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Documentário

“Frente Democrática de Libertação Nacional” Imagem Em agosto de 1950, Prestes lançou um novo manifesto, no qual propunha a formação imediata de uma “Frente Democrática de Libertação Nacional”. Para os comunistas, a grande burguesia havia se passado completamente para o lado do imperialismo e não representava mais qualquer interesse nacional. Por isso mesmo, não poderia haver conciliação com ela. A visão justa sobre o papel dessa camada da burguesia no processo revolucionário foi acompanhada pelo agravamento do sectarismo político em relação às demais organizações do campo democrático e popular, que foram colocadas indistintamente no campo do imperialismo e da reação.

PARA A VITÓRIA, PARTIDO! Dalcídio Jurandir (Rio, 10-3-1951 VOZ OPERÁRIA) A 23 de março, comemora mais um aniversário de luta o nosso Partido. Os que se encontram presos erguerão os pulsos como num comício e conversarão depois longamente sobre o aniversário. E adormecerão mais

- Arte, política e cultura

convictos desta verdade: Não há homens mais livres que os comunistas. Que imensa liberdade, indomável e criadora é o Partido! Perseguidos, ausentes, separados, todos os militantes sentirse-ão reunidos. Não há família mais unida do que esta família, que é o Partido. Na solidão ou no meio dos trabalhadores, atuando sempre, todos saberão saudar, com seu melhor trabalho, o seu melhor exemplo, a mais maravilhosa razão de viver que é este Partido, este nosso Partido. Por toda a parte, um traço no muro, na parede, na árvore ou na montanha, aponta o Partido. Num encontro, numa conversa, mesmo atacado e caluniado, está o Partido. A mão de alguém, ardente e firme, fez algo que anuncia a luta, diz a palavra de ordem, mobiliza consciências e dá o rebate pela revolução. Nos postes, nos mastros, nos fios, na esquina, na fábrica, uma bandeira, uma faixa, uma fita, um gesto, um olhar, são relâmpagos que se converterão em incêndios de luta. Assim nasce o Partido, cresce o Partido. As casas se abrem para ele, como os corações. Em plena escuridão da rua ou do túnel, ali numa praça sitiado, adiante num prédio cercado, o Partido rompe o sitio, destrói o cerco, rasga a escuridão. Quando o acreditam destruído,

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levanta-se mais poderoso. Quando o pensam derrotado, assombramse ao vê-lo obtendo, com rapidez, novos triunfos. Quando o supõe isolado, surpreendem-se com desespero que, à frente do povo, em plena ação, está o Partido. O Partido não é apenas um nome no bolso, um retrato na parede, é o retrato do que há de mais puro e indestrutível em nossa consciência e é a consciência do mundo. Sem esse partido, que seria de nós, sem a sua estrela, sem a certeza que espalha em nossa vida, as idéias que nos dá, os sentimentos que nos oferece, a firmeza que nos ensina, o futuro que nos faz ver? Faz anos o nosso Partido. A ti, camarada Prestes, o nosso brinde. Como soubeste encarnar o Partido, com a tua coragem, a tua inteligência, o teu caráter, a tua convicção! Se recordamos o teu rosto banhado de sangue no infame tribunal, vemos nele o Partido. Nos anos de cárcere, como uma chama inapagável, eras o Partido atuando e velando. Eras a sentinela mais avançada. Eras o Capitão da Coluna e do Partido. E agora, em pleno combate, comandas o Partido, capitão da esperança. Hoje, neste aniversário, repetirás, com a mesma alegria, as mesmas palavras de confiança, a tua invencível confiança na vitória.

www revistapzz com br  

Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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