒ‹ ‡ †‡‹šƒ” ƒ“—‹ǫdzǤ ‘‹ —ƒ •‡•ƒ­ ‘ Š‘””À˜‡ŽǤ ‡•‡‹ •‡ ’‘†‡”‹ƒ ƒ†‘–ž-­‐ Ž‘ǡ•‡’‘†‡”‹ƒ†‡‹šžǦŽ‘’ƒ”ƒ–”ž•Ǥ— me  apeguei  a  ele. SAPIENTIA: Você sabe o que aconteceu com ele?  ‘Ǥ ••‘ ± —‹–‘ †—”‘Ǥ ‘Š‡…‹ ‘ Sonel   em   2009   e   voltei   para   o   Haiti   ‡ ͚͙͘͘ǡ ƒ• ‡Ž‡ Œž †‡˜‹ƒ ‡•–ƒ” ‡ ‘—–”‘ƒ„”‹‰‘Ǥ ‘•‡‹‘“—‡ƒ…‘–‡…‡— ‡ •‡‹ •‡ ‡Ž‡ •‘„”‡˜‹˜‡— ƒ‘ –‡”Ǧ remoto.  O   Sonel  foi  uma  pessoa  que   ƒ‹†ƒ‡‘ˆ‡”–ƒƒ”…ƒ•Ǥ SAPIENTIA: Você se surpreende positivamente com as histórias que conhece? ‹ǡ …‘ —‹–ƒ• †‡Žƒ•Ǥ—ƒ†‘ ‡ †‹œ‡ “—‡ ƒ• ’‡••‘ƒ• Ƥ…ƒ”ƒ –”ƒ—ƒ–‹œƒ†ƒ•ǡ†‹‰‘“—‡‡Žƒ•Ƥ…ƒ”ƒ insuperáveis.   A   gente   não   imagina   a   …ƒ’ƒ…‹†ƒ†‡“—‡‘•‡”Š—ƒ‘–‡†‡ ”‡ƒ‰‹”ǡ†‡•—’‡”ƒ”–”ƒ‰±†‹ƒ•’‡••‘ƒ‹•Ǥ ‰‡–‡•×•ƒ„‡“—‡±…ƒ’ƒœ“—ƒ†‘  ‘–‡‘—–”ƒ’‘••‹„‹Ž‹†ƒ†‡Ǥ SAPIENTIA: Há alguma história de superação que a tenha tocado de maneira especial?  ‘—‹–ƒ•ǡƒ•’‘••‘‡…‹‘ƒ” ƒ Š‹•–×”‹ƒ †‘ –‡˜‡ǡ — ‹‰‡”‹ƒ‘ que   havia   deixado   seu   país   ao   lado   †‡ …‹…‘ ƒ‹‰‘•ǡ ’ƒ”ƒ ”‡ƒŽ‹œƒ” ‘ •‘Š‘†‡•‡”Œ‘‰ƒ†‘”†‡ˆ—–‡„‘Žƒ —”‘’ƒǤ ƒ”ƒ ‹••‘ǡ ƒ–”ƒ˜‡••‘— ‘ ‡•‡”–‘ †‘ ƒƒ”ƒǤ ‘ …ƒ‹Š‘ǡ alguns   de   seus   amigos   morreram   ‡ǡ ’ƒ”ƒ •‘„”‡˜‹˜‡”ǡ ƒ…ƒ„‘— •‡ ƒŽ‹‡–ƒ†‘ †ƒ …ƒ”‡ †‡Ž‡•Ǥ ‡–ƒ˜ƒˆƒœ‡”ƒ–”ƒ˜‡••‹ƒ†‡„ƒ”…‘ ‡–”‡ƒÀ„‹ƒ‡ƒ ŽŠƒ†‡ƒŽ–ƒǡƒ

–žŽ‹ƒǡ “—ƒ†‘ ˆ‘‹ …ƒ’–—”ƒ†‘ ’‡Žƒ ƒ”‹ŠƒŽÀ„‹ƒǤ ‹…‘—’”‡•‘†—”ƒ–‡ ƒ‘•‡•‘ˆ”‡——ƒ•±”‹‡†‡–‘”–—”ƒ• ‘ …ž”…‡”‡Ǥ × …‘•‡‰—‹— •ƒ‹” †ƒ ’”‹• ‘’‘”“—‡ǡ—ƒ†ƒ•”‡„‡Ž‹Ù‡• ƒÀ„‹ƒǡˆ‘”ƒŽ‡˜ƒ†‘’‡Ž‘‡š±”…‹–‘ †ƒ“—‡Ž‡’ƒÀ•ƒ–±ƒˆ”‘–‡‹”ƒ…‘ƒ —À•‹ƒǤ Ž‡  ‘ •ƒ„‹ƒ …‘‘ Šƒ˜‹ƒ …Š‡‰ƒ†‘ —À•‹ƒǡ ‡ •ƒ„‹ƒ “—‡ ‡•–ƒ˜ƒ‡‘—–”‘•–ƒ†‘Ǥ Steve   apresentava   um   quadro   de   depressão,   mas   mantinha   as   espe-­‐   ranças   de   realizar   o   sonho   de   ser   Œ‘‰ƒ†‘” †‡ ˆ—–‡„‘Ž ‡ •‡ ’”‡‘…—-­‐ ’ƒ˜ƒ …‘ ‘ ˆƒ–‘ †‡ –‡” ’‡”†‹†‘ ‘ …‘†‹…‹‘ƒ‡–‘ ˆÀ•‹…‘ ƒ ’”‹• ‘Ǥ ‘‹ ƒÀ “—‡ ‡— Ƥœ —ƒ ’”‘’‘•–ƒ ƒ ‡Ž‡ǡ †‹••‡ “—‡ ×•ǡ †‘  ǡ ’”‡…‹•ž˜ƒ‘• †‡ — ’”‘Ƥ••‹‘ƒŽ “—‡ ˆ‘••‡ …ƒ’ƒœ †‡ ‘”‰ƒ‹œƒ” — ‰”ƒ†‡ –‘”‡‹‘ †‡ ˆ—–‡„‘Ž ‘ …ƒ’‘ †‡ Š‘—•ŠƒǤ Ž‡ •‡ ‘ˆ‡Ǧ ”‡…‡— ƒ Š‘”ƒ ‡ ˆ‘‹ —‹–‘ ‹–‡”‡•-­‐ sante  ver  a  transformação  dele  ao   se   envolver   no   projeto.   Deixou   de   •‡” ˆ‡…Šƒ†‘ ‡ –”‹•–‡ǡ ”‡‡…‘–”‘— um   projeto   de   vida.   Conseguiu   organizar   uma   força-­‐tarefa   para   arar   o   terreno   onde   jogariam   (estávamos   no   meio   do   deserto),   …‘•‡‰—‹— ƒ–‡”‹ƒ‹• †‡ ‘—–”ƒ• organizações   que   estavam   em   Š‘—•ŠƒǤ  ‰‡–‡ …‘•‡‰—‹— “—‡ — Œ‘”ƒŽ‹•–ƒ ‡—”‘’‡— …‘„”‹••‡ ‘ torneio   e   a   foto   do   Steve   saiu   —ƒ’ž‰‹ƒ‹–‡‹”ƒ†‡Œ‘”ƒŽǡ…‘ —ƒ „‘Žƒ ƒ  ‘ǡ ˆƒŽƒ†‘ …‘‘ …‘‘”†‡ƒ†‘” †ƒ ‘’ƒ †‘ —†‘ dos  Refugiados.  Seu  sonho  não  se   realizou   exatamente   da   forma   …‘‘ Šƒ˜‹ƒ ‹†‡ƒŽ‹œƒ†‘ǡ ƒ•ǡ †‡ ƒŽ‰—ƒ ƒ‡‹”ƒǡ •—ƒ …ƒ”ƒ ‡ •—ƒ Š‹•–×”‹ƒ …Š‡‰ƒ”ƒ ƒ–± ƒ —”‘’ƒǤ Ž‡ ƤƒŽ‡–‡ ‡”ƒ ”‡…‘Š‡…‹†‘ …‘‘—Œ‘‰ƒ†‘”†‡ˆ—–‡„‘ŽǤ SAPIENTIA: Para finalizar, há algum ponto em comum entre esses mundos tão distintos que você pôde conhecer?  ’‘–‘ …‘— ± ƒ …‘†‹­ ‘ Š—ƒƒǤ…ƒ’ƒ…‹†ƒ†‡†‡˜‡…‡”ǡ†‡ superar   e   de   se   organizar   numa   …‘—‹†ƒ†‡ǡ ƒ• –ƒ„± ƒ ˜‹‘Ž²-­‐ …‹ƒǡƒ…”—‡Ž†ƒ†‡‡ƒ„—•…ƒ’‡Ž‘’‘†‡” ƒ’ƒ”‡…‡ ‡ “—ƒŽ“—‡” Ž—‰ƒ” †‘ mundo.  


SAPIENTIA  INDICA

AGENDA DE EVENTOS MARÇO DE 2013

MARÇO

D S T Q Q S S

RESUMO DA PROGRAMAÇÃO SÃO  PAULO  (SP)

07/03

Workshop no Instituto de Estudos Avançados da USP discute política ambiental

8/03

Último dia de inscrições na Oficina Métodos e Técnicas de Pesquisa em História e Relações Internacionais do CPDOC da FGV-SP

28/03

Abertura da exposição “Classicismo, Realismo, Vanguarda: Pintura Italiana no Entreguerras”

RIO  DE  JANEIRO  

15/03

Último dia de inscrições para participar do 2º Workshop sobre União Europeia, organizado pelo Centro de Organizações Internacionais da FGV-RJ

CURITIBA  

17/03

Último dia de inscrições para o III Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política na UFPR

BRASÍLIA

20/03

Lançamento do livro “Por dentro do Itamaraty, Impressões de um Diplomata”, do Embaixador André Amado

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PROGRAMAÇÃO EM DETALHES SÃO  PAULO  (SP) 07/03

Workshop no Instituto de Estudos Avançados da USP discute política ambiental

O workshop “Reflexividade, Self e Política Ambiental: a Intervenção como construção compartilhada do futuro socioambiental planetário” contará com a participação do conferencista Héctor Omar Ardans-Bonifacino, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O evento ocorre entre 14h e 17h e será transmitido ao vivo na internet no site www.iea.usp.br/aovivo Inscrições: Não são necessárias Site: http://www.eventos.usp.br/?events=workshop-trata-das-relacoes-entre-reflexividade-e-politica-ambiental

8/03

Último dia de inscrições na Oficina Métodos e Técnicas de Pesquisa em História e Relações Internacionais do CPDOC da FGV-SP

A oficina, que acontece entre 13 e 15 de maio, é destinada a mestrandos e candidatos a programas de doutorados cujas pesquisas se encontram na intersecção entre as disciplinas acadêmicas de História e Relações Internacionais. Em casos excepcionais, graduandos que estejam trabalhando em monografias de final de curso também poderão ser aceitos. Inscrições: Para pleitear uma das dez vagas oferecidas, os candidatos devem resumir seu projeto de pesquisa em até uma página e enviar cópia do Currículo Lattes para cpdoc.sp@fgv.br. O Centro de Relações Internacionais da FGV custeará passagens, hospedagem em albergue e alimentação dos candidatos que não residirem em São Paulo. Site: http://www.ri.fgv.br/sites/default/files/eventos/arquivos-relacionados/Programa%2013%2002%2015.pdf

28/03

Abertura da exposição “Classicismo, Realismo, Vanguarda: Pintura Italiana no Entreguerras”

A mostra apresenta 71 pinturas italianas adquiridas entre 1946 e 1947 e traz ainda dez obras de artistas brasileiros cujas práticas mantinham relação com o ambiente artístico italiano do entreguerras. A abertura ocorre às 19h na unidade do MAC na Cidade Universitária. A entrada é gratuita, e o horário regular de funcionamento do Museu é de terça-feira a domingo, das 10 às 18 horas. Site: http://www.eventos.usp.br/?events=exposicao-no-mac-exibe-pinturas-italianas-do-periodo-entreguerras

RIO  DE  JANEIRO   15/03

Último dia de inscrições para participar do 2º Workshop sobre União Europeia, organizado pelo Centro de Organizações Internacionais da FGV-RJ

Os estudantes de mestrado e de doutorado que forem selecionados terão a oportunidade de apresentar e discutir seus projetos em andamento com renomados acadêmicos estrangeiros. O evento ocorre no dia 10 de maio, como parte das atividades organizadas para celebrar o Dia da Europa. Inscrições: Abertas a estudantes matriculados em programas de mestrado e de doutorado nas áreas de Política, Relações Internacionais, Direito, Ciências Sociais, História e Economia e que residam no Brasil. Os interessados devem enviar um resumo da pesquisa (500 palavras) e currículo para ri@fgv.br . O Centro de Relações Internacionais irá custear a viagem daqueles que não residirem no Rio de Janeiro. Site: http://www.ri.fgv.br/eventos/2nd-workshop-european-union-research

CURITIBA   17/03

Último dia de inscrições para o III Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política na UFPR

No evento, que acontece entre os dias 31 de julho e 2 de agosto de 2013, estudantes de pós-graduação e docentes de todo o país terão a oportunidade de discutir seus trabalhos na área de Ciência Política. Inscrições: http://www.eventweb.com.br/fbcp2013/home-event/ Site: http://www.forumcienciapolitica.com.br/apresentacao/

BRASÍLIA 20/03

Lançamento do livro “Por dentro do Itamaraty, Impressões de um Diplomata”, do Embaixador André Amado

O lançamento acontece às 12h30 no Instituto Rio Branco (IRBr), após palestra do Embaixador, às 11h.

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CHARGE

DIREITA, ESQUERDA, VOLVER JULIANA PIESCO

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Revista Sapientia