Page 77

dirigida pela Liga de Defesa Popular, composta de elementos da U,O,I. e patrocinada pela F,O,R,G.S, Greve essa que conseguiu fazer paralisar a Indústria e a Construção, os trabalhos portuários, o tráfego urbano e a Viação Férrea do Estado.A greve de 191 7 foi mais bem no movimento de massa do que uma greve propriamente dita, pois não existia uma organização eficiente para levar a bom termo um movimento de tal envergadura, estando, portanto, destinada ao fracasso como de fato aconteceu? a FORGS estava desorganizada, com lutas internas entre os anarquistas e os capangas do Capital, capitaneados por Francisco Xavier da Costa (oculto), sendo seus agentes principais os gráficos Plínio José de Freitas e Antônio Macedo e o alfaiate Vigo Tompes CoIlin, contumazes asseclas da burguesia reacionária. Ao irromper o movimento quase espontâneo e com o beneplácito do Governo do Estado, que estava em vésperas de eleições, os anarquistas organizaram a Liga de Defesa Popular, incluindo nelas alguns agentes — Xavier da Costa e elementos sem orientação alguma e completamente desconhecedores da organização operária —, com um grupo heterogêneo destas condições a primeira dificuldade foi o suficiente para o seu fracasso.As classes profissionais acorriam em massas a FOROS. A LDP organizou um programa de reivindicações que substanciavam as necessidades mais urgentes, como sejam aumento de salários, barateamento do custo foi geral pelo espaço de 3 dias, A LDP destacou comissões para entender-se com os governos Municipal e Estadual, os quais imediatamente concederam exigências dos trabalhadores, aumentando os

salários dos operários que trabalhavam em suas obras, assim como a criação de sete feiras livres. A primeira dificuldade surgiu com a Cia. Força e Luz Porto Alegrense (hoje Carris Porto Alegrense), que se negava a qualquer entendimento com a LDP, declarando que só negociaria com os seus próprios empregados, só entrando em negociações com a comissão por pressão do Governo do Estado, que foram morosas pois a Cia. só assinaria o aumento com a condição da volta ao trabalho de seus empregados. A comissão da LDP, porque sabia que a volta do tráfego urbano seria a completa desorientação do movimento, que não tinha uma coesão suficiente para continuar em movimentos parciais, não acedeu de momento, indo consultar a assembléia da Liga, composta de 42 membros e completamente heterogênea como disse antes [.] Foi uma sessão agitadíssima em que os anarco-comunistas ficaram em minoria e tiveram que ceder, os agentes provocadores começaram a campanha derrotista e assim terminou a greve com um fracasso quase completo. O governo municipal instalou 4 feiras livres, uma na

77

praça Garibaidi, uma na rua Benjamim Constant esquina Cel. Bordini, que tiveram vida efêmera, uma na entrada do caminho do meio, que teve longa vida, só terminando com a construção do atual mercado, e outra na av. Ceará, que também durou pouco tempo. Propõs a Prefeitura que a LDP indicasse dois de seus membros para inspecionar as ditas feiras, pagando a mesma os vencimentos para ambos. Depois de algumas combinações, foram indicados dois anarco-comunistas (eis aí o golpe assestado pelos eternos vendilhões do operário, pois esta atitude dos anarco-comunistas foi o pretexto de uma campanha para combatê-los). Prontificou-se também a Prefeitura a construir um edifício para funcionara sede da FORGS. Protestaram os revolucionários e conseguiram que não fosse aceita a dita proposta não só por travar o desenvolvimento da organização livre, como também ficava todo o Movimento Operário na dependência do Governo (segundo golpe), Acirrou a campanha contra os movimentos ativos e conseguiram os falsos pastores assumir novamente o controle da FORGS sobre a presidência de Vigo Tompes CoIlin.

www.revistapzz.com.br

www revistapzz com br  

Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

www revistapzz com br  

Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

Advertisement