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23 20 anos

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OUTUBRO/NOVEMBRO/DEZEMBRO 2019


Editor/Editor Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem / Health Sciences Research Unit: Nursing Escola Superior de Enfermagem de Coimbra / Nursing School of Coimbra Editora Chefe / Editor-in-Chief Tereza Barroso, Ph.D – Professora Adjunta, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra / Adjunct Professor, Nursing School of Coimbra Editora Adjunta Isabel Gil, MSc. – Professora Adjunta, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra / Adjunct Professor, Nursing School of Coimbra Editores Sénior / Senior Editors Aida Cruz Mendes, Ph.D – Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra / Coordinating Professor, Nursing School of Coimbra Manuel Alves Rodrigues, Ph.D., Agregação – Professor Coordenador Principal. Coordenador Científico da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem / Scientific Coordinator of the Health Sciences Research Unit: Nursing Conselho Editorial Nacional/National Editorial Board Arménio Cruz, Ph.D – Professor Coordenador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra António Fernando Salgueiro Amaral, Ph.D – Professor Coordenador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra Anabela Pereira, Ph.D, Agregação – Professora Associada com agregação, Universidade de Aveiro Ananda Maria Fernandes, Ph.D – Professora Coordenadora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra Carolina Miguel Graça Henriques, Ph.D – Professor Adjunto da Escola Superior Saúde - Instituto Politécnico de Leiria Clara Ventura, Ph.D – Professora Coordenadora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra Fernando Ramos, Ph.D – Professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra João Luís Alves Apóstolo, Ph.D, Agregação – Professor Coordenador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra João O. Malva, Ph.D – Investigador Principal com Agregação, Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Manuel José Lopes, Ph.D – Professor Coordenador da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus, Universidade de Évora Maria dos Anjos Dixe, Ph.D – Professora Coordenadora da Escola Superior de Enfermagem do Instituto Politécnico de Leiria Susana Duarte, Ph.D. – Professor Adjunta, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra Paulo Queirós, Ph.D – Professor Coordenador da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra Vítor Rodrigues, Ph.D – Professor Coordenador da ESEVR, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Wilson Correira Abreu, Ph.D – Professor Coordenador Principal, Escola Superior de Enfermagem do Porto Conselho Editorial Internacional Afaf I. Meleis, Ph.D., DrPS(hon), FAAN – Dean Emerita, School of Nursing, Professor of Nursing and Sociology, University of Pennsylvania Alacoque Lorenzini Herdemann, RN. Ph.D – Professora Titular da Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Alan Pearson, RN, Ph.D. – Emeritus Professor of the University of Adelaide, Australia António José de Almeida Filho, Ph.D – Professor Associado , Escola de Enfermagem Anna Nery, Universidade Federal do Rio de Janeiro Arja Holopainen, Director, Ph.D – Nursing Research Foundation, Finland Carl von Baeyer, Ph.D. – Professor Emeritus, Saskatchewan University – Canada Christine Webb, RN, Ph.D. – Professor of Health Studies at the University of Plymouth, UK Dalmo Valério Machado de Lima, Ph.D – Professor adjunto da Universidade Federal Fluminense, Brasil Danélia Gómez Torres, Ph.D. – Professora tiempo completo, Universidade Autónoma do Estado de México Deborah S. Finnell, DNS, PMHNP-BC, CARN-AP, FAAN – Associate Professor & Director of the Master´s Program , The Johns Hopkins University School of Nursing, USA Eufemia Jacobs, PhD, RN – Assistant Professor, School of Nursing, University of California, Los Angeles, USA Heidi Parisod, Ph.D., – Post doc researcher, Department of Nursing Science, University of Turku, Finland Isabel Amélia Costa Mendes, Ph.D – Directora do Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem, Brasil Jane Salvage – Independent nursing consultant Programme Director, ICN Global Nursing Joakim Öhlén, Ph.D. – Professor, Universidade de Gothenburg, Suécia F. Javier Barca Durán, Ph.D – Professor Titular da Facultad de Enfermería y Terapia Ocupacional, Universidad de Extremadura, Espanha Francisco Carlos Félix Lana – Professor Associado, Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Lam Nogueira, Oi Ching Bernice, Ph.D. – Professora, Instituto Politécnico de Macau, Escola Superior de Saúde Manuel Amezcua, RN – Chefe de B. de Docência e de Investigação; Presidente da Fundação Índex, Granada, España Márcio Tadeu Francisco, Ph.D. – Assessor do Reitor, Universidade do Estado do Rio de Janeiro María Antonieta Castañeda Hernández, Ph.D. – Coordenadora de Educação e Saúde, Centro Médico Nacional Siglo XXI, México Maria de Lourdes de Souza, Ph.D. – Professora de Pós Graduação em Enfermagem, Presidente do instituto Repensul, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Miloslav Klugar, Ph.D. – Professor Adjunto Associado, School of Translational Health Sciences, FHS, University of Adelaide Miwako Honda, MD. – Director, Geriatric Research Division, National Hospital Organization, Tokyo Medical Center Pirkko Kourri, Ph.D. – Lecturer, Savonia University of Applied Sciences, Unit of Health Care, Kuopio, Finland Rattikorn Mueannadon, Ph.D, MSN, RN – Professor, Boromarajonani College of Nursing, Udonthani, Thailand Rodrigo Chácon Ferrera, RN, Ph.D. – Professor Titular na Escuela Universitária, Fac. de Ciências de la Salud Las Palmas de Gran Canaria, España Zoe Jordan, Ph.D. – Associate Professor, University of Adelaide, Australia Conselho Consultivo/Consultive Board Comissão Administrativa e Comissão Externa de Aconselhamento e Comissão de Ética da Unidade de Investigação / Administrative Commission, External Advisory Committee and Ethics Committee of the Research Unit A Revista de Enfermagem Referência apresenta-se em versão eletrónica (ISSNe: 2182.2883). Todo o processo de gestão, da submissão à publicação realiza-se em plataforma web: http://rr.esenfc.pt/rr/index.php?module=rr&target=articleSubmission, por forma a garantir o controlo de qualidade em todas as fases. / The Journal of Nursing Referência is available in electronic version (ISSNe: 2182.2883). The entire management process, from submission to publication is carried out on a web platform: https://rr.esenfc.pt/rr/index.php?module=rr&target=articleSubmission Os artigos publicados neste número foram traduzidos paa versão inglesa por Técnicos Especializados do Gabinete de Projetos da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Antes da publicação, a versão inglesa foi validada pelos autores. / The articles published in this edition of the Journal of Nursing Referência were translated into English version by a specialized Technical Projects Offise of the Nursing School of Coimbra.Before publication, the English version was validated by the authors. O Corpo de Revisão e Apoio Técnico e de Redação está acessível em: http://rr.esenfc.pt/rr/index.php?module=rr&target=page&id=11672 http://ui.esenfc.pt/rr/?module=rr&target=page&id=11672 The Review Board and Technical Sheet is available at: https://rr.esenfc.pt/rr/index.php?module=rr&target=page&id=11672 https://rr.esenfc.pt/rr/index.php?module=rr&target=page&id=11674 Contactos/Contacts Escola Superior de Enfermagem de Coimbra / Nursing School of Coimbra Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem /Health Sciences Research Unit: Nursing Avenida Bisaaya Barreto – 3000-901 Coimbra / Portugal Tel. 239 487 255 / 239 487 200 (ext. 2077) E-mail: referencia@esenfc.pt (Revista de Enfermagem Referência / Referência Journal of Nursing) – Secretariado Editorial / Editorial Secretariat (Susana Oliveira) investiga@esenfc.pt (Unidade de Investigação / Research Unit) URL: http://www.esenfc.pt/rr/ (Revista de Enfermagem Referência – disponível em texto integral / Journal of Nursing Referência – available in full texto) http://www.esenfc.pt/ui/ (Unidade de Investigação/Research Unit)


Ficha Catalográfica REVISTA DE ENFERMAGEM ENFERMAGEM REFERÊNCIA. REFERÊNCIA. Coimbra, Coimbra, 20102010- . Revista Revista de de Enfermagem EnfermagemReferência Referência/ /prop. prop.Escola EscolaSuperior SuperiordedeEnfermagem EnfermagemdedeCoimbra. Coimbra. - Série 1 (Jul. nº 122013); (Dez. 2013) Série nº 12014)(Fev. 2014) - . Coimbra : Série 3,III,nºnº1 (jul.2010) 2010)- série - nº123,(dez. Série ;IV, nº14,(fev. . Coimbra: Unidade Unidade de Investigação em Ciências Saúde: Enfermagem. 27 cm. - Trianual. A partir da a de Investigação em Ciências da Saúde:daEnfermagem. - 27 cm. -- Trianual. - A partir -da Série IV Série 4 a periodicidade é trimestral. periodicidade é trimestral. Continuada enfermagem, iniciada emem Continuada de: de: Referência: Referência: revista Revistadedeeducação Educaçãoe eformação Formaçãoemem Enfermagem, iniciada 1998. ISSNe:2182.2883 ISSNp: 0874.0283 / ISSNe: 2182.2883

Descritores em linguagem MeSH (Medical Subject Headings)

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Aims and Scope

Objetivos e Contexto A Revista de Enfermagem Referência é uma revista científica, peer reviewed, editada pela Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem. Esta Unidade de Investigação é acolhida pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e acreditada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O objetivo da revista é divulgar conhecimento científico produzido no campo específico das ciências da enfermagem, com uma abordagem interdisciplinar englobando a educação, as ciências da vida e as ciências da saúde. É requisito que todos os artigos sejam cientificamente relevantes e originais e de um claro interesse para o progresso científico, a promoção da saúde, a educação em saúde, a eficácia dos cuidados de saúde e tomada de decisão dos profissionais de saúde. Cerca de 80% dos artigos são publicados como artigos científicos originais e cerca de 20% dos artigos são artigos de revisão (revisão sistemática), artigos teóricos e ensaios. O processo de revisão por pares, double blind, inclui 10 fases, da submissão à disseminação (Pré-análise; Checklist; Revisão por pares; Gestão de artigo; Tratamento técnico e documental; Revisão final; Tradução; Maquetização e atribuição de DOI; HTML; Divulgação pelas bases de dados). Os seguintes documentos estão disponíveis aos autores: checklist, termo único e tópicos de análise crítica para ajudar a escrita de artigos científicos de acordo com o seu tipo específico. Os revisores podem aceder a estruturas sistemáticas de avaliação. A gestão do processo de revisão é totalmente automatizada. Isto permite uma ação efetiva de controlo, regulação e avaliação (gestão de autores, revisores e artigo). A revista tem uma extensão internacional e é publicada em formato bilingue (é obrigatória a versão em Inglês). É dirigido a estudantes, investigadores e profissionais das ciências da vida, ciências da saúde e área da educação.   Políticas editoriais definidas de acordo com os critérios do Directory of Open Access Journals – DOAJ. Acessível em open access em www.esenfc.pt/rr

The Journal of Nursing Referência is a peer-reviewed scientific journal published by the Health Sciences Research Unit: Nursing. This Research Unit is hosted by the Nursing School of Coimbra and accredited by the Foundation for Science and Technology. The objective of the journal is to disseminate scientific knowledge produced in the specific field of nursing science with an interdisciplinary approach covering the areas of education, life sciences and health sciences. All papers are required to be scientifically relevant and original and to show a clear significance for the scientific progress, health promotion, health education, health care effectiveness and health professionals’ decision-making. Around 80% of the articles published are scientific and original articles, and around 20% of the articles are review papers (systematic review), theoretical papers and essays. The double-blind review process includes 10 stages from submission to dissemination (Pre-analysis; Checklist; Peer review; Article management; Technical and documentary support; Final review; Translation; Layout and DOI Assignment; HTML; Database dissemination). The following documents are available to authors: checklist, author’s statement, and critical analysis topics to help prepare the scientific papers according to its specific type. Reviewers can access systematic assessment structures. The management of the review process is fully automated. This allows for an effective control, regulation and evaluation (authors, reviewers and article management). The Journal has an international dissemination and is published in a bilingual version (the English version is mandatory). It is directed at students, researchers and professionals from the areas of life sciences, health sciences and education.

Publicação regular, com periodicidade trimestral, divulgação em formato digital.

Regular publication, quarterly, digital dissemination.

Editorial policies defined according to criteria of Directory of Open Access Journals – DOAJ. Available in open access at www.esenfc.pt/rr

Nossa missão: Compartilhar ondas de conhecimento Our mission: Sharing ripples of knowledge

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EDITORIAL

Por que é imperativo reorientar a educação em enfermagem para reduzir o fosso entre a formação e as necessidades de cuidados de saúde?

Why is it imperative to redirect nursing education to reduce the gap between training and health care needs?

A enfermagem é protagonista do sistema de saúde devido ao seu potencial inovador, criativo e versátil na promoção da saúde, prevenção de doenças e prestação de cuidados. As enfermeiras e as parteiras, ou enfermeiras obstetrizes, representam quase metade dos recursos humanos em saúde, sendo cerca de 20 milhões de enfermeiras e 2 milhões de parteiras em todo o mundo. As enfermeiras desempenham vários papéis e trabalham em muitos contextos diferentes, sendo frequentemente os primeiros e os únicos profissionais de saúde com os quais as pessoas contactam em caso de necessidades de cuidados de saúde (The Lancet, 2019). Muito já foi construído e desenvolvido na enfermagem em termos de conhecimento científico, ensino e prática, mas somos confrontados com novas exigências devido às profundas mudanças económicas, sociais, políticas, culturais e ambientais que afetam a sociedade em geral, a vida das pessoas e as suas necessidades de saúde. Essas mudanças também têm interferido com o ensino e a aprendizagem e, portanto, os educadores devem usar novas estratégias para tornar o processo de ensino-aprendizagem mais significativo para os alunos. O conhecimento e as tecnologias proliferam a uma velocidade exponencial, exigindo novas formas de transferência de conhecimento e uma postura proativa por parte dos professores e dos alunos. A formação dos profissionais de saúde,

Nursing plays a key role in the healthcare system due to its innovative, creative, and versatile potential in health promotion, disease prevention, and care delivery. Female nurses and midwives make up nearly half of the global health workforce, with around 20 million female nurses and 2 million midwives worldwide. Working in a wide variety of roles and in many different contexts, female nurses are often the first and only health professionals people see for their healthcare needs (The Lancet, 2019). Much has already been done in terms of scientific knowledge, teaching, and clinical practice in nursing, but we are faced with new demands due to profound economic, social, political, cultural, and environmental changes that affect society in general, and the life and health needs of the populations. These changes have also influenced teaching and learning, thus educators should use new strategies to make the teaching-learning process more meaningful for students. Knowledge and technology proliferate at a fast pace, requiring new forms of knowledge transfer and a proactive attitude from both teachers and students. The training of healthcare professionals, especially female nurses, is closely linked to the quality of care and patient safety. It is through theoretical and practical training that nurses stay updated, implement their knowledge into clinical practice, and perform

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nomeadamente das enfermeiras, é um fator intimamente relacionado com a qualidade dos cuidados e a segurança do doente. É através da formação teórica e prática que os enfermeiros se mantêm atualizados, mobilizam conhecimentos para contextos práticos e realizam práticas centradas no doente com base na evidência científica atual (Cassiani et al., 2017). Considera-se que, para alcançar uma educação de melhor qualidade para os profissionais de enfermagem, a educação transformadora e interprofissional deve ser reorientada. Os princípios da educação transformadora incluem a promoção do pensamento crítico; a promoção do desenvolvimento das competências profissionais necessárias para trabalhar em equipa; a adaptação criativa dos recursos globais para abordar as prioridades locais; a integração da educação e dos sistemas de saúde; a formação de redes e parcerias; e a partilha de recursos educativos e inovações globais. A educação interprofissional é uma estratégia para alcançar a educação transformadora e ocorre quando duas ou mais profissões aprendem com, de e sobre cada uma delas para permitir uma colaboração eficaz e melhorar os resultados da saúde (World Health Organization, 2013). A Organização Mundial da Saúde (World Health Organization, 2016) recomenda que as instituições de ensino adaptem a sua estrutura institucional e as suas modalidades de ensino à educação interprofissional e à prática colaborativa. No entanto, apesar de a educação transformadora e interprofissional em enfermagem estar em pleno desenvolvimento em vários países, ainda há um longo caminho a percorrer em muitos outros países. Uma outra demanda importante é formar mais enfermeiros para cobrir a escassez global de profissionais adequadamente treinados e distribuídos em todo o mundo. A falta destes profissionais na maioria dos países compromete o objetivo geral de alcançar a saúde para todos até 2030. Existe atualmente um déficit de 800 mil profissionais de saúde na região da América Latina e do Caribe, incluindo enfermeiros (Cassiani et al., 2017). Assim, é recomendado aumentar o número de programas de formação acreditados, especialmente considerando que na maioria dos países há reduzido número de escolas e de programas de pós-graduação em enfermagem; expandir estratégias para formação de enfermeiras de prática avançada; aumentar a produção de conhecimento

their tasks using a patient-centered approach based on current scientific evidence (Cassiani et al., 2017). Therefore, to achieve a better quality education for nurses, the interprofessional and transformative learning should be redirected. The principles of transformative learning are the promotion of critical thinking; the development of professional skills for effective teamwork; the creative adaptation of global resources to address local priorities; the integration of education and health systems; networking and partnerships; and sharing of educational resources and innovations worldwide. Interprofessional education is a strategy for a transformative education and occurs when two or more professions learn about, from, and with each other to enable effective collaboration and improve health outcomes (World Health Organization, 2013). The World Health Organization (2016) recommends that education institutions should adapt their institutional set-up and modalities of instruction to interprofessional education and collaborative practice. Although transformative and interprofessional education in nursing is in full development in many countries, there is still a long way to go in several other countries. Another important demand is to train more nurses to cover the global shortage of adequately trained and distributed professionals worldwide. However, the lack of these professionals in the majority of countries compromises the global objective of achieving health for all by 2030. There is a current deficit of 800,000 health workers in the Caribbean and Latin America region, including nurses (Cassiani et al., 2017). Therefore, it is important to increase the number of accredited training programs, especially given that in most countries there are few nursing schools and graduate programs in nursing; expand the strategies for training advanced practice nurses; increase the production of innovative nursing knowledge focused on addressing the problems of the population (Cassiani et al., 2017). Society will place greater demands on nurses to act as transformative agents for the quality and safety of care delivery. Contemporary nursing also faces problems related to mobility and migration, lack of regulation, insufficient incentives for professional advancement, and inadequate working environ-

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científico inovador em enfermagem centrado nos problemas da população (Cassiani et al., 2017). A resposta às exigências sociais terá maior impacto nos enfermeiros por parte da sociedade como agentes transformadores da qualidade e segurança dos cuidados. A enfermagem contemporânea também enfrenta problemas relacionados com a mobilidade e a migração, a falta de regulamentação, os incentivos insuficientes ao desenvolvimento profissional e os ambientes de trabalho inadequados. Por conseguinte, é urgente e necessário oferecer melhores condições de trabalho e salários mais elevados para que os trabalhadores de enfermagem possam desenvolver o seu trabalho de forma mais eficiente. O documento Massachusetts Nurse of the Future - Nursing Core Competencies (Massachusetts Department of Higher Education, 2016) define 10 competências básicas para os enfermeiros do presente e do futuro, incluindo cuidados centrados no doente; profissionalismo; liderança; informática e tecnologia; prática baseada em evidência; comunicação; prática baseada em sistemas; segurança; trabalho colaborativo em equipa; e melhoria da qualidade. Portanto, pensar a enfermagem contemporânea e futura é imperativo e estratégico, pois é a partir dela que podemos vislumbrar formas de produção em saúde coerentes com as bases fundamentais teóricas, filosóficas, jurídicas e éticas dos sistemas de saúde. Entre as profissões, é a mais porosa aos valores que sustentam os sistemas universais. No entanto, é importante o compromisso político, a massa crítica e o capital social em defesa desta proposta e desta profissão (Arcêncio, 2018). Desta forma, conclui-se que a educação inovadora e de qualidade em enfermagem requer a interpretação da realidade e a compreensão dos aspetos relacionados com os determinantes socioeconómicos e culturais dos processos de saúde-doença, políticas públicas, formação e prática profissional. Investir hoje no reforço da formação e do desenvolvimento dos profissionais de enfermagem com foco na liderança fará com que a profissão expanda ainda mais o seu papel nos cuidados de saúde num futuro próximo.

ments. Thus, there is an urgent need to offer better pay and working conditions for nurses to perform their jobs more effectively. The document Massachusetts Nurse of the Future - Nursing Core Competencies (Massachusetts Department of Higher Education, 2016) Education sets out 10 core competencies for present and future nurses, including patient-centered care, professionalism, leadership, informatics and technology, evidence-based practice, communication, systems-based practice, safety, teamwork and collaboration, and quality improvement. It is imperative and strategic to think about contemporary and future nursing so as to find forms of health production consistent with the fundamental theoretical-philosophical, legal, and ethical basis of health systems. Among the professions, it is the one that most assimilates the values that sustain universal systems. Thus, political commitment, critical mass, and social capital are important to defend this proposal and this profession (Arcêncio, 2018). Therefore, innovative, high-quality nursing education requires an interpretation of reality and an understanding of the socioeconomic and cultural determinants of the health-disease processes, the public policies, training, and professional practice. Today’s investment in strengthening the education and development of nurses with a focus on leadership will help the profession to further expand its role in healthcare delivery in a near future. References The Lancet. (2019). 2020: Unleashing the full potential of nursing [Editorial]. The Lancet, 394(10212), 1879. doi: 10.1016/S0140-6736(19)32794-1 Cassiani, S. H., Wilson, L. L., Mikael, S. S., Morán Peña, L., Grajales, R. A., McCreary, L. L., . . . Roso Gutierrez, N. (2017). La situación de la educación en enfermería en América Latina y el Caribe hacia el logro de la salud universal. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 25, e2913. doi: 10.1590/15188345.2232.2913 World Health Organization. (2013). Interprofessional collaborative practice in primary health care: Nursing and midwifery perspectives: Six case studies. Retrieved from https://www.who.int/hrh/resources/IPE_SixCaseStudies.pdf?ua=1

Referências bibliográficas The Lancet. (2019). 2020: Unleashing the full potential of nursing [Editorial]. The Lancet, 394(10212), 1879. doi:

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10.1016/S0140-6736(19)32794-1 Cassiani, S. H., Wilson, L. L., Mikael, S. S., Morán Peña, L., Grajales, R. A., McCreary, L. L., . . . Roso Gutierrez, N. (2017). La situación de la educación en enfermería en América Latina y el Caribe hacia el logro de la salud universal. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 25, e2913. doi: 10.1590/1518-8345.2232.2913 World Health Organization. (2013). Interprofessional collaborative practice in primary health care: Nursing and midwifery perspectives: Six case studies. Recuperado de https://www.who.int/hrh/resources/IPE_SixCaseStudies.pdf?ua=1 World Health Organization. (2016). Global strategy on human resources for health: Workforce 2030. Recuperado de https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/250368/ 9789241511131-eng.pdf;jsessionid=644DD05FD69D3FF1B9A10FBC46A868B5?sequence=1 Massachusetts Department of Higher Education. (2016). The Massachusetts Nursing Core Competencies: A toolkit for implementation in education and practice (2nd ed.). Recuperado de https://archives.lib.state.ma.us/bitstream/handle/2452/685777/ocn987380501.pdf?sequence=1&isAllowed=y Arcêncio, R. A.. (2018). A enfermagem como profissão do futuro e base de sustentação dos sistemas universais. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 26, e3063. doi: 10.1590/1518-8345.0000.3063

World Health Organization. (2016). Global strategy on human resources for health: Workforce 2030. Retrieved from https://apps.who.int/iris/bitstream/ handle/10665/250368/9789241511131-eng.pdf;jsessionid=644DD05FD69D3FF1B9A10FBC46A868B5?sequence=1 Massachusetts Department of Higher Education. (2016). The Massachusetts Nursing Core Competencies: A toolkit for implementation in education and practice (2nd ed.). Retrieved from https://archives.lib.state.ma.us/ bitstream/handle/2452/685777/ocn987380501.pdf?sequence=1&isAllowed=y Arcêncio, R. A.. (2018). A enfermagem como profissão do futuro e base de sustentação dos sistemas universais. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 26, e3063. doi: 10.1590/1518-8345.0000.3063 Maria Helena Palucci Marziale University of Sao Paulo Ribeirao Preto College of Nursing Brazil

Maria Helena Palucci Marziale Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo – Brasil

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SUMÁRIO

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EDITORIAL / EDITORIAL ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) / RESEARCH PAPERS (ORIGINAL)

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A presença da fenomenologia na investigação em enfermagem: mapeamento das teses de doutoramento em Portugal Florinda Laura Ferreira Rodrigues Galinha de Sá; Maria Adriana Pereira Henriques; Maria Antónia Miranda Rebelo Botelho Alfaro Velez

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A vivência no trânsito e as implicações na saúde dos motoristas de autocarros: estudo fenomenológico descritivo Vanessa Carine Gil de Alcantara; Rose Mary Costa Rosa Andrade Silva; Eliane Ramos Pereira; Dejanilton Melo da Silva; Isadora Pinto Flores

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Avaliação familiar e processo de enfermagem: programa de desenvolvimento de competências Carolina Miguel Graça Henriques ; Eva João de Jesus Santos

41

Conhecimento dos utentes com hipertensão arterial de uma unidade de saúde familiar sobre a sua patologia Clara Lucília Botelho Ramos; Lisete Amélia Ribeiro de Jesus; Ana Maria Teixeira Santos Souto; Ana Luísa Couto Almeida Santos

49

Eficácia da técnica de breath stacking na função respiratória em mulheres submetidas a cirurgia bariátrica Sérgio Filipe Alves Vaz; Tiago Filipe Vaz Matos; Maria Eugénia Rodrigues Mendes; Leonel São Romão Preto; Hélder Jaime Fernandes; André Filipe Morais Pinto Novo

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Humanização dos cuidados de saúde no serviço de urgência: análise qualitativa baseada nas experiências dos enfermeiros Martina Valenzuela Anguita; Ángela Sanjuan-Quiles; Mª Isabel Ríos-Risquez; Mª Carmen Valenzuela-Anguita; Rocio Juliá-Sanchis; Raimunda Montejano-Lozoya

69

Necesidades de salud: experiencia de mujeres mayores de un centro de día Jessica Belen Rojas Espinoza; María de Lourdes García Hernández; Lucila Cárdenas Becerril; Beatriz Arana Gómez; Silvana Silveira Kempher; María de Lourdes Rico González

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Perfil de jovens universitários e as suas perceções face à maternidade e paternidade Maria da Gloria Aragão Martins Ferreira; Jorge Lopez-Gómez; Helena Maria Scherlowski Leal David; Alba Navalon-Mira; Marisa Afonso de Andrade Brunherotti; Vicente Gea-Caballero; José Ramon Martinez-Rieira

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Qualidade de vida da pessoa com doença inflamatória intestinal Isabel Maria Ribeiro Fernandes; Lúcia Maria Torres dos Santos Gil

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Questionário de Conhecimentos sobre Práticas de Enfermagem Forenses: adaptação para o Brasil e a propriedades psicométricas Helena Reche Felipe; Madalena Cunha; Vanessa dos Santos Ribeiro; Cristina Mara Zamarioli; Claudia Benedita dos Santos; João Carvalho Duarte; Emilia Campos de Carvalho

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Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado Leonel dos Santos Silva; Izabela Rodrigues Poiares; Celina Angélica Mattos Machado; Bruna Eloise Lenhani; Paulo Ricardo Bittencourt Guimarães; Luciana Puchalski Kalinke

121

Sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros no contexto hospitalar: contributo do enfermeiro de reabilitação Maria Isabel Rebelo Lopes de Moura; Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva Martins; Olga Maria Pimenta Lopes Ribeiro

133 141

Terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral Isabel de Jesus Oliveira; Germano Rodrigues Couto; Liliana Andreia Neves da Mota Translation and cross-cultural adaptation of evidence-based practice instruments for Portuguese nursing students Daniela Filipa Batista Cardoso; Adriana Raquel Neves Coelho; Cristina da Costa Louçano; Vítor Sérgio de Oliveira Parola; Manuel Alves Rodrigues; Ellen Fineout-Overholt; João Luís Alves Apóstolo

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Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto Catarina Isabel Viegas Ferreira; Isabel Maria Henriques Simões

UNIDADE DE INVESTIGAÇÃO / RESEARCH UNIT

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Newsletter UICISA: E

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19038

A presença da fenomenologia na investigação em enfermagem: mapeamento das teses de doutoramento em Portugal Phenomenology in nursing research: mapping of doctoral theses in Portugal La presencia de la fenomenología en la investigación en enfermería: mapeo de las tesis doctorales en Portugal Florinda Laura Ferreira Rodrigues Galinha de Sá* ; Maria Adriana Pereira Henriques** Maria Antónia Miranda Rebelo Botelho Alfaro Velez***

;

Resumo Enquadramento: A fenomenologia progressivamente tem conquistado, no contexto internacional, um espaço de destaque na investigação em enfermagem. Objetivo: Mapear e caracterizar as teses de doutoramento em enfermagem de abordagem metodológica fenomenológica. Metodologia: Investigação documental, com acesso a 273 teses de doutoramento, realizadas no período de 20042018, disponíveis nos repositórios digitais abertos das universidades portuguesas. Resultados: Identificaram-se 26 teses de doutoramento com estudos de investigação de abordagem metodológica fenomenológica. A análise realizada teve em conta os seguintes aspetos: a) os participantes - maioritariamente adultos e clientes dos cuidados de enfermagem; b) a área de cuidados de saúde - a maioria das teses não se enquadra numa área de saúde específica; c) o contexto - primordialmente hospitalar; d) e o método usado – fenomenológico hermenêutico. Conclusão: As teses de doutoramento, de orientação fenomenológica, embora ainda em percentagem reduzida, ao explicitarem a natureza e o significado da experiência vivida tornam-se relevantes para a construção disciplinar de enfermagem. Palavras-chave: enfermagem; pesquisa qualitativa; hermenêutica; estudos retrospetivos

Abstract

Resumen

Background: Phenomenology has been gradually playing a more prominent role in nursing research at an international level. Objective: To map and characterize nursing doctoral theses with a phenomenological methodological approach. Methodology: Documentary research, with access to 273 doctoral theses completed between 2004 and 2018 and available in the open-access digital repositories of Portuguese universities. Results: Twenty-six doctoral theses were identified whose research studies used a phenomenological methodological approach. The analysis took into account the following aspects: a) participants - mainly adults and clients of nursing care; b) healthcare area - most of the theses did not fit into a specific health area; c) context - mainly hospital; d) and research method - phenomenological hermeneutic. Conclusion: Although still in small numbers, phenomenologically-oriented doctoral theses, by explaining the nature and meaning of lived experiences, become relevant to the development of the nursing discipline.

Marco contextual: La fenomenología progresivamente ha conquistado, en el contexto internacional, un espacio de destaque en la investigación en enfermería. Objetivo: Asignar e caracterizar las tesis de doctorado en enfermería de enfoque metodológico fenomenológico. Metodología: Investigación documental, con acceso a 273 tesis de doctorado, llevadas a cabo desde 2004 hasta 2018, disponibles en los repositorios digitales abiertos de las universidades portuguesas. Resultados: Se identificaron 26 tesis de doctorado con estudios de investigación de enfoque metodológico fenomenológico. El análisis realizado tuvo en cuenta los siguientes aspectos: a) los participantes - mayoritariamente adultos y clientes de los cuidados de enfermería; b) el área de cuidado de la salud - la mayoría de las tesis no se ajustan a un área de salud específica; c) el contexto - primordialmente hospitalario; d) y el método usado fenomenológico hermenéutico. Conclusión: Las tesis doctorales de orientación fenomenológica, aunque todavía en un pequeño porcentaje, al explicar la naturaleza y el significado de la experiencia vivida se vuelven relevantes para la construcción disciplinaria de la enfermería.

Keywords: nursing; qualitative research; hermeneutics; retrospective studies

*MSc., Professora Adjunta, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, 1600-190, Lisboa, Portugal [fgalinha@esel.pt]. https://orcid.org/0000-0002-4523-1721. Contribuição no 8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8¶±bO†|8YbY8Y´¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡±8Y8œ8±8O±±b´œŒYdŒO8U*Á8ÏÁtÁ´¼ Costa (Costinha), Nº2 - 11ºD, 1500-064, Lisboa, Portugal. **Ph.D., Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, 1600190, Lisboa, Portugal [ahenriques@esel.pt]. https://orcid.org/0000-0003-0288-6653.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8b±bÇ´EY8±¼t¡ *** Ph.D., Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, 1600190, Lisboa, Portugal [rbotelho@esel.pt]. https://orcid.org/0000-0001-7356-2053.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU8Œ9†´b´YbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8b±bÇ´EY8±¼t¡ Revista de Enfermagem Referência

Palabras clave: enfermería; investigación cualitativa; hermenéutica; estudios retrospectivos

*bObFYœ8±8œÁF†O8QEb‰UÀ¸¡Î¸¡— Aceite para publicação em: 18.10.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 9 - 20


Introdução

a maior expressão no âmbito da investigação qualitativa em enfermagem (Richards, Hanssen, & Borglin, 2018). Neste sentido, interessa compreender o estado da arte da investigação em enfermagem, em Portugal, utilizando uma abordagem metodológica fenomenológica. Os objetivos do estudo foram: mapear e caracterizar as teses de doutoramento em enfermagem de abordagem metodológica fenomenológica.

A fenomenologia permite à enfermagem, enquanto ciência, investigar o mundo interior da experiência humana, acedendo aos seus significados pessoais (Chesnay, 2015). A natureza da problemática reforça a necessidade de centrar a prática da investigação em fenómenos humanos relevantes para os cuidados de saúde (Rodriguez, 2018). A fenomenologia permite desocultar a experiência humana circunscrita numa determinada situação e moldada por um contexto único, onde os enfermeiros, enquanto investigadores, são co-construtores de uma realidade social que interessa conhecer para melhor cuidar. A reflexão fenomenológica produz conhecimento sobre o core da experiência humana no âmbito das ciências da saúde, promovendo a humanização dos cuidados de saúde (Rodriguez, 2018). O doutoramento em enfermagem é uma oportunidade de contribuir para a melhoria da qualidade da prática profissional (Basto, 2016). O doutoramento em enfermagem, enquanto formação científica, pretende dotar os enfermeiros com competências de investigação que os capacitem para produzir conhecimento novo para a área disciplinar de enfermagem. Assim, o avanço ontológico, epistemológico e metodológico da disciplina de enfermagem depende diretamente dos contributos específicos destes investigadores. O doutoramento em ciências de enfermagem, existe desde 2001, no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) – Universidade do Porto e existe, desde 2004, o programa de doutoramento em enfermagem na Universidade de Lisboa em parceria com a Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (ESEL), assim como o curso de doutoramento em enfermagem no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica. A recente entrada da disciplina de enfermagem na academia surge então como um espaço privilegiado de diálogo transdisciplinar entre os saberes das várias disciplinas, sendo promotor do reforço mútuo da investigação científica. A fenomenologia, enquanto metodologia de investigação, tem conquistado progressivamente, no contexto internacional, um espaço de destaque em enfermagem (Chesnay, 2015; Matua, 2015; Moxham & Patterson, 2017). De tal forma, que num estudo recente de revisão de artigos científicos, publicados em bases de dados europeias, os estudos de metodologia fenomenológica possuem

Questão de investigação Que produção científica, ao nível do doutoramento de enfermagem, utiliza a abordagem metodológica fenomenológica?

Enquadramento O paradigma qualitativo de investigação evoca um prisma naturalista de abordagem da realidade, recorrendo a diversas orientações epistemológicas e metodológicas. A investigação qualitativa em enfermagem procura compreender e interpretar experiências pessoais, interações e contextos sociais para encontrar o sentido da experiência humana (Streubert & Carpenter, 2013). Por este motivo, a experiência vivida, de um determinado fenómeno no processo de saúde-doença, fornece uma base importante para os cuidados de enfermagem e traz luz para os cuidados de saúde em geral. A fenomenologia emerge num movimento filosófico alemão liderado por Husserl (1859-1938), procurando desvelar a fonte primária da intuição direta do ser em relação aos constituintes essenciais de um fenómeno (Husserl, 2008). A presença da fenomenologia na investigação em enfermagem surge de forma mais emergente no início dos anos 90 (Chesnay, 2015). Historicamente falando é nesta época que surgem investigadores de enfermagem, tais como Diekelmann, Allen e Munhall, que conceptualizam a adaptação da metodologia à disciplina, desafiando os enfermeiros a “pensarem fenomenologicamente” e a terem uma atitude que lhes permita “ser fenomenológicos”, mais do que a focarem-se nos aspetos processuais do método fenomenológico (Nelms, 2015). Apesar de atualmente existirem diferentes escolas de fenomenologia, a fenomenologia pode ser essencialmente descritiva, no sentido eidético, ou

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interpretativa, no sentido hermenêutico (Chesnay, 2015). A fenomenologia descritiva, tende, sobretudo, a desocultar a experiência vivida através da utilização de uma descrição pura dos dados da intuição das essências (Beck, 2016). O fenómeno é o que se revela tal como é em si mesmo, como uma essência que se revela numa intuição. Giorgi, reconhecidamente fenomenologista disciplinar, conceptualizou a adaptação do método, proveniente da filosofia, às diferentes disciplinas (Chesnay, 2015). Por outro lado, a fenomenologia interpretativa, tende, sobretudo, a recolocar a centralidade do desocultar da experiência vivida através da interpretação do seu sentido para o Ser (Munhall, 2016). Nesta perspetiva, o investigador não parte da intuição da consciência, mas sim da compreensão da existência do ser no mundo. As duas correntes fenomenológicas, a descritiva e a interpretativa, coexistem ao longo do tempo, sendo que diversos teóricos incrementaram os seus pressupostos filosóficos de base, assim como desenvolveram métodos específicos de análise dos dados (Munhall, 2016). A adequação entre a problemática em estudo e o percurso metodológico é essencial na fenomenologia (Chesnay, 2015; Rodriguez, 2018). A fenomenologia propõe ao investigador um diálogo interno entre os objetivos da investigação, a perspetiva filosófica adotada e o método de análise de dados, implicando que se percorra um caminho em sintonia desde a explicitação da finalidade do estudo à descrição ou interpretação da experiência vivida. As teses de doutoramento, no âmbito da produção de investigação científica, são documentos de reconhecida qualidade por terem sido alvo de processos de orientação, arbitragem científica e discussão pública. Logo, os estudos de investigação presentes nestes documentos permitem obter um panorama da produção científica da disciplina de enfermagem, numa determinada área e período temporal.

(https://repositorio.ul.pt), Universidade Católica Portuguesa (https://repositorio.ucp.pt) e da Universidade do Porto (https://repositorio-aberto. up.pt), no período de janeiro e fevereiro de 2019. Os repositórios digitais institucionais de acesso livre contribuem com uma nova dimensão de divulgação e gestão de informação, permitindo o acesso à produtividade científica (Preto, Martins, Brás, Pimentel, & Fernández-Sola, 2015). O critério de inclusão foi o estudo, presente nas teses, ser designado, pelo autor, como sendo de abordagem fenomenológica, sendo excluídas as restantes teses. De acordo com os princípios que caracterizam este tipo de investigação, o investigador na análise documental debruça-se sobre o conteúdo presente nos documentos, sendo a análise realizada em consonância com os objetivos da pesquisa (Júnior, Medeiros, & Augusta, 2017). Procedeu-se à leitura do título e resumo de forma a selecionar as teses de doutoramento que respondiam à questão inicial. A seleção foi validada por todos os autores e as dúvidas decorrentes da análise foram discutidas até ao consenso. Desta forma, como resultado da pesquisa nos repositórios digitais institucionais identificaram-se 26 teses que foram objeto de análise quantitativa descritiva categorial. Na análise, utilizaram-se as categorias: participantes, área de cuidado de saúde, contexto e método da investigação (Richards et al., 2018), tendo sido também analisadas as palavras-chave das teses e os objetivos dos estudos.

Resultados As teses de doutoramento que apresentam estudos de investigação de abordagem metodológica fenomenológica correspondem a 10% do total das teses, realizadas em Portugal, constituindo ainda uma percentagem muito reduzida. A distribuição anual das teses não foi constante, apresentado variações, sendo o ano de 2011 o que teve a maior frequência com cinco teses (Amorim; Apóstolo; Fabião; Teixeira; Pereira) e em contraste, no ano de 2004 existiu apenas uma (Martins, 2004). Nos anos 2009, 2012, 2013, 2014 e 2017 observa-se de forma consistente a existência de duas teses. De salientar, que 15 (57%) destas teses de doutoramento foram realizadas nos últimos anos, de 2014 a 2018 (Tabela 1).

Metodologia Tendo em conta a questão de investigação e os objetivos do estudo desenhou-se uma pesquisa documental, retrospetiva e descritiva, no período de 2004 a 2018, consultando 273 teses de doutoramento em enfermagem, disponíveis no repositório digital aberto da Universidade de Lisboa

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Tabela 1 Identificação das teses de doutoramento de abordagem metodológica fenomenológica Autor/ Ano Título Tese

Objetivo

Palavras-chave

Instituição

Martins, M. M. F. P. S. (2004). O adulto doente e a família uma parceria de cuidados (Tese de Doutoramento). Recuperado de https://hdl.handle. net/10216/64647

Compreender o fenómeno de assistência na ótica dos doentes e seus familiares

Sem palavras-chave

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Ramalho, A. A. (2009). A experiência de sentir-se respeitada durante o trabalho de parto no hospital (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle. net/10451/1848

Compreender a experiência vivida de sentir-se respeitada durante o trabalho de parto

Cuidados de enfermagem; fenomenologia; hospital; investigação qualitativa; mãe; respeito; trabalho de parto

Universidade de Lisboa

Mendes, I. M. M. M. D. (2009). Ajustamento materno e paterno: Experiências vivenciadas pelos pais no pós-parto (Tese de Doutoramento). Recuperado de https://hdl.handle.net/10216/7250

Compreender o processo de construção do ajustamento materno e paterno ao período de pós-parto, através das perspetivas das experiências vivenciadas por ambos os pais

Sem palavras-chave

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Apóstolo, J. L. A. (2011). O imaginário conduzido no conforto de doentes em contexto psiquiátrico (Tese de Doutoramento). Recuperado de https://hdl.handle. net/10216/7157

Descrever as vivências do “conforto-desconforto” de doentes internados em serviços de psiquiatria clínica

Sem palavras-chave

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Reconhecer as representações da mulher sobre a palavra cancro; Conhecer o impacto do Amorim, C. M. B. F. (2011). Doença ondiagnóstico oncológico cológica da mama: Vivências de mulheres e da mastectomia na Sem mastectomizadas (Tese de Doutoramenmulher e o seu estado palavras-chave to). Recuperado de https://hdl.handle. atual após o desenrolar net/10216/7213 da doença, bem como, conhecer a perceção que a família tem acerca da sua doença

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Fabião, J. A. S. A. O. (2011). Mães adolescentes: Percursos de vida (Tese de Doutoramento). Recuperado de https:// hdl.handle.net/10216/9172

Compreender cada mãe adolescente com base nos significados por ela atribuídos à sua experiência de vida particular, as repercussões no seu projeto de vida, no seu percurso de vida, nas suas relações familiares e nas interações com os seus pares

Sem palavras-chave

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Teixeira, M. J. R. (2011). Necessidades de saúde em famílias com jovens adultos (Tese de Doutoramento). Recuperado de https://hdl.handle.net/10216/24593

Compreender, junto de estudantes do ensino superior a vivência das Sem palavras-chave suas famílias, para determinar as necessidades em saúde

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Pereira, H. J. A. R. (2011). Subitamente cuidadores informais: A experiência de transição para o papel de cuidador informal a partir de um evento inesperado (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle.net/10451/3916

Compreender o sentido da experiência vivida na transição para o papel de cuidador informal de um convivente significativo a partir de um evento súbito

Cuidadores informais; experiência vivida; fenomenologia-hermenêutica; enfermagem

Universidade de Lisboa

Pessoa com problemas de adição; tratamento; enfermagem; gestão de caso; experiência vivida

Universidade de Lisboa

Enfermeiros; experiência vivida de doença; fenomenologia; enfermagem

Universidade de Lisboa

Sem palavras-chave

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Família; informação; unidade de cuidados intensivos; experiência vivida; enfermagem

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Compreender a experiência vivida de ser cuidado por um enferLopes, J. M. O. (2012). Ser cuidado por meiro gestor de caso, da um enfermeiro gestor de caso: A experiência pessoa com problemas vivida da pessoa com problemas de adição de adição a substâncias (Tese de Doutoramento). Recuperado de psicoativas cliente da http://hdl.handle.net/10451/7296 equipa de tratamento do Instituto da Droga e da Toxicodependência Fernandes, I. M. R. (2012). Quando o enfermeiro se torna doente: Acedendo à experiência vivida (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle. net/10451/7423

Compreender o significado da experiência vivida de ser doente, na perspetiva individual e única do ser que cuida, na pessoa do enfermeiro

Coelho, J. C. Q. (2013). Sofrimento e espiritualidade da pessoa com esclerose múltipla (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle. net/10400.14/10570

Estudar a vivência do sofrimento e da espiritualidade das pessoas com esclerose múltipla assim como os meios que estas utilizam para lidar com a doença e sofrimento

Mendes, A. G. P. (2013). Desalojar o Desassossego que vive em si: A necessidade de informação da família na unidade de cuidados intensivos (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://bibliografia.bnportugal.gov.pt/bnp/bnp.exe/ registo?1919063

Conhecer na experiência vivida pela família da pessoa adulta na UCI o significado da informação

Nobre, C. F. C. (2014). A experiência da pessoa com dor crónica do foro oncológico: Um estudo fenomenológico (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl. handle.net/10400.14/14638

Compreender como é que a pessoa experiencia a dor crónica do foro oncológico

Dor crónica; doença oncológica; pessoa doente; enfermeiros

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Santiago, M. D. S. (2014). Vivência afetiva em enfermagem (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl. handle.net/10400.14/14960

Esclarecimento conceptual da questão da afetividade no comportamento humano na área da enfermagem

Afetividade humana; relações interpessoais; cuidados de enfermagem; ética em enfermagem

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

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Henriques, H. M. S. R. (2015). Experiência do autocuidado e identidade pessoal: Um estudo fenomenológico com pessoas idosas que vivem com doença pulmonar obstrutiva crónica (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl. handle.net/10400.14/18573

Compreender de que modo a pessoa idosa que vive com DPOC em sua casa é afetada pela experiência de autocuidado na sua identidade pessoal e perspetivar uma assistência de enfermagem holística congruente

Ramos, S. E. B. (2015). Perder um irmão até à adolescência: A experiência e o significado na vida adulta (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl. handle.net/10400.14/26057

Descrever a experiência de perder um irmão durante a infância e a adolescência, o seu significado para a vida adulta e identificar as implicações para assistência no âmbito da saúde, em particular para a enfermagem. Visando a compreensão da experiência vivida como foco de atenção para a saúde e para a enfermagem

Rebelo, M. T. S. (2015). O O regresso à vida quotidiana após experiência de uma situação-limite (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle. net/10451/18023

Compreender a experiência vivida do regresso à vida quotidiana nos adultos confrontados com uma situação-limite

Situação-limite; experiência vivida; Universidade de enfermagem; regres- Lisboa so à vida quotidiana

Pereira, P. S. (2015). O amor na relação terapêutica em enfermagem: Experiência vivida do enfermeiro de saúde mental (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle.net/10451/20503

Compreender a experiência vivida do amor pelos enfermeiros de saúde mental na relação terapêutica em enfermagem

Amor; relação terapêutica; enfermagem; enfermagem de saúde mental; fenomenologia da prática

Autocuidado; identidade pessoal; idoso; DPOC; fenomenologia; enfermagem

Criança; adolescente; luto; luto fraterno; enfermagem

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Universidade de Lisboa

Conhecer a estrutura significativa do conceito Lopes, F. M. B. A. (2016). O ambiente ambiente em enfermaEnfermagem; hospitalar nos cuidados de enfermagem gem e compreender o ambiente; gestão; (Tese de Doutoramento). Recuperado de fenómeno do ambiente pacientes http://hdl.handle.net/10400.14/20107 hospitalar nos cuidados de enfermagem

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Castro, C. M. C. S. P. (2016). O internamento numa unidade de cuidados intensivos: A experiência vivida da pessoa em situação crítica (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle. net/10400.14/21609

Universidade Católica Portuguesa – Instituto Ciências da Saúde

Explorar a experiência vivida da pessoa em situação crítica durante o internamento numa UCI

Pessoa em situação crítica; unidade de cuidados intensivos; fenomenologia; experiência vivida; enfermagem

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Rodrigues, S. M. C. (2016). Determinantes e vivências na transição para a parentalidade, em idade reprodutiva tardia, em mães pela primeira vez (Tese de Doutoramento). Recuperado de https:// hdl.handle.net/10216/100586

Compreender as vivências e os determinantes biopsicossociais que envolvem a maternidade em idade reprodutiva tardia em mães pela primeira vez

Gravidez tardia; maternidade tardia; transição para a maternidade e parentalidade; cuidados de enfermagem

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Magão, M. T. (2017). A esperança em ação: A experiência da esperança em pais de crianças com doença crónica (Tese de Doutoramento). Recuperado de https:// repositorio.ul.pt/handle/10451/40069

Compreender a experiência vivida da esperança por pais de crianças com doença crónica.

Esperança; doença crónica; pais; crianças; enfermagem; experiência vivida

Universidade de Lisboa

Baptista, R. C. N. (2017). Simulação de alta-fidelidade no ensino de enfermagem: Satisfação e ganhos percebidos pelos estudantes (Tese de Doutoramento). Recuperado de https://hdl.handle. net/10216/105288

Analisar as vivências dos estudantes de licenciatura em enfermagem face à participação em experiências clínicas simuladas com simulação de alta-fidelidade (SAF)

Simulação de alta-fidelidade; ensino de enfermagem; estudante; satisfação; ganhos

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Marques, M. A. A. (2018). Solitude e sofrimento em pessoas maiores de 80 anos. (Tese de Doutoramento). Recuperado de https://repositorio.ucp.pt/handle/10400.14/27702

Identificar as dimensões Pessoa maior de de solidão experienciada 80 anos; solitude; pelas pessoas maiores de sofrimento 80 anos que vivem sós

Universidade do Porto – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Henriques, C. M. G. (2018). Transição para o papel maternal: A experiência vivida de mulheres com problemas de adição a substâncias psicoativas (Tese de Doutoramento). Recuperado de http:// hdl.handle.net/10451/33134

Compreender a experiência vivida da transição para o papel maternal, de mulheres com problemas de adição a substâncias psicoativas, desde a gravidez ao primeiro ano de vida do filho.

Transição, maternidade, experiência vivida, adição, fenomenologia, enfermagem

Universidade de Lisboa

Sousa, M. F. A. (2018). Experiência vivida dos adolescentes com cardiopatia congénita: Uma abordagem fenomenológica (Tese de Doutoramento). Recuperado de http://hdl.handle.net/10451/36930

Compreender a experiência vivida dos adolescentes com cardiopatia congénita de acordo com as suas perspetivas e descrever a experiência vivida dos adolescentes com cardiopatia congénita.

Enfermagem; adolescente; cardiopatia Universidade de congénita; expeLisboa riência vivida

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Os participantes dos estudos são maioritariamente adultos (19-64 anos), correspondendo a 61,5% das teses, contudo sete teses têm participantes adultos e idosos (Amorim, 2011; Castro, 2016; Coelho, 2013; Lopes, 2016; Martins, 2004; Nobre, 2014; Pereira, 2011), duas teses têm participantes exclusivamente idosos (Henriques, 2015; Marques, 2018) e uma tese tem participantes adolescentes (Fabião, 2011). Relativamente ao número de participantes, esta oscila entre três participantes (Rebelo, 2015) e 92 participantes (Amorim, 2011), apresentando as seguintes medidas de tendência central: X=21, Mo=10; Me =16. Os participantes dos estudos são sobretudo clientes dos cuidados de enfermagem (85%), mas também enfermeiros (Fernandes, 2012; Pereira, 2015; Santiago, 2014) e ainda ambos, clientes e enfermeiros (Lopes, 2016). A área de cuidado de saúde da maioria das teses é referente a outra categoria, pois não se enquadram nas áreas de saúde definidas (Richards et al., 2018), apesar de se terem identificado teses na área de saúde reprodutiva (Fabião, 2011; Henriques, 2018; Mendes, 2009; Ramalho, 2009; Rodrigues, 2016), mental (Apóstolo,

2011; Lopes, 2012; Pereira, 2015), oncológica (Amorim, 2011; Nobre, 2014), neurológica (Coelho, 2013), congénita (Sousa, 2018) e respiratória (Henriques, 2015). O contexto de cuidados dos estudos predominante é o contexto hospitalar (42%), incluindo serviços de internamento, consultas externas e hospital de dia. No âmbito da comunidade identificaram-se seis teses (Henriques, 2015; Lopes, 2012; Marques, 2018; Mendes, 2009; Pereira, 2011; Ramos, 2015). De salientar, dentro dos outros contextos, a presença de dois estudos desenvolvidos em escolas superiores de enfermagem (Baptista, 2017; Teixeira, 2011). De forma a ilustrar as temáticas em estudo, intimamente relacionadas com a área de cuidados de saúde e o contexto, destas teses de abordagem metodológica fenomenológica construiu-se uma nuvem de palavras com as suas palavras-chave (Figura 1). A nuvem de palavras mostra a centralidade dos conceitos fenomenologia, enfermagem e experiência-vivida. Também os conceitos doença, cuidados, pessoa e maternidade possuem elevada expressão no universo das palavras-chave das teses de abordagem metodológica fenomenológica.

Figura 1. Nuvem de palavras com as palavras-chave das teses.

A presença da fenomenologia na investigação em enfermagem: mapeamento das teses de doutoramento em Portugal

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Numa análise mais detalhada das teses, tendo por base os objetivos dos estudos, os resultados mostram que mais de metade dos estudos (54%) define como objetivo o acesso à experiência vivida dos participantes (Castro, 2016; Fabião, 2011; Fernandes, 2012; Henriques, 2018; Lopes, 2012; Magão, 2017; Mendes, 2009; Mendes, 2014; Pereira, 2011; Pereira, 2015; Ramalho, 2009; Ramos, 2015; Rebelo, 2015; Sousa, 2018), o que se coaduna com os resultados da nuvem de palavras-chave em que o conceito experiência vivida é central. As teses de doutoramento analisadas enquadram-se em investigação primária de natureza qualitativa. No total das teses, identificaram-se ainda duas teses com recurso a estudos mistos, em que o estudo qualitativo usava uma abordagem metodológica fenomenológica (Amorim, 2011; Coelho, 2013). Assim como quatro teses

baseadas em multiestudos, em que o estudo fenomenológico era habitualmente o primeiro estudo (Apóstolo, 2011; Rodrigues, 2016) ou o segundo estudo (Baptista, 2017; Martins, 2004) de forma a aprofundar a compreensão do fenómeno numa fase inicial da investigação. A principal perspetiva filosófica dos estudos é a da fenomenologia interpretativa ou hermenêutica (Figura 2), com destaque para van Manen (Amorim, 2011; Mendes, 2014; Pereira, 2011; Pereira, 2015; Santiago, 2014; Sousa, 2018). Os estudos com uma abordagem fenomenológica descritiva utilizam sobretudo Giorgi (Baptista, 2017; Castro, 2016; Fernandes, 2012; Mendes, 2009; Ramalho, 2009; Rodrigues, 2016). A categoria outra (n = 7%) corresponde a teses, usando outras perspetivas fenomenológicas, tais como a fenomenologia existencial e transcendental.

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Figura 2. Distribuição dos métodos dos estudos fenomenológicos.

Os estudos fenomenológicos, presentes nas teses, são suportados nas tradições de diferentes perspetivas filosóficas de teóricos de diferentes escolas de fenomenologia.

(10%), sendo que a maioria destas teses de doutoramento foram realizadas nos últimos quatro anos, de 2014 a 2018. A análise realizada refere-se às teses identificadas pelos autores, contudo podem existir outras teses que não estejam disponíveis nos repositórios digitais. Ainda assim, importa referir que num estudo realizado no Brasil, entre 2003 e 2013, consultando teses de enfermagem, identificou-se apenas cerca de 2% de estudos fenomenológicos (Esquivel et al., 2016).

Discussão No universo das teses de doutoramento portuguesas, a presença de estudos de abordagem metodológica fenomenológica é reduzida

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Num estudo fenomenológico, comumente o número de participantes é reduzido, porque no processo de seleção dos participantes o investigador procura pessoas com características muito específicas (Chesnay, 2015), ou seja, pessoas que tenham experienciado um determinado fenómeno que interessa conhecer. A dimensão da amostra que mais se observa nestes estudos é a de 10 participantes, dado congruente e expectável face ao habitual reduzido número de participantes nos estudos fenomenológicos. Os participantes são maioritariamente adultos em consonância com os resultados do estudo de revisão europeia de artigos de investigação (Richards et al, 2018). Os achados do presente estudo demonstram também que o principal foco da investigação são os clientes de enfermagem, logo a investigação qualitativa de qualidade emerge como fonte de conhecimento socialmente significativo (Egry & Fonseca, 2016). A maioria das teses não se enquadra numa área de saúde específica, pois a maioria dos estudos centram-se em fenómenos associados à vivência do processo de saúde-doença, tais como o luto, a doença crónica, o internamento, a solitude e a transição para o papel de cuidador, não se cingindo a uma área de saúde específica. Contudo, dentro das áreas de saúde identificadas, a área de saúde reprodutiva é a mais emergente, associada a diversas transições que a pessoa e a família vivencia neste processo, o que se coaduna também com os resultados de outros estudos (Esquivel et al., 2016; Richards et al., 2018). O objetivo da fenomenologia é contribuir para uma maior compreensão da natureza e do significado da experiência vivida (van Manen, 2014), pelo que esta fase do ciclo de vida do indivíduo e da família está associada a vivências singulares, como a gravidez, o puerpério e a transição para a parentalidade. No âmbito das áreas de especialização em enfermagem, presentes em Portugal, existem teses que se enquadram na área de enfermagem médico-cirúrgica (Amorim, 2011; Castro, 2016; Coelho, 2013; Henriques, 2015; Mendes, 2014; Nobre, 2014), na área de enfermagem de saúde materna e obstétrica (Fabião, 2011; Henriques, 2018; Mendes, 2009; Ramalho, 2009; Rodrigues, 2016), na área de enfermagem de saúde mental e psiquiátrica (Apóstolo, 2011; Lopes, 2012; Pereira, 2015), na área de enfermagem de saúde infantil e pediátrica (Magão, 2017;

Ramos, 2015; Sousa, 2018) e na área de enfermagem comunitária (Marques, 2018; Pereira, 2011). A opção por esta reclassificação (Preto, Martins, Brás, Pimentel, & Fernández-Sola, 2015), permite a análise do predomínio da área de enfermagem médico-cirúrgica, contribuindo os estudos para a compreensão de fenómenos associados à vivência de adultos e idosos com doenças crónicas e incapacitantes, tais como processos de doenças degenerativas e oncológicas. O contexto prevalente é o hospitalar o que também está de acordo com os achados do estudo de revisão europeia de artigos (Richards et al., 2018), contudo destacamos a presença de dois estudos realizados em contexto académico (Baptista, 2017; Teixeira, 2011), sendo os participantes do estudo os estudantes de enfermagem. A realização de investigação fenomenológica em contexto formativo espelha o interesse do corpo docente em compreender melhor a experiência vivida dos estudantes no âmbito dos seus processos pedagógicos. O conceito de experiência vivida sendo central num estudo fenomenológico, surge nos objetivos da própria investigação (54%). Nos restantes 46%, a fenomenologia está presente essencialmente enquanto opção metodológica. Um dos aspetos que torna um estudo fenomenológico, na sua essência, é a articulação profunda na metodologia dos conceitos presentes no fenómeno que se pretende estudar (Norlyk & Harder, 2010). A perspetiva fenomenológica interpretativa ou hermenêutica também foi identificada como predominante noutro estudo (Esquivel et al., 2016). Os achados demonstram que dentro desta perspetiva van Manen é o autor mais mobilizado, contudo nesse estudo Heidegger foi o autor predominante dentro da perspetiva hermenêutica (Esquivel et al., 2016). A abordagem da fenomenologia descritiva e da hermenêutica são distintas e requerem do investigador o uso de umas lentes filosóficas específicas no seu caminho de investigação (Chesnay, 2015; Norlyk & Harder, 2010). A qualidade da investigação qualitativa em enfermagem é necessária no garante do rigor, credibilidade e valor humano da investigação científica (Egry & Fonseca, 2016). Logo, é crucial na investigação fenomenológica de excelência a clara explicitação da perspetiva filosófica adotada em articulação com o método fenomenológico usado pelos investigadores.

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A presença da abordagem fenomenológica em estudos mistos e multiestudos com abordagem fenomenológica foi surpreendente, correspondendo a cerca de um quarto do total das teses (23%), o que demonstra a inovação no âmbito da investigação em Portugal, usando a metodologia fenomenológica. Logo, deste estudo emerge uma maior compreensão das opções metodológicas dos investigadores face ao objetivo do estudo, permitindo rastrear um percurso académico na busca da experiência vivida.

nológica no âmbito da produção científica da licenciatura e mestrado em enfermagem e considerem os novos contextos de ação da enfermagem, dando também visibilidade à experiência vivida do enfermeiro. Referências bibliográficas Basto, M. L. (2016). State of science of qualitative nursing research in Portugal. In C. T. Beck (Ed.), Routledge International Handbook of Qualitative Nursing Research (pp. 514-526). London, UK: Routledge. Beck, C. T. (2016). Descriptive phenomenology. In C. T. Beck (Ed.), Routledge International Handbook of Qualitative Nursing Research (pp. 133-144). London, UK: Routledge. Chesnay, M. (2015). Nursing research using phenomenology: Qualitative designs and methods in nursing. New York, NY: Springer. Egry, E. Y., & Fonseca, R. M. (2016). Acerca da qualidade nas pesquisas qualitativas em enfermagem. In A. P. Costa (Ed.), Investigação qualitativa: Inovação, dilemas e desafios (4ª ed., vol. 2, pp. 75-102). Oliveira de Azeméis, Portugal: Ludomedia. Esquivel, D., Silva, G., Medeiros, M., Soares, N., Gomes, V., & Costa, S. (2016). Produção de estudos em enfermagem sob o referencial da fenomenologia. Revista Baiana de Enfermagem, 30(2), 1-10. doi:10.18471/ rbe.v30i2.15004 Husserl, E. (2008). A ideia da fenomenologia (3ª ed.). Lisboa, Portugal: Edições 70. Júnior, E., Medeiros, S., & Augusta, C. (2017). Análise documental: Uma metodologia de pesquisa para a ciência de informação. Revista Temática, 13(7), 138-150. doiI:10.22478/ufpb.1807-8931.2017v13n7.35383 Matua, G. A. (2015). Choosing phenomenology as a guiding philosophy for nursing research. Nurse Researcher, 22(4), 30-34. doi:10.7748/nr.22.4.30.e1325 Moxham, L., & Patterson, C. F. (2017). Why phenomenology is increasingly relevant to nurse researchers. Nurse Researcher, 25(3), 6-7. doi:10.7748/nr.25.3.6.s2 Munhall, P. L. (2016). Interpretative phenomenology. In C. T. Beck (Ed.), Routledge International Handbook of Qualitative Nursing Research (pp. 145-161). London, UK: Routledge. Nelms, T. (2015). Phenomenological philosophy and research. In M. Chesnay (Ed.), Nursing research using phenomenology: Qualitative design and methods in nursing. New York, NY: Springer Publishing Company. Norlyk, A., & Harder, I. (2010). What makes a phenomenological study phenomenological? An

Conclusão Os estudos fenomenológicos presentes nas teses de doutoramento em enfermagem em Portugal constituem ainda uma percentagem muito reduzida, 10% dos estudos, contudo a maioria destas teses foi realizada nos últimos anos, de 2014 a 2018. A principal limitação do presente estudo é que ao confinar a pesquisa às teses de doutoramento não permite uma análise abrangente no âmbito da restante produção de investigação científica de enfermagem. Em relação aos objetivos formulados, conclui-se que a maioria das teses tem como objetivo desocultar a experiência vivida de determinado fenómeno através, sobretudo, da fenomenologia interpretativa, recorrendo na sua maioria a participantes adultos e clientes de enfermagem, no contexto hospitalar e na área específica da enfermagem médico-cirúrgica. As teses analisadas dilatam o horizonte de fenómenos humanos como a solitude, a esperança, a situação-limite, o sofrimento, a espiritualidade, o respeito e o amor, pelo que uma maior atenção deve ser direcionada para estes estudos que têm implicações na prática diária dos cuidados. A sedimentação do saber produzido pelos estudos fenomenológicos nas teses de doutoramento em enfermagem, em Portugal, reside numa identidade reflexiva que requer ainda maturidade para ser moldada. A valorização do conhecimento produzido pela fenomenologia centra-se na singularidade da intervenção concreta do cuidado, que se desenvolve e aprofunda naquele contexto específico. Estudos, como o presente, potenciam ainda a discussão entre pares, abrindo os horizontes para os jovens investigadores em enfermagem, para que perspetivem a metodologia fenome-

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analysis of peer-reviewed empirical nursing studies. Qualitative Health Research, 20(3), 420-431. doi:10.1177/1049732309357435 Preto, L., Martins, M., Brás, M., Pimentel, M., & Fernández-Sola, C. (2015). Enfermagem portuguesa: Análise da produção e divulgação do conhecimento através de repositórios institucionais. Revista de Enfermagem Referência, 4(6), 35-43. doi:10.12707/RIV14071 Richards, D. A., Hanssen, T. A., & Borglin, G. (2018). The second triennial systematic literature review of European nursing research: Impact on patient outcome and implications for evidence-based practice.

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19049

A vivência no trânsito e as implicações na saúde dos motoristas de autocarros: estudo fenomenológico descritivo The experience in traffic and its effects on the health of bus drivers: a phenomenological descriptive study La experiencia en el tránsito y las implicaciones para la salud de los conductores de autobuses: estudio fenomenológico descriptivo Vanessa Carine Gil de Alcantara* ; Rose Mary Costa Rosa Andrade Silva** Dejanilton Melo da Silva**** ; Isadora Pinto Flores*****

; Eliane Ramos Pereira***

;

Resumo Enquadramento: O quotidiano do motorista de autocarros é dinâmico. Muitas variáveis o cercam: a habilidade na condução e de controlar os seus medos e o cumprimento correto do seu itinerário. As limitações e desafios vivenciados podem desencadear um processo de sofrimento psíquico. Objetivo: Descrever as perceções dos motoristas de autocarros acerca da vivência no trânsito e os possíveis efeitos do quotidiano da mobilidade urbana nos motoristas. Metodologia: Estudo descritivo fenomenológico, pautado no pensamento de Maurice Merleau-Ponty, realizado num terminal rodoviário de autocarros, no período de julho a dezembro de 2017. Entrevistaram-se 24 motoristas de autocarros através de perguntas abertas. Resultados: Emergiram duas categorias: O trânsito é uma caixa de surpresas e O equilíbrio psicológico é necessário. Conclusão: Dar voz a estes profissionais, trazendo à luz o que acarreta o seu sofrimento, e reconhecer as suas necessidades, contribuirá para a prevenção de doenças físicas e psicológicas, bem como de acidentes de trânsito. Os motoristas rodoviários carecem de melhores condições para poderem colocar a cidade em movimento diariamente. Palavras-chave: consciência; motoristas; trânsito; doenças profissionais; stress psicológico; pesquisa qualitativa

Abstract

Resumen

Background: The daily life of bus drivers is dynamic and influenced by many variables: their driving skills, their ability to overcome their fears, and their ability to follow an established itinerary. Bus drivers experience limitations and challenges that can trigger a process of psychological distress. Objective: To describe the perceptions of bus drivers about their experience in traffic and the possible effects of daily urban mobility on these drivers. Methodology: Descriptive, phenomenological study based on the work of Maurice Merleau-Ponty. It was conducted at a bus station between July and December 2017. Twenty-four bus drivers were interviewed using open-ended questions. Results: Two categories emerged: Traffic is a box full of surprises and Psychological balance is necessary. Conclusion: Giving a voice to these professionals, bringing to light what causes their suffering, and recognizing their needs will contribute to the prevention of physical and psychological disorders, as well as traffic accidents. Bus drivers need better conditions to set the city in motion on a daily basis. Keywords: conscience; drivers; traffic; occupational diseases; stress, psychological; qualitative research

Marco contextual: La vida diaria del conductor de autobús es dinámica. Existen muchas variables a su alrededor: su capacidad para conducir y controlar sus miedos y el correcto cumplimiento de su itinerario. Las limitaciones y los desafíos experimentados pueden desencadenar un proceso de sufrimiento psicológico. Objetivo: Describir las percepciones de los conductores de autobuses sobre la experiencia en el tránsito y los posibles efectos de la movilidad urbana diaria en los conductores. Metodología: Estudio descriptivo fenomenológico, basado en el pensamiento de Maurice Merleau-Ponty, realizado en una terminal de autobuses, de julio a diciembre de 2017. Se entrevistó a 24 conductores de autobús mediante preguntas abiertas. Resultados: Surgieron dos categorías: el tránsito es una caja de sorpresas y el equilibrio psicológico es necesario. Conclusión: Dar voz a estos profesionales, sacar a la luz las causas de sus sufrimientos y reconocer sus necesidades contribuirá a la prevención de las enfermedades físicas y psicológicas, así como de los accidentes de tráfico. Los conductores necesitan mejores condiciones para poder poner en marcha la ciudad a diario. Palabras clave: conciencia; conductores; tráfico; enfermedades profesionales; estrés psicológico; investigación cualitativa

*Lic., Psicóloga. Doutoranda em Ciências do Cuidado em Saúde, Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa, 24020-091, Niterói, Brasil [vanessagilpsicologa@hotmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-8508-0163. Contribuição no artigo: OŒObœQEYœ±„b¼Vœb´¦Á´8FF†t±9oO8VO†|b¼8b8Œ9†´bYbY8Y´VY´OÁ´´EV±bY8QE do artigo. Morada para correspondência: Rua Doutor Celestino, 74, 6° andar, Centro, Niterói, 24020-091, Rio de Janeiro, Brasil. **Ph.D., Enfermeira, Professora Associada, Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa, 24020-091, Niterói RJ, Brasil [roserosauff@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-4310-8711. Contribuição no artigo: concepção do projeto, discussão, redação do artigo. ***Ph.D., Enfermeira, Professora Associada, Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa, 24020-091, Niterói RJ, Brasil [elianeramos.uff@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-6381-3979. Contribuição no artigo: discussão e redação do artigo. ****Ph.D., Enfermeiro, Professor, Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermagem Aurora Afonso Costa, 24020-091, Niterói RJ, Brasil [demedasi0@gmail.com]. |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎÎÀ~ÎgÎÎ~½¸pg¡ Œ¼±FÁQE Œ 8±¼tU œb´¦Á´8 FF†t±9oO8V discussão, normalização e redação do artigo. *****MSc., Psicóloga, Professor, Universidade Federal Fluminense, Escola de Enfermatb‰ ÏÁ±±8 ÏnŒ´ ´¼8V ÀsÎÀÎ~΍—V ¼b±‘ *V ±8´† K´8Y±8q±b´DÁ¼†…¡O‰L¡ |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎÎÀ~psÀ~¸·À4¡ Œ¼±FÁQEŒ8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8V discussão e redação do artigo. Revista de Enfermagem Referência

Recebido para publicação em: 30.07.19 Aceite para publicação em: 18.11.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

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Introdução

Face ao exposto, esta pesquisa objetivou descrever as percepções dos motoristas de autocarros quanto à vivência no trânsito e os possíveis efeitos do quotidiano da profissão nos motoristas.

A atividade do motorista de autocarros acontece na realidade do trânsito: um espaço dinâmico e sistemático, que requer atenção difusa e cuidado. Esta profissão é universal, presente em diversas culturas. Nesta profissão, o trabalhador está exposto a variáveis que influenciam positiva ou negativamente a sua jornada de trabalho: vibrações sonoras agudas; vírus; temperaturas elevadas; privação alimentar; e à possibilidade de acidentes. O ambiente, por vezes, acaba por se tornar insalubre. Contudo, a principal exposição ocorre nas relações interpessoais, que acontecem com os colegas de trabalho, a organização e os passageiros. O desgaste e stress resultantes deste trabalho podem alterar a saúde do profissional, tanto a nível físico e biológico quanto psíquico (Rajeshwar, Rajalakshmi, Nitin, & Umadevi, 2016). A saúde do trabalhador envolve, portanto, uma gama de dimensões, que passam pela questão do seu próprio corpo e, por isso, são muitos os aspetos relacionados com a sua vida em sociedade, família e autocuidado (Silva et al., 2019). Neste caminho, é imprescindível, para o desenvolvimento e evolução preventiva da saúde do trabalhador, considerar a subjetividade e as relações interpessoais. Destarte, as equipas de saúde e enfermagem do trabalho podem intervir com práticas educativas de prevenção a danos na saúde. O trabalho em transportes coletivos é desgastante (Alcantara, Silva, Pereira, & Silva, 2016), visto que as exigências do trabalho são uma ameaça para o próprio trabalhador. Fatores externos ao profissional podem ser ajustados para promover uma maior satisfação ao motorista. Desconsiderar esta situação quotidiana inviabiliza a promoção de condições favoráveis ao trabalho dentro dos autocarros, além de causar o desgaste físico e mental (Martins, Lopes, & Farina, 2014). O setor de transporte de passageiros carece de práticas que visam a qualidade de vida e incentivos aos motoristas. Propiciar melhores condições de trabalho, infraestruturas como maior conforto nos bancos para os motoristas, climatização dos autocarros na cabine de direção, bem como incentivos salariais são diferenciais para superar o quotidiano do trânsito. É necessário o resgate da valorização profissional, caminho para a superação do stress.

Enquadramento Segundo dados da World Health Organization (WHO), o Brasil é o terceiro país na lista do trânsito que mais mata no mundo (WHO, 2013). Acidentes rodoviários são a principal causa de morte, lesão e internamento, resultando em altos custos económicos e sociais. A maioria (52%) das pessoas mortas no tráfego são usuários rodoviários vulneráveis – peões, motociclistas e ciclistas. Para remediar este facto, o Brasil tem avançado na construção de medidas preventivas e investido em campanhas de consciencialização acerca de práticas importantes para viagens seguras, como não falar ao telemóvel enquanto se conduz; uso regular do cinto de segurança; respeito da faixa de peões; respeito de faixas exclusivas, sejam de transportes coletivos ou ciclovias; entre outras. No contexto do motorista de autocarros, a carga horária de trabalho em alguns países do mundo pode chegar a 56 horas semanais, o que pode ocasionar um número mais elevado de acidentes devido a esforço agudo. A Índia lidera no ranking de mortes no trânsito, e existem inúmeros estudos que evidenciam os impactos causados pelo trabalho, com avaliações do estado de saúde de motoristas de autocarros através de exames, levando a diagnósticos de problemas de digestão, de visão, dores nas costas e irritação auditiva, além dos efeitos gerados pela poluição (Rajeshwar et al., 2016). Assim, entende-se que a dinâmica do trânsito urbano contribui para o aumento do cansaço e, também, do stress. Considera-se relevante destacar a carga horária do motorista no Brasil, país de origem do presente estudo, a qual é de 42 horas semanais. O stress é um fator notadamente desfavorável aos motoristas de autocarros, uma vez que acabam por reforçar o sentimento de insatisfação para com a profissão. Além deste, o desrespeito pela ergonomia necessária para a realização do trabalho altera as dimensões cognitivas e fisiológicas, ocasionando problemas diversos (Martins et al., 2014). A implementação de melhorias ergonómicas e o acolhimento às necessidades dos motoristas de autocarros são o início da

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valorização que esta classe trabalhadora tanto almeja. O seu quotidiano é dinâmico, e muitas variáveis o cercam: a habilidade na condução e de controlar os seus receios e, também, o cumprimento correto do itinerário. Neste contexto, estes profissionais prestam o serviço de transportar a população para diversos locais, seja de casa para o trabalho, para algum compromisso e vice-versa, somando, assim, mais uma variável de peso: o transporte seguro e responsável de vidas. Este dinamismo deveria ser refletido, do mesmo modo, em medidas de cuidado a estes profissionais. As limitações vivenciadas por estes, geralmente, não são consideradas pelas empresas onde trabalham, e o processo de sofrimento psíquico é negligenciado tanto pelo profissional quanto pela lógica organizacional. Este sofrimento psíquico pode ser silencioso ou invisível, embora também possa eclodir de forma aguda por desencadeamento do contexto da atividade de conduzir. O stress torna-se excessivo devido ao longo período de permanência nesse estado, provocando desgastes físicos e psíquicos ao organismo, passando a ser disfuncional (Matos, Moraes, & Pereira, 2015). Internamente, os profissionais necessitam de procurar recursos psíquicos para não influenciarem, negativamente, a mobilidade urbana. A identificação, descrição e análise das queixas dos motoristas – afetados pelos factos do dia-a-dia – contribui para a disseminação das urgências vivenciadas por estes: a regulação dos assentos, a instalação de ar condicionado nos autocarros, a flexibilização da escala de trabalho, a hidratação correta e arejamento do autocarro nos dias quentes e o aquecimento do corpo para os dias frios, são algumas medidas simples, mas que fazem a diferença no trabalho do motorista, em qualquer parte do mundo (Ismail, Abdullah, Abdullah, & Deros, 2015). Na visão organizacional, o motorista de autocarros é condutor da máquina que conduz. Todavia, há necessidade de consideração dos processos físicos e psicológicos em questão no trabalho diário. O mundo profissional insere, assim, uma terceira responsabilidade: o cuidado ao motorista. Para alcançar um cuidado amplo a esse referido trabalhador, é necessário olhar e conhecer, também, o que há de interno nele: a sua subjetividade. Assim, procura-se trazer o invisível à luz. O conhecimento transcende o físico; o corpo não detém o vivido, não o comporta; o corpo é mais

do que reações físicas, nervos e ossos. O visível é o que se apreende com os olhos; o sensível é o que se apreende sentindo (Merleau-Ponty, 2014). A incidência de dores na coluna, nos membros inferiores, dentre tantos outros, permite-nos pensar em melhorias no atendimento aos motoristas, o setor de enfermagem no trabalho deve ser responsável pela operacionalização da prática de atendimento na empresa. Assim, deve-se implementar a educação em saúde, incentivando motoristas de autocarros a procurar cuidar de si e superar o receio do homem de procurar atendimento médico, por exemplo.

Questões de Investigação/Hipóteses Quais são as perceções dos motoristas de autocarros na vivência do trânsito, e quais as suas implicações para a saúde?

Metodologia Este estudo é de abordagem qualitativa descritiva e o referencial é a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty. A pesquisa fenomenológica aproxima o histórico social do corporal e dos significados. Este referencial inovou o campo dos estudos do fenómeno e perceção ao considerar a perceção como conhecimento do corpo em si mesmo, anterior ao saber reflexivo (Carel & Meacham, 2013). Portanto, a corporeidade detém a consciência e, nela, a perceção situa o corpo no mundo (Silva, 2017). A escolha por este referencial metodológico deu-se pela liberdade de compreensão quanto à subjetividade envolvida na proposta deste trabalho. A fenomenologia assume outro lugar, onde o humano passa a ser considerado não somente como um uno, mas como um ser social, um ser em relação com o outro e com o mundo (Merleau-Ponty, 2014). Os pesquisadores fenomenológicos questionam: “Qual a essência desse fenómeno? Como é experimentado por essas pessoas? O que significa?”. A essência é o que faz um fenómeno ser o que é; sem ela, o fenómeno não seria o que é. A entrevista fenomenológica com perguntas abertas é a escuta que toca profundamente o corpo/espírito de outrem através de um silêncio persistente

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(Merleau-Ponty, como citado por Silva, 2017). O referencial fenomenológico permite ao investigador despir-se dos seus pré-conceitos e pré-conhecimento para, junto com o entrevistado, compreender o fenómeno a ser estudado, e compreendê-lo a partir do olhar do outro. É possível compreender o significado do fenómeno, da vivência, na entrevista fenomenológica (Giorgi, 2006). A questão norteadora foi: Como vivencia o trânsito? Nessa modalidade de entrevista, o início dá-se a partir de uma questão que serve como guia no processo de colheita de dados, possibilitando respostas abertas (Dale, 1996). A entrevista fenomenológica é um método de investigação que permite o livre discurso, considera as simbolizações do discurso, tornando-se uma ferramenta de riqueza de detalhes e, uma vez que no trânsito estão em ação inúmeros sentimentos e emoções e é muito dinâmico, através da fala dos participantes, rica em sentido, foi possível traduzir essas vivências, esses sentidos que estão constantemente latentes e muitas vezes sem condições de serem compartilhados, dada a rotina desgastante e apressada destes profissionais. Este estudo tem a aprovação da Comissão de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Faculdade de Medicina, com parecer número 2.131.165, em 21 de junho de 2017, sob o CAAE: 64110016.2.0000.5243. Foram seguidas as especificações éticas e legais da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. As entrevistas aconteceram no terminal rodoviário de autocarros. A inclusão dos participantes deu-se pela técnica snowball, na qual um entrevistado comunica ao outro sobre a investigação e, assim, como uma bola de neve, o número de entrevistados cresce (Vinuto, 2014). O motorista era convidado a conhecer o estudo, e era feita a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Após aceite e assinado o TCLE, iniciava-se a entrevista na sala privativa do departamento de recursos humanos na empresa de autocarros. Cabe ressaltar que a pesquisa foi realizada com os motoristas que chegavam à garagem para encerrar a sua jornada diária de trabalho. Portanto, não foram contemplados todos os motoristas de autocarros ativos na garagem. O tempo médio de duração das entrevistas foi de 60 minutos, com a autorização dos participantes para o uso de gravador de áudio mp3. Foram

feitas 24 entrevistas, não havendo perda amostral, pois, à medida que os motoristas conheciam os objetivos do estudo, dispunham-se a participar. Os critérios de inclusão da pesquisa foram participantes com mais de dois anos de profissão, que possuíssem mais de dois cursos de aprimoramento na função de motorista e que não tivessem estado afastados do trabalho por mais de cinco anos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Os critérios de exclusão foram motoristas que exerciam outra atividade remunerada e aqueles que, por algum motivo, não queriam participar. A análise dos dados na investigação fenomenológica obedece quatro passos: o primeiro envolve a leitura criteriosa das transcrições da entrevista gravada dos participantes da investigação, conservando a linguagem do sujeito; neste segundo passo é possível entender que as declarações dos participantes se reúnem para descrever as suas experiências e são semelhantes às dos demais participantes; o terceiro passo requer a transformação da linguagem do participante em linguagem científica, mantendo a ênfase do fenómeno descrito; o último passo é a síntese e associação das unidades de significados, chegando ao núcleo do significado do fenómeno (Giorgi, 2006). O anonimato dos motoristas foi mantido, e a sua identificação foi dada pela sigla PTC, que significa profissional do transporte coletivo, somado a um número arábico que correspondeu à organização da investigadora, garantindo a pronta identificação por parte, apenas, da investigadora. Foram selecionados excertos da transcrição das entrevistas considerados essenciais ao desvelamento dos objetivos propostos. Utilizou-se a compreensão fenomenológica para que os resultados fossem apresentados por unidades de significação, agrupados pelo conteúdo destacado dos relatos dos sujeitos e analisados com base em estudos sobre o tema, garantindo a singularidade das vivências, subsidiados por conceitos do pensamento fenomenológico (Hilkner, Beck, Tanaka, & Dini, 2019).

Resultados Os participantes, na sua maioria, são homens, somando 22, no total, e duas mulheres. A média de idade foi de 41,6 anos. Todos os participantes apresentaram mais de dois cursos na área dos

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transportes. Oito motoristas relataram problemas na coluna vertebral e constantes dores lombares; 12 motoristas referiram sentir dores de cabeça diariamente; um motorista destacou as dores nas pernas como uma alteração na sua saúde, e outros quatro não relataram problemas de saúde. Todos os entrevistados relataram o uso de analgésicos e anti-inflamatórios pelo menos em 1dia da semana, além da medicação que a maioria já faz uso nos tratamentos de saúde. Nenhum motorista de autocarros faz terapia com psicólogo, e a principal justificativa é a rotina de trabalho semanal. O tempo médio na profissão foi de 10 anos, e seis motoristas trabalham em linhas de autocarros municipais, enquanto 18 motoristas percorrem distâncias maiores nas linhas intermunicipais. Dezanove motoristas destacaram como aspeto incómodo no dia-a-dia o próprio trânsito. As categorias que emergiram foram O trânsito é uma caixa de surpresas, o que expressa a imprevisibilidade quotidiana no contexto de trabalho dos motoristas de autocarros, e a segunda categoria foi O equilíbrio psicológico é necessário, sendo a constante busca pela paciência imprescindível ao trabalho, como um exercício de resistência às adversidades na direção e na relação com os demais motoristas e passageiros. Os motoristas descreveram episódios diários no exercício da sua profissão, especialmente a dificuldade dos demais, de diferentes veículos, para lidar com os autocarros no trânsito, e como o corpo deles reage ao dia-a-dia. Na Categoria 1 destacam-se os seguintes relatos: “tem dia que é bom e tem dia que é totalmente horrível. Dá vontade de você largar tudo e ir pra sua casa e relaxar” (PTC 1, julho de 2017); “o trânsito tem algumas coisas que podiam mudar. Não fazem não eu não sei por quê. Cada dia é um dia, é uma caixa de surpresa, nada me surpreende mais” (PTC 2, julho de 2017); “tem que se acostumar com aquilo ali, né, porque o trânsito não é fácil, não. Não é fácil, mas . . . Peço a proteção de Deus, vai embora . . .” (PTC 6, julho de 2017); “trânsito, é normal, quando eu entrei eu sabia o que eu iria enfrentar, eu procuro fazer o máximo de modo tranquilo” (PTC12, agosto de 2017); “não pode prever, uma hora você está tranquila em outra as pessoas fazem coisas que não devem, as vezes tenho dificuldades no trânsito as pessoas estão displicentes não tem cuidado com a vida, com os pedestres” (PTC

14, agosto de 2017). Na Categoria 2 destacam-se os seguintes relatos: “hoje em dia, se você não tiver uma calma, uma paciência, né, na rua, é complicadíssimo” (PTC 3, julho de 2017); É meio complicado, muito carro na pista e os motoristas estão mal-educados, você pede passagem, eles não dão, jogam o carro em cima, xingam. Então, você tem que tentar manter a calma, o que não é fácil. O ser humano poderia ter um pouco mais de educação. Tenho muita dor na cabeça. Eu fico muito nervoso (PTC 4, julho de 2017); o estresse é muito grande. O dia a dia do motorista é sempre uma experiência nova. O estresse vem de nós. Não termos um tempo para gente . . . No fim, o motorista, se ele não cuidar do lado mental, se ele não tiver uma higiene mental, ele acaba infartando, porque é muito complicado. Eu sinto muitas dores de cabeça e no corpo. (PTC 05, julho de 2017); eu trabalho com dores na coluna. É a posição do banco. Eu comparo o trânsito com a vida: eu acho que a nossa vida tem momentos de muitas alegrias, e têm momentos difíceis. Nossa vida é uma via, e quando chegar ao final, eu vou fazer a manobra e vou voltar, e botar a minha cabeça no lugar. (PTC 07, julho de 2017); “Minha vivência no trânsito é muito estressante, principalmente nos horários de pico, todo mundo querendo chegar no seu trabalho, todo mundo atrasado, a falta de educação, um querendo passar na frente do outro” (PTC 8, agosto de 2017); Se você acender, piscar um farol, buzinar pra ele, manda passar por cima. E aí, a gente segura, liga o alerta pra dizer que o carro está lá na frente, vai lá na frente. Ligo o alerta, eu tento sair dele pra ir embora. (PTC 9, agosto de 2017); “Por você ser um profissional você tem que ceder, se você bater independente de estar certo ou estar errado eu procuro ser o mais paciente possível, é aí que vem o estresse” (PTC 10, agosto de 2017); “O trânsito é caótico acho que os motoristas têm a pior qualidade na condição de trabalho” (PTC11, agosto de 2017); “Eu procuro ter paciência, porque o trânsito hoje em dia está muito estressante, e eu falo com certeza que eu digo trânsito para mim é desde a hora

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Discussão

que eu levanto, até a hora de dormir, porque é movimento” (PTC 13, agosto de 2017); “eu procuro fazer o máximo de modo tranquilo, mas tem dias que a gente está mal, problema familiar, triste, estressado, mas eu procuro fazer as coisas sempre dentro do eixo, tudo certinho” (PTC 15, setembro de 2017); “eu faço o possível para fazer o horário, mas se não der, tudo bem” (PTC 16, setembro de 2017); Tudo parado não tem opção, é uma realidade muito difícil o meu segredo é a paciência, eu fico contando no dedo um-dois-três-quatrocinco, volta de novo porque senão você faz besteira, não vai resolver ficar nervoso, vai ter um infarto ali, não vai adiantar nada. (PTC 17, outubro de 2017); “é só trabalhar com amor que o trânsito não vai te estressar” (PTC 18 outubro de 2017); “tem gente que já acorda estressada e desconta na gente que está no volante. Me incomoda a falta educação nos passageiros” (PTC19 outubro de 2017); “às vezes, eu vejo que (risada) o trânsito, ele é violento. Então, a gente tem que, tem que . . . Desacelerar” (PTC 20, novembro de 2017); “eu me incomodo com a falta de educação dos passageiros. O tratamento deles não é bom, deixa meu dia ruim” (PTC 21, novembro de 2017); “ah, tem clientes que me tratam com ignorância. Falta respeito e educação” (PTC 22, dezembro de 2017); “tenho até tristeza em falar. Os passageiros nos tratam muito mal” (PTC 23, dezembro de 2017); “as vezes o acidente acontece pelo apavoramento do motorista, sempre tem que manter a calma, entendeu? Gosto de olhar para trás e ver os passageiros dormindo, porque eu sinto que eles confiam em mim” (PTC 24, dezembro de 2017). O comportamento dos demais condutores apareceu como um aspeto stressante para estes motoristas. O trânsito e as condições dos assentos do autocarros são fonte de desgaste e dores para o corpo. O stress é um agravante para a insatisfação do motorista com a sua profissão. O desrespeito à ergonomia altera as dimensões cognitivas e fisiológicas do trabalhador. A busca pela paciência é um movimento interno constante dos motoristas participantes. A experiência ensinou-lhes que as consequências para a saúde mental podem ser um preço muito alto resultante da profissão.

O mal-estar gerado no interior do coletivo pode influenciar negativamente todo o dia de trabalho do motorista. O trabalhador continua a conduzir mesmo após o destrato dos passageiros. Os desajustes nas relações interpessoais do trabalho fragilizam o corpo do motorista, que pode somatizar o conflito. O trabalhador não dispõe de poder de decisão sobre quem entra no seu ambiente de trabalho (o autocarro), ficando vulnerável ao humor dos passageiros. A tarefa, frequentemente, não leva em conta as particularidades dos operadores (Quirino & Villemor-Amaral, 2015). Elas precisam de ser realizadas mecanicamente, desconsiderando muitas vezes o estado emocional do motorista. O desgaste mental está no cerne dos riscos à saúde. A perda de concentração, o aumento da agressividade, o choque com a realidade externa do motorista e a dificuldade interpessoal gerada pela falta de respeito dos colegas afetam a saúde do profissional. As exigências internas das empresas causam stress nos profissionais. O tempo de profissão está relacionado com o aparecimento de stress, a perda do senso de humor, o mal-estar generalizado sem razão específica e o cansaço constante. Sobre a situação dos trabalhadores rodoviários, destacamos a dos motoristas, eles não trabalham num local fixo: a sua jornada de trabalho é realizada nas agitações do trânsito, além de não terem poder de decisão sobre quem frequenta a sua ferramenta de trabalho. Nos autocarros, a relação interpessoal com os clientes é necessária, porém é fonte de stress e sintomas no profissional. Conduzir um transporte coletivo é, ao mesmo tempo, uma atividade individual e coletiva – a razão do serviço prestado é transportar os clientes, porém, são inevitáveis os conflitos na seguinte relação: motorista-cliente. Esta traz reflexos na saúde. A saúde humana tem vindo a apresentar alterações pela forma como o processo de globalização e reestruturação produtiva se tem vindo a desenvolver, definindo o processo saúde-doença da população produtiva (Minayo, 2002). As transformações que ocorrem nas esferas económicas, políticas, sociais e técnicas, presentes no trabalho, exercem forte domínio sobre a saúde dos trabalhadores. Quanto mais um ambiente se tornar desumano, mais difícil será manter a

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sobrevivência dos sujeitos que interagem neste espaço. O cuidado é entendido como um modo de ser; sem o cuidado, deixa-se de ser humano. Esta é a fundamentação que se atribui ao tema em análise, de cunho filosófico; assim, a afirmação de que o cuidado é o que confere a condição de humanidade às pessoas é uma afirmação lógica. A enfermagem é a arte de cuidar (Polit & Beck, 2011). A cura, muitas vezes, não é a consequência do cuidado, mas é sinónimo de compreensão da dor, da experiência do outro. O cuidado vivenciado na prática de enfermagem desvela o outro lado da profissão, o lado empático do que percebe e do que é percebido. Para cuidar, é necessário conhecer, e é neste campo técnico-científico que o encontro entre motorista e enfermeiro perpassa o fazer de ambas as profissões, visto que o motivo para consulta de enfermagem, no setor clínico da organização, transborda o sentido do sintoma ou da linguagem, na medida em que esse profissional (enfermeiro) considera o motorista como sujeito investido de um corpo que pensa e padece pela vivência de angústias e perigos do trânsito. O enfermeiro poderá ser reconhecido pela capacidade de compreender a necessidade de atendimento e construir o encontro humanizado com qualificação na escuta e parceria colaborativa com o motorista de autocarros. Neste contexto, os recursos humanos, representados pelos setores de psicologia nas organizações, não se responsabilizam apenas pela admissão e demissão de motoristas de autocarros e demais funcionários, mas configuram um espaço de atendimento às necessidades dos mesmos, demandas estas que vão desde um desabafo a traumas vivenciados na atividade laboral. O fenómeno de conduzir pode ser percebido fora da mobilidade urbana. O mundo e o corpo do motorista de autocarros é afetado pelas condições de trabalho e pelo stress (Martins et al., 2014). A busca pelo equilíbrio entre as demandas laborais e psicológicas é um exercício diário para o psiquismo dos motoristas de autocarros. Estes, esforçam-se para manter o controlo das suas emoções a fim de não prejudicarem o serviço e o convívio com os passageiros, e concluírem o dia de trabalho positivamente (Zamboni & Barros, 2016). A escala de trabalho destes profissionais pode variar de acordo com a necessidade da empresa. A atividade acaba por exigir dedicação

exclusiva, sendo muitas vezes a única fonte de rendimento deste trabalhador. A perceção é a porta de entrada do mundo na consciência. É a partir dela que o sujeito tem revelados para si os factos e fenómenos. Ela é singular e, assim, cada um possui a sua, em perspetiva. Na perceção, tem-se um fenómeno existencial. A vida não se resume nas explicações científicas, a perceção vivenciada também deve ser valorizada. O objeto percebido pode ser uma referência para o corpo. Após o sentir, o novo pensamento deverá ser entendido; a reflexão estará segura de ter encontrado o centro do fenómeno se ela for igualmente capaz de esclarecer a sua inerência vital e sua intenção racional (Merleau-Ponty, 2014). Desta forma, o objeto trânsito é vivenciado de forma particular por cada um dos seus componentes, e aqui coloca-se em destaque a participação dos motoristas de autocarros. Na perceção há uma pluralidade de reflexões, lembranças, esquecimentos, silêncios e vozes. Essa referida pluralidade existe não apenas entre dois sujeitos, mas até mesmo em um, apenas: o mesmo ser humano pode perceber um mesmo fenómeno de formas distintas; pois ele e tudo que o forma estão sujeitos à subjetividade, à temporalidade e à forma de ser e estar no mundo em que se encontra (Merleau-Ponty, 2014). O olhar do sujeito não é a apenas a consequência de luzes refletidas na córnea; o olhar em fenomenologia é revisitar o mundo, é sentido de um comportamento. Nada é mais difícil do que saber, ao certo, o que se vê a conduzir a própria consciência. Ela percebe o mundo, percebe além da visão, busca compreender o sentido das experiências, das emoções (Silva, 2017). A consciência humana transcende a localização neurológica; ela é dinâmica, adapta-se ao que conhece. O fenómeno consciência apresenta-se refletido no pensamento que se transforma em ato. Podemos existir além da perceção: se é corpo, se é parte do mundo, se é o sentir, se é o olhar (Merleau-Ponty, 2014). O olhar fenomenológico está implicado à consciência imediata sobre o que é percebido, sobre o fenómeno, sobre o mundo, sobre o corpo fenómeno, por exemplo, que é o próprio sujeito, uma interação de estar-no-mundo. No âmbito da saúde, as contribuições da fenomenologia estão relacionadas com o cuidar-pesquisar-cuidar; é necessário considerar o sujeito e a sua fala nas

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experiências vividas por ele próprio. As variáveis que intervêm no quotidiano do motorista de autocarros, incluindo as relações interpessoais problemáticas, as cobranças organizacionais e, não se pode ignorar, as cobranças do si mesmo, são geradoras de stress e alterações na saúde. O sofrimento no trabalho é realidade, e é necessário resgatar o trabalhador, motivando-o a seguir adiante e provendo um ambiente laboral salubre e satisfatório (Alcantara et al., 2016). É imperativo ter em conta a singularidade de cada indivíduo, porque a sua subjetividade é uma manifestação do viver total, mas também é preciso saber que a experiência e a vivência de uma pessoa ocorrem no âmbito social e são contextualizadas e envolvidas pela cultura do grupo em que ela se insere. A limitação deste estudo correspondeu ao seu próprio ineditismo: as pesquisas fenomenológicas na saúde ainda são escassas, principalmente ao tratar-se de saúde do trabalhador. Este é o primeiro trabalho de tese que aborda a temática do motorista de autocarros com bases na metodologia fenomenológica. As pesquisas que envolvem a saúde do trabalhador utilizam, na sua maioria, métodos quantitativos que expressam a incidência de doenças, entre outras variáveis. Sendo a perceção um constructo base da Fenomenologia, a proposta desta investigação é interpretar segundo as perceções dos trabalhadores, a partir da vivência neste contexto de trabalho, a forma como os afeta a nível físico e emocional. A fim de superar esta limitação, buscou-se transformar em linguagem fenomenológica as percepções dos trabalhadores de transportes coletivos. A fenomenologia, com a sua sensibilidade filosófica, prioriza o sujeito como humano, considerando todo o seu contexto de vida.

saúde do motorista de autocarros. Destaca-se a necessidade de o próprio trabalhador ter um olhar sensível para a sua saúde, procurando ajuda não apenas para o corpo físico, que manifesta sintomas que influenciam a força para o trabalho, mas, também, para o corpo psíquico. Sem a presença da saúde mental, torna-se inviável estar no mundo do trabalho e realizar o transporte de vidas com responsabilidade e segurança. Ressalta-se que o governo deve procurar melhorar as vias de trânsito, bem como facitiliar o acesso à saúde e implementar melhores condições de trabalho no que toca a políticas públicas de atenção aos profissionais dos transportes. As ciências da saúde possuem protagonismo no cuidado aos motoristas de autocarros, pois é necessária a preservação do corpo como parte do processo de trabalho e a alteração da lógica organizacional, que prioriza a produção e descuida do trabalhador. Destarte, considera-se que mais investigações com motoristas de autocarros no papel de protagonistas são necessárias para que haja superaração da sua invisibilidade nas cidades e no seu contexto urbano. Dar voz a estes profissionais, trazendo à luz o que acarreta o seu sofrimento, e reconhecer as suas necessidades, contribuirá para a prevenção de doenças físicas e psicológicas, bem como de acidentes de trânsito. Financiamento Esta pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ. Referências bibliográficas Alcantara, V. C., Silva, R. M., Pereira, E. R., & Silva, M. A. (2016). A qualidade de vida para motoristas de autocarros: Entre a saúde e o trabalho. Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental, (spe. 4), 101106. doi:10.19131/rpesm.0148 Carel, H., & Meacham, D. (2013). Phenomenology and naturalism: Examining the relationship between human experience and nature. New York, NY: Cambridge University Press. Dale, G. A. (1996). Existential phenomenology: Emphasizing the experience of the athlete in sport psychology research. The Sport Psychologist, 10(4), 307-321. doi: 10.1123/tsp.10.4.307 Giorgi, A. (2006). Difficulties encountered in the ap-

Conclusão Os efeitos negativos do trabalho em transportes coletivos, seja pelas surpresas que ocorrem no dia-a-dia, ou pelo stress gerado pelos relacionamentos interpessoais com colegas de profissão ou passageiros, colocam em questão a mobilidade urbana, apontando para a importância do envolvimento das empresas de autocarros em fornecer condições favoráveis para a prática da atividade laboral, como um ambiente adequado e, também, ações que promovam a

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19077

Avaliação familiar e processo de enfermagem: programa de desenvolvimento de competências Family assessment and nursing process: skills and knowledge development program Evaluación familiar y proceso de enfermería: programa de desarrollo de competencias Carolina Miguel Graça Henriques*

; Eva João de Jesus Santos**

Resumo Enquadramento: Na abordagem família é fundamental o enfermeiro deter ferramentas. O Modelo de Calgary de Avaliação Familiar (MCAF), é um instrumento importante na prática de enfermagem familiar. Objetivos: Conhecer a importância atribuída à família pelos enfermeiros que integram uma unidade de saúde familiar (USF) da Região Centro de Portugal; Identificar os conhecimentos dos enfermeiros sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF; Avaliar o impacto da aplicação de um programa intervenção envolvendo conhecimentos e competências sobre avaliação familiar pelo MCAF nos profissionais de enfermagem. Metodologia: Estudo longitudinal com 8 enfermeiros, do tipo quase experimental, realizado em dois momentos de recolha de dados, desenho do tipo pré e pós teste, sem grupo de controlo. A amostra, selecionou-se pelo método não probabilístico/acidental/conveniência. Resultados: Os enfermeiros têm atitudes de suporte à família. Existem diferenças estatísticas significativas, de conhecimentos e competências, na avaliação familiar pelo MCAF, antes e após intervenção. Conclusão: A implementação de programas interventivos na avaliação familiar pelo MCAF, permite transferência de conhecimentos e desenvolvimento de competências. Palavras-chave: enfermagem familiar; capacitação; enfermeiros; família

Abstract

Resumen

Background: In the family approach, it is essential for nurses to have tools to intervene. The Calgary Family Assessment Model (MCAF) is an important instrument in family nursing practice. Objectives: To know the importance attributed to the family by nurses who are part of a family health unit (FHU) in the Central Region of Portugal; Identify nurses’ knowledge of family assessment by applying the MCAF; To evaluate the impact of the application of an intervention program involving knowledge and skills on family assessment by the MCAF in nursing professionals. Methodology: Longitudinal, quasi-experimental study, performed in two moments of data collection, pre and post test design, without control group, with 8 nurses, selected by the non-probabilistic/accidental /convenience method. Results: Nurses have family supportive attitudes. There are significant statistical differences in knowledge and skills in family assessment by the MCAF before and after intervention. Conclusion: The implementation of intervention programs in family assessment by the MCAF, allows knowledge transfer and skills development.

Marco Contextual: en el enfoque familiar, es esencial que las enfermeras tengan herramientas para intervenir El Modelo de Evaluación Familiar de Calgary (MCAF) es un instrumento importante en la práctica de enfermería familiar. Objetivos: Conocer la importancia atribuida a la familia por las enfermeras que forman parte de una unidad de salud familiar (FHU) en la Región Central de Portugal; Identificar el conocimiento de las enfermeras sobre la evaluación familiar mediante la aplicación del MCAF; Evaluar el impacto de la aplicación de un programa de intervención que involucra conocimientos y habilidades en la evaluación familiar por parte del MCAF. Metodología: Estudio longitudinal con 8 enfermeras, cuasiexperimental, realizado en dos momentos de recolección de datos, diseño pre y post prueba, sin grupo de control. Muestra seleccionada por el método no probabilístico/accidental/de conveniencia. Resultados: las enfermeras tienen actitudes de apoyo familiar. Existen diferencias estadísticas significativas en el conocimiento y las habilidades en la evaluación familiar por parte del MCAF antes y después de la intervención. Conclusión: La implementación de programas de intervención en evaluación familiar por parte del MCAF, permite la transferencia de conocimiento y el desarrollo de habilidades.

Keywords: family nursing; training; nurses; family

Palabras clave: enfermería de la familia; capacitación; enfermeros; familia *Ph.D., Professor Adjunto, Escola Superior Saúde, Instituto Politécnico de Leiria, 2411-901 Leiria, Portugal [carolina.henriques@ipleiria.pt]. https://orcid.org/00000002-0904-8057. Contribuição no artigo: orientação da investigação e escrita do artigo **MSc., Enfermeira, Escola Superior Saúde, Instituto Politécnico de Leiria, 2411-901, Leiria, Portugal [Eva.Joao.Santos@chleiria.min-saude.pt]. https://orcid.org/00000001-7640-048X. Contribuição no artigo: realização do trabalho de investigação e escrita do artigo.

Recebido para publicação em: 21.10.19 Aceite para publicação em: 09.12.19

Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 31 - 40


Introdução

meiros que integram uma Unidade de Saúde Familiar (USF) da Região Centro de Portugal; identificar os conhecimentos dos enfermeiros sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF; avaliar o impacto da aplicação de um programa de intervenção envolvendo conhecimentos e competências sobre avaliação familiar pelo MCAF nos profissionais de enfermagem.

Vivemos num mundo de frequentes mudanças, transformações politico-económicas, sociodemográficas e culturais. Estes acontecimentos produziram efeitos no seio familiar, criando alterações na sua tipologia, levando ao aparecimento de novas configurações, sendo exemplo disso a proliferação de famílias monoparentais, dos casais sem filhos, vários tipos de uniões, bem como o aumento do número de pessoas a viverem sós. Porém, apesar destas metamorfoses, as funções de suporte e apoio psicológico ao indivíduo permanece inalterável (Fernandes, 2015). Estas transformações criaram necessidades no sistema familiar. Como tal, a ciência de enfermagem não se dissociou destas carências, de tal forma, que nos últimos 30 anos, com o aparecimento e desenvolvimento da especialidade de enfermagem de saúde familiar, tentou dar resposta a estas novas demandas. No nosso país, a especialidade de enfermagem de saúde familiar, recentemente criada pela Ordem dos Enfermeiros, encontra-se numa fase de grande desenvolvimento. Para intervir e auxiliar a família a ultrapassar estes novos desafios, é necessário dotar os enfermeiros de meios e ferramentas que possibilitem o conhecimento e compreensão das dinâmicas internas da família. Neste contexto, surge o Modelo de Calgary de Avaliação Familiar (MCAF), como guia orientador da atuação do enfermeiro no trabalho com a família. Muitos dos enfermeiros que atualmente trabalham com famílias nos cuidados de saúde primários não tiveram, na sua formação de base, contacto com instrumentos de avaliação familiar, por outro lado, atendendo ao modelo de aquisição de competências de Benner, a competência dos enfermeiros evolui e transforma-se ao longo do tempo (Benner, 2001). Desta forma, consideramos ser pertinente investigar o impacto de um programa de intervenção no desenvolvimento de conhecimentos e competências na avaliação familiar dos enfermeiros, acreditando que ao adotar uma abordagem à família como foco e não como contexto da prática de cuidados de enfermagem, utilizando como referência o MCAF, os enfermeiros potenciarão ganhos em saúde às famílias por eles cuidadas. Com esta investigação, pretendemos conhecer a importância atribuída à família pelos enfer-

Enquadramento Deparamo-nos atualmente com inúmeras definições de família, resultado das diferentes ciências que estudam a família, tais como psicologia, sociologia e economia. Estas têm contribuído para as transformações sofridas pelo conceito de família ao longo dos anos nas diferentes culturas. “Família refere-se a dois ou mais indivíduos que dependem um do outro para dar apoio emocional, físico e económico. Os membros da família são auto-definidos.” (Hanson, 2005, p. 6). O International Council of Nurses (ICN) define família como: “grupo ou unidade funcional todo coletivo composto por pessoas ligadas por consanguinidade, afinidade, relações emocionais ou legais, sendo a unidade ou o todo considerado um sistema que é maior que a soma das partes” (Conselho Internacional de Enfermeiros, 2015 p.143). Wright e Leahey (2011) defendem, que sobretudo interessa saber e respeitar que família, é quem a pessoa diz que é. De acordo com Ratti, Pereira, e Centa (2005, p. 61) “A família é a intermediária entre o indivíduo e a sociedade, pois é nela que se aprende a perceber o mundo e situar-se nele, passando constantemente por processos de negociações.” Apesar dos diferentes conceitos de família, esta diversidade, não dissipa a importância que esta unidade tem no bem-estar dos elementos que a compõem, pois é na família que crescemos, nos sustentamos física, psicológica e socialmente. Enquanto célula da sociedade, as famílias, simultaneamente, definem e refletem o meio onde se integram. As alterações sociais, económicas, políticas, culturais, demográficas e tecnológicas têm levado a que as famílias se transformassem e diversificassem (Dias, 2011). Como referido anteriormente, acontecimentos de várias ordens conduziram ao brotar de novas

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necessidades no seio da família, de modo que a enfermagem não ficou alheia a estes factos, ao longo da sua história. Como a ciência sempre demonstrou a sua preocupação do pensar em família. Assim sendo, surge a disciplina de enfermagem de saúde familiar. Para Hanson (2005) a enfermagem de saúde familiar é entendida como o processo de cuidar das necessidades de saúde das famílias que estão dentro do raio de ação da prática de enfermagem . . . podendo ter como objetivo a família como contexto, a família como um todo, a família como um sistema ou a família como um componente da sociedade. (Hanson, 2005, p.8) Assim, para esta autora o enfermeiro poderá desenvolver vários tipos de abordagem à família. As autoras Wright e Leahey (2011), acrescentam que existem diferentes abordagens de acordo com o grau de perícia do profissional de enfermagem, por um lado os enfermeiros de cuidados gerais conceptualizam a família como contexto ou recurso, enquanto que, os enfermeiros especialistas de enfermagem de saúde familiar devem conceptualizar a família como foco de cuidados. Na enfermagem, onde a família é foco dos cuidados, não há uma única teoria ou estrutura conceptual que permita descrever de uma forma adequada as relações da família, pelo que é necessário englobar várias perspetivas (Kaakinen, Coehlo, Hanson, & Gedaly-Duff, 2010). As estruturas conceptuais de enfermagem e as abordagens que sustentam os fundamentos da enfermagem de família desenvolveram-se a partir de três pilares: as teorias das ciências sociais da família, as da terapia familiar e as teorias de enfermagem (Hanson, 2005). Na abordagem à família, em qualquer contexto da prática clínica, o enfermeiro beneficia da aplicação de uma estrutura conceptual clara ou de um mapa da família. Essa estrutura favorece a síntese de dados, permitindo a identificação de pontos fortes da família e problemas da família, esboçando assim, de uma forma esquemática, o plano de tratamento dos mesmos (Wright & Leahey, 2011). Neste contexto surge o Modelo de Calgary de Avaliação Familiar adaptado a partir do Modelo de Tomm e Sanders (1983), que integra, além dos construtos teóricos da disciplina de enfermagem, a teoria geral dos

sistemas, a teoria da comunicação, da mudança, a cibernética e a biologia da cognição, do pós-modernismo e feminismo. Trata-se de uma estrutura multidimensional que compreende três categorias principais: estrutural, de desenvolvimento e funcional, em que cada uma destas categorias se divide em várias subcategorias. Com este estudo, pretende-se, através de um programa de intervenção que os enfermeiros adquiram e desenvolvam competências no que diz respeito à avaliação familiar, ao seu trabalho diário com as famílias, traduzindo também a teoria de aquisição de competências de Benner (2001) por parte destes profissionais. Esta teoria aplicou o modelo de Dreyfus e Dreyfus, de aquisição de competências à enfermagem, pela realização de um longo estudo de investigação, onde encontrou características diferentes na descrição do mesmo caso clínico, feito por vários enfermeiros com níveis de experiência profissional divergentes, desde uma enfermeira iniciada a uma perita. Na aquisição de competências, esta teórica considera, que a teoria é uma ferramenta essencial para explicar e predizer, permite a elaboração de questões a análise, orientando o profissional na demanda dos problemas, auxiliando na antecipação das necessidades de cuidados. No trabalho com as famílias, Wright e Leahey (2011) referem que quando os enfermeiros detêm uma estrutura conceptual clara para a avaliação e intervenção nas famílias, estas podem também começar a considerar as novas competências para entrevistar as famílias, no entanto há que distinguir o que é denominado de habilidades de um conhecimento geral, dos conhecimentos e habilidades de uma prática avançada com a família.

Questões de investigação/Hipóteses Qual é a importância atribuída à família dos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal?; Quais são os conhecimentos dos profissionais de enfermagem que integram uma USF da Região Centro de Portugal, sobre Avaliação Familiar pela aplicação do MCAF?; Qual é o impacto de um programa de desenvolvimento de conhecimentos sobre a avaliação familiar através do MCAF, nos profissionais de enfermagem que integram uma USF da Região

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Centro de Portugal?; Qual é o impacto de um programa de desenvolvimento de competências sobre a avaliação familiar através do MCAF, nos profissionais de enfermagem que integram uma USF da Região Centro de Portugal? H1 - Existem diferenças estatisticamente significativas nos conhecimentos sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, nos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal, antes e após a implementação de um Programa de Intervenção; H2 - Existem diferenças estatisticamente significativas nas competências sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, dos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal, antes e após a implementação de um programa de intervenção.

questionário autoaplicado preenchido antes e após o programa de intervenção (1 mês depois). O questionário era constituído por quatro partes distintas. A primeira parte do questionário continha sete variáveis, atributo que incidia em dados sociodemográficos e profissionais dos sujeitos do estudo, como idade, sexo, habilitações académicas e profissionais, bem como a experiência profissional. Na segunda parte do questionário, denominada por avaliação da importância da família nos cuidados de enfermagem, tínhamos como variáveis independentes: a perceção dos enfermeiros sobre a enfermagem de saúde familiar; as perceções dos enfermeiros sobre as condições importantes para a prática de enfermagem com as famílias e por último, a importância das famílias nos cuidados de enfermagem, através da aplicação da escala IFCE-AE - A Importância das famílias nos cuidados de Enfermagem - atitudes dos enfermeiros (Oliveira et al., 2011), com cinco opções de resposta, versão esta baseada na Escala Families Importance in Nursing Care - Nurses Attitudes (IFCE-AE ) revista por Saveman, Benzein, Engström, e Årestedt (2011). A Escala IFCE está organizada com 26 asserções e possui 5 opções de resposta segundo uma escala do tipo Likert em que 1 – Discordo completamente; 2 – Discordo; 3 – Nem discordo/Nem concordo; 4 – Concordo; 5. Concordo completamente. As pontuações atribuídas variam entre discordo completamente (1 ponto) a concordo completamente (5 pontos). A pontuação geral da escala resulta da soma de cada item, podendo variar entre 26 e 130 pontos. Uma melhor pontuação final obtida significa uma atitude mais favorável do enfermeiro relativamente à participação da família nos cuidados ao utente. O IFCE-AE está organizado em três dimensões (Tabela 1): Família como parceiro dialogante e recurso de coping (12 itens); Família como recurso dos cuidados de enfermagem (10 itens); e Família como um fardo (4 itens).

Metodologia Foi realizado um estudo longitudinal a um grupo de oito enfermeiros de uma USF da região centro de Portugal, do tipo quase experimental, em dois momentos de recolha de dados, de desenho do tipo pré teste e pós teste, sem grupo de controlo. A população deste estudo é constituída pelos enfermeiros que exercem funções numa USF da Região Centro de Portugal. A amostra deste estudo, foi selecionada pelo método não probabilístico acidental ou de conveniência. Assim sendo, foram definidos como critérios de inclusão: ser enfermeiro a desempenhar funções na USF selecionada que se encontram até à data a exercer, não estando ausentes por licença ou motivos de doença e que aceitem participar voluntariamente no estudo. O tamanho da amostra, foi determinado pelo facto de no momento da colheita de dados eram os que integravam a USF e aceitaram participar no estudo. A recolha dos dados foi realizada, através de um Tabela 1 Dimensões da Escala IFCE-AE Dimensões

Itens

Parceiro dialogante e recurso de coping

4; 6; 9; 12; 14; 15; 16; 17; 18; 19; 24 e 25

Recurso nos cuidados de enfermagem

1; 3; 5; 7; 10; 11; 13; 20; 21 e 22

Família como um fardo

2; 8; 23 e 26

Avaliação familiar e processo de enfermagem: programa de desenvolvimento de competências

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no processo de validação da escala (Tabela 2). Através do cálculo do (Į) de Cronbach = 0, 806, podemos concluir que temos uma adequada consistência interna do instrumento de medida, uma vez que, segundo Vilelas (2017), um resultado de Į entre 0,8 e 0,9 corresponde a um bom grau de consistência interna (Tabela 2).

Para analisar a fiabilidade, também denominada por consistência interna de um instrumento, recorreu-se ao cálculo do coeficiente alfa (Į) de Cronbach, tendo-se posteriormente procedido à sua comparação com os valores de Į de Cronbach obtidos por Saveman et al., (2011)

Tabela 2 Análise da fiabilidade do estudo atual e a comparação com a versão FINC-NA (2011) Į Cronbach

Escalas FINC-NA, 2011

0,920

Estudo realizado

0,806

Nota. FINC-NA = Escala Families Importance in Nursing Care - Nurses Attitudes.

A terceira parte do nosso questionário, avaliou os conhecimentos dos profissionais sobre o processo de enfermagem aplicado à família e sobre a avaliação familiar pela aplicação do MCAF, obtida pela análise do instrumento, por nós construído, constituído por 24 questões de resposta fechada. A quarta parte do nosso instrumento visou a avaliação de competências do enfermeiro na avaliação familiar utilizando o MCAF, compostas por afirmações, onde foi solicitado ao formando que se autoavaliasse em relação a 10 afirmações relativas a competências pela aplicação do MCAF. No que diz respeito às questões éticas, o estudo foi aprovado pelo coordenador da unidade de saúde selecionada e pela Comissão de Ética da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (Parecer Nº P573/03-2019). Foi autorizada a utilização da Escala IFCE-AE, versão traduzida, adaptada e validada para Portugal por Oliveira et al. (2009), designada por Atitudes dos Enfermeiros Face à Família, tendo sido aplicada uma versão atualizada por sugestão de um dos autores IFCE-AE, com cinco opções de resposta. Todos os indivíduos incluídos no estudo assinaram o consentimento informado e esclarecido. O plano de intervenção contemplou as áreas formativas das variáveis dependentes a serem estudadas. Relativamente à área dos conhecimentos sobre a avaliação familiar através do MCAF, foram desenvolvidos aspetos teóricos de três áreas temáticas, tais como: Processo de Enfermagem aplicado à Família, Modelo de Calgary de Avaliação Familiar e por último, os instrumentos

Genograma e Ecomapa. No que diz respeito às competências na avaliação familiar pelo MCAF, foram trabalhados aspetos práticos, onde foram aplicados os conceitos teóricos anteriormente abordados, envolvendo o treino no preenchimento da grelha do MCAF, bem como o treino de construção de Ecomapas e Genogramas. Os métodos utilizados para a realização das formações, foram os expositivos e interativos, tendo sido o programa de intervenção realizado em dois períodos distintos. Um mês após o términus do programa de intervenção, foi dado a preencher aos enfermeiros o questionário da avaliação pós-formação, envolvendo também um questionário de heteroavaliação de competências desenvolvidas no programa de intervenção. Os dados reunidos foram tratados estatisticamente no programa informático IBM SPSS Statistics, versão 25.0 para o Windows. Com o objetivo de testar a normalidade da amostra, foi utilizado o teste Shapiro-Wilks, teste de eleição em situações em que amostra é inferior a 50 elementos, que revelou uma distribuição normal das variáveis dependentes em estudo, nomeadamente a variável dos conhecimentos e a variável das competências dos enfermeiros sobre do processo de enfermagem aplicado à família e sobre a avaliação familiar pela aplicação do MCAF (Tabela 3) o que fomenta a utilização de testes paramétricos, para testar as hipóteses em estudo, tendo sido para tal aplicado o teste t-student (t).

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Tabela 3 Teste da Normalidade (Shapiro-Wilk) Kolmogorov-Smirnov

Shapiro-Wilk

Statistic

df

Sig.

Statistic

df

Sig.

Conhecimentos

Pré teste

0,190

0,8

0,200*

0,908

8

0,339

Competências

Pré teste

0,195

8

0,200*

8

0,486

Kolmogorov- Smirnov

Shapiro-Wilk 0,927

Nota: df = degrees of freedom (graus de liberdade); Sig.=significância estatistica. *. Este é um limite inferior da significância verdadeira.

Resultados

Quando nos debruçamos sobre a experiência profissional dos enfermeiros que participaram na investigação, verificamos a média é de 24,9 anos (5,11 = ı), com um valor mínimo (Xmín.) de 17 anos e um valor máximo (Xmáx.) de 33 anos de exercício profissional. No que diz respeito à experiência em cuidados de saúde primários da amostra, conclui-se que a média é de 11,3 anos (5,1 = ı), com um valor mínimo (Xmín.) de 6 anos e um valor máximo (Xmáx.) de 21 anos de exercício nesta área de cuidados. Relativamente à escala IFCE-AE versão modificada (Tabela 4) a média global obtida foi de 94,75, permite-nos concluir que a nossa amostra, vê e reconhece a importância da família nos cuidados de enfermagem.

No que se refere às caraterísticas sociodemográficas observamos que a média das idades dos enfermeiros que participaram é de 46,8 anos (ı = 5,87). A totalidade da amostra é do sexo feminino num total de oito enfermeiros. Relativamente ao estado civil, verificamos que 75,00% (n = 6) dos enfermeiros, são casados ou vivem em união de facto, sendo que, 12,50% (n = 1) são divorciados e 12,50 (n = 1) são solteiros. No que concerne às habilitações académicas, conclui-se que 100% (n = 8) dos enfermeiros são licenciados. Em relação à categoria profissional, observamos que 87,50% (n = 7) são enfermeiros de cuidados gerais, sendo que 12,50% (n = 1) são enfermeiros especialistas.

Tabela 4 Caracterização da amostra face à escala IFCE-AE versão modificada (2011) e respetivas dimensões Média (X )

Mediana (Md)

Moda (Mo)

Desvio Padrão (ı)

Valor Mínimo (Xmín.)

Valor Máximo (Xmáx.)

N

Família como parceiro dialogante e recurso de coping

47,50

48,00

47,00

4,96

39,00

53,00

8

Família como recurso nos cuidados de enfermagem

39,25

41,00

41,00

4,71

29,00

44,00

8

Família como um fardo

8,00

7,5

5,00

2,67

5,00

13,00

8

Total da IFCE-AE

94,75

96,00

96,00

7,81

77,00

102,00

8

Nota. Escala IFCE-AE - A Importância das famílias nos cuidados de Enfermagem; N = População Alvo.

Relativamente à avaliação de conhecimentos, na fase inicial, verificou-se que a média foi de 8,88, indicando assim, que o nível de conhecimentos dos profissionais no momento anterior à intervenção era baixo, num total de classificação

de 0 a 24 possível. Na segunda avaliação, a média foi de 22,63, verificando-se uma melhoria acentuada no valor médio traduzindo-se numa melhoria do nível dos conhecimentos dos profissionais nesta variável (Tabela 5).

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Tabela 5 Caracterização da amostra face à avaliação de conhecimentos dos enfermeiros antes e após o programa de intervenção

Avaliação de Conhecimentos

Média (X )

Mediana (Md)

Moda (Mo)

Desvio Padrão (ı)

Pré teste

8,88

10,00

16,00

Pós teste

22,63

23,00

23,00

Valor Mínimo (Xmín.)

Valor Máximo (Xmáx.)

N

6,31

0,00

16,00

8

1,06

20,00

23,00

8

Nota. N = População Alvo.

No que respeita à avaliação de competências, na primeira avaliação, o score médio foi de 13,50, permitindo concluir face aos critérios definidos que o nível médio de competência dos enfermeiros, era insuficiente. No segundo momento de avaliação, através do questionário aplicado, a média foi de 27,94, classificando-se

o nível de competências em muito boas (Tabela 6). Concluiu-se que houve um acréscimo considerável ao nível das competências dos enfermeiros no processo de enfermagem à família e sobre a avaliação familiar na aplicação do MCAF, após a intervenção.

Tabela 6 Caracterização da amostra face à avaliação de competências dos enfermeiros antes e após o programa de intervenção

Avaliação de competências Processo de Enfermagem à Família

Média (X )

Mediana (Md)

Moda (Mo)

Desvio Padrão (ı)

Valor Mínimo (Xmín.)

Valor Máximo (Xmáx.)

N

Pré teste

3,50

14,50

15,00

7,50

4,00

28,00

8

Pós teste

27,94

28,50

28,50

1,78

24,00

30,00

8

Nota. N = População Alvo.

No resultado da aplicação do teste t de Student relativamente à avaliação de conhecimentos sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, verificou-se que existem diferenças estatisticamente significativas (t = -5,67; p ≤ 0,05) nos conhecimentos entre o segundo momento de avaliação e o primeiro momento de avaliação sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, nos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal após o programa de intervenção (Tabela 7).

Para testar as hipóteses deste estudo, utilizámos o teste t de Student, que de acordo com Vilelas (2017) é aplicado a uma variável quantitativa discreta ou contínua que tem uma curva de distribuição normal e em duas amostras relacionadas. H1 - Existem diferenças estatisticamente significativas nos conhecimentos sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, dos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal, antes e após a implementação de um Programa de Formação.

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Tabela 7 Aplicação do teste estatístico de t de Student para amostras relacionadas face à avaliação de conhecimentos dos enfermeiros de uma USF da região centro do país entre o momento do pré teste e o momento do pós teste Diferenças emparelhadas 95% Intervalo de Confiança da Diferença Média (X )

Desvio Desvio padrão Inferior Padrão (ı) da média

Superior

t

df

Sig. (2 extremidades)

Avaliação de conhecimentos entre -13,75 6,86 2,43 -5,67 7,00 o momento do pré -19,49 -8,01 teste e o momento do pós teste Nota. t = t de Student; df = degrees of freedom (graus de liberdade); Sig.= significância estatística.

,001

MCAF, pela aplicação do teste t de Student, observou-se que existem diferenças estatisticamente significativas (t = - 5,01; p ≤ 0,05), entre o momento do pré teste e o momento do pós teste da implementação do programa de intervenção, nas competências sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, dos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal (Tabela 8).

H2 - Existem diferenças estatisticamente significativas nas competências sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, dos enfermeiros que integram uma USF da Região Centro de Portugal, entre o momento do pré teste e o momento do pós teste da implementação de um programa de formação. No que concerne ao impacto nas competências sobre avaliação familiar pela aplicação do

Tabela 8 Aplicação do teste estatístico de t de Student para amostras relacionadas face à avaliação de competências dos enfermeiros de uma USF da região centro do país, entre o momento do pré teste e o momento do pós teste Diferenças emparelhadas 95% Intervalo de Confiança da Diferença

Avaliação de competências entre o momento do pré teste e o momento do pós teste

Média (X )

Desvio Padrão (ı)

Desvio padrão da média

Inferior

Superior

-14,44

8,16

2,88

-21,26

-7,62

t

df

-5,01 7

Sig. (2 extremidades)

,002

Nota. t = t de Student; df = degrees of freedom (graus de liberdade); Sig.= significância estatística.

Discussão

obtido foi de 94,75, comparando com Saveman et al. (2011), em que a média foi de 104 pontos, os resultados do nosso estudo, ficam ligeiramente abaixo, contudo não deixa de ser bastante considerável a importância dada à participação da família nos cuidados de enfermagem. Comparando os resultados do nosso estudo com o estudo de Barbieri-Figueiredo et al. (2012), na

No que diz respeito às atitudes dos enfermeiros relativamente à importância da família nos cuidados de enfermagem pela aplicação da versão modificada da Escala Importância da Família dos Cuidados de Enfermagem (IFCE-AE) versão modificada, verificou-se que o score médio

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dimensão Família como parceiro dialogante e recurso de coping a média obtida foi de 47,50, ligeiramente inferior a 50,08, do referido estudo, num total de 60 pontos possíveis. A dimensão Família como recurso nos cuidados de enfermagem, a média por nós obtida foi de 39,25, também ligeiramente abaixo do obtido por Barbieri-Figueiredo et al., (2012) que foi de 43,23 pontos num universo de 50 de pontos possíveis. Na dimensão Família como um fardo, através dos resultados obtidos em que quanto menor a pontuação melhor é atitude dos enfermeiros face à participação nos cuidados de enfermagem, a média obtida foi de 8, muito próximo do valor de 7,96 alcançado no estudo de Barbieri-Figueiredo et al. (2012) num total de 20 pontos possíveis. Face aos resultados obtidos nas diferentes dimensões e na globalidade, podemos concluir que os elementos constituintes da amostra possuem atitudes de suporte em relação à família. No que toca aos conhecimentos da amostra sobre Avaliação familiar através da aplicação do Modelo de Calgary, verificou-se que antes da aplicação do programa de intervenção os mesmos eram baixos com valor médio 8,88, o que não é motivo de surpresa, pois para Wright e Leahey (2011), a maioria dos enfermeiros na sua formação de base não teve contacto com enfermagem de sistemas. Martins, Fernandes, e Gonçalves (2012), enfatizam que grande parte dos enfermeiros, não conhece qualquer modelo de avaliação ou intervenção na família. No que concerne ao impacto de um programa de desenvolvimento de conhecimentos sobre a avaliação familiar através do MCAF nos profissionais de enfermagem, salientamos que a média dos conhecimentos pré teste era de 8,88, e a média pós teste foi de 22. Desta forma, após o tratamento estatístico inferencial, concluiu-se que existem diferenças estatisticamente significativas, nos conhecimentos sobre avaliação familiar pela aplicação do MCAF, dos enfermeiros, antes e após a implementação do programa de intervenção. O programa teve um impacto favorável na aquisição de conhecimentos, o que corrobora com Santos (2012) quando refere que os programas de intervenção educacional neste domínio possibilitam transferência de conhecimento. Foi também avaliado o impacto de um programa de desenvolvimento de competências sobre a avaliação familiar através do MCAF nos mesmos profissionais. Antes do programa formativo, no

que concerne à autoavaliação de competências dos enfermeiros, o score médio foi de 13,50, ou seja nível de competências insuficientes, após a intervenção, a avaliação de competências por heteroavaliação verificou-se que o valor médio obtido, foi de 27,94. Pela aplicação da análise estatística inferencial, concluiu-se existir diferenças estatísticas significativas entre as competências sobre a avaliação familiar através do MCAF, nos enfermeiros participantes, permitindo concluir que advei do desenvolvimento franco de competências com o programa de intervenção - treino no preenchimento da grelha do MCAF, construção de Ecomapas e Genogramas, tal como Fernandes (2014) concluiu no seu estudo ter havido alteração no foco de cuidados, na avaliação e intervenção da família, bem como, significativo aumento da frequência de registos relativos às categorias e subcategorias do modelo de Calgary. Como limitações ao estudo, apontamos a escassez de estudos nacionais nesta área, talvez devido à ainda precoce e recentemente criada especialidade de enfermagem, o que faz com que ainda não tenhamos uma elevada produção científica neste domínio, por outro, o facto da nossa amostra ser de tamanho reduzido, não permitindo a generalização dos resultados apresentados.

Conclusão Pela aplicação da versão atualizada da escala a IFCE-AE, verificámos que os enfermeiros possuem atitudes de suporte em relação à família, quer seja na globalidade ou nas suas várias dimensões. Quando testadas as hipóteses de investigação, verificámos que existem diferenças estatisticamente significativas, nos conhecimentos sobre avaliação familiar, pela aplicação do MCAF, dos enfermeiros participantes, antes e após a implementação de um programa de intervenção, confirmando assim a aquisição ou consolidação de conhecimentos, tendo, portanto, impacto favorável ao processo de desenvolvimento de conhecimento. Também concluímos existir diferenças estatísticas significativas entre as competências sobre a avaliação familiar através do MCAF, nos profissionais de enfermagem que compõem a amostra, levando a concluir que ocorreu desen-

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volvimento de competências com o programa de intervenção. Com a realização deste estudo podemos dizer que a teoria por si só não é suficiente, é sim, uma ferramenta primordial para explicar e predizer, orientar o enfermeiro a solucionar os problemas, esta servirá de pilar para uma prática competente em enfermagem, na medida em que o conhecimento que envolve a prática, amplia e desenvolve a teoria, adaptando-a à prática dos cuidados de enfermagem. Com este programa de intervenção pretendeu-se que este sirva de base e trampolim para uma nova abordagem à família. Através das experiências pessoais ou profissionais do trabalho com a família os enfermeiros desenvolvem competências, transitando por vários níveis de competência, divergindo entre eles na forma de pensar, atuar ou intervir. Face aos resultados alcançados com o programa de intervenção, podemos assumir que é aconselhável a aplicação de planos de intervenção nesta área, contribuindo assim com mais uma achega para o leque de programas formativos e interventivos direcionados a munir os enfermeiros de família de conhecimentos e competências na avaliação familiar pelo modelo de Calgary. Desta forma, pensamos ser possível contribuir para uma melhor prática dos cuidados de enfermagem centrados na família com a replicação deste tipo de intervenção em outras unidades de saúde.

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Avaliação familiar e processo de enfermagem: programa de desenvolvimento de competências

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19052

Conhecimento dos utentes com hipertensão arterial de uma unidade de saúde familiar sobre a sua patologia Knowledge about high blood pressure among hypertensive individuals in a family health unit Conocimiento de los pacientes con hipertensión arterial en una unidad de salud familiar sobre su patología Clara Lucília Botelho Ramos* ; Lisete Amélia Ribeiro de Jesus** Ana Luísa Couto Almeida Santos****

; Ana Maria Teixeira Santos Souto***

;

Resumo Enquadramento: A hipertensão arterial (HTA) é o fator de risco de doença cardiovascular com maior prevalência. O conhecimento básico em saúde é a primeira dimensão da literacia em saúde (LS), que, em Portugal, apresenta um nível problemático considerando-o um problema de saúde pública. Objetivo: Avaliar o nível de conhecimentos sobre HTA dos utentes hipertensos e identificar variáveis com as quais possam estar relacionados. Metodologia: Estudo descritivo-exploratório transversal. De 3050 utentes hipertensos inscritos numa unidade de saúde familiar (USF), 307 constituíram a amostra, determinada de forma não probabilística e por conveniência. Como instrumento de colheita de dados utilizou-se um questionário que avalia conhecimentos e atitudes destes utentes face à sua patologia. Resultados: Vinte e sete por cento apresentam conhecimentos de nível muito bom. Verificou-se relação estatisticamente significativa entre nível de conhecimentos e grupo etário (p = 0,002), escolaridade (p = 0,000) e atitude face ao tratamento (p = 0,004); e atitude face ao tratamento e controlo da doença (p = 0,050). Conclusão: Os enfermeiros devem trabalhar a capacitação dos utentes, intervindo de forma incisiva na população mais idosa. Palavras-chave: hipertensão arterial; conhecimento; atitude; literacia em saúde

Abstract

Resumen

Background: High blood pressure (HBP) is the dominant risk factor for cardiovascular diseases. Basic health knowledge is the first dimension of health literacy (LS), which in Portugal presents a disturbing level, thus becoming a public health problem. Objective: To assess the level of knowledge about HBP among individuals with this condition and identify potentially related variables. Methodology: Cross-sectional descriptive study conducted in a non-probabilistic sample of 307 individuals selected by convenience from 3050 hypertensive patients registered in a family health unit (USF). For data collection, a questionnaire was used to assess the knowledge and attitudes of individuals with HBP regarding their condition. Results: Twenty-seven percent possess a very good level of knowledge. A statistically significant relationship was found between level of knowledge and age group (p = 0.002), education level (p = 0.000), and attitude toward treatment (p = 0.004); and between attitude toward treatment and control of disease (p = 0.050). Conclusion: Nurses should persist in empowering patients and intervene more closely in the oldest population.

Marco contextual: La hipertensión arterial es el factor de riesgo de enfermedad cardiovascular (HTA) con mayor prevalencia. El conocimiento básico de la salud es la primera dimensión de la alfabetización en la salud, la cual en Portugal presenta un nivel problemático y se la considera un problema de salud pública. Objetivo: Evaluar el nivel de conocimiento de los pacientes hipertensos sobre HTA e identificar variables que puedan estar relacionados. Metodología: Estudio descriptivo-exploratorio transversal. De los 3050 pacientes hipertensos, 307 constituyeron la muestra, no probabilística y por conveniencia. Se utilizó un cuestionario para evaluar conocimiento y actitudes. Resultados: Veintisiete por ciento tiene muy buen nivel de conocimiento. Se verificó una relación estadísticamente significativa entre nivel de conocimiento y grupo de edad (p = 0,002), escolaridad (p = 0,000) y actitud hacia el tratamiento (p = 0,004); y actitud hacia el tratamiento y control de la enfermedad (p = 0,050). Conclusión: Los enfermeros deben trabajando en la formación de los pacientes, con más empeño en la población de edad avanzada.

Keywords: hypertension; knowledge; attitudes; health literacy

Palabras clave: hipertensión; conocimiento; actitudes ; alfabetización en salud

*MSc., Enfermeira Especialista, ACeS Douro I, 5000-524, Vila Real, Portugal [claralbr80@ gmail.com]. http://orcid.org/0000-0001-8432-6240. Contribution to the article: literature search, data collection, data analysis and discussion, writing of the article. Address for correspondence: Rua dos Três Lagares - Mateus, 5000-577, Vila Real, Portugal. **MSc., Enfermeira Especialista, ACES Douro I, Marão e Douro Norte, USF Fénix, 5000-577, Vila Real, Portugal [lisetejesus83@gmail.com]. http://orcid.org/0000-0002-7345-7605. Contribution to the article: literature search, data collection, data analysis and discussion, writing of the article. ***MSc., Enfermeira Especialista, ACES Douro I, Marão e Douro Norte, USF Fénix, 5000-577, Vila Real, PortugaI [anasouto40@gmail.com]. http://orcid.org/0000-0002-3659-8898. Contribution to the article: literature search, data collection, data analysis and discussion, writing of the article. ****MSc., Enfermeira Especialista, ACES Douro I, Marão e Douro Norte, USP, 5000-577, Vila Real, PortugaI [nitaalmeidasantos@gmail.com]. http://orcid.org/0000-00028458-6162. Contribution to the article: literature search, data collection, statistical treatment and assessment, data analysis and discussion.

Recebido para publicação em: 09.08.19 Aceite para publicação em: 21.11.19

Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 41 - 48


Introdução

2015, a prevalência geral de hipertensão em adultos foi de cerca de 30 a 45%, com uma prevalência global padronizada por idade de 24% em homens e 20% em mulheres, representando um fator major de risco cardiovascular e de morte prematura. De acordo com dados do mesmo relatório, a hipertensão torna-se progressivamente mais comum com o avanço da idade, com uma prevalência superior a 60% em pessoas com idade acima dos 60 anos. Estima-se que o número de pessoas com hipertensão aumente de 15 a 20% até 2025, atingindo perto de 1,5 biliões. Tendo por base o estudo Portuguese Hypertension and Salt Study (Sociedade Portuguesa de Hipertensão, 2012), a prevalência de HTA em Portugal é de 42,2% na população adulta, sendo que a percentagem de utentes hipertensos com doença controlada tem quadruplicado na última década. É ainda referido que existem 57,4% hipertensos não controlados e 23,2% utentes que desconhecem ter a doença. Amorim, Caldas, e Roca (2019) sugerem que a gestão desta patologia é na grande maioria dos casos da responsabilidade dos cuidados de saúde primários, correspondendo mesmo à doença crónica mais frequente neste nível de cuidados de saúde. Neste sentido, os enfermeiros têm um papel fundamental em melhorar a LS dos utentes, começando por dotá-los de conhecimentos válidos e verdadeiros sobre a doença, complicações e tratamentos. Os utentes devem deter conhecimentos para optar por hábitos de vida saudáveis, tais como: adoção de uma dieta variada, nutricionalmente equilibrada, rica em potássio; adoção de prática regular e continuada de exercício físico; controlo e manutenção de peso dentro dos parâmetros normais, um perímetro de cintura adequado; restrição do consumo de álcool; diminuição de consumo de sal e a cessação do consumo de tabaco (DGS, 2013; Santos et al., 2018). Ferreira et al. (2016) verificaram ser necessário melhorar a adesão ao regime terapêutico, principalmente no que diz respeito à atividade física e aos cuidados dietéticos. Desta forma, é importante atuar nestes determinantes por forma a aumentar a eficácia do tratamento da HTA. Os autores acrescentam que é necessária uma educação personalizada e o envolvimento e a capacitação do cidadão para a gestão da hipertensão arterial.

As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte em Portugal (Direção-Geral da Saúde [DGS], 2019). Entre vários fatores de risco, a hipertensão arterial (HTA), enquanto doença crónica, apresenta-se como o fator de risco mais prevalente considerando-se um problema significativo de saúde pública (Ferreira, Graça, & Calvinho, 2016). A fase-piloto do Inquérito Europeu de Saúde com Exame Físico estimou uma prevalência de HTA, em indivíduos entre os 25 e os 64 anos, de 33,1% no sexo masculino e de 22,8% no sexo feminino. Em Portugal, o 5º Inquérito Nacional de Saúde, realizado em 2014, estimou uma prevalência de HTA de 24,5% (Rodrigues et al., 2017). Contudo, muitos utentes não possuem conhecimentos relativos à sua patologia (Praça, 2013). Segundo Prior, Baía, Martins, Lopes, e Vieira (2001), o utente hipertenso deve compreender os fatores que influenciam a hipertensão arterial e só desta forma consegue colaborar de forma ativa, orientando a sua atuação para a promoção da saúde e prevenção da doença. A World Health Organization (1998) define a literacia em saúde (LS) como o conjunto de competências cognitivas e sociais e a capacidade que o indivíduo tem para obter, interpretar e compreender a informação básica de saúde e serviços de uma forma que seja promotora da saúde. Kickbusch, Pelikan, Apfel, e Tsouros (2013) definiram quatro dimensões para a LS, em que a primeira é o conhecimento básico em saúde. Neste sentido, entende-se que um bom nível conhecimentos sobre a sua patologia vai permitir aos utentes hipertensos gerir a sua saúde/doença por forma a alcançar a desejável literacia. Para este estudo definiram-se como objetivos avaliar o nível de conhecimentos sobre HTA dos doentes portadores desta patologia e identificar variáveis com as quais possam estar relacionadas como: o género; o grupo etário; a escolaridade; o tempo de evolução da doença; a atitude face ao tratamento e o controlo da doença.

Enquadramento De acordo com as European Society of Cardiology (ESC)/ European Society of Hypertension (ESH) Guidelines (Williams et al., 2018), em

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Hipóteses

escolaridade, variável numa escala nominal (distribuída por cinco classes: analfabetos; com instrução primária; 3º ciclo; ensino secundário; e ensino superior); tempo de evolução da doença, variável numa escala nominal (distribuída por três classes: < 10 anos; de 10 a 20 anos; e >20); atitude face ao tratamento, variável nominal que resulta de quatro questões, em dois níveis (atitude positiva e atitude negativa); controlo da doença, variável nominal que resulta de uma questão respondida pelo enfermeiro que realiza a consulta, em dois níveis (controlado e não controlado). Os questionários foram auto-preenchidos, à exceção das situações em que os utentes necessitaram de ajuda para o preenchimento, por analfabetismo ou dificuldades de visão ou compreensão e contaram com a ajuda da equipa que colheu os dados (investigadores do projeto). Para minimizar o enviesamento dos dados, os questionários foram preenchidos antes da consulta de enfermagem e os que foram preenchidos com a ajuda dos investigadores, somente foram lidas as perguntas como estavam escritas no questionário. Os dados obtidos foram apresentados sob a forma de tabelas após análise e tratamento dos mesmos através do programa IBM SPSS Statistics, versão 25.0. Para verificação de relações entre variáveis foi aplicado o teste de qui-quadrado e analisadas as tabelas de cruzamento de dados. Para o estudo obteve-se a autorização da Comissão de Ética para a Saúde da Administração Regional de Saúde do Norte I.P. (Parecer 85/2018). O utente foi informado acerca da finalidade do estudo e da garantia da confidencialidade dos dados, assinando o consentimento informado.

H 1 - Existe relação entre o nível de conhecimentos sobre HTA e o género, o grupo etário, a escolaridade e o tempo de evolução da doença. H 2 - Existe relação entre o nível de conhecimentos sobre HTA e a atitude face ao tratamento. H 3 - Existe relação entre o nível de conhecimentos sobre HTA e o controlo da doença.

Metodologia O estudo é descritivo e exploratório, de abordagem quantitativa e carácter transversal. Para a caracterização da amostra foi realizada estatística descritiva, onde de uma população de 3050 doentes com HTA inscritos numa unidade de saúde familiar (USF) do norte de Portugal, se utilizou uma amostra de 10%, perfazendo 307 indivíduos. Recorreu-se à amostragem não probabilística por conveniência, sendo que a amostra inclui todos os utentes hipertensos que recorreram à USF entre os meses de outubro e dezembro de 2018. Dos critérios de inclusão fizeram parte: ter mais de 18 anos de idade; não apresentar alteração cognitiva diagnosticada; e consentir voluntariamente participar no estudo. Como instrumento de recolha de dados foi utilizado, após autorização dos autores, o questionário Hipertensos: Que conhecimentos? Que atitudes?, desenvolvido por Prior et al. (2001), constituído por 18 questões para avaliação dos conhecimentos e quatro relacionadas com atitudes, mas que se verificou tratarem-se de questões apenas direcionadas para a adesão ao regime medicamentoso. A variável dependente são os conhecimentos sobre HTA, variável ordinal avaliada através das primeiras 17 perguntas do questionário e assumindo 4 níveis: muito bom, bom, suficiente e insuficiente, de acordo com a pontuação atribuída a cada pergunta do questionário (pelos autores). Considerou-se muito bom quando a pontuação era superior a 90, bom entre 76 e 90, suficiente entre 60 e 74 e insuficiente se inferior a 60. As variáveis independentes são: género, masculino e feminino; grupo etário, variável resultante do agrupamento das idades em três classes (idade compreendida entre 15 e 44 anos; entre 45 e 64 anos; e idade igual ou superior a 65 anos);

Resultados Da amostra obteve-se 58,5% de mulheres e 41,5% de homens, sendo a média de idades de 65,6 anos, com moda 64, a variar entre os 37 e os 93, desvio-padrão 11,414 e variância 130,289. A maioria (55%) não se encontra ativa e relativamente à escolaridade, 51,8% possuem o ensino primário. Quanto ao tempo de evolução da doença, a maior parte dos utentes inquiridos apresenta uma evolução da mesma que varia entre 10 e 20 anos (Tabela 1).

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Tabela 1 Caracterização da amostra Classe Género

Idade

Escolaridade

Tempo de evolução da doença

Frequência

Percentagem

127 179 307 9 135 162 306 54 158 54 27 12 305 138 146 18 302

41,5% 58,5% 100% 2,9% 44,1% 52,9% 100% 17,7% 51,8% 17,7% 8,9% 3,9% 100% 45,7% 48,3% 6% 100%

Homens Mulheres Total 18-44 anos 45-64 anos ≥ 65 anos Total Analfabeto Ensino primário 3º Ciclo Secundário Superior Total < 10 anos ≥ 10 ≤ 20 anos ≥ 21 anos Total

Em relação à atitude face ao tratamento 70,9% demonstram uma atitude positiva. Por outro lado, 76,6% parecem ter a doença controlada e apenas

9,9% tiveram a determinada altura da evolução da doença complicações como AVC, derrame ocular e enfarte agudo do miocárdio (Tabela 2).

Tabela 2 Controlo da doença, complicações e atitude face ao tratamento Classe Controlo da doença

Complicações

Atitude face ao tratamento

Controlada Não controlada Total Sim Não Total Positiva Negativa Total

No que diz respeito aos conhecimentos foi possível verificar que a grande maioria (48,2%) tem um nível de conhecimentos bom, 27,0% possui conhecimentos a um nível muito bom,

Frequência

Percentagem

216 66 282 25 227 252 217 89 307

76,6% 23,4% 100% 9,9% 90,1% 100% 70,9% 29,1% 100%

17,9% possui conhecimentos suficientes e apenas 6,8% demonstrou ter conhecimentos insuficientes (Tabela 3).

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Tabela 3 Nível de Conhecimentos Nível

Conhecimentos sobre HTA

Frequência

Percentagem

21 55 148 84 307

6,8% 17,9% 48,2% 27,0% 100%

Insuficiente Suficiente Bom Muito bom Total

frequência de conhecimentos a um nível muito bom nos utentes que têm um grau académico superior. No que respeita ao tempo de evolução da doença, este não demonstrou ter qualquer relação com os conhecimentos. Na hipótese 2 verificou-se a existência de uma relação estatisticamente significativa entre o nível de conhecimentos e a atitude face ao tratamento, em que as pessoas com um nível de conhecimentos superior têm uma atitude mais positiva. Na hipótese 3 não se verificou qualquer relação estatisticamente significativa entre conhecimento sobre HTA e o controlo da doença (Tabela 4).

No que diz respeito à estatística inferencial, verificou-se, ao analisar a hipótese 1, que em relação ao género não se confirmou relação estatisticamente significativa. Verificou-se uma relação estatisticamente significativa (p = 0,001) entre os conhecimentos sobre HTA e o grupo etário dos utentes, sendo pouco frequente os utentes mais idosos terem conhecimentos a um nível muito bom e os utentes na faixa etária entre os 45 e os 64 anos são os que possuem mais conhecimentos num nível bom ou muito bom. No que diz respeito à escolaridade, na nossa amostra, existe uma relação estatisticamente significativa entre os conhecimentos (p = 0,000) e o grau académico, com uma maior Tabela 4 Teste Qui-quadrado para verificação das hipóteses

Conhecimentos sobre HTA Qui-quadrado 3,785 20,907 42,770 1,379 13,070 6,769

Género Idade Escolaridade Tempo de evolução da doença Atitude face ao tratamento Controlo da doença

Discussão

p = significância 0,286 0,002 0,000 0,967 0,004 0,08

estudo de Polónia et al. (2013) esta situação não se verifica, uma vez que os utentes com mais de 65 anos de idade apresentam mais conhecimentos e maior controlo da sua doença. Esta divergência de opiniões faz-nos refletir sobre as diversas variáveis que influenciam o nível de conhecimentos dos idosos. Em relação ao género, não se verificou diferença estatisticamente significativa, tal como em Ávila et al. (2010), contrariando Madeira (2015), Praça (2013) e Pinto (2012). Verificou-se que existe uma relação estatisticamente significativa com os conhecimentos e a escolaridade, com uma maior frequência de

No que respeita aos conhecimentos dos utentes, verificou-se que a maioria deles possui um bom nível de conhecimentos, confirmando estudos anteriores (Pinto, 2012). Corroborando outros autores (Ávila et al., 2010; Madeira, 2015; Polónia, Martins, Pinto, & Nazaré, 2013; Prior et al., 2001), verificou-se uma relação estatisticamente significativa (p = 0,001) entre os conhecimentos sobre HTA e o grupo etário dos utentes, sendo pouco frequente os utentes mais idosos terem conhecimentos muito bons. No entanto, segundo o

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elevados conhecimentos nos utentes que têm escolaridade superior, confirmando os resultados dos estudos de Madeira (2015), Pinto (2012) e Praça (2013). Constata-se também que o tempo de evolução da doença, não demonstra ter qualquer relação com os conhecimentos, o que se opõe ao que defende Madeira (2015). Os dados colhidos resultantes da atitude face ao tratamento corroboram o estudo de Prior et al. (2001), Pinto e José (2012) e Ferreira et al. (2016), ao resultar em relação estatisticamente significativa com os conhecimentos, contrariamente ao que defende Dias, Cunha, Ribeiro, Albuquerque, e Andrade (2016). Em relação ao controlo da doença, este não parece ter relação estatisticamente significativa com os conhecimentos sobre a doença. No que concerne às limitações, apresenta-se a falta de motivação ou de tempo por parte de alguns utentes em participar no estudo. Os utentes que responderam ao questionário eram utentes frequentadores das consultas de enfermagem, pelo que seria pertinente, num próximo, estudo conseguir chegar aos utentes menos frequentadores dos serviços de saúde. Verificou-se neste estudo que os utentes possuem maioritariamente um nível de conhecimentos bom. No entanto, ainda existe um árduo trabalho por parte dos enfermeiros para aumentarem os níveis de literacia dos utentes, principalmente na população mais idosa. Com uma melhoria dos níveis de conhecimentos é possível os utentes apresentarem um espírito crítico nas suas decisões de saúde e, desta forma, alcançar a LS que lhes vai permitir uma melhor gestão do processo saúde/doença. Considera-se ainda que existirão já outros instrumentos de avaliação de conhecimentos, validados para a população portuguesa, que podem ser considerados num próximo estudo, nomeadamente inventários de LS na hipertensão.

amostra ainda existem pessoas com conhecimentos insuficientes e estratégias que podem ser adotadas, tais como: realizar intervenções temáticas para a população que promovam a LS; sessões de educação para a saúde para melhorar o conhecimento dos utente sobre alimentação adequada e diversificada, identificar sinais e sintomas de alerta para uma HTA descontrolada, conhecer as complicações da HTA, quais os comportamentos de risco a evitar, entre outros; disponibilizar também ao utente ferramentas e instrumentos para melhorar a sua saúde e este ser capaz de saber onde procurar informação correta sobre a sua patologia; e informar sobre os recursos disponíveis na comunidade. Todas estas estratégias podem contribuir para melhorar ainda mais o nível de conhecimentos dos utentes em relação à doença, fatores sobre os quais as equipas de saúde familiar podem intervir. Não se pode descurar que existe uma franja significativa da população que, sendo hipertensos, ainda desconhecem que têm a doença. Os enfermeiros especialistas em enfermagem comunitária têm um papel fundamental ao nível da intervenção comunitária com vista à educação para a saúde, já que a literacia para a saúde implica o conhecimento, a motivação e a capacidade das pessoas em aderir, compreender e avaliar as informações na área da saúde e, desse modo, escolherem o que é melhor para a saúde. Este estudo representa apenas um fragmento de uma vasta e abrangente realidade, tornando-se fundamental o desenvolvimento de mais estudos de investigação nesta área, com instrumentos validados, e a implementação de projetos de intervenção na comunidade, fomentando assim o empowerment dos utentes para autogerirem a doença. Referências bibliográficas Amorim, L., Caldas, P., & Roca, S. (2019). Perfil dos valores de tensão arterial em indivíduos submetidos a mapa em cuidados de saúde primários. Revista Portuguesa de Hipertensão e Risco Cardiovascular, 72, 11-16. Ávila, A., Tavares, A., Machado, C., Campana, E., Lessa, I., & Krieger, J. (2010). VI diretrizes brasileiras de hipertensão, conceituação, epidemiologia e prevenção primária. Revista Brasileira de Hipertensão, 17(1), 7-10.

Conclusão Os resultados deste estudo evidenciam um bom nível de conhecimentos sobre a doença e igualmente uma atitude positiva dos doentes face ao tratamento. No entanto, existe um caminho a percorrer tendo em conta que na presente

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ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19046

Eficácia da técnica de breath stacking na função respiratória em mulheres submetidas a cirurgia bariátrica Effectiveness of the breath-stacking technique in the respiratory function of women undergoing bariatric surgery Eficacia de la técnica de breath stacking sobre la función respiratoria en mujeres sometidas a cirugía bariátrica Sérgio Filipe Alves Vaz* ; Tiago Filipe Vaz Matos** ; Maria Eugénia Rodrigues Mendes*** ; Leonel São Romão Preto**** ; Hélder Jaime Fernandes***** ; André Filipe Morais Pinto Novo******

Resumo

Enquadramento: A cirurgia abdominal alta está associada a alta incidência de complicações pulmonares. A técnica breath stacking (BS) perspetiva-se como recurso com potencial terapêutico para a enfermagem de reabilitação. Objetivo: Avaliar a eficácia da técnica BS na melhoria da função respiratória. Metodologia: Estudo quasi-experimental com 36 mulheres submetidas a cirurgia bariátrica, distribuídas pelos grupos de controlo (GC) e intervenção (GI). Foram avaliadas no pré e pós-operatório as medidas capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), pressão inspiratória máxima (PIm), pressão expiratória máxima (PEm), saturação periférica de oxigénio (SpO2) e frequência respiratória (FR). Foi aplicada a técnica BS no GI no pré e pós-operatório. Recorreu-se à análise estatística descritiva e inferencial. Resultados: Observaram-se diferenças estatisticamente significativas pós-operatórias, entre o GC e o GI, na CVF ( -20,29 vs. -13,60), VEF1 (-23,05 vs. -13,38), PIm (-22,96 vs. -14,93), PEm (-14,10 vs -10,32) e FR (12,29 vs 6,45). Conclusão: A técnica de BS permitiu melhorar a função respiratória do GI e reverter as alterações previsíveis no pós-operatório de cirurgia bariátrica. Palavras-chave: obesidade; sistema respiratório; ventilação pulmonar; enfermagem em reabilitação

Abstract

Resumen

Background: Upper abdominal surgery is associated with a high incidence of pulmonary complications. The breath-stacking (BS) technique is considered a resource with therapeutic potential for rehabilitation nursing. Objective: To assess the effectiveness of the BS technique in improving the respiratory function. Methodology: Quasi-experimental study with 36 women undergoing bariatric surgery, distributed into a control group (CG) and an intervention group (IG). The forced vital capacity (FVC), the forced expiratory volume in one second (FEV1), the maximal inspiratory pressure (MIP), the maximal expiratory pressure (MEP), the peripheral oxygen saturation (SpO2), and the respiratory rate (RR) were evaluated in the pre and postoperative periods. The BS technique was applied to the IG in the pre and postoperative periods. Both descriptive and inferential statistics were used. Results: Statistically significant postoperative differences were observed between the CG and the IG in FVC (-20.29 vs. -13.60), FEV1 (-23.05 vs. -13.38), MIP (-22.96 vs. -14.93), MEP (-14.10 vs. -10.32), and RF (12.29 vs. 6.45). Conclusion: The BS technique improved the respiratory function of the IG and reversed the predictable changes in the postoperative period of bariatric surgery.

Marco contextual: La cirugía abdominal alta se asocia con una elevada incidencia de complicaciones pulmonares. La técnica de breath stacking (BS) se considera un recurso con potencial terapéutico para la enfermería de rehabilitación. Objetivo: Evaluar la efectividad de la técnica de BS para mejorar la función respiratoria. Metodología: Estudio cuasi-experimental con 36 mujeres sometidas a cirugía bariátrica, distribuidas entre el grupo de control (GC) y el de intervención (GI). Las mediciones de la capacidad vital forzada (CVF), el volumen espiratorio forzado en el primer segundo (VEF1), la presión inspiratoria máxima (PIm), la presión espiratoria máxima (PEm), la saturación periférica de oxigeno (SpO2) y la frecuencia respiratoria (FR) se evaluaron GI que en el GC antes y después de la cirugía. La técnica BS se aplicó en el GI antes y después de la cirugía. Se utilizó un análisis estadístico descriptivo e inferencial. Resultados: Se observaron diferencias posoperatorias estadísticamente significativas entre el GC y el GI en la CVF (-20,29 frente a -13,60), VEF1 (-23,05 frente a -13,38), PIm (-22,96 frente a -14,93), PEm (-14,10 frente a -10,32) y FR (12,29 frente a 6,45). Conclusión: La técnica BS permitió mejorar la función respiratoria del GI y revertir los cambios predecibles en el posoperatorio de cirugía bariátrica. Palabras clave: obesidad; sistema respiratorio; ventilación pulmonar; enfermería en rehabilitación

*MSc., Enfermeiro, Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro - Vila Real, 5000-508, Vila Real, Portugal [sergiovazn6@hotmail.com]. https://orcid.org/0000-0003-4148-5705.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8¶±bO†|8YbY8Y´¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶ 8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡±8Y8œ8±8O±±b´œŒYdŒO8U*Á8+E*¦ÁbV n32, Vendas-de-Baixo, Campeã, 5000-071 Vila Real, Portugal. CC+O¡V Á¼±8ŒYV-ŒÇb±´Y8YbYb8Á´8ŒŒbV ~—Ηp8Á´8ŒŒbV+Á€Q8K¼8t¡Ç8͉8¼´D unil.ch]. https://orcid.org/0000-0003-4220-8507. Contribuição no artigo: tratamento e avaliação b´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´bYbY8Y´Vb´O±¼8Y8±¼t¡ ***MSc., Professora Adjunta, Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, 5300-121, Bragança, Portugal [maria.mendes@ipb.pt]. https://orcid.org/0000-0001-6528sÀgs¡ Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡ ****Ph.D., Professor Coordenador, Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, 5300-121, Bragança, Portugal [leonel.preto@ipb.pt]. https://orcid.org/0000-0002-8126-7051.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡ *****Ph.D., Professor Adjunto, Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, 5300-121, Bragança, Portugal [helder@ipb.pt]. https://orcid.org/0000-0001-9705-8214.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡ ******Ph.D., Professor Adjunto, Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança, 5300-121, Bragança, Portugal [andre@ipb.pt]. https://orcid.org/0000-0001-8583-0406.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´bYb Y8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡ Revista de Enfermagem Referência

Recebido para publicação em: 26.07.19 Aceite para publicação em: 18.11.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 49 - 58


Introdução

Enquadramento

A obesidade é a doença metabólica mais comum no mundo (Formiguera & Cantón, 2016). A sua prevalência triplicou desde a década de 1980 e afeta 20% da população europeia, sendo atualmente considerada um problema de saúde pública a nível mundial (Organização Mundial de Saúde, 2016). Assiste-se atualmente a um crescente interesse científico na relação entre a obesidade e os seus efeitos sobre o sistema respiratório. Alterações na mecânica respiratória (Piper & Grunstein, 2010), volumes pulmonares, complacência torácica e pulmonar (Pelosi & Gregoretti, 2010), força, resistência dos músculos respiratórios, frequência respiratória (FR) e testes da função pulmonar (Costa, Barbalho, Miguel, Forti, & Azevedo, 2008) estão bem descritas na literatura. Essas alterações poderão ser exacerbadas em situações de vulnerabilidade, como é o caso da cirurgia abdominal alta e na qual se inclui a cirurgia bariátrica. A reabilitação pré-cirúrgica, instituída com recurso a técnicas de expansão pulmonar, tem um papel fundamental na prevenção das complicações pulmonares pós-operatórias. Na prática clínica têm sido utilizadas várias técnicas mas, no entanto, nenhuma foi ainda aceite como técnica de eleição e não há um conceito terapêutico específico universalmente aceite. São poucos os estudos que abordam as alterações pulmonares no pós-operatório de cirurgia abdominal. Não foram identificados estudos que avaliem a reversão das alterações na função respiratória em indivíduos submetidos a cirurgia bariátrica após um programa de reexpansão pulmonar com a técnica de breath stacking (BS), bem como a sua comparação com um grupo de controlo. Daí a pertinência e importância deste estudo. Como tal, pretendemos avaliar a eficácia da técnica de expansão pulmonar BS na melhoria da função respiratória de mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica, através de uma avaliação pré e pós cirúrgica das medidas respiratórias (saturação periférica de oxigénio e FR), espirométricas (capacidade vital forçada e volume expiratório forçado no primeiro segundo) e de força muscular (pressão inspiratória máxima e pressão expiratória máxima) entre dois grupos, de controlo e intervenção.

Os procedimentos cirúrgicos no andar superior do abdómen estão associados a uma alta incidência de complicações pulmonares pós-operatórias, entre as quais se destacam a redução progressiva da complacência pulmonar e atelectasia em aproximadamente 90% dos pacientes nas 24 horas após a extubação (Serejo et al., 2007), encontrando-se na literatura taxas de prevalência que variam entre os 17% e 88% (Overend et al., 2001). Essas alterações podem prolongar-se por mais de duas semanas, aumentar o período de hospitalização, a morbilidade e mortalidade hospitalar (Sanches et al., 2007). A técnica de expansão pulmonar BS consiste na utilização de uma máscara facial com uma válvula unidirecional que permite, através do bloqueio expiratório, inspirações sucessivas e cumulativas desde a capacidade residual funcional (CRF) até à capacidade pulmonar total (CPT) de forma a aumentar progressivamente o volume pulmonar (Barcelar et al., 2014). É considerada uma técnica não invasiva, segura, e eficaz na melhoria da função respiratória e da mecânica pulmonar em diferentes contextos clínicos (Dias, Plácido, Ferreira, Guimarães, & Menezes, 2008). Os principais estudos realizados nas últimas décadas demonstram que a técnica de BS é responsável pela melhoria da ventilação pulmonar através do aumento dos volumes pulmonares e da capacidade vital forçada, sendo recomendada como técnica de primeira linha na expansão pulmonar e prevenção de complicações respiratórias (Rafiq et al., 2015)requiring 90 and 95 days of antibiotics, respectively (p = 0.34).

Questão de Investigação/ Hipóteses A técnica de expansão pulmonar BS permite melhorar a função respiratória (força muscular, medidas respiratórias e espirométricas) em mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica? H1: A técnica de expansão pulmonar BS permite melhorar a função respiratória em mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica. H2: A técnica de expansão pulmonar BS permite aumentar o volume pulmonar em mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica. H3: A técnica de expansão pulmonar BS per-

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mite aumentar a força muscular respiratória em mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica. H4: A técnica de expansão pulmonar BS permite aumentar a saturação periférica de oxigénio em mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica. H5: A técnica de expansão pulmonar BS permite normalizar a FR em mulheres obesas submetidas a cirurgia bariátrica.

São João - Porto. A amostra foi constituída por 36 mulheres, tendo a seleção sido realizada por conveniência, no período compreendido entre 3 de janeiro a 5 de março de 2017. Foram definidos como critérios de inclusão: índice de massa corporal (IMC) ≥ 35kg/m2; mulheres em pré-operatório de cirurgia bariátrica; pós-operatório de cirurgia bariátrica com entubação orotraqueal e necessidade de anestesia geral; estabilidade hemodinâmica sem necessidade de drogas vasoativas durante a cirurgia; com assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido. Foram excluídas as mulheres com: hábitos tabágicos; patologia respiratória, cardíaca e neuromuscular prévia; défice cognitivo prévio; intolerância na utilização da máscara facial; complicações pós-operatórias com necessidade de admissão em unidade de cuidados intermédios ou intensivos; extubação em período superior a 24 horas após a cirurgia; nível de consciência no pós-operatório incompatível com a realização da técnica de BS. Por ordem de internamento e preenchidos os critérios de inclusão, as mulheres foram sendo distribuídas de forma alternada e equitativa pelos GC e GI (mulher 1 no GC; mulher 2 no GI e assim sucessivamente), tendo os dados sido recolhidos em duas fases como se pode observar na Tabela 1.

Metodologia Foi realizado um estudo quasi-experimental, com grupo de intervenção (GI) e grupo de controlo (GC). A investigação quasi-experimental caracteriza-se por não ter um controlo completo, uma aleatoriedade na seleção dos grupos e por não necessitar de longos períodos de observação e recolha dos dados. População e amostra A população deste estudo foi constituída por mulheres voluntárias com idade igual ou superior a 18 anos, com cirurgia bariátrica programada e internadas no Centro de Elevada Diferenciação da Obesidade do Hospital de Tabela 1

Pós-operatório

Pré-operatório Avaliação 24 hours

24 hours

48 hours

72 hours

Antropométrica (Peso, altura, IMC)

GC + GI

---

---

---

Medidas respiratórias (SpO2, FR)

GC + GI

---

---

GC + GI

Espirométricas (CVF, VEF1)

GC + GI

---

---

GC + GI

Força muscular (PIm, PEm)

GC + GI

---

---

GC + GI

GI

GI

GI

GI

Técnica Breath Stacking

Nota. GC = Grupo de Controlo; GI = Grupo de Intervenção; IMC = Índice de Massa Corporal; FR = Frequência Respiratória; CVF = Capacidade Vital Forçada; VEF1 - Volume Expiratório Forçado no 1.º Segundo; PIm = Pressão Inspiratória Máxima; PEm = Pressão Expiratória Máxima; SPO2 = Saturação Periférica de Oxigénio.

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Instrumentos de avaliação A investigação seguiu um protocolo para registo de dados de todos os indivíduos participantes numa ficha de avaliação própria contendo: idade, peso, altura, índice de massa corporal, critérios de inclusão e exclusão e avaliação relativa às medidas antropométricas, espirométricas, respiratórias e da força muscular respiratória, pré e pós-operatórias. Os dados foram recolhidos sempre pelo mesmo avaliador e as avaliações realizadas com recurso aos mesmos equipamentos. Em ambos os grupos foram avaliadas as medidas respiratórias, espirométricas e da função muscular ventilatória no dia anterior à cirurgia bariátrica (1ª avaliação) e às 72 horas pós intervenção cirúrgica (2ª avaliação). As medidas espirométricas capacidade vital forçada (CVF) e volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) foram determinadas utilizando um espirómetro digital portátil da marca Contec, modelo CMS-SP10, de acordo com os critérios de reprodutibilidade e aceitabilidade da the American Thoracic Society/European Respiratory Society. A pressão inspiratória máxima (PIm) e pressão expiratória máxima (PEm) foram avaliadas a partir do volume residual e capacidade pulmonar total, respetivamente, através da utilização de um manómetro manual da marca Instrumentation Industries, modelo NS 120-TRR conectado a um bocal com tubo de 20 cm de comprimento. Foram realizadas pelo menos três manobras inspiratórias e expiratórias e selecionadas as melhores de três. Cada paciente realizou no mínimo três manobras aceitáveis, com 30 segundos de intervalo entre elas.

ou intercorrências provocadas pela aplicação da técnica de BS. Não houve recusa ou desistência de qualquer participante durante a investigação. Análise e tratamento dos dados Para o tratamento estatístico dos dados foi utilizado o software Stata®, versão 14.0, apresentando-se a estatística descritiva mediante o valor média ± desvio padrão e valores mínimos e máximos. O número de indivíduos determinados pelas avaliações é indicado pelo n amostral. Para o estudo da comparação de dois grupos independentes, recorreu-se à aplicação do teste bilateral de Mann-Whitney. Quando se dispõe de uma amostra pequena e a variável numérica não apresenta uma variação normal ou quando não há homogeneidade das variâncias pode utilizar-se o teste não paramétrico de Mann-Whitney (U). É indicado para comparação de dois grupos não emparelhados para se verificar se pertencem ou não à mesma população e cujos requisitos para aplicação do teste t Student não foram cumpridos. O teste de Mann-Whitney (U) pode ser considerado a versão não paramétrica do teste t para amostras independentes. Foi também utilizado o teste de Wilcoxon para comprar os resultados da 1ª avaliação com os resultados da 2ª avaliação dos dois grupos, de forma independente. Os testes estatísticos foram realizados com nível de confiança de 95%, considerando como significativo nível de significância p < 0,05. Considerações éticas O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética para a Saúde do Centro Hospitalar de São João/Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, tendo o comprovativo da aprovação sido fornecido a todas as mulheres. Todas as mulheres assinaram o consentimento informado, no qual se procedeu à explicação do estudo, da garantia de confidencialidade das informações recolhidas e da liberdade de abandono ou recusa de participação em qualquer uma das fases da investigação.

Protocolo de intervenção No GI foi aplicada a técnica de expansão pulmonar BS no pré-operatório (após a 1ª avaliação) e às 24, 48 e 72 horas após intervenção cirúrgica. Na aplicação da técnica de BS foi utilizada uma máscara facial de silicone a envolver nariz e boca, conectada a uma válvula unidirecional que permitiu apenas a inspiração, sendo as pacientes instruídas a realizar inspirações sucessivas a partir da capacidade residual funcional (CRF) até à capacidade pulmonar total (CPT). A técnica terminava após se atingir a CPT e se constatar a ausência de volume de ar inspirado durante cinco segundos. A técnica foi realizada seis vezes, com intervalos de 30 segundos entre cada manobra. Durante o estudo não ocorreram incómodos

Resultados A amostra foi composta por 36 indivíduos do sexo feminino, distribuídos de forma equitativa pelos dois grupos. Relativamente à idade, verificou-se homogeneidade nos dois grupos, tendo

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o GC uma média de 44,83 ± 9,15 anos e o GI 45,78 ± 8,03 anos. O IMC foi semelhante nos GC e GI com médias de 43,24 ± 4,83 Kg/m2 e 43,47 ± 4,02 Kg/m2 respetivamente (Tabela 2). Na literatura consultada, relativamente aos estudos sobre a técnica de BS, observamos que existe uma grande variabilidade em termos de indivíduos nos grupos de intervenção e nas respetivas médias de idade, variando de 12 (Dias et al., 2008) a 179 indivíduos (Toussaint, Boitano, Gathot, Steens, & Soudon, 2009), com médias

de idade entre os 11 (Jenkins, Stocki, Kriellaars, & Pasterkamp, 2014) e os 64 anos (Rafiq et al., 2015). Em relação aos estudos sobre as alterações pulmonares no pós-operatório de cirurgia abdominal, encontramos variações entre os 21 (Paisani, Chiavegato, & Faresin, 2005) e os 70 indivíduos (Nguyen et al., 2001), com médias de idade a variar entre os 33 (Joris, Hinque, Laurent, Desaive, & Lamy, 1998) e os 42 anos de idade (Nguyen et al., 2001).

Tabela 2 Distribuição da amostra segundo a idade por grupos (Teste bilateral de Mann-Whitney) Variável Idade (anos)

n

DP

Média

Mínimo

Máximo

GC

GI

GC

GI

GC

GI

GC

GI

GC

GI

18

18

44,83

45,78

9,15

8,03

31

33

62

62

p 0,623

Nota. GC = grupo de controlo; GI = grupo de intervenção; DP = desvio padrão; p = significância.

Em relação às variáveis antropométricas verificamos igualmente, na Tabela 3, a homogeneidade dos dois grupos. O IMC foi semelhante nos grupos de controlo e intervenção com médias de 43,24 ± 4,83 Kg/m2 e 43,47 ± 4,02 Kg/m2

respetivamente. Os valores de IMC referenciados nos estudos consultados oscilam entre os 43,45 Kg/m2 (Barcelar et al., 2014) e os 50 Kg/m2 (Paisani et al., 2005).

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Tabela 3 Distribuição da amostra por grupos segundo peso, altura e IMC (Teste bilateral de Mann-Whitney) n

Variável

DP

Média

Mínimo

p

Máximo

GC

GI

GC

GI

GC

GI

GC

GI

GC

GI

Peso (Kg)

18

18

112,28

114,05

14,13

10,88

93

101

139

135

0,568

Altura (cm)

18

18

161,11

162,05

6,04

6,27

150

150

169

173

0,656

IMC (Kg/m2)

18

18

43,24

43,47

4,83

4,02

37,8

37,1

55,8

52,7

0,762

Nota. GC = grupo de controlo; GI = grupo de intervenção; DP = desvio padrão; p = significância.

Pela análise da Tabela 4, verificamos que não há diferença pré-operatória estatisticamente significativa entre os grupos de controlo e intervenção em relação à CVF, VEF1, PIm, PEm, SpO2 e FR.

Os dois grupos obtiveram resultados idênticos na 1ª avaliação, não havendo resultados díspares passíveis de conduzir a enviesamentos.

Tabela 4 Resultados dos parâmetros espirométricos, da força muscular respiratória e medidas respiratórias, na 1ª avaliação, distribuídos por grupos (Teste bilateral de Mann-Whitney) GC

GI 1ª Avaliação

p

Variável

(N = 18) Média ± DP min/ máx

(N = 18) Média ± DP min/ máx

CVF (ml)

3113,89±645,53 1530/ 4340

3067,78±431,99 2100/ 3750

0,825

VEF1 (ml)

2763,33±571,66 1400/ 3560

2713,89±466,78 1580/ 3340

0,658

PIm (cm/H2O)

74,78±13,77 40/ 96

78,22±13,25 40/ 100

0,388

PEm (cm/H2O)

83,33±15,17 56/ 104

87,11±18,79 36/ 116

0,435

SpO2 (%)

97,89±1,18 94/ 99

97,67±1,08 95/ 99

0,434

FR (c/min)

17,44±1,09 16/ 20

18,22±1,06 16/ 20

0,333

Nota. CVF = capacidade vital forçada; VEF1 = volume expiratório forçado no primeiro segundo; PIm = pressão inspiratória máxima; PEm = pressão expiratória máxima; SpO2 = saturação periférica de oxigénio; FR = frequência respiratória; p = significância

GC, em termos absolutos. Os valores obtidos de FR na 2ª avaliação aumentaram nos dois grupos, com um aumento superior no GC, não se evidenciando alterações na SpO2 em qualquer dos grupos.

Como se observa na Tabela 5, obteve-se uma redução significativa, quando comparadas a 1ª e a 2ª avaliações, dos volumes pulmonares (CVF e VEF1) e força muscular respiratória (PIm e PEm), sendo essa redução mais acentuada no

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Tabela 5 Resultados dos parâmetros espirométricos, da força muscular respiratória e medidas respiratórias, nas 1ª e 2ª avaliações, distribuídos por grupos (Teste de Wilcoxon) p

GC

p

GI

1ª Avaliação

2ª Avaliação

1ª Avaliação

2ª Avaliação

Variável

(N = 18) Média ± DP min/ máx

(N = 18) Média ± DP min/ máx

(N = 18) Média ± DP min/ máx

(N = 18) Média ± DP min/ máx

CVF (ml)

3113,89±645,53 1530/ 4340

2491,11±608,89 1110/ 3470

0,000

3067,78±431,99 2100/ 3750

2650,56±510,99 1520/ 3510

0,000

VEF1 (ml)

2763,33±571,66 1400/ 3560

2136,11±536,92 940/ 2920

0,000

2713,89±466,78 1580/ 3340

2348,33±505,04 1350/ 3140

0,000

PIm (cm/ H2O)

74,78±13,77 40/ 96

58±16,66 32/ 84

0,000

78,22±13,25 40/ 100

66,44±16,69 32/ 92

0,000

PEm (cm/ H2O)

83,33±15,17 56/ 104

71,22±14,19 52/ 96

0,000

87,11±18,79 36/ 116

79,56±23,56 20/ 108

0,004

SpO2 (%)

97,89±1,18 94/ 99

97,28±1,07 94/ 99

0,222

97,67±1,08 95/ 99

97,67±1,029 95/ 99

1,000

FR (c/min)

17,44±1,09 16/ 20

19,56±1,25 18/ 22

0,000

18,22±1,06 16/ 20

19,39±1,54 16/ 22

0,002

Nota. CVF = capacidade vital forçada; VEF1 = volume expiratório forçado no primeiro segundo; PIm = pressão inspiratória máxima; PEm = pressão expiratória máxima; SpO2 = saturação periférica de oxigénio; FR = frequência respiratória; GC = grupo de controlo; GI = grupo de intervenção; p = significância

Pela análise da Tabela 6 verificamos que existem diferenças estatisticamente significativas pós-operatórias entre os grupos de controlo e intervenção

em relação à CVF, VEF1, PIm, PEm, e FR. Não se verificam diferenças com significado estatístico relativamente à variável SpO2.

Tabela 6 Variações relativas dos parâmetros espirométricos, da força muscular respiratória e medidas respiratórias, na 2ª avaliação, distribuídas por grupos (Teste bilateral de Mann-Whitney) n

Variável

Desvio Padrão

Média

GC

GI

GC

GI

GC

GI

CVF (%)

18

18

-20,29

-13,60

8,14

11,12

VEF1(%)

18

18

-23,05

-13,38

9,15

PIm (%)

18

18

PEm (%)

18

SpO2 (%) FR (%)

Mínimo GC

GI

Máximo

p

GC

GI

-40,99 -48,82

-7,72

-4,098

p<0,0049

11,26

-42,09 -48,34

-7,67

-3,98

p<0,0021

-22,96

-14,93 13,92 15,75

-46,66 -54,54

5,26

0

p<0,0183

18

-14,10

-10,32

9,71

16,75

-43,48

-45

0

21,05

p<0,0410

18

18

-0,62

-0,001

0,62

0,35

2,02

-1,01

0

1,03

---

18

18

12,29

6,45

6,84

6,71

0

-5,88

25

22,22

p<0,0135

Nota. CVF = capacidade vital forçada; VEF1 = volume expiratório forçado no primeiro segundo; PIm = pressão inspiratória máxima; PEm = pressão expiratória máxima; SpO2 = saturação periférica de oxigénio; FR = frequência respiratória; GC = grupo de controlo; GI = grupo de intervenção; p = significância

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Discussão

padrão respiratório rápido e superficial com volumes pulmonares reduzidos e probabilidade de formação de áreas de atelectasia. Reolon, Casagrande, Lorenzon, e Kessler (2009) encontraram melhoria na força muscular respiratória em indivíduos submetidos à técnica de BS, a qual produziu aumento da expansibilidade da caixa torácica, da complacência pulmonar estática e dinâmica e melhoria na oxigenação. Comparativamente à PIm, o menor ganho obtido estará provavelmente relacionado com o diferente contributo dos diversos músculos no processo respiratório, bem como o distinto grau de afetação dos mesmos. Posto isto, é seguro afirmar que a técnica BS foi responsável por resultados no GI melhores em 8% (p < 0,0183) na PIm e de 4% (p < 0,0410) na PEm, quando comparados com o GC na 2ª avaliação. O presente estudo não evidenciou alterações na saturação periférica de oxigénio (SpO2) em qualquer dos grupos. Apenas Paisani et al. (2005) faz alusão ao parâmetro SpO2, mostrando reduções de 17% e 11% nos respetivos 1º e 3º dias pós-operatórios. A diminuição da CVF obtida nos dois grupos poderia prever uma diminuição da SpO2 (reflexo de uma diminuição da PaO2). Dois possíveis mecanismos explicariam tal ocorrência: a diminuição da capacidade vital que resultaria em atelectasias e colapso alveolar periférico e o encerramento precoce que ocorre nas pequenas vias aéreas, levando igualmente ao colapso alveolar. A SpO2 não evidenciou queda no 3º dia pós-operatório. Este resultado mostra que, para além de não ter ocorrido hipoxemia arterial acentuada no pós-operatório, a complacência pulmonar e a pressão parcial de oxigénio (PaO2) retornaram aos seus valores normais após insuflações pulmonares profundas no GC e poderá ter ocorrido um mecanismo de compensação para manter a SpO2 nos níveis basais no GI. A FR poderá aumentar pela diminuição da força e resistência dos músculos respiratórios, bem como pelo aumento do custo energético da respiração e consequente decréscimo na eficiência respiratória (Costa et al., 2008). A previsível diminuição na complacência e aumento da resistência do sistema respiratório no pós-operatório, poderão condicionar um aumento da FR através do aumento da drive inspiratória, na tentativa de compensar essas alterações mecânicas (Barcelar, 2011). Tal si-

O GI e o GC apresentam resultados idênticos relativamente às variáveis idade, peso, altura e IMC e às avaliações pré-operatórias das variáveis CVF, VEF1, PIm, PEm, SpO2 e FR. Quando comparados os dois momentos de avaliação, tanto o grupo controlo como o grupo de intervenção obtiveram resultados inferiores nos resultados das variáveis CVF, VEF1, PIm, PEm na segunda avaliação. No entanto, essa diminuição foi estatisticamente menor no GI que no GC. Na literatura encontram-se valores de redução da CVF no 1º dia pós-operatório de 44% (Ebeo, Benotti, Byrd, Elmaghraby, & Lui, 2002), 50% (Joris et al., 1998) e 53% (Nguyen et al., 2001). Paisani et al. (2005) encontraram uma redução de 47% para 30% do 1º para o 3º dia pós-operatório. Neste estudo, a utilização da técnica de BS permitiu que o GI perdesse menos 7% (p < 0,0049) na CVF relativamente ao GC, provavelmente pelo recrutamento de alvéolos colapsados e reexpansão de áreas de atelectasia. Nos estudos consultados, encontram-se valores de redução do VEF1 no 1º dia pós-operatório de 44% (Ebeo et al., 2002), 50% (Joris et al., 1998) e 54% (Nguyen et al., 2001). Os valores de redução do VEF1 obtidos neste estudo são significativamente menores e correspondem a uma avaliação realizada no 3º dia pós-operatório. Verificou-se que a técnica de BS permitiu resultados aproximadamente 10% (p < 0,0021) melhores no GI em relação ao GC, na avaliação do padrão obstrutivo, facto que acompanha presumivelmente a capacidade de mobilizar maiores volumes, o aumento da complacência torácica e pulmonar e a reversão de áreas de atelectasia (McKim, Katz, Barrowman, Ni, & LeBlanc, 2012). Dos estudos que abordam a função respiratória no pós-operatório de cirurgia bariátrica, apenas Paisani et al. (2005) fazem referência às pressões respiratórias, indicando reduções de 51% e 30% na PIm e 39% e 29% na PEm, nos respetivos 1º e 3º dias pós-operatórios. Os valores de redução da PIm e PEm obtidos neste estudo são significativamente menores, relacionados provavelmente com a utilização da técnica de expansão pulmonar BS. É expectável no período pós-operatório a ocorrência de um

Eficácia da técnica de breath stacking na função respiratória em mulheres submetidas a cirurgia bariátrica

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tuação condiciona maior consumo energético, conduzindo a maior risco de fadiga, fraqueza e ineficiência muscular (Barcelar, 2011). Estes dados apontam para uma relação entre a diminuição da força muscular inspiratória e o aumento da drive inspiratória. No GI verificou-se um aumento menor da FR na 2ª avaliação, provavelmente pelo aumento do volume pulmonar (obtido pela técnica BS) e recrutamento de áreas pulmonares com atelectasia, as quais passaram a ter melhor relação ventilação perfusão. O GC apresentou um aumento na FR, porém sem alteração da SpO2 e maior impacto na função pulmonar relativamente aos parâmetros espirométricos. Ou seja, a manutenção da SpO2 no GC poderá ter sido compensada pelo aumento da FR. O estudo de Paisani et al. (2005) apresenta reduções de 17% para 11% do 1º para o 3º dia pós-operatório, traduzindo uma recuperação de 6% na diminuição da FR. O nosso estudo mostra que o GC apresentou resultados de FR 6% (p < 0,0135) melhores quando comparado com o GI.

redução na incidência de complicações pulmonares pós-operatórias. Os resultados deste estudo demonstram a eficácia da técnica de BS na reversão das alterações na ventilação pulmonar após um programa de reexpansão pulmonar e ampliam o conhecimento sobre os efeitos da cirurgia bariátrica no sistema respiratório. A técnica de BS é de fácil execução, prática para o avaliador e vantajosa para o paciente, requerendo equipamento de baixo custo. Considerando a eficácia da sua aplicabilidade clínica, julgamos que esta técnica se perspetiva como um recurso com potencial terapêutico ao dispor dos enfermeiros de reabilitação e dos programas de reabilitação respiratória. Como limitações ao presente estudo, aponta-se o pequeno tamanho da amostra (n = 36) e a falta de controlo intra e pós-operatório de variáveis que possam ter condicionado maior probabilidade de formação de áreas de atelectasia e influenciado o volume mobilizado pelos pacientes, tais como: tempo de duração da cirurgia; quantidade e duração da administração de oxigénio; tipo, tempo e quantidade de fármacos administrados (anestésicos, analgésicos e relaxantes musculares); manobras de recrutamento antes e após a extubação (PEEP, FiO2 a 100%, pressão positiva contínua) e intervenções que melhorem a função respiratória (nebulizadores). Como perspetiva futura, recomenda-se o controlo das variáveis anteriormente citadas. Não existe um protocolo definido para a aplicação da técnica estudada. Grande parte dos estudos indicam uma sessão diária de breath stacking, aplicada pelos autores com número de repetições variáveis entre 2 a 6 durante 15 a 20 segundos e com intervalos diferentes entre cada repetição. Apesar de nos parecer eficaz a sua utilização em sessões de curta duração, consideramos que seria importante a uniformização da execução da técnica, com a definição do número de séries e repetições ótimas para a criação de protocolos ajustados aos diferentes cenários terapêuticos, pelo que mais estudos serão necessários para esse efeito.

Conclusão Este estudo pretendeu aferir se a técnica de BS permite melhorar a função respiratória, melhoria essa traduzida pelo aumento do volume pulmonar, da força muscular respiratória e da saturação periférica de oxigénio, bem como pela normalização da frequência respiratória, de forma a reverter as alterações previsíveis no pós-operatório de cirurgia bariátrica. As principais conclusões deste estudo permitem afirmar que o programa de expansão pulmonar com recurso à técnica de BS foi responsável pelos resultados positivos em todas as variáveis da função respiratória no GI, quando comparado com o GC, alterações essas com significado estatístico, corroborando os ganhos clínicos obtidos e confirmando as hipóteses de trabalho inicialmente estabelecidas. A técnica de breath stacking é considerada segura e a sua eficácia tem sido demonstrada em diferentes contextos. Diversos autores são unânimes na atribuição à técnica de breath stacking, de melhoria da função respiratória e da mecânica pulmonar através do aumento da CVF e volumes pulmonares, com impacto sobre a recuperação cirúrgica e

Referências bibliográficas Barcelar, J. (2011). Avaliação da eficácia da técnica de breath stacking em mulheres obesas mórbidas quanto à distribuição de ventilação regional na caixa torácica (Dissertação

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SÉRGIO FILIPE ALVES VAZ et al.

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Eficácia da técnica de breath stacking na função respiratória em mulheres submetidas a cirurgia bariátrica

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19030

Humanização dos cuidados de saúde no serviço de urgência: análise qualitativa baseada nas experiências dos enfermeiros Humanization of healthcare at the emergency department: a qualitative analysis based on nurses’ experiences Humanización de la asistencia en urgencias: un análisis cualitativo basado en las experiencias de las enfermeras Martina Valenzuela Anguita* ; Ángela Sanjuan-Quiles** ; Mª Isabel Ríos-Risquez*** ; Mª Carmen Valenzuela-Anguita**** ; Rocio Juliá-Sanchis***** ; Raimunda Montejano-Lozoya******

Resumo Enquadramento: As condições de trabalho dos profissionais dos serviços de urgência e a tecnicização dos cuidados de saúde tiveram um impacto negativo na relação profissional de saúde-doente, desumanizando-a. Objetivo: Este estudo qualitativo explorou as perspetivas das enfermeiras em relação à humanização dos cuidados de saúde nos serviços de urgência em Espanha. Metodologia: Foi realizado um estudo qualitativo com recurso a entrevistas semiestruturadas a 11 enfermeiros a trabalhar em serviços de urgência. Os dados foram analisados com recurso à técnica de análise de conteúdo. Resultados: Foram identificados dois temas principais: as dimensões dos cuidados de saúde humanizados e implementação de cuidados de saúde humanizados nos serviços de urgência, bem como cinco subtemas. Conclusão: São apresentadas recomendações para reforçar as iniciativas para implementação de modelos integrados de assistência em saúde. A implementação do cuidado holístico, centrado no doente e na sua família é essencial para garantir a humanização dos cuidados de saúde nos serviços de urgência. Palavras-chave: emergências; enfermagem

Abstract

Resumen

Background: The working conditions of emergency department professionals and the technification of healthcare have had a negative impact on the healthcare professional-patient relationship, dehumanizing it. Objective: This qualitative study explored nurses’ perspectives about the humanization of healthcare in Spanish emergency departments. Methodology: A qualitative design, centred on the opinions of 11 nurses working in the emergency department was applied via semi-structured interviews. data were analysed using the content analysis technique. Results: Two main themes were identified: The dimensions of humanized healthcare and implementing humanized healthcare at emergency departments, as well as five subthemes. Conclusion: Recommendations are put forward to strengthen initiatives for implementing integrated models of healthcare assistance. The implementation of holistic, patient and family-oriented healthcare is essential to guaranteeing humanized healthcare at the emergency department. Keywords: emergencies; nursing

Marco contextual: Las condiciones laborales de los profesionales de los servicios de urgencias y la tecnificación de la atención sanitaria han tenido un impacto negativo en la relación médico-paciente, y la han deshumanizado. Objetivo: Este estudio cualitativo exploró el punto de vista de las enfermeras sobre la humanización de la atención sanitaria en los servicios de urgencias españoles. Metodología: Se aplicó un diseño cualitativo, centrado en las opiniones de 11 enfermeros que trabajan en el servicio de urgencias, mediante entrevistas semiestructuradas. Los datos se analizaron mediante la técnica del análisis de contenido. Resultados: Se identificaron dos temas principales: Las dimensiones de la atención humanizada y la implementación de la atención humanizada en el servicio de urgencias, así como cinco subtemas. Conclusión: Se presentan recomendaciones para fortalecer las iniciativas de implementación de modelos integrados de atención de la salud. La aplicación de una atención holística, centrada en el paciente y en su familia, es esencial para garantizar la humanización de la atención sanitaria en los servicios de urgencias. Palabras clave: urgencias médicas; enfermería

*Ph.D., Enfermagem, Hospital General Universitario Morales Meseguer, 30008, Múrcia, Espanha [marvalenzu@hotmail.es]. https://orcid.org/0000-0003-2130-1411. Contribuição para o artigo: conceção do estudo, desenho do estudo, recrutamento de centros e œ±o´´Œ8´œ8±¼Oœ8Œ¼b´btb´¼EY´Y8Y´VŒO†ÁŒYOŒ¼±†Yb¦Á8†Y8YbVœ±b´YbŒ¼b do comité de supervisão dos dados. **Ph.D., Professora Catedrática, Universidade de Alicante, 03690, Alicante, Espanha [angela.sanjuan@ua.es]. https://orcid.org/0000-0002-1992-3548. Contribuição para o 8±¼tUOŒObQEYb´¼ÁYVYb´bŒ|Yb´¼ÁYV±bO±Á¼8‰bŒ¼YbObŒ¼±´bœ±o´´Œ8´ œ8±¼Oœ8Œ¼b´btb´¼EY´Y8Y´VŒO†ÁŒYOŒ¼±†Y8¦Á8†Y8YbV8Œ9†´bY´Y8Y´V elaboração do manuscrito. Morada para correspondência: Carr. de San Vicente del Raspeig, s/n, 03690 San Vicente del Raspeig, Alicante, España. ***Ph.D., Professora, Universidade de Múrcia, 30100, Múrcia, Espanha, [mi.rios@um.es]. https://orcid.org/0000-0001-5572-3394. Contribuição para o artigo: recrutamento de ObŒ¼±´bœ±o´´Œ8´œ8±¼Oœ8Œ¼b´btb´¼EY´Y8Y´VŒO†ÁŒYOŒ¼±†Y8¦Á8†Y8Yb¡ ****MD., Enfermeira, Hospital de Sagunto, 46520, Sagunto, Espanha [carvalang@hotmail. com]. https://orcid.org/0000-0002-6561-0227. Contribuição para o artigo: gestão dos dados ***** Ph.D., Professora Assistente, Universidade de Alicante, 03690, Alicante, Espanha [rjulia@ ua.es]. https://orcid.org/0000-0003-1086-282X. Contribuição para o artigo: supervisão da ±b8†Í8QEY¼±8†b±bO†|8Y´Y8Y´V±bO±Á¼8‰bŒ¼YbObŒ¼±´bœ±o´´Œ8´œ8±¼Oœ8Œ¼b´b tb´¼EY´Y8Y´VŒO†ÁŒYOŒ¼±†Y8¦Á8†Y8YbV8Œ9†´b´Y´Y8Y´Vb†8F±8QEY‰8ŒÁ´O±¼¡ ****** Ph.D., Professora, Instituto de Investigación Sanitaria IIS La Fe, Grupo de Investigación en Arte y Ciencia del Cuidado GREIACC, Valencia, España. Universidade de Valência, 46010, Valencia, Espanha [montejano_rai@gva.es]. https://orcid.org/0000-0001-6548-8025. Contribuição para o artigo: conceção do estudo, desenho do estudo, recrutamento de ObŒ¼±´bœ±o´´Œ8´œ8±¼Oœ8Œ¼b´btb´¼EY´Y8Y´VŒO†ÁŒYOŒ¼±†Y8¦Á8†Y8Yb¡ Revista de Enfermagem Referência

Recebido para publicação em: 30.05.19 Aceite para publicação em: 27.10.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 59 - 68


Introdução

na qual são satisfeitas as necessidades da pessoa/ doente (Elers Mastrapa & Gibert Lamadrid, 2016). Vários autores têm proposto estratégias para a promoção da humanização em diferentes contextos: serviços de oncologia (Potter et al., 2010), SU (Bermejo, 2014) e, em particular, Unidades de Cuidados Intensivos (UCI; Luiz, Aquino Caregnato, & Costa, 2017), desenvolvendo projetos inovadores, tais como as H-UCI em Espanha (Heras La Calle & Zaforteza Lallemand, 2014). Apesar da introdução de novas políticas orientadas para a humanização dos cuidados de saúde no domínio da enfermagem, é necessário um compromisso por parte dos profissionais de saúde nas suas ações e no seu comportamento (Bermejo, 2014), bem como o reconhecimento dos direitos humanos básicos e dos direitos dos doentes, da sua vulnerabilidade e dos princípios éticos que lhes conferem dignidade (Luiz et al., 2017).

Desde a segunda metade do século XX, os serviços de urgência (SU) hospitalar sofreram uma mudança profunda a nível estrutural e técnico em linha com os avanços sociais e culturais na busca pela autodeterminação e o empoderamento dos doentes (Bates, 2018). No entanto, de acordo com este autor, este processo teve um impacto negativo nas relações dos doentes com os profissionais de saúde e as instituições (Bates, 2018). Foram identificadas algumas condições de trabalho desfavoráveis, tais como: elevados níveis de atendimento, sobrelotação, elevada carga de trabalho e tempo limitado de contacto com os doentes (Sanjuan-Quiles et al., 2018). Estes fatores, juntamente com a predominância do modelo biomédico tecnicizado dos cuidados de saúde, conduziram à sua despersonalização, negligenciando assim a dignidade daqueles de quem supostamente deveria cuidar (Tudela & Mòdol, 2015). Reconhecendo a necessidade de fazer face a estes fenómenos, existem atualmente várias iniciativas para a implementação de modelos integrados de cuidados de saúde, com vista a melhorar a qualidade percebida pelos doentes, bem como aumentar a satisfação profissional e melhorar os resultados em termos da saúde da população. A humanização dos cuidados é inerente à incorporação de um sistema de cuidados de saúde centrado no doente, no qual os doentes são vistos de uma forma holística e integrada e os profissionais de saúde possuem competências técnicas e não-técnicas (Silva, Freitas, Araújo, & Ferreira, 2016). Uma vez que a humanização dos cuidados não está totalmente implementada, ou normalizada, nos SU espanhóis, o objetivo do presente estudo foi explorar as perspetivas dos enfermeiros sobre a humanização dos cuidados nos SU em Espanha.

Questão de investigação Qual é a experiência dos enfermeiros espanhóis relativamente à humanização dos cuidados nos SU hospitalares?

Metodologia Foi realizado um estudo qualitativo com recurso a entrevistas semiestruturadas a enfermeiros a trabalhar em SU (Paley, 1997). A abordagem fenomenológica ao fenómeno da humanização visa conhecer e compreender este fenómeno nos SU, os seus fenómenos em mudança e a base de significado atribuída a este fenómeno através da realidade dos profissionais que lá trabalham, isto é, através das narrativas que descrevem as suas crenças, pensamentos, emoções e experiências de como vivem e se sentem diariamente no seu trabalho. Neste sentido, a abordagem ao fenómeno da humanização através da fenomenologia descreve a sua natureza geral e específica, bem como descreve e analisa o mundo interior dos protagonistas (Gomes, Paiva, Valdés, Frota, & Albuquerque, 2008). Além disso, foi aplicada uma abordagem indutiva (Woo, O’Boyle, & Spector, 2017). Este manuscrito segue as recomendações do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ), uma checklist de 32 itens para relatar entrevistas (Tong, Sainsbury, & Craig, 2007).

Enquadramento Existem diferentes modelos e teorias de enfermagem que orientam os cuidados de enfermagem para uma prática mais humanizada, tais como os modelos de Peplau e Travelbee. Estas bases epistemológicas do cuidado de enfermagem centram-se na subjetividade e na experiência da pessoa no seu processo de saúde-doença, favorecendo o desenvolvimento da relação interpessoal que ocorre durante o encontro terapêutico, dando-lhe significado, e

Humanização dos cuidados de saúde no serviço de urgência: análise qualitativa baseada nas experiências dos enfermeiros

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Amostra do estudo A amostra inicial do estudo foi constituída por 35 enfermeiros a trabalhar em SU na província de Múrcia (Espanha). A seleção foi realizada através do método de amostragem não-probabilística por conveniência, procurando alcançar a representatividade. Foram adotados os seguintes critérios de inclusão: estar a trabalhar de forma ativa no setor público e ter pelo menos 1 ano de experiência no seu atual local de trabalho. Cinco potenciais participantes recusaram-se a participar ou desistiram devido a falta de interesse no estudo. Por fim, 11 enfermeiros cumpriram os critérios de inclusão e participaram no estudo até à saturação dos dados.

As características da amostra são apresentadas na Tabela 1. As mulheres representaram 54,6% da amostra. A média de idade foi 40,5 anos (DP = 6,6). A média de tempo de serviço nos SU foi 11,7 anos (DP = 7,2). O perfil profissional dos enfermeiros a trabalhar nos SU foi Licenciatura/ Mestrado, uma vez que não existe nenhum curso de especialização em emergências e urgências no Sistema Nacional de Saúde em Espanha. As características da amostra acima referidas foram comparáveis às características (idade, sexo e experiência) dos candidatos que não deram o seu consentimento e/ou cumpriram os critérios de inclusão.

Tabela 1 Características e perfil profissional dos enfermeiros entrevistados Enfermeiro

Idade (anos)

Sexo

Experiência no SU (anos)

Data da entrevista

E1

42

Masculino

15

2-02-2015

E2

50

Feminino

25

16-02-2015

E3

39

Masculino

13

31-03-2015

E4

36

Masculino

3,5

30-04-2015

E5

38

Masculino

10

11-05-2015

E6

52

Masculino

8

31-05-2015

E7

41

Feminino

18

9-06-2015

E8

45

Feminino

20

15-09-2015

E9

29

Feminino

3

13-10-2015

E10

35

Feminino

4

3-11-2015

E11

39

Feminino

9

14-12-2015

Nota. SU = Serviço de Urgência.

Recolha de dados Os potenciais participantes foram identificados através de informantes-chave (supervisores de enfermagem) e contactados por correio eletrónico. Após os candidatos terem sido identificados, o contacto foi feito por correio eletrónico. Depois desse contacto, os investigadores explicaram-lhes as características do estudo e convidaram-nos a participar. Posteriormente, os investigadores telefonaram aos candidatos para lhes explicar as características do estudo e convidá-los a participar. Todos os candidatos concordaram em participar no estudo de forma voluntária e assinaram o consentimento informado. Duas investigadoras realizaram todas as entrevistas, que duraram cerca de 45 minutos. Ambas as

investigadoras são enfermeiras com experiência anterior na realização de investigação qualitativa. As entrevistas semiestruturadas presenciais foram realizadas num centro à escolha dos entrevistados, no qual foi criado um ambiente confidencial adequado. A entrevista incluiu 10 perguntas baseadas na revisão de literatura relevante e nos objetivos específicos do estudo: Como é a relação enfermeiro-doente nos SU?; De forma geral, como é que descreveria o tipo de cuidados prestados pelos enfermeiros nos SU?; O que é que entende pelo termo “humanização dos cuidados”?; Quais os fatores/comportamentos que favorecem a humanização dos cuidados?; Lembra-se de alguma experiência na qual tenha sido estabelecido um contacto deste

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natureza com o doente e/ou a sua família?; Na sua opinião, qual o nível de humanização dos SU?; Quais são as características e competências que os enfermeiros dos SU possuem e que promovem o desenvolvimento dos cuidados humanizados?; Como é que definiria as competências de comunicação e as relações terapêuticas nos SU?; Qual a importâncias dessas competências na relação enfermeiro-doente/ família?; e Qual a sua opinião em relação à formação na área da humanização? Foi atribuído um código numérico a cada entrevista para garantir o anonimato e a confidencialidade dos entrevistados que consistiu na letra “E”, seguida por números consecutivos de acordo com a ordem cronológica em que foram realizadas (E1, E2, E3, …E11); ver Tabela 1. A recolha de dados terminou após 11 entrevistas uma vez que foram sendo repetitivamente abordados temas semelhantes, o que foi interpretado como saturação dos dados. As entrevistas foram gravadas em formato áudio digital e, posteriormente, transcritas verbatim. Cada participante teve acesso ao seu contributo de forma a corroborar o rigor da transcrição. Todas as entrevistas e anotações foram analisadas de forma exaustiva e meticulosa.

gar, através de um processo dinâmico, os códigos iniciais foram divididos em potenciais temas e subtemas. Após a identificação das diferenças entre estes últimos e aqueles disponíveis na literatura e/ ou quadro conceptual, a equipa implementou o quarto passo que consistiu em refinar consensualmente a classificação sobre quais os dados mais relevantes e o significado dos temas e subtemas gerados. Em quinto lugar, os autores criaram nomes mais concisos para os temas e subtemas. No sexto e último passo, os resultados foram relatados de forma escrita, incluindo exemplos que captassem a essência da informação em análise. A análise qualitativa não foi realizada com recurso a um programa informático porque a equipa de investigação preferiu a abordagem tradicional para essa análise. Considerações éticas Todos os procedimentos em estudos envolvendo seres humanos foram realizados em conformidade com os princípios éticos da comissão de investigação institucional e com a Declaração de Helsínquia de 1964 e as suas alterações posteriores ou princípios éticos comparáveis. Todos os candidatos foram informados do objetivo do estudo. Foi obtido o consentimento informado de todos os indivíduos incluídos no estudo. Além disso, foi solicitada autorização para a realização do estudo junto das instituições nas quais os participantes trabalhavam.

Análise de dados Os dados foram analisados através da técnica de análise temática de Braun e Clarke (2006) composta por seis passos. Em primeiro lugar, todas as entrevistas foram lidas e relidas pelo menos mais uma vez usando um método de triangulação. A leitura repetitiva das transcrições ajudou os investigadores a familiarizarem-se com os dados. Em segundo lugar, os autores identificaram uma lista inicial de códigos temáticos, tendo em conta a sua frequência de ocorrência. Em terceiro lu-

Resultados Foram identificados dois temas e cinco subtemas durante as entrevistas que ajudaram a descrever a situação (Tabela 2).

Tabela 2 Temas e subtemas Tema

Subtema 1.1 O conceito de humanização

1. Dimensões dos cuidados de saúde Humanizados

1.2 Cuidados de saúde centrados no doente/família

2. Implementação de cuidados de saúde humanizados nos SU

2.1 Aquisição de competências psicossociais

1.3 Simetria de poder e desenvolvimento de confiança na relação enfermeiro-doente

2.2 Trabalho de equipa e comunicação

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Tema 1. As dimensões dos cuidados de saúde humanizados

Baseia-se na relação que é estabelecida com o doente e a sua família, na qual o profissional de saúde é capaz de combinar as intervenções técnicas com as tarefas de saúde personalizadas, colocando a ênfase no desenvolvimento de uma relação de empatia, carinho e respeito (Figura 1).

1.1 O conceito de humanização Os enfermeiros entrevistados consideraram que o conceito de humanização é multidimensional.

Figura 1. Aspetos envolvidos nas relações humanizadas entre profissionais e doentes.

1.2 Cuidados de saúde centrados no doente/ família Os participantes consideraram que a humanização dos cuidados se baseia no desenvolvimento de uma relação eficaz com o doente/família e na consciência da sua vulnerabilidade ao recorrer a um SU: “É uma questão de criar um clima de confiança, no qual as pessoas se sintam à vontade . . . é tratar o doente como uma pessoa, como um ser humano.” (E7; junho, 2015). “Trata-se de estar atento ao estado de espírito ou às preocupações do doente e não ser apenas um bom enfermeiro a nível técnico.” (E2; fevereiro, 2015). “É ter em conta os pequenos detalhes, um toque carinhoso, um gesto de simpatia, um sorriso: eu acho que isso faz parte da humanização dos cuidados e não apenas, Bingo! . . . inserir um cateter sem sequer estabelecer contacto visual . . .” (E5; maio, 2015). A utilização das competências sociais e de co-

municação foi reconhecida como sendo uma parte essencial da enfermagem, bem como estar consciente da singularidade do doente/família e fornecer as informações necessárias sobre a sua situação para garantir a autonomia e a autodeterminação do doente. Por exemplo, nas palavras de um entrevistado: “Significa que o doente recebe informação exata, pertinente e compreensível sobre a sua situação, os procedimentos a que irá ser submetido e, acima de tudo, uma explicação sobre o processo e as etapas a ser seguidas no SU” (E8; setembro, 2015). A maioria dos entrevistados identificou os conceitos de continuidade e personalização dos cuidados como sendo essenciais para a humanização dos cuidados e propôs o Modelo do enfermeiro de referência como sendo o modelo ideal para alcançar o objetivo de humanizar os SU (Figura 2). O médico e o enfermeiro apresentam-se - O meu nome é tal e tal e vou cuidar de si durante a sua estadia . . . uma vez que

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1.3 Simetria de poder e desenvolvimento de confiança na relação enfermeiro-doente Para que as relações simétricas de poder se transformem em relações de confiança, é necessária uma congruência de objetivos entre as partes. Os entrevistados identificaram a necessidade de estabelecer uma relação bilateral na qual está enraizado o modelo paternalista-hegemónico dos cuidados de saúde despersonalizados (onde o doente é apenas considerado um caso, uma doença ou um número). Somos todos iguais. Devíamos esquecer as questões de poder, onde o doente está lá em baixo e os profissionais estão cá em cima, não devíamos? Somos nós que temos o conhecimento e o doente precisa da nossa ajuda, mas deve ser de forma gentil e numa base de igualdade. (E3; março, 2015) “Bem, eu acho que é simplesmente mais fácil perguntar: Como é que está? Como é que se sente? Está bem? Precisa de alguma coisa?” (E7; junho, 2015).

os torna mais relaxados . . . pelo menos o doente que já sabe a quem recorrer . . . . (E2; fevereiro, 2015) Os entrevistados ressaltaram a importância do processo de acolhimento e de estabelecer relações positivas, a fim de prestar cuidados de saúde integrados ao doente/família, bem como uma avaliação e um acompanhamento adequados, sendo que o doente desempenha um papel ativo no processo. “Quando um doente chega ao serviço de urgência, é importante acompanhá-lo, dedicar-lhe o seu tempo e falar com ele para que se sinta mais seguros e mais calmo.” (E3; março, 2015). “Explicar como o serviço funciona e dizer-lhes que vai falar com a família deles ajuda a diminuir significativamente o seu nível de ansiedade, bem como a ansiedade dos membros da sua família.” (E9; outubro, 2015). “Se os tiver avaliado corretamente, sabe quais serão as suas necessidades, as suas preocupações, se a sua família está à espera ou não, compreende a situação.” (E8; setembro, 2015).

Figura 2. Modelo do enfermeiro de referência.

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Tema 2. Implementação de Cuidados de Saúde Humanizados nos SU

de outras pessoas, para criar uma equipa, para trabalhar bem em conjunto. Deve haver cordialidade e respeito. Isso faz com que, subconscientemente, você trabalhe bem e o departamento funcione corretamente . . . E o doente, que é o aspeto mais importante neste caso, irá beneficiar disso e vai notar a diferença. (E3; março, 2015) Para os profissionais que trabalham diariamente nos SU, o reconhecimento por um trabalho bem feito da parte de todos (doentes, famílias, equipas e instituição) foi o principal aspeto que gerou um sentimento de satisfação e uma melhoria da qualidade dos cuidados prestados.

2.1 Aquisição de competências psicossociais Os participantes reconheceram o papel do enfermeiro como parte essencial do processo de humanização e consideraram o seu contributo, sentido de dever e consciencialização como sendo necessários. Os participantes referiram a necessidade de competências técnicas e não-técnicas, a fim de gerir eficazmente cada situação, sublinhando a importância dos pequenos detalhes (Beltrán-Salazar, 2015). Além disso, os participantes identificaram a necessidade de aquisição de competências sociopsicológicas e da capacidade de desenvolver relações terapêuticas ou de “humanizar-se a si mesmo a fim de humanizar (outros)”: “A formação em competências de comunicação pode ajudar-nos a perceber que interiorizámos coisas que consideramos não ser más. Pode ajudar-nos a perceber que aquilo que estamos habituados a fazer não é bom.” (E8; setembro, 2015). No entanto, eles sentiram que o ónus pela formação em tais competências deve recair nos próprios profissionais de saúde e não na instituição. Um entrevistado referiu: “Depende da capacidade ou motivação para aprender de cada pessoa. Para mim, todos os profissionais devem preocupar-se em aprofundar as suas competências, em envolverem-se” (E5; maio, 2015).

Discussão Este artigo apresentou as conclusões do primeiro estudo realizado em Espanha sobre as perspetivas dos profissionais de saúde em relação à humanização dos cuidados de saúde, identificando as atitudes e os comportamentos que promovem a humanização dos cuidados de saúde nos SU. Foram identificados muitos aspetos reveladores em conformidade com a investigação a nível internacional. Foram identificados dois temas principais que descrevem situações que surgiram frequentemente durante as entrevistas: As dimensões dos Cuidados de saúde humanizados e a Implementação dos cuidados de saúde humanizados nos SU, bem como cinco subtemas que ajudaram a descrever a situação. Os entrevistados identificaram a humanização como sendo um conceito multidimensional baseado na relação estabelecida entre o doente/ família e a equipa de saúde. De acordo com os resultados do presente estudo, é necessário, por um lado, que os modelos biomédicos e tecnicizados de prestação de cuidados centrados na causa da hospitalização sejam substituídos por modelos que priorizam os próprios cuidados de saúde e facilitam o acompanhamento por familiares ou pessoas próximas dos doentes frágeis, especialmente no caso de crianças, idosos com declínio cognitivo e indivíduos com doença mental ou incapacidade (Gamella Pizarro, Sánchez Martos, González Armengol, & Fernández Pérez, 2014), envolvendo-os em todos os aspetos

2.2 Trabalho de equipa e comunicação No entanto, os enfermeiros fazem parte de uma equipa de saúde interdisciplinar e as características de uma equipa do SU influenciam a qualidade dos cuidados prestados. Essas características identificadas a partir das entrevistas foram: 1) identidade de grupo; 2) coesão da equipa, uma vez que, de acordo com os participantes do estudo, uma equipa unida contribui para um ambiente de trabalho propício à busca do bem comum; 3) coordenação ideal da equipa, com gestão participativa, relações não-hierárquicas e confiança mútua. Todas estas características devem ter por base uma comunicação eficaz, na qual a confiança e a proximidade são fundamentais para criar um ambiente de trabalho positivo. É importante sentir-se confortável junto

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e fases do processo de prestação de cuidados (Bates, 2018). Por outro lado, é ainda necessária a implementação de um sistema de gestão e alocação de recursos baseado no modelo do enfermeiro de referência no nosso contexto, a fim de implementar cuidados de saúde contínuos, individualizados e centrados no doente/ família (Silva et al., 2016). Os enfermeiros são eticamente, profissionalmente e legalmente responsáveis pelas suas ações; tendo em conta a sua posição-chave como agentes terapêuticos, e como parte da equipa de cuidados, o enfermeiro de referência estaria responsável por acolher o doente no serviço, ser um elo de ligação entre todas as partes envolvidas, promover uma comunicação eficaz (O’Rourke, Thompson, & McMillan, 2019) e aumentar a base de conhecimento sobre as reais necessidades do doente (Gamella Pizarro et al., 2014). Além disso, o enfermeiro de referência seria ainda responsável por resolver quaisquer questões a fim de reduzir o número de ocorrências indesejáveis durante a hospitalização do doente num ambiente que pode ser hostil para eles e ajudá-los a lidar com os problemas que conduziram à hospitalização (Juliá-Sanchis et al., 2019). Assim, o doente teria um papel mais ativo e participativo, acima de tudo nos processos de tomada de decisão sobre a sua saúde (Coulter & Collins, 2011), promovendo o empoderamento, gerando maior satisfação por parte dos utilizadores dos cuidados de saúde, aumentando a segurança clínica e, assim, melhorando a qualidade dos cuidados de saúde nos SU (Silva et al., 2016). A fim de alcançar a humanização dos cuidados, todos os profissionais de enfermagem devem, em primeiro lugar, refletir individualmente sobre a sua prática diária, as suas competências e as suas limitações. O enfermeiro deve questionar se presta cuidados de enfermagem de qualidade aos doentes/famílias, baseados em princípios éticos e morais relevantes tais como o respeito, a confiança e a dignidade. Em segundo lugar, para desenvolver melhores relações interpessoais com o doente/família, os profissionais de enfermagem no SU devem aprender a combinar a competência técnica e a não-técnica (O’Rourke et al., 2019), bem como demonstrar interesse e dedicar mais tempo aos doentes/família (Beltrán-Salazar, 2015). Para este efeito, a instituição deverá oferecer

programas específicos de formação em cuidados de saúde humanizados (Bermejo, 2014) e competências não-técnicas que poderão ser analisadas posteriormente. Em consonância com a literatura disponível (Silva et al., 2016), os entrevistados referiram que as equipas interdisciplinares (profissionais formados em diferentes disciplinas a trabalhar juntos para alcançar um objetivo comum e a partilhar uma identidade de equipa) são fundamentais para a humanização dos cuidados nos SU. Gamella Pizarro et al. (2014) também observou que a falta de trabalho de equipa a nível interdisciplinar ou a falta de apoio institucional, estrutural e de gestão pode desumanizar o SU. Em terceiro lugar, é necessária uma boa coordenação e comunicação com a equipa para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde, bem como estabelecer relações de trabalho horizontais, não-hierárquicas e promover a gestão participativa, a resolução de conflitos e a busca de um bem comum (Luiz et al., 2017). A humanização dos cuidados de enfermagem nos SU acrescenta valor positivo à qualidade dos cuidados de saúde, uma vez que beneficia os doentes, as suas famílias, os profissionais de saúde, a equipa e a instituição em geral (Bermejo, 2014; Silva et al., 2016). No entanto, esta forma de ser e de estar empática e respeitosa pode ter um impacto negativo na saúde emocional dos profissionais que trabalham diariamente sob níveis elevados de stresse, que enfrentam circunstâncias inesperadas, complicadas e dolorosas, e que são portadores de más notícias (Potter et al., 2010). Estes aspetos, juntamente com os conflitos e as características do local de trabalho, podem favorecer o desenvolvimento de exaustão emocional ou da síndrome de burnout (Gómez-Urquiza et al., 2017). Assim, a instituição deve promover atividades educativas para os profissionais dos SU, a fim de melhorar a sua capacidade para lidar com a realidade no seu local de trabalho, bem como intervenções estruturais que reforcem a tolerância às cargas de trabalho fisicamente e emocionalmente intensas, ao mesmo tempo que geram uma satisfação profissional (Juliá-Sanchis et al., 2019). Os dados obtidos refletem a experiência dos enfermeiros do SU numa região de Espanha e, como tal, não podem ser extrapolados para outros locais que não possuam características

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semelhantes. No entanto, o tipo de participante e o contexto escolhido para este estudo podem ser considerados representativos a nível nacional dado o intenso e contínuo debate gerado pela e sobre a prestação de cuidados de saúde nos SU. No entanto, a limitação geográfica deve ser abordada em estudos futuros com o mesmo foco mas com amostras maiores. Embora a saturação dos dados tenha sido alcançada nas entrevistas realizadas e apesar de os métodos de amostragem estatística não serem um requisito para os modelos de investigação qualitativa, devem ser analisados novos pontos de vista em diferentes contextos do sistema de saúde.

dignidade do doente são respeitadas com base em princípios éticos. Estes programas poderão ser analisados posteriormente. Referências bibliográficas Bates, V. (2018).’Humanizing’ healthcare environments: Architecture, art and design in modern hospitals. Design for Health, 2(1), 5-19. doi: 10.1080 / 24735132.2018.1436304 Beltrán-Salazar, O. (2015). Atención al detalle, un requisito para el cuidado humanizado. Index de Enfermería, 24(1-2), 49-53. doi:10.4321/S113212962015000100011 Bermejo, J. C. (2014). Humanizar la asistencia sanitaria (2ª ed.). Bilbao, Espanã: Desclée De Brouwer. Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77-101. doi:10.1191/1478088706qp063oa Coulter, A., & Collins, A. (2011). Making shared decision making a reality: No decision about me, without me. London, England: King’s Fund. Elers Mastrapa, Y. & Gibert Lamadrid, M.P. (2016). Relación enfermera-paciente: una perspectiva desde las teorías de las relaciones interpersonales. Revista Cubana de Enfermería, 32(4) Recuperado de http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0864-03192016000400019&lng=es&tlng=pt. Gamella Pizarro, C., Sánchez Martos, J., González Armengol, J. J., & Fernández Pérez, C. (2014). Impacto de una unidad de atención e información a la familia y los acompañantes del paciente en los servicios de urgencias hospitalarios en la mejora del grado de satisfacción. Emergencias, 26(2), 114-120. Recuperado de https://dialnet.unirioja.es/servlet/ articulo?codigo=5427690 Gomes, A. M., Paiva, E. S., Valdés, M. T., Frota, M. A., & Albuquerque, C. D. (2008). Fenomenologia, humanização e promoção da saúde: Uma proposta de articulação. Saúde e Sociedade, 17(1), 143-152. doi:10.1590/S0104-12902008000100013 Gómez-Urquiza, J. L., Fuente-Solana, E. I, Albendín-García, L., Vargas-Pecino, C., Ortega-Campos, E. M., & Cañadas-De la Fuente, G. A. (2017). Prevalence of burnout syndrome in emergency nurses: A meta-analysis. Critical Care Nurse, 37(5), e1-e9. doi:10.4037 / ccn2017508 Heras la Calle, G., & Zaforzeza Lallemand, C. (2014). HUCI se escribe con H de HUMANO. Enfermería Intensiva, 25(4), 123-124. doi:10.1016/j.enfi.2014.11.001

Conclusão Foi alcançada uma melhor compreensão sobre as perspetivas dos profissionais dos SU espanhóis em relação à humanização dos cuidados de saúde nos SU. A humanização dos cuidados deve ser sistematicamente integrada na prática diária dos SU espanhóis, evoluindo para modelos de cuidados mais holísticos, integrados e centrados no doente/família. Esse processo envolve várias dimensões: o profissional de saúde, como uma pedra angular no processo através de atitudes e comportamentos que humanizam os cuidados prestados; as relações humanas que são estabelecidas e mantêm a continuidade dos cuidados de saúde centrados no doente/família, nos quais o acolhimento e a utilização das competências de comunicação são aspetos fundamentais; e a equipa interdisciplinar através do trabalho de equipa, bem como através das relações estabelecidas dentro da equipa, na busca de objetivos partilhados e do bem comum. A implementação da humanização dos cuidados no SU com as características acima referidas permitirá melhorar a comunicação e, assim, melhorar a segurança do doente e a satisfação do profissional e do doente/família. A obtenção de dados atualizados sobre as perspetivas dos profissionais em relação à humanização dos cuidados nos SU permite que as organizações reforcem determinados aspetos. São necessários programas de formação abrangentes e específicos sobre a humanização dos cuidados de saúde e as competências não-técnicas no contexto espanhol, ao mesmo tempo que a autonomia e a

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Juliá-Sanchis, R., Richart-Martínez. M., García-Aracil. N., José-Alcaide, L., Piquer Donat, T., & Castejón-de-la-Enciana, M. E. (2019) Measuring the levels of burnout syndrome and empathy of Spanish emergency medical service professionals. Australasian Emergency Nursing Journal, 22(3), 193–199. doi:10.1016/j.auel.2019.04.oc Luiz, F. F., Aquino Caregnato, R. C., & Costa, M. R. (2017). Humanization in the intensive care: Perception of family and healthcare professionals. Revista Brasileira de Enfermagem, 70(5), 1040-1047. doi:10.1590/0034-7167-2016-0281 O’Rourke, D. J., Thompson, G. N., & McMillan, D. E. (2019). Ethical and moral considerations of (patient) centredness in nursing and healthcare: Navigating uncharted waters. Nursing Inquiry, 26(3), e12284. doi:10.1111/nin.12284 Paley J. (1997). Husserl phenomenology and nursing. Journal of Advance Nursing, 26(1), 187-193. doi:10.1046/j.1365-2648.1997.1997026187.x Potter, P., Deshields, T., Divanbeigi, J., Berger, J., Cipriano, D., Norris, L., & Olsen, S. (2010). Compassion fatigue and burnout: prevalence among oncology nurses. Clinical Journal of Oncology Nursing, 14(5), E56–62. doi:10.1188 / 10.CJON.E56-E62

Sanjuan-Quiles, Á., Hernández-Ramón, M. P., Juliá-Sanchis, R., García-Aracil, N., Castejón-de la Encina, M. E., & Perpiñá-Galvañ, J. (2018). Handover of patients from prehospital emergency services to emergency departments. Journal of Nursing Care Quality, 34(2), 169-174. doi:10.1097/NCQ.0000000000000351 Silva, R. N., Freitas, F. D., Araújo, F. P., & Ferreira, M. A. (2016). A policy analysis of teamwork as a proposal for healthcare humanization: Implications for nursing. International Nursing Review, 63(4), 572-579. doi:10.1111 / inr.12331 Tong, A., Sainsbury, P., & Craig, J. (2007). Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): A 32-item checklist for interviews and focus groups. International Journal for Quality in Health Care, 19(6), 349-357. doi:10.1093 / intqhc / mzm042 Tudela, P., & Mòdol, J. M. (2015). La saturación en los servicios de urgencias hospitalarios. Emergencias, 27(2), 113-120. Woo, S. E., O’Boyle, E. O., & Spector, P. E. (2017). Best practices in developing, conducting, and evaluating inductive research. Human Resource Management Review, 27(2), 255–264. doi:10.1016/j. hrmr.2016.08.004

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ARTÍCULO DE INVESTIGACION (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponible en: https://doi.org/10.12707/RIV19047

Necesidades de salud: experiencia de mujeres mayores de un centro de día Health needs: experience of older women in a day center Necessidades de saúde: experiência de mulheres idosas num centro de dia Jessica Belen Rojas Espinoza* ; María de Lourdes García Hernández** ; Lucila Cárdenas Becerril*** Beatriz Arana Gómez**** ; Silvana Silveira Kempher***** ; María de Lourdes Rico González******

;

Resumen Marco contextual: La población de adultas mayores es vulnerable a mostrar afectaciones en su salud, por las condiciones sociales, económicas, culturales o políticas en las que se desarrollan. Objetivo: Describir las necesidades de salud de las mujeres mayores que asisten a un centro de día. Metodología: Estudio mixto, con una población de 490 mujeres y muestra de 177. Se aplicó el cuestionario de 11 patrones funcionales de Marjory Gordon con 60 ítems y una confiabilidad de 0,735; así como una entrevista en profundidad en 10 sujetos clave. Los datos se analizaron con medidas de tendencia central y análisis de contenido. Resultados: Las necesidades de las mujeres mayores se analizaron de forma integral (física, social, emocional y espiritual). La mayoría padecen diabetes mellitus tipo 2 o hipertensión arterial. Casi la mitad tiene problemas de sobrepeso, estreñimiento y distención abdominal. No hay seguimiento de acciones de salud preventivas, solo curativas. Conclusión: Las necesidades detectadas son orientación nutricional, prevenir y superar malestares físicos, mantenerse en movimiento, disminución de estrés y ansiedad. Palabras clave: mujeres; anciano; salud del anciano; atención de enfermería Abstract

Resumo

Background: Older adults are more susceptible to manifest the effects of their social, economic, cultural, or political environment on their health. Objective: To describe the health needs of older women in a day care center. Methodology: Mixed study, with a population of 490 women and a sample of 177. The 60-item Gordon’s 11 Functional Health Patterns Assessment questionnaire was applied, obtaining a 0.735 reliability, as well as an in-depth interview in 10 key topics. The data were analyzed with central tendency and content analysis measurements. Results: The needs of older women were submitted to a full analysis (physical, social, emotional, and spiritual). The majority has type-2 diabetes mellitus or high blood pressure. Almost half of them has overweight, constipation, and abdominal distention problems. There is no follow-up of preventive health actions, only curative ones. Conclusion: The needs detected are nutritional guidance, preventing and recovering from physical ailments, keeping moving, reducing stress and anxiety.

Enquadramento: A população de idosos é vulnerável a mostrar efeitos sobre as suas condições de saúde, sociais, económicas, culturais ou políticas em que se desenvolvem. Objetivo: Descrever as necessidades de saúde das mulheres idosas que frequentam um centro de dia. Metodologia: Estudo misto, com uma população de 490 mulheres e amostra de 177. Aplicou-se o questionário de 11 padrões funcionais de Marjory Gordon com 60 itens e uma confiabilidade de 0,735; bem como uma entrevista em profundidade em 10 participantes. Os dados foram analisados com medidas de tendência central e análise de conteúdo. Resultados: As necessidades das mulheres idosas foram analisadas de forma integral (física, social, emocional e espiritual). A maioria sofre de diabetes mellitus tipo 2 ou hipertensão. Quase metade tem problemas com excesso de peso, prisão de ventre e inchaço. Não há acompanhamento de ações preventivas em saúde, apenas curativas. Conclusão: As necessidades identificadas são: orientação nutricional, prevenir e superar desconfortos físicos, continuar em movimento, reduzir o stress e ansiedade.

Keywords: women; aged; health of the elderly; nursing care *Ph.D., doctora en Ciencias de la Salud, Facultad de Enfermería y Obstetricia, Universidad Autónoma del Estado de México, 50180 [jessica700@hotmail.com]. https://orcid.org/0000-00034444-0123. Contribución en el artículo: autora principal, construcción y escritura del artículo. Morada para correspondencia: Metepec, Estado de México, México, 5000, México. **Ph.D., doctora en Ciencias de la Salud, Facultad de Enfermería y Obstetricia, Universidad Autónoma del Estado de México, 50180 [luygaba@yahoo.com.mx]. https://orcid.org/00000001-8422-0665. Contribución en el artículo: análisis de datos, discusión y escritura del artículo. ***Ph.D., doctora en Educación, Facultad de Enfermería y Obstetricia, Universidad Autónoma del Estado de México, 50180 [lucycabe62@yahoo.com]. https://orcid.org/0000-0003-00703753. Contribución en el artículo: análisis de datos, discusión y escritura del artículo. ****Ph.D., doctora en Enfermería, Facultad de Enfermería y Obstetricia, Universidad Autónoma del Estado de México, 50180 [betya18@yahoo.com.mx]. https://orcid.org/0000-0002-51774220. Contribución en el artículo: tratamiento y evaluación estadística. *****Ph.D., doctora en Enfermería, Universidad Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil, 88010-320 [silvana.kempfer@ufsc.br]. https://orcid.org/0000-0003-2950-9049. Contribución en el artículo: tratamiento y evaluación estadística. ******MSc., maestra en Estudios de Población, Facultad de Enfermería y Obstetricia, Universidad Autónoma del Estado de México, 50180 [ulu78rich@gmail.com]. https://orcid.org/00000002-6410-3362. Contribución en el artículo: tratamiento y evaluación estadística.

Recibido para publicación en: 23.05.19 Aceptado para publicación en: 14.11.19

Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

Palavras-chave: mulheres; idoso; saúde do idoso; cuidados de enfermagem

pp. 69 - 80


Introducción

derando los siguientes aspectos: físico, emocional, psicológico, social, espiritual, con la finalidad de interpretar y establecer cuidados específicos de salud, para lograr su bienestar y promover un envejecimiento saludable.

Conforme a la Organización Mundial de la Salud (OMS), las personas de 60 a 74 años son consideradas de edad avanzada; de 75 a 90 viejas o ancianas, y las que sobrepasan los 90 se les denomina grandes viejos o grandes longevos. A todo individuo mayor de 60 años se le llamará de forma indistinta adulto mayor. (Moya & Vayas, 2016, p. 1) Para fines del presente artículo, se entenderá por adulto mayor a aquella persona que se encuentra en la última etapa de la vida, cursando por cambios físicos, psicológicos, sociales y espirituales, y que se caracteriza por ser sabia, experta, paciente y tolerante, como resultado de la transición asociada a la experiencia vivida, el conocimiento adquirido, las pérdidas y la reflexión de su vida. En este sentido, las mujeres adultas mayores son un sector especialmente de interés investigativo, ya que es el grupo más numeroso en la población de adultos mayores y más vulnerable en todos los sentidos (social, económico, físico, psicológico). A nivel mundial, la ideología, los mitos, las costumbres y las creencias de cada sociedad influyen en la forma de conceptualizar y entender la salud en mujeres mayores; en conjunto con los estigmas que la sociedad tiene sobre el envejecimiento, dificultan una visión objetiva de las características y necesidades de esta población. Los cambios físicos y biológicos que presentan las mujeres mayores les otorgan la primicia de su representación y conceptualización, sin tomar en consideración lo que involucra y significa ser adulto mayor (Zapata, 2001). Asimismo, en las mujeres, los factores o condicionantes sociales, sobre todo la cultura, educación y economía, han delineado la imagen desvalida o vulnerable de ellas. Las mujeres que se encuentran en la etapa de la vejez enfrentan una realidad difícil; los estudios y las estadísticas recientes muestran que tienden a tener una expectativa de vida más larga que los hombres, lo cual no quiere decir que su longevidad vaya acompañada por una óptima calidad de vida o estado de salud (Cámara de Diputados, 2008). Lo dicho con antelación pone de manifiesto la prioridad de describir las necesidades de salud de las mujeres mayores que asisten a un centro de día, y es el objetivo de esta investigación, consi-

Marco contextual Específicamente, las mujeres mayores de 65 años en México presentan causas que afectan su salud: 1) infecciones respiratorias agudas, de vías urinarias e intestinales, 2) úlceras, gastritis y duodenitis, 3) hipertensión arterial, 4) diabetes mellitus no insulino-dependiente, 5) gingivitis y enfermedades periodontales, 6) amebiasis intestinal, 7) neumonías y bronconeumonías y 8) conjuntivitis. Se enfatizan las enfermedades crónicas no transmisibles, como la hipertensión arterial y la diabetes mellitus, esta última con una tasa de incidencia de 1528,9 casos, muy por encima de la registrada en los varones, con 1395,1. A diferencia de las enfermedades isquémicas del corazón, las mujeres registran una tasa de 361,3 casos, inferior a la encontrada en los varones, con 477,7 (Sistema Nacional de Vigilancia Epidemiológica, 2010). En 2010, las entidades federativas con mayor número de población de 60 y más años de edad del país fueron el Estado de México, la Ciudad de México, Veracruz, Jalisco y Puebla, las cuales agrupan a 4,1 millones de adultos mayores, es decir, poco más del 40% de la población. Hoy en día, en el Estado de México habitan un total de 1 137 647 adultos mayores, 521 277 hombres y 616 370 mujeres (Instituto Nacional de Estadística y Geografía, 2016). Esto refleja que las mujeres se enferman a edades tempranas y viven por periodos prolongados. Con este estudio se obtuvo un acercamiento a las necesidades de las mujeres mayores, desde su propia óptica y experiencia, considerando el contexto social del centro de día, el cual es un espacio de recreación, convivencia y capacitación, donde los adultos mayores pueden integrarse a un grupo o participar en los talleres y actividades que se imparten en esta institución. La aportación a la ciencia del cuidado de enfermería es el fomento y fortalecimiento de los recursos propios (conocimientos, motivación, actitud, funcionalidad), para que la persona satisfaga sus necesidades, o bien acepte ayuda procedente de su entorno. Asimismo, si se cuenta con un diag-

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nóstico específico de las necesidades de las mujeres que envejecen, se podrá obtener un modelo de atención que impacte en su bienestar.

tituido por 160 ítems, agrupados en 11 patrones que contemplan al paciente de forma holística y recogen la información necesaria del paciente, la familia y el entorno (Gordon, 2010). Para medir la confiabilidad se realizó una prueba piloto en el 5% de la muestra, con base en la medición estadística de los ítems se realizaron algunas modificaciones, de forma que se quedó en 60 ítems, debido a que los demás no coincidían con las características de la población de estudio; obteniendo así un alfa de Cronbach de 0,735. El instrumento se aplicó de manera individual, con un promedio de una hora y media. La información fue procesada y analizada para continuar con la etapa cualitativa, en donde se utilizó el modelo de selección intencional de participantes y la saturación de datos para determinar el número de sujetos de estudio (Creswell & Plano, 2008), el cual fue de 10 mujeres mayores con alguna patología crónico-degenerativa, a quienes se les realizó una entrevista profunda. El análisis de datos cuantitativos se realizó con medidas de tendencia central apoyadas en el estudio cualitativo, que siguió la metodología de la codificación para su interpretación. Mediante matrices se ordenó la información para facilitar la identificación de patrones y, después, dar sentido e interpretación a los resultados a través de la triangulación metodológica. Para garantizar la validez del estudio cualitativo se efectuó: contrastación de los datos obtenidos, con el aporte de estudios previos en el campo de la investigación y la triangulación por teoría, resultados del método descriptivo y hermenéutico, informantes y fuentes de recolección de datos; se consideraron como categorías de partida los cinco momentos de cuidado de Kristen Swanson: 1) El mantener las creencias, 2) El conocer o la complicidad, 3) El estar con, 4) El hacer por y el permitir o posibilitar, 5) Las consecuencias de los cuidados. La triangulación fue valiosa para identificar las necesidades de salud en las mujeres adultas mayores. Cabe mencionar que el comité de bioética del Centro de Investigación en Ciencias Médicas de la Universidad Autónoma del Estado de México autorizó el desarrollo de esta indagación con el número de registro 2014/19.

Cuestión de investigación ¿Cuáles son las necesidades de salud de las mujeres mayores que acuden a un centro de día?

Metodología Los planteamientos teóricos para la descripción de las necesidades de salud en mujeres mayores partieron del modelo de cuidado profesional de enfermería de la teoría de Kristen Swanson, conocer a la persona que se cuida, centrándose en ella, es decir, ir más allá de saber (Swanson, 1995). Para ello, se diseñó un estudio mixto con enfoque explicativo dividido en dos etapas: la cuantitativa identificó las necesidades de salud y la cualitativa fundamentó la interpretación de las necesidades de salud en las mujeres adultas mayores. La investigación se desarrolló en un centro de día del Estado de México. Se asistió a dicho espacio para plantear la temática de la investigación e ingresar a la institución mediante el permiso de las autoridades. La población de estudio fueron 490 mujeres mayores que asisten al centro de día. Se realizó un muestreo aleatorio simple, con un error del 5% y un nivel de confianza del 95%, lo que dio como resultado una muestra de 177 mujeres. Se tomaron en cuenta las mujeres mayores de 65 a 84 años de edad que asistían a los programas brindados por el centro de día, asimismo, quienes desearon participar no contaban con ninguna disminución de la capacidad cognitiva y firmaron el consentimiento informado. El procedimiento: una vez autorizado el campo de estudio, el acercamiento a los participantes potenciales se hizo de forma individual, se les dio a conocer el propósito de la investigación, se les indicó al firmar el consentimiento informado que los datos proporcionados en esta investigación se utilizarían de forma confidencial y que su participación era voluntaria. El instrumento para detectar las necesidades de salud de las mujeres mayores se fundamentó en el modelo de valoración de enfermería con 11 patrones funcionales de Marjory Gordon, cons-

Resultados Caracterización de las participantes del estudio De las mujeres adultas mayores que participaron

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hipertensión arterial, diabetes mellitus y artritis. De ese porcentaje, 49 de cada 100 tienen entre 65 y 69 años, mientras que 30 de cada 100 se ubican entre los 70 a 74 años; conforme avanza la edad, el porcentaje de las mujeres mayores enfermas va disminuyendo poco a poco, lo que puede estar relacionado con la presencia de enfermedad crónica con complicaciones o, en su caso, el fallecimiento. Llama la atención la presencia de mujeres que presentan en el 44,1% sobrepeso, el 22% obesidad I y el 3,4% obesidad II; se observa, por tanto, que el sobrepeso está presente en todas las edades (Tabla 1). No obstante, respecto a su situación de salud, refieren sentirse contentas y satisfechas por haber llegado a la edad que tienen y agradecen estar vivas: “Para mí es fabuloso estar aquí, ahorita, aún con mi enfermedad, es un vacilón la vida, disfrutar lo que no podías hacer cuando estabas en tu hogar. La vida es como la queremos hacer, o pesada o ligera” (E-2; mayo, 2016). “Me siento satisfecha. A veces hasta uno es privilegiado de que esté mejor de salud que otras personas, sí me dio gusto haber llegado a esta edad” (E-3; Mayo, 2016).

en el estudio, el 49,7% tiene entre 65 y 69 años, y el 32,2% se encuentra en el grupo de 70 a 74 años de edad, es decir, la mediana de la población se ubica entre los 70 y 74 años. De acuerdo con su estado civil, el 42,9% de las entrevistadas son viudas de entre 70 a 74 años de edad, el 37,9% casadas con edades que oscilan entre los 65 y 69 años y los 75 a 84 años, el 13% solteras y el 6,2% separadas; el 89,8% de la población profesa la religión católica. Poco más de la mitad de las mujeres adultas mayores (52%) cuenta con estudios de primaria y el 16,4% son analfabetas. La ocupación principal de la muestra es el hogar (86,4%), mientras que solo el 13,6% es jubilada (Tabla 1). Asisten a la casa de día para mitigar su soledad, para tener a alguien que las escuche: “Vengo a la casa de día para ver a las compañeras, porque en la casa nada más estamos mi esposo y yo solitos, ya los hijos no nos visitan, no nos ven, no preguntan por nosotros” (E-1; Mayo, 2016). Estado de salud Con respecto a las alteraciones de salud en las mujeres mayores del centro de día, el 81,4% tiene al menos alguna de las siguientes enfermedades:

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Tabla 1 Valoración de las necesidades de salud de las mujeres adultas mayores Patrón funcional de Marjory Gordon

Resultados cuantitativos

Resultados cualitativos

El 87,6% de las encuestadas reportó que las condiciones de vivienda (agua potable, electricidad, teléfono y drenaje) son buenas, es decir, tienen los cuatro servicios, el 11,9% dice que son regulares y el 0,6% que son malas. El aseo de las viviendas fue reportado como bueno en el 73,4% (realizan aseo en la vivienda a diario). Los hábitos higiénicos de la población de estudio reflejan que en el 79,7% son buenos, lo que quiere decir que Patrón 1. Percepciónrealizan baño diario, aseo bucal tres veces -mantenimiento de la al día y cambio diario de ropa interior y salud exterior; mientras que el 20,3% lo hace, pero de forma regular. El 22% de la población reportó que existen factores de riesgo donde en la actualidad habitan y el 71,2% no lo consideró así. La mayoría de las mujeres participantes (90,4%) sigue su control médico, el 87% lleva adecuadamente su tratamiento médico y farmacológico; sin embargo, el 22,6% se automedica.

Las mujeres mencionan que conocen las medidas y actividades que requieren para mantener su salud o disminuir las complicaciones, ya que en los últimos años acuden a su consulta médica de forma regular, se les da orientación y su medicación, pero no siguen al pie de la letra esas indicaciones, porque también necesitan sentirse acompañadas en ese cuidado por sus seres queridos: Yo me imagino que no hay una escuela para aprender a cuidarte, pero es la que te da la vida. A veces me doy cuenta que me descuidan mucho, pero tampoco le doy importancia, porque de lo que carezco en casa me sobra cariño de compañeros, de quien menos se espera”. (E-2; Mayo, 2016)

Bajo la observación de patrones alimenticios en el centro de día, las adultas mayores comen cuando se sienten acompañadas y disfrutan de compartir sus alimentos, los cuales ingieren cuando llegan y antes de retirarse de esa institución, es decir, el desayuno y la comida los realizan con sus compañeras, ya que en su hogar están solas o se sienten solas, por lo tanto, surge el siguiente supuesto: el acompañamiento es una necesidad de la mujer mayor para alimentarse. De esto se muestran los siguientes ejemplos:

Las participantes refieren una modificación de peso en los últimos seis meses, el 36,7% de la población reportó que aumentó, mienPatrón 2. Nutricional/ tras que el 34,5% disminuyó. Respecto a su dentadura, en el 37,3% de la población está metabólico incompleta, el 41,8% utiliza prótesis y solo el 19,2% tiene su dentadura completa. Cabe mencionar que el 81,4% realiza de dos a tres “Aquí me siento bien acompañada, y en comidas al día. mi casa pues llega mi hija de vez en cuando, cuando puede, porque trabaja, estar aquí con toda mi familia, porque esto es una familia y somos muy grandes” (E-3; Mayo, 2016). “Me siento muy contenta con mis compañeras y compañeros” (E-5; Mayo, 2016).

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Patrón 3. Eliminación

En este sentido, aunque no expresan en las entrevistas sus problemas de salud, las adultas mayores necesitan apoyo para superar sus malestares físicos. Como parte Los principales problemas de eliminación del cuidado de la salud, las mujeres necesien las adultas mayores encuestadas son tan sentir que alguien hace algo por ellas estreñimiento y distensión abdominal, el para sentir bienestar: 31,1% de ellas lo reportaron así. De acuerdo con las principales alteraciones en la elim“Cuando estoy aquí, me siento muy bien, inación urinaria que se presentaron, el 9% por ver a las compañeras. No estoy bien de reportó incontinencia urinaria y el 14,7% salud, pero estoy bien, qué puedo hacer, dijo tener nicturia. cuando uno llega a esta edad, ya no puede hacer nada” (E-1; Mayo, 2016). “Que me den ánimo, que se preocupen por mí, nada más” (E-4; Mayo, 2016).

La actividad física que realizan las mujeres en la casa de día es primordial, ya que mantenerse en movimiento las hace sentirse útiles, con bienestar y con buena En este patrón se midieron las alteraciones percepción de sí mismas, debido a que la en los signos vitales (respiración, frecuencia movilidad física va acompañada de indecardiaca y tensión arterial) al realizar una pendencia y seguridad: actividad física y la utilización de auxiliares para la deambulación. El 3,6% presentó al- “Caminar, subir al camión, atravesar la Patrón 4. Actividad-ejer- guna alteración en la respiración (disnea, tos, ciudad, mientras yo pueda, voy a seguir taquipnea) y el 11,9% presentó la frecuencia saliendo” (E-1; Mayo, 2016). cicio cardiaca alterada, por lo que se puede decir “Que me dejen hacer mis cosas, por mí que la mayor parte de las adultas mayores misma me valgo, siempre ha sido trabajar, tiene una adaptación física aceptable al ir y venir, nunca me estanqué en la casa, realizar alguna actividad que implique un porque nunca me gustó, y ahora menos, esfuerzo. Respecto a los apoyos para la deam- porque mi esposo me da la libertad” (E-4; bulación, el 46,3% de la población mencionó Mayo, 2016). que utiliza algún auxiliar, como el bastón. “Yo no dependo de nadie, yo solita, hasta ahorita gracias a Dios, dependo de mí misma, me agrada estar bailando, me siento bien” (E-5; Mayo, 2016). Aunque el insomnio tiene diversas causas, en las adultas mayores predominó la preocupación que tienen por sus seres queridos, estados de ansiedad y estrés, que causan cambios biopsiosociales del envejecimiento en su persona, como se muestra a continuación:

Patrón 5. Reposo-sueño

“Me siento como tensa y no me explico por De acuerdo con los datos reportados por las adultas qué, yo creo que me desespero más porque yo mayores, el 16,4% menciona que duerme menos quisiera estar mejor, pero no se puede” (E-3; de cinco horas, el 55,9% de cinco a siete horas y el Mayo, 2016). 27,7% más de siete horas. “A veces me siento deprimida cuando voy a visitar a mis familiares, mis hermanas están enfermas” (E-4; Mayo, 2016). “Me dio una crisis de llanto, yo soy la que estoy sufriendo. Lloraba mucho porque ya no era la misma atención que tenía mi hija hacia mí. Creen que yo no necesito que alguien me diga: te quiero mucho” (E-5; Mayo, 2016).

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La población entrevistada presenta alteracio- Nuevamente se observa que independnes de la vista en el 62,7%, el 14,1% men- ientemente de la condición física de las cionó tener problemas en la audición; solo mujeres mayores, ellas se perciben bien: el 2,8% presenta problemas de equilibrio. Me describo como una persona agradPatrón 6. Cognitivo-per- En un análisis bivariado utilizando el estadístico V Cramer para variables nominales, se able, muy sociable, muy inquieta, me ceptual encontró que no existe una fuerte asociación siento tranquila y para mí es fabuloso entre la alteración de los sentidos y la edad o haber llegado a esta edad. Trato de ser presencia de alguna enfermedad, por lo que lo más positiva, no darle importancia se considera la significancia de 0,566 para la a lo que en realidad no lo tiene. (E-2; edad y 0,680 para la enfermedad. Mayo, 2016) Poco más de la mitad de las adultas mayores tiene una buena percepción de sí misma (63,3%), cabe señalar que el 16,4% la considera como regular y solo dos de cada 100 la reportaron como mala. Solo el 7,3% de la población encuestada no está de acuerdo con su imagen corporal; el 96% está satisfecha con el cumplimiento de su rol, de este porcentaje, el 50,8% con el rol de mamá y el 22% con el de abuela; las situaciones que más preocupan a las adultas mayores son la Patrón 7. Autoimagen-au- seguridad, con el 20,9%, el 14,7% de esta población siente preocupación por sus hijos toconcepto y en el 3,4% es el desalojo, sin embargo, esto no parece afectar su estado de ánimo, ya que el 80,2% de ellas se considera alegre y solo el 8,5% se muestra preocupada. Cabe señalar que la percepción que tiene la mujer adulta mayor de sí misma y la percepción de la salud están asociadas de forma significativa; asimismo, el índice de masa corporal está altamente asociado con la percepción individual (d de Somers con valor de 0,817), a diferencia de la percepción de la salud, cuya asociación no es tan fuerte.

Patrón 8. Rol-relaciones

Las mujeres se perciben a sí mismas bien y sanas, a pesar de sus enfermedades y afecciones: “Me considero sana, aparte de lo que tengo, la presión. Por mi salud hago mucho ejercicio” (E-4; Mayo, 2016) “Es muy bonito, que me sienta mal de envejecer, no. Me gusta ver mis canas, me gusta ver mis arrugas, me gusta verme en el espejo. Qué bonito es vivir la vida” (E-5; Mayo, 2016).

A pesar de que las mujeres no están solas y la relación con los integrantes de su familia es buena, cuando se les pregunta De las personas que atienden a las adultas si se sienten solas, ellas refieren: mayores, el 53,7% menciona que sus hijos las cuidan, el 29,4%, su cónyuge y el 16,9%, “Pues lo único que yo quisiera que me otra persona; el 91% vive en una familia acompañaran a donde yo voy, estar en integrada. La relación con los integrantes del la casa para platicar, porque luego estoy hogar es buena en el 70,1%, 15 de cada 100 solita en la casa” (E-1; Mayo, 2016). adultas mayores reportaron que es excelente; “Que me dijeran te quiero, como yo se lo el 12,4% piensa que es regular y el 1,7% dije a mi hija y mi nieto, ustedes creen que dice que es mala. yo no necesito que alguien me abrace y me diga te quiero mucho” (E-5; Mayo, 2016).

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En relación con los aspectos de salud reproductiva de la mujer, se reportan datos de la edad al primer embarazo, entre los 12 y 18 años, con un 45,2%, y solo el 5,6% nunca tuvo un embarazo. Del total de las mujeres mayores entrevistadas, el 41,2% reportó que la última citología que se realizó fue hace un año, el 20,3% hace tres años y el 14,7% hace Patrón 9. Sexualidad-re- dos años. Hay que observar que el 23,2% de las adultas mayores nunca se ha realizado producción una citología, y las mujeres de 70 a 74 años son quienes reportaron en mayor medida esta situación. De igual forma, el 48,6% de las mujeres adultas mayores se realizó la exploración mamaria hace un año, el 19,2% hace dos años y el 11,3% hace tres años. Al igual que en el indicador anterior, el 20,9% nunca se ha hecho una exploración de senos (principalmente entre los 65 y 69 años).

Poco pudo hablar la mujer mayor sobre su sexualidad debido a la forma en que fueron educadas y por los tabúes sociales de su época, no se mencionó explícitamente en sus argumentos la palabra sexualidad ni lo referente a esta, sin embargo, hicieron alusión a la relación de pareja que vivieron de jóvenes, en donde la mayoría sufrió violencia intrafamiliar, como se muestra en las siguientes líneas: Cuando murió mi esposo, yo me sentí más libre, no me gustan las hipocresías y decir que lloré o lo extrañé, no, yo me sentí muy liberada porque estaba muy presionada por él” (E-5; Mayo, 2016). Mi esposo me pegaba mucho y tomaba, andaba con mujeres y llegaba a la casa nomás a maltratar, decía muchas groserías, que yo era la que lo andaba engañando, llegaba muy valiente y se arremangaba las mangas hasta acá arriba para darme mis trancazos, así como si fuera a pelear con un hombre, y yo, en ese momento, no le decía nada, cuando estaban más chiquitos mis hijos, es cuando me pegaba más, ya cuando crecieron me defendían pero también a ellos les pegaba. (E-9; Mayo, 2016)

Efectivamente, las mujeres mayores del centro de día tienen un perfil de tranquilidad, a decir de ellas, es poco frecuente que se enojen o discutan con las personas porque prefieren mantener la cordialidad y disfrutar cada día de su vida como si Los resultados muestran que el 94,9% puede fuera el último, como se muestra en este afrontar las situaciones que puedan impliejemplo: car estrés y el 5,1% de las adultas mayores menciona que sí es sensible a la crítica; la Me considero una persona muy acreacción ante esta situación de estrés es de cesible, a mí me creen muy enojona, Patrón 10. Afrontamiento tranquilidad, según lo reportó el 61%, el pero ya, cuando me tratan, no. Yo 15,3% se muestra indiferente o se siente también, cuando trato a las personas, del estrés deprimida y el 6,8% reacciona de forma trato de ser lo más amable posible; agresiva. Se puede mencionar que el 39% también me siento sociable, yo me de las adultas mayores hacen actividades siento bien en mi persona, en lo que manuales, las cuales le sirven para relajarse; soy; mi señor me dijo: disfruta la vida, le siguen las tareas intelectuales y, en tercer haz de cuenta que es el último día, y lugar, la convivencia social. al otro día igual. Yo me siento muy orgullosa de mi edad, de lo que he disfrutado, aunque toda mi vida fue trabajar y trabajar, la disfruté mucho de joven. (E6; Mayo, 2016)

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Las mujeres del centro de día reflejan un alto nivel de espiritualidad, que coadyuva en su conducta y emociones de forma positiva, como aquí se enuncia: “Creo en el de allá arriba, él es el único, gracias, Dios mío, me han pasado cosas Patrón 11. Valores-cre- El 100% de las mujeres mayores pertenece maravillosas, lindas, hermosas, para mí es divino eso” (E-3; Mayo, 2016). a la religión católica. encias “Yo creo en mi Dios y en la Virgen de Guadalupe, le doy gracias cada vez porque es la que nos da todo” (E-4). “Yo confio en Dios y en mí, por ejemplo, haciendo la oración estamos cerca de Dios y él de nosotros, yo todo eso le hablo a papito Dios” (E-5; Mayo, 2016). Nota. Adaptado de “Manual de diagnósticos enfermeros” de Marjory Gordon, 2010. Décima edición. Elsevier Mosby.

Discusión

donde se subraya la temporalidad y la fragilidad de la vida humana. El viejo se ha vuelto temeroso, rígido, introvertido, cauteloso; tiende a la baja autoestima y, por ello, es fácil presa de la depresión (Rodríguez, Corona, & Goñi, 2008). Esto influye en su autoimagen y autoconcepto, sin embargo, las que sienten que la vida tiene ciclos de aprendizaje no se sienten enfermas y la aceptan, y conocen que el cambio implica reafirmar necesidades nuevas. Dentro de las necesidades de salud de las mujeres mayores se distingue el acompañamiento. El sentimiento de soledad es un estado que, por lo común, aflige al ser humano, que se agudiza en la etapa final de la existencia, debido a las pérdidas que se experimentan, y afectan la calidad de vida (Quintero, León, Henao, & Villamil, 2015). En este sentido, la soledad se ve reflejada en las mujeres mayores como una sensación de abandono y pérdida, por lo tanto, sentirse amada y querida es un sentimiento que evidencia una necesidad dentro de la vida de las mujeres mayores. También la espiritualidad se establece como una necesidad; el filósofo Leonardo Boff, define la espiritualidad como un modo de ser, una actitud fundamental, vivida en la cotidianidad de la existencia: en el arreglo de la casa, en el trabajo de la fábrica, conduciendo, conversando con amigo. En ese sentido, las personas pueden conscientemente abrirse a lo profundo y lo espiritual, y se vuelven más centradas, serenas e irradiadoras de paz (Ramírez, 2012). Así, para las mujeres del centro de día, la espiritualidad propicia bienestar. De esta manera, las mujeres

Las mujeres mayores son personas que se encuentran experimentando la vida entre la séptima y octava década de su vida. A ellas la sociedad les llama viejitas o ancianas, términos aceptados y entendidos por la sociedad; pasando los 60 años en su mayoría enviudan, una minoría se separa de su pareja en esta edad y la tercera parte de las participantes profesa la religión católica. En su momento, la educación era privilegiada para los hombres, por lo tanto, la mayoría de las mujeres mayores no saben leer ni escribir, lo que propicia su trabajo en el mercado laboral informal. Esto es alarmante, ya que su dependencia económica es con los hijos. Estos hechos pueden ser explicados debido a las circunstancias de desventaja social en las que vivieron las adultas mayores (González, 2010). Como también se ha visto en otros estudios, las mujeres son las que representan el mayor porcentaje de la población que no tiene escolaridad (Vázquez, 2004). Swanson (1995) se refiere a la salud como vivir la experiencia subjetiva y llena de significado de la plenitud; en este sentido, las mujeres mayores entienden que los cambios les generan alteraciones en su salud y les hacen sentir distintas, sin embargo, para ellas, es algo normal, por su edad, y aceptan la enfermedad como una condición de vida, como una experiencia que todo ser humano siente y vive, todo depende de la manera en que la afronte. La buena percepción de sí mismas y el amor a la vida en las mujeres mayores, contrasta con la imagen que existe con respecto al envejecer, en

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mayores se encuentran en un momento de cambios y transiciones, y la fe que conserven les permite tener un panorama positivo de sí mismas y del futuro cercano. Marsh, Richards, Johnson, Roche y Tremayne (citado por Castro, 2013, p. 80) opinan que “el autoconcepto físico se compone de nueve subdominios: fuerza, obesidad, actividad física, resistencia, competencia (habilidad) deportiva, coordinación, salud, apariencia y flexibilidad”. Por esta razón, las mujeres le dan gran importancia a la actividad física que ellas pueden desempeñar, ya que eso es sinónimo de bienestar. Se puede interpretar que el ejercicio las hace sentir autónomas y autosuficientes, sienten que el movimiento les ayuda a sobrellevar la vida. En consiguiente, los cuidados específicos de salud para lograr el bienestar y promover un envejecimiento saludable en las adultas mayores están agrupados en cuatro acciones terapéuticas: acompañamiento, movilidad, mantenimiento de la fe y orientación de salud. En este sentido, Gastron (citado por Iparraguirre & Vasquez, 2015, p. 40) refiere que: el apoyo social se describe como la interacción entre las personas que incluye la expresión de afecto, la afirmación de los comportamientos y la ayuda material; la pérdida de estos elementos positivos puede ser reemplazada por sentimientos de dependencia física o psicológica en el adulto mayor, relacionados directamente con los síntomas psicológicos negativos como la depresión, sentimientos de soledad, de carga, de inutilidad y la aparición de enfermedades crónicas, por lo que el acompañamiento es fundamental para el cuidado integral de la mujer adulta mayor. Asimismo, desde una perspectiva funcional, un adulto mayor sano es aquel capaz de enfrentar el proceso de cambio a un nivel adecuado de adaptabilidad funcional y satisfacción personal. De esta forma, el concepto de funcionalidad es clave dentro de la definición de salud para el anciano, por ello la OMS (1982) propone como el indicador más representativo para este grupo etario el estado de independencia funcional. (Chávez, 2016, p. 24)

Esto coincide con lo declarado por las adultas mayores del centro de día, por lo que también promover la movilidad o funcionalidad es un cuidado principal en esta población. De la misma forma, se ha documentado que cuando la espiritualidad forma parte de la personalidad, tiende a expresarse en las estrategias de afrontamiento religioso, con un impacto positivo en la salud, al ser estas utilizadas eficientemente contra el estrés. Se han destacado dos aproximaciones generales al estudio del afrontamiento religioso: a) las formas específicas de afrontamiento (como el perdón, la purificación y la confesión, etc.) y b) los patrones de afrontamiento, como el afrontamiento religioso positivo y el afrontamiento religioso negativo; el primero asociado a mejores parámetros de salud que el segundo. (Rivera & Montero, 2007, p. 40) Por lo tanto, también mantener la fe es un cuidado de enfermería que tiene que prevalecer en la atención de las adultas mayores. Para concluir, debido a que la mayoría de las mujeres mayores de México no sabe leer ni escribir, se precisa que el profesional de enfermería les brinde orientación de salud, reeducando para lograr una vida saludable, y la educación es una función a la que desafortunadamente el personal de enfermería no le da la relevancia que realmente tiene en un primer nivel de atención a la salud. Este estudio se limita a una población de un centro de día, deja fuera a la población de mujeres mayores que se encuentran en la comunidad o que están institucionalizadas.

Conclusión La mayoría de las adultas mayores en la casa de día posee alguna enfermedad, esto se contradice con la percepción que tienen de sí mismas, ya que esta es buena y, además, de acuerdo con lo que refieren, su estado de ánimo es alegre. Por lo tanto, de forma contradictoria a lo que se esperaba, tener una enfermedad no significa depresión o preocupación en las adultas mayores, siempre y cuando sigan cumpliendo su rol y desempeñando sus actividades de la vida cotidiana. Mantenerse en movimiento implica bienestar para ellas, la enfermedad no

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es un factor de alteración emocional. Otro punto relevante es que casi la mitad de la población encuestada tiene problemas de sobrepeso, conforme a estudios de envejecimiento, se dice que en la última etapa de la vida hay disminución de tejido óseo, muscular y graso, sin embargo, sería importante estudiar ¿qué está sucediendo con las mujeres mayores y cuáles son los factores de sobrepeso?, ya que un porcentaje considerable no cuenta con una dentadura completa o utiliza prótesis dental, su peso varía y refleja una alimentación inadecuada, también realiza de dos a tres comidas al día. Con base en lo estudiado, esto se puede deber a que las mujeres mayores se sienten solas, en sus casas no tienen con quien convivir, y uno de los momentos más relevantes es la comida, pero si se encuentran solas, no tienen el mismo apetito y no comen, lo que asegura que en la casa de día disfrutan plenamente los alimentos en compañía de otros adultos mayores. Como consecuencia de su incorrecta alimentación, se identificó que sus problemas digestivos son el estreñimiento y la distención abdominal. Asimismo, los problemas urinarios característicos de la tercera edad son la incontinencia urinaria y la nicturia, sobre todo en las mujeres, debido a la multiparidad y a la diabetes mellitus. El sueño y el descanso son necesidades físicas que debe cubrir el adulto mayor, no obstante, ellas padecen insomnio frecuente, lo cual se evidencia con su faz de cansancio, bostezos frecuentes y ojeras. Esta situación podría deberse al tipo de alimentación que llevan, ya que la mayoría consume café, incluso antes de dormir, también pueden estar influyendo los problemas familiares, sobre todo preocupaciones por los hijos. En la población encuestada, más de la mitad tiene disminución de la agudeza visual, y muchas de ellas no utilizan los lentes adecuados, ya sea por falta de recursos económicos o porque no hay quien las acompañe a las consultas con el oftalmólogo. Se enfatiza en que un alto porcentaje de mujeres contestó que llevaban su control médico y tratamiento farmacológico. En cuanto a la citología y al examen de mamas se refiere, una mínima proporción lleva un seguimiento para el diagnóstico oportuno de cáncer de mama y cérvico-uterino; recordando que en mujeres mayores de 60 años es mayor la incidencia de estas patologías.

El aspecto social y familiar en el adulto mayor es importante. Las mujeres del centro de día están satisfechas con el rol que cumplen como madres y abuelas. Con respecto a las personas que cuidan de ellas, si bien sus hijos son quienes las ven, la mayoría se siente sola porque, en realidad, sus hijos no perciben lo que ellas necesitan, sobre todo platicar e integrarse a sus actividades (fiestas, reuniones, salidas). Por lo tanto, se desestresan con actividades manuales o intelectuales para relajarse, lo que propicia que la casa de día sea un lugar para convivir con personas de su misma edad y de intereses comunes. La asistencia de adultos mayores a las casas de día genera mejores niveles de bienestar y calidad de vida, sobre todo porque es el lugar ideal para que la mujer mayor desempeñe las actividades que le gusta hacer. La convivencia, como terapia social, ayuda a elevar la percepción que tienen de sí mismas. Conforme al análisis global de los resultados, se puede decir que la fortaleza interna, la expresión de fe y las actividades de cuidado de las mujeres adultas mayores prolongan su esperanza de vida, por lo tanto, se requiere profundizar en las intervenciones con estos temas. No basta con realizar estudios cuantitativos en adultos mayores, realizar estudios con enfoque metodológico mixto ayuda a conocer cuáles son sus necesidades específicas, mediante la utilización primordial del diálogo terapéutico y conociendo las percepciones y posturas personales de las pacientes. Referencias Cámara de Diputados, LX Legislatura. (2008). Situación de las mujeres adultas mayores indígenas en México, Recuperado de http://archivos.diputados.gob.mx/Centros_Estudio/ceameg/Inv_Finales_08/DP2/2_8.pdf Castro, L. R. (2013). Diferencias de personalidad, autoconcepto, ansiedad y trastornos de alimentación de deportistas de musculación patrones psicológicos asociados a la vigorexia. Tesis doctoral. Universidad de Jaén. ISBN 978-84-8439-515-7. Recuperado de http://docplayer. es/5747482-Universidad-de-jaen-facultad-de-humanidades-y-ciencias-de-la-educacion-departamento-de-la-expresion-musical-plastica-y-corporal.html Creswell, J., & Plano C. V. (2008). Designing and Conducting Mixed Methods Research. Thousand Oaks, CA: Sage Organizational Research Methods October 2009 12: 801-

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JESSICA BELEN ROJAS ESPINOZA et al.

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19060

Perfil de jovens universitários e as suas perceções face à maternidade e paternidade

Profile of young university students and their perceptions of motherhood and fatherhood Perfil de los jóvenes universitarios y su percepción de la maternidad y la paternidad Maria da Gloria Aragão Martins Ferreira* ; Jorge Lopez-Gómez** ; Helena Maria Scherlowski Leal David*** Alba Navalon-Mira**** ; Marisa Afonso de Andrade Brunherotti***** ; Vicente Gea-Caballero****** ; José Ramon Martinez-Rieira*******

;

Resumo Enquadramento: É necessário refletir sobre os significados sociais, culturais, educacionais e simbólicos da experiência da maternidade e paternidade entre jovens e saber quais são as suas preocupações, desafios, ansiedades e medos. Objetivo: Analisar as perceções de universitários acerca da maternidade e paternidade. Metodologia: Pesquisa quantitativa, exploratória. Utilizou-se um questionário sobre maternidade e paternidade como instrumento de colheita de dados. Os dados foram analisados com recurso ao software IBM SPSS Statistics, versão 24.0. Resultado: Foram aplicados 389 questionários, ao analisá-los, as questões relacionadas a aspetos económicos são a principal preocupação dos estudantes, 93,2% e estes são indiferentes ao apoio institucional oferecido durante o período de graduação. Quanto aos aspetos da maternidade e paternidade que preocupam estes estudantes, quando relacionados com o sexo do participante, tiveram resultados significativos os fatores económicos (p = 0,090) e o seu desenvolvimento pessoal ou profissional (p = 0,020). As demais correlações não foram estatisticamente significativas. Conclusão: Nota-se uma necessidade de articulação entre diversos setores envolvidos na maternidade e paternidade a fim de educar e empoderar os universitários para estratégias de planeamento como fator de proteção à saúde. Palavras-chave: maternidades; paternidade; adolescentes; promoção da saúde

Abstract

Resumen

Background: It is necessary to reflect on the social, cultural, educational, and symbolic meanings of the experience of motherhood and fatherhood among young people and to know their concerns, challenges, anxieties, and fears. Objective: To analyze young university students’ perceptions of motherhood and fatherhood. Methodology: Quantitative, exploratory research. Data were collected using a questionnaire on motherhood and fatherhood and analyzed using IBM SPSS Statistics, version 24.0. Results: A total of 389 questionnaires were applied. The analysis showed that students are mainly concerned with the economic issues (93.2%) and indifferent to the institutional support offered during their undergraduate studies. With regard to the most worrying aspects of motherhood and fatherhood, statistically significant associations were found between gender and economic factors (p = 0.090) and personal or professional development (p = 0.020). No other statistically significant associations were found. Conclusion: There is a need for coordination among the various sectors involved in motherhood and fatherhood in order to educate and empower university students for planning strategies as a health protection factor. Keywords: maternity; paternity; adolescent; health promotion

Marco contextual: Es necesario reflexionar sobre los significados sociales, culturales, educativos y simbólicos de la experiencia de la maternidad y paternidad entre los jóvenes y conocer cuáles son sus preocupaciones, desafíos, ansiedades y temores. Objetivo: Analizar las percepciones de los estudiantes universitarios sobre la maternidad y la paternidad. Metodología: Investigación cuantitativa y exploratoria. Se utilizó un cuestionario sobre la maternidad y paternidad como instrumento para la recopilación de datos. Los datos se analizaron mediante el programa IBM SPSS Statistics, versión 24.0. Resultados: Se aplicaron un total de 389 cuestionarios y, al analizarlos, las preguntas relacionadas con los factores económicos son la principal preocupación de los estudiantes (el 93,2%) y se muestran indiferentes en cuanto al apoyo institucional ofrecido durante el periodo de graduación. En cuanto a los aspectos de la maternidad y paternidad que preocupan a los estudiantes, cuando se relacionan con el género del participante, los factores económicos (p = 0,090) y su desarrollo personal o profesional (p = 0,020) tuvieron resultados significativos. Las otras correlaciones no fueron estadísticamente significativas. Conclusión: Es necesaria la coordinación entre los diversos sectores involucrados en la maternidad y la paternidad para educar y empoderar a los estudiantes universitarios en la planificación de estrategias como factor de protección de la salud. Palabras clave: maternidades; paternidad; adolescente; promoción de la salud

*MSc., Estudante de Doutoramento, Universidade de Franca, 14404-600, São Paulo, Brasil Kt†±8¡o´D|¼‰8†¡O‰L¡ |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎÎÀ~sÀ—À~Ǎ¸¡ Œ¼±FÁQEŒ 8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8V±bO†|8YbY8Y´VY´OÁ´´Ebb´O±¼8Y8±¼t¡±8Y8œ8±8 O±±b´œŒYdŒO8U*Á8 bŒ„8‰Œ 8±Œb±V½Îj bŒ¼±V(8±8O8¼ÁjV½g¡¸ÎÎ~ÎÎÎV ±8´†¡ CC(‘´~t±8YÁ8QEV Œnb±‰b±V-ŒÇb±´Y8YbYbφO8Œ¼bVν¸ÎVφO8Œ¼bV ´œ8Œ|8K„±tb¡ †œbÍt‰bÍD|¼‰8†¡O‰L¡ |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎÎÀ~gÀ½~·sÀÀ¡ Œ¼±FÁQE Œ8±¼tU(b´¦Á´8FF†t±9oO8¡ CCC(|¡ ¡V Œnb±‰b±8V-ŒÇb±´Y8Yb ´¼8YÁ8†Y*Yb8Œb±V8OÁ†Y8YbYb Œnb±‰8tb‰VÀÎpp—~νÎV*Yb8Œb±V ±8´†K|b†bŒ8†b8†Y8ÇYDt‰8†¡O‰L¡ |¼¼œ´U¹¹ ±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎΗ~gÎÎÀ~¸g½Î¡ Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU ´OÁ´´Ebb´O±¼8Y8±¼t¡ CCCC(|¡ ¡V Œnb±‰b±8V-ŒÇb±´Y8YbYbφO8Œ¼bVν¸ÎVφO8Œ¼bV ´œ8Œ|8K8†F8¡ Œ8Ç8†ŒDÁ8¡b´L¡ |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎÎÀ~p··~·——¡ Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU œb´¦Á´8FF†t±9oO8V¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8bY´OÁ´´E¡ CCCCC(|¡ ¡V´¼b±8œbÁ¼8V-ŒÇb±´Y8YbYb±8ŒO8V—ssÎs~¸ÎÎV+E(8Á†V ±8´†K‰8±´8¡ F±ÁŒ|b±¼¼DÁŒn±8Œ¡bYÁ¡F±L¡ |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎÎÀ~gÎpg~gpÀ½¡ Œ¼±FÁQE Œ8±¼tU(b´¦Á´8FF†t±9oO8VY´OÁ´´Ebb´O±¼8Y8±¼t CCCCCC(|¡ ¡V Œnb±‰b±V ´OÁb†8-ŒÇb±´¼8±8 Œnb±‰b±€88bVs¸ÎÀ¸V28†dŒO8V ´œ8Œ|8KÇObŒ¼btb8O8F8††b±Dt‰8†¡O‰L¡ |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎΗ~g¸Î·~½—p¡

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*bObFYœ8±8œÁF†O8QEb‰UΗ¡Î¡— ÏOb¼bœ8±8œÁF†O8QEb‰UÎÀ¡—À¡— Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 81 - 88


Introdução

processos de ensino e propondo novos desafios para as políticas públicas, principalmente no que envolve saúde e sustentabilidade. Por seu lado, a educação em geral é um fator importante de responsabilidade da sociedade no processo saúde-doença que começa desde o nascimento, no ambiente familiar, e permanece ao longo da vida através da convivência social em diferentes grupos, nas mudanças de comportamentos, atitudes e valores de referência socioeconómica, principalmente para jovens e adolescentes de ambos os sexos (Leite, Bleinat, & Seles, 2015). Acompanhar e conhecer o pensamento de jovens estudantes e as suas perceções sobre a gravidez e a maternidade/paternidade é essencial para o desenvolvimento de um programa de educação em saúde capaz de promover mudanças e ter um impacto positivo nos fatores sociais e económicos e também em relação à qualidade de vida e promoção da saúde dos jovens, dos futuros pais e do bebé. O objetivo deste trabalho foi analisar as perceções de jovens estudantes universitários de uma comunidade autónoma de Espanha sobre a maternidade e paternidade, e como estas podem influenciar o desenvolvimento de uma vida saudável.

Os jovens, hoje em dia, em todos os países, encontram-se sobrecarregados tanto por problemas previsíveis e universais para a sua idade, como pelos específicos da época histórica em que vivem. Os jovens enfrentam uma sociedade que sofre uma intensa crise social, económica e cultural, com grandes ruturas, que exigem uma complexa capacidade de adaptação ao mundo social para a construção da sua própria identidade. Este processo de mudança na vida destes jovens dá origem a conflitos pessoais, familiares, educacionais e sociais (Muñoz, Arcos, Acevedo, Lazcano, & Acevedo, 2015). Na construção desta identidade, os jovens procuram espaços próprios, nos quais se reúnem e buscam apoio mútuo. O processo de globalização cria uma cultura cada vez mais homogénea em termos de valores sociais, culturais e económicos, nem sempre ligados a saúde e bem-estar (Jacques, 2017). É na fase da juventude que se consolidam hábitos de vida, e este grupo populacional está exposto a riscos ligados ao desenvolvimento ou não de hábitos saudáveis, devido a vários fatores, como importantes mudanças que ocorrem tanto a nível fisiológico, como psicológico ou social, e os seus consequentes conflitos, a dificuldade de adaptação a estas mudanças e à influência do meio ambiente nas suas perspetivas futuras (Soares, Moniz, Sousa, Sales, & Alves, 2019). A promoção da saúde constitui um elemento fundamental para a mudança da conceção de saúde que a vê meramente como a ausência de doença, pois visa a criação de mecanismos que reduzam as situações de vulnerabilidade, defesa da equidade com articulação de redes de compromisso e corresponsabilidades na gestação de políticas públicas, com o objetivo de promover a qualidade de vida e a saúde e de prevenir doenças e consequências para a saúde. A conversão de uma política de saúde simplista numa política pública para todos os setores, com compromissos sociais e institucionais em tempos de globalização que não se limita a fronteiras, gera oportunidades na área da cooperação em saúde como mostra a análise de Dal Poz, Couto, e Franco (2016), sobre configuração e tendências das instituições de ensino superior em saúde. A expansão do mercado em educação estimula a competitividade, alterando

Enquadramento Na literatura, comummente, são encontrados estudos que tratam a maternidade e a gravidez como acontecimentos semelhantes. Mesmo que estes termos sejam regularmente estudados como sinónimos, reconhecem-se entre eles singularidades. A maternidade vai muito mais além de um conceito biológico que considera a gravidez, o parto e a amamentação. A gravidez é uma etapa temporária, que se caracteriza por modificações, principalmente biológicas no caso da mulher, e por grandes experiências psicológicas e sociais tanto para o homem quanto para a mulher. Embora a gravidez seja um evento com uma duração que ronda as 40 semanas entre a conceção e o parto para a mulher, também irá trazer repercussões para a vida do pai, pelo que se deve também incluir a perceção deste. Já a maternidade, não sendo um evento puramente biológico, é uma experiência com mudanças sociais e históricas na vida da mulher que estabelece responsabilidade e exigências já vislumbradas

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ou não durante a gravidez. A maternidade exige cuidados, maturidade emocional, e muitas outras exigências próprias da mãe (Jesús Reyes, & González Almontes, 2014). A respeito da paternidade, esta também não é um fenómeno biológico, mas um marco inserido na dinâmica social e histórica, pelo que também exige responsabilidades e varia conforme o contexto em que se está inserido, estando em constante mudança e transformação. Sobre a relação da perceção dos(as) estudantes universitários(as) face à maternidade e paternidade e a construção do seu projeto de vida com responsabilidade, qualidade e sustentabilidade, devem considerar-se também, os planos futuros destes jovens que consistem nas pretensões e desejos de realizações que projetam para o seu futuro, que vão desde ter uma profissão, a um trabalho e filhos (Soares et al., 2019). O programa de intervenção de educação em saúde no ambiente universitário tem o potencial de aumentar o empoderamento dos jovens no que diz respeito a uma maternidade/paternidade saudável, reduzir impactos negativos na saúde e consciencializá-los em prol da promoção da saúde. Alguns investigadores sugerem que os jovens necessitam de apoio para adquirir habilidades e conhecimentos para um desenvolvimento saudável e sustentável. Programas que incorporam práticas educativas voltadas para a juventude são fundamentais. Acredita-se que uma abordagem liderada pelas universidades é apropriada, uma vez que os jovens têm uma maior propensão para serem influenciados e para aprender neste ambiente (Crocker, Pit, Hansen, John-Leader, & Wright, 2019). No entanto, enquanto a educação em saúde no ambiente universitário parece ser considerada eficaz no aumento do conhecimento e na mudança de atitudes, há uma falta de consenso sobre os seus impactos em termos de resultados (Sanchez et al., 2019). Os jovens vivenciam um processo no qual as suas crenças, mitos, tabus e formas de se comportar, no que tange à saúde e bem-estar, podem transformar-se, o que influenciará a sua aprendizagem ao longo da vida e favorecerá a autorresponsabilidade na promoção e atenção à saúde, durante a vida adulta e o envelhecimento. Porém, como demostra o estudo realizado por Batista Mainegra, Rojas Hernández, González Aportela, e Hernández García (2015), a maioria dos jovens não detem formação para atingir metas de vida saudáveis,

pois tem uma baixa perceção de risco, o que se reflete, por exemplo, em falta de proteção nas relações sexuais, mudança frequente de parceiros e gravidez indesejada. Nível de escolaridade, fatores socioeconómicos e hábitos e estilos de vida, têm um papel importante no cuidado e promoção da saúde da pessoa e também durante a gravidez e no futuro, no papel de mãe ou pai, pois estes fatores exercem grande influência na perceção da qualidade de vida, principalmente em jovens (Lindstad Løvåsmoen, Nyland Bjørgo, Lukasse, Schei, & Henriksen, 2018).

Questão de investigação Quais são as perceções dos jovens universitários sobre a maternidade e paternidade no que diz respeito a um desenvolvimento saudável?

Metodologia Trata-se de um estudo de natureza quantitativa e exploratória. Utilizou-se como instrumento de colheita de dados um questionário elaborado pelos próprios investigadores sobre dados sociodemográficos, educação em saúde, fontes de informações utilizadas, perceção dos estudantes sobre a maternidade e a paternidade e importância de recursos no contexto universitário. A amostra foi calculada a partir do número total de alunos matriculados segundo o anuário estatístico da instituição (n = 23.941), com margem de erro de 5%, com nível de confiança de 95%. Assim, aplicaram-se 389 questionários de forma aleatória e estratificada por área de conhecimento (curso de graduação), de estudantes matriculados durante o ano letivo 2018-2019, na Universidade de Alicante, em Espanha. Consideraram-se os seguintes critérios de inclusão: ser maior de 18 anos e estar no momento matriculado na instituição. Foram excluídos os estudantes que por qualquer motivo não aceitaram participar na investigação. Procedimentos As informações foram recolhidas através de um questionário anónimo e auto administrado durante os meses de abril a junho de 2019 no campus da universidade, sendo os estudantes convidados de forma aleatória por um dos investigadores res-

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MARIA DA GLORIA ARAGÃO MARTINS FERREIRA et al.

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ponsáveis pelo estudo e obtida a prévia autorização dos entrevistados e das autoridades académicas. Este estudo foi submetido à Comissão de Ética da Universidade de Alicante, tendo sido obtido parecer positivo e favorável e sido autorizada a aplicação do questionário. Não foi registada nenhuma incidência relevante em relação à administração e colaboração dos estudantes universitários durante a realização do estudo. A taxa de resposta foi elevada e a proporção de estudantes que se negaram a completar o questionário foi irrelevante.

Posteriormente, apresentam-se os resultados sobre a perceção destes jovens acerca da maternidade e paternidade onde se demonstra a relação entre as variáveis de fontes de informações, as relativas à promoção da saúde, maternidade e paternidade, autoavaliação sobre conhecimentos em relação à maternidade e paternidade, os fatores que mais preocupam estes jovens, a época mais difícil para a maternidade e paternidade e se este tema é interessante para os entrevistados. Por fim, apresentam-se os resultados referentes à análise correlacional entre as variáveis sexo, idade, área e ano de graduação com os demais temas abordados no questionário.

Tratamento estatístico As variáveis quantitativas foram analisadas por meio de estatística descritiva. Todas as variáveis, à exceção da idade, apresentaram distribuição normal e a associação entre elas foi verificada por meio do teste de qui-quadrado. A variável idade exigiu um teste de hipóteses não paramétrico, tendo sido usado o teste de Kruskal Wallis. O nível de significância estatístico adotado neste estudo foi de 5% (p ≤ 0,05) e o intervalo de confiança de 95%. As análises foram obtidas através do software IBM SPSS Statistics, versão 24.0. As variáveis selecionadas foram: sexo; idade; curso de graduação; ano letivo que frequentam; se o entrevistado é mãe/pai; fontes de informação em relação à promoção de saúde e à maternidade e paternidade; opinião sobre o tema; aspetos mais preocupantes; época mais difícil para a maternidade e paternidade; e se o tema é de interesse para estes jovens estudantes.

Dados relacionados com a caracterização da amostra Dos 389 estudantes participantes, 66,3% (n = 258) eram mulheres e 33,7% (n = 131) homens, com idade média de 21,05 anos (DP = 2,50). As áreas de formação destes alunos são: 53% (n = 206) de Ciências Sociais e Políticas, 21,9% (n = 85) de Ciências (Biologia, Ciencias do Mar, Física, Biologia, Matemática e Química), 10,3% (n = 40) de Ciências da Saúde, 8% (n = 31) de Artes e Humanidades, 4,6% (n = 18) de Engenharias e Arquitetura e 2,3% (n = 9), não responderam a sobre a sua área de formação. Em relação ao tempo de vida universitária, 44,7% (n = 174) estão no primeiro ano, 18,3% (n = 71) no segundo ano; 16,3% (n = 63) no terceiro ano, 19,5% (n = 76) no quarto ano e 1,3% (n = 5) foram omissos nesta resposta. Apenas três estudantes responderam que já são pais, representando 0,8% da amostra, 72,2% ainda não são pais mas afirmam que gostariam de ser, 26,2% não são e não gostariam de ser e 0,8% foram omissos na resposta. Estes dados encontram-se apresentados na Tabela 1.

Resultados Os resultados encontram-se apresentados em três partes. Primeiramente, apresentam-se os resultados referentes à caracterização da amostra (perfil).

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Tabela 1 Caracterização dos estudantes que compõem a amostra e responderam ao questionário N = 389

N

Sexo

Área de formação

Mulher

258

66,3

Homem

131

33,7

Total

389

100

Ciências Sociais e Políticas

31

8

Ciências

206

53

Ciências da Saúde

18

4,6

Artes e Humanidades

85

21,9

Engenharias e Arquitetura

40

10,3

Omissos Ano da graduação

%

9

2,2

Total

389

100

1º ano

174

44,7

2º ano

71

18,3

3º ano

63

16,2

4º ano

76

19,5

Omissos

5

1,3

389

100

Total

Dados relacionados com as fontes de informação, autoconhecimento, fatores que preocupam os jovens em relação ao tema, época mais difícil para ser mãe/pai e interesse no tema de maternidade e paternidade A maioria dos jovens informou que a família era a principal fonte de informação (88,9%; n = 346), seguidas pelos meios de comunicação em massa (57,8%; n = 225), as redes sociais ou sites de internet foram referidas por 18,5% (n = 72), os livros ou revistas por 27% (n = 105), a escola por 27% (n = 105), a universidade por 18,5% (n = 72), os grupos de amigos são responsáveis por 26,5% (n = 103) das informações obtidas para estes jovens, 2,1% (n = 8) afirmam não ter nenhuma informação e 1,5% (n = 5) tem outras fontes de informação mas estas não foram especificadas. Sobre a importância da educação em saúde para uma maternidade e paternidade saudável, a maioria dos jovens (78,4%; n = 305) está totalmente de acordo com esta afirmação; quando interrogados se têm conhecimentos suficientes sobre estilo de vida e promoção de saúde para uma gravidez e maternidade/paternidade saudável, apenas 4,9% (n = 19) estão totalmente de acordo; a possibilidade de ter um

filho durante os estudos causa inquietude para 55% (n = 215) entrevistados; apenas 16,7% (n = 65) acreditam que se pode conciliar os estudos com a maternidade e paternidade. Em relação à universidade exercer alguma influência sobre a maternidade e paternidade, 14,1% (n = 55) estão totalmente de acordo com esta afirmação e, ainda sobre as universidades, se estas devem estar preparadas para receber estudantes que tenham filhos, com recursos que lhes permitam conciliar os estudos e a maternidade/paternidade, 70,4% (n = 274) estão totalmente de acordo que as universidades devem estar preparadas para receber estes alunos. Relativamente aos aspetos que mais preocupam estes jovens em relação à maternidade e paternidade, encontram-se os fatores económicos, com 92,3% (n = 359), o desenvolvimento pessoal ou profissional com 65,8% (n = 256), a falta de informação (27%; n = 105) e outros motivos (5,1%; n = 20), sendo importante ressaltar que os jovens poderiam indicar mais do que um aspeto. Os jovens entrevistados consideram que a época mais difícil para a maternidade/paternidade é durante os estudos universitários, com 35% (n = 136), 31,9% (n = 124) acreditam que é mais di-

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fícil antes de começarem os estudos universitários, 28,5% (n = 111) consideram qualquer época e apenas 2,3% (n = 9) veem esta dificuldade após terminar os seus estudos. 39,8% (n = 155) dos jovens estão de acordo com o tema: “A maternidade/paternidade é um tema de interesse para os(as) jovens estudantes”.

família como base regular para esclarecer as suas dúvidas, não havendo diferença em relação ao sexo do entrevistado. Tal, pode ser justificado por dados apresentados pelo gabinete estatístico europeu e publicados pela European Commission (2017), que destaca que, mais de um terço dos jovens do sexo masculino e um quinto do sexo feminino viviam em casa dos pais. Os jovens espanhóis que ainda vivem com os pais têm, em média, 29 anos de idade. Já os estudos estatísticos sobre gravidez e maternidade de Segovia e Caro (2015), mostraram que os jovens tem as suas dúvidas esclarecidas principalmente por meio da internet no caso dos homens, e através de pais, professores ou amigos, no caso das mulheres. O presente trabalho apresentou um resultado interessante em relação à época mais difícil para o jovem ter filhos, variável em relação à qual a maioria respondeu que é durante os estudos universitários. Tal, poderia fazer pensar que, apesar de desejarem ser mães ou pais, estes não se sentem apoiados, não apenas a nível pessoal, mas principalmente por meio de instituições públicas, o que dificulta a combinação de ambas as atividades pelos jovens (Hernández-Quirama, Cáceres Manrique, & Linares García, 2019). Talvez, tal possa ser explicado a partir da análise de Jesús Reyes e González Almontes (2014), que considera que a gravidez na juventude pode colocar os pais e o filho numa situação crítica, quer seja por problemas de saúde e/ ou socioeconómicos. Assim, os jovens terão menores oportunidades de ingressar o mercado de trabalho e uma alta probabilidade de falta de oportunidades por baixa qualificação profissional, já que lidar com a maternidade/ paternidade durante os estudos universitários parece ser um problema. A partir de uma perspetiva abrangente da situação enfrentada por jovens face à maternidade/paternidade, e de acordo com o estudo de Sierra-Macías, Covarrubias-ermúdez, González-Pérez, e Alfaro-Alfaro, 2019, destacam-se algumas dimensões estruturais: socioeconómicas e culturais principalmente. Este, corrobora os resultados do presente estudo, pois 92,3% dos entrevistados acreditam que o aspeto económico é o fator mais preocupante em relação à maternidade e paternidade entre jovens universitários. Com relação a variáveis económicas, foi evidente a preocupação dos jovens com a questão

Dados de análise correlacional entre as variáveis sexo, idade, área e ano de graduação com os demais temas abordados no questionário Foi obtida a correlação bivariada entre as variáveis sexo e fonte de informação, usadas para temas relacionados com a promoção de saúde e a maternidade e paternidade. Só se obteve diferença estatisticamente significativa na relação entre a variável sexo e as fontes de informação: família (p = 0,027) e livros e revistas (p = 0,005). Quanto aos aspetos da maternidade e paternidade que preocupam estes jovens, quando relacionados com o sexo dos participantes, obtiveram resultados significativos os fatores económicos (p = 0,09) e o seu desenvolvimento pessoal ou profissional (p = 0,020). As demais correlações entre sexo, idade, curso de graduação e ano que estão a frequentar na universidade com as fontes de informação, opinião sobre a maternidade e paternidade, época mais difícil para ser mãe/pai e interesse sobre o tema, não foram estatisticamente significativos.

Discussão A amostra do estudo é constituída maioritariamente por jovens do sexo feminino. A mulher conquistou o seu espaço na sociedade e exerce funções anteriormente exclusivas dos homens. Reconhece-se a presença feminina no mercado de trabalho e na busca de qualificação profissional, com mulheres cada vez mais presentes no ensino superior. Segundo o estudo de Barros e Mourão (2018), há mais mulheres que homens de 18 a 24 anos inseridos no ensino superior em todo o mundo. A idade média dos participantes é comparável com os resultados de outros estudos, como o de Guimarães (2013), demarcando que a maior parte dos jovens universitários apresentam idades entre os 17 e os 24 anos. Em relação às perguntas sobre fontes de informação, a maioria dos participantes tem a

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Referências bibliográficas

da sustentabilidade financeira, o que parece ser um fator primordial para uma maternidade/ paternidade saudável. Hill et al. (2018), indicam no seu estudo que quanto maior o capital económico das famílias maior será a exigência por educação de qualidade e de forma sustentável, reafirmando assim os conceitos de capital cultural e económico. Assim, o capital cultural ou os recursos educacionais familiares, que são medidos pela escolaridade, vão favorecer uma educação de qualidade e maior preocupação na criação dos seus filhos. Em relação às limitações do estudo, importa ressaltar que a amostra provém de uma única região geográfica, sendo essencial evitar generalizações para outros contextos. Por sua vez, por ser um estudo transversal, o contexto temporal das associações apresentadas na pesquisa não pôde ser avaliado e as causas do fenómeno estudado não puderam ser determinadas.

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Conclusão Considerando os resultados, os jovens universitários experenciam a maternidade e a paternidade com diferentes perceções, no entanto, nota-se uma necessidade de articulação entre diversos setores envolvidos no processo de maternidade e paternidade a fim de educar e empoderar os(as) estudantes universitários(as) para estratégias de planeamento como fator de proteção à saúde. Com isto, fez-se notar a importância de continuar a investigar sobre esta temática e a realizar outras análises em conjunto, no âmbito do conhecimento dos medos, inquietudes e anseios dos jovens universitários sobre o futuro da maternidade e paternidade e, que se consolide de forma responsável e sustentável para estes jovens. Neste sentido, considera-se conveniente que futuros estudos sobre esta perspetiva tenham em conta variáveis psicossociais relacionadas com o contexto académico e na comunidade. Agradecimentos O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

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Perfil de jovens universitários e as suas perceções face à maternidade e paternidade

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19048

Qualidade de vida da pessoa com doença inflamatória intestinal Quality of life of patients with inflammatory bowel disease Calidad de vida de la persona con enfermedad inflamatoria intestinal Lúcia Maria Torres dos Santos Gil*

; Isabel Maria Ribeiro Fernandes**

Resumo Enquadramento: A doença inflamatória intestinal (DII) afeta geralmente adultos jovens e tem um curso clínico crónico recidivante, com impacto na qualidade de vida, nomeadamente em aspetos relacionados com a saúde, educação, profissão, vida social e familiar. Objetivos: Avaliar o nível de qualidade de vida das pessoas com DII e identificar os fatores relacionados com a qualidade de vida. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo-correlacional, transversal e de tipo quantitativo. A amostra do estudo foi consecutiva e por conveniência, constituída por 38 participantes, tendo sido aplicado um questionário constituído por variáveis sociodemográficas, clínicas e hábitos comportamentais e pelo instrumento de avaliação Inflammatory Bowel Disease Questionnaire - Revised (IBDQ-R). Resultados: Verifica-se relação estatisticamente significativa entre a qualidade de vida, na dimensão Aspetos sociais e o nível de escolaridade, a existência de internamentos e a existência de hábitos tabágicos. Conclusão: As pessoas com DII consideram ter uma perceção da qualidade de vida razoável (45,80%), com valores superiores na dimensão Sintomas sistémicos (49,50%) e inferiores na dimensão Aspetos sociais (36,50%). Palavras-chave: doenças inflamatórias intestinais; qualidade de vida

Abstract

Resumen

Background: Inflammatory bowel disease (IBD) usually affects young adults and has a chronic, relapsing-remitting course, with an impact on patients’ quality of life, namely on their health, education, profession, and social and family life. Objectives: To assess the levels of quality of life of patients with IBD and identify the quality of life-related factors. Methodology: A descriptive-correlational, cross-sectional study was conducted with a quantitative approach. The consecutive and convenience sample was composed of 38 participants. An instrument that consisted of sociodemographic variables, clinical variables, and behavioral habits, as well as the Inflammatory Bowel Disease Questionnaire - Revised (IBDQ-R) was applied. Results: A statistically significant association was found between quality of life, in the Social function dimension, and education level, hospital admissions, and smoking habits. Conclusion: Patients with IBD perceived their quality of life as reasonable (45.80%), with higher scores in the Systemic symptoms dimension (49.50%) and lower scores in the Social function dimension (36.50%).

Marco contextual: La enfermedad inflamatoria del intestino (EII) afecta generalmente a adultos jóvenes y tiene un curso clínico crónico y recidivante, con un impacto en la calidad de vida, en particular a los aspectos relacionados con la salud, la educación, la profesión, la vida social y familiar. Objetivos: Evaluar el nivel de calidad de vida de las personas con EII y identificar los factores relacionados con la calidad de vida. Metodología: Estudio descriptivo, correlacional, transversal, cuantitativo. La muestra del estudio constó de 38 participantes y consistió en la aplicación de cuestionarios compuestos por variables sociodemográficas, clínicas y de comportamiento y el Inflammatory Bowel Disease Questionnaire - Revised (IBDQ-R). Resultados: existe una relación estadísticamente significativa entre la calidad de vida en la dimensión Aspectos sociales y el nivel de escolaridad; la existencia de hospitalizaciones y la existencia de hábitos de fumar. Conclusión: Las personas con EII consideran tener un razonable nivel de la calidad de vida (45,80%), con valores más altos en la dimensión de Síntomas sistémicos (49,50%) y más bajos en la dimensión de Aspectos sociales (36,50%).

Keywords: inflammatory bowel diseases; quality of life Palabras clave: enfermedades inflamatorias del intestino; calidad de vida

*MSc., Enfermeira Especialista em Enfermagem Comunitária, Hospital Sousa Martins, 6300-035, Guarda, Portugal [luciagil72@sapo.pt]. https://orcid.org/0000-0002—gÎ~Às——¡ Œ¼±FÁQEŒ8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8¶±bO†|8YbY8Y´¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´bYbY8Y´bY´OÁ´´E¶b´O±¼8Y8±¼t¡ **Ph.D., Professora Adjunta, Instituto Politécnico da Guarda. Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, 3046-851, Coimbra, Portugal [isabelfernandes@ ipg.pt]. https://orcid.org/0000-0001-7478-9567. Contribuição no artigo: orientação Y8ŒÇb´¼t8QE¶OŒObQE‰b¼Y†‘tO8¶b´O±¼8Y8±¼t¡±8Y8œ8±8O±±b´œŒdência: Avenida Cidade Safed, Lote 4, 2º esq, 6300-537, Guarda, Portugal.

Recebido para publicação em: 30.07.19 Aceite para publicação em: 02.12.19

Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 89 - 98


Introdução

mática revela-se de particular interesse para o desenvolvimento de estudos de investigação. Os objetivos do presente estudo passam por avaliar a QV das pessoas com DII e identificar os fatores relacionados com a QV das pessoas com DII, visando a obtenção de resultados que possibilitem mudanças de atuação individual e a nível dos profissionais de saúde e a obtenção de dados e contributos positivos para o desenvolvimento da enfermagem.

A doença inflamatória intestinal (DII), é uma doença crónica que se caracteriza por uma inflamação intestinal crónica, dividindo-se em duas vertentes principais, nomeadamente a doença de crohn (DC) e a colite ulcerosa (CU). A DC apresenta uma inflamação transmural, descontínua, que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal. A CU é a forma mais comum e, ao contrário da DC, restringe-se à mucosa intestinal pelo que é menos suscetível a complicações e muitos doentes apresentam um curso de doença moderado (Smeltzer, Bare, Hinkle, & Cheever, 2011). Correspondem a um grupo de doenças autoimunes que afetam a mucosa intestinal, recidivam frequentemente e são muito debilitantes. A DII manifesta-se por sintomas intestinais, extraintestinais e sistémicos, exigindo inúmeras hospitalizações, internamentos e tratamentos prolongados, o que tem implicações diretas no bem-estar das pessoas, afetando diversos domínios da vida nomeadamente, físico, psíquico e social (Magalhães et al., 2015; Vasconcelos, Rocha, Souza, & Amaral, 2018). A nível Europeu a incidência e prevalência da DII tem aumentado, sendo que a estimativa atual é aproximadamente de 0,30% da população acometida, apresentando uma grande variação geográfica. Em Portugal, a prevalência desta patologia, tem vindo a aumentar progressivamente, estimando-se que será de 150/100.000 habitantes e com tendência para aumentar, o que terá consequências diretas no bem-estar e qualidade de vida (QV) das pessoas (Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação, 2016). O conceito QV é marcado pela subjetividade, que envolve toda a condição humana, quer seja a nível da dimensão física como psicológica, social, cultural ou espiritual. Esta conceção holística do homem revela-se o alicerce básico para uma prestação de cuidados de qualidade no âmbito da enfermagem, possibilitando uma atenção globalizante de um ser humano que se encontra mais fragilizado e a carecer de apoio e ajuda na satisfação das suas necessidades, seja no contexto comunitário ou hospitalar. Tendo real conhecimento da implicação de uma situação de doença crónica no bem-estar da pessoa e na perceção da sua QV, esta te-

Enquadramento A DII representa um grupo de afeções intestinais inflamatórias crónicas idiopáticas, que resultam da ativação constante e inadequada do sistema imuno mucoso, assumindo por isso o caráter de doença autoimune nas suas diversas manifestações (Neves, 2015). As duas principais categorias de doenças que a caracterizam são a DC e a CU, que apresentam algumas características clínico-patológicas sobrepostas e outras distintas, possibilitando um diagnóstico diferencial (World Gastroenterology Organisation Practice Guidelines, 2015). Os sintomas apresentados pelas pessoas com DII podem gerar mudanças de grande impacto no seu bem-estar, nas várias dimensões que caracterizam a vida humana. Manifesta-se na pessoa por fadiga, dor, alterações intestinais, o que pode conduzir ao isolamento da pessoa, pois interferem a nível social, laboral e afetivo, uma vez que afeta geralmente adultos jovens, o que tem impacto na QV relacionada com a saúde, nomeadamente em aspetos relacionados com a educação, a profissão, a vida social e familiar. O tratamento pode ser farmacológico e/ou cirúrgico, dependendo do tipo de doença e da sua extensão, tendo como objetivo eliminar as crises inflamatórias, suprimir as respostas imunes inapropriadas e proporcionar repouso ao intestino doente para facilitar a cicatrização das lesões. Concomitantemente, visam o alívio dos sintomas, a redução da necessidade de cirurgia, a prevenção de futuras recaídas, a suspensão do uso de corticoides e a redução do número de hospitalizações, contribuindo, por conseguinte, para a melhoria da QV da pessoa (Matos & Figueiredo, 2013; Smeltzer et al., 2011). De acordo com os estudos epidemiológicos rea-

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Qualidade de vida da pessoa com doença inflamatória intestinal

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lizados nas últimas décadas, a incidência da DII na população mundial tem vindo a aumentar, podendo estar relacionada com as mudanças no estilo de vida das populações (dieta alimentar, hábitos tabágicos, sedentarismo, stress) e com a possibilidade de se definirem diagnósticos mais precocemente, devido à melhoria das técnicas e exames complementares de diagnóstico. Esta patologia afeta cerca de 15.000 a 20.000 portugueses, a maioria jovens e com vida ativa, sendo que alguns casos são passíveis de ser tratados em regime ambulatorial e outras situações, mais graves, exigem um tratamento mais específico com internamento hospitalar. Com o propósito de avaliar o impacto clínico e económico na organização e prestação dos serviços de gastroenterologia foi realizado um inquérito das doenças digestivas pela United European Gastroenterology na primavera de 2013, que revelou existir um aumento na incidência da maioria das doenças digestivas na Europa, nomeadamente a DII, com implicações na futura prestação de cuidados de saúde. A DII, entre outras patologias do foro digestivo, tem um grande impacto sobre a QV, produtividade no trabalho e absentismo (Rede Nacional de Especialidade Hospitalar e de Referenciação, 2016). A DII tem implicações significativas na QV das pessoas, sendo que os níveis variam consoante a doença se encontra em fase ativa ou em remissão. Na fase mais ativa são visíveis os efeitos dos sintomas intestinais na vida das pessoas e, consequentemente, na sua capacidade para satisfazer as suas atividades de vida diária, de lazer e de trabalho (Trindade, Ferreira, & Gouveia, 2016). A pessoa acometida pela doença, vê-se sujeita a mudanças significativas nos seus projetos de vida a curto, médio e longo prazo, com inerentes alterações nos seus hábitos, costumes e comportamentos em associação a novas formas de pensar e agir. Tem-se verificado um grande investimento no desenvolvimento de técnicas e de estratégias para lidar com a DII, no sentido de conduzir as pessoas a demonstrar melhores níveis de bem-estar, de adaptação e aceitação da doença (Trindade et al., 2016). Revela-se importante ter a noção do impacto da doença no quotidiano da pessoa/família, para que se promovam condições que as ajudem na vivência deste processo de

doença, conduzindo ao aumento do bem-estar e satisfação de todos os envolvidos de forma a melhorar a QV das mesmas. A equipa multidisciplinar que cuida das pessoas com doença crónica terá de considerar, não apenas os aspetos biológicos e físicos, mas também as repercussões psicossociais da doença, sendo que a pessoa com DII se enquadra num grupo com necessidades específicas e que necessita de acompanhamento, devendo ser assegurados cuidados de saúde eficazes e o desenvolvimento de programas e projetos de intervenção, com vista à sua capacitação a nível individual, familiar e na comunidade.

Questão de investigação/Hipóteses Qual o nível de QV da pessoa com DII? Hipótese 1 - Existe relação entre a QV da pessoa com DII e as variáveis sociodemográficas; Hipótese 2 - Existe relação entre a QV da pessoa com DII e os hábitos comportamentais; Hipótese 3 - Existe relação entre a QV da pessoa com DII e as variáveis clínicas.

Metodologia Este trabalho enquadra-se no domínio da investigação descritivo-correlacional, transversal e do tipo quantitativo. O estudo inclui a avaliação de um conjunto de variáveis, sendo que a dependente é a QV das pessoas com DII e as independentes englobam características sociodemográficas, nomeadamente a idade, género, estado civil, nível educacional e profissão; hábitos comportamentais (tabágicos e alcoólicos) e variáveis clínicas (confirmação do diagnóstico, internamentos hospitalares e tempo de diagnóstico). Os critérios de inclusão definidos foram: pessoas inscritas na consulta externa com DII de uma unidade local de saúde da região Centro, ter idade compreendida entre 18-65 anos, saber ler e escrever português, apresentar aptidões cognitivas para o preenchimento do questionário e aceitar participar no estudo de forma voluntária. Recorreu-se à colheita de dados através da aplicação de um instrumento, constituído por duas partes. A primeira é constituída por

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ISABEL MARIA RIBEIRO FERNANDES et al.

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um conjunto de questões que assumem três dimensões: Sociodemográficas, Comportamentais e Clínicas. A segunda é constituída pelo Inflammatory Bowel Disease Questionnaire Revised (IBDQ-R), traduzido e validado para a população portuguesa por Veríssimo (2008), que permite avaliar diferentes aspetos da QV, que são agrupados em 4 dimensões: Sintomas Intestinais (10 itens); Sintomas Sistémicos (5 itens); Aspetos Emocionais (12 itens) e Aspetos Sociais (5 itens), abordando questões relacionadas com a sintomatologia que as pessoas apresentam, a forma como se têm sentido e o seu estado de espírito nos últimos 15 dias, permitindo a compreensão da adaptação das mesmas à sua condição de doente (Veríssimo, 2008). Este instrumento foi auto preenchido pelos participantes que demonstraram capacidades para tal, sendo que nos mais idosos houve necessidade de ajuda do investigador. A amostra do estudo foi consecutiva por conveniência, sendo constituída por 38 elementos que frequentaram a consulta externa durante os meses de janeiro a setembro de 2017. O número de elementos foi determinado com recurso ao programa Epi-Info Versão 7, tendo por base a população-alvo, correspondendo a um mínimo de 33 elementos. Para a realização deste estudo, solicitou-se o parecer à Comissão de Ética da Unidade Local de Saúde, tendo este sido favorável, com o número de registo 11129 de 2016/12/20. Procedeu-se ao pedido formal de autorização, por escrito, ao autor do questionário selecionado para o presente estudo e elaborou-se um consentimento esclarecido para os participantes que lhes foi cedido, tendo sido consentida a participação no mesmo. Em termos de análise inferencial, recorreu-se à utilização de testes não-paramétricos U de Mann-Whitney; K de Kruskal-Wallis e ao coeficiente de correlação de Spearman, em função do

reduzido tamanho da amostra, nomeadamente quando dividida em subgrupos para testar as hipóteses em estudo. Assumiu-se um Į = 0,05 como valor crítico de significância dos resultados dos testes de hipóteses, rejeitando-se a hipótese nula quando a probabilidade de erro tipo I foi inferior àquele valor (p < 0,05). Para o tratamento estatístico dos dados recorreu-se ao programa IBM SPSS Statistics, versão 20.0. Recorreu-se à análise da consistência interna, através do coeficiente alpha de Cronbach, tendo sido obtidos valores que variam entre 0,72 e 0,89 para as diferentes dimensões da QV e de 0,93 para o total do IBDQ-R, em semelhança com os dados obtidos por Veríssimo (2008), com valores de que variam de 0,77 a 0,87 para as diferentes dimensões e de 0,92 para o total do IBDQ-R.

Resultados A amostra é composta por 19 elementos do género feminino e 19 elementos do género masculino e relativamente às variáveis sociodemográficas podem verificar-se as principais caraterísticas na Tabela 1. A média de idades foi de 43,20 anos, com 28,90% com o 12º ano de escolaridade e ensino superior, maioritariamente casados (65,80%) e empregados (57,80%). A DC foi a mais representativa com 19 pessoas (50,0%), seguindo-se a CU com 10 pessoas (26,30%) e a DII indeterminada com nove doentes (23,70%). A maioria das pessoas referiu nunca ter fumado (65,80%) e não ter hábitos alcoólicos (71,10%). Quinze doentes (39,50%) foram submetidos a internamento, cujos principais motivos foram a hemorragia (n = 4) e agudização da doença (n = 3). Relativamente ao tempo de diagnóstico, este variou entre 1 e 29 anos, com uma média de 8,80 anos.

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Tabela 1 Relação entre a variável dependente (QV) e as variáveis independentes Variáveis Independentes

N Feminino

19

Masculino

19

Casados

25

Não casados

13

Inferior ao 12ºano

16

Superior ao 12 ano

22

Situação profissional

Empregado

22

Não empregado

16

Hábitos tabágicos

Fuma ou já fumou

13

nunca fumou

25

Inexistentes

27

Leves ou moderados

11

Doença de Crohn

19

Colite ulcerosa

10

DII indeterminada

9

Não

23

Sim

15

Género

Estado civil Sociodemográficas Nível escolaridade

Comportamentais Hábitos alcoólicos

Patologias Clínicas Internamento

Anos de diagnóstico

38

p (Total da IBDQ- R)

Dimensão onde existe relação estaticamente significativa

0,103

0,210

0,711

Aspetos sociais p = 0,020

0,651

0,030

Aspetos sociais p = 0,030

0,161

0,166

0,273

Aspetos sociais p = 0,022

0,890

Nota. p = teste de significância; DII = Doença Inflamatória Intestinal; IBDQ-R = Inflammatory Bowel Disease Questionnaire – Revised.

Caracterização da QV Numa análise individualizada a cada um dos itens verifica-se que aqueles em que se verificou uma média mais elevada, correspondente a pior situação, foi o item 11 - “Receio de não encontrar casa de banho por perto” (M = 4,10; DP ± 1,80), item 19 - “Ansiedade por receios relacionados com a doença” (M = 3,90; DP ± 1,60) e item 20 - “Incómodo por distensão abdominal” (M = 3,90; DP ± 1,40). Em extremo oposto, correspondente a uma melhor situação, apresenta-se o item 22 - “Sangrar com o funcionamento do intestino” (M=1,90; DP ± 1,10), o item 28 - «Sentir-se condicionado na sua atividade sexual» (M = 2,00; DP ± 1,10) e item 26 - “Sujar a roupa sem querer” (M = 2,20; DP ± 1,40). O item 21 “Sentir-se descontraído ou relaxado” (M = 4,00; DP ± 1,10), foi o único em que nenhum doente registou o pior estado

possível, apresentando o valor mínimo de 2 e uma média das mais elevadas, tendo em conta que se trata de uma das questões invertidas. Verifica-se que, em termos médios, a dimensão Sintomas sistémicos é aquela em que a amostra apresenta resultados mais elevados, seguida da dimensão Aspetos emocionais e da dimensão Sintomas intestinais, o que traduz pior QV. A dimensão em que a amostra apresentou melhor QV foi Aspetos sociais. Constata-se ainda que a média de todas as dimensões da QV se situa entre os 40 e 60, o que traduz uma média de QV razoável. Em termos globais, a média obtida na IBDQ-R foi de 45,80 pontos em 100, com um mínimo de 44,00 e um máximo de 72,30. Na relação entre a caracterização sociodemográfica e a QV das pessoas com DII, verificou-se

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que não existem evidências estatísticas que permitam afirmar que a idade, o género, o estado civil e a profissão influenciam a QV da pessoa com DII. A nível da escolaridade, verificou-se diferença estatisticamente significativa relativamente à dimensão Aspetos sociais, sendo que a QV neste âmbito é superior nas pessoas com maior nível de escolaridade. Na relação entre os hábitos comportamentais, onde foi analisada a existência de hábitos tabágicos e alcoólicos e a QV da pessoa com DII, verificou-se que existe diferença estatisticamente significativa na dimensão Aspetos sociais e no score total, sendo que, quem fuma ou já fumou apresenta melhor QV na dimensão Aspetos sociais. Verificou-se também que não existe diferença estatisticamente significativa em nenhuma dimensão do questionário no que concerne aos hábitos alcoólicos. Na relação entre as variáveis clínicas e a QV das pessoas com DII, verificou-se que não existem evidências estatísticas que permitam afirmar que o tipo de doença (DC ou CU) ou que os anos de diagnóstico da doença influenciem a QV das pessoas com DII. Comparando a QV entre pessoas que foram ou não submetidas a internamento, verificou-se que as pessoas que foram internadas, possuem melhor QV em termos de Aspetos sociais, sem diferenças estatisticamente significativas nas restantes dimensões ou no total da escala.

participaram 200 doentes com DII, em que se constatou que a sua maioria são mulheres e no elaborado por Souza, Barbosa, Espinosa, e Belasco (2011), onde se verificou uma predominância do género feminino (62,00%). No que se refere às relações familiares, verifica-se que os participantes do nosso estudo são maioritariamente casados (65,80%), o que se revela de acordo com o estudo elaborado por Souza et al. (2011) que apresenta uma média de 69.90% de participantes casados, mas em desacordo com os resultados obtidos por Neubauer, Arlukiewicz, e Paradowski (2009), na medida em que constata que os doentes com DC vivem maioritariamente sozinhos e não constituem família. Os participantes do presente estudo apresentam um nível de escolaridade correspondente ao 12º ano (28,90%) e formação de ensino superior (28,90%), o que não está em consonância com os dados obtidos por Coelho (2010) em que se verifica uma maior percentagem de elementos com um nível de escolaridade correspondente ao 9º ano de escolaridade (56,90%). O nível de escolaridade, em alguns estudos, revelou-se importante, uma vez que foi comprovado que quanto mais elevado melhor a QV das pessoas com DII (Coelho, 2010). Segundo Magalhães et al. (2015), as dificuldades que as pessoas com DII apresentam, têm reflexo em termos económicos e sociais, uma vez que 20% dos participantes recebem um subsídio ou reforma por invalidez ou incapacidade e 10 a 25% estão em risco de desemprego. No estudo elaborado por Ramos et al. (2015), de um total de 293 participantes com DII, 214 eram trabalhadores, 12 estavam a receber uma reforma por invalidez, 16 encontravam-se desempregados e 11 em vias de perder o emprego em função do absentismo laboral recorrente, 30 eram domésticas e 10 estudantes. Pela análise dos resultados destes estudos, pode constatar-se que as pessoas com DII apresentam grande probabilidade de ver a sua vida profissional alterada devido à exacerbação da sintomatologia da doença, o que pode conduzir ao absentismo laboral, à necessidade de internamentos ou, numa fase mais complicada, à interrupção da atividade profissional. No presente estudo, dos 38 participantes verifica-se que 16 estão desempregados englobando os estudantes, desempregados e reformados, sendo

Discussão No presente estudo, verifica-se o predomínio de uma população jovem acometida com DII, o que vai ao encontro dos dados obtidos nos estudos de diversos autores nomeadamente do de Silva (2015), Magalhães et al. (2015), Trindade et al. (2016) e Saurabh e Ahuja (2017), que referem que a idade das pessoas se encontra compreendida entre os 20 e 40 anos, com maior evidência a partir dos 30 anos, ou seja, pessoas jovens e ativas, estando associada a perdas significativas na capacidade funcional e na sua autonomia. Em termos de género, na nossa amostra, verificámos que existem tantos homens como mulheres, o que não está de acordo com a maioria dos dados obtidos noutros estudos, tal como o elaborado por Trindade et al. (2016), onde

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que o diferencial relativamente aos empregados não é significativo, uma vez que a diferença é de seis participantes. O consumo de tabaco tem sido considerado como um dos fatores ambientais mais importantes na patogenia das DII crónicas, embora não se consiga descrever quais os mecanismos moleculares e celulares despoletados no intestino, que traduzem o desenvolvimento da DC ou à prevenção da CU (Pereira, 2014). No presente estudo a maioria dos participantes, referiu nunca ter fumado (65,80%) e não ter hábitos alcoólicos (71,10%) o que está em consonância com o estudo realizado por Coelho (2010) e Souza et al. (2011), onde referem ter 54 participantes não fumadores (93,10%) versus quatro fumadores (6,90%) e 51 participantes fumadores (49,50%) versus 52 não fumadores (50,50%), respetivamente, não sendo significativa a diferença entre ambos. Quanto ao tipo de DII mais representativa, verificou-se no presente estudo que mais frequente foi a DC (50,00%), seguida de CU (26,30%) e DII indeterminada (23,70%) o que se revela em concordância com vários estudos consultados, especificamente o de Ramos et al. (2015) e de Magalhães et al. (2015) em que se constata um número superior de pessoas com DC. No entanto o estudo elaborado por Souza et al. (2011) revela mais participantes acometidos com CU. A DII condiciona, muitas vezes, a necessidade de internamento em consequência das várias complicações inerentes. No presente estudo conclui-se que 15 pessoas (39,50%) foram submetidas a internamento devido a várias complicações, destacando-se a hemorragia (n = 4); agudização da doença (n = 3) e estenose/ cirurgia (n = 2). Os restantes seis elementos apresentaram, em caso único, abcesso perineal; fase inicial de doença; diarreia, inflamação intestinal perfuração intestinal e efeitos secundários da medicação. No estudo de Coelho (2010), constatou-se a ocorrência de cirurgias intestinais em seis pessoas, cinco com DC (16,10%) e uma com CU (3,70%) e cinco pessoas que apresentavam DC ficaram internadas (8,62%). No de Magalhães et al. (2015), com 85 participantes, 27 apresentavam DC e foram submetidos a cirurgia (31,80%) e sete pessoas apresentaram história de doença perianal (8,20%), sendo que 47 pessoas (55,30%) já tinham sido submetidas

a internamento prévio devido a DII, em que 40 eram portadores de DC e sete de CU. No que diz respeito à relação entre o tipo de doença (DC ou CU) e os anos de diagnóstico e a QV das pessoas com DII, não se verificaram diferenças estatisticamente significativas, o que está de acordo com o estudo efetuado por Cohen, Bin, e Fayh (2010), constatando que a QV das pessoas com DII não apresenta diferenças em relação à presença de DC ou de CU, desde que se encontrem em fase de remissão, pois o estado de atividade da doença é que se revela um fator preponderante e influenciador do nível de QV. O estudo desenvolvido por Neubauer et al. (2009) determinou que o fator que influenciava mais a QV era a atividade da doença, independentemente da duração da mesma uma vez que este aspeto era o que mais condicionava as pessoas com menos de 5 anos de diagnóstico, enquanto que para aqueles que tinham um diagnóstico de 5 a 9 anos, era o tempo de internamento que exercia mais influência na QV. Para Dür et al. (2014), no seu estudo sobre fatores determinantes do bem-estar e QV das pessoas com DC, o tempo de diagnóstico da doença era superior nas mulheres, embora estas apresentem idades mais jovens que os homens e menores níveis de QV. Comparando a QV entre pessoas que foram ou não submetidas a internamento verificou-se, no presente estudo, que as primeiras têm melhor QV em termos de Aspetos sociais, sem diferenças estatisticamente significativas nas restantes dimensões ou no total da escala. Sabe-se que cerca de dois terços das pessoas com DC desenvolvem complicações que carecem de vários internamentos e intervenções cirúrgicas (Magalhães et al., 2015), pelo que é compreensível o risco de alterações psicológicas eminentes, com consequente redução dos níveis de QV. As pessoas com DII, em fase de remissão da doença, apresentam níveis de QV alterados em relação à pessoa normalmente saudável, sendo que todos os domínios da QV (físico, psicológico, social e ambiental) apresentam uma relação negativa com os sintomas da DII, com implicações diretas no bem-estar psicológico e na QV das pessoas com DII, demonstrando maior incidência durante a fase ativa da doença relativamente à fase de remissão (Trindade et al., 2016).

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Constata-se no presente estudo, que a média de todas as dimensões da QV se situa abaixo dos 50,00% (entre os 40 e 60%), o que traduz uma média de QV razoável. Verifica-se que, em termos médios, as dimensões Sintomas sistémicos (49,50%), Aspetos emocionais (48,40%) e Sintomas intestinais (45,60%) apresentam resultados mais elevados, o que traduz pior QV, sendo que a dimensão em que a amostra apresentou melhor QV foi na dimensão Aspetos sociais (36,50%). Os resultados obtidos no presente estudo não estão em concordância com os obtidos no estudo de Coelho (2010) que utiliza o mesmo instrumento, mas com questões reformuladas e pontuação invertida, sendo que este revela que a dimensão que apresenta piores resultados em termos de QV é a dimensão Sintomas sistémicos e a que apresenta melhores resultados é a dimensão Aspetos emocionais. No estudo efetuado por Alowais, Alferayan, e Aljehani (2016), em que aplica o mesmo instrumento (IBDQ-R), as pessoas referem um baixo nível de QV, sendo que as dimensões Aspetos sociais e Sintomas sistémicos têm mais impacto que as dimensões Aspetos emocionais e Sintomas intestinais, o que não está em concordância com o presente estudo. Cohen et al. (2010), verificaram que as dimensões com maior implicação na QV são os Aspetos emocionais e Sintomas sistémicos o que vai ao encontro da literatura ou com o presente estudo, defendendo o impacto negativo dos aspetos emocionais e sistémicos na QV destas pessoas. Pode concluir-se que a doença em fase ativa revela uma influência negativa em todas as dimensões da QV destas pessoas, condicionando um forte impacto na capacidade das pessoas para desenvolverem as suas atividades de vida diária, de forma autónoma e sem limitações, na medida em que se carateriza por internamentos frequentes e tratamentos prolongados (Cohen et al., 2010; Magalhães et al., 2015). As preocupações das pessoas centram-se na debilidade que apresentam, na sua dificuldade em manter as suas atividades de vida diária e no medo do prognóstico e do futuro (Trindade et al., 2016). O receio da doença evoluir para uma neoplasia é uma preocupação constante para as pessoas/família com DII, devendo ser implementados programas de vigilância e rastreio, de forma a fazer um diagnóstico precoce.

A temática da QV das pessoas com DII apresenta-se pertinente e desafiadora, devendo ser desenvolvida de forma a se obterem resultados que venham a ser uma mais valia na sua melhoria. A elaboração deste estudo apresentou algumas limitações que se prenderam sobretudo com a dificuldade na obtenção da amostra e na, consequente, representatividade da amostra para a população.

Conclusão A presente investigação tinha como objetivo identificar o nível de QV das pessoas com DII. Os resultados do estudo referem que estas pessoas apresentam uma QV razoável (45,80%), o que se revelou uma surpresa na medida em que se conhece o impacto desta doença na forma como as pessoas vivenciam a vida nas diferentes dimensões que a constituem, sabendo-se que os sintomas da doença acarretam mudanças nas atitudes e condutas, assim como nos aspetos físicos, sociais e emocionais, com maior evidência durante os períodos de exacerbação. Procurou-se, sobretudo, avaliar alguns fatores relacionados com o nível de QV, tendo-se constatado que nenhuma das hipóteses foi validada na totalidade, na medida em que apenas se verificou relação estatística significativa entre o nível de qualidade de vida e a ocorrência de internamento, a evidência de hábitos tabágicos e o nível de escolaridade. Este trabalho permitiu conhecer a condição de saúde da pessoa com DII, que frequentam a consulta externa de um hospital distrital e, consequentemente, delinear estratégias de atuação em função das necessidades afetadas e no sentido da resolução dos problemas identificados. Estas estratégias passam pela criação e implementação de uma consulta específica de enfermagem no âmbito da DII, que já se encontra em fase de submissão de projeto, aguardando aprovação pelo conselho de administração do hospital. Neste sentido, considera-se pertinente a elaboração deste estudo, sobretudo no que concerne ao planeamento de atividades dos enfermeiros, visando o desenvolvimento de estratégias conducentes a uma prestação de cuidados globais e holísticos adequados à vivência de cada pessoa e favoráveis a um eficaz processo de recuperação e de aceitação da sua condição

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de doente crónico, com vista à capacitação da pessoa, melhoria dos cuidados prestados e obtenção de ganhos em saúde.

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19045

Questionário de Conhecimentos sobre Práticas de Enfermagem Forenses: adaptação para o Brasil e apropriedades psicométricas

Knowledge Questionnaire over Forensics Nursing Practices: adaptation to Brazil and psychometric properties Cuestionario de Conocimientos sobre Prácticas de Enfermería Forense: adaptación a Brasil y propiedades psicométricas Helena Reche Felipe* ; Madalena Cunha** ; Vanessa dos Santos Ribeiro*** ; Cristina Mara Zamarioli**** Claudia Benedita dos Santos***** ; João Carvalho Duarte****** ; Emilia Campos de Carvalho*******

;

Resumo Enquadramento: Reconhecer a violência e dar assistência às vítimas ou agressor são desafios para a enfermagem. Objetivos: Adaptar para o Brasil e verificar as propriedades psicométricas do Questionário de Conhecimento sobre Práticas de Enfermagem Forenses. Metodologia: Estudo metodológico, com graduandos de enfermagem, envolvendo adaptação idiomática e semântica e verificação das propriedades psicométricas (validação de construto convergente e divergente e fidedignidade). Resultados: A versão do questionário adaptada para o idioma do Brasil apresentou, na validação semântica geral, boa/muito boa aceitação (97,0%), alta relevância (56,0%) e fácil compreensão (83,0%). Na avaliação específica dos itens a relevância variou de 61 a 95%, o entendimento foi maior que 93,0% e a clareza maior que 90,0%. Nas medidas psicométricas, com 253 estudantes, obtiveram-se validades de construto convergente e divergente satisfatórias apenas para duas das subescalas e fidedignidade global satisfatória. Conclusão: A adaptação idiomática e semântica do questionário para o Brasil e a fidedignidade foram satisfatórias. Recomenda-se avaliar o conteúdo dos itens e a sua relação com os aspetos teóricos, o número de itens e reorganização da constelação das subescalas. Palavras-chave: enfermagem forense; violência; estudos de validação; cuidados de enfermagem

Abstract

Resumen

Background: Recognizing violence and providing assistance to victims or aggressors are challenges facing nursing. Objective: To adapt the Knowledge Questionnaire over Forensics Nursing Practices to Brazil and verify its psychometric properties. Methodology: Methodological study with nursing undergraduates, involving linguistic and semantic adaptation and analysis of the psychometric properties (convergent and divergent validity and reliability). Results: In its general semantic validation, the questionnaire version adapted to Brazilian Portuguese showed good/very good acceptance (97.0%), high relevance (56%), and easy comprehension (83.0%). In terms of item evaluation, the relevance ranged from 61 to 95.0% and its comprehension and clarity were higher than 93.0% and 90.0%, respectively. The analysis of the psychometric properties with 253 students showed that both convergent validity and divergent validity were satisfactory only for two subscales and that the overall reliability was satisfactory. Conclusion: The linguistic and semantic adaptation of the questionnaire to Brazilian Portuguese was satisfactory, as well as its reliability. It is recommended that the content of the items and their association with the theoretical aspects, the number of items, and the subscales’ reorganization should be assessed. Keywords: forensic nursing; violence; validation studies; nursing care

Marco contextual: Reconocer la violencia y proporcionar asistencia a las víctimas o agresores son retos para la enfermería. Objetivos: Adaptar para Brasil y verificar las propiedades psicométricas del Cuestionario de Conocimientos sobre Prácticas de Enfermería Forense. Metodología: Estudio metodológico, con graduandos de enfermería, que comprende la adaptación idiomática y semántica, así como la verificación de las propiedades psicométricas (validez de constructo convergente y divergente y fiabilidad). Resultados: La versión del cuestionario adaptada al idioma de Brasil presentó, en la validación semántica general, buena/muy buena aceptación (97,0%), alta relevancia (56,0%) y fácil comprensión (83,0%). En la evaluación específica de los ítems la relevancia osciló entre el 61 y el 95%, la comprensión fue superior al 93,0% y la claridad superior al 90,0%. En las mediciones psicométricas, con 253 estudiantes, se obtuvo una validez de constructo convergente y divergente satisfactoria solo para dos de las subescalas, y una fiabilidad global satisfactoria. Conclusión: La adaptación idiomática y semántica del cuestionario para Brasil y la fiabilidad fueron satisfactorias. Se recomienda evaluar el contenido de los ítems y su relación con los aspectos teóricos, el número de ítems y la reorganización del conjunto de subescalas. Palabras clave: enfermería forense; violencia; estudios de validación; atención de enfermería

*MSc., Enfermeira, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 14040-902, Ribeirão Preto, Brasil [helenareche@hotmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-0584-358X.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±8oO8Vb†8F±8QEYb´FQV±bO†|8Y´Y8Y´V¼±8¼8‰bŒ¼ dos dados, análise crÍtica e escrita do artigo. **Ph.D., Professora Adjunta, Escola Superior de Saúde de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, 3500843, Viseu, Portugal [madalenacunhanunes@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0003-0710-9220. Contribuição no artigo: elaboração do esboço e revisão crÍtica do manuscrito. ***MSc., Enfermeira, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 14040-902, Ribeirão Preto, Brasil [vasaribeiro@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-0686-4307. Contribuição no artigo: recrutamento dos participantes, análise crítica dos dados e revisão do manuscrito. ****Ph.D., Enfermeira, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 14040-902, Ribeirão Preto, Brasil [cristina_zamarioli@yahoo.com.br]. https://orcid.org/00000002-4757-7611. Contribuição no artigo: recrutamento dos participantes, análise crítica dos dados e revisão do manuscrito. Morada para correspondência: Rua Izalta dos Santos Couto, 26, 14040-902, Ribeirão Preto, Brasil. *****Ph.D., Professora Associada, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 14040-902, Ribeirão Preto, Brasil [cbsantos@eerp.usp.br]. https://orcid.org/0000-0003-1841-209X. Contribuição no artigo: elaboração do esboço, análise dos dados, revisão crítica do manuscrito. ******Ph.D., Professor Coordenador, Escola Superior de Saúde de Viseu, Instituto Politécnico de Viseu, 3500-843, Viseu, Portugal [duarte.johnny@gmail.com]. https://orcid.org/ 0000-0001-70828012. Contribuição no artigo: elaboração do esboço e revisão crítica do manuscrito. *******Ph.D., Professor Sénior, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 14040-902, Ribeirão Preto, Brasil [ecdcava@usp.br]. https://orcid.org/0000-0003-07380539. Contribuição no artigo: elaboração do esboço, tratamento dos dados, análise crítica dos dados e escrita do artigo

Recebido para publicação em: 24.07.19 Aceite para publicação em: 15.10.19

Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 99 - 110


Introdução No Brasil, a enfermagem forense é reconhecida como uma especialidade desde 2011. Em 2017 o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) aprovou uma resolução regulamentando as áreas de atuação do enfermeiro forense, que compreende a assistência especializada às vítimas de violência, familiares e agressores, populações vulneráveis e do sistema prisional e portadores de patologias psiquiátricas. Esta resolução destaca a necessidade de o profissional ter conhecimento a respeito dos aspetos legais, recolha de provas e vestígios e de realizar depoimentos em tribunais. Estabelece, ainda, os critérios para ser enfermeiro forense, que são: ter curso superior em enfermagem ou ter alguma especialização na área (mestrado ou doutoramento) e o título reconhecido pelo Ministério da Educação ou concedido por instituições que estejam registadas nos Conselhos Regionais ou Federal de Enfermagem (Resolução nº 556/17, de 25 de agosto). A proximidade quotidiana dos profissionais de enfermagem com vítimas de violência e agressores requer que os enfermeiros saibam reconhecer e identificar os elementos e peculiaridades de uma situação de violência e dar assistência com qualidade às vítimas ou aos seus agressores. Torna-se, assim, relevante conhecer e aplicar instrumentos de medidas, tanto para avaliação dos pacientes como para avaliação das habilidades e conhecimento dos profissionais, em relação à área da enfermagem forense. Até ao momento, foram identificados: o Questionário de Conhecimento sobre as Práticas de Enfermagem Forense de Cunha e Libório (QCPEF; Libório, 2012; Cunha, Libório, & Coelho, 2016), que integra afirmações para a avaliação de conhecimento sobre conceitos, situações, elementos e documentação em ciências e enfermagem forenses; o Questionário Geral sobre Enfermagem Forense (QGEF; Libório, 2012) que inclui questões relativas à caracterização sociodemográfica e formação de estudantes de enfermagem; e o Questionário de Práticas de enfermagem a realizar perante situações forenses (QPESF; Ribeiro, 2016), proposto a partir de casos clínicos, para identificar as práticas pertinentes. Por se tratar de uma área emergente e ainda

não incorporada como disciplina específica na maioria dos currículos das escolas de enfermagem brasileira, a potencial contribuição de instrumentos para avaliação do conhecimento de estudantes e profissionais na respetiva área justifica a realização deste estudo. Frente a isto, o objetivo deste estudo foi adaptar o Questionário de Conhecimento sobre Práticas de Enfermagem Forenses de Cunha e Libório para o contexto brasileiro e verificar as propriedades psicométricas da versão adaptada.

Enquadramento A versão original do QCPEF de Cunha e Libório (Libório, 2012) foi desenvolvida em Portugal para avaliar o conhecimento de estudantes de enfermagem portugueses sobre Práticas de Enfermagem Forense. Trata-se de um questionário autoaplicável, que na sua versão original é constituído por 74 afirmações dicotómicas (verdadeiro/falso), onde a resposta incorreta recebe pontuação 0 e a correta 1, totalizando o score máximo de 74 pontos. Inicialmente construído a partir da revisão da literatura, o questionário foi submetido à apreciação de um perito que contribuiu para a sua clarificação. A avaliação dos usuários, estudantes de enfermagem, evidenciou fácil usabilidade e compreensão. O questionário apresentou alpha de Cronbach global de 0,807 e Split-half primeira parte de 0,785, segunda parte de 0,673. Na sequência, a partir das considerações teóricas da área, as afirmações foram agrupadas em seis subescalas que abordam: Conceito de Enfermagem Forense com 10 itens, Situações Forenses com 12 itens, Vestígios Forenses com 12 itens, Comunicação e Documentação em Ciências Forenses e Cuidados de Enfermagem Gerais com 10 itens cada e Preservação de Vestígios Forenses com 20 itens. O questionário apresentou consistência interna variando de 0,6 a 0,8 para as três primeiras subescalas citadas e entre 0,533 a 0,573 para as demais (Libório, 2012). O QCPEF de Cunha e Libório (Libório, 2012) já foi utilizado com estudantes portugueses, para o qual se utilizou estudos de caso. O QCPEF evidenciou-se útil para a análise dos scores de conhecimentos antes e após uma intervenção educativa (p-valor < 0,05; Coelho, 2013). O mesmo se verificou no estudo sobre a eficácia

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de uma intervenção estruturada de enfermagem forense, no qual, após a apresentação de casos clínicos, o conhecimento dos estudantes sobre o tema aumentou (p-valor < 0,001; Ribeiro, 2016). O instrumento também foi útil para avaliar o conhecimento de um grupo de enfermeiros portugueses de três serviços de urgência (SU), com 43,0% de respostas certas no grupo de Alcobaça, 69,0% no de Leiria e 80,0% no de Pombal (Pereira, 2017). No Brasil, o QCPEF foi usado para avaliar o grau de conhecimento de 109 estudantes de enfermagem. Apenas em 6 das 74 questões, 50% dos participantes ou menos não responderam corretamente (Soares, 2016). No entanto, o instrumento não foi ainda validado para a população brasileira. É recomendável a utilização de instrumentos válidos (Pereira et al., 2018) para se analisarem fenómenos de interesse para a enfermagem, os quais possibilitem um planeamento adequado das intervenções, quer em âmbito educativo, de gestão ou de prática clínica.

instrumentos de pesquisa (Souza, Alexandre, & Guirardello, 2017). Para tanto, dois revisores avaliaram individualmente o questionário e fizeram os ajustes pertinentes, resultando em duas versões. Depois, cinco revisores especialistas em métodos ou na temática em causa, conciliaram as duas versões, a partir da escolha da resposta que apresentava a melhor compreensão de cada item, construindo-se uma nova versão conciliada. A seguir, um revisor independente, sem conhecimento da pesquisa, com vista à retroconstrução, realizou a comparação da versão conciliada à original, constituindo a versão final adaptada para a língua portuguesa do Brasil. Por fim, esta versão foi enviada aos autores do questionário original, que a aprovaram para ser submetida aos passos subsequentes de adaptação. A adaptação semântica procurou identificar a compreensão, ambiguidade, aceitação e relevância dos componentes do questionário pela população-alvo. Foi utilizado o método DISABKIDS® adaptado ao tema do estudo (Disabkids Group, 2004; Fuzissaki, Santos, Almeida, Gozzo, & Clapis, 2016). Participaram 36 estudantes, de distintas etapas académicas dos cursos, sendo 18 considerados iniciantes e 18 finalistas, recrutados por meio da técnica snowball (Vinuto, 2014). Cada grupo de seis estudantes avaliou detalhadamente uma das subescalas, por meio de um instrumento de avaliação específica do grau de relevância, dificuldade e clareza desses itens; e todos (n = 36) responderam à versão adaptada do QCPEF na íntegra e avaliaram a impressão geral do mesmo. Os estudantes responderam individualmente aos instrumentos. Foram obtidas as medidas psicométricas da versão adaptada, relacionadas às validades de construto convergente e divergente (Fegadolli, Reis, Martins, Bullinger, & Santos, 2010) e à fidedignidade (consistência interna dos itens segundo subescalas e score global e reprodutibilidade pelo teste-reteste, segundo concordância entre as repetições nas medidas das subescalas e score global). Foram convidados todos os estudantes dos cursos de enfermagem da instituição, excepto os que já haviam participado nas etapas anteriores. Foi solicitado a cada estudante que fornecesse informação sobre a sua idade, sexo, curso e período de graduação. O projeto foi aprovado pela Comissão de

Questão de investigação O QCPEF é um instrumento confiável e válido para uma amostra de alunos de graduação em enfermagem do Brasil?

Metodologia Trata-se de um estudo metodológico (Polit & Beck, 2011) conduzido numa universidade pública brasileira do estado de São Paulo, com estudantes de graduação em enfermagem. Foi realizada a adaptação de um questionário de avaliação, a qual compreendeu as seguintes etapas: adaptação idiomática e adaptação semântica, bem como, verificação das propriedades psicométricas relacionadas com as validades convergente e divergente e fidedignidade da versão adaptada do questionário. O questionário foi construído em português europeu, que apresenta algumas diferenças do português do Brasil, especialmente em relação ao vocabulário, pronúncia e sintaxe. Para garantir a qualidade do padrão idiomático, foram adotados passos similares aos recomendados na literatura para validação transcultural de

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Ética da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, conforme o protocolo de pesquisa número CAAE: 47673615400005393. Todos os participantes assinaram duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados de cada etapa deste projeto foram submetidos à dupla digitação em tabelas do Microsoft Office Excel - 2007, confirmados e exportados para análise no software IBM SPSS Statistics, versão 22.0 (IBM). Para as variáveis de identificação dos participantes (sexo, idade, curso e período de graduação) utilizou-se a estatística descritiva. Como medida de tendência central foi estabelecida a média e como medida de dispersão o desvio-padrão, para a variável idade. Para as variáveis categóricas foram utilizadas as frequências absolutas e percentuais e, na impressão geral do instrumento utilizou-se a frequência percentual. Para a avaliação das validades de construto convergente e divergente foi utilizada a técnica multitraço-multimétodo. Esta avalia as correlações lineares existentes entre os itens e as dimensões às quais pertencem, bem como, entre os itens e as dimensões às quais não pertencem. Sabe-se que quando a correlação entre o item e a dimensão à qual compete exibir um valor maior do que a sua correlação com uma dimensão à qual ele não compete são os casos relacionados com a validade convergente. O software utilizado foi o Multitrait Analysis Program (MAP; Fegadolli et al., 2010). Para a verificação da fidedignidade foram utilizadas medidas de consistência interna dos itens e concordância entre as respostas em momentos distintos (reprodutibilidade). A medida da consistência interna dos itens foi realizada segundo o cálculo do coeficiente Kuder-Richardson-20 (KR20), mais indicado para as análises de escalas que possuem itens com respostas dicotómicas (Verdadeiro/Falso; Streiner, Norman, & Carney, 2015). Um valor para o KR-20 superior a 0,70 pode ser considerado satisfatório. A medida da reprodutibilidade foi realizada segundo a técnica do teste-reteste. Foi aplicado o coeficiente Kappa para verificar a concordância entre as respostas, a cada um dos itens, atribuídas em cada momento. A força de concordância pode ser classificada em: pobre se menor que zero; desprezível de 0,00 a 0,20; suave de 0,21 a

0,40; moderada de 0,41 a 0,60; substancial ou grande de 0,61 a 0,80 e quase perfeita de 0,81 a 1,00 (Landis & Koch, 1977). Ainda, para verificar a concordância das medidas obtidas entre as respostas para cada uma das subescalas e score total, utilizou-se o Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC), que pode variar de 0,00 a 1,00; recomenda-se que os valores para esse coeficiente devem ultrapassar 0,70. (Souza et al., 2017).

Resultados O processo de adaptação idiomática do QCPEF apontou algumas adequações no instrumento quanto à substituição de palavras do português europeu para o português do Brasil, tais como “vómito” por “vômito”, “sémen” por “sêmen”, “pêlos” por “pelos”. O processo de adaptação idiomática preservou a equivalência conceptual dos itens, assegurada pelo contacto com os autores do questionário. Em relação à avaliação semântica, participaram 36 estudantes, com média de idade de 21 anos (DP = 3,0), sendo 31 (86,1%) do sexo feminino, 25 (69,4%) do curso de Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem e 11 (30,6%) do curso de Bacharelado em Enfermagem. Os estudantes avaliaram a apreciação geral, a utilização, a compreensão e a relevância da versão adaptada do QCPEF; apontaram que o questionário foi considerado como bom (39,0%) ou muito bom (58,0%), de fácil compreensão (83,0%), sem dificuldades de utilização (72,0%) e muito relevante (56,0%) pelos participantes. Na avaliação semântica específica, as informações versaram sobre a relevância, dificuldades de entendimento e clareza dos itens de cada subescala que compõe a versão adaptada do QCPEF. Os resultados retrataram que o conteúdo abordado foi considerado relevante pela maioria dos estudantes, com frequência média para o conjunto dos itens de cada subescala variando de 61,1% (Vestígios Forenses -Item 23 ao 34) a 93,3% (Comunicação e Documentação em Ciências forenses - Item 35 ao 44). Todas as subescalas receberam índices superiores a 93,2% de ausência de dificuldades para entender as questões e pelo menos 90,0% de respostas de que os seus itens são claros e consistentes. Nesta etapa, as alterações sugeridas foram quan-

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to ao número de itens considerado elevado e a avaliação de possíveis repetições. As sugestões para acrescentar informações sobre mercado de trabalho e inclusão de exemplos no questionário não foram acatadas; outras sugestões foram acatadas, tais como, a mudança da palavra “salvaguarda” para “proteção”. Na avaliação das propriedades psicométricas, participaram 253 estudantes de enfermagem, o que correspondeu a 51,8% dos matriculados na instituição à época, sendo 65,2% do curso Bacharelado em Enfermagem e os demais do curso Bacharelado e Licenciatura em Enfermagem; 69 fizeram o reteste. Quanto à idade, ainda que a média (21,7 anos; DP = 3,2) seja de adulto jovem, houve participantes com até

50 anos. Predominaram os estudantes do sexo feminino (88,1%). Diante da técnica MAP, para as respostas emanadas, obtiveram-se resultados satisfatórios para a validade convergente do instrumento, com correlação linear dos itens em relação à sua respetiva dimensão (> 0,30) apenas para as subescalas Situações Forenses e Vestígios Forenses. Pelos achados da Tabela 1 que analisa a validade divergente, a porcentagem de ajustes maior do que 75,0%, obtida pela soma dos scores +1 e +2, foi observada apenas para as subescalas Situações Forenses e Vestígios Forenses, evidenciando que estas se mostraram adequadas em relação a esta análise.

Tabela 1 Resultados para a validade divergente segundo a técnica Multitraço Multimétodos, entre os scores das subescalas do QCPEF- versão adaptada (n = 253). Subescalas

- 2*

- 1†

1‡

1+ 2

Conceito de Enfermagem Forense

6,0

22,0

48,0

24,0

72,0

Situações Forenses

3,3

5,0

8,7

83,0

91,7

Vestígios Forenses

0,0

0,0

30,0

70,0

100,0

Comunicação e Documentação

4,0

32,0

38,0

26,0

64,0

Cuidados de Enfermagem Gerais

14,0

40,0

34,0

12,0

46,0

Preservação de Vestígios

26,0

34,0

35,0

5,0

40,0

Score Global do Questionário

10,8

22,7

31,9

34,6

66,5

Nota. Percentagens das correlações do item com a subescala a que pertence em relação à correlação do item com as subescalas a que não pertence, sendo: §: 2 = valores expressivamente maiores; ‡: 1 = valores maiores; †: -1 = valores menores; *: -2 = valores significativamente menores.

Quanto a fidedignidade, na verificação da consistência interna entre itens da versão adaptada do QCPEF, o coeficiente de consistência KR-20 apresentou valor geral de 0,734, revelando uma consistência interna satisfatória. Já na consistência interna das subescalas apreende-se que

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os valores variaram de 0,719 para Vestígios Forenses até 0,179 para Preservação de Vestígios, sendo esse valor insatisfatório, assim como em duas outras subescalas, Conceito de Enfermagem Forense e Cuidados de Enfermagem Gerais. (Tabela 2).

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Tabela 2 Valores para o coeficiente de consistência interna Kuder-Richardson – KR-20, segundo cada subescala e total do QCPEF- versão adaptada (n = 36). Subescalas

Mínimo

Máximo Score esperado

Média

Desvio-padrão

KR-20*

Conceito de Enfermagem Forense

3

10

[0-10]

7

1,6

0,397

Situações Forenses

2

12

[0-12]

10

2,0

0,664

Vestígios Forenses

4

12

[0-12]

11

1,8

0,719

2

10

[0-10]

8

1,4

0,443

4

10

[0-10]

8

1,3

0,308

Preservação de Vestígios

7

19

[0-20]

13

1,9

0,179

Score Global de Conhecimentos

36

71

[0-74]

58

6,1

0,734

Comunicação e Documentação Cuidados de Enfermagem Gerais

Nota. KR-20* = coeficiente de consistência Kuder-Richardson-20.

E quanto à fidedignidade, analisada pelo coeficiente de concordância Kappa, apreende-se que 66 dos 74 itens da versão adaptada do QCPEF apresentaram concordância entre as

respostas do teste e reteste (p-valor < 0,05) evidenciando que a escala se manteve estável, ou seja, apresenta fidedignidade em relação ao que se propõem medir (Tabela 3).

Tabela 3 Valores do coeficiente Kappa segundo os itens do QCPEF-versão adaptada (n = 69). Teste

Reteste

Item Item 1 Item 2 Item 3 Item 4 Item 5 Item 6 Item 7 Item 8 Item 9 Item 10 Item 11 Item 12 Item 13 Item 14 Item 15 Item 16 Item 17 Item 18

f (%)*

f (%)†

f (%)*

f (%)†

55 (79,7) 54 (78,3) 52 (75,4) 68 (98,6) 30 (43,5) 61 (88,4) 36 (52,2) 66 (95,6) 38 (55,1) 57 (82,6) 63 (91,3) 53 (76,8) 52 (75,3) 56 (81,1) 50 (72,4) 64 (92,7) 62 (89,8) 58 (84,0)

14 (20,3) 15 (21,7) 17 (24,6) 1 (1,4) 39 (26,5) 8 (11,5) 33 (47,8) 3 (4,3) 31 (44,9) 12 (17,3) 6 (8,6) 16 (23,1) 17 (24,6) 13 (18,8) 19 (27,5) 5 (7,2) 7 (10,1) 11 (15,9)

59 (85,5) 52 (75,4) 44 (63,8) 64 (92,8) 37 (53,6) 39 (56,5) 44 (63,7) 32 (46,3) 32 (46,3) 47 (68,1) 57 (82,6) 54 (78,2) 48 (69,5) 51 (73,9) 48 (69,5) 63 (91,3) 59 (85,5) 56 (81,1)

10 (14,5) 17 (24,6) 25 (36,2) 5 (7,2) 32 (46,4) 30 (43,4) 25 (36,2) 7 (10,1) 37 (53,6) 22 (31,8) 12 (17,3) 15 (21,7) 21 (30,4) 18 (26,0) 21 (30,4) 6 (8,69) 10 (14,4) 13 (18,8)

Coeficiente Kappa 0,198 0,187 0,326 -0,025 0,454 0,098 0,237 0,361 0,655 0,469 0,623 0,459 0,494 0,546 0,578 0,309 0,532 0,396

p‡ 0,094 0,119 0,005 0,778 0,000 0,248 0,043 0,001 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,010 0,000 0,001 Continua

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Teste

Reteste

Item Item 19 Item 20 Item 21 Item 22 Item 23 Item 24 Item 25 Item 26 Item 27 Item 28 Item 29 Item 30 Item 31 Item 32 Item 33 Item 34 Item 35 Item 36 Item 37 Item 38 Item 39 Item 40 Item 41 Item 42 Item 43 Item 44 Item 45 Item 46 Item 47 Item 48 Item 49 Item 50 Item 51 Item 52 Item 53 Item 54 Item 55 Item 56 Item 57 Item 58 Item 59 Item 60 Item 61 Item 62 Item 63 Item 64 Item 65 Item 66 Item 67 Item 68 Item 69

f (%)*

f (%)†

f (%)*

f (%)†

52 (75,3) 59 (85,5) 56 (81,1) 49 (71,0) 66 (95,6) 56 (81,1) 68 (98,5) 54 (78,2) 57 (82,6) 61 (88,4) 65 (94,2) 67 (97,1) 62 (89,8) 62 (89,8) 55 (79,7) 54 (78,2) 51 (73,9) 33 (47,8) 68 (98,5) 59 (85,5) 57 (82,6) 61 (88,4) 65 (94,2) 65 (94,2) 55 (79,7) 56 (81,1) 52 (75,3) 35 (50,7) 69 (100) 36 (52,1) 61 (88,4) 67 (97,1) 62 (89,8) 45 (65,2) 59 (85,5) 58 (84,0) 66 (95,6) 38 (55,0) 15 (21,7) 56 (81,1) 64 (92,7) 27 (39,1) 54 (78,2) 40 (57,9) 8 (11,6) 53 (76,8) 61 (88,4) 68 (98,5) 68 (98,5) 46 (66,6) 26 (37,6)

17 (24,6) 10 (14,4) 13 (18,8) 20 (28,9) 3 (4,3) 13 (18,8) 1 (1,4) 15 (21,7) 12 (17,3) 8 (11,5) 4 (5,7) 2 (2,9) 7 (10,1) 7 (10,1) 14 (20,2) 15 (21,7) 18 (26,0) 36 (52,1) 1 (1,4) 10 (14,5) 12 (17,4) 8 (11,6) 4 (5,7) 4 (5,7) 14 (20,2) 13 (18,8) 17 (24,6) 34 (49,2) 0 (0) 33 (47,8) 8 (11,5) 2 (2,9) 7 (10,1) 24 (34,7) 10 (14,4) 2 (2,8) 3 (4,3) 31 (44,9) 54 (78,2) 13 (18,8) 5 (7,2) 42 (60,8) 15 (21,7) 29 (42,0) 61 (88,4) 16 (23,1) 8 (11,5) 1 (1,4) 1 (1,4) 23 (33,3) 43 (62,3)

50 (72,4) 55 (79,7) 55 (79,7) 43 (62,3) 59 (85,5) 55 (79,7) 61 (88,4) 55 (79,7) 57 (82,0) 58 (84,0) 61 (88,4) 62 (89,8) 61 (88,4) 61 (88,4) 58 (84,0) 51 (73,9) 44 (63,7) 30 (43,4) 63 (91,3) 56 (81,1) 48 (69,5) 61 (88,4) 63 (91,3) 62 (89,8) 55 (79,7) 54 (78,2) 53 (76,8) 31 (44,9) 64 (92,7) 32 (46,3) 48 (69,5) 60 (86,9) 54 (78,2) 41 (59,4) 53 (76,8) 60 (86,9) 64 (92,7) 32 (46,3) 22 (31,8) 59 (85,5) 61 (88,4) 28 (40,5) 60 (86,9) 34 (49,2) 59 (85,5) 49 (71,0) 61 (88,4) 64 (92,7) 64 (92,7) 44 (63,7) 27 (39,1)

19 (27,5) 14 (20,2) 14 (20,2) 26 (37,6) 10 (14,4) 14 (20,2) 8 (11,5) 14 (20,2) 12 (17,3) 11 (15,9) 8 (11,6) 7 (10,1) 8 (11,5) 8 (11,5) 11 (15,9) 18 (26,0) 25 (36,2) 39 (56,5) 6 (8,7) 13 (18,8) 21 (30,4) 8 (11,6) 6 (8,7) 7 (10,1) 14 (20,2) 15 (21,7) 16 (23,1) 38 (55,0) 5 (7,2) 37 (53,6) 21 (30,4) 9 (13,0) 15 (21,7) 28 (40,5) 16 (23,1) 9 (13,0) 5 (7,2) 37 (53,6) 47 (68,1) 10 (14,4) 8 (11,5) 41 (59,4) 9 (13,0) 35 (50,7) 10 (14,5) 20 (28,9) 8 (11,5) 5 (7,2) 5 (7,2) 25 (36,2) 42 (60,8)

HELENA RECHE FELIPE et al.

Coeficiente Kappa 0,249 0,398 0,310 0,418 0,258 0,402 0,202 0,607 0,496 0,453 0,458 0,185 0,477 0,626 0,464 0,563 0,566 0,388 -0,025 0,532 0,494 0,434 0,785 0,313 0,642 0,463 0,562 0,711 0,000 0,595 0,378 0,332 0,367 0,570 0,532 0,577 0,471 0,712 0,526 0,532 0,747 0,607 0,502 0,711 -0,219 0,551 0,576 -0,025 0,317 0,681 0,724

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p‡ 0,038 0,001 0,010 0,000 0,009 0,001 0,005 0,000 0,000 0,000 0,000 0,058 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,001 0,756 0,000 0,000 0,000 0,000 0,007 0,000 0,000 0,000 0,000 1,000 0,000 0,000 0,000 0,001 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,778 0,000 0,000 0,000 Continua


Teste

Reteste

f (%)*

f (%)†

f (%)*

f (%)†

Coeficiente Kappa

50 (72,4) 44 (63,7) 50 (72,4) 35 (50,7) 63 (91,3)

19 (27,5) 25 (36,2) 19 (27,5) 34 (49,2) 6 (8,7)

43 (62,3) 44 (63,7) 46 (66,6) 40 (57,9) 63 (91,3)

26 (37,6) 25 (36,2) 23 (33,3) 29 (42,0) 6 (8,7)

0,641 0,624 0,659 0,622 0,410

Item Item 70 Item 71 Item 72 Item 73 Item 74

p‡ 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000

Nota. * = Frequência simples e percentual de respostas corretas; † = Frequência simples e percentual de respostas incorretas; ‡ = p-valor.

Ao se considerar a força da concordância (Coeficiente Kappa) cinco itens apresentaram valores menores ou iguais a zero e outros quatro valores entre 0 e 0,2. Dos demais, 16 itens apresentaram concordância suave (0,21 a 0,40); 32 itens concordância moderada (de 0,41 a 0,60) e 17 itens concordância substancial ou grande (0,61 a 0,80; Landis & Koch, 1977). Ao se avaliar as concordâncias entre as respostas do teste e reteste, por meio do ICC, o

score global foi de 0,767, considerado bom ou substancial. Os dados apontam que foi considerada moderada tal concordância para as subescalas Conceito de Enfermagem Forense, assim como para Cuidados de Enfermagem Gerais; mas, o ICC foi considerado bom ou substancial para Situações Forenses, Vestígios Forenses, Comunicação e Documentação em Enfermagem Forense e Preservação de Vestígios Forenses (Tabela 4).

Tabela 4 Valores do Coeficiente de Correlação de Intra classes entre os scores dos alunos no teste e reteste (n = 69). Subescalas

ICC*

IC†

95%

p‡

Conceito de Enfermagem Forense

0,559

0,296

0,725

0,000

Situações Forenses

0,630

0,407

0,770

0,000

Vestígios Forenses

0,733

0,570

0,835

0,000

Comunicação e Documentação em Ciências Forenses

0,786

0,637

0,871

0,000

Cuidados de Enfermagem Gerais

0,577

0,299

0,743

0,000

Preservação de Vestígios Forenses

0,760

0,606

0,853

0,000

Score Global de Conhecimento

0,767

0,587

0,863

0,000

Nota. ICC*: Coeficiente de Correlação Intra Classe; IC†: Intervalo de confiança; p‡: p-valor.

As avaliações psicométricas mostraram estabilidade e consistência interna global satisfatórias; entretanto, validades de construto convergente e divergente apenas para duas das dimensões da escala.

Discussão As etapas de validação transcultural de instrumentos sugeridas pela literatura (Souza et al., 2017) aplicadas ao QCPEF, preservaram a equivalência semântica e idiomática para o contexto brasileiro, culminando numa versão aprovada pelos autores originais e adequada à

continuidade do processo de adaptação. Os dados da validação semântica geral e da validação específica, apoiados no método DISABKIDS®, já descritos na literatura (Disabkids Group, 2004; Fuzissaki et al., 2016) também retrataram a pertinência e contribuição do método para o processo de adaptação do instrumento em estudo. Na avaliação da impressão geral, o questionário foi considerado bom, de fácil compreensão, sem dificuldades de utilização e relevante pela maioria dos participantes, conforme já descrito. Na avaliação semântica específica, na qual cada grupo de alunos avaliou um conjunto de itens, a relevância dos itens das subescalas e o entendimento para responder aos

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mesmos, foram evidenciados. Contudo, foram citadas algumas dificuldades para a compreensão de itens, que podem estar relacionados com a presença de frases com caráter negativo. Além de ser uma prática comum para evitar tendências, os questionários construídos com itens negativos e positivos são tentativas de reduzir respostas automáticas do participante. A dificuldade dos indivíduos em processar itens construídos de maneira contrária pode estar relacionada com a falta de atenção, diferentes tipos de educação ou a fatores comportamentais (Gouveia, Lima, Gouveia, Freire, & Barbosa, 2012). Quanto aos itens considerados complexos por alguns dos alunos, em especial os relacionados com as subescalas Vestígios Forenses, Comunicação e Documentação em Ciências Forenses e Cuidados de Enfermagem Gerais, estes abordam aspetos relacionados a indícios, sinais, evidências, armazenamentos, conduções dos casos de violência, notificação de violência e também a preservação de provas. Cabe lembrar que achados relativos às dificuldades vivenciadas pelos sujeitos, em estudos de validação, são citados na literatura (Fuzissaki et al., 2016). Na fase de verificação das propriedades psicométricas da versão adaptada ao contexto brasileiro, participaram no estudo predominantemente estudantes do sexo feminino; nota-se a tendência de predomínio feminino na profissão, também verificada no estudo original (Libório, 2012) realizado em Portugal. Ao procurar identificar as validades convergente e divergente do questionário, os dados obtidos nesta população pela técnica MAP apontam concordância apenas das subescalas Situações Forenses e Vestígios Forenses com a proposta teórica do instrumento. Tais resultados podem estar relacionados com a complexidade teórica do tema e a inserção dos itens inerentes a cada domínio, ainda não avaliados por meio de análise fatorial exploratória. A literatura recomenda que verificações da estrutura fatorial, como por exemplo, a exploratória, em estudos de elaboração de instrumentos e a confirmatória, em estudos de validação, sejam realizadas. Neste estudo, ao verificar os pré-requisitos para realização da Análise Fatorial Exploratória, o valor KMO foi de 0,52, não alcançando, portanto, o valor mínimo exigido para tal análise (0,80; Hair,

HELENA RECHE FELIPE et al.

Black, Babin, Anderson, & Tatham, 2009). Mas, frente aos resultados para as validades divergente e convergente obtidos, sugerimos avaliar, em outros estudos, o comportamento dos itens, os seus scores e a sua relação com aspetos teóricos para ulterior modificação do instrumento. Estes dados estão de acordo com os autores portugueses (Cunha et al., 2016) que consideraram ser pertinente a manutenção de todos os itens do instrumento, até que outros estudos, com distintas ou maiores amostras, sejam realizados; contudo, por ora, pelos resultados obtidos pela técnica MAP (Tabela 1) os dados não suportaram os domínios propostos. No nosso estudo foram realizadas as medidas da consistência interna da escala por meio do KR-20, cujo calculo apresentou valor geral de 0,732, revelando uma consistência interna satisfatória (Streiner et al., 2015). Já na consistência interna das subescalas os valores variaram de 0,720 para Vestígios Forenses até 0,174 para Preservação de Vestígios. Portanto, ainda que o score global tenha sido satisfatório, quatro subescalas apresentaram valores baixos desta medida. No estudo original, os autores optaram por verificar a confiabilidade empregando o alfa de Cronbach, obtendo os resultados de 0,807, considerado bom, e resultados razoáveis para três subescalas (Situações Forenses, Vestígios Forenses e Comunicação e Documentação), que oscilaram entre 0,600 e 0,816; no entanto, para as demais subescalas os índices variaram entre 0,533 a 0,573. Resultados insatisfatórios de consistência interna podem ocorrer por conta da negatividade das correlações item a item e devido ao conteúdo sobre o qual o instrumento foi elaborado (Tashima & Júnior, 2013). Ainda, a consistência interna insatisfatória pode indicar que os itens de um questionário não medem o construto que está a ser proposto medir. Streiner et al. (2015) apontam que a remoção de alguns itens, assim como a realocação dos itens nas subescalas, pode ser pertinente. Quanto à fidedignidade, analisada pelo coeficiente Kappa, apreende-se que 66 dos 74 itens da escala apresentaram concordância relevante entre as respostas do teste e reteste (p-valor < 0,05) evidenciando que o questionário se manteve estável; contudo, oito itens não apresentaram concordância significante. Ao se considerar a força da concordância (Coeficiente Kappa)

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nove itens apresentaram valores irrisórios e estimulam novas análises; os demais apresentaram grau de concordância de suave a grande (Landis & Koch, 1977). Resultados obtidos no teste e reteste evidenciaram que os alunos têm conhecimentos de vários dos itens avaliados no questionário, ainda que no currículo eletivo da instituição sede do estudo não se observe uma disciplina sobre Enfermagem Forense. Em estudo já citado (Cunha et al., 2016) os autores identificaram que os estudantes portugueses responderam corretamente, em média, 78,7% dos itens do questionário. Consideraram que 40,0% deles apresentaram bom nível de conhecimento, 23,0% suficiente e 36,0% insuficiente conhecimento. Os resultados dos estudos com enfermeiros portugueses (Pereira, 2017) e estudantes brasileiros (Soares, 2016) reforçam os mesmos achados. Observou-se que alguns itens respondidos pelos participantes no momento do primeiro contacto com o questionário (teste) e no segundo contato (reteste), tinham diferenças de concordância entre as respostas ao item. Na pergunta 63, cujo conteúdo versa sobre Vestígios Forenses; este tema pode ter despertado curiosidade entre os participantes que procuraram complementar seu conhecimento. A possibilidade de mudança da condição do fenómeno (no caso o conhecimento) nos dois momentos de avaliação (teste e reteste) deve ser considerada neste tipo de obtenção de dados. Outro estudo (Reis et al., 2014) também destaca diferença significativa entre as recolhas de teste e reteste, ainda que seja desejável a não variação de respostas entre os tempos se o construto não sofrer variação no período. Além da verificação da concordância das respostas dadas a cada um dos itens nos momentos teste e reteste, outra forma de se verificar concordância das respostas, nestes dois momentos (estabilidade), é pelos scores das subescalas; esta foi verificada pelo cálculo do ICC. Os dados do presente estudo apontam para uma concordância moderada para duas subescalas e uma concordância boa ou substancial para as outras quatro. O valor total global do ICC foi de 0,767, considerado satisfatório (Souza et al., 2017). Tendo em vista a questão proposta neste estudo, podemos considerar que a versão do QCPEF adaptada para o Brasil mostrou ser um instru-

mento confiável, porém são necessários mais estudos ulteriores para comprovar sua validade. Os resultados obtidos podem ser decorrentes da complexidade do tema, do número de itens do instrumento, das características da população estudada, da variação das características dos participantes, como a idade, bem como do tamanho amostral.

Conclusão Nesta investigação, o processo de adaptação para o Brasil do QCPEF apresentou resultados satisfatórios na adaptação idiomática e na adaptação semântica geral e específica dos itens. Nas medidas psicométricas de validades convergentes e divergentes para duas das subescalas da versão adaptada os valores foram satisfatórios, bem como na fidedignidade global do questionário. Os resultados apontam ainda para a continuidade dos estudos, ampliando-se o número de participantes, para posterior confirmação pela análise fatorial exploratória e, se oportuno, redução de itens, o que poderá proporcionar reorganização da constelação das subescalas. Na sequência, recomenda-se a realização da análise fatorial confirmatória, para teste de hipóteses em relação à proposta teórica de seis domínios com as respetivas alocações dos itens, na população estudada; portanto, após essas etapas a validade do questionário poderá ser confirmada. A continuidade dos estudos justifica-se pela inexistência de similares instrumentos que avaliem o conhecimento sobre Enfermagem Forense e também para a efetivação do material como um instrumento válido para a área. Agradecimentos Os autores gostariam de agradecer ao CNPq (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas) pelo apoio (Bolsa de Produtividade em Pesquisa. Processo nº 305531 / 2013-1) fornecido à pesquisadora Emilia Campos de Carvalho. Referências bibliográficas Coelho, M. A. (2013). Impacto da formação em ciências forenses (Dissertação de mestrado). Instituto Poli-

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19072

Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado Religion/spirituality and social support in improving the quality of life of patients with advanced cancer Religión/espiritualidad y apoyo social para mejorar la calidad de vida de las personas con cáncer avanzado Leonel dos Santos Silva* ; Izabela Rodrigues Poiares** ; Celina Angélica Mattos Machado*** ; Bruna Eloise Lenhani**** ; Paulo Ricardo Bittencourt Guimarães***** ; Luciana Puchalski Kalinke******

Resumo Enquadramento: O constructo religiosidade/espiritualidade e apoio social sugere melhoria na qualidade de vida nos doentes com cancro avançado em terapêutica paliativa ou cuidado paliativo. Objetivo: Verificar se as pessoas com cancro avançado que estão a receber terapêutica paliativa e/ou cuidado paliativo, utilizam a religiosidade/espiritualidade e apoio social para o enfrentamento da doença, e comparar o seu uso na melhoria da qualidade de vida. Metodologia: Estudo observacional, transversal e analítico, realizado num hospital no sul do Brasil, de janeiro a julho de 2018. Dados recolhidos através de um questionário sociodemográfico/clínico e do Quality of Life Questionnaire-Core 15-Palliative. O teste não paramétrico de Mann Whitney foi utilizado para análise comparativa. Resultados: Participaram 107 doentes na terapêutica paliativa e 19 no cuidado paliativo. O uso da religiosidade/ espiritualidade e apoio social foi unanimemente utilizado. A presença de um familiar como cuidador principal teve significância (p = 0,014), predizendo melhor qualidade de vida. Conclusão: Cabe ao enfermeiro promover o cuidado humano e viabilizar o uso do constructo religioso/espiritual e social, em especial a presença do cuidador familiar, para melhorar a qualidade de vida da pessoa com cancro avançado. Palavras-chave: qualidade de vida; neoplasias; cuidados paliativos; espiritualidade; religião; apoio social

Abstract

Resumen

Background: The religion/spirituality and social support may improve the quality of life of patients with advanced cancer receiving palliative therapy or palliative care. Objective: To determine if patients with advanced cancer receiving palliative therapy and/or palliative care use religion/spirituality and social support to cope with the disease, and assess if these aspects improve their quality of life. Methodology: Observational, cross-sectional, and analytical study conducted in a hospital in southern Brazil from January to July 2018. A sociodemographic/clinical questionnaire and the European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionnaire-Core 15 Palliative Care were used. The nonparametric Mann-Whitney test was used for comparative analysis. Results: A total of 107 patients receiving palliative therapy and 19 patients receiving palliative care participated in this study. Religion/spirituality and social support were unanimously used. The presence of a family member as the main caregiver was significant (p = 0.014), predicting a better quality of life. Conclusion: Nurses are responsible for promoting humanized care and the use of religion/spirituality and social support, namely the presence of family caregivers, with a view to improving the quality of life of patients with advanced cancer. Keywords: quality of life; neoplasms; palliative care; spirituality; religion; social support

Marco contextual: El constructo religiosidad/espiritualidad y apoyo social sugiere una mejora en la calidad de vida de los pacientes con cáncer avanzado en la terapia paliativa o en los cuidados paliativos. Objetivo: Verificar si las personas con cáncer avanzado que reciben terapia paliativa y/o cuidados paliativos utilizan la religiosidad/espiritualidad y el apoyo social para afrontar la enfermedad, y comparar su uso para mejorar su calidad de vida. Metodología: Estudio observacional, transversal y analítico, realizado en un hospital del sur de Brasil, de enero a julio de 2018. Los datos se recogieron mediante un cuestionario sociodemográfico/clínico y el Quality of Life Questionnaire-Core 15-Palliative. Para el análisis comparativo se utilizó la prueba no paramétrica de Mann Whitney. Resultados: Participaron 107 pacientes en la terapia paliativa y 19 en los cuidados paliativos. El uso de la religiosidad/espiritualidad y el apoyo social se utilizó de forma unánime. La presencia de un miembro de la familia como cuidador principal fue significativa (p = 0,014), y predice una mejor calidad de vida. Conclusión: Es responsabilidad del enfermero promover el cuidado humano y permitir el uso del constructo religioso/espiritual y social, especialmente de la presencia del cuidador familiar, para mejorar la calidad de vida de las personas con cáncer avanzado. Palabras clave: calidad de vida; neoplasias; cuidados paliativos; espiritualidad; religión; apoyo social

*MSc., Enfermeiro, Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, 80210-170, Curitiba, Brasil [leoneldss@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-8359-5622. Contribuição Œ8±¼tU±bY8QEY8±¼t¶œb´¦Á´8FF†t±9oO8¶O†|b¼8YbY8Y´¶8Œ9†´bY´Y8Y´¶Y´OÁ´´E¡ Morada para correspondência: Rua General Carneiro, 181 - Alto da Glória, 80210-170, Curitiba, Brasil. **Lic., Enfermeira, Universidade Federal do Paraná, 80210-170, Curitiba, Brasil [izabelapoiares@ gmail.com]. https://orcid.org/0000-0003-4928-6161. Contribuição no artigo: redação do artigo; œb´¦Á´8FF†t±9oO8¶n±‰8¼8QE¶œ8±¼OœÁ´ÁF´¼8ŒO8†‰bŒ¼bŒ8Y´OÁ´´E¡ ***MSc., Enfermeira. Doutoranda, Universidade Federal do Paraná, 80210-170, Curitiba, Brasil [celina.ufpr@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-7241-7169. Contribuição no artigo: pes¦Á´8FF†t±9oO8¶8Œ9†´bbŒ¼b±œ±b¼8QEY´Y8Y´¶œ8±¼OœÁ´ÁF´¼8ŒO8†‰bŒ¼bŒ8Y´OÁ´´E¡ ****MSc., Enfermeira. Doutoranda, Universidade Federal do Paraná, 80210-170, Curitiba, Brasil [bru_lenhani@hotmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-6009-3400. Contribuição no artigo: œb´¦Á´8FF†t±9oO8¶8Œ9†´bbŒ¼b±œ±b¼8QEY´Y8Y´¶œ8±¼OœÁ´ÁF´¼8ŒO8†‰bŒ¼bŒ8Y´OÁ´´E¡ *****Ph.D., Professor, Universidade Federal do Paraná, 80210-170, Curitiba, Brasil [guimaraes. prb@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-9852-6777. Contribuição no artigo: pesquisa FF†t±9oO8¶8Œ9†´bbŒ¼b±œ±b¼8QEY´Y8Y´¶œ8±¼OœÁ´ÁF´¼8ŒO8†‰bŒ¼bŒ8Y´OÁ´´E¡ ******Ph.D., Professora, Universidade Federal do Paraná, 80210-170, Curitiba, Brasil [lucianakalinke@ yahoo.com.br]. http://orcid.org/0000-0003-4868-8193. Contribuição no artigo: concepção e desenho da pesquisa; redação do artigo; análise e interpretação dos dados; revisão crítica do manuscrito. Revista de Enfermagem Referência

Recebido para publicação em: 11.10.19 Aceite para publicação em: 09.12.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 111 - 120


Introdução

Enquadramento

O cancro avançado pode ser entendido como um conjunto de doenças que podem evoluir de maneira progressiva, incurável, com recidiva local ou metastática (Gilbertson-White, Aouizerat, Jahan, & Miaskowski, 2011). Existem duas modalidades de tratamento que podem ser recomendadas: a terapêutica paliativa (TP) ou o cuidado paliativo (CP). A terapêutica paliativa pode ser definida como medidas sistémicas ativas para alívio dos sintomas da doença e controlo dos efeitos colaterais, com o intuito de melhorar a qualidade de vida (QV) do doente fora de possibilidades de cura, por exemplo: quimioterapia, radioterapia, terapia direcionada, terapia hormonal, imunoterapia, cirurgia (Silva, Lenhani, Tomim, Guimarães, & Kalinke, 2019). O cuidado paliativo pode ser isolado ou concomitante à TP. Consiste numa forma de cuidar cujo objetivo é a melhoria dos sintomas, e do sofrimento, tanto dos doentes como dos seus familiares. Também visa a deteção e tratamento precoce dos sintomas físicos, assim como de outros problemas de ordem psicossocial e espiritual que visem a melhoria da QV (THE WHOQOL Group, 1998). O conceito de QV é amplo, multidimensional e subjetivo. Segundo a WHO, “Qualidade de Vida é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (WHO, 1997, p. 1), conceito este que permeia o presente estudo. A religiosidade/espiritualidade e o apoio social são consideradas formas de enfrentamento da doença pelo paciente. Estas, são utilizadas em situações de sofrimento e possuem um papel protetor importante contra sintomas psíquicos causados pela enfermidade (Jaramillo, Monteiro, & Borges, 2019). No sentido de verificar se os doentes com cancro avançado utilizam a religiosidade/espiritualidade e o apoio social para enfrentar a doença, emergiram os objetivos deste estudo: verificar se as pessoas com cancro avançado que estão a receber TP e/ou CP, utilizam a religiosidade/ espiritualidade e o apoio social para o enfrentamento da doença, e comparar o seu uso a melhoria da qualidade de vida.

O cancro avançado afeta profundamente o bem-estar físico, psíquico, social e espiritual da pessoa e família, que muitas vezes constitui um desafio para a equipa de saúde. Muitos doentes adotam os constructos da religião e espiritualidade para nortear as decisões de continuidade do tratamento, lidar com o stress, manter o bem-estar espiritual e promover a esperança em relação à melhor QV (Peteet & Balboni, 2013). A religiosidade e a espiritualidade podem ou não estar relacionadas e são duas expressões distintas. A religiosidade é uma expressão parcial da espiritualidade, composta por um sistema de dogmas e doutrinas, compartilhada por um determinado grupo que possui características específicas sociais, doutrinárias, de comportamentos e valores. A espiritualidade é ampla, relaciona-se com o transcendente, com a busca pelo significado e propósito da vida, está além do que se possa compreender e pode ou não estender-se para práticas religiosas. A espiritualidade é individual, universal, dinâmica, multidimensional e integradora (Damiano et. al, 2016). A religiosidade/espiritualidade contribuem para a perceção de controlo e independência face aos efeitos da doença, para a adesão ao tratamento, para a redução do stress e da ansiedade e na busca por um significado no enfrentamento do problema. Enquanto a doença assusta, a espiritualidade renova (Jaramillo et al., 2019). Desta forma, a assistência ao doente oncológico deve acontecer de maneira holística, abrangendo outros aspetos além dos físicos, como os psicossociais, espirituais e emocionais do indivíduo. Outra estratégia para enfrentar a doença e impedir ou reduzir efeitos stressantes a longo prazo é o apoio social, que se refere a interações interpessoais que incluem apoio emocional, companheirismo e aconselhamento. O apoio social está relacionado a uma melhor QV e a redução da ansiedade e depressão em doentes com cancro avançado (Bradley, Lloyd-Williams, & Dowrick, 2018). Por outro lado, o isolamento social associa-se à diminuição do bem-estar, aumento da depressão, aumento da intensidade da dor, mortalidade e ao declínio cognitivo. A limitação nas relações sociais pode advir do estigma

Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado

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que a doença e a morte representam. Ainda, a dor, fadiga e outros sintomas podem impedir o envolvimento social e, assim, a reduzir a funcionalidade física, o que aumenta a restrição social (Bradley et al., 2018).

giosa, prática religiosa, religião, uso da espiritualidade/religiosidade/apoio da comunidade religiosa); e apoio social recebido (apoio da família e amigos e profissionais, participação em grupos de apoio). Para avaliação da qualidade de vida foi aplicado o Quality of Life Questionnaire Care 15 Palliative Ca (QLQ-C15-PAL), validado para português - Brasil (Nunes, 2014). Trata-se de um instrumento abreviado, composto por 15 questões que avaliam aspetos físicos, emocionais e a QV global nos últimos 7 dias dos doentes com cancro avançado com pontuação que varia de 0 a 100, em que uma pontuação mais alta representa melhor QV (Groenvold et al., 2006). Os dados (sociodemográficos, clínicos, uso de religiosidade/espiritualidade e apoio social) foram armazenados em plataformas eletrónicas e foram, posteriormente, analisados no programa Microsoft Excel® 2016, com estatística descritiva expressa em frequência simples e absoluta (%). Para análise do QLQ-C15-PAL foi estabelecido o score bruto (EB), que consiste no somatório de cada item que compõe a escala dividido pelo número de respostas (Groenvold et al., 2006). Quanto à comparação entre QV geral e as variáveis apoio social e uso da religiosidade/espiritualidade, utilizou-se o teste não paramétrico de Mann Whitney, com nível de significância de 5% para resultados com p-valor abaixo de 0,05, sendo considerados significantes (p < 0,05), uma vez que os dados não seguiram normalidade na sua distribuição. Para análise utilizou-se o software Statistica 7.0. No planeamento deste estudo solicitou-se autorização à Comissão de Ética e Pesquisa da instituição em que se desenvolveu a investigação (Parecer n° 2.461.307), e para utilização do instrumento de QV solicitou-se autorização ao seu autor. Relativamente aos participantes, estes foram informados sobre as razões, os riscos e benefícios, finalidade e objetivos. Foi fornecido um documento para que manifestassem a vontade livre e esclarecida de participar, com a salvaguarda da desistência em qualquer momento. Foi assegurada a confidencialidade das informações, o respeito pela vida privada e o anonimato na participação, estabelecidos na resolução n° 466/2012 do Ministério da Saúde/Brasil.

Questão de Investigação Os doentes com cancro avançado em terapêutica paliativa e/o cuidado paliativo utilizam a religiosidade/espiritualidade e o apoio social como estratégia de enfrentamento, para melhorar a sua qualidade de vida?

Metodologia Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, realizado num hospital universitário do sul do Brasil, no período de janeiro a julho de 2018. A amostra, não probabilística, foi constituída por doentes internados ou em atendimento ambulatorial que estavam em TP e/ou CP. Os critérios de inclusão foram: doentes com idade acima de 18 anos; diagnóstico de cancro avançado (estádio IV), comprovado com histologia de qualquer topografia, com prévio comunicado; e registo em prontuário sobre a TP e/ou CP, com Performance Status classificada pelo investigador no momento da colheita de dados de acordo com o Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG) em 0, 1, 2 ou 3, caracterizado como: 0 (totalmente ativo); 1 (restrito de atividade física extenuante e capaz de realizar trabalho de natureza leve ou sedentária); 2 (capacidade de autocuidado sem condições de atividades laborativas, permanece 50% do tempo fora do leito) e 3 (limitada capacidade de autocuidado, permanece 50% do tempo em repouso no leito ou cadeira; Oken et al., 1982). Os critérios de exclusão aplicados foram: doentes impossibilitados de manter comunicação verbal. Inicialmente foi aplicado um questionário desenvolvido pelos autores com variáveis relativas às características: sociodemográficas (sexo, idade, estado civil, número de filhos, escolaridade, ocupação e renda familiar); clínicas (comorbidades, performance status, tipo de cancro, acompanhamento pela equipa de CP); espiritualidade/religiosidade (crença reli-

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LEONEL DOS SANTOS SILVA et al.

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Resultados

internados, classificados conforme a intenção terapêutica descrita em prontuário, sendo que 107 se encontravam a receber TP e 19 se encontravam a receber CP exclusivo (Tabela 1).

Participaram no estudo 126 doentes que estavam a receber tratamento ambulatorial e/ou

Tabela 1 Características sociodemográficas dos doentes com cancro avançado em TP e CP Terapêutica Paliativa

Cuidado Paliativo

(n = 107)

(n = 19)

Variável n Idade em anos (média) Desvio-Padrão (intervalo)

(%)

n

(%)

58,3

62,6

±12 (18-81)

±11,9 (35-82)

De 18 a 49

24

22,4

2

10,5

De 50 a 59

29

27,1

5

26,3

De 60 a 69

38

35,5

7

36,9

De 70 a 82

16

15

5

26,3

Feminino

66

61,7

11

57,9

Masculino

41

38,3

8

42,1

Casado/união estável

63

58,9

10

52,7

Separado/divorciado

20

18,7

5

26,3

Solteiro

19

17,7

2

10,5

Viúvo

5

4,7

2

10,5

Sexo

Estado Conjugal

Nº de filhos (média)

2,8

3,5

Escolaridade Analfabeto

5

4,7

-

-

Ensino fundamental

64

59,8

15

79

Ensino médio

27

25,2

2

10,5

Ensino superior

11

10,3

2

10,5

Aposentado

56

51,9

11

57,8

Empregado

16

15,1

1

5,3

Autónomo

18

17

1

5,3

Do lar

10

9,4

3

15,8

Outras/Afastados

7

6,6

3

15,8

Ocupação

Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado

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Renda* em salário mínimo** Até 1 salário mínimo

23

21,9

3

15,8

1 a 3 salários mínimos

63

60

13

68,4

4 a 10 salários mínimos

19

18,1

3

15,8

Pessoas sustentadas (média)

3

3,4

Nota. *Variável com ausência de resposta de dois participantes. **Salário mínimo vigente no país no período do estudo R$ 954,00.

Em relação ao Performance Status avaliado pelo ECOG, na TP, 81 doentes (75,7%) estavam classificados como ECOG 0 e 1, já no CP es-

tavam classificados 17 (89,5%) como ECOG 2 e 3 (Tabela 2).

Tabela 2 Características clínicas dos doentes com cancro avançado em TP e CP Terapêutica Paliativa

Cuidado Paliativo

(n = 107)

(n = 19)

Variável n

(%)

n

(%)

Presente

70

65,4

13

68,4

Ausente

37

34,6

6

31,6

Comorbidades (Doenças Crónicas Não-Transmissíveis)

Performance Status (ECOG) ECOG 0

22

20,6

-

-

ECOG 1

59

55,1

2

10,5

ECOG 2

22

20,6

6

31,6

ECOG 3

4

3,7

11

57,9

Diagnóstico do cancro em estádio metastático Sim

68

63,6

14

73,7

Não

39

36,4

5

26,3

Acompanhamento pela equipe de CP Sim

14

13,1

19

100

Não

93

86,9

-

-

Nota. ECOG = Eastern Cooperative Oncology Group.

O uso da religiosidade/espiritualidade no enfrentamento da doença foi identificado nos dois grupos, na TP em 101 doentes (96,2%) e no CP em 17 doentes (89,5%). O suporte de visitas e/ou orações da comunidade religiosa também foi evidenciado como ferramenta de apoio para enfrentar a doença por ambos os grupos, 66

doentes (62,3%) a receber TP e 12 (63,2%) a receber CP. Relativamente ao apoio social recebido, 96 doentes em acompanhamento na TP (89,7%) e 17 em acompanhamento na CP (89,5%) têm algum membro da família que participa como cuidador principal, consecutivamente (Tabela 3).

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Tabela 3 Características religiosas/espirituais e apoio social de doentes com cancro avançado em TP e CP Terapêutica Paliativa

Cuidado Paliativo

(n = 107)

(n = 19)

Variável n

(%)

n

(%)

Sim

104

97,2

18

94,7

Não

3

2,8

1

5,3

Sim

75

70,1

16

84,2

Não

15

14,0

2

10,5

Eventual

17

15,9

1

5,3

Católica

66

61,7

9

47,4

Evangélica

28

26,2

7

36,8

Espírita

4

3,7

1

5,3

Luterana

3

2,8

-

-

Outras/Não informado

6

5,6

2

10,5

Sim

101

96,2

17

89,5

Não

4

3,8

2

10,5

Sim

66

62,3

12

63,2

Não/Eventual

40

37,7

7

36,8

Sim

96

89,7

17

89,5

Não/Eventual

11

10,3

2

10,5

Sim

98

91,6

17

89,5

Não/Eventual

9

8,4

2

10,5

Sim

86

80,4

15

78,9

Não/Eventual

21

19,6

3

21,1

100

93,5

18

94,7

7

6,5

1

5,3

Sim

1

0,9

-

-

Não

106

99,1

19

100

Crença Religiosa

Prática Religiosa

Religião

Religião/espiritualidade no enfrentamento do cancro*

Apoio (visitas e orações) da comunidade religiosa*

Família participa como cuidador principal

Apoio da família no enfrentamento do cancro

Apoio dos amigos no enfrentamento cancro*

Apoio assistencial dos profissionais de saúde Sim Não/Eventual Participação em grupos de apoio

Nota. *Variável com ausência de resposta de dois participantes. Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado

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Na comparação entre os grupos, o estudo evidenciou diferenças significativas no grupo a receber TP, para aqueles que tiveram um familiar cuidador principal (Tabela 4), sugerindo

que para os doentes, a presença de um cuidador principal familiar, proporcionou uma QV melhor (p = 0,014). As demais análises não mostraram significância estatística.

Tabela 4 Comparação entre QV geral, uso da religiosidade/espiritualidade e apoio familiar de doentes com cancro avançado em TP e CP Terapêutica Paliativa

Cuidado Paliativo

Variáveis Média QV

DP

Sim

72,50

25,33

Não

45,83

28,46

Eventual

75,00

11,79

Sim

71,36

25,40

Não

77,78

38,40

Sim

73,51

25,09

Não

58,33

9,13

50

37,27

Sim

72,50

25,33

Não

45,83

28,46

75

11,79

p-valor

Média QV

DP

60,78

32,24

p-valor

Religiosidade/espiritualidade

0,13

50

0

0 ,57

Crença 0,57

60,19 50

31,38 0

1

Familiar como cuidador principal

Eventual

62,75 0,014

33,33

30,35 23,57

0,23

Apoio da família

Eventual

0,54

62,65

30,35

33,33

23,57

0,23

Nota. QV = qualidade de vida; DP = desvio-padrão.

Discussão

tidimensionais do constructo QV, o que vai ao encontro do estudo realizado nos Estados Unidos da América, com 185 doentes, que concluiu que as características sociodemográficas estão diretamente relacionadas com a perceção de QV. O referido estudo identificou ainda que o sexo feminino apresentou menores scores nos domínios físico, psicológico e social (West et al., 2015). Conhecer o indivíduo na sua integralidade apoiará o enfermeiro ao avaliar, planear e prescrever medidas individualizadas que tenham como objetivo a melhoria da QV. No presente estudo observou-se uma maior percentagem de doentes do sexo feminino com cancro dentre os que estavam em TP e CP, assim como baixa escolaridade e o status profissional

A diversidade de aspetos multidimensionais torna complexo o cuidado e o tratamento de doentes com cancro avançado e dos seus familiares, desde as características sociodemográficas às várias dimensões do ser humano, como funções emocionais, físicas, biológicas, sociais, psicológicas, culturais e espirituais, resultam em alterações significativas nos diversos domínios da QV (West et al., 2015). Conhecer as características sociodemográficas tais como o sexo, idade, atividades de vida diária, número de filhos e escolaridade é relevante e pode auxiliar no direcionamento da assistência de enfermagem voltada para os aspetos mul-

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inativo foram evidenciados. Questões relacionadas com o baixo nível de escolaridade podem influenciar no diagnóstico tardio e na descoberta em estágio avançado (III e IV; Ribeiro, Eluf Neto, Luizaga, Lombardo, & Leite, 2015). Fator de significância clínica, tanto na modalidade da terapêutica, quanto na QV, é a capacidade funcional, que neste estudo foi mensurada por meio do ECOG. Os valores 0 e 1 foram predominantes na TP, o que diverge do CP, em que os doentes apresentaram incapacidade laborativa e limitação de autocuidado (ECOG 2 e 3). Na prática clínica, pessoas com doença avançada e status de desempenho ECOG ≥ 2 tem indicação frequente de quimioterapia paliativa para melhoria dos sintomas e QV. Em contrapartida, um estudo retrospetivo de caso-controlo, com doentes inseridos na TP e no CP, mostrou a necessidade de precaução na prescrição de quimioterapia paliativa em doentes com EGOG maior ou igual a 2, por não evidenciar benefícios na sobrevida global e QV (Caires-Lima et al., 2018). No que concerne à religiosidade/espiritualidade e apoio social, ambos os grupos TP e CP, relataram o uso destas estratégias no curso da doença, por exemplo, o apoio de visitas e/ou orações da comunidade religiosa e a presença de um cuidador principal familiar. Resultados de uma meta-análise evidenciaram a associação entre intervenções espirituais com melhores resultados de saúde em doentes com cancro, assim como melhor bem-estar espiritual e QV, além de reduzir o grau de depressão, ansiedade e desesperança (Xing, Guo, Bai, Qian, & Chen, 2018). A religiosidade/espiritualidade no quesito saúde-doença pode contribuir para a adesão ao tratamento, busca da QV e do bem-estar emocional e espiritual, que se pode refletir no domínio físico por meio de sensações como tranquilidade e paz. A religiosidade/espiritualidade pode atuar na forma como as pessoas enfrentam situações adversas, promovendo resiliência e auxiliando no enfrentamento individual da doença. No processo de cuidar de doentes e familiares que vivenciam o processo paliativo, reconhecer as dimensões e as necessidades religiosas/espirituais dos indivíduos é uma forma de prestar uma assistência holística. Assim, cabe ao enfermeiro respeitar a autonomia, prover e facilitar de forma laica que a assistência espiritual seja prestada

pelos representantes e líderes espirituais imbuídos para tais atividades, conforme orientação do doente, família e do cuidador. No presente estudo, a participação de membros da família como cuidador principal foi destacada pelos doentes inseridos na TP e no CP, assim como apresentou significância positiva com a QV na TP. É comum que os doentes com cancro recebam assistência direta dos seus familiares, a doença avançada afeta a QV de ambos, cuidador e ente cuidado, assim como o esgotamento do familiar cuidador principal pode refletir-se diretamente nos cuidados ao doente. Faz-se necessário que o profissional também esteja atento à QV do cuidador, uma vez que este pode apresentar alterações em várias dimensões do bem-estar, incluindo física, psicológica e suporte social, assim como estas alterações podem interferir também na QV do doente (Warapornmongkholkul, Howteerakul, Suwannapong, & Soparattanapaisarn, 2018). O apoio social no enfrentamento do cancro avançado é, predominantemente, promovido pelos familiares, amigos e profissionais de saúde, sem evidência da participação em grupos de apoio, tanto na TP como no CP. A família contribui em diversos aspetos no cuidado ao doente, promove suporte emocional, mantém uma referência de estabilidade em relação a mudanças, responde por custos económicos e sociais, divide as decisões acerca das terapêuticas propostas e auxilia no cuidado (Arrais, 2018). O apoio social é correlacionado com melhor QV global e funcional e menores índices de sintomas depressivos, resultados de um estudo realizado em Minas Gerais, com 115 doentes com diagnóstico de cancro, da atenção primária elegíveis para CP. Ademais, o estudo demonstrou que menores índices de QV e maior sintomatologia física se encontram relacionados com piores níveis de apoio social (Azevedo, Dias, Pessalacia, Lourdes, & Pavone, 2017). Resultados semelhantes foram encontrados numa revisão sistemática, com um total de 1.668 doentes com cancro avançado em acompanhamento de CP ambulatorial, que evidencia que na presença de intenso desconforto, maiores são as probabilidades e benefícios do apoio social, que se refletem em melhor bem-estar psicológico e físico. Neste sentido, os profissionais devem considerar e promover o bem-estar social (Bradley et al., 2018).

Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado

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No presente estudo, os doentes inseridos em TP ou CP não participavam em grupos de apoio. Um estudo de coorte realizado com 66 doentes em TP destaca a participação em grupos como estratégias de apoio (educativas e psicoterapêuticas), quando realizada a associação do suporte social com o fator de risco para desesperança (p = 0,007), encontrou-se que quanto menor o uso de suporte social, maior o nível de desesperança (Sorato & Osório, 2015). Algumas famílias possuem dificuldade em continuar o cuidado do doente, no hospital e/ou no domicílio, devido ao esgotamento, o que salienta a relevância dos programas de grupos de apoio. Estes, são formas de enfrentar a doença e compartilhar experiências, sentimentos, dificuldades, emoções e procurar apoio e informações com outras famílias que vivenciam a mesma realidade, além de ser um ambiente para promoção da saúde e apoio social. Os grupos de apoio avaliam e detetam situações de crise e dificuldades e são fonte de ajuda, ao auxiliar na autonomia e tomada de decisões e ao capacitar as famílias e os doentes para lidarem com situações de stress (Silva, Begnini, Stamm, Mistura, & Cogo, 2019). O apoio social é uma estratégia utilizada pelos doentes no enfrentamento do cancro avançado e pode ser oferecido pelos familiares, amigos e profissionais que assistem o doente, inclusivamente na composição de grupos como um espaço de convivência e troca de experiências entre aqueles que compartilham situações correlatas. A equipa oncológica pode atuar no sentido de viabilizar o apoio social por meio de visitas domiciliares ou através de suporte tecnológico, via telefónica ou internet. O enfermeiro pode fortalecer as relações de cuidado com o suporte social a doentes e familiares ao prestar informações adequadas às necessidades vigentes. Estas ações poderão promover melhor QV tanto para os doentes em TP quanto para os em CP. Dentre as limitações do estudo, aponta-se o facto de ter sido realizado num único serviço, uma vez que os dados não podem ser generalizados. Elenca-se também a inexistência de um cálculo amostral que representasse de maneira confiável o quantitativo de doentes em tratamento, bem como, o reduzido número de participantes inseridos no grupo CP. Em relação às contribuições do estudo, foi possível apontar algumas características e necessidades dos doentes com

cancro avançado, e cabe ao enfermeiro avaliar e intervir holisticamente para suprir as necessidades de cuidado de doentes e familiares na intenção paliativa.

Conclusão Os resultados deste estudo indicam que as pessoas com cancro avançado inseridas na TP ou CP faz uso dos constructos da religiosidade/espiritualidade, e além das crenças e orações, são apoiados pelos líderes e comunidades religiosas. E, unanimemente, contam com o apoio de um cuidador familiar, suporte social de amigos e profissionais de saúde. Tais estratégias fazem-se presentes no enfrentamento da doença, ultrapassam as demandas físicas, funcionais, psicológicas e emocionais, com enfoque na melhor QV. Ao comparar as médias da QV geral com o uso da religiosidade/espiritualidade e apoio social, percebeu-se que houve diferença significativa (p = 0,014) positiva para os doentes no grupo de TP que tinham um familiar como cuidador principal. As demais comparações não mostraram significância. Desta forma, cabe aos profissionais de enfermagem promover um cuidado humanizado e integral ao ser humano, a fim de minimizar o sofrimento e proporcionar melhor QV. Os enfermeiros devem estar atentos às necessidades de cuidado da pessoa e do seu cuidador, promover e estimular a presença da família e/ou de outros grupos de apoio social em todo o processo da doença, com o objetivo de melhorar a QV do doente com cancro avançado. Futuros estudos devem ser conduzidos com a finalidade de elucidar as influências de cuidadores familiares na melhoria da QV da pessoa com cancro avançado, bem como nas estratégias a serem implementadas pelos enfermeiros na promoção do apoio social, religioso e espiritual nesta relação de cuidados. Referências bibliográficas Arrais, R. H. (2018). Comunicação entre cuidadores familiares e pacientes oncológicos em cuidados paliativos: Um estudo na perspectiva da psicologia analítica (Dissertação de mestrado, Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, Brasil). Recuperado de http:// www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-

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LEONEL DOS SANTOS SILVA et al.

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29102018-153733/en.php Azevedo, C., Dias, J., Pessalacia, R., Lourdes, E., & Pavone, C. (2017). Interface entre apoio social, qualidade de vida e depressão em usuários elegíveis para cuidados paliativos. Revista da Escola de Enfermagem da USP, 51, e03245. doi: 10.1590/s1980220x2016038003245 Bradley, N., Lloyd-Williams, M., & Dowrick, C. (2018). Effectiveness of palliative care interventions offering social support to people with life-limiting illness: A systematic review. European Journal of Cancer Care (England), 27(3), e12837. doi: 10.1111/ecc.12837 Caires-Lima, R., Cayres, K., Protásio, B., Caires, I., Andrade, J., Rocha, L., . . . Mak, M. P. (2018). Palliative chemotherapy outcomes in patients with ECOG-PS higher than 1. ECancer Medical Science, 12, 831. doi: 10.3332/ecancer.2018.831 Damiano, R. F., Costa, L. A., Viana, M. T., Moreira-Almeida, A., Lucchetti, A. L., & Lucchetti, G. (2016). Brazilian scientific articles on “Spirituality, Religion and Health”. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), 43(1), 11-16. doi: 10.1590/010160830000000073 Gilbertson-White, S., Aouizerat, B. E., Jahan, T., & Miaskowski, C. (2011). “A review of the literature on multiple symptoms: Their predictors, and associated outcomes in patients with advanced cancer.” Palliative and Supportive Care, 9(1), 81–102. doi: 10.1017/S147895151000057X Groenvold, M., Petersen, M. A., Aaronson, M. J., Arraras, J. I., Blazebay, J. M., Bottomlay, A., . . . Bjorner, J. B. (2006). The development of the EORTC QLQ-C15-PAL: A shortened questionnaire for cancer patients in palliative care. European Journal of Cancer, 42(1), 55–64. doi: 10.1016/j.ejca.2005.06.022 Jaramillo, R. G., Monteiro, P. S., & Borges, M. S. (2019). Coping religioso/espiritual: Um estudo com familiares de crianças e adolescentes em tratamento quimioterápico. Cogitare Enfermagem, 24, e62297. doi: 10.5380/ ce.v24i0.62297. Nunes, N. A. (2014). The quality of life of Brazilian patients in palliative care: Validation of the European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionnaire Core 15 PAL (EORTC QLQ-C15-PAL). Support Care Cancer, 22(6), 1595-1600. doi: 10.1007/s00520-014-2119-1 Oken, M. M., Creech, R. H., Tormey, D. C., Horton, J. M., Davis, T. E., Mcfadden, T. T., & Carbone,

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Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19035

Sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros no contexto hospitalar: contributo do enfermeiro de reabilitação Musculoskeletal symptoms of hospital nurses: contribution of rehabilitation nurses Síntomas musculoesqueléticos de los enfermeros en el contexto hospitalario: contribución del enfermero de rehabilitación Maria Isabel Rebelo Lopes de Moura* ; Maria Manuela Ferreira Pereira da Silva Martins** Olga Maria Pimenta Lopes Ribeiro***

;

Resumo Enquadramento: Os enfermeiros integram a classe profissional maioritária no Serviço Nacional de Saúde, sendo que o trabalho que desenvolvem condiciona o seu bem-estar musculoesquelético. Objetivo: Conhecer a prevalência da sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros, identificando simultaneamente os fatores de risco. Metodologia: Estudo quantitativo, de carácter descritivo e correlacional, concretizado num centro hospitalar de Portugal. A técnica de amostragem foi não probabilística por conveniência, obtendo-se uma amostra de 260 enfermeiros. Como instrumento de colheita de dados utilizou-se o questionário, dividido em duas partes (dados sociodemográficos/profissionais e Questionário Nórdico Musculoesquelético). Resultados: A maioria dos enfermeiros (65,1%) apresenta sintomatologia ao nível do sistema musculoesquelético, sendo que a coluna lombar é o segmento mais afetado. O género feminino, o aumento da idade, do índice de massa corporal, do tempo de exercício profissional e a carga horária estão relacionados com o agravamento dos sintomas. Conclusão: Os resultados apontam para a necessidade de sensibilizar os enfermeiros para os fatores de risco, bem como incentivar a adoção de estratégias, como a ginástica laboral, para minimizar sintomatologia musculoesquelética. Palavras-chave: enfermeiras e enfermeiros; hospitais; fatores de risco; dor musculoesquelética

Abstract

Resumen

Background: Nurses make up the major professional category in the National Health Service, and their work affects their musculoskeletal well-being. Objective: To determine the prevalence of musculoskeletal symptoms of nurses and identify their risk factors. Methodology: A quantitative, descriptive, and correlational study, conducted in a Portuguese hospital center, used a non-probabilistic sample by convenience of 260 nurses. A questionnaire was used as data collection instrument, divided into two parts (sociodemographic and professional data/Nordic Musculoskeletal Questionnaire). Results: The majority of nurses (65.1%) manifests musculoskeletal symptoms, the lumbar spine being the most affected body segment. The female gender, aging, body mass index, time of professional experience, and workload are related to the worsening of symptoms. Conclusion: The results point out the need to raise awareness of the risk factors among nurses, as well as to promote the adoption of strategies, like workplace gymnastics, to minimize musculoskeletal symptoms.

Marco contextual: Los enfermeros forman parte de la clase profesional mayoritaria del Servicio Nacional de Salud, y su trabajo condiciona su bienestar musculoesquelético. Objetivo: Conocer la prevalencia de la sintomatología musculoesquelética de los enfermeros, mediante la identificación simultánea de los factores de riesgo. Metodología: Estudio cuantitativo, descriptivo y correlacional realizado en un centro hospitalario de Portugal. La técnica de muestreo fue no probabilística por conveniencia, y se obtuvo una muestra de 260 enfermeros. Como instrumento de recopilación de datos se utilizó el cuestionario, dividido en dos partes (datos sociodemográficos/profesionales y el Cuestionario Nórdico Musculoesquelético). Resultados: La mayoría de los enfermeros (65,1%) presenta síntomas a nivel del sistema musculoesquelético, y la columna lumbar es el segmento más afectado. El sexo femenino, el aumento de la edad, el índice de masa corporal, el tiempo de ejercicio profesional y la carga de trabajo están relacionados con el empeoramiento de los síntomas. Conclusión: Los resultados apuntan a la necesidad de concienciar a los enfermeros sobre los factores de riesgo, así como de fomentar la adopción de estrategias, como la gimnasia en el lugar de trabajo, para minimizar la sintomatología musculoesquelética.

Keywords: nurses; hospitals; risk factors; musculoskeletal pain *MSc., Enfermeiro, Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, 5000-508, Vila Real, Portugal [isabelmoura1992@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-9614-8848. Con¼±FÁQEŒ8±¼tUœb´¦Á´8FF†t±9oO8¶œ†8Œb8‰bŒ¼Y8‰b¼Y†t8¶±bO†|8YbY8Y´¶ ¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´bY´Y8Y´¶Y´OÁ´´EY´±b´Á†¼8Y´bb´O±¼8Y artigo. Morada para correspondência: Lugar do Rendeiro – Cumieira, 5030-075, Santa Marta de Penaguião, Vila Real, Portugal. **Ph.D., Professora Coordenadora, Escola Superior de Enfermagem do Porto, 4200-072, Porto, Portugal [mmartins@esenf.pt]. https://orcid.org/0000-0001-5530-3891. ContriFÁQEŒ8±¼tUœ†8Œb8‰bŒ¼Y8‰b¼Y†t8¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´b Y´Y8Y´¶Y´OÁ´´EY´±b´Á†¼8Y´b±bÇ´EY8±¼t¡ ***Ph.D., Professora Adjunta, Escola Superior de Enfermagem do Porto, 4200-072, Porto, Portugal [olgaribeiro25@hotmail.com]. https://orcid.org/0000-0001-9982-9537. ContriFÁQEŒ8±¼tUœ†8Œb8‰bŒ¼Y8‰b¼Y†t8¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´b Y´Y8Y´¶Y´OÁ´´EY´±b´Á†¼8Y´b±bÇ´EY8±¼t¡ Revista de Enfermagem Referência

Palabras clave: enfermeras y enfermeros; hospitales; factores de riesgo; dolor musculoesquelético Recebido para publicação em: 18.06.19 Aceite para publicação em: 03.09.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 121 - 132


Introdução Os enfermeiros são a classe profissional, da área da saúde, que mais padecem com as lesões musculoesqueléticas, devido à exigência física que o seu trabalho acarreta, às posturas incorretas e por trabalharem com equipamentos antiquados (Fernandes, Couto, Carvalho, Fernandes, & Ferreira, 2018). Estas lesões caracterizam-se como um conjunto de doenças inflamatórias e degenerativas do sistema locomotor, resultantes da ação de fatores de risco profissionais, tais como a repetibilidade, a sobrecarga e/ou a postura adotada durante o exercício profissional, manifestando-se através de sintomatologia de dor, edema, diminuição da força muscular e do movimento articular (Martins, 2008; Direcção-Geral da Saúde, 2008). Segundo a American Nurses Association (ANA, 2011), os profissionais de enfermagem apresentam uma taxa elevada de sintomatologia musculoesquelética, mesmo após serem melhoradas as condições do local de trabalho onde exercem a profissão. A mesma associação, lembra que os enfermeiros necessitam de maior consciencialização para o uso de equipamentos de auxílio à prática de cuidados, pois menos de um terço os utiliza com frequência (ANA, 2011). Assim, na sequência da observação das práticas profissionais, bem como da sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros, considerou-se relevante o estudo das condicionantes do bem-estar musculoesquelético dos enfermeiros no exercício da sua atividade no contexto hospitalar. Este estudo teve em consideração o facto de muitos enfermeiros apresentarem uma taxa de absentismo de 10,19% (Oliveira, 2017), sendo que as principais causas se devem a motivos de doença. Neste sentido, pretendemos conhecer a prevalência da sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros, identificando simultaneamente os fatores de risco.

Enquadramento Os enfermeiros são os profissionais de saúde que mais tempo passam no cuidado aos doentes, estando por isso mais expostos a um grande número de riscos que podem contribuir para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas ligadas ao trabalho. De facto, durante

a prestação de cuidados, o enfermeiro assiste as pessoas doentes na concretização das atividades inerentes aos diversos autocuidados, tais como o banho, o levante, a transferência e o posicionamento, que podem resultar em lesões para o sistema musculoesquelético, sendo importante que o enfermeiro esteja desperto para os diferentes riscos associados à prática do cuidar (Carpenter & Dawson, 2015; Neves & Serranheira, 2014). As lesões musculoesqueléticas são síndromes de dor crónica que podem afetar diferentes segmentos corporais, sendo que a sintomatologia surge gradualmente e agrava no final do dia de trabalho ou durante os picos de execução, aliviando com as pausas e com o repouso (Direcção-Geral da Saúde, 2008). Segundo Agência Europeia para a Segurança e Saúde de Trabalho (AESST, 2019), estas lesões desenvolvem-se ao longo do tempo, resultantes da combinação de vários fatores como movimentos repetidos, aplicação de força, posturas inadequadas e do stress relacionado com o trabalho. Jerónimo e Cruz (2014) referem que existem fatores de risco para o desenvolvimento de lesões musculoesqueléticas, nomeadamente a nível individual (género, idade, características antropométricas); risco biomecânico (a postura e os movimentos repetitivos); riscos psicossociais (provenientes do stress, como a sobrecarga do trabalho, à pressão do tempo e ao trabalho por turnos) e riscos organizacionais (número de horas extraordinárias, períodos prolongados de trabalho, intervalos de descanso ausentes ou insuficientes). Neste contexto, os enfermeiros apresentam alta probabilidade de desenvolver sintomatologia musculoesquelética nos diversos segmentos anatómicos (Cordeiro, 2015; Torres, Carneiro, & Arezes, 2017). Cordeiro (2015), citando outros autores, refere que existem quatro estádios no processo de evolução dos sintomas musculoesqueléticos, sendo que no estádio I, a pessoa apresenta um desconforto e dor espontânea na zona afetada, melhorando com o repouso; no estádio II, a dor é mais intensa e persistente durante as horas de trabalho, podendo estar acompanhada por sinais de parestesias e calor; no estádio III a intensidade da dor aumenta de forma persistente, com a presença de edema e alteração da sensibilidade e no estádio IV a dor é contínua e intolerável, com a presença de edema e possibilidade de atrofia e deformidade, sendo que a capacidade

Sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros no contexto hospitalar: contributo do enfermeiro de reabilitação

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de trabalho no indivíduo estará condicionada. Assim, a AESST (2019) recomenda medidas preventivas para evitar as lesões musculoesqueléticas, sendo elas a disposição do local de trabalho, nomeadamente na adaptação para melhorar as posturas adotadas; equipamentos ergonómicos e adequados para a realização das atividades; reforçar a sensibilização para os riscos que o local de trabalho apresenta, com o objetivo de desenvolver uma política de prevenção e combate às lesões musculoesqueléticas. A ginástica laboral é também uma das medidas que tem sido mencionada por diversos autores, como Ribeiro (2015) e Duarte, Gonçalves, Ferreira, e Cunha (2017), por apresentar inúmeros benefícios para o trabalhador e para a entidade empregadora, visto que é considerada eficaz na prevenção de lesões musculoesqueléticas, na redução de acidentes de trabalho, na redução do absentismo e no aumento da produtividade, melhorando a qualidade de vida do enfermeiro, através da sua satisfação e motivação (Santos & Almeida, 2012). Pelo papel que desempenha na equipa, cabe ao Enfermeiro Especialista de Enfermagem de Reabilitação (EEER) identificar e contribuir para a resolução dos problemas que possam pôr em causa o bem-estar musculoesquelético dos enfermeiros, pois este interage com a pessoa de forma a desenvolver atividades que permitam maximizar as suas capacidades funcionais, melhorar o desempenho motor e cardiorrespiratório e potencializar o rendimento e o desenvolvimento pessoal (Regulamento n.º 350/2015).

Questões de investigação Qual a prevalência da sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros no contexto hospitalar? Que fatores de risco individuais e organizacionais estão relacionados com a sintomatologia musculoesquelética?

Metodologia Trata-se de um estudo quantitativo de caráter descritivo e correlacional realizado num Centro Hospitalar (CH) da região norte de Portugal. A população refere-se aos enfermeiros que exercem nos serviços de internamento desse

MARIA ISABEL REBELO LOPES DE MOURA et al.

CH (medicina, especialidades médicas, cirurgia, especialidades cirúrgicas, unidade de cuidados intensivos coronários e unidade internamento de doenças infeciosas), que, até à data do pedido de autorização, eram 427 enfermeiros. Importa referir que foram excluídos os profissionais que se encontravam em licença, independentemente do motivo, bem como os enfermeiros que apresentavam experiência profissional inferior a 1 ano. A técnica de amostragem utilizada no estudo foi não probabilística por conveniência, tendo-se obtido uma amostra de 260 enfermeiros (correspondente a 60,9%), pelo que se verifica uma confiabilidade de 95% para uma margem de erro de 3,81%. O estudo foi autorizado pela comissão de ética, de acordo com o parecer n.º 170/2018. Como instrumento de colheita de dados foi utilizado um questionário. A primeira parte do questionário diz respeito aos dados sociodemográficos e profissionais dos enfermeiros que compõem a amostra e na segunda parte foi utilizada o Questionário Nórdico Musculoesquelético (QNM), adaptado e validado por Mesquita, Ribeiro, e Moreira (2010). A colheita de dados foi concretizada no mês de maio de 2018. Importa referir que os enfermeiros que exerciam funções nos serviços onde se realizou o estudo foram esclarecidos sobre os objetivos e sobre os procedimentos inerentes à investigação. Para o tratamento e análise dos dados foi realizada uma matriz de dados através do programa de estatística IBM SPSS Statistics, versão 25.0, permitindo posteriormente a operacionalização e correlação das variáveis. Estatisticamente, utilizaram-se testes não paramétricos assumindo valor de p < 0,10, como valor crítico de significância dos resultados. A escolha deve-se ao facto do número de enfermeiros com sintomatologia musculoesquelética ser reduzido.

Resultados As características sociodemográficas e profissionais dos 260 participantes descrevem-se na Tabela 1. A maioria dos participantes é do género feminino, a exercer funções num horário maioritariamente rotativo. A idade dos participantes varia entre os 25 e 62 anos, sendo a idade média de 40,4 anos, com desvio padrão de 8,7. Relativamente ao tempo de profissão,

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o tempo mínimo é de 1 ano e o máximo de 43 anos, sendo o tempo médio de 16,6 anos, com um desvio padrão de 9. Relativamente à condição física, o índice de massa corporal (IMC) das enfermeiras varia entre os 17,6 e os 37,0. O maior número de

enfermeiras encontra-se na classe de IMC saudável, sendo que o valor de IMC médio é 23,9. Os enfermeiros apresentam o IMC mínimo de 20,0 e existe um enfermeiro com IMC superior a 31,5, sendo que o IMC médio dos enfermeiros é de 25,8 (pré-obesidade).

Tabela 1 Caracterização sociodemográfica e profissional dos enfermeiros n

%

Masculino Feminino

50 210

19,2 80,8

[25-35[

87

33,5%

[35-45[ [45-55[ [55-62]

81 77 15

31,1% 29,6% 5,8%

Habilitações

Bacharelato Licenciatura Mestrado Pós-Graduação Especialidade

2 179 16 17 46

0,8% 68,8% 6,2% 6,5% 17,7%

Especialidade

Médico – Cirúrgica Saúde Comunitária Reabilitação Saúde Infantil e Pediátrica Saúde Materna e Obstetrícia Saúde Mental e Psiquiatria

28 5 9 1 1 2

30,9% 10,9% 19,6% 2,2% 2,2% 4,3%

Horário

Diurno Turnos

48 212

18,5% 81,5%

Horas Semanais

< 40H ≥ 40H

118 142

45,5% 54,7%

260

100,0

Caracterização da Amostra Género

Idades

Total Nota. n = número da amostra; % = percentagem da amostra.

Para avaliar a sintomatologia manifestada pelos enfermeiros foi aplicado o QNM. O número de participantes neste estudo foi de 260 enfermeiros, sendo que 175 desses profissio-

nais apresentaram sensação de dor nos últimos 12 meses em pelo menos um dos segmentos corporais (Tabela 2), sendo a prevalência de queixas de 65,1%.

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Tabela 2 Caracterização da sensação de dor, nos diversos segmentos anatómicos nos últimos 12 meses Dor

Qual segmento

Não Segmento

n

Sim %

Esquerdo

n

%

n

Direito

%

n

Ambos

%

n

%

Coluna cervical

64

24,6

196

75,4

----

-----

----

-----

----

-----

Ombros

108

41,5

152

58,5

27

17,8

49

32,2

76

50,0

Cotovelos

222

85,4

38

14,6

8

21,1

15

39,5

15

39,5

Punho/Mãos

168

64,6

92

35,4

11

12,0

40

43,5

41

44,6

Coluna dorsal

106

40,8

154

59,2

----

-----

----

----

----

-----

Coluna lombar

60

23,1

200

76,9

----

-----

----

----

----

-----

Ancas/Coxas

184

70,8

76

29,2

----

-----

----

----

----

-----

Pernas/Joelhos

136

52,3

124

47,7

----

-----

----

----

----

-----

Tornozelos/Pés

205

78,8

55

21,2

----

-----

----

----

----

-----

Nota. n = número da amostra; % = percentagem da amostra.

Como se evidencia na Tabela 2, o segmento identificado com mais queixas é a coluna lombar (76,9%), seguida da coluna cervical (75,4%) e da coluna dorsal (59,2%). Os segmentos anatómicos menos identificados com sensação de dor musculoesquelética são os cotovelos (14,6%). Em relação aos fatores de risco, apresentar-se-ão os aspetos de caráter individual e organizacional. Nas tabelas seguintes, observa-se a correlação encontrada entre os diferentes fatores de risco e a sintomatologia musculoesquelética. Os fatores de risco individuais abordados são o género, a idade, o IMC e as habilitações literárias, procurando conhecer de que forma estão relacionadas com o sensação de dor nos últimos 12 meses (Tabela 3; Tabela 4). Relativamente ao género do profissional e à sensação de dor musculoesquelética nos últimos 12 meses, nos segmentos da coluna dorsal, ancas/coxas e pernas/joelhos, conclui-se que a proporção de enfermeiras que sentem dor nestes segmentos é superior à dos enfermeiros. Comparativamente, nos restantes segmentos corporais admite-se que as proporções de profissionais que sentem dor e que não sentem dor são iguais para os enfermeiros e para as enfermeiras, ou seja, não existe relação entre o género e o sensação de dor nos respetivos segmentos. Quanto à idade e à sensação de dor nos últimos 12 meses observa-se que, no segmento da coluna dorsal, a idade média dos enfermeiros que sentiram dor é inferior à dos que não sentiram,

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ou seja, a sensação de dor na coluna dorsal diminui com a idade. Nos segmentos anatómicos cotovelos e tornozelos/pés, conclui-se que a idade média dos enfermeiros que sentiram dor é superior à dos que não sentiram, ou seja, a sensação de dor nestes segmentos aumenta com a idade. Nos restantes segmentos anatómicos admite-se que a idade média dos enfermeiros que sentiram dor é igual à dos que não sentiram. Quanto ao IMC e à sensação de dor nos últimos 12 meses nos diversos segmentos corporais, é possível concluir que no segmento da coluna dorsal o IMC médio dos enfermeiros que sentiram dor é inferior ao dos que não sentiram. Nos restantes segmentos, admite-se que o IMC médio dos enfermeiros que sentiram dor é igual ao dos que não sentiram, ou seja, não existe relação entre o IMC e a sensação de dor. Devido ao reduzido número de algumas habilitações literárias por parte dos participantes, o Bacharelato e a Licenciatura foram agrupados numa só categoria designada por 1º ciclo, ao mestrado e pós graduação foi atribuído o 2º ciclo e, por último, o outro grupo é constituído pelos enfermeiros que apresentam a especialidade. Deste modo, no segmento da coluna dorsal, conclui-se que existem diferenças nas proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem entre as diferentes habilitações literárias. Após comparados os três níveis de habilitações entre si, ou seja, 1º ciclo e 2º ciclo, admite-se que as proporções de enfermeiros que sentem e que não sentem dor são iguais

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para os dois ciclos. Relativamente ao 1º ciclo e à especialidade, conclui-se que a proporção de enfermeiros que sentem dor na coluna dorsal é superior para os enfermeiros com o 1º ciclo. Quando comparado o 2º ciclo com a especialidade, a proporção de participantes que sentem dor na coluna dorsal é superior para os enfermeiros com o 2º ciclo. Entre os três grupos de qualificações académicas, verificou-se que os enfermeiros com a especialidade apresentam

menos queixas no segmento da coluna dorsal. Nos restantes segmentos anatómicos, não existe diferenças entre os enfermeiros com o 1º ciclo, o 2º ciclo ou a especialidade. Os fatores de risco organizacionais abordados são o tempo na profissão, os serviços onde desempenham funções, o tipo de horário e a carga horária semanal que os profissionais de enfermagem exercem (Tabela 3; Tabela 4).

Tabela 3 Correlação entre os fatores de risco e a sensação de dor nos últimos 12 meses utilizando o teste estatístico qui-quadrado Habilitações Literárias

Género

Segmento Anatómico

Tipo de horário

Serviço

Carga Horária Semanal

X2

p

X2

p

X2

p

X2

p

X2

p

Coluna Cervical

1,4

0,244

4,7

0,653

4,7

0,096

0,391

0,532

< 0,001

0,999

Coluna Dorsal

5,2

0,023

0,458

0,075

0,458

0,795

0,001

0,982

8,3

0,004

Coluna Lombar

< 0,001

0,999

5,1

0,378

5,1

0,079

0,048

0,827

0,141

0,708

0,305

0,581

0,841

0,29

0,841

0,657

0,033

0,856

0,790

0,374

2

0,155

< 0,001

0,946

< 0,001

0,999

0,451

0,502

8,5

0,004

Punho/Mãos

1,9

0,168

4,3

0,422

4,3

0,118

0,257

0,613

4,1

0,044

Ancas/Coxas

6,1

0,014

0,464

0,239

0,464

0,793

< 0,001

0,999

0,679

0,41

Pernas/Joelhos

6,9

0,009

3,0

0,448

3,0

0,227

< 0,001

0,999

0,646

0,422

Tornozelos/Pés

0,64

0,424

1,5

0,343

1,5

0,222

0,843

0,359

1,2

0,281

Ombros Cotovelos

Nota. p = nível de significância (p < 0,10); X2 = Estatística do Teste qui-quadrado.

Relativamente ao tempo na profissão e à sensação de dor, desconforto e fadiga musculoesquelética nos últimos 12 meses, foi possível observar que nos enfermeiros que apresentam dor nos segmentos anatómicos ombros, cotovelos, punho/mãos, ancas/coxas e tornozelos/pés, o tempo médio na profissão dos que sentiram dor é superior ao dos que não sentiram, ou seja, o sentimento de dor aumenta com o tempo de profissão. Contudo, no segmento da coluna dorsal, conclui-se que o tempo médio na profissão dos enfermeiros que sentiram dor é inferior ao dos que não sentiram, sendo que a sensação de dor diminui com o tempo de profissão. Nos restantes segmentos admite-se que não existe relação entre o tempo na profissão e a sensação de dor. Procedeu-se também ao agrupamento por classes de serviço onde os enfermeiros exercem funções, nomeadamente, serviços da área cirúrgica,

serviços da área médica e serviços de unidade, visto que o número de serviços encontrados na amostra é muito elevado. Em relação aos segmentos corporais, coluna cervical, coluna dorsal, coluna lombar, ombros, punho/mãos, ancas/coxas e pernas/joelhos, conclui-se que não existem diferenças nas proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem entre os diferentes serviços. Quanto aos segmentos anatómicos cotovelos e tornozelos/pés não foi possível realizar o teste para os três serviços porque existem apenas dois e três enfermeiros dos serviços de unidade que sentiram dor. Deste modo, apenas se compararam os serviços da área cirúrgica e da área médica, admitindo-se que não existe relação entre o serviço onde os enfermeiros desempenham funções e a sensação de dor. Quanto ao tipo de horário que os enfermeiros praticam, nomeadamente diurno ou o rotativo,

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admite-se que para todos os segmentos anatómicos as proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem são iguais para os dois tipos de horário, ou seja, não existe relação entre o tipo de horário e a sensação de dor. Relativamente à carga horária semanal que os enfermeiros praticam, foram definidas duas categorias, uma referente à carga semanal inferior a 40 horas, e outra, igual ou superior a 40 horas. No segmento anatómico da coluna dorsal, conclui-se que a proporção de

enfermeiros que sentem dor é maior para os que têm uma carga horária de pelo menos 40 horas. Nos segmentos anatómicos cotovelos e punhos/ mãos conclui-se que a proporção de enfermeiros que sentem dor nos punhos/mãos é maior para os que têm uma carga horária inferior a 40 horas. Quanto aos restantes segmentos anatómicos, admite-se que as proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem são iguais para ambas as cargas horárias.

Tabela 4 Correlação entre os fatores de risco e a sensação de dor nos últimos 12 meses utilizando teste estatístico Mann-Whitney Tempo atual na profissão U Coluna Cervical

Idade

p

IMC

U

p

U

p

6231

0,938

6228

0,934

6628

0,496

Coluna Dorsal

9672,5

0,011

9909,5

0,003

9862,5

0,004

Coluna Lombar

5959,5

0,938

6395

0,44

6121

0,814

Ombros

7098,5

0,063

7478,5

0,222

7845,5

0,545

Cotovelos

2981,5

0,004

2962

0,003

3917,5

0,484

6417

0,024

6859,5

0,134

6834,5

0,124

Punho/Mãos Ancas/Coxas

5906

0,049

6104,5

0,107

7226,5

0,671

Pernas/Joelhos

7564,5

0,152

8121

0,608

8212,5

0,718

Tornozelos/Pés

4665

0,049

4746,5

0,072

5426

0,67

Nota. p = nível de significância (p < 0,10); U = Teste Mann-Whitney

Para aferir se a utilização de equipamento de auxílio à prática de cuidados de enfermagem contribui para a diminuição do número de queixas musculoesqueléticas nos enfermeiros, foi analisada a distribuição da sensação de dor nos últimos 12 meses para os vários segmentos (Tabela 5). A utilização dos equipamentos no auxílio à transferência de doentes foi confirmada apenas por uma minoria dos participantes, 75 enfermeiros (28,8%). No segmento corporal cotovelo conclui-se que a proporção de enfer-

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meiros que sentem dor é maior entre os que utilizam equipamento de auxílio à transferência de doentes do que entre os que não utilizam. Contrariamente, nos restantes segmentos anatómicos pode admitir-se que as proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem são iguais para os enfermeiros que utilizam e para os que não utilizam equipamento de auxílio à transferência de doentes, ou seja, não existe relação entre a utilização deste equipamento e a sensação de dor.

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Tabela 5 Correlação entre a utilização de equipamento de auxílio à prática de cuidados e a sensação de dor nos últimos 12 meses Transferência de doentes Segmento Anatómico

Atividades de higiene e deambulação

Auxílio à movimentação de doentes na cama

X2

p

X2

p

X2

p

Coluna Cervical

0,09

0,76

0,241

0,623

0,005

0,941

Coluna Dorsal

0,066

0,797

0,047

0,829

0,598

0,44

Coluna Lombar

0,004

0,95

3,6

0,058

1,2

0,27

Ombros

0,211

0,646

0,445

0,505

0,0005

0,983

Cotovelos

6,4

0,01

4,4

0,035

0,069

0,793

Punho/Mãos

2,0

0,156

0,764

0,382

< 0,001

> 0,999

Ancas/Coxas

0,03

0,862

0,736

0,391

0,332

0,564

Pernas/Joelhos

0,225

0,635

2,1

0,143

0,476

0,490

Tornozelos/Pés

0,3

0,584

3,2

0,076

0,604

0,437

2

Nota. p = nível de significância (p < 0,10); X = Teste qui-quadrado.

Quanto à utilização dos equipamentos no auxílio às atividades de higiene e de deambulação foi respondido afirmativamente por 94 enfermeiros (36,2%). Nos segmentos anatómicos, coluna lombar, cotovelos e tornozelos/pés, conclui-se que a proporção de enfermeiros que sentem dor nestes segmentos é maior entre os que utilizam equipamento de auxílio às atividades de higiene e à deambulação do que entre os que não utilizam. Nos restantes segmentos corporais, admite-se que as proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem são iguais para os enfermeiros que utilizam e para os que não utilizam os equipamentos. Os enfermeiros que utilizam os equipamentos no auxílio à movimentação de doentes na cama correspondem a 54 enfermeiros (20,8%). Nestes casos, em todos os segmentos anatómicos admite-se que as proporções de enfermeiros que sentem dor e que não sentem são iguais para os enfermeiros que utilizam e para os que não utilizam equipamento de auxílio à movimentação de doentes na cama.

Discussão Para além da determinação da prevalência da sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros no contexto hospitalar, este estudo procurou identificar os fatores de risco individuais e organizacionais, bem como determinar

se os enfermeiros do CH em estudo utilizavam os dispositivos de auxílio durante a sua prática de cuidados. A amostra foi constituída pelos enfermeiros que exercem nos diversos serviços de internamento do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), com experiência profissional igual ou superior a 1 ano, sendo que 65,1% dos participantes apresentaram sensação de dor, desconforto e fadiga musculoesqueléticas nos últimos 12 meses. Pela análise dos resultados, podemos observar que o segmento anatómico da região lombar (76,9%) foi o que apresentou um maior número de queixas por parte dos enfermeiros, o que vai ao encontro de diversos estudos, nomeadamente, Cordeiro (2015), Torres et al. (2017) e Yan et al. (2017). Relativamente aos fatores de risco individuais e de carater organizacional, foi possível observar que houve relação entre alguns deles e a presença de dor nos últimos 12 meses. O género feminino apresenta mais queixas musculoesqueléticas ao nível dos segmentos da coluna dorsal, ancas/coxas e pernas/joelhos, tal como acontece no estudo de Lima et al. (2014), em que de facto, são as enfermeiras que mais queixas musculoesqueléticas apresentam (47,4%) comparativamente com o género masculino (18,6%). Pelo referido, depreende-se que o género feminino apresenta sensação de dor musculoesquelética superiores quando comparado com o género masculino. Já relativamente à idade, a dor musculoesquelética aumenta

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quanto maior for a idade, nos segmentos dos cotovelos e tornozelos/pés, contudo a dor na coluna dorsal diminui com a idade. Uma das explicações para o mencionado pode ser o facto das enfermeiras que participaram no estudo serem maioritariamente jovens, possivelmente com filhos em idade pré-escolar, o que poderá potenciar as queixas nesse segmento corporal. Apesar do mencionado não ter sido estudado nesta investigação, constitui um aspeto a incluir noutras pesquisas. Importa referir que não se encontraram estudos que abordassem este dado. Relativamente às habilitações literárias podemos observar que os enfermeiros com a especialidade apresentam menos dores na coluna dorsal que os enfermeiros licenciados, mestres ou com o bacharelato. Destes dados emerge a possibilidade de os conhecimentos apresentados pelos enfermeiros com especialidade culminarem na adoção de comportamentos preventivos, o que também constitui um aspeto pertinente a ser alvo de investigação futura. A maioria das enfermeiras apresentam um IMC considerado saudável, tal como acontece no estudo de Jerónimo (2013), e os enfermeiros apresentam maioritariamente pré-obesidade, o que se reflete no agravamento das queixas na coluna dorsal. Nos segmentos ombros, cotovelos, punhos/ mãos, ancas/coxas, pernas/ joelhos e tornozelos/ pés a dor aumenta com o tempo de profissão, contrariamente ao que acontece com a coluna dorsal. Este resultado está coerente com o mencionado anteriormente em relação à idade das enfermeiras. Podemos ainda constatar que a dor é maior para quem trabalha menos de 35 horas, nos segmentos anatómicos cotovelos e punhos/ mãos. Já ao nível da coluna dorsal pode observar-se que a dor é maior para quem trabalha pelo menos 40 horas. Após a divisão dos serviços pelas diferentes áreas, contatou-se que não existe nenhuma relação entre os serviços onde os enfermeiros desempenham funções atualmente e a sensação de dor nos diversos segmentos corporais. Oliveira (2017), refere que a maior parte da população que abrange a região de Trás-os-Montes e Alto Douro é maioritariamente envelhecida, com morbilidades e necessidades acrescidas, o que pressupõe que existem doentes com elevado nível de dependência, independentemente do serviço onde estes se encontram internados.

MARIA ISABEL REBELO LOPES DE MOURA et al.

Para além do mencionado, constatou-se que a maior parte dos participantes apresenta comportamentos de risco durante o exercício profissional, mais concretamente o não uso dos equipamentos de auxílio à prática de cuidados. Apenas uma minoria dos enfermeiros é que utiliza os equipamentos de auxílio à prática de cuidados, nomeadamente, 28,8% dos profissionais que participaram no estudo utilizam os dispositivos de auxílio à transferência de doentes; 36,2% utilizam equipamentos de apoio durante a higiene e a deambulação e 20,8% dos enfermeiros utilizam os equipamentos no auxílio à movimentação de doentes na cama. Torna-se, assim, importante relembrar os enfermeiros da existência destes equipamentos e da sua manipulação, caso contrário só apenas quando estes profissionais apresentarem dor ou patologia é que os vão utilizar. De facto, pelos resultados obtidos no nosso estudo depreendemos que os profissionais que sentiram dor procuraram utilizar alguns dos diversos equipamentos de auxílio à prestação de cuidados, em função desse mesmo desconforto. Martins (2008) verificou que 79,7% e 78,6% dos enfermeiros utilizam o elevador de transferência e o transfere. Pelo contrário, apenas 28,8% dos enfermeiros do CHTMAD os utilizam. No estudo de Torres et al. (2017), 88% dos inquiridos referem a existência de meios de auxilio às atividades de transferência, mas que apenas 24% os utiliza em mais de 50% das situações, referindo um número reduzido de equipamentos nos serviços, a condição física do doente e o tempo excessivo de utilização e manuseamento difícil, como as principais razões apontadas para a reduzida utilização dos equipamentos. Martins (2008) refere que os profissionais de enfermagem apresentam uma perceção do risco de desenvolvimento de sintomatologia musculoesquelética nas atividades de enfermagem e nas posturas que adotam durante a prestação de cuidados, no entanto, para diminuir o esforço físico e diminuir o risco em que a situação os coloca, utilizam frequentemente a colaboração do colega. Desta forma, apesar do enfermeiro apresentar competências para transferir corretamente um doente, o facto de estar constantemente a repetir esta tarefa durante o turno de trabalho e para com diferentes doentes, contribui para um risco agravado de lesão musculoesquelética. Face à problemática

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descrita ao longo deste artigo, Fernandes et al. (2018) e Serranheira, Cotrim, Rodrigues, Nunes e Sousa-Uva (2012), propõem a adoção de programas de intervenção para a redução da sintomatologia musculoesquelética nos profissionais. Como exemplo, tem-se abordado a implementação de um programa multifatorial para a redução da sintomatologia musculoesquelética ligada ao trabalho, de acordo com a prevalência de lesões, e de forma a colmatar uma mecânica corporal deficiente, bem como a falta de treino para técnicas de manuseamento de cargas (Fernandes et al., 2018). Para além disso, Torres et al. (2017) e Ribeiro (2015) identificam a importância da ginástica laboral como uma intervenção a ser executada para minorar o risco de lesões musculoesqueléticas nos enfermeiros, uma vez que esta tem como objetivo a promoção da saúde do profissional, e relativamente à qual o EEER poderá ter um contributo fundamental. Como limitações deste estudo, apontamos o facto de apenas ter sido realizado num CH, bem como, a opção por uma técnica de amostragem não probabilística, o que poderá ter determinado o perfil dos participantes, nomeadamente, em relação à idade.

Conclusão Os enfermeiros apresentam uma alta prevalência de desenvolvimento de sintomatologia musculoesquelética ligadas ao trabalho, sendo fundamental consciencializá-los para esta problemática. Pode concluir-se que a maioria dos enfermeiros manifesta sintomas ao nível do sistema musculoesquelético em pelo menos um segmento, sendo que as queixas mais frequentes se centram na coluna lombar, cervical e dorsal, o que corrobora os resultados de outros estudos já previamente realizados, quer no âmbito nacional ou internacional. Além disso, após analisados os fatores de risco que os enfermeiros apresentam, concluiu-se que é o fator tempo que mais condiciona o aparecimento destes sintomas. Quanto aos dispositivos de auxílio à prática de cuidados, observou-se que a maioria dos enfermeiros não os utiliza, ou quando recorre a estes é porque já apresenta sintomatologia associada. Para além disso, face aos resultados obtidos neste estudo, propomos

o desenvolvimento de um programa que sensibilize os enfermeiros que desempenham funções nos serviços de internamento do hospital a prática de ginástica laboral de forma a minorar a sintomatologia musculoesquelética nesta classe profissional, e consequentemente reduzir as suas consequências. O EEER desempenhará aqui um papel de elevada importância, definindo e implementando o programa de forma a obter os objetivos propostos. Referências bibliográficas Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho. (2019). Lesões musculoesqueléticas. Recuperado de https://osha.europa.eu/pt/themes/musculoskeletal-disorders American Nurses Association. (2011). 2011 ANA health & safety survey. Recuperado de http://www.nursingworld.org/MainMenuCategories/WorkplaceSafety/ Healthy-Work-Environment/Work-Environment/ 2011-HealthSafetySurvey.html Carpenter, H., & Dawson, M. (2015). Keeping nurses healthy, safe, and well. American Nurse Today, 10(9), 6-8. Recuperado de https://www.americannursetoday.com/wp-content/uploads/2015/09/Special-Report-Workforce-Keeping.pdf Cordeiro, A. R. (2015). Lesões músculo-esqueléticas ligadas ao trabalho em enfermeiros: prevalência e fatores determinantes (Dissertação de mestrado). Instituto Politécnico de Viseu, Escola Superior de Saúde de Viseu, Portugal. Recuperado de http://repositorio. ipv.pt/handle/10400.19/3136 Direcção-Geral da Saúde. (2008). Lesões musculoesqueléticas relacionadas com o trabalho: Guia de orientação para prevenção. Lisboa, Portugal: Autor. Recuperado de https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/ lesoes-musculoesqueleticas-relacionadas-com-o-trabalho-pdf.aspx Duarte, M. S., Gonçalves, N. R., Ferreira, G. N., & Cunha, R. G. (2017). O impacto de um programa de ginástica laboral mensurado através do questionário nórdico de sintomas. Revista Científica de Saúde do Centro Universitário Belo-Horizonte, 10(1), 1-12. Recuperado de https://revistas.unibh.br/dcbas/article/ view/2007/pdf Fernandes, C. S., Couto, G., Carvalho, R., Fernandes, D., & Ferreira, P. (2018). Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho autorreferidos por profissionais de saúde de um hospital em Portugal. Revista Brasileira de Medicina do Trabalho, 16(3), 353-359.

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MARIA ISABEL REBELO LOPES DE MOURA et al.

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ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19057

Terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral Nursing therapies in the person with post-stroke dysphagia Terapias de enfermería para la persona con problemas de deglución después de un accidente cerebrovascular Isabel de Jesus Oliveira*

; Germano Rodrigues Couto**

; Liliana Andreia Neves da Mota***

Resumo Enquadramento: A disfagia é uma das complicações do acidente vascular cerebral, com sérias repercussões na capacidade da pessoa para a reconstrução da autonomia e graves complicações respiratórias, nutricionais e psicológicas. Objetivo: Identificar os focos/diagnósticos e intervenções, documentados pelos enfermeiros, em resposta às necessidades de cuidados à pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral. Metodologia: Estudo exploratório, descritivo e retrospetivo, realizado num serviço de internamento num centro de reabilitação, com recurso a análise estatística descritiva da documentação de enfermagem entre janeiro e maio de 2019. Resultados: Os diagnósticos mais frequentemente documentados são no domínio do autocuidado (53,9%) e as intervenções documentadas em maior número são da ação do tipo observar (49,2%). Os registos no domínio da deglutição, quer nos diagnósticos, quer nas intervenções, são escassos. Conclusão: Nas terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após AVC existem intervenções dirigidas a este foco, independentemente dos diagnósticos documentados. Os resultados sugerem que, apesar de se constituir como foco de atenção na prática dos enfermeiros, existirá alguma limitação na sua documentação. Palavras-chave: acidente vascular cerebral; deglutição; cuidados de enfermagem; sistemas de informação

Abstract

Resumen

Background: Dysphagia is one of the complications of stroke, with a severe impact on the person’s capacity to recover autonomy, and severe respiratory, nutritional, and psychological complications. Objective: To identify the foci/diagnoses and interventions, documented by nurses, in response to the care needs of the person with post-stroke dysphagia. Methodology: An exploratory, descriptive, and retrospective study was conducted in an inpatient service of a rehabilitation center, using descriptive statistical analysis in nursing documentation between January and May 2019. Results: The diagnoses most frequently documented are related to self-care (53.9%), and the most documented interventions are of the observing type (49.2%). Documentation of swallowing-related diagnoses and interventions is scarce. Conclusion: There are interventions directed at this focus in nursing care to the person with post-stroke dysphagia, regardless of the documented diagnoses. The results suggest that, although they constitute a focus of attention in nursing practice, their documentation is limited.

Marco contextual: La disfagia es una de las complicaciones del accidente cerebrovascular, con graves repercusiones en la capacidad de la persona para reconstruir su autonomía, así como graves complicaciones respiratorias, nutricionales y psicológicas. Objetivo: Identificar el enfoque/diagnóstico y las intervenciones documentadas por los enfermeros en respuesta a las necesidades de atención de la persona con problemas de deglución después de un accidente cerebrovascular. Metodología: Se realizó un estudio exploratorio, descriptivo y retrospectivo en un servicio de hospitalización en un centro de rehabilitación, para el cual se utilizó un análisis estadístico descriptivo de la documentación de enfermería entre enero y mayo de 2019. Resultados: Los diagnósticos documentados con más frecuencia se dan en el campo del autocuidado (53,9%), y las intervenciones más documentadas son de tipo observatorio (49,2%). Los registros en el campo de la deglución, tanto en el diagnóstico como en las intervenciones, son escasos. Conclusión: En las terapias de enfermería para pacientes con problemas de deglución después de sufrir un ACV, existen intervenciones dirigidas a este foco, independientemente de los diagnósticos documentados. Los resultados sugieren que, a pesar de ser un foco de atención en la práctica de los enfermeros, habrá algunas limitaciones en su documentación.

Keywords: stroke; swallowing; nursing care; information systems *Pós-Graduação, Professora Adjunta, Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa, 3720-126, Oliveira de Azeméis, Portugal [ijoliveira12@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0001-6627-3907. Contribuição no artigo: pesquisa bibliográoO8¶±bO†|8YbY8Y´¶¼±8¼8‰bŒ¼b8Ç8†8QEb´¼8¼€´¼O8¶8Œ9†´bYbY8Y´¶Y´OÁ´´E Y´±b´Á†¼8Y´¶±bY8QEY8±¼t¡±8Y8œ8±8O±±b´œŒYdŒO8U*Á8Y8 ±ÁÍ2b±‰blha, Cidacos - Apartado 1002, 3720-126, Oliveira de Azeméis, Portugal. **Ph.D., Professor Associado, Universidade Fernando Pessoa, 4249-004, Porto, Portugal [grcouto@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-5423-7375. Contribuição Œ8±¼tU8Œ9†´bYbY8Y´¶Y´OÁ´´EY´±b´Á†¼8Y´¶±bÇ´Et†F8†Y8±¼t¡ ***Ph.D., Professora Adjunta, Escola Superior de Saúde Norte da Cruz Vermelha Portuguesa, 3720-126, Oliveira de Azeméis, Portugal [saxoenfermeira@gmail.com]. |¼¼œ´U¹¹±OY¡±t¹ÎÎÎÎ~ÎÎν~½½p·~·gs¡ Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU8Œ9†´bYbY8Y´¶ Y´OÁ´´EY´±b´Á†¼8Y´¶±bÇ´Et†F8†Y8±¼t¡

Revista de Enfermagem Referência

Palabras clave: accidente cerebrovascular; deglución; atención de enfermería; sistemas de información *bObFYœ8±8œÁF†O8QEb‰UÀ·¡Îg¡— Aceite para publicação em: 24.10.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 133 - 140


Introdução O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e morbilidade em Portugal, sendo que em 2016 representou cerca de 23.400 episódios de internamento (Direção-Geral da Saúde, 2017) e, destes clientes, mais de metade terá experienciado alguma dificuldade em deglutir durante o processo de doença, considerando a elevada incidência da disfagia após o AVC (Takizawa, Gemmell, Kenworthy, & Speyer, 2016). De instalação súbita, tem um impacte negativo na capacidade para o autocuidado, enquanto atividade executada pela pessoa que implica “manter-se operacional e lidar com as necessidades individuais básicas e íntimas e as atividades de vida diária” (Conselho Internacional de Enfermeiros, 2016, p. 42), o que resulta frequentemente em algum grau de dependência, estando associado a múltiplas complicações (Krishnamurthi et al., 2015). A disfagia é uma das complicações do AVC, com elevada incidência nas primeiras semanas (até 65%) e com sérias repercussões na capacidade da pessoa para a reconstrução da autonomia, podendo conduzir a graves complicações respiratórias, nutricionais e psicológicas, traduzindo-se em pior qualidade de vida (Cohen et al., 2016). Apesar de reconhecida a sobrecarga para a pessoa, cuidadores, profissionais de saúde e serviços de saúde, este não é um foco de atenção dos profissionais de saúde (Dziewas et al., 2017). Na senda da procura contínua da melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem importa analisar criticamente as práticas de cuidados, confrontando-as com a melhor evidência disponível e a forma como estas são documentadas. Neste sentido, considera-se pertinente identificar os focos/diagnósticos e intervenções, documentados pelos enfermeiros, em resposta às necessidades de cuidados à pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral. Estes resultados serão preponderantes para a compreensão da relevância dada na documentação dos cuidados de enfermagem à pessoa com AVC, tendo em especial atenção os focos relacionados com o compromisso da deglutição, considerando que a “melhoria contínua da assistência aos clientes depende do desenvolvimento de uma análise crítico-reflexiva dos

cuidados implementados, confrontando-os com a melhor evidência, de forma a construir uma prática diária que melhor responda às reais necessidades dos clientes” (Mota, Bastos, & Brito, 2018, p. 20).

Enquadramento A disfagia é definida como uma dificuldade em deglutir, resultante de um atraso na duração do fluxo de bolus, penetração/aspiração das vias aéreas e/ou a existência de resíduos pós-deglutórios na cavidade faríngea (Cohen et al., 2016). Na pessoa com AVC, a disfagia aumenta a probabilidade de morte, de incapacidade, de infeção respiratória, de desidratação, de desnutrição, de tempo de internamento hospitalar e a diminuição da qualidade de vida (Wirth et al., 2016). No entanto, apesar das consequências da disfagia serem devastadoras, estas não lhe são frequentemente atribuídas (Wirth et al., 2016). Em concreto, a pneumonia, que é uma das mais importantes complicações modificáveis do AVC, beneficiaria significativamente da implementação de estratégias de prevenção, essencialmente na redução do risco de aspiração (Cohen et al., 2016). São vários os fatores que contribuem para dificuldade de reconhecimento da disfagia como uma condição clínica per se, nomeadamente a heterogeneidade na nomenclatura, diagnóstico, avaliação e abordagem terapêutica à pessoa com disfagia, a falta de evidência de elevada qualidade, a ausência de orientações clínicas específicas e o facto de a sua etiologia ser multifatorial (Dziewas et al., 2017). Neste contexto, os enfermeiros poderão desempenhar um papel crucial, considerando que são os enfermeiros os que maior contacto têm com a pessoa, encontrando-se numa posição privilegiada para a identificação precoce de complicações e intervenção atempada, traduzindo-se em ganhos em saúde para a pessoa com AVC (Hines, Kynoch, & Munday, 2016). Daqui resulta um desafio acrescido para a pessoa, cuidador e para os profissionais de saúde na resposta à situação de saúde/doença. As alterações de saúde/doença criam um processo de mudança e a pessoa tende a ser mais vulnerável aos riscos que podem, por sua vez, afetar ainda mais a sua saúde, permitindo assim, de facto, ser interpretado como uma transição com relevância para a enfermagem (Meleis, Swayer, Im,

Terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral

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Hilfinger, & Schumacher, 2000). O enfermeiro tem um papel preponderante como facilitador durante este processo de transição saúde/doença considerando que é quem mais contacto tem com quem vivencia processos de transição, seja antes, durante ou depois das mesmas. Reconhecidas as dificuldades existentes na abordagem terapêutica à pessoa com deglutição comprometida, importa compreender quais as práticas dos enfermeiros, para que, a partir daqui, seja possível sistematizar a abordagem terapêutica à pessoa com deglutição comprometida, suportada na melhor evidência disponível e no contexto da melhoria contínua da qualidade dos cuidados de enfermagem. Os Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (PQCE), que enformam o exercício profissional dos enfermeiros, aludem explicitamente para a necessidade da existência de um “sistema de registos que incorpore sistematicamente, entre outros dados, as necessidades de cuidados de enfermagem do cliente, as intervenções de enfermagem e os resultados sensíveis às intervenções de enfermagem obtidos pelo cliente” (Ordem dos Enfermeiros, 2012, p. 18). O Resumo Mínimo de Dados de Enfermagem (RMDE), definido com uma orientação clara para os Enunciados Descritivos dos PQCE, elucida quais os achados clínicos e indicadores considerados mais relevantes para a produção obrigatória, regular e sistemática de dados de enfermagem (Ordem dos Enfermeiros, 2007). No core de focos identificados no RMDE e considerados como mais relevantes podemos encontrar o foco aspiração, o autocuidado, a queda e a úlcera de pressão (Ordem dos Enfermeiros, 2007). Este core de focos, traduzidos no conjunto dos diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem, são capazes de refletir o contributo único dos cuidados de enfermagem para os ganhos em saúde da população. Fundamenta-se, assim, a importância da identificação das terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após o AVC.

Questão de Investigação Quais os focos/diagnósticos e intervenções de enfermagem mais frequentemente documentados pelos enfermeiros, na pessoa com deglutição comprometida após o AVC?

ISABEL DE JESUS OLIVEIRA et al.

Metodologia O estudo desenvolveu-se num serviço de internamento de um centro de reabilitação de Portugal. Nesta instituição, a documentação efetuada pelos enfermeiros é realizada no aplicativo informático SClínico®, com recurso à linguagem classificada, Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem® (CIPE), na sua versão beta 2, tendo já sido integrados termos das versões mais recentes (Conselho Internacional de Enfermeiros, 2016). Este estudo teve um caráter exploratório, descritivo e retrospetivo. Foi realizada uma análise à documentação de enfermagem registada no SClínico® pelos enfermeiros. Os dados recolhidos reportam-se aos registos efetuados no sistema de informação em uso durante o período compreendido entre janeiro e maio de 2019. Como critérios de inclusão consideraram-se para análise os registos de pessoas admitidas com diagnóstico clínico de AVC e que consentiram o acesso aos seus processos clínicos informatizados, tendo-se obtido registos dos processos clínicos de 16 clientes. Para a análise dos dados foram considerados os princípios conceptuais da CIPE®, no que se refere aos focos da prática de enfermagem e respetivos juízos para a construção diagnóstica, assim como as intervenções de enfermagem com integridade referencial, isto é, “as ações de enfermagem e as áreas de atuação consideradas para a construção das intervenções, que correspondem diretamente aos diagnósticos de enfermagem identificados na produção de ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de enfermagem” (Mota et al., 2018, p. 22). Foram também considerados na análise os dados recolhidos, processados e documentados pelos enfermeiros na avaliação inicial. Os dados foram exportados do sistema de informação eletrónico para uma base de dados e dada a sua natureza foram sujeitos a estatística descritiva com recurso ao IBM SPSS® Software, versão 25.0. O estudo foi autorizado pela Comissão de Ética para a Saúde da instituição, assim como pelo Conselho de Administração. Para o acesso aos dados registados no sistema de informação foi obtido consentimento de todos os participantes ou seus representantes legais. Na exportação dos dados do sistema de informação para o software de tratamento estatístico, todos os dados foram anonimizados, não

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sendo possível qualquer identificação dos participantes envolvidos (clientes e enfermeiros).

Resultados Foram analisados retrospetivamente os registos documentais de 16 clientes admitidos no serviço com diagnóstico de acidente vascular cerebral e produzidos durante o período compreendido

entre 3 de janeiro e 31 de maio de 2019. A média de dias de internamento no momento da análise dos processos de enfermagem foi de 35 dias. Da análise dos dados documentados na avaliação inicial foram identificados sete clientes com deglutição comprometida no momento da admissão no serviço. O foco de enfermagem mais frequentemente identificado foi o autocuidado (53,9%) de entre 197 no total (Tabela 1).

Tabela 1 Focos de Enfermagem identificados n

%

Autocuidado

106

53,9

Eliminação

21

10,7

Foco

Queda

16

8,2

Úlcera de pressão

16

8,2

Maceração

8

4,0

Comunicação

8

4,0

Equilíbrio corporal

6

3,0

Ansiedade

4

2,0

Ferida

4

2,0

Vómito

3

1,5

Expetorar

2

1,0

Adesão ao regime terapêutico

1

0,5

Aspiração

1

0,5

Insónia Total

Analisado o foco autocuidado, os autocuidados beber e higiene foram identificados em todos os clientes (16), seguidos dos autocuidados alimentar-se e transferir-se (15), vestir-se (14), posicionar-se (11), levantar-se (9), andar com auxiliar de marcha (5), andar (3) e mover-se em cadeira de rodas (2). Os juízos mais frequentemente utilizados para a construção diagnóstica foram a dependência e o compromisso, com uma frequência de 116 e 42, respetivamente, e correspondendo a 50% e a 18,1% dos diagnósticos formulados. Atendendo ao objetivo deste estudo – identificar quais os diagnósticos de enfermagem e as

1

0,5

197

100

intervenções que os enfermeiros documentam na pessoa com deglutição comprometida após AVC – o único diagnóstico identificado foi risco de aspiração. Relativamente a intervenções documentadas com integridade referencial para este diagnóstico, a única intervenção identificada foi do tipo observar: Avaliar risco de aspiração. Seguidamente foram analisadas as intervenções planeadas. De um total de 825 intervenções planeadas, pode constatar-se que as intervenções do tipo observar foram as mais frequentemente utilizadas, conforme se pode verificar pela Tabela 2.

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Tabela 2 Resumo do número de intervenções identificadas por tipo de ação n

%

Observar

406

49,2

Atender

177

21,5

Gerir

85

10,3

Informar

84

10,2

Tipo de Ação

Executar

73

8,8

Total

825

100

venção assistir e na ação informar, a intervenção instruir constitui a maioria das intervenções planeadas (Tabela 3).

Considerando o tipo de ação, analisaram-se ainda as intervenções documentadas com maior frequência. Na ação do tipo observar destaca-se a intervenção avaliar, na ação atender, a interTabela 3 Intervenções planeadas por tipo de ação Tipo de Ação

Observar

Atender

Informar

%

49,2

Intervenções

%

Avaliar

62,1

Monitorizar

23,7

Vigiar

13,5

Inspecionar/Supervisionar

0,7

Assistir

58,2

Incentivar

37,3

21,5

Aliviar/Disponibilizar/Encorajar/Escutar/Promover

4,5

Instruir

51,2

Ensinar

36,9

Treinar

11,9

10,2

No que respeita especificamente às intervenções potencialmente relacionadas com deglutição

comprometida, foram identificadas as intervenções presentes na Tabela 4.

Tabela 4 Número de intervenções relacionadas com deglutição comprometida Intervenção

n

Vigiar refeições

13

Alimentar através de sonda

5

Otimizar sonda nasogástrica

4

Vigiar conteúdo gástrico

2

Executar técnica de posicionamento preventiva de aspiração

2

Inserir sonda nasogástrica

2

Lavar boca

2

Avaliar capacidade para alimentar-se através de sonda

2

Assistir alimentar-se através de sonda

2

ISABEL DE JESUS OLIVEIRA et al.

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Avaliar deglutição

1

Avaliar risco de aspiração

1

Inspecionar cavidade oral

1

Supervisionar dieta

1

Remover sonda nasogástrica

1

Total

39

Discussão No período em análise observaram-se os registos documentais de 16 clientes admitidos num serviço de internamento de um centro de reabilitação com diagnóstico de AVC. Dos resultados salienta-se, no âmbito da avaliação inicial, a existência de sete clientes com registo de deglutição comprometida à data da admissão, sendo que de tal não resultaram diagnósticos de enfermagem relacionados quer com a deglutição comprometida, quer com o risco de aspiração. Seria expectável que a informação contida na avaliação inicial providenciasse dados que estivessem refletidos na planificação dos cuidados. Não existe integridade referencial entre os dados documentados na avaliação da condição da pessoa e os focos identificados pelos enfermeiros. Aliás, Abreu, Barroso, Segadães, e Teixeira (2015) salientam esta questão ao referir que a história clínica proporciona toda a informação sobre o cliente no momento do internamento e fornece fundamento para que a equipa de enfermagem planeie melhor e mais uniformemente os cuidados de enfermagem durante o internamento. De facto, os diagnósticos de enfermagem mais frequentemente identificados foram os da dependência no autocuidado. Isto ressalta a relevância dada pelos enfermeiros ao autocuidado, enquanto o core dos cuidados de enfermagem no domínio das intervenções autónomas, indo ao encontro das prioridades e referenciais para a prática, definidos pela Ordem dos Enfermeiros (2007; 2012). No RMDE, no core de focos considerados mais relevantes, o tipo de autocuidados identificados são o alimentar-se, a higiene pessoal, o transferir-se, o uso de sanitário, vestir e andar (Ordem dos Enfermeiros, 2007), indo ao encontro dos tipos de autocuidados mais identificados neste contexto de prática clínica à pessoa após AVC. Também o foco aspiração se encontra referenciado no RMDE como relevante para a prática de enfermagem (Ordem

dos enfermeiros, 2007), capaz de refletir ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de enfermagem, no entanto, e apesar do compromisso da deglutição estar identificada na avaliação inicial de sete clientes, apenas um diagnóstico foi formulado com este foco. Da análise da totalidade das 825 intervenções por tipo de ação, verificou-se que 49,2% são do tipo observar, sendo que este tipo de intervenção produz informação útil para a avaliação da condição clínica da pessoa e para a continuidade dos cuidados, contudo não produz diretamente ganhos sensíveis aos cuidados de enfermagem. Estas intervenções revelam “a ênfase de uma intencionalidade orientada para prevenção de complicações e para deteção precoce de agravamento da situação clínica” (Machado, 2013, p. 198). Mota et al. (2018) referem que estas intervenções evidenciam igualmente a utilidade dos dados para outros profissionais da equipa de saúde, nomeadamente os médicos, levando à sua valorização pelos enfermeiros nos processos de recolha, processamento e documentação. Estes resultados vão ao encontro dos resultados encontrados por estes autores na análise às intervenções implementadas por enfermeiros num contexto de consulta externa, verificando que 57,07% das intervenções implementadas eram do tipo observar. Também, Padilha (2013) na análise das intervenções de enfermagem documentadas em contexto de internamento verificou que 41,01% das intervenções são do tipo observar. Estes resultados salientam a notoriedade das atividades de vigilância na ação dos enfermeiros (Machado, 2013). Relativamente às intervenções potencialmente relacionadas com a deglutição, identificam-se algumas intervenções, o que sugere que os enfermeiros, independentemente dos diagnósticos documentados, planeiam intervenções dirigidas a este foco. Num estudo anterior, foram já identificadas incongruências entre os diagnósticos e as intervenções, denotando uma aparente confusão na documentação

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e na utilização dos conceitos/terminologias, sugerindo a necessidade de melhorar a operacionalização destes conceitos nas equipas de enfermagem, adequando o que os enfermeiros valorizam através da documentação das reais necessidades dos clientes (Abreu et al., 2015). Efetivamente, da totalidade dos diagnósticos identificados, apenas um estava relacionado com o foco deglutição e, quando analisadas as intervenções com a integridade referencial verificou-se apenas uma intervenção, tendo sido identificadas no total 39 intervenções potencialmente relacionadas com este foco. Diversos estudos corroboram a necessidade de melhorar o processo de documentação em enfermagem de modo a que seja possível obter informação válida (Abreu et al., 2015; Machado, 2013; Mota et al., 2018; Padilha, 2013). Relativamente às outras intervenções, analisadas por tipo de ação, salienta-se o reduzido número de intervenções documentadas do tipo informar e gerir, que correspondem a menos de um quinto das intervenções documentadas, levantando a questão se os enfermeiros não implementam esse tipo de intervenção ou se as implementam mas não as documentam (Abreu et al., 2015). Denota-se uma vez mais que as práticas poderão não estar adequadamente valorizadas na documentação de enfermagem, uma vez que a “existência de sistemas de informação por si só, não assegura a produção de informação válida e útil, a quantidade e qualidade dos dados produzidos são aspetos determinantes para que essa informação seja uma realidade” (Machado, 2013, p. 135). As principais limitações deste estudo relacionam-se com a dimensão da amostra e de o mesmo ter sido desenvolvido num contexto de prática clínica específico e com foco na deglutição, sendo por isso importante compreender qual a tradução deste fenómeno nos sistemas de informação em uso em outras instituições, assim como será importante compreender se isto corresponde à prática efetiva dos profissionais.

Conclusão Os diagnósticos mais frequentemente documentados pelos enfermeiros são com foco no autocuidado e as intervenções documentadas em maior número são do tipo observar. Será

ISABEL DE JESUS OLIVEIRA et al.

importante compreender o que faz com que existam intervenções documentadas dirigidas à deglutição comprometida e ao risco de aspiração, independentemente dos diagnósticos documentados. Estes resultados sugerem que, apesar de se constituir como foco da prática, existirá alguma limitação na documentação dessas práticas, reforçando a necessidade já identificada de melhorar os processos de documentação em enfermagem. Importa clarificar se o fenómeno não é valorizado e não estando por isso refletido na documentação, se existem constrangimentos relacionados com a operacionalização da documentação nos sistemas de informação, ou ainda, se existem constrangimentos dos profissionais para a operacionalização da documentação. Quanto aos aspetos que constituem o cerne do processo documental da prática de enfermagem, os enfermeiros documentam, essencialmente, os aspetos relacionados com a dependência e compromisso no autocuidado. As intervenções documentadas vão no sentido de valorizar as atividades de vigilância, sugerindo um foco na prevenção de complicações, nos processos corporais e na utilidade destes dados para outros profissionais. A compreensão mais abrangente destes resultados e do seu significado beneficiará dos contributos obtidos a partir da observação das práticas e da perceção dos enfermeiros sobre a informação relevante para o processo de tomada de decisão. A forma como os enfermeiros documentam as suas práticas é preponderante para a obtenção dos dados que evidenciem ganhos sensíveis aos cuidados de enfermagem. Referências bibliográficas Abreu, W., Barroso, C., Segadães, M. F., & Teixeira, S. (2015). Promotion of self-care in clinical practice: implications for clinical supervision in nursing. International Journal of Information and Education Technology, 5(1), 6-9. Cohen, D. L., Roffe, C., Beavan, J., Blackett, B., Fairfield, C. A., Hamdy, S., ... Bath, P. M. (2016). Post-stroke dysphagia: a review and design considerations for future trials. International Journal of Stroke, 11(4), 399–411. doi:10.1177/1747493016639057 Conselho Internacional de Enfermeiros. (2016). CIPE® Versão 2015 - Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem. Loures, Portugal: Lusodidata. Recuperado

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Terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral

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RESEARCH PAPER (ORIGINAL) ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Available: https://doi.org/10.12707/RIV19058

Translation and cross-cultural adaptation of evidence-based practice instruments for Portuguese nursing students

Tradução e adaptação de instrumentos sobre prática baseada na evidência para estudantes de enfermagem portugueses Traducción y adaptación de instrumentos a la práctica basada en la evidencia para estudiantes de enfermería portugueses Daniela Filipa Batista Cardoso* ; Adriana Raquel Neves Coelho** ; Cristina da Costa Louçano*** ; Vítor Sérgio de Oliveira Parola**** ; Manuel Alves Rodrigues***** ; Ellen Fineout-Overholt****** ; João Luís Alves Apóstolo*******

Abstract Background: The implementation of evidence-based practice (EBP) in clinical contexts is recommended due to its positive impact on health, but it remains under the desirable. The training of undergraduate nursing students in the use of EBP is crucial, and, for that, there must be valid and reliable measures of EBP learning. Objective: To translate and to cross-cultural adapt into European Portuguese of the EBP Beliefs Scale (EBPB), EBP Implementation Scale for Students (EBPI-S), and Organizational Culture & Readiness for School-wide Integration of Evidence-based Practice Survey for Students (OCRSIEP-ES). Methodology: Translation and cross-cultural adaptation according to international recommendations. Preliminary validation in Portuguese undergraduate nursing students from nine institutions. Results: In the pre-final versions of the instruments, the participants suggested including the optional answer “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” and increasing the recall period in the EBPI-S instrument. Phase 2 included 167 participants. TheĮ for EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES was 0.854, 0.943, and 0.970, respectively. Conclusion: Preliminary results showed good internal consistency. Further validation studies with robust samples are required to test the reliability and validity of the instruments. Keywords: validation studies; evidence-based practice; education, nursing; students, nursing

Resumo

Resumen

Enquadramento: A implementação da prática baseada na evidência (EBP) em contextos clínicos é recomendada pelo seu impacto positivo na saúde, contudo, permanece abaixo do desejável. A formação de estudantes de licenciatura em enfermagem em EBP é fundamental, pelo que é crucial haver medidas válidas e confiáveis desta aprendizagem. Objetivo: Traduzir e adaptar transculturalmente para português europeu as escalas EBP Beliefs Scale (EBPB), EBP Implementation Scale for Students (EBPI-S) e Organizational Culture & Readiness for School-wide Integration of Evidence-based Practice Survey for students (OCRSIEP-ES). Metodologia: Tradução e adaptação transcultural segundo recomendações internacionais. Validação preliminar em estudantes portugueses de licenciatura em enfermagem, provenientes de nove instituições. Resultados: Às versões prefinais dos instrumentos os participantes sugeriram incluir a possibilidade de resposta “não tenho conhecimento suficiente que me permita responder” e aumentar o período de recordação no instrumento EBPI-S. Na fase II participaram 167 estudantes. O Į para o EBPB, EBPI-S e OCRSIEP-ES foi 0,854, 0,943 e 0,970, respetivamente. Conclusão: Os resultados preliminares revelaram uma forte consistência interna. É necessário realizar mais estudos de validação com amostras robustas para testar a confiabilidade e validade dos instrumentos. Palavras-chave: estudos de validação; prática clínica baseada em evidências; educação em enfermagem; estudantes de enfermagem

Marco contextual: Se recomienda implementar la práctica basada en la evidencia (EBP) en contextos clínicos, debido a su impacto positivo en la salud, aunque sigue estando por debajo de lo deseable. La formación de los estudiantes de enfermería de grado en el uso de la EBP es crítica. Por ello, tener medidas válidas y fiables de este aprendizaje supone un aspecto clave. Objetivo: Traducir y adaptar al portugués europeo: la EBP Beliefs Scale (EBPB), la EBP Implementation Scale for Students (EBPI-S) y la Organizational Culture & Readiness for School-wide Integration of Evidence-based Practice Survey for students (OCRSIEP-ES). Metodología: Traducción y adaptación intercultural de acuerdo con las recomendaciones internacionales. Validación preliminar en estudiantes de enfermería portugueses de grado de nueve instituciones. Resultados: En las versiones prefinales de los instrumentos, los participantes sugirieron incluir la respuesta “no sé” y aumentar el periodo de recuerdo en el instrumento EBPI-S. En la fase II participaron 167 estudiantes. El Į para EBPB, EBPI-S y OCRSIEP-ES fue de 0,854, 0,943 y 0,970, respectivamente. Conclusión: Los resultados preliminares mostraron una fuerte consistencia interna. Se requieren más estudios de validación con muestras sólidas para probar la fiabilidad y la validez de los instrumentos. Palabras clave: estudios de validación; práctica clínica basada en la evidencia; educación en enfermería; estudiantes de enfermería

*BSc., Ph.D. Student, Researcher, Faculty of Medicine of the University of Coimbra, Nursing School of Coimbra, Health Sciences Research Unit: Nursing, Portugal Centre for Evidence-Based Practice: A Joanna Briggs Institute Centre of Excellence, 3046-851, Coimbra, Portugal [dcardoso@esenfc.pt]. https://orcid.org/0000-0002-1425-885X. Contribution to the article: study design; methodological œ†8ŒŒŒt¶Y8¼8O††bO¼ŒV¼±b8¼‰bŒ¼V8ŒY8Œ8†Ê´´¶ȱ¼Œtn¼|b8±¼O†b¶oŒ8†‰8ŒÁ´O±œ¼8œœ±Ç8†¡ Address for correspondence: Avenida Bissaya Barreto, Apartado 7001, 3046-851 Coimbra **Ph.D., Guest Adjunct Professor, Nursing School of Coimbra. Health Sciences Research Unit: Nursing, 3046-851, Coimbra, Portugal [adriana.nevescoelho@hotmail.com]. https://orcid. org/0000-0002-6381-7128. Contribution to the article: methodological monitoring; article revi´Œ¶oŒ8†‰8ŒÁ´O±œ¼8œœ±Ç8†¡ ***BSc., Superior Technician, Nursing School of Coimbra. Health Sciences Research Unit: Nursing, 3046-851, Coimbra, Portugal [cristinaloucano@hotmail.com]. https://orcid.org/00000003-0719-0452. Contribution to the article: participation and monitoring of the tools’ translation œ±Ob´´b´¶oŒ8†‰8ŒÁ´O±œ¼8œœ±Ç8†¡ ****Ph.D., Guest Assistant Professor, Nursing School of Coimbra. Health Sciences Research Unit: Nursing, 3046-851, Coimbra, Portugal [vitor.parola@hotmail.com]. https://orcid.org/0000ÎÎÎÀ~ÎÎpÎ~pÎÎs¡ Œ¼±FÁ¼Œ¼¼|b8±¼O†bU‰b¼|Y†tO8†‰Œ¼±Œt¶8±¼O†b±bÇ´Œ¶oŒ8† manuscript approval. *****Agregação, Principal Coordinating Professor, Nursing School of Coimbra. Health Sciences Research Unit: Nursing, 3046-851, Coimbra, Portugal [demar7@gmail.com]. https://orcid. org/0000-0003-4506-0421. Contribution to the article: methodological monitoring; article revi´Œ¶oŒ8†‰8ŒÁ´O±œ¼8œœ±Ç8†¡ ******Ph.D., Professor, University of Texas, TX 78712, Austin, United States of America [ellen. oŒbÁ¼¡Çb±|†¼Dt‰8†¡O‰L¡ https://orcid.org/0000-0002-5436-5561. Contribution to the 8±¼O†bU‰b¼|Y†tO8†‰Œ¼±Œt¶8±¼O†b±bÇ´Œ¶oŒ8†‰8ŒÁ´O±œ¼8œœ±Ç8†¡ *******Agregação, Coordinating Professor, Nursing School of Coimbra. Health Sciences Research Unit: Nursing, Portugal Centre for Evidence-Based Practice: A Joanna Briggs Institute Centre of Excellence, 3046-851, Coimbra, Portugal [apostolo@esenfc.pt]. https://orcid.org/0000-00023050-4264. Contribution to the article: study design; methodological planning; data collection, ¼±b8¼‰bŒ¼V8ŒY8Œ8†Ê´´¶8±¼O†b±bÇ´Œ¶oŒ8† Revista de Enfermagem Referência

Received for publication: 27.08.19 Accepted for publication: 14.10.19 Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 141 - 152


Introduction The concept of Evidence-Based Medicine arose in the area of medicine but was quickly embraced by other healthcare professions. As a consequence, terms such as evidence-based practice (EBP), evidence-based healthcare (EBHC), and evidence-based nursing (EBN) emerged (Dawes et al., 2005). There are many definitions of EBP, but the following three elements are always present in most of them: use of best available evidence, use of clinical/ professional expertise, and patient involvement (International Council of Nurses [ICN], 2012; Pearson, Jordan, & Munn, 2012). In the last decades, the use of EBP in clinical practice has been a focus of particular attention due to various concomitant factors, like the acknowledgement of the positive impact of EBP on healthcare, the ever-growing production of new primary research, the well-known delay in incorporating new evidence into clinical practice, the healthcare quality and safety movement, and the pressure of health service users with quick access to health information (Dawes et al., 2005; Melnyk, Gallagher‐Ford, Long, & Fineout‐Overholt, 2014). Consequently, several organizations have encouraged the implementation of EBP in clinical contexts (World Health Organization [WHO], 2015; ICN, 2012). Despite these recommendations, there is still a less than desired translation of evidence into clinical practice by nurses (Duncombe, 2018; Melnyk, Fineout-Overholt, Gallagher-Ford, & Kaplan, 2012). In an earlier phase, many studies with nurses working in clinical settings were conducted to support the integration of EBP in clinical practice. However, following the recommendations of the Sicily Statement on Evidence-Based Practice for EBP teaching and education (Dawes et al., 2005), the integration of EBP teaching in nursing curricula has gained a spotlight in recent years. Undergraduate nursing students will be the future health professionals and, as a result, play a crucial role in influencing the use of EBP in healthcare contexts in the future. Therefore, it is essential to understand the undergraduate nursing students’ beliefs regarding EBP, the level of their EBP implementation skills, and their perception of the state of readiness for school-wide EBP integration to develop

teaching strategies for EBP use promotion. However, there are no available instruments in Portugal for this purpose. Therefore, to tackle this shortcoming, the objective of this study is the translation and cross-cultural adaptation into European Portuguese of the instruments EBP Beliefs Scale (EBPB), EBP Implementation Scale for Students (EBPI-S), and Organizational Culture & Readiness for School-wide Integration of Evidence-based Practice Survey for Students (OCRSIEP-ES). Also, this study aims to provide preliminary validation data of the European Portuguese versions.

Background Nowadays, the use of EBP in clinical practice remains less than desirable, despite the strong recommendations for it. Many studies have reported both barriers and facilitators to the integration of EBP in clinical practice. The identified barriers include lack of time; organizational culture and the philosophy of “that is how we have always done it here”; lack of EBP knowledge, as in lack of search skills and lack of confidence in assessing research quality; difficulties in statistical interpretation; lack of resources (e.g., no access to evidence); manager/leader and co-worker resistance to change practices; and heavy workload (Melnyk et al., 2012; Pereira, Cardoso, & Martins, 2012; Solomons & Spross, 2011). As to the facilitators, the following were identified: education (e.g., training in research methods and EBP); organizational support/awareness; collaboration between EBP mentors and clinical staff to implement best practices; time availability; resource availability, like access to evidence (Duncombe, 2018; Melnyk et al., 2012). Education appears as a facilitator of EBP integration into clinical practice. Melnyk et al. (2004) reported that “knowledge and beliefs about EBP are related to the extent that nurses engage in EBP” (p. 190). Moreover, in 2005, the recommendations of the Sicily Statement on Evidence-Based Practice for EBP teaching and education highlighted that “all health care professionals need to understand the principles of EBP, recognise EBP in action, implement evidence-based policies, and have a critical attitude to their own practice and to evidence.” (Dawes

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et al., 2005, p. 4). Because undergraduate nursing students will be healthcare professionals in the future, their time spent in nursing school is an absolutely unique opportunity to instill in them the EBP culture. This is why training undergraduate nursing students in the use of EBP is imperative, and, for that, there must be valid and reliable measures of EBP learning. The “Sicily Statement on Classification and Development of Evidence-Based Practice Learning Assessment Tools” (Tilson et al., 2011) was designed to guide the development of EBP assessment tools. The following assessment categories were suggested: Benefit to patients; Behavior; Skills; Knowledge; Self-efficacy; Attitudes; and Reaction to the educational experience. The Benefit to patients category refers to the assessment of health outcomes of patients and communities. The Behavior category could contribute significantly to the identification of students’ learning needs regarding the use of EBP. The Skills category concerns knowledge applicability when performing an EBP-related task. The Knowledge category related to the preservation of EBP-related facts and concepts by learners. The Self-efficacy category includes the perceptions of individuals regarding their ability to perform a specific activity. The Attitudes category concerns the values acknowledged by the student of the relevance and usefulness of EBP to inform clinical decision-making. Lastly, the Reaction to the educational experience category related to the learners’ perceptions of the learning experience, including aspects like the relevance of organization for an effective education intervention (Tilson et al., 2011). The last of the four general recommendations for developers of new EBP learning assessment tools presented in the aforementioned statement is “Develop, validate, and use a standardized method for translation of tools into new languages.” (Tilson et al., 2011, p. 8). In this sense, and considering that there are no tools available in Portugal to assess the undergraduate nursing students’ beliefs regarding EBP, the level of their EBP implementation skills, and their perception of the state of readiness for school-wide EBP integration, this study aims at the translation and cross-cultural adaptation of the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES tools into European Portuguese.

DANIELA FILIPA BATISTA CARDOSO et al.

Research questions Do the European Portuguese versions of the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES reflect the original versions of the tools adequately? Is the internal consistency of the European Portuguese versions of the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES acceptable?

Methodology This study was conducted during 2017–2018 and comprised two phases: Phase 1 - translation and cross-cultural adaptation of the three instruments into European Portuguese; Phase 2 - preliminary validation of these versions in Portuguese undergraduate nursing students. Instruments The EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES tools were developed by Fineout-Overholt and Melnyk (Fineout-Overholt, 2018). The EBPB tool assesses undergraduate nursing students’ EBP-related beliefs and their confidence in their EBP implementation ability. It is a 16-item instrument with a 5-point Likert scale (1 = strongly disagree to 5 = strongly agree), whose score ranges from 16 to 80 (the higher the score, the stronger the beliefs). Two of the 16 items are reverse-scored items (Item 11 - “I believe that EBP takes too much time.” and Item 13 - “I believe EBP is difficult.”). The EBPI-S is an 18-item self-report tool that assesses the EBP implementation skills of undergraduate nursing students considering their engagement in the desired EBP behaviors during the last eight weeks. The EBPI-S total score ranges from 0 to 72. Each item is scored with a 5-point scale (0 = 0 times; 1 = 1-3 times; 2 = 4-5 times; 3 = 6-8 times; 4 = more than 8 times). The OCRSIEP-ES is a 25-item self-report tool that measures the students’ perception of the state of readiness for school-wide integration of EBP and its influencing factors. Each item is scored with a 5-point scale (1 = none at all to 5 = very much), and the total score ranges from 25 to 125. Phase 1 - Translation and Cross-Cultural Adaptation The translation and cross-cultural adaptation of the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES into Eu-

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ropean Portuguese were performed according to the guidelines provided by Beaton, Bombardier, Guillemin, and Ferraz (2000) for the cross-cultural adaptation of self-report measures. These guidelines recommended the following five stages. Stage 1 – Initial translation: independent translation by two bilingual translators (one familiar with the concepts, and the other a naive translator). Stage 2 – Synthesis of the translations: preparation of a standard translation. Stage 3 – Back-translation: two translators performed, independently, the back-translations. Both translators were not aware of the concepts being measured.

Stage 4 – Expert committee: 7 experts (health professionals, individuals experienced in validation studies, a language professional, and translators) analyzed the tools’ versions and developed the pre-final versions. One of the original authors of the instruments (Dr. Ellen Fineout-Overholt) was contacted to clarify ambiguous items and the meaning of some terms or expressions. Stage 5 – Testing of the pre-final versions: The pre-final versions were tested in a sample of undergraduate nursing students. Each participant completed the instruments and a brief questionnaire (Figure 1) regarding the tools´ comprehensibility.

In your opinion: Do you consider that the items’ statements are written clearly? If not, which are not clear and why?

Yes

No

If you did not rate one or more items, please list them and identify the reason(s) using the following statements: - I did not rate item(s) ________________ because I have no sufficient knowledge to be able to answer. - I did not rate item(s) ________________ because the statement is not clear. - I did not rate item(s) ________________because__________________ If you wish, please leave any additional comments:

Figure 1. Brief questionnaire applied to participants in stage 5 of each instrument.

Phase II – Preliminary validation Undergraduate nursing students from nine Portuguese nursing schools participated in this phase. The three leading Portuguese nursing education institutions (not integrated into a polytechnic institute or university) were selected by convenience. The remaining six institutions were randomly selected (one institution from a polytechnic institute and one from a university in each region of Continental Portugal – north, center, and south). Nine socio-demographic questions and the three Advancing Research & Clinical practice through close Collaboration in Education (ARCC-E) questionnaires (total of 59 items) were included in the online survey.

purposes, such as mean, standard deviation, minimum, maximum, and percentages. The internal consistency was assessed using the Cronbach’s alpha coefficient.

Statistical analysis All statistical analysis was carried out in the IBM SPSS Statistics program (version 24.0; SPSS Inc., Chicago, IL, USA). Descriptive analysis was used for sample characterization

Results

Ethical consideration This study was approved by the Ethical Committee of the Faculty of Medicine of the University of Coimbra (no. CE-037/2017). The original authors of the instruments have consented their use. The institutions provided written approval. All participants provided informed consent, and the data were subject to confidential treatment.

Phase 1 – Translation and Cross-Cultural Adaptation The first three stages of the phase of transla-

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tion and cross-cultural adaptation carried on smoothly. At stage 4, the expert panel discussed and suggested some modifications to clarify and adapt the instruments into the Portuguese context. Generally, the expert panel agreed upon the use of the term “utentes” for the translation of “patients” because, in Portugal, that term is more suitable when referring to a user of health services regardless of whether one is ill or not. The expression “evidence-based guidelines” was translated as “diretrizes/orientações (guidelines) baseadas em evidência.” However the expert panel decided to keep the term “guidelines” between brackets, since the meaning of this loanword is widely known in Portugal. Similarly, the expert panel decided to keep the English phrase “critically appraising” between brackets following its translation (“avaliação da qualidade metodológica”) for a better understanding of the phrase “critically appraising evidence.” The phrase “a time-efficient way” was challenging to translate. The expert panel decided to translate it as “adequadamente e em tempo útil” to remain faithful to the original meaning. Specifically, the EBPI-S items 12 and 13 were adapted to accept other systematic review and guideline databases besides the Cochrane database of systematic reviews and the National Guidelines Clearinghouse. Item 12 was adapted from “Accessed the Cochrane database of systematic reviews…” to “Acedi a base(s) de dados de revisões sistemáticas (por exemplo, Cochrane database of systematic reviews)” and the item 13 from “Accessed the National Guidelines Clearinghouse…” to “Acedi a base(s) de dados de diretrizes/orientações (guidelines; por exemplo, National Guidelines Clearinghouse)”. As regards the OCRSIEP-ES, the following note was added to explain the meaning of “mentor”: “Mentores de PBE: pessoa confiável com conhecimentos e treino avançado em PBE que orienta, promove a autoconfiança e infunde

DANIELA FILIPA BATISTA CARDOSO et al.

valores no aprendiz.” In addition, some terms or expressions were paraphrased for the Portuguese nursing education context, such as “community partners” (instituições parceiras onde decorrem os ensinos clínicos/prática clínica), “didactic course faculty” (corpo docente das unidades curriculares teóricas, teórico-práticas, práticas), and “clinical course faculty” (corpo docente dos ensinos clínicos/ prática clínica). Following all these changes, the expert committee agreed upon the pre-final versions of the Portuguese translation. Thirty-seven Portuguese undergraduate nursing students, five males and 32 females aged between 18 and 27 years, participated in stage 5. Overall, the students understood the meaning of the items, but many of them (mainly from first and second years) reported insufficient knowledge to choose an optional answer. They also reported that the time of application of the EBPI-S could influence the answer, whether they are at school or in clinical practice. The comments provided by the students were analyzed, and in response to their concerns the optional answer “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” (Não tenho conhecimento suficiente que me permita responder) was added and the EBPI-E recall period was changed from 8 weeks to one year. Phase 2 – Preliminary validation A total of 167 undergraduate nursing students with a mean age of 22.13 years (SD = 4.20; range: 18 – 45) completed the online questionnaire. A large majority of this sample was female (n = 140, 83.8%) and has completed the 12th grade (n = 159, 95.2%). More than half of the sample participated in EBP training programs (n = 88, 52.7%). Of these 88 participants, 76 stated that the training was integrated into the curricula, five stated that it was an extracurricular activity, and seven that it was both. The majority of the participants came from the main Portuguese nursing education institutions (n = 118, 70.66%; Table 1).

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Table 1 Socio-demographic characterization of the sample (n = 167) Age in years, mean ± SD (Min – Max)

22.13 ± 4.20 (18 – 45)

Female, n (%)

140 (83.8)

Male, n (%)

27(16.2)

Education 12th grade, n (%) Bachelor, n (%) Master, n (%)

159 (95.2%) 6 (3.6%) 2 (1.2%)

Bachelor’s Degree Year 1st year 2nd year 3rd year 4th year

39 (23.4%) 20 (12.0%) 54 (32.3%) 54 (32.3%)

EBP training Yes, n (%) No, n (%)

88 (52.7%) 79 (47.3%)

Nursing school Not integrated, n (%) Integrated into a university, n (%) Integrated into a polytechnic institute, n (%)

118 (70.66%) 27 (16.17%) 22 (13.17%)

Note. SD = Standard deviation; Min = Minimum; Max = Maximum.

Preliminary validation of the EBPB Regarding the EBPB internal consistency analysis, 63 participants were excluded for responding, “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” in one or more items. Consequently, 104 participants with a mean age of 22.59 years (SD = 4.14; range: 18 – 43) remained. A vast majority of this sample was female (n = 85, 81.7%), and more than half of it had completed the 12th grade (n = 97, 93.3%), 5 held a bachelor’s degree (4.8%), and 2 held a master’s degree (1.9%). The majority of this sample participated in EBP training programs (n = 68, 65.4%) and came from the main Portuguese nursing schools (n = 77, 74.0%). Of the 104 individuals, 10 were first-year undergraduate students, 12 were second-year students, 36 were third-year students, and 46 were fourth-year students.

The 63 excluded individuals had a mean age of 21.37 years (SD = 4.22; range: 18 - 45). A vast majority of these students were female (n = 55, 87.3%), had completed the 12th grade (n = 62, 98.4%), and came from the main Portuguese nursing schools (n = 41, 65.1%). However, the majority of them did not participate in EBP training programs (n = 45, 71.4%). Of the 63 students, 29 were first-year undergraduate students, 8 were second-year students, 18 were third-year students, and 8 were fourth-year students. The EBPB item means ranged between 2.70 (item 13) and 4.60 (item 1). The EBPB presented a good internal consistency (Į = 0.854), and the corrected item-total correlations ranged between 0.181 and 0.733, meaning a poor to good correlation between the items and total score (Table 2).

Translation and cross-cultural adaptation of evidence-based practice instruments for Portuguese nursing students

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Table 2 Item mean, standard deviation of the item, corrected item-total correlation, and Cronbach’s alpha if item deleted of the EBPB (n = 104) Items

Item mean

Standard deviation of the item

Corrected item-total correlation

Cronbach’s alpha if item deleted

EBPB 1

4.60

.600

.292

.854

EBPB 2

3.53

.945

.680

.834

EBPB 3

3.57

.822

.733

.832

EBPB 4

4.11

.709

.328

.853

EBPB 5

4.51

.638

.371

.851

EBPB 6

3.66

.888

.536

.843

EBPB 7

3.49

.750

.621

.839

EBPB 8

3.36

.812

.721

.833

EBPB 9

4.38

.610

.320

.853

EBPB 10

3.63

.813

.516

.844

EBPB 11

3.00

.965

.181

.865

EBPB 12

3.30

.799

.404

.850

EBPB 13

2.70

.846

.298

.856

EBPB 14

3.45

.667

.658

.838

EBPB 15

3.34

.771

.603

.840

EBPB 16

4.08

.569

.452

.848

Preliminary validation of the EBPI-S Seventy-three participants were excluded from the EBPI-S internal consistency analysis because they answered, “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” in one or more items. Therefore, 94 participants with a mean age of 22.41 years (SD = 3.83; range: 18 - 43) remained. A large majority of this sample was female (n = 77, 81.9%), and more than half of it had completed the 12th grade (n = 91, 96.8%) and participated in EBP training programs (n = 62, 66.0%). The majority came from the main Portuguese nursing schools (n = 71, 75.6%). Eight students frequented the 1st year of the bachelor’s degree, nine the 2nd year, 34 the 3rd year, and 43 the 4th year. The 73 excluded individuals had a mean age of 21.75 years (SD = 4.63; range: 18 - 45). A vast majority of this sample was female (n = 63,

DANIELA FILIPA BATISTA CARDOSO et al.

86.3%) and had completed the 12th grade (n = 68, 93.2%). However, they did not participate in EBP training programs (n = 49, 67.1%). Forty-seven individuals (64.3%) came from the main Portuguese nursing schools; eight (11.0%) came from nursing schools integrated into polytechnic institutes, and 18 (24.6%) came from nursing schools integrated into universities. Many of these participants were first-year undergraduate students (n = 31). The remaining participants frequented the second year (n = 11), the third year (n = 20), and the fourth year (n = 11). The item means of the EBPI-S ranged between 1.03 (item 10) and 2.69 (item 1). The EBPI-S presented an excellent internal consistency (Į = 0.943), and the corrected item-total correlations ranged between 0.308 and 0.808, meaning an acceptable to good correlation between the items and total score (Table 3).

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Table 3 Item mean, standard deviation of the item, corrected item-total correlation, and Cronbach’s alpha ifitem deleted of the EBPI-S (n = 94) Item mean

Standard deviation of the item

Corrected item-total correlation

Cronbach’s alpha if item deleted

EBPI-S 1

2.69

1.414

.610

.941

EBPI-S 2

1.65

1.233

.559

.942

EBPI-S 3

1.19

1.129

.308

.946

EBPI-S 4

1.83

1.300

.770

.938

EBPI-S 5

2.64

1.443

.602

.941

EBPI-S 6

1.64

1.310

.740

.938

EBPI-S 7

2.03

1.410

.689

.939

EBPI-S 8

1.86

1.267

.808

.937

EBPI-S 9

1.21

1.066

.645

.940

EBPI-S 10

1.03

1.186

.642

.940

EBPI-S 11

1.50

1.180

.679

.940

EBPI-S 12

2.46

1.412

.563

.942

EBPI-S 13

1.97

1.448

.735

.938

EBPI-S 14

2.03

1.395

.780

.937

EBPI-S 15

1.81

1.461

.779

.937

EBPI-S 16

1.60

1.386

.721

.939

EBPI-S 17

1.84

1.409

.708

.939

EBPI-S 18

1.39

1.280

.735

.938

Items

Preliminary validation of the OCRSIEP-ES Regarding the internal consistency analysis of the OCRSIEP-ES, 121 participants were excluded for responding, “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” in one or more items. As a result, 46 individuals with a mean age of 22.54 years (SD = 2.95; range: 19 – 33) remained. The majority of this sample was female (n = 39; 84.8%), had completed the 12th grade (n = 43; 93.5%), participated in EBP training programs (n = 30; 65.2%), and came from the main Portuguese nursing schools (n = 33; 71.7%). Of these 46 students, four were first-year undergraduate students, two were second-year students, 14 were third-year students, and 26 were fourth-year students. The 121 excluded participants had an average

age of 21.97 years (SD = 4.59; range: 18 - 45). The majority of this sample was female (n = 101; 83.5%), had completed the 12th grade (n = 116; 95.9%), and came from the main Portuguese nursing schools (n = 85; 70.2%). Fifty-six students (46.3%) reported that they participated in EBP training programs. Of the 121 students, 35 attended the first year of the bachelor’s degree, 18 the second year, 40 the third year, and 28 the fourth year. The item means of the OCRSIEP-ES ranged between 1.96 (item 23) and 3.87 (item 2). The OCRSIEP-ES presented an excellent internal consistency (Į = 0.970), and the corrected item-total correlations ranged between 0.169 and 0.910, meaning a low to excellent correlation between the items and total score (Table 4).

Translation and cross-cultural adaptation of evidence-based practice instruments for Portuguese nursing students

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Table 4 Item mean, standard deviation of the item, corrected item-total correlation, and Cronbach’s alpha if item deleted of the OCRSIEP-ES (n = 46) Item mean

Standard deviation of the item

Corrected item-total correlation

Cronbach’s alpha if item deleted

OCRSIEP-ES 1

3.70

1.364

.780

.969

OCRSIEP-ES 2

3.87

1.258

.769

.969

OCRSIEP-ES 3

3.85

1.192

.836

.969

OCRSIEP-ES 4

3.35

1.251

.758

.969

OCRSIEP-ES 5

3.37

1.254

.796

.969

OCRSIEP-ES 6

3.80

1.258

.832

.969

OCRSIEP-ES 7

3.74

1.341

.845

.968

OCRSIEP-ES 8

3.54

1.168

.910

.968

OCRSIEP-ES 9

3.52

1.378

.902

.968

OCRSIEP-ES 10

3.85

1.053

.567

.971

OCRSIEP-ES 11

3.46

1.206

.815

.969

OCRSIEP-ES 12

2.76

1.286

.728

.969

OCRSIEP-ES 13

2.61

1.273

.484

.971

OCRSIEP-ES 14

2.83

1.355

.699

.970

OCRSIEP-ES 15

3.35

1.303

.901

.968

OCRSIEP-ES 16

3.26

1.273

.863

.968

OCRSIEP-ES 17

3.54

1.277

.889

.968

OCRSIEP-ES 18

3.50

1.225

.893

.968

OCRSIEP-ES 19

3.04

1.173

.707

.970

OCRSIEP-ES 20

3.30

1.314

.834

.969

OCRSIEP-ES 21

3.80

.934

.169

.973

OCRSIEP-ES 22

3.76

.848

.387

.971

OCRSIEP-ES 23

1.96

.729

.550

.971

OCRSIEP-ES 24

3.37

1.372

.800

.969

OCRSIEP-ES 25

3.07

1.340

.675

.970

Items

Discussion The authors believe that the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES are the first instruments translated into European Portuguese to assess undergraduate nursing students’ beliefs regarding EBP, their level of EBP implementation skills, and the state of readiness for school-wide EBP integration. Generally, the translation and cross-cultural adaptation of the three instruments was a smooth process and encountered no problems for the majority of the items. Similar to some data reported by Fineout-Overholt (2018),

DANIELA FILIPA BATISTA CARDOSO et al.

the European Portuguese versions of the three instruments showed good internal consistency with Cronbach’s alphas ≥ 0.85. However, there is no available additional information regarding studies that used the original instruments that allows performing more detailed comparisons. During stage 5 of the phase of translation and cross-cultural adaptation, two recommendations of the participants were accepted by the authors and should be discussed. One related to the inclusion of the optional answer, “I do not have sufficient knowledge to be able to answer,” and the other suggested changing the recall period of the EBPI-S from 8 weeks to 1 year.

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The authors decided to include the optional answer “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” in all scales because the first recommendation was made during the pre-test, and they were aware of the lack of knowledge of potential participants to answer some items. Furthermore, it was evident that, if this optional answer were not provided to the participants, many of them might be forced to guess the answer, thus leading to data contamination. However, it should be noted that the optional answer “I do not have sufficient knowledge to be able to answer” in each scale was not scored, and if participants chose this answer in at least one item, they were removed from the analysis. It means that this optional answer contributed to ensuring that only the participants who perceived they had the necessary knowledge to answer the items were included in the analysis. This benefits the descriptive analysis in the specific context of Portugal. As regards the suggestion of stage 5 participants to extend the recall period of the EBPI-S, the authors decided to change this recall period to 1 year. The participants claimed that the answer could be influenced by the moment when the EBPI-S is applied, depending on whether they are at school or in clinical practice. However, some authors showed that data accuracy decreases as the recall period increases (Clarke, Fiebig, & Gerdtham, 2008; Stull, Leidy, Parasuraman, & Chassany, 2009) since long recall periods lead to participants guessing the answer (Brown, 2002; Blair & Burton, 1987). Therefore, a one-year recall period could be too long for recall reliability, and, as a result, participants may answer the instrument taking into account only the social acceptability. Indeed, this change of the recall period challenges the validity of the EBPI-S because it was not designed for such a long recall. This study presents some limitations. First, it used a small sample size. According to Streiner and Norman (2008), the sample size should be 300 participants for a Cronbach’s alpha of 0.70 and a confidence interval of ±0.10. Also, at least 250 participants are necessary (the scale with the most items has 25) to carry out the exploratory and confirmatory factor analysis because the sample size should have a ratio of 10 participants per item (Tinsley & Tinsley cited by DeVellis, 2016). Moreover, extending the recall period of the EBPI-S may have affected the validity of the tool.

Conclusion To the best of our knowledge, the European Portuguese versions of the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES are the first instruments translated into European Portuguese to assess undergraduate nursing students’ EBP beliefs, their level of EBP implementation skills, and their perception of the readiness for school-wide integration of EBP. The translation and cross-cultural adaptation used a rigorous methodology that ensured the structural, linguistic, and cultural equivalences between the original versions and the European Portuguese versions of the three scales. These European Portuguese versions showed a good internal consistency and low to excellent correlations between the items and total score. The translation and cross-cultural adaptation of the EBPB, EBPI-S, and OCRSIEP-ES are the first contributions to having valid and reliable measures of EBP learning for Portuguese undergraduate nursing students. However, more research studies for validation of the European Portuguese versions of those tools should be conducted with larger sample sizes to test their measurement properties. Conflict of interest The authors declare no conflict of interest. Acknowledgments The authors gratefully acknowledge the support of the Health Sciences Research Unit: Nursing (UICISA: E), hosted by the Nursing School of Coimbra (ESEnfC) and funded by the Foundation for Science and Technology (FCT). The authors also gratefully acknowledge Dr. Rui Pereira and Dr. Lucimare Ferraz for their assistance in the translation and adaptation process. The authors gratefully acknowledge Dr. Catarina Oliveira as well for all her support as a Ph.D. supervisor, and the Professors Ana Filipa Cardoso, Isabel Moreira, and Isabel Margarida for their support during the data collection for stage 5. References Beaton, D. E., Bombardier, C., Guillemin, F., & Ferraz, M. B. (2000). Guidelines for the process of cross-cultural adaptation of self-report measures. Spine, 25(24), 31863191. doi:10.1097/00007632-200012150-00014

Translation and cross-cultural adaptation of evidence-based practice instruments for Portuguese nursing students

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150


Blair, E., & Burton, S. (1987). Cognitive processes used by survey respondents to answer behavioral frequency questions. Journal of Consumer Research, 14(2), 280288. doi:10.1086/209112 Brown, N. R. (2002). Encoding, representing, and estimating event frequencies: A multiple strategy perspective. In P. Sedlmeier & T. Betsch (Eds.), Frequency processing and cognition (pp. 37-54). New York, NY: Oxford University Press. Clarke, P. M., Fiebig, D. G., & Gerdtham, U. G. (2008). Optimal recall length in survey design. Journal of Health Economics, 27(5), 1275-1284. doi:10.1016/j. jhealeco.2008.05.012 Dawes, M., Summerskill, W., Glasziou, P., Cartabellotta, A., Martin, J., Hopayian, K., ... Osborne, J. (2005). Sicily statement on evidence-based practice. BMC Medical Education, 5(1), 1. doi:10.1186/1472-6920-5-1 DeVellis, R. F. (2016). Scale development: Theory and applications (Vol. 26, 4th ed.). Thousand Oaks, CA: Sage publications. Duncombe, D. (2018). A multi-institutional study of the perceived barriers and facilitators to implementing evidence-based practice. Journal of Clinical Nursing, 27(5-6), 1216-1226. doi:10.1111/jocn.14168 Fineout-Overholt, E. (2018). ARCC-E EBP in education scales: Scoring & interpretation monograph. Hallsville, TX: Author. International Council of Nurses. (2012). Closing the gap: From evidence to action. Geneva: Author. Melnyk, B., Fineout-Overholt, E., Feinstein, N., Li, H., Small, L., Wilcox, L., & Kraus, R. (2004). Nurses’ perceived knowledge, beliefs, skills, and needs regarding evidence-based practice: Implications for accelerating the paradigm shift. Worldview on Evidence-Based Nursing, 1(3), 185-193. doi:10.1111/j. 1524-475X.2004.04024.x Melnyk, B. M., Fineout-Overholt, E., Gallagher-Ford, L., & Kaplan, L. (2012). The state of evidence-based practice in US nurses: Critical implications for nurse leaders and educators. Journal of Nursing Administration, 42(9), 410-417. doi:10.1097/NNA.0b013e3182664e0a Melnyk, B. M., Gallagher‐Ford, L., Long, L. E., & Fi-

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DANIELA FILIPA BATISTA CARDOSO et al.

151


ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) RESEARCH PAPER (ORIGINAL)

ISSNe: 2182.2883 Disponível em: https://doi.org/10.12707/RIV19064

Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto Validation of urinary retention evaluation nursing protocol and nursing diagnosis in adults Validación del protocolo de enfermería para la evaluación y el diagnóstico de la retención urinaria en adultos Catarina Isabel Viegas Ferreira*

; Isabel Maria Henriques Simões**

Resumo Enquadramento: Nas situações em que o doente tem manifestações de retenção urinária (RU), nem sempre o exame físico é conclusivo, recorrendo o enfermeiro, frequentemente, a cateterismo urinário, incorrendo o doente a riscos associados a esta intervenção, como a infeção do trato urinário. Objetivo: Validar o conteúdo de um protocolo de enfermagem de avaliação e diagnóstico de RU no adulto, com recurso à ultrassonografia vesical, para utilização pelos enfermeiros portugueses. Metodologia: Estudo metodológico, com a opinião de peritos através da técnica Delphi e do Modelo de Fehring adaptado ao contexto cultural. Resultados: Obteve-se a validação do protocolo na primeira ronda da técnica Delphi, com a participação de 42 peritos (IVC ≥ 0,90). Na segunda ronda da técnica Delphi, com 26 peritos, objetivou-se aperfeiçoar o protocolo (IVC ≥ 0,88). Conclusão: A validação do presente protocolo representa um incremento no conhecimento em enfermagem. Considera-se que o instrumento é um suporte teórico e prático, promotor da qualidade dos cuidados de enfermagem. Palavras-chave: protocolos de enfermagem; ultrassonografia; retenção urinária; avaliação e/ou estudos de validação; diagnóstico de enfermagem

Abstract

Resumen

Background: In situations where the patient manifests urinary retention (UR), the physical examination is often inconclusive. Consequently, urinary catheterization is often the alternative procedure, leading to risks associated with this procedure for the patient, like urinary tract infection. Objective: To validate the content of a nursing protocol for the evaluation and diagnosis of UR in adults, with the support of the bladder scan, for use by Portuguese nurses.  Methodology: Methodological study, with the opinion of experts through the Delphi technique and the Fehring Model, adapted to the cultural context. Results: Validation of the protocol was achieved in the first round of the Delphi technique, with the participation of 42 experts (CVI ≥ 0.90). The second round of the Delphi technique, with 26 experts, aiming at improving the protocol, obtained a CVI ≥ 0.88. Conclusion: The validation of this protocol represents an improvement in nursing knowledge. The instrument is considered a theoretical and practical means to support the promotion of nursing care quality. 

Marco contextual: En situaciones en las que el paciente tiene episodios de retención urinaria (RU), el examen físico no siempre es concluyente. El enfermero utiliza a menudo el sondaje urinario, una intervención que conlleva riesgos asociados para el paciente, tales como infección del tracto urinario. Objetivo: Validar el contenido de un protocolo de enfermería de evaluación y diagnóstico de la RU en el adulto, para lo cual se recurrió a la ecografía vesical, con el fin de que lo utilicen los enfermeros portugueses. Metodología: Estudio metodológico, con la opinión de expertos a través de la técnica Delphi y del Modelo Fehring adaptado al contexto cultural. Resultados: La validación del protocolo se obtuvo en la primera ronda de la técnica Delphi, con la participación de 42 expertos (IVC ≥ 0,90). La segunda ronda de la técnica Delphi, con 26 expertos, tuvo como objetivo perfeccionar el protocolo (IVC ≥ 0,88). Conclusión: La validación del presente protocolo supone un aumento de los conocimientos de enfermería. Se considera que el instrumento es un apoyo teórico y práctico para promover la calidad de la atención de enfermería.

Keywords: nursing protocols; ultrasonography; urinary retention; evaluation and/or validation studies; nursing diagnosis

Palabras clave: protocolos de enfermería; ultrasonografía; retención urinaria; evaluación y/o estudios de validación; diagnóstico de enfermería

*MSc., Enfermeira, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, 3004-561, Coimbra, Portugal [ferreira.viegas@gmail.com]. https://orcid.org/0000-0002-2590-8328.

Œ¼±FÁQEŒ8±¼tU±bO†|8YbY8Y´Vœb´¦Á´8FF†t±9oO8V8Œ9†´bYbY8Y´V discussão e escrita do artigo. Morada para correspondência: Rua Vale de Porcas 196 F, 3030-422, Coimbra, Portugal. **MSC., Professora Adjunta, Escola Superior de Enfermagem de Coimbra. Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem, 3046-851, Coimbra, Portugal [isabels@ esenfc.pt]. https://orcid.org/0000-0002-2534-9722. Contribuição no artigo: análise de dados, discussão e escrita do artigo.

Recebido para publicação em: 18.09.19 Aceite para publicação em: 29.11.19

Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OUT./NOV./DEZ.2019

pp. 153 - 164


Introdução A retenção urinária (RU) no adulto é um diagnóstico de enfermagem frequente em diversas condições patológicas. A taxonomia NANDA Internacional (NANDA-I) define-a como a incapacidade de esvaziar completamente a bexiga (NANDA International, 2018). Já o Conselho Internacional de Enfermeiros (International Council of Nurses - ICN) considera-a o status urinário, com esvaziamento incompleto da bexiga por perda da sua função muscular, consequente de medicação narcótica ou de lesão vesical (Conselho Internacional de Enfermeiros, 2016). O diagnóstico de enfermagem RU é difícil de realizar apenas com a história clínica e o exame físico do doente, pelo que se recorre com alguma frequência à cateterização vesical (CV) que nem sempre confirma o diagnóstico RU. Justifica-se por isso, que o seu diagnóstico seja realizado com recurso a meios tecnológicos, especificamente a ultrassonografia (US), que permite fazer a correta avaliação do volume vesical (VV) ou do volume residual (VR), evitando CV desnecessárias e, consequentemente, o risco de infeção do trato urinário associada ao cateter urinário (ITUACU; Mendes, 2012). Os protocolos de enfermagem são um suporte teórico de padronização dos cuidados, que, quando baseados na evidência, são uma valiosa ferramenta para práticas seguras (Pimenta, Pastana, Sichieri, Solha, & Souza, 2015). Este estudo tem como objetivo validar o conteúdo de um protocolo de enfermagem de avaliação e diagnóstico de RU no adulto, com recurso à US vesical, para utilização pelos enfermeiros portugueses.

Enquadramento O enfermeiro tem um papel fundamental na prevenção da RU, pela identificação dos fatores de risco do doente para o desenvolvimento deste status. Entre eles, destacam-se: idade avançada; patologia prostática, enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC); problemas no esvaziamento da bexiga; infeção urinária; alterações cognitivas/estado confusional; diabetes; neuropatia alcoólica; obstipação; dor severa; imobilidade prolongada; stress emocional e uso de drogas anticolinérgicas ou opióides. Conside-

ram-se ainda as situações de doença aguda (trauma e intoxicação), VR ≥ 200ml, a administração de grandes volumes de fluidos, a remoção de CV, o pré e pós-operatório, e a analgesia epidural (Johansson et al., 2012), pelo que os mesmos autores criaram um protocolo de atuação de avaliação do VV ou VR, defendendo que deve ser realizado cateterismo intermitente nos doentes com VR >499ml e <999ml. Buchko, Robinson, e Bell (2013) realizaram um estudo piloto, em mulheres submetidas a cirurgia ginecológica, com o objetivo de perceber se a implementação de um protocolo baseado em evidências, acompanhado por um processo formativo dos enfermeiros sobre RU e o uso de US portátil, reduzia a incidência de RU pós-operatória. Os resultados apontaram que a implementação do protocolo e a formação reduziu a incidência de RU, a distensão vesical e o número de cateterismos intermitentes, pelo aumento do número de avaliações de VV. Segundo Widdall (2015) é importante a implementação de protocolos, com recurso a US portátil na prática clínica nas unidades de reabilitação, dado que muitos doentes apresentam alterações neurológicas e défices funcionais promotores de disfunções vesicais. Mendes (2012) realizou uma revisão sistemática com o objetivo de verificar se a utilização de US, na avaliação do VV em pessoas com RU aguda, era uma prática sustentada pela evidência científica e, se a sua utilização interferia na prática dos profissionais. Os resultados apontaram para a existência de evidência de que a US na avaliação do VV era o procedimento de eleição, em detrimento da pesquisa de globo vesical por palpação abdominal e da colocação de CV intermitente. A mesma revisão apontou a US como um método sensível no diagnóstico de disfunções vesicais, e para a correlação entre os VV medidos através da CV intermitente e a utilização do US portátil. O presente protocolo, baseado em evidências científicas, foi desenvolvido por Jorge (2017), e teve como objetivo padronizar a avaliação e o diagnóstico da RU no adulto com utilização de US vesical. Jorge (2017) validou o conteúdo do protocolo para utilização pelos enfermeiros brasileiros. No entanto, destacando a necessidade de realização de outros estudos para a aplicação do protocolo na prática clínica. Nesse sentido, investigadores portugueses realizaram o presente estudo com o objetivo de validar o conteúdo do

Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto

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protocolo, para a sua utilização pelos enfermeiros portugueses. Esta ferramenta é constituída por duas partes, uma introdutória sobre a avaliação e diagnóstico de RU, outra pelo protocolo propriamente dito. Este, é constituído por três etapas: 1) instrução do enfermeiro para a colheita de informação que fundamente a suspeita de RU; 2) orientação para a utilização do ecógrafo vesical; 3) apresentação dos parâmetros clínicos que suportam o diagnóstico RU, em contexto de obstetrícia, de reabilitação e no pós-operatório. Do protocolo consta ainda um esquema com as imagens de cada passo da utilização do US.

Questão de Investigação Existe suporte empírico para validar o protocolo de enfermagem de avaliação e diagnóstico de RU no adulto com recurso à ultrassonografia vesical para utilização pelos enfermeiros em Portugal?

Metodologia Trata-se de um estudo metodológico com abordagem quantitativa, com a finalidade de validar o conteúdo de um protocolo de enfermagem de avaliação e diagnóstico de RU no adulto com recurso à ultrassonografia vesical, para utilização pelos enfermeiros portugueses. Optou-se por uma amostragem não probabilística, por redes, por facilitar a inclusão de profissionais com as características pretendidas. A colheita de dados foi realizada durante um período de 30 dias, nos meses de setembro a outubro de 2016. Os 180 indivíduos contactados inicialmente, resultaram de contactos pessoais dos investigadores que sugeriram outros profissionais passíveis de participarem no estudo. A amostra foi constituída por enfermeiros com título profissional de especialista e médicos especialistas ou em internato de especialidade, com experiência profissional ≥ 2 anos em unidades de reabilitação, ortopedia, cuidados pós-anestésicos (UCPA), ginecologia, obstetrícia, neurologia, medicina interna e cirurgia de instituições hospitalares públicas e privadas; e professores de Cursos de Enfermagem e Medicina com experiência em supervisão clínica nas mesmas unidades. Considerou-se como critério ter experiência profissional nas referidas unidades,

CATARINA ISABEL VIEGAS FERREIRA et al.

porque é nelas que os doentes apresentam maior risco de desenvolverem RU. A colheita de dados foi realizada via email, com apresentação do link para o Google Docs, onde constava a identificação e contacto dos investigadores e a explicação do estudo de forma a obter o consentimento informado, após o qual o participante era encaminhado para os links de acesso ao protocolo. O questionário da primeira ronda foi desenvolvido por Jorge (2017), sobre o qual os investigadores portugueses fizeram ajustes linguísticos e de adaptação cultural, visando um protocolo único para ser utilizado no Brasil e em Portugal. O questionário era constituído por 42 perguntas, organizado em duas partes: 1) caracterização sociodemográfica e profissional dos participantes; 2) avaliação do protocolo com questões sobre objetivos, conteúdo, linguagem, relevância, funcionalidade e usabilidade do protocolo. A avaliação foi feita por escala tipo Likert: concordo fortemente (CF), concordo (C), discordo (D), discordo fortemente (DF) e não sei (NS), como o preconizado pelo modelo de Fehring e pela técnica Delphi (Egaña, Araya, Núnez, & Camus 2014; Rozados, 2015). Dos 180 questionários enviados, apenas foram devolvidos 47, e, destes, cinco foram eliminados, por os participantes não obedecerem aos critérios de inclusão. As sugestões dos peritos foram analisadas individualmente quanto à relevância e pertinência. Seguiu-se a segunda ronda da técnica Delphi, com envio de novo email aos 42 peritos que responderam à primeira, com os mesmos procedimentos referidos na ronda anterior, apenas com alteração do protocolo, de acordo com as sugestões. Para cada alteração os participantes contaram igualmente com cinco opções de resposta (escala tipo Likert) de forma a que cada participante validasse a alteração efetuada. Dadas as respostas não houve necessidade de efetuar alterações na segunda versão do protocolo. A aplicação Google Docs permite que as respostas sejam automaticamente registadas na base de dados, que posteriormente são exportadas para ficheiro Excel, e depois transferidas para o IBM SPSS Statistics, versão 22.0 onde foram analisadas. Seguindo o modelo de Fehring, procedeu-se à análise das respostas através do Índice de Validade de Conteúdo (IVC), que mediu o grau de concordância entre os peritos sobre cada item, através da razão entre o número de concordan-

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tes (concordo fortemente + concordo) e o número total de peritos (Egaña et al., 2014). Apesar de na literatura não haver consenso relativo aos valores de IVC para a validação de conteúdo, cabendo ao investigador a definição do mesmo, foi considerado nível de corte valores de IVC ≥ 0,80. Nesta linha, Egaña et al. (2014) referem que todos os itens avaliados com IVC < 0,80 devem ser descartados e considerados críticos. Nesta investigação foram preservados todos os princípios ético-legais decorrentes da investigação científica. Tendo o estudo sido submetido ao parecer da Comissão de Ética da Unidade de Investigação em Ciências da Saúde: Enfermagem da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, obtendo parecer favorável à investigação (P354-07/2016).

des entre 30 e 40 anos, sendo a média de idades 40,5 anos. A amostra constituiu-se por 41 enfermeiros e 1 médico, com especialidade e/ ou mestrados, a maioria (88,1%) cuidava de doentes com diagnóstico de enfermagem RU. Já na utilização do US portátil no diagnóstico de RU, apenas 28,6% afirmou ter experiência. Na segunda ronda obtiveram-se apenas 26 respostas de peritos, das quais 65,4% eram do sexo feminino e 61,5% tinham idades entre 30 e 40 anos, sendo a média de idades 39 anos. A amostra constituiu-se por enfermeiros especialistas e/ou mestrados, sendo que a maioria (88,5%) prestava cuidados a doentes com diagnóstico de enfermagem RU. Quanto à experiência na utilização do US portátil para diagnóstico de RU, apenas 38,5% afirmou ter. Validação do protocolo Os objetivos do protocolo foram considerados adequados e possíveis de serem alcançados pela maioria dos peritos. O IVC foi de 0,97 (Tabela 1).

Resultados Na primeira ronda, dos 42 peritos, 57,1% eram do sexo feminino e 54,8% tinham idaTabela 1 Validação dos objetivos do protocolo (n = 42)

Graus de concordância Afirmações/itens

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

Os objetivos estão adequados para serem alcançados

19 (45,2%)

22 (52,4%)

-

-

1 (2,4%)

0,97

Os objetivos são coerentes com a prática clínica

20

21 (50%)

-

-

1 (2,4%)

0,97

(47,6%)

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

O conteúdo do protocolo foi validado com IVC ≥ 0,92 (Tabela 2). Tabela 2 Validação do conteúdo do protocolo (n = 42) Graus de concordância Afirmações/itens

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

O conteúdo corresponde aos objetivos propostos no trabalho

20 (47,6%)

21 (50%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

O conteúdo facilita o processo de diagnóstico de enfermagem de RU

20 (47,6%)

22 (52,4%)

-

-

-

1

Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto

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O conteúdo permite a compreensão do tema

24 (57,1%)

18 (42,9%)

-

-

-

1

O conteúdo obedece a uma sequência lógica

23 (54,8%)

18 (42,9%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

O conteúdo incorpora de forma ordenada todos os passos necessários para o diagnóstico de enfermagem de RU

21(50%)

19 (45,2%)

2 (4,8%)

-

-

0,95

O conteúdo dispõe de todos os itens necessários para diagnóstico de enfermagem de RU

17 (40,5%)

22 (52,4%)

2 (4,8%)

-

1 (2,4%)

0,92

As informações que o protocolo apresenta são corretas

18 (42,9%)

22 (52,4%)

1 (2,4%)

-

1 (2,4%)

0,95

As informações que o protocolo apresenta são claras

19 (45,2%)

22 (52,4%)

-

1 (2,4%)

-

0,97

As informações que o protocolo apresenta estão objetivas

21 (50%)

20 (47,6%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

O esquema ilustrativo mostra de forma clara o conteúdo apresentado

20 (47,6%)

21 (50%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

O esquema ilustrativo indica aspetos importantes

20 (47,6%)

22 (52,4%)

-

-

-

1

O esquema ilustrativo demonstra nitidez adequada para visualização

19 (45,2%)

21 (50%)

2 (4,8%)

-

-

0,95

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

A linguagem do protocolo foi validada com concordância total (Tabela 3). Tabela 3 Validação da linguagem do protocolo (n = 42) Graus de concordância Afirmações/itens

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

O protocolo apresenta linguagem clara

22 (52,4%)

20 (47,6%)

-

-

-

1

O protocolo apresenta linguagem objetiva

23 (54,8%)

19 (45,2%)

-

-

-

1

O protocolo apresenta linguagem acessível para sua utilização

22 (52,4%)

20 (47,6%)

-

-

-

1

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

A relevância do protocolo foi validada com IVC ≥ 0,97 (Tabela 4).

CATARINA ISABEL VIEGAS FERREIRA et al.

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Tabela 4 Validação da relevância do protocolo (n = 42) Graus de concordância Afirmações/itens

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

O protocolo apresenta aspetos importantes para o diagnóstico de enfermagem de RU

22 (52,4%)

20 (47,6%)

-

-

-

1

O protocolo é relevante para que o profissional possa realizar o diagnóstico de enfermagem de RU

21 (50%)

20 (47,6%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

17 (40,5%)

25 (59,5%)

-

-

-

1

O protocolo permite transferência do conteúdo aprendido

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

No que concerne à funcionalidade do protocolo, esta foi validada com IVC ≥ 0,95, ten-

do-se obtido concordância total em dois itens (Tabela 5).

Tabela 5 Validação da funcionalidade do protocolo (n = 42) Graus de Concordância Afirmações/itens

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

O protocolo apresenta-se como ferramenta adequada para o objetivo a que se destina

17 (40,5%)

24 (57,1%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

O protocolo possibilita gerar resultados positivos no diagnóstico de enfermagem de RU

20 (47,6%)

22 (52,4%)

-

-

-

1

O protocolo possibilita diminuir cateterismos urinários desnecessários

29 (69,0%)

13 (31,0%)

-

-

-

1

O protocolo possibilita diminuir as taxas de infeção urinária

26 (61,9%)

14 (33,3%)

2 (4,8%)

-

-

0,95

O protocolo possibilita resultados positivos na prática clínica ao paciente com RU

24 (57,1%)

17 (40,5%)

1 (2,4%)

-

-

0,97

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

Por fim, a usabilidade do protocolo foi validada com IVC ≥ 0,92 (Tabela 6).

Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto

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Tabela 6 Validação da usabilidade do protocolo (n = 42) Graus de concordância Afirmações/itens

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

O protocolo é fácil de usar

21 (50%)

19 (45,2%) 1 (2,4%) 1 (2,4%)

-

0,95

O protocolo é de fácil compreensão e assimilação dos conceitos teóricos utilizados

23 (54,8%)

19 (45,2%)

-

-

1

O protocolo permite que o profissional tenha facilidade em aplicá-lo na prática clínica

20 (47,6%)

19 (45,2%) 2 (4,8%)

-

1 (2,4%)

0,92

-

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

Embora todos os itens do protocolo tenham sido validados na primeira ronda com IVC > 0,90, foram realizadas alterações pontuais ao protocolo, sugeridas pelos peritos. Pelo que se procedeu a uma segunda ronda seguindo a

técnica Delphi, para validação das alterações efetuadas. Verificou-se que as sugestões propostas pelos peritos foram todas validadas com IVC ≥ 0,88 (Tabela 7).

Tabela 7 Validação das alterações efetuadas no protocolo (n = 26) Graus de concordância Alterações Na página 1 do protocolo, na “Introdução” foram inseridas as referências dos autores que definem a RU. Na página 2 do protocolo, nos “Fatores de risco para RU”, foi alterado o penúltimo item: “Uso de alguns fármacos, entre os quais: anticolinérgicos, antiespasmódicos, antidepressivos tricíclicos, antiparkinsonianos, opióides e anestésicos.” Na página 3 do protocolo, no primeiro parágrafo, foi alterado o objetivo: “Este documento tem como objetivo geral estabelecer, em etapas, um protocolo de avaliação clínica para o diagnóstico de enfermagem de retenção urinária em pacientes adultos, baseado em evidências científicas.” Na página 4 do protocolo, no item “Etapa 1. Colheita de Dados” foi adicionado o item: “F) Realizar a higienização das mãos. (Grau A)”

CF n(%)

C n(%)

D n(%)

DF n(%)

NS n(%)

IVC

14 (53,8%)

12 (46,2%)

-

-

-

1

15 (57,7%)

11 (42,3%)

-

-

-

1

13 (50%)

-

-

-

1

-

-

-

1

13 (50%)

16 (61,5%)

CATARINA ISABEL VIEGAS FERREIRA et al.

10 (38,5%)

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Na página 4 do protocolo, no item: “1) Anamnese” foram inseridos os seguintes componentes: “B) No caso de ser um paciente com compromisso de comunicação, observar se apresenta agitação sem motivo aparente. (Grau B)” Na página 4 do protocolo, no item: “1) Anamnese” foram inseridos os seguintes componentes: “E) Indagar se o paciente apresenta perdas urinárias. (Grau B)” Na página 5 do protocolo, no item: “4) Palpação” foi inserido: “B) Realizar a higienização das mãos. (Grau A)” Na página 5 do protocolo na Etapa 2, e no esquema ilustrativo, no item “1) Uso do Ultrassom Portátil de Bexiga” foi reformulado o seguinte item: “À cabeceira do leito preparar o ultrassom portátil de bexiga com os equipamentos necessários: 1) gel condutor; 2) luva de procedimento; 3) papel ou compressa de tecido para remoção do gel. (Grau B)” Na página 6 do protocolo na Etapa 2 e no esquema ilustrativo, no item “1) Uso do Ultrassom Portátil de Bexiga” foi reformulado o seguinte item: “O) Para pacientes do sexo feminino submetidas à histerectomia total, pressionar o botão do género masculino. (Grau B)” Na página 7 do protocolo na Etapa 2 e no esquema ilustrativo, no item “1) Uso do Ultrassom Portátil de Bexiga” foi reformulado o seguinte item: A.E.) Realizar a higienização das mãos e registo de enfermagem. (Grau A)” Na página 7 do protocolo, na Etapa 3 “Parâmetros clínicos e de volume de urina considerados como RU” foi modificado o item: [“D) Na clínica de reabilitação: ≥100ml de volume de urina retido na bexiga, pós-micção voluntária. (Grau A)” O título do esquema ilustrativo foi reformulado: “Protocolo de avaliação clínica para o diagnóstico de enfermagem de retenção urinária em pacientes adultos-Uso do Ultrassom Portátil de Bexiga”

15 (57,7%)

10 (38,5%)

1 (3,8%)

-

-

0,96

13 (50%)

-

-

-

1

17 (65,4%)

9 (34,6%)

-

-

-

1

11 (42,3%)

14 (53,8%)

-

-

0,96

15 (57,7%)

8 (30,8%) 2 (7,7%)

1 (3,8%)

0,88

17 (65,4%)

9 (34,6%)

16 (61,5%)

10 (38,5%)

14 (53,8%)

11 (42,3%)

13 (50%)

1 (3,8%)

-

-

-

-

1

-

-

-

1

-

-

0,96

1 (3,8%)

Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto

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Foi inserida uma nota no rodapé do esquema ilustrativo: “O referido protocolo é específico para avaliação clínica e diagnóstico de enfermagem de retenção urinária em pacientes adultos com o uso do ultrassom portátil de bexiga, modelo Verathon Bladderscan BVI 3000®”

14 (53,8%)

10 (38,5%)

1 (3,8%)

Foi inserida marcação no esquema ilustrativo: “Item R”

11 (42,3%)

12 (46,2%)

1 (3,8%)

Foi inserida marcação no esquema ilustrativo: “Item V”

11 (42,3%)

12 (46,2%)

1 (3,8%)

1 (3,8%)

0,92

-

2 (7,7%)

0,88

-

2 (7,7%)

0,88

-

Nota. CF= Concordo fortemente; C= concordo; D= discordo; DF= discordo fortemente; NS= não sei; IVC= índice de validade de conteúdo.

Discussão

outras técnicas não invasivas, como a palpação de globo vesical e a observação de sinais como sudorese e agitação, conforme descrito nas várias etapas do protocolo. No entanto, uma vez que as unidades de neurologia apresentam uma componente relevante de atividades de reabilitação, consideramos adequada a aplicação deste protocolo nestas unidades, respeitando os parâmetros clínicos de RU em reabilitação. As amostras de peritos nas duas rondas mostraram-se qualificadas, uma vez que, todos os participantes detinham a experiência clínica exigida, os enfermeiros detinham o título de especialista e/ou mestre e, o único médico que participou na primeira ronda era especialista e tinha curso de pós-graduação. Igualmente mais de metade dos peritos das duas amostras tinham grau de mestre, na primeira ronda a maioria tinha entre 10 a 30 anos de exercício profissional, enquanto na segunda ronda a maioria tinha entre 10 a 20 anos de exercício profissional, evidenciando um grau de expertise superior e adequado à validação do protocolo. Nas duas amostras, a maioria dos peritos exercia funções na área da prestação direta de cuidados a doentes com RU, e tinham participado em algum evento científico relacionado com a sua área de atuação. Rozados (2015) apontou os critérios de expertise dos participantes na técnica Delphi: tempo que o perito dedica ao tema como pesquisador; docente em funções públicas ou privadas; publicações relacionadas com o tema em pesquisa; e participação em eventos científicos relacionados com o assunto do estudo Delphi. Apesar de evidenciarem experiência na avaliação e de diagnóstico de RU, constatou-se que a

Foram consideradas limitações do estudo a abstenção de respostas nas duas rondas e o curto período de colheita de dados, no entanto, considera-se que as amostras são representativas. Verificou-se uma taxa de resposta reduzida, cerca de 26,1%, indo ao encontro do que é apontado como desvantagens da realização de colheita de dados pela internet (Apostolico & Egry, 2013). Os autores consideram que os meios digitais são ainda pouco utilizados para obtenção de dados primários, sendo apenas usados em estudos de validação, como é o caso da presente investigação. Também o facto de o protocolo apresentar parâmetros clínicos, que suportam o diagnóstico RU, apenas em contexto de obstetrícia, de reabilitação e de pós-operatório, pode ser uma limitação do estudo. Os doentes internados em unidades de ortopedia, ginecologia, neurologia e medicina interna, apresentam também risco acrescido de desenvolverem RU, consequente do seu diagnóstico clínico. A RU crónica está usualmente associada a disfunções neurológicas, tais como esclerose múltipla, lesões medulares e AVC (Seth, Haslam, & Panicker, 2014). Mendes (2012) relembra a forte incidência de RU nas pessoas vítimas de AVC, que conduz a inúmeros procedimentos, nomeadamente a algaliação intermitente, a vigilância de sinais de RU e a utilização de equipamento de avaliação do VV. Da revisão sistemática realizada pela mesma autora, destaca-se o facto de o uso da US vesical estar associado à diminuição do número de algaliações desnecessárias. Isto porque, complementa os resultados obtidos através de

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maioria não utilizava a US para realização do mesmo, refletindo a carência dos serviços e a necessidade de formação sobre a utilização desta tecnologia nos cuidados ao doente. Validação do protocolo Verificou-se neste estudo, que todos os itens analisados foram validados, havendo um consenso total interperitos (IVC = 1) nos itens referentes ao conteúdo do protocolo: “O conteúdo facilita o diagnóstico de retenção urinária”; “O conteúdo permite a compreensão do tema” e “O esquema ilustrativo indica aspetos importantes do protocolo”. Os peritos mantiveram-se totalmente consensuais relativamente à clareza, objetividade e acessibilidade do protocolo. O mesmo aconteceu em relação à relevância do protocolo, ao afirmarem que “O protocolo apresenta aspetos importantes para o diagnóstico de enfermagem” e “O protocolo permite a transferência do conteúdo aprendido”. Assim, entende-se que este protocolo vai ao encontro do preconizado por Pimenta et al. (2015), que afirmam que os protocolos devem ter boa qualidade formal, serem de fácil leitura, confiáveis, terem conteúdo baseado em evidências científicas e serem válidos. Também na funcionalidade do protocolo houve consenso total nas afirmações: “O protocolo possibilita a obtenção de resultados positivos no diagnóstico de RU” e “O protocolo possibilita diminuir cateterismos urinários desnecessários”. Ressalve-se que os itens “O protocolo possibilita diminuir as taxas de infeção urinária” obteve IVC = 0,95; e “O protocolo possibilita resultados positivos na prática clínica ao paciente com RU” obteve IVC = 0,97, indo ao encontro do que é afirmado por Johansson et al. (2012), que afirmam que a RU é uma complicação bastante frequente nos doentes hospitalizados, que a algaliação permanente é o tratamento mais comum e responsável por 80% das ITUAC. Defendem ainda, que o uso apropriado de US vesical, reduz os danos vesicais provocados pela RU e a necessidade de algaliação permanente, reduzindo, consequentemente, as taxas de infeção urinária e os custos associados. Relativamente à usabilidade, houve anuência total na compreensão e assimilação dos conceitos teóricos utilizados. Os restantes itens obtiveram níveis de consenso de 0,95 a 0,97, refletindo também um elevado nível de concor-

dância entre os peritos, reforçando a validação do protocolo. Reconhecendo a expertise dos avaliadores e objetivando um aperfeiçoamento do protocolo, seguiu-se a segunda fase da técnica Delphi. Cerca de 54% das alterações obtiveram concordância total (IVC = 1), sendo que as restantes obtiveram valores de concordância entre 0,880,96, mantendo-se a validação do protocolo. Uma das alterações que apresentou IVC = 1 refere-se à definição de RU para VR ≥ 100ml em clínica de reabilitação. De facto, Kim et al. (2012) realizaram um estudo com o objetivo de relacionar o VR com a incidência de infeção urinária, em doentes que sofreram AVC em unidades de reabilitação, ao que concluíram que a cateterização intermitente, em situações de VR ≥ 100ml, representa uma medida preventiva da infeção urinária pós-AVC. Da mesma forma, Widdall (2015) sugere a algaliação intermitente para VV ≥ 400ml, acrescentando que em caso de RU recorrente, deve ser realizada CV contínua, tal como sugerido no presente protocolo. Na colheita de dados, a introdução de mais momentos de higienização das mãos, antes de se iniciar a anamnese, no final da palpação e após a utilização do US, representam três alterações do protocolo que obtiveram IVC = 1. Entende-se que esta medida, apresentada neste protocolo, é um passo determinante para a sua validação, indo ao encontro do que é preconizado pelas precauções básicas de controlo das infeções associadas aos cuidados de saúde (IACS; Direção-Geral de Saúde, 2017). Nusee, Ibrahim, Mohd, e Ismail (2014) realizaram um estudo transversal com puérperas num hospital da Malásia, com objetivos de determinar com precisão os volumes vesicais através da US; comparar estas medições com os volumes obtidos por cateterização uretral e identificar os fatores que podem influenciar a medição de VV com o US. Os resultados obtidos apontam para a utilização de US na medição de VV no período pós-parto, como uma técnica equiparada à cateterização uretral. Salientando o facto de não ser invasiva, de fácil uso, confortável e bem aceite pelo doente e pelos profissionais de saúde e não ter risco de infeção ou trauma. Também Balderi, Mistraletti, D’Angelo, e Carli (2011) realizaram um estudo observacional, cujo objetivo era avaliar a incidência de RU

Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto

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no pós-operatório, em doentes submetidos a artroplastia do joelho ou da anca e, avaliar a eficácia do uso de um protocolo de avaliação e diagnóstico de enfermagem RU através da US. Verificaram que a incidência de RU, com necessidade de cateterização vesical >48h era de 17% e, que a utilização de um protocolo de avaliação e diagnóstico de enfermagem de RU através da US era eficaz, permitindo a redução de CV. Também Pimenta et al. (2015) apontaram como vantagens do uso de protocolos de enfermagem: aumento da segurança dos doentes e profissionais; padronização dos cuidados prestados; promoção da tomada de decisão fundamentada pelo enfermeiro; facilitação da inclusão de novas tecnologias, utilização mais racional dos recursos disponíveis; e o desenvolvimento de indicadores de processo e de resultados. Em suma, o presente estudo reforça a importância da existência de protocolos de enfermagem, baseados na evidência científica, que suportem a tomada de decisão em enfermagem, assegurando uma prestação de cuidados seguros. Este estudo validou o conteúdo do protocolo de enfermagem de avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto, permitindo aos enfermeiros a avaliação de RU em adultos com segurança e à luz das evidências mais atuais, promovendo a prevenção das IACS. O conhecimento que os enfermeiros possuem sobre avaliação de RU e a sua atuação perante este diagnóstico, pode agora ser sustentado com a utilização deste protocolo.

Conclusão Para a validação do protocolo, recorreu-se ao modelo de Fehring e à técnica Delphi, obtendo-se um IVC ≥ 0,88 para cada item da versão final do protocolo, existindo suporte empírico para afirmar a sua validade, tendo sido alcançado o objetivo do estudo. Com a validação do presente protocolo, os enfermeiros poderão fazer uso de um instrumento que facilite a prestação de cuidados a doentes com risco de desenvolver RU. A utilização de protocolos de enfermagem de avaliação e diagnóstico de RU permite ao enfermeiro agir de acordo com a evidência científica de forma padronizada, evitando erros de diagnóstico e salvaguardando os direitos dos doentes de serem

CATARINA ISABEL VIEGAS FERREIRA et al.

cuidados à luz do conhecimento mais atual. Este estudo realça a importância da utilização de protocolos na prestação de cuidados de enfermagem e, enfatiza também, a relevância do recurso às tecnologias existentes para avaliação dos VV, como a US vesical. A utilização deste dispositivo não invasivo para mensuração de VV, representa uma estratégia preventiva de IACS, nomeadamente a ITUACU, na medida em que evita cateterismos urinários desnecessários. Contribui também, para redução no número de algaliações intermitentes, com consequente redução de custos e do tempo despendido pelos enfermeiros e, aumenta a satisfação pelos doentes. O presente protocolo é dirigido a contextos de obstetrícia, reabilitação e pós-operatório, podendo ter aplicabilidade também nas unidades de ortopedia, ginecologia, neurologia, medicina interna e cirurgia, adotando os parâmetros usados para os contextos de reabilitação e de pós-operatório, de acordo com a situação específica de cada doente. Por último, apesar de o protocolo apresentar parâmetros clínicos padronizados, não discriminando a capacidade vesical de cada doente, sabe-se que os estudos urodinâmicos, para avaliação da capacidade vesical dos doentes, são realizados predominantemente em unidades de reabilitação, considerando-se que este instrumento pode ser utilizado pelos enfermeiros, em complementaridade com outras estratégias. Concluída a validação de conteúdo do instrumento, sugere-se a sua implementação nos serviços de reabilitação, ortopedia, UCPA, ginecologia, obstetrícia, neurologia, medicina interna e cirurgia. Agradecimentos Os autores gostariam de agradecer ao Professor José Carlos Martins pela sua contribuição na colheita de dados, tratamento e avaliação estatística. Referências bibliográficas Apostolico, M., & Egry, E. (2013). Uso da internet na coleta de dados primários na pesquisa em enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, 66(6), 949-55. doi: org/10.1590/S0034-71672013000600021 Balderi, T., Mistraletti, G., D’Angelo, E., & Crali, F. (2011). Incidence of postoperative urinary retention

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(POUR) after joint arthroplasty and management using ultrasound-guided bladder catheterization. Minerva Anestesiologica, 77(11), 1050-7. Recuperado de https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21597444. Buchko, B. L., Robinson, L. E., & Bell, T. (2013). Translating an evidence-based algorithm to decrease early post-operative urinary retention after urogynecologic surgery. Urologic Nursing, 33(1). 24-32. doi:10.7257/ 1053-816X.2013.33.1.24 Conselho Internacional de Enfermeiros. (2016). Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem: CIPE® versão 2015. Lisboa, Portugal: Ordem dos Enfermeiros Direção-Geral de Saúde. (2017). Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos 2017. Lisboa, Portugal: Autor. Recuperado de https://www.sns.gov.pt/wp-content/ uploads/2017/12/DGS_PCIRA_V8.pdf Egaña, M., Araya, S., Núnez, G. & Camus, M. (2014). Métodos óptimos para determinar validez de contenido. Educación Médica Superior, 28(3), 547-558. Recuperado de http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0864-21412014000300014 Johansson, R., Malmvall, B., Andersson-Gäre, B., Larsson, B., Erlandsson, I., Sund-Levander, M., Christensson, L. (2012). Guidelines for preventing urinary retention and bladder damage during hospital care. Journal of Clinical Nursing, 22(3-4), 347-355. doi: 10.1111/j.1365-2702.2012.04229.x Jorge, M.B. (2017). Construção e validação de protocolo de avaliação clínica para o diagnóstico de enfermagem de retenção urinária em pacientes adultos (Tese de Doutoramento). Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, Brasil Kim, B., Lim, J., Lee, S., Kim, J., Koh, S., Lee, I., Lee, J. (2012). The Relation between Postvoid Residual and

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Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto

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UNIDADE DE INVESTIGAÇÃO (UICISA: E)

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RESEARCH UNIT ( U I C I S A : E )

October/November/December 2019 UICISA: E DEVELOPMENT STRATEGIC AXES TOWARDS HORIZON 2030 AXIS OF RESEARCHERS’ TRAINING

Researchers’ training, from initiation to advanced research INTERNATIONAL SEMINARS FOR RESEARCHERS’ TRAINING

¾4th/ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂů^ĞŵŝŶĂƌĨŽƌZĞƐĞĂƌĐŚĞƌƐ͛dƌĂŝŶŝŶŐʹϮϰ^ĞƉƚĞŵďĞƌϮϬϭϵ WƌĞƐĞŶƚĞƌƐʹϯ WĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϭϱ ¾ϱth/ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂů^ĞŵŝŶĂƌĨŽƌZĞƐĞĂƌĐŚĞƌƐ͛dƌĂŝŶŝŶŐʹϯĞĐĞŵďĞƌϮϬϭϵ WƌĞƐĞŶƚĞƌƐʹϯ WĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϭϱ

Figure 1. International seminars for researchers’ training

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Z^Z,tKZ<^,KW^Ͳ^ŚŽƌƚƉƌĞƐĞŶƚĂƟŽŶƐŽĨŵĂƐƚĞƌ͛ƐƐƚƵĚĞŶƚƐ ¾ϮŶĚZĞƐĞĂƌĐŚtŽƌŬƐŚŽƉϮϬϭϵʹϮϮKĐƚŽďĞƌϮϬϭϵ dĞĂĐŚĞƌƐʹϰ WƌĞƐĞŶƚĞƌƐʹϰ WĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϭϬ ¾ϯƌĚZĞƐĞĂƌĐŚtŽƌŬƐŚŽƉϮϬϭϵʹϭϵEŽǀĞŵďĞƌϮϬϭϵ dĞĂĐŚĞƌƐʹϲ WƌĞƐĞŶƚĞƌƐʹϱ

Figure 2. RESEARCH WORKSHOPS - Short presentations of master’s students

KƚŚĞƌĂĐƟǀŝƟĞƐ ¾ ,/^'ͲW^ĞŵŝŶĂƌʹϭϬĞĐĞŵďĞƌϮϬϭϵ ^ƚƌƵĐƚƵƌŝŶŐWƌŽũĞĐƚͲHistória e Epistemologia da Saúde e Enfermagem ƐƐŽĐŝĂƚĞĚ^ƚƵĚLJʹHistória, Saúde, Género, Espanha-Portugal (HISAG-EP) WƌĞƐĞŶƚĞƌƐʹϰ WĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϭϱ

¾ tŽƌŬƐŚŽƉ͗^ƵĐĐĞƐƐĨƵůdžƉĞƌŝĞŶĐĞƐŽĨƌŝĞĨ/ŶƚĞƌǀĞŶƟŽŶƐďĞƚǁĞĞŶƌĂnjŝůĂŶĚ WŽƌƚƵŐĂů͗ůŝŐŶŝŶŐŽŶĐĞƉƚƐĂŶĚ^ŚĂƌŝŶŐ<ŶŽǁůĞĚŐĞĂŶĚWƌĂĐƟĐĞ;tWĂW^ͿʹϭϬ KĐƚŽďĞƌϮϬϭϵ WƌĞƐĞŶƚĞƌʹϭ WĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϭϮ

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Figure 3. Workshop WPaPS

AXIS FOR SCIENCE SYNTHESIS AND IMPLEMENTATION

WŽƌƚƵŐĂůĞŶƚƌĞĨŽƌǀŝĚĞŶĐĞĂƐĞĚWƌĂĐƟĐĞ͗Ă:/ĞŶƚƌĞŽĨdžĐĞůůĞŶĐĞ;WWͿ tĞďƐŝƚĞ͗ŚƩƉ͗ͬͬǁǁǁ͘ĞƐĞŶĨĐ͘ƉƚͬĞŶͬƵŝĐŝƐĂͬƉĐĞďƉͺũďŝ

>ĂƚĞƐƚEĞǁƐͲ,ŝŐŚůŝŐŚƚƐ ¾WWʹƉĂƌƚŶĞƌŽĨĂŶĞǁƵƌŽƉĞĂŶĨƵŶĚĞĚƉƌŽũĞĐƚ dŚĞ^ƚƌĂƚĞŐŝĐWĂƌƚŶĞƌƐŚŝƉŝŶ/ŶŶŽǀĂƟŽŶĂŶĚĞǀĞůŽƉŵĞŶƚŽĨǀŝĚĞŶĐĞͲĂƐĞĚ,ĞĂůƚŚĐĂƌĞ ;^W/ZͿƉƌŽũĞĐƚǁĂƐĨƵŶĚĞĚǁŝƚŚŝŶƚŚĞƌĂƐŵƵƐнƉƌŽŐƌĂŵĂŶĚŝŶƚĞŐƌĂƚĞĚŝŶƚŽ<ĞLJĐͲ ƟŽŶϮͲŽŽƉĞƌĂƟŽŶĨŽƌŝŶŶŽǀĂƟŽŶĂŶĚƚŚĞĞdžĐŚĂŶŐĞŽĨŐŽŽĚƉƌĂĐƟĐĞƐ;&ŝŐƵƌĞϰͿ͘

Figure 4. Banner of the SPIDER project.

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KďũĞĐƟǀĞƐ͗dŽĚĞĐƌĞĂƐĞƚŚĞŐĂƉďĞƚǁĞĞŶƌĞƐĞĂƌĐŚĂŶĚƉƌĂĐƟĐĞŝŶŚĞĂůƚŚĐĂƌĞĂŶĚƐƵƉƉŽƌƚ ƚŚĞŝŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂůĐŽŽƉĞƌĂƟŽŶŽĨƉƌŽĨĞƐƐŝŽŶĂůƐŝŶŚĞĂůƚŚĐĂƌĞ͘dŽĂĚĚƌĞƐƐƚŚĞŶĞĞĚƐŽĨŝŵͲ ƉƌŽǀŝŶŐ ƐŬŝůůƐ ĂŶĚ ƋƵĂůŝĮĐĂƟŽŶƐ ŽĨ ƵƌŽƉĞĂŶ ƉƌŽũĞĐƚ ƉĂƌƚŶĞƌƐ ŝŶ ǀŝĚĞŶĐĞͲĂƐĞĚ ,ĞĂůƚŚ ĂƌĞ ĂŶĚ ĐƌŝƟĐĂů ƚŚŝŶŬŝŶŐ͕ ĞƐƉĞĐŝĂůůLJ ŝŶ ƚŚĞ ƚƌĂŶƐůĂƟŽŶͬŝŵƉůĞŵĞŶƚĂƟŽŶ ĂŶĚ ƵƐĞ ŽĨ ĞǀŝͲ ĚĞŶĐĞŝŶŚĞĂůƚŚĐĂƌĞĐůŝŶŝĐĂůƉƌĂĐƟĐĞ͘ ƵƌĂƟŽŶ͗ϮϰŵŽŶƚŚƐ;ϭ͘ϵ͘ϮϬϭϵʹϯϭ͘ϴ͘ϮϬϮϭͿ WĂƌƚŶĞƌƐ͗njĞĐŚZĞƉƵďůŝĐ;ƉƉůŝĐĂŶƚŽƌŐĂŶŝnjĂƟŽŶͿ͕WŽƌƚƵŐĂů;WWͬh//^͗ͬ^ŶĨͿ͕ZŽͲ ŵĂŶŝĂ;KƌĚŝŶƵůƐŝƐƚĞŶƟůŽƌDĞĚŝĐĂůŝ'ĞŶĞƌĂůŝƐƟ͕DŽĂƐĞůŽƌ^ŝƐŝƐƚĞŶƟůŽƌDĞĚŝĐĂůŝŝŶZŽͲ ŵĂŶŝĂͲ&ŝůŝĂůĂƵĐƵƌĞƐƟͿ͕^ƉĂŝŶ;/ŶƐƟƚƵƚŽĚĞ^ĂůƵĚĂƌůŽƐ///Ϳ͕ĂŶĚhŶŝƚĞĚ<ŝŶŐĚŽŵ;ĂƌĚŝī hŶŝǀĞƌƐŝƚLJͿ WƌŽũĞĐƚŽƵƚĐŽŵĞƐƌĞůĞǀĂŶƚĨŽƌWW͗ϰŵĞŵďĞƌƐŽĨWWǁŝƚŚƚŚĞ:/ǀŝĚĞŶĐĞͲďĂƐĞĚ ůŝŶŝĐĂů&ĞůůŽǁƐŚŝƉWƌŽŐƌĂŵ;&WͿĂŶĚϰĞƐƚWƌĂĐƟĐĞ/ŵƉůĞŵĞŶƚĂƟŽŶWƌŽũĞĐƚƐŝŶWŽƌͲ ƚƵŐĂů͘

WĂƐƚĐƟǀŝƟĞƐ ¾ǀĞŶƚƐ y'Ͳ/ͲEΘ:/ŽŶĨĞƌĞŶĐĞϮϬϭϵʹdƌƵƐƚǁŽƌƚŚLJǀŝĚĞŶĐĞĨŽƌYƵĞƐƟŽŶƐƚŚĂƚDĂƩĞƌͲdŚĞ ǀĂůƵĞŽĨŐƵŝĚĞůŝŶĞƐŝŶϮϭƐƚͲĐĞŶƚƵƌLJŚĞĂůƚŚĐĂƌĞ KŶϮϴKĐƚŽďĞƌͲϮEŽǀĞŵďĞƌϮϬϭϵ͕ĂŵĞŵďĞƌŽĨƚŚĞWWĐŽƌĞƐƚĂīĂƩĞŶĚĞĚƚŚĞŽŵͲ ŵŝƩĞĞŽĨŝƌĞĐƚŽƌƐ͛ŵĞĞƟŶŐ;&ŝŐƵƌĞϱͿĂŶĚƚŚĞ'Ͳ/ͲEΘ:/ŽŶĨĞƌĞŶĐĞϮϬϭϵŝŶĚĞůĂŝĚĞ͕ ƵƐƚƌĂůŝĂ͘

Figure 5. Committee of Directors’ Meeting.

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hƉĐŽŵŝŶŐĐƟǀŝƟĞƐ ¾dƌĂŝŶŝŶŐ yϭϬthŽŵƉƌĞŚĞŶƐŝǀĞ^LJƐƚĞŵĂƟĐZĞǀŝĞǁdƌĂŝŶŝŶŐWƌŽŐƌĂŵ;^ZdWͿ dŚĞWŽƌƚƵŐĂůĞŶƚƌĞĨŽƌǀŝĚĞŶĐĞĂƐĞĚWƌĂĐƟĐĞ;WWͿŝƐŽƌŐĂŶŝnjŝŶŐƚŚĞϭϬth^ZdW͘/ƚ ǁŝůůƚĂŬĞƉůĂĐĞŽŶϯͲϳ&ĞďƌƵĂƌLJϮϬϮϬĂƚƚŚĞ,ĞĂůƚŚ^ĐŝĞŶĐĞƐZĞƐĞĂƌĐŚhŶŝƚ͗EƵƌƐŝŶŐ;h//Ͳ ^͗Ϳ͕EƵƌƐŝŶŐ^ĐŚŽŽůŽĨŽŝŵďƌĂ͘

Figure 6. Banner of the 10th CSRTP.

¾ǀĞŶƚƐ y:/ƵƌŽƉĞĂŶ^LJŵƉŽƐŝƵŵϮϬϮϬͲ>ĂƵƐĂŶŶĞ͕^ǁŝƚnjĞƌůĂŶĚ dŚĞ:/ƵƌŽƉĞĂŶZĞŐŝŽŶĂů^LJŵƉŽƐŝƵŵϮϬϮϬʹWĞĂƌƐŽŶĂŶĚ&ĂŵŝůLJWĂƌƚŶĞƌƐŚŝƉĨŽƌ^ƵĐͲ ĐĞƐƐĨƵůǀŝĚĞŶĐĞͲĂƐĞĚĂƌĞ͕ĂŶĚƚŚĞŽŵŵŝƩĞĞŽĨŝƌĞĐƚŽƌƐǁŝůůďĞŚĞůĚŽŶϮϴͲϯϬƉƌŝů 2020͕ŝŶ>ĂƵƐĂŶŶĞ͕^ǁŝƚnjĞƌůĂŶĚ͘ yϭϭthŝĞŶŶŝĂů:/ŽůůŽƋƵŝƵŵ &ƌŽŵϯϭKĐƚŽďĞƌƚŽϯEŽǀĞŵďĞƌϮϬϮϬ͕ƉůĞĂƐĞũŽŝŶƵƐĨŽƌƚŚĞ:/ŽůůŽƋƵŝƵŵŝŶ^ŚĂŶŐŚĂŝ ;&ŝŐƵƌĞϳͿ͘dŚĞƚŚĞŵĞŽĨƚŚŝƐĐŽůůŽƋƵŝƵŵŝƐ/ŶƚĞŐƌĂƟŶŐǀŝĚĞŶĐĞŝŶƚŽůŝŶŝĐĂůWƌĂĐƟĐĞ͘

Figure 7. Banner of the 11th Biennial JBI Colloquium.

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y'ůŽďĂůǀŝĚĞŶĐĞ^Ƶŵŵŝƚ;ĂŵƉďĞůůŽůůĂďŽƌĂƟŽŶ͕ŽĐŚƌĂŶĞ͕'Ͳ/ͲEΘ:/ͿʹKĐƚŽďĞƌ ϮϬϮϭ dŚĞnjĞĐŚEĂƟŽŶĂůĞŶƚƌĞĨŽƌǀŝĚĞŶĐĞͲĂƐĞĚ,ĞĂůƚŚĐĂƌĞĂŶĚ<ŶŽǁůĞĚŐĞdƌĂŶƐůĂƟŽŶǁŝůů ŚŽƐƚƚŚĞŶĞdžƚ'ůŽďĂůǀŝĚĞŶĐĞ^ƵŵŵŝƚŝŶWƌĂŐƵĞŝŶKĐƚŽďĞƌϮϬϮϭ;&ŝŐƵƌĞϴͿ͘

Figure 8. Logo of the Global Evidence Summit and a message from Dr. Miloslav Klugar (Retrieved from https://joannabriggs.org/news/article?id=1599&fbclid=IwAR31kptz5Z2Gj_ HSUgnIfo888Aw-nhQQGatQv6L--BuhebviMjaJ6pUonQE).

AXIS OF EXPERIMENTAL AND APPLIED RESEARCH IN HEALTHCARE TECHNOLOGIES

ĐƟǀŝƟĞƐ ¾ ϴth ŝġŶĐŝĂϮϬϭϵ;>ŝƐďŽĂ͕WŽƌƚƵŐĂůͿʹ:ƵůLJϮϬϭϵ

ŝƐƐĞŵŝŶĂƟŽŶŽĨdĞĐWƌĞǀ/ŶĨĂŶĚ^ĞƌŝŶŐĂƵŽƉƌŽũĞĐƚƐ͛ŽƵƚĐŽŵĞƐ

Figure 9. TecPrevInf and SeringaDuo projects.

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¾ ŝŐŝEƵƌƐĞƉƌŽũĞĐƚʹ^ĞƉƚĞŵďĞƌϮϬϭϵ

ϮŶĚ͕ϯƌĚ͕ϰth /ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂůDĞĞƟŶŐƐŝŶŶƚǁĞƌƉ;ĞůŐŝƵŵͿĨŽƌŝŐŝEƵƌƐĞƉƌŽũĞĐƚĚĞͲ ǀĞůŽƉŵĞŶƚ

¾ ϭƐƚ/ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂůŽŶŐƌĞƐƐŽŶsĂƐĐƵůĂƌĐĐĞƐƐ;ǁŝƚŚWŽsĂͿʹϮϲͲϮϳ^ĞƉƚĞŵďĞƌ ϮϬϭϵ

KƌŐĂŶŝnjŝŶŐŽŵŵŝƩĞĞ͕^ĐŝĞŶƟĮĐŽŵŵŝƩĞĞ͕KƌĂůŽŵŵƵŶŝĐĂƟŽŶƐ͕ĂŶĚďƐƚƌĂĐƚ WƵďůŝĐĂƟŽŶŝŶ:ŽƵƌŶĂůŽĨsĂƐĐƵůĂƌĐĐĞƐƐ

Figure 10. 1st International Congress on Vascular Access.

¾ŝŐŝĂƌĞƉƌŽũĞĐƚʹKĐƚŽďĞƌϮϬϭϵ

ϭƐƚ͕ϮŶĚ͕ϯƌĚ dƌĂŶƐŶĂƟŽŶĂůDĞĞƟŶŐƐŝŶ,ĂŶŽŝ;sŝĞƚŶĂŵͿĨŽƌŝŐŝĂƌĞƉƌŽũĞĐƚĚĞǀĞůŽƉŵĞŶƚ͘

Figure 11. Transnational Meeting - Hanoi (Vietnam).

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AXIS FOR EDITION AND DISSEMINATION OF SCIENTIFIC KNOWLEDGE

^ĐŝĞŶƟĮĐƉƵďůŝĐĂƟŽŶƐŝŶϮϬϭϵ ¾DŽŶŽŐƌĂƉŚŝĐ^ĞƌŝĞƐŽŶ,ĞĂůƚŚ^ĐŝĞŶĐĞƐĚƵĐĂƟŽŶĂŶĚZĞƐĞĂƌĐŚ >ĞŝƚĆŽ͕D͘E͕͘&ĞƌŶĂŶĚĞƐ͕D͘/͕͘&ŽŶƐĞĐĂ͕Z͘D͕͘ΘWŝŶĂͲZŽĐŚĞ͕&͘;ŽŽƌĚ͘Ϳ͘;ϮϬϭϵͿ͘dĞĞŶĚĂƟŶŐ ǀŝŽůĞŶĐĞĨƌŽŵƚŚĞƉĞƌƐƉĞĐƟǀĞŽĨŐĞŶĚĞƌĂŶĚŐĞŶĞƌĂƟŽŶ͗ĂŵƵůƟĐĞŶƚĞƌƐƚƵĚLJ͘DŽŶŽŐƌĂƉŚͲ ŝĐ^ĞƌŝĞƐ,ĞĂůƚŚ^ĐŝĞŶĐĞƐĚƵĐĂƟŽŶĂŶĚZĞƐĞĂƌĐŚ͘ŽŝŵďƌĂ͕WŽƌƚƵŐĂů͗,ĞĂůƚŚ^ĐŝĞŶĐĞƐZĞͲ ƐĞĂƌĐŚhŶŝƚ͗EƵƌƐŝŶŐ;h//^͗ͿͬEƵƌƐŝŶŐ^ĐŚŽŽůŽĨŽŝŵďƌĂ;^ŶĨͿ͘

WĂƐƚĂĐƟǀŝƟĞƐ ¾ŝƐƐĞŵŝŶĂƟŽŶŽĨƐĐŝĞŶƟĮĐŬŶŽǁůĞĚŐĞ yϴͲϭϬ:ƵůLJϮϬϭϵͲh//^͗ZĞƐĞĂƌĐŚĞƌƐĂƚƚŚĞEĂƟŽŶĂů^ĐŝĞŶĐĞ^Ƶŵŵŝƚ͚ϭϵ DĂŶƵĞůůǀĞƐZŽĚƌŝŐƵĞƐ͕:ŽĆŽƉſƐƚŽůŽ͕>ƵşƐ>ŽƵƌĞŝƌŽĨƌŽŵƚŚĞh//^͖͗DĂƌĂZŽĐŚĂĨƌŽŵ ƚŚĞh//^͗ͬ/Ws^^ĐůƵƐƚĞƌ͖ĂŶĚDĂƌŝĂƵŐƵƐƚĂDĂƚĂĨƌŽŵƚŚĞh//^͗ͬ/W^^ĐůƵƐƚĞƌ

Figure 12. UICISA: E Researchers at the National Science Summit ‘19.

¾ŽͲŽƌŐĂŶŝnjĞĚƐĐŝĞŶƟĮĐĞǀĞŶƚƐ yϭϰͲϭϱEŽǀĞŵďĞƌϮϬϭϵʹϰth/ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂů^LJŵƉŽƐŝƵŵŽĨE,ĂŶĚϮŶĚ^LJŵƉŽƐŝƵŵŽŶ ƚŚĞ,ŝƐƚŽƌLJŽĨEƵƌƐŝŶŐŽĨƚŚĞ^ŶĨ yϮϱ EŽǀĞŵďĞƌ ϮϬϭϵ ʹ /ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂů ^ĞŵŝŶĂƌ ͞sŝŽůĞŶĐĞ ŝŶ ŝŶƟŵĂƚĞ ĂĚŽůĞƐĐĞŶƚ ƌĞůĂͲ ƟŽŶƐŚŝƉƐ͟ yϮϵEŽǀĞŵďĞƌϮϬϭϵʹϮŶĚŽůůŽƋƵŝƵŵŽŶƚŚĞWŚŝůŽƐŽƉŚLJŽĨĂƌŝŶŐ

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hƉĐŽŵŝŶŐĂĐƟǀŝƟĞƐ ¾^ĐŝĞŶƟĮĐĞǀĞŶƚƐ yϮϱDĂLJϮϬϮϬʹϲthŽŶŐƌĞƐƐŽŶEƵƌƐŝŶŐZĞƐĞĂƌĐŚŽĨ/ďĞƌŽͲŵĞƌŝĐĂŶĂŶĚWŽƌƚƵŐƵĞƐĞͲƐƉĞĂŬͲ ŝŶŐŽƵŶƚƌŝĞƐĂŶĚϮŶĚ/ŶƚĞƌŶĂƟŽŶĂů^LJŵƉŽƐŝƵŵŽŶǀŝĚĞŶĐĞͲĂƐĞĚ,ĞĂůƚŚĂƌĞ͘

Figure 13. 6th Congress on Nursing Research of Ibero-American and Portuguese-speaking Countries.

ÆϮϳͲϯϬDĂLJϮϬϮϬʹ^dd/ϱthŝĞŶŶŝĂůƵƌŽƉĞĂŶŽŶĨĞƌĞŶĐĞ͕͞EƵƌƐŝŶŐDzƐŝŶŶŽǀĂƟŽŶ͕ ŝŶŇƵĞŶĐĞ͕ĂŶĚŝŵƉĂĐƚŽŶŐůŽďĂůŚĞĂůƚŚ͗ůŽŽŬŝŶŐďĂĐŬĂŶĚŵŽǀŝŶŐĨŽƌǁĂƌĚ͟

Figure 14. STTI 5th Biennial European Conference.

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AXIS FOR EXTENSION AND SOCIETY ENGAGEMENT

ĐƟǀŝƟĞƐ ¾ WĂƌƟĐŝƉĂƚŽƌLJŚĞĂůƚŚƌĞƐĞĂƌĐŚtŽƌŬƐŚŽƉ;tWĂW^ͿʹϭϮEŽǀĞŵďĞƌϮϬϭϵ dŽƚĂůWĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϮϲ hŽŝŵďƌĂ^ĂƷĚĞʹZ^ĞŶƚƌŽͲϭϬ ŽƵƚŽƌĂŵĞŶƚŽ/^ʹϰ h//^͗ͬ^ŶĨʹϲ Z//Ɛʹϲ ¾ ^ĞŵĂŶĂΘdϮϬϭϵʹϮϱͲϮϵEŽǀĞŵďĞƌϮϬϭϵ tŝƚŚŝŶƚŚĞĐŽŶƚĞdžƚŽĨ^ĞŵĂŶĂΘdϮϬϭϵ͕ŽƌŐĂŶŝnjĞĚďLJŝġŶĐŝĂsŝǀĂʹŐġŶĐŝĂEĂĐŝŽŶĂů ƉĂƌĂĂƵůƚƵƌĂŝĞŶơĮĐĂĞdĞĐŶŽůſŐŝĐĂ͕ƚŚĞh//^͗ŽƉĞŶĞĚƚŽƚŚĞƉƵďůŝĐĨŽƌƚŚĞdžŚŝďŝͲ ƟŽŶʹKŶƚŚĞƉĂƚŚŽĨĂDŽĚĞƌŶEƵƌƐŝŶŐZĞƐĞĂƌĐŚ

Figure 15. Exhibition – On the path of a Modern Nursing Research

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AXIS FOR OPTIMIZATION OF THE UICISA: E ZK^^Ͳhdd/E'DK>

&ƵŶĚĞĚWƌŽũĞĐƚƐ ¾ ^ĐŝĞŶĐĞŝĂďĞƚ/&ŽŽƚǁĞĂƌͲĞǀĞůŽƉŵĞŶƚŽĨŝŶŶŽǀĂƟǀĞƚŚĞƌĂƉĞƵƟĐĨŽŽƚǁĞĂƌ ĨŽƌĚŝĂďĞƟĐĨĞĞƚ;ϮϬͲϬϴͲϮϬϭϵͶϮϬͲϬϴͲϮϬϮϮͿ ¾ SPIDERͲ^ƚƌĂƚĞŐŝĐWĂƌƚŶĞƌƐŚŝƉŝŶ/ŶŶŽǀĂƟŽŶĂŶĚĞǀĞůŽƉŵĞŶƚŽĨǀŝĚĞŶĐĞͲĂƐĞĚ ,ĞĂůƚŚĐĂƌĞ;ϬϭͲϬϵͲϮϬϭϵͶϯϭͲϬϴͲϮϬϮϭͿ ¾ INSTrUCTͲ/ŶŶŽǀĂƟǀĞĞͲůĞĂƌŶŝŶŐĞĚƵĐĂƟŽŶĂůƌĞƐŽƵƌĐĞƚŽŝŵƉƌŽǀĞ^ŵŽŬŝŶŐĞƐͲ ƐĂƟŽŶŬŶŽǁůĞĚŐĞĂŶĚƐŬŝůůƐĂŵŽŶŐ,ĞĂůƚŚĐĂƌĞĚĞŐƌĞĞƐŝŶ,ŝŐŚĞƌĚƵĐĂƟŽŶ;ϬϭͲ ϬϵͲϮϬϭϵͶϯϭͲϬϴͲϮϬϮϮͿ

ĐƟǀŝƟĞƐ ¾ ĞďƌŝĞĮŶŐƐĞƐƐŝŽŶʹϰĞĐĞŵďĞƌϮϬϭϵ &ƵŶĚŝŶŐŽƉƉŽƌƚƵŶŝƟĞƐͲĐŽͲŽƌŐĂŶŝnjĞĚǁŝƚŚƚŚĞWƌŽũĞĐƚ^ƵƉƉŽƌƚKĸĐĞ;'WͿ WƌĞƐĞŶƚĞƌʹϭ WĂƌƟĐŝƉĂŶƚƐʹϮϬ

Figure 16. Debriefing session – Funding opportunities.

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NORMAS DE PUBLICAÇÃO

Princípios: A Revista de Enfermagem Referência cumpre os critérios de uma revista de divulgação internacional, indexada e divulgada em formato eletrónico em diversas bases de dados nacionais e internacionais. O interesse dos autores em submeterem artigos ObŒ¼€oO´Ybb†bÇ8Y8¦Á8†Y8Ybœ±b´¼t88*bÇ´¼8Vœb†¦Áb damos a maior atenção aos processos de revisão, de forma a ´8†Ç8tÁ8±Y8±œ±ŒO€œ´ObŒ¼€oO´bc¼O´YbbYQEbYÇÁ†t8QE¡ O conteúdo dos artigos é da exclusiva responsabilidade de todos ´´bÁ´8Á¼±b´V8´¦Á8´O‰œb¼b±b´œb¼8±´œ±ŒO€œ´c¼O´ da investigação e cumprir as normas e orientações de edição da *bÇ´¼8¡ϐœÁF†O8±Œ8*bÇ´¼8V´8Á¼±b´¼±8Œ´nb±b‰´Y±b¼´ autorais para a mesma. Ï*bÇ´¼8´btÁb8´Œ±‰8´Y8American Psychological Association (APA 6ª edição, 2010). Consideram-se as regras do novo 8O±Y±¼t±9oOœb†¦Áb Y¼±´8†Ç8tÁ8±Y8´bÁY±b¼ Yb‰YoO8±¼b±‰´Yb(±¼ÁtÁd´Y ±8´†œ8±8œ±¼ÁtÁd´Yb Portugal. Os artigos são organizados de acordo com as normas APA e guiões de análise crítica, em função de uma categoria b´œbO€oO8(Artigos de Investigação; Teóricos/Ensaios; Revisões Sistemáticas; Revisões Integrativas; História e Memória). As *bÇ´›b´+´¼b‰9¼O8´8œÁF†O8±Œ8*bÇ´¼8YbÇb±EOÁ‰œ±±8´ bÉtdŒO8´Yb´€Œ¼b´bY8bÇYdŒO8‰œ†b‰bŒ¼8Y8´œb†Portugal Centre for Evidence Based PracticeVb‰Ob±dŒO8O‰8´ políticas Joanna Briggs Institute ž ŸbCochranež+¼b U |¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡„8ŒŒ8F±tt´¡bYÁ¡8Á¹¶+¼bCochranej*bÇ´›b´U |¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡OO|±8Œb¡±t¹OO|±8Œb~±bÇbÈ´Ÿ¡ ‰O8Y8ŒÂ‰b±V´8±¼t´,b‘±O´¹ Œ´8´b*bÇ´›b´´EœÁF†O8Y´b‰ ŒÂ‰b±±b´¼±¼¡(±YbO´EY Y¼± |bnbœYb±E8ŒY8 ser publicados artigos de outro tipo, por exemplo, recensões ¼b‘±O8´VFt±8o8´Vb¼O¡¡¡ φc‰Y´tÁ›b´¦Áb8„ÁY8‰Œ8OŒ´¼±ÁQEY‰8ŒÁ´O±¼V´ autores procedem ao preenchimento da checklist geral e da declaração assinada do termo único ético e legal. O termo único €Œ¼bt±8U8YbO†8±8QEYb±tŒ8†Y8YbY´8±¼t´´ÁF‰b¼Y´¶8 YbO†8±8QEY8ŒE´ÁF‰´´E¹œÁF†O8QE8¦Á8†¦Áb±Á¼±œb±‘YOV†DZYb8¼8´ÁO8œ€¼Á†Yb†DZVbŒ¼±bÁ¼±´¶8YbO†8±8QEY8 ±b´œŒ´8F†Y8YbY´8Á¼±b´¶8YbO†8±8QEYbObYdŒO8YbY±b¼´ Yb8Á¼±¶8YbO†8±8QEYbbÉ´¼dŒO8Ybœ8±bOb±YbO‰´´EYb c¼O8ž´b8œ†O9Çb†Ÿ¶b¹ÁYbO†8±8QEYbbÉ´¼dŒO8Yb8Á¼±Í8QE Œ´¼¼ÁOŒ8†ž´b8œ†O9Çb†Ÿ¶b8YbO†8±8QEYbOŒq¼YbŒ¼b±b´´b´¡ Ï-ŒY8YbYbŒÇb´¼t8QEb‰ dŒO8´Y8+8ÂYbU Œnb±‰8tb‰ apoia as políticas de ensaios clínicos da Organização Mundial de +8ÂYbž +ŸbYInternational Committee of Medical Journal Editorsž  Ÿ~|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡O‰„b¡±t¹¡ ´8Á¼±b´Yb8±¼t´

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de ensaios clínicos deverão, preferencialmente, seguir o proceY‰bŒ¼Yb±bt´¼Y´œŒ€Çb†b‰|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡È|¡Œ¼¹O¼±œ¹bŒ¹¡ O Processo de submissão dos artigos processa-se online, através da página web|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡b´bŒnO¡œ¼¹´¼b¹ŒYbÉ¡œ|œ§‰YÁ†bk±±?¼8±tb¼k8±¼O†b+ÁF‰´´ŒVb‰œ†O8 pagamento de uma taxa de submissão no valor de 15€. O processo de revisão por pares, double blind, tem 10 fases (Pré-análise, ChecklistV*bÇ´Eœ±œ8±b´Vb´¼EYb8±¼tV ,±8¼8‰bŒ¼¼cOŒObYOÁ‰bŒ¼8†V*bÇ´EoŒ8†V,±8YÁQEV 8¦Áb¼Í8QEb8¼±FÁQEYb V,V ÇÁ†t8QEYt¼8†Ÿ¡ Ï*bÇ´¼8Yb Œnb±‰8tb‰*bnb±dŒO8b´¼98t±88Ob´´€Çb†b‰ ¼bɼŒ¼bt±8†VÇb±´EF†€ŒtÁbb‰n±‰8¼Yt¼8†b‰+O  b na página webY8*bÇ´¼8b‰|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡b´bŒnO¡œ¼¹´¼b¹ŒYbÉ¡ œ|œ§‰YÁ†bk±±?¼8±tb¼k´|È(ÁF†O8¼Œ´¡ Os artigos entrados, em língua portuguesa e espanhola, depois Yb8Ob¼b´œ8±8œÁF†O8QEV´E¼±8YÁÍY´œ8±8Œt†d´b´ 8±¼t´bŒ¼±8Y´b‰Œt†d´´E¼±8YÁÍY´œ8±8œ±¼ÁtÁd´¡Ï ¼±8YÁQEcY8±b´œŒ´8F†Y8YbY8 ´O†8+Áœb±±Yb Œnb±magem de Coimbra e os autores assumem o compromisso de pagar as despesas de tradução a 15€ por página a traduzir, ŒO†ÁŒYœ9tŒ8Yb±b´Á‰´b±bnb±dŒO8´¡ ´8±¼t´´ÁF‰b¼Y´œ8±8œÁF†O8QEŒ8*bÇ´¼8Yb Œnb±‰8tb‰*bnb±dŒO8YbÇb‰FbYbOb±8´´btÁŒ¼b´O±¼c±´U 1 - O Artigo —¡—j,œU bÇb‰´b±8±¼t´±tŒ8´bÇb±´8±b‰¼b‰8´Yb saúde, enfermagem e educação, estruturados de acordo com tÁE8Yb¦Á8Y>´Á8¼œ†t8¡ —¡Àj,€¼Á†U bÇb±9´b±Œn±‰8¼ǐb´ÁOŒ¼V±bYtYŒ88o±‰8¼Ç8Vb‰œ±¼ÁtÁd´VŒt†d´bb´œ8Œ|†ž‰9ɉYb—¸œ8†8DZ8´ŸV sem abreviaturas, nem indicação da localização da investigação. —¡½jÏÁ¼±b´U bÇb‰´b±b‰ŒÂ‰b±ŒE´Áœb±±8´b¼bV YbÇY8‰bŒ¼bYbŒ¼oO8Y´O‰Œ‰bb±b´œb¼Ç8´|8F†¼8Q›b´VO8¼bt±8œ±o´´Œ8†VŒ´¼¼ÁQEŒYbbÉb±Ob‰ funções, país, contactos (morada, e-mail, telefone) e fontes YboŒ8ŒO8‰bŒ¼Yb´¼ÁYž´bn±O8´Ÿ¡ —¡sj*b´Á‰U ±b´Á‰Y¼±8F8†|YbÇb´b±8œ±b´bŒ¼8Y b‰œ±¼ÁtÁd´VŒt†d´bb´œ8Œ|†VbŒEYbÇbbÉObYb±—·Î œ8†8DZ8´¡ bÇb´b±b´¼±Á¼Á±8YYb8O±YO‰´¼‘œO´Yb 8Œ9†´bO±€¼O8b´œbO€oO´YbO8Y88±¼t¡

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—¡pj(8†8DZ8´~O|8ÇbU 8±¼tYbÇb8œ±b´bŒ¼8±VŒ‰9ɉV´b´ palavras-chave, transcritas de acordo com os descritores MeSH, em œ±¼ÁtÁd´VŒt†d´bb´œ8Œ|†ž(b´¦Á´8±b‰U|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡Œ†‰¡Œ|¡ tÇ¹‰b´|¹ ±È´b±¡|¼‰†b¹Á|¼¼œU¹¹YbO´¡FÇ´¡F±¹Ÿ¡)Á8ŒYŒE se encontrar um descritor para uma palavra-chave, considerada relevante no estudo, esta pode ser incluída por decisão do autor. —¡¸j,bɼU Estrutura do texto: ´ϱ¼t´YbŒÇb´¼t8QE ‰œ€±O8YbÇb‰OŒ¼b±8´´btÁŒ¼b´ ´bOQ›b´UTítulo, Resumo, Palavras-chave, Introdução, Enquadramento/Fundamentação Teórica, Questões de Investigação/ Hipóteses, Metodologia, Resultados, Discussão e Conclusão, ±b´œb¼8ŒY´,‘œO´Yb8Œ9†´bO±€¼O8YbÁ‰8±¼tYbŒÇb´¼t8QE ‰œ€±O8Y´œŒ€Çb´b‰|¼¼œU¹¹b´bŒnO¡œ¼¹±±¹§‰YÁ†bk±r&target=page&id=11681. O autor deve dar atenção a todos os itens e validá-los na checklist8´ÁF‰b¼b±„ÁŒ¼O‰8±¼t¡ ´ϱ¼t´,b‘±O´¹ Œ´8´YbÇb‰OŒ¼b±8´´btÁŒ¼b´´bOQ›b´U Título, Resumo, Palavras-chave, Introdução, Desenvolvimento/Dissertação e Conclusão, respeitando os Tópicos de 8Œ9†´bO±€¼O8YbÁ‰8±¼t,b‘±O¹ Œ´8Y´œŒ€Çb´b‰ |¼¼œU¹¹b´bŒnO¡œ¼¹±±¹§‰YÁ†bk±±?¼8±tb¼kœ8tb?Yk——¸g—¡  autor deve dar atenção a todos os itens e validá-los na checklist 8´ÁF‰b¼b±„ÁŒ¼O‰8±¼t¡NOTA: Excecionalmente, nos estudos qualitativos, para facilitar o trabalho de análise compreensiva, podem fundir-se as secções RESULTADOS E DISCUSSÃO. Considera-se também aceitável o uso do conceito ACHADOS em substituição de RESULTADOS. ´ϱ¼t´Yb*bÇ´E+´¼b‰9¼O8YbÇb‰OŒ¼b±8´´btÁŒ¼b´ ´bOQ›b´UTítulo, Resumo, Palavras-chave, Introdução, Método de Revisão Sistemática, Apresentação dos Resultados, Interpretação dos Resultados e Conclusão, respeitando os Tópicos Yb8Œ9†´bO±€¼O8YbÁ‰8±¼tYb*bÇ´E+´¼b‰9¼O8Y´œŒ€Çb´ b‰|¼¼œU¹¹b´bŒnO¡œ¼¹±±¹§‰YÁ†bk±±?¼8±tb¼kœ8tb?Yk——¸g—¡ O autor deve dar atenção a todos os itens e validá-los na checklist 8´ÁF‰b¼b±„ÁŒ¼O‰8±¼t¡ ´ϱ¼t´Yb*bÇ´EŒ¼bt±8¼Ç8YbÇb‰OŒ¼b±8´´btÁŒ¼b´ ´bOQ›b´UTítulo, Resumo, Palavras-chave, Introdução, Procedimentos Metodológicos de Revisão Integrativa, Resultados e Interpretação e Conclusão, respeitando os Tópicos de análise O±€¼O8YbÁ‰8±¼tYb*bÇ´EŒ¼bt±8¼Ç8Y´œŒ€Çb´b‰|¼¼œU¹¹

b´bŒnO¡œ¼¹±±¹§‰YÁ†bk±±?¼8±tb¼kœ8tb?Yk——¸g—¡ 8Á¼± deve dar atenção a todos os itens e validá-los na checklist a sub‰b¼b±„ÁŒ¼O‰8±¼t¡ ´ϱ¼t´Yb´¼‘±8bb‰‘±8YbÇb‰OŒ¼b±8´´btÁŒ¼b´ ´bOQ›b´UTítulo, Resumo, Palavras-chave, Introdução, Seleção do Tema, Enfoque e Formulação de Questões ou Hipóteses, Levantamento da Documentação e a Recolha de Dados, Análise Crítica e Interpretação dos Dados, Resultados e Conclusão, ±b´œb¼8ŒY´,‘œO´Yb8Œ9†´bO±€¼O8YbÁ‰8±¼tYb´¼‘±8 bb‰‘±8Y´œŒ€Çb´b‰|¼¼œU¹¹b´bŒnO¡œ¼¹±±¹§‰YÁ†bk±±?¼8±get=page&id=11681. O autor deve dar atenção a todos os itens e validá-los na checklist 8´ÁF‰b¼b±„ÁŒ¼O‰8±¼t¡ Formato: O texto deve ser apresentado em formato Word, letra ϱ8†V¼8‰8Œ|——Vb´œ8Q—VpV´b‰„Á´¼oO8QEVœ9tŒ8´b‰n±‰8¼ Ïsž‰8±tbŒ´´Áœb±±bŒnb±±YbÀVpO‰b‰8±tbŒ´b´¦Áb±Y8b direita de 3cm), em coluna única, evitando negritos e sublinhados, variação do tipo de letra, fundos de cor, etc.. Não deve incluir notas de rodapé. O artigo não deverá ultrapassar as 15 páginas ŒO†ÁŒY±bnb±dŒO8´FF†t±9oO8´V¼8Fb†8´botÁ±8´žt±9oO´V imagens, etc.). NB: Os autores devem dar a maior atenção aos aspetos morfológicos e sintáticos do discurso, evitando erros, redundâncias, jargão... —¡·,8Fb†8´botÁ±8´žt±9oO´V‰8tbŒ´Vb¼O¡ŸUϜbŒ8´YbÇb‰ ´b±ŒO†Á€Y´´¦Áb´b„8‰8F´†Á¼8‰bŒ¼bŒbOb´´9±´œ8±88 O‰œ±bbŒ´EY8±¼t¡ bÇb‰´b±±bnb±Y´Œ¼bɼbb´¼8± numerados por ordem de inclusão, em função de cada tipo. Os comentários aos dados e resultados apresentados devem anteObYb±8´±b´œb¼Ç8´botÁ±8´žt±9oO´V‰8tbŒ´Vb¼OŸ¡Ï´¼8Fb†8´ YbÇb‰8œ±b´bŒ¼8±ŒÂ‰b±b¼€¼Á†b‰O8FbQ8†|b8´otÁ±8´ žt±9oO´V‰8tbŒ´Vb¼O¡ŸYbÇb‰8œ±b´bŒ¼8±ŒÂ‰b±b¼€¼Á†Œ ±b´œb¼ǐ±Y8œc¡)Á8´¦Áb±8F±bÇ8¼Á±8´Á´8Y8´b‰otÁ±8¹¼8Fb†8 devem ser descritas no rodapé da mesma. —¡gj ¼8Q›b´UÏ´O¼8Q›b´œYb‰´b±Y±b¼8´ÁŒY±b¼8´¡8 citação direta, ou textual, a transcrição ipsis verbis do texto original deve ser apresentada entre aspas e acompanhada do autor, data de publicação e número da página. A citação indireta, ou paráfrase, deve ser acompanhada do autor e data de publicação. A citação no texto deve seguir as normas da American Psychological Association (APA 6ª edição, 2010) conforme os exemplos apresentados no Tabela 1. Todos os autores citados deverão constar da lista de ±bnb±dŒO8´FF†t±9oO8´¡

Tabela 1 Estrutura Básica de Citação – Citar referências no texto segundo a APA. Tipo de Citação no texto

Citação Direta e Indireta 1ª Citação

Citações seguintes

Citação entre parêntesis 1º Citação

Citações seguintes

ObraObra de 1de autor 1 autor

38†…b±žÀÎηŸ

38†…b±žÀÎηŸ

ž 38†…b±VÀÎηŸ

ž 38†…b±VÀÎηŸ

Obra 2 autores Obra de 2deautores

38†…b±bφ†bŒžÀÎÎsŸ

38†…b±bφ†bŒ (2004)

ž 38†…b±?φ†bŒV 2004)

ž 38†…b±?φ†bŒV 2004)

Obra 3 autores Obra de 3deautores

±8Y†bÊV*8‰±bÍVb+ ±8Y†bÊb¼8†¡ž—Ÿ (1999)

Revista de Enfermagem Referência

ž ±8Y†bÊV*8‰±bÍV? ž ±8Y†bÊb¼8†¡V—Ÿ Soo, 1999)

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Obra de 4 autores Obra de 4 autores

Âą8YÂ&#x2020;bĂ&#x160;V*8Â&#x2030;ÂąbĂ?V+Â?Â?V b38Â&#x2020;´|Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¸Â&#x;

Âą8YÂ&#x2020;bĂ&#x160;bÂź8Â&#x2020;ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¸Â&#x;

Â&#x17E; Âą8YÂ&#x2020;bĂ&#x160;V*8Â&#x2030;ÂąbĂ?V +Â?Â?V?38Â&#x2020;´|VĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¸Â&#x;

Â&#x17E; Âą8YÂ&#x2020;bĂ&#x160;bÂź8Â&#x2020;ÂĄVĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¸Â&#x;

Obra de 5 autores Obra de 5 autores

38Â&#x2020;Â&#x2026;bÂąVĂ?Â&#x2020;Â&#x2020;bÂ&#x152;V Âą8YÂ&#x2020;bĂ&#x160;V *8Â&#x2030;ÂąbĂ?Vb+Â?Â?Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;

38Â&#x2020;Â&#x2026;bÂąbÂź8Â&#x2020;ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;

Â&#x17E;38Â&#x2020;Â&#x2026;bÂąVĂ?Â&#x2020;Â&#x2020;bÂ&#x152;V Âą8YÂ&#x2020;bĂ&#x160;V*8Â&#x2030;ÂąbĂ?V? +Â?Â?VĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;

Â&#x17E;38Â&#x2020;Â&#x2026;bÂąbÂź8Â&#x2020;ÂĄVĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;

Obradede6,6,ououmais, mais, Obra autores autores

38´´b¹´ŸbÂ&#x152;bÂź8Â&#x2020;ÂĄ (2005)

38´´b¹´ŸbÂ&#x152;bÂź8Â&#x2020;ÂĄ (2005)

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8ÂźÂ?Â&#x152;8Â&#x2020;Â&#x152;´ŸŸà ŸbÂ?n Grupos Grupos comocomo bÂ&#x152;Âź8Â&#x2020;b8Â&#x2020;Âź|Â&#x17E;V 8Ă ÂźÂ?Âąb´Â&#x17E;YbÂ&#x152;ÂźoO8YÂ?´ 8Ă ÂźÂ?Âąb´Â&#x17E;YbÂ&#x152;ÂźoO8YÂ?´ anteriormente com 2003) anteriormente com abreviatura) abreviatura) Gruposcomo comoautores autores(sem -Â&#x152;Ă&#x2021;b¹´ÂźĂ&#x160;Â?n(ŸŸ´FĂ Âąt| Grupos (sem abreviatura) (2005) abreviatura) Â?Â&#x152;ÂźbU|ŸŸÂ&#x153;UššĂ&#x2C6;Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;ÂĄ8Â&#x153;8´ŸĂ&#x160;Â&#x2020;bÂĄÂ?Âątš

As citaçþes de recursos do(s) mesmo(s) autor(es), publicados Â&#x152;8 Â&#x2030;b´Â&#x2030;8 Y8Âź8V YbĂ&#x2021;b ´bÂą Âąb8Â&#x2020;Ă?8Y8 Yb 8OÂ?ÂąYÂ? OÂ?Â&#x2030; b´Ÿb exemplo. Ă&#x2030;bÂ&#x2030;Â&#x153;Â&#x2020;Â?U29ÂąÂ?´8¹ŸtÂ?´Â&#x17E;38Â&#x2020;Â&#x2026;bÂąVĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;s8VĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;sFVĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;sOÂś38Â&#x2020;Â&#x2026;bÂą & Allen, 2004) referem que (â&#x20AC;Ś). Â?Âź8U bĂ&#x2021;bÂ&#x152;YO8Âą~´bÂź8Â&#x2030;FcÂ&#x2030;Â?Â&#x152;Ă&#x201A;Â&#x2030;bÂąÂ?YbÂ&#x153;9tÂ&#x152;8VÂ&#x152;Â?O8´Â?Yb citação textualVÂź8Â&#x2020;OÂ?Â&#x2030;Â?Â&#x152;Â?´bĂ&#x2030;bÂ&#x2030;Â&#x153;Â&#x2020;Â?´U(bÂąbÂą8Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Â?VÂ&#x153;ÂĄĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x; ou (Pereira, 2009, p. 20).

NB: Quando tem oito ou mais autores, incluir os nomes dos seis primeiros autores, seguido de reticĂŞncias e adicionar o Ăşltimo autor Â?Ă YbÂ&#x152;V 3ÂĄV |8Â&#x152;V ÂĄ ÂĄV Â&#x2020;Â&#x2026;Â&#x152;´V ÂĄV Âąb8Ă&#x2021;b´V ÂĄV Â?à ´bV ÂĄV Â&#x2020;ÂźÂ?Â&#x152;V ÂĄVÂĄÂĄÂĄ28Â&#x152; Âą88Ă&#x160;bÂ&#x152;Â?Â?ÂąYV ÂĄ Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Â&#x;ÂĄ Mapping the Âźb¹¹ÂźÂ?ÂąĂ&#x160;U (ÂąÂ&#x2030;8ÂąĂ&#x160; ´Ÿà YbÂ&#x152;Ÿ´ Ă&#x2C6;Âź| Â&#x2020;b8ÂąÂ&#x152;Â&#x152;t YnoOĂ Â&#x2020;Âźb´U Literacy and numeracy: Vol. 2. AnalysisÂĄ 8Â&#x152;Fb¹¹8VĂ?à ´Ÿ¹8Â&#x2020;8U

bÂ&#x153;8¹ŸÂ&#x2030;bÂ&#x152;Âź YĂ O8ÂźÂ?Â&#x152;V,Âą8Â&#x152;Â&#x152;t8Â&#x152;Y5Â?Ă Âź|Ă?nn8¹´¥

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Obras do mesmo autor no mesmo ano 8ÂźbÂ&#x2020;Â&#x2020;Â?V ÂĄÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Â?8Â&#x;ÂĄIridologia e irisdiagnose: O que os olhos podem revelarÂ&#x17E;½Â&#x2DC;bYÂĄÂ&#x;ÂĄ+EÂ?(8Ă Â&#x2020;Â?V Âą8´Â&#x2020;UÂąÂ?Ă Â&#x152;YÂĄ 8ÂźbÂ&#x2020;Â&#x2020;Â?V ÂĄÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Â?FÂ&#x;ÂĄPsicoiridologia Jung e MĂŠtodo RayId. +EÂ?(8Ă Â&#x2020;Â?V Âą8´Â&#x2020;U 8¹ŸbĂ&#x2030;ÂĄ

Normas da American Psychological Association (APA) (Exemplos) Livros Um autor

Ă Â&#x152;|8VÂĄÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;ÂĄO bom professor e a sua prĂĄtica (20ÂŞ ed.).

8Â&#x2030;Â&#x153;Â&#x152;8´V Âą8´Â&#x2020;U(8Â&#x153;¹à ´ YÂźÂ?Âą8ÂĄ

Autor coletividade (organismo, instituiçãoâ&#x20AC;Ś) ÂąYbÂ&#x2030; YÂ?´ Â&#x152;nbÂąÂ&#x2030;bÂąÂ?´¥ Â?Â&#x2030;´´EÂ? Yb ´Â&#x153;bO8Â&#x2020;Y8Yb Yb Â&#x152;nbÂąÂ&#x2030;8tbÂ&#x2030; Yb +8Ă&#x201A;Yb Â&#x152;n8Â&#x152;ÂźÂ&#x2020; b (bY9Ÿ¹O8ÂĄ Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x2014;Ă&#x17D;Â&#x;ÂĄ Guias orientadores de boa prĂĄtica em enfermagem de saĂşde infantil e pediĂĄtrica Â&#x17E;2Â?Â&#x2020;ÂĄÂ&#x2014;Â&#x;ÂĄ´FÂ?8V(Â?¹Ÿà t8Â&#x2020;UĂ?Ă ÂźÂ?¹¥ Â&#x152;´ŸcÂąÂ?Y8+8Ă&#x201A;YbÂĄ ÂąbOQEÂ?~bÂą8Â&#x2020;Y8+8Ă&#x201A;YbÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;ÂĄLesĂľes QEÂ?~bÂą8Â&#x2020;Y8+8Ă&#x201A;YbÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;ÂĄLesĂľes musculoesquelĂŠtica relacionadas com o trabalho: Guia de orientação para a prevençãoÂĄ´FÂ?8V(Â?¹Ÿà t8Â&#x2020;UĂ?Ă ÂźÂ?¹¥

Dois autores Â&#x2020;Ă&#x2021;bÂą8V ÂĄ ÂĄ (ÂĄV ? Â&#x2020;bO|V Ă?ÂĄ Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;sÂ&#x;ÂĄ Diabetes mellitus: ClĂ­nica, diagnĂłstico, tratamento multidisciplinar. SĂŁo Paulo, Âą8´Â&#x2020;UĂ?Âź|bÂ&#x152;bĂ ÂĄ TrĂŞs, quatro ou cinco autores bÂ&#x2020;Â&#x2020;V ÂĄV à ´|V ÂĄV O|Â?Â&#x2020;´Â?Â&#x152;V (ÂĄV ÂŽ ÂąbÂ&#x152;V ÂĄV ? ,Âą8Â&#x152;V ,ÂĄ (2002). Universities online: A survey of online education and services in AustraliaÂĄ 8Â&#x152;Fb¹¹8VĂ?à ´Ÿ¹8Â&#x2020;8U bÂ&#x153;8¹ŸÂ&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?n YĂ O8ÂźÂ?Â&#x152;V+ObÂ&#x152;Ob8Â&#x152;Y,Âą8Â&#x152;Â&#x152;tÂĄ Seis ou mais autores  UÂ&#x152;OÂ&#x2020;Ă ÂąÂ&#x152;8FFÂ&#x2020;Â?tÂą8o8Â?´Â&#x152;Â?Â&#x2030;b´8Âźc´bÂźb8Ă ÂźÂ?Âąb´ bĂ&#x2021;Ă&#x160;V +ÂĄ ÂĄV +Â&#x2020;Ă&#x2021;8V ÂĄ ÂĄ ÂĄV 8ÂąYÂ?´Â?V ÂĄ ÂĄ *ÂĄV 3bÂąFbÂąO|V (ÂĄ ÂĄV Â?ÂąbÂą8VÂĄÂĄ+ÂĄVÂ?Â&#x152;Âź8Â&#x152;VÂĄV? 8ÂąÂ&#x152;bÂąÂ?V*ÂĄÂ&#x17E;Â&#x2014;Â?Â?¡Â&#x;ÂĄEducação em saĂşde: HistĂłrico, conceitos e propostasÂĄ Âą8´Â&#x20AC;Â&#x2020;8V Âą8´Â&#x2020;U Â&#x152;´ŸcÂąÂ?Y8+8Ă&#x201A;YbÂĄ

Revista de Enfermagem ReferĂŞncia

Obra traduzida 5Â&#x152;V*ÂĄÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Â&#x2014;Â&#x;ÂĄEstudo de caso: Planejamento e mĂŠtodos (2ÂŞ bYÂĄÂ&#x;ÂĄÂ&#x17E; ÂĄÂą8´´V,Âą8YÂĄÂ&#x;ÂĄ(Â?¹ŸÂ?Ă?Â&#x2020;btÂąbV Âą8´Â&#x2020;U Â?Â?Â&#x2026;Â&#x2030;8Â&#x152;ÂĄÂ&#x17E; FÂą8 Â?ÂątÂ&#x152;8Â&#x2020;Â&#x153;Ă FÂ&#x2020;O8Y8bÂ&#x2030;Â&#x2014;Â?gsÂ&#x;ÂĄ

Editor literĂĄrio 8ÂąÂ&#x2026;Â&#x2020;ÂąĂ&#x160;V*ÂĄĂ?ÂĄÂ&#x17E; YÂĄÂ&#x;ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;ÂĄ,Âą8Â&#x152;´ŸÂ?ÂąÂ&#x152;Â?YÂ?YboOÂźYb8ÂźbÂ&#x152;QEÂ?š hiperatividade: Manual para diagnĂłstico e tratamento (3ÂŞ bYÂĄÂ&#x;ÂĄ(Â?¹ŸÂ?Ă?Â&#x2020;btÂąbV Âą8´Â&#x2020;UĂ?¹ŸÂ&#x2030;bYÂĄ CapĂ­tulo de Livros Relvas, A. P. (2007). A Â&#x2030;Ă Â&#x2020;|bÂąÂ&#x152;8n8Â&#x2030;Â&#x20AC;Â&#x2020;8U Â&#x2030;ÂźÂ?ÂąÂ&#x152;Â?YbÂ&#x2020;8ÂĄÂ&#x152;Ă?ÂĄ(ÂĄ *bÂ&#x2020;Ă&#x2021;8´?ÂĄĂ?Â&#x2020;8ÂąOEÂ?Â&#x17E; Y´¥Â&#x;VNovas formas de famĂ­lias (2ÂŞ ed., Â&#x153;Â&#x153;ÂĄĂ&#x20AC;Ă&#x20AC;Â?~½½¡Â&#x;ÂĄ Â?Â&#x2030;FÂą8V(Â?¹Ÿà t8Â&#x2020;U)Ă 8¹ŸbÂźÂ?ÂĄ Teses (Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźbÂ&#x2020;V ÂĄ ÂĄ Â&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;½Â&#x;ÂĄ Qualidade de vida do doente oncolĂłgicoÂ&#x17E;,b´bYb Â?Ă ÂźÂ?Âą8Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?Â&#x;ÂĄ8OĂ Â&#x2020;Y8YbYbbYOÂ&#x152;8 da Universidade do Porto, Portugal.

SĂŠrie IV - n.Âş 23 - OCT. / NOV. / DEZ. 2019

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Artigos de Publicaçþes PeriĂłdicas *Â?F8Â&#x2020;Â?V+ÂĄĂ?ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¸Â&#x;ÂĄ bÂ&#x152;nbÂąÂ&#x2030;bÂąÂ?b8´OÂ?Â&#x152;´bÂŚĂ dÂ&#x152;O8´YÂ?O8Â&#x152;OÂąÂ? gĂĄstrico. Servir, 54(1), 28-32. Â?Â&#x153;b´V ÂĄÂĄÂĄV?Â?ÂątbVÂĄ+ÂĄ ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;pÂ&#x;ÂĄÂ&#x152;ÂźbÂą8OÂ?Â&#x152;´Â&#x2030;Â?´Â&#x2030;FÂ&#x2018;Â&#x2020;OÂ? e a possibilidade para o cuidar interativo em enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem USP, 39Â&#x17E;Â&#x2014;Â&#x;VÂ&#x2014;Ă&#x17D;½~Â&#x2014;Ă&#x17D;gÂĄbĂ&#x160;bÂąV*ÂĄV8¹¹´Â?Â&#x152;V +ÂĄV Â?Â?Â&#x153;bÂąVÂĄV?8FFV(ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¡Â&#x;ÂĄ+Ă OOb´´nĂ Â&#x2020;FÂ&#x2020;Â&#x152;YÂ&#x153;Â&#x2020;8ObÂ&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?n Â&#x152;8´Â?Â&#x201E;bÂ&#x201E;Ă Â&#x152;8Â&#x2020;Ÿà Fb´Â&#x152;Â&#x153;8bY8Ÿ¹OO8ÂąbUÂ&#x2030;Â&#x153;8OÂźÂ?nŸ¹8Â&#x152;Â&#x152;t8Â&#x152;Y8Ă YŸ¥ Journal of Advanced Nursing, 60(4), 402-408. 8Â&#x2020;b8VÂĄĂ?ÂĄV-F8Â&#x152;VÂĄĂ?ÂĄV Â&#x153;Â&#x153;VÂĄ*ÂĄV ¹à Â&#x2030;Â&#x2030;bÂ&#x2020;ÂźbV+ÂĄV 8Âą|8V ÂĄÂĄV 3Â&#x2020;´Â?Â&#x152;V3ÂĄÂĄVh(8Ă&#x2C6;Â&#x2020;à ´Â&#x2026;VÂĄÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;ÂĄ Â&#x152;YÂ?OÂąÂ&#x152;bÂąbtĂ Â&#x2020;8ÂźÂ?Â&#x152;Â?n OÂ?tÂ&#x152;ÂźÂ?Â&#x152;8Â&#x152;YÂ&#x152;bĂ ÂąÂ?Â&#x153;Â&#x2020;8´ŸOÂźĂ&#x160;U Ă ÂąÂ&#x153;à ¹´à ŸŸÂ?Ă Â&#x152;Ă&#x2021;bÂ&#x2020;Âź|bOÂ?Â&#x2030;Â&#x153;Â&#x2020;bĂ&#x2030; Â&#x152;ÂźbÂą8OÂźÂ?Â&#x152;FbÂźĂ&#x2C6;bbÂ&#x152;|Â?ÂąÂ&#x2030;Â?Â&#x152;b´VÂź|bFÂą8Â&#x152;V8Â&#x152;YFb|8Ă&#x2021;Â?à ¹¥Canadian Journal of Experimental Psychology, 62Â&#x17E;sÂ&#x;VĂ&#x20AC;s¡~Ă&#x20AC;¸Ă&#x17D;ÂĄ Documentos legislativos

bOÂąbÂźÂ?~bÂ&#x152;Â&#x2122;Â&#x2014;Ă&#x20AC;Ă&#x20AC;šĂ&#x17D;¡YbĂ&#x20AC;¡YbĂ?FÂąÂ&#x2020;ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¡Â&#x;ÂĄDiĂĄrio da RepĂşblica nÂş 82/07, I SĂŠrieÂĄÂ&#x152;´ŸcÂąÂ?Y8´Â&#x152;8Â&#x152;Q8´bY8Ă?YÂ&#x2030;Â&#x152;´Ÿ¹8QEÂ?(Ă&#x201A;FÂ&#x2020;O8ÂĄ ´FÂ?8V(Â?¹Ÿà t8Â&#x2020;ÂĄ *btĂ Â&#x2020;8Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?Â&#x152;Â&#x2122;Â&#x2014;Ă&#x20AC;½šÂ&#x2014;Â&#x2014;YbÂ&#x2014;gYbbĂ&#x2021;bÂąbÂąÂ?ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x2014;Â&#x2014;Â&#x;ÂĄDiĂĄrio da RepĂşblica nÂş 35/11, II SĂŠrieÂĄ ÂąYbÂ&#x2030;YÂ?´ Â&#x152;nbÂąÂ&#x2030;bÂąÂ?´¥´FÂ?8V(Â?¹Ÿà t8Â&#x2020;ÂĄ Documentos eletrĂłnicos Livros Âą8Â&#x152;OÂ&#x2026;VÂĄ+ÂĄV? 8Â&#x2020;Â&#x2020;bÂąĂ&#x160;V(ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;sÂ&#x;ÂĄRe-thinking family - centred care across the continuum of childrenâ&#x20AC;&#x2122;s healthcare. *bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UššÂ?Â&#x152;Â&#x2020;Â&#x152;bÂ&#x2020;FÂą8ÂąĂ&#x160;ÂĄĂ&#x2C6;Â&#x2020;bĂ&#x160;ÂĄOÂ?Â&#x2030;šYÂ?šÂ&#x2014;Ă&#x17D;ÂĄÂ&#x2014;Â&#x2014;Â&#x2014;Â&#x2014;š Â&#x201E;ÂĄÂ&#x2014;½¸pĂ&#x20AC;Ă&#x20AC;Â&#x2014;sÂĄĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;sÂĄĂ&#x17D;Ă&#x17D;sÂ&#x2014;Ă&#x20AC;ÂĄĂ&#x2030;š8F´Ÿ¹8Âź +bÂ&#x2030;8Ă ÂźÂ?Âą b|8Ă&#x2021;Â?Ă ÂąÂ&#x2030;Â?YoO8ÂźÂ?Â&#x152;ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;¡Â&#x;ÂĄ*bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UššĂ&#x2C6;Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;ÂĄ bYĂ O8ÂźÂ?Â&#x152;8Â&#x2020;~Â&#x153;´Ă&#x160;O|Â?Â&#x2020;Â?t´Ÿ¥Â?ÂątÂĄĂ Â&#x2026;šFb|8Ă&#x2021;Â?à ¹¥|ÂźÂ&#x2030;Â&#x2020; +bÂ&#x2030;Y8Âź8 +Â?ObÂźĂ&#x160;Â?n Â&#x2020;Â&#x152;O8Â&#x2020;(´Ă&#x160;O|Â?Â&#x2020;Â?tĂ&#x160;ÂĄÂ&#x17E;Â&#x152;ÂĄYÂĄÂ&#x;ÂĄAbout clinical psychology. *bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UššĂ&#x2C6;Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;ÂĄ8Â&#x153;8ÂĄÂ?ÂątšYĂ&#x2021;´Â?Â&#x152;´šYĂ&#x2021;Â&#x2014;Ă&#x20AC;š8FÂ?Ă ÂźOÂ&#x153;ÂĄ|ÂźÂ&#x2030;Â&#x2020; Artigos de Publicaçþes PeriĂłdicas 8Â&#x2020;Â&#x2020;8t|bÂąV+ÂĄV(|Â&#x2020;Â&#x2020;Â&#x153;´VĂ?ÂĄ ÂĄV Â&#x2020;Ă&#x2021;bÂąV ÂĄV? 8¹¹Â?Â&#x2020;Â&#x2020;V ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;gÂ&#x;ÂĄ(ÂąbYOÂźÂ?¹´ Â?nÂ&#x153;´Ă&#x160;O|Â?Â&#x2020;Â?tO8Â&#x2020;Â&#x2030;Â?ÂąFYÂźĂ&#x160;Â&#x152;Â&#x153;8ÂąbÂ&#x152;Ÿ´Â?nO|Â&#x2020;YÂąbÂ&#x152;Ă&#x2C6;Âź|Â&#x152;ÂźbÂ&#x2020;Â&#x2020;bOŸà 8Â&#x2020; disabilities. Journal of Pediatric Psychology, 33(10), 1129-1136. *bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UššÂ&#x201E;Â&#x153;bÂ&#x153;´Ă&#x160;ÂĄÂ?Ă&#x2030;nÂ?ÂąYÂ&#x201E;Â?Ă ÂąÂ&#x152;8Â&#x2020;´¥Â?ÂątšOÂ?Â&#x152;ÂźbÂ&#x152;Ÿš½½šÂ&#x2014; Ă&#x17D;šÂ&#x2014;Â&#x2014;Ă&#x20AC;Â?ÂĄnĂ Â&#x2020;Â&#x2020; (Â?ŸŸbÂąV(ÂĄV b´|bÂ&#x2020;Y´V,ÂĄV Ă&#x2021;8Â&#x152;FbtVÂĄV bÂątbÂąVÂĄV Â&#x153;Âą8Â&#x152;Â?V ÂĄVÂ?¹¹´V ÂĄV? Â&#x2020;´bÂ&#x152;V+ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x2014;Ă&#x17D;Â&#x;ÂĄ Â?Â&#x2030;Â&#x153;8´´Â?Â&#x152;8ÂźtĂ b8Â&#x152;Y Ă ÂąÂ&#x152;Â?Ă ÂźU(Âąbvalence among oncology nurses. Clinical Journal of Oncology Nursing, 14Â&#x17E;pÂ&#x;ÂĄ*bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UššÂ?Â&#x152;´¥Â&#x2030;bÂź8Â&#x153;Âąb´´¥OÂ?Â&#x2030;šOÂ?Â&#x152;ÂźbÂ&#x152;Ÿš ¹¡ssĂ&#x17D;pg|sĂ&#x20AC;gĂ&#x17D;sĂ&#x20AC;¸Â&#x2014;šnĂ Â&#x2020;Â&#x2020;ÂźbĂ&#x2030;Ÿ¥Â&#x153;Yn Teses ÂąÂ&#x152;´Â&#x153;Ă Â&#x152;V ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x2014;Ă&#x17D;Â&#x;ÂĄThe social construction of caring in nursing Â&#x17E;,b´bYb Â?Ă ÂźÂ?Âą8Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?Â&#x;ÂĄ*bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UšštÂą8YĂ&#x2C6;Â?ÂąÂ&#x2026;´¥à Â&#x2030;ÂĄ OÂ?Â&#x2030;š*š¸gš*¸g½Ă&#x20AC;sÂĄ|ÂźÂ&#x2030;Â&#x2020; NOTAU 8´Â?Â?´YÂ?OĂ Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?´Â&#x153;Â?´´à 8Â&#x2030; Â&#x17E;Digital Object IdenÂźobÂąÂ&#x;b´ŸbYbĂ&#x2021;b´bÂą8Â&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8YÂ?Â&#x152;8ÂąbnbÂądÂ&#x152;O8VbĂ&#x2030;bÂ&#x2030;Â&#x153;Â&#x2020;Â?´U

Revista de Enfermagem ReferĂŞncia

Documento impresso com DOI YĂ&#x2C6;8ÂąY´VĂ?ÂĄ+ÂĄÂ&#x17E;Â&#x2014;Â?p¡Â&#x;ÂĄ 8´b+Ÿà Yb´Â&#x152; |Â&#x2020;Y|Â?Â?Y Â&#x2030;Â?ÂźÂ?Â&#x152;8Â&#x2020; ´8FÂ&#x2020;Âźb´¥Â?Ă ÂąÂ&#x152;8Â&#x2020;Â?n YĂ O8ÂźÂ?Â&#x152;8Â&#x2020;(´Ă&#x160;O|Â?Â&#x2020;Â?tĂ&#x160;VsgÂ&#x17E;¡Â&#x;Vs¡Ă&#x17D;~s¡Â&#x2014;ÂĄYÂ?U Â&#x2014;Ă&#x17D;ÂĄÂ&#x2014;Ă&#x17D;½¡š|Ă&#x17D;Ă&#x17D;½Â?½½¡ Documento eletrĂłnico com DOI Ă OÂ&#x2026;Â&#x2020;bĂ&#x160;V ÂĄV Â?YÂ&#x152;8V ÂĄV |8ÂąYĂ&#x2C6;8Â&#x201E;V(ÂĄV?(8´O8Â&#x2020;´V ÂĄÂ&#x17E;Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x2014;Ă&#x17D;Â&#x;ÂĄĂ?OÂźÂ?Â&#x152;Ă&#x2021;YbÂ? t8Â&#x2030;bÂ&#x153;Â&#x2020;8Ă&#x160;b¹´8Â&#x152;YYb8nÂ?F´bÂąĂ&#x2021;b¹´|8Ă&#x2021;bÂ&#x2020;8ÂątbÂąÂ?Â&#x2020;YÂ&#x2030;8Â&#x152;Â&#x152;Ă&#x2021;´à 8Â&#x2020;obÂ&#x2020;Y´¥ 2´Â?Â&#x152;*b´b8ÂąO|VpĂ&#x17D;Â&#x17E;pÂ&#x;Vpsg~pp¸¥*bOĂ Â&#x153;bÂą8YÂ?Yb|ŸŸÂ&#x153;UššĂ&#x2C6;Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;ÂĄ ´ObÂ&#x152;ObYÂąbOŸ¥OÂ?Â&#x2030;š´ObÂ&#x152;Obš8¹ŸOÂ&#x2020;bš ¸,Ă&#x17D;3~s42 s3~Â&#x2014;šĂ&#x20AC;šÂ&#x2014;gbnÂ&#x2014;½Yg8O¡Ă&#x20AC;OÂ?Y¡Ă&#x20AC;Ă&#x20AC;FÂ?Ă&#x17D;pÂ&#x2014;Ă&#x17D;Ă&#x20AC;Ă&#x20AC;Â&#x2014;¸YgÂ?gÂĄYÂ?UÂ&#x2014;Ă&#x17D;ÂĄÂ&#x2014;Ă&#x17D;Â&#x2014;¸šÂ&#x201E;ÂĄĂ&#x2021;´¹b´¥Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D;Â?ÂĄÂ&#x2014;Â&#x2014;ÂĄĂ&#x17D;Â&#x2014;g 2 â&#x20AC;&#x201C; Procedimentos de submissĂŁo do artigo e documentos a juntar: Â&#x2014;Â&#x2122;(8´´Â?U Â&#x152;Ÿ¹8ÂąÂ&#x152;Â?siteY8*bĂ&#x2021;´Ÿ8U|ŸŸÂ&#x153;UššĂ&#x2C6;Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;ÂĄb´bÂ&#x152;nOÂĄÂ&#x153;Ÿš¹¹š¥ Ă&#x20AC;Â&#x2122;(8´´Â?U Â&#x2020;O8ÂąÂ&#x152;Â?bÂ&#x152;Ă YÂ?Â&#x2020;8YÂ?b´Œà bÂąYÂ?bÂ&#x2030;ÂŤ+Ă FÂ&#x2030;bÂźbÂąĂ?¹ŸtÂ?ÂŹb Âąbt´Ÿ8Âą~´bOÂ?Â&#x2030;Â?8Ă ÂźÂ?ÂąVO8´Â?Â&#x201E;9´bbÂ&#x152;OÂ?Â&#x152;Ÿ¹bÂąbt´Ÿ8YÂ?bnbŸà 8Âąlogin. ½Â&#x2122;(8´´Â?U(ÂąbbÂ&#x152;O|Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?YÂ?´Y8YÂ?´´Â?Â&#x2020;OÂź8YÂ?´Â&#x17E;Â&#x152;Â?Â&#x2030;b8Y8~Â&#x2030;bÂ&#x152;Âźb Â&#x152;nÂ?ÂąÂ&#x2030;8QEÂ?´Â?FÂąb8Ă ÂźÂ?Âąb´jÂ&#x152;Ă Â&#x2030;Â&#x2030;9Ă&#x2030;Â&#x2030;Â?Yb¡Â&#x;ÂĄ sÂ&#x2122;(8´´Â?U(ÂąbbÂ&#x152;O|Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?b´à FÂ&#x2030;´´EÂ?8Ă ÂźÂ?Â&#x2030;9ÂźO8YÂ?´YÂ?OĂ Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?´ Â?FÂąt8ÂźÂ&#x2018;ÂąÂ?´V8´8FbÂąU Checklist de tĂłpicos de anĂĄlise crĂ­tica, selecionando e submetendo 8Â&#x153;bÂ&#x152;8´8O|bOÂ&#x2026;Â&#x2020;´ŸOÂ?¹¹b´Â&#x153;Â?Â&#x152;YbÂ&#x152;Âźb8Â?ÂźÂ&#x153;Â?Yb8¹ŸtÂ?´à FÂ&#x2030;bÂźYÂ?U ,Â&#x2018;Â&#x153;OÂ?´YbĂ?Â&#x152;9Â&#x2020;´b ÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ?¹ŸtÂ?YbÂ&#x152;Ă&#x2021;b´Ÿt8QEÂ? ,Â&#x2018;Â&#x153;OÂ?´YbĂ?Â&#x152;9Â&#x2020;´b ÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ?¹ŸtÂ?,bÂ&#x2018;ÂąOÂ?š Â&#x152;´8Â? ,Â&#x2018;Â&#x153;OÂ?´YbĂ?Â&#x152;9Â&#x2020;´b ÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ?¹ŸtÂ?Yb*bĂ&#x2021;´EÂ?+´ŸbÂ&#x2030;9ÂźO8 ,Â&#x2018;Â&#x153;OÂ?´YbĂ?Â&#x152;9Â&#x2020;´b ÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ?¹ŸtÂ?Yb*bĂ&#x2021;´EÂ?Â&#x152;ÂźbtÂą8ÂźĂ&#x2021;8 ,Â&#x2018;Â&#x153;OÂ?´YbĂ?Â&#x152;9Â&#x2020;´b ÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ?¹ŸtÂ?Yb´ŸÂ&#x2018;Âą8bbÂ&#x2030;Â&#x2018;Âą8 ChecklisttbÂą8Â&#x2020;Yb8Ă ÂźÂ?Ă&#x2021;bÂąoO8QEÂ?VÂ&#x153;ÂąbbÂ&#x152;O|Y8Â&#x152;8ÂźÂ?Âź8Â&#x2020;Y8YbÂś ,bÂąÂ&#x2030;Â?Ă&#x201A;Â&#x152;OÂ?Â&#x17E;cÂźOÂ?~Â&#x2020;bt8Â&#x2020;VÂąb´Â&#x153;Â?Â&#x152;´8FÂ&#x2020;Y8YbbOÂ?Â&#x152;qÂźÂ?YbÂ&#x152;ÂźbÂąb´´b´Â&#x;Âś Parecer de comissĂŁo de ĂŠticaÂ&#x17E;´b8Â&#x153;Â&#x2020;O9Ă&#x2021;bÂ&#x2020;Â&#x;Âś Autorização Institucional (se aplicĂĄvel). pÂ&#x2122;(8´´Â?U8Ă?bÂąuploadYÂ?8¹ŸtÂ?Â&#x17E;´bÂ&#x2030;bÂ&#x2020;bÂ&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?´ÂŚĂ bn8Q8Â&#x2030;ÂąbnbÂądÂ&#x152;O88Â?´8Ă ÂźÂ?Âąb´Â&#x;OÂ?Â&#x152;´Ÿ¹à Â&#x20AC;YÂ?Yb8OÂ?ÂąYÂ?OÂ?Â&#x2030;Â?´ÂźÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´Yb8Â&#x152;9Â&#x2020;´b OÂąÂ&#x20AC;ÂźO8b´Â&#x153;bOÂ&#x20AC;oOÂ?´YbO8Y8ÂźÂ&#x153;Â?Yb8¹ŸtÂ?ÂĄ 3 - Processo de RevisĂŁo: ´8¹ŸtÂ?´Â&#x153;ÂąÂ?Â&#x153;Â?´ŸÂ?´´EÂ?8Â&#x153;ÂąbO8YÂ?´Â&#x152;Ă Â&#x2030;Â&#x153;ÂąÂ?Ob´´Â? Â?Ă FÂ&#x2020;bblind (duplamente cego, i.e., os intervenientes - autores, revisores, gestores de artigo, peritos de lĂ­ngua, documentação e estatĂ­stica - sĂŁo anonimizados). Processo de revisĂŁo dos artigos submetidos Ă Revista de Enfermagem ReferĂŞncia e tempo limite de respostabÂ&#x2030;|ŸŸÂ&#x153;Ušš Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;Ă&#x2C6;ÂĄb´bÂ&#x152;nOÂĄÂ&#x153;Ÿš´Âźbš§Â&#x2030;Â?YĂ Â&#x2020;bk¹¹?Âź8ÂątbÂźkÂ&#x153;8tb?YkÂ&#x2014;Â&#x2014;¸gĂ&#x20AC;LÂĄ s~Ă?YbO´EÂ?oÂ&#x152;8Â&#x2020;8ObÂąO8Y8Â?Â&#x153;Â?¹Ÿà Â&#x152;Y8YbYbÂ&#x153;Ă FÂ&#x2020;O8QEÂ?YÂ?´ artigos ĂŠ da responsabilidade do Editor Chefe da Revista. A publicação de Artigos TeĂłricos/Ensaios, RevisĂŁo e HistĂłria e MemĂłria ĂŠ limitada. Â&#x152;YbÂąbQÂ?U Revista de Enfermagem ReferĂŞncia -Â&#x152;Y8YbYbÂ&#x152;Ă&#x2021;b´Ÿt8QEÂ?bÂ&#x2030; dÂ&#x152;O8´Y8+8Ă&#x201A;YbU Â&#x152;nbÂąÂ&#x2030;8tbÂ&#x2030; ´OÂ?Â&#x2020;8+Ă Â&#x153;bÂąÂ?ÂąYb Â&#x152;nbÂąÂ&#x2030;8tbÂ&#x2030;Yb Â?Â&#x2030;FÂą8 Ă?Ă&#x2021;ÂĄ ´´8Ă&#x160;8 8¹¹bÂźÂ? 3001 - 091 Coimbra

SĂŠrie IV - n.Âş 23 - OCT. / NOV. / DEZ. 2019

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TERMO ÚNICO

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Ï ±bQE Y8 *bÇ´¼8 Yb Œnb±‰8tb‰ *bnb±dŒO8 8´´Á‰b Á‰8 œ†€¼O8 bY¼±8† Yb ±b´œŒ´8F†Y8YbV Œ ´bŒ¼Y Yb salvaguardar todos os princípios ético legais inerentes ao processo de gestão, revisão, publicação e divulgação, protegendo ´Y±b¼´Y8´œb´´8´VŒ´¼¼ÁQ›b´VO‰t8±8Œ¼8Y8Á¼†Y8YbbÇb±Y8YbObŒ¼€oO8YOŒ|bO‰bŒ¼¦ÁbYÇÁ†t8¡

DECLARAÇÕES DE AUTOR:

bO†8±¦Áb8±¼t¦Áb´b´ÁF‰b¼b>*bÇ´¼8Yb Œnb±‰8tb‰*bnb±dŒO8c±tŒ8†bŒE´bbŒOŒ¼±8 publicado ou em apreciação, na íntegra ou em partes por outro periódico, livro de atas ou capítulo de livro.

bO†8±¦Áb´Y±b¼´Yb8Á¼±Yb´¼b8±¼t´E¼±8Œ´nb±Y´œ8±88*bÇ´¼8Yb Œnb±‰8tb‰*bnb±dŒO8V assim que ele for aceite para publicação eletrónica ou impressa.

bO†8±¦Áb¼bɼY8±¼tŒE¼b‰œ†9tbOÁ‰œ±bO‰±t±´œ±Ob´´´Yb±bnb±bŒO8QEb citação.

bO†8±¦Áb8±¼tYb´O±bÇbO‰œ±bO´EVŒ8‰b¼Y†t8VOÁ‰œ±‰bŒ¼Yb¼Y´´8´œb¼´c¼O †bt8´œ8±8±b8†Í8QEY8ŒÇb´¼t8QE¡

bO†8± ¦Áb ´Á ±b´œŒ´9Çb†V Fb‰ O‰ ´ Yb‰8´ 8Á¼±b´V œ± ¦Á8†¦Áb± ‰9 œ±9¼O8 Œb±bŒ¼b 8´ œ±ŒO€œ´8O‰8Yb´O±¼´VÁ¦Á8´¦Áb±Á¼±´¦Ábœ±b„ÁY¦Áb‰8YtŒY8YbObŒ¼€oO8Y8*bÇ´¼8b´ œ±ŒO€œ´Yb±t±Y8O‰ÁŒY8YbObŒ¼€oO8¡ Ϝ±b´bŒ¼8Á¼±Í8QEŒ´¼¼ÁOŒ8†ž´b8œ†O9Çb†Ÿ¡ Apresento Parecer de Comissão de Ética (se aplicável). *bnb±bŒ¼b8‰8ŒÁ´O±¼VYbO†8±¦ÁbŒEœ´´ÁOŒq¼´YbŒ¼b±b´´bYb±Yb‰œb´´8†VO‰b±O8†V 8O8Yc‰OVœ†€¼OÁoŒ8ŒOb±¡

bO†8±¦Áb¼Y´8œ´oŒ8ŒOb±´b‰8¼b±8´±bObFY´œ8±8Yb´bŒÇ†Ç‰bŒ¼Y8ŒÇb´¼t8QEb´¼E descritos no texto.

‰œ±‰b¼~‰b 8 ´Áœ±¼8± 8´ Yb´œb´8´ F±t8¼‘±8´ Yb ¼±8YÁQEV Á‰8 ÇbÍ 8Ob¼b œ8±8 œÁF†O8QE ž¼8U n±‰8¼F†€ŒtÁbY8*bÇ´¼8´b±9œ8±8YÇÁ†t8QEb‰F8´b´YbY8Y´Ÿ¡ n±‰8¼F†€ŒtÁbY8*bÇ´¼8´b±9œ8±8YÇÁ†t8QEb‰F8´b´YbY8Y´¡ ‰n±‰8¼œ8œb†´‘´b±9 œÁF†O8Y8Á‰8ŒO8Çb±´EY8±¼tŸ¡

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Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OCT. / NOV. / DEZ. 2019

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CHECKLIST DE AUTOVERIFICAĂ&#x2021;Ă&#x192;O

(Preencher e enviar Ă Revista, juntamente com o artigo e a checklistšŸÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´Yb8Â&#x152;9Â&#x2020;´bOÂąÂ&#x20AC;ÂźO8b´Â&#x153;bOÂ&#x20AC;oO8YÂ?8¹ŸtÂ?Â&#x; 1. ESTRUTURA DO ARTIGO (RIV___________) Tipo Ć&#x2018; Ă&#x2030; um artigo original. TĂ­tulo Ć&#x2018; Â&#x152;nÂ?ÂąÂ&#x2030;8ÂźĂ&#x2021;Â?b´à OÂ&#x152;ÂźÂ?Â&#x17E;bÂ&#x2030;Â&#x153;Â?¹Ÿà tĂ d´VÂ&#x152;tÂ&#x2020;d´bb´Â&#x153;8Â&#x152;|Â?Â&#x2020;Â&#x;ÂĄ Ć&#x2018; 9Ă&#x2030;Â&#x2030;Â?YbÂ&#x2014;¸Â&#x153;8Â&#x2020;8Ă&#x2021;Âą8´V´bÂ&#x2030;8FÂąbĂ&#x2021;8Ÿà ¹8´VÂ&#x152;bÂ&#x2030; Â&#x152;YO8QEÂ?Y8Â&#x2020;Â?O8Â&#x2020;Ă?8QEÂ?Y8Â&#x152;Ă&#x2021;b´Ÿt8QEÂ?ÂĄ Autores Ć&#x2018; Ă?YbÂ&#x152;ÂźnO8QEÂ?YÂ?´8Ă ÂźÂ?Âąb´Â&#x152;EÂ?OÂ?Â&#x152;´Ÿ8YÂ?8¹ŸtÂ?V bÂ&#x152;OÂ?Â&#x152;Ÿ¹8Â&#x152;YÂ?~´bbÂ&#x2030;nO|bÂąÂ?´bÂ&#x153;8Âą8YÂ?ÂĄ Ć&#x2018; Â&#x152;Ă&#x201A;Â&#x2030;bÂąÂ?Yb8Ă ÂźÂ?Âąb´Â&#x152;EÂ?c´à Â&#x153;bÂąÂ?Âą8¡¥ Ć&#x2018; ´ŸEÂ?Â&#x152;YO8YÂ?´Â?´Â&#x152;Â?Â&#x2030;b´bÂąb´Â&#x153;bOÂźĂ&#x2021;8´|8FÂ&#x2020;Âź8QÂ&#x203A;b´V Ć&#x2018; O8ÂźbtÂ?Âą8´Â&#x153;ÂąÂ?n´´Â?Â&#x152;8´VÂ&#x152;´ŸŸà QÂ&#x203A;b´Â?Â&#x152;YbbĂ&#x2030;bÂąObÂ&#x2030;nĂ Â&#x152;QÂ&#x203A;b´ Â&#x17E;OY8YbVY´Ÿ¹ÂźÂ?šb´Ÿ8YÂ?VÂ&#x153;8Â&#x20AC;´Â&#x;VOÂ?Â&#x152;Âź8OÂźÂ?´Â&#x153;b´´Â?8´Â&#x17E;Â&#x2030;Â?Âą8Y8V b~Â&#x2030;8Â&#x2020;bÂźbÂ&#x2020;bnÂ?Â&#x152;bÂ&#x;bnÂ?Â&#x152;Âźb´YboÂ&#x152;8Â&#x152;O8Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?YÂ?b´Ÿà YÂ?Â&#x17E;´b for o caso). Resumo Ć&#x2018; ´Ÿ98Â&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8YÂ?bÂ&#x2030;Â&#x153;Â?¹Ÿà tĂ d´VÂ&#x152;tÂ&#x2020;d´bb´Â&#x153;8Â&#x152;|Â?Â&#x2020;ÂĄ Ć&#x2018; NĂŁo excede 170 palavras. Ć&#x2018; Â&#x152;OÂ&#x2020;Ă Yb´OÂąQEÂ?Y8´´bOQÂ&#x203A;b´ÂąbÂ&#x2020;8ÂźĂ&#x2021;8´8Â?ÂźÂ&#x153;Â?Yb8¹ŸtÂ? b´O¹ŸÂ?Â&#x17E;Ă?¹ŸtÂ?´YbÂ&#x152;Ă&#x2021;b´Ÿt8QEÂ? Â&#x2030;Â&#x153;Â&#x20AC;ÂąO8ÂśĂ?¹ŸtÂ?´,bÂ&#x2018;ÂąOÂ?´š Â&#x152;´8Â?´œĂ?¹ŸtÂ?´Yb*bĂ&#x2021;´EÂ?+´ŸbÂ&#x2030;9ÂźO8ÂśĂ?¹ŸtÂ?´Yb*bĂ&#x2021;´EÂ? integrativa). Palavras-chave Ć&#x2018; SĂŁo apresentadas, no mĂĄximo, 6 palavras-chave. Ć&#x2018; ´ŸEÂ?Ÿ¹8Â&#x152;´O¹Ÿ8´Yb8OÂ?ÂąYÂ?OÂ?Â&#x2030;Â?´descritores MeSH (pesquisa em http://www.nlm.nih.gov/mesh/MBrowser.htmle/ou http://decs.bvs.br/) Ć&#x2018; Â&#x152;OÂ?Â&#x152;Ÿ¹8Â&#x2030;~´bbÂ&#x2030;Â&#x153;Â?¹Ÿà tĂ d´VÂ&#x152;tÂ&#x2020;d´bb´Â&#x153;8Â&#x152;|Â?Â&#x2020;ÂĄ Formatação do texto Ć&#x2018; O texto apresenta uma estrutura com todas as secçþes, conforme estĂĄ descrito na Revista, em função do tipo de 8¹ŸtÂ?UÂźÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´Yb8Â&#x152;9Â&#x2020;´bOÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ Â&#x2030;8¹ŸtÂ?YbÂ&#x152;Ă&#x2021;b´Ÿt8QEÂ?V ÂźÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´Yb8Â&#x152;9Â&#x2020;´bOÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ Â&#x2030;8¹ŸtÂ?ÂźbÂ&#x2018;ÂąOÂ?šbÂ&#x152;´8Â?VÂźÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´ Yb8Â&#x152;9Â&#x2020;´bOÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ Â&#x2030;8¹ŸtÂ?YbÂąbĂ&#x2021;´EÂ?´´ŸbÂ&#x2030;9ÂźO8VÂźÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´ Yb8Â&#x152;9Â&#x2020;´bOÂąÂ&#x20AC;ÂźO8YbĂ Â&#x2030;8¹ŸtÂ?YbÂąbĂ&#x2021;´EÂ?Â&#x152;ÂźbtÂą8ÂźĂ&#x2021;8VÂźÂ&#x2018;Â&#x153;OÂ?´ Yb 8Â&#x152;9Â&#x2020;´b OÂąÂ&#x20AC;ÂźO8 Yb Ă Â&#x2030; 8¹ŸtÂ? Yb |´ŸÂ&#x2018;Âą8 b Â&#x2030;bÂ&#x2030;Â&#x2018;Âą8V incluindo todos os itens que integram cada secção. Ć&#x2018; ÂźbĂ&#x2030;ÂźÂ?ÂźbÂ&#x2030;Â?Â&#x2030;9Ă&#x2030;Â&#x2030;Â?YbÂ&#x2014;pÂ&#x153;9tÂ&#x152;8´VÂ&#x152;OÂ&#x2020;Ă Â&#x152;YÂ? ÂąbnbÂądÂ&#x152;O8´VÂź8FbÂ&#x2020;8´VÂŚĂ 8YÂąÂ?´VtÂą9nOÂ?´bntĂ Âą8´¥ Ć&#x2018; ´Ÿ9b´O¹ŸÂ?´bÂ&#x2030;b¹¹Â?´´bÂ&#x2030;:Â&#x152;ÂźOÂ?´Â?Ă Â&#x2030;Â?ÂąnÂ?Â&#x2020;Â&#x2018;tOÂ?´¥ Ć&#x2018; ´Ÿ9b´O¹ŸÂ?bÂ&#x2030;OÂ?bÂądÂ&#x152;O8OÂ?Â&#x2030;Â?8OÂ?ÂąYÂ?Â?¹ŸÂ?tÂą9nOÂ?ÂĄ Ć&#x2018; 88Â&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8QEÂ?YbY8YÂ?´b´Ÿ8ÂźÂ&#x20AC;´ŸOÂ?´VbÂ&#x2030;Â&#x153;Â?¹Ÿà tĂ d´8 separação das casas decimais deverĂĄ ser feita com vĂ­rgula e bÂ&#x2030;Â&#x152;tÂ&#x2020;d´OÂ?Â&#x2030;Â&#x153;Â?Â&#x152;ÂźÂ?nÂ&#x152;8Â&#x2020;ÂĄ Ć&#x2018; ´Ÿ9bÂ&#x2030;nÂ?ÂąÂ&#x2030;8ÂźÂ?3Â?ÂąYVÂ&#x2020;bŸ¹8Ă?Âą8Â&#x2020;VÂź8Â&#x2030;8Â&#x152;|Â?Â&#x2014;Â&#x2014;Vb´Â&#x153;8QÂ?Â&#x2014;VpÂĄ

Revista de Enfermagem ReferĂŞncia

Ć&#x2018; (9tÂ&#x152;8´bÂ&#x2030;Â&#x201E;à ´ŸnO8QEÂ?VnÂ?ÂąÂ&#x2030;8ÂźÂ?Ă?sVbÂ&#x2030;OÂ?Â&#x2020;Ă Â&#x152;8Ă&#x201A;Â&#x152;O8V com margens superiores e inferiores de 2,5cm e margens esquerda e direita de 3cm. Ć&#x2018; Sem negritos e sublinhados, nem variação de tipo de letra, fundos de cor, etc. Ć&#x2018; Sem notas de rodapĂŠ. ,8FbÂ&#x2020;8´bntĂ Âą8´ Ć&#x2018; SĂŁo apenas as absolutamente necessĂĄrias para a compreensĂŁo do artigo. Ć&#x2018; Ă?´Âź8FbÂ&#x2020;8´bntĂ Âą8´b´ŸEÂ?8Â&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8Y8´Yb8OÂ?ÂąYÂ?OÂ?Â&#x2030; Â?b´ŸÂ&#x2020;Â?Ă?(Ă?Â&#x17E;¸Â&#x2122; YQEÂ?VĂ&#x20AC;Ă&#x17D;Â&#x2014;Ă&#x17D;Â&#x;ÂĄ Ć&#x2018; ´ŸEÂ?Â&#x152;Ă Â&#x2030;bÂą8Y8´Â&#x153;Â?ÂąÂ?ÂąYbÂ&#x2030;YbÂ&#x152;OÂ&#x2020;à ´EÂ?Â&#x152;Â?ÂźbĂ&#x2030;ÂźÂ?VbÂ&#x2030; função de cada tipo. Ă?´Âź8FbÂ&#x2020;8´8Â&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8Â&#x2030;Â?ÂźÂ&#x20AC;Ÿà Â&#x2020;Â?bÂ&#x2030;O8FbQ8Â&#x2020;|Â?b8´otĂ Âą8´ apresentam o tĂ­tulo por baixo. Ć&#x2018; Os comentĂĄrios aos dados e resultados antecedem as Âąb´Â&#x153;bÂźĂ&#x2021;8´Âź8FbÂ&#x2020;8´botĂ Âą8´¥ Ć&#x2018; ´Ÿ9OÂ?¹¹bÂź88nÂ?ÂąÂ&#x2030;8Yb8Â&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8QEÂ?tÂą9oO8Y8´Âź8FbÂ&#x2020;8´¥ Ć&#x2018; Ă&#x2030; clara a apresentação dos dados e resultados, bem como o formato dos sĂ­mbolos da linguagem estatĂ­stica. Ć&#x2018; Ă?´otĂ Âą8´´EÂ?Â&#x2020;btÂ&#x20AC;Ă&#x2021;b´bOÂ?Â&#x2030;Â&#x152;YO8QEÂ?Y8nÂ?Â&#x152;ÂźbÂ&#x17E;Â?nÂ?ÂąÂ&#x2030;8ÂźÂ? YbĂ&#x2021;bÂą9´bÂąbÂ&#x2030;(Â?Ă ,bÂźbÂąÂ&#x152;Â?Â&#x2030;Â&#x20AC;Â&#x152;Â&#x2030;Â?Ă&#x20AC;Ă&#x17D;Ă&#x17D; (YbÂąb´Â?Â&#x2020;Ă QEÂ?Â&#x;ÂĄ Citaçþes Ć&#x2018; ,Â?YÂ?´Â?´8Ă ÂźÂ?Âąb´OÂź8YÂ?´OÂ?Â&#x152;´Ÿ8Â&#x2030;Y8Â&#x2020;´Ÿ8YbÂąbnbÂądÂ&#x152;O8´ FFÂ&#x2020;Â?tÂą9oO8´¥ Ć&#x2018; Todas as citaçþes literais e parĂĄfrases cumprem as normas American Psychological Association (APA, 6Âş edição, 2010). Ć&#x2018;  OÂ?Â&#x152;ÂźbĂ&#x201A;YÂ? Y8´ OÂź8QÂ&#x203A;b´ b Â&#x153;8Âą9nÂą8´b´ bĂ&#x2030;Â&#x153;Âąb´´8Â&#x2030; Yb forma clara e precisa as fontes citadas. *bnbÂądÂ&#x152;O8´FFÂ&#x2020;Â?tÂą9oO8´ Ć&#x2018; Foram elaboradas de acordo com as Normas da APA 6Âş edição (2010; ver os exemplos) e estĂŁo ordenadas por ordem alfabĂŠtica de apelido do autor. Ć&#x2018; Todas estĂŁo citadas no texto. Ć&#x2018; +EÂ?VÂ&#x152;Â?Â&#x2030;9Ă&#x2030;Â&#x2030;Â?VĂ&#x20AC;Ă&#x17D;bÂ&#x153;bÂąÂ&#x2030;ÂźbÂ&#x2030;OÂ?Â&#x2020;Â?O8ÂąbÂ&#x2030;bĂ&#x2021;YdÂ&#x152;O8 8´Â&#x153;Ă FÂ&#x2020;O8QÂ&#x203A;b´Â&#x2030;8´ÂąbÂ&#x153;Âąb´bÂ&#x152;Âź8ÂźĂ&#x2021;8´YÂ?ÂŤb´Ÿ8YÂ?Y88¹ŸbÂŹY8 Â&#x153;ÂąÂ?FÂ&#x2020;bÂ&#x2030;9ÂźO8Â&#x17E;Ă&#x201A;Â&#x2020;ÂźÂ&#x2030;Â?´p8Â&#x152;Â?´Â&#x;ÂĄ Ć&#x2018; Foi feita pesquisa a bases de dados de revistas indexadas internacionais, incluindo a base de dados da Revista de Enfermagem ReferĂŞncia. Ă&#x20AC;j(*  , + +- ++  Ă?*, Ć&#x2018; nbŸà 8YÂ?Âąbt´ŸÂ?Â&#x152;Â?site da Revista e submissĂŁo electrĂłnica YÂ?8¹ŸtÂ?OÂ?Â&#x152;OÂ&#x2020;Ă Â&#x20AC;Y8OÂ?Â&#x2030;dĂ&#x2030;ÂźÂ?ÂĄ Submeti, na plataforma, os seguintes documentosU Ć&#x2018; Artigo integral; Ć&#x2018; |bOÂ&#x2026;Â&#x2020;´ŸYb8Ă ÂźÂ?Ă&#x2021;bÂąnO8QEÂ?YbĂ&#x2021;bÂąnO8QEÂ?tbÂ&#x152;cÂąO8Âś Ć&#x2018; Checklist de anĂĄlise crĂ­tica do tipo de artigo submetido; Ć&#x2018; ,bÂąÂ&#x2030;Â?Ă&#x201A;Â&#x152;OÂ?Â&#x17E;cÂźOÂ?~Â&#x2020;bt8Â&#x2020;VÂąb´Â&#x153;Â?Â&#x152;´8FÂ&#x2020;Y8YbbOÂ?Â&#x152;nÂ&#x2020;ÂźÂ?Yb interessesbÂ?´YÂ?OĂ Â&#x2030;bÂ&#x152;ÂźÂ?´OÂ?Â&#x2030;Â&#x153;ÂąÂ?Ă&#x2021;8ÂźĂ&#x2021;Â?´). SĂŠrie IV - n.Âş 23 - OCT. / NOV. / DEZ. 2019

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COMO CITAR REVISTA DE ENFERMAGEM REFERÊNCIA APA 8±¦Áb´V(¡Ï¡ ¡V+Á´8V(¡Ï¡¡V?+†Ç8VÏ¡Ï¡(¡žÀΗ½Ÿ¡

ŒnÁ´E ÏtÁY8 Œ Y´U 8Y´ œ8±8 8 YbO´E Y enfermeiro. Revista de Enfermagem Referência, 3 (9), ½·~s½¡*bOÁœb±8YYb|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡´Ob†¡tœb8±¡‰O¼b´¡ œ¼¹´Ob†¡œ|œ§´O±œ¼k´OÆ8F´¼±8O¼?œYk+Îg·s~ ÎÀg½ÀΗ½ÎÎΗÎÎÎÎs?†Œtkœ¼?Œ±‰k´?¼†Œtkœ¼

ŒnÁ´E ÏtÁY8 Œ Y´U Y8Y´ œ8±8 8 YbO´E Y enfermeiro. Revista de Enfermagem Referência K ‰†Œ|8L¡+c±b½VŒ™žÀΗ½ŸVœ¡½·-43. [Consult. ½—„8Œ¡ÀΗsL¡ ´œŒ€Çb†b‰333U‡|¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡ ´Ob†¡tœb8±¡‰O¼b´¡œ¼¹´Ob†¡œ|œ§´O±œ¼k´OÆ 8F´¼±8O¼?œYk+Îg·s~ÎÀg½ÀΗ½ÎÎΗÎÎÎÎs?†Œtkœ¼? nrm=iso&tlng=pt>. ++Îg·s~ÎÀg½.

Ï(Ï~ϱ¼tO‰ ž t¼8† F„bO¼YbŒ¼ob±Ÿ 8±¦Áb´V(¡Ï¡ ¡V+Á´8V(¡Ï¡¡V?+†Ç8VÏ¡Ï¡(¡žÀΗ½Ÿ¡

ŒnÁ´EÏtÁY8ŒY´U 8Y´œ8±88YbO´EY enfermeiro. Revista de Enfermagem Referência, 3 (9), 37-s½¡YU—Ρ—À·Î·¹*—ÀÀ

ISO - Artigo com DOI Ï*)- +V(8Á†φbÉ8ŒY±b †Çb±8¶+ -+ÏV(8Á†Œ ϱ¼Á± b±±b±8 Yb ¶ +2ÏV ÏFb† ÏÇb†Œ Yb (8Ç8 ŒnÁ´E ÏtÁY8 Œ Y´U Y8Y´ œ8±8 8 YbO´E Y enfermeiro. Revista de Enfermagem Referência. Série 3, nº 9 (2013), p. 37-s½¡YU—Ρ—À·Î·¹*—ÀÀ. ++ Îg·s~ÎÀg½.

Vancouver - Formato Documento Eletrónico 8±¦Áb´(Ï V+Á´8(ÏV+†Ç8ÏÏ(¡ ŒnÁ´EÏtÁY8 ŒY´UY8Y´œ8±88YbO´EYbŒnb±‰b±¡*bÇ Œn *bnKŒ¼b±Œb¼L¡ÀΗ½8±K8Ob´´ÀΗs8Œ½—L¶½žŸU½·s½¡ ´œŒ€Çb† b‰U |¼¼œU¹¹ÈÈÈ¡´Ob†¡tœb8±¡‰O¼b´¡ œ¼¹´Ob†¡œ|œ§´O±œ¼k´OÆ8F´¼±8O¼?œYk+Îg·s~ ÎÀg½ÀΗ½ÎÎΗÎÎÎÎs?†Œtkœ¼?Œ±‰k´?¼†Œtkœ¼

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Revista de Enfermagem Referência

Série IV - n.º 23 - OCT. / NOV. / DEZ. 2019

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HOW TO CITE REVISTA DE ENFERMAGEM REFERÊNCIA APA 8±¦Áb´V(¡Ï¡ ¡V+Á´8V(¡Ï¡¡V?+†Ç8VÏ¡Ï¡(¡žÀΗ½Ÿ¡

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Ficha Técnica / Technical Board Propriedade / Ownership:

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Título de Registo de Marca Nacional / Trade mark registry:

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Depósito Legal / Legal Deposit:

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ISSNe (electronic version):

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Projecto gráfico e maquetização / Graphic Design:

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Periodicidade / Periodicity:

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« Este trabalho é financiado por fundos nacionais através da FCT_Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do projeto Refª UID/DTP/00742/2019 ».

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Eixo Estratégico de Desenvolvimento para a Edição e Disseminação do Conhecimento Científico


SÉRIE IV - N.º 23 ARTIGO DE INVESTIGAÇÃO (ORIGINAL) / RESEARCH PAPERS (ORIGINAL) A presença da fenomenologia na investigação em enfermagem: mapeamento das teses de doutoramento em Portugal Phenomenology in nursing research: mapping of doctoral theses in Portugal La presencia de la fenomenología en la investigación en enfermería: mapeo de las tesis doctorales en Portugal A vivência no trânsito e as implicações na saúde dos motoristas de autocarros: estudo fenomenológico descritivo The experience in traffic and its effects on the health of bus drivers: a phenomenological descriptive study La experiencia en el tránsito y las implicaciones para la salud de los conductores de autobuses: estudio fenomenológico descriptivo Avaliação familiar e processo de enfermagem: programa de desenvolvimento de competências Family assessment and nursing process: skills and knowledge development program Evaluación familiar y proceso de enfermería: programa de desarrollo de competencias Conhecimento dos utentes com hipertensão arterial de uma unidade de saúde familiar sobre a sua patologia Knowledge about high blood pressure among hypertensive individuals in a family health unit Conocimiento de los pacientes con hipertensión arterial en una unidad de salud familiar sobre su patologia Eficácia da técnica de breath stacking na função respiratória em mulheres submetidas a cirurgia bariátrica Effectiveness of the breath-stacking technique in the respiratory function of women undergoing bariatric surgery Eficacia de la técnica de breath stacking sobre la función respiratoria en mujeres sometidas a cirugía bariátrica Humanização dos cuidados de saúde no serviço de urgência: análise qualitativa baseada nas experiências dos enfermeiros Humanization of healthcare at the emergency department: a qualitative analysis based on nurses’ experiences Humanización de la asistencia en urgencias: un análisis cualitativo basado en las experiencias de las enfermeras Necesidades de salud: experiencia de mujeres mayores de un centro de día Health needs: experience of older women in a day center Necessidades de saúde: experiência de mulheres idosas num centro de dia Perfil de jovens universitários e as suas perceções face à maternidade e paternidade Profile of young university students and their perceptions of motherhood and fatherhood Perfil de los jóvenes universitarios y su percepción de la maternidad y la paternidad Qualidade de vida da pessoa com doença inflamatória intestinal Quality of life of patients with inflammatory bowel disease Calidad de vida de la persona con enfermedad inflamatoria intestinal Questionário de Conhecimentos sobre Práticas de Enfermagem Forenses: adaptação para o Brasil e a propriedades psicométricas Knowledge Questionnaire over Forensics Nursing Practices: adaptation to Brazil and psychometric properties Cuestionario de Conocimientos sobre Prácticas de Enfermería Forense: adaptación a Brasil y propiedades psicométricas Religião/espiritualidade e apoio social na melhoria da qualidade de vida da pessoa com cancro avançado Religion/spirituality and social support in improving the quality of life of patients with advanced cancer Religión/espiritualidad y apoyo social para mejorar la calidad de vida de las personas con cáncer avanzado Sintomatologia musculoesquelética dos enfermeiros no contexto hospitalar: contributo do enfermeiro de reabilitação Musculoskeletal symptoms of hospital nurses: contribution of rehabilitation nurses Síntomas musculoesqueléticos de los enfermeros en el contexto hospitalario: contribución del enfermero de rehabilitación Terapêuticas de enfermagem na pessoa com deglutição comprometida após acidente vascular cerebral Nursing therapies in the person with post-stroke dysphagia Terapias de enfermería para la persona con problemas de deglución después de un accidente cerebrovascular Translation and cross-cultural adaptation of evidence-based practice instruments for Portuguese nursing students Tradução e adaptação de instrumentos sobre prática baseada na evidência para estudantes de enfermagem portugueses Traducción y adaptación de instrumentos a la práctica basada en la evidencia para estudiantes de enfermería portugueses Validação de protocolo de enfermagem para avaliação e diagnóstico de retenção urinária no adulto Validation of urinary retention evaluation nursing protocol and nursing diagnosis in adults Validación del protocolo de enfermería para la evaluación y el diagnóstico de la retención urinaria en adultos

UNIDADE DE INVESTIGAÇÃO / RESEARCH UNIT Newsletter UICISA: E

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IVª Série - Edição nº 23  

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