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Documentário

Demagogia e Estupidez Dalcídio Jurandir | 13.6.1950 Os homens de governo nos Estados Unidos falam todo dia, a todos os instantes e sob qualquer pretexto. E isto, naturalmente,faz lembrar o que ocorria na Alemanha na época de Hitler e de Mussolini. Os chefes nazistas não podiam estar calados na histórica propaganda da guerra e no delírio da febre de querer dominar o mundo. Hoje, podemos comparar os inúmeros discursos proferidos em Berlim e Nurenburg, nas sacadas do Palácio Veneza pelos criminosos de guerra daquele tempo com os discursos de Truman e Acheson e outros responsáveis pelo governo norte-americano. A linguagem, o cinismo, o desespero, a arrogância, a provocação, a mentira, a demagogia, a estupidez fazem parte do mesmo arsenal onde Hitler se abasteceu para cometer os seus crimes e agora Truman se abastece para lançar uma nova guerra contra os povos. Na U.R.S.S. os chefes soviéticos, tendo Stalin á frente, mantêm com dignidade sua conduta politica, com equilíbrio e retidão nas palavras e nos atos. São claros e serenou nas suas declarações de paz e a favor de uma cooperação entre as grandes potências para evitar uma nova hecatombe. Nos Estados Unidos se multi-

- Arte, política e cultura

plicam as mais sórdidas provocações guerrreiras, sucedem-se discursos ocos e estúpidos, cujo sentido é o de tentar convencer o povo norte americano a aceitar a guerra que lhe querem impor os banqueiros e industriais de armamentos. Truman é o portavoz desses banqueiros e industriais, fala pelos canhões e bombas atômicas que eles fabricam e querem vender para aumentar os bilhões de dólares amontoados nos seus cofres. E isso a proporção que a crise norte americana se declara e, com ela, aumenta o desemprego, se eleva o custo de vida, diminuem as economias do povo, baixam os salários, multiplicam-se as greves, os estoques da produção crescem sem vender porque a capacidade aquisitiva das massas desce progressivamente. Enfim, uma situação que faz desesperar os magnatas e governantes norte americanos. Qual a saída para esse diminuto número de homens de negócios que exploram e oprimem cento e cinquenta milhões de americanos e querem sustentar um sistema de exploração colonial e de expansão imperialista no mundo? A única saída é a guerra, dizem eles. Trumam tenta esconder os seus objetivos com um dilúvio

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de discursos nos quais, como Hitler, se resume a lançar as mesmas calúnias contra o União Soviética, a repetir as mesmas infâmias, contra o comunismo e o falar em democracia e paz, tal qual como os chefes fascistas falavam. A paz para Truman significa destruir o socialismo, as democracias populares, entregar a China novamente a Chiang Kai Shek, manter as ditaduras na América Latina, fortalecer Franco e Salazar, aumentar o regime de terrror na Grécia e na Turquia, ocupar os mercados mundiais nas colônias e semi-colonias para a mais larga e feroz exploração por parte dos usurários e negociantes do imperialismo. A democracia é aquela quê ele impôs ao Chile com o traidor Videla, a que fez na Venezuela, a que sustenta aqui com Dutra onde se matam operários e se perseguem líderes populares, se perpetram monstruosos processos contra o maior líder do continente que é Luiz Carlos Prestes. É a democracia ao dolo que protege criminosos de guerra como Hirohito, que ameaça lançar bombas atômicas sobre populações civis, que lincha negros e mantém na miséria milhões de homens de cor, no sul do país, que encarcera escritores e conduz a juventude norte-ame-

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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