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A Revista Brasileira da Administração - RBA conta com uma tiragem de mais de 100 mil exemplares. Ao todo são cerca de 170 mil leitores, todos envolvidos em alguma área da Administração, entre empresários, executivos e estudantes. Anunciar na RBA é falar direto com esse público seleto e qualificado, sua empresa só tem a ganhar. Entre em contato e surpreenda-se com nosso custo-benefício.

RBA

REVISTA BRASILEIRA DE ADMINISTRAÇÃO


mensagens Elogio Parabéns à RBA pela excelente matéria sobre o tema “Mercado de trabalho inclusivo” – Edição nº 85 – abordando de forma imparcial e correta o tema. Esta é a minha primeira assinatura. Sou estudante de Administração e servidor público federal. Gostaria que publicassem mais artigos sobre Administração Pública. Uma sugestão: o papel desempenhado pelo gestor público visando a construção de uma administração menos burocrática e cada vez mais gerencial. É bom contar com uma obra desta grandeza para o nosso enriquecimento profissional e pessoal. Davi Cutrin Anotamos a sua sugestão. Confira, nesta edição, a matéria sobre terceirização, enfatizando como este modelo de gestão está sendo utilizado no serviço público brasileiro.

Assinatura

A minha revista do bimestre ainda não havia chegado, fiz a reclamação e recebi o meu exemplar da RBA em pouco tempo. Agradeço a atenção, estou contente com o atendimento. Adm. Carlos Souza Os problemas com assinatura da RBA – atrasos, falhas na entrega etc. – podem ser solucionados pela Central de Atendimento ao Assinante da RBA: pelo telefone (61) 3218-1818, de 2ª a 6ª feira, das 8:30 às 12:00 horas, ou e-mail rba:cfa.org.br

Agradecimento 1

Antes de mais nada, agradeço pelo pronto retorno ao meu questionamento e solicitação. Aguardo o recebimento da RBA de número 85, referente ao mês Novembro/Dezembro de 2011. Esteja certo de que tão logo a mesma seja entregue em minha residência, confirmo o recebimento. Adm. Joyce Sant´Ana

Agradecimento 2

Acuso o recebimento das edições 83, 84 e 85. Agradeço a atenção e desejo a todos da RBA e nossos colegas administradores um ano de 2012 de conquistas. Sgt. Carlos

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Carta Registrada

No Mês passado, em virtude do mal acondiciionamento pelos Correios, a revista caiu em nosso pátio e foi extraviada. Gostaria de verificar se é possível enviar as próximas edições da RBA via carta registrada para evitar esse transtorno. Se for possível favor reenviar a Revista de Set/Out 2011. Ficarei muito agradecido! Adm. Enéias Alexandre Staroscky Estamos reenviando as edições 84 e 85 via carta registrada, como solicitado. Informamos ainda que, assim que for lançada a edição 86 (ultimo exemplar da promoção 2011), enviaremos pelo mesmo sistema de registro.

Brasil Profissional

Agradeço a RBA, o CFA e o CRA-RN a atenção que tiveram comigo após uma reclamação que fiz sobre o atraso da entrega das edições nºs 84 e 85. Depois que entrei em contato com o CRA-RN e informei o que acontecera, eles regularizaram imediatamente a situação. Meus elogios e atenção de toda a equipe RBA, CFA e CRA-RN. Parabéns! Gostaria de reforçar e lembrar aos demais colegas administradores de todo o Brasil que quitem sua anuidade em 2012, e vamos fazer juntos um Brasil profissional, valorizando cada vez mais a nossa profissão de Adiministrador. Adm. Andrezza Trindade. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


@cfa_adm Parabéns @cfa_adm pela última edição da revista. Reportagens muito boas.@Viniciusaac @cfa_adm Acabei de abrir a minha #RBA Nº 84 e ver que foi publicada a minha mensagem do twitter e a minha sugestão de matérias. \o/ Obrigada. @gracymandu @cfa_adm Acabei de ler a minha RBA Nº 84, excelente como sempre. Ótimas dicas e matérias. @Adriane_Aquino

@thiagopiress_@cfa_adm Seria uma boa ideia a RBA mostrar como anda os administradores públicos e mostrar o quanto eles valorizam nossa profissão. @gesimarteixeira @cfa_adm Thanks! RBA recebida e já admirada =).Msg da RBA nº85” Os desafios p os adm na atualidade são diferentes...mas ñ menos complexos.”

Parabéns @cfa_adm por A Dificil Arte d Vender, texto ótimo! @Lecaran

Lendo a edição 85 (nov/dez) da #RBA. Excelente conteúdo... Recomendo aos colegas! Parabéns ao @cfa_adm! @flavio_emilio

Lendo a #RBA nº 84, está ótima por sinal Em especial a matéria “A difícil arte de vender” @ cfa_adm de parabéns por mais uma excelente edição

facebook.com/cfaadm

Opinião do leitor

Lediana Luz Ja conferi sim e ficou como sempre excelente.Parabens como sempre.

Cartas à Revista podem ser enviadas para SAUS, Quadra 1, Bloco L, Edifício Conselho Federal de Administração, Brasília, DF, CEP 70070–932, para o e-mail: rba@cfa.org.br ou pelo twiter @cfa_adm.

PÓS-GRADUAÇÃO

20 2

CRESCER

DECIDA POR NA ÁREA DE ADMINISTRAÇÃO Gestão Desportiva

MBA em Controladoria e Finanças

NOVO

MBA em Gestão Estratégica de Negócios e Pessoas Gestão e Assessoria em Secretariado Executivo MBA em Gestão de Marcas - Branding

NOVO

MBA em Gestão Empresarial

Gestão Tributária

MBA em Logística Empresarial

MBA em Formação Política e Gestão Pública Municipal

Gestão Ambiental com Ênfase na Indústria do Petróleo

NOVO

NOVO

MATRÍCULAS ABERTAS www.unigranrio.br

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RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

LAPA

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SÃO JOÃO DE MERITI

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JUNTOS, ESTES JOVENS FIZERAM UMA PEQUENA EMPRESA DE TI SER COBIÇADA POR MULTINACIONAIS

LUCCA, 25 anos Engenheiro de Sistemas

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Profissional de Administração: Para a pequena empresa virar grande e o Brasil ser um gigante. Quando um empresário inovador opta pela gestão profissional as pequenas empresas ganham competitividade e são reconhecidas no mercado.

Assine embaixo, para o Brasil ser um gigante. WWW.BRASILPROFISSIONAL.ADM.BR


editorial

Novos horizontes para os

Administradores

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

dernizar a estrutura do Estado brasileiro. Estágio é um assunto importante para nossos leitores. Uma boa análise sobre o tema mostra que a maioria dos estudantes brasileiros tem como meta, ao terminar a Faculdade, ingressar em uma empresa com boa imagem no mercado. As redes sociais atraem cada vez mais usuários e os números mais recentes são impressionantes, somente o Facebook contabiliza, por mês, mais de 750 milhões de usuários que passam conectados na rede. Na seção “Oportunidades” são focalizados os principais aspectos de um plano de negócio para montagem de uma empresa de procesamento de frutas, um dos mais dinâmicos e rentáveis do setor agrícola. No “Quiz” deste bimestre você vai descobrir em qual padrão de liderança se enquadra: autocrática, democrática e liberal. Este, um talento fundamental em qualquer organização  pode, sim, ser aprendido e adquirido. Habilidades de chefiar, comandar ou orientar grupos de pessoas podem ser assimiladas e desenvolvidas por quem pretende tornar-se um verdadeiro líder. A sua RBA mantém-se estritamente fiel ao objetivo traçado para este projeto, de produzir uma revista que sirva de instrumento para esclarecer e apoiar a classe dos profissionais de Administração. Muitos dos temas aqui tratados respondem às dúvidas que os leitores têm encaminhado à redação. Esperamos atender à demanda. Boa leitura!

Foto: Wellington Nascimento

Começo de 2012. Mais do que previsões sobre catástrofes, é importante fixar-se nas transformações que a sociedade global está experimentando. Na análise dos cenários para os próximos anos, prevê-se a necessidade de profissionais bem preparados, capazes de realizar ações estratégicas e projetos produtivos, além de ações sociais que visem o bem-estar da população. Mas é preciso conhecê-los, avaliar suas necessidades, anseios, competências, habilidades e atitudes. Para tanto, o Conselho Federal de Administração (CFA) em parceria com a Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA/USP), e com apoio dos Conselhos Regionais de Administração (CRAs) e da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad), produziram a quinta edição da pesquisa “Perfil, formação, atuação e oportunidades de trabalho do Administrador”, visando a compreensão do espaço do profissional de Administração na sociedade brasileira. A reportagem de capa apresenta uma síntese dos resultados deste estudo demonstrando que a atuação do Administrador no mercado de trabalho passou a ser percebida como a de um “profissional com visão sistêmica”. Diante de informações tão significativas recomendamos aos nossos leitores que conheçam o relatório completo da pesquisa, acessando o site do CFA www.cfa.org.br. Esta primeira edição do ano traz, ainda, muitos assuntos importantes. A entrevista com a Adm. Ana Barros discute temas relacionados às áreas de gestão de pessoas e de estratégia organizacional. Por que os gestores erram? Especialistas em gestão empresarial, são enfáticos ao afirmar que a principal causa dos maiores erros na gestão empresarial é a falta de planejamento. Outro assunto desta RBA é a Terceirização no Setor Público, uma relação de trabalho que cresceu significativamente a partir das reformas administrativas empreendidas para mo-

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Foto: Wellington Nascimento

Adm. Sebastião Luiz de Mello – Presidente do CFA


sumário

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ANO XXI – EDIÇÃO Nº 86

JANEIRO/FEVEREIRO DE 2012 Expediente Editor: Conselho Federal de Administração Presidente: Adm. Sebastião Luiz de Mello Vice-Presidente: Adm. Marcos Lael de Oliveira Alexandre

Conselheiros Federais do CFA 2011/2012 Adm. João Coelho da Silva Neto (AC), Adm. Maria do Rosário Feitosa Souza (AL), Adm. André Luiz Alves de Lima (AP), Adm Nelson Aniceto Fonseca Rodrigues (AM), Adm. Ramiro Lubián Carbalhal (BA), Adm. Francisco Rogério Cristino (CE), Adm. Rui Ribeiro de Araújo (DF), Adm. Hercules da Silva Falcão (ES), Adm. Ana Mônica Beltrão da Silva (GO), Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior (MA), Adm. Hélio Tito Simões de Arruda (MT),Adm. Sebastião Luiz de Mello (MS), Adm. Gilmar Camargo de Almeida (MG), Adm. Aldemira Assis Drago (PA), Adm. Lúcio Flavio Costa (PB), Adm. Sergio Pereira Lobo (PR), Adm. Joel Cavalcanti Costa (PE), Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha (PI), Adm. Rui Otávio Bernardes de Andrade (RJ), Adm. Marcos Lael de Oliveira Alexandre (RN), Adm. Valter Luiz de Lemos (RS), Adm. Paulo César de Pereira Durand (RO), Adm. Carlos Augusto Matos de Carvalho (RR), Adm. Saul Alcides Sgrott (SC), Adm. Adelmo Santos Porto (SE), Adm. Idalberto Chiavenato (SP), Adm. Renato Jayme da Silva (TO)

Composição das Câmaras Administração e Finanças Adm. Ramiro Lubián Carbalhal ������������������������������������������������������������������������� Diretor Adm. Lúcio Flávio Costa ���������������������������������������������������������������������������Vice-Diretor Adm. André Luiz Alves de Lima Adm. Paulo César de Pereira Durand Fiscalização e Registro Adm. Hércules da Silva Falcão ������������������������������������������������������������������������� Diretor Adm. Joel Cavalcanti Costa���������������������������������������������������������������������� Vice-Diretor Adm. Rui Ribeiro de Araújo Adm. Maria do Rosário Feitosa Souza Formação Profissional Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior�������������������������������������������������������� Diretor Adm. Ana Mônica Beltrão da Silva�����������������������������������������������������������Vice-Diretora Adm. João Coelho da Silva Neto Adm. Aldemira Assis Drago Adm. Carlos Augusto Matos de Carvalho Desenvolvimento Institucional Adm. Saul Alcides Sgrott����������������������������������������������������������������������������������� Diretor Adm. Adelmo Santos Porto�������������������������������������������������������������������������Vice-Diretor Adm. Renato Jayme da Silva Relações Internacionais e Eventos Adm. Sérgio Pereira Lobo���������������������������������������������������������������������������������� Diretor Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha����������������������������������������������������Vice-Diretor Adm. Nelson Aniceto Fonseca Rodrigues Adm. Francisco Rogério Cristino Comissão Permanente de Tomada de Contas Adm. Joel Cavalcanti Costa ������������������������������������������������������������������� Coordenador Adm. Ana Mônica Beltrão da Silva ������������������������������������������������ Vice-Coordenadora Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha

Conselho Editorial

Prof. Adm. Idalberto Chiavenato Prof. Carlos Osmar Bertero Prof. Milton Mira de Assumpção Filho

Conselho de Publicações

Adm. Adelmo Santos Porto Adm. Ana Mônica Beltrão da Silva Adm. André Luiz Alves de Lima Adm. Carlos Henrique Mendes da Rocha Adm. Joel Cavalcanti Costa

Coordenação dos Conselhos Editorial e de Publicações

Adm. Saul Alcides Sgrott Coordenação Editorial. Editor–Executivo Jornalista Responsável. Revisão Projeto Gráfico Arte/Diagramação Fotolito/Impressão Tiragem

Produção

Via Brasília Adm. João Humberto de Azevedo Tânia Mendes – MT/3625/90 Rogério Márcio da Costa Alex Amorim e João Humberto de Azevedo (Via Brasília) Alex Amorim (Via Brasília) Gráfica Posigraf 117.000 exemplares

A RBA é uma publicação bimestral do Conselho Federal de Administração, sob a responsabilidade do diretor da Câmara de Desenvolvimento Institucional, Adm. Saul Alcides Sgrott e da Coordenadora Técnica, RP Renata Costa Ferreira. As matérias não refletem necessariamente a opinião do CFA

Representação Comercial: Conecta Marketing Direto – Wladimir Reis Tel: (11) 4208-2883 E-mail: publicidade@cfa.org.br Assinaturas Setor de Autarquias Sul, Qd. 1, Bl. L, Ed. Conselho Federal de Administração Brasília–DF – CEP: 70070–932 Fone: (61) 3218–1818 – Fax: (61) 3218–1833 e-mail: rba@cfa.org.br Homepage: www.rbaonline.org.br

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CAPA

A pesquisa nacional “Perfil do Administrador” constatou que os Administradores brasileiros têm motivos de sobra para se orgulhar da profissão que escolheram. Afinal, dizem os especialistas, não existe, além da Administração, nenhum outro curso que permite esse maravilhoso ecletismo do ponto de vista do estudo das organizações e da sua gestão, assim como da compreensão sistêmica e transversal dos conhecimentos. O estudo sinaliza para um cenário do mercado de trabalho ampliado – reflexo de diversos fatores, como o fortalecimento da economia, aumento no número de empresas e a relevância do Brasil no cenário mundial.

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Oportunidades

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estágio

A atividade agroindustrial de procesamento de polpa de frutas encontra-se espalhada por todo o território nacional e é explorada tanto pelos grandes conglomerados, como por micro e pequenas empresas. São inúmeras as vantagens das polpas de frutas processadas em relação à fruta in natura: estocagem do excesso de frutas produzidas na safra; aproveitamento das frutas in natura que não atendem aos padrões de comercialização; possibilidade de consumo de fruta fresca, em forma de polpa, durante todo o ano.

Os dados de 2010 do Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) apontam que no Brasil existem 8.227.160 alunos matriculados no ensino médio e 5.080.056 no nível superior, e somente 7,4 % desses estudantes conseguem estagiar. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


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ENTREVISTA

Adm. Ana Cristina Barros, mestre em Gestão de Pessoas e Diretora de Recursos Humanos da UFPI .

Terceirização

Modelo de gestão surgido no Japão, depois da Segunda Guerra Mundial, pode se tornar um instrumento inteligente e positivo, capaz de potencializar a eficiência dos serviços públicos, desde que utilizado dentro dos limites impostos para sua aplicação.

31 opinião O Adm. William de Faria afirma que o segredo do sucesso é saber administrar da melhor maneira possível.

gestão

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Um dos sintomas mais comuns de que alguma coisa não está dando certo na gestão empresarial é quando começa a faltar dinheiro em caixa para pagar contas da empresa, ou quando existe uma captação sistemática de recursos por meio de empréstimos, descontos de recebíveis, uso de cheque especial, atraso de pagamentos ou outros.

44 Notas

O panorama de patentes de nanotecnologia, o pro-

grama Minha Casa, Minha Vida e empregos e investimentos são alguns dos temas que são abordados nesta seção.

53 Conexão

Sugestões do filme “Wall Street”, de livros desta-

cando a obra “Seu futuro em Administração” de Leandro Vieira, além de sites de interesse do leitor.

Redes sociais

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O crescimento de usuários ligados às redes sociais é vertiginoso. Em 2010, no Facebook, mais de 750 milhões de usuários da internet acessaram esta rede e no Twitter, cerca de 225 milhões postaram, diariamente, 150 milhões de comentários. Esses dados deixam claro que quem já está inserido nesse meio dificilmente vai abandoná-lo e quem ainda não entrou, quer participar. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

60 Sistema CFA/CRAs

Conheça a relação dos vencedores do Prêmio Bel-

miro Siqueira 2011 e um pouco da história do Patrono dos Administradores brasileiros, além de outras notícias do Sistema.

63 quiz Autocrática, democrática ou liberal. Em qual destes três padrões de liderança você se enquadra? Faça o teste e descubra. 9


entrevista

Por Tânia Mendes

Muito além do

diploma

No momento de contratar, domínio técnico e habilidades pessoais são diferenciais imprescindíveis para todas as empresas.

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Foto: Arquivo Pessoal

M

estre em Administração, com concentração em Recursos Humanos, área a que tem direcionado grande parte de sua atividade profissional, a Administradora Ana Cristina Barros é Professora da Universidade Federal do Piauí, onde também exerce o cargo de Diretora de Recursos Humanos. Estudou Novas Tendências em Gestão de Empresas na Universidad de Valladolid, ampliando suas linhas de estudo e trabalho para os campos da organização, sistemas e métodos e da estratégia empresarial. Lecionou em cursos de pós-graduação lato sensu. É Sócia-fundadora e foi Diretora-Presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEMP), que, há dez anos, atua no mercado piauiense, consolidando-se como uma das principais Escolas de Negócios da região nordeste, em especial nos cursos de pós-graduação em Gestão. Nos trabalhos de consultoria empresarial e nos treinamentos corporativos in company ou abertos. É Presidente e uma das fundadoras da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH/PI). É colaborada da TV Clube (afiliada da Rede Globo no Piauí), apresentando semanalmente o quadro Emprego, no telejornal matinal. Suas principais áreas de atuação como profissional, professora e palestrante relacionam-se com a organização de empresas, plano de cargos e salários, avaliação de desempenho, implantação do órgão de RH, recrutamento e seleção, e treinamentos corporativos. RBA RBA • N•ovembro Janeiro/D /Fezembro evereiro de 2011 2012


O que a levou a deter-se no aprofundamento das questões ligadas às áreas de gestão de pessoas e de estratégia organizacional? Toda a minha formação foi voltada para a qualificação na área de gestão de pessoas e, consequentemente, para a área organizacional. Foquei meus estudos para o Mestrado em Recursos Humanos e, posteriormente, para o Doutorado, em Novas Tendências em Gestão de Empresas. Desde o início, as experiências que busquei privilegiaram essas duas áreas, especialmente pela interação notória e fundamental que a gestão de pessoas tem na definição e posicionamento estratégico das empresas. Passei então a trabalhar o desenvolvimento das pessoas concatenado aos aspectos organizacionais que estariam interligados aos preceitos estratégicos das empresas. Como definiria o atual mercado de trabalho nacional? O Brasil passa por um processo de profissionalização de suas instituições públicas e privadas que favorece enormemente a atuação dos Administradores. Para tanto, o mercado não é nem um pouco complacente e a exigência de profissionais competentes é condição sine qua non para o sucesso e reconhecimento nesse mercado altamente competitivo. Que estratégias uma organização deve utilizar para captar profissionais de talentos? Primeiramente deve saber comunicar–se corretamente com o mercado e isso também se aplica na hora em que a empresa vai recrutar candidatos. A forma efetiva de comunicação pode trazer RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

o perfil certo para uma empresa. Além disso, considero que a captação de talentos é um processo de escolha para os dois lados: empresa e candidatos. Portanto a empresa também deve se mostrar atraente para o mercado e para isso deve apresentar todos os seus atrativos: plano de carreira que valoriza os colaboradores, benefícios, remuneração competitiva etc.

Crises são oportunidades férteis para a criatividade e a inovação, principalmente nas práticas administrativas

Atualmente, discute-se muito sobre a escassez de talentos no mercado brasileiro. Isso é verdade ou é mito? Muitas vezes se ouve falar de “apagão de talentos”, mas será que também não se deve avaliar o outro lado da moeda? Será que as empresas estão se comunicando da maneira correta com esses potenciais candidatos? Seria mesmo um apagão ou também as empresas podem ter uma parcela de culpa nes-

sa questão? Acredito que temos sim, hoje, uma dificuldade maior em selecionar candidatos de acordo com os perfis desejados, porém, como as exigências são maiores, não vale mais para um candidato ter apenas o seu diploma de nível superior ou possuir os requisitos mínimos que, aliás, sequer são cobrados atualmente, como informática, domínio de outra língua etc. Isso tudo é básico, como era ter um curso de datilografia no passado. Agora você tem de mostrar que pode mais, que além de sua formação, você tem habilidades que podem fazer o diferencial para uma empresa. Que tipo de competências o profissional de Administração deve desenvolver para sobreviver num mercado tão competitivo? Como atuo também dentro da academia, na formação dos futuros administradores, minha percepção se volta preferencialmente para duas competências: as técnicas e as interpessoais. A primeira, porque ainda é uma realidade a falta de qualificação “de verdade” dos nossos profissionais. Nenhuma empresa quer, para fazer parte de sua equipe, um profissional “mais ou menos”. Ela quer um profissional completo! Que tenha conhecimentos sólidos e firmes para direcionar as suas ações. Que transmita confiança e que seja de fato um conhecedor dos aspectos técnicos que envolvam uma problemática dentro de uma organização. Por outro lado, entendo que não se faz um bom profissional sem que ele esteja interagindo com o seu meio, sem que esteja preparado 11


entrevista para ser flexível, aglutinador e empático, além de ter condições de entender a importância do papel das relações interpessoais no ambiente corporativo.

Nenhuma empresa quer, um profissional “mais ou menos”. Ela quer um profissional completo

É correto se referir ao profissional de administração como “generalista”? Eu prefiro sempre o termo “generalista especialista”. Isso porque o Administrador é sempre um generalista, na medida em que exerce a arte de reunir todos os conhecimentos das distintas ciências para colocá-los em favor do sucesso da empresa. Somente após compreender esse papel, cabe ao gestor buscar uma especialização em determinado campo. No final das contas, se ele não entende as repercussões de sua atuação específica e como ela se encaixa na arquitetura organizacional, a empresa fica vulnerável a efeitos colaterais indesejados derivados 12

das decisões implementadas por esse gestor especialista, mas não generalista. Infelizmente, mesmo quando observamos os recém-formados, vemos ainda uma parcela grande de pessoas que entende que ser especialista é conhecer determinado campo, permitindo-se ser absolutamente deficiente em outros. Esse profissional perde muito em empregabilidade e capacidade de geração de resultados efetivos.  Houve grandes mudanças na profissão de Administrador em relação ao século passado? Com certeza, o Administrador de hoje tem muitas outras possibilidades de crescimento e de atuação no mercado, as oportunidades surgem a todo instante. Depende menos de sorte e mais de competência e persistência. O profissional de Administração é cada vez mais respeitado e está sendo reconhecido como fator fundamental para o sucesso das organizações. A crise financeira internacional pode provocar correção de rumos na área de Administração? Em primeiro lugar, é importante perceber que a crise atinge diferentemente os diversos países e, dentro do Brasil, há impactos de magnitudes e efeitos muito distintos em cada região. Nos estados mais periféricos e menos industrializados, ainda assim haverá bom crescimento econômico, seguindo a tendência de quase uma década, enquanto nos eixos principais da economia brasileira deverá haver queda no ritmo de crescimento. Evidentemente, esses contextos mais extremos e muito menos frequentes influen-

ciam a forma como os administradores que lideram as organizações atuam para superar seus efeitos. Esses movimentos administrativos, gerando sucesso ou insucesso, vão construindo novas percepções sobre a gestão, o que possivelmente trará novos paradigmas para a própria ciência administrativa. Em outras palavras, as crises são oportunidades férteis para a criatividade e a inovação, principalmente nas práticas administrativas, mas também, quem sabe, no marco teórico da Administração. Poderia elencar alguns motivos que levam ao sucesso de uma gestão? Baseio-me no que algumas pesquisas afirmam: que a sobrevivência das empresas está na competência da gestão, ou melhor, na competência do gestor. Isso remete à questão que, para nós Administradores, se traduz como algo muito promissor, ou seja, as empresas precisam de profissionais competentes para serem conduzidas, seja na direção máxima, seja nos diversos departamentos que uma estrutura organizacional pode ter. Qual a sua avaliação sobre os cursos de Administração no Brasil? Acho que tivemos uma massificação muito forte nas últimas décadas e isso tem o seu lado bom, mas também nos mostrou que pode nos trazer problemas. O lado positivo é claro: por uma questão social e considerando o Brasil um país de proporções continentais, difundir os cursos de bacharelado, por meio da abertura de inúmeras faculdades, em especial, cursos de Administração, permite que pessoas possam crescer e se profissionalizar. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


oportunidades

Por João Humberto de Azevedo

Polpa de frutas:

doce negócio

Fotos: Arquivo Via Brasília

Um dos segmentos mais dinâmicos e rentáveis do setor agrícola expandese no país e já colhe ótimos resultados.

C

omo o terceiro maior produtor de frutas do mundo, o Brasil já ultrapassou 43 milhões de toneladas/ano, cultivadas em uma área de mais de dois milhões de hectares. Parte desta produção é aproveitada no processamento de polpas de frutas, segmento que vem se notabilizando pelo forte crescimento do consumo. Esta atividade agroindustrial encontra-se espalhada por todo o território nacional, explorada tanto pelos grandes conglomerados, como por micro e pequenas empresas. São inúmeras as vantagens comerciais das polpas de frutas processadas em relação à fruta in natura: estocagem do

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excesso de frutas produzidas na safra; aproveitamento das frutas in natura que não atendem aos padrões de comercialização; possibilidade de consumo de fruta fresca, em forma de polpa, durante todo o ano. Além disso, esta produção proporciona complemento de renda para os produtores rurais, fixa a mão de obra no campo e promove o aumento da renda média regional. Por ser um dos segmentos mais dinâmicos e rentáveis do setor agrícola, tornou-se um grande negócio para o produtor, uma vez que exige investimento relativamente pequeno e prevê rápido retorno. Entre as principais matériasprimas para atender a agroindústria de polpa, figuram as frutas tropicais sãs e maduras: abacaxi,

acerola, cacau, caju, coco, goiaba, graviola, mamão, manga, maracujá, pitanga, entre outras; além de algumas de clima temperado, como ameixa, morango e pêssego. Para maior aproveitamento e dentro das regras de qualidade, as polpas precisam manter as mesmas propriedades físicas, químicas e organolépticas (características que podem ser percebidas pelos sentidos humanos) da fruta fresca. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão que define o Padrão de Identidade e Qualidade (PIQ) deste tipo de produção.Em janeiro de 2000 o MAPA aprovou o Regulamento Técnico Geral para fixação dos PIQs para polpa das seguintes frutas: acerola, cacau, cupuaçu, RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


graviola, açaí, maracujá, caju, manga, goiaba, pitanga, uva, mamão, cajá, melão, mangaba. Considerado uma atividade agroindustrial importante na medida em que agrega valor econômico à fruta, evitando desperdícios e minimizando perdas que podem ocorrer durante a comercialização do produto in natura, o processamento de polpas geralmente é feito pelo método de congelamento. Outras técnicas também são utilizadas na elaboração e preservação de polpa de frutas: pasteurização na embalagem; pasteurização, com adição de conservadores químicos; e esterilização, com envasilhamento asséptico. O mercado consumidor está dividido em dois grandes segmentos: venda direta para bares, restaurantes, lanchonetes, supermercados etc; e incorporação da polpa em outros produtos industrializados, como laticínios, sucos e sorvetes etc. Cada um deles exige soluções diferentes para embalagens, rotulagens, transporte, sistema de distribuição. Por essa razão, é necessário definir com clareza o público-alvo que se quer atingir. Para efeito deste estudo, indicamos o segmento de mercado formado por supermercados, mercearias, restaurantes, bares, lanchonetes e distribuidores em geral. Processo de produção O processo de conservação de polpa de frutas por congelamento inicia-se com a recepção da matéria-prima, quando as frutas são pesadas e selecionadas em relação ao seu ponto de maturação. Em seguida, as frutas são lavadas em duas etaRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

pas: banho por imersão, com as frutas lavadas em água com concentrações de cloro, durante 20 a 30 minutos. Em seguida passam pelo processo de aspersão (ou jateamento de água) para remoção das impurezas remanescentes, além da retirada do excesso de cloro. Após a operação de lavagem, as frutas são selecionadas de acordo com a maturação, firmeza, machucaduras, defeitos causados por fungos, roedores e insetos. Nesta etapa são descartadas as frutas que possam comprometer a qualidade do produto final. Depois de selecionadas, passam pelo processo de descascamento e corte. Algumas frutas, como a acerola e o cajá, não passam por essa etapa, vão direto para o despolpamento; outras, como o abacaxi, banana e maracujá, precisam ser descascadas ou cortadas em pedaços manualmente, com facas de aço inox, ou por cortador circular com lâminas de aço inox. A mesa de preparo deve ser construída em aço inoxidável e atender às normas estabelecidas pelo MAPA, além de permitir o preparo de forma cômoda. Após o preparo, as frutas são levadas ao despolpamento ou prensagem, quando são retiradas as polpas pelo esmagamento de suas partes comestíveis e processada em centrífuga horizontal. O aspecto da polpa pode ser melhorado – na etapa de refinamento – utilizando-se uma despolpadeira com peneiras de furos pequenos (1,0mm ou menor), onde serão retidas as impurezas da polpa (fibras, pedaços de semente etc). Em seguida, é feito o envasamento em sistema semiau-

O mercado consumidor tem dois grandes segmentos: venda direta e incorporação da polpa em outros produtos, como laticínios, indústrias de sucos e sorvetes

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oportunidades Os resíduos da produção são aproveitados nas indústrias de vinagres e aguardente, na fabricação de bebidas fermentadas e na confecção de doces em massa e em calda

tomático. O dosador encherá a embalagem, geralmente, sacos plásticos para 100g, colocada sob o bico do dosador e, em seguida, levado à bandeja. Outra opção é o sistema de embaladeira automática, em que o fluxo da polpa é semelhante, porém não há o manuseio das embalagens pelo homem. Sistemas com embaladeiras automáticas custam, inicialmente, cerca de oito vezes mais o valor do sistema semiautomático. Uma vez embaladas, as polpas passam imediatamente pelo processo de congelamento, para manter as características da fruta fresca. Existem várias maneiras de se realizar o congelamento. O uso de freezer doméstico apresenta limitação quanto ao tempo requerido para congelar um determinado lote de produto, pois nesse tipo de equipamento a retirada de calor da massa é feita por meio do contato direto com as paredes do equipamento e por condução, no interior da polpa. Desse modo, o processo de congelamento tornase bastante lento. O emprego de câmaras de congelamento com ventilação forçada é mais eficiente e, portanto, deve ser preferido. Localização e estrutura A localização do empreendimento deve estar o mais próximo possível

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dos centros fornecedores de matérias-primas, em quantidade, qualidade e preços competitivos. Assim evita-se a deterioração das frutas e o aumento dos custos, ocasionado pelo deslocamento e transporte da matéria-prima. Outros aspectos a serem destacados na localização da agroindústria: disponibilidade de água potável, energia elétrica, vias de transporte e de comunicação e de mão de obra. A estrutura básica deve contar com uma área aproximada de 200m², que será distribuída entre o escritório, áreas de apoio (banheiros para os empregados, cozinhas, almoxarifado etc) e área de produção. Esta última deve possuir espaço para a recepção e seleção da matéria-prima, um depósito para a maturação e estocagem, sala de preparo e seleção, sala de processamento, área para embalagem, área para armazenamento do produto final e um pequeno espaço para análise dos produtos. Nas áreas de processamento e envasilhamento, as paredes devem ser revestidas de materiais impermeáveis e laváveis, de cores claras. O local deverá receber luz natural, ventilação natural ou artificial e as janelas e portas devem ser teladas para evitar entrada de insetos. As áreas externas devem ser pavimentadas para evitar a formação de poeira e facilitar o escoamento das águas pluviais. • É importante ressaltar que este tipo de agroindústria depende da aprovação do projeto de impacto ambiental, fornecido pelas Secretarias do Meio Ambiente dos Estados. Além disso, existe legislação específica para o processamento RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


de polpa de frutas, dentre as quais estão: • Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078, de 11/9/1990); • Decreto-lei 986, de 21/10/de 1969 (normas básicas sobre alimentos); • Instrução Normativa 1, de 7/1/2000 (Regulamento Técnico Geral para fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Polpa de Fruta); • Portaria 176/1993 (classifica a polpa de fruta como bebida e define as instalações mínimas); • Portaria 879/1975 e Portaria Anvisa/MS 1.428, de 26/11/1993, que aprovam regulamento técnico para inspeção sanitária de alimentos e diretrizes para o estabelecimento de Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de Alimentos. Para obtenção de 75kg/hora de polpa, os equipamentos básicos são: balança plataforma; balança prato; caixas plásticas (diversas); câmara frigorífica; despelador; despolpadeira; dosador; embaladora; freezer horizontal; liquidificador industrial; máquina de lavagem de frutas (conjunto de tanque e cesto inox, mesa inox para aspersão, bomba centrífuga); mesa para o envase; mesas para seleção das frutas; móveis e utensílios; seladoras; tacho de inox com mexedor. Completam a lista, móveis e utensílios: computadores, telefones e materiais diversos de escritório. Durante as etapas do processamento das polpas são produzidos materiais não aproveitados na produção industrial (os resíduos) – cascas, centros das RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

frutas, sementes, caroços, bagaço etc, que podem ser aproveitados nas indústrias de vinagres e aguardente (frutas refugadas, por exemplo) –; na fabricação de bebidas fermentadas, álcool e vinagre (cascas e miolos de abacaxi); e na elaboração de doces em massa e em calda (casca de maracujá). Além disso, alguns tipos de caroços podem fornecer óleos vegetais não-voláteis utilizados na indústria de cosméticos, de sabão e na alimentícia. Praticamente todos os resíduos sólidos – depois de sofrer o processo de fermentação natural – podem ser utilizados como adubo nas plantações de frutas. Plano financeiro A instalação de uma agroindústria de polpa de frutas exige um cuidadoso planejamento financeiro, com estudo detalhado: 1. estimativa de produção (volume de polpa que se pretende produzir em determinado período de tempo); 2. investimento fixo (definição clara dos equipamentos e instalações necessárias para o cumprimento das metas de produção); 3. custos (previsão do preço da matéria-prima, materiais secundários, despesas com mão de obra, custos administrativos e de comercialização); 4. receitas (estimativa de quanto a empresa pode obter com a venda do volume de produção projetado); 5. resultados operacionais (cálculo estimado do

lucro, ponto de equilíbrio, tempo de retorno), que vão indicar a viabilidade financeira, ou seja, se o empreendimento que está sendo planejado é um bom negócio.

A instalação de uma agroindústria de polpa de frutas exige um cuidadoso planejamento financeiro, com estudo detalhado da estimativa de produção

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oportunidades

A lucratividade – relação percentual entre o lucro líquido e a receita operacional – de um negócio deste porte está entre 10% a 15%, índice considerado razoável

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Certamente este planejamento não elimina os riscos inerentes a qualquer atividade empresarial. Por isso, a capacidade de assumir riscos é tão importante no perfil do empreendedor. Mas, reduzirá, no mínimo, as possibilidades de erro e permitirá correr riscos calculados. Assim, o estudo financeiro do futuro empreendimento permite o aprimoramento da ideia do negócio, tornando-a clara, precisa e de fácil entendimento. Além disso, o plano de negócios proporciona ao empreendedor obtenção de informações detalhadas sobre o tipo de agroindústria que pretende montar e pode identificar os pontos fortes e fracos do empreendimento. Isso tudo irá facilitar as negociações com fornecedores, agentes financeiros e até mesmo com futuros sócios. Investimento inicial As atividades de beneficiamento da polpa de frutas podem ser iniciadas com oito pessoas – seis operários, um gerente operacional e um vendedor. Caso os proprietários se encarreguem das funções de gerência operacional e de comercialização este número pode ser reduzido para seis funcionários. O investimento inicial é formado pelo investimento físico (custo de aquisição de máquinas e equipamentos) e pelo investimento financeiro ou capital de giro (cobertura dos custos relativos ao estoque inicial de matéria-prima e materiais secundários, despesas iniciais com mão de obra e custos de funcionamento, além de verbas pre-

vistas para registro e regularização do negócio, promoção da campanha publicitária e outras despesas não previstas). O investimento físico varia muito de acordo com o porte do empreendimento. Considerando uma fábrica de pequeno porte, montada numa área de 200m², será necessário um investimento entre R$60 mil a R$80 mil, alocadas principalmente nas obras de adaptação do local e na compra dos equipamentos. O montante de capital de giro varia entre R$30 mil a R$40 mil, que deverá ser suficiente para pagamento das despesas iniciais de funcionamento: salário dos funcionários; tributos, impostos e contribuições; aluguel; água, luz, telefone e acesso à internet; produtos para higiene e limpeza da empresa e funcionários; recursos para manutenções corretivas; assessoria contábil; propaganda e publicidade da empresa; financiamento de vendas; estoque de matérias-primas; estoque de materiais de embalagem; estoque de produtos acabados; impostos etc. A lucratividade – relação percentual entre o lucro líquido e a receita operacional – de um negócio deste porte está entre 10% a 15%, índice considerado razoável. Mas à medida que a produção e as vendas crescem, os custos fixos são reduzidos e o lucro pode aumentar consideravelmente. O tempo de retorno do investimento inicial, ou seja, em quanto tempo este investimento será recuperado, fica entre 18 a 36 meses. Plano de marketing Marketing é a técnica de elaborar e vender a imagem de um pro-

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duto ou empresa no mercado, fazendo com que seja bem aceito e conquiste seus potenciais consumidores. A estratégia de lançamento de novos produtos no mercado começa com a escolha da marca e vai até as campanhas publicitárias, passando pelas instalações e até pela definição da melhor forma de atendimento ao público. A escolha da marca deve levar em consideração sua identificação com o produto, sua adequação às embalagens, aos equipamentos expositores, às peças publicitárias que serão criadas, dentre outros fatores. Uma vez fixada no mercado, a marca diz tudo sobre o produto. Ao nome e à forma gráfica estarão associados, de imediato, a qualidade e a variedade de sabores, dentre outros aspectos das polpas de frutas. Sugerir um “sentimento positivo” e ser de fácil fixação pelo mercado em geral são os principais atributos de um nome ou de uma marca. Palavras curtas, fáceis de pronunciar e que lembrem a origem do produto, são as mais indicadas. Vamos supor que o nome escolhido para a marca do produto fosse “Dulce”, expressão de origem latina que significa doce, tenro. O passo seguinte, definido o nome, é elaborar sua apresentação visual, ou logomarca. É por meio dela que a agroindústria de polpa de frutas será reconhecida e vai estampar a imagem da empresa e de seus produtos. A logomarca pode ser desenvolvida a partir de um desenho abstrato ou figurativo, ou ser apenas uma forma de apresentar o nome da marca com uma tipologia própria. Precisa estar presente na fachada da empresa, nas embaRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

lagens, nos cartões de visita, nos papéis de carta, nos envelopes, no site e em todas as peças publicitárias da empresa. Quanto mais for repetida, mais se fixará na mente do consumidor. Um slogan pode complementar a ideia que está por trás da logomarca. O slogan “Sua vida mais doce e saudável”, por exemplo, pode d a r u m a ideia de produtos com sabor adocicado e ao mesmo tempo bom para a saúde. A forma de apresentação final é fundamental na estratégia de marketing. Ela deve obedecer tanto a normas técnicas – de garantir a proteção e conservação do produto – como exigências legais e mercadológicas. Deve conter as quantidades procuradas pelo consumidor, ser fácil de armazenar e atraente, destacando o produto entre outros que estão dispostos nas prateleiras dos supermercados, mercearias, bares. A campanha publicitária terá de ter o tamanho do orçamento da empresa. A divulgação dos produtos deve ser direcionada ao consumidor final, com o objetivo de estimulá-lo a consumir o produto e, por isso, alguns itens são importantes para chamar a sua atenção no ponto de vendas. Uma exposição adequada, com utilização de displays, totens, folhetos explicativos sobre a qualidade e sabores das polpas de frutas são as peças mais recomendadas. Como o refrigerante e os sucos de frutas, comparativamente às polpas, são os concorrentes

mais fortes na preferência dos consumidores, é necessária a adoção de estratégias de campanhas que valorizem o valor nutricional das polpas naturais. A divulgação do produto para as indústrias alimentícias deve ser feita por meio de visitas regulares e apresentação aos departamentos responsáveis pela aquisição do produto, com o uso de amostras e folhetos explicativos. Outra boa forma de divulgar visando a indústria alimentícia é a participação em feiras setoriais.

Ficha técnica Ramo de atividade: Agroindústria de polpa de frutas Tipo de negócio: Produção e comercialização de polpa de frutas tropicais e semitropicais Investimento inicial: R$90.000,00 a R$120.000,00 Área física: 200 metros quadrados Nº de empregados: 5a7 Lucratividade: 10% a 15% Taxa de retorno: 18 meses a 36 meses

As informações desta seção são baseadas em textos do autor para a “Série Agronegócios” (Embrapa) e seção “Como fazer” da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios (Editora Globo) 19


estágio

Por Tânia Mendes

Da teoria Empresas buscam candidatos que dominam os conhecimentos técnicos e tenham diferenciais como espírito de liderança, criatividade, disciplina, trabalho em equipe e flexibilidade.

Fotos: Shutterstock

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sonho de grande parte dos estudantes brasileiros é estagiar em uma empresa com boa imagem no mercado, que ofereça oportunidade de carreira, bom salário e, principalmente, estabilidade. O primeiro artigo da Lei nº 11.788/08, conceitua estágio como “o ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos”. A lei divide o estágio em dois tipos: estágio obrigatório e não-obrigatório. “As áreas médicas e de licenciatura são as que concentram grande parte dos estágios obrigatórios”, afirma Luiz Gonzaga Bertelli, presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), organização não governamental, que tem como finalidade principal a inclusão profissional de jovens estudantes no mercado de trabalho. De acordo com a legislação, podem estagiar os estudantes regularmente matriculados e frequentando o ensino regular, em instituições de educação superior, de educação profissional (técnico), de ensino médio, da educação especial e dos finais do ensino fundamental, e na modalidade profissional da Educação de Jovens e Adultos (EJA). RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


à prática Luiz Bertelli acredita que o estágio é necessário e importante para todo estudante. Ele diz ainda que o mundo está cada vez mais competitivo e as instituições de ensino, em sua grande maioria, não conseguem sanar deficiências curriculares históricas que mantêm o estudante em descompasso com as exigências do mercado de trabalho. Isso quer dizer que hoje ter um diploma não é garantia de emprego. As empresas procuram candidatos que, além do domínio dos conhecimentos técnicos da profissão, tenham diferenciais comportamentais, tais como espírito de liderança, criatividade, disciplina, trabalho em equipe e flexibilidade. “O estágio surge então como uma salutar fase de capacitação no âmbito técnico e atitudinal. E também permite que o jovem teste sua escolha de carreira, conhecendo o dia a dia da profissão em ambiente real de trabalho”, pondera. Para Carmem Alonso, gerente de trinamento do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nude), o estágio é o primeiro passo de um estudante no mercado de trabalho. “Por meio dele, o aluno conseguirá colocar em prática quase tudo que aprendeu em sala de aula, além de adquirir conhecimentos novos. Esse primeiro emprego também traz novas responsabilidades, além de aumentar seu networking, algo essencial nos dias atuais”. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

Os números do ensino

Os dados de 2010 do Censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep)/ MEC apontam que no Brasil existem 8.227.160 alunos matriculados no ensino médio e 5.080.056 no nível superior. “Somente 9% dos jovens entre 18 e 24 anos ingressaram em uma faculdade. Entretanto, ao analisarmos esses números, nos deparamos com uma situação preocupante, pois desses 13,4 milhões de estudantes, somente 7,4 % conseguem estagiar”, explica Carmem. E cita a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) para apresentar outros números: 18 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão fora da escola e 1,8 milhão de jovens brasileiros não cursam o ensino médio. “Esses números representam 17,9% do total de talentos que temos no Brasil. Entre 18 e 24 anos – fase de ingressar em uma universidade – mais de 16,5 milhões de jovens não estudam, ou seja, 69,1% do total”. Por outro lado, a gerente da Nude utiliza o Censo 2008 para apontar duas tendências no perfil dos universitários brasileiros: 54,5% dos matriculados no ensino superior são do sexo feminino. Do total de cinco milhões de estudantes desse nível, 62,6% estudam no período noturno. “Isso indica que a maioria trabalha durante o

18 milhões de jovens entre 15 e 24 anos estão fora da escola e 1,8 milhão de jovens brasileiros não cursam o ensino médio

dia para conseguir pagar os estudos. O estágio contribui para esse financiamento, além de ser a porta de entrada para uma nova carreira e o maior instrumento de inserção do jovem no mercado de trabalho. Mesmo porque 74,9% dos universitários estão em instituições privadas”. Ela acredita que a grande maioria dos estudantes não consegue uma oportunidade de estágio, mas esclarece que muitas vagas para diferentes áreas não são preenchidas por falta de candidatos. “Segundo um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), de 21


estágio cada dois desempregados, um é jovem e tem entre 15 e 24 anos. Os motivos são diversos, entre eles a falta de domínio da língua portuguesa, de ferramentas de informática e postura inadequada”, esclarece. Outro dado interessante revelado por Carmem refere-se às ofertas de estágio. A maior procura é para estudantes de Administração de Empresas, Comunicação Social e Informática. No entanto, faltam estagiários de Engenharia, Estatística, Matemática, Biblioteconomia,

Esse primeiro emprego traz novas responsabilidades ao estudante, além de aumentar seu networking, algo essencial nos dias atuais.

Economia e Secretariado-Executivo. “O curso de Administração está entre as três áreas que mais oferecem vagas no Brasil e este estagiário recebe, em média, R$ 750,00”, esclarece Carmem. Bertelli calcula que em todo o país mais de 500 mil jovens estão estagiando atualmente em empresas privadas e órgãos públicos. Ele apresenta ainda outro dado importante: 64% dos estudantes conseguem a efetivação no emprego graças ao estágio.

Os direitos

Pela Lei do Estágio (Lei nº11.788/08) a jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a instituição de ensino, a parte concedente e o aluno estagiário ou seu representante legal, devendo constar do termo de compromisso, ser compatível com as atividades escolares, nas seguintes condições: • não ultrapassar quatro horas diárias e 20 horas semanais,

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Foto: Arquivo Pessoal

Carmem Alonso

no caso de estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos; • não ultrapassar seis horas diárias e 30 horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular; • o estágio relativo a cursos que alternam teoria e prática, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, poderá ter jornada de até 40 horas semanais, desde que previsto no projeto pedagógico do curso e da instituição de ensino; • se a instituição de ensino adotar verificações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação a carga horária do estágio será reduzida pelo menos à metade, segundo estipulado no termo de compromisso, para garantir o bom desempenho do estudante. Carmem observa que a carga horária máxima diária não deve ser ultrapassada. Caso isso aconteça, poderá ser caracterizado vínculo empregatício. A liberação no período de provas é obrigatória desde que a instituição de ensino envie o cronograma das avaliações no início do período letivo. Além disso, as horas não trabalhadas poderão ser descontadas da bolsa-auxílio. Para Bertelli é importante deixar claro que o estágio não é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas pela lei específica e as condições para sua realização são

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estabelecidas no Termo de Contrato de Estágio (TCE), firmado pela organização contratante, o estudante e a escola – por isso o contrato de estágio é exclusivo para estudantes. Este termo deve respeitar as normas legais e registrar outras condições de realização da capacitação prática. A anotação na carteira de trabalho não é obrigatória, mas pode ser feita a critério da organização contratante e do estagiário e a remuneração do estagiário leva o nome de bolsa-auxílio. Por outro lado, a empresa não fica obrigada a fazer a efetivação do estagiário. “A experiência do CIEE mostra que, quando o jovem se revela um talento promissor e comprometido com os objetivos da empresa contratante, ele pode até ser contratado antes de concluir seu curso na instituição de ensino”. Como assinala o presidente do CIEE, o curso de Administração figura no ranking dos mais procurados pelos recrutadores de estagiários. Parte deste sucesso se deve ao currículo amplo e flexível do curso, que propicia campos de atuação igualmente amplos e flexíveis e confirma: “Não é exagero dizer que a área de Administração é estratégica e continuará sendo nos próximos anos. Com a expansão da economia, cada vez mais as empresas precisarão de profissionais capacitados e críticos que possam gerir seus negócios nos mais diversos níveis, do operacional ao gerencial”.

Cuidados

Antes de se candidatar a uma vaga, o estudante deve pesquisar sobre a empresa para saber RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

10 erros principais

O curso de Administração figura no ranking dos mais procurados pelos recrutadores de estagiários

se realmente é de sua área de estudo e interesse. É importante também prestar atenção aos benefícios e se é oferecido um plano de carreira. “Se o aluno não se adaptar ao estágio, sugerimos que ele continue por pelo menos três meses para não tomar atitudes precipitadas”, alerta Carmem. Bertelli também acredita que a principal preocupação do estudante deve ser a escolha de uma empresa que ofereça estágio na área em que pretende atuar profissionalmente, que possa agregar conhecimentos e que tenha valores compatíveis aos do estagiário. “Além disso, vale observar se a organização contratante tem um programa que atenda à Lei do Estágio, que prevê uma série de proteções ao jovem – obrigatoriedade de pagamento da bolsa-auxílio e de auxílio-transporte, bem como a concessão de um seguro de vida e de recesso (férias). Outra dica importante é a escolha de um

Como uma forma de colaborar para os profissionais que estão enfrentando a maratona de algum processo seletivo. Apresentamos, a seguir, os 10 principais erros que candidatos cometem nessas avaliações: 1. Português Inadequado Falar e escrever corretamente, sem o uso de gírias, conta muitos pontos para o candidato. 2. Vestimenta - Saber se vestir é primordial. Decotes, roupas curtas ou justas, calças muito baixas e camisetas de times devem ficar guardadas para outras ocasiões. 3. Falta de Ética - Falar mal sobre pessoas e empresas pelas quais você passou não é bom para sua imagem. 4. Postura corporal - Sentar-se com postura “largada”, pode fazer você ser desclassificado. 5. Conversas - Evite conversas paralelas quando o facilitador ou os candidatos estiverem falando. 6. Mentiras - Jamais invente cursos ou experiências em seu currículo ou entrevistas. 7. Falta de conhecimento Procure saber sobre a empresa e o ramo na qual ela atua. 8. Atrasos - Chegar depois do horário não é bom para sua imagem. 9. Falta de postura - Dar gargalhadas, criticar os demais participantes não são comportamentos esperados pelo selecionador. 10. Falta de participação Deixar de participar de atividades é um grave erro. Fonte: www.administradores.com.br

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estágio O estagiário oxigena os quadros de colaboradores com a força criativa e determinação de quem está começando a carreira sem vícios profissionais

Foto: Arquivo Pessoal

Luiz Bertelli

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agente de integração confiável, que preste serviços aos estudantes gratuitamente, respeite os requisitos estabelecidos na legislação e desfrute de credibilidade entre empresas e órgãos públicos que concedem oportunidades aos jovens”. Todos concordam que o estágio é uma boa forma de fazer novas amizades, familiarizar-se com este mercado de trabalho e começar seu networking na vida profissional. Esta etapa da vida estudantil exige novas responsabilidades com horários e melhor organização dos trabalhos da faculdade. Na avaliação das empresas, um programa de estágio bem estruturado é uma das mais eficientes políticas de atração de novos talentos, para formá-los de acordo com os valores, princípios e necessidades corporativas. “No mais, o estagiário oxigena os quadros de colaboradores com a força criativa e determinação de quem está começando a carreira sem vícios profissionais. Além desses benefícios, vale ressaltar que, por ser uma atividade pedagógica, não incidem encargos trabalhistas ou tributários sobre os contratos de estágio e eles podem ser rescindidos a qualquer momento por qualquer uma das partes”, resume Bertelli. O presidente do CIEE cita o sociólogo José Pastore, considerado um dos maiores especialistas em mercado de trabalho do país, para dar dicas sobre como o estudante de Administração deve preparar-se para concorrer a uma vaga: “Deve começar lendo muito e de tudo, aprender novos

idiomas – sem se esquecer de dominar o português falado e escrito – e, acima de tudo, enriquecer seu currículo com cursos extracurriculares. Esse tipo de conhecimento pode ser encontrado de graça na internet. O CIEE, por exemplo, oferece gratuitamente 36 cursos com aulas on line, preparando os jovens com competências, habilidades e atitudes valorizadas pelo mercado de trabalho. Entre eles, há três destinados especificamente para estudantes interessados em se preparar para conquistar um estágio: Currículo sem segredo, Dinâmicas e testes, e Entrevista: como encará-la. Algumas dicas de como o estudante deve se preparar para concorrer a uma vaga de estágio também são apontadas por Carmem: seja pontual, desligue seu celular e cuide de sua apresentação pessoal; visite o site da empresa e chegue 15 minutos antes do horário combinado; jogue fora balas e chicletes; aperte a mão na mesma intensidade do entrevistador, memorize seu nome e o olhe nos olhos; conte suas experiências em estágios anteriores, trabalhos acadêmicos e voluntários, intercâmbios e esportes coletivos; evite conversas paralelas, seja objetivo e fale o português correto; nunca diga comentários negativos sobre outras pessoas ou empresas; use do bom senso e bom humor, mas sem exageros.

Valorização

Para explicar o que os alunos valorizam em um estágio, Bertelli diz que o prêmio As Melhores Empresas para Estagiar – parceria do CIEE, Ibope Inteligência e seccional paulista da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-SP) – dá bons indicadores por ser RBA RBA • N•ovembro Janeiro/D /Fezembro evereiro de 2011 2012


baseado em pesquisa de opinião feita diretamente com os estagiários. “De acordo com os jovens, eles valorizam o feedback dado por seus supervisores; o fato de as atividades desenvolvidas contribuírem para o seu desenvolvimento; a integração com os outros colegas; o investimento da empresa em cursos e palestras de capacitação; e o acesso a equipamentos e a recursos necessários para realizar suas tarefas”. A gerente do Nude observa que o estagiário valoriza muito sua possibilidade de crescer na empresa, além de fatores comuns como a bolsa auxílio e os benefícios. “A proximidade com a empresa e/ou faculdade também é levada em conta”, acrescenta. Com relação ao perfil da empresa dos sonhos de um estagiário da área de Administração, Bertelli esclarece que a instituição que dirige não tem como rastrear esse perfil exclusivamente na área de Administração. “De modo geral – e os estudantes de Administração não devem ser diferentes – os jovens valorizam as empresas que utilizam o programa de estágio como um canal de descoberta de novos talentos, ofereçam oportunidade de efetivação, proporcionem experiências e desafios que estimulam o conhecimento e a interação com o campo profissional e, finalmente, aquelas que considerem o estágio tão importante para a empresa quanto para o estagiário”. Para Carmem, a empresa dos sonhos para se estagiar é geralmente de porte das grandes multinacionais. “Temos atualmente o exemplo do programa de estágio Mercedes Benz, feito pelo Nube. Ele está sendo muito concorrido por ser uma empresa bem vista no mercado”, esclarece. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

Na avaliação dos especialistas, o mercado para estagiários está bastante aquecido. “Só em novembro de 2011, por exemplo, registramos quase duas mil vagas abertas em todo o país exclusivamente para o curso de Administração. De modo geral, os contratantes pedem: conhecimentos do Pacote Office, boa comunicação oral e escrita e conhecimentos de outro idioma, preferencialmente o inglês, além dos requisitos atitudinais, como liderança, habilidade para trabalhar em equipe, disciplina, disposição para aprender sempre e proatividade”, cita Bertelli. Já o Nude ofereceu no mês

de dezembro do ano passado 820 vagas nos níveis superior, técnico e tecnólogo. “Esses números podem alterar a qualquer momento, pois sempre abrimos e fechamos, diariamente, novas oportunidades”, complementa Carmem. A Associação Brasileira de Estágios (Abres) contabilizou, no ano passado, 210 mil vagas para estagiários criadas no Brasil, sendo 170 mil para estudantes do nível superior e 40 mil para estudantes do ensino médio. Bertelli e Carmem acreditam que para os estudantes que querem trilhar um caminho de sucesso, o estágio é primordial.

O que pensam os jovens sobre os

programas de estágio

Para os jovens que pretendem ingressar no mercado de trabalho, a Petrobras é a empresa dos sonhos. Isto é o que esclarece uma pesquisa que ouviu 6.756 estudantes de 22 a 26 anos, realizada pela Cia. de Talentos. O estudo, cujo objetivo foi descobrir as expectativas dos universitários de diversos cursos. A estatal de petróleo foi eleita a empresa mais desejada pelos jovens talentos com 14,82% dos votos, pois acham que empresa tem boa imagem no mercado, oferece bons salários e benefícios, além de desafios constantes. O estudo revelou ainda que 80% dos jovens escolhem o curso por afinidade à área, porém, o meio no qual ele está inserido conta bastante na hora da escolha. Em relação aos setores da economia, o industrial é o preferido pela maioria dos estudantes (26%), seguido pelo setor de consultoria (17,4%), sendo a do terceiro setor, a área de menor interesse, com 2,6%. Além da Petrobras, os entrevistados citaram como empresa dos sonhos, a Microsoft, Natura, Nestlé, Bosch, Unilever, IBM, Campanhia Vale do Rio Doce, Citibank e Rede Globo. Na pesquisa ficou evidente: o que o jovem mais valoriza no estágio é o aprendizado (15,5%), seguida pela possibilidade de realizar treinamentos e cursos (12,9%) e de passar por outras áreas (12%). Fica evidente a preocupação em ganhar experiência e agregar conhecimentos à sua formação, para tornar-se um profissional capaz e experiente. Depois de formado, os resultados mostram que a maioria dos estudantes (33,6%) almeja ser efetivado na empresa em que está estagiando. 25


gestão

Por Antonio Marcello

Os maiores erros na

Fotos: Shutterstock

gestão em

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mpresarial A composição inadequada da linha de produtos, atuação em mercado saturado, má localização do ponto, são erros primários.

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

A “

toda ação há sempre uma reação”. Podemos fazer um paralelo e relacionar as decisões de um gestor com a terceira lei de Isaac Newton, enunciada em sua obra Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica, publicada em 1687: toda decisão tomada pelo gestor afeta, de forma positiva ou negativa, o negócio que administra. Má distribuição de responsabilidades entre as áreas, centralização excessiva de comando, baixar o preço de um produto sem critério, podem afetar de forma negativa um empreendimento, com a redução, por exemplo, do volume de vendas ou do capital de giro da empresa. “Muitos desses erros de gestão, prejudiciais ao negócio, têm como principal causa a falta de planejamento, afirma o consultor Francisco Barbosa Neto, sócio-diretor da Projeto DSD Consultores, especialista em administração e finanças. “Nós somos um

povo que tem na sua essência o otimismo e a vontade de empreender, mas o problema é que nossos pais não nos ensinaram a planejar nossa vida, e na escola não fomos educados para entender quanto precisamos ganhar, quanto podemos gastar, com o que e quando”, argumenta Barbosa Neto. Ele considera que como o empreendedorismo não é um traço de personalidade, mas de comportamento, o gestor de qualquer setor negocial, deve buscar novas maneiras de pensar, fazer e administrar para corresponder a uma série de requisitos: saber aonde quer chegar; conhecer o mercado e a concorrência; transformar ideias em realidade; entender que a essência de qualquer negócio é criar meios para ajudar as pessoas a resolverem seus problemas, necessidades ou desejos; utilizar controles e informações gerencias adequadas ao negócio; conhecer os princípios básicos de gestão administrativa, financeira, legislação trabalhista e tributária, além de conceitos de formação de preço; usar adequadamente as informações geradas; aprender a lidar com clientes.

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gestão Um dos sintomas mais comuns de que alguma coisa não está dando certo na gestão empresarial é quando começa a faltar dinheiro em caixa para pagar contas da empresa, ou quando existe uma captação sistemática de recursos por meio de empréstimos, descontos de recebíveis, uso de cheque especial, atraso de pagamentos ou outros. “Normalmente a origem do problema é a dificuldade em planejar, desenvolver e realizar ações financeiras adequadas ao negócio”, justifica o consultor. Ao se deparar com problemas relacionados, por exemplo, à inadequação na escolha das bases do negócio – decisões sobre fatores que configuram essencialmente o intercâmbio da empresa com o ambiente externo – o gestor

deve repensar o seu negócio. “A composição inadequada da linha de produtos, atuação em mercado saturado, má localização do ponto são erros primários de gestão”, considera Barbosa Neto. Assim, ele defende a ideia que todo o empreendedor só deveria abrir seu negócio depois de um apurado estudo de viabilidade realizado por meio de análise do mercado; descrição produto, serviço ou mercadoria; plano operacional; plano de marketing; plano organizacional; investimento inicial; política de preço; gestão financeira; análise de riscos e oportunidades; plano de implementação. Por outro lado, erros de gestão ligados à inadequação na utilização dos recursos da empresa, envolvendo decisões so-

bre distribuição ou alocação de recursos e funções – composição dos estoques, composição patrimonial, distribuição de responsabilidades, por exemplo – podem ter como causas a insuficiência de recursos humanos, organizacionais, materiais e financeiros na execução das operações; ou insuficiência de quantidade de recursos, tais como falta de pessoal, inexistência de procedimentos de controle etc. “A centralização excessiva de comando e a má distribuição de responsabilidades entre as áreas também são erros comuns na gestão de empresas. Mas, um dos mais perigosos erros que um gestor comete na administração do negócio é a

Reduza os erros de Sete dicas do consultor Francisco Barbosa Neto para reduzir os erros mais comuns de gestão empresarial: 1. Vença o medo – Medo nada mais é do que a ausência do conhecimento e a falta de experiência sobre algo. Avalie quais são os seus talentos, aptidões e competências para administrar um negócio. Enfrente as situações que causam frio na barriga, experimente os limites da sua capacidade, procure enxergar oportunidades onde muitos só veem ameaças. 2. Tenha um horizonte – Elabore um plano de negócios, que nada mais é do que colocar no papel uma simulação de como a empresa funcionará, por intermédio de: viabilidade de mercado, análise da concorrência, avaliação do diferencial competitivo, elaboração de um planejamento operacional, financeiro, tributário e fiscal. 28

3. Volte-se para o cliente – A verdade é que, na maioria das vezes, o cliente acaba sendo esquecido em boa parte das decisões tomadas pelas empresas. É fundamental entender que eles não compram produtos ou serviços, mas um pacote de conveniências que lhe proporcione uma maior percepção de valor (algo que ultrapasse o fator preço) como: entender a necessidade, desejo ou desconforto, oferecer uma solução adequada, cumprir o prometido. O ato da compra tem pouco a ver com o lado racional e tudo a ver com o lado emocional. Pode parecer difícil de compreender, mas, ao comprar algo, não estamos em busca exatamente de um produto ou serviço, mas a maioria das vezes, buscamos uma solução para os nossos problemas. 4. Gaste menos do que ganha – Muitas pessoas sentem certa rejeição diante dos termos do mundo das finanças como planejamento orçamentário, RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


má administração financeira da empresa”, enfatiza. Para o consultor, o grande erro na área financeira é não ter conhecimento dos fundamentos da administração do negócio, que deveria ser disciplina básica nas escolas. Para ele o empreendedor deveria desenvolver algumas ações na administração financeira da empresa: Planejamento Orçamentário (quanto gostaria de ganhar) – É um ato de previsão da venda bruta, custo e despesa numa data futura e serve para orientar a empresa para que obtenha o resultado desejado. Este indicador serve para estabelecer as metas de vendas. 1. Fluxo de Caixa (como recebemos/gastamos) – É o regis-

tro das entradas e saídas de dinheiro no caixa, contabilizadas quando o dinheiro efetivamente troca de mãos. Este indicador está relacionado com a liquidez. Temos dinheiro para pagar os compromissos assumidos com terceiros, em dia? 2. Balanço Patrimonial (o que conservamos) – a) Ativo representa as aplicações de recursos feitas na empresa (bens e direitos); b) Passivo revela as origens de recursos obtidos pela empresa e que foram investidos no Ativo (dívidas com terceiros); c) Patrimônio Líquido representa o capital inicial e os lucros acumulados num determinado período, e que pertencem aos proprietários do negócio (obrigações com os sócios).

Pecados capitais

A administração de estoques tem como objetivo permitir que a empresa consiga produzir e comercializar seus produtos para gerar lucratividade, liquidez e rentabilidade. “Assim, quando as compras são realizadas de forma inadequada, em excesso e mal planejadas, o capital de giro fica comprometido, e por sua vez pode complicar a saúde financeira”, explica o consultor e acrescenta ser muito comum uma empresa não ter o exato conhecimento do que tem no estoque. Para que isso não aconteça o gestor precisa utilizar alguns controles e obter informações sobre: • custo da mercadoria, produto ou serviço vendido; • margem de contribuição unitária;

gestão fluxo de caixa, ponto de equilíbrio, demonstrativos de resultado e balanço patrimonial. Números são meros reflexos das decisões que se toma. A gestão de negócio não pode acontecer ao sabor das circunstâncias, saiba a diferença entre receita, custo e despesa, e como estabelecer lucro, liquidez e rentabilidade. Todo problema financeiro é consequência de um problema operacional. 5. O lucro pode estar no estoque – A maior parte das saídas de dinheiro de uma empresa está no setor de compras. Quando as compras são erradas, excessivas e mal planejadas aumenta a necessidade de capital de giro, o que compromete a saúde financeira. É muito comum uma empresa não ter o exato conhecimento da variedade de itens, da quantidade estocada e do capital investido. Para tanto, alguns controles de estoques são fundamentais. 6. Atraia as pessoas certas – As empresas buscam efetividade e flexibilidade para se adaptar às RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

novas diretrizes do mercado, enquanto os funcionários almejam a segurança do seu emprego e a remuneração. Precisamos ajudar as pessoas a descobrirem seus talentos; com isso, desenvolverão confiança, autoestima e terão a chave para a autorrealização, pois vão perceber que podem crescer e aprender com a empresa. É fundamental treinar a equipe, disponibilizar procedimentos para executarem as tarefas de forma adequada, estabelecer indicadores representativos para avaliar sua performance, criar programas de participação nos resultados e estimular o trabalho em equipe. 7. Monitore a informação – Antes de adquirir um sistema de gestão é necessário mapear todo o processo do negócio para dimensionar o mais adequado (cuidado que o barato sai caro). Todas as informações têm algum tipo de significado, servem para que se faça um acompanhamento em tempo real e para desenvolver indicadores que informem situações críticas com antecedência. 29


gestão Nós somos um povo que tem na sua essência o otimismo e a vontade de empreender.

Foto: Arquivo Pessoal

Francisco Barbosa Neto

• giro dos estoques; • quantidade de produtos estocados; • estoque mínimo; • curva ABC; • estoque de segurança; • prazos de validade. “Os empresários brasileiros, principalmente os que administram pequenos e médios negócios, ainda não entenderam que para promover o crescimento continuo e sustentado da empresa, é fundamental ter as informações interligadas e acessíveis sobre tudo o que diz respeito ao negócio, por meio de um sistema de controle gerencial adequado, confiável e que caiba no seu orçamento”, acredita Barbosa Neto. Com sua ampla vivência profissional, ele relaciona os sete pecados capitais da gestão financeira de uma empresa: • Falta de controle das entradas e saídas de recursos financeiros em caixa. • Inexistência ou controle inadequado das contas a receber e a pagar. • Desconhecer os valores reais dos custos fixos e variáveis. • Controle inadequado dos estoques da empresa. • Método inadequado para calcular o custo e o preço de vendas de produtos, mercadorias ou serviços. • Retirada dos sócios sem critério que determine o valor do pró-labore (que corresponde ao “salário” do sócio que trabalha na empresa). • Inexistência de um fundo de reserva para

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pagamento de 13º salário e férias dos funcionários, como também para pagamento dos direitos trabalhistas por ocasião de demissões de funcionários. Como consultor empresarial que coleciona muitas estórias, ele lembra uma delas, que vivenciou quando prestava serviços em um estabelecimento comercial de médio porte. “Estava fazendo um trabalho de consultoria para uma rede de lojas de eletrodomésticos e diagnostiquei um fato curioso: o empresário tinha tanta confiança no seu produto que não se preocupava com a concorrência. Resultado: as vendas estavam caindo vertiginosamente. Descobri que um desses concorrentes oferecia um sistema de financiamento mais prolongado e menos burocrático. Com a mudança dos planos de financiamento, a empresa conseguiu reconquistar parte de sua clientela”. Outro exemplo oposto ao caso relatado acima: “Uma grande loja de confecções costumava fazer promoções baixando os preços aleatoriamente, para fazer caixa. Descobrimos que a empresa estava faturando bem, mas no final das contas a rentabilidade das vendas era quase nula quando não era negativa. Ora, fazer promoções sem ter feito um estudo prévio não é a forma mais adequada de vender”. Barbosa acredita que administrar é fazer escolhas, e por isso deve-se buscar acertar sempre, caso contrário os recursos e tempo investidos serão desperdiçados. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


Adm. William Resende de Faria CRA-DF no 023760

opinião

Existe fórmula para o

suce$$o?

Administrar é fácil. Saber como administrar da melhor maneira possível é que se torna o segredo do sucesso.

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

para a promoção de um ambiente mais produtivo, consequentemente, mais lucrativo. Para tanto, o estabelecimento e o cumprimento de metas torna-se indispensável, uma vez que é preciso definir onde se está e aonde se pretende chegar, com o apoio de todos os envolvidos neste processo de conquistas. Por isso, o profissional precisa estar motivado para melhor desenvolver suas capacidades, superando e rompendo limites na sua produtividade. Contudo, percebe-se a real importância da presença dos incentivos organizacionais, bem como as consequências negativas de sua ausência. Estes incentivos se dão por intermédio do melhor relacionamento interpessoal, já que as pessoas trazem consigo valores individuais para dentro das organizações adaptando-se a novos valores impostos pelas mesmas. Tais diferenças interferem diretamente no comportamento e desempenho do profissional. O gestor que não consegue se motivar não tem a capacidade necessária para buscar isto em seus liderados, uma vez que a motivação está dentro de cada um. Ou seja, cada um pode apenas

incentivar, estimular ou influenciar outro (s) a se motivar (em). Assim, revelase que líder é aquele que consegue conduzir pessoas comuns a resultados incomuns transformando-as em diferencial competitivo da organização. Vale ressaltar que atuar com determinação é princípio básico para o alcance de metas e objetivos, não importando os obstáculos e dificuldades a serem enfrentados pelo caminho. Atualmente, um dos grandes desafios enfrentados pelos gestores tem sido incentivar e estimular sua equipe de colaboradores. Para tanto, diversos são os fatores que geram motivação, dos quais temos alguns dos analisados e discutidos pelos professores Chiavenato e Araújo, que em suma, os citam da seguinte forma: trabalho interessante, autorrealização, reconhe-

Foto: Arquivo Pessoal

C

om o advento da globalização, as organizações adquirem a necessidade de cada vez mais obter avanços científicos e tecnológicos para adaptação e implantação das inovações de sucesso em um cenário mercadológico de alta concorrência em que a inovação deve ser constante. Neste contexto, a figura do colaborador ganha destaque, uma vez que toda a estratégia organizacional é executada por pessoas contratadas com a finalidade de realizar as tarefas estabelecidas pelos gestores da organização. Entretanto, ficam intrínsecos limites e barreiras organizacionais que podem ou não interferir na capacidade produtiva do profissional selecionado. Portanto, é desejável que a organização adote ações para resgatar valores que reforcem a importância e a necessidade de qualificar e motivar todos os membros de sua equipe de colaboradores, visando o aperfeiçoamento do clima e cultura organizacional, proporcionando oportunidades de se melhorar o relacionamento interpessoal entre colaboradores, gestores e clientes,

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opinião cimento, segurança, diálogo de desenvolvimento, desenvolvimento pessoal e treinamento, remuneração, promoção e crescimento na organização, condições de trabalho, colegas, benefícios, status, sugestões para melhoramento, estimular o estrategismo, estabelecer objetivos claros, empoderamento, relacionamento e comunicação, reconhecimento e apreço, moral, diálogo, ideias, respeito, novos desafios, reconhecimento.

Liderança e motivação revelam o caminho mais curto na busca do melhor comportamento profissional

Atualmente todas as empresas atuantes no Brasil, independente de seu tamanho ou localização, enfrentam alguma dificuldade gerencial como: absenteísmo, alta rotatividade, falta de profissionalismo e ética, falhas de planejamento, escassez de profissionais qualificados, desperdícios, problemas com motivação, resistência às mudanças, dentre outros. São dificuldades comuns às organizações tendo 32

impacto relativo ou significativo às práticas adotadas por elas, partindo hierarquicamente da presidência organizacional. Na base da pirâmide que se evidenciam ou explicitam as falhas organizacionais para clientes e fornecedores através daqueles que deveriam ser tratados como colaboradores e não funcionários ou empregados. Afinal, são os colaboradores que detém conhecimento total das falhas, bem como suas causas, consequências e possíveis soluções. A comunicação interna é um dos fatores que pode definir o impacto destas falhas gerenciais quanto ao bom funcionamento da organização. Face ao exposto, por meio das diversas teorias científicas da área, que o reconhecimento, trabalho interessante, segurança, remuneração, relacionamento e comunicação, diálogo, desafios, dentre outros, além de possíveis incentivos organizacionais e fatores determinantes de motivação fazem com que haja satisfação completa na relação entre colaborador e organização, evitando medidas extremas como as ações judiciais trabalhistas na busca de sanar prováveis injustiças. Abordou-se a importância da liderança e motivação, demonstrando-se o quanto as pessoas interferem diretamente nas metas e objetivos estabelecidos pela organização. Também são apresentados fatores determinantes de motivação, facilitando seu entendimento sobre existentes ações de incentivo organizacional praticadas nas empresas da atualidade, que geram/resultam em motivação. Dentre os principais resultados de pesquisa realizada destacam-se

o aumento no nível de emprego, crescimento da força de trabalho no setor produtivo e no rendimento dos brasileiros. A maior parte da população fora do mercado de trabalho é de mulheres de faixa etária média entre 25 e 49 anos de idade; o trabalho não remunerado, de conta própria está perdendo espaço nessa mudança de comportamento dos profissionais brasileiros por intermédio do registro em carteira profissional, aumentando inclusive a quantidade de novos processos na justiça trabalhista, solucionados e conciliados no primeiro encontro judicial nas varas trabalhistas. Ocorre uma mudança de comportamento do profissional a partir dos incentivos aplicados, sejam eles positivos ou negativos. Cabe ao gestor estudar a melhor aplicabilidade dentro de sua organização e ao colaborador a aceitação ou não das ações como estímulo e incentivo. No final, a única resposta para incentivar o colaborador acarretando em motivação é questionar-se: qual a maneira mais eficiente e eficaz de atingir objetivos organizacionais assegurando a conquista de objetivos pessoais dos colaboradores participantes neste processo? Contudo, cabe ao colaborador estar ou não motivado através de suas próprias atitudes, comprometendo-se com os objetivos organizacionais. Entretanto, liderança e motivação revelam o caminho mais curto na busca do melhor comportamento profissional. O maior patrimônio e investimento de uma organização para o alcance de suas metas e objetivos é o seu capital humano. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


COM O TRABALHO DE ADRIANA NO PET SHOP, LUDMILA FICOU TRANQUILA PARA FAZER O QUE MAIS GOSTA: CLINICAR

LUDMILA, 29 anos Médica Veterinária

ADRIANA, 32 anos Tecnóloga em Gestão Comercial

Profissional de Administração: Para a pequena empresa virar grande e o Brasil ser um gigante. Quando um profissional liberal passa a contar com o suporte técnico de um profissional de Administração, a qualidade e rentabilidade dos seus serviços aumentam.

Assine embaixo, para o Brasil ser um gigante. WWW.BRASILPROFISSIONAL.ADM.BR


capa

Por Tânia Mendes e João Humberto de Azevedo

O Administrador

do século XXI

Fotos: Shutterstock

Pesquisa nacional desvenda o universo dos profissionais de Administração

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RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

pe da pesquisa com a realização das pesquisas anteriores de 2003 e 2006 para o CFA. “Apesar de sua complexidade, não ocorreu nenhuma dificuldade relevante, pois contamos com importantes cooperações do CFA e dos CRAs na divulgação da pesquisa e no fornecimento dos cadastros de Administradores e Empresas, além da Angrad, na divulgação e fornecimento de listagens de Coordenadores de Cursos de Graduação em Administração no Brasil”, acrescenta. De acordo com Nagib, a metodologia da pesquisa vem se consolidando a cada edição. “Na verdade, foram realizadas pequenas mudanças na pesquisa de 2011 em relação às anteriores”, diz Fauze Nagib. Ele explica ainda que, além da atualização dos questionários com questões relevantes para o momento atual da profissão de Administrador e da utilização dos mais atualizados recursos de informática e de teleinformação, houve a importante mudança de ponderar os resultados obtidos em cada estado para chegar aos resultados por região e total do Brasil. Para Nagib, poucos resultados surpreenderam a equipe da pesquisa. “As previsões apresentadas na Pesquisa de 2006 se confirmaram, tanto em relação à formação acadêmica do Administrador, quanto ao seu perfil, atuação profissional mais reconhecida pelos empregadores e oportunidades de trabalho, sempre crescentes diante de outros profissionais”, completa Nagib.

O objetivo da pesquisa de reanalisar cenários e identificar tendências para a profissão do Administrador no país foi plenamente alcançado Adm. José Samuel Melo

Foto: Wellington Nascimento

R

enda mensal entre três e dez salários mínimos, casado, formado em instituições de ensino superior privadas, com especialização em alguma área de Administração, empregado no setor privado em empresas de grande porte ou órgãos públicos, em posição funcional de gerente ou analista, dedica a maior parte do tempo do trabalho na administração geral ou financeira e realiza, além da atividade principal, serviços de consultoria ou leciona em uma IES: este é o perfil médio do profissional de Administração, identificado na quinta edição da pesquisa nacional “Perfil, Formação, Atuação e Oportunidades de Trabalho do Administrador”, realizada pelo Conselho Federal de Administração (CFA), e com apoio dos Conselhos Regionais de Administração (CRAs) e a Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad), em parceria com Fundação Instituto de Administração (FIA/USP). “Esta foi uma das maiores pesquisas, se não a maior realizada por meio da internet no Brasil.Em função das tecnologias adotadas, os resultados da Pesquisa 2011 estão publicamente disponíveis no site http://pesquisa.cfa.org. br/grep/ e podem ser acessados por estado, região ou total Brasil, para cada população pesquisada”, explica o Adm. Fauze Najib Mattar – Coordenador da Pesquisa pela FIA. Nagib considera que uma pesquisa com essas dimensões exigiu um planejamento, tanto metodológico quanto operacional, bastante meticuloso e, para isso, de muito valeu a experiência acumulada pela FIA e pela equi-

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capa

A profissão de Administrador está cada vez mais em evidência. É reflexo de diversos fatores, como a relevância do Brasil no cenário mundial

Foto: Divulgação

Adm. Leandro Vieira

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“Apesar da maioria dos administradores que responderam a pesquisa pertencerem ao sexo masculino, o estudo revelou que o número de mulheres graduadas nesta área configurou aumento substancial de 67%, em relação ao primeiro estudo realizado em 1994”, explica o Adm. José Samuel de Miranda Melo Júnior, Coordenador da Pesquisa e Diretor de Formação Profissional do CFA. O estudo traçou também as características de Coordenadores/Professores e de Empresários/Empregadores das áreas de Administração. Os Coordenadores/Professores têm idade média de 44 anos, são do sexo masculino, casados e têm graduação em Administração em IES privadas. Por outro lado, os Empresários/ Empregadores exercem a presidência ou são proprietários de empresas da área de serviços ou do comércio varejista, com predominância de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). “Esta pesquisa quebrou alguns paradigmas. Por exemplo, esperávamos que grande parte dos empresários pertencessem a grandes conglomerados. Entretanto, o estudo apontou um crescimento significativo do Administrador atuando nas MPMEs. É um dado importante, principalmente para redirecionar as matrizes curriculares dos cursos de Administração, que privilegiam questões relacionadas aos megaempreendimentos”, enfatiza o Coordenador. Como nas edições anteriores, esta pesquisa foi dirigida a três

segmentos ou públicos-alvo: administradores, Coordenadores/ Professores e Empresários/Empregadores. De todos os questionários preenchidos, após validação do material, em que foi descartado os incompletos ou que apresentaram outros problemas, foram computados 21.117 respondentes à pesquisa de 2011. “Temos certeza de que o objetivo da pesquisa de reanalisar cenários e identificar tendências para a profissão do Administrador no país foi plenamente alcançado. Afinal, o número de questionários válidos superou em mais de 100% os da última pesquisa realizada em 2006, proporcionando informações que servirão de base para, entre outras coisas, direcionar o planejamento estratégico de instituições que de alguma forma operam na área do profissional de Administração”, comemora o Adm. José Samuel. Para desenvolver o estudo, os pesquisadores contaram com o apoio de grande número de pessoas e instituições. “É importante ressaltar a colaboração irrestrita das Instituições de Ensino Superior, e as empresas que participaram da fase qualitativa da pesquisa: Ford, Wal-Mart, BR Distribuidora, TAM, Thomas Case e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Administradores, Coordenadores/Professores e Empresários/Empregadores também participaram de entrevistas, reuniões e responderam aos questionários da pesquisa”, como ressalta o presidente do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello.

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A formação generalista e abrangente – 25,18% de respostas – foi a principal motivação que influenciou a escolha do curso. O Adm. Mauro Kreuz, presidente da Angrad, acredita que o ecletismo da profissão permite que o Administrador tenha, na graduação, uma sólida e consistente preparação profissional. “Além disso, o curso permite várias especialidades, mediante aprofundamentos específicos, todas muito requeridas pelas organizações públicas e privadas”, acrescenta Kreuz. Ele destaca que, apesar desta disciplina permitir várias linhas de preparação profissional específicas, todas elas se nutrem e se sustentam na mesma ciência, a Administração, única e indivisível. E completa: “Observo que vários programas de graduação na área não desenvolvem suficientemente a dimensão quantitativa, o que gera sequelas profissionais que poderão se transformar em desvantagens competitivas em relação a outros profissionais”. Por outro lado, existência de um amplo mercado de trabalho – apontada por 20,52% dos entrevistados – foi o segundo motivo da escolha do curso. O Adm. Leandro Vieira, diretor do Portal Administradores e Publisher da Revista Administradores se diz convencido de que esta profissão está cada vez mais em evidência. “É reflexo de diversos fatores, como o fortalecimento da economia, aumento no número de empresas e a relevância do Brasil no cenário mundial. Entretanto, o que mais me anima é que se observa um processo de mudança de mentalidade em nossa sociedade, que tem enxerRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

gado cada vez mais a necessidade de uma gestão profissional dos negócios. Isso se reverte em benefícios para todos e muita gente já se deu conta de que o profissional mais completo e mais adequado para cumprir esse papel é o Administrador”, observa. A elevada e consistente demanda pelo curso e pelo profissional de Administração é sinal claro na busca por uma melhor gestão profissional em todas as dimensões, sejam elas organizacionais, sociais, públicas ou privadas. “A sociedade está indicando, de forma inequívoca, que não suporta mais amadores administrando organizações públicas e privadas”, diz Kreuz e acrescenta que o mercado para profissionais em Administração, nunca esteve tão promissor. Esta é também a visão do Adm. Eduardo de Souza Ramos, presidente do Conselho de Administração da Mitsubishi Motors do Brasil. Ele acredita que a expansão do mercado de trabalho no país é um fator importante na escolha profissional: “Afinal, a economia como um todo vem crescendo rapidamente nos últimos anos, o que proporciona uma grande oferta de trabalho para Administradores”. Uma das opções oferecidas no estudo – a vocação, que na pesquisa de 2006 havia sido preterida no momento de escolher o curso (14,08%, em 2003 e 15,81%, em 2006) – apresentou crescimento significativo e atingiu 18,72%, em 2011. “O tema merece atenção dos responsáveis pela divulgação e disseminação dos conceitos e sua importância para as empresas”, destaca Eduardo.

A economia vem crescendo rapidamente nos últimos anos, o que proporciona uma grande oferta de trabalho para Administradores Adm. Eduardo Ramos

Foto: Divulgação

Escolha do curso

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capa Os profissionais pesquisados, que concluiram o curso presencial nos últimos cinco anos em instituições privadas, avaliam que o curso atendeu satisfatoriamente e completamente às suas expectativas (84,86%) e muito poucos consideraram que não atendeu (0,81%). Grande parte (75,20%) fez especialização, incluindo MBA, ou outra pós-graduação. Segundo o Adm. Leandro Vieira, autor do livro “Seu futuro em Administração (veja resenha da obra na página 53 dessa edição), além do diploma e dos conhecimentos técnicos, outras exigências são impostas, atualmente, para que o administrador possa vencer no mercado de trabalho. “Como os estilos de liderança e administração variam de pessoa para pessoa, vou me concentrar em duas características essenciais. Primeiramente, o Administrador deve saber como ninguém transformar o conhecimento em ação. Parece um enunciado simples, mas saber fazer a ponte entre teoria e prática é uma habilidade dificílima de ser desenvolvida, pois é muito fácil perder-se entre tantas teorias e menosprezar a prática, e igualmente fácil desprezar a teoria valorizando apenas a prática. Outra característica fundamental, evidenciada por Peter Drucker, é ser capaz de tomar decisões de maneira eficaz, sabendo concentrar-se naquelas realmente importantes”. Os cursos de especialização nesta área continuam os preferidos. A pesquisa demonstrou isso: entre os que afirmaram ter concluído outro curso, 54,68% optaram por especialização em Administração. “O registro no CRA é a credencial legal que poderá permitir a inserção do Adminis38

trador no mercado de trabalho. Mas serão as efetivas competências  que emanam dele que irão permitir a permanência ou não deste profissional neste mercado”, pondera Kreuz.  

o Administrador apresenta grande índice de empregabilidade e é um profissional com bom nível de renda individual

Renda média

“O leque aberto pela Administração é bastante amplo. Como o mercado está aquecido, todas as áreas relacionadas, como marketing, finanças, gestão de projetos e logística, contam sempre com uma boa demanda. Especializações nessas áreas são sempre uma boa pedida”, considera Leandro Vieira. Na opinião do Adm. Eduardo Ramos, presidente da Mitsubishi, os setores onde existem maior falta de Administradores são as áreas de marketing comercial e logística. A pesquisa de 2011 confirma parte dessa opinião: o somatório das quatro grandes áreas funcionais

– administração geral, finanças, vendas e recursos humanos – ultrapassou 58% do total das respostas dos entrevistados. Por se tratar de um profissional com visão sistêmica da organização, articulador de suas diversas áreas e pronto para o exercício da liderança, formando e motivando pessoas e equipes de trabalho, o Administrador apresenta grande índice de empregabilidade e é um profissional com bom nível de renda individual. De acordo com a pesquisa de 2011, esta renda ficou na faixa entre 3 e 10 salários mínimos (SM). Além disso, ele faz parte da categoria mais promissora no mercado de trabalho brasileiro. “Mas, se considerarmos os pontos médios das faixas e o número de respondentes em cada uma, a renda média apurada foi de 9,75 SM, ou R$5.313,75, considerando o salário mínimo de 2011”, como assinala o Adm. Samuel Melo. A pesquisa identificou as principais competências desses profissionais: identificação de problemas, formulação e implantação de soluções; habilidades: relacionamento interpessoal, visão do todo e o seu preparo para a liderança; e atitudes: comprometimento, comportamento ético e profissionalismo. Assim, em meio a tantas oportunidades e perspectivas, o desempenho dos administradores tem sido bem avaliado ao longo do tempo, em comparação a outros profissionais. Constata-se que no exercício diário do trabalho, eles têm apresentado desempenho acima dos demais profissionais. O fator tempo de profissão tem correlação direta com a evolução na carreira, como indica a pesquisa. Assim é que entre os administradores que se graduaram em RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


A sociedade está indicando que não suporta mais amadores administrando organizações.

Foto: Arquivo Pessoal

Adm. Mauro Kreuz

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

período anterior a 1969, a posição funcional mais frequente é a de presidente/empresário, seguida de assessoria e de gerência. Leandro Vieira avalia que, além do tempo de experiência, existem outros fatores que contribuem para acelerar a progressão na carreira. “Gosto muito do que os orientais chamam de mente de principiante. Só conseguimos evoluir quando reconhecemos que temos muito ainda a aprender. É o mesmo conselho dado por Steve Jobs em seu famoso discurso stay hungry, ou seja, permaneça faminto. Acredito que somente essa postura abre espaço para o verdadeiro crescimento pessoal e profissional”. Na avaliação do curso de graduação concluído, a maioria dos administradores afirma que ele atendeu satisfatoriamente às suas expectativas. “Apesar de, na fase qualitativa da pesquisa, por ocasião das reuniões de grupo, ficar claro que os cursos de Administração devem estabelecer uma maior aproximação do mercado, pois possuem uma visão muito acadêmica, os administradores reconhecem que eles têm atendido às suas expectativas de forma completa ou satisfatória”, considera o Coordenador da Pesquisa, Adm. Samuel Melo. Em razão das discrepâncias existentes entre o que ensinam as Instituições de Ensino Superior (IES) e o que demanda o mercado com relação ao recém-formado, os Coordenadores/Professores, sugeriram uma lista de novos conteúdos, sendo os principais: desenvolvimento do empreendedorismo, gestão am-

biental e desenvolvimento sustentável, gestão pública, criatividade e inovação, gestão da micro e pequena empresa. Não é sem razão que o tema “desenvolvimento do empreendedorismo” tenha sido sugerido pela maioria dos Coordenadores/Professores na lista de novos conteúdos. Leandro Vieira é categórico ao afirmar que esta área é uma boa alternativa para profissionais de Administração. “Sem dúvida, o empreendedorismo não é apenas uma excelente alternativa, mas um importante caminho a ser trilhado para impulsionar o crescimento do país. Entretanto, independentemente de montar um novo negócio ou não, o Administrador deve ser dotado de forte espírito empreendedor. Espero não parecer repetitivo por citar novamente Drucker, mas o ‘pai da Administração moderna’ disse certa vez que tentar dissociar a Administração do empreendedorismo seria o mesmo que dizer que a mão do violinista que dedilha as cordas e a mão que comanda o arco são adversárias ou mutuamente exclusivas”.

Áreas promissoras

O destaque em relação ao mercado de trabalho, segundo a pesquisa, é o setor de serviços, que deverá proporcionar maiores oportunidades de trabalho, principalmente nas áreas de consultoria empresarial, hotelaria e turismo, lazer e entretenimento, saúde e instituições financeiras. Vale ressaltar que a Administração Pública Indireta (35,44%) e a Direta (32,81%) foram eleitas como a segunda área mais promissora para a contratação de administradores. Em terceiro lugar ficou o setor industrial que, na opinião 39


capa dos Empresários/Empregadores, deverá contratar mais administradores nos próximos anos.

o Administrador apresenta grande índice de empregabilidade e é um profissional com bom nível de renda individual

Na pesquisa atual, ao contrário das anteriores, a maioria afirma que para exercer função gerencial, o profissional deve ser graduado em Administração. Os dados da pesquisa mostram uma evolução positiva, nos últimos nove anos, do conceito profissional do Administrador, diante dos desafios do mercado de trabalho e de sucessivas crises financeiras pelas quais passaram ou passam ainda os países e suas empresas. A comparação entre o desempenho do Administrador e de outros profissionais e a opção por contratar esses profissionais justificam o elevado índice dos que preferem o Administrador nas funções gerenciais de suas organizações. Mesmo os Empresários/Empregadores que admitem 40

o exercício de função gerencial por qualquer outro profissional exigem uma especialização em Administração. Apesar de apresentar um panorama altamente positivo, a fase qualitativa da pesquisa de 2011 descortinou várias situações que ameaçam a profissão do Administrador. Uma delas é a significativa incidência de profissionais submetidos à realização de atividades aquém de seu nível profissional e com salários aviltados, e outros de quem são solicitados trabalhos de alta complexidade sem a necessária contrapartida pecunária. Além disso, foram declarados indesejáveis casos de disfunções, principalmente pela dificuldade que alguns profissionais enfrentam para conseguir garantir espaços internos e identificar os externos. Uma preocupação que aparecia em outras pesquisas e permanece nesta é a existência do cargo de Gestor Público no serviço público federal, ocupado por pessoas de qualquer tipo de graduação, realizando atividades próprias do Administrador. Da mesma forma, funcionários dos três níveis de governo, rotulados como “Administradores Públicos”, continuam como um desajuste cultural que incomoda o exercício legal da profissão. Outro problema detectado na fase qualitativa da pesquisa foi a existência de um distanciamento entre o que ensinam as IES e o que necessita o mercado de trabalho com relação ao profissional recém-formado. Além disso, a pesquisa de 2011 procurou também descobrir informações sobre três temas importantes para

o profissional de Administração: metodologias e materiais didáticos; educação a distância (EAD); e projetos de aperfeiçoamento. Com relação às metodologias e materiais didáticos, a evolução foi discreta: os professores continuam dando prioridade às metodologias expositivas combinadas com discussões em grupo, e os materiais didáticos continuam os usuais – livros, texto básico, apostilas. Houve tímida incursão em iniciativas que permitem avanços com a utilização da tecnologia da informação. Em relação aos cursos de EAD, a pesquisa constata a preocupação diante da grande expansão na oferta dos cursos e sua qualidade, tanto por parte dos administradores como dos Coordenadores/Professores. Mais de 74% dos administradores já participaram de cursos de especialização e, em especial, na área de Administração, o que demonstra a necessidade de complementação do processo de graduação. Além disso, ficou patente que dominar um idioma estrangeiro – principalmente o inglês – confirma a tendência de que se trata de um facilitador para o desempenho de qualquer profissional. Esta pesquisa demonstrou que o Administrador não pode ficar parado no tempo e precisa se reciclar sempre. Para isso, Kreuz sugere: “Ter um projeto de vida profissional bem elaborado e com fundamentos estratégicos e buscar, de forma focada, determinada, organizada e disciplinada a sua autonomia intelectual, mediante programas de preparação profissional continuada, seja numa perspectiva vertical ou horizontal do conhecimento vinculado à Administração”. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


O legítimo

Administrador

O diploma torna o formando no curso de Administração um bacharel. A legitimação profissional vem com o registro no Conselho Regional de Administração.

Foto: Shutterstock

O

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s números relacionados à Administração são mais do que expressivos. No final de 2010, haviam sido graduados cerca de 1,9 milhão de administradores, em 2.723 cursos. No último censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas

Educacionais (INEP-MEC), em junho de 2011, foram registrados 734.704 alunos matriculados. “Atualmente temos mais de 302 mil administradores registrados no Sistema CFA/CRAs. Vale lembrar que Administração é o curso mais procurado no ensino superior. Para se ter uma ideia, mais de 114 mil alunos/ano concluem este curso”, ressalta o Adm. Sebastião Luiz de Mello, presidente do CFA. Ele considera o índice de registro ainda baixo, mesmo com as ações promovidas pelo Sistema CFA/CRAs visando aproximar os bacharéis em Administração da sua entidade de classe. Na fase qualitativa da pesquisa, ficou clara a necessidade de uma campanha entre os administradores já formados visando o seu registro ao CRA e, de forma permanente, uma ação nas IES, envolvendo os formandos e professores. “É importante frisar que o Administrador habilitado é reconhecido no mercado de trabalho como uma pessoa apta a exercer a profissão. Além disso, ele conta com o respaldo de todo o Sistema para proteger os direitos profissionais”, enfatiza o Presidente do CFA. 41


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O papel do Administrador é essencial para que o país conquiste o seu merecido lugar no mundo Adm. Sebastião Mello

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O diretor do Portal Administradores, Adm. Leandro Vieira, enfatiza que “o registro profissional não é apenas importante para o Administrador, é importante também para a sociedade e para o país. Um Conselho forte, atuante e representativo é capaz de promover a valorização da profissão, além de provocar avanços na própria prática da Administração, o que se reverte em benefícios para todos. O registro profissional é o primeiro passo para que esse ciclo se torne possível”. Também para o Presidente da Angrad, o registro profissional deve ir além da obrigação legal para o exercício profissional. “Tenho debatido isso por todo o Brasil com os estudantes de Administração. O registro profissional, além de ser condição legal para o exercício da profissão é, também, o fechamento de uma importante etapa do projeto de vida profissional do estudante. E isso precisa ser intensamente abordado durante o curso. Na opinião de Kreuz, a falta de registro é uma verdadeira tragédia na vida do bacharel, com graves consequências. “Observo que, ao fazer esse tipo de abordagem com os estudantes, eles imediatamente reagem de forma positiva, sinalizando uma clara compreensão acerca da importância do registro profissional, tanto para atender ao requisito legal, como para ter efetivamente uma profissão após tantos anos de estudos e, com isso, inserir-se de forma mais competitiva no mercado de trabalho. Não ter uma profissão, nos dias de hoje, é  estar profissionalmente

órfão perante o mercado de trabalho”. A baixa adesão dos bacharéis de Administração para obtenção do registro foi também uma das muitas razões que motivou o CFA a encomendar uma pesquisa desta magnitude. “A última pesquisa foi realizada há cinco anos. Como as tendências mudam ano a ano, tornou-se emergencial a realização de uma nova pesquisa, que nos revelasse novos dados. O Conselho tem investido, nos últimos doze anos, em projetos de âmbito nacional que permitem explorar aspectos relativos ao perfil, formação, atuação e às perspectivas profissionais do Administrador, além, é claro, da imagem que o CFA passa para Administradores, Coordenadores, Professores, Empresários e Empregadores”, enfatiza o Adm. Sebastião Mello. Para ele, os resultados da pesquisa traçaram um raio X detalhado da profissão, o que dará condições de implementar ações em curto, médio e longo prazos para melhorar ainda mais esse cenário, além de promover e dignificar a profissão e o ensino da Administração no país. “É nossa missão propor iniciativas coerentes com a realidade, mas antecipando o futuro, já que a expansão dos mercados mundiais é um desafio e, para estar preparado para estas mudanças, precisamos pensar em diretrizes de desenvolvimento para esses profissionais. Os resultados deste estudo subsidiarão as futuras ações do Sistema, além de servirem de guia para gestores públicos e privados, professores e profissionais de Administração que desejarem fazer a diferença”, acrescenta. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


Subsídios importantes não faltaram nesta quinta edição da pesquisa. De maneira geral, ficou claro que o índice de utilização dos serviços disponibilizados – biblioteca, centro de convivência, convênios, cursos de reciclagem, espaço cultural, eventos, fóruns, jornal, revistas, sites, boletim eletrônico e comunicação via e-mail – ainda é baixo por parte dos administradores e Empresários/Empregadores, sendo que um contingente significativo declarou não saber que existem. Os Coordenadores/Professores são os que mais utilizam aqueles recursos, porém ficou patente que, a cada pesquisa, houve evolução dos conceitos para o conjunto de recursos disponibilizados pelo Sistema CFA/CRAs. Considerando uma escala de 1,0 a 4,0, em 2011 a média foi de 2,73, índice considerado entre regular e bom.

Capilaridade

Presente em todo o Brasil, com a missão de promover a Ciência da Administração, valorizando as competências profissionais, a sustentabilidade das organizações e o desenvolvimento do país, o Sistema é integrado pelo CFA e pelos 27 CRAs, sediados em todos os Estados da Federação. “Uma das principais missões do Sistema é estabelecer normas e ações que coíbam o exercício ilegal da profissão, alertando a sociedade e as empresas sobre a importância do registro para o exercício da profissão”, assegura o presidente do CFA. Três principais contribuições que o Sistema CFA/CRAs pode oferecer a esses profissionais foram listadas pelos entrevistados: defesa dos interesses profissionais RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

(35,02%); fiscalização das atividades profissionais (34,54%); e conscientização da sociedade para a importância deste profissional (32,01%). A pesquisa também se preocupou em colher subsídios para recomendar ações aos órgãos relacionados à profissão, em especial o MEC. As mais citadas: acompanhar o trabalho realizado pelas IES no contexto dos programas de avaliação do curso da instituição e do sistema educacional; formular política de educação superior comprometida com a qualidade e a justiça social; qualificar os agentes envolvidos nos programas de avaliação do curso, da instituição e do sistema educacional. Da mesma maneira, a pesquisa relacionou ações recomendadas às IES: formular projetos pedagógicos que traduzam as necessidades dos estudantes e da sociedade; contribuir para a promoção do desenvolvimento do corpo docente do curso; formular planos de desenvolvimento institucional compatíveis com a realidade educacional da instituição, da região e do país. Também foram sugeridas ações à Angrad: refletir, discutir e propor questões que evoluem a qualidade dos programas de graduação em Administração; investigar e disseminar dados, informações e conhecimentos acerca de temas relevantes para os cursos de Administração; representar os interesses acadêmicos dos programas de graduação em Administração do MEC. A próxima edição da pesquisa já está programada para 2014, quando espera-se que a imagem do Administrador – que a cada ano vem se consolidando – esteja firmada pela formação acadêmica mais dinâmica,

atuação profissional ainda mais reconhecida devido a sólidos conhecimentos, competências, habilidades e atitudes em consonância com o que as organizações, sociedade e o país esperam do Administrador.

O registro profissional não é apenas importante para o Administrador, é importante também para a sociedade

“Embora sejam necessários todos esses fatores, é importante para o profissional desenvolver no seu eu as percepções de um grande homem”, acrescenta o Adm. Samuel e cita o pensamento de Albert Einstein: “não basta ensinar aos homens uma especialidade. É necessário que adquiram um sentimento”. O Presidente do CFA finaliza afirmando que o papel do Administrador é imprescindível para que o país conquiste o seu merecido lugar dentre as seis maiores economias do mundo. 43


notas

Da redação

Panorama de patentes de nanotecnologia

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A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) lançaram, no começo deste ano, o boletim Panorama de Patentes de Nanotecnologia. O boletim reúne os pedidos de patentes de residentes brasileiros feitos no mundo todo, com soluções técnicas em nanotecnologia que podem ajudar empresas de modo geral. Acaba de ser lançada e está disponível no site da ABDI. Dividido por assunto – nanomateriais com diversas aplicações; medicina/biotecnologia; cosméticos; ambiente/ energia; agricultura; têxtil; medição/sensores; eletrônica e pesquisas espaciais – o estudo ressalta que os pedidos de patentes presentes na edição, ainda não foram objeto de análise, o que significa que poderão ou não ser concedidos. Ainda assim, optou-se pela divulgação das tecnologias desenvolvidas mais recentemente, já que a concessão das respectivas patentes demanda algum tempo.

Números R$1.500.000.000,00 Foi o valor da arrecadação de impostos no Brasil em 2011, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). O Instituto calcula que cada brasileiro trabalhou, em média no ano passado, 149 dias só para pagar impostos. Este ano, as previsões indicam que o país poderá facilmente bater a marca de R$1,7 trilhão em arrecadação. Isso significa que os brasileiros deverão trabalhar mais para os governos, em torno de 165 dias de 2012. Em 25 anos, quase a metade (12 anos) serão trabalhados somente para pagar impostos. Fonte: www2.oparana.com.br

Menos empregos e investimentos O fraco desempenho da atividade industrial do ano passado e as incertezas na economia mundial foram as principais razões que levaram as empresas industriais brasileiras a prever um 2012 com menos investimentos e contratações, como também redução no faturamento. Estas conclusões foram divulgadas na edição de outubro-novembro da Sondagem de Investimentos da Indústria da Fundação Getulio Vargas (FGV). As empresas industriais brasileiras preveem um 2012 mais difícil, com menos investimentos e contratações e redução no faturamento, devido às incertezas na economia mundial e ao fraco desempenho da atividade, já neste ano, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Fonte: www.oglobo.globo.com

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Fonte: ABDI


Minha Casa, Minha Vida Com previsão de dois milhões de moradias até 2014, o programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) vai reservar cotas para idosos (3%) e para pessoas com deficiências ou famílias das quais façam partes essas pessoas (3%). O PMCMV foi lançado em 2009, gerido pelo Ministério das Cidades e operacionalizado pela Caixa Econômica Federal (Caixa), e consiste em aquisição de terreno e construção ou requalificação de imóveis contratados como empreendimentos habitacionais em regime de condomínio ou loteamento, consituídos de apartamentos ou casas que, depois de concluídos, são alienados às famílias que possuem renda familiar mensal de até R$1.600,00. Detalhes do PMCMV no site www1.caixa.gov.br

“A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos

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de conforto e conveniência,

Como alimentar sete bilhões de pessoas? Artigo assinado pelo teólogo, filósofo e escritor Leonardo Boff, questiona se haverá recursos suficientes para alimentar os sete bilhões de habitantes atuais da terra. Baseado em estudos realizados por grupos de cientistas da Agrimonde – eles se mostram otimistas, mesmo para quando chegarmos a nove bilhões de habitantes, em 2050 – Boff defende a tese que um dos caminhos para salvar o planeta é instalar a Dupla Revolução Verde. A revolução verde, segundo o filósofo, teve o mérito de refutar a tese de MalRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

thus, segundo o qual ocorreria um descompasso entre o crescimento populacional, de proporções geométricas e o crescimento alimentar de proporções aritméticas, produzindo um colapso na humanidade. Ficou comprovado que com as novas tecnologias e uma melhor utilização das áreas agricultáveis e a maciça aplicação de agrotóxicos, antes destinados à guerra, e agora à agricultura, se podia produzir muito mais do que a população demandava.

mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio”. Martin Luther King – ativista político estadunidense (1929-1968)

Leia o artigo completo no site: www.congressoemfoco.uol.com.br

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notas Melhores estados para investir

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São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Distrito Federal e Santa Catarina são os únicos estados que apresentam um bom ambiente de negócios para quem quer investir no setor produtivo no Brasil. Esta conclusão foi apontada no primeiro ranking de Gestão dos Estados Brasileiros, elaborado pela Unidade de Inteligência do grupo inglês Economist e publicado com exclusividade pela revista Veja (28/12/2011). Problemas como carga tributária elevada, burocracia, deficiências de infraestrutura e falta de mão de obra qualificada foram as principais causas apontadas pelo ranking para afugentar o capital externo dos demais estados brasileiros. Fonte: Revista Veja de 28/12/2011.

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Qualidade insatisfatória

Mais de 3.968 vagas em 148 cursos de enfermagem, odontologia e farmácia que obtiveram resultado insatisfatório, em avaliação feita pelo Ministério da Educação (MEC), foram cortadas. Esses cursos ficaram com nota 1 ou 2 – numa escala que vai de 0 a 5 – no Conceito Preliminar de Curso (CPC) de 2010. O ministério pretende suspender ainda 50 mil vagas em graduações na área da saúde, ciências contábeis e administração que tiveram resultado insatisfatório nas avaliações de 2009 ou 2010. Na avaliação do ano passado, 594 dos 4.143 cursos avaliados tiveram 46

CPC 1 ou 2. A nota 3 é considera satisfatória e os CPCs 4 e 5 indicam que o curso é de boa qualidade. As instituições de ensino terão o prazo de um ano para cumprir um termo de saneamento de deficiências e melhorar a qualidade da oferta. Após esse período, o MEC fará uma nova avaliação para verificar o cumprimento das exigências. Os cursos sob supervisão que estejam com pedidos de recredenciamento em tramitação no ministério terão os processos suspensos enquanto durar a medida cautelar. Fonte: Agência Brasil

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Venda de veículos novos

O resultado geral nas vendas de automóveis e comerciais leves, em 2011, foi menor do que as metas da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) que esperava um crescimento de 5,9% em relação ao ano anterior, e acabou sendo uma alta de apenas 2,9%. Para este ano, a Federação calcula uma alta de 4,5% nas vendas destes veículos, ou seja, 3,58 milhões de unidades. Incluindo ônibus, caminhões e motos, a en-

tidade prevê crescimento de 5,76% nas vendas este ano (cerca de 5,89 milhões de unidades).

Fonte: www.veja.abril.com.br

Secretaria da micro e pequena empresa O governo encaminhou mensagem ao Congresso Nacional retirando a urgência pedida para o Projeto de Lei nº 865 de 2011, que cria a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, com status de ministério, argumentando que a medida visava aliviar a pauta de votações do Senado. Com isso, a criação do quadragésimo ministério deve ficar para este ano. Fonte: www.economia.estadao.com.br

Tecnologia da Informação – Profissionais com curso de capacitação, técnicos e superiores são os mais procurados. Serviços – O segmento já vivencia um momento de expansão, principalmente na área de turismo. Petróleo e Energia – Setores em expansão em todo o país, com projetos intensivos de contratação de profissionais. . Logística – Os profissionais dessa área terão oportunidades com a proximidade de eventos internacionais como Copa do Mundo e Olimpíadas. Agronegócio – O setor pede profissionais qualificados com o domínio de uma segunda língua, pois a chegada de multinacionais ao país só tende a aumentar nos próximos anos. Construção civil – A área do setor responsável pela infraestrutura terá um cenário bastante aquecido. Indústria – As indústrias de base, como as de siderurgia, aço e cimento, deverão registrar crescimento no próximo ano. Varejo e consumo – As ações de consumo voltadas para os públicos das classes A e B, menos sensíveis às oscilações da economia, ganhaRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

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Setores que mais contratarão

rão impulso nos segmentos de vestuário, moda e cosméticos. Ciências da vida – A indústria farmacêutica, terá, maior foco em competitividade para suprir o impacto da perda de importantes patentes. Haverá demanda por profissionais da área de trade marketing para melhorar a relação com as redes de farmácias. As empresas de medical devices (equipamentos médicos) estarão com foco na profissionalização. Fonte: convergenciadigital.uol.com.br

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redes sociais

Por Tânia Mendes

O fenômeno das

redes sociais

Em 2011, mais de 750 milhões de usuários acessaram o Facebook e permaneceram ligados nada menos do que 700 minutos/mês.

O

ano de 2011 foi um marco para as redes sociais. Os números são mesmo impressionantes: de acordo com pesquisa da Video Infographs, mais de 750 milhões de usuários acessaram o Facebook e permaneceram ligados nada menos do que 700 minutos/mês. No Twitter, as estatísticas não foram menos animadoras: cerca de 225 milhões postaram ali, diariamente, 150 milhões de comentários. Nas outras redes, como LinkedIn, YouTube, Flickr, Google+, Foursquare e o Instagram que, apesar de estar disponível apenas em aplicativo para usuários de iPhone, já alcançou 150 milhões de fotos postadas. No Brasil, de acordo com pesquisa do Ibope Nielsen Online – divulgada abril de 2011 – o número de internautas que acessaram a internet, em casa ou no trabalho, chegou a 43,2 milhões. No caso dos usuários que acessam de outros locais como lan

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houses e escolas, foram 7 3 , 9 milhões. Estes permanecem online cerca de 66 horas mensais. Mas a pesquisa do Ibope não é a única. A comScore, empresa especializada em métricas, aponta que os internautas brasileiros somam 46,7 milhões e desses, 99%

acessam redes sociais pelo menos uma vez. Cerca de 30% deles têm

entre 15 e 24 anos, e 34% entre 25 e 34. André Rosa, professor nas áreas de novas mídias e tecnologia da informação, cita pesquisa reRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


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cente da consultoria europeia InSites: mais de 80% dos brasileiros acessam algum site de relacionamento. Em média, cada um gerencia três redes distintas. Pode-se dizer que são elas: Facebook e Orkut, que praticamente dividem a preferência nacional, além do Twitter. “Tenho uma hipótese, que compartilho com outros colegas: enquanto o Orkut ainda é uma espécie de rito de passagem, especialmente para novos usuários recém-chegados à rede, o Facebook está ganhando a preferência de internautas que já esgotaram o limite de utilização do então mais popular sistema de redes sociais no Brasil”, avalia o professor. Na opinião de Rosa, é cedo para dizer que o Orkut morreu no país. Em nível mundial, o Facebook é o mais popular, com pouco mais de 750 milhões de usuários cadastrados. “É importante frisar que popularidade não representa utilidade: o Twitter, por exemplo, tem cerca de 200 milhões de usuários. No entanto, enquanto o Facebook se revela um ambiente melhor para conversação, a segunda, o Twitter, espalha a informação de forma mais ágil. Cada site de relacionamento possui características que devem ser observadas e realçadas: isso demonstrará sua importância para seus usuários”, complementa. Esses dados, portanto, deixam claro que a internet, no país, está em franco cres-

No Brasil o número de internautas que acessaram a internet chegou a 43,2 milhões.

cimento, assim como o acesso a mídias sociais. É correto afirmar também que os já inseridos nesse meio dificilmente irão abandoná-lo e quem ainda não entrou, quer participar.

Entendendo as redes

Para André Rosa, as redes sociais podem ser melhor entendidas por meio das conexões entre pessoas. “Não se trata de tecnologia apenas. Todos nós estabelecemos laços com outros indivíduos e esta relação não depende disso: família, colegas de classe, funcionários do escritório, fãs de uma obra artística, ou consumidores de uma marca”. Ele explica ainda que apesar dessa constatação, a expressão se tornou mais popular a partir dos anos 90, com a popularização de outra rede – os computadores – que potencializou a presença dos laços entre usuários por meio de ferramentas, interfaces e sistemas de comunicação mais 49


redes sociais

O usuário deve estar atento, também, para as comunidades de que participa Bruno Barauna

amigáveis. “Assim, mesmo que redes sociais já existam desde sempre, elas se tornaram parte de nosso vocabulário corrente graças aos sites e ferramentas de relacionamento”. Segundo Rosa, as pessoas que frequentam e atualizam sites de relacionamento, o fazem, em sua maioria, por interesses pessoais, normalmente ligados ao entretenimento. Tal observação fica evidenciada, por exemplo, ao constatarmos a popularidade dos social games, notadamente no Facebook. Obviamente, dependendo das intenções dos usuários, é possível encontrar sites de relacionamento voltados a outros fins, como profissionais (LinkedIn), com vocação artística (LastFM para músicas, YouTube para vídeos, Flickr para fotos), crianças (Habbo), aprendizagem de idiomas (LiveMocha), geográficas (Foursquare), ou até mesmo limitada aos amigos mais próximos como o Path. Sem contar as que permitem múltiplas apropriações e intencionalidades como o simples, porém robusto, Twitter.

Foto: Arquivo Pessoal

Todo cuidado é pouco

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O certo é que as redes sociais se transformaram, em pouco tempo, em ferramentas que dão voz aos que outrora eram desconhecidos. “Hoje, não é difícil encontrar alguém que, em um minuto de vídeo no Youtube, já foi visto por milhões de pessoas ao redor do

mundo, ou os que reuniram multidões em um manifesto em prol de uma causa marcando um encontro pelo Facebook”, considera Bruno Diego Barauna. Ele diz ainda que exemplos disso não faltam, e tudo mostra que os usuários/consumidores das redes sociais passaram a ser protagonistas de histórias de grandes mudanças, exercendo influência sobre outras pessoas e levando as organizações, em geral, a adotarem uma nova postura diante da força que esses usuários vêm demonstrando. Se por um lado, o imensurável poder de penetração dessas redes tornam alguém famoso em questão de minutos, pode também “queimar” rapidamente a imagem de uma pessoa. Por isso, deve-se tomar cuidados em relação com o que se escreve e o que se coloca nos perfis das redes. “Antes é preciso saber que as redes sociais sujeitam os usuários às interpretações dos visitantes dos perfis, e que muitas vezes não proporciona o direito de explicar detalhadamente alguns aspectos ou a defesa por conteúdos publicados e mal interpretados”, assevera Bruno. Ele acrescenta que deve-se, por exemplo, evitar a exposição de intimidades pessoais e colocar apenas o essencial com um conteúdo mais genérico, nunca se esquecendo de que para tudo há um limite. “O usuário deve estar atento, também, para as comunidades de que participa. Jamais entrar em comunidades preconceituosas e checar, sempre que possível, todas as comunidades de que participa procurando apagar fotos, vídeos e conversas que já teve na Internet”, esclarece. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


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Negócios na rede

A ideia de rede social começou a ser usada há mais de um século para designar um conjunto complexo de relações entre membros de um sistema social em diferentes dimensões, desde a interpessoal à internacional. Independente da ferramenta, é possível identificar a manifestação das redes sociais a partir de algumas características: possibilidade de criar um perfil (público, privado ou misto) propício para o reforço de uma identidade (seja a de uma pessoa física, jurídica ou de algo que sequer exista); possibilidade de estabelecer laços com outros perfis e apresentar estas conexões a outros usuários; e possibilidade de ter informações compartilhadas nestes sistemas. E destas, por sua vez, serem rastreadas ou espalhadas por conexões estabelecidas a partir da força destes laços (mensurada pelo capital social destes membros) e pela relevância das informações. “Redes sociais são realmente ferramentas adequadas de comunicação, em função, principalmente, do aperfeiçoamento constante das ferramentas”, observa Rosa, e completa: “Cada novo lançamento ou atualização tem por objetivo a presença de novas funcionalidades e interfaces mais amigáveis. Na prática, qualquer usuário com pouca experiência em navegação web consegue perceber não apenas a facilidade com a qual, em poucos cliques, é possível estabelecer relações com pessoas,

As pessoas costumam erroneamente achar que informações postadas em redes sociais são impassíveis de verificações André Rosa

Foto: Wellington Ferreira

Bruno adverte que jamais se deve manifestar insatisfação com a empresa em que trabalha, pois quem faz isso passa para seus superiores a imagem de insegurança e imaturidade. “Também, não dizer na rede o que não diria pessoalmente. É imprescindível saber pesar o que é relevante, importante ou ofensivo para outras pessoas que se encontram na rede social do mesmo jeito que faria no dia a dia. Nada de piadas ofensivas e comentários sarcásticos ou irônicos a outras pessoas!”. Outro aspecto que ele enfatiza é o de falar sempre a verdade. “As pessoas costumam, erroneamente, achar que informações postadas em redes sociais são impassíveis de verificações, o que é uma inverdade”, esclarece e acrescenta que a internet abriu possibilidades para, a um clique, conhecer todo o histórico de uma pessoa. Sendo assim, de tempos em tempos deve-se colocar o nome em um buscador da internet para ver o que outras pessoas andam falando a seu respeito. E dá uma dica para profissionais que utilizam a rede para contatos: nunca descuide da ortografia e da gramática. Bruno explica ainda que a exposição exacerbada de familiares e amigos nas redes sociais podem ser prejudiciais, principalmente quando os perfis estão abertos para o público em geral. É importante classificar quem poderá ver determinado material. “À medida que a pessoa adquire prestígio na sociedade, ou profissionalmente, outros mal intencionados podem se aproveitar de materiais e, editando-os em algum programa, podem vir a denegrir a imagem que foi construída com muito trabalho”, complementa.

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redes sociais marcas, serviços ou produtos”. O fenômeno mundial das redes sociais, segundo Rosa, tornou-se importante para as organizações porque pessoas potencializam conexões por meio das redes com intuito de estreitar o diálogo, e dentro dessa perspectiva, menções a produtos e serviços são inevitáveis. “Claro que uma empresa pode optar por ignorar esse movimento, sem oferecer condições para à criação de conexões. Entetanto, isso significa perder a oportunidade de se relacionar ou até mesmo engajar, aproximar usuários. Mas, ainda que a empresa não se manifeste, os usuários podem, potencialmente, fazê-lo – e especialmente com viés negativo. Dentro das empresas, ferramentas de comunicação mediadas por computador também podem ser apropriadas para organização e compartilhamento de processos e informações, sendo importantes para projetos de gestão do conhecimento. O desafio das organizações neste cenário é formular a melhor estratégia de utilização destas ferramentas”, complementa. Para Bruno, as redes sociais também são muito importantes para qualquer profissional, pois coloca o usuário em contato com milhões de pessoas com interesses ou habilidades semelhantes, ao redor do mundo. “Elas permitem também o crescimento, pela constante atualização de conteúdos que compartilham experiências de outros usuários”, esclarece Bruno. Ele diz ainda que, as empresas, cada vez mais presentes no mundo virtual, passaram a 52

recrutar por meio das redes sociais. “E não é por acaso: as redes reúnem pessoas com certas características esperadas pelas empresas, e as ferramentas de filtro ou sugestões, cada vez mais aprimoradas, vêm facilitando o trabalho de recrutadores, bem como de candidatos neste vasto mercado”. Ele considera que, para divulgar um perfil profissional, hoje em dia três redes sociais são imperativas para se ter um perfil: o Twitter, o Facebook e o LinkedIn. “O LinkedIn, porém, até mesmo pelos propósitos que levaram a criação dessa rede social, assume um papel mais profissional”. Bruno acrescenta ainda que, atualmente, outras redes sociais profissionais mais específicas surgiram, mas o LinkedIn tem sua importância justamente por ser mais abrangente e, por que grandes empresas passaram a utilizá-lo e a recomendar aos profissionais o seu uso. Por outro lado, redes sociais também são importantes para consumidores, pois potencializam diálogos. Os consumidores podem usá-las tanto para recomendar produtos e serviços quanto apropriá-las como, por exemplo, o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC). “Independente do retorno que as empresas podem fazer, o próprio usuário age como um curador, um filtro. Desta forma, torna-se rotina fazer uma busca em sites de relacionamento ou ainda em ambientes voltados para estes fins, como o site Reclame Aqui, antes de decidir uma compra. Ao mesmo tempo, lojas utilizam estas plataformas

para aproximar clientes, por meio de promoções, descontos, entre outras vantagens”, finaliza o professor André Rosa.

Rede social para cientistas tem mais de um milhão de usuários Mais de 1,3 milhão de pesquisadores de diversos países – 35 mil só do Brasil – já se inscreveram na plataforma ResearchGate, uma espécie de Facebook dos cientistas. A proposta da rede social é facilitar a comunicação e a troca de experiências entre pessoas que atuam na mesma área de investigação. Como outras redes, o ResearchGate conta com diversos grupos de discussão, nos quais os membros podem fazer e responder perguntas. Mas, diferentemente de outros sites do gênero, os perfis dos participantes são estruturados como um currículo científico, o que facilita a busca de usuários por área de atuação. Além disso, os pesquisadores podem incluir um índice com suas publicações e um blog pessoal. Um calendário informa os participantes sobre eventos científicos em todo o mundo e uma bolsa de empregos oferece mais de 13 mil vagas nas diversas áreas da ciência.

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Dicas de eventos, filmes, sites e livros

conex o Livros

Construindo o seu

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futuro

eandro Vieira, autor do livro “Seu futuro em Administração”, acha que Administradores são aqueles que realizam os sonhos dos outros, que permitem os gênios, os inventores, os nerds, os cientistas, os inovadores, os empreendedores a tirarem as suas ideias do papel. Quando começou a escrever o livro, Leandro – mestre em Administração, comanda atualmente, o portal Administradores.com e a Revista Administradores – tentou responder a seguinte questão: como seria o livro que eu gostaria de ter lido durante o curso de Administração, mas que nunca tive oportunidade de ler? A resposta é bem simples: um livro prático, repleto de exemplos e que provocasse importantes reflexões sobre o processo de formação e o próprio exercício da profissão de administração. Logo no início do livro, Leandro faz outro questionamento, desta vez ao leitor: Você nasceu para ser Administrador? O problema, diz ele, é que o estudante começa a faculdade e se inscreve em uma série de disciplinas importantes, mas sem relação direta com o escopo principal do curso – Filosofia, Sociologia, Português – e em pouco tempo, entra em crise existencial, achando que fez a escolha errada. “A realidade acadêmica pode ser um banho de água fria, mas isso não quer dizer que você não tenha nascido pra coisa”, defende o autor. Leandro explica que o exercício de qualquer profissão pressupõe o domínio de determinado conjunto de habilidades e ao longo de sua formação, o profissional desenvolverá a maior parte delas como um processo natural. Mas, para tirar maior proveito do curso, é necessário que o aluno esteja ciente de quais características são requisitos para um estudante e futuro profissional de Administração: independência, capacidade de trabalhar com outras pessoas, automotivação, ser organizado, habilidade para trabalhar com incertezas e mudanças. “Estas RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

características são muito valorizadas por empregadores, além de serem essenciais para quem quer estar à frente de um negócio próprio”. Um dos capítulos do livro discorre sobre o tema “Trabalho de Conclusão de Curso”. O autor não pretende ensinar a fazer um trabalho de consclusão de curso, pois já existem diveros livros sobre o assunto. “Quero mostrar como essa fase do curso pode ser transformadora, enriquecedora e, até mesmo, um diferencial para a carreira”, explica Leandro. Além disso, a obra traz informações preciosas sobre os cursos de pós-graduação e as opções de carreira para o profissional de Administração.

Seu futuro em Administração Leandro Vieira Editora Elsevier, 2012

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conex o Prática na Teoria Raul Marinho Editora Saraiva O foco da obra trata não da parte matemática da teoria dos jogos, e sim, em especial, da dinâmica dos relacionamentos e da mecânica da cooperação, ou seja, é muito mais prática do que teoria. O texto é sobre a prática das atividades de comprar e vender, contratar e ser contratado, liderar e ser liderado, negociar, conceder e aceitar acordos, enfim, os diferentes aspectos do relacionamento econômico.

Por que executivos inteligentes falham Sydney Finkelstein M.Books “Por que executivos inteligentes falham” revelam que isso acontece quando são obrigados a tomar decisões e principalmente liderar pessoas. Quando os erros ocorrem, as razões, justificativas e até desculpas foram as mesmas: problemas na tomada de decisões e liderança, mostra uma análise perspicaz que separa o êxito do fracasso.

Comunicação Intrapessoal & Interpessoal Clovis Rosa Nery Baraúna O livro apresenta uma abordagem teórica e prática da comunicação formal e informal entre indivíduos e organizações, inclusive sobre seus aspectos psicológicos e questões que afetam a liderança. As abordagens apresentadas são feitas com clareza e objetividade e numa linguagem acessível a todos.

Marketing com Valor Agregado A Próxima Evolução do Marketing Bob Gilbreath M.Books

Neste livro o autor revela uma nova abordagem revolucionária que preenche as lacunas deixadas quando as pessoas começaram a dar atenção à mídia tradicional. A obra mostra como agregar valor ao marketing praticado pelas empresas, proporcionando aos seus clientes benefícios e satisfações já na recepção e absorção das mensagens.

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Filmes

Poder e cobiça W

all Street, filme de 1985 que no Brasil ganhou o subtítulo de “Poder e cobiça”, conta a história de Gordon Gekko – estrelado por Michael Douglas, oscar de melhor ator pela sua interpretação – um ambicioso e inescrupuloso homem de negócios que ficou bilionário apostando na Bolsa de Valores e seu “pupilo” Bud Fox (Charlie Sheen), jovem ambicioso corretor que trabalha no mercado de ações. Sob a liderança de Gekko, Bub rejeita qualquer escrúpulo, ética e meios lícitos, e com isso obtém sucesso, o que faz mudar seu padrão de vida. Gekko pagou o preço por suas fraudes e acabou preso, servindo de exemplo para os capitalistas que transitam nas bolsas de valores de Nova York. Em 2010, Oliver Stone dirigiu a sequencia, desta vez com o título em português,” Wall Street: o dinheiro não para”, com muita atenção aos detalhes, fazendo ligações diretas ao primeiro filme, o que pode ser observado já na abertura dos créditos. Michael Douglas volta ao papel de Gordon Gekko, depois que o personagem cumpre a pena de prisão de 23 anos e tenta regressar às altas finanças da bolsa de valores. A sequência não consegue repetir o êxito total do primeiro, mas funciona. Com uma trama elaborada, que traz a bolha financeira como tema importante, o filme deixa bem claro que sempre tem alguém ganhando dinheiro, mesmo nas piores crises. Mas o lado financeiro é apenas uma das facetas da película. Desta vez, Oliver Stone, mostra mais o lado pessoal dos personagens, desenvolve relações afetivas e tenta provar que até mesmo os frios profissionais de Wall Street tem coração.

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

www. abrhnacional.org.br Entidade não governamental sem fins lucrativos, a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) conta hoje com 23 seccionais, desvinculadas juridicamente e independentes, integradas na missão de promover o desenvolvimento dos profissionais de RH e gestores de pessoas, por meio de eventos, pesquisas e troca de experiências, e de colaborar com os poderes públicos e demais entidades nos assuntos referentes à sua área de atuação. nube.com.br Tendo como objetivo realizar a integração de estudantes, empresas e insituições de ensino, o Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), define como principal meta, selecionar e qualificar estudantes para integrá-los aos programas de estágios e aprendiz, oferecidos pelas empresas. Este site informa que o Núcleo firmou convênio com cerca de 12 mil instituições de ensino de todo o Brasil e conta com cinco mil empresas clientes que são atendidas por um amplo e moderno call center. portal.inep.gov.br De acordo com o site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e a sua missão é promover estudos, pesquisas e avaliações sobre o Sistema Educacional Brasileiro com o objetivo de subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas para a área educacional, a partir de parâmetros de qualidade e equidade, bem como produzir informações claras e confiáveis aos gestores, pesquisadores, educadores e público em geral. Neste site você encontra informações sobre o Censo Escolar, Censo Superior, Avaliação dos Cursos de Graduação, dentre outros dados estatísticos.

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administração

Por João Humberto de Azevedo

Terceirização

Foto: Shutterstock

no Setor Público

Uma relação de trabalho que cresceu significativamente a partir das reformas administrativas empreendidas para modernizar a estrutura do Estado brasileiro.

S “

urgida no Japão, depois da Segunda Guerra Mundial, quando as empresas daquele país, no afã de reconstruir seu parque industrial, colocaram em prática métodos de produção desenvolvidos pela indústria bélica, visando otimizar processos, reduzir custos e diminuir o tempo

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de produção, a prática da terceirização permitiu a criação de um modelo de produção denominado Toyotismo, idealizado por Taiichi Ohno e adotado nas fábricas da montadora de automóvel Toyota”, explica Ricardo Alexandre Sampaio, diretor de Produtos da Zênite, empresa especializada nas áreas de contratação pública

e de regime de pessoal. Para ele, a principal característica da terceirização baseia-se na flexibilização da produção. Rapidamente, esse modelo baseado na flexibilização da cadeia produtiva passou a apresentar bons resultados, com a redução das estruturas corporativas, a especialização de atividades, a diminuição dos espaços RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


destinados para unidades produtivas, o desenvolvimento de processos logísticos mais ágeis (Just in time, Kanban etc.), a redução de custos administrativos e operacionais, além do aumento da qualidade dos produtos finais. O Relatório Técnico “O processo de terceirização e seus efeitos sobre os trabalhadores no Brasil”, publicado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), conceitua terceirização como o processo pelo qual uma empresa deixa de executar uma ou mais atividades realizadas por trabalhadores diretamente contratados e as transfere para outra empresa. O Relatório diz que o termo terceirização usado no Brasil não é uma tradução, mas o equivalente ao inglês outsourcing, cujo significado literal é fornecimento vindo de fora.

Administração pública

“Os resultados positivos obtidos pela iniciativa privada também despertaram o interesse da Administração Pública por esse instituto e, com o advento do Decreto-Lei nº 200/1967, a terceirização das atividades acessórias foi estabelecida como diretriz para os órgãos e entidades federais”, conta Ricardo Sampaio. Essa norma tem como objetivo repassar a terceiros a execução de atividades acessórias envolvidas nos processos administrativos, permitindo à Administração concentrar seus recursos humanos, materiais e financeiros na execução de suas atividades finalísticas e institucionais, as quais envolvem ações de planejamento, coordenação, supervisão e controle. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

O diretor da Zênite dá um exemplo de benefício da terceirização: redução dos custos diretos e indiretos com pessoal, uma vez que os valores pagos aos servidores são, em geral, superiores àqueles praticados na iniciativa privada. Marcelo Costa Mascaro Nascimento, Sócio Diretor do escritório Mascaro Nascimento Advogados, corrobora as explicações de Sampaio e acrescenta que a terceirização no setor público cresceu, significativamente, a partir das reformas administrativas empreendidas para modernizar a estrutura do Estado brasileiro. “Com o intuito de racionalizar mais a administração do bem público, passou-se a terceirizar algumas atividades importantes, descentralizando os níveis de gestão e de prestação de serviços públicos”, ressalta. Ainda que a terceirização tenha sido estabelecida como diretriz para os órgãos e as entidades da Administração Pública Federal já em 1967, somente na década de 90, na gestão do Presidente Fernando Henrique Cardoso, passou a ser amplamente adotada no setor público. “Nesse período de influências neoliberais, a reforma administrativa constou da agenda positiva, passando a ser um dos objetivos daquele governo. No bojo dessa reforma, inseria-se, entre os seus principais vetores, a diminuição da estrutura administrativa, levada a cabo pela adoção maciça do instituto da terceirização”, relembra Sampaio. Para Mascaro, a terceirização é sempre de serviços, nunca de empregados. Ele lembra que está vedada a contratação de mão de obra por empresa interposta, como uma regra geral. Exceção a isso é o trabalho tem-

porário. Em particular, Mascaro destaca que a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego.

Na década de 90, a terceirização passou a ser amplamente adotada no Brasil como mais um instrumento de gestão.

Marco Regulatório

Para Sampaio, a falta de um marco legal próprio para a regulamentação da terceirização no Brasil fez com que inúmeras discussões e teses em torno da sua legalidade, especialmente no âmbito das contratações públicas, fossem estabelecidas. “Vertentes apoiadas em concepções ideológicas, na aplicação de critérios eminentemente relacionados com a dignidade dos trabalhadores e na impossibilidade 57


administração de precarização das relações de trabalho são apresentadas para justificar a legalidade ou a ilegalidade da terceirização pela Administração Pública”, assevera. E vai mais longe em suas críticas: “A insegurança jurídica em relação à legalidade da terceirização não se restringia apenas à sua aplicação nas contratações públicas”, esclarece. Gradativamente, os órgãos de controle da Administração Pública, a exemplo do Tribunal de Contas da União (TCU), passaram a incorporar o entendimento consolidado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e se incumbiram de ocupar a lacuna formada pela falta de uma lei específica, firmando a conclusão de que a terceirização pela Administração Pública somente é admitida para contratar serviços relacionados à atividademeio do órgão ou da entidade, e desde que as atividades contratadas não estejam previstas entre as atribuições dos servidores que integram o quadro de pessoal do tomador. ”As razões que justificam esse entendimento são simples: não se admite a terceirização de atividades previstas entre as atribuições dos cargos e empregos que compõem o quadro de pessoal do órgão contratante, porque isso representaria burla ao dever constitucional que impõe o provimento dos quadros administrativos por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos. Assim, não se admite a terceirização de atividades finalísticas, compreendidas como as que constituem a missão institucional do órgão ou entidade, ou, ainda, que impliquem limitação do exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público, 58

exercício do poder de polícia ou manifestação da vontade do Estado pela emanação de atos administrativos. Isso porque tais atividades são próprias de Estado e não podem ser delegadas a terceiros estranhos ao aparato administrativo, sob pena de configurar a disponibilidade do interesse público, que, por excelência, é indisponível. “Com base nisso, os órgãos de controle indicam como limite para a terceirização pela Administração Pública a celebração de contratos administrativos, regidos pela Lei nº 8.666/93, tendo como objeto a execução de serviços que apoiam a realização das atividades essenciais ao cumprimento da missão institucional do órgão ou da entidade contratante e, como dito, desde que essas atividades não sejam inerentes às categorias funcionais abrangidas pelos seus planos de cargos. Mascaro considera que há uma polêmica em torno das atividades passíveis de terceirização no setor público. Isso porque a Lei das Licitações não restringe a tercerização de atividades-fim no âmbito da administração pública. “No entanto, tramita em fase conclusiva um projeto de lei alterando a legislação para vedar esse tipo de terceirização de atividades-fim do setor público”, complementa.

Serviços e mão de obra

A terceirização de serviços na Administração Pública deve ser entendida como o repasse da execução de atividades acessórias e complementares à missão institucional do tomador para terceiros, mediante a celebração de contratos de prestação de serviços.

Isso faz com que não se admita a caracterização do objeto dos contratos de terceirização como fornecimento de mão de obra. “Por esse motivo, no âmbito da Administração Pública, não se confunde terceirização de serviços com contratação de mão de obra. São institutos autônomos e disciplinados por regimes jurídicos distintos”, afirma Sampaio. Esse panorama permite distinguir, para efeito de terceirização pela Administração Pública, a cessão da locação de mão de obra. “A locação de mão de obra configura a realização de um contrato de trabalho temporário, regido por lei específica a ser editada no âmbito de cada ente da Federação”, assegura Sampaio. E a locação de mão de obra aplicada nas relações celetistas exige a interposição de empresa agenciadora, daí porque formam-se vínculos jurídicos distintos, um de natureza civil-administrativa e o outro de natureza trabalhista. Nesse regime, sem desfigurar os polos do contrato de trabalho, a empresa de trabalho temporário delega à Administração contratante o poder de comando sobre o trabalhador temporário. A cessão de mão de obra, sob o enfoque do Direito do Trabalho, caracteriza-se, na verdade, pela contratação de uma terceira empresa que, por meio de sua estrutura e de seu pessoal, prestará um serviço para a contratante. Em geral, poderá ser objeto de execução indireta por meio da celebração de contratos administrativos de prestação de serviços tais como atividades de conservação, limpeza, segurança, vigilância, transportes, informática, copeiragem, recepção, RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


reprografia, telecomunicações e manutenção de prédios, equipamentos e instalações, dentre outros menos recorrentes. “É dever da Administração fiscalizar e exigir das empresas contratadas o cumprimento integral de suas obrigações trabalhistas, sob pena, inclusive, de a Administração responder subsidiariamente no caso de inadimplemento dessas obrigações pelas contratadas”, ressalta Sampaio. Para ele, esse talvez seja um dos temas mais complexos envolvendo a terceirização. “Primeiro porque, como dito, a Justiça do Trabalho não reconhece a formação de vínculo de emprego entre a Administração e os empregados das empresas terceirizadas, mas mesmo assim impõe àquela o dever de arcar com cumprimento de ônus que incidem originariamente sobre o empregador”. Sampaio, adverte ainda que: “Algumas medidas devem ser tomadas que, minimamente, preservam a Administração tomadora dos serviços no caso de eventual inadimplência da empresa contratada no cumprimento de suas obrigações trabalhistas”.E acrescenta que “outro aspecto da maior relevância para assegurar a licitude da terceirização é zelar para que, na dinâmica da prestação de serviços que se dará dentro do estabelecimento da tomadora, não haja nem ordens diretas e subordinativas, por parte de seus prepostos, dirigidas para os empregados das empresas prestadoras”. Sampaio considera que o cenário da terceirização na Administração Pública não é dos mais simples, mas ele acha que não há dúvidas de que RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

Foto: Arquivo Pessoal

Cenário complexo

este modelo pode se tornar um instrumento de gestão inteligente e positivo, capaz de potencializar a eficiência dos serviços públicos, desde que utilizado dentro dos limites impostos para sua aplicação.

A terceirização no setor público é admitida apenas para contratar serviços relacionados à atividade meio. Marcelo Mascaro

Para Mascaro, as vantagens e desvantagens do modelo de terceirização brasileiro depende da perspectiva que ele é visto: empregado ou empregador. Pelo lado dos empregados e de seus sindicatos profissionais, a terceirização é comumente considerada como um modo de precarização de direitos trabalhistas e barateamento da mão de obra. “A mais contundente crítica dirigida a essa forma de subcontratação é a de que os empregados terceirizados não têm os mesmos benefícios e condições de trabalho que os empregados diretos da tomadora do serviço”, explica Mascaro. Sob a perspectiva dos empregadores e de suas associações patronais, segundo Mascaro, trata-se apenas de uma estratégia de gestão que busca suprir a necessidade de serviços especializados, que ocupam em demasiado a rotina administrativa das empresas. Não se constitui, assim, em um expediente de fraude de direitos trabalhistas, mas uma importante modalidade de contratação, que se tornou inerente à realidade econômica moderna, já que uma empresa não pode exercer diretamente atividades que não sejam sua especialidade, sob pena de perda de competividade e de eficiência. “Toda e qualquer empresa, para realizar sua atividade comercial e expandir seus negócios, conta com o auxílio de diversos contratos, de emprego ou não, como, também, com os contratos de mera colaboração empresarial de agentes auxiliares da produção e do comércio. Daí a terceirização ser um dado e ser amplamente difundida na economia brasileira”, finaliza. 59


CFA/CRAs

Por Ana Gonçalves

Patrono dos Administradores brasileiros

C

Foto: Wellington Nascimento

onheça um pouco mais da história do mineiro Belmiro Siqueira e sua luta incansável para promover a valorização da profissão A história da Administração no Brasil está intimamente ligada ao professor e Adm. Belmiro Siqueira. Mineiro, nas-

cido em 22 de outubro de 1921, na cidade de Ubá, atuou, grande parte de sua vida, no serviço público e entrou para a história por conta da sua luta em prol da valorização da Administração. Funcionário de carreira federal, foi assessor e consultor de vários governos, tendo sido, também, em 1966, diretor da Escola de Serviço Público do então Estado da Guanabara. No Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), ocupou vários cargos – dentre eles, o de diretor geral, nos anos de 1967 e 1968. Além disso, Belmiro foi professor em diversas faculdades e colunista de alguns jornais. Em 1977, foi eleito conselheiro no Conselho Federal de Administração (CFA) e, assim que assumiu, foi elevado ao cargo de vice-presidente. Na autarquia, Belmiro trabalhou pela afirmação da existência e fixação da profis-

são de administrador de empresas no macro sistema sócio, jurídico e econômico nacional. Nesse período, participou da criação dos Conselhos Regionais, nas diversas capitais do país, e ajudou a iniciar um novo tempo de desenvolvimento e aperfeiçoamento da Administração como ciência e profissão. Belmiro Siqueira faleceu em 1986, em Porto Velho-RO, atuando como Presidente do CFA. Sua dedicação à Administração e sua brilhante contribuição para a categoria o consagraram como Patrono dos Administradores, título que lhe foi outorgado post-mortem em 1988. No mesmo ano, o CFA instituiu o Prêmio Belmiro Siqueira de Administração, cujo objetivo é valorizar e divulgar a produção acadêmica, a fim de contribuir para o desenvolvimento da profissão e da Ciência da Administração no Brasil.

CFA e Angrad homenageiam Wollinger

Professor Paulo Wollinger

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O professor e ex-diretor de Regulamentação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Paulo Roberto Wollinger, foi homenageado pelo Conselho Federal de Administração (CFA) e pela Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad). O evento aconteceu no dia 8 de dezembro, durante a reunião plenária da autarquia. À época em que era diretor de Regulamentação e Supervisão da Educação Superior do MEC, Paulo Wollinger contribuiu muito para o processo de avanço do ensino de Administração. Wollinger agradeceu a homenagem e disse que tem muito orgulho de ter feito muitos amigos no Sistema CFA/CRAs e na Angrad. Para ele, a Administração é o maior curso do país e o fato de o Sistema ter aceitado o desafio de se abrir para o novo, a fim de buscar a qualidade do ensino da Administração com lucidez, é um passo muito importância para a profissão e a melhoria do ensino.

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


Foto: Ednilson Mendes

Vencedores do Prêmio Belmiro Siqueira 2011

Comitê de julgamento do Prêmio Belmiro Siqueira

Divulgar e promover a valorização dos estudos realizados por Administradores e estudantes dos cursos de bacharelado em Administração que contribuam para o desenvolvimento da profissão e da ciência da Administração no Brasil é o principal objetivo do Prêmio Belmiro Siqueira de Administração. Na edição deste ano, a premiação concedida pelo Conselho Federal de Administração (CFA) recebeu a inscrição de 12 trabalhos, sendo cinco na modalidade “Livro”, cinco na modalidade “Artigo Acadêmico” e dois na modalidade “Empresa Cidadã”. O Comitê, presidido pelo vice-presidente do CFA, Adm. Marcos Lael de Oliveira Alexandre, contou com a presença do Conselheiro Federal e vice-diretor da Câmara de Desenvolvimento Institucional do CFA, Adm. Adelmo Santos Porto; do mestre em Engenharia de ProduRBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

ção pela UFPE, Adm. Gustavo Breno Bandeira Galindo; e da professora titular da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Administração da Escola Brasileira de Administração Pública e Empresas (EBAPE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV/ RJ), Débora Moraes Zouain. Apesar da ausência, a Conselheira Federal e vice-diretora da Câmara de Formação Profissional do CFA, Adm. Ana Mônica Beltrão da Silva, apresentou suas avaliações, já que também compõe o Comitê. Após um amplo debate e avaliação dos trabalhos, o Comitê escolheu os vencedores do Prêmio Belmiro Siqueira de Administração – versão 2011. Na modalidade “Artigo Acadêmico”, dois trabalhos foram premiados. Já na modalidade “Livro”, um escrito foi agraciado com o prêmio e uma empresa premiada na

modalidade “Empresa Cidadã” (veja no quadro na página seguinte). Além disso, o Comitê apresentou muitas sugestões para o Prêmio Belmiro Siqueira de Administração. Uma das propostas é permitir a participação dos alunos matriculados em Cursos Superiores de Tecnologia em áreas da Administração. Na modalidade “Livro”, foi sugerido que o CFA aceite o e-book, com as mesmas exigências criadas para a versão impressa. Todas as sugestões apresentadas serão avaliadas e, se aprovadas, serão implementadas na edição 2012 da premiação. A edição 2011 da premiação ofereceu prêmios em dinheiro aos vencedores, além de certificados e troféus, dependendo da modalidade e da classificação alcançada. Confira, a seguir, a relação dos vencedores: 61


CFA/CRAs Vencedor Modalidade Artigo Acadêmico Ordem

Indicação

Título/Nomes dos autores

CRA-RJ

Título: ”A Dimensão Ambiental da Administração de Micro e Pequenas Empresas – O caso do APL de moda íntima de Nova Friburgo e Região”. Autora: Luciene Nascimento de Almeida

CRA-GO

Título: “Uma Análise Teórica de Pequenas e Médias Empresas a Partir de uma Visão Sustentável”. Autora: Denise Santos de Oliveira

Vencedor Modalidade Livro Indicação

Título/Nome do autor

CRA-RJ

Título: “Gestão de Programas de Remuneração: Conceitos, Aplicações e Reflexões: Visão Generalizada dos Programas de Aplicações”. Autor: Marcelino Tadeu de Assis

Vencedora Modalidade Empresa Cidadã Indicação Empresa vencedora CRA-MG

Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A – USIMINAS

Foto: Arquivo Pessoal

Mais um aliado no Congresso Nacional

Deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS)

O CFA recebeu visita do Deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS) no último dia 8 de dezembro. O parlamentar foi recebido no plenário da autarquia pelo presidente e pelos Conselheiros Federais do Conselho. O presidente do CFA, Adm. Sebastião Luiz de Mello deu boas vindas e agradeceu ao Deputado. “Nos conhecemos dias atrás, quando o visitamos na 62

Câmara dos Deputados para pedir apoio a à Emenda nº 4 ao Projeto de Lei nº 2203, de 2011, e fomos muito bem recepcionados”, disse Sebastião Mello. Em sua fala, o Deputado ressaltou a importância dos Administradores para o país. Ele cumprimentou a todos e parabenizou o coordenador da Comissão Especial Mista de Acompanhamento Parlamentar e Conselheiro Federal do CFA, Adm. Rui Ribeiro de Araújo. Para ele, três segmentos são importantes para o desenvolvimento do país, entre eles a Administração. “É preciso lutar por mais isonomia para a categoria”, defendeu. Ronaldo Nogueira prometeu apoiar os pleitos requeridos pelos Administradores, entre eles a Emenda nº 4 do PL nº 2203. O parlamentar solicitou, ainda, que os Administradores proponham projetos de lei para a categoria. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


Teste do bimestre

qu!z

Foto: Dreamstock

Qual o seu

estilo de liderança?

A

liderança é um talento fundamental em qualquer organização – seja ela pública ou privada – e o que está plenamente demonstrado é que essa aptidão especial pode ser aprendida. Assim, habilidades voltadas para chefiar, comandar ou orientar grupos de pessoas em qualquer tipo de ação ou linha de ideia podem ser assimiladas e desenvolvidas para quem pretende se tornar um verdadeiro líder. Mas, liderança, envolve diferentes características e estilos. Com respeito à concentração de poder, Rensis Liekert – autor do livro New Patterns of Manegement – aponta três tipos de liderança: autocrática, aquela própria de quem dá ordens e espera a obediência, é dogmático e positivo, e lidera por meio de habilidades de reter ou oferecer recompensas e punições; democrática, própria de quem consulta os subordinados a respeito de ações e decisões propostas, além de encorajar a participação deles; e liberal, inerente a quem utiliza muito pouco o seu poder, se é que utiliza, dando aos subordinados um alto grau de independência em suas operações. Na maioria das vezes, o julgamento das qualidades de um líder se faz com base em resultados, na motivação que cria em seus subordinados. Em qual destes três padrões de liderança você se enquadra? Faça o teste, vamos descobrir. Leia com atenção as questões e assinale o comportamento que você adotaria se estivesse à frente de um grupo. 1. O desempenho e as relações interpessoais do grupo têm sido bastante satisfatórios e você costuma deixar os seus subordinados à vontade para resolver os problemas. Como você reageria se a equipe não conseguisse solucionar um desses problemas? a. ( ) Agiria com rapidez e firmeza para mudar o curso dos acontecimentos. b. ( ) Envolveria os subordinados no problema e participaria da solução com eles. c. ( ) Deixaria por conta dos subordinados. 2. Qual seu comportamento mais provável em uma reunião com a equipe de trabalho para determinar as metas de produção e vendas para o próximo exercício? a. ( )Determinaria claramente as tarefas para cada um dos participantes. b. ( ) Deixaria a divisão do trabalho a critério de cada participante. RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

c. ( ) Deixaria que a equipe se reunisse e dividisse as tarefas de cada um dos participantes. 3. A equipe que você comanda vem reduzindo a produtividade nos últimos meses. Ninguém tem se preocupado muito em cumprir suas metas. É necessário “cobrar” do pessoal para que suas tarefas sejam executadas dentro dos prazos. Como você faria isso? a. ( ) Definiria imediatamente sanções para quem não cumprisse os prazos determinados. b. ( ) Aproveitaria as sugestões do grupo, mas me certificaria de que os objetivos seriam atingidos. c. ( ) Permitiria que o grupo participasse da fixação das próprias metas. Não exerceria pressão. 4. O que você faria se um dos membros do grupo que você lidera precisasse realizar um trabalho difícil e complexo? 63


qu!z a. ( ) Definiria com clareza o método e o tempo necessário para a sua realização. b. ( ) Daria orientação geral ao funcionário, mas deixaria a seu critério a definição do processo a ser utilizado e do tempo necessário para executar a tarefa. c. ( ) Não interferiria, ao contrário, daria plena liberdade ao funcionário para que ele agisse como julgar melhor. 5. Você foi sempre cordial e preocupado com o bem-estar da equipe que dirige, a qual vinha apresentando alto nível de produtividade. De repente, eles deixaram de reagir favoravelmente à maneira como você os trata, e a produtividade passa a cair rapidamente, qual a atitude que você tomaria? a. ( ) Insistiria na padronização das rotinas e na necesidade de execução das tarefas. b. ( ) Discutiria com os membros do grupo e depois estabeleceria as metas. c. ( ) Decidiria não intervir.

a. ( ) Seria bem objetivo e prático, avaliando fatos e não pessoas. b. ( ) Trataria a questão de forma bastante pessoal, acreditando que isso motiva a equipe de trabalho. c. ( ) Faria comentários espontâneos e com pouca frequência sobre desempenho da equipe. 9. O executivo a quem você sucedeu era excessivamente rígido e autoritário e seus subordinados vinham mantendo bons padrões de desempenho. Você deseja preservar o mesmo nível de produtividade, mas também deseja tornar o ambiente mais humano. Como você faria isso? a. ( ) Decidiria não interferir. b. ( ) Faria o grupo participar dos problemas, mas me certificaria de que os objetivos seriam atingidos. c. ( ) Mostraria aos meus subordinados que eu os valorizo e conto com eles.

6. Como você designaria equipes de trabalho para realizar determinadas tarefas, como planejamento e operacionalização de uma promoção de vendas, por exemplo? a. ( ) Definiria os componentes de cada equipe, nome por nome, já que a escolha sempre deve ser feita pelo líder. b. ( ) Acharia que deveria participar das decisões do grupo, mas sem impor minhas ideias e escolhas. c. ( ) Deixaria que os membros do grupo a liberdade de trabalhar com os companheiros que escolhessem.

10. Qual o comportamento que você acha mais correto no relacionamento com a equipe de trabalho? a. ( ) Permanecer distante da participação ativa da equipe, pois muita intimidade com os funcionários pode influenciar o rendimento. b. ( ) Como líder da equipe, não posso deixar de opinar e discutir detalhadamente cada questão que surgir. c. ( ) Não tentar avaliar ou controlar as atividades dos funcionários, pois a interferência do chefe pode comprometer o rendimento do trabalho.

7. Sua equipe propôs introduzir mudanças na rotina de trabalho. Eles vêm mantendo bons padrões de eficiência e são sensíveis às necessidades de mudança. Qual a sua reação mais provável à proposta de mudança? a. ( ) Determinaria se iria haver mudança ou não e a forma como seria executada. b. ( ) Aproveitaria a sugestão da equipe, mas você é quem autorizaria a mudança, c. ( ) Permitiria que a equipe introduzisse as mudanças e não exerceria nenhum tipo de pressão. 8. Geralmente, como você se comportaria na hora de criticar ou elogiar os integrandes das equipes de trabalho?

11. Você sente uma certa insegurança em relação a sua equipe e acha que o que está faltando é uma atitude mais diretiva de sua parte. Entretanto, a produtividade do grupo é boa, mas o relacionamento entre os participantes não é totalmente satisfatória. Como você agiria nessa situação? a. ( ) Tomaria providências para que a equipe se mantivesse dentro de normas bem definidas. b. ( ) Discutiria a situação com a equipe e depois providenciaria as mudanças que fossem necessárias. c. ( ) Deixaria que a própria equipe se encarregasse de seus próprios problemas.

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RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012


12. Como um gerente deve se comportar em relação à sua equipe de trabalho? a. ( ) Como líder do grupo, um gerente precisa dar ordens diretas a seus subordinados para que o trabalho seja bem feito. b. ( ) Um gerente, se pretende ser um verdadeiro líder, não deve dar ordens aos funcionários, mas orientar a sua equipe. c. ( ) Deve interferir o mínimo possível. Em uma equipe de trabalho cada um deve saber o que fazer. 13. Caso a sua equipe – em geral apta a assumir responsabilidades – não estivesse reagindo bem aos novos padrões de desempenho que você estabeleceu recentemente, como você agiria? a) ( ) Permitiria que a equipe determinasse os seus próprios padrões de desempenho e não exerceria nenhum tipo de pressão. b) ( ) Insistiria nos novos padrões já estabelecidos e supervisionaria rigorosamente o desempenho do grupo. c) ( ) Evitaria confrontos, não exerceria pressão e aguardaria o desenrolar dos acontecimentos. 14. Nas reuniões com a equipe, qual a frase que você escolheria para encerrar os trabalhos? a. ( ) “O que importa na nossa organização é a produtividade e o volume de trabalho realizado”. b. ( ) “A maior qualidade de uma equipe é a motivação para o trabalho”. c. ( ) “O importante não é a produtividade, mas a cordialidade entre os funcionários”. 15. Você tem de tomar decisão sobre um determinado dia para realizar reunião a fim de definir metas para o próximo exercício. Ouviu dizer que a

maioria prefere que ela se realize na quarta-feira, mas está convencido de que a quinta-feira seria preferível para todos. Como você agiria? a) ( ) Decidiria sozinho o melhor dia da reunião, pois acredita que este é verdadeiro papel do líder. b) ( ) Colocaria o assunto em votação em vez de decidir sozinho. c) ( ) Deixaria que o grupo resolvesse sem a sua interferência. 16. Em qual descrição abaixo você mais se enquadra? a. ( ) Exerço um nível elevado de poder sobre os membros de minha equipe de trabalho. Não costumo dar muitas oportunidades para apresentar sugestões, pois considero isso sinal de fraqueza do líder. b. ( ) Ao definir metas, objetivos e estratégias permito que a equipe apresente sua opinião, estimulo a discussão e, em conjunto, definimos o melhor caminho a seguir. c. ( ) Prefiro dar total independência à equipe para definir metas, objetivos e estratégias, pois tenho plena confiança na experiência e no espírito de iniciativa do grupo. 17. Qual a forma de definir tarefas e responsabilidades que você geralmente utiliza? a) ( ) Determino com clareza tarefas e responsabilidades a cada membro do grupo, pois acredito que assim eles serão mais produtivos e apresentarão melhores resultados. b) ( ) Deixo a definição de tarefas e responsabilidades a cargo do grupo, assim eles se comprometem mais com os resultados. c) ( ) Os membros do grupo são livres para definir tarefas e responsabilidades, pois confio plenamente em suas decisões.

Avaliação Quem escolheu a alternativa “a” em mais de 10 questões provavelmente é um lider autocrático, autoritário. Quem preferiu a alternativa “b” na maioria das questões é, provavelmente, um líder democrático. Quem marcou “c” na maioria das questões caracteriza-se como um lider liberal, laissez-faire, ou seja, que deixa acontecer. Confira, a seguir, as características de cada um desses estilos de liderança: Líder autocrático – É o tipo de lider focado apenas nas tarefas. Mandão e ditatorial, não importa em saber o que pensam seus subordinados. Neste tipo de liderança – também chamado de liderança autoritária ou diretiva – o líder toma decisões individuais, desconsiderando a opinião dos liderados; determina as providências e as técnicas para a execução das tarefas, além de determinar qual o seu companheiro de trabalho. Este tipo de líder guarda distância do grupo e evita, sempre que possível, reuniões com sua equipe. Prefere dar ordens e, talvez por isso, cerca-se de elementos que aceitam e acatam suas deliberações. É dominador e pessoal nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro da equipe que lidera. Dá um bom impulso à equipe, mas, em compensação, não cria um grupo de bom nível e nem permite que surja um eventual substituto Líder democrático – Conhecido também como participativo ou consultivo, este tipo de líder atua de forma que permite que o grupo delibere e decida, permanecendo como mero controlador da execução do trabalho. Voltado para as pessoas e para a participação dos liderados no processo decisório, o líder democrático promove e estimula o debate em grupo. Nas reuniões, o próprio grupo esboça as providências para atingir o alvo, solicitando aconselhamento técnico ao líder quando necessário, passando este a sugerir alternativas para o grupo escolher. As tarefas ganham novas perspectivas com o debate, e sua divisão fica a critério do próprio grupo e cada membro pode escolher os seus próprios companheiros de trabalho. O líder procura ser um membro normal do grupo. O lider democrático deixa que o grupo delibere, guardando para sí a decisão final. Gosta de delegar responsabilidades e permite, dentro de certos limites, o surgimento de correntes com posições contrárias. Ele é objetivo e limita-se aos fatos nas suas críticas e elogios. Líder liberal – Também conhecido como laissez faire – expressão em lingua francesa que significa literalmente “deixar fazer, deixar passar” – este tipo de líderança deixa as pessoas com mais liberdade na execução dos seus projetos, indicando possivelmente uma equipe madura, auto dirigida e que não necessita de supervisão constante. Este tipo de líder permite que o grupo delibere e decida as principais questões, permanecendo como mero controlador. É um tipo de liderança que só dá bons resultados quando envolve uma equipe de trabalho altamente qualificada, responsável e de nível homogêneo. Mas isso pode indicar também uma liderança negligente e fraca, na qual o líder deixa passar falhas e erros sem corrigi-los.

RBA • Janeiro/Fevereiro de 2012

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CONSELHO FEDERAL DE ADMINISTRAÇÃO – CFA

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CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO NORTE (CRA-RN) Presidente:Adm. IONE MACÊDO DE MEDEIROS SALEM Rua Coronel Auriz Coelho nº 471 - Lagoa Nova - 59075-050 - NATAL/RN Fone: (84) 3234-6672/9328 - Fax: (84) 3234-6672/9328 E-mail: cra-rn@crarn.com.br - Home Page: www.crarn.com.br Horário de funcionamento: das 12 horas às 18 horas

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CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO RIO GRANDE DO SUL (CRA-RS) Presidente:Adm. CLÁUDIA DE SALLES STADTLOBER Rua Marcílio Dias nº 1030 - Menino Deus - 90130-000 - PORTO ALEGRE/RS Fone: (51) 3014-4700/3014-4769 - Fax: (51) 3233-3006 E-mail: diretoria@crars.org.br; secretaria@crars.org.br - Home Page: www.crars.org.br Horário de funcionamento: das 8h30min às 17h30min

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO ESPIRITO SANTO (CRA-ES) Presidente:Adm. MARCOS FELIX LOUREIRO Rua Aluysio Simões, 172 - Bento Ferreira - 29050-632 - VITÓRIA/ES Fone: (27) 2121-0500 - Fax: (27) 2121-0539 E-mail: craes@craes.org.br - Home Page: www.craes.org.br Horário de funcionamento: das 8:30 horas às 17:30 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RONDÔNIA (CRA-RO) Presidente:Adm. EVA DA SILVA ALBUQUERQUE Rua Tenreiro Aranha nº 2.978 - Olaria - 78902-050 - PORTO VELHO/RO Fone: (69) 3221-5099/3224-1706 - Fax: (69) 3221-2314 E-mail: presidencia@craro.org.br - Home Page: www.craro.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 17 horas/Atend. Público 08 horas às 14 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE GOIÁS (CRA-GO) Presidente: Adm. JOÃO DIVINO DE BRITO Rua 1.137, Nº 229, Setor Marista - 74180-160 - GOIÂNIA/GO Fone: (62) 3230-4769 - Fax: (62) 3230-4731 E-mail: crago@crago.org.br - Home Page: www.crago.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 18 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE RORAIMA (CRA-RR) Presidente:Adm. CEZAR CARLOS SOTO RIVA Avenida Santos Dumont, 1952 - Bairro 31 de Março - 69305-340 - BOA VISTA/RR Fone: (95) 3624-1448 - Fax: (95) 3624-1448 E-mail: presidente@crarr.org.br; craroraima@gmail.com; Home Page: www.crarr.org.br Horário de funcionamento: das 7h30min às 18 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO MARANHÃO (CRA-MA) Presidente: Adm. ISABELLE CRISTINE RODRIGUES FREIRE MARTINS Rua José Bonifácio, 920 - Centro - 65010-020 - SÃO LUIS/MA Fone: (98) 3231-4160/3231-2976 - Fax: (98) 3231-4160/231-2976 E-mail: crama@cra-ma.org.br/financeiro@cra-ma.org.br - Home Page: www.cra-ma.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 14 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SANTA CATARINA (CRA-SC) Presidente:Adm. JOSÉ SEBASTIÃO NUNES Rua dos Ilhéus nº 38 - Edf. APLUB - Salas 604/606 - Centro - 88010-560 - FLORIANÓPOLIS/SC Fone: (48) 3224-4181/6545/8622 - Fax: (48) 3224-0550 E-mail: crasc@crasc.org.br - Home Page: www.crasc.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 18 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO (CRA-MT) Presidente: Adm. ÁLVARO SCOLFARO Rua 05 - Quadra 14 - Lote 05 - CPA - Centro Político e Administrativo - 78050-900 CUIABÁ/MT Fone: (65) 3644-4769 - Fax: (65) 3644-4769 E-mail: cra.mt@terra.com.br - Home Page: www.cramt.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 17h30min

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CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DA PARAIBA (CRA-PB) Presidente: Adm. MOISÉS MARQUES DA SILVA Av. Piauí nº 791 - Bairro dos Estados - 58030-331 - JOÃO PESSOA/PB Fone: (83) 3224-3101/3243-3123 E-mail: crapb@crapb.org.br - Home Page: www.crapb.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 12 horas e 13 horas às 17 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SÃO PAULO (CRA-SP) Presidente:Adm. WALTER SIGOLLO Rua Estados Unidos nº 865/889 - Jardim América - 01427-001 - SÃO PAULO/SP Fone: (11) 3087-3208/ 3087-3459 - Fax: (11) 3087-3256 E-mail: secretaria@crasp.gov.br - Home Page: www.crasp.com.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 17h30min/Atend. Público 9 horas às 17 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL (CRA-MS) Presidente: Adm. HARDUIN REICHEL Rua Bodoquena nº 16 - Amambaí - 79008-290 - CAMPO GRANDE/MS Fone: (67) 3316-0300 E-mail: presidencia@crams.org.br - Home Page: www.crams.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 17h30min

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE SERGIPE (CRA-SE) Presidente:Adm. CARLOS MENEZES CALASANS ELOY DOS SANTOS Rua Senador Rollemberg, 513 - São José - 49015-120 - ARACAJU/SE Fone: (79) 3214-2229/3214-3983 - Fax: (79) 3214-3983/3214-2229 E-mail: cra-se@infonet.com.br;presidencia.crase@infonet.com.br - Home Page: www.crase. org.br. Horário de funcionamento: das 8 horas às 12 horas e 13 horas às 17 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE MINAS GERAIS (CRA-MG) Presidente: Adm. PEDRO ROCHA FIÚZA Avenida Afonso Pena nº 981 - 1o. Andar - Centro - Ed. Sulacap - 30130-907 - BELO HORIZONTE/MG Fone: (31) 3274-0677 - 3213-5396 - Fax: (31) 3273-5699/3213-6547 E-mail: presidencia@cramg.org.br - Home Page: www.cramg.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 18 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DE TOCANTINS (CRA-TO) Presidente:Adm. ROGÉRIO RAMOS DE SOUZA Quadra 104 Sul, Rua SE 01, Conjunto 01, Lote 25, Sala 02 - Centro Empresarial Norte Centro - 77020-014 - PALMAS/TO Fone: (63) 3215-1240/3215-8414 E-mail: atendimento@crato.org.br - Home Page: www.crato.org.br Horário de funcionamento: das 8 horas às 18 horas

CONSELHO REGIONAL DE ADMINISTRAÇÃO DO PARÁ (CRA-PA) Presidente: Adm. JOSÉ CÉLIO SANTOS LIMA Rua Osvaldo Cruz nº 307 - Comércio - 66017-090 - BELÉM/PA Fone: (91) 3202-7889 - Fax: (91) 3202-7851 E-mail: gabinete@crapa.org.br / presidencia@crapa.org.br - Home Page: www.crapa.org.br Horário de funcionamento: das 9 horas às 15 horas

Relação atualizada até o dia 12 de agosto de 2011

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