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ringues de volta aos 01

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Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 001.


+ Que 1a Revista, 002. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com


1 estilo de Vida! Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 003.


Carta dos Editores S

im, parece absurdo, mas é exactamente o que aconteceu, não fomos a lado algum nem mesmo permitimos que o famoso ERRO 404 “Not Found” aparecesse. Ouvimos nas lides Angolanas e não só, que já nos tínhamos aposentado, cancelado o projeto, reformado o aparente e pouco sucesso que havíamos conseguido. Que fique bem claro que a Revista Platina não saiu de cena, ficou parada devido aos trabalhos que os fundadores, membros e trabalhadores tiveram no final do ano com projectos afins. Projectos estes que envolveram os estúdios criadores da revista, Mwangozuca Studio actual Mwango Studio, ou se preferirem MStudio, que por força do trabalho e da necessidade de melhorar, decidiu mudar o rumo que a mesma estava a tomar “transformada numa gossip dos famosos” e voltar a sua essência, uma geradora de conteúdos Angolanos para a web e agora multimédia. Por vezes quando o Software começa a dar erro, a solução passa por reiniciar o programa. Conosco não foi diferente. Neste meio tempo, ouviu-se muita coisa, algumas das quais verdadeiras, dis004. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

sensões, confusões, problemas, decepções, nada que não aconteça nas grandes e melhores famílias. Ultrapassada esta fase, apresentamos a vocês a versão 2.0 da Revista Platina. Um espaço interativo, para reflexão, troca de experiências, diversão e até mesmo o famoso etc. A nova linha editorial não se prende a assuntos e temas, não somos uma revista de tecnologia, de economia ou de estilo de vida, pelo contrário somos todas elas e muito mais, comprometida a abordar todo e qualquer tema, desde que este seja relevante, inovador e transformador. Queremos ser + do que uma Revista, queremos ser 1 estilo de vida! Ok, sabemos! Não somos especialistas, mas somos apaixonados, obcecados e compulsivos, com sede e fome de conhecimento e acima de tudo temos vocês platinados como nossa mais valia, sim, agora você não só lê, como também escreve. Sua idéia, experiência ou crítica, agora poderá ser compartilhada aqui. Os nossos agradecimentos a todos platinados pelo apoio e lembrem-se a Platina não é minha, do fulano ou do sicrano, a Revista Platina é de todos [verdadeiros] platinados!

+ Que uma Revista, 1 estilo de Vida!


Não somos uma revista de tecnologia, de economia ou de estilo de vida, pelo contrário somos todas elas e muito mais.

tojjc, @Aniceo fundar b mem MStudio dor da a platina, e revist rense, perito fodo por fascina gia, tecnolo de diretor ento Planeamção da e Produ . Webdeo, MStudio or acas signer po por opescuteir preciador ção, e amúsica. da boa s gosta As vezer pausado de esta nto. num ca

, bba e w m ntis , ey e n e id ta i ção @s uase ialis ng, C uta or Q pec eti mp r p es ark Co gne - a M da esi mem r d ista ta ebd o, ado Rev ma a W ixã und e ple te , pa o f dio Ap iran ilho br Stu na, asp ...F e ta M lati e rio go edi r, P iac citá mi acr ive n bli o, a o, o v tir. pu mã rad ecis xis ir amo pr as e n e é pen qu ão n

@FerrazManuel, filho de Deus, casado, cientista da Computação, Information Technology expert, membro fundador da MStudio e Revista Platina, acho que isso é o que mais importa o resto deixa para lá.

” QUEM FAZ?

@Aguina ld tiano, Cu oCrisrsan Ciências do da Comp MBA emutação e Ges de Recur tão so Humanoss . Perito Fo re Webdesig nse, Produtor ner, cal por paMusiRádialistaixão, hobby, m por emb fundador ro e diretor fi nanceiro da MS Revista Ptudio e Não vive latina. Apple e I sem a nternet.

e @rh bro ditor e amohs Rev funda mem , ista dor da P fotó latina, g r d dire esig afo, pela tor de ner e ar M tecn obceca Studiote da ologia do po , típ r . dos ica do Sofre e e n ros n “D genh ça Soc isfunç eiinc ial”. P ão pare rível q or ue ça hou Amy Wcurte dro se e C ine4 ao mes Petem mo po.

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Enquanto isso, no facebook da RP... Fábio Wilker Carvalho Em terra de cego quem tem um olho é rei, mas quem tem a radio platina é Deus.

Fábio Wilker Carvalho Da mesma maneira que Ha mil regras pra comer mas nenhuma para cagar. Ha mtas radio para se ouvir mas so a platina me prende.

Kunga Victor Pra nao acontecer mais o mesmo de todos finais de semanas, ate vou ja cozinhar pra todo final de semana, pq esse chat da PLATINA é demais, faz comer comida queimada e como se nao bastasse um gajo perde a namorada. é nós platinados.

Ariclê Venezia da Silva eu sou platina>> platina me é>> Márcia,Jerry,Neusa,Marven... vos amo já bué!!!! e só a platina pra nos tornar amigos....platina atéeeee aoooooo fimmmmmm!!!

Carla Gambôa Para os/as amantes do Programa “NOS E A PLATINA” o vosso programa de domingo a noite, 18HRS, horario de BrasiliaBrasil,mandem um email a dizer o que acham do programa,o que querem ouvir,e para quem vai aquele beijo e abraço especial. Os vossos recados serao lidos durante a programação. EMAIL: “noseaplatina@ hotmail.com” SKYPE: noseaplatina O “NOS E A PLATINA “ AGRADECE...

Gilmar Mano X What´s up pessoal da radio platina, curto desta cena, desejo-vos muitos sucessos estou convosco, eu sou O Mano X aka Príncipe Hustler, one CMC meu mano, Holla ao Dj MK yeyeyeye, Mau Mau não calma ai é KID MAU ye a Squad d´ Rimas esta de ouvido força Manos. Cmc Ceezzy Radio Platina e kente p karacas.. temos k lutar p termos uma xtrutura e uma frekuencia konvencional ka em ANGOLA!!!

Glodi Crisol Sim senhor isto estas bom Edy Angola até de MAIS, 100 + comenSexo sem camisinha é igual tários é só já curtir os sOns q Jogos Mortais, “Viver ou estão a abalar com as Noites morrer”, faça sua escolha. LUanDinas pa!!!! é muita eu ja fis a minha eu vou caga pa!!! 100 sombra de Duutilizar camisinha asim viDas, e 10culpem-me pelo serei protegico como a radio excesso de sinceridade pa!!! platina. 006. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

Tomas Mambo Mambo Seda Platinados não fiquemos desatinados, Platina é ética, da mais pura estética, e seriedade que não se confunde com brincadeira, Ao platinar tenha eira, o chat é virtualidade sim, mas com virtudidade, devemos dar ética a nossa idade e maturidade, Platinar é ter compromisso , com a paz, é amainar o espirito incapaz, de possuir humildade, a platina é o nosso oxigenio, como ar que nao escolhe so o gênio, pra faze-lo respirar. A todos platinados, reflitam o dia da paz, da nossa paz (Angola), Com a platina, na alma sem parar. Areh baba. Jeriel Nzinga Eu procurei um especialista pra saber qual era a nha doença fizemos um montão de testes e no final o medico concluiu q eu estava com excesso de platina no sangue e q era algo jamais visto em nenhum paciente q o unico remedio nada mais nada menos do q a platina... platina nha exctassi...

jesus cristo so consegui ficar 40 dias e 40 noites no deserto sem comer e sem ber pk xtava na compania da radio platina. sem duvidas é a melhor cristo confirma. Fábio Wilker Carvalho


h o m e m

olhou? Não tem problema nós também! Sua marca pode ser como ela, deixe qualquer um com água na boca,e a sua concorrência com inveja!

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M U L H E R

olhou? Não tem problema nós também!

Sua marca pode ser como ele, deixe qualquer uma com água na boca, e a sua concorrência com inveja!

008. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com


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Branding Digital

Damos vida às suas idéias! serviços

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A MStudio sabe que a marca é o activo mais importante de uma empresa, e um óptimo logotipo é o primeiro passo.

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Planejamento e produção de conteúdo publicitário para mídias digitais: Celulares É pensando nisto que criSmartphones, Ipad, amos toda a Identidades Kindle.

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Criação de acções inovadoras para a publicidade online, Tv, Rádio e muito mais. Seja um simples póster ou um grande outdoor, a Mwango Studio é a escolha certa para ajudá-lo a crescer.

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Tanto faz se você quer lançar uma revista, ou um simples folder informativo. Nós fazemos de tudo.

Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com mwangostudio.com contacto@mwangostudio.comRevista

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Olhe para a imagem do lado

Q Q Q Q Q Q Q Q Q Q E

uando vires Beleza, nós a possuiremos uando vires Cor, nós saberemos usá-la uando vires Harmonia, nós somaremos a ela conteúdo. uando vires Luz, nós seremos fruto da inspiração uando vires a Mulher, nós enxergaremos uma nação. uando vires África, nós chamaremos de Angola uando reparares nos olhos, nós estaremos a ver-te.

uando notares os lábios e consequentemente a boca, nós saberemos abrí-la. uando perceberes o nariz, nós estaremos a respirar. uando vires os dedos, nós não hesitaremos em mexêlos para nos defender quando tu já não vires mais nada, nós ainda veremos esperança...

“Somos Revista Platina na sua versão 2.0 e acreditamos que o conteúdo pode ser transformador. Bem vindo à era do compartilhamento de idéias em busca de uma sociedade mais justa. Viva conosco o sonho de uma mundo mais consciente.

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Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 0011.


Colaboradores Maio/11

Afrodite Cardoso AC, Bacharel em Educação, advogada de conflitos ambientais e desenvolvimento sustentável, sou apaixonada por música, decoração, comida e acredito que o mundo pode ser melhor.

@Ananity, estudante de Engenharia civil, nerd assumida, ouve de Rock a música clássica e toca piano nas horas vagas. Fã de Naruto e videogames, acredita que é nos bastidores onde as grandes ideias ganham forma. Benja Satula, Licenciado em Direito pela Universidade Católica de Angola, mestre em ciencias jurídicocriminais pela Universidade católica de Portugal. Exerce a profissão de advogado, docente e consultor jurídico.Tem como maior desejo deixar Angola melhor do que hoje. Francisco R. Ferreira, estudante de Comunicação Social e jornalismo, pela Faculdade de Ciencias Sociais da Universidade Agostinho Neto. Membro da Associação dos Estudantes da F.C.S e delegado de turma. Aspira ser um bom jorna lista (Rádio e Imprensa).

Seja um Colaborabor Você tem algo a dizer a esta Angola? Vá para o nosso site www.revistaplatina.com clic no link Participe e veja o que é necessário para se tornar num colaborador.

0012.Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

Helmer leandro Silvério, estudante de geologia/geotecnia na Universidade Khemis Miliana-Ain Defla, Argélia. É membro da Associação dos Estudantes estrangeiros na Argélia, gosta de escrever, lutar judo e cozinhar. Aspira ser um bom Engenheiro e um excelente escritor. Nayr, estudante de Engenharia civil, a concrete lover e adora arquitetura contemporânea, curte demais qualquer tipo de música, tem uma estranha fascinaçäo pela língua inglesa. Em contraste com o lado engenheiro é bastante sociável e adora cozinhar. Mauro Lopes, estudante de Engenharia Electrônica e da Computação. Nascido e criado nas confusões, nos encontros e desencontros da grande selva de pedra que é Luanda. espera partilhar os seus amores, desamores, tristezas, alegrias e a sua visão sobre essa batalha constante que é a Vida. Mila Malavoloneque, estudante e amante de direito, apesar de estar bastante envolvida no mundo da comunicação social. Escreve semanalmente para o seu blog e faz trabalhos para diferentes jornais electrónicos. Gosta de debates, ler nos tempos vagos e estar entre amigos.


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Porquê

ler a RP?

V ntenda humanidade, soE ciedade e desenvolvimento. diversificado, Conteúdo para diversidades. m assuntos pertinentes, Eesteja actualizado. e valorização Motivação com mensagens. ferecemos-te a conquista O da sabedoria, usá-la depende de ti. ocê pensa, nós escrevemos.

emos ética e se T mentirmos será com toda a sinceridade. uma Revista diSomos vertida. Luz de cada matéria A é uma simplicidade de alegria. osso sofrimento é N ver-te a ler artigos medíocres. e buscas dicas ruins, Sconcorrentes. procura nos nossos

S

omos uma revista com alma e espírito, e ambientalmente consciente.

amoramos com N dados, noivamos com informação e casamos com o conhecimento.

não possuímos, Seconquistamos. omos moderna, Ssomos somos Inovadora, Revista Platina.

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REVISTAPLATINA.COM

ES istiano R ITO ldo Cr valho D E ina ar C ’ u Ag eto D mos c Ani son Ra uel n l Jue az Ma bba r Fer ey We n Sid O ÇÃ E DIR ARTE DE tudio MS

ÃO Ç I ED AFIA GR tudio O OT M S F DE ÃO Ç DU tudio O PR M S

12 Inspiração

Conheça a SETA, Associação Sócio-cientifica, Filantrópica Angolana criada por estudantes Angolanos no Brasil.

18 14 Sociedade

23 25

Duas reportagens especiais para você entender porquê estamos a beber tanto em Angola.

Você já ouviu falar em Branqueamento de capitais? Benja Satula em pouco mais de duas páginas explica para nós de uma forma clara e prática.

Entenda porquê que a nova moda é estar na “fau”. Reflita conosco sobre a qualidade das nossas universidades.

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Ferraz Manuel em poucas palavras nos fala sobre a Mulher e sua imagem midiática.


Transformadores Rafael Marques e o Wikileaks angolano

Entrevista

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34

LifeStyle

O que os Homens querem na cama?

Exclusivo à Platina Coréon Dú

28 Tendências

Carreira

42

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Cultura

Você sabe como se comportar em uma entrevista de emprego?

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O que é ser Rico?

58

Ngola Ritmos Estandarte da cultura musical angolana

Ngola Ritmos Estandarte da cultura musical angolana

Facebook na vertente Angolana

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Saúde

Tecnolog Educação

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INSPIRAÇÃO

gia Ambiente

Vivemos a inspiração, pelo simples facto de ser um acto biológico de entrada de ar para os pulmões, sendo de extrema necessidade à sobrevivência humana. Mas ainda pode ser definida de maneira diferente: como o estado da alma quando influenciada por uma potência sobrenatural, divina, uma força, um influxo ou qualquer estímulo ao pensamento ou à actividade criadora. Nesta nova fase da revista navegaremos sobre o que tem sido produzido, pelo pensamento e intelecto Angolano na criação de ideias inovadoras e de grande impacto social.

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OTO DIVULGAÇÃO: MEMBROS DA SETA.

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Saúde Educação Tecnologia Ambiente.

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OBJECTIVO GERAL Estudar e propor projetos em conformidade com todas as áreas do saber científico, com vista ao desenvolvimento da educação, saúde, cultura e bem estar ambiental. OBJECTIVOS ESPECÍFICOS Criação de um espaço para conectar pessoas, alavancar projetos inovadores e inspirar transformações nas pessoas, organizações e na sociedade.

EXTO: FERRAZ MANUEL

melhoria de vidas.

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A

inspiração de alguns estudantes Angolanos no Brasil, propriamente na cidade de Criciúma, estado de Santa Catarina, resultou na criação de uma Associação Sócio-cientifica, Filantrópica Angolana SETA, que possuí como pilares o S de Saúde, E de Educação, T de Tecnologia e A de Ambiente e que tem a ciência como sua ferramenta de trabalho e a pesquisa como um empreendimento poderoso para


“ Missão Seta online www.setangola.com contato@setangola.com Seta Angola

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NSPIRAÇÃO

Promover o desenvolvimento humano em todas as àreas do viver, produzindo e partilhando idéias, informações e conhecimento, além de conservá-los e sistematizá-los, de modo a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do Pais, para a melhoria dos padrões éticos nacionais, para uma governança responsável e compartilhada, e para a inserção do país no cenário internacional.

Promover a geração e compartilhamento de conhecimento científico por parte da comunidade acadêmica angolana. Realizar acções sociais capazes de educar e promover a geração de conhecimento nas camadas mais baixas da sociedade. Realizar acções sociais capazes de aumentar a saúde, e bem estar dos in-

divíduos menos favorecidos. Realizar acções sociais capazes de criar uma consciência ambiental, e garantir um futuro sustentável para Angola. FINALIDADE Pretendemos fornecer aos estudantes e à comunidade acadêmica no geral, uma base de dados sócio-cientí-

fica de Angola, fomentando assim o espírito pesquisador e questionador inerente a todas as sociedades desenvolvidas, bem como desenvolver meios de sustentabilidade nas camadas sociais necessitadas de condições básicas de subsistência. Como melhor que palavras, são acções e no caso acções inspiradoras, abri o site da

abri o site da SETA http://www. setangola.com/ e participei do projeto Café Seta, naveguei pelos artigos científicos que possuem na sua base de dados, usufrui do conhecimento de alguns dos mesmos, me inscrevi e agora faço parte deste projeto fantástico.

SETA http://www.setangola.com/ e participei do projeto Café Seta, naveguei pelos artigos científicos que possuem na sua base de dados, usufruí do conhecimento de alguns dos mesmos, me inscrevi e agora faço parte deste projeto fantástico. De salientar que para fazer parte do mesmo é só se inscrever e decidir participar a custo zero.Transcrevendo um dos muitos pensamentos de Mahatma Ghandi, que se fosse para deixar alguma coisa à humanidade deixaria o respeito aquilo que é indispensável e que além do pão, do trabalho e da acção, deixaria a capacidade de escolher novos rumos e se pudesse o segredo de buscar dentro de nós mesmo a resposta para encontrar uma saída. Se existe uma saída de certeza a sabedoria sabe, e o conhecimento conhece.Parabéns pelo projeto.

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SOCIEDADE

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ão é segredo para ninguém que nos últimos tempos os jovens angolanos optaram por trocar os mais diversos tipos de diversões para tornaram-se fiéis servos do álcool.Chegamos a um ponto onde dizer que os jovens em Angola bebem compulsivamente já não os faz justiça, porque os jovens angolanos aqui nao bebem eles “entornam”. Porém enganam-se aqueles, que acreditam que isto seja devido a algum problema emocional ou algo de género, pois a única razão para o acontecimento é somente o amor pela bebida. Estes jovens muitos até com menos de 21 anos de idade não têm somente feito o uso desta droga de uma forma absurda, como também o fazem diante dos olhos de todos que queiram e não queiram ver. O que pelos vistos, não faz diferença nenhuma sendo que à nossa sociedade está acostumada e conformada com esta triste realidade. Digo conformada porque estamos a falar de uma sociedade onde músicos têm canções descrevendo o dia seguinte de um alcoólatra, usando o termo da gíria popular conhecido como o “dia da ressaca”. Lamentavelmente isso não só preza o alcoolismo como

ainda incentiva os jovens a continuar neste caminho. Sobre os principais factores responsáveis por este problema social, não posso deixar de dizer que existem dois especificamente que deixam-me bastante inquieta. O primeiro, é a fácil disponibilidade de bebidas alcoólicas no nosso país! É incrível como em cada esquina da nossa cidade existe pelo menos uma roulote que vende bebidas alcoólicas e o vendedor pouco se importa se o cliente tem 25 ou 14 anos. Para eles o importante é somente o crescimento do seu negócio; a saúde pública por outro lado não os diz nada. O segundo, é o baixo preço do álcool no mercado Angolano. Sim, porque parece que em Angola tudo sobe desde o preço do pão até ao preço do oléo. Mas o preço da cerveja continua sempre acessível. O que quer dizer que ao contrário de muitos países, manter o vício do alcoolismo em Angola até sai barato. De igual modo não posso deixar de mencionar a culpa que à família tem nestes casos. Afinal de

EXTO: MILA MALAVOLONEQUE

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Os jovens Angolanos e o alcoolismo. “O limite aqui não é o chão, é o subsolo”

contas, quantas vezes presenciamos situações em que os próprios papas ou tios, abordam uma criança com menos de 10 anos e a mandam ir até à esquina comprar duas garrafas de cerveja? Acredito que tenham sido muitas. Estes por sua vez esquecem-se que faz parte da natureza da criança e etapa do adolescente “experimentar” tudo que estiver ao seu alcance. Eles experimentam uma vez, depois duas e quando nos apercebemos já são usuários frequentes da bebida. Mas, apesar dos pesares o mais agravante é que quando os “mais velhos” descobrem esta inclinação dos “pequenos” muitos fazem-se de despercebidos e acabam de uma forma indirecta dando forças para que estes continuem a alimentar este hábito. São estes os exemplos que não deveriam existir no nosso país. O efeito do álcool ao contrário do que muitos pensam

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não é somente visível fora das portas das discotecas durante às madrugadas quando jovens totalmente alcoolizados involvemse em brigas e acidentes automobilísticos, que por vezes, trazem sequelas por toda à vida. O álcool também traz consequências graves a nível escolar. Segundo os médicos o álcool nos adolescentes afecta o sistema nervoso. O que torna um jovem que faz o consumo constante vunerável à problemas de memória, compreensão e interpretação, que de um modo geral resulta no seu baixo rendimento escolar. Para terminar este texto porque brevemente falei das discotecas, vou aproveitar esta oportunidade e parabenizar a polícia nacional que tem prestado os seus serviços nas ruas das mais diversas casas noturnas da cidade de Luanda. Isso impondo a ordem e assegurando que, jovens em estado de embriaguez sejam impossibilitados de conduzir qualquer tipo de automobilismo. Esta não é somente uma grande iniciativa mas também mostra que se todos estivermos dispostos a zelar pela saúde e integridade juvenil, será possível eliminar os mais diversos problemas que os cercam. 016. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

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entei me conter mas não deu. Estou decepcionada com o uso abusivo do álcool em Angola. Pais, mães, filhos, filhas todos a encherem a cara, pessoas a beberem até cair. Jovens em plenas 08 horas da manhã acampados nas janelas abertas. Que futuro se espera de uma geração flagelada pelo alcoolismo, com crianças, adolescentes, pré jovens, perdidos nas garrafas de Ngola, Cristal, Heinken, cuca, whisky, espumante, dentre outras. Hoje é “normale” anunciar: Vim beber... Kapuka; Vim beber Kapuka. Tá simples assim, te oferecem whisky as 13 horas, catujah de vinho sempre a estalar e te recebem já com uma proposta alcoólica. Todos sabemos que o álcool deve ser consumido com moderação. Mas esta máxima tem caido em desuso na nossa sociedade e o “se beber não conduza” deixou de ser usado também. Não sei das estatísticas mas acredito que cada familia angolana tem no mínimo um ou dois alcoólatras, “casos de internação”. Esta epidemia tem se alastrado e é necessário tomar uma postura hoje enquanto podemos falar e lutar para que se aumentem os impostos das bebidas alcoólicas e se limite a venda porém tudo isso de nada servirá se não lutarmos para que parta das nossas casas a diminuição do consumo do álcool. Se hoje não te importas com esta questão espero que amanhã não tenhas de chorar por um parente com cirrose, ou por um parente vitima da violência aumentada pelo uso do álcool ou ainda por perderes familiares em acidentes de trânsito causados por pessoas alcoolizadas. Álcool em excesso não resolve os nossos problemas e frustrações pelo contrário, as aumenta.

EXTO: AFRODITE CARDOSO

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“os jovens Angolanos aqui nao bebem, eles entornam!”

O uso abusivo do álcool em Angola


LIC E DESCUBRA!

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A única que toca no face� book

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EXTO: MILA MALAVOLONEQUE

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Estar na moda é estar na “fau”

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odos os observadores provavelmente já devem ter constatado a mais nova moda “da banda”, especificamente na cidade de Luanda. Além dos clubs, do Belas shopping, além da ilha de luanda e claro usar roupas de marca [“maiuia” ou não o importante é o “faz de contas”], além disso tudo a mais nova moda é estar na “fau”. Há algum tempo tive o enorme desprazer de teclar no facebook com um aluno pertencente a uma das melhores e mais cara universidade do país e fiquei absolutamente em estado de choque durante o percorrer da nossa conversa. Notava que; à medida que o jovem escrevia, mais ele se

enforcava. Logo no princípio o indivíduo apresentou-se usando a seguinte descrição: “çou aluno da univercidade X e xtou no 2º anuh”. Prolonguei a nossa conversa para ver até aonde o rapaz iria, mas, fazendo correções constantes à sua pobre ortografia. Por fim, o jovem abandonou o chat sem nem sequer se despedir, talvez por ter-se sentido envergonhado, e o mais alarmante é que não é o único caso deste género que já tive a oportunidade de constata. Mas... Quem devemos culpar? Temos que começar por ser realistas, os verdadeiros culpados são os próprios alunos universitários. Muitos se dizem estar na “fau” pagam as propi-

018. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

nas mas aparecer lá e assistir as aulas que é bom, só mesmo uma vez ou outra. Melhor dizendo, quando bem os apetece. Se comparecerem nem sequer assistem às aulas, pois para muitos jovens angolanos a “fau” é a passarela do nosso dia-a-dia. Lugar para exibir o novo carro, as novas roupas e “aparecer”. O importante para eles é poder dizer a todos que quiserem e não quiserem ouvir que é aluno da universidade X, pois o nome da universidade em Angola hoje representa o nosso estatuto social, e o


Vou terminar este texto congratulando a universidade Metodista que decidiu castigar os “cabuladores” exibindo publicamente uma lista com os nomes destes alunos. É realmente uma atitude de se louvar. Pelo menos quem sabe desta forma não vamos conseguir “minimizar” a vergonha académica no nosso país. Tomara que as demais universidades sigam este exemplo e decidam de uma vez por todas combater essa triste realidade. Não somos todos obrigados a lidar diariamente com “alunos universitários” que a partir do momento que começam a expressar-se [escrever... porque muitos até “afinam” o que chamam de “bom” português] mostram o quanto valem academicamente. NADA!!!

O arranque do ano lectivo 2011, na faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto

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ecentemente o país registou um avanço considerável no que toca ao Ensino Superior. Os sinais são visíveis. Depois de 30 anos de cavalgadura numa única instituição pública de Ensino Superior, finamente foram abertas sete regiões académicas, a Universidade Agostinho Neto [Luanda e Bengo], 11 de Novembro [Cabinda e Zaire], José Eduardo dos Santos [Huambo,

Bié e Moxico], Mandume [Huíla, Namibe, Kuando Kubango e Cunene], Kimpa Vita [Uíge e Kwanza Norte], Lwegi Ankonda [Lunda Norte, Lunda Sul e Malanje] e Universidade Katiavala Buila [Benguela e Kwanza Sul]. A semelhança dos anos anteriores, este ano estamos a testemunhar a abertura do ano académico

nas diferentes instituições de Ensino Superior no país, e a faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto não foi excepção. A cerimónia de abertura teve lugar na sua sede no dia 16 de Março, as 15 horas. Durante o discurso de abertura que coube ao

Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 019.

EXTO: FRANCISCO R. FERREIRA

ano. A pergunta neste caso não é: como ele chegou à faculdade, mas como ele conseguiu manter-se lá? Sou de opinião que; a partir do momento que os professores universitários tiverem diante de um caso semelhante ao deste rapaz ao invés de atribuírem a culpa a terceiros, deveriam é cancelar o registro do aluno naquela instituição e mandar de volta para o ensino médio ou até mesmo para o primário se for o caso. Antes tarde do que nunca! O que não podemos deixar acontecer é que jovens tão mal preparados terminem o ensino superior e sejam entregues ao mercado de trabalho. Isso não só mancha o nome das nossas instituições, mas também prejudica e muito a qualidade do nosso mercado de trabalho. Ou seja, quando as grandes empresas são obrigadas a empregar estrangeiros, depois todos queremos reclamar dizendo que e desnecessário, pois o país tem jovens formados nestas áreas mas esquecemos-nos de perguntar, se estes jovens estão capacitados.

T

“grau de intelectualidade”. A fau nos “cuia” tanto que não temos pressa nenhuma de lá sair. Por isso é bastante frequente lidar todos os dias com jovens que trocam de cursos todos os anos a procura de pretesto para não passar e assim “continuar na moda”. Lamentavelmente, estes jovens não são só responsáveis por sujar a imagem do nosso ensino superior, mas também dos muitos alunos que ainda entram nas faculdades querendo estudar, formar-se e honrar o nome da sua instituição. Sim, porque felizmente não são todos os alunos que estão na fau apenas de “turismo”, só que destas boas influências quase ninguém se apercebe. Tive a oportunidade de expor este assunto a um professor universitário que convém não mencionar o nome e foi importante ver que afinal eles estão a par da situação. Porém atribuem a culpa ao ensino médio por não terem preparado devidamente os seus alunos e, consideram-se vítimas dizendo que: também são obrigados a lidar diariamente com jovens que mal conseguem expressar-se nas salas de aulas. Apesar de o professor ter certa razão, eu discordo desta teoria! Afinal de contas o jovem com quem eu teclava, estava no 2º


o nosso apelo de que o estudante é uma matéria-prima para a reconstrução de qualquer sociedade que se quer bem sucedida. Para os matriculados, não se esquecem das dificuldades que tiveram para aceder a este lugar, pós nos últimos anos temos vindo a verificar uma busca incessável de oportunidades para estar no ensino superior, dai a necessidade de aproveitar da melhor maneira a vaga. E os que não puderam entrar não devem se deixar por ai, continuem a estudar e a apelar também ao governo que continuem a apostar na formação dos Angolanos.

A nossa realidade 020. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

EXTO: FRANCISCO R. FERREIRA

aulas ontem, certamente que no dia seguinte vai aparecer, dai o apelo aos docentes para a mudança de atitude. Nesta época, as opiniões são divergentes. Alguns encaram o inicio das aulas como principio de sofrimento, e outros, defendem o contrario. Na minha forma de ver, a escola é um lugar onde o homem aprende a socializar-se. Dá-me saudades quando fico muito tempo sem aquele contacto com os colegas na escola. As dificuldades existem, em algumas pessoas de forma mais acentuada e outros nem tanto, mesmo assim, não podemos nos deixar elevar, pós a meta é terminar o ano lectivo e ter o balanço positivo. Enquanto estudante, devemos encarar o ano lectivo como um bloco a ser fabricado para construir o nosso bairro, município, província, o país, quiçá o mundo. A sociedade em geral e ao governo em particular, fica

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seu actual Decano, Victor Kagibanga, as atenções estão centralizadas na mudança. “Vamos melhorar as condições de trabalho e estudos para que o ensino superior tenha a qualidade desejada”. disse o responsável. O recrutamento e a formação dos funcionários docentes e não docentes constou igualmente, entre as principais preocupações do novo dirigente da Faculdade de Ciências Socais, uma das mais novas unidades orgânicas da Universidade Agostinho Neto. Estamos perante uma situação muito preocupante. A nossa sociedade, parece estar a institucionalizar a fuga nas aulas durante as primeiras semanas de trabalho, o que tem vido a se reflectir de forma negativa no encurtamento das semanas lectivas durante o ano. No meu ponto de vista, esta atitude deve-se a ausência dos professores nas salas de aulas. Porque se o aluno se aperceber que o professor desta ou daquela disciplina deu


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nossa realidade lentamente vai criando de forma silenciosa ou hipocrita divisões e egoismo em demasia que vão tomando conta de nós. Realidade super engraçado que mesmo sendo nós os supostos intelectuais e quiça filhos de Deus conseguimos dormir e acordar com a famosa desigualidade social. O porque de tanto egoismo? Por exemplo Antigamente o pérfil de um bom rapaz ou boa menina passava relativamente em ter educação religiosa e saber a tabuada de cor, além de cozinhar e costurar [tudo bem sei que os tempos passaram agora hà Globo, BBAfrica, bounce, malhação, sempre a subir. Eu relativamente curto sempre a subir e bounce, tchilar ,bla bla] ok tudo bem modernizar é bom, mas preservando a cultura e o bem estar, é sempre mais original. Actualmente o pérfil de um[a] jovem bom tem que ser de boa familia ou ser rico[a], mesmo não ostentando diploma tem de ter o berço de ouro [não me venhem cà dizer que não é isso! desculpa là, tudo menos cinismo, como se diz na giria triste é ter mãe ou pai pobre mas burrice é ter marido pobre ou mulher parasita].

Os menos possibilitados são vistos como leprosos, eternas pragas na qual ninguém quer contagiar-se e sobretudo amar [afinal o amor não enche barriga “lol”]. É certo, somos Angolanos por excelencia, previlegiados por Deus, é inadmissivél o que se passa em Angola é incrivél à facilidade que os estrangeiros de mà fé têm [repito estrangeiro de mà fé, pessoas que nos atrasam o desenvolvimento, eu quero afirmar que não sou xenofobo] saiem dos seus paises proliferam a sua religião aliciam as nossas irmães e a nossa cultura, ainda por cima camuflam-se em negocios de pequenas cantinas para esconder a verdadeira origem obscura dos seus interesses. Pergunto aonde estão as pessoas de direito? O que se passa com a nossa massa cinzenta que so é aproveitada em farras e danças do cambwa, caldos do domingo, éden e fornicação [pessoal eu também curto tchilar e danço bem! Sou Angolano está no sangue, mas vamos lá acordar porque estamos a perder a identidade e deixar a nossa terra morrer] até o chines ja forma qua-drilha em An-

gola e rouba carro. Me Pergunto o que serà de Angola daqui a 30 anos? É preciso começar a reflectir, deixar as batotas de pagar gasosas para passar [desmoralizar os professores corruptos apresentado queixas à Policia]. Deixar de mentir-se e aceitar o futuro melhor, é importante isso. Este é o pérfil que nós os jovem Angolanos devemos ter, deixar o tribalismo, racismo e desigualidade social a parte, enterrar isso. Saber equilibrar tudo, sobretudo pensar no que séra de nos daqui à alguns anos baseando-se nesta realidade pobre de espirito. Alguns pensam que vivendo o presente bajulando e bebendo ignorancia é viver rapido, não compatriotas é preciso pensar no futuro e o futuro somos nós VIVA ANGOLA.

“o futuro somos nós, viva Angola” Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 021.


022. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

EXTO: BENJA SATULA

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Branqueamento de capitais, entenda o que ĂŠ.


“Os criminosos escolhem os países cujo luxo monetário é elevado, com margens de lucro confortantes”

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iteralmente, branqueamento de capitais significa operação para lavar, clarear ganhos, proventos ou rendimentos “sujos” e/ou obtidos por transações “subterrâneas”, ou a reutilização de fundos resultantes da actividade ilícita. Neste contexto, quando se fala em reutilização, refere-se a uma actividade legal cujos proventos serão reinvestidos numa ulterior actividade ilícita. É a “purificação” de dinheiros do crime e a dissimulação efectiva da proveniência dos fundos. O termo “branqueamento de capitais” tem a sua origem na expressão inglesa monei-laundering. Esta expressão terá sido usada inicialmente nos Estados Unidos da América, num sentido quase literal, a propósito das estratégias das máfias americanas de empreender, nas décadas de 1920 e 1930, negócios lícitos, sobretudo redes de lavandarias, como forma de legitimação dos lucros provenientes de actividades criminosas, fundamentalmente do tráfico ilícito de drogas. A idéia que ficava na altura era de que a cadeia de lavandaria era uma actividade lucrativa. Nessa altura, o famoso contrabandista de bebidas alcoólicas Al Capone havia comprado uma cadeia de lavandarias de roupa onde, escondendo-se por trás do alegado negócio lícito dos serviços prestados pelas lavandarias, efectuava enormes depósitos bancários, em numerário, de notas de baixo valor facial, provenientes das actividades ilícitas. Assim, justificava a existência em seu poder de tais notas de baixo valor facial, legitimando os ganhos que auferia do contrabando. Daí nasceu a expressão “Lavagem de Dinheiro” ou mesmo “Branqueamento de Capitais”. Ressalva deve ser feita, neste momento, à legitimidade dos serviços prestados, hoje em dia, pelas várias

lavandarias da praça. Entretanto este mito despertou curiosidade do Departamento do Combate Fraude Financeira e o ministério foi desmantelado. De facto é raro, nos tempos actuais, o negócio que não seja propício ou facilite a lavagem de dinheiro. É, inclusive, possível, imaginar qualquer firma de prestação de serviços (ou qualquer outro tipo de negócio) a ser utilizada como fonte de limpeza de capitais. No entanto, as formas mais graves de branqueamento de capitais têm se verificado, na maioria dos casos, com recurso a instituições financeiras, tais como Bancos, Seguradoras, etc. A ausência de uma lei específica expõe o país ao branqueamento de capitais, alerta o mestre em Direito Penal, Benja Satula, na sua obra “Branqueamento de Capitais”. Benja Satula, Jurista Angolano, em entrevista ao Novo Jornal de Angola, confirma que há existência de indícios de lavagem de dinheiro em Angola, porque a actividade branqueadora tem países-alvo. “Os criminosos escolhem os países cujo luxo monetário é elevado, com margens de lucro confortantes; onde a legislação fiscal é inexistente e/ou frágil do ponto de vista de controlo do combate, com um forte pendor de sigilo bancário; onde a legislação anti-branqueamento de capitais é inexistente ou complacente”, dizia Benja Satula. Olhando-se para os mecanismos que a Administração Fiscal detém para chegar a conclusão que

o cidadão A ou cidadão B, não pagou os impostos todos que devia pagar. É possível quando o controlo é feito sobre as empresas, mas fora deste círculo é muito mais difícil. Olhando-se para as rendas do sector imobiliário nacional, por exemplo – são muito elevadas. Mas o que é que o Estado ganha com isto? Nada. Olha-se para o nível de ostentação e os sinais exteriores de riqueza, vê-se claramente que existe uma desproporção entre aquilo que se ganha e aquilo que se tem. Ora, quem assegura que a proveniência é lícita? Aqui está um indício. A inexistência de um sistema de base de dados com cruzamento de informações, impede que as instituições bancárias em particular e as financeiras no geral consigam detectar operações realizadas pelo mesmo cliente em somas avultadas. Quem deposita valores milionários na sua conta é e será sempre cliente “VIP”, logo é fácil perceber que há indícios muito fortes de actividade branqueadora no país. Infelizmente. Como exemplos claros, pode-se reparar nas fraudes ao Banco Nacional de Angola e no elevado número de imigrantes ilegais que foram apanhados a desembarcar na Barra do Dande. Imaginam-se quantos milhares é que não foram apanhados? E quem é que se beneficia com isto? Quanto é que se cobra por cada imigrante e onde é que se deposita o dinheiro? Há alguma justificação? Não será o ilustre cidadão (nacional ou estrangeiro)

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com quem nos cruzamos todos os dias na rua com “máquinas faladas (carros)”? Uma das consequências óbvias do branqueamento é provocar uma distorção na economia, no índice de preços, na concorrência e no poder de compra – e o objectivo último é ganhar influência no sistema de decisão. Por exemplo, onde andam os produtores nacionais de farinha de trigo? A actividade deles era subvencionada, porque é que faliram? Sem prejuízo de má gestão de alguns, justiça seja feita, uma boa parte não aguentou a concorrência alheia, porque para os seus concorrentes tudo era lucro, ainda que vendesse a “preço de nada” o produto. Quem tem capacidade de pagar uma renda mensal de 5 mil e 25 mil dólares, de forma adiantada por um ou dois anos? Se porventura quiser arrendar um imóvel a um preço e outro interessado oferecer mais do que o preço estabelecido pelo proprietário, quem ficará com o imóvel? Com toda esta promiscuidade monetária, quer na concorrência, quer nos preços, não há economia que resista. Quando começou a investigar o fenómeno e a aprofundar os seus contornos, Benja Satula percebe que tarde ou cedo Angola teria de tomar uma posição em relação ao fenómeno e neste sentido escreveu o livro sobre branqueamento de capitais, com o propósito de despertar o ordenamento jurídico angolano sobre o branqueamento de capitais. Mais do que isto, utiliza uma linguagem acessível para que o leitor independentemente da sua habilitação e especialização profissional pudesse compreender. Os resultados têm sido satisfatórios porque vão de encontro às expectativas que se criou. Fenómeno religioso

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lém de questionar a disposição das pessoas em pagar a pronto vivendas no valor de quinhentos e um milhão de dólares, Benja Satula refere igualmente que o fenómeno religioso pode ser uma forma incubada de branqueamento de capitais. O professor da Universidade Católica pergunta quem controla o fluxo financeiro que entra para as contas de mais de uma centena de confissões religiosas, que ostentam enormes empreendimentos, cuja origem

manifestam ser apenas da exclusiva contribuição dos seus fiéis, na sua maioria cidadãos pobres, desempregados, reformados, estudantes e assalariados não executivos. Satula diz que basta a não exigência de manutenção de contabilidade organizada, bem como do registo das entradas no caixa diário e respectivo saldo mensal e o controlo das contas anuais, para que elas se possam financiar por qualquer meio e “religiosamente” depositar nas respectivas contas somas avultadas e a sua posterior remessa para o estrangeiro, se for o caso. Não alheio a este facto, o Estado Angolano já reagiu ao fenómeno, criando a Lei N. 12/10 – Lei de Combate ao Branqueamento de Capitais e contra o financiamento do Terrorismo e recentemente com a instituição da Unidade de Inteligência Financeira (UIF), apesar de discordar-se do modelo adoptado. A primeira e mais importante regra que a lei em análise vem impor é a quebra do sigilo bancário ou de qualquer dever de confidencialidade que as Instituições Financeiras estejam obrigadas a observar quando, existindo um processo-crime em curso (ainda que na fase de segredo de justiça e, por conseguinte, eventualmente ainda não comunicado aos eventuais arguidos) as autoridades judiciais solicitem informações sobre qualquer operação realizada a coberto ou com recurso de tais instituições. Impõe ainda, a mesma lei, a obrigação de sigilo das mesmas instituições quanto à existência de um pedido de informação levado a cabo por uma autoridade judicial, impedindo a não revelação ao seu cliente ou qualquer outra entidade que não a autoridade judicial, qualquer informação transmitida a tal autoridade ou mesmo que a mesma autoridade tenha solicitado à instituição financeira informação relativa a um seu cliente. A segunda regra de cariz vital imposta pelo regime de repressão do Branqueamento de Capitais traduz-se na imposição do dever de abstenção de executar operações financeiras, sempre que a operação solicitada a ser executada revele um mínimo indício de constituir um dos crimes elencados supra, ou seja, quando a operação não esteja devidamente documentada e apresentada legitima justificação para o prosseguimento de tal operação financeira. Diante deste facto, a qualidade do combate ao branqueamento de capitais será igual à importância estratégica que tiver para o executivo, porque as bases estão lançadas. Entretanto é necessário fazer-se mais. A título de exemplo, precisa-se que a UIF se constitua efectivamente como um computador central, onde as denúncias de operações suspeitas vão parar. Para isto é necessário que os bancos estejam ligados em rede e unidos a uma base de dados nacional de acesso muito restrito – o que significa que será preciso capacitar os funcionários das entidades sobre os procedimentos a adoptar diante de uma operação suspeita.

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As que vulgarizavam este ser sagrado não tinham espaço na mídia ou locais de respeito na sociedade. A globalização nos expõe a conceitos de outras culturas em que a vida é vivida sem pensar no futuro, regrada e desregradas a bebedeiras, sexo e traição, quanto mais podre e devasso, mais público atrai. Formula que observando as nossas figuras publicas, parece fazer muito sucesso e infelizmente esta a funcionar. Ainda existem mulheres que lutam por esta causa, como caso da OMA (Organização da mulher Angolana), que se veem cada dia mais fragilizadas com as simpatizantes que, cantam, aceitam alegres e se acham valorizadas pela exposição da própria nudez. Felizmente os programas de televisão Angolana ainda não enveredaram pela amostragem de corpos, chamadas assistentes de palcos, que vulgarmente apresentam-se vestidas de maneira inapropriada, como acontece nos canais pagos. Mas

infelizmente a televisão Angolana só é consumida pelos que não possuem TV paga. Os grandes meios de comunicação excluem as pessoas com teor e conteúdo critico, para criar ídolos fúteis, distorcendo a realidade pelo que gera mais receita. Criando cidadãos sem senso crítico, contribuindo cada vez menos para o futuro do país. Somos um deposito de lixo, homens que veem mulheres como peito e parte traseira e mulheres visando o que veem na mídia como o exemplo a ser seguido. Agora, o que dizer sobre as crianças que crescem e vivem nesse meio? São completamente afetadas, já que desde cedo a mídia impõe que o essencial pra conseguir a fama é ter um belo corpo e atitudes vulgares. Afinal, que criança nunca pensou em ser famosa? Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 025.

EXTO: FERRAZ MANUEL

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ulher é a representação da beleza no ser humano, sem elas nada teria continuidade, pois são as geradoras da vida, mães por excelência. Consideradas o sexo frágil elas tem vindo a conquistar nos últimos tempos, lugares cada vez mais destacados em todas as vertentes da sociedade. Mas, será que elas já possuem os mesmos

direitos que os homens? O sim ou não, se torna pouco relevante, ao responder-se esta questão. A verdade é que é indiscutível vermos a mulher há ocupar cada dia mais espaço, no labor profissional. Ao mesmo tempo em que vemos as mulheres tomarem rumos altos nas suas carreiras, vemos todos os dias a sua imagem se deteriorando quando nos sentamos para ver algum programa televisivo, sendo cada dia desvalorizado nas idas musicais, nos vídeo clips, e etc. Não busco o retrato da considerada profissão mais antiga de todas, mas a exposição do corpo feminino, do sexo e da banalização da mulher como um todo. Músicas de ontem retratavam a timidez, o amor, o carinho, do respeito e aprecio pela mulher. Mulher, como um ser sagrado que caíu no esquecimento, no desuso.

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Mulher e sua imagem midiática


ILUSTRAÇÃO DE TSEVIS/FLICKR. IMAGEM DE JULIAN ASSANGE

TRANSFOR

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IMAGEM/ILUSTRAÇÃO: RAFAEL MARQUES

RMADORES

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Rafael Marques eo Wikileaks Angolano J ulian Assange que há poucos meses atrás estampava a capa de famosas revistas e era notícia nos principais jornais do mundo, parece hoje esquecido. No entanto, os efeitos de seu acto de coragem ao revelar documentos governamentais confidenciais, iniciando uma luta pela transparência e o acesso pleno à informação são ainda sentidos. Um novo tipo de jornalismo acabou por nascer, um jornalismo globalizado, capilar e independente da influência de governos locais. Para o bem ou para o mal, a possibilidade aberta pelo Wikileaks mudou o mundo. E a questão hoje é: quantos governos sobreviveriam a uma política de transparência total? À semelhança do 1984 de Orwell, o caso Wikileaks gira em torno da vigilância global mas, como notou Umberto Eco num belo texto: “Piratas, vingadores e espiões em diligência” para o jornal Libéracion, ela foi transformada em uma rua de mão dupla. O Estado vigia o seu povo, mas um cidadão interessado e com boas conexões também pode vigiar o Estado. Essa vigilância em mão dupla é ao mesmo tempo uma demonstração do poder da Internet e um lembrete amargo de quais são os seus limites, afinal Julian segue preso (ainda que sob acusações não relacionadas às suas ac-

tividades no Wikileaks). No cenário angolano existem iniciativas combativas às falácias do governo, e uma das ferramentas de maior destaque é o site http://makaangola.com/ criado em 2008 por Rafael Marques de Morais, jornalista e pesquisador angolano com vários relatórios publicados sobre a violação dos direitos humanos no sector diamantífero em Angola, como: A Colheita da Fome nas Áreas Diamantíferas (2008), Operação Kissonde: Os Diamantes da Miséria e da Humilhação (2006), e Lundas: As Pedras da Morte (2005) em coautoria com Rui Campos. Rafael é Malanjino, Mestre em Estudos Africanos pela Universidade de Oxford, e formado em antropologia e jornalismo na Goldsmiths, Universidade de Londres. Em 2000, recebeu o distinto Percy Qoboza Award [Prémio Percy Qoboza para a Coragem Exemplar] da Associação Nacional dos Jornalistas Negros dos Estados Unidos da América, e em 2006 venceu o Civil Courage Prize [Prémio de Coragem Civil] da Train Foundation (EUA) pelas suas actividades em prol dos direitos humanos. Como descreve em seu site, a sua iniciativa é dedicada de forma específica à luta anti-corrupção em Angola, abordando a dinâmica da economia política angolana. E explica que o nome “makaangola” foi escolhido para o site devido ao substantivo em kimbundo “maka” que em português refere-se a um problema delicado ou grave. Rafael diz que a “maka” é que “Angola é dotada de imensuráveis riquezas naturais e tem registado, nos últimos quatro anos, um impressionante crescimento económico. Todavia, a gestão desses recursos e do património do Estado, em geral, têm gerado mais injustiças políticas, sociais e económicas do que benefícios para a maioria da população angolana.”

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“Para Marques, a imprensa deve desempenhar o seu papel na luta contra a “promiscuidade da corrupção”. Em 03 de Julho de 1999 Rafael publicou “O Batom da Ditadura”, um artigo criticando o presidente José Eduardo dos Santos. Em decorrência de tal acto foi questionado exaustivamente em 13 de Outubro do mesmo ano, pela Divisão Nacional de Investigação Criminal (DNIC). Mais tarde naquele dia, deu entrevista à Rádio Ecclésia e repetiu suas duras críticas ao governo Dos Santos, foi então preso por vinte membros armados da Polícia de Intervenção Rápida sob a acusação de difamação em 16 de Outubro. O tribunal condenou Rafael por violar os artigos 43, 44, 45 e 46 da Lei de Imprensa nº 22/91, e sentenciou-o a seis meses de prisão. Já encarcerado, Marques recusou alimentação por oito dias em protesto à não permissão para encontrar-se com sua advogada, Anacleta Pereira, ou sua família. A polícia o liberou sob fiança em 25 de Novembro, mas proibiu-o de deixar Luanda, ou falar com jornalistas. Sobre o sucedido Rafael conta, “Minha prisão foi um momento de revelação. Foi assim que me tornei um activista dos direitos humanos. Alguns presos ali estavam tão debilitados devido à fome e maus tratos que não conseguiam nem ficar em pé na fila diária para contagem. Dia sim, dia não, algum deles morria e o seu corpo era apenas colocado num canto onde os presos jogavam

cartas durante o tempo de pausa. Um dos presos com quem fiz amizade, foi forçado a dormir em uma pequena cela com um prisioneiro morto por três dias.” “Na prisão, esqueci da minha situação e foquei minha atenção em ajudar aqueles em maior perigo, ou cuja a dignidade havia sido destruída pelo sistema.”, disse Marques. A repercussão do caso alcançou um nível sem precedentes e chamou a atenção de grupos de ajuda humanitária em todo o mundo. Sua prisão foi apresentada pela Open Society Justice Initiative à Comissão de Direitos Humanos da ONU, e resultou em uma decisão de que Angola havia violado a liberdade de expressão de um jornalista e um apelo para uma ampla liberalização do regime angolano. Em um país onde a maioria dos meios de comunicação é controlada pela censura do Estado, Marques faz parte de um pequeno número de jornalistas que comentam sobre a agenda do governo em tablóides de cariz eminentemente político. Segundo ele este jornalismo combativo “tem estado na vanguarda do movimento pró-democracia e das mudanças em Angola. (...) Alguns pequenos meios de comunicação independentes e seus jornalistas são vistos como a única e verdadeira oposição política no país. Por ir contra a maré, essas pessoas e meios ganharam esse rótulo. (...) O que os jornalistas estão a fazer deveria ser normal em qualquer sociedade, e não ser visto como oposição.” Rafael escreve em média dois artigos por mês no qual ele investiga a corrupção, que ele define como “a principal instituição do estado”. Para Marques, a imprensa deve desempenhar o seu papel na luta contra a “promiscuidade da corrupção”. “Alguém, de alguma forma, precisa accionar os alarmes para que as pessoas estejam conscientes do tecido social autodestrutivo que temos tricotado.”, disse ele. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com 029.


ENTREVISTA DO MÊS

Coréon Dú

Depois de descobrir a sua inclinação para a música aos 13 anos, Coréon Dú deu os primeiros passos participando em musicais durante o ensino médio e no coro escolar onde foi solista. Durante o seu curso de Comunicação Social e Gestão, foi introduzido à técnica clássica no coro universitário da Loyola University New Orleans, com uma breve passagem pelo coro de Gospel da mesma universidade como segundo tenor. Desde 2001 Coréon Dú dedicouse a vários projectos criativos ligados ao teatro, televisão, música, dança e à moda. Em 2007 centra a sua atenção na sua principal paixão: a música; e começa a escrever e compôr o que se tornariam as canções do seu primerio álbum The Coréon Experiment. Durante este processo desenvolve intercâmbios com artistas conceituados como André Mingas, a dupla Filipe Mukenga e Filipe Zau, DJ Manya, Matias Damásio, Simmons Massini, Wyza, Heavy C e Jeff Brown, que colaboraram na concepção do repertório para The Coréon Experiment.

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EXTO:: REVISTA PLATINA

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Perfil Fui registrado como José Eduardo Paulino dos Santos, nasci aos 28 de Setembro. Evito o consumo de bebidas álcoolicas, sou fã de Michael Jackson desde pequeno. Quando o assunto é Música me defino como eclético, gosto de deixar os meus ouvidos abertos a boa musica. Gosto de Coca-Cola com bastante gelo, com excepção aos dias em que tenho de cantar, fico muito tempo sem consumir bebidas geladas. Pior sentimento do mundo: Inveja Melhor sentimento do mundo: Felicidade O que uma pessoa não pode ser para ficar com você: Desonesta Qual o primeiro pensamento ao acordar: Agradecer a Deus por tudo que me dá a cada dia e as lições do dia anterior. Qual o último pensamento antes de dormir: Algo relaxante para convidar uma boa noite de sono. Se pudesse ser outra pessoa, quem seria... Uma versão melhorada de mim mesmo. O que você nunca tira: O Optimismo O que você tem debaixo da cama: Pensamentos positivos Uma saudade: Doce de déndem que comia na infância em Luanda. Uma característica tua: Prefiro ouvir mais do que falar Lugares em que morou: Luanda, Washington D.C., New Orleans Programas de TV que assistia quando criança: Carrossel, muitos desenhos animados e vídeos do Michael Jackson. Lugar em que esteve e voltaria: Benguela Lugar em que desejaria estar agora: Onde estou agora, New Orleans.

The Coréon Experiment. Que disco é este? The Coréon Experiment é uma viagem sonora, principalmente de música ligeira que mistura sabores angolanos com música de outros cantos do mundo. Quais as principais novidades em relação a esse álbum? Acredito que o público depois de escutar o disco todo poderá opinar sobre as novidades que detecta. De onde vem o nome artístico Coréon Dú? Coréon é um nome inspirado num personagem de um programa infantil australiano de ficção científica que vi quando vivi nos Estados Unidos e Dú, vem de Eduardo que faz parte do meu nome próprio. Como nasceu o Coréon Dú enquanto músico? Acho que a música faz parte da minha vida desde cedo. Inclusive um dos meus irmãos mais velhos já me contou que se lembra que eu gostava de brincar com sons quando era muito pequeno, na idade em que aprendi a falar. Durante grande parte da infância era mais apaixonado pela dança, apesar de infelizmente não ter tido a oportunidade de estudar

ualmente em frente à turma. Depois de eu terminar, os meus colegas ficaram a olhar para mim com cara de espanto. Eu pensei que tinha sido muito mau, mas depois de receber vários elogios acho que a minha auto-estima sobre a minha voz melhorou. Neste dia até os colegas que gozavam comigo por ser tímido me elogiaram. Foi uma surpresa muito agradável. Teve alguma influência familiar o seu gosto pela musica? Varias pessoas na família dos mais velhos aos mais novos apreciam a boa musica de vários géneros. Frequentou alguma escola de música ou foi um auto-aprendizado? Tive noções de música durante a minha carreira académica, mas nunca estudei música de forma aprofundada. Sou do tipo de pessoa que não gosta de se dispersar muito. Gosto de fazer as coisas bem feitas e uma de cada vez, para poder dedicar tempo a cada uma. Estudei no sistema Católico que é bastante rigoroso e no ensino superior o sistema Jesuíta, que é academicamente muito exigente. Tinha de escolher a que me dedicar e na altura achava que a opção certa era a minha formação académica. A música acabou

“Gosto de fazer as coisas bem feitas e uma de cada vez, para poder dedicar tempo a cada uma” dança de forma aprofundada. Mas tenho memórias desde muito cedo de gostar de ouvir música de vários géneros. Quando era criança um dos meus passatempos era ouvir os discos que tinha em casa e de ver vídeos de música. Como sempre fui muito tímido, tinha vergonha de cantar em público. Eu gostava de cantar, mas não sabia se tinha boa voz ou não, até o dia em que a professora de música na sétima classe ter obrigado a mim e todos os meus colegas a cantarmos individ-

por ter pouco espaço na minha vida na prática, mas nunca deixou a minha mente nem o meu coração. Compõe as suas próprias música e letras. O que é que o inspira? A maioria das musicas no disco tem letras escritas por mim e muitas delas têm melodia composta por mim também. Eu inspiro-me em assuntos humanos, temas do dia a dia e na vida no geral. O meu disco acabou por ser muito virado a temas ligados às relações humanas, especialmente ao amor. Dentro do tema amor viajo por vários te-

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mas: o amor próprio, o amor não correspondido, conflitos amorosos, felicidade e o amor do ponto de vista mais espiritual. Tendo em consideração o panorama actual, como antevê o futuro próximo da música “experimental” Angolana ? O disco The Coréon Experiment é uma fusão sonora que reflecte as várias influências musicais de Coréon Dú fundindo sonoridades Pop com ritmos como o Semba, Jazz, Pop, Funk, Bossanova, Rock, Afro-beat, Lounge e ritmos Latinos. Cantado principalmente em Português e Inglês, com faixas também em Espanhol e Kikongo ( língua da região norte de Angola. Como avalias o teu percurso musical desde o início até ao momento? Do ponto de vista prático o meu percurso musical está a começar agora, porque durante o ensino médio e superior era bastante activo : participava no coro escolar, em musicais, no coro Gospel, fui introduzido à técnica. Infelizmente, devido a outros compromissos profissionais depois da minha licenciatura tive de abandonar a música por algum tempo. Por isso acho que ainda tenho bastante trabalho pela frente. Coréon Dú honestamente acha-se um bom musico? Estou a começar agora a minha carreira e meu objectivo sempre foi ser um bom artista profissional, que nem sempre significa a fama ou estrelato. A qualidade do meu

sar do seu prestígio e talento demonstraram um alto grau de profissionalismo, simplicidade e humildade. Como surgiu a idéia de criar o Divas de Angola e o Bounce? O Divas Angola foi uma idéia desenvolvida há sensivelmente 5 anos atrás quando eu e a minha prima e ex-sócia estudávamos nos Estados Unidos. Na altura notávamos que era importante valorizar mais o trabalho de várias mulheres que passava desapercebido simplesmente por elas serem do sexo feminino. Apesar de hoje sermos de 2 empresas diferentes, eu da Semba Comunicação e ela da Glamour em Festas, colaboramos todos anos neste projecto que hoje é reconhecido a nível nacional. Eu co-criei o Bounce em 2007. Ia ser um concurso de battles de Hip Hop, mas decidi transformá-lo em algo que contribuísse para a formação dos jovens bailarinos que participam e também para educar os telespectadores sobre o trabalho necessário para a formação de bailarinos que se pretendem profissionalizar. A inspiração do concurso foi o Hip Hop, o Kuduro e a cultura de danças de rua, mas técnicas de dança académica como Jazz, Dança Moderna, Danças de inspiração Africana foram introduzidas porque

muito orgulhoso quando vejo os vencedores e concorrentes das 2 edições do Bounce a participarem em espectáculos, trabalhos publicitários, videoclipes, a darem aulas de Hip Hop em vários locais. É muito encorajador ver que consegui contribuir de forma positiva e dar esta oportunidade a outros jovens, porque afinal tratam-se de pessoas da mesma faixa etária que eu que têm um sonho que às vezes parecia inatingível. Tem havido muitas reclamações em relação às nomeações do Divas Angola. Já agora, esclareça quais são os critérios e para quando o divas Angola 2010? As candidatas ao Divas Angola são escolhidas por um Júri composto de jornalistas e profissionais ligados à área da comunicação social. Os critérios são simples, o júri escolhe as candidatas que acha que mais se destacam durante o ano entre as várias categorias: Desporto, Sociedade, Comunicação,

hoje em dia é muito importante que o artista profissional seja versátil. Está feliz com Resultado e já tem acompanhado o percurso dos vencedores? Para as vencedoras do Divas Angola, fico muito feliz pelo efeito positivo que isto tem tido na vida e auto-estima de mulheres de várias idades e extractos sociais. O Divas Angola felizmente tem demonstrado a várias mulheres e jovens em Angola que o seu trabalho e contributo para a sociedade é valioso. Em relação ao Bounce, fico sempre

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etc. E estes nomes vão a votação publica. As vencedoras são eleitas pelo público e a produção do evento apenas sabe o nome das vencedoras quando recebemos os resultados da votação pública que nos é fornecida pela operadora telefónica. As candidatas mais votadas de cada categoria recebem o prémio. Por isso quem tem o voto final é o publico. Há duas categorias que

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trabalho quem poderá avaliar é o publico e outros profissionais do ramo, mas trabalho para melhorar como artista a cada dia. Compraria o seu próprio Disco? Eu só pus no meu disco musica que eu próprio consumo e felizmente tive o prazer de trabalhar com artistas que têm trabalho que eu consumo. Por este motivo, o meu disco é todo feito de música que eu compraria. De todos os artistas com quem já colaboraste qual foi aquele que mais te marcou? Todos marcaram-me de forma diferente. Os que mais me marcaram são aqueles que ape-

NTREVISTA DO MÊS

“se a pessoa não é interessante como ser humano e não respeita ao próximo, eu pessoalmente não consigo me relacionar com ela.”


“Nós angolanos melhoramos sempre que nos unimos.” na televisão, nos filmes, na capa das revistas, no balcão das lojas do shopping e no restaurante chique, onde garçons e garçonetes parecem todos modelos. A beleza nos é oferecida em doses enormes, em vários formatos, para todos os gostos e gêneros. Há loiras altas, morenos fortes, jogadores de pernas grossas e cantoras e cantores de barrigas impecáveis. A beleza nos enche os olhos. É

um colírio grátis, permanente e intoxicante. Comente sobre isso? A beleza só está completa quando o interno e externo estão em perfeita harmonia. Acho que às vezes nos deixamos enganar pela superficialidade quando esquecemos disto. Acho que aparência física conta bastante, mas se a pessoa não é interessante como ser humano e não respeita ao próximo, eu pessoalmente não me consigo relacionar com ela. O mais importante para mim é tentar ser uma pessoa equilibrada. O que achou da nossa revista? É um site interessante, desejo que continuem sempre a subir e a respeitar os vossos leitores que é o mais importante. Como soube do projeto Revista Platina? Porque publicou um artigo algum tempo atrás sobre um “alegado” noivado meu que nunca aconteceu. Felizmente a verdade foi reposta. Que recado/sugestão deixa aos seus criadores? O caminho é para frente, desde que aprofundem os vossos conhecimentos sobre jornalismo e respeitem os leitores e as pessoas sobre quem escrevem. Que mensagem deixa ao público Angolano e platinado? Nós angolanos melhoramos sempre que nos unimos. A união faz a força, porque especiais já somos todos por sermos Angolanos.

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NTREVISTA DO MÊS

ta? Gosto de passar tempo com a família e amigos. O que a família representa para você? Como é sua relação com ela hoje? A família é um conjunto de pessoas que me ama de forma incondicional e que se preocupa e está comigo em todos momentos, incluindo os menos fáceis. Tenho a felicidade de ter uma família maravilhosa que me ama muito e eu amo a minha família também. Verão para si é... Luz, calor , praia e ganhar uma cor mais bonita (com cuidado e bastante protector solar). Férias cá dentro ou lá fora ? Nos dois sítios dependendo da altura do ano e da disposição. Adoro conhecer lugares novos no meu próprio país, mas também sou um cidadão do mundo. Quem mandaria para uma ilha deserta? Se eu tivesse que ficar na ilha mandaria um grupo de pessoas muito bem dispostas. Se não tivesse de ficar na ilha, mandaria todos que transmitem energia negativa para o resto do mundo. Vivemos num mundo obcecado pela beleza humana. Ela está

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não são votadas por via telefónica. A Diva Deslumbrante, que o público presente no evento escolhe no dia da gala para premiar a mulher mais elegante da noite. Temos também a única escolhida pela produção e das homenageadas em 2010 escolhemos a modelo Nayma Mingas e a cantora Nany pelo seu contributo à moda e à musica respectivamente. Gosta de sair para dançar? Que casas nocturnas costuma frequentar, ou isto não é possível devido ao assédios? Adoro dançar, apesar do meu repertório de toques ser limitado. Por este motivo muitas vezes fico a apreciar os mestres na matéria a dar o seu show. Eu sou bastante pacato, prefiro ambientes mais calmos, então não frequento muito espaços nocturnos. As poucas vezes que vou é para poder passar tempo com os amigos ou familiares a quem acompanho. Não sou muito assediado felizmente e normalmente as pessoas que me abordam são bastante simpáticas, por isto nunca tive problemas em espaços públicos. Ouve-se por aí que Coréon Dú é Homossexual, até que ponto isso é verdade? Acreditamos que esta seja a pergunta que os platinados espalhados pelo mundo torcem para fazermos a si. É de facto uma pergunta interessante. Como ainda sou solteiro, acredito que a minha cara-metade saberá como responder a esta pergunta a todas platinadas e platinados , quando eu a encontrar. O que tem de bom em cartaz hoje? Quais os tipos, estilos de filmes você curte? Além dos filmes, quais os actores/actrizes você dá nota 10? Eu sou um ávido consumidor de média e cinema. Gosto das coisas mais intelectuais às mais banais. Não dispenso uma boa comédia e gosto muito de filmes que me fazem pensar. Gostei bastante do The Other Guys com o Mark Walberg e Will Ferrel e o Green Hornet com Seth Rogen. Dois filmes muito bons fui ver por ser admirador ávido das protagonistas , um deles o Black Swan com a Natalie Portman e o Sex and Other Drugs com a Anne Hathaway, foram os dois excepcionais. O que fazer num domingo sem shows, sem nada na TV e sem a companhia da namorada e do que você mais gos-


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livro tenta responder a esta difícil questão e dá algumas dicas do que eles preferem fazer entre quatro paredes. Que mulher se sente 100% segura em dizer que sabe exactamente do que o parceiro gosta na hora H? Foi a partir desta dúvida que surgiu o livro “O que os Homens Realmente Querem na Cama.” Escrito por Cynthia Gentry e Nima Badiey, ele não tem o objectivo de ser uma pesquisa científica sobre os erros e acertos das mulheres, mas sim um espaço que dá voz à ala masculina. Os autores entrevistaram 300 homens americanos, entre 23 e 64 anos. Apesar da pesquisa indicar alguns padrões gerais, Cynthia e Nima fazem questão de deixar claro: todos os homens são diferentes. Por isso, nem todas as dicas podem ter efeito. Para esses casos, o casal diz que o ideal é conhecer seu parceiro um pouco melhor antes de usar suas melhores cartas.

EXTO: SIDNEY WEBBA

O que os Homens O querem na cama?

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Algumas dicas para a mulherada:

O A F U M Q A 82% O

s homens gostam de ser seduzidos. De forma direta e verdadeira, deixe as suas intenções claras. Mas sem agressividade: atitudes sutis, como um contato físico delicado, já deixam claras as suas intenções. maioria dos homens entrevistados afirmou gostar e fazer questão das preliminares. As autoras dão a dica: a nuca e a parte inferior das costas são regiões estimulantes que quase sempre são esquecidas pelas mulheres. ale claramente o que você deseja. Os homens gostam de saber como agradar. ma coisa simples, que às vezes pode ficar esquecida: beijar nunca é demais. antenha a negatividade longe das conversas. Evite a todo custo falar mal dos ex-namorados ou reclamar demais da vida. uase todos os homens gostam quando você faz sexo oral. Desde que você esteja a fim, é claro.

lém da variação de posições, os homens também apontam a variedade de lugares como um estimulante na hora do sexo. E não precisa ser nada muito exótico: variar os locais dentro de casa já ajuda.

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gasmo.

dos entrevistados afirmaram que nunca é bom quando a mulher finge o or-

s homens fantasiam sobre tudo. E só compartilham as fantasias com quem se sentem íntimos. Portanto, não tenha medo se o seu parceiro se sentir livre para te contar alguns segredinhos.

A S A

s coisas que mais desestimulam os homens não estão ligadas ao físico. Para eles, uma mulher entediada ou pouco confiante é como um balde de água fria. erá que sou boa de cama?” Eis a perguntinha que alfineta o ego da mulherada. Embora poucas tenham se perguntado: “Será que ele é bom na minha cama?”, a questão é delicada. pressão da excelência em todas as esferas da vida, com o fermento cruel da auto-exigência, vale também quando o assunto é sexo. Junto a esse questionamento surge por vezes uma outra pergunta: “afinal, o que meu marido (ou namorado) realmente quer na cama”? que os homens gostariam que as mulheres soubessem a respeito de sexo? O casal norte-americano Cynthia Gentry e Nima Badiey resolveu investigar e escreveu o livro “O que os homens realmente querem na cama” les conseguiram reunir uma antologia de depoimentos masculinos sobre aquilo que eles fazem ou gostariam de fazer entre quatro paredes. As respostas dão uma boa idéia do que ronda o imaginário sexual masculino, já que cerca de 200 homens das mais diferentes classes sociais e estilos revelam sem papas na língua suas verdades e tabus sexuais, com direito àquilo que lhes deixa mais (e menos) excitados. Será que podemos partir do pressuposto de que quanto mais as esposas e namoradas souberem o que lhes agrada, melhor para a relação? Isso não soa machista? E quando os homens terão em suas cabeceiras o livro “O que as mulheres realmente querem na cama”. Essa obra deve ser escrita por nós minhas amigas, quem sabe até colaborativamente aqui na Platina!

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Canção das mulheres Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que caso eu faça uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices as vezes. Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ‘’Olha que estou tendo muita paciência com você!’’ Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e

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Lya Luft

osso lema é “mais que uma revista, um estilo de vida” e realmente acreditamos nisso. Acreditamos em recuperar valores perdidos, em homens voltarem a ser homens e mulheres continuarem a ser mulheres, mas sem discursos machistas ou clichês batidos, o que queremos é ajudálo a ser um verdadeiro homem. Um homem seguro de si, e que sabe o que quer, sem no entanto ser arrogante ou prepotente, um homem vaidoso e bem apessoado mas sem essas babaquices metrosexualistas de homem que depila as pernas e passa as tardes com mascara de mel e aveia na cara, queremos ajudá-lo a alcançar seus sonhos.Ao longo de nossas edições traremos textos úteis, e que acreditamos que beneficiarão todos os platinados. Não são manuais, ou guias e não devem ser seguidos à risca como se de uma doutrina se tratasse, você deve pelo contrário ler, refletir, criticar, adicionar os seus próprios pensamentos, descartar o que não serve, aproveitar o que tiver de bom e acima

de tudo melhorar. Começando então a nossa jornada, nesta primeira edição separamos para você as 10 qualidades que achamos que fazem um verdadeiro homem, e que todos os platinados deveriam possuir. . O Homem lidera ao servir às habilidades dos outros. O verdadeiro líder não é aquele que se destaca sozinho ou o que possui as melhores competências, mas sim aquele que vê potencialidades nos outros e age para que essas habilidades se desenvolvam e melhorem o ambiente de trabalho. Ele é um identificador de talentos que une o melhor de um com o melhor do outro. Sabe como fazer todos sonharem e unirem seus conhecimentos em prol de um projeto significativo. Em vez de retórica, sua arte é outra: ele é o mestre da escuta. As pessoas não servem ao líder, mas ao sonho em comum que todos almejam alcançar.

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Para que isso aconteça, o líder é que deve estar disposto a servir, proporcionando as melhores condições para que cada um possa realizar o seu trabalho. . O sucesso do Homem inclui o fracassoNão se pode vencer todas... Em livros de autoajuda, só se fala no sucesso e suas leis e segredos. Em todos eles, o fracasso é sempre visto como uma das etapas para se atingir o sucesso. No entanto, o verdadeiro homem acredita que o autêntico êxito não pode estar baseado em ideais de sucesso, vendidos por livros de autoajuda e novelas baratas. Ele acredita que o sucesso tem de ser atingido mesmo se fal-

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As 10 Qualidades do Verdadeiro Homem

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perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.


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harmos completamente em todas as nossas investidas. Parece loucura, mas basta alterarmos nossa meta: em vez de dinheiro, fama e poder, podemos buscar diretamente o que pensamos que vamos conseguir com dinheiro, fama e poder. Por exemplo, um homem que almeja ser respeitado, deve ao invés de procurar ser rico, ou o que quer que seja que a novela disse que lhe traria respeito; apresentar uma postura ética, confiante, ser cortêz, bem educado, entre outras características capazes de tornar qualquer homem no ser mais respeitável do universo. Em vez de tentar alterar as configurações externas para nos sentirmos bem (comprar um ipad para ser cool, etc), treinamos nossa mente e cultivamos uma felicidade, uma consciência e uma presença cuja estabilidade independe do que acontece ao nosso redor. . O orgulho, para o homem, é uma forma de distraçãoUm mestre de meditação certo dia lançou o seguinte desafio a quatro alunos experientes: ficar em silêncio absoluto por um mês. Todos estavam indo bem, até que no último dia um deles começou a tossir incansavelmente. O aluno do lado tentou se conter, mas acabou falando: “Não tínhamos que ficar em silêncio completo?”. O terceiro imediatamente disparou: “Por que vocês dois quebraram o silêncio?”. Um pouco de silêncio e o último não resistiu: “Aha! Eu sou o único que não falou!”. O verdadeiro homem faz o seu melhor. Sem olhar para trás com orgulho. Sem olhar para os lados pedindo aprovação. Sem olhar para frente gerando expectativas. Sempre que desvia o olhar de sua ação presente, ele se distrai, perde o foco e arranja complicações desnecessárias. . O homem está sempre disponívelÉ claro que nossos projetos muitas vezes tomam todo o nosso tempo. Entretanto, ser disponível não significa ter tempo, mas ser capaz de, a qualquer momento, arranjar tempo. Se nos fechamos em nossas pequenas revoluções pessoais, não estaremos preparados quando uma grande oportunidade passar ao nosso lado. O mesmo raciocínio vale para trabalhos, projetos e, obviamente, para mulheres.

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Estar disponível é sinal de segurança e liberdade. Segurança, já que o verdadeiro homem está sempre aberto à lidar com as confusões humanas. Liberdade, pois ele pode mudar de direção a qualquer momento, sem preparação, sem avisos. . A doutrina do homem só tem um nome: liberdadeTodos temos um conjunto de princípios nos quais acreditamos, mas eles só fazem sentido se aumentam nossa liberdade diante das configurações do mundo, das imposições dos outros e, principalmente, diante de nossos condicionamentos e hábitos. O verdadeiro homem procura a liberdade para que, em qualquer situação, sempre haja saídas e caminhos alternativos. Para ele e para os outros. De fato, o sofrimento surge da contração, do fechamento. Um homem se suicida quando seu espaço de ação é totalmente reduzido e não lhe sobra alternativa além de um tiro na boca. Ele não vê saídas. Sabendo disso, o verdadeiro homem está constantemente ampliando o espaço de possibilidades em seu mundo e nas vidas de todos ao seu redor. Ele vê saídas para os seus problemas e dos outros e assim consegue ajudá-los. Sua presença aberta está sempre apontando a liberdade em tudo, para todos. . O homem encara tudo como um sonhoTodos em algum momento de nossas vidas tivemos sonhos terríveis que nos apavoraram e acordaram no meio da noite, apenas para constatarmos que era um sonho. Uff!!! Mas também já tivemos sonhos em que apesar de algo ruim acontecer, nós sabíamos, ainda durante o sono, que estávamos simplesmente sonhando. Tal fato nos impedia de entrar em pânico e acordar em lágrimas, podendo em muitos casos simplesmente mudar a história que se desenrolava e aproveitar a noite.

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Este segundo tipo de sonho, o sonho lúcido, quando usado como metáfora causa várias transformações no homem: ele não se leva a sério, ele não dá solidez às situações, ele se livra de certezas e crenças, ele age sem medo. Isso porque ele ganha consciência de que tudo na vida passa, que ele sempre pode mudar de rumo, que as situações normalmente nunca são tão más como parecem. O verdadeiro homem vive assim, como se a vida fosse um sonho lúcido. Ele não se desespera porque bateram no seu carro hoje, ele não chora porque foi demitido, ele não se suicida porque a mulher o deixou, ele sabe que a qualquer momento ele pode mudar o curso do sonho. Ele vive sem medo. . A filosofia do homem é: apenas façaA teoria sem a prática é estéril e absolutamente inútil. A filosofia do verdadeiro homem é a sua ação. Em vez de guardar saberes, ele faz uso deles para se posicionar no mundo. Cada novo insight mental transforma-se em uma postura, uma ação. Cada teoria é posta em prática. O que importa não é adquirir conteúdo, mas pelo contrário tornar-se o conteúdo. Em cada interação com o mundo ele não apenas aprende, mas também ensina. Ao ouvir alguém, o verdadeiro homem observa o outro e aprende com ele. Ao falar, ele não está interessado em transmitir informações, ele quer passar uma experiência, um ped-

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aço de si. Cada palavra é um golpe – de ataque ou sedução, de violência ou carinho. . O homem anda com a morte ao ladoTodo dia, o verdadeiro homem levanta e se lembra que vai morrer. Seu primeiro e último pensamento é: todos vamos morrer. Isso tira a importância e concede leveza a seus atos. Sabendo que vai morrer, o homem não se distrai, não entra em discussões tolas, não perde tempo. Se a relação é medíocre, ele a abandona. Se o local se estagnou, ele se muda. Ele não desperdiça sua energia vital. Ele sabe que seu tempo é limitado e tira o melhor proveito dele. Steve Jobs um dos mais carismáticos líderes da atualidade usa essa filosofia como relatou num discurso proferido a uma turma de formandos de Stanford dizendo: “Lembrar-me de que logo eu vou estar morto é a ferramenta mais importante que eu encontrei pra me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo – todas as expectativas exteriores, todo o orgulho, todo o medo de passar vergonha ou falhar – todas essas coisas simplesmente ficam pequenas diante da morte, deixando apenas o que é realmente importante. Lembrando-se de que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço pra evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há motivo para não seguir seu coração.” . A única preocupação do homem é: oferecer suas habilidades ao mundoSem interesses auto-centrados e sob a sombra da morte, resta ao verdadeiro homem oferecer o que tem de melhor ao mundo. Ele associa suas artes e habilidades a grandes projetos e tenta enriquecer, como pode, esse sonho coletivo que vivemos. O verdadeiro homem faz de seus atos um presente a todos. Presente que entrega sem que ninguém peça. Ele também não espera elogios ou agradecimentos, apenas entrega e vai. É isso o que fazemos aqui: nascemos, fazemos alguma coisa e morremos a seguir. Ainda que faça seu melhor, o verdadeiro homem não guarda a ilusão de que isso seja mesmo uma grande coisa. É apenas alguma coisa, uma forma de agradecer pela oportunidade antes de morrer.

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. O homem repousa além das construçõesMulheres vêm e vão. Amigos se apresentam e se despedem. Trabalhos começam e terminam. O verdadeiro homem nunca se vincula totalmente a algo, pois sabe que tudo é impermanente. Paradoxalmente, essa mesma impermanência o faz se dedicar totalmente a cada mulher, amigo ou trabalho. Para o olhar dos outros, ele é muito ativo e está fazendo mil coisas. Mas o homem é imóvel. Sua imobilidade faz com que ele seja impassível, imperturbável. Seus pés não estão nas construções que ele executa, nos breves sucessos que alcançou. Quando o construído desmorona, quando o sucesso é substituído pelo fracasso ele não cai junto. Sua consciência não se prende a nada que surja na sua mente: pensamentos, emoções, idéias, medos, desejos. Tampouco ele se prende ao que acontece ao seu corpo: doença, decrepitude, envelhecimento. Pois ele sabe que é mais que mente, é mais que corpo, é mais que espírito, ele é tudo combinado e muito mais. Ele transita pelas diferentes etapas da vida e vive tudo com intensidade. Seu mundo é um grande cinema com incontáveis filmes em cartaz. Ele sabe que são filmes e mesmo assim escolhe entrar, rir e chorar. Enfrentar todos os mundos e seres é sua prática de coragem. Lembrar, em meio ao filme, que ele está em um grande cinema – eis sua prática de liberdade. Mas como ele faz isso? O verdadeiro homem vê, ao mesmo tempo, o conteúdo do filme e a tela atrás. Os conteúdos se alternam. A tela é sempre a mesma. Livre de qualquer conteúdo, para que possa apresentar qualquer enredo. Sem cor ou som, para que possa mostrar todas as cores e sons. A tela é nossa verdadeira natureza. O verdadeiro homem sabe que somos a liberdade da qual tudo brota. É essa sua base, seu único refúgio.

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An gera hom mim


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EXTO: SIDNEY WEBBA

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nova ação de mens mados

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ste texto certamente não foi escrito para os leitores Platinados. É direcionado aos “kandengues de prédio”, caçules que ainda não saíram do berço. O que antes era mais restrito a famílias ricas agora espalhou-se pela classe média: dá para ser mimado mesmo sem tanto dinheiro. No entanto, a nova geração de homens com fraldas não é uma categoria de seres, mas um estado de carência e fragilidade no qual qualquer um pode cair. É por isso que a nossa motivação não é ridicularizar tais homens, mas apontar os problemas que surgem quando nos posicionamos desse modo na vida. Escrevo, pois, do mesmo lado dos fracotes, não me opondo, não criticando pelo lado fora. Estamos todos no mesmo barco e desejamos todos uma vida livre de mimos e carências, não é mesmo?

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estaco 8 comportamentos, 8 tipos de fraldas, que podem ser encontrados na nova geração de homens mimados. Bons motivos pelos quais toda mulher deveria reclamar, espernear, gritar, trair, humilhar, abandonar seu homem. Comento cada um deles com o desejo de que todos nós possamos superar tais fixações e cultivar uma mente livre, um corpo potente, uma vida generosa. não comem carne secaDurante um almoço com a equipe de trabalho, descobri que um estagiário não gosta de sumo de laranja. Não gosta e não bebe. Em outro almoço, enquanto eu deliciava-me com um funge de carne seca, surpreendi-me com um: “Hum… Eu não como carne seca”. Sério, isto deveria ser diagnosticado e tratado como doença. Sou do tempo em que todos bebíamos o mesmo sumo Tang em família. Nada de “O que queres beber filho?”, “Ah, eu quero Coca Cola”, “E tu?”, “Eu quero fanta”. Não é necessário abandonar as preferências, claro, mas não deve-se ser tão refém do “gosto” e “não gosto”. Eu não gosto muito de grão de bico, por exemplo, mas como. Aliás: “Toda mulher deveria desconfiar do desempenho sexual de um homem que não

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tido em ejacular sozinho um dia antes de encontrar sua namorada? Por que desperdiçar na tela do computador a potência que poderia usar com uma mulher? O homem que brinca sozinho quase todo o dia, cultiva que tipo de mentalidade? O que ele desejará quando for para a cama com uma mulher? Se temos o hábito de ficar focados apenas em nós e em nossas sensações, é isso que vamos fazer diante de uma mulher nua. Guarde sua energia, sua potência para sua mulher. Quer brincar? Peça um brinquedo novo na mãe. não limpam a sanita.Um homem só consegue parar de fazer porcaria na vida depois de aprender a limpar sua sanita. Ele suja, a mãe limpa. Ele dorme, a empregada arruma a cama. Que tipo de homem é esse? Enquanto tratarmos o mundo como um hotel, seremos hóspedes. Para além da privada, o mundo. Aquele que joga lixo no chão deixa seu mundo menor, exclui a rua, distanciase de tudo o que poderia incorporar à sua moradia como um cidadão do planeta. É por isso que os homens mi-

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de homens que não sabem o que querem, já que nem sempre ter dinheiro, poder, casa e família significa ter direcionamento na vida. A nova geração de homens mimados pode ser representada, tanto pela imagem de jovens musculosos com suas t-shirts gola V ou por executivos com suas Mercedes que nunca chegam a lugar algum. Ainda que consigam tirar muito da vida, pouco têm a oferecer. Como afirma Alan Wallace, “nossa felicidade e a sensação de ter uma vida com sentido não é proporcional ao que extraímos do mundo e das pessoas, mas àquilo que trazemos ao mundo e às pessoas”. Não é por acaso que encontramos muitos homens bem sucedidos completamente infelizes e impotentes, sem saber o que mais fazer da vida.

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fazem o que têm vontade.

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mados só olham para o próprio umbigo: ali reside seu mundo, a única coisa digna de limpeza. não sabem o que querem da vida. Facto: se um homem não sabe o que fazer com sua vida, não saberá o que fazer com sua mulher. Além dos adolescentes que perdem tempo com distrações, e jovens que pulam entre mil opções existenciais, há outros casos mais sutis

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O homem mimado move-se com a certeza de que sempre há alguém olhando por ele, pronto para protegê-lo, socorrê-lo, salvá-lo, resgatá-lo e levá-lo ao hospital. A sensação de proteção divina e a confiança em um resgate paternal tiram sua responsabilidade: ele pode fazer qualquer coisa pois tudo acabará bem. E assim surgem os casos de carros batidos, grávidas abandonadas, filhos aborta-

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come de tudo”. Com exceção dos vegetarianos praticantes do tantra supremo, se você não come de tudo, meu caro, não há possibilidade alguma de satisfazer bem uma mulher. adoram brincar sozinhos. Imagine Bruce Lee, Gandhi ou Barack Obama vendo um filme pornográfico e sujando a mão. Cena no mínimo estranha, não é mesmo? O que é bastante saudável na adolescência deveria ganhar outro enfoque quando viramos homens. Qual o sen-

EXTO: SIDNEY WEBBA

“Toda mulher deveria desconfiar do desempenho sexual de um homem que não come de tudo.”


dos… O pai paga a faculdade para que o filho possa faltar as aulas e beber. Um homem muda de vida quando deixa de fazer o que tem vontade e começa a fazer o que tem de ser feito. Não é à toa que a maioria dos homens que conheço só viraram homens quando tiveram um filho. Para fazê-los dormir, acabamos saindo do berço! Com outro ser à vista, vamos além de nossos impulsos e desejos de satisfação imediata. Desenvolvemos generosidade, talvez a maior qualidade de um verdadeiro homem. não se importam com os outros. Auto-centrados, os meninos mimados não têm interesse por aquilo que não pertence ao seu universo imediato, perderam a curiosidade pelas pequenas coisas da vida. Miúdos de rua lavam e guardam seus carros nas portas das discotecas e eles não sabem o nome de nenhum. Não sabem o nome da melhor amiga de suas irmãs, ou o tema da pós-graduação do seu colega de trabalho. Quando nos cruzamos com eles, sempre têm algo a dizer e dificilmente oferecem um espaço de autêntica escuta. Eles simplesmente não se importam. buscam conforto. Mesmo depois de começar a morar sozinho e não mais depender financeiramente de meus pais, percebi o quanto ainda me mimava. Pagava as contas, limpava o quarto de banho, mas ainda assim dormia até atrasar-me para o trabalho e enrolava o máximo possível quando era necessário fazer tarefas chatas na empresa ou em casa. Nossos ancestrais caçavam animais, passavam frio, viviam à beira da morte. Nós compramos pizzas e andamos em carrões com ar condicionado. Concordo que não dá mais para sair por aí para caçar antílopes, mas é preciso resgatar alguns comportamentos que ativam a energia masculina, e nos livram do comodismo. Podemos começar com pequenas coisas como dispensar o ar condicionado se não estivermos a pingar. Se o calor não é escaldante, porque não sentí-lo? O conforto nos entorpece. Viver de ar con-

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dicionado, usando o carro até para ir a casa do vizinho ao final da rua, deixa-nos sonolentos em vez de acordados, anestesiados em vez de atentos. Uma coisa que sempre escuto, é o relato de angolanos que ao viver no exterior deparam-se com as preocupações fúteis das pessoas em seu redor. Vocês reclamam porque o elevador não tem ar condicionado, pois de onde venho são raros os prédios com elevador e mais rara ainda a energia elétrica necessária para os fazer funcionar - um angolano comenta à um americano. Pois se consideramos suas preocupações fúteis, foi porque vivemos em condições sem tanto mimo, que nos deixaram espertos, e principalmente que nos ensinaram a dar valor ao que realmente importa. Enfim, como salvar essa geração? Basta que cada homem mimado comece a observar-se para perceber traços de irritabilidade, ansiedade, impulsividade e autocentramento. Em vez de trazer o conforto e o prazer que esperamos, os mimos causam aflições mentais e corporais. Sofremos mais, adoecemos mais. Se você cara leitora namora um homem que manifesta algum dos comportamentos acima, não ceda aos seus mimos, dificulte as coisas, peça para ele ir ao supermercado sábado às 7h só para comprar um pedaço de alface. Peça que ele limpe o quarto de banho um dia antes da empregada chegar. Se você é amigo de um homem mimado, desafie-o, irrite-o, goze com ele até ele mudar. Convide-o para algo que ele não domina: poker, meditação ou uma noite de salsa com várias amigas. Se você tem dúvidas se é um homem mimado, apenas faça 3 perguntas: “Há alguma comida que eu rejeite?”

“Como salvar essa geração?.” “Quanto tempo eu passo a fazer coisas para mim e quanto tempo eu gasto com foco em outras pessoas?” “Com que frequência eu reclamo ou fico irritado?”. Você pode tentar terapia cognitivo-comportamental, mas há meios mais simples e baratos de deixar de ser um caçule de prédio. Como o mimo não é uma patologia biológica ou um distúrbio psicológico por excelência, mas um comportamento negativo (sintoma ou não de um problema maior), vou propor um método simples de cura. Nada muito sério ou científico: para quem não lava a sanita, compre lixívia. Simples assim. Contemple sua própria vida, invoque desafios e elimine os seus mimos. No próximo almoço, encha o prato com tudo o que normalmente não escolheria e coma com gosto. Evite ejacular quando não tiver uma mulher “real” na sua frente, pergunte o nome do homem que guarda o seu carro, olhe o seu colega nos olhos quando desejar “Um bom final de semana”, beba menos, faça alguma prática que lhe prive de todo conforto por algum tempo (vá acampar no mato, viaje pelo país apenas com uma mochila nas costas), seja curioso em relação à vida de outras pessoas. Enfim, vire homem.

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ara muitos o Facebook é uma perca de tempo que serve apenas para postar recados de aniversário, compartilhar fotos, etc. Não obstante a isso, a rede tornou-se um fenómeno da internet. Ao centralizar diversas actividades e prender o usuário na sua página, a rede social criada por Mark Zuckerberg chega a 596 milhões de internautas e ultrapassa o Google em audência. Você tem uma ideia de como funciona e que proveito pode-se tirar deste gigante avaliado em U$D 50 Bilhões? Independentemente da sua resposta, nós preparamos um expecial Facebook, um guia com dicas e truques para voce tirar o máximo proveito desta nova onda. O crescimento do Facebook despertou ainda mais a atenção quando, entre janeiro e novembro de 2010, pela primeira vez sua audiência ultrapassou a do Google nos Estados Unidos da América. Segundo a consultoria Experian Hitwise, 8,93% dos

acessos apontaram para o Facebook, em comparação a 7,19% das visitas à página inicial do Google. Apesar de popular, o Google leva o internauta a outros sites, enquanto que o Facebook mantém o internauta preso a sua página inicial. Pode soar como megalomania, mas a intenção do Facebook é reconfigurar toda a web, transformando os hábitos de navegação de boa parte dos internautas. No futuro sonhado por Mark Zuckerberg, os usuários poderão conduzir suas discussões e tomar decisões de consumo baseadas nas recomendações de seus amigos e contactos. Talvez ainda não na proporção desejada, mas isso já começa a se tornar uma realidade, visto que uma das razões para disseminação é o uso do botão curtir, que se espalhou nos portais de notícias, blogs e sites de lojas virtuais em todo mundo. Fazendo com que as pessoas possam dar aval para determinados sites e lojas online que visitam, e tal acção é publicada no seu Facebook, dando credibilidade ao site e incentivando os seus contactos a acessarem também. O que fez do facebook uma grande ferramenta de compartilhamento de links, com 44% de todo conteúdo compartilhado na web, estando a frente de nomes como Twitter, Digg e Delicious. Tanto que

ENDENCIAS

EXTO: ANICETO DE CARVALHO

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A Realidade dos Angolanos

permite ao usuário fazer do seu nome e senha uma espécie de ID “identidade digital” para navegar em outras páginas da web. Segundo Javier Olivan, diretor de expansão internacional do Facebook, a ferramenta tornou-se uma plataforma que permite a qualquer site tornar-se social, que oferece conexões com seus contactos da rede. Em número, o Facebook cresce e tende a crescer cada vez mais. Cerca de 200 milhões de usuário activos entram no serviço por dispositivos móveis nos dias de hoje, porque são pessoas duas vezes mais activas do que as que usam desktops. Actualmente 72% dos 2 bilhões de internautas no mundo participam de alguma rede social, segundo a empresa de pesquisa comScore. Tem 590 milhões de usuários activos, aqueles que retornam em menos de 30 dias, e compartilham mensalmente 30 bilhões de notícias, fotos, links e outro tipo conteúdo. Instalam por dia 20 milhões de aplicativos, criados por

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2,5 milhões de desenvolvedores em mais de 190 países. Números crescentes como estes, atraem cifras igualmente altas. Em janeiro do corrente ano, o Facebook recebeu investimento de 1,5 bilhão de dólares, sendo 1,2 bilhão de dólares nos nove primeiros meses de 2010, com lucro de 30%. O resultado elevou o valor da empresa a 50 bilhões de dólares. Grandes empresas já perceberam a importância de estar no Facebook. Para isso, criam num ritmo cada vez mais acelerado

Facebook, de modo a ampliar sua presença e audiência dentro da ferramenta. O Facebook rapidamente tornou-se também num caminho interessante para quem deseja comprar e vender. As fan pages ajudam a trabalhar na imagem das marcas e corporações, podendo escolher o público por cidade, idade, gênero ou interesse. O fenômeno da Internet em Ango-

para consultar o email, fazer pesquisas acadêmicas (Google), ver e ouvir músicas (Youtube), gerir páginas pessoais (Blogs), e recentemente usando o Facebook como ferramenta para a partilha conteúdos, como também reencontrar velhos conhecidos e fazer novas amizades. Contudo pode-se ainda tirar muito

“É fundamental que se pense em presença online por parte de empresas Angolanas” nas suas fan pages. Esta plataforma fornece um arsenal valioso para as empresas que podem criar estratégias de marketing e campanhas publicitárias cada vez mais direcionadas aos usuários que querem atingir. Entre as celebridades o Facebook também aparece como uma boa aposta. Recomendase que não tenham perfis e sim páginas que podem ser personalizadas. E através destas páginas que criem grupos de usuários que interajam através de fotos, vídeos, discussões, entre outras formas de comunicação. Porque as empresas não têm amigos, mas sim fãs que estarão presentes por afinidade, simpatia ou interesse no produto. Além disso, pode-se trabalhar o aplicativo de eventos, no qual é possível encabeçar um evento para promoção ou lançamento de produto e convidar amigos, fãs e membros dos grupos para participar. Através da página do evento no Facebook, os participantes poderão enviar informações e receber informações de clientes. São muitas as possibilidades a serem trabalhadas para ganhar notoriedade a partir do

la ainda é uma criança, embora já se possa ver um número de pessoas considerável a usar a ferramenta que para muitos é o futuro da tecnologia. De acordo com as estatísticas de junho de 2010 do site Internet World Stats (de estatística mundial de uso da internet no país), Angola conta 607.400 usuários de internet, dos quais 63.860 são usuários do Facebook (estatísticas de agosto de 2010), fazendo um total de 4.6% internautas na população Angolana. O que mostra que o número de internautas vem crescendo, comparando com os 1,3% no ano de 2005. E o número de Angolanos utilizando o Facebook vem igualmente crescendo, o que seria motivo para despertar o interesse das grandes companhias Angolanas em relacção a este fenómeno. Já se tem notado um maior interesse por parte dos internautas angolanos em usufruir ao máximo dos recursos que a internet oferece, tanto

proveito desta plataforma que e de outras redes sociais (assunto para a próxima edição da revista), porque têm se tornado ferramentas eficazes e fundamentais no mercado de trabalho. Elas podem ajudar a auxiliar na sua carreira profissional através do networking, possibilitando novas recolocações e a inicialização no mercado. Além de muitas das vezes oferecerem um espaço exclusivo para a divulgação de currículos. É uma boa alternativa para empresas que utilizam esta estratégia de marketing para tornar a marca mais acessível aos seus clientes, inserindo-a no dia-a-dia do seu consumidor, e dar a informação de todas as actualizações, desde os lança-

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mentos de produtos até promoções e ofertas. Torna-se uma forma interativa, e em tempo real, de estar em constante contacto com o cliente, que pode dar suas sugestões e fazer suas reclamações. Entre as vantagens está a opinião imediata da aceitação do produto e da marca. É possível dizer que o Facebook e outras mídias sociais tornaram as relações entre empresas/clientes, que antes eram estritamente comerciais, em relações sociais. Estando preparadas ou não, é fundamental que se pense em presença online por parte de empresas Angolanas, que vai além de ter contas em diversas mídias sociais. Antes mesmo de ter uma presença online dentro destas mídias, é importante que haja uma preocupação em como as pessoas podem distribuir o conteúdo da empresa. Enquanto profissionais da área tentam encontrar a fórmula secreta para o viral de sucesso, aqui uma dica fundamental: Facilite o compartilhamento. Essa necessidade torna os botões de tweet (Twitter) e curtir (Facebook) muito importantes. Já é comum ver o uso dessas ferramentas em blogs. Esses botões

tornaram-se necessidade em sites corporativos. Quanto mais dinâmico, maior a necessidade dos botões, o site se torna mais social, não é apenas uma ferramenta para ajudar os internautas a divulgarem a página, mas também os chamando a fazer parte. Esta é uma nova regra para quem trabalha com webdesign. Assim como existe a regra de diminuir o número de “cliques” que o usuário precisa para chegar a um destino, agora existe a regra de facilitar o modo com que o usuário pode compartilhar a página. O Facebook deve ser usado para criar interação com clientes e potenciais clientes, amigos e familiares (que se encontram distantes), trocar informações, compartilhar conteúdo, e até como recentemente tem-se usado para ID “Identificação digital”. Tanto que se diz sem a menor dúvida que é melhor não usar do que usar mal. Entretanto, é indispensável que sua empresa esteja preparada para a revolução

que tem acontecido na web e torne-se uma marca presente na vida do cliente, trazendo-lhe conteúdo relevante e permitindo que ele possa se comunicar. Só as mídias sociais permitem isso, e cedo ou tarde você precisará estar nelas. Uma das lições que se deve tirar é do mau uso corporativo do Facebook (redes sociais). Não torne a sua empresa invasiva e até certo ponto chata, seja discreto e relevante quando se comunicar de maneira geral nas redes sociais, para que estas ferramentas sejam como parte fundamental das estratégias que se deve ter em redes sociais.

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A

s coisas por aqui andam demais, a cada dia que passa eu odeio mais o que as pessoas fazem com o telémovel, msn e facebook. Há anos atrás quando o telémovel (celular, ou para a maioria dos jovens phone) foi inventado e por consequência passou a ser comercializado, tinha como maior objetivo garantir aos usuários uma maior praticidade nas comunicações, permitindo a comunicação telefónica de qualquer lugar sem a necessidade de fios, de 1946 à 2011 o telemóvel evolui muito. O telemóvel evolui muito mesmo, mas, não evoluiu para ser usado como ferramenta de mentiras. Como assim? Os tios usam o telemóvel para mentir que estão no escritório em uma reunião, mas afinal de contas estão no tchuco tchuco, com a secretária boazuda. O amigo atrasado usa para mentir que já está a chegar quando ainda nem saiu de casa, enquanto a pessoa fica ali horas e horas e nada. As moças dizem que estão em casa a dormir quando na verdade... Já não bastam essas mentiras que o telelé permite, ainda vem uma desgraça chamada bip, oh coisa irritante! Gostaria de descobrir a alma que inventou o bip. O camarada fica atrapalhado para atender a chamada, e quando vai apertar no botão... O telefone para de tocar... bip! Ainda tem uns que de tanto darem bips ficaram experts nesta arte, dão um bip tão perfeito que o telefone nem toca. A dias deram-me um que o phone só acendeu, nem tocou, olha a qualidade da coisa. E como desgraça não vem sozinha, apareceu o

“Liga Só”, aquela mensagem com um número para ligares, a ideia foi boa, mas... As pessoas mesmo com saldo mandam “Liga Só”, se não quer gastar o teu precioso saldo, também não gasta o do outro, ora bolas! Como é bom mandar uma sms (se preferirem mensagem) carinhosa para a nossa cara-metade, para um parente, ou marcar algo rápido. Mas mensagens originais. As mensagens são sempre as mesmas, mandas hoje uma, daqui a dias vais receber essa mesma mensagem, e tem aquelas sobre corrente de fé, religiosas, que se mandares em 10 pessoas, algo bom vai acontecer, sério? Se isso fosse verdade, não haveria mais tragédias no mundo, era só reenviar essas sms... Como é chato, o toque de um celular, em uma missa, reunião, sala de aulas, é chato mesmo. Oh, parente consegues enviar/receber músicas, tirar fotos, jogar, e até comunicar-se com Ets, mas não consegues descobrir o botão do silêncio. E gritar, pra quê? Mas, o telemóvel nem sempre é o mais prático quando temos que falar com alguém que está fora, ou mesmo para economizar algum dinheiro, temos o messenger ( msn como é mais conhecido). Para muitos, uma das melhores, ou a melhor, invenção de todas. Podes falar horas e horas, sem gastar nada, podes ver a pessoa, ouvir a voz, e muitos usam para outras

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ENDENCIAS

EXTO: MAURO LOPES

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Telelé vs msn vs Facebook

coisas... Mas... Como no telemóvel as pessoas entenderam mal a mensagem e o propósito do msn e abusaram. A conversa no msn, fica um verdadeiro jogo de advinha a palavra ai! Por causa daqueles emoticons (são aqueles bonecos que substituem palavras) invés de conversar a pessoa tem que ficar a clicar para descobrir o que o outro disse. E depois vem o Nick, é aquele lugar reservado para a pessoa colocar o seu nome, para quando ficar online os seus amigos saberem que estão a falar com o Rui. Mas, não! O individuo está online e entra... “Meninas o fim de semana foi mara!”, a pessoa tem que clicar para descobrir que a “Meninas o fim de semana foi mara!” na verdade é a Bruna Ferreira, querendo mostrar a todos que na verdade está a tchilar de tudo depois do término com o ex... minutos depois “Elas vão me sentir” entra, é o ex mostrando para a Bruna e todos que ele vai sarrafar


“dão um bip tão perfeito que o telefone nem toca. A dias deram-me um que o phone só acendeu, nem tocou, olha a qualidade da coisa” a sério e não está a sentir a falta dela. “Gostosa.com” é aquele criança ainda na adolescência a querer impressionar. “Taty Paris” essa jovem com certeza está a ter uma óptimas férias, e quer que todos saibam, como dizem aqui na banda “quer se mostrar”. “Porque tu fazes isso comigo”, alerta vermelho quando essa pessoa entrar bloqueia, porque terminaram o namoro com ela, e ela está toda depressiva e cheia de lamúrias. “Katia t amo acima de tdo” entrou, parente se amas, manda rosas, compra um carro, o que conta é que ela sabe disso, os outros não precisam saber, e se terminar o que vais colocar...? E ainda tem a DMA (Doença do Msn Aberto), é chato, mas tem aquelas pessoas que não saem do msn, mesmo não estando presente e por causa disso vão colocando nos nicks, “no banho” (filha toma banho e depois entra), “estudando” (sério mesmo! consegues estudar com o msn ligado...), “comendo” (filho do Céu, come e depois entra, mas já agora bom apetite). Mas sem sombra de dúvidas o bum é o facebook. Antes conhecias alguém perguntavas

a pessoa o nome e o endereço, mas agora perguntas o nome e... tens facebook? Facebook é realmente uma coisa maravilhosa, tão maravilhosa que uso para publicar os meus devaneios, para transformar em textos o que se passa nessa minha caixa de pensamentos, mas não só por isso, permite voltares a ter contacto com amigos antigos, fazer novas amizades, partilhar as tuas ideias os teus gostos com pessoas que sentem a mesma coisa que você, e ficar ligado com o mundo. O que não justifica que tenhamos que mentir, no nosso perfil, dizer que estamos em Londres quando na verdade estamos em Benguela, até porque Benguela também bate. Engraçado que no face (abreviatura de facebook, ou para os mais curtidos fb) todas as moças são modelos, curioso, não! O fb tornou-se uma verdadeira fábrica de ilusões e de mentiras, onde pessoas fingem ser o que não são, para impressionar sabe-se lá

quem. Se alguém vai gostar de ti, tem que ser do jeito que tu és, se vives no zango 20, se ele está interessado vai visitar-te lá, não tens que pôr Maianga. Casais, namorados, amigos e afins, se estão com problemas conversem, não fiquem numa de atirar piadas para o outro em forma de texto, em briga de marido e mulher ninguém põe o comment. Modelos, quer dizer moças, os álbums do face não são books de agências, não necessidade de fotos de lingeries, porquê, valorizem mais um pouco o que é vosso, senão ninguém vai. E quando o nosso amigo está doente, e publicamos no mural, “melhoras rápidas boy”, entende-se se o amigo estiver fora do país, mas na mesma cidade, vai visitar pah, deixa de ser preguiçoso. O telelé, msn, o fb, são todos óptimos, mas não substituem nem de longe uma conversa olho-no-olho, mandar uma msg a declarar o teu amor é romântico, mas mais romântico ainda é pessoalmente, qual foi a última vez que visitaste um amigo de surpresa? É melhor deixar um comment, podes crer que ele (a) preferia uma visita a mil comments...Vamos lá ser mais humanos... Para evitar stresses que fique bem claro, que muitas das coisas que foram escritas nesta crônicas eu, Mauro Lopes também as faço.

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uma manhã de votação que parecia como todas as outras, na capital de um país imaginário, os funcionários de uma das secções eleitorais se deparam com uma situação insólita, que mais tarde, durante as apurações, se confirmaria de maneira espantosa. Aquele não seria um pleito como tantos outros, com a tradicional divisão dos votos entre os partidos “da direita”, “do centro” e “da esquerda”; o que se verifica é uma opção radical pelo voto em branco. Usando o símbolo máximo da democracia - o voto -, os eleitores parecem questionar

Ao narrar as providências de governo, polícia e imprensa para entender as razões da “epidemia branca” - ações estas que levam rapidamente a um devaneio autoritário -, o autor faz uma alegoria da fragilidade dos rituais democráticos, do sistema político e das instituições que nos governam. O que se propõe não é a substituição da democracia por um sistema alternativo, mas o seu permanente questionamento. É pela via da ficção que José Saramago entrevê uma saída para esse impasse - pois é a potência simbólica da literatura (território em que reflexão, humor, arte e política se entrosam) que se revela capaz de vencer a mediocridade, a ignorância e o medo. Continuação de “Ensaio sobre a Cegueira”? Não exactamente. Saramago parte do mesmo princípio para denunciar a venda posta nos olhos da humanidade, que retira a lucidez. Trata-se de um libelo em favor da liberdade, não uma defesa desvelada ao voto em branco. Parábola sobre o processo democrático de escolha de representantes políticos, quando nuitos mostram-se indignos de representar o povo. Reflexão política, cuja apreensão do conteúdo é melhor se for lida após “Ensaio sobre a Cegueira”.

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“o autor faz uma alegoria da fragilidade dos rituais democráticos, do sistema político e das instituições que nos governam

EXTO: SIDNEY WEBBA

profundamente o sistema de sucessão governamental em seu país. É desse “corte de energia cívica” que fala o Ensaio sobre a lucidez (2004). Não apenas no título José Saramago remete ao seu Ensaio sobre a cegueira (1995): também na trama ele retoma personagens e situações, revisitando algumas das questões éticas e políticas abordadas naquele romance.

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Dicas

“Neste espaço traremos a nossa opinião sobre livros, filmes e de uma forma geral, sobre coisas que consumimos e que achamos que podem ser úteis.


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filme se passa na Inglaterra do século XVIII e retrata a vida de uma família de classe média e seus dilemas na hora de arranjar bons casamentos para as suas integrantes. Nota-se uma grande preocupação das moças com o casamento como uma forma de melhorar as condições de vida. Para isso elas tinham de ser prendadas e saber fazer o maior número de coisas possíveis como ler, tocar instrumentos musicais, cantar, pintar, etc. Nos bailes estavam as maiores chances de se conseguir arranjar bons maridos, por isso as moças fa-

EXTO: ANANITY

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ara o pessoal que fica muito tempo conectado a internet e gosta de ouvir uma boa música ai vai a dica, o site GROOVESHARK [www.grooveshark], é uma excelente opção, para ser sincero é a melhor opção que já experimentei, nele, além de procurares pelos teus artistas favoritos e curtires os sons sem a necessidade de te cadastrares, podes montar uma playlist das tuas músicas preferidas e isso tudo sem pagar um único centavo [for free] bem como nós gostamos, para tal é apenas necessário que o usuário se cadastre para usufruir deste e outros recurso no site.

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EXTO: HEIDY RHAMOHS

EXTO: AFRODITE CARDOSO

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omprei este romance para passar algum tempo fantasiando sobre relacionamentos e acabei tendo um choque de realidade e fui obrigada ao longo do livro a refletir sobre o que é o amor e sobre as escolhas que somos obrigados a fazer ao longo da nossa vida. No principio parece uma historia de amor normal, semelhante a muitas outras mas no final fiquei revoltada pelo fato do casal terminar separado. Mergulhei no romance e descobri que o amor de John por Savannah é um amor nobre, puro e superior, descobri que o amor exige de nós sacrificios e que por vezes não estamos preparados para nos doar sem esperar receber do amado o mesmo compromisso. Descobri que as minhas teorias sobre o amor precisam ainda sofrer metamorfoses para que eu possa entender a minha forma de amar. John partiu e não voltou no tempo combinado, Savannah não esperou o necessário para viver o amor de sua vida e todo esse processo de estar em um relacionamento exige compromisso, renúncias que se aprendem com o sofrimento, com a felicidade, com os momentos preciosos que vivemos. Um livro real para um tempo diferente. O amor não cabe na minha cabeça, talvez no meu coração ele tenha espaço para ser ele mesmo.

ziam questão de usar os seus melhores vestidos e enfeitavam-se com chapéus vistosos e outros adereços, depois só esperavam a abordagem dos moços... De preferência os mais ricos. Mas a estória toda vai girando à volta de Elizabeth, segunda filha da família Beneth, que tem uma filosofia diferente da sua mãe e é fielmente apoiada por seu pai. Depois de ser apresentada ao Sr. Darcy podemos ver o desenrolar interessante de uma série de encontros interessantes entre os dois.

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“O amor não cabe na minha cabeça, talvez no meu coração ele tenha espaço para ser ele mesmo.


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ARREIRA

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VocĂŞ sabe como se comportar em uma entrevista de emprego

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EXTO: HEIDY RHAMOHS

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O trabalho dignifica o homem” se você não leu isso na bíblia certamente já deve ter ouvido sua mãe, seu pai, ou outra pessoa qualquer dizer. Comigo não foi diferente, cresci a ouvir a minha avô dizer “O trabalho dignifica o homem, por isso estuda para amanha arranjar um bom emprego” até ai tudo bem, se não o facto de que minha avô, ser de um tempo em que um bom currículo era suficiente, e eu e você que lê, de um outro tempo em que não basta simplesmente ter um bom currículo. É claro que um bom currículo te deixa mais próximo da vaga, ou para ser preciso “ele” poderá te levar até a entrevista de emprego. Mas isso não torna a vaga tua, pelo contrario evoluiu para uma fase que eu considero delicada, já que um simples desleixo (aparência, comportamento...) pode ser fatal. Entrevista de emprego é algo sério pois é ela quem lhe pode levar a oferta de emprego, isso nos faz perceber o fato de que neste ponto o seu currículo já não vale tanto assim, e que outras habilidades se fazem necessárias agora. a semana passada recebi a visita de uma amiga, ela tinha acabado de chegar de uma entrevista de emprego e ansioso para saber como tinha sido, não hesitei em perguntar: “Razoável - respondeu ela - sabes como são as entrevistas, cheias de perguntas difíceis de serem respondidas”. Entenda como pergunta difícil de ser respondida, aquela de caráter pessoal e é exactamente nesse ponto que muitos de nós sob o olhar atento de quem entrevista acabamos não sabendo como proceder, afinal não é fácil apontarmos os nossos pontos fortes e fracos, este último principalmente. Infelizmente é neste

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exacto momento que o empregador ou o responsável pela contratação estará a te analisar como ser humano (seu comportamento, seu tom de voz, sua maneira de se vestir, seu corte de cabelo...). E agora o que fazer? Como devo me comportar? O que devo vestir? ... Para responder a estas perguntas e outras, passei algum tempo pesquisando o assunto, li livros, ebooks, ouvi palestras, audio books, podcast e analisei atentamente as dicas dadas por aqueles considerados expert no assunto. Um deles chamou muito a minha atenção, seu nome Ricardo Bellino. Se você nunca ouviu falar, não tem problema eu também não o conhecia. Mas com certeza você conhece Donald Trump, este mesmo, o multi-milhionário americano, também conhecido pelo seu mau humor e também como alguém de difícil persuasão. Ricardo Bellino é só o brasileiro que consiguiu vender uma ideia ao Donald Trump em apenas 3 minutos, em exactos 3 minutos ele saiu de alguém com entrevista marcada á sócio de Trump. Foi considerado pelo The New York times e pelo próprio Trump como o verdadeiro Aprendiz, um mestre em empreendedorismo. Se você esta se perguntando porquê eu estou a falar de Americanos e Brasileiros numa revista de Angolanos, eu lhe convido a ler a linha editorial da RP, para que entenda que independentemente da origem, se o conteúdo for relevante,

inovador e transformador, para nós da RP isto é suficiente para compartilharmos com o nosso leitor. Em seu livro 3 MINUTOS PARA O SUCESSO, Bellino da dicas de como ser um empreendedor de sucesso, dicas que vão desde “como se comportar em entrevistas de emprego á como se tornar um excelente líder” Dicas de R. Bellino “Como se comportar durante a entrevista de emprego”

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informe-se sobre seu empregador potencial. “certamente você ouvirá perguntas relacionadas aos produtos da empresa ou sobre o tipo de contribuição que você poderá dar caso obtenha o emprego, ou porquê você gostaria de trabalhar nela? A única forma de evitar respostas des-preparadas e genéricas é ter de antemão informações sobre a empresa. Actualmente com a internet é muito fácil se prevenir a respeito”.

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Ressalte seus pontos fortes. “fale de suas principais competências enfatize as que estão mais alinhadas a posição em questão, assim estará sendo mais direcionado.” Prepare-se para falar dos seus pontos fracos. “Perguntas sobre os seus pontos fracos com certeza virão, pense com antecedência em como responde-las da melhor forma possível, sem enrolar ou mentir, porém não se estenda de mais com justificativas, todos temos competências menos desenvolvidas.”

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Espere o inesperado. “Os entrevistadores podem não se limitar a perguntas, podem convidalo a participar de uma dinâmica de grupo, para fazer um teste escrito ou uma outra atividade, considere esta possibilidade para não ser pego desprevenido.”

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Melhor ser formal do que informal de mais. “Por vezes quem entrevista tenta dar um toque mais descontraído a entrevista para quebrar o gelo, mas isso não quer dizer que você precisa agir como se estivesse em casa conversando com o amigo, formalidade não significa mostrar-se rígido e tenso, significa apenas portar-se de acordo com a ocasião e não descuidar da sua linguagem, tanto a verbal como a corporal. Lembre-se que você está sendo observado minuciosamente, mostrar deferência e respeito é o mais adequado sempre.”

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Destaque os pontos altos de sua carreira. “Suas conquistas devem saltar ao olho do entrevistador, esse é um dos pontos mais importantes a serem considerados, fale de seus êxitos mas não entre em detalhe de forma exagerada, pois poderá assim perder a atenção de quem o entrevista.” Atenção a linguagem. “Tenha cuidado para não se utilizar de um vocabulário inadequado ao cargo ou demasiadamente técnico, por outro lado caso verifique que os conhecimentos técnicos poderão contar pontos a seu favor, pois demostrará sua familiaridade com a área ou setor, faça disso uma vantagem competitiva. Esteja sempre alerta. “Oiça as perguntas com atenção e seja objetivo em suas respostas, responda o que te foi perguntado e não o que você gostaria que te perguntassem.”

Mostre-se confiante. “A auto-confiança é uma qualidade que o empregador sempre procura nos entrevistados, nem mesmo um currículo brilhante irá ajudar um candidato que passar uma imagem hesitante.” Transpareça seu interesse ao final. “Se ouve interesse de sua parte não deixe de demonstrar claramente, os empregadores gostam de saber sua intenção a respeito.”

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sta matéria não foi escrita para esta secção [Carreira], ela foi escrita para a secção [Sociedade] mas decidimos colocar aqui em [Carreira] por ser uma seçcão criada para compartilharmos entre nós platinados dicas de empreendedorismo, Liderança, Criatividade, e toda e qualquer outra dica que nos ajude a crescer financeiramente e a ter um desempenho mais profissional nas nossas empresas. E como o texto a seguir nos leva a uma reflexão sobre o que é ser rico, [status financeiro que todo mundo almeja sem hipocrisia], além de levantar questões como que fazem os rico numa sociedade sem qualidade de vida? Ser rico e de nada contribuir para o avanço social do lugar em que vivemos? E como dinheiro quase sempre é igual a emprego/ negócios ou pelo menos deveria ser assim, decidimos convidá-lo a reflectir conosco aqui

lendo o texto abaixo. Que a aparência engana todos sabemos, mas por vezes ela é tão dissimulada que fica difícil separar o trigo do joio. Por exemplo, em nosso país rico em recursos naturais e pobre em qualidade de vida, sabemos que a desigualdade é deveras presente, e que possuímos muitos “ricos”, personas respeitáveis, poderosas, cheias do “kumbo” e que servem de modelo para as camadas mais pobres da sociedade. Afinal, não é atoa que em Luanda até o mais pobre dos seres, recebe-nos com a mais arrogante das atitudes fielmente copiada de seus chefes “ricos”. Mas o que pretendo trazer nesta edição é uma reflexão do ilustre escritor moçambicano Mia

Couto, escrita em 2003 no formato de artigo para o jornal Savana. Mia Couto oferece-nos a sua visão sobre o que é ser “rico”, sobre o que é apenas ter “kumbo”, e desafia-nos a rever nossos conceitos e consequentemente nossos modelos. Embora o texto tenha sido escrito para a sociedade moçambicana, pode-se facilmente fazer a correlação com a High Society Angolana, e verificar que mais do que nunca é tempo de reflectir, é tempo de mudar. Texto de Mia Couto para o Jornal Savana,

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EXTO: SIDNEY WEBBA

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O que é ser Rico?


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A luta de libertação nacional guiou-se por um princípio moral: não se pretendia substituir uma elite exploradora por outra”

Rico é quem possui meios de produção. Rico é quem gera dinheiro» dá emprego. Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. Ou que pensa que tem. Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele. A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos “ricos”. Aquilo que têm, não detêm. Pior, aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros. É produto de roubo e de negociatas. Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram. Vivem na obsessão de poderem ser roubados. Necessitariam de forças policiais à altura. Mas forças policiais à altura acabariam por os lançar a eles próprios na cadeia. Necessitariam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade. Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem. O maior sonho dos nossos novos-ricos é, afinal, muito pequenito: um carro de luxo, umas efémeras cintilâncias. Mas a luxuosa viatura não pode sonhar muito, sacudida pelos buracos das avenidas. O Mercedes e o BMW não podem fazer inteiro uso dos seus brilhos, ocupados que estão em se esquivar entre chapas muito convexas e estradas muito côncavas. A existência de estradas boas dependeria de outro tipo de riqueza Uma riqueza que servisse a cidade. E a riqueza dos nossos novos-ricos nasceu de um movimento contrário: do empobrecimento da cidade e da sociedade. As casas de luxo dos nossos falsos ricos são menos para serem habitadas do que para serem vistas. Fizeram-se para os olhos de quem passa. Mas ao exibirem-se, assim, cheias de folhos e chibantices, acabam atraindo alheias cobiças. O fausto das residências chama grades, vedações electrificadas e 054. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

guardas privados. Mas por mais guardas que tenham à porta, os nossos pobres-ricos não afastam o receio das invejas e dos feitiços que essas invejas convocam. Coitados dos novos ricos. São como a cerveja tirada à pressão. São feitos num instante mas a maior parte é só espuma. O que resta de verdadeiro é mais o copo que o conteúdo. Podiam criar gado ou vegetais. Mas não. Em vez disso, os nossos endinheirados feitos sob pressão criam amantes. Mas as amantes (e/ou os amantes) têm um grave inconveniente: necessitam ser sustentados com dispendiosos mimos. O maior inconveniente é ainda a ausência de garantia do produto. A amante de um pode ser, amanhã, amante de outro. O coração do criador de amantes não tem sossego: quem traiu sabe que pode ser traído. Os nossos endinheirados-às-pressas não se sentem bem na sua própria pele. Sonham em ser americanos, sulafricanos. Aspiram ser outros, distantes da sua origem, da sua condição. E lá estão eles imitando os outros, assimilando os tiques dos verdadeiros ricos de lugares verdadeiramente ricos. Mas os nossos candidatos a homens de negócios não são capazes de resolver o mais simples dos dilemas: podem comprar aparências, mas não podem comprar o respeito e o afecto dos outros. Esses outros que os vêem passear-se nos mal-explicados luxos. Esses outros que reconhecem neles uma tradução de uma mentira. A nossa elite endinheirada não é uma elite: é uma falsificação, uma imitação apressada. A luta de libertação nacional guiou-se por um princípio moral: não se pretendia substituir uma elite exploradora por outra, mesmo sendo de uma outra raça. Não se queria uma simples mudança de turno nos opressores. Estamos hoje no limiar de uma decisão: quem faremos jogar no combate pelo desenvolvimento? Serão estes que nos vão representar nesse relvado chamado “a luta pelo progresso”? Os nossos novos ricos (que nem sabem explicar a proveniência dos seus dinheiros) já se tomam a si mesmos como suplentes, ansiosos pelo seu turno na pilhagem do país.


“Aquilo que têm, não detêm. Pior, aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros”

São nacionais mas só na aparência. Porque estão prontos a serem moleques de outros, estrangeiros. Desde que lhes agitem com suficientes atractivos irão vendendo o pouco que nos resta. Alguns dos nossos endinheirados não se afastam muito dos miúdos que pedem para guardar carros. Os novos candidatos a poderosos pedem para ficar a guardar o país. A comunidade doadora pode ir ás compras ou almoçar à vontade que eles ficam a tomar conta da nação. Os nossos ricos dão uma imagem infantil de quem somos. Parecem criancas que entraram numa loja de rebuçados. Derretem-se perante o fascínio de uns bens de ostentação.

Servem-se do erário público como se fosse a sua panela pessoal. Envergonha-nos a sua arrogância, a sua falta de cultura, o seu desprezo pelo povo, a sua atitude elitista para com a pobreza. Como eu sonhava que Moçambique tivesse ricos de riqueza verdadeira e de proveniência limpa! Ricos que gostassem do seu povo e defendessem o seu país. Ricos que criassem riqueza. Que criassem emprego e desenvolvessem a economia. Que respeitassem as regras do jogo. Numa palavra, ricos que nos enriquecessem. Os índios

norte-americanos que sobreviveram ao massacre da colonização operaram uma espécie de suicídio póstumo: entregaram-se à bebida até dissolverem a dignidade dos seus antepassados. No nosso caso, o dinheiro pode ser essa fatal bebida. Uma parte da nossa elite está pronta para reallzar esse suicídio histórico. Que se matem sozinhos. Não nos arrastem a nós e ao país inteiro nesse afundamento.

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ARTE

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CULTURA

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Ngola Ritmos Estandarte da cultura musical angolana “É urgente que se escreva e estruture o género musical Semba, para que possa ser conhecido mundialmente, ao invés de ser inventado por cada um à sua maneira”. Adverte Amadeu Amorim Amadeu Amorim é um dos músicos do N’gola Ritmos, conjunto musical que esteve na base da independência de Angola e de um género adoptado por muitos músicos angolanos: O semba. Amorim apela à salvação do património deixado pelo conjunto. “Faz parte da história de Angola e da música angolana. É necessário e urgente que se estruture e escreva o género semba, para que possa ser reconhecido ao invés de ser inventado por cada um cantor à sua maneira. Como se dá a sua entrada para o N’gola Ritmos? Eu tocava em casa na brincadeira e o Carlitos Vieira Lopes, incentivou-me para que me apresentasse no N’gola Ritmos. Fez-se um espectáculo que o N’gola Ritmos ia abrilhantar a actuação do GESTO, o primeiro grupo de teatro que apareceu em força, com qualidade, tinha entre os principais interpretes, o Gabriel Leitão, o Antonino Van-Dúnen, 058. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

o Riqueza, o Lala e outros. Precisaram de duas pessoas que pudessem tocar bumbo, ou a chamada N’goma. Apareci eu e o Rui Mingas, acabei por ficar. Quando apareceu o conjunto e com quem? Nos anos 40, quando começaram a soprar os ventos independentistas, a vontade de muitos jovens era afirmarem-se como angolanos, os colonialistas impunham a sua cultura em detrimento da nossa. Parecia mal falar kimbundu, quem o falasse era considerado atrasado, gentio, qualquer pessoa de 40 anos das zonas urbanas não sabe kimbundu, viveu a pressão das mães que diziam: Menino parece mal, tu já és uma pessoa civilizada etc. Os fundadores do N’gola Ritmos pensaram exactamente que era preciso fazer algo para manter a nossa identidade. O espaço à volta não permitia manifestações culturais da terra, daí fazer-se um conjunto musical. Nos anos 40 com o Liceu Vieiras Dias, o Nino Ndongo, eram os principais, tocava-se em casa deste ou daquele. Só em 1950 o conjunto cresceu. Liceu era o mais velho, tinha uma sensibilidade musical e uma cultura mais avançadas, estruturou e guindou o conjunto. Eu, Antonino Van-Dúnen que saiu porque foi transferido, era funcionário dos correios, entrou o Zé Maria dos Santos, o Euclides Fontes Pereira. Com estas pessoas deu-se o grande salto qualitativo ao N’gola Ritmos na década de 50. O que era o N’gola Ritmos no contexto social e político?


No fundo, era uma rebelião pacífica, tentando despertar consciências adormecidas, que não acreditavam em mais nada, eram 500 anos de colonização. Não havia televisão, nem rádio para toda gente, os jornais não chegavam aos musseques nem ao interior do país e nós sabíamos que uma canção ficava presa no assobio, no cantar. Na LNA quando cantávamos em kimbundu, as pessoas viravam a cara meias envergonhadas, chamavam-nos os mussequeiros. Algumas pessoas no meio daquela malta que estavam acordadas, entediam porque cantávamos

em kimbundu, mais tarde outros apareceram a dizer que falavam ou cantavam em kimbundu. Chegamos a rádio Esperança, uma rádio que transmitia de Brazaville, ouvida às escondidas. A nossa canção era a única que existia, as pessoas ouviam a rádio e o N’gola Ritmos, passando a mensagem de que não chegamos ao fim, vamos começar agora. As letras dessas músicas transmitiam mensagens de luta? Tínhamos que saber fugir à polícia

e dos seus informadores, os chamados bufos, uma história longa para se contar numa entrevista, mas acabamos por fazer canções de absoluta reivindicação, e incendiávamos aquelas pessoas fartas de ser espezinhadas, e eles entendiam que havia qualquer coisa na fogueira. Isso acabou por se descobrir, fomos perseguidos. O conjunto morre

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antes do tempo, aqueles que eram funcionários foram transferidos. Entra este, sai aquele, entra outro etc. Tudo culmina com a prisão porque alguns de nós estávamos directamente metidos na luta política, como eu e o Liceu, nenhum de nós sabia o quanto o outro estava metido, na altura nem com a mulher se podia falar. Foi esta fase que resultou na criação do MIA (Movimento Independentista de Angola). O N’gola Ritmos é o percursor do género semba? Havia de entre outros os ritmos, cidrália, lisanda, caixa corneta, cabetula, o cabocomeu, o semba surge na transição da música popular para a cidade. Quanto à mim, é a aglomeração de vários ritmos. É um balanço terrivelmente forte, que vai ganhar o seu espaço, mas precisamos de o situar, de o escrever, dizer semba é isso. Exactamente como o swing, o fado, o samba. Noto muitas diferenças entre os seus vários executantes. Os kiezos tocavam à sua maneira, o N’gola Ritmos, o Bonga, o Paulo flores, a Banda Maravilha, Os Jovens do Prenda, enfim, todos tocam diferente. É importante estrutura-lo, escreve-lo, para que daqui a 50 anos quem quiser possa tocar semba e não inventa-lo do seu jeito. Como palavra, é um compasso de dança, vem do kimbundu, da massemba, uma dança de roda, que depois também se chamou rebita. Semba é um compasso novo. Onde se apresentavam com mais frequência? Nos bairros, almoços e jantares, aniversário deste e daquele, os outros espaços, eram do colono. Faço um aparte para frisar que havia muitos colonos, ou brancos que lutaram connosco e foram, para a cadeia connosco, tanto que uns eram considerados brancos de primeira, tinham nascido na Metrópole e outros de segunda, nascidos em Angola. Essa diferença é preciso que as populações e o futuro saiba, a base era a independência de Angola. Cantávamos principalmente no bairro Operário que juntou a cidade e 060. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com

os musseques, em nome da urbanização, da civilização, eles foram sendo empurrados e encalharam no bairro operário. Foi essa mescla que abriu caminho para o desejo de independência, e o N’gola Ritmos também nasce aí, o primeiro lançamento de panfletos incitando à luta pela independência foi no bairro operário. A princípio não chegávamos a grande cidade. Depois chamamos alguns artistas como Sara Chaves, a Fernanda Ferreirinha. Fizeram sucesso, ganharam prémios. Outros passaram a gostar de se apresentar em palco com o N’gola Ritmos, trazíamos um sabor tropical, uma mistura diferente que começou a ser aceite. Em palco cantávamos uma canção da terra, erámos vaiados, logo a seguir cantávamos uma canção portuguesa estilizada, pegávamos num fado e davamos-lhe um sabor tropical, angolano e ficava diferente. Os nascidos em Angola, ou portugueses que se sentiam angolanos pela vivência, aplaudiam. Era preciso depois chegar às gravações para passar às províncias, e essa luta também ganhamos, fizemos as primeiras gravações em fita, nas emissoras. As nossas canções estão nessas fitas, ficaram por aí, muitas devem-se ter perdido. Como é que a vossa canção se expandiu? A base do N’gola Ritmos é a canção popular. Pegávamos numa canção introduziamos-lhe mais algum conteúdo e expressão musical, dando-lhe um contexto mais seguro para transmitir uma ideia. Mas há canções próprias do conjunto. Há elementos que gravaram o N’gola Ritmos dizendo que é música popular. Não concordo, são músicas que apanhamos em bruto, demos-lhes uma volta e colocamos o nosso carimbo. E ainda hoje, no Brasil canta-se o N’gola Ritmos como sendo música popular. Apareceu inclusive nossa música numa novela e muitos a tocam dizendo que é canção popular. Essa músicas foram gravadas com autorização vossa? Não. Inclusive houve uma senhora francesa que gravou um disco denominado África qualquer coisa que tem uma foto nossa na capa. Foi a Angola como jornalista, pediu ao Jomo Fortunato na sua qualidade de investigador para nos entrevistar, eu acedi, cantei várias canções, eu e o Zé Maria para mexer dar conteúdo á entrevista. E ela foi buscar várias outras canções nossas a rádio nacional gravou, fez um CD e nós ainda não vimos um tostão. Não podem processar esse tipo de procedimentos? A verdade é que em Angola ainda não existem os direitos do autor. Ainda recentemente a cantora brasileira Joana pediu para gravar uma canção nossa, não dissemos nem


que sim nem que não e qualquer dia talvez apareça a cantar as nossas canções. Quantos discos gravaram e como se dissolveu o agrupamento? Eu e o Liceu fomos para prisão em 1959, o conjunto manteve-se com a força do Nino N’dongo que foi a Lisboa fazer um espectáculo e gravou dois discos, são os dois discos que existem, o resto são bobines. Depois da prisão de Liceu, da minha que era o bateria e cantor, o Zé Maria que era viola solo e ritmo, o Euclides foi transferido de Luanda para o Luso, ficou o Nino, depois entrou o Zé Cordeiro, o Gege, o Xodô, mantiveram o conjunto de pé, mas nunca mais foi aquela força homogénea, aquela batida segura perdeu-se um bocado, e quando ao voltar já estávamos descompassados. Eu e o Liceu depois da cadeia tínhamos que nos apresentar de 15 em 15 dias à polícia e estávamos proibidos disso e daquilo, veio a guerra estivemos muitos anos com o recolher obrigatório não se podia andar a noite, depois vieram as doenças, é preciso ver que o elemento mais novo do N’gola Ritmos tem 65 anos. Lurdes Van-Dúnen e Belita Palma também cantaram no N’gola Ritmos? Cantaram. E já que falamos na autoria das canções que a Belita, gostava de frisar que é necessário e urgente em Angola dar valor ao compositor, ele não tem expressão na nossa vivência musical. O artista muitas vezes é obrigado a compor mesmo sem ter queda para isso. Nos palcos ninguém se lembra de dizer que esta canção é de autoria de fulano, ninguém enaltece o compositor. É preciso que se dê respeito ao compositor para que a nossa música tenha maior espaço e vivacidade. O que pensa da política do governo angolano em relação a cultura? Agora temos a obrigação de exigir que o governo faça da cultura um sector com expressão no país. Já houve um ministro da cultura, e outros dirigentes incluindo o governador de Luanda Dr. Aníbal Rocha que se comprometeram a subsidiar a gravação de um disco, que talvez não seja vendável, mas

que fique para a história. Está-se a perder a história da nossa música, é urgente que se faça uma recolha, e que amanhã os nossos netos ou bisnetos tenham orgulho da nossa canção, tenham noção de como ela começa e que escadas subiu, como o Brasil tem “100 anos de Samba”, por exemplo. Sobre a rebita já ninguém sabe metade do que foi, ninguém conhece um Fançoni, o que foi ou a massemba, ou o que é um caduque. E há as influências dos ritmos das fronteiras do nosso país, que têm muito mais anos de vivência musical que nós. Francó influenciou terrivelmente os primeiros tocadores de viola em Angola. É preciso valorizar todas as expressões musicais do país, e preservar as origens. Nenhuma canção é estática, todo mundo sofre influências, mas quer esteja na Cochinchina, eu tenho que ser capaz de dizer: Espera aí essa canção é Angola. Cabo Verde tem sido um exemplo nisso. É isso que alguém como eu, que passou por muitas influências e vicissitudes, não quer que se perca, uma canção que é a base de um povo. Um país também se faz da sua cultura, é ela que vai preservar uma identidade e um povo. Por: Sílvia Milonga

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Estado actual do Kuduro 062. Revista Platina, Maio, 2011 www.revistaplatina.com


O

ano de 2011 não tem sido tão bom para o Kuduro, depois da febre de Dezembro do Tchuco e o Cambwa, o Kuduro tem registado uma certa baixa, mas quais os motivos que levaram a este acontecimento? Na realidade não se pode apontar facilmente um único motivo para a “baixa de rendimento do Kuduro”. Vejamos abaixo. O Kuduro é uma manifestação cultural vinda das periferias, sendo que, quando atinge a cidade, têm a tendência de revelar níveis altos de aceitação perante as pessoas que ai vivem. Para uma música ser conhecida na cidade, é necessário investimento, e nesse caso são cerca de 200.000.00 Kwanzas a 300.000.00 Kwanzas, este dinheiro é investido da seguinte forma: em discos graváveis que posteriormente são gravadas as músicas promocionais, que serão entregues aos mais diversos Dj´s da periferia com a quantia de 1000 a 5000 Kwanzas, para que eles façam a promoção. Outro elemento indispensável é a praça, pois é necessário pagar-se 200 Kwanzas, por toda vez que a música toca na praça, existem rapazes que com os seus aparelhos e vendas de discos passam a últimas novidades para assim chamar os seus clientes e são esses rapazes responsáveis pela promoção na praça, pois quando a música estiver na boca do povo então já tem meio caminho andado para o sucesso. Os taxistas são outro elemento nesse processo, pois eles transportam a maior parte da população periférica para a cidade, e por isso alimentam o gosto dessas pessoas, além de quanto estão não zonas urbanas, aguçam a curiosidade dos pedestres que também escutam as novidades que tocam dentro dos “Candongueiros” Táxis. Esse processo é somente para a música sair da periferia para a cidade, sendo que se a música for suficientemente boa terá presença garantida nas pistas de dança da cidade, mas nem sempre isso acontece. Os últimos fenómenos musicais do Kuduro: Do Cambwa, Tchuco, Windeck, Moça direita e mais outros conseguiram furar barreiras e chegar aos ouvidos de todos. Mas a quantidade de músicas de Kuduro é muito superior, existem milhares de músicas, nem todas são de qualidade, mas tem muita música boa que não chega aos ouvidos dos amantes da música,

por causa dos meios de divulgação. O Roque Santeiro que fora já considerado como o Maior mercado de África foi encerrado em 2010, e o seu encerramento foi uma das grandes razões da queda de rendimento do Kuduro, pois era lá onde o kuduro era promovido, sendo que sem o Roque Santeiro os Kuduristas têm agora que recorrer aos meios de promoção habituais: rádio, a televisão, os espectáculos e a internet. Mas agora vem o problema, pois em Angola quase tudo é dinheiro, e os Kuduristas nem sempre têm. As rádios cobram para passar, quando deviam passar de graça, pois são órgãos estatais assalariados, mas isso não acontece, “por enquanto o radialista faz a exigência, ou lhe das Kumbu, ou não tocas não – Sandocam Hip Hop a Morrer”. Sendo que estes radialistas não cobram pouco, muitos deles enriqueceram a custa da música Angolana. Já os músicos, estes como precisam por enquanto nada fazem, mas acho que deviam se organizar e criar sindicatos e associações, pois todo mundo tem de pagar sendo ele conceituado ou não. No que diz respeito aos Dj´s muitos deles também cobram e é lógico que os preços não serão iguais aos dos Djs da periferia, por isso é que muitos Kuduristas optam por citar nomes de Djs nas suas músicas, para tentar facilitar a promoção da música. Outros Djs se negam a tocar músicas de outros Djs, só o fazem se a música faz muito sucesso e o pessoal exige que o Dj toque, caso contrário é boicotado. No que diz respeito a televisão existem cadeias de televisão que facilitam, mas há outras que também aproveitam para fazer esquemas onde as pessoas pagam para aparecer, então só aparece quem pode, ou quando existe muita solicitação do público, portanto para o Kuduro isso representa uma desvantagem enorme. Já a Internet é um dos mais

novos espaço de promoção musical, mas ainda não tem a abrangência necessária para competir de frente com a rádio e a televisão, mas já tem ajudado bastante e já tornou numa ferramenta indispensável. Os Bloggers em Angola são todos independentes, são jovens interessados em promover a música nacional e acarretam custos para poder prestar um serviço alternativo para a população, é uma área que precisa de muito apoio e pois são elos de ligação entre Angola e o mundo. Com todos esses factores, um estilo musical ganhou mais espaço em Luanda, que é o House music, fruto de trabalho de vários Djs que têm trabalhado bastante para o engrandecimento desse estilo, coisa que ainda não aconteceu com o Kuduro, e por isso perde espaço todos os dias. Mas estou convicto que ainda existem pessoas interessadas em promover o estilo, sendo que com o apoio de todos iremos continuar a valorizar o estilo 100% Angolano.

Texto de Kelly Stress [http://www.kellystresspro.net/]

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Tomas mambo para uns ou Pintor de letras para outros, é um jovem Angolano nascido nas terras do Maiombe [Cabinda], estudante de Psicologia no Brasil. Tem encantando o Facebook escrevendo estrofes que quando juntas se auto definem como poesia. Simples, humilde, prefere não se auto nomear Poeta, diz apenas que escreve o que sente dependendo do objecto/ser inspirador...Embora não se defina como tal, nós o definimos como... Chega de bla bla bla, mergulhe conosco no universo deste homem que pinta com letras.

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SOU ANGOLANO. Digo com lagrimas, Grito com as veias mais finas, com tudo que tenho de mais profundo trago orgulho na ontologia do meu ser pro mundo. Sou desta patria cujo o presente me angustia, e corroi minha alma patriotica, e ainda assim sou angolano para la desta ótica. longe do governo que temos, distante, da hipocrísia dos índices econômicos que vemos não pela imagem: angolano = perfume francês, camisa italiana, tennis americano e carro alemão. Sou, por algo que vai alem da historia do país, que não defino, do sacrificio de muitos, do mero angolano, do taxista à zungueira, do cobrador ao moco do saco de gelo, do lavador de carros ao jovem sem emprego do mendigo mutilado à muambeira, Sou angolano de peito estufado, que a ninguem nada esconde, pois tenho uma patria e dela me orgulho. By: Tomas Mambo (Pintor de Letras).

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Sou angola Nas vozes inocentes no tronco, na argola, das marcas do chicote do preconceito aos sonhos roubados por estrangeiros, nunca aceito lágrimas de quem deu tudo de si, mas a historia nada deu a si, dos olhos avermelhados ao olhar o sol poente, sem as mãos presas em corrente, carrego a alma escura sorriso inocente e minha cura. Sou angola, Filhas entre filhas da mãe África, Despojada em seu próprio leito, Renascidas das cinzas da pólvora, Alimentada do sangue das próprias entranhas gritos de sofrimento pela aurora, Sou angola, Aquela jovem de 35 anos, De peito, descoberto rosto que desconhece vergonha pés beijando a terra, Carente, desnutrida, alimentada, por sonhos, por esperanças. Sou angola, Sou aquela jovem nação, cujo coração, Nutre a audácia, de vitoria, Em cada filho que escreve sua estória, Sou angola, Sou jovem, No brilho de cada amanhecer, Que busca o entardecer na certeza, deste eterno rejuvenescer Renovada, em cada angolano. By: Pintor de Letras.

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O primeiro instante. Pensamento sedento do bem fazer Perdido na busca da pontualidade esquecendo o lazer Voz meiga e aconchegante Rompeu-se no silencio, do ar ofegante congelado, pelo inverno viril O momento questionador e febril Respondia a marcha firme que a mim se aproximava Uma figura virtual nascendo ao real em cada passo que se firmava Quão cativante meu nome sussurado com perfeicão Um sonho ferindo o véu da virtualidade se materializando Uma joven de pele morena de sorriso raiando Saúde da alma, se for para mim, seja a minha bencão O tempo a niguem perduou Meu relogio mental a nós denunciou A emocão do primeiro instante Fala mais alto, desejo de repetir é constante. O primeiro instante, ai permanece, disponivel, a colorir o que a amargura aquece. By: Pintor de Letras.

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