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Ano XVIII โ€ข nยบ 286 Fevereiro de 2019

R$ 5,90


EMPOUCASPALAVRAS Divulgação

Desta vez ele chegou mais tarde do que o habitual e logo depois de uma série de acontecimentos que entristeceram toda uma nação nos dois primeiros meses de 2019. Mas agora que ele está aí, o melhor a se fazer é exorcizar a tristeza e entrar no seu ritmo, no ritmo do Carnaval brasiliense, que cresceu muito nos últimos anos e tem tudo pra bombar. Serão mais de 200 blocos já confirmados na programação de Momo e com potencial para atrair até dois milhões de foliões, sendo 25 mil turistas, segundo cálculos feitos pelos organizadores da festa. Engana-se, contudo, quem pensa que a folia carnavalesca ficará limitada a samba, marchinhas e axé. No Carnaval no Parque, por exemplo, uma verdadeira miscelânea musical vai agradar também aos fãs de música eletrônica, sertaneja, forró e de hits do verão (página 26). Entre as duas centenas de blocos de Carnaval está o Pipoka Azul, que sai domingo e segunda de Carnaval, no Guará I e II. No alto do trio elétrico estará a alegria esfuziante da nossa rainha do samba, Dhi Ribeiro. “É uma forma de dividir com eles minha arte e minha alegria; afinal, é minha comunidade”, proclama a cantora cuja trajetória de vida e de carreira está contada nas páginas 30 e 31. Para quem curte o Carnaval e sabe que pra aguentar a farra é preciso se hidratar bem e pegar leve na comida, uma boa é conhecer os novos pratos do Peixe na Rede, que aposta agora numa linha fit e vegetariana para comemorar os 15 anos de sucesso da rede que já se espalha por 13 endereços em Brasília e um em Goiânia (página 4). Para quem quer fugir da folia de Carnaval, esta edição traz inúmeras sugestões. Uma delas é visitar a mostra 50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual, em cartaz no CCBB até 28 de abril. Com curadoria de Tereza de Arruda, percorre o trajeto do realismo, que ganha força nos anos 60, em contraposição ao abstracionismo, e chega até a arte contemporânea produzida pelas novas mídias. Destaque para pinturas que, de tão perfeitas, até parecem fotografias, como é o caso das telas de Andres Castellanos (página 24). Outra sugestão para os não chegados a Carnaval é assistir a alguns dos filmes do gênio Martin Scorsese, em cartaz no cinema do CCBB até 10 de março. Na programação, os imperdíveis Taxi driver, Touro indomável, O lobo de Wall Street, Gangues de Nova York, Cabo do medo, A invenção de Hugo Cabret, e muitos outros. Detalhes do cinema multifacetado do diretor estão em nossa matéria da página 32. Bom Carnaval e até março Maria Teresa Fernandes Editora

24 galeriadearte Diálogo, do brasileiro Giovani Caramello, é uma das obras hiper-realistas expostas até 28 de abril no CCBB.

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ROTEIRO BRASÍLIA é uma publicação da Editora Roteiro Ltda. | Endereço SHIN QI 14, Conjunto 2, Casa 7, Lago Norte – Brasília-DF – CEP 71.530-020 Endereço eletrônico revistaroteirobrasilia@gmail.com | Diretor Executivo Adriano Lopes de Oliveira | Editora Maria Teresa Fernandes | Diagramação Carlos Roberto Ferreira | Capa Carlos Roberto Ferreira, com fotos de divulgação | Colaboradores Alexandre Marino, Alexandre Franco, Bianca Moura, Conceição Freitas, Heitor Menezes, Lúcia Leão, Luiz Recena, Mariza de Macedo-Soares, Pedro Brandt, Sérgio Moriconi, Silvestre Gorgulho, Súsan Faria, Teresa Mello, Vicente Sá, Victor Cruzeiro, Vilany Kehrle | Fotografia Rodrigo Ribeiro | Para anunciar 98275.0990 | Impressão Foxy Editora Gráfica Tiragem: 20.000 exemplares.

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Filé de tilápia ao molho de coco dourado

Cardápio revigorado POR LÚCIA LEÃO

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ê aquela mesa? É uma cena comum nos nossos restaurantes: confraternização de funcionários de uma empresa. Repara que vêm desde o office-boy até o chefe”. Sentada numa mesa estratégica, no meio do amplo salão, de onde pode observar todo o movimento da casa, a empresária Maria Luiza da Mata troca impressões com a filha Izabel, advogada e a primeira das hoje 13 franqueadas da marca Peixe na Rede. “Olha só quem está chegando! Há muitos anos que eles almoçam aqui, desde o começo da loja na 309. Sempre chegam mais tarde!”, aponta para um casal de meia idade que se acomoda na mesa quando a maioria já se retira. Um cliente se aproxima, despede-se das duas, elogia a comida e reafirma sua fidelidade: “Almoço aqui pelo menos quatro vezes por semana”. O comentário alimenta a alma tanto quanto a berinjela à parmegiana e o macarrão de abobrinha, duas das novidades do cardápio que mãe e filha aproveitam a ocasião pa-

ra experimentar, saciam a fome. “Cada passo que a gente deu ao longo da nossa trajetória foi baseado nisso, na observação e atenção aos clientes que sempre ditaram os caminhos a seguir”, conta Maria Luiza, citando o exemplo das novidades do cardápio fit e vegetariano recémlançado pelo Peixe na Rede. “A opção pela alimentação vegetariana é uma tendência crescente, que a gente não podia desconhecer”. Mineira “criada a torresmo”, como ela própria se apresenta, Maria Luiza se impôs o desafio de desenvolver pratos que, mesmo sem o filé de tilápia que não só é a marca da casa, mas sua própria razão de existir, preservassem o estilo de sua cozinha, marcada pela criatividade na composição de ingredientes e temperos suaves, mas marcantes. Além do macarrão de abobrinha e cenoura, temperado com pesto de manjericão (R$ 29,90 ou R$ 38,90 quando acompanhado de tilápia grelhada), a nova linha vegetariana contempla a berinjela à parmegiana (R$ 28,90), servida com dois acompanhamentos à escolha, e a

moqueca de banana (R$ 69,90), que para quem preferir pode ser servida também com camarões (R$ 88,90). Ambas servem a duas pessoas. Novos também são os camarões crocantes (R$ 38,80, com 20 unidades), empanados com massa especial criada por Maria Luiza, à base de farinha bem temperada e cerveja, e o filé de tilápia com molho de coco dourado (R$ 36,40) – “uma delícia”, na avaliação do servidor público Rafael Oliveira, 36 anos, frequentador assíduo do restaurante da 405 Sul. “O sabor surpreendeu a minha expectativa. Já é um dos meus favoritos”, afirma. “A aceitação está ótima”, festeja a chef. Hoje muito mais envolvida com a administração da loja própria, localizada no Shopping Plaza Norte, e da cozinha industrial que alimenta a rede de 13 franquias, ela não esconde o grande prazer de botar a mão na massa. Esses e os outros petiscos oferecidos nos 13 restaurantes de Brasília e de uma recém-inaugurada casa em Goiânia saem congelados e porcionados da cozinha industrial do Peixe na Rede montada no


Fotos: Divulgação

Camarões crocantes

Filé de tilápia grelhado com gergelim

Com 13 restaurantes em Brasília e um em Goiânia, o Peixe da Rede chega aos 15 anos cheio de novidades. Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN). Eles e todos os molhos utilizados no variado cardápio, além dos filés de tilápia e outras carnes que che-

gam aos restaurantes filetadas, prontas para ir para o fogão e para uma média de 1.250 pratos servidos em cada dia de semana e mais de três mil aos domingos. “Praticamente só os pescados e os legumes são processados nas cozinhas dos restaurantes, porque é uma manipulação que precisa ser feita na hora. Mas utilizamos o máximo possível a central de produção para garantir a uniformidade e um padrão único de qualidade para toda a rede”, explica Maria Luiza, destacando que a diversidade do cardápio (com preços a partir de R$ 21,90) e o ambiente personalizado que ela imprimiu à marca desde a sua origem, em 2004, criaram uma clientela também diversificada. Filé de tilápia com macarrão de abobrinha e cenoura ao molho pesto

“Recebemos clientes de todas as idades e diferente poder aquisitivo. Olha lá, ainda está chegando gente. Somos dos poucos restaurantes de Brasília que mantêm a cozinha aberta durante toda a tarde. E não faltam retardatários para almoçar”, comemora, tirando o olho do salão para olhar o relógio. São quatro horas de uma sexta-feira e o Peixe na Rede, em todos os seus endereços, segue sua rotina, que já completa 15 anos.

Peixe na Rede 110/111 Norte (3340.6937) 405 Sul (3242.6569) 102 Sudoeste (3344.9498) Av. Araucárias, 850, Águas Claras (3024.0744) QI 9, Lago Sul (3364.1917) QI 17, Guará 2 (3554.1832) Brasília Shopping (3963.7294) Taguatinga Shopping (3036.2885) Conjunto Nacional (3046.0063) ParkShopping (3234.1528) Pátio Brasil (3045.6001) Boulevard Shopping (3327.2369) Senado Federal (3226.5271) Goiânia Shopping (62-3932.8873)

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A obra-prima de

Marcelo Petrarca

POR VICTOR CRUZEIRO

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chef tem que conseguir ver além”, começa Marcelo Petrarca, sentando numa mesa redonda de madeira maciça, numa sala toda em tons de madeira em frente à cozinha principal. “Ele tem que conseguir ver além do próprio restaurante”, acrescenta, seguindo-se um silêncio que contribui para a atmosfera do lugar. Estamos em um dos vários salões exclusivos do Lago Restaurante, na QI 5 do Lago Sul, a nova empreitada de Petrarca, que marca mais acentuadamente a influência da intimidade e rudeza das tabernas que ele absorveu de Martín Berasategui (chef basco premiadíssimo que carrega consigo a herança atávica das bodegas camponesas). A casa contém um recinto VIP adjacente ao amplo salão principal, além de outro com uma pequena cozinha para confraternizações, no subterrâneo. Asa Norte Todos esses toques despontam no La-

go algumas demonstrações da maturidade do chef, maturidade que sua primeira casa, o Bloco C (211 Sul), ainda não tinha – tendo muito mais cara de qualquer restaurante de Brasília do que de uma empreitada autoral que alguém com a bagagem de Petrarca poderia tentar.

O chef traz no currículo experiências no exterior ao lado de chefs como Berasategui e o italiano Carlo Cracco, que leva a gastronomia para um lado muito mais midiático. Foi com os dois, afirma, que moldou suas técnicas e treinou seu apuro criativo, para atender às mais diversas demandas que surgiram nos seus três empreendimentos. O Lago fecha a trinca composta também pelo Bloco C e pelo Reverso (restaurante 24 horas localizado no hotel Blue Tree Jade, ao lado do CasaPark), uma audaciosa tentativa de abarcar o maior número possível de paladares em uma cidade que abraça todos os paladares do mundo. Não apenas Brasília é formada por nativos de diversas partes do país, como também recebe públicos de diversas partes do globo, aponta o chef, que conclui dizendo que esse amplo leque de menus facilita sua empreitada de evocar as memórias que envolvem cada prato e cada um. A cozinha contemporânea é o norte


e o que ele considera “contemporâneo”. O objetivo é oferecer pratos que dialoguem com o que o público demanda. “O chef não pode ser rígido demais”, diz Petrarca, que assume já ter sido um cozinheiro obcecado com seu modo de fazer, mas que hoje se abre às possibilidades de que o cliente decida alguns caminhos dos pratos. “Se você promete, tem que entregar”, diz, enfatizando que a entrega não pode estar condicionada só ao que o chef entende como certo, mas ao que o cliente sente como confortável. Só assim se oferece a melhor experiência. Só no abraço entre uma memória antiga e uma construção atenta às tendências é possível o sucesso de uma empreitada como a desse chef, que conseguiu se equilibrar entre o solipsismo do cozinheiro e a abnegação do empresário. Assim, cada cliente, de qualquer um dos empreendimentos do grupo, pode ter a experiência que melhor lhe aprouver, deixando de lado as estritas amarras de uma gastronomia rígida, mas sem esquecer a base afetiva que norteia o ato de cozinhar. No caso do Lago, são pratos como o risoto de vieira com edamame (R$ 99, preço máximo da casa), filé Wellington com purê de batatas (R$ 94), a curiosa entrada do cachorro-quente de lagosta (R$ 68 a unidade) e a tradicional nhá benta caseira (R$ 36,50, para duas pessoas). Como uma boa casa desse nível, o Lago conta com uma ampla carta de vinhos e de drinks para acompanhar essa

aconchegante e arrojada investida gastronômica, que vem das mãos de um chef que se preocupa em entregar o que promete, da melhor maneira para ele e para os clientes. Fotos: Gui Teixeira

do trabalho do chef e empresário gaúcho, que se pergunta constantemente sobre a função do próprio conceito de alta gastronomia no cenário atual. Para ele, a chamada haute cuisine se contradiz ao tentar selecionar alguns ingredientes e pratos como únicos e aceitáveis. O mesmo vale para o conceito de contemporaneidade: “Se um menu quisesse ser realmente contemporâneo, teria que mudar todos os dias”. Petrarca se encontra no meio do caminho, construindo uma ponte entre o que o mundo considera “alto”

Lago Restaurante

SHIS QI 5, Conjunto 9, Bloco D (3553.9078) De 3ª a 5ª feira, das 12 às 15h30 e das 19 à 1h; 6ª e sábado, das 12 à 1h30; domingo, das 12 às 17h.

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Delícias da panificação alemã POR VILANY KEHRLE

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ães integrais sem conservantes, produzidos na Alemanha sob os mais rígidos critérios de qualidade. Esse é o lema da Das Brot, autêntica padaria alemã que chegou a Brasília pelas mãos de Huelinton Wenceslau, um paranaense de Foz do Iguaçu que mora na cidade desde o final de 2009 e descobriu as maravilhas da panificação germânica poucos anos atrás. Ele conta que, entre 2013 e 2014, fazia mestrado em Gestão Aeronáutica na França e, ao passar uma temporada na cidade de Valence, que fica próxima da Alemanha e da Suíça, ao cruzar a fronteira se surpreendeu com a variedade, a

qualidade e o sabor dos pães produzidos pelas padarias das cidades alemãs que visitava. “O que encontrei foi muito além das minhas expectativas”, confessa. Ao se desligar do emprego na Infraero, em 2017, por meio de um Programa de Demissão Voluntária, numa visita a São Paulo conheceu a Das Brot (O Pão, em alemão), uma rede de franquias de padarias que nasceu em Campinas, em 2011, e trabalha com produtos de alta qualidade importados de uma empresa de Hamburgo, fundada em 1680. A partir daí, começou a trabalhar a ideia de ingressar nesse segmento, convidou o excolega de trabalho André Luís Marques de Barros a ser seu sócio e, no final de setembro do ano passado, a Das Brot

brasiliense abriu as portas na 215 Sul. Um misto de padaria, cafeteria gourmet e mini empório, a Das Brot oferece uma variedade de pães em tamanhos, sabores e aromas diversos produzidos com fermentação natural, grãos integrais, sementes especiais e sem conservantes, que agradam aos mais diferentes paladares: rústico, do campo, girassol, campeão, preto integral, baguete de cebola, Kaiser, Toscana, de abóbora, de forma, sem glúten, da fazenda, do padeiro... Além de croissant, folhados, waffles e os famosos brezel ou pretzel (um pão salgado em forma de nó, geralmente salpicado com sal grosso). Com um projeto arquitetônico desenvolvido por uma empresa da capital paulista, a Das Brot é um lugar pequeno,


Fotos: Divulgação

aconchegante, com um mobiliário moderno, funcionários bem treinados, “sem ostentação, prático e confortável, que lembra o perfil das padarias da Alemanha”, como frisa Huelinton. No cardápio constam, também, doces como apfelstrudel, cucas, bolos (entre eles o Floresta Negra), cervejas Weihenstephaner e Paulaner, vinhos da vinícola Pfaffmann, sanduíches, saladas, omeletes, tábua de salsichas (R$ 59,90) e alguns pratos da típica cozinha alemã, que podem ser consumidos diariamente. Outras delícias da casa: baguete com salsicha Frankfurter (R$ 15,90); pãozinho com salsicha vermelha Schüblig (R$19,90) ou com salsicha branca Kalbsbratwurst (R$ 18,90), todos com salada fria de batatas; tortinha de joelho suíno (R$ 11,90; e oito opções de brunch para uma ou duas pessoas, com preços que variam de R$ 14,90 a R$ 74,90. O serviço de delivery é uma possibilidade em análise. Os proprietários não sabem se a ideia vai avançar, já que nesse sistema o fator tempo é muito importan-

te. Se um produto não for consumido rapidamente, perde na qualidade do sabor e do aroma. “Estamos aprendendo, estamos descobrindo...”, diz Huelinton.

Viel glück für sie! (boa sorte pra vocês!). Das Brot

215 Sul, Bloco B (3797.0208) Diariamente, das 8 às 22h

Você já experimentou o autêntico gelato italiano?

cremeriaitaliana.com.br /cremeriaitalianabsb 206 Sul 9


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O terceiro Manara POR SÚSAN FARIA

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Líbano tem belezas inacreditáveis, como a natureza que brota no Vale de Qadishado, habitado pelos fenícios, uma das civilizações mais antigas do mundo. É dessa região que veio Marie Claude Youssef, proprietária do restaurante Manara, instalado há 16 anos na Asa Norte. Agora, a talentosa chef – que se criou entre as cidades de Zgharta, no inverno, e Ehden, no norte do Líbano, no verão – traz as delícias de sua culinária para a Asa Sul, mais precisamente para a quadra 512. Aberto há pouco mais de dois meses, o novo Manara não é lugar só de boa comida. É onde se tem o prazer de sentar confortavelmente, cercado das riquezas e detalhes da decoração árabe, em espaço de 800 m2, com capacidade para até 500 pessoas. Com pé direito de seis metros, o teto vermelho e branco abriga a maioria dos 52 lustres coloridos da casa, vindos da Turquia; no piso, vislumbram-se baús, dez biombos, espelhos e lustres iluminados. A bandeira libanesa está logo na entrada, à direita, e depois painéis de fotografias, mosaicos de madeira com formato de lâmpadas e arcos e divisórias leves separando as 100 mesas da área onde se serve a comida. São muitas cores em

equilíbrio, proporcionando a sensação de grandiosidade, sofisticação e brilho. O restaurante está no nome do primogênito de Marie Claude, o jovem Antoine Yammine Habib, de 18 anos. “É uma forma de incentivá-lo a assumir os negócios”, explica a mãe, que veio para o Brasil com o marido Georges Habib, morto de infarto sete anos depois de terem se instalado em Brasília. Única filha mulher, ela ouviu da família a proposta de voltar à terra natal, onde era advogada e seu pai um grande comerciante, mas preferiu continuar aqui, ainda com os dois filhos pequenos, lutando para realizar o sonho do marido. Abrir um novo

restaurante não estava em seus planos imediatos, mas, após o convite para um passeio na Asa Sul – que incluiu a surpresa de conhecer a grande loja vazia do primo Cairo Sarkis – não resistiu. Apaixonou-se pelo espaço, gostou da localização e em três meses estava tudo pronto, do treinamento dos funcionários à decoração, feita por ela mesma. Os três Manaras – o nome é referência ao farol de Beirute – atendem na modalidade self-service. Os da Asa Norte estão fisicamente juntos, na quadra 706/707 (um deles era de rodízio) e servem comida libanesa e brasileira. O novo Manara abre diariamente, com comi-


Fotos: Divulgação

da exclusivamente libanesa. Nem foi preciso fazer muita divulgação. A proprietária foi avisando os antigos clientes, ouvindo suas opiniões, fazendo um trabalho personalizado. Logo a notícia se espalhou. “Foi gratificante, por exemplo, saber que pessoas que trabalham ou mo-

Ceia da Belini Pães & Gastronomia

ram aqui perto iam até a Asa Norte comer no Manara. O carinho dessas pessoas nos deixa firmes e fortes para sempre melhorar”, afirma a chef. No cardápio da casa, destaque para o carneiro inteiro, recheado com arroz e uvas passas (pode-se escolher os melho-

res pedaços, cortados na hora). Uma delícia é a Shish Barak, massa fresca e leve de farinha de trigo, água e sal, cozida na coalhada fresca com hortelã seco e alho, recheada de carne, cebola, salsa e sete pimentas sírias. Saladas, tabule, fatuche, charutos, abóboras recheadas, kaftas, quibes, esfirras, falafel e homus são feitos com temperos, azeites e especiarias trazidos do Líbano. Os doces, em bandejas espelhadas, vêm de São Paulo, onde são produzidos por um confeiteiro do norte libanês. Difícil não querer experimentar a rosa folhada, a baklava e os ninhos de pistache, amêndoas, nozes ou damasco, entre R$ 8 e R$ 9 a unidade. Pães sírios feitos na hora custam R$ 1 a unidade. Para iniciar a saborosa refeição, não deixe de experimentar o Arak, bebida feita de uvas ou tâmaras, com a infusão de anis, conhecida como o néctar dos deuses árabes. Manara Restaurante Libanês

512 Sul, Bloco C, com entrada pela W2 (98177.0584). Self-service, no quilo, diariamente, das 11h30 às 14h40, de 2ª a 5ª feira, a R$ 58,90; 6ª e sábado, R$ 60,90; domingo, R$ 62,90.

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Boteco à moda antiga TEXTO E FOTOS LÚCIA LEÃO

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o Tiborna fez um ano! O “Bar e Comedoria”, que chegou de mansinho àquela esquina da 403 norte, já diz agora, sem acanhamento, a que veio: para ser um boteco de classe, um ponto de boemia familiar e um acolhedor de alegrias que guarda, da cozinha ao salão, as melhores tradições dessa instituição plantada em terras brasileiras pelos patrícios e que foi por aqui tão bem cultivada.

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Os sócios Paulo Guilherme, Sandra Adegas e Ari Souza.

“Não queríamos montar simplesmente um bar, nem ser mais um restaurante. Nossa proposta era um boteco bem tradicional, descontraído e despojado, onde as pessoas se sentem à vontade para se encontrar com os amigos, são bem recebidas e tratadas pelo nome, comem e bebem bem e fazem daquele lugar seu ponto de referência. Foi isso que perseguimos em cada um desses 365 dias, e completamos o primeiro aniversário bem felizes com o resultado”, comemora Paulo Guilherme Wairoz Pereira, o Paulinho, proprietário da casa junto com a professora Sandra Adegas e o marido Ari Souza. E foi, de fato, uma grande festa de amigos. Amigos que se encontraram ali muitas vezes durante o ano. Como o ator e músico Murilo Grossi, a mulher Fernanda Bigonha e uma grande turma de artistas brasilienses que elegeram o Tiborna como “o seu boteco”. “É um lugar acolhedor, onde a gente se sente à vontade, tem sempre cerveja gelada

e umas comidinhas deliciosas”, anota Murilo, recomendando, com a autoridade de bom gourmet e cozinheiro, o “mineirinho enrolado”, um petisco de linguiça enrolada em massa de pastel, servido com molho de goiabada picante (R$ 40). Outro frequentador assíduo do Tiborna e amante da cultura tradicional que ele carrega, o baterista Jorge Macarrão canta loas às iscas de fígado acebolado com jiló frito (R$ 30). “Foi um dos primeiros campeões do concurso de comida de boteco, ainda quando ele era realizado só em Belo Horizonte”, conta o músico, demonstrando domínio do assunto. Mas, como reza o ditado, quem herda não rouba. E o Tiborna herdou o DNA do que ficou conhecido em Brasília como “grupo Jorge Ferreira”, do saudoso empreendedor que fez história na área de bares e restaurantes. Paulinho e Jorge, que já eram ligados por laços de amizade e familiares, foram sócios no Bar do Ferreira e no Mercado Municipal. “Eu tinha uma participação pequena, tanto de aporte financeiro quanto na administração, mas compartilhava da paixão do Jorge pelos projetos. E, sem dúvida, trouxe muito dessa vivência para o Tiborna”.


Jorge Macarrão e seu prato preferido: iscas de fígado acebolado com jiló frito.

Pra começar, trouxe boa parte da equipe de cozinha do Mercado Municipal, que fechou as portas em 2017. E junto com ela a inspiração portuguesa do cardápio. “As comidas de boteco são essencialmente portuguesas, porque foram os portugueses que criaram essa tradição de boteco no Brasil”, observa Paulinho. A começar pelas tibornas, prato

O ator Murilo Grossi e amigos músicos dão uma canja na festa de aniversário.

alentejano que dá nome à casa – pão de massa grossa embebido no azeite, puro ou acompanhado de lascas de carne ou bacalhau (R$ 14 a R$ 19). O Tiborna serve também pratos clássicos, como o filé à Oswaldo Aranha, o filé de peixe à belle meunière (R$ 40, ambos) e a indefectível feijoada de sábado, acompanhada de chorinho. Às quintas, a happy

hour tem música ao vivo. “Tentamos oferecer tudo o que um bom boteco tem que ter: boa comida, cerveja gelada, ambiente amistoso, bom atendimento e banheiro limpo”, diverte-se Paulinho. Tiborna

403 Norte, Bloco B (3327.0328). 2ª feira, das 12 às 16h; 3ª e 4ª, das 12 às 23h; 5ª a sábado, das 12 às 24h; domingo, das 12 às 15h30.

www.bilheteriadigital.com

festival de música, cultura e arte 1 a 6 de março | luziânia-go-brasil

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PICADINHO

TERESA MELLO

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picadinho.roteiro@gmail.com

E que venham as panelas Há cinco anos, o chef Alexandre Albanese (foto), do Nossa Cozinha, o empresário Andrei Prates e o chef Rodrigo Melo, do Cantucci, e Mateus Takano, do Genghis Khan, resolveram criar um festival movidos pela paixão por gastronomia e sem amarras burocráticas. Assim nasceu o Panelas da Casa. Depois de passear por receitas afetivas na última temporada, a 8ª edição do evento, que comemora a adesão de Marcelo Petrarca, do Reverso, apresenta criações espertas de 11 restaurantes no rastro temático da brasilidade. Até 3 de março, entrada, prato principal e sobremesa saem a R$ 52. “Busquei inspiração em ingredientes mineiros e do Nordeste”, conta o chef Albanese, que preparou copa-lombo (sobrepaleta suína) empanada com panko, recheada com camarão e servida com farofa de bacon e arroz cremoso de coco. Completam o time de craques os chefs da Belini, do Bhumi, do El Paso, do Carpe Diem, do C’est la Vie, do Café Savana e do Veloce. É bom saber: Genghis Khan, C’est la Vie e Nossa Cozinha participam apenas no jantar, ok? Veja os menus em www.panelasdacasa.com.br .

Drinques de verão

Moema, Morumbi, Consolação, Pinheiros, Brás, Ibirapuera, Bixiga. Assim os empresários Luiz Alves, de 29 anos, e Reginaldo Soares, 40 anos, batizaram os cerca de 30 sabores especiais da Vila Madalena, pizzaria inaugurada em janeiro na 413 Norte. Donos da Moema, que funciona há cinco anos em Sobradinho, buscaram inovar no Plano Piloto: “Apesar de ambas serem inspiradas em bairros de São Paulo, optamos agora por fazer um restaurante no estilo de vila mesmo”, diz Luiz. A pizza com o nome da casa leva molho de pomodoro pelati, filé mignon e catupiry gratinado com parmesão. A Consolação (pequena a R$ 54, média a R$ 60 e grande a R$ 66) tem palmito e catupiry, enquanto a Guarujá Gourmet leva camarão refogado e alho-poró. Há os tipos tradicionais e doces e também entradas, como a burrata com rúcula, tomate e manjericão servida com foccacia (pão de origem italiana). Funciona diariamente, a partir das 18h. Delivery pelo 3053.0033.

É dia de festa

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Tradicional cantina italiana na QI 11 do Lago Sul, o restaurante Don Romano lança carta de drinques com 20 misturas refrescantes e coloridas, como o Blue Lagon (vodca, Curaçau Blue e suco de limão, por R$ 23) e o Daiquiri de Maracujá (rum branco, limão e maracujá), além do clássico Sex on The Beach (vodca, licor de pêssego, sucos de laranja e de cranberry, por R$ 21). Os clientes também contam com novidade no menu da casa, inclusive aos domingos. É o escalope de filé mignon flambado à gremolata (condimento que mistura alho e salsa picados e raspa de casca de limão), acompanhado de risoto de limão-siciliano. O prato de verão custa R$ 69 e está disponível até 20 de março.

Marcus Oliveira

Uirá Godoi

À moda de São Paulo

Desde 1993 no mercado brasiliense, a novidade na Sweet Cake é o kit festa: “A proposta é oferecer praticidade e preço bom. Tanto que os descartáveis estão inclusos, como pratos, copos, garfos e guardanapo”, diz a sócia Gabriela Jabour, chef confeiteira pela Le Cordon Bleu e que trabalha ao lado da irmã Luiza, graduada em Gastronomia. Foram criados três pacotes e o cliente monta o seu: há nove tipos de tortas, como Nozes com Damasco, Surpresa de Chocolate (foto), Alemã de Chocolate e Brigadeiro; três de doces (beijinho de coco, brigadeiro e cajuzinho) e 13 de salgados. O Kit 1 serve até dez pessoas e vem com 100 salgadinhos, 40 doces, uma torta pequena e dois refrigerantes de 2 litros. Sai a R$ 280. O Kit 2 sustenta 20 pessoas com 200 salgados, 80 doces, uma torta média e quatro refris de 2 litros (R$ 482), e o Kit 3 serve 30 convidados, com 300 salgados, 120 doces, uma torta grande e seis refris de 2 litros (R$ 715). A empresa, que além de bufê é confeitaria, tem seção de doces finos e serve almoço, funciona na QI 21 do Lago Sul e na 412 Sul. Veja os cardápios no site e encomende pelo zap 99673.7553.


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Sorvetes lá de Belém do Pará

A queridinha torta banoffee

Outback vegetariano?

Da combinação de banana e toffee (doce de leite consistente) nasceu a torta banoffee em 1971, criada pelos ingleses Nigel Mackenzie e Ian Dowding, do restaurante Hungry Monk, em East Sussex. Décadas depois, o doce que não é tão doce desponta como queridinho em Brasília. Alguns bistrôs e cafés têm a delícia no cardápio, como a Delicatus, confeitaria inaugurada em 26 de janeiro dentro do Empório Árabe, em Águas Claras. Por R$ 14,50 a fatia, é possível provar a releitura assinada pela brasiliense Giselle Debora de Jesus, 40 anos, há quatro anos no grupo da chef Lídia Nasser. “São várias texturas: a base é crocante, tem a cremosidade do doce de leite que nós produzimos, vai a banana in natura e a leveza do nosso chantilly, batido com creme de leite fresco, e uma leve polvilhada de canela”, detalha Giselle. As vitrines da loja exibem também tuiles de coco e brigadeiro, bolo de amêndoas, torta glaceada de frutas vermelhas e cheesecake invertida: “A cobertura foi para o meio”, explica Giselle.

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A rede de inspiração australiana Outback Steakhouse é conhecida, em 22 países, pelos cortes especiais de carne. Mas, em 2019, esse perfil anuncia lançamentos surpreendentes: carne de jaca, almôndega de berinjela e sanduíche de brócolis e couve-flor. No Brasil desde 1991, as 93 unidades em 38 cidades abriram espaço no cardápio para a linha vegetariana desde o fim de janeiro. Como entrada, o Jack Nachos traz tortillas crocantes de milho servidas com feijão preto, tomate, repolho roxo, carne de jaca desfiada e molho Cheese Ranch. Custa R$ 42. Nos sanduíches, a novidade é o Veggie Blue Cheese Burger: no pão tipo brioche, acomodam-se brócolis, couve-flor, gorgonzola, alface, tomate, picles e molhos. Sai a R$ 43 e vem com fritas. Já o Veggie Bites (R$ 42) apresenta 10 almôndegas de berinjela defumada, temperadas e servidas com molho Barbecue Ranch.

Thiago Bueno

Desde que saiu de Belém, em 2001, o arquiteto Adrey Silva, 42 anos, tem carência dos sorvetes da Cairu: “Fazia parte da minha infância”, conta.”A minha banana split era com os sabores de cupuaçu, bacuri e açaí.” No fim de 2017, o empresário abriu a Apetitá, na 410 Sul, onde o carro-chefe é o sorvete paraense. Repaginado, o cardápio da loja agora inclui quitutes de bistrô e o freezer com 15 opções do melhor da Cairu ganhou destaque na frente da casa. “Os mais vendidos são os de tapioca, de carimbó, que é castanha-do-Pará com doce de cupuaçu, e de açaí”, diz. Por falar nisso, o sorvete de açaí tem gosto de Floresta Amazônica. Juro! Há também de taperebá, bacuri, manga e outros tipos como creme, coco, maracujá, doce de leite, Romeu e Julieta, chocolate belga. Os preços variam de R$ 12 a R$ 18. A Apetitaça (foto) é um deleite coletivo e sai a R$ 40, e as sobremesas encantam, como Cartola e banana flambada. Leve pra casa: bolo com recheio e cobertura de doce de cupuaçu.

Cervejas especiais, Sí Señor Com 16 unidades em São Paulo e três fora (DF, MG e RJ), a rede tex-mex Sí Senõr faz 12 anos e comemora com brindes de chope e cervejas especiais da paulista Berggren. São dois tipos de chopes de 285ml − American Lager (leve e de baixo amargor) e IPA (corpo médio e amargor intenso) − e quatro rótulos de garrafas de 500ml (Berggren Hop Lager, Weissbier, APA e American Porter). Em Brasília há cinco anos, o restaurante no térreo do ParkShopping oferece um mês de promoções: balde com quatro cervejas a R$ 88 (cada uma custa R$ 24) e dois combos. O primeiro, a R$ 59 por pessoa, inclui chope à vontade (ou mojito ou caipirinha). Para se ter uma ideia, o chope custa R$ 12. O segundo combo sai a R$ 89 e tem chope (ou mojito ou caipirinha) à vontade e um prato de tira-gostos: chili fries com cheddar e bacon, nachos supremo, chili com carne, street tacos ou quesadillas. “Estamos com uma aceitação muito bacana dos chopes e das cervejas aqui”, diz o gerente, Eduardo Leite, informando que as promoções vão até 11 de março na unidade do DF, que abre diariamente a partir das 12h.

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GARFADAS&GOLES

LUIZ RECENA

Galetos, tempo e histórias “Ventania, agora ninguém mais sai daqui. Se quiserem chamar

afinal cada menina ou menino que partiu antes levou um pouco

mais gente chamem, mas não quero ninguém comemorando na

dos que ficamos. Ao fundo, cenário e espectador privilegiado,

rua, só aqui em casa. Já passei no Augusto e encomendei galeto

Augusto: o restaurante e seu lusitano fundador. A casa foi o

e chope”. Meu tio Jayme era do tipo que dava ordens e não

palco de nossas vivências variadas, nem sempre corretas, rebeldes,

aceitava contras. E usava revólver, na cintura ou debaixo do sovaco

desafiadoras algumas, produzidas pelo medo dos governantes

esquerdo, como se fosse um detetive do FBI. Esse revólver, aliás,

fardados e seus representantes locais, dedos rígidos, fofoqueiros,

era do tipo policial, mas isso é tema para outras conversas. O que

invencioneiros. Do mal.

importa agora é a festa, o tempo e a história.

O AUGUSTO FUNDADOR só nos dava um conselho. “Calma

A FESTA FOI EM JANEIRO de 1972. Passáramos no vestibular

gurizada, que vocês têm a vida pela frente”. O tempo passou, o

da Federal de Santa Maria, RS. Seríamos a primeira turma de Comunicação Social da universidade e muita gente esperava essa oportunidade havia bom tempo. Por isso o concurso foi bem disputado, mais de três candidatos por vaga. Nosso grupo tinha quatro meninos e duas meninas. Os meninos estudavam até a madrugada, as meninas se juntavam a nós durante o dia. O resultado veio pelas rádios locais, depois das três da tarde. Entráramos todos. Vamos comemorar! ENTÃO A ORDEM FOI DADA. E obedecida sem maiores discussões. Afinal, o galeto e o chope do Augusto era o que havia de melhor na cidade e na região. Ficar em casa e chamar alguns amigos era o mais confortável e seguro. Todos os anos as comemorações produziam acidentes, feridos e até mortos. Com toda valentia e poder de fogo, o tio tinha medo. Demoramos um tempo em nossas vidas para entender aquilo. A alegria produziu cuidados especiais em quem, não tendo filhos, gostava de tratar os dos outros como se fossem dele. A farra grande entrou na noite. Os vitoriosos foram resgatados por sóbrios familiares.

cenário mudou um pouco e nós um pouco mais. Cada volta era uma nova celebração. Boa parte dos nossos maiores tinha partido e por serem também frequentadores eram temas de conversa com o proprietário. Até Augusto partir em 2015. O sócio e o filho tocaram o velho cenário, mas um acidente de carro ceifou a vida do sócio no fim do ano passado. O óbvio reapareceu: o tempo marcava mais de 50 anos, o cenário não aguentou mais e o nosso palco fechou no dia 31 de janeiro passado. História cheia de histórias. MAS A HISTÓRIA SÓ ACABA quando termina. Esta encerra em Santa Maria, renasce e continua em Brasília com o nome de Galeteria Gaúcha. Século passado, 31 anos atrás, Arnaldo Sonda deixou Júlio de Castilhos e veio com a família começar sua aventura no parque de exposições da Granja do Torto. Afilhado de Augusto, recebeu os detalhes da poção mágica que tempera os galetos até hoje. O padrinho veio a Brasília dar a benção. Contou-me na última vez que nos vimos em Santa Maria. O negócio multiplicou-se. Pena que também Arnaldo nos deixou. Ficou a família. Sob o comando de Maria de Lourdes e das filhas Laura e Cláudia, com garra e

O TEMPO VEM NO ÓBVIO: passou. Quase meio século de estradas

muito trabalho mantendo tradição e sucesso para nossa felicidade.

da vida. Nos formamos, trabalhamos, saímos em viagem, voltamos

Estão todos lá: o galeto com tempero mágico e secreto, o talharim

uns, outros não. Conquistamos cidades, espaços, outros mundos

caseiro, a polentinha, a salada de maionese caseira, o sagu das

e diferentes seres e haveres. Sofremos e vibramos com o sucesso

antigas, com vinho seco e suco de uva. Tudo e mais um pouco.

maior ou menor de cada um. Morremos um pouco também,

Vida seguindo, história mantida.

AS DELÍCIAS DE MINAS PERTINHO DE VOCÊ 16

lrecena@hotmail.com

Queijos, doces, biscoitos, castanhas, pão de queijo, pimentas, farinhas, polvilho caipira, massa para tapioca, mel, manteiga, cachaças, linguiça, frango e ovos caipira.

Av. Castanheiras, Ed. Ônix Bl. A - Loja 2 - Águas Claras


PÃO&VINHO

ALEXANDRE FRANCO pao&vinho@agenciaalo.com.br

Novos italianos A esta altura o leitor já deve ter percebido certas

que é delicado e persistente. O palato é pleno, robusto

preferências vínicas que desenvolvi ao longo dos anos de

e austero, mas ao mesmo tempo muito aveludado. Com três

degustações “graças a Deus” infindáveis. E uma delas,

anos de madeira, sua estrutura, álcool e acidez o tornam um

certamente, é a que tenho por vinhos italianos. Vale

par perfeito para carnes vermelhas grelhadas. Grande vinho!

observar que na Itália há um verdadeiro “mundo” de

Depois, o Brumaio 2015, um Scansano de estirpe, de

regiões, castas, cortes, produtores, estilos, enfim, há um

grande qualidade. É a Sangiovesi se expressando em outros

sem número de possibilidades para o enófilo de plantão.

cantos da Toscana que não Montalcino. A Tenuta Pitramora,

Mas, embora haja vinhos magníficos, há também vinhos

autora desse ótimo caldo, é certamente uma das melhores

ruins. Portanto, nessa “carta de vinhos” o consumidor há

produtoras da região e mostra o caráter da Sangiovese,

de contar com uma curadoria competente da importadora

que ali é chamada de Morelino, daí o nome Morelino di

para não se decepcionar com suas escolhas de rótulos dessa

Scansano. De cor rubi brilhante, a Sangiovese aqui faz um

procedência.

vinho frutado e jovial. Nariz com frutas e flores vermelhas,

Não é novidade, pois já declarei anteriormente nesta

cereja e toques herbáceos. O palato é de cereja e morangos

coluna, que sou responsável pela curadoria da importadora

maduros, com taninos muito delicados e suaves. Delicioso!

Winemania, de São Paulo, e desenvolvo essa atividade

Continuamos com o Beccaia Bolgheri Rosso 2016. Um

não apenas com cuidado e dedicação, mas com verdadeira

excelente exemplar do que há de melhor hoje na Itália dos

paixão por encontrar vinhos de altíssima qualidade a preços

denominados “super toscanos”. Da mesma região onde

justos nas diversas faixas de consumo.

surgiram os melhores dessa raça, como o Sassicaia, o

Já há algum tempo selecionei uma série de mais de

Ornelaia e tantos outros, esse Beccaia não se deixa intimidar.

dez rótulos italianos que finalmente chegarão ao mercado

De cor rubi intensa e reflexos violetas, com a grande

pelas mãos da Winemania até o fim de fevereiro, e para

estrutura típica de Bolgheri, traz aromas de frutas maduras

esta edição selecionei cinco garrafas para comentar.

vermelhas e negras e um leve e agradável toque herbáceo.

Iniciemos pelo Barbaresco Pallazo Rosso 2013. De cor vermelha granada, traz agradáveis aromas de frutas maduras, folhas secas e alguma especiaria. No palato é marcante, com

No palato é muito macio, redondo, com taninos presentes, mas bem domados. Muito elegante! Finalizamos com o Amarone dela Valpolicella da Monte

bom corpo, estrutura e acidez capazes de acompanhar pratos

Tondo 2014. Um monstro. De cor rubi intensa e profunda,

de carne e molhos untuosos. Ótimo vinho!

com aromas intensos de cereja, ameixas secas e flores, além

Seguimos com o “irmão mais velho”, o Baroloda

de toques de especiarias doces. Na boca é muito sedoso,

Terredavino 2013. A mesma cor vermelha granada traz

de corpo pleno e muito elegante, com final interminável

agora expressões diferentes, com violetas e rosas ao nariz,

e fundo de boca doce. Excepcional!

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francishime Difícil definir, nestas poucas linhas, quem é o artista que ocupará o palco do Clube do Choro nos dias 7 e 8 de março. Dizer que ele é compositor, cantor, pianista, arranjador e maestro parece pouco perto da versatilidade musical definida por Reco do Bandolim como “uma verdadeira orquestra sinfônica”. Francis Hime, que em agosto completa 80 anos, começou a estudar piano aos seis anos e com 24 começou sua parceria com Vinicius de Moraes, com quem compôs Sem mais adeus, Anoiteceu, A dor a mais e Tereza sabe sambar, entre outras. Nessa época, começou a compor com Ruy Guerra canções como Minha (gravada por Elis Regina, Tony Bennett, Bill Evans e muitos outros), Último canto e Por um amor maior. Participou de vários festivais de música nos anos 60, quando suas canções foram interpretadas por Elis Regina, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, MPB-4. Em 1969 foi para os Estados Unidos, onde ficou quatro anos estudando composição, orquestração e trilhas para filmes. De volta ao Rio, em 1973, gravou seu primeiro disco para a Odeon. Foi nessa época que começou a compor com Chico Buarque clássicos como Atrás da porta, Trocando em miúdos, Meu caro amigo, Pivete e muitos outros. No mesmo ano compôs trilhas para filmes, entre eles A estrela sobe e Dona Flor e seus maridos, ambos dirigidos por Bruno Barreto. A partir dos anos 80, começou também a escrever peças eruditas. Esses e muitos outros predicados de Francis Hime poderão ser mostrados nos dois shows que fará às 21h, com ingressos a R$ 40 e R$ 20.

saxnojazz Divulgação

solomúsica Fernanda Cabral nasceu em Brasília, cresceu na Paraíba e morou em São Paulo, mas foi na Espanha, onde viveu por 14 anos, que impulsionou sua carreira como cantora e compositora. Dia 27 de fevereiro, às 20h, ela estará no palco da Caixa Cultural para participar da série Solo Música, que traz mensalmente artistas nacionais e estrangeiros. Fernanda se apresenta com voz, violão e kalimba num show intimista e poético de MPB. Seu primeiro disco, Praianos, foi lançado em 2011, com a participação especial de Chico César, que disse dela: “Nanda cavalga oceanos sem sela. É da natureza de seu elemento que esgarce nuvens, alevante ondas e assopre ventos”. No segundo disco, intitulado Tatuagem zen, teve participação de outros poetas, como Pablo Guerrero, Lau Siqueira, Cássia Janeiro e, mais uma vez, Chico César. “Fernanda é uma das cantoras que precisam ser mais conhecidas no país, seja pela sua voz ou pelas suas composições, que são belas, algumas criadas em parcerias com artistas importantes com Chico Cesar, Fernando Brandt, Cope Gutierrez e Leo Minax”, diz Alvaro Collaço, produtor e criador da série Solo Música. Ingressos a R$ 30 e R$ 15, à venda a partir de 23 de fevereiro.

Samba, baião, maracatu, bossa nova e composições de músicos brasilienses que se alinham ao jazz. Esse será o repertório do show que Michael Tracy fará dia 15 de março, às 20h, no CTJ Hall (706/906 Sul), para celebrar mais de 30 anos de intercâmbio e amizade com os músicos brasilienses. O saxofonista norte-americano vai apresentar seu disco Hora certa, gravado em Brasília, em 2015. Será acompanhado por Flávio Silva, no piano, Eudes Carvalho, na guitarra, Hamilton Pinheiro, no baixo, e Pedro Almeida, na bateria. Ao longo de sua carreira de mais de 45 anos, Tracy já se apresentou em vários países e lecionou em várias universidades. Atualmente, realiza um novo trabalho sobre o repertório da música brasileira. O show faz parte do projeto Sextas Musicais e tem entrada franca.

No ano de comemoração de seus 30 anos, a Anti Status Quo Companhia de Dança estreia nova criação, denominada Microutopias cotidianas aglutinantes do lugar. Será apresentada no Centro de Dança do DF em duas temporadas: de 18 a 23 de fevereiro e de 18 a 23 de março, sempre a partir de 9h30. Destacada por sua ousadia na experimentação na dança e também por explorar temas como comportamento, crítica ao capitalismo e o corpo na relação com a cidade, a companhia propõe uma obra itinerante contemplativa, misturando as linguagens da dança, da fotografia e da intervenção urbana. Com plateia restrita a 24 pessoas por sessão, cada espectador é recebido com um mapa de orientações que o leva a um passeio urbano provocativo de vivência sensível. Segundo Luciana Lara, diretora e coreógrafa da companhia, “nesta proposta o público trilha um percurso mapeado nas ruas em que acontecimentos e instalações mudam a perspectiva do olhar sobre a cidade”. O trajeto, que tem início solitário e torna-se coletivo em um determinado ponto, é, por todo ele, marcado pela presença dos seis artistas do elenco. Entrada franca, mediante agendamento pelo e-mail microutopiasasq@gmail.com.

Danilo Fleury

dançacontemporânea

André Amaro

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DIA&NOITE


INFOARTsp

vivatomie

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Em sua longa e produtiva vida, Tomie Ohtake (1913-2015) realizou mais de 120 exposições individuais, participou de 400 coletivas e recebeu 28 prêmios. Quando já era pintora consagrada, no final dos anos 60, dominou a técnica da gravura, utilizando-se dos processos de serigrafia e litografia. Porém, foi na gravura em metal, a partir de 1987, que encontrou a mesma liberdade do pincel e com a qual seguiu trabalhando. Na exposição Instante – Cores gravadas de Tomie Ohtake, em cartaz no Espaço Cultural Marcantonio Vilaça, do TCU, até 4 de maio, está um conjunto de 70 obras evidenciando exatamente essa experiência da artista com a técnica milenar de gravura. Organizada em parceria entre o Instituto Itaú Cultural e o Instituto Tomie Ohtake, a mostra apresenta obras da época em que a artista fazia uma série em que unia três gravuras de mesma imagem com cores diferentes, resultando em trabalhos com quase três metros de altura; recortou imagens e, ao colocá-las a alguns centímetros da parede, criou novas formas com a sombra produzida pela luz direta; inventou uma obra para duas paredes, trabalhos com dobra em ângulo reto, propondo novas perspectivas. Entre as várias composições reunidas na exposição, destaca-se ainda o álbum Yu-Gen (1997), composto por doze poemas de Haroldo de Campos, inspirados no Japão, traduzidos no campo plástico por Tomie. Uma obra realizada a quatro mãos, na qual os textos manuscritos pelo próprio poeta também viram imagens e contracenam em equilíbrio com os desenhos e cores criados pela artista. De segunda a sexta-feira, das 9 às 19h, com entrada franca. Informações: 3316.5874.

“Minhas instalações resultam da necessidade de desenvolver uma narrativa de sobrevivência. Proponho ocupar e fertilizar o espaço dentro de recipientes de vidro reaproveitados. Busco a surpresa do espectador”, explica a artista plástica brasiliense Leo Coimbra, cuja obra está em cartaz no Museu da República até 17 de março. Sua proposta é provocar o olhar curioso, através do vidro, dar significado àqueles pequenos e grandes acontecimentos que procuramos preservar. São, segundo ela, “conservas” existenciais, coleções de recortes e colagens de vida. A nova proposta artística de Leo, radicada no Quênia, complementa trabalhos de pintura e colagem já apresentados em anos passados, em diferentes espaços culturais de Brasília, mas também em Nova York, Washington, Quito, Nova Delhi e Lima. De acordo com Paulo Andrade, também artista plástico, “Leo Coimbra é artista/ cirurgiã/curandeira/maga/artesã que desafia com humor o coro do consumismo rotulante”. A mostra In vitro: o gabinete de maravilhas de Leo Coimbra pode ser vista de terça a domingo, das 9 às 18h30, com entrada franca.

arteemaço Ele já foi ator, já pintou quadros e esculpiu madeiras maravilhosamente. Seus trabalhos estão espalhados em museus como o MASP e também em galerias de Bruxelas, na Bélgica, e Tóquio ou Kobe, no Japão. O mineiro Pedro Miranda, que se dedica agora a fazer esculturas em aço utilizado em cascos de navio, está expondo suas obras no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul). A mostra foi batizada pelo artista de Mirar, abreviação de seu sobrenome, mas também, segundo explica, é mais do que isso: “É a forma, o olhar, o foco, é a vida que eu vi passando”. O tema recorrente de Pedro Miranda é o cotidiano mineiro, onde há lugar para histórias de Cervantes com seu Dom Quixote, mas também de Guimarães Rosa e do imenso sertão. É daquele tipo de artista que enxerga uma imagem de mulher ou figura humana dentro de um bloco de pedra, dentro do tronco de uma árvore ou de uma chapa de aço. Antes da obra pronta, ele já a tem desenhada na cabeça. Até 28 de fevereiro, de terça a sábado, das 10 às 20h, e domingo, das 10 às 19h, com entrada franca. A técnica do artista em recortar as chapas de aço pode ser vista e explicada por ele em https://drive.google.com/file/d/1OaQGYLLFZxrZ4_soFolgb5L3dVqKCOM5/view.

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Desde a abertura das inscrições, foram recebidos mais de 140 portfólios de jovens artistas. Desses, 30 passaram por entrevistas com o grupo de curadores e somente 12 foram aprovados para a segunda etapa do etapa do II Prêmio Vera Brant de Arte Contemporânea: Cecília Lima, Patrícia Teles, Rafael da Escóssia, Silvie Eidam, Amanda Naomi Yuki, Fernanda Azou, Gustavo Silvamaral, Raissa Studart, Capra Maia, Moisés Crivelaro, Arnaldo Saldanha e Bárbara Paz. Agora seguirão para um processo de acompanhamento curatorial seguido de residência artística na Casa Niemeyer, em colaboração com a Casa da Cultura da América Latina (CAL/UnB). A partir de 25 de fevereiro, farão uma imersão artística total, na qual passarão um mês produzindo obras para serem expostas no Foyer do Teatro Nacional. Todos receberão uma bolsa de R$ 3.000, mas apenas um será escolhido para fazer residência artística em Barcelona. Parabéns a todos os novos artistas brasilienses!

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não-dito Quem poderia imaginar que resquícios de campanhas eleitorais coletados em várias cidades brasileira virariam arte? Pois foi exatamente isso que aconteceu com o trabalho da fotógrafa e pesquisadora pernambucana Ana Lira, em cartaz até 2 de abril na Casa de Cultura da América Latina (CAL-UnB)). Com curadoria de Pablo Lafuente, a exposição Não-dito nasceu de um processo de pesquisa do projeto Voto!, no qual a artista explorou a atual crise de representação política brasileira, mapeando discursos criados por rasgos, escritos e colagens que foram deixados para trás pela população e transformados pela ação do tempo. As intervenções vêm sendo mapeadas, desde 2012, em inúmeras cidades brasileiras, nas cinco regiões do país. Na mostra, a artista exibe séries de imagens, pôsteres e intervenções que dialogam com os principais debates públicos ocorridos no Brasil, nos últimos anos. Com o objetivo de incentivar uma cultura de participação coletiva, a exposição será cenário de vivências sobre as relações de envolvimento e transparência nos processos de representação e o desgaste dos formatos de atuação política. Diariamente, das 9 às 19h, com entrada franca. Informações: 3107.7964.

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câmerasemação Serão três dias de imersão no mundo audiovisual, mais precisamente na câmera que atualmente é tão presente na só na televisão, como também na publicidade, nos conteúdos de Internet, sejam eles programas de youtubers, web dramaturgia ou qualquer outro formato que surja neste nosso mundão digital. De 22 a 24 de março, a diretora Cininha de Paula estará em Brasília para ministrar o Workshop Intensivo para Câmera, com propostas de exercícios que transitam da tragédia ao drama, bem como dicas sobre posicionamento da câmera e como utilizar o equipamento a favor do ator, lentes, planos e todo vocabulário essencial para entrar no universo audiovisual. Com quase 40 anos de experiência, Cininha de Paula, sobrinha do grande Chico Anysio, já dirigiu mais de 20 produções, entre elas Sai de baixo, Sítio do pica-pau amarelo, a novela Cobras e lagartos, Toma lá dá dá, além de 25 peças teatrais. O curso não exige experiência prévia e qualifica estudantes, influenciadores digitais, youtubers e atores experientes. Com duração de 18 horas, terá lugar na Casa dos Quatro (708 Norte, Bloco F, loja 42) e custará R$ 1.300 (parcelado em duas vezes), R$ 1.170 (pagamento à vista) ou R$ 1.110 (pagamento à vista até 8 de março). Mais informações em 98409.0453.

Sai o lixão, entram os livros. No dia 24 de fevereiro a Cidade Estrutural receberá a 6ª Mostra de Literatura com a proposta de formar novos leitores e desenvolver nas crianças e adolescentes o gosto pelos livros. Com entrada franca, terá a participação dos escritores Karla Calasans, Andrey do Amaral, Antônio Leitão, Alex Bonifácio e muitos outros. Na programação estão previstos debates de temas ligados à literatura e aos direitos humanos. A mostra tem apoio da Secretaria de Educação do DF, bem como das editoras Nova Alexandria, Volta & Meia, BelasLetras, Ciência Moderna, Pergunta Fixar e Ibrasa e da Associação São Francisco. A curadoria é do professor de literatura Andrey do Amaral. A partir de 9h, na Quadra 12, Conjunto D, lote 45, Cidade Estrutural. A entrada é gratuita, mas sujeita à lotação de 50 lugares.

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Vem aí o FFF, 1º Festival Frente Feminina de Teatro, com programação de espetáculos dirigidos por mulheres. De 19 a 24 e nos dias 30 e 31 de março, o Teatro Sesc Garagem (913 Sul) e o Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul) apresentam programação que inclui concurso de esquetes, workshop, roda de conversa e peças de diretoras mulheres. Entre os espetáculos do festival idealizado pelas atrizes Anna Marques, Catarina Accioly e Larissa Mauro está Obscena, baseado na obra A obscena senhora D, de Hilda Hilst. Em busca do sentido das coisas, Catarina Accioly vive fusões entre atriz e a personagem, a escritora e a diretora, o audiovisual e a cena teatral, numa trajetória simbólica em busca de respostas para o estar vivo e presente no aqui e agora, povoada por memórias e o futuro incerto. A programação inclui também a batalha de danças urbanas, que acontece, em sua maioria, na periferia do DF. Informações em https://frentefeminina.wixsite.com/festivalfff  

Beto Monteiro UnB

DIA&NOITE


GRAVES&AGUDOS

Romantismo à italiana H

ouve um tempo (e que bons tempos) em que não tinha pra ninguém, a canção italiana dominava as paradas de sucesso. Por quê? Porque o mundo não era sufocantemente anglófilo e essa música penetrava fundo nos corações e mentes dos indivíduos sensíveis. Ponto. Você talvez não, mas seu pai, tio, avô, bisavô, em algum momento alguém na linhagem tinha discos e a vida embalada por sucessos eternos da bela canzone italiana. A gente sabia não só o nome dessas canções, como Al di la, Dio come ti amo, Canzone per te e Legata a un granello di sabbia, como também tinha na mais alta estima artistas como Sergio Endrigo, Rita Pavone, Nico Fidenco, Gigliola Cinquetti e Peppino di Capri. Este último, cantor, compositor e pianista, autor das inesquecíveis Roberta e Champagne, levou anos para aparecer em Brasília, em que pese retumbante sucesso e incontáveis visitas ao país nos anos 1970 e 1980. Pois bem, Giuseppe Faiella, o Peppino di Capri, esteve aqui em 13 de maio de 2017. Agora, volta à capital, em 14 de março, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O concerto Peppino di Capri Per Amore celebra 60 anos de romantismo como arte. Para ajudá-lo nessa emoção transbordante, está prevista a participação muito especial de Zizi Possi, talvez a mais italiana das cantoras brasileiras da atualidade. Antes que alguém pule da cadeira e diga: isso é brega! Brega, é bom lembrar, é o preconceito de quem nunca curtiu o modo italiano de falar de amor. Isso, romantismo. Chega mais. Você nunca bebeu um champanhe para brindar um encontro com mio amore? Não? Sidra Cereser? Tudo bem, não é a mesma coisa, mas tá valendo. Então, se liga. Peppino di Capri apenas verbalizou o óbvio. Além dessa estreita ligação com a fase de ouro da canção italiana, Peppino di Capri viveu

momentos que o colocaram como testemunha ocular da história. Um desses momentos, abrir shows dos Beatles, na Itália. Em 1965, os italianos tiveram a sorte e o privilégio de ver o quarteto de Liverpool na península, entre o Tirreno e o Adriático. A banda de abertura, nas apresentações em Milão, Gênova e Roma, foi a Rockers, do qual Peppino era o vocalista. Foi só uma pequena grande ajuda, para o cantor em seguida alcançar sucesso no mercado, tendo como principal

base de lançamentos os indefectíveis festivais da canção de San Remo. Consta que Peppino Di Capri esteve em 25 edições do festival, tendo levado o primeiro lugar em 1973, com Un grande amore e niente più, e em 1976, com Non lo faccio più. A essa altura, Roberta e Champagne derramavam romantismo mundo afora. Graças a um cara chamado Peppino. Vattene, è arrivato l’amore! Ma che cosa bela! Peppino di Capri Per Amore

14/3, às 22h, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com participação especial de Zizi Possi. Classificação etária: 14 anos (menores a partir de 10 anos somente acompanhados dos pais ou responsáveis legais). Ingressos (meia): poltrona superior, R$ 150; poltrona especial, R$ 210; poltrona lateral, R$ 220; vip, R$ 250; premium, R$ 350; vip longe, R$ 500 (à venda na Eventim do Brasília Shopping, em www.eventim.com.br e 4003-6860.

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POR HEITOR MENEZES

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Heitor Menezes

BRASILIENSEDECORAÇÃO

Elenice Maranesi e o baixista Toni Botelho

Elenice Maranesi POR HEITOR MENEZES

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obre o jazz, Eric Hobsbawn (19172012), grande historiador, certa vez escreveu: se ele é comovente, é porque homens e mulheres são comoventes; se é um pouco louco e descontrolado, é porque a sociedade em que vivemos é assim. Em síntese, destacava Hobsbawn, o jazz é parte da vida moderna [História social do jazz, 1958], e assim pode ser melhor entendido e apreciado. Mas, interesse de estudiosos e entusiastas à parte, fato é que na música aqueles que se bandearam ou fizeram do jazz profissão de fé o fizeram por amor, é claro, e por livre escolha em abraçar um gênero capaz de atingir em cheio os anseios de quem procura um meio de expressão no qual emoção, técnica e liberdade es-

tão perfeitamente entrosados. Muito mais do que isso, afirma a pianista Elenice Maranesi, de bate pronto rejeitando o rótulo de “sinônimo de jazz em Brasília”, tal como se ouve há tempos no meio musical brasiliense. “Certa vez, um jornal da cidade falou: Elenice Maranesi, uma jazzista assumida. Eu nunca disse isso, nem me acho. Não sou jazzista, nem improvisadora. Tecnicamente não me considero. Meus improvisos são derivados da melodia e da harmonia. Sou muito tonal. Não tenho capacidade para fazer música atonal. É preciso muita técnica”. Em poucas palavras, modéstia, muita informação e conhecimento preciso do que está falando. Assim é a pianista Elenice Maranesi, paulista de São Bernardo do Campo, brasiliense de coração desde 1976, quando chegou na capital trazen-

do na bagagem o diploma de Arquitetura e um amor incondicional pelo piano jazzy. Quando bateu a vista na solidão do Planalto, Maranesi já era uma veterana formada no circuito de bailes ao redor da capital paulista, uma pessoa completamente abduzida pelo jazz, música popular, para quem Johnny Alf e João Gilberto são nomes de santos. Mas o que fazer no matão de Brasília? Jazz, é óbvio. Numa época em que tocar jazz na capital era tão esdrúxulo quanto tocar rock, Maranesi formou o Trio, lendário grupo no qual ela, ao piano, Ricardo Vasconcellos (baixo) e Rodolfo Cardoso de Oliveira (bateria) soavam pra lá de modernos tocando de Ary Barroso a Dave Brubeck, passando por ícones como Bill Evans, Chick Corea e Thelonius Monk.


serviços prestados à música feita em Brasília. Isso, cidadã honorária, quer os meios oficiais queiram ou não. Ela é por si só uma história pessoal de dedicação à música, mas também é parte importante da história musical de Brasília. Vejamos. Ela menciona que prefere tocar acompanhada do que ficar remoendo teclas em performances solo. Ok, de nada serve o virtuosismo sem a humildade. Que o diga sua presença como arranjadora e pianista do ótimo LP do Invoquei o Vocal, grupo brasiliense que deixou suas marcas lá pelo final dos anos 1980. Ou suas inúmeras e bem-sucedidas parcerias musicais que até hoje ecoam pela cidade. Elenice tocou com a fina flor da música sublime feita em Brasília. Em duo, trio ou quarteto, ela esteve em apresentações memoráveis com Toni Botelho, Zequinha Galvão, Carlos Galvão, Renato Vasconcellos, Paulo André Tavares, Ana Amélia Gomyde, Jorge Helder, Rosa Passos, enfim, a lista telefônica dos melhores músicos que um dia estiveram sob o céu de Brasília. Item obrigatório é o seu único CD, Pé de Pequi, lançado em 2005. “Esse é meu único trabalho, digamos, de autor, no qual eu estou no centro do negócio, mas foi algo pensado muito mais para homenagear meus parceiros. Participam

Fotos Divulgação

“Com o Trio obtivemos, em 1978, o primeiro lugar no primeiro festival de jazz da Casa Thomas Jefferson”, recorda a pianista, mencionando o primeiro de uma série de prêmios que alcançaria ao som do jazz. “Nesse, sabe qual foi a premiação? Uma estatueta, dez LPs e um contrato para tocar no Green Dolphy, uma boate com piano de cauda, meio mais ou menos, que ficava no Conjunto Nacional. Em seguida, recebi convite para lecionar na Escola de Música de Brasília. Com o (falecido) baixista Zequinha Galvão, montamos em 1985 o primeiro curso de música popular. Foi nesse tempo que larguei definitivamente a Arquitetura”. O lance ficou tão sério e prolífico que a professora Elenice não só obteve os títulos de bacharel em piano pela Universidade de Brasília e mestre em performance musical pela Universidade Federal de Goiás, como seguiu conquistando prêmios. Em 1990, a Concorrência Fiat (prêmio nacional, na categoria música instrumental); em 1991, menção honrosa no Free Som, a concorrida seletiva nacional do Free Jazz daquele ano, ao lado do baixista Toni Botelho, com quem excursionou pelo México e Estados Unidos. Aqui merece ser dito que a trajetória artística de Elenice Maranesi precisa ter todo o reconhecimento pelos mais belos

Com o Trio, no gramado do Departamento de Música da UnB, em 1979.

(os violonistas) Paulo André Tavares e Lula Galvão, (os baixistas) Oswaldo Amorim e Anderson Santos e (a flautista) Beth Ernest Dias. Enfim, nem todos puderam estar presentes. Marco Pereira não está, nem Roberto Corrêa. Eles estão na minha memória com muito orgulho e satisfação”, declara. Outro ponto que salta aos olhos, nessa trajetória, é a lembrança dos mais diversos lugares de Brasília onde era possível dedilhar um piano acústico. Elenice Maranesi bateu ponto no terceiro Concerto Cabeças (1980), no Parque da Cidade. E, além do Green Dolphy, conheceu os cafofos do Otelo Piano Bar (107 Norte), Cesare Ristorante (216 Norte), Feitiço Mineiro (306 Norte), Piantella (202 Sul), sem falar em palcos de maior vulto, como a Casa Thomas Jefferson, Sala Funarte, Sala Alberto Nepomuceno, Sala Martins Penna, Foyer do Teatro Nacional, Escola de Música de Brasília e ParkShopping. Se hoje falta reconhecimento é porque o Brasil nunca soube cultivar seus heróis. Perdemos nós. Nos anos de batalha, os desafios é que eram legais. Tocar Bill Evans nos pianos meia-boca da cidade era uma proeza e tanto. Sem falar nos comentários atravessados que tinha que aturar. “Certa vez, alguém na boate falou: o quê? Aquela baixinha vai tocar Dave Brubeck? Não pode ser”. Aquela baixinha, amigos, não só arrasa no piano como é autora de dois livros que fazem a alegria dos músicos que querem algo mais: A improvisação na música popular (1987) e Brazilian piano book – Partituras em notação tradicional e melodia cifrada (2013). Elenice Maranesi, jazzista ou não, a qualquer momento na agenda cultural de Brasília. Anotem.

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GALERIADEARTE

Mãe e filho, de John DeAndrea.

Realidade

transbordante

POR ALEXANDRE MARINO

U

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ma cena urbana sob a chuva, um rosto masculino que se parece com uma pintura surrealista, a mãe de olhar indisfarçavelmente triste dirigido ao filho que dorme em seu colo, uma sequência de portas de um prédio

formando imagens geométricas – tudo aquilo que sensibilizar o olhar humano se encaixa como modelo para o hiper-realismo, linguagem artística que impressiona pela precisão com que reproduz a realidade e a extrapola. É o contraponto a outras linguagens, que se afastam da realidade para promover sua leitura de for-

ma ainda mais intensa... E, no fim das contas, o choque entre uma e outra vem provar apenas que a representação do real por meio da arte, qualquer que seja a linguagem, disseca e ilumina o que nele possa haver de obscuro, despertando nosso olhar anestesiado pelo excesso. Esta pode ser uma das sensações provocadas pela visita à exposição 50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até 28 de abril. Criada especialmente para a instituição, sob curadoria de Tereza de Arruda, a mostra percorre o trajeto do realismo, que ganha força na história da arte nos anos 60, como reação ao abstracionismo, e vai até a arte veiculada pelas novas mídias, como os vídeos e a realidade virtual, que cria mundos ilusórios onde o espectador pode penetrar, se mover e interagir com seus próprios sentidos. As pinturas que fazem parte da exposição impressionam pela fidelidade ao real. A fotografia é o ponto de partida dessas obras, e é difícil acreditar que o quadro à frente é feito de tinta com técnicas de pintura, e não de pixels. Quadros como o Bahnhofstrasse, do espanhol Andrés Castellanos, que revela um cenário urbano em que se veem edifícios, automóveis, trilhos e trens de metrô, árvores, pessoas, em clima sombriamente chuvoso, quando algumas luzes já se acendem. Há uma certa melancolia implícita na cena, que talvez não fosse tão palpável se olhássemos para uma fotografia, e não para uma pintura. Melancolia também é o sentimento


que brota do olhar da mulher que mira a criança dormindo em seu colo, na escultura hiper-realista Mãe e filho, do norte-americano John DeAndrea, ainda que não vejamos seus olhos, quase fechados. A escultura, em tamanho natural, na Galeria 2 do CCBB, está cercada de olhares – a maior parte dos retratos expostos nas paredes se voltam para ela e para Christine, que vem caminhando, nua, em sua direção. Um desses olhares é o do Ready-made boy, representado em retrato, este sim, surpreendentemente realista, porque assim era o modelo da pintura – um homem com a cabeça e o peito cobertos de tatuagens que o transformam em um corpo dissecado, onde passeiam insetos. A obra, do argentino Ricardo Cinalli, parece destoar dos demais retratos da exposição. A curadora Tereza de Arruda chama a atenção para as pinturas do norte-americano Ralph Goings, produzidas na década de 1970 sob inspiração do sonho americano, mostrando ambientes frequentados pela classe média, carros, objetos, ambientes típicos, como lanchonetes, em contraponto ao trabalho de seu conterrâneio John Salt, que preferiu retratar as periferias e a pobreza, com os velhos carrões enferrujados e abandonados, e os socialmente rejeitados vivendo em trailers. O hiper-realismo surgiu no início dos anos 1970, fruto do uso da câmera fotográfica com manipulação de imagem, mais vivo, emotivo, nítido e brilhante que o original. Os artistas usaram recur-

Springtime, de Peter Land.

sos que acentuavam o resultado, como o uso do reflexo, em que a imagem refletida na água, por exemplo, dava ainda maior realismo ao original. Na parte da realidade virtual, é possível constatar a rápida evolução dessa linguagem, graças à popularização das novas tecnologias digitais. “O vídeo e a performance estão caindo em desuso no contexto da arte, enquanto a realidade virtual cresce, tendo como protagonista o visitante da exposição”, analisa Tereza de Arruda. Para isso servem os óculos especiais e os fones de ouvido disponíveis na mostra. E, se o visitante instalar um aplicativo em seu celular, poderá utilizá-lo para ver imagens que ninguém estará vendo, a partir

de três matrizes que fazem parte da exposição, obra da francesa Fiona Valentine Thomann. Há cinco brasileiros na exposição: o pernambucano Hildebrando de Castro, os paulistas Rafael Carneiro e Giovani Caramello, a gaúcha Regina Silveira e o baiano Fábio Magalhães, todos eles reconhecidos internacionalmente. A mostra é feita na medida para que nada falte ou exceda, traçando um panorama ao mesmo tempo didático e instigante. 50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual

Até 28/4 no CCBB (SCES, Trecho 2). De 3ª a domingo, das 9 às 21h, com entrada franca.

Fotos: Divulgação

Uma coleção de memórias, de Ben Johnson.

Bahnhofstrasse, de Andres Castellanos.

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CARNAVAL2019 Antônio Cruz - Agência Brasil

Blocos dominam a folia Serão mais de 200, para alegria dos dois milhões de foliões previstos pelos organizadores da festa. POR BIANCA MOURA

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esde o início do ano os foliões estão se aglomerando em pré-carnavais espalhados pela cidade, a fim de entrar antecipadamente no compasso dos hits que prometem agitar todo o país no início de março. A diversidade musical e a criatividade na concepção dos bloquinhos continuam dando o tom da folia brasiliense, que abraça desde as tradicionais marchinhas até as misturas mais inusitadas de ritmos e estilos. Com entrada gratuita, o Carnaval de rua também acerta em cheio no bolso daqueles que precisam economizar.

Os mais de 200 blocos já confirmados na programação da capital federal devem atrair até 2 milhões pessoas aos cortejos, sendo esse número formado por cerca de 25 mil turistas. Para a Secretaria de Cultura, a edição 2019 vai funcionar como um laboratório para possíveis mudanças na organização dos próximos carnavais. “Faremos um estudo completo a partir do monitoramento de público no Carnaval. Será um levantamento útil para dimensionar o retorno que esses eventos trazem para o DF”, destaca o secretário Adão Cândido. Outra novidade deste ano beneficia os residentes nas quadras próximas aos

pontos de encontro do agito. Dividida em polos, os festejos de Momo começam e terminam com horários previamente estabelecidos, dependendo da localização do bloco. Incluindo o tempo de dispersão, o limite máximo de duração da festa é de sete horas. Os foliões mais animados podem se deslocar para os endereços em que as festas rompem a madrugada. Nas áreas residenciais e comerciais, os blocos encerram as atividades, respectivamente, às 20 e às 22 horas. Os setores carnavalescos (ou comerciais) Sul e Norte estendem a brincadeira até meia-noite. Já no Setor Carnavalesco do Estádio Mané Garrincha a festa termina às 2 da madru-


Marcelo Camargo - Agência Brasil

Programe-se Pré-Carnaval Bailinho do Pátio Brasil

23 e 24/2, das 14 às 18h, no Varandão (área externa do shopping). Pintura de rosto, balão-mania, algodão doce e pipoca gratuitos, brinquedos infláveis, oficina de máscaras de feltro, animação com personagens fantasiados, banda ao vivo com marchinhas e desfile de PETs fantasiados (somente no dia 23). Entrada franca.

Folia do Brasília Shopping

24/2, a partir das 14h. Lounge Autoral, na cúpula sul do shopping, praça de eventos. Cortejo com o Bloco B, participação da turma do Patubatê e da DJ Karla Testa. Entrada franca.

Adarrum – Festival Internacional de Tambores

23 e 24/2, no estacionamento 12 do Parque da Cidade. Sábado, das 9h30 às 18h30; domingo, das 10h30 às 13h. Celebração à cultura afro-brasileira com percussionistas de várias partes do mundo e workshops com mestres da percussão. Inscrições gratuitas pelo site Sympla.

Bagaço de Carnaval

gada. O percurso de cada bloquinho estabelecido com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal pode ser alterado até cinco horas antes do desfile. “Nosso objetivo é fazer do Carnaval de Brasília uma referência nacional e uma opção para os turistas de outros Estados e até estrangeiros se divertirem em ótimas condições, com infraestrutura e muita segurança”, reforça o secretário de Segurança, Anderson Torres. Durante os quatro dias de folia, todo o efetivo da Polícia Militar vai estar nas ruas. A delegacia móvel da Polícia Civil deve funcionar nesse período no Plano Piloto, área que concentra quase 75% dos blocos. Com centenas de blocos disponíveis para variados gostos, fica difícil organizar a agenda da folia. Além das alternativas clássicas, como o caso do Pacotão e do Galinho de Brasília, que reúnem todos os anos milhares de fãs, respectivamente, do frevo e das sátiras políticas, há os blocos mais novos, preferência de parte do público jovem, que investem em repertórios dançantes e visuais irreverentes.

Exemplos deles são o Cafuçu do Cerrado e o Babydoll de Nylon. O primeiro se destaca, pelo sétimo ano consecutivo, como uma das principais atrações do pré-carnaval da capital federal. A turma abusa do brega em toda a composição do bloco, com repertório que viaja pelas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e vestuário que prioriza acessórios escandalosos. Neste ano, o desfile ocorre em 24 de fevereiro, a partir das 15 horas, no Setor Bancário Norte, com a presença do músico da cena contemporânea nacional Felipe Cordeiro. Já o Babydoll de Nylon volta com tudo nessa folia. Com direito a banda exclusiva, a turma retira a camisola do armário para se tornar um dos blocos mais aguardados de 2019. Após uma edição histórica em 2017, com mais de 160 mil pessoas concentradas na Praça do Cruzeiro, o bloco suspendeu o desfile do ano passado alegando falta de segurança. Os fãs do sucesso de Robertinho de Recife e dos clássicos do axé music podem aguardar muitas surpresas para a ocasião.

23/2, a partir das 23h, no Arena Futebol Clube (SHCS). Samba, funk, pop, axé e MPB. Ingresso: R$ 30 na Loja das Camisetas Legais (112 Norte) e no site Sympla. Na porta, R$ 50.

Bloco do Peleja

23/2, a partir das 15h, na 205/206 Norte (estacionamento em cima da 206, virado para o Eixinho). Repertório tradicional do Samba do Peleja com ritmos de Carnaval, como frevo, samba-enredo e axé. Entrada franca.

Bloco Galo Cego

23/2, a partir das 13h, em frente ao Outro Calaf, no Setor Bancário Sul. Marchinhas de carnaval, samba, samba-rock e partido alto. Entrada franca.

Bloco Samba da Mulher

23/2, a partir das 17h, no Centro Comercial do Cruzeiro Velho, próximo à Aruc. Samba, maracatu, carimbó, axé, ritmos brasileiros. Entrada franca.

Rainhas do Babado

23/2, das 11 às 19h, na Funarte Brasília (Setor de Divulgação Cultural, no Eixo Monumental). União dos blocos Essa Boquinha eu Já Beijei + Tuthankasmona. Entrada franca.

Bloco Cafuçu do Cerrado

24/2, das 15 às 22h, no Setor Bancário Norte. Músicas regionais, brega e brasileira com a participação do instrumentista Felipe Cordeiro. Entrada franca.

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CARNAVAL2019

Bloquinho do Bom

24/2, a partir das 16h, no restaurante Oliver (SCES, Clube de Golfe). Apresentações de Marquinho, Diogo e Meolly (Bloco Eduardo e Mônica), Monterosa, Renato Azambuja, Jorge Bittar (Surf Sessions), o cantor Thiago Nascimento, Dhi Ribeiro, Dani Firme e DJ Higor Touret. Ingresso prévenda (masculino a R$ 80 e feminino a R$ 60). Vale-camisa disponível no site www.restauranteoliver.com.

Rebu O Grito

24/2, a partir das 15h, no Outro Calaf. DJs Telma e Selma, Loly, D-Day, Karla Testa, Dani Ferreira e Amandix. Ingressos no Sympla a partir de R$ 10 + taxas. Na porta, R$ 20.

Carnaval Setor Carnavalesco Sul

De 1º a 6 de março, das 16 às 23h, no Setor Comercial Sul. Bloco Novos Candangos, Vai Virado Viado, Patubatê, Bloco do Aparelhinho, Harmonia do Sampler, Bloco da Tetatrônica, Bloco Pega Ninguém, Bloco Unidos do BPM, Lagartixa Chorosa, Bloco das Três Vilas, Praga de Baiano, Bloco Bunda do Delírio, Thamara Maravilha, Filhos de Zé, Que Trabalho é Esse?, Bloco na Batida do Morro, Bloco Deus Ajuda Quem Seu Madruga, Bloco Rivotril, Bloco Maria Fumaça, Bloco Mamata Difícil, Confronto SoundSystem, Bloco Bora Coisar, Bloco Marola, Segura o Grave Aê, Bloco Eletrorave do Juliet, Bloco Ser Loki Holmes, Bloco das Sereias Tropicanas, Bloco do Bolo Doido, Bloco das Super Saia Jeans, Bloco do Divino Maravilhoso, Bloco Filho de Guetta, Bloco do Al Vará, Bloco Bem Meb, Bloco da Pequila. Entrada franca.

Bloco da Ursal

De 28/2 a 2/3, a partir das 13h, na Praça dos Prazeres (201 Norte). Ritmos diversos. Entrada franca.

Carnamuseu

De 1 a 5/3, a partir das 17h, no Museu da República. Sexta-feira, Bloco Libre; sábado, CarnaReggae; domingo, Baile House; segunda, Bloco ReveiRock; terça, Bloco do Forróóó. Entrada franca.

Calafolia

De 28/2 a 4/3, das 22 às 4h, no Outro Calaf. Quinta-feira, Boca Loca de CarnaVRAU; sexta, Perde a Linha; sábado, Bloquinho da Nostalgia; domingo, Baile do Pretinho. Segunda e terça-feira, a definir. Ingressos (passaporte completo para todos os dias) a R$ 80 pelo site Sympla.

Carnarock 2019

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De 1 a 5/3 no Poizé (305 Norte, Bloco E). Ingressos a R$ 30 por dia, à venda no local. Sexta-feira, a partir das 20h, rock clássico com covers de Black Sabbath, AC/DC, Scorpions e Rideway; sábado, a partir das 18h, metal com covers de

Miscelânea musical O Carnaval no Parque terá atrações das cenas eletrônica e sertaneja, além de hits do verão. POR BIANCA MOURA

A

folia mais eclética da capital federal agita o Parque da Cidade pelo terceiro ano consecutivo. De 28 de fevereiro a 5 de março, o Carnaval no Parque 2019 segue a dinâmica das edições anteriores, com muitas cores, alegria e mistura de repertórios para agradar a públicos distintos. Mais de 50 atrações musicais apresentam, em três palcos, hits que costumam animar as baladas de Brasília durante todo o ano. A programação deste ano começa mais cedo e termina mais tarde. Do jeito que o folião gosta. O pré-Carnaval abre alas em 23 de fevereiro e a ressaca carnavalesca encerra os trabalhos em 9 de março. Dentro do cronograma, como o habitual, há o dia dedicado especialmente aos pequenos. O baile infantil, em 3 de março, inclui pinturas de rosto, brinquedos infláveis e oficinas. A expectativa da organização é superar os números da edição anterior. De acordo com a R2 Produções, 5,5 mil turistas desembarcaram em Brasília especialmente para a festa em 2018. Neste ano, o número pode subir para 9 mil visitantes, reunindo mais de 100 mil pessoas em todos os dias de evento. Para is-

so, além de garantir a presença de artistas conhecidos do grande público, o Carnaval no Parque investe numa decoração multicolorida inspirada nos clássicos bailes de Carnaval. “O Carnaval no Parque nasceu para ser uma opção para os brasilienses que saíam de Brasília em busca de shows com artistas nacionais e grandes estruturas. Hoje indo para a terceira edição, o evento cresce a cada ano e é um atrativo inclusive para gente de fora. Isso mostra que é possível sair do eixo Rio-Salvador e ressignificar Brasília como capital do Carnaval”, destaca Nathalia Rezende, gerente de projetos do Carnaval no Parque. Programação

Os artistas nacionais, as rodas de samba e os blocos locais estão distribuídos nos palcos Ritmos, Principal e Samba. No primeiro dia, Anitta e Alok serão os responsáveis pelo som da noite. Na sexta-feira (1º de fevereiro), o forró e o sertanejo se destacam, respectivamente, nas vozes de Xand Avião e Matheus e Kauan no palco Principal. No palco Ritmos, a mistura se dá com o Bloco Santo Pecado (percussão), Senx Gang (trap e funk) e a banda Heavy Baile (funk eletrônico). O sábado de Carnaval se resume ao


Sepultura, Kreator, Iron Maiden, Judas Priest e Yngwie Malmsteen; domingo, a partir das 18h, hard rock com covers de Kiss, Twisted Sister, Motley Crue, Whitesnake, Poison e Def Leppard; segunda, a partir das 17h, metal extremo com P.U.S, Fleshpyre, Seconds Of Noise, Flashover, Blackskull, Nightwolf, Peso Morto, Evil Corpse, General Bug e Transtorno Nuclear; terça, a partir das 18h, covers de Nirvana, System Of A Down, Red Hot Chilli Peppers, Pitty, Rita Lee, Cássia Eller, The Cramberries, Avril Lavigne, Alanis Morissette, Lady Gaga.

Zuvuya Festival

De 1 a 6/3 na Fazenda Zuvuya (Barragem Corumbá IV, Luziânia). Música eletrônica. Informações sobre ingressos, excursões e hospedagem em www.zuvuyafestival.com.

Carnival Masquerade

Fotos: Divulgação

refrão sucesso do verão: “O nome dela é Jenifer! Eu encontrei ela no Tinder. Não é minha namorada, mas poderia ser”. Gabriel Diniz, o dono da música-chiclete, abre os trabalhos da noite, que conta ainda com show da cantora Iza, que interpretará canções como Dona de mim e Pesadão. O sertanejo continua representado na folia brasiliense com a dupla Henrique e Juliano. O coletivo 1 Kilo (hip-hop) e a Esqu4drilha de Carnaval (Hugo Drop, Chicco Aquino, DJ a + LM) completam a programação. No dia seguinte, o baiano Saulo se destaca, mais uma vez, como o grande representante da folia de Salvador em Brasília. Ele organiza a festa do axé, com o carisma e a euforia característicos de suas apresentações. Já a cena eletrônica entra no circuito com o DJ Lukas Ruiz, conhecido como Vintage Culture, que levou o público ao delírio recentemente no festival Planeta Atlântida. A cantora Adriana Samartini também faz parte do time musical do dia. No palco alternativo, os blocos Novos Candangos e do Silva. MC Kevinho e Léo Santana dão o gás no baile da segunda-feira. O primeiro ganhou notoriedade no funk brasileiro a partir de sucessos como Olha a explosão e hoje ocupa as paradas com Terremoto, parceria com Annita que alcançou números exorbitantes na primeira semana de lançamento, sendo o clipe mais visto no mundo inteiro naquela ocasião. Já o músico mais popular da conhecida swingueira aposta na novidade Crush blogueirinha para tirar a plateia do chão. As bandas Um44K (pop) e Baile do Mário (funk) e o Disstinto movimentam o palco Ritmos. No último dia, o Carnaval no Parque encerra a temporada aos gritos de “Vai Safadão! Vai Safadão!”. O cantor Wesley Safadão faz bastante sucesso na capital federal e já reuniu mais de 40 mil pessoas no estacionamento do Mané Garrincha para a gravação de um DVD. O DJ Bhaskar, irmão do DJ Alok, se despede do Carnaval com uma seleção eletrônica. Entre as atrações, Divinas Tetas e Francisco, El Hombre. No terceiro palco, chamado Samba, o Cortejo Carnavalia marca presença todos os dias, se apresentando com vários convidados da cidade. Com exceção do domingo, data reservada para os sambistas do Goiabada Cascão e do Bloco do Patubatê, que faz o som a partir de

1/3, a partir das 20h, no Capital Club (SOF Sul, Quadra 7). Samba, samba rock, samba funk, axé anos 90. Ingressos a partir de R$ 20.

Abre Alas – Noite do Mistério

1/3, a partir das 22h, no Espaço Cultural Canteiro Central (Setor Comercial Sul, Quadra 3). Banda Brega e Rosas, DJs Tamara Maravilha e Pops. Ingressos: R$ 10 + taxas no site Sympla.

Bloco do Pabblo

1/3, a partir das 22h30, no Victoria Haus (SAAN, Quadra 1). Show de Pabllo Vittar, Mateus Carrilho e Urias. Ingressos (meia): pista, R$ 55; front, R$95 (à venda em www.ingressosvictoriahaus.com).

Piscininha Amor

1/3, a partir das 21h, no Santo Grau Bar (QS 3, Águas Claras). Funk com o DJ Caio Fera. Ingressos no site do Sympla a partir de R$ 25 + taxas.

instrumentos de material reciclável. Quem sentir dificuldade em dar adeus às festas pode confirmar presença na ressaca do Carnaval no Parque. No sábado seguinte aos dias da folia, a line up do evento transporta o folião direto aos anos 90 com o grupo É o Tchan. O cantor Ferrugem anima os fãs do tradicional pagode. Além dos nomes principais, o bloco Eduardo e Mônica e o Attoxxa fazem inusitadas combinações musicais: rock brasiliense no compasso do samba e música baiana no ritmo eletrônico. Carnaval no Parque

De 28/2 a 5/3, das 15 às 2h, no estacionamento 9 do Parque da Cidade. Ingressos à venda no site www.producoesr2.com.br com preços variados de acordo com o lote e disponíveis em três modalidades: diária, passaporte para os seis ou oitos dias (com prévia e ressaca) e combinhos (quatro combinações de três dias). Não recomendado para menores de 16 anos.

Vem Carná

De 28/2 a 2/3 no Lounge Autoral (cúpula sul do Brasília Shopping, praça de Eventos). Quinta-feira, às 16h, oficina Estampe a Sua Causa, com serigrafista Natinho; às 18h, oficina Customize A Sua Fantasia, com a estilista Fernanda Ferrugem. Sexta, das 16 às 18h, e sábado, a partir das 11h, oficina Faça a Sua Cabeça, com o Divino Maravilhoso. Sábado, a partir das 13h, oficina Biomake, com dicas de como usar maquiagem biodegradável, como o BioGlitter, com o Ateliê (com Nati Maia). Adultos e crianças acompanhadas dos pais ou responsáveis podem ser inscrever gratuitamente para o workshop no balcão de informações até 30 minutos antes.

Carnaval em Conjunto

De 23/2 a 3/3 no Conjunto Nacional. Dia 23, das 14 às 18h, música com a DJ Karla Testa; a partir das 14h, oficinas de estandarte de Carnaval com Letícia Vieria; dia 24, das 14 às 18h, música com a DJ Ninon; a partir das 14h, oficinas de glitter biodegradável com Caroline Reis, Bebela Moreira e Raíssa Oliveira; dia 28, a partir das 14h,

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Divulgação

CARNAVAL2019

oficinas de confete sustentável com Caroline Reis, Bebela Moreira e Raíssa Oliveira; dia 1º, a partir das 14h, oficinas de brilho natural com Caroline Reis, Bebela Moreira e Raíssa Oliveira; dia 2, das 14 às 17h, música com a DJ Ninon; das 14 às 17h, oficina de máscaras com Pedro Sangeon Gurulino; das 17 às 20h, camisetas serigrafadas na hora por Leandro Mello; dia 3, das 14 às 17h, música com a DJ Karla Testa; das 14 às 17h, oficina de máscaras com Pedro Sangeon Gurulino; das 17 às 20h, camisetas serigrafadas na hora por Leandro Mello.

Cuecão de Lycra

2/3, a partir das 22h, no Espaço Cultural Canteiro Central. Pop, funk e swingueira. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 no site Bilheteria Digital.

Babydoll de Nylon

2/3, a partir das 13h, no anel externo do Estádio Mané Garrincha. Axé, brega, música brasileira. Entrada franca.

Rebu – O Bloco

2/3, das 14 às 22h, no estacionamento 4 do Parque da Cidade, com os DJs Amandix, Dani Fereira, Loly, Hanna Amim, D-Day e Telma e Selma. Entrada franca.

Ahaza Bunda – Bailão de Carnaval

2/3, a partir das 22h, no SubDulcina (Setor de Diversões Sul), com Marlon Yghor (Ahaza), Attrack (Inshock), o Coven (Ahaza), Luisa Rodrígues (Baile da Piki) e Netto Caribé (Arraxxxta). Ingressos: R$ 30 no site Sympla.

Balada em Tempos de Crise

2/3, a partir das 20h, na praça central do Conic (Setor de Diversões Sul). House music com Homeboy (Berlin), Forró Red Light, Igor Alb, Kaka, Ogunda-O, Suhkjeet. Entrada franca.

Blocodélico

2/3, das 20 às 6h, no Arena Futebol Clube (SCES, Trecho 03), com os Djs Audiosonic, Atohmic, Aquarius Orb, Sabedoria, Creepy Deep Live, 4Trance e Drepo. Ingressos: R$ 30 + taxa de compra pelo site Sympla.

Bailinho de Carnaval do Pátio

2/3, das 14 às 18h, na área externa do shopping). Pintura de rosto, balão-mania, algodão doce e pipoca gratuitos, brinquedos infláveis, oficina de máscaras de feltro, animação com personagens fantasiados, banda ao vivo com marchinhas. Entrada franca.

Baile Infantil da Asbac

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2/3, das 15 às 19h, na Asbac (SCES, Trecho 2). Cama elástica, piscina de bolinhas, brinquedos infláveis, pintura de rosto e balão. Entrada: para associados, doação de 1 kg de alimento não perecível; para não sócios, R$ 30 + 1 kg de alimento não perecível (adultos) ou R$15 + 1 kg de alimento não perecível (crianças acima de oito anos).

Nossa rainha do samba POR VICENTE SÁ

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sta minha menina é mesmo porreta, diria seu Dino, um dos fundadores do bloco carnavalesco Filhos de Ghandi, de Salvador, ao ver a neta cantando e comandando o bloco Pipoka Azul, que desfila sempre no domingo e na segunda-feira de Carnaval, no Guará. A neta desse falecido estivador baiano é Dhi Ribeiro, que, com o apoio do marido, Tobias Andrade, e da filha, Luna Vitória, e mais uma rede de amigos, faz em cima do trio elétrico a alegria das famílias, não só da quadra 40, de onde ele sai, como dos Guarás I e II. “É uma forma de dividir com eles minha arte e minha alegria; afinal, é minha comunidade”, proclama a cantora, considerada por muitos a rainha do samba de Brasília. Mas qual é a história dessa mulher e de onde vem seu amor por Brasília? Nascida Edilza Rosa Ribeiro, em Nilópolis, Rio de Janeiro, Dhi Ribeiro foi para Salvador com nove meses. Lá, ainda menina, aprendeu a tecer os colares azul e branco do bloco criado pelo avô e to-

mou gosto pela música. Bonita e de porte elegante, cedo começou a trabalhar como modelo em desfiles de moda, mas a música estava no sangue e logo ela se integrou ao universo musical da Bahia, cantando e dançando em cima dos trios elétricos. Em 1990 ganhou o prêmio de cantora revelação do Carnaval. Os bons ventos começavam a soprar para o seu lado. Em 1993 veio cantar no Carnaval de Brasília, a convite da banda Trem das Cores, e se encantou com a cidade e com os músicos. Resultado: voltou à Bahia com o coração já meio brasiliense, e logo a saudade a trouxe de volta de vez. Isto há 26 anos. Aqui, deixou o axé de lado e se entregou de corpo e alma ao samba. Por vários anos foi cantora da Cia. do Swing e crooner do grupo Coisa Nossa, animando os bailes da cidade e viajando por boa parte do Brasil. Em 2000, uma reviravolta em sua vida: aceitando o convite de amigos músicos, mudou-se para a Itália, para cantar em um circo. Mas não era qualquer circo, era o circo de Lidia Togni, o segundo maior daquele país. Cheia de encantos e


circuito Rio-São Paulo e, é claro, em Brasília. Por essa época já tinha montado seu grupo de samba, que mantém até hoje, só com artistas de Brasília e que são uma extensão de sua família. Em 2015 gravou um disco diferente com o músico Felix Júnior – Uma voz e sete cordas. Com canções de compositores consagrados como Chico Buarque, Cartola e Almir Guineto, o disco foi considerado um dos melhores lançamentos do ano. Em 2017 foi chamada para participar do The Voice Brasil e reencontrou uma colega de seu tempo de modelo: Ivete Sangalo, que se emocionou e postou nas redes sociais fotos das duas naquele período. Para este ano, depois do Carnaval, é claro, vai lançar o DVD O leme da libertação, gravado ao vivo no Clube do Choro, com músicas que falam da diáspora negra e de fé, em sambas de roda e músicas românticas. “Depois de vários anos tentando, finalmente eu consegui o apoio do GDF para meu trabalho e pretendo lançar o álbum ainda no primeiro semestre. É só esperar o Carnaval passar, porque eu trabalho muito neste período e ainda tenho o meu bloco. Então, o pessoal tem que esperar mais um pouquinho para conhecer O leme da libertação”. Os fãs mais ansiosos poderão acompanhar a cantora na Feijuca do Iate Clube, no dia 23, a partir do meio dia, ou no mesmo sábado, às 19 horas, no Adarrum de Mestre Isidoro, no Parque da Cidade. E para os mais animados lembramos o bloco Pipoka Azul no domingo e na segunda de Carnaval, no Guará II, a partir das 12 horas.

Bloco Eduardo e Mônica

3/3, das 13 à 1h, no Beira Lago (ao lado do Clube de Engenharia). Rock de Brasília em ritmo carnavalesco. Entrada franca.

Bloco dos Raparigueiros

3, 4 e 5/3, a partir das 16h, nas imediações da Torre de TV. Axé e pagode. Entrada franca.

Carnajazz

3/3, das 14 às 22h, no estacionamento 5 do Parque da Cidade. Evento realizado pelo Buraco do Jazz com as bandas Rosback e So What. Brinquedos infláveis e com monitores. Entrada franca.

Montadas – O Bloco da Diversidade 3/3, das 14 às 22h, no Setor Bancário Norte. Pop, eletrônica, drag music. Entrada franca.

SNM Nafter de Carnaval.

3/3, das 23 às 8h, no SubDulcina. Música eletrônica. Ingressos: R$ 10,00 + taxas no site do Sympla.

Meu Primeiro Frevinho

3/3, das 14 às 20h, na praça central do ParkShopping. Tradicionais ritmos carnavalescos de Recife e Olinda. Entrada franca.

Folia no Shopping JK

3/3, das 12 às 18h. Pintura de rosto, animação infantil, parada e bailinho de carnaval. Entrada franca.

Bailinho Infantil do Previ

4/3, a partir das 15h30, no Clube dos Previdenciários (712/912 Sul). Brinquedos infláveis, pintura de rosto e exibição de vídeo. Participação da animadora e contadora de histórias Juliana Maria, aula de frevo com Ana Arruda e musica infantil com DJ Manu Santos. Ingressos: R$ 10.

Matinê de Carnaval Divulgação

personalidade, logo passou não só a cantar como também a apresentar o espetáculo. O marido e a filha foram se juntar a ela e rodaram por mais de três anos a Itália de ponta a ponta, em uma vida de sonho e arte. “Eu realizei um desejo que acho que é de muita gente. Me apresentava no picadeiro com roupas lindas, cheias de plumas e paetês, e soltava minha voz em várias línguas – francês, inglês e, é claro, italiano. Foi uma vida em três anos”, lembra. Mas a saudade e a preocupação com a educação da filha de quatro anos a trouxe de volta ao Brasil. De novo em Brasília, agora com mais confiança e conhecimento, retomou a careira como cantora e logo em 2007 foi convidada a cantar a música Maria da Penha em sessão solene da Câmara dos Deputados, na comemoração do Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher. “Foi muito emocionante, porque eu sempre defendi que a mulher tem que buscar manter sua autoestima, ser forte e não se deixar humilhar”. E é essa postura diante da vida que ela mostra em seu primeiro CD, Manual da mulher, lançado em 2009 e que teve uma música escolhida para fazer parte da trilha sonora da novela Lado a lado, da TV Globo. “Foi uma agradável surpresa ver uma música do meu primeiro CD ser tema de um casal de novela. Foi gratificante”, conta. Outra novela da Globo, A força do querer, também utilizou uma música sua na trilha sonora, tornando seu nome ainda mais conhecido no país. Com esse impulso, muitas portas se abriram, e ela passou a fazer shows no

4/3, a partir das 16h, Clube Naval (SCES). Baile infantil com Banda Balalaica e brincadeiras. Ingressos: até 5 anos, gratuito; para sócios entre 5 e 12 anos, R$ 12; acima de 12 anos, R$ 30. Convidados entre 5 e 12 anos, R$ 25; acima de 12 anos, R$ 45.

Bloco Encosta Que Cresce

4/3, a partir das 15h, no estacionamento do Mané Garrincha. Música baiana, axé e pagode. Entrada franca.

Bloco das Divinas Tetas

4/3, a partir das 14h, no Setor Bancário Norte. Tropicália e música brasileira. Entrada franca.

Bailinho de Carnaval do Terraço

4 e 5/3, das 12 às 18h, no Terraço Shopping (Octogonal 5). Bailinho com a banda Maria Vai Casoutras e recreações infantis. Entrada franca.

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LUZCÂMERAAÇÃO

Touro indomável (1980)

O lobo de Wall Street (2013)

Cinema multifacetado CCBB exibe a mais completa retrospectiva do diretor Martin Scorsese, com 33 longas e curtas-metragens. POR SÉRGIO MORICONI

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Foto: Featureflash Photo Agency / Shutterstock.com

remiadíssimo, Martin Scorsese é sem dúvida um dos mais prestigiados e influentes cineastas do cinema moderno dos EUA e do mundo. Na mostra do CCBB, seu legado poderá ser debatido, dia 26, com os curadores José de Aguiar e Marina Pessanha e com os críticos Cecília Barroso e Paulo Ricardo de Almeida. Outro ponto de interesse da mostra, em cartaz desde o dia 12, é a exibição de documentários e de filmes reali-

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zados para a televisão. Um dos destaques é Uma viagem pessoal pelo cinema americano (1995), obra que ajuda o público a compreender a importância do diretor do clássico Taxi driver, a contextualizá-lo historicamente e a perceber o papel que ele ocupa dentro da cinematografia de seu país e fora dele. Para grande parte das plateias contemporâneas, Scorsese representa a quintessência do cinema hollywoodiano. No entanto, ele começou como sua antítese. Como a coisa nova. Em seu livro Hollywood renaissance, Diane Jacobs o cita ao lado de Robert Altman, John Cassavetes, Francis Ford Coppola e Paul Mazursky, entre outros, como uma nova geração que desponta de forma independente, justamente para se confrontar com o cambaleante Golias de Hollywood. Os novos diretores surgiram numa circunstância muito específica, alguns antes, caso de Altman, que vinha do documentário e da TV desde os anos 50, e de Cassavetes, oriundo do contexto underground, também nos anos 1950. Mas a explosão do “new american film” se daria, também, graças ao retumbante fracasso de Cleópatra (1963), de Joseph L. Mankiewiscz, superprodução que contava em seu elenco

(vejam bem!) com pesos pesados como Elizabeth Taylor, Richard Burton e Rex Harrison. O impulso para esse novo cinema norte-americano não se daria apenas pela perda de fé dos executivos das majors pelas grandes produções de massa. A sociedade estava mudando. Instituições começaram a lançar um olhar para além do seu próprio umbigo, para o que vinha de fora do país. Em 1963, o Festival de Cinema de Nova York apresenta uma mostra de filmes da nouvelle vague francesa. O impacto dos filmes de Godard, Truffaut, Chabrol foi enorme sobre jovens estudantes de cinema do país. Gente ligada à atividade cinematográfica começou a se perguntar se não haveria do outro lado do Atlântico gente capaz de promover um cinema mais dinâmico, mais próximo dos corações de uma plateia que buscava algo mais do que o grande espetáculo escapista oferecido pela indústria do novo continente. À época, os produtores fizeram suas apostas em estudantes recém saídos da U.C.L.A. (Universidade da Califórnia de Los Angeles). Mas não deu certo. A descoberta de dois egressos e diplomados em estudos cinematográficos, Brian


Hutton e Harvey Hart (hoje ilustres desconhecidos), se revelaria decepcionante. Foi um acidente posterior, e imprevisto, o que de fato mudou o humor e a perspectiva dos produtores hollywoodianos. A reviravolta se deu como consequência dos inesperados triunfos comerciais de Bonnie and Clyde, de Arthur Penn – cuja cabeça do mesmo modo havia sido feita pela nouvelle vague francesa –, e de A primeira noite de um homem, de Mike Nichols, este proveniente do teatro. Ambos os filmes foram lançados em 1967. Para esses produtores, não havia mais dúvidas de que deveriam reconsiderar seus métodos de produção se não quisessem continuar correndo atrás de empréstimos para liquidar seus “papagaios” bancários. No final da década surgem então os diplomados Coppola (U.C.L.A), Scorsese e Brian De Palma (New York University), George Lucas (University of Southern California) e Terrence Malick (American Film Institute). Entre todos esses mencionados, talvez seja Scorsese aquele que construiu a obra mais pessoal. Muitos dos seus filmes trazem muito da vivência da comunidade ítalo-americana na América, especialmente de Little Italy, bairro novaiorquino de imigrantes italianos, desde os curtas realizados ainda em seu tempo de estudante, passando pelo seu primeiro longa-metragem, Quem bate à minha porta? (1967), por Caminhos perigosos (1973), Taxi driver (1976), Touro indomável (1980), Os bons companheiros (1990) e Gangues de Nova York (2002). A violência de muitos de seus filmes tem muito a ver com o passado de gangsterismo de seus antepassa-

Taxi driver (1976)

dos, com a segregação experimentada pelos imigrantes italianos, “grupo étnico” (eles eram assim definidos pela literatura anglo-saxã) segregado como mafiosos na América, ainda que não tenham sido os primeiros a explorar o comércio ilegal de álcool durante a Lei Seca. Scorsese foi um protegé de John Cassavetes. No início, estilisticamente, tinha influência da nouvelle vague, do underground e do neorrealismo italiano. Conseguiu equilibrar essas estéticas díspares, fora do mainstream, com obras próximas da grande tradição hollywoodiana. New York, New York (1977) e A invenção de Hugo Cabret (2011) estão entre várias outras que poderíamos citar aqui. Um prodígio essa capacidade! Os primeiros filmes de Scorsese são um peculiar ersatz do primeiro Cassavetes. Shadows, de 1959, é cinéma-verité avant la letre: foi produzido antes de Crônica de um verão, obra de

Jean Rouch e Edgar Morin que inaugura a etiqueta “cinema-verdade”. Com música adicional de Charles Mingus, Shadows tem uma estrutura improvisada. Segue ao ritmo do jazz, alude ao bebop de Charles Parker, inspiração fundamental para os poetas e escritores beats. Caminhos perigosos reproduz o mesmo modelo, mas substitui o jazz pelo rock. O ritmo é frenético. Um híbrido dos estilos mencionados acima. Atualmente Scorsese se dedica a produzir jovens diretores italianos independentes. Ciganos de Ciambra (2017), de Jonas Carpignano, e Lazzaro Felice (2018), de Alice Rohrwacher, trazem muito do Scorsese do início. Uma tentativa de aproximação com as fissuras da italianidade contemporânea. Mostra Scorsese

Até 10/3 no cinema do CCBB (SCES, Trecho 2). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (algumas sessões são gratuitas). Programação em www.bb.com.br/cultura.

Fotos: Divulgação

A invenção de Hugo Cabret (2011)

Gangues de Nova York (2002)

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CRÔNICADACONCEIÇÃO

Crônica da

Conceição

CONCEIÇÃO FREITAS

conceicaofreitas50@gmail.com

Estradas, rios, vida e morte

S

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oube há poucos dias que sou filha de Oxum. Nunca antes quis saber nem nunca ninguém me disse. Vim de uma família negra e índia que morria de medo das religiões de matriz africana. Não era ódio, não era desprezo, era pavor. Não me deixei contaminar; sempre olhei com assombrado respeito para a força das imagens, dos rituais, dos cantos, dos tambores e das vestimentas do candomblé e da umbanda. Sou tomada pela potência do que ali se esconde ou se revela, dependendo do grau de coragem ou de desespero de quem se aproxima, da minha coragem ou do meu desespero. Se sou filha de Oxum, fui saber quem é minha mãe. Ela é a segunda mulher de Xangô; representa a sabedoria e o poder feminino. É o orixá do amor, da fertilidade e da maternidade. Seu elemento é a água; sua cor, o amarelo. É a deusa do rio Oxum, que fica no sudoeste da Ásia. É a rainha da água doce, dona dos rios e das cachoeiras. w Não foi preciso mais para que Oxum colasse em mim e eu colasse nela.

Vim de um rio, o maior do mundo. Ainda bebê, saí de Manaus no colo de minha mãe e fomos para a beira de outro rio, o Guamá, que contorna Belém. Minha casa tinha pernas compridas para nos proteger de uma possível enchente, que nunca houve. Quando me sentia muito desabrigada, corria para o Guamá ou passeava pelas pontes de uma tábua só. Eram as ruas dos lugares mais miseráveis da Estrada Nova, o bairro onde eu morava, espécie de Pôr do Sol, o bairro mais pobre de Ceilândia. Nunca me banhei nas águas do Guamá, eram fundas e largas demais para meus temores. A mim me bastava acompanhar o movimento sutil da correnteza, sorrir pras ondinhas que se desfaziam umas nas outras para serem ao mesmo tempo todas e uma só. Embora eu tivesse muito medo da profundeza das águas, esse medo me tranquilizava – como o medo fascinante que tenho da morte. Desde sempre, busquei o rio para me trazer de volta a mim mesma. Sempre que pude, voltei ao Amazonas e ao Guamá, à Baía de Guajará. O rio é o meu mar.

E se não posso ir tão longe, vou aos rios do cerrado, às cachoeiras da chapada. Gosto das menores, das menos espetaculares, das tímidas e quase silenciosas. E se não tem rio de água, deito nas estradas o meu desespero, elas são meus rios de asfalto.E se não tenho mais a Belém-Brasília, que muitas vezes já me levou de uma ponta a outra de mim mesma, pego qualquer uma que me leve às cidadezinhas de Goiás. Por aqui, não há mais linda que a GO-118, que sai da BR-020 e vai até a divisa com o Tocantins, a caminho de Palmas. Não duvido que seja uma das mais bonitas do Brasil. Sobe o Planalto Central até seu ponto mais alto e se avizinha das terras quilombolas até alcançar as margens do Rio Tocantins, quando já não é mais Goiás. Estradas e rios me levam para um não-lugar que é ao mesmo tempo o meu lugar, o de dentro e de fora da vida. O de existir e não-existir. Como se o meu corpo não fosse mais o meu corpo, fosse o corpo da estrada e do rio, ao mesmo tempo concreto e líquido, real e imaterial, sólido e semovente. Eu sou o que me conduz.


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