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Nessa época o PCB vai ganela desenvolveu a maior parte da nhando prestígio junto às forsua obra jornalística, ensaística e ças da cultura, no bojo da luta de ficção. antifascista e pela anistia. Oscar Para sobreviver, Dalcídio Niemeyer, por exemplo, ingressa trabalha intensamente como no Partido já em 1942. O poeta jornalista. Ele que exercia sua Manoel de Barros também entra atividade de escritor e jornalista no PCB, ou mais exatamente na desde os seus 16 anos, isso em Juventude Comunista. Por essa 1925, quando foi um dos diremesma época, Jorge Amado estores da revista “Nova Aurora”, creve o seu “Cavaleiro da Espemensal, artesanalmente produrança”, relato romanceado da vida zida (toda a bico de pena), cujo de Luiz Carlos Prestes, então na redator era seu irmão Flaviano Ramos Pereira (que depois viria prisão. Rompendo cada vez mais com o seu isolamento, o Partido a ser grande jornalista em Bemarca forte presença no Congreslém). so dos Escritores, presidido pelo Em 1942, trabalha na redação comunista Aníbal Machado. Há do jornal “O Radical” e depois atua na “Revista Diretrizes” editada comunistas entre os redatores da resolução do Congresso, a comepor Samuel Wainer órgão inovaçar por Alberto Passos Guimarães dor na imprensa carioca que se transformou em jornal diário em e Caio Prado Júnior. Os congressistas exigem uma ampla cam1943 onde é o redator do jorpanha de alfabetização no Brasil. nal político, para o qual escreve União Nacional de artigos importantes, colaborando Dalcídio vence oSurgem concursoa promovido pela editora (UNE) e a Associação com textos críticos Vecchi sobre ea pelo rea- jornalEstudantes literário Dom Casmurro Brasileira de Escritores, entidades lidade brasileira e o combate ao fascismo, onde chegou a assumir apoiadas pelos comunistas. Muitos representantes da uma Coluna “Inteligêcia contra o Fascismo”. Em 1944, Diretrizes é área cultural filiam-se ao PCB na redemocratização de 1945. Jorge fechado e Dalcídio passa a trabalhar no SESP Serviço Especial de Amado é eleito deputado federal. Mário Schoemberg, Graciliano Saúde Pública, redigindo textos Ramos, Dalcídio Jurandir, Arde programas de educação saninaldo Estrela, Quirino Campotária, junto a Moacir Werneck de Castro, Rubem Braga e Armênio fiorito, Aníbal Machado, Bruno Giorgi, José Pancetti, Eugênia Guedes. Nesse ano colabora no Moreyra, Moisés Vinhas, Rui Diário de Notícias, no Correio da Santos, Portinari, Di Cavalcante, Manhã e na revista Leitura.

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Foto: Acervo Dalcidio Jurandir - Fundação Casa de Ruy Barbosa

e só mais tarde publicado com o título de Marajó. Depois no começo da década nasce seu terceiro filho, José Roberto Freire Pereira, em 1940, e o seu aparecimento na literatura nacional através do concurso de romances promovido pela editora Vecchi e pelo jornal literário Dom Casmurro que foi fundado por José Lins do Rego, Gilberto freyre. Em 1941, é lançado no Rio de Janeiro o romance Chove nos campos de Cachoeira. Dalcídio recebe da Casa Editora Vecchi Ltda, por ordem de pagamento, a quantia de cinco contos de réis. O interventor José Malcher concedelhe um “segundo prêmio”: passagens e ajuda de custo para se demorar uns dois meses no Rio de Janeiro. Vai sozinho para o Rio, na primeira classe do paquete Itapage (da Companhia Nacional de Navegação Costeira). No Rio, encontra as maiores dificuldades para se estabelecer profissionalmente. Guiomarina, sua esposa que ficara grávida e com os dois filhos em Belém, segue grávida, com os dois filhos para o Rio de Janeiro, ao encontro do marido. Traz também seus irmãos Glória e Jorge. Dalcídio jamais voltou a residir em Belém, fixou-se definitivamente no Rio e

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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