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conversaram comigo e sempre me quiseram bem e isto sempre foi um motivo de coragem e orgulho para minha vida. Aos amigos do interior que sabem ler e lêem jornais, peço que leiam esta carta aos amigos analfabetos. A instalação do Comitê Estadual do Partido Comunista, em Belém do Pará, é o resultado de muitos anos de trabalho constantes e difíceis realizados por dezenas de paraenses que sustentarão com bravura e paciência, sem interrupção, a atividade do Partido em nossa terra quando todas as forças reacionárias se lançavam contra os comunistas. Os tempos mudaram. A guerra veio demonstrar que os comunistas são os mais dedicados amigos da liberdade, do povo e sempre mais próximos do futuro. Tudo sacrificaram pela honra do Partido que é a honra do povo e o mais rico legado das lutas populares para as gerações de amanhã. Amigos e amigas, católicos, protestantes, espíritas, maçons, teósofos, judeus, peço a vocês um pensamento de homenagem aos comunistas sacrificados e mortos pelo amor ao povo. Nas ladainhas, nas novenas e missas, nas sessões e reuniões religiosas, nas rezas sempre amadas do nosso interior, defronte dos oratórios,

- Arte, política e cultura

das bíblias, dos catecismos, das cerimônias e nas meditações, pensem um pouco também nos que tombaram e padeceram pelo povo, pensem nos comunistas que não estão conosco, que estão ausentes para sempre. Quando alguém lhes disser que os comunistas são maus, são sem alma, querem destruir as igrejas, querem tomar as filhas ou esposas alheias, tomar as roças, as fazendas, as canoas, o gado, a criação e a rede de pesca, tomar, afinal, a propriedade que a maioria de vocês nunca teve, riam na cara do velho intrigante, chamem-no de mentiroso e infame, digam que agora os tempos mudaram. A mentira foi descoberta e esmagada, a infâmia foi devolvida e queima a língua do próprio difamador. Hoje vocês já sabem que a intriga e a mentira eram lançadas para dividir o povo, evitar que o povo se organizasse e compreendesse que a miséria tem remédio, afastar os comunistas do povo. Os velhos e infames intrigantes sabem já que onde houver povo, há comunistas. Onde houver classe operária, há Partido Comunista. Inútil querer afastar os comunistas do povo, seria o mesmo que tirar os olhos, o coração do corpo de um homem. Seria o mesmo que arrancar do

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povo o direito que ele tem de saber o que quer e o grande futuro que o aguarda. Os comunistas são a carne da carne do povo. Botem para fora de seus lares e de seus locais de trabalho os velhos e os infames intrigantes, inimigos do povo, a sua infâmia e a sua intriga não pegam mais. Aberto para o povo o Partido Comunista só poderá trabalhar e crescer no meio do povo. Bem sabemos as dificuldades enormes a enfrentar no nosso Estado. O Pará tem sofrido muito, Belém foi, no Brasil, a cidade mais atingida pela guerra mas foi também uma das bases cedidas aos nossos aliados para as operações da invasão da África, da Europa e da guerra do Pacífico. A miséria do povo é muito grande, seu mercado interno, sua indústria, sua agricultura, trazem ainda o peso do atraso colonial. Fazendeiros e criadores, os queridos vaqueiros do Marajó e do Baixo Amazonas sofrem as conseqüências da crise da pecuária, como a população de Belém se encontra sob a opressão dessa crise e de toda a crise geral de nossa economia. Os castanheiros e seringueiros, os plantadores de cacau, os roceiros da varzea e da terra firme, lenheiros, garimpeiros, comerciantes, motoristas, plantadores de fumo,

Foto: Acervo Dalcidio Jurandir - Fundação Casa de Ruy Barbosa

Documentário

www revistapzz com br  

Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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