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A um mystico integralista O inteligente Sr. Francisco Sampaio, não quiz, por habilidade muito integralista em dizer a verdade a Alliança Nacional Libertadora. Bateu na velha tecla: o extremismo... É preciso comprehender que a Allinaça não é um jogo de velhas doutrinas e de falsas ideologias mas uma funcção de “necessidade histórica” imposta pela própria evolução política do Brasil. O Sr. Sampaio que é um homem culto não ignora o que é, em sociologia, a noção de “necessidade histórica”. Basta saber os processos de desenvolvimento social para apontar a direcção que o mesmo desenvolvimento deve ter, fatalmente, diante do futuro. Não se poderá dizer que são matemáticas as leis de desenvolvimento da sociedade mas ninguém prescindirá de um methodo de pesquisa para a investigação das causas que produzem os factos históricos e as transformações sociaes. O dr. Sampaio atacando a Alliança, não usa como nós, o mesmo processo de análise. Limita-se a combater sem fundar em bases seguras as razões de seu ataque. Aliás o Sr. Plínio Salgado em seus livros até hoje não formulou, uma crítica nova, séria, definitiva sobre as causas de onde partem os novos rumos sociaes e políticos do Brasil. A Alliança não é pois nem um doutrina, nem um “olho de Moscou”. É uma força que se creou na tragédia econômica do paiz. Vem do povo para as camadas mais altas. Vem das massas proletárias e camponezas para a metidatação dos sociólogos sinceros. Nem se queira insultar um homem como Luiz Carlos prestes que teve a coragem de dizer ante a logomachis fascista e o caos liberal

democrata, qual é na verdade, a ideologia revolucionária. O comunismo ainda está no desconhecido e virá porque é uma sintese histórica de transformações sociaes. Mas a Alliança não é nem comummunista nem extremista. Tomou apenas a direcção do movimento de que depende o futuro do Brasil. Não é por meios artificiaes, não é por uma simples e confusa explanação doutrinária nem com explanações verbaes que se fixa o caminho a tomar nos destinos do paiz. O dr. Sampaio pertence a uma “terrível mística fascista” e não percebe que, sem o contacto direto e permanente, através do “documento colhido no vivo” (“social case history”) com a realidade, não é possível operar qualquer modificação num regime. Adquirir, possuir, ganhar, diz Gilberto Freire, eis o índice de um civilização condemnada. O que ocorre é a recuperação da força creadora e da saúde econômica que o homem perdera dentro do industrialhismo individualista: o equilíbrio entre os seus instintos creadores, sua ânsia abafada pela bellesa e a téchnica superdesenvolvida, a serviço dos instintos de “aquisição” ou de “posse”. (Gilberto Freire, o estudo das sciências sociaes nas universidades norte-americanas). A Alliança veio, pois, como um producto do determinismo econômico. Sem doutrinas porque seu programma é repetidos pelas boccas famintas, pelas multidões expoliadas, pelo proletário illudido, pelo camponez reduzido a extrema miséria como escravo da gleba, embalado pelo grito de ansiedade solto desesperadamente, por quarenta milhões de brasileiros. O Estado do Pará, 04 de junho de 1935.

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Texto: Acervo de Obras Raras da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves

Dalcídio Jurandir

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Edição Especial da Revista PZZ sobre a militância política de Dalcídio Jurandir

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