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revista

#36

ABRIL.2010

ABRIL . 2010 . ANO 5

não tem preço

revistaragga.com.br

FACES DA MORTE No México e em Madagascar, feliz Dia dos Mortos LUCINHA ARAÚJO 20 anos sem Cazuza ÚLTIMO PEDIDO O que presos comem antes da execução

E MAIS Surfe na Indonésia Lendas urbanas MMA


carlos hauck


Este projeto exemplar tem que ser cada vez mais divulgado pelo bem que faz ao próximo e para que mais pessoas possam ajudar, como doadoras. Eu aprovo e apoio o Ragga Sangue Bom. Faça o mesmo. Fábio Maciel, goleiro

Se você tem entre 18 e 65 anos e pesa mais que 50 kg, procure a Hemominas e saiba como se tornar um doador: www.hemominas.mg.gov.br


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BÚSSOLA

Entre a arte e a religião 24

Depois do Brasil Fight...

Derradeira digestão 32

Chico Xavier 74

Vivendo a vida sobre as ondas 36

Viva Cazuza 76

Artista plástico Stephan Doitschinoff lança livro e documentário em BH

MMA ganha prestígio e promete invadir a cidade

Fotógrafo mostra as últimas refeições de presos condenados à morte

No ano de seu centenário, estreia cinebiografia do médium mineiro

Trinta e cinco dias surfando na Indonésia viram o Na Gringa

já é de casa destrinchando estilo

Lucinha Araújo fala como mantêm vivo o nome de seu filho

14

30

on the road // disney na pampulha quem é ragga

62

42

48

54 eu quero! // driblar a morte 60 ragga girl // nathália queiroga

cultura pop interativa

72 passando a bola 74 aumenta o som

70


EDITORIAL

Ciclos Nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Na escola, foi assim que me ensinaram o que é a vida. Antes fosse fácil definir de maneira tão banal algo tão extraordinário. Mas, se pararmos para analisar essas quatro complexas etapas da vida, perceberemos que entre elas existe uma que consegue nos instigar mais que as outras: a morte. Ao longo dos tempos, a ciência, audaciosa e prepotente como é, conseguiu de certa forma controlar e, inclusive, evitar o nascimento, o crescimento e a reprodução. Mas não a morte. Ela parece dar um “xeque-mate” na ciência, uma espécie de “cala a boca, você não sabe de nada”. Nesse momento, a fé, o místico e o surreal parecem dar uma bela rasteira em tudo o que é controlável e racional. E engana-se quem pensa que a morte é futuro. Se pensarmos bem, cada segundo do nosso passado pertence a ela. Isso certamente assusta muitas pessoas e excita tantas outras. No primeiro momento em que levantamos a morte como tema para esta edição, houve um certo estranhamento. Depois, fomos percebendo que a palavra não tem apenas o tom triste que carrega, mas também todo o mistério, a curiosidade e as possibilidades que vêm no pacote, inclusive a de celebrá-la com festa, como fazem no México e em Madagascar, ou de representá-la em forma de arte, como faz o artista plástico Stephan Doitschinoff (pág. 24). Chico Xavier preferia dizer que a morte não existe (um Passando a Bola sobre ele, está na pág. 74). De qualquer forma, cuidado para não morrer de amores pela nossa Ragga Girl (pág. 54). Não sei se um dia vamos conseguir comprar corações, rins, pulmões e cérebros no supermercado, ou, até mesmo, uma pílula da imortalidade. Mas, por enquanto, temos que conviver com a certeza de que uma hora ou outra aquela figura com a foice na mão vai aparecer e o melhor a fazer é aproveitar o tempo em que você tem o controle da situação para fazer tudo ter valido a pena. Aproveitamos, ainda, este editorial para celebrar novas conquistas comerciais do núcleo Ragga, como a seção Por aí, que, em parceria com a Heineken, começa a ser publicada nesta edição, mesclando agenda, notícias e dicas de tendências das tardes e noites em BH. Até o fim do ano, apresentaremos nove casas, que estarão no Passaporte Por Aí, encartado neste número. A seção também se desdobrará na internet, por meio de coberturas fotográficas. Lucas Fonda :: Diretor Geral lucasfonda.mg@diariosassociados.com.br


cartas De Cuba com carinho Angeliza Lopes Aquino // por e-mail Olá, Bernardo! Sou estudante de jornalismo e li algumas matérias suas. Achei muito interessante a forma como você estrutura o texto, fazendo comparações, dando uma dinâmica e humor para a matéria. Além de eu achar muito legal os temas abordados. Escrevo para saber se você tem um blog, para eu acompanhar seus textos. Olha o blog do Bernardino aí: temposestranhos.blogspot.com Asdrúbal I André Polônio // por e-mail Caro Lucas Machado, Li sua matéria sobre o Asdrúbal na Ragga e achei muito legal. Tenho 42 anos e vivi de perto a formação da Blitz e do Circo Voador, como também o início de carreira dos integrantes do grupo e o destino de cada um. Parabéns pela ideia de mostrar aos jovens coisas tão pertinentes à nossa cultura. Asdrúbal II Amanda Boaventura // por e-mail Lucas Machado, Moro aqui no Rio. Sou fã do Asdrúbal e nunca li um texto tão legal sobre eles. Parabéns. Virei sua fã e da Revista. Filha Lara Dias @laramdias // via Twitter Hoje descobri um pouco do sentimento materno de @sabrinabreu com a @revistaragga. Essa última edição é um filho de ourooo! Hahaha. Coletivo Luíza Marcial @lumalt // via Twitter Dando um tempo no trabalho so pra ler a nova edição da @revistaragga. Hoje ela me proporcionou uma nova amizade no ônibus! ha ha ha Pegar o ônibus. Sentar. Começar a ler a @revistaragga. Iniciar uma cv com o moço do lado. E, ao final, ouvir um: depois a gte combina de sair!

expediente DIRETOR GERAL lucas fonda [lucasfonda.mg@diariosassociados.com.br] DIRETOR DE COMERCIALIZAÇÃO E MARKETING bruno dib [brunodib.mg@diariosassociados.com.br] DIRETOR FINANCEIRO josé a. toledo [antoniotoledo.mg@diariosassociados.com.br] ASSISTENTE FINANCEIRO nathalia wenchenck [nathaliawenchenck.mg@diariosassociados.com.br] GERENTE DE COMERCIALIZAÇÃO E MARKETING alessandra costa [alessandracosta.mg@diariosassociados.com.br] EXECUTIVO DE CONTAS daniel pinheiro [danielpinheiro.mg@diariosassociados.com.br] PROMOÇÃO E EVENTOS cláudia latorre [claudialatorre.mg@diariosassociados.com.br] ESTAGIÁRIA DE PRODUÇÃO ana dapieve [anadapieve.mg@diariosassociados.com.br EDITORA sabrina abreu [sabrinaabreu.mg@diariosassociados.com.br] SUBEDITOR bruno mateus [brunomateus.mg@diariosassociados.com.br] REPÓRTER bernardo biagioni [bernardobiagioni.mg@diariosassociados.com.br] JORNALISTA RESPONSÁVEL luigi zampetti - 5255/mg DESIGNERS anne pattrice [annepattrice.mg@diariosassociados.com.br] marina teixeira [marinateixeira.mg@diariosassociados.com.br] isabela daguer [isabelabraga@diariosassociados.com.br] luiz romaniello [luizromaniello.mg@diariosassociados.com.br] FOTOGRAFIA bruno senna [bsenna.foto@gmail.com] carlos hauck [carloshauck@yahoo.com.br] dudua´s profeta [duduastv@hotmail.com] pedro kirilos [contato@pedrokirilos.com.br] ILUSTRADOR CONVIDADO JM emediato [flickr.com/jmemediato] ESTAGIÁRIOS DE REDAÇÃO daniel ottoni [danielottoni.mg@diariosassociados.com.br] izabella figueiredo [izabellafigueiredo.mg@diariosassociados.com.br] ARTICULISTA lucas machado COLUNISTAS alex capella. cristiana guerra. glauson mendes kiko ferreira. rafinha bastos COLABORADORES bruna saldanha. felipe gobbi. james reynolds. PÍLULA POP [www.pilulapop.com.br] RAGGA GIRL nathália queiroga FOTO júlia lego PRODUÇÃO aninha dapieve e li maia MAQUIAGEM laninha braga CAPA stephan doitschinoff REVISÃO DE TEXTO vigilantes do texto IMPRESSÃO rona editora REVISTA DIGITAL [www.revistaragga.com.br] :: inkover [inkover.com.br] REDAÇÃO rua do ouro, 136/ 7º andar :: serra :: cep 30220-000 belo horizonte :: mg . [55 31 3225-4400] Os textos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não expressam necessariamente a opinião da Ragga, assim como o conteúdo e fotos publicitárias.

SAIBA ONDE PEGAR A SUA: WWW.REVISTARAGGA.COM.BR

FOI MAL!

No ‘Eu quero’ da última edição, o preço do gravador portátil RG880, da Sony, saiu errado. O correto é: R$ 799

FALA COM A GENTE! @revistaragga redacaoragga.mg@diariosassociados.com.br

O conteúdo digital da Ragga você confere no portal Uai:

TIRAGEM: 10.000 EXEMPLARES // AUDITADO POR:


HFNRFRPEU


anne pattrice

por Lucas Machado

Mr. Jack, a lenda ‘“A fabricação de bebida é encarada como um meio de vida honroso. Se as pessoas se prejudicam com seu uso, isso resulta não do uso de uma coisa boa, mas do abuso de uma coisa boa.”

Abraham Lincoln

Minha história com o Jack Daniel’s não começou com um porre daqueles que no dia seguinte você assume que largou a chave na porta, esqueceu se parou o carro na garagem, lembra que cantou a garçonete top da boate nos 45 do segundo tempo e que, ao acordar de braços abertos no meio da sala, em alusão ao Cristo Redentor, encontrou as luzes da casa acesas e a geladeira aberta. Fui convidado por um amigo, que carrega o pitoresco apelido de “Jack Bala”, para um jantar em sua casa. Irmão, quando ele abriu a porta ao som de Sepultura, vi um verdadeiro arsenal de troféus, carrinhos de corrida e milhares de Harley’s Davidson em miniatura. Tudo bem para um piloto de corrida e amante de rock ‘n’ roll. O que me deixou impressionado foi o que chamei de “complexo arquitetônico Jack Daniel’s”: tudo que você pode imaginar com a marca do velho Old n°7 tinha por lá. Antes de entrar no assunto da bebida, ele disse: “Você sabia que Jack existiu?”. Eram tantas curiosidades, que, a princípio, não prestei muita atenção. Ao chegar no trabalho no dia seguinte, Bruno Mateus, meu parceiro e conselheiro de tantos e tantos textos, me perguntou: “Lucas, qual vai ser o próximo Destrinchando?”. Parei, pensei e disse: “Vamos falar um pouco da história de Jack”. Primeiramente, é bom entender o porquê de tantas lendas, verdades e mentiras sobre a vida e a trajetória de Jasper Newton Daniel, carinhosamente apelidado de Mr. Jack. Segundo a maioria das literaturas encontradas, a cidade onde ele nasceu, nos arredores de Lynchburg, no Tennessee, sofreu um terrível incêndio, o que dificultou muito a busca de qualquer trilha de papéis ou arquivos, livros-caixa, entre outros. O censo dos EUA e fichas de impostos mostram que ele viveu de 1849 a 1911, em Lynchburg... Jack era o mais novo de 10 filhos. Sua madrasta não gostava muito do garoto, que perdeu o pai vítima de pneumonia. Como na cidade era prática comum famílias adotarem órfãos, o menino camponês foi criado por um fazendeiro e pregador da Igreja Luterana, que se chamava Dan Call. O fazendeiro logo lhe ensinou o trabalho e a arte da destilaria. Na sequência, Jack se tornou famoso pela generosidade

e ousadia. Desde cedo não queria saber muito do pastoreio e das plantações e se dedicou ao aprendizado da destilaria, inclusive com os escravos. A prática já era famosa nas terras do Tennessee. Dan Call se concentrava em vender os produtos no varejo, em sua loja, e Jack, seu protegido, já com 16 anos, mostrava os traços de empreendedorismo e só pensava em expandir os negócios. E foi o que ele fez. Ao descobrir que poderia transportar uísque para outras cidades mais promissoras, mostrou ao velho Dan a ideia de que era mais lucrativo, gerava uma maior receita e o produto não perdia em qualidade. Mesmo traindo a confederação – não podemos nos esquecer que eram tempos de Lei Seca nos Estados Unidos –, Jack contrabandeava a bebida e ganhava fama e respeito. Em suas viagens, encontrava todos os tipos de ameaças: guerrilhas contra soldados federais, assaltantes famintos, bandidos racistas que queriam fazer justiça com as próprias mãos, até o famoso grupo Ku Klux Klan. Se ele era ou não um destilador clandestino, isso fica a cargo da história. Mas Mr. Jack, adepto ao chapéu de abas e ao bigode sempre bem feito, inaugurou a primeira destilaria registrada dos EUA em 1866. Apesar do carisma, ele tinha um temperamento forte. Um belo dia, ao chegar à fábrica, tentou abrir o cofre. Como não conseguiu, deu um chute com toda força e quebrou o dedo, o que lhe gerou uma gangrena, que o levou à morte meses depois. Hoje com três tipos de uísque — Jack Daniel’s Tennessee Old n°7, Jack Daniel’s Barrel e Jack Rare Tennessee —, a marca está em mais de 130 países. O grande diferencial é o processo conhecido como Charcoal Mellowing, em que o produto passa por uma camada de três metros de carvão vegetal, garantindo sua qualidade. As lendas, como a do número sete, vão sempre existir. Uns falam que ele tinha sete mulheres, outros dizem sobre a cabalística do número, mas entre todos os amantes da bebida que tive a oportunidade de conversar, inclusive o grande ‘Jack Bala’, que me fez chegar até essa história, uma opinião é unânime: nunca se toma um verdadeiro Jack Daniel’s com gelo. Fui... J.C.

Nunca se toma um verdadeiro Jack Daniel’s com gelo

Manifestações: lucasmachado.mg@diariosassociados.com.br | Twitter: @lucasmachado1 | Comunidade do Orkut: Destrinchando

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V V

PROMOÇÃO

Nas tantas saudações, vibrações, chegadas e despedidas que vivenciou, como modelo e surfista, ao longo dos anos viajando o mundo, Felipe Gobbi se identifica mais com a expressão “pura vida” — saudação costarriquenha que quer dizer desde “cool” ou “isto é viver”. Mais sobre ele, você pode conferir na matéria ‘Felipe em balinês é surfe’. meuemailso@hotmail.com

A Ragga continua com a promoção que dá uma assinatura semestral para o vencedor. Para participar é só ser criativo e responder: “Quem é o cara mais Ragga da história da humanidade?”. Pode ser do esporte, da música, da televisão, literatura ou ciência. Não importa, pode ser até aquele maluco que mora perto da sua casa. Para convencer a redação de que sua resposta é a melhor vale mandar uma defesa para promocaoragga@uaigiga.com.br em forma de texto, foto, ilustração, escultura, brincolagem, mosaico, maquete de vulcão, feijão plantado no algodão com água, imagem de objetos produzidos a partir do lixo, feitas de dentro de um helicóptero (estilo Vik Muniz). O autor da melhor resposta vence. Não se esqueça do colocar o telefone de contato.

Bruna Saldanha, carioca de 27 anos, ttrabalhou com o grupo Casseta e Planeta e foi repórter do jornal ‘O Globo’, antes de ter interrompido a carreira, em função da gravidez. De volta à ativa desde o Carnaval deste ano, é ela quem assina o ‘Perfil’ desta edição. brusaldanha@gmail.com

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#33

JANEIRO.2010

ga.com.br

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#32

revistaragga.com.br

DEZEMBRO.2009

#31

NOVEMBRO.200 9

Flordelis Os Schürmann Dinastias da Lucha Libre Desaparecidos políticos

. ANO 4 NOVEMBRO . 2009

FAMÍLIA

não tem preço

. ANO 5

não tem preço

revistarag

JANEIRO . 2010

Formado designer gráfico pela Kingston University, em Londres, James Reynolds se tornou conhecido pelo trabalho com vídeos e fotos. É dele o ensaio ‘A última ceia’. jwgreynolds.co.uk

E mais: José Junior Moto GP Natiruts na SANGUE BOM Austrália No meio do mato Almanacão Conheça a Univer de férias sidade

VALE MAIS

AVRAS QUE MIL PAL

do Meio Ambien Paulo Lima, te, em Curitib empresário a “Quem ainda acredita que precisa urgent o dinheiro é a solução emente repens ar isso” Não é utopia A Ragga faz um convite para você constru ir um mundo melhor

*Todas as frases enviadas podem ser usadas na revista, assim como o nome dos remetentes.

reprodução

fotos: arquivo pessoal

COLABORADORES

Casa da Copa Já vá esperando. No mês da Copa, a Ragga, em parceria com o Artesanato do Japa, ocupa um dos melhores endereços da cidade e abre as portas, com programação especial durante os finais de semana e os jogos do Brasil. É gol. Fina estampa Para começar as celebrações do quinto aniversário da Ragga, criamos um concurso cultural. Serão escolhidas cinco imagens para estampar os cinco modelos de camisas comemorativas. Vai lá no revistaragga.com.br e fique ligado no regulamento, para criar a sua.

Passaporte Encartado nesta Ragga, está o Passaporte Por Aí. Fruto da parceria da revista com a marca Heineken, ele é garantia de promoção em nove casas da cidade, nos próximos nove meses: a terceira Heineken é por conta da casa. Além disso, um concurso cultural selecionará um consumidor para levar três amigos às melhores baladas Heineken em BH. Guarde o seu. E use muito.

Alexander von Humboldt é o cara O ganhador do mês de março foi Lucas Zenha. Ele escreveu: “A princípio, olhando para a foto, pode parecer que ele não foi uma cara Ragga. Mas Alexander von Humboldt foi um verdadeiro viajante do século 18. Geógrafo, naturalista e explorador alemão, ele se especializou em diversas áreas: foi etnógrafo, antropólogo, físico, geógrafo, geólogo, botânico, vulcanólogo, tendo lançado as bases de ciências como a geografia, geologia, climatologia e oceanografia. Sua viagem exploratória pela América Central e América do Sul (1799-1804), onde foi preso pela guarda portuguesa navegando pelo rio Amazonas, e pela Ásia Central (1829), tornaram-o mundialmente conhecido ainda antes da sua morte, no dia 6 de maio de 1859. Esse teve disposição!”.


ILUSTRADOR CONVIDADO

JM Emediato

Quer rabiscar a Ragga? Mande seu portf贸lio para annepattrice.mg@diariosassociados.com.br!

[flickr.com/jmemediato]


PROVADOR > cris guerra > 39 anos, é redatora publicitária, ex-consumidora compulsiva, ex-viúva, mãe (parafrancisco.blogspot.com) e modelo do seu próprio blogue de moda (hojevouassim.blogspot.com).

Socorro,sou fashionista! Foi sem querer. Eu poderia ser dermatologista, maratonista, geneticista. Mas aconteceu de eu ser consumista. E ainda fui brincar de fazer um blog pra mostrar com que roupa eu vou. Resultado: fashionista. Se cardiologista cuida do coração e feminista defende os direitos das mulheres, o que faz o fashionista? Não consigo encontrar o real significado do termo, mas também não consigo fugir dele. Volta e meia sai alguma matéria que me define assim. É que, antes do diário das roupas, veio o diário pessoal, em que, num impulso, resolvi publicar na internet as cartas que escrevia para meu filho ler no futuro. E se num deles eu me visto, no outro me viro do avesso. O diário virou livro, a roupa de todo dia virou vício voyeurista e a cada dia mais gente tem algum contato comigo — mesmo que eu não saiba. Fiquei “meio” famosa. Semiconhecida. Uma espécie de microcelebridade. Sou a fashionista sensível. E então sou perdoada. Faz dois anos que degusto pequenas porções de notoriedade. Estou lá, no caixa da farmácia, acabadinha e sem batom, e percebo dois olhinhos brilhantes se aproximando, entre a insegurança e o sorriso. “Você é que tem aquele... blogue?” Eu mesma. E rio nervosa — acredite: nessas horas, sou tímida. O fenômeno esporádico se repete na sala de espera do médico, no caixa eletrônico, na manicure, no elevador. Outro dia, uma colega rodava a agência apresentando uma recém-contratada. Ao chegar à minha mesa, a novata

elisa mendes

>>

sorriu: “Ah, essa eu conheço! Me dá um abraço?” É preciso ressaltar: um microfamoso costuma ser reconhecido por uma entre 1.354 pessoas aglomeradas. Aos que assistem à cena, cabe a pergunta: “Quem, diabos, é essa mulher magrela, que nem olhos azuis tem?” Seria o caso de chegar perto de mim e perguntar: “Você é quem?” Mas, para a pessoa à minha frente, sou alguém. E ela é minha amiga íntima — mesmo que ainda não tenhamos sido apresentadas. O que é bem esquisito. Mas é maravilhoso também. São pessoas que me emprestam seus olhos e ouvidos. Que dizem ter sido ajudadas sem ter a noção do que fizeram por mim. Que me levaram a acreditar que escrevo. Pessoas para quem sou grande. Culpa da internet. Antes, era só a Regina Duarte. Hoje, todo mundo pode ser famoso. O problema é memorizar os nomes. Ao ver uma cara conhecida, o cara desconfia: “Será que é a fashionista viúva?” E vai correndo consultar o Google. Mas a fama — e até a microfaminha — pode ser bem traiçoeira. Dentre outros riscos, você pode cair nas garras de uma dupla perigosa: as aspas. Você responde cuidadosamente a uma entrevista, tira uma foto sorrindo e, quando sai a matéria, o que você disse en passant, dentro de um contexto considerável, sai em letras grandes na frente da sua foto: “Sou famosa por ser consumista”. Pronto. Fútil, superficial e sorrindo ao dizer isso. Uma besta quadrada, como diria meu pai. Seja lá o que isso for: ser fashionista não é fácil não.

JM Emediato

Se cardiologista cuida do coração e feminista defende os direitos das mulheres, o que faz o fashionista?

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divulgação

>> REFLEXÕES REFLEXIVAS DO TWITTER > rafinha bastos > é jornalista, ator de comédia stand-up e apresentador do programa ‘CQC’ (Custe o Que Custar)

Do telecurso 2º grau ao oscar :: Telecurso 2º grau: há 20 anos educando drogados, insones e vigias noturnos.

:: Cheguei de um chá de bebê. Ñ tinha chá e nem bebê... incrível.

:: Oscar de Melhor Montador... sacanagem Zé Mayer não ter levado esse.

:: Terra: “Boxe: Gordinho tenta resgatar prestígio”. Nada + desesperador q um gordo atrás de 1 chocolate de coco.

:: Assisto ao Oscar como assisto a um rodeio: torcendo p/ alguém cair qdo todo mundo estiver olhando.

:: Onde o cabeleireiro de Milton Nascimento estava c/ a cabeça?

:: Ñ tenho preguiça de twittar no domingo de manhã, não. Principalmente pq... ah, foda-se.

:: Preciso assistir mais TV, achei que Dourado fosse um peixe.

:: Queria + tempo p/ ler e fazer exercícios. Acho q vou praticar um crime grave e me entregar p/ polícia.

:: A faculdade de empregada doméstica tem em seu currículo as disciplinas de Introdução a Música Sertaneja 1 e 2.

:: Ñ existe alegria maior do q assistir a uma porta de elevador fechando na cara de um vizinho FDP.

:: Preciso parar de levar o UFC tão a sério. Tô triste por Minota. Preciso de amigos. Vou ligar pro Superpapo.

:: NO G1: “EGÍPCIO VENDE RIM PARA PAGAR CASAMENTO”. IMPRESSIONANTE O PODER DE CONVENCIMENTO DE UMA MULHER CHATA.

JM Emediato

:: A pessoa q te responde c/ a frase “Ossos do ofício” está na verdade dizendo “Eu quero + é q vc se foda”

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É-DUCA!: EDUCAÇÃO E PROPÓSITO > glauson mendes > é líder educador, empresário, e vê na educação a base do

A educação em tempos de rede

wagner veloso

novo mundo. @glausonmm.

“Desse modo, a tarefa não consiste tanto em ver o que ninguém até hoje viu, mas em pensar o que ninguém até agora pensou sobre aquilo que todos veem.” Arthur Schopenhauer

E essa cadeia de formação de valor e a nova percepção educacional vieram para ficar. A chamada Reputação 2.0 das escolas é outro exemplo, à medida que cada vez mais candidatos buscam e postam informações na rede. Em tempos de grande diversidade educacional isso representa alto valor para os alunos. O conceito é simples: de muitos para muitos, a baixíssimo custo, a qualquer instante. E 70% das pessoas conectadas dizem confiar no que está postado, de acordo com pesquisa realizada pela Nielsen Global Online Survey com mais de 25 mil consumidores em 50 países. E se é bom para quem estuda, é igualmente bom para quem difunde o conhecimento. As escolas podem proporcionar melhores serviços quando têm informações abundantes, igualmente baratas, diretas da fonte. Produzir conhecimento, de forma descentralizada, nessa relação bilateral de compartilhamento e confiança vem ao encontro de a uma natural aspiração humana. E veio para ficar! Pode acreditar. Conecte-se!

As escolas podem proporcionar melhores serviços quando têm informações abundantes, igualmente baratas, diretas da fonte

JM Emediato

O conceito de rede social é antigo. Os homens das cavernas já se agrupavam em microssociedades. Gente foi feita para conviver com gente, isso não podemos negar. Afinal, desde o aparecimento do primeiro homo, há mais de dois milhões de anos a.C., em 99% desse tempo, convivemos em tribos. Mas nunca estivemos tão interligados em nossa existência quanto nos dias atuais. As redes sociais que a web 2.0 nos proporcionou permitem que grupos específicos de pessoas, com interesses também bastante específicos, mantenham uma janela de comunicação e informação em duas vias, integrando-as em tempo real pelo planeta. Interagir, colaborar e compartilhar são verbos que conjugam esse espaço-tempo. A enxurrada de informações disponíveis apenas faz proliferar ainda mais as redes sociais que se agrupam em tribos, vezes com líderes específicos. Gosta de política americana? @barackobama. Interessa-se por tecnologia? @billgattes. Simples assim, reeditando os primórdios. Na educação não é diferente. @Sen_Cristovam para quem curte políticas públicas educacionais. @CNPq para quem está ligado nas pesquisas. Na mesma via estão alunos, professores e instituições de ensino, socializando informação e conhecimento on-line, cada qual com seu interesse e intenção. Tudo lá, disponível.

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CULTURA

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Artista plástico

punk zen budista por Bruno Mateus foto Carlos Hauck

Stephan Doitschinoff, também conhecido como “Calma”, lança livro e documentário sobre sua arte que incita a reflexão acerca dos caminhos da religião Seus desenhos e contornos mais antigos ganharam vida quando ele tinha 4 anos. Aos 11, começou a estudar história em quadrinhos. Filho de pastor da igreja evangélica Ação Bíblica do Brasil, da qual a mãe era uma das diretoras, Stephan Doitschinoff foi obrigado a frequentar os cultos até os 14. “Nessa época, eu brincava de fazer história em quadrinhos. Quando não era mais obrigado a ir à igreja, passei a andar mais na rua, andar de skate, me envolver com o movimento punk da região Sul de São Paulo. Tinha uma banda punk e comecei a usar minha arte em torno dela e de outras também, fazendo capas de disco, camisetas, pôsteres”, conta o artista plástico. Stephan também é conhecido como “Calma”, apelido que ganhou nas ruas de São Paulo. Abreviação de “com alma” em latim, ‘Calma’ é ainda o nome do livro sobre sua carreira, publicado em novembro de 2008, pela Gestalten. O artista plástico esteve em Belo Horizonte, no mês passado, para


Transpor o sagrado, o profano e temas religiosos para sua criação é assunto de grande interesse para Stephan

lançar — antes já havia divulgado em Nova York, Los Angeles, São Paulo e Porto Alegre — o livro e o documentário ‘Temporal’, sobre a intervenção que fez em Lençóis, na Bahia, quando passou dois anos na cidade pintando casas de moradores, igrejas e túmulos. “Desde 2002 a Gestalten publica meu trabalho, já saí em 12 livros deles, sempre de coletâneas. ‘Calma’ é uma monografia, conta minha história. O livro tem três partes: a primeira de telas, desenhos e instalações em museus e galerias, depois o projeto na Bahia.” A terceira parte conta com cinco contos escritos por Stephan, que refuta a ideia de trilhar caminho pela literatura: “Sou fã de livro, do livro como objeto, sempre gostei de ler. Já escrevia passagens, experiências da minha vida, mas nunca tinha recebido um convite para publicar. Agradeço a oportunidade, mas não me considero escritor, é só um relato do que aconteceu”. O curta ‘Temporal’, de 13 minutos, mostra a experiência do artista em Lençóis. “Uma equipe me acompanhou pintando a igreja, as casas, os túmulos. Tem entrevistas também. Essa produção é focada na minha passagem por Lençóis, já o livro é mais amplo, conta um pouco da história da minha vida, vai bem mais a fundo no meu trabalho.” Transpor o sagrado e o profano e temas religiosos para sua criação é assunto de grande interesse para Stephan. Ele diz que a religião é, para a maioria das pessoas, um assunto ultrapassado, até pelo ritmo e estilo de vida que elas levam hoje, mas considera essa uma visão superficial. “Se você pensar, todas as leis que governam sociedades do Ocidente são baseadas na Bíblia. Muda-se a lei de cada país conquistado, baseando-se na fé do conquistador. Acho [a religião] um tema importante de ser analisado com um

O artista plástico vai montar uma exposição em San Diego, nos Estados Unidos, em julho deste ano


olhar cético, porque influencia nossa vida e, muitas vezes, se não analisarmos, não conseguimos entender como aquilo pode modificar nossa maneira de interagir com outras pessoas e conosco mesmo”, analisa o artista que, depois de estudar movimento punk, weganismo e macrobiótica zen, lança seus olhares sobre o zen budismo. Depois de fazer uma exposição no MASP, que durou três meses e terminou em fevereiro deste ano, na qual, pela primeira vez, conseguiu montar uma instalação grande — “bem grande, dá para a pessoa entrar” —, Stephan já trabalha em uma nova exposição, que será aberta em 8 de abril, na galeria Choque Cultural, em São Paulo. O artista também terá uma escultura de cerâmica exposta por um ano no Parque do Ibirapuera, sua primeira obra pública. Em julho, montará uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de San Diego (MCA), nos Estados Unidos. Para Stephan, 2010 é um ano de novidades: “Agora é um grande período de transição, uma nova fase pra mim como artista. Vou para San Diego montar uma instalação de tamanho grande, estou tentando pensar nas obras com as quais as pessoas consigam interagir.” E a música, que outrora foi um fator determinante em sua carreira, agora é vista como diversão. “Escuto muito, vários dos meus amigos são músicos, vou aos shows, mas não tenho tanta vontade de fazer trabalho comercial. Não é nem vontade, estou me dedicando tanto à pintura, demoro tanto a fazer um trabalho, que nem tenho tempo de focar em outros projetos. É mais a minha trilha sonora”, admite, enquanto desenha em uma cartolina branca ao som de The Clash.

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ANTÔNIO NAZAR

por Lucas Machado fotos Gustavo Ribas

Binha usa: blusa e bermuda Bitang (Búzios) História de quem constroi histórias. Antônio Nazar, mais conhecido como Binha, nasceu na cidade de Ilhéus (BA), em 1948. A moda na sua vida veio de berço. “Minha mãe, Wanda Souza, teve a primeira butique no Rio, a Saint Tropez, que atendia a alta sociedade carioca”, comenta o estilista, que entrevistamos em Búzios, onde mora atualmente. Binha criou alguns dos modelos de biquínis mais famosos do mundo. “Fiz a Coco Locco, Zebra e agora tenho minha própria marca, a Binha. Na Blue Man fomos precursores de vários lançamentos como tropicalismo, degradê e o collant (Uau), uma expressão que eu mesmo criei. Fizemos o primeiro biquíni pop da história, que tinha as cores da bandeira americana e foi capa da revista ‘Time’. O biquíni de lacinho, que se adapta a qualquer corpo, foi considerado o mais famoso do mundo. E, por último, como patrocinava as atletas de bodyboard Glenda Kozlowski, Daniela Freitas e as irmãs Nogueira, elas me pediram um biquíni que se adequasse ao esporte. Foi aí que nasceu a ideia da criação do modelo sunkini”, conta. Ele é um cara muito simples. Perguntamos o que ele mais gosta de curtir na vida. “Gosto do rei Roberto, músicas de Vinícius, ir à praia e jogar meu frescobol, criar, produzir e ser feliz”, diz.

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J.C.

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ENSAIO

Thomas Treshawn Ivey, sentenciado por matar dois homens e executado na Carolina do Sul, em 2006

A ÚLTIMA CEIA

fotos James Reynolds

Derradeira refeição de presos condenados à morte Um dia antes de cumprir sua sentença, quem espera pela execução nos corredores da morte dos Estados Unidos tem direito a um último desejo: um prato de comida. Qualquer comida, com valor até 40 dólares. Depois de ler a respeito

disso, o fotógrafo londrino James Reynolds teve a ideia de recriar os pedidos num ensaio. Numa loja online, encontrou bandejas originais usadas para servir os presos. Detalhes sobre os pedidos, desde a marca do sorvete até a motivação da escolha de uma azeitona preta, ele descobriu pesquisando. Estes são oito dos pratos considerados mais intrigantes pelo fotógrafo.

Eddie Lee Mays, sentenciado por latrocínio, foi último preso a sofrer a pena de morte em Nova York, em 1963

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Louis Jones Jr, executado por sequestro, estupro e assassinato em Indiana, em 2003

Gary Mark Gilmore, condenado por roubo e assassinato, teve a pena de morte executada, em Utah State, 1977

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Lewis Gilbert, condenado por assassinato, foi morto em Oklahoma, em 2003

Jackie Barron Wilson, executado por estupro e assassinato no Texas, em 2006

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Jonh Wayne Gacy morreu em 1994, no Stateville Correctional Center, em Illionois, cumprindo pena por matar 33 meninos e homens

Victor Feguer foi executado em Iowa, em 1963. Seu último pedido foi escolhido, porque ele gostaria que, por meio de uma azeitona, crescesse uma oliveira em seu interior. De acordo com o fotógrafo: “Deveria ser um símbolo de paz”

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É texto e fotos por Felipe Gobbi

Trinta e cinco dias nas praias da Indonésia e um sonho realizado A viagem que vou contar começou nos desenhos de ondas perfeitas que eu fazia nos cadernos durante as aulas de matemática e história no colégio. A onda perfeita da Indonésia! Os desenhos faziam parte de um sonho. Sonhar faz bem. Dá uma pilha para viver mais energizado. Atrás dos meus sonhos, decidi que havia chegado a hora de realizar o maior deles: experimentar as águas do oceano Índico, suas ondas e a periculosidade dos corais. Viver o prazer de enfrentar uma verdadeira surf trip. O destino era a Indonésia. Sempre fui fissurado pela magia do surfe e minha história com a Ásia é antiga. Ainda em terras tupiniquins, acompanhava muito do que acontecia no mundo do surfe em revistas, vídeos e documentários. Meu fascínio, penso eu, vem da associação de uma cultura tão interessante com a formação das ondas mais perfeitas do planeta. Tudo isso envolvido por uma atmosfera mística. Um bom tempo se

passou e, com muito trabalho, consegui juntar grana para realizar a viagem dos sonhos. Em função do trampo e do surfe, eu passaria por Estados Unidos, México, Costa Rica, China, Hong Kong, Taiwan e, finalmente, Indonésia. Lá vou eu. À PROCURA DAS ONDAS PERFEITAS Das pouco mais de 13 mil ilhas que compõem o arquipélago, pousei em Bali. Saindo do aeroporto, deparei-me com aquele caos clássico: turistas para todos os lados e seus zilhões de bagagens, taxistas gritando oferecendo e negociando o preço das corridas, ofertas de hotéis, tudo numa língua desconhecida para mim. Definitivamente, um caos. Parei e resolvi usar minha bagagem. Não o que tinha na mochila, mas, sim, minha experiência de outras viagens e as dicas de amigos. Estava sozinho e fui em busca de um lugar para ficar, que havia sido indicado por uma grande amiga surfista profissional. Foram 40 minutos de viagem em uma estrada estreita, passando por cenários típicos, como bairros, templos e algumas praias, marcando o início da aventura balinesa. A pousada escolhida chamava-se Padang Padang Inn, na praia de Padang Padang, um dos picos mais casca-grossa da ilha, com uma onda buraco que quebra para esquerda em cima de uma bancada de corais rasa e, óbvio, muito afiada. Além dis-

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O barco: lar doce lar por 15 dias

so, a faixa de areia é bem frequentada por turistas europeias, apaixonadas por top less e surfistas brasileiros. Hehe! A segunda tarefa do dia foi descolar meu equipamento de surfe: prancha, leash, botinha (por causa dos corais, esse item não pode faltar). Com sorte — que sempre me acompanha — na pousada, conheci um australiano que, ao contrário do mochileiro aqui, estava finalizando sua temporada em Bali. A um preço justo, estava eu ali com sorrisão na cara e prancha nova embaixo do braço a caminho de Uluwatu. Para ir até lá, aluguei uma motinha, o principal meio de transporte na ilha. Atenção redobrada, pois a galera se machuca mais nas motos que no surfe. Sal na pele. O mar, água cristalina, com um metro de onda e promessas de um grande swell a caminho. Meu primeiro dia de surfe foi muito divertido. Mais divertido ainda era pensar que teria 34 dias pela frente. Como uma viagem sem novas amizades não é nada, nessa não poderia ser diferente. Na verdade, os novos amigos foram o diferencial. Conheci pessoas de países diferentes, mas no mesmo ritmo e com os mesmos objetivos, ou seja,

surfe, surfe, surfe! O cotidiano da galera era café da manhã, checkpoint nas diferentes praias, motinha e dia for fun. Noites for fun também, é claro. Surfistas reunidos, regados por Bitang (cerveja local), aquele blablablá todo, onda pra lá, gatas pra cá, decidimos embarcar em uma boatrip. Passar 15 dias sem pisar em terra, vivendo em um barco em busca das ondas em diferentes ilhas? Ninguém poderia querer outra coisa na vida. BOATRIP Para suportar esses 15 dias convivendo com nove marmanjos, não poderíamos dispensar uma balada de despedida. Caímos na gandaia no centro de Cuta, que é o pico da balada em Bali, e não do surfe, por incrível que pareça. O bicho pega por lá. O bicho pegou! Às 7 da manhã foi o encontro da trupe com o capitão balinês e a tripulação do barco. Sistema all inclusive: três refeições, com direito a repeteco e sobremesas, frutas a vontade, água, refri, sucos e cerva. Cama individual, sala de TV e ondas, muitas ondas. Vale contar que a gente escolhia como ia querer o peixe no almoço e o capitão pescava na hora, usando um curioso ar-

Conheci pessoas de países diferentes, mas no mesmo ritmo e com os mesmos objetivos, ou seja, surfe, surfe, surfe


fotos: arquivo pessoal

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Quinze dias sem pisar em terra, vivendo em um barco em busca de ondas em diferentes ilhas? Ninguém poderia querer outra coisa na vida

pão velho, mas bastante eficiente. Depois de um bom tempo de viagem, parada em frente à ilha de Lombok. Ali, surfamos a tão desejada “desert point”, uma onda longa, tubular. Tantas ondas surfadas, e só registraram a vaca que tomei. Bem, tá valendo. A foto ficou ótima. A noite nos brindava com um mar de estrelas no céu. As madrugadas eram de descanso para os surfistas, barco em movimento na direção das diferentes ilhas. Dormíamos em um lugar, acordávamos em outro, sempre uma surpresa. Ao amanhecer, paz para surfar. Caíamos na água logo cedo. Água azul rodeando paisagens exóticas. Nada como surfar em um local mágico, só você e seus amigos, mais ninguém. Surfamos em Yoyos, Escarreef, Supersucks. Um leque de ondas diferentes, manobras, tubos, vacas, tudo compartilhado com os amigos e comemorado com brindes, risadas, fotografias, leituras, conversas, admiração, relax, natureza. O capitão, para fechar em grande estilo, nos levou em um secret spot para finalizar a boatrip. No caminho de volta, sorrisos, muitas histórias para contar e orgulho da conquista de um sonho de surfe. Sensação igual nunca senti antes. E quero mais. Quem viver verá.

Nos picos perfeitos da Indonésia, até tomar uma vaca é bom pra contar história


Strike é quando você faz tudo de uma vez. Jogar boliche, se divertir, levar a namorada, juntar os amigos, queimar calorias, desestressar, tomar um chopp, comemorar um aniversário, fazer um happy hour, comer bem. Tudo isso em um só lugar.

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Rasgando as ondas perfeitas que na infância ele desenhava nos cadernos


on the road >> disney na pampulha

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trânsito e delírio

até a Disney Tudo era possível naquela tarde de sábado.Menos não ver o Mickey, na Lagoa da Pampulha Confesso que não estava nem um pouco interessado na ideia de passar uma tarde em um desfile da Disney na... Lagoa da Pampulha. Bom, isso até me pegar escrevendo um e-mail para o fotógrafo cheio de exclamações e palavras em caixa-alta. Se não me foge a memória, eu dizia algo do tipo “É AMANHÃ, MALUCO. AMANHÃ!!! AMANHÃ A GENTE VAI SACANEAR O MICKEY!!!”. Felizmente, parece que essa mensagem nunca saiu da pasta de Itens não-enviados do meu e-mail. Caso contrário, eu poderia ter colocado o fotógrafo na pilha para fazer alguma errada no dia seguinte. E eu não tinha isso em mente, é claro. Perdemos o Peter Pan “Vai velho, acelera esse carro, acelera!!!”, gritava o fotógrafo Carlos Hauck no meu ouvido repetidas vezes logo no começo da Av. Antonio Carlos, completamente congestionada e sem nenhum sinal de movimento. Carlinhos – acredite – é um sujeito tranquilo, sereno e que não gosta de música alta. Sua banda favorita é Kings of Convenience, um duo norueguês que faz música para massagear os ouvidos de cidadãos estressados com o caos das grandes metrópoles espalhadas pelo mundo. Naquela tarde, porém, havia algo de errado com a sua personalidade. Talvez ele estivesse sob o domínio de alguma força do mau. Tipo 50 Cent. Sei lá. 16h. O desfile da Disney já devia estar começando lá na orla da Lagoa da Pampulha e, apesar da euforia do meu colega, a gente continuava no mesmo ponto de 30 minutos atrás. Meu telefone toca. É a assessora de imprensa paulista. “Berrrnardo. Onde vocês estão? Todos os jornalistas mineiros já estão aqui. O carro do Peter Pan já está quase saindo”. Merda. Desliguei a ligação, olhei para o Carlos com tristeza e deixei escapar baixinho, quase suspirando: “Cara, acho que não vamos ver o Peter Pan”. Silêncio... “Como assim vamos

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perder o Peter Pan?”, ele pergunta. Tentei forçar um sorriso para lembrar que era tudo brincadeira – e que a gente nem estava assim tão a fim de ver o desfile. Nada. O fotógrafo ficou mesmo chateado. Pega a pista do balaio!!! Fazia 42 graus. Ou mais. Tirei o corpo para fora janela do carro, encarei o céu azul, pensei no Santo Daime, e pedi para que alguma força superior nos tirasse daquele congestionamento. Então olhei para o lado e vi um Pálio 2007 prata quase no chão. Lá dentro devia ter, no mínimo, oito crianças enlouquecidas com a ideia de ver o Mickey. (Isso sem contar com os dois moleques que deviam estar escondidos no porta-malas). Pensei no que devia estar passando na cabeça daquele pai, ali, atrás do volante. E resolvi não reclamar mais. “Tenho uma ideia”, disse, por fim, o fotógrafo. Fiquei feliz por ele ter voltado a conversar comigo. Pensei que a sua viagem errada de não ver o Peter Pan fosse durar mais algumas horas de silêncio quase absoluto. “Você se importa em fazer algo... ilegal, Bernardo?”, perguntou, assegurando-se de que estávamos mesmo sozinhos dentro do carro. Olhei para a

Micareta do Mickey Ivete Sangalo cantava repetidamente pelos alto-falantes do lado do Mineirão. “Comigo é na base do beijo”, dizia. Descendo a avenida que nos levaria até a orla da lagoa — e ao desfile — ouvi um grupo de amigos conversando. O mais alto deles pediu a atenção de todos: “Seguinte: quem pegar a menina mais parecida com o Pateta leva uma caixa de cervejas, fechado?”. Fechado! Essa seria uma disputa complicada.

Esta foto do Mickey está aqui graças a produção do evento. Não é do Carlinhos

divulgação

Bernardo sofre um surto de pânico durante a música do Pluto

esquerda e entendi o que ele estava pensando. A pista exclusiva para ônibus estava trafegando normalmente. Acho que não vamos atrasar tanto, pensei, olhando para o velocímetro do carro pregado no limite. Carlinhos — a essa altura — já estava completamente contagiado pelo êxtase daquele momento especial, único e memorável para uma cidade provinciana como Belo Horizonte. Mais da metade da população local tinha largado tudo que estava fazendo em casa para ver de perto os personagens mais famosos do mundo. E a gente não podia perder mais nem um segundo daquela festa.

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O sonho não acabou Alguns minutos depois, e com bastante dificuldade, conseguimos vencer o cordão de isolamento formado por pais, filhos e crianças perdidas de suas famílias e chegamos mais ou menos perto de onde acontecia o desfile. “Pula, velho! Pula!!!”, me pedia Carlinhos. Atrás de mim, bem ao fundo, um boneco peludo gigante (azul, eu acho) acenava para a multidão enlouquecida enquanto um maluco pintado de verde cantava de cima de um carro alegórico. “É o Mickey, cara!!! É o Mickey!!!”, tornou a gritar o fotógrafo, empenhando mais uma vez a câmera na altura dos olhos. Olhei por cima dos ombros de um encanador de 2m de altura que estava na minha frente e só consegui enxergar uma loira vestida de branco. Seria a Cinderela? Então, percebi que talvez o encanador de 2m estivesse chorando. Atrás de mim, mais de 200 crianças assistiam a tudo — sorrindo — no teto dos banheiros químicos instalados no passeio. Fiquei na ponta dos pés e não tive nenhum sinal das orelhas do ratão descomunal até onde desaparecia a multidão. De repente, uma explosão lançou no ar milhões de papéis picados coloridos. “Nós vimos o Mickey!!! Mickey!!! O Mickey aqui, bem pertinho!!!”, gritava o fotógrafo. Concordei com a cabeça e fiquei em silêncio, sorrindo. Carlinhos estava radiante, como se tivesse mesmo na Disney. Poucas vezes na vida tive a oportunidade de trabalhar com alguém que ficasse tão satisfeito com o próprio trabalho. Não seria uma boa hora para contar para ele que o Mickey não era aquele sujeito verde que ele tinha fotografado.

comente! redacaoragga.mg@diariosassociados.com.br

Atrás de mim, bem ao fundo, um boneco peludo gigante (azul, eu acho) acenava para a multidão enlouquecida enquanto um maluco pintado de verde cantava de cima de um carro alegórico Nosso repórter em um momento especial — e outro nem tanto (abaixo)

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PEP

DÍVIDA ZERO Descontos especiais no valor de juros e multas de sua dívida com a Prefeitura

Programa Especial de Parcelamento de Créditos Tributários

ou pelos telefones pelo site

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3541-4340 (sede) 3581-1982 (regional)

O Município de Nova Lima criou o PEP – Programa Especial de Parcelamento de Créditos Tributários, com oportunidades super especiais de regularização da Dívida Ativa Municipal. Uma oportunidade de ouro para acertar sua situação com o Município. Todo contribuinte com débito municipal a pagar, inscrito ou não em dívida ativa, poderá aderir ao Programa, formalizando o pedido em requerimento específico, após concordância do termo de reconhecimento da dívida, perante a Secretaria Municipal de Fazenda. O PEP terá valor mesmo se já houver cobrança ajuizada, com ou sem trânsito julgado; inclusive para os casos em procedimento de notificação, autuação ou para aqueles que se denunciarem espontaneamente.

· 90% de desconto para pagamento à vista Os créditos tributários poderão ser pagos em até 34 parcelas mensais e consecutivas, com vantagens progressivas de desconto no valor das multas e juros correspondentes ao crédito tributário:

· 80% para pagamento de 2 a 6 parcelas · 70% para pagamento de 7 a 12 parcelas · 60% para pagamento de 13 a 18 parcelas · 50% para pagamento de 19 a 24 parcelas · 40% para pagamento de 25 a 34 parcelas

Conheça mais detalhes sobre o PEP no site da Prefeitura www.novalima.mg.gov.br e pelos telefones (31) 3541-4340 (sede) ou 3581-1982 (regional). Procure já a Secretaria Municipal de Fazenda, no andar térreo da Prefeitura: (Praça Bernardino de Lima, 80, Centro), ou na Regional Noroeste (Rua Mississipi, 1390 - Jardim Canadá) e acerte sua situação.


COMPORTAMENTO


quem

é RAGGA

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fotos Dudua’s Profeta


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CLICK

fotos Carlos Hauck

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8 1. Taciana e Edson Potsch 2. Paulo Fontoura, Tatiana Viola e Patrícia Barbosa 3. João Bosco Fontoura, arquiteto da casa, e Carol Cunha 4. Marina Paiva e Diogo Regis 5. Marina Azze e Eric Morais 6. Kivia Lucareli, Lilian e Paula Rodrigues 7. Os proprietários Julio Magro, Sérgio Rodrigues e Alexandre Horta 8. Mariana Veloso 9. Izabella Guimarães e Erik Wanderley 10. Luciana Araújo e Pedro Rubião

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a música e o tema

por Kiko Ferreira

A recente aparição do The Who na final do Super Bowl, tocando para mais de uma centena de milhões de telespectadores nos Estados Unidos, é a prova final de que Mr. Pete Townshend não seguiu sua máxima “Eu espero morrer antes de ficar velho”, mote do clássico ‘My Generation’, de 1965. Na mesma linha, os ingleses do Jethro Tull cravaram um dia “Too Old To Rock ‘n’ Roll, Too Young To Die”(velhos demais para o rock, jovens demais para morrer). Como ainda estão por aí, costumam entrar no palco de maca, com uma enfermeira voluptuosa guiando a cama, entre falsos tubos e cabos de sangue e soro. A relação entre juventude, rock e morte produziu os três mais célebres casos de artistas que, mesmo contra a vontade, seguiram a linha de pensamento do líder do The Who. Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison foram, cada um em seu quadrado, ídolos e ícones. Mas ganharam status de mito por terem deixado o mundo ainda jovens, com as respectivas carreiras no auge. E todos com 27 anos. Joplin, talvez a cantora que tenha dado o mote para a criação da expressão “branca de alma negra”, morreu em 4 de outubro de 1970, depois de criar interpretações devastadoras de um misto de rock e blues e fazer justiça a um de seus lemas: “Posso não durar tanto quanto as outras cantoras, mas sei que posso me destruir hoje sem me preocupar com o amanhã”. James Marshall Hendrix, ainda hoje o maior guitarrista de rock da história, faleceu em Londres, em 18 de setembro de 1970, no momento em que esperava para ampliar seu raio de ação e juntar seu rock temperado de blues com o jazz de Miles Davis e cia... Morrison, o Lagarto, líder do The Doors e um dos grandes poetas do rock, foi embora no ano seguinte, em 3 de julho, cinco meses antes de seu 28º aniversário, encontrando um tema que sempre perseguiu nosso hedonista herói. Ele dizia que a morte estava presente em sua vida desde os 4 anos de idade, quando teria presenciado a morte de dezenas de índios, num acidente de estrada, acompanhado dos pais. No capítulo de acidentes que marcaram a história do rock, vale lembrar o que matou, no mesmo voo, Buddy Holly e Ritchie Valens, ídolos do rock em pleno sucesso, na data — 3 de fevereiro de 1959 — que Don McLean imortalizou como “o dia em que a música morreu”, no clássico ‘American Pie’, que os mortais mais jovens conhecem na versão de Madonna. Ainda como argumento para quem, como Belchior, tem medo de avião, a lista inclui a banda de southern rock Lynyrd Skynyrd, que foi vítima de um acidente coletivo em 1977, com apenas quatro anos de carreira; o band leader Glenn Miller,

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ap photo

MORTES NO CIRCO DO ROCK ‘N’ ROLL

O Rei do Rock sucumbiu diante dos remédios para dormir (e acordar)

cujo avião desapareceu num voo entre Londres e Paris, em dezembro de 1944, e o bluesman moderno Steve Ray Vaughan, que foi embora em agosto de 1990, num acidente de helicóptero. No Brasil, o mais famoso dos casos contemporâneos de vítimas dos ares é o dos Mamonas Assassinas. O rock irreverente de Dinho e cia., com sucessos como: ‘Pelados em Santos’, ‘Sabão Crá Crá’ e ‘Robocop Gay’, foi interrompido tragicamente pelo acidente aéreo que acabou, literalmente, com a banda. Entre lícitas e ilícitas, as drogas também foram responsáveis por centenas e centenas de mortes de astros da música. Os bateristas John Bonham (Led Zeppelin) e Keith Moon (The Who), dois estilistas do instrumento, caíram na tentação e foram traídos por elas. Nem aquela que a crítica considera a maior cantora brasileira de todos os tempos, Elis Regina, escapou da linhagem trágica que incluiu vozes emblemáticas como Billie Holiday e Chet Baker. Entre as vítimas das alquimias não proibidas, mas controladas, estão dois dos maiores ídolos de todos os tempos. Elvis Presley, o rei do rock branco, sucumbiu a doses cavalares de remédios para dormir, acordar, levantar, deitar e fazer qualquer atividade cotidana. Morreu em Memphis, na mítica mansão Graceland, em agosto de 1977, no auge da decadên-


ap photo marcia foletto / ag. o globo reuters/neal preston

cia física e musical. E Michael Jackson, o maior vendedor de discos de todos os tempos, que um dia foi genro póstumo de Elvis, e acabou como o sogro. Chegando quase ao fim de nosso rol de tragédias, não dá para deixar de falar de Kurt Cobain, o ídolo grunge que mudou a história do rock. Ele foi encontrado morto em sua casa, em Los Angeles, por um eletricista, que achou uma espingarda com o cano virado para seu queixo. Mas a hipótese de suicídio, que teria acontecido depois de uma crise de abstinência ou excesso de drogas, foi aceita com ressalva por muitos fãs, que falam até numa teoria conspiratória capitaneada pela viúva, Courtney Love. Na categoria alimentos, temos dois exemplos extremos. Karen Karpenter, a porção feminina do duo Carpenters, que morreu de anorexia, e a rotunda Mama Cass Eliott, dos psicodélicos The Mamas & The Pappas, que, diz a lenda, se engasgou com um sanduíche de mortadela. Na seção de curiosidades temos a cantora Nico, parceira do Velvet Underground, de Lou Reed, que caiu de bicicleta e bateu a cabeça no solo; e, mais trágico, Dime Bag Darrell, do Pantera, fuzilado, em 2004, em pleno palco por um fã enfurecido, contrariado com os rumos musicais da banda. No propriamente classificado death metal norueguês, os integrantes das bandas Gorgoroth e Burzum discutiam sobre a existência ou não de Deus, e o músico Euronimus, da primeira, fuzilou Kristina Vikernes, da segunda. Para terminar, uma morte das mais célebres foi a de John Lennon, baleado na frente do edifício Dakota pelo maluco Mark Chapman, sepultando definitivamente a possibilidade de uma sempre esperada e nunca concretizada reunião dos Beatles, aqueles cabeludos de Liverpool que mudaram uma série imortal de paradigmas da música pop.

Jovens demais: Janis e Kurt são dois dos que morreram aos 27 anos


fotos JĂşlia Lego modelo NathĂĄlia Queiroga


NINA MORENA Menina morena e รกgil, o sol que faz as frutas O que cacheia os trigos, o que torce as algas Fez teu corpo alegre, teus luminosos olhos E tua boca que tem o sorriso da รกgua Um sol negro e ansioso te envolve nas fibras Da negra cabeleira, quando estiras os braรงos


Tu jogas com o sol como um estuário E ele te deixa nos olhos dois escuros remansos Menina morena e ágil, nada de ti me aproxima Tudo de ti me afasta, como do meio-dia És a delirante juventude da abelha A embriaguês da onda, a força da espiga Meu coração sombrio te busca, sem dúvida E amo teu corpo alegre, tua voz solta e elegante Borboleta morena doce e definitiva Como o trigal e o sol, a papoula e a água. ‘Poema n° 19 — Nina morena’, de Pablo Neruda


MODELO : Nathália Queiroga FOTO Júlia Lego PRODUÇÃO Ana DaPieve e Li Maia MAKE Laninha Braga


ESPORTE >>MMa

Clube da luta

rodrigo lagoa

por Daniel Ottoni fotos Bruno Senna, Carlos Hauck e Rodrigo Lagoa

Com a emersão do MMA, capital mineira mostra que sua força vai além do jiu-jitsu

Mais de quatro mil pessoas lotaram o ginásio para ver o bicho pegar, literalmente. Mais duas edições já estão confirmadas

Belo Horizonte é conhecida no meio das artes marciais por revelar grandes nomes do jiu-jitsu. Prova disso é o tricampeonato brasileiro de equipes conquistado por Minas Gerais, feito inédito para um estado fora do eixo Rio-São Paulo. “A equipe criada por Vinícius Draculino é uma das melhores do mundo. Ele formou mais de 100 faixas-pretas”, elogia o mineiro Cláudio Cardoso, mais conhecido como Caloquinha. Praticando jiu-jitsu há 12 anos, o lutador estreou em 2004 no MMA (Mixed Martial Arts, antes conhecido como “vale-tudo”), esporte que começa a firmar seu espaço na capital mineira. “Apesar de Rio e São Paulo terem mais estrutura, eventos e atenção da mídia, Minas tem um material humano fantástico. O que ainda falta por aqui é um pouco de apoio”, constata Caloquinha, que dedica-se ao MMA, no segundo semestre. Antes disso, participará do desafio World Abu Dhabi Pro, campeonato mundial profissional de jiu-jitsu.

Vinícius Draculino é nome certo em conversas sobre luta em BH. Mestre absoluto quando se trata de jiu-jitsu e revelador de talentos do MMA, ele fez tamanho sucesso com a equipe que formou na cidade, que foi convidado para abrir sua própria academia em Houston, nos EUA. Há dois anos, vive por lá. “Sem falsa modéstia, noventa por cento dos que tiveram destaque internacional passaram pela minha mão ou dos meus instrutores”, afirma. Um dos alunos de Draculino com nome conhecido internacionalmente, Cristiano Titi participou do primeiro evento de MMA de grande porte em BH, o Brasil Fight, que rolou no mês passado e reuniu mais de 4 mil pessoas no Chevrolet Hall.Na luta de encerramento, Titi finalizou o único gringo da competição, o norte-americano Rico Washington. “Poucos meses antes do Brasil Fight, comecei a comandar o treinamento de MMA em uma academia da capital, com ajuda de


Titi, bi-mundial de jiu-jitsu

bruno senna

carlos hauck

um patrocínio. Depois do evento, o número de interessados cresceu bastante”, comemora. Entre os títulos do cara, estão o bi mundial, o tri brasileiro e o tetra do pan-Americano, todos vestindo o quimono de jiu-jitsu. O brasileiro Sérgio Cunha, treinador de Rico, encheu a bola do time da casa. “Minas Gerais não perde para ninguém quando se fala em MMA no Brasil.” Ponto forte da capital mineira apontado por Titi é o público cativo. “O evento de março mostrou que há muita gente interessada. O MMA é hoje um dos esportes que mais cresce no mundo e é cada vez mais conhecido”, salienta. A competição contou com um formato diferenciado entre os estados de Minas e Rio, que acirrou a rivalidade e intensificou o interesse do público. No desafio interestadual, o belo-horizontino Erik Wanderley venceu o representante do Rio, Johnny Cyborg, e levou o público ao delírio. Até chegar ao MMA, em 2003, Erik passou por várias modalidades. Em 1987, aos 10 anos, começou no judô. Depois, fez caratê, capoeira, muay-thai e se especializou no jiu-jitsu. Como a maior parte dos lutadores profissionais, ele divide sua rotina entre o treinamento e as competições, além de dar aulas. “Viver somente de jiu-jitsu não dá muito retorno financeiro. Decidi me dedicar ao trabalho em pé [muay-thai, kick-boxing, boxe], já que minha parte de chão é apurada.” Ele cita Joaquim Mamute e César Mutante como outros grandes nomes do esporte na capital. “Com lutadores as-

sim, não tenho dúvida de que o MMA irá crescer em BH”, prevê. Outro competidor de MMA, Gustavo Coelho, faz coro: “Temos muita gente boa em Minas que ainda não é conhecida, mas isso é questão de tempo, porque a cidade começa a se destacar”. Como Erik, todos lutadores especialistas em jiu-jitsu têm no chão seu ponto forte. Para se dar bem no MMA, equilibrar a habilidade no trabalho de mão é essencial. Uma das lutas usadas nesse processo é o boxe. “Num confronto entre lutadores de jiu-jitsu, a luta pode ser decidida na mão, que se torna o diferencial”, explica Cláudio Simão, campeão brasileiro de boxe em 1991 e sul-americano em 1994, e treinador de MMA. O primeiro brasileiro a ir para a Tailândia para se formar em muay-thai reside em Nova Lima e atende pelo nome de Olímpio Fernandes Jr., campeão mundial da modalidade em 1995. No seu retorno para o Brasil, Olímpio se deparou com o boom do vale-tudo, impulsionado pela família Gracie. A importância do cara, que dá aulas desde 1988, foi fundamental para a formação de novos atletas. “Titi e Erik Wanderley foram meus alunos bem antes de partirem para o MMA. Anos depois, me uni ao Draculino para formar atletas de MMA. Enquanto ele ensinava a parte de chão, eu orientava para a parte em pé, para dar mais tranquilidade a esses atletas”, lembra. As lutas realizadas dentro do octógono — ringue de oito lados característico do MMA — são o foco dos competidores. Entretanto, mais que uma profissão e que a busca por resulta-

Erick Wanderley, nas artes marciais desde cedo, ele crava: “Lutar só no chão não basta”


Caloquinha: “Não existe mais essa coisa de briga na rua”

fotos: bruno senna

Édson ‘Sururu’: duelo com Fernando Paulon foi um dos mais esperados do desafio interestadual

Gustavo Coelho é grato pelos ensinamentos do mestre Draculino

“Eventos de qualidade trazem turistas, impostos, nome para a cidade em âmbito internacional. O Brasil Fight foi transmitido via internet para o mundo todo. Recebi e-mail de americanos, canadenses, poloneses, japoneses e holandeses. Todos parabenizando pelo nível técnico dos lutadores” Vinícius Draculino


dos, a luta é um estilo de vida. “Se um cara quer ser campeão tem que abdicar de muita coisa. Cuidar da alimentação, parte física, descanso e treinamento são essenciais para a evolução no esporte”, salienta Caloquinha. “Tudo que tenho hoje foi conquistado com as artes marciais”, diz Coelho, citando desde bens materiais e realização profissional, até histórias de amizade – como o fato de, no último Carnaval, um dos frequentadores de sua academia ter deixado de viajar para ajudá-lo nos treinos preparatórios para o desafio Minas/Rio. A rotina de quem tem as artes marciais no sangue é bem parecida. “Há dias que ficamos na academia das 7h às 22h treinando e dando aulas. Ali se forma uma verdadeira família. Sou amigo pessoal de vários lutadores e, em algumas ocasiões, ajudamos nossos companheiros nos treinamentos preparatórios, que acontecem de dois a três meses antes da luta”, aponta Coelho. O primeiro evento de grande porte realizado na cidade já deixa previsões de duas outras competições ainda neste ano – em 31 de julho e 6 de novembro, segundo confirmou a organização do Brasil Fight. Draculino torce para que isso ocorra: “Eventos de qualidade trazem turistas, impostos, nome para a cidade em âmbito internacional. O Brasil Fight foi transmitido via internet para o mundo todo. Recebi e-mail de americanos, canadenses, poloneses, japoneses e holandeses. Todos parabenizando pelo nível técnico dos lutadores”, diz. Olímpio Fernandes Jr. pondera: “O cenário é promissor. BH tem público fiel para assistir e participar. Meu receio é ficar banalizado, se ocorrerem várias edições seguidas. O MMA deve ser preservado e ter a iniciativa privada como apoio, assim como acontece nos EUA”, conclui. Na rua, não Em relação às conhecidas brigas de rua, os lutadores são enfáticos. “Isso não existe mais. Acredito que é uma atitude de quem tem cabeça fraca e precisa mostrar alguma coisa para os outros fora das academias. Se um cara é bom de verdade, não tem esse tipo de conduta”, analisa Caloquinha, bi campeão mundial de jiu-jitsu, em 2004 e 2009. Outro detalhe apontado pelos profissionais é a conduta dos professores, que acabam influenciando os alunos, em uma espécie de espelho. “Se o professor for irresponsável e passar essa impressão para os alunos, a chance desse aluno brigar na rua é grande”, alerta Titi. Edson Jorge, também conhecido com Sururu, concorda com os colegas de profissão. “Os profissionais estão bem mais tranquilos. Normalmente, quem briga na rua são pessoas que estão começando no esporte e ainda se sentem inseguras. Eu mesmo já cheguei a brigar na rua, mas isso é passado”, comenta.

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HISTÓRIA


ALÉM DA IMAGINAÇÃO Ao cair da noite, assombrações apavoram o imaginário dos belo-horizontinos por Alex Capella ilustrações JM Emediato

Tanto o demônio quanto os exorcistas estão fora de moda há pelo menos um século em todo o mundo. Os supostos casos de possessão que chegam aos padres acabam diagnosticados como distúrbios psiquiátricos ou apontados como invenção da mídia. Mas, no dia 4 de abril de 1983, um dia depois do domingo da Ressurreição, que marca o final da Quaresma, o padre Nelson Rabelo, de 89 anos, exorcista e pároco da igreja Sant’Ana, no Centro do Rio de Janeiro, esteve na Avenida Vilarinho, em Venda Nova, na Região Norte de Belo Horizonte. O religioso veio a Minas a pedido dos colegas da igreja dos padres exorcistas, que deixou recentemente o endereço na Antônio Carlos, no Bairro Lagoinha, zona boêmia da capital mineira, em função das obras de duplicação da avenida. O motivo da visita foi cercado de muito mistério. Afinal, toda a movimentação que envolveu a caça ao ‘capeta do vilarinho’ poderia assustar a população. O ser demoníaco apavorava toda a região e não havia explicação racional para o seu surgimento. A saída foi buscar uma sustentação sobrenatural e o exorcismo era a arma perfeita. Afinal, trata-se de uma cerimônia religiosa na qual é realizada a expulsão ritualizada dos demônios, espíritos ou entidades que se “apossam” de alguém. A relação homem e demônio é tão remota quanto a prática do exorcismo. Na Antiguidade, egípcios, assírios e babilônios eram adeptos do ritual. A Igreja Católica definiu os procedimentos do exorcismo em 1614, com o ‘Rituale Romanum’. Atualmente, ele está em desuso pela Igreja Católica. A orientação do Vaticano aos católicos é que ninguém pode praticar o exorcismo sem obter licença especial de um bispo. Padre Nelson conhece as dificuldades do exorcista. “Poucos bispos aceitam nosso trabalho”, diz o religioso, que foi expulso de duas dioceses da tradicional Minas Gerais antes de ser acolhido no Rio de Janeiro. Diante das várias barreiras impostas pelo Vaticano, o

trabalho dos padres exorcistas vem ocorrendo de forma silenciosa, mas constante. Padre Nelson, depois da missa das 8h30, das sextas-feiras e sábados, faz o ritual. As pessoas são levadas a uma sala onde a manifestação recebe tratamento. Para confirmar se é um caso de possessão, o pároco faz várias perguntas. Questiona quantos demônios estão no corpo, indaga seus nomes e a que vieram. E, diferentemente do que muita gente imagina, os casos de possessão continuam vivos. O padre lembra que entre os anos 1960 e 1980, quando o país viveu um clima de instabilidade política, as situações eram comuns. Ele conta que, em Minas, por causa da formação religiosa e da forte presença do Estado nas discussões políticas, o período foi marcado pelo aparecimento de histórias “estranhas”. Uma delas, na década de 1980, ganhou grande repercussão. Relatos da época dão conta de que, numa noite, durante um dos diversos bailes funks realizados em uma das quadras da Avenida Vilarinho, apareceu um sujeito bem aparentado, elegante no vestir e exímio dançarino. O homem logo chamou a atenção das moças. Os rapazes também temeram a concorrência. O professor Ricardo Malta, que nos idos anos 1980 era frequentador assíduo da quadra do Vilarinho, lembra que se inscreveu para um concurso de dança na casa com sua esposa. O desconhecido também entrou para o concurso e surpreendeu os presentes com sua extrema desenvoltura ao dançar qualquer tipo de ritmo. O estranho, que ‘levitava’ ao dançar, e sua parceira — ela, uma conhecida adolescente da vizinhança — deram um show. Ao final das fases eliminatórias, sobraram Ricardo, sua mulher, o desconhecido e a moça de Venda Nova. Para surpresa de todos, Ricardo foi o vencedor. Indignado, o rapaz misterioso discutiu com seu par e saiu correndo. A moça havia desmaiado. “No que fugiu, deixou à mostra, sob o chapéu, seus chifres e os pés de cabra. O seu rastro foi marcado por um cheiro de enxofre”, garante Ricardo. Na época, a repercussão foi grande. Com medo, muita gente deixou de frequentar os bailes e o comércio no Vilarinho. Os comerciantes recorreram aos padres exorcistas. Boa parte dos rituais dura entre 30 e 40 minutos, para não esgotar o possuído. Mas houve casos que renderam até três horas de luta com o “coisa ruim”. É uma ação física e mentalmente exaustiva para todos os envolvidos. O padre exorcista não confirma se esteve no Vilarinho e nem a oportunidade de se deparar com o “capeta”. Mas os especialistas dizem que a maioria dos possuídos pelo diabo é formada por adolescentes do sexo feminino, personalidades mais suscetíveis. “Vez ou outra há pessoas que gritam, se retorcem, choram e desmaiam. A pessoa fica fora de si. Não é ela quem fala, mas o diabo. Uma vez encontrei Lúcifer numa menina de 15 anos. Ele se apresentou e disse que de nada adiantaria a minha ação. Mas, no fim, teve que sair”, afirma padre Nelson. O padre lembra das muitas histórias envolvendo demônios, fantasmas e assombrações em Minas. Quando ainda atuava no interior do Estado, foi procurado pela família de um caseiro de um sítio, localizado na BR-040, que dá saída para o Rio de Janeiro. Isso no final dos anos 1980. O caseiro, assim como fazia todas as manhãs, levantou-se cedinho e tratou de ir dar milho às trinta galinhas que todos os dias esperavam


a comida na porta do galinheiro. Naquela manhã, estranhou não ver nenhuma delas e o silêncio tomar conta do terreiro. Entrou no galinheiro e não viu galinha alguma. Procurou no mato vizinho e achou cerca de 15 galinhas mortas. As outras 15 tinham sumido. Ficou apavorado. Afinal, na região não havia a presença de onças ou de outro tipo de predador. O que existia na época eram histórias de um tal “chupa-cabra”. O demônio pode possuir animais e até objetos. “Uma vez, o próprio demônio denunciou o objeto da casa que havia contaminado para impedir a cura da vítima: o colchão”, ressalta. Por outro lado, há quem garanta que todas essas histórias não passem de lendas urbanas e contos de assombração. Para a doutora em história social da cultura Andréa Casa Nova, a maioria dos acontecimentos não passa de boatos que vão se cristalizando com o passar do tempo. Segundo ela, geralmente, as lendas têm elementos de realidade, com algo assustador, e estão relacionadas com o momento atual da sociedade em que são contadas. Como a criminalidade gera um medo constante, histórias de morte ganham fácil a atenção do público. Outra característica é que as lendas são universais e particulares ao mesmo tempo, pois a mesma história é contada em diferentes lugares, adaptando-se alguns elementos. “As lendas ficam entre o boato e o mito. São um encontro do real com a ficção”, analisa a historiadora. A famosa história da loira do Bonfim, por exemplo, começou na década de 1950. Diziam que uma moça loira aparecia na zona boêmia de Belo Horizonte e saía com um cliente para um programa. O lugar escolhido era o cemitério do Bonfim, na Região Noroeste, onde morava a linda mulher. Outra versão, até hoje muito difundida entre taxistas, dá conta que tudo surgiu por causa de um travesti, comuns na região, que cortava caminho pelo cemitério quando ainda não existia portaria no local. Na opinião de Andréa, a história era contada para assustar possíveis novos frequentadores da zona boêmia da capital e

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deixar os assíduos frequentadores e clientes das “moças” em paz. “Os mitos começaram na época medieval e foram trocados pelas lendas quando chegou a sociedade do pensamento racional. O conteúdo causa pânico nas pessoas e quase sempre se diz que as autoridades escondem o fato ou não se interessam em resolvê-lo”, define.

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Talvez o maior desejo do ser humano é ser imortal. Highlanders à parte, sabemos que isso, feliz ou infelizmente, é impossível. Você pode se esconder debaixo da cama, viajar para uma ilha deserta, mudar de nome e rosto, andar fantasiado de Jesus Cristo ou pedir ajuda aos céus: não tem jeito, meu amigo. A morte chega hora ou outra, é o caminho da vida. Mas, por aqui, resolvemos fazer uma lista com dez pessoas que têm o dom da imortalidade, de ultrapassar a barreira dos anos. Com a sua ajuda, vamos escolher os sortudos que nunca morrerão. Mesmo que já tenham morrido.

reuters/mario anzuon

Imortais

top 10

1°Elvis/Michael Jackson/Jim Morrison

_ Grande novidade! Todo mundo já sabe que os três não morreram. E ai de quem falar o contrário.

2°Pelé

_ Édson Arantes do Nascimento chamou Pelé num canto e disse: “Olha, a gente nunca vai morrer, entende?”

3° Osama Bin Laden

_ Esse aí está escondido há tempos. Nem a morte consegue achá-lo. Se ela perguntar para Bush, pode ser que ele saiba.

4°Elza Soares

_ A ex-mulher de Garrincha, o anjo das pernas tortas, está com a cara torta de tanta cirurgia plástica. Se houver uma poção da longevidade, ela com certeza já comprou alguns litros – mas há efeitos colaterais.

5°Oscar Niemeyer/Dona Canô

_ O arquiteto e a mãe de Caetano e Bethânia já passaram dos 100 e não pretendem parar nunca. Força estranha...

6°Sílvio Santos

_ Dizem que, uma vez, a figura misteriosa, com capa preta e foice na mão passou por perto, mas ele disse: “Vai pra lá, vai pra lá”.

7°Xuxa/Hebe/Rita Cadilac

_ Vida longa ao trio composto pela rainha dos baixinhos, dos velhinhos e dos presidiários

8°Roberto Carlos

_ Depois de chorar e sorrir, dirigir pela estrada de Santos no seu calhambeque azul e passar por tantas emoções, os súditos suplicam: “Vida longa ao Rei!”

9°Russo/Zagallo

_ Os dois cabeças-brancas estão sumidos. Outro dia até perguntaram no BBB se o Zagallo está vivo. Sim, o velho lobo vive e você vai ter que engoli-lo.

10°Che Guevara/Fidel Castro/Karl Marx

_O FBI, a CIA e o capitalismo já tentaram, mas matar esse power trio do comunismo é impossível. ¡Hasta la victoria... siempre!

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último ranking Clichês dos rappers e hip-hoppers Na edição de março a pergunta do Top 10 foi: quais são as atitudes mais clichês do mundo do hip hop? Mulheres voluptuosas, diamantes, carros velozes e furiosos fazem companhia onde quer que eles estejam. E de tanto repetir, vira lugar comum. Veja os três mais lembrados por nossos leitores. 1) Videoclipes recheados de mulheres seminuas em jacuzzis — 42.86% 2) Cordões de cifrões e muitas joias cravejadas de diamantes — 20.78% 3) Uma dramática história de vida para contar — 12.99% Uma loira e uma mulata de biquíni com cara de safadinhas entram em uma jacuzzi e começam a ensaboar o rapper que, com expressão blasé, toma seu champanhe e faz cara de “isso sempre acontece comigo”. Um videoclipe com esse roteiro é muito clichê, não é mesmo? Então nada mais justo que levar o primeiro lugar disparado do pódio. Ouro neles! Com metade dos votos do vencedor, apresentamos o vicecampeão. Se esbanjar é com eles mesmo, nada melhor que andar por aí com cordões de cifrão e joias cravejadas de diamante. Mesmo que isso lhes custe uma dor no pescoço. Mas na nossa lista, penduramos mesmo é uma medalha de prata, nada de diamante. E não adianta reclamar. No lugar mais baixo do pódio, contrastando com a mulherada seminua e os diamantes, temos mais um clichê do hip hop: uma dramática história de vida. Sim, se hoje estão endinheirados e poderosos, a infância de muitos deles foi bem diferente. Violência familiar, tráfico de drogas, amigos mortos e brigas de gangue fazem parte do histórico. 50Cent que o diga.


JÁ INVENTARAM

por Izabella Figueiredo

Teclada iluminada

fotos: divulgação

Pepper World Series Se futebol e cerveja fazem a cabeça dos brasileiros em domingos ensolarados, nos EUA, popular mesmo é reunir os amigos em partidas de baseball com direito a muita carne de hambúrguer grelhada. Para que o jogador eleito como churrasqueiro não perca tempo na hora de condimentar o rango, aí está o taco de baseball que funciona também como aquele tradicional triturador de especiarias. Feito de madeira natural, ele pode de fato ser usado para as duas funções sem que o desempenho de uma atrapalhe o da outra. Na amazon.com por US$50 kingpepper.com

Os tuiteiros e blogueiros de plantão agora contam com um acessório bem charmoso e funcional. Se antes era tarefa quase impossível teclar no meio da penumbra, agora, esses ratinhos que acendem quando presos pelas pontas dos dedos vão transformar seu teclado em uma pista de dança colorida, evitando que suas postagens na madrugada saiam confusas. Os mais ousados podem também usar o acessório nas pistas de dança afora. Passar despercebido será definitivamente impossível. US$9.99 geekgaz.com migre.me/pu4N

Sem flash, por favor! Quando estamos quase convencidos de que os japoneses não têm mais nada a inventar, os nativos da Terra do Sol Nascente aparecem com esta: uma poltrona que tira fotocópias do traseiro de quem senta nela, sem que nenhum botão seja acionado. Ainda não descobrimos a real finalidade do aparato e muito menos o que o dono da poltrona faz, com as fotocópias. Mas não podemos negar que se trata de uma invenção no mínimo divertida. Apenas para demonstração migre.me/pshh

Infla até o ego Esse saco de dormir consegue ser bem mais versátil que muito acessório de filme futurista por aí. Válido para aquelas viagens em que cada centímetro de espaço é valorizado, além de sua função convencional, o produto ainda serve para proteger da chuva, já que é feito de tecido impermeável e é possível vesti-lo. Caso surja alguma balada, é possível destacar apenas a parte de cima e transformá-lo num “belíssimo” casaco. Só não vale se empolgar nessa função e encher a peça de bottoms. likecool.com migre.me/ps8R

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PADRE QUEVEDO Responsável por desmistificar fenômenos paranormais, como santas que choram e aparições de espíritos dentro de armários, padre Quevedo afrontou a fé de milhares de católicos que o assistiam todo “santo” domingo no quadro ‘O caçador de enigmas’, do ‘Fantástico’. A figura sombria e o sotaque do sujeito metiam medo nos telespectadores, mas, ultimamente, ele anda meio sumido da mídia. Se você souber do paradeiro do autor do bordão “isso nón ecziste”, conte pra gente! redacaoragga.mg@diariosassociados.com.br

Se lembrar de mais alguém que um dia foi reconhecido pelas ruas, mas hoje inexiste no imaginário popular, nos avise.

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Além do Virtual

Quando o Gorillaz apareceu, no hoje quase longínquo ano 2000, não foi difícil associar a banda à ideia de algo absolutamente original. Formada por 2D, Noodle, Murdoc e Russel, personagens virtuais com características para lá de bizarras (o que dizer sobre uma guitarrista de 10 anos “adquirida” em um anúncio de jornal, um baixista não muito adepto de higiene ou um baterista que, além de ser maior que o próprio instrumento, teria sido possuído por demônios ao longo de quatro anos?), o quarteto rapidamente caiu nas graças da crítica, devido à funcional mistura de elementos eletrônicos, indie music e um quê de punk, resultando em algo bem puxado para o hip hop.

Encabeçado no mundo real por Damon Albarn, do Blur, e Jamie Hewlett, criador de Tank Girl, o grupo voltou à tona, após um período de silêncio, com o lançamento, em março, de ‘Plastic Beach’. Nesse terceiro trabalho, não bastasse a reconhecida competência dos músicos, a banda ganhou ainda a colaboração de pesos pesados como Mick Jones, Paul Simon (que, vale lembrar, já havia trabalhado com Albarn anteriormente no projeto The Good, The Bad & The Queen), Mark E. Smith, Lou Reed, Snoop Dog e Mos Def, para citar apenas alguns. O que esperar, portanto, de um encontro tão plural? Algo conceitual, sim, com elementos orquestrados, surpreendentes, que ajudam a entender melhor o universo Gorillaz e a grandiosa proposta idealizada por seus criadores. ‘Stylo’, primeiro single trabalhado pelo grupo (cujo clipe, extremamente bem executado, rompe com a tradição exclusiva da animação e conta com a participação de Bruce Willis), perde facilmente o posto de música mais interessante do álbum quando comparada com pérolas como ‘White flag’ (ft. Kano, Bashy & The Lebanese National Orchestra for Oriental Arabic Music), ‘Superfast Jellyfish’ (ft. Gruff Rhys & De La Soul), ‘Some kind of nature’ (ft. Lou Reed) ou, ainda, faixatítulo ‘Plastic Beach’, com Mick Jones e Paul Simonon. De uma forma geral, ‘Plastic Beach’ se assemelha aos álbuns anteriores em alguns aspectos, mas se distancia em ousadia e complexidade, dando novo impulso ao Gorillaz.

Primeira boa surpresa de 2010 por Núdia Fusco Antes de mais nada, uma confissão: o Spoon nunca esteve entre as minhas bandas favoritas. A não ser por uma ou outra canção mais sonora, minha simpatia pelo quarteto texano costumava ficar restrita a alguns comedidos elogios. Foi com o grudento ‘Ga Ga Ga Ga Ga’ (2007), no entanto, que isso começou a mudar e o álbum pulou direto para o meu top 10 daquele ano. Melódico, com questões existenciais que não ultrapassam a barreira da chatice, virou uma boa trilha sonora para momentos de diversão (ou nem tanto). Talvez por isso minha ansiedade com ‘Transference’, recém-saído do paraíso dos downloads (i)legais, não tenha sido descontrolada – afinal, eles já tinham ido longe demais no meu nem tão apurado conceito. Mas o disco foi uma boa surpresa. Começa morninho, com ‘Before destruction’. O uníssono de vozes dá lugar então a ‘Is love forever?’ e suas guitarras bem marcadas, evoluindo até ‘The mistery zone’, uma das minhas favoritas. ‘Written in reverse’, que vem a seguir, também disputa o pódio de música mais cantarolável do disco. É como um interessante discurso, enfeitado com um toque despretensioso que dá ao público uma das melhores faixas do álbum. E aí entra ‘I saw the light’, claramente diferente. Mais sombria, principalmente na parte instrumental, na qual percussão, piano e baixo se unem em uma combinação introspectiva e crescente.

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por Núdia Fusco

’Trouble comes running’ chega com ecos de Kings Of Leon, que vão ora se dissolvendo, ora se fortalecendo conforme a evolução da música. A bela (e curta!) ‘Goodnight Laura’ junta-se à ‘Out go the lights’, que parece fechar um ciclo. A décima faixa, ‘Got nuffin’, com guitarras evocando Joy Division, dá a impressão de que as angústias de Ian Curtis seriam cantadas ali, mas sem a gravidade da voz do inglês. ’Transference’ chega ao final com ‘Nobody gets me but you’, que tem um quê hipnótico e deixa a certeza de que o Spoon consegue ser pop na medida em que não enjoa, denso sem parecer pretensioso, leve sem parecer alienado. E não dá vontade de parar de escutar.


Na Rede por Taís Toti

Canto, danço e represento veja em :: bit.ly/zooeybambole Que Zooey Deschanel sabe cantar e atuar (e ser linda) todo mundo já sabia. Mas no novo clipe do She & Him, da música ‘In the sun’, que sairá no disco ‘Volume two’, a musa indie mostra que tem outras habilidades: rebola com bambolê e dança o tempo todo no vídeo, em que a coreografia acontece numa escola.

Canto e represento veja em :: bit.ly/marionfranz Se Marion Cotillard já tinha deixado Scarlett Johansson no chinelo quando a música ‘The eyes of Mars’, em que ela estreia como cantora acompanhada da banda escocesa Franz Ferdinand, foi lançada, com o clipe ela mostra que sua beleza também está à altura da cantoraatriz. O vídeo também é uma estratégia de marketing: faz parte da campanha

Indie de berço veja em :: youtube.com/user/agreggofsociety Depois do bebê que é fã de Grizzly Bear e dos irmãos pequenos que cantam ‘Pavement’, a fofurice indie nos dá mais um presente: um vídeo com um coral de crianças que cantam ‘Lisztomania’, do Phoenix, nas aulas de música. Pesquisando dá para ver a turma cantando até ‘Sleepyhead’ junto com o vocalista do Passion Pit.

Coppolindie veja em :: vimeo.com/9338991 A marca americana Opening Ceremony decidiu divulgar sua nova coleção de roupas de um jeito diferente: convidou Gia Coppola, neta de Francis Ford e sobrinha de Sofia, para dirigir, junto com Tracy Antonopoulos, o curta-metragem ‘Non plus one’. O vídeo gracinha é estrelado por Kirsten Dunst e Jason Schwartzman, e a trilha é a música ‘Is this sound ok?’, da Coconut Records, banda do ator.

divulgação

Divas unidas veja em :: youtube.com/ladygagaVEVO É certo que você já viu ‘Telephone’, clipe de Lady Gaga com participação de Beyoncé que já vem sendo considerado o Thriller dos anos 2000. Mas talvez o que você não tenha reparado é que os quase 10 minutos de vídeo são recheados de referências pop — do boato de que Gaga seria hermafrodita aos filmes ‘Thelma & Louise’ e ‘Kill Bill’. Esperamos que o “to be continued” não seja só uma brincadeira da loira.

da A T A PR CA SA \\ FIO DA NAVALHA

O que era carência em BH não falta mais. Pelo menos Vai lá: www.myspace.com/fiodanavalha esta é a afirmação que a turma do Fio da Navalha faz quando se trata de um grupo da capital mineira que represente bem a boa e velha turma do Clube da Esquina. A formação tem propriedade para tocar os maiores sucessos de grandes figuras como Toninho Horta, Flávio Venturini, Beto Guedes, Wagner Tizo, Fernando Brant e por aí vai. Ian Guedes, guitarra, violão e voz é filho de Beto. Paulinho Carvalho, baixo, violão e voz, é parceiro de praticamente todos os integrantes do Clube da Esquina. Quem completa o time de primeira é Tattá Spalla, voz e violão, Carlos Ivan nos teclados e Dedé Godoi na bateria. “Temos um conhecimento diferenciado dos arranjos e repertórios. Nos shows, tocamos músicas mais conhecidas e outras menos, para a galera conhecer mais coisas do Clube da Esquina”, afirma Ian. Volta e meia, um dos medalhões do tradicional ‘clube’ aparece para dar uma canja nas apresentações. A primeira foi com Beto. Lô deve ser o próximo. Até o meio do ano, a ideia é soltar uma demo com seis músicas, variando entre releituras e composições próprias. Eles garantem que tentam tocar músicas de todos os integrantes, dando espaço para aqueles que contribuíram para a formação de um dos mais talentosos movimentos da história da música tupiniquim. Salve o Clube. Saia da garagem! Convença-nos de que vale a pena gastar papel e tinta com sua banda. Envie um e-mail para redacaoragga.mg@diariosassociados.com.br com fotos, músicas em MP3 e a sua história.

bruno senna

por Daniel Ottoni


por Izabella Figueiredo

Em 10 de fevereiro de 1976, a cidade de Goiânia parou. Durante uma tarde de diversão em um motel, com garotas de programa e muita bebida, o jovem Henrique Emmanuel Gregoris acabou morto por um disparo acidental vindo da arma de seu amigo João Batista França. Registrado pela polícia como homicídio culposo (sem intenção de matar) o caso foi colocado sob a responsabilidade do juiz Orimar de Bastos que se recolheu em sua casa de campo para redigir a sentença. O profissional afirma ter entrado em um processo de “transe” e, após três horas, acordou com nove laudas de sentenças prontas, sem nenhum erro ortográfico. O documento absolvia João Batista. Inconformados com a sentença que inocentava o réu, a acusação resolveu recorrer. Quatro meses depois, a mãe de Henrique recebeu uma visita inesperada. Afirmando ter entrado em contato com a vítima, o médium Chico Xavier tinha uma mensagem. Henrique pedia para que fosse retirado o processo contra o amigo, já que João Batista era, de fato, inocente. O espírito também teria dito que todo o alarde judicial estaria atrapalhando seu crescimento espiritual. No mesmo dia, a mãe da vítima encontrou-se com o advogado responsável pelo processo e ordenou a retirada do recurso. Maior representante brasileiro da doutrina espírita kardecista, Chico Xavier difundiu a ideia que resume a morte como um “ritual de passagem” e separa a vida em dois planos: o físico, “passageiro e voltado à aprendizagem” e o espiritual, “eterno e libertador”. O espiritismo considera a comunicação entre desencarnados (mortos) e encarnados (vivos) possível, desde que intermediada por um médium, pessoa que possui o dom de estabelecer contato com o sobrenatural. Nascido em Pedro Leopoldo, ele se firmou como figura polêmica, adorada por uns e questionada por outros. Autor de mais de 400 obras psicografadas (manifestação escrita de

alguma entidade sobrenatural) e indicado para o prêmio Nobel da Paz, Chico Xavier costumava receber em sua casa, em Uberaba, visita de figuras conhecidas para consultas gratuitas. As atrizes Nicette Bruno e Ana Rosa, a novelista Glória Perez e a viúva do ex-presidente Tancredo Neves, D. Risoleta Neves, foram até ele em busca de palavras reconfortantes. Em 2010, o médium completaria cem anos. Para preservar sua memória, chega aos cinemas, no início deste mês, a cinebiografia ‘Chico Xavier’. Na opinião de Daniel Filho, diretor do filme, “Chico foi um consolo, no sentido afetivo, de milhares de pessoas. Doou sua existência ao bem. É o maior líder espiritual que o Brasil já teve. Foi considerado o mineiro do século, ficando à frente de JK e Pelé”. No elenco, Nelson Xavier, Ângelo Antônio e o pequeno Matheus Souza interpretam Chico em três diferentes fases da vida. Christiane Torloni, Cássia Kiss e Tony Ramos também estrelam a produção, esse último como um diretor de TV ateu. “O personagem de Tony representa uma grande parte da população que se diz não-crente, mas que, quando se vê diante de algo muito forte, pelo menos deixa escapar a expressão ‘ai, meu Deus do céu’”, diz Daniel Filho. “Em situações que nossas convicções são colocadas em xeque, as coisas podem mudar”, instiga.

Área artística: Artista circense Técnicas: Mastro chinês (especialização), arquivo pessoal

artista!

ique esteves

Só de passagem

parada de mãos, Roe Cyr (aro), malabares (claves, bolas, contato, diabolô), acrobacia, equilíbrio (monociclo, perna de pau) Cidade: Belo Horizonte, MG Idade: 25 anos Naturalidade: Belo-horizontino

Por que pratica? Pelo circo ser a arte capaz de chegar e atingir à todos, que envolve o conceito, o artístico, o físico, o choro e o riso, a busca pelo impossível. O circo é minha vida. Artista desde: 2004. Através de uma bolsa na Spasso Escola Popular de Circo, desde Philippe Ribeiro de Oliveira

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2007 venho fazendo minha formação profissional como circense. Eventos mais importantes que participou: 4º e 5º Festival Mundial de Circo do Brasil. 1º lugar em acrobacia na 2ª Olimpíadas de Artes Circense - 2009. FIT BH 2008. Expedição de canoa pelo rio São Francisco apresentando nas cidades ribeirinhas. Metas para 2010: Concluir minha formação na Spasso, com a criação e realização de meu espetáculo em abril e maio. Conseguir meios de participar do processo de 4 dias de audição em uma escola superior de circo na França e ser aprovado. Contato: (31) 9717-1901 ph.circus@gmail.com

Excepcionalmente, nesta edição, o ‘Adote um Atleta” virou ‘Adote um Artista”. Mas se você está em busca de patrocínio no esporte, pode se cadastrar na seção, no portal Ragga (ragga.com.br), ou escreva para: redacaoragga.mg@diariosassociados.com.br


Ao completar 20 anos sem Cazuza, Lucinha Araújo fala do filho que perdeu e dos muitos outros que encontrou, de Deus, do trabalho e do futuro. “Sofro, choro, depois tomo banho e vou à luta. Chorar não vai trazê-lo de volta” por Bruna Saldanha fotos Pedro Kirilos Do alto de seus 73 anos, Lucinha Araújo resume: “Só eu sei as chicotadas que levei, mas procurei dignamente enfrentar”. Ela se tornou um rosto e uma voz familiar para os brasileiros, depois de perder o filho único, Cazuza, para a AIDS, em 1990. De lá para cá, em vez de se render à depressão, cercouse de dezenas de outros filhos: crianças e adolescentes que vivem na Sociedade Viva Cazuza, fundada por ela para educar e tratar portadores de HIV por herança vertical (os gerados por mães portadoras do vírus). Quando encontrou a reportagem da Ragga, na sede da Viva Cazuza, em Laranjeiras, no Rio, Lucinha voltava do Projac, centro de produções da Rede Globo, onde foi gravar um depoimento sobre sua experiência como mãe de um soropositivo para a novela ‘Viver a Vida’. Enfática, foi logo dizendo que, por conta disso, já tinha chorado todas as lágrimas naquele dia e falaria conosco sobre qualquer assunto, sem problemas. E falou mesmo. Sobre casamento, trabalho, homossexualidade, justiça, religião, vida, morte, vida após a morte, disparando: “Amar, odiar, sacanear os outros, ser boa, ser má, matar, condenar, absolver, foder é muito pouco. Não acredito que a gente morra e suma”. Quem é a Lucinha Araújo? Sou uma mulher como outra qualquer. Sou aquela menina que estudou no Sacre Coeur de Marie [nobre colégio da Zona Sul do Rio de Janeiro] e casou com o primeiro namorado. Bota caretice nisso! Casei aos 20 anos e já estamos juntos há 53. Sei muito pouco da vida. Só sei as chicotadas que eu levei, mas procurei dignamente enfrentar. O que você pensa sobre a vida? Acho que a vida me castigou um pouquinho, mas acredito que a gente só carrega uma cruz quando pode carregar. Eu acredito em Deus, se ele me deu esse fardo é porque achou que eu podia aguentar, mas procuro até hoje uma explicação. Ninguém passa pelo que passei sem mudar. Mudei para melhor. Como é viver um casamento com o empresário e produtor musical João Araújo, um homem tão poderoso, que sempre viveu cercado de celebridades? Logo no início, eu costurava para fora e tinha bastante fre-


guesa. Ganhava mais que o João. Só assim que a gente pôde casar, pois ele trabalhava em gravadora, como divulgador e não ganhava muito. Éramos muito novos, eu tinha 20 anos e ele 21. Sempre fui muito apaixonada. João era um homem muito bonito, parecia um ator de cinema e eu era engraçadinha, mas nunca fui linda. Sofri muito com o assédio entre os artistas. Depois me acostumei. Como o amava, acabei segurando as pontas e não me arrependo. Como foi a sua infância e a relação com a família? Nasci em Vassouras, no estado do Rio. Meus pais moravam no Rio [capital], mas como minha mãe era de Vassouras, foi para lá pouco antes de eu nascer, me registrou e 15 dias depois voltamos para o Rio. Sou a filha do meio e não gostava disso. Minha irmã mais velha era a líder, foi a primeira filha, primeira neta, primeira sobrinha e a minha irmã mais nova parava o trânsito de tão linda. Me sentia espremida entre as duas. Minha mãe dizia que eu era a melhor, o recheio do sanduíche. Foi quando então descobri que era a mais esperta, estudiosa e tirava melhores notas. E foi por aí que fiz o meu. Em algum momento a família rejeitou o casamento precoce? Naquela época casava-se cedo. Minhas irmãs também se casaram cedo. Acho que era para se livrar logo da repressão que as famílias impunham, pois não se podia fazer nada. Se saísse com o namorado, a irmã tinha que ir junto. Sempre fui folgada. Fazia tudo escondido. Era bem sabida e fazia tudo por debaixo dos panos. Fingia que ia estudar na casa de uma amiga e não ia. Se tivesse vivido na época do Cazuza, teria sido muito pior do que ele. Sim e não para mim era a mesma coisa, eu fazia o que eu queria. Você vem à Sociedade Viva Cazuza todos os dias? Só não venho aqui aos sábados e domingos, salvo alguma festa ou alguma

ocasião que eu tenha que vir. De 15 em15 dias, costumo ir para Angra [litoral norte do Rio de Janeiro]. Lá temos uma casa na beira da praia, saio de lancha. Como é presidir uma instituição que acolhe crianças e adolescentes soro-positivos e lidar com isso de uma forma normal sem banalizar a doença? Tenho características de liderança bem fortes. O que tive que aprender foi a administrar, pois isso aqui é uma miniempresa. Com a doença, tive uma experiência terrível. Essas crianças de hoje já pegaram a geração dos remédios. Na época do Cazuza só tinha o AZT. Depois que perdi meu único filho daquele jeito, não podia cruzar os braços, esquecer do que passou e dormir tranquila. Se não estivesse fazendo alguma coisa, não seria feliz. Ou melhor, não seria 50% feliz. Porque feliz por completo ninguém é, ainda mais passando por tudo o que passei. Qual é o principal objetivo da Sociedade Viva Cazuza? É a casa de apoio pediátrico que abriga 20 crianças. Elas moram aqui em regime de internato. Algumas têm família, outras não. Temos também um projeto de adesão ao tratamento para adultos. O Brasil é um dos poucos países que distribui remédio para AIDS gratuitamente. A população mais carente contaminada ia aos postos, mas como não sabia ler nem escrever, acabava não tomando os remédios e voltava a se internar. Agora, temos um agente de saúde e uma assistente social, às quartas-feiras, e ensinamos a tomar o medicamento por meio de cartelas coloridas. Em troca damos como prêmio as cestas básicas, mas apenas para os que estiverem frequentando os postos de saúde e fazendo as consultas médicas. Atendemos mais de 150 pessoas por mês. Como é o dia a dia das crianças? Temos tudo o que demanda uma casa com 20 filhos. Eles estudam em escolas do bairro ou na FAETEC [Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro], onde os mais velhos podem fazer cursos profissionalizantes. O mais novo tem quatro anos e a mais velha já está com 17. Como você observa a influência da família, ou a falta dela, nos jovens da Viva Cazuza? As crianças que estão aqui são de famílias desestruturadas. Normalmente são pacientes psiquiátricos, mendigos... Todos os pacientes que tenho herdaram o vírus da mãe. Aqui é como se fosse a casa deles, eu sou a família deles. O que o Juizado de Menores acha disso? Não somos uma instituição. O Juizado acha que qualquer coisa é melhor do que uma instituição. Há crianças que chegaram aqui com um mês de idade e hoje já estão com 16 anos. Eles conheceram como mãe a mim. Já aconteceu de me obrigarem a devolver um menino de 15 anos. Não tomou os remédios, não se conformou de ir embora e acabou morrendo em

Se tivesse vivido na época do Cazuza, teria sido muito pior do que ele. Sim e não para mim era a mesma coisa, eu fazia o que eu queria


arquivo pessoal

Em família: com o filho único Cazuza e o marido João Araújo

No Brasil, tinha que ter pena de morte ou prisão perpétua cer. A gente não sabe como pega. Não podemos dizer: “não vou ter câncer”. Na minha família não existem casos de câncer. O meu foi o primeiro. E vai morrer comigo, porque não tenho mais descendentes. A AIDS você pode prevenir. Pode dizer que não vai ter. É só saber como se previne. Usar camisinha, não tomar transfusão de sangue sem ser testado, não se drogar compartilhando agulhas. Agora, se você pegar, morre. Pode demorar, mas um dia vai morrer mais cedo do que os outros. Você tem medo da morte? Não, não tenho. [Gilberto] Gil fez uma música “Não tenho medo da morte, mas de morrer sim!” Então é mais ou menos isso. Não tenho medo da morte, mas não queria morrer já. Apesar de meu filho ter morrido com 32 anos e eu já ter 73, ainda tenho muito o que fazer. Essas crianças dependem de mim e não vejo ninguém para me substituir. Minhas sobrinhas não são interessadas. A minha irmã que trabalha comigo desde o começo e seria a pessoa ideal é mais velha que eu cinco anos, e pela lei natural ela vai antes. O que a morte significa para você? Sou católica, mas não sou carola. Acredito em Deus, na existência de um ser superior. Viver, amar, odiar, sacanear os outros, ser boa, ser má, matar, condenar, absolver, morrer, fuder literalmente

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é muito pouco! Não acredito que a gente morra e suma. Não sei se viramos uma energia ou se tem outro mundo, aliás, adoraria que tivesse porque tenho certeza de que encontraria o meu filho e a minha mãe. Morrer e acabar não pode ser. Não acredito nisso. A Sociedade Viva Cazuza lhe mantém em contato com seu filho. De que outra forma você busca isso no dia a dia? Seis meses antes de morrer, estávamos em Boston num hospital, era Natal e ele já não andava, estava magrinho. Então pedi que ele me desse um sorriso, ele tinha os dentes bonitos. Ele sorriu, me chamou e disse baixinho “aconteça o que acontecer, eu vou estar sempre junto de você”. Eu sinto a presença dele 24 horas por dia. A morte era um assunto entre vocês? Não. A gente não falava de morte. Ele sempre me perguntava, se ele morresse, se eu ia me vestir de preto e ficar chorando, eu dizia: “Não, porque você não vai morrer”. Não queria falar sobre esse assunto. Como era sua relação com ele? Intensa. Nós éramos muito intensos. Tudo comigo é hoje ou nunca mais. A doença intensificou ainda mais? Com certeza. Eu só tinha aquele

filho. Eu me dediquei integralmente a ele. Meu marido também sofreu bastante, mas de outro jeito. João é fechado, só gosta de falar sobre coisas boas. O amor é igual, mas somos pessoas muito diferentes. Eu e Cazuza brigávamos, xingávamos e depois fazíamos as pazes. Você já disse que era mais uma irmã mais velha que mãe do Cazuza. Você faria alguma coisa diferente em relação a isso? A gente tinha diferença de 20 anos apenas. Era um relacionamento quase que de irmã mais velha. Com o João não, mas porque ele não permitia. Era todo certinho, não gostava de brincadeira sem graça. Eu só tive o Cazuza, não me arrependo de nada. Tudo o que fiz foi por amá-lo demais. Mimei, briguei, bati... Ele se dava bem com o pai? Sim. Ele dizia que o pai era o herói dele, o maior homem de discos do Brasil. O pai era o modelo para ele. Ele tinha ciúmes do pai com as amigas. A orientação sexual do Cazuza foi um problema? Não chegou a ser um problema, nós sempre convivemos com o meio artístico. O João começou a trabalhar com música aos 16 e nunca teve outro emprego, só trabalhou na indústria fonográfica. Então já estávamos acostumados. Evidente que não era isso o que eu queria para o meu filho, porque acho que é um caminho muito duro. A sociedade não aceita. O caminho de minoria é sempre mais sofrido. Quando tivemos uma conversa definitiva sobre isso eu disse: não quero me meter na sua vida, mas acho que nesse caminho você vai sofrer e eu não quero que sofra. Ainda perguntei: “você é viado?”. Ele disse “que é isso mamãe? Eu por acaso tenho quatro patas e uma galhada na cabeça?”. Ele disse ainda: “Vamos dizer que sou bissexual, mas não se meta na minha vida não, porque eu sei levá-la muito bem e estou fazendo a escolha que eu quero.” Quantos anos ele tinha quando se assumiu gay? Tinha 18, mas ele não ia falar, não. Eu é que fui em cima. E o pai como lidava com isso? Ele levou um susto. O Cazuza adorava sacanear. Certa vez, virou para o pai


Ainda perguntei: “Você é viado?” Ele disse: “Que é isso mamãe? Eu por acaso tenho quatro patas e uma galhada na cabeça?” e disse: “Papai, sabe o Serginho?“. O pai respondeu: “Quem é Serginho?”. E o Cazuza: “Aquele que eu namorei”. O João quase teve um troço. Isso ele já doente. Isso foi motivo de briga? Graças a Deus, não. É a vida dele... Ele fez uma experiência. Ele dizia preferir viver 10 anos a mil do que mil anos a 10. Ele pagou com a vida, mas viveu 10 anos a mil. Sempre preocupada em manter viva a memória de Cazuza, você lançou dois livros [‘Só as mães são felizes’, de 1997, e ‘Preciso dizer que te amo’, de 2001, ambos da Editora Globo]. Qual foi o principal intuito dessas obras? O primeiro livro era praticamente biográfico. Quis passar minha experiência de vida com meu filho, pois, se atingisse uma mãe pelo menos eu poderia ajudar. Principalmente em relação à orientação sexual. Minha surpresa é que foi best seller. Vendemos mais de 200 mil exemplares. O segundo livro é mais leve. Tem as letras das músicas. Entrevistas com os parceiros, histórias engraçadas. É um livro para pesquisa. E tem o terceiro que eu estou fazendo este ano, já está pronto e vai ser lançado em breve. É sobre a Sociedade Viva Cazuza e como tem sido minha vida de 20 anos para cá. Em uma entrevista recente para a ‘revista Ragga’, Lobão se queixou, num tom crítico, de não ter aparecido como o melhor amigo de Cazuza no filme sobre a sua vida. Por que isso aconteceu? O melhor amigo do Cazuza era o “brôu”, o Frejat. Era uma amizade linda, porque ele era bem calmo e resultou em belíssimas canções. Eles foram muito amigos. O Ney [Matogrosso] foi outro amigão do Cazuza. Eles namoraram apenas três meses e a amizade durou até o fim. Era um amigo de primeira linha. Ele visitava, levava o Cazuza para o sítio quando estava doente. O Lobão também

foi muito amigo, mas era mais amigo para maluquice. Cazuza o adorava, achava ele inteligente. O que acontece é que não cabia todo mundo num filme de 90 minutos. Não opinei em nada. Só assistia às gravações dos shows. O que achou do resultado final? Gostei, mas acho que, realmente, 90 minutos é pouco tempo para contar uma vida tão intensa. Acho que podia ter sido uma minissérie de duas semanas. Aí, sim, ia dar para aparecer todo mundo... Como é ser a mãe de Cazuza? É motivo de orgulho. Certa vez, no casamento da filha de uma amiga minha, fiquei pensando como seria entrar na igreja com meu filho. Cazuza dizia que nunca iria se casar, e isso era frustrante para mim. No mesmo dia, à noite, fomos ao show do Caetano [Veloso] e de repente Caetano pegou o violão, puxou o banquinho e começou cantar: “eu quero a sorte de um amor tranquilo”. O Barão [Vermelho] nem era conhecido. Virei para o meu marido e falei espantada: “Essa música é do Cazuza”. João disse que eu estava louca, psicótica com o Cazuza. Quando terminou Caetano declarou que a música foi escrita por Cazuza e musicada pelo Frejat e que eles eram integrantes do Barão Vermelho, um conjunto novo que ainda não tinha feito sucesso. Atualmente, qual é a sua relação com a música brasileira? Adoro música. Já gravei dois discos quando tinha 40 anos. Não fizeram o menor sucesso. Canto direitinho, mas me faltou coragem para enfrentar o público. O que você espera da vida daqui pra frente? Uma mulher de 73 anos espera muito pouco. Espero viver a vida ao lado do meu marido até o fim e espero que a Sociedade dê certo, que não falte dinheiro, porque os direitos autorais sustentam, mas ela custa mais do que isso. No mais, é a sensação do dever cumprido.


SCRAP

>> fale com ele

alexcapella.mg@diariosassociados.com.br por Alex Capella

La hermana A Pizza Sur procura mais um ponto na Savassi, região nobre de Belo Horizonte, para abrir as portas da sua quarta unidade. Hoje, a pizzaria já conta com uma unidade na região e outras duas, uma em Lourdes e outra no Cruzeiro, também na Zona Sul. Além da ampliação da rede, as três casas atuais receberão investimentos em infraestrutura, novos equipamentos e qualificação de funcionários. A pizzaria é especializada em receitas da culinária argentina. O destaque são as 34 versões de pizzas feitas com massa crocante, além das tradicionais empanadas.

fotos: divulgação

Efeito Cocoon Quem passa pela Avenida Brasil, às sextas-feiras, na altura da Nova Camponeza, tradicional casa de shows de Belo Horizonte, tem a impressão de que o lugar foi energizado por alienígenas, assim como no filme Cocoon, do diretor Ron Howard. Tradicional endereço da turma mais experiente, que não perde a oportunidade de gastar a sola do sapato, rodopiando pelo salão, o estabelecimento virou atração também para o público universitário. É que, desde o mês passado, ao longo da semana, a casa divide a programação entre o público mais tradicional e os novos adeptos do lugar. Para diferenciar o estilo, nas noites jovens, o espaço ganhou a estampa de Jockey Club. Já para os mais velhos, a marca Nova Camponeza continua firme e forte, com direito à noite da ‘maria cebola’ e outros legumes.

Rei do gado A churrascaria Porcão, localizada na Avenida Raja Gabaglia, no São Bento, Zona Sul de Belo Horizonte, vai receber investimentos entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões nos próximos meses. Além de incrementar a linha de frutos do mar, exclusividade do público mineiro, a casa se transformará num restaurante para 250 pessoas e ganhará um espaço para eventos que comportará até 2 mil pessoas. A intenção do empresário Fernando Júnior, que reassumiu a direção do empreendimento, é fazer com que o restaurante reverta a queda de 50% no movimento, registrada ao longo dos dois últimos anos, e passe a ter um faturamento mensal de R$ 1 milhão. Hoje, há quatro restaurantes da marca no Rio de Janeiro, um em Niterói, outro em Brasília e um em Belo Horizonte

Espaço físico Uma das regiões da cidade mais procuradas para a prática de atividades físicas ao ar livre, o Bairro Belvedere, na Zona Sul de Belo Horizonte, acaba de ganhar um espaço destinado à avaliação física (diagnóstico do grau de aptidão física) e nutricional (diagnóstico que analisa os hábitos alimentares), e à realização de massagens terapêuticas. Trata-se da HF Treinamento Esportivo, inaugurada no shopping BH2 Mall. A clínica, voltada para o público em geral, conta com profissionais capacitados para dar suporte especializado, tanto para o atleta profissional quanto para o interessado em iniciar um trabalho voltado para a melhoria da saúde e do bem-estar.

Golaço Com um investimento de US$ 65 milhões, a Gol ampliou o seu centro de manutenção, instalado no Aeroporto Internacional de Confins. A ampliação eleva a capacidade de manutenção para 120 aeronaves ao ano, o que é suficiente para atender a frota atual da empresa e absorver o crescimento planejado até 2016. Agora, a companhia aguarda a certificação internacional da autoridade aeroportuária americana FAA (Federal Aviation Administration) para poder realizar a chamada manutenção de devolução, serviço mais extenso e complexo. A expectativa é de que a empresa receba a habilitação dentro de um ano. Com o certificado em mãos, a Gol pretende gerar uma receita extra, realizando serviços para terceiros.

A coluna Scrap S/A foi fechada no dia 20 de março. Sugestões e informações para a edição de maio entre em contato pelo e-mail da coluna.


Ragga #37 - Morte  

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