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ta, que tiveram como ápice a publicação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), numa clara intenção de impedir que os trabalhadores caíssem sob a influência comunista. E ordenara ao Ministério do Trabalho que intensificasse o controle sobre os sindicatos e reforçasse a posição dos pelegos, de modo a realizar uma sindicalização de acordo com seus próprios interesses. Em agosto de 1943 realiza-se, na clandestinidade, a Conferência da Mantiqueira : II Conferência Nacional do Partido Comunista. Os comunistas brasileiros estavam divididos, sobretudo, em relação ao apoio a Vargas. No entanto, a orientação adotada foi a de apoio incondicional ao presidente que anteriormente era o grande carrasco dos comunista, fascista, nazista e agora era preciso aliar-se com ele na guerra contra o fascismo e pelo trabalho persistente para a reestruturação do Partido. A conferência elege Luís Carlos Prestes - ainda no cárcere - secretário geral do Partido. A II Conferência Nacional do PCB aprovou a política de união nacional em torno do governo para o esforço de guerra e a luta contra o nazifascismo e pela anistia aos presos políticos. A luta para derrubar Vargas e o Estado Novo foi colocada de lado e considerada nefasta no combate ao inimigo

principal. Em abril de 1945, foi decretada a anistia e Vargas passou a conduzir pessoalmente o processo de democratização, sinalizando para a construção de um modelo político e social mais avançado que o de antes, de 1937. O próprio Partido Comunista pôde, finalmente, sair da clandestinidade e realizar gigantescos comícios. Naquela conjuntura, desenvolvia-se o chamado movimento “queremista”, que apregoava a convocação de uma Constituinte, com a continuidade de Vargas no poder, proposta encampada pelos comunistas. As classes dominantes se apavoraram com a possibilidade de uma aliança entre comunistas e trabalhistas e organizaram um golpe de Estado. Em outubro, Vargas foi destituído. No entanto, isso não deteve o processo de democratização em curso. No mês seguinte, o TSE aceitou o pedido de registro do Partido Comunista. Faltavam poucos dias para a eleição presidencial e para a Constituinte. Os comunistas realizaram, então, a mais empolgante campanha eleitoral já vista pelo país e conseguiram eleger 14 deputados federais e um senador, Prestes. O seu candidato à presidência, Yedo Fiúza, praticamente um desconhecido, alcançou 10% dos votos. Em 1945, quando o Partido

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Comunista entrava na legalidade, Dalcídio participava da direção do jornal TribunaPopular e colaborava na revista O Cruzeiro. Em junho de 1945, o PCB, legalizado, espraiava seus comitês por todo o território do país, aparecendo no cenário político como um partido de massas, enraizado entre os operários industriais e as camadas populares e com grande prestígio entre a população. O partido estava crescendo rápido demais - de algumas centenas de células e alguns poucos milhares de militantes, antes da legalidade, passava a ter milhares de células e os números da secretaria de organização já falavam em quase 200 mil militantes. O partido se transformara num partido de massa e era preciso tornar todo esse contingente em militantes e dirigentes ativos, utilizando-se de diferentes meios de educação e propaganda. Montar jornais diários para difundir as políticas do partido; possuir semanários e revistas para fornecer elementos de educação teórica para os quadros e militantes; instituir sistemas de palestras e cursos para dar maior consistência a esse processo de educação política e ideológica tudo isso era uma tarefa nova e

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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