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popular contra a quinta-coluna, contra todas as restrições perigosas e ataques reacionários que se fazem em nosso país ás resoluções de Yalta. Abre condições para uma, maior participação do povo em defesa dos acordos de Yalta contra a influência, tão grata a Hitler desse foco de reação internacional que é o “governo exilado polonês” de Londres. A anistia é, assim, uma frente para a recuperação de liberdades públicas como também dará experiência, preparo e vigor para o curso da luta democrática, à altura das circunstâncias em que se acha o nosso país, diante das últimas batalhas da F.E.B. na Itália, diante do fim da guerra, diante da Conferência de S. Francisco. Será assim a anistia uma frente da ordem pública, um dos muitos andaimes, daqueles andaimes a que aludia um gênio político, para a construção do edifício democrático. “A ordem política e social” está passando das mãos de blocos antidemocráticos, minorias fascistas e semi-fascistas para as mãos dos povos que se libertaram pela guerra. Logo devemos ganhá-la dentro do processo da democratização pelo qual estamos em guerra contra o nazismo, com toda a vigilância dos nossos melhores métodos políticos, com todo um nobre espírito de denúncia contra a provocação, o golpismo, a demagogia. Exigindo anistia, estamos percorrendo o caminho aberto pelas nossas forças expedicionárias na sua campanha da Itália. Saímos de uma noite de sete anos mas saímos prevenidos e apoiados para não consentir em outro colapso das nossas ainda débeis e dispersas forças políticas,

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para não permitir que o trabalho e o sacrifício dos nossos soldados : sejam inúteis. Estamos com a rãzão e com a vitória e como é profundamente simples dizer isto, depois de uma guerra como esta guerra de tanto sangue e tanta ruína e ao mesmo tempo de tanta justeza e de tanta esperança! O essencial é organizar o movimento de anistia, como de todas as correntes de opinião livre. Devemos organizá-lo em comitês políticos, nas formações trabalhistas, nas associações culturais, religiosas, esportivas, organizar, dar corpo ao clamante pensamento da anistia. E o problema , não é só de organizar mas o de criar, também, uma vigorosa unidade de ação. O mundo, como num relâmpago, mudou e foram os povos lutando que determinaram tão rápida mudança. A imensa e oprimida humanidade está avançando sobre o futuro, com que desespero as forças obscurantistas teimam resistir! Aqui no Brasil estamos chegando ao fim de uma ditadura, a nascente, democracia brasileira, em sua forma capitalista, não mais depende do azar, do acaso, de fatos em que o jogo do fascismo se tornava tão claro e tão vil. Depende já de crescentes condições favoráveis no plano internacional e nacional e depende, sobretudo, da nossa capacidade organizativa, de nossa educação política, e da leal aplicação da tática historicamente justa que é a de conquistarmos a liberdade dentro da tranquilidade e da ordem. 01/04/1945 O JORNAL.

Texto: Acervo Dalcidio Jurandir - Fundação Casa de Ruy Barbosa

Desenho: Oscar Niemeyer

cito, cujo conteúdo histórico democrático se tornou gloriosamente maior e mundialmente conhecido na sua participação da guerra contra o nazi-fascismo, daria um passo gigantesco com o movimento organizado da anistia. A anistia é um dos fatos que tanto necessitamos, uma das condições, podemos dizer práticas e patéticas, da união nacional e impulsiona a mobilização psicológica do povo para, o fim da guerra, para a arrancada final sobre e covil de Hitler, para o completo aniquilamento dos exércitos nazistas e a preparação da arrancanda política e esmagadora contra Franco e todos os bolsões ao nazismo cercados pelo mundo. A missão da F.E.B. ainda não acabou. Morrem os nossos irmãos, surgem os primeiros feridos e mutilados, há famílias no Brasil que sentiram em sua carne o peso da guerra, a significação terrivelmente exata do fascismo, morrem nossos pracinhas ao lado dos “jovens soviéticos, britânicos e norte-americanos nas frentes de batalha. Não devemos perder de vista a perspectiva da guerra e com ela a perspectiva da vitória e na perspectiva da vitória aquela que, com a libertação dos povos, nos assegura a derrota política do fascismo. Entre esses povos se encontra o nosso povo que já tomou o caminho da restauração das suas antigas e mínimas liberdades perdidas e está a caminho das profundas e reais liberdades que nunca teve. A anistia é uma frente de combate pela paz interna mas indiscutivelmente corresponde a mais uma frente nacional de guerra contra o nazi-fascismo, criando uma nova forma de mobilização

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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