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variadas, as profissões também, as moças na maioria sem pintura andam sadias e fortes. Eu me lembro de Marajó, de Gurupá, de pessoas do Brasil como Rio Grande. A simplicidade, a naturalidade, a doçura, o amor ao trabalho que encontro no nosso povo predominam na cidade de Moscou porque o povo russo está no poder, de verdade. Aqui as mães e seus filhos tomam conta da cidade. Em meio do velho casario feudal e de antes da guerra, irrompe uma humanidade nova que coloca o trabalho em primeiro lugar. Não necessitam de artifícios para Moscou, eles apresentam a sua cidade dizendo “aqui se trabalha, se tem confiança na vida, aqui, como agora a primavera, floresce a felicidade.” Para quem deseja o socialismo, para quem compreende o destino do proletariado, para quem compreende o povo, para quem procura olhar nas faces, nos olhares, na alegria desse povo se sente à vontade em Moscou, compreende que esta cidade é realmente a nova luz do mundo, o coração dos grandes sonhos e das grandes realidades novas do homem. Fomos ao circo. Cheio. Lotado. Não é instalado como nos circos comuns. Tem o seu palácio, a sua casa. A pista. Os números. Descrever a cena da paz. A ucraniana. O cômico.

Esse admirável cômico exprime muito do humor moscovita, o sadio espírito, a consciência política. Sobre o palco uma legenda russa: “A paz para o mundo.” Aparece um boneco Truman e a lição de quem quer invadir Moscou. O cômico [se] faz de Hitler e entra num tanque e grita ‘Moscou”. O Livro Linha do Parque de Dalcídio Jurandir No meio do caé traduzido para o Russo em 1962. minho o tanque explode e desfaztra os burocratas, os diretores de se em pedaços. produção, os charlatães, contra Desaparece Truman diante da lição. A bailarina ucraniana, a dan- a moda ridícula, as cenas típicas ça do saber, os animais ensinados, sucedem-se. O cômico domina nessas cenas, intérprete da sátira tudo isso não me fez esquecer o e da crítica. Antes o porta-voz (?) circo soviético. Recordei Margafalou sobre Primeiro de Maio, a rida e José, esses, meninos, mas paz, a amizade entre os povos. Os eu, menino, vi o circo, a minha infância foi largamente presente- espectadores eram numerosos e ada pela alegria e a graça do circo lotavam. Que variedade de rostos soviético e tudo que deixei de ver e de trajes. Vi chineses, mongóis, vi tártaros. As mulheres, desde na minha infância contemplativa as velhas gordas com seus panos e cheia de sonho em Cachoeira nos rostos, singelas e familiares ficou maravilhada com a pancomo se vissem o circo em sua tomima, a dança acrobática, a própria casa. Vi soldados e oficiais marcha do cavalo. do Exército e da Marinha, louHá no circo uma crítica conras e morenas com seus vestidos

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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