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Vivem como rajás Aparentam gostar dos livros Não sabem o que é fome, meu amigo Não sabem que é não ter um pano sujo para deitar no tempo do inverno Quando todos enxotam o vagabundo dos batentes, das calçadas e dos telhados. Reúne a multidão faminta e trôpega E mostra aos homens O exemplo da tua humanidade E a lição de tua vergonha e da tua coragem. Totem, meu velho Deves estar com fome, frio e saudade Do teu cantinho em minha casa Mas o meu pão não acabará a tua fome, a fome coletiva que há nas ruas Mas o teu teto não agasalhará os teus irmãos que roubam, esfaimados / e sarnentos, as cozinhas burguesas e pobres E é por isto que o meu remédio não curará a tua chaga sempre aberta / que sangra pela boca de todas as misérias do mundo!

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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