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um em frente ao mercado de São Braz e outro na cidade de Santa Isabel na Estrada de Ferro de Bragança, para onde seguiu uma caravana de nacionais libertadores. Os membros do diretório encontravam-se também na Rua Carlos Gomes nº 27. A ANL distribuiu e publicou no jornal “O Estado do Pará” outro boletim colocando objetivos programáticos entre os quais contavam: • Congelamento da dívida externa; • Amplas liberdades para o povo; • Entrega das terras dos latifúndios aos parceiros, arrendatários, etc; • Cancelamento dos tributos feudais pagos pelos camponeses; • Anulação das dívidas agrícolas; • Defesa da pequena e média propriedade.

Implantação de Um Governo Popular Marchamos, assim, rapidamente, à implantação de um governo popular revolucionário, em todo Brasil, um governo do povo contra o imperialismo e o feudalismo e que demonstrará na prática, às grandes massas trabalhadoras do pais, o que é a democracia e a liberdade. O governo popular, executando o programa da Aliança unificará o Brasil e salvará

- Arte, política e cultura

a vida dos milhões de trabalhadores, ameaçados pela fome, perseguido pelas doenças e brutalmente explorado pelo imperialismo e pelos grandes proprietários. A distribuição das terras dos grandes latifúndios aumentará a atividade do comércio interno e abrirá o caminho a uma mais rápida industrialização do país, independentemente de qualquer controle imperialista. O governo popular vai abrir para a juventude brasileira as perspectivas de uma nova vida garantindo-lhe trabalho, saúde e instrução. A força das massas, em que se apoiará um tal governo, será a melhor garantia para a defesa do país contra o imperialismo e a contra-revolução. O exército do povo, o exército nacional revolucionário será capaz de defender a integridade nacional contra a invasão imperialista, liquidando, ao mesmo tempo, todas as forças da contra-revolução. “A idéia do assalto amadurece na consciência das grandes massas.” Cabe aos seus chefes organizá-las e dirigi-las. (Manifesto de Luiz Carlos Prestes). Entre 7 e 19 de Julho, foram instalados núcleos da A.N.L. em diversos lugares. A Aliança Nacional Libertadora protestava contra as afirmações de que era uma organização extremista. Diz que a degradação moral de certos elementos, estipendiados por magnatas estrangeiros, chega ao ponto de tentar lançar na ilegalidade uma associação patriótica,

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cujo crime era lutar pela completa e definitiva emancipação do país. E em comunicações pela imprensa informava que iniciaria uma campanha nacional pelo salário mínimo, utilizando todas as forças úteis do país de modo a garantir pleno êxito. Com uma ampla divulgação da Campanha da A.N.L no boca a boca e nos jornais, várias pessoas aderiram ao movimento, como o saudoso João Amazonas que seria um dos grandes políticos combativos que o Brasil já teve. Ele trabalhava na fábrica Palmeira em Belém que tinha uns 600 operários e operárias e que foi filiado no Partido Comunista por Dalcídio Jurandir. No depoimento de João Amazonas publicado na Revista Princípios podemos conhecer um pouco de suas lembranças: “Cheguei em casa num domingo, em abril de 1935, e como de costume fui me deitar após o almoço, já que era a nossa folga. Levei o jornal, deitei-me na rede e comecei a ler. De repente, vi: “Aliança Nacional Libertadora é comunista” – esse era o título de uma notícia sobre um comício que a ANL tinha feito no Rio de Janeiro sobre o qual havia ocorrido intervenção da polícia. Abaixo uma notinha dizia: “Hoje Comício da ANL no Largo da Pólvora, em Belém”. Desisti de dormir, botei o jornal de lado, vesti-me e fui corren-

Orozco

Documentário

www revistapzz com br  

Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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