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1202 ED OTSOGA /1 OREMÚN /1 ONA /1 EMULOV

PUBLICITTÀ NEM TUDO O QUE VOCÊ VÊ

Imagem: Reprodução do YouTube

É VERDADE. A chegada ao mercado de mais uma produtora focada em VFX, a GlobeTrotter, jogou luz sobre o uso da ferramenta de pós-produção de filmes e que cresceu durante a pandemia Covid-19. VFX é a sigla em inglês para "visual effects", em português efeitos visuais, que engloba também a criação de imagens por computador (CGI/computer-generated imagery) e o uso de efeitos durante a gravação, chamado de SFX. Então, nem tudo o que vemos é verdade?. A resposta é sim, pois pode ser pura manipulação da realidade. DOVE: É TUDO VERDADE.

OLIMPÍADAS: A FESTA DA DIVERSIDADE.

PAI É TUDO IGUAL?


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SUMÁRIO O TAL DO VFX & COMPANHIA. PÁGINA 5

LÍNGUA

A BELEZA

& TOTAL

REAL DE

DOMINAÇÃO.

DOVE.

PÁGINA 4

PÁGINA 7

PAI É TUDO IGUAL? PÁGINA 8

“Muito do que somos levados a ler, a ouvir, a ver e até a comer, parece o

resultado de um expediente, uma questão pura de comércio.

Inteligência, até toques de genialidade viraram relíquias curiosas de

outras eras. A perda é nossa.”

Stanley Kubric


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Fotos: do IOC/Media e Flickr

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NOTA DO EDITOR

EXPEDIENTE

A cerimônia de abertura da XXXII Olimpíada da Era Moderna, os Jogos de Tóquio 2020, foi realizada, um ano depois, no dia 23 de julho de 2021, com o Estádio Nacional da capital japonesa praticamente vazio em função da pandemia Covid-19, responsável pelo adiamento em 2020. As imagens desta cerimônia, como as divulgadas pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) pela plataforma Flickr, em que o seu presidente, Thomas Bach, faz um discurso tendo ao fundo cadeiras vazias, são um retrato fiel de como vivemos hoje, mas poderiam ser diferentes. Para tal, bastaria o uso de ferramentas de efeitos e existem várias, tanto pagas como gratuitas, capazes de colocar uma multidão atrás de Bach, um estádio lotado. Algo simples de se fazer. Só que aí começa o problema: a realidade resultante destas ferramentas seria falsa, uma informação dissociada da realidade, uma notícia falsa como as FAKE NEWS das quais se alimenta e retroalimenta a política brasileira atual. É este o dilema que o mercado publicitário passa a viver com o uso intensificado, por força da pandemia, dos efeitos especiais, das imagens geradas por computador e do acréscimo de cenários e situações falsas em imagens reais. É esse o tema desta edição que também mostra o esforço do varejo, em tempos bicudos, para pegar carona em datas como o Dia dos Pais.

Revista Publicittà é uma publicação semanal de comunicação pública e comercial produzida pela Editora Olympia (editoraolympia.com.br) e distribuída gratuitamente em plataformas digitais por parceiros.

Boa leitura e boa semana, Carlos Franco. Em tempo: a partir de agora, Revista Publicittà deixa de ter compromisso diário com a informação e passa a veicular semanalmente esta revista digital, mantendo o seu compromisso original de entregar aos leitores informação de qualidade e uma análise mais crítica da comunicação pública e comercial.

Editor-chefe: Carlos Franco Editora internacional: Yume Ikeda Colaboradores: Marco Hiroschi, Rita Almeida, Rodrigo Vidal , Tiago Ribeiro e Eduardo Silva Bernardt. Imagens: Francisco Jr., Carlos Monteiro,Stúdio Mar Adentro, Pixabay, Freepick, FLICKR, Cacalos Garrastazu, assessorias de imprensa e agências. Diagramação: Paulo Pereira E-mail: redacao@revistapublicitta.com.br

EDITORA OLYMPIA AVENIDA RONDON PACHECO,2300 SALA 65/ UBERLÂNDIA/MG/CEP 38408-404 editoraolympia@gmail.com


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Imagens: Creative Commons

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DOMINAÇÃO

AO VENCEDOR, A SUA LÍNGUA Desde os primórdios, o homem encontrou na comunicação um instrumento de poder. Os vencedores impunham aos perdedores a sua cultura por meio da língua. Foi assim com os grandes impérios e poucos foram os que conseguiram preservar sua cultura e sua expressão máxima, a língua, e os seus costumes e crenças ainda que os adaptassem como ocorreu com o latim que acabou por dar origens a outras línguas, inclusive o português, poeticamente chamado por Camões de "a última flor do Lácio. Isso por ter sido desta região italiana que partiram as tropas que anexaram Portugal ao Império de Roma. É a comunicação exatamente o que nos une enquanto tribos, nações, ainda que sujeita às ingerências externas, sejam elas territoriais, políticas, sociais ou econômicas. E, como "ao vencedor, a sua língua", numa referência ao grande escritor Machado de Assis que usou a expressão em Quincas Borbas para explicar que os vencedores ficavam com as batatas dos campos de guerra, finda a Segunda Guerra Mundial, em 1945, os Estados Unidos conseguiram impor a sua língua ao mundo e até o padrão dólar em substituição ao padrão ouro como lastro de valor nas negociações globais. Com o dólar como padrão monetário, por decisão do Tratado de Breton Woods e uma Europa arrasada pela guerra, era preciso exportar a língua e a cultura, assim como os produtos americanos.

Empresas do vencedor, então, compraram várias no velho continente, na bacia das almas. E fez uso do cinema, a comunicação, para vender ao mundo o "American way of life", das fórmicas, das geladeiras Westinghouse, Frigidaire e uma variedade de itens eletro e eletrodomésticos da General Eletric e de tecidos sintéticos criados pela DuPont sob o rugido do Leão da Metro Goldwin Mayer e a luz brilhante da Paramount. Então o "in" e o "out" foi deixando out os idiomas locais e a cultura do vencedor foi invadindo o mundo com Coca-Cola, Pepsi, McDonald's, Levi's, Unilever e outras tantas, assumindo controle da internet e dos computadores com Microsoft, Google, Facebook e WhatsApp. Com os aliados ingleses do idioma, fizeram a festa comprando, no Brasil, agências de importantes criativos e, mais uma vez, impuseram a língua e empresas que antes tinham profissionais de talento perderam a cabeça e, vez por outra, mas com muita frequência, anunciam que acabaram de contratar um "head", uma cabeça disso ou daquilo. Não demorará o dia em que anunciarão que precisam de uma "coffeofficer", as sempre simpáticas mulheres do cafezinho.


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Fotos: Divulgação

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FILMES

OS TAIS VFX, CGI & E SFX. Efeitos especiais não chegam a ser uma grande novidade, nem nos teatros nem nos cinemas e, por tabela, em filmes comerciais ou de utilidade pública. Um dos primeiros grandes impactos desses efeitos especiais chegou ao público a bordo do filme francês “Viagem à Lua” (Le Voyage dans la lune), de 1902, dirigido por George Méliès e inspirado em livro de Julio Verne. Só que naquele tempo só se falava, o que é correto: efeitos especiais de imagem e ponto final e que incluíam até os célebres fogos de artifício de apresentações medievais tão bem apresentados no filme “A viagem do Capitão Tornado”, obra prima do cineasta italiano Ettore Scola.

A moda dos acrônimos, os tais VFX, CGI, SFX, SPFX, F/X e que tais, surgiu recentemente no rastro da produção americana “Star War”, de 1977, dirigida por George Lucas. É herança desta Guerra nas Estrelas e dos estúdios envolvidos em sua produção esse emaranhado de siglas para uma expressão tão simples quanto efeitos especiais. Assim, VFX passou a identificar os efeitos especiais pós-produção, abarcando as imagens criadas por computador (CGI) e os efeitos especiais durante uma filmagem (SFX), portanto efeitos mais realistas ainda que efeitos especiais, simples assim. Para quem não conhece a origem e o significado de VFX e que tais pode achar que se trata de algo inovador e sofisticado, difícil de entender, o último espetáculo da Terra ou da lua de Mièlés. Não é. Apenas contamos hoje com mais e melhores equipamentos e programas de informática, os tais softwares que invadiram até celulares manipulados até por crianças e que são identificados por novos acrônimos de efeitos especiais. Tem sido assim desde que a inglesa Ada Lovelace (1815-1852), filha de Lord Byron, autor de Don Juan, criou um algoritmo capaz de fazer máquinas calcularem, tornando-se a primeira programadora do mundo e a primeira a desenvolver programas de criptografia, dando nome ao que foi criado pelos Estados Unidos para a II Grande Guerra Mundial. Foi a partir de Ada que o também inglês Alan Turing (1912-1954) chegou ao que hoje nos é indispensável: os computadores. Curioso, porém, é que, num ambiente extremamente machista, o da informática e o da programação de dados, as maiores invenções partiram de uma mulher e de um homossexual. Um, ou melhor, dois vigorosos tapas na cara de velhos e arcaicos preconceitos e dos babacas.


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Fotos: Divulgação

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PRODUTORA

VIAJANTES DO GLOBO & VFX. Sócios da Marla Colour Grading e especializados em VFX, os efeitos especiais pós-produção de um filme a que se somam as imagens geradas por computador e os efeitos na própria filmagem em si, André Pulcino e Guido Gallo viram a demanda pela modalidade crescer com a pandemia Covid-19 face às restrições sanitárias do período. Foi então que decidiram unir seus talentos e convidar outro profissional da área, Gustavo Samelo, para juntos abrirem as portas de uma nova produtora, a GlobeTrotter. Foi o fluxo de trabalho crescente, para os incautos que desconhecem a nossa língua o workflow, o que levou a dupla e o parceiro a sonharem com uma viagem pelo globo dos efeitos especiais em busca de maiores oportunidades no mercado de efeitos especiais.

Deu resultado. Um dos primeiros trabalhos da GlobeTrotter é o filme “Talento”, assinado pela agência Africa, que uniu na pós-produção o tenista espanhol Fernando Nadal e uma garotinha que é estimulada pelo pai a gostar de tênis, mas que prefere futebol, até que ganha o incentivo do tenista que hoje ocupa o terceiro lugar no ranking mundial do esporte. Como as técnicas de VFX falseiam a realidade, a menina foi filmada no Brasil e Nadal na Espanha enquanto o estádio vazio atualmente de um dos principais palcos do tênis mundial, a quadra de Roland Garros, em Paris, na França, ganhou uma plateia hoje inimaginável. Aplausos aos manipuladores de imagens. O filme convence. E nesse gramado, seja de grama mesmo como o da quadra inglesa de Wimbledon ou saibro como a da francesa Roland Garros, o trio que fundou a GlobeTrotter tem largo experiência. Pulcino é ex-sócio e fundador da Tribbo Post e da Clan VFX, tendo supervisionado mais de 500 projetos de VFX ao longo da carreira. Já Samelo foi um dos principais artistas de composição em empresas como Casablanca, Clan e Nash; enquanto Gallo traz mais de 20 anos de experiência em projetos de VFX broadcast, tendo atuado no Brasil, na Alemanha e na França. Se o cineasta americano Orson Welles, o famoso diretor de “Cidadão Kane”, obra prima da cinematografia mundial, ao visitar o Brasil, dando de cara com nossas mazelas e também nossa riqueza cultural, decidiu filmar o inacabado “É tudo verdade” é com nem tudo é verdade que a GlobeTrotter chega ao mercado disposta a ganhar clientes. Figurantes, cenários reais e toda uma equipe de produção vai, assim, perdendo espaço e em busca de novas oportunidades, quem sabe no ramo que também dominam.


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A campanha atual e a de lançamento do conceitoem2004/Imagens: Divulgação VERDADE

BELEZA REAL & DOVE EM CAMPANHA. Depois de ter lançado campanha realçando a beleza real das mulheres, abrindo mão de estereotipadas e anoréxicas modelos e assumindo o compromisso, em 2004, de sempre mostrar mulheres como elas realmente são, reforçando a autoestima de suas principais consumidoras, Dove, da Unilever, se voltou em maio de 2021 para o mundo das selfies. A intenção foi a de mostrar que supostamente as melhores fotos tiradas e editadas por aparelhos celulares e reveladas em redes sociais são aquelas em que, com o intuito de reforçar a autoestima, as destrói, pois a realidade é outra. Garotas menores de idade, de 12, 13, 14 anos se escondem muitas vezes por trás desses recursos, tornando-se mulheres exuberantes como preceituam os estereotipados padrões de beleza que a

indústria da publicidade e propaganda priorizou ao longo do tempo, décadas a fio. O que, agora se sabe, representa um risco, tanto para a autoestima na idade adulta, como enquanto alvo nas redes sociais. A campanha, criada pela agência Ogilvy/Reino Unido e intitulada Reverse Selfie (autorretrato digital reverso, foto acima), isto é, uma marcha ré naquela selfie que foi retocada, pretende ser uma continuidade da campanha Evolution (evolução) lançada em 2006, que mostrava uma modelo sendo transformada por maquiagem e photoshop, então o recurso de edição gráfica e digital mais conhecido na época, ficando distante da sua própria face real e preenchendo todos os requisitos dos estereótipos de beleza. Recursos que hoje estão ao alcance de aparelhos celulares por meio de aplicativos e que têm sido usados por jovens. Dove, sabonete que foi criado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial fazendo uso de patente francesa adquirida pela Lever Brothers, os irmãos Lever, era usado na higienização de mãos e ferimentos em hospitais. Terminada a guerra, a empresa, hoje Unilever, decidiu manter o sabonete em linha de produção e encontrou na Ogilvy uma parceira para levar o produto aos consumidores. Adotou como símbolo a imagem de uma pomba, a pomba da paz e, ao longo dos anos, por seu poder hidratante e higienizador, foi ampliando a gama de produtos da marca. Com a guinada na comunicação em 2004, com foco nas mulheres reais, Dove conseguiu se firmar ainda mais no disputado mercado de produtos de beleza sem recorrer à imagens retocadas por efeitos especiais. .


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Divulgação

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DIA DOS PAIS

HISTÓRIAS REAIS & EMOÇÕES. Ser pai não é só colocar um filho no mundo, é colocar todo amor do mundo num filho. Esse é o mote da campanha publicitária criada pela agência AlmapBBDO para O Boticário para este ano de 2021. A marca que encontrou em histórias reais o terreno fértil das emoções, desta vez se inspirou no professor Marivaldo de Paula e sua filha, Ana Cristina, para criar o filme que que reforça o amor paterno e a sua capacidade de superar obstáculos para oferecer aos filhos o melhor dos mundos. Em 2014, quando iniciou um movimento nas redes sociais para angariar fundos para o implante coclear de sua filha com deficiência auditiva, Marivaldo não poderia imaginar que a sua luta pela vida

da filha viraria roteiro de um filme de uma das marcas da indústria de beleza e cosméticos mais admiradas pelos brasileiros. O filme conceito da campanha é inspirado na história do acreano que comoveu o país ao tatuar um dispositivo auditivo em sua cabeça há cerca de 6 anos, não apenas para homenagear sua filha, mas também para que ela se sentisse incluída e que tivesse orgulho de ser quem é. “Quando eu soube que a minha história inspirou a campanha de Dia dos Pais do Boticário, fiquei sem acreditar. Eu não tive pai e sempre tive como determinação de vida ser um bom pai para os meus filhos. Ana Cristina é minha primeira de três filhos, ela me ensina todos os dias com a sua força”, diz. A campanha de O Boticário mostra um momento único na história de ambos. “Nós somos a marca que fala de amor e histórias reais. Quando conhecemos a história do Marivaldo e sua filha nos sentimos tocados. Resgatar a força da paternidade presente é muito necessário, então, escolher esse caminho para nosso filme de Dia dos Pais tem um significado único, que diz muito sobre o que é colocar todo o amor do mundo num filho. E enquanto marca que fala e valoriza o amor, nos sentimos muito felizes em poder dar ainda mais voz a essa história e inspirar a presença dos pais na vida dos seus filhos”, disse Cathyelle Barcellos Schroeder, diretora de Comunicação do Boticário em comunicado à imprensa. “Histórias reais contadas de uma forma sensível sempre trouxeram a emoção que o Boticário quer proporcionar nas pessoas nessas épocas do ano. Esta foi mais uma oportunidade de homenagear e reconhecer o amor dos pais por seus filhos”, diz Marco Giannelli, diretor executivo de Criação da AlmapBBDO.


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Fotos: Divulgação

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DIA DOS PAIS

AMOR UNE PAIS & FILHOS. Pai é pai. É tudo igual?. Sim, pelo menos na propaganda onde o que conta é o sentimento que estas relações inspiram e que servem de estímulo à indústria e ao varejo. Em filme comercial da Vivo, assinado pela impronunciável sopa de letrinhas VMLY&R, uma filha numa situação de emergência pede ajuda ao pai numa relação de orgulho e admiração que tem como pano de fundo a tecnologia de comunicação que os aproxima. E é a palavra a expressão do afeto como mostra outro filme comercial, o da Hering, com o conceito “Pais de Palavra”, que tem como protagonistas o rapper Emicida e o escritor e filósofo Chico Bosco. Ao som da trilha “Pequenas Alegrias da Vida Adulta”, do cantor Emicida, a Hering apresenta pais que representam a pluralidade

das famílias brasileiras, como pai homoafetivo e pai de criança com deficiência. “A diversidade é um dos nossos pilares mais fortes e é muito bacana ver essa questão refletida no resultado final. Nosso público é plural e é importante que diferentes famílias se vejam representadas.”, afirma Fabiola Guimarães, Diretora de Marcas da Hering. Já a grife masculina Aramis recorreu ao ator Jayme Matarazzo, pai de um bebê de seis meses para contar uma história de amor incondicional no sítio em que vive o artista por meio do fio condutor “Seja a voz que cria um mundo melhor” em filme assinado pela agência Futurebrand. Dividido em três atos, o filme que foi cocriado com o ator traz em cada parte uma letra da palavra pai como guia. Em P de priorizar e preparar, Jayme narra um pouco da sua trajetória e tudo que organizou e priorizou para se dedicar à criação do filho. Em A de aprender, o ator fala da vida sem roteiros, as experiências que está vivendo e o que tem aprendido ao lado do seu filho. Já na letra I de inspirar, ele fala sobre o futuro e deixa uma mensagem tanto para o Antônio, quanto para outros pais. “Ser pai em 2021 é um ato de compromisso com o futuro. E a transformação precisa ser pra já”. Desde que a data, o Dia dos Pais, foi implementada no Brasil em 1953 pelo publicitário Sylvio Bhering, então diretor de O Globo e da Rádio Globo, para atrair anunciantes, ela nunca mais saiu de cartaz e tornou-se importante ferramenta para as vendas da indústria e do varejo com o apelo real das emoções que tocam o coração, com ou sem efeitos especiais. Afinal, pai é pai.


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10 Imagens: Reprodução do site Infomoney e Flickr

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Cenários como os de Miami estão entre os mais usados para os que vendem a ideia de que você se tornar um milionário EFEITOS VISUAIS

MENTIRAS, FRAUDES & CHROMA KEY.

Chroma Key, mais uma expressão do império anglosaxônico, cujo o trono foi ocupado pela Inglaterra e hoje o é pelos Estados Unidos - e, aguarde, pois muito em breve estaremos incluindo à língua portuguesa expressões do chinês mandarim -, é uma das principais chaves do universo das cores, a escala cromática que compõe as imagens fotográficas ou audiovisuais. O verde por resultar na redução de brilho é a cor mais usada como pano de fundo, capaz de permitir a troca do cenário e de imagens que podem se fundir uma a outra, falseando a realidade. Coloque um pano verde de fundo ao tirar a sua foto e depois o troque por uma imagem de Paris, Londres ou Nova York e se quiser posar de novo rico, destes que dizem ter o poder de transformá-lo em milionário do dia para noite, use imagem de Miami ou Dubai que conseguirá enganar os incautos. Depois, compre um curso de como ganhar sete dígitos na conta bancária em uma semana, atormente todos os seus conhecidos com e-mails e os desconhecidos com anúncios nas redes sociais e engrosse os lucros e dividendos de quem dos que te venderam o curso, a fórmula mágica do sucesso.

Este recurso, o Chroma Key, se propagou no momento em que todos descobriram a capacidade de serem mídia, ou seja, meios de comunicação, influenciando e seduzindo, assim, outras pessoas e atraindo para a internet toda sorte de vendedores de ilusões. Pode conferir: 9 em cada 10 que ofertam a ideia de você se tornar milionário sem ser preciso trabalhar muito, além do curso que vendem ou do dinheiro que você aplica com eles sempre colocam como pano de fundo lugares paradisíacos, mansões e carrões. Tais espertalhões, além do Chroma Key, se sentem tão importantes que chegam mesmo a ir de fato para as cobiçadas paisagens confiando no êxito das suas investidas, na memória curta dos ingênuos sobre golpes similares e que resultaram em punições exemplares. Foi o que aconteceu com o fundador da Empiricus, Marcos Eduardo Elias, que chegou até a financiar um site, O Antagonista, na esperança de ter jornalistas como escudo para investidas escusas como a que o levou a se apropriar de US$ 750 mil da rede gaúcha Zaffari. Dinheiro que estava em poder de bancos americanos. Ele foi preso na Suíça e extraditado para os Estados Unidos a pedido do FBI (polícia federal do país) e confessou o crime. O sonho que vendia virou pesadelo e o chroma key verde cedeu lugar às grades de uma prisão.


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TÓQUIO 2020/21

AKE ARÔ, OXOSSI & O AMOR. A Seleção Brasileira de Futebol que disputa as Olimpíadas de Tóquio derrotou a Alemanha na quintafeira, 22 de julho de 2021, por 4 a 2. E, ainda que Richarlison marcasse três dos quatro gols, é o gol de Paulinho que entrará para a história olímpica. Um verdadeiro golaço contra a intolerância religiosa que encontrou no Brasil fértil terreno por meio de correntes evangélicas que pregam o ódio aos diferentes e às diferentes crenças pouco se importando em rasgar, em praça pública, o Evangelho do Cristo, do amor, do respeito e do combate à violência, sobretudo contra a mulher. Paulinho celebrou o seu gol saudando o orixá Oxóssi dos cultos africanos. Uma bela flechada na hipocrisia. Akê Aro Oxóssi!.

Já a atacante Marta, seis vezes consagrada como a melhor jogadora de futebol do mundo, dedicou um gol de placa à namorada Toni Deion. Mais um golaço contra a hipocrisia e intolerância das mesmas correntes religiosas que buscam rasgar não apenas o Evangelho de Cristo, o Novo Testamento, mas também a Constituição de um país laico se imiscuindo na política como forma de ampliar ganhos além dos templos dos quais fazem uso para amealhar fortunas tal qual os bíblicos vendilhões do Templo de Salomão. Oxalá as demonstrações de uma necessária beleza por meio da inclusão e da diversidade como a demonstrada em Tóquio encontre eco fora dos gramados. Os exemplos que os Jogos têm dado, em que pese os protestos japoneses por sua realização quando o mundo ainda vive o contexto de uma pandemia, prometem deixar de legado a importância e a beleza da inclusão, a força de superação no esporte e também na vida em que cada um possa ser a expressão real de sua essência, sem medo de ser feliz.


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A japonesa Toshiba aproveitou os jogos olímpicos de Tóquio para mostrar que, com tecnologia, é possível reproduzir a vida nos mínimos detalhes em comercial global assinado pela agência Stig&Xi em que fica evidente que nada subsitui o real.

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REVISTA PUBLICITTÀ, VOL. 1, NÚMERO 1, AGOSTO 2021  

REVISTA PUBLICITTÀ é uma publicação editorial digital, distribuída gratuitamente de forma on-line, focada no mercado de comunicação social....

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