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Expediente

Editorial

Edição # 215

Retomando o fôlego

Conceitual Brasil - Jornalismo Total www.revistaplasticosul.com.br Fone: 51 3119.7148 editora@conceitualpress.com.br Direção: Sílvia Viale Silva Edição: Melina Gonçalves DRT/RS nº 12.844 Departamento Comercial: Débora Moreira Design Gráfico & Criação Publicitária: José Francisco Alves (51 99941.5777) Capa: Pixabay Plástico Sul é uma publicação da Conceitual Brasil - Jornalismo Total, destinada às indústrias produtoras de material plástico de 3ª, 2ª e 1ª geração petroquímica nos Estados da Região Sul e no Brasil, formadores de opinião, órgãos públicos pertinentes à área, entidades representativas, eventos, seminários, congressos, fóruns, exposições e imprensa em geral. Opiniões expressas em artigos assinados não correspondem necessariamente àquelas adotadas pela revista Plástico Sul. É permitida a reprodução de matérias publicadas desde que citada a fonte. Tiragem: 8.000 exemplares.

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stamos a poucos meses do fim do ano. Desde março muitas vidas mudaram completamente e parece que agora estamos começando a viver o famoso “novo normal”. Não me refiro ao dia a dia das pessoas, mas a uma nova postura dentro de cada fábrica, no interior de cada indústria. Há problemas de abastecimento de resinas, por exemplo, e saber lidar com tal acontecimento tem sido malabarismo para a petroquímica, distribuidor e transformador. Sorte que a maioria das empresas, já experientes, tiraram seu know hall da manga e conseguiram manter estoques reduzidos mas que atendessem bem ao seu cliente. Neste período de incertezas o segredo para sair vivo de tudo isso foi um só e bem simples: relacionamento. Através da conversa olho o olho, muitas negociações foram refeitas, contratos mantidos e atenção personalizada à cada caso. A tecnologia foi fundamental para a manutenção do trabalho, principalmente para colocar clientes e fornecedores frente à frente em uma teleconferência para que juntos buscassem uma solução para os desafios presentes. Nada é passe de mágica e ainda temos muito pela frente. Alguns mercados não sentiram tanto os impactos do Covid-19, outros já estão retomando desempenhos e há aqueles que irão demorar para se levantar deste tombo. Mas não esqueçamos, porém, que a crise econômica não passará com a descoberta da vacina anti-corona. De uma certa forma é após a passagem do vírus que seus reflexos começarão de forma mais macroeconômica e precisaremos de um Governo comprometido com o país para vencermos as sequelas da pandemia em nossas vidas e nas vidas da empresas Brasileiras. Adiante!

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PlastVipFabiana Quiroga

Segundo a diretora de Economia Circular da Braskem na América do Sul, Fabiana Quiroga, o engajamento entre sociedade e indústria é fundamental para o crescimento de um ciclo sustentável no país

DIVULGAÇÃO

Os desafios e oportunidades da economia circular no Brasil

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processo produtivo sustentável, em que o resíduo gerado tem valor e pode ser transformado em novos produtos, pode ser novidade no debate social, mas é preocupação de alguns setores da indústria há décadas. Para conversar sobre esse conceito de consumo que busca formar um ciclo sustentável da produção ao descarte, conversamos com a diretora de Economia Circular da Braskem na América do Sul, Fabiana Quiroga. Na entrevista, a executiva fala sobre as ações da empresa na área, sua importância dentro da companhia, além dos desafios e oportunidades da economia circular no país. “O Brasil tem um potencial enorme para aumentar a reciclagem, mas precisa haver uma mobilização urgente”, destaca. Plástico Sul - O que é economia circular para a Braskem? Fabiana Quiroga - Economia Circular é um modelo mais eficiente em que há menos impacto ao meio ambiente por meio da utilização de energia e recursos renováveis, bem como de resíduos pós-consumo como matéria-prima para novos produtos.

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Para alcançar a mudança da economia linear (produção – consumo – descarte) para uma economia circular é fundamental a colaboração de toda a cadeia por meio de inovação, políticas públicas e engajamento do consumidor. Comprometida com o desenvolvimento sustentável desde sua fundação, a Braskem assumiu publicamente, em novembro de 2018, um compromisso em prol da economia circular, convidando outros atores a fazerem o mesmo. O posicionamento reforça a crença e o propósito da companhia que, com visão global e orientada para o futuro, trabalha todos os dias para melhorar a vida das pessoas, criando as soluções sustentáveis da química e do plástico. PS - Quais as ações da empresa nesta área? Fabiana Quiroga - A empresa vem atuando em ações por todo o ciclo do plástico:Início – considerando o design de produto (incluindo a seleção da melhor matéria-prima); Produção – por meio de eco indicadores; Uso – uso consciente e valorização do produto (engajamento do consumidor); Coleta – incentivo à cadeia de reciclagem; Início de um novo ciclo –processos de reciclagem mecânica e química. Em seu posicionamento em Economia Circular, a Braskem definiu pontos fundamentais para implementação, tais como iniciativaspara o desenvolvimento de parceiras com os clientes na concepção de novos produtos para ampliar e facilitar a reciclagem e a reutilização de embalagens plásticas, especialmente as de uso único. O documento também contempla o avanço de investimentos em novas resinas de origem renovável, como o polietileno I’mgreenTMbio-based feito à base de cana-de-açúcar, e o apoio a novas tecnologias, modelos de negócios e sistemas de coleta, triagem, reciclagem e recuperação de materiais. As iniciativas também englobam a promoção do engajamento de consumidores em programas de reciclagem por meio de ações educacionais de consumo consciente, o uso de ferramentas de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) e o apoio a ações para melhoria do gerenciamento de resíduos sólidos a fim de prevenir o descarte de lixo nos mares. A Braskem assumiu o compromisso voluntário de que todas as suas unidades industriais adotem as melhores práticas para reduzir ainda mais a perda de pellets (matéria-prima para a produção de embalagens


plásticas) nos seus processos ainda em 2020 e aderiu aos compromissos setoriais de trabalhar para que a totalidade das embalagens plásticas sejam reutilizadas, recicladas ou recuperadas até 2040. PS - Há números disponíveis? Fabiana Quiroga - Em 2019, vendemos aproximadamente 170mil toneladas de resinas renováveis, ampliamos o portfólioI'mgreen™ para considerar também as resinas recicladas, tendo vendido cerca de 1,7 tonelada de resina pós-consumo(PCR)e 700 toneladas de hexano reciclado, o nosso primeiro solvente reciclado. Nosso principal objetivo para 2020 é ampliar o volume de resinas e químicos renováveis e reciclados.Outro número que é importante ressaltar está relacionado com as nossas ações de incentivo à cadeia da reciclagem por meio do Ser+, programa que visa a inclusão social e o desenvolvimento socioeconômico dos trabalhadores da cadeia. Mais de duas mil toneladas de plástico foram encaminhadas para reciclagem em 2019, beneficiando 37 cooperativas. PS - Quais os desafios práticos para viabilizar a economia circular, em toda a sua estrutura, dentro da empresa e da indústria como um todo? Fabiana Quiroga - Todos nós, tanto a indústria quanto a sociedade, temos papel fundamental no processo de reciclagem. Se um elo deste caminho estiver enfraquecido, toda a cadeia será impactada. Especificamente na cadeia produtiva, acreditamos que três pontos são fundamentais: o trabalho em conjunto com os parceiros em prol do design circular, ou seja, da criação de produtos que já considerem o processo de reciclagem no início do seu ciclo de vida; a parceria em ações de conscientização ambiental, que visam ampliar o conhecimento sobre o pós-consumo e a importância do descarte adequado; e a valorização do produto feito a partir de resina reciclada. Existe ainda uma série de desafios para alavancarmos a reciclagem. Dentre eles e, pensando no ciclo de Economia Circular, elenco o comprometimento da indústria de produção e transformação plástica no desenvolvimento de soluções inovadoras e sustentáveis que considerem itens como o design e a escolha de matéria-prima para facilitar o processo de reciclagem; o engajamento do consumidor para dispor de forma adequada o resíduo que, consequentemente, aumenta o volume de material para reciclagem, o que é fundamental para que o setor cresça; o envolvimento do setor público na ampliação da coleta seletiva; e o investimento em tecnologia e inovação em sistema de lavagem e extrusão que ampliem as possibilidades de aplicação da resina pós-consumo. Vale destacar também a valorização dos produtos feitos a partir da resina reciclada, aumentando a demanda por este mercado.

A resina PCR tem algumas restrições de cor, odor e aplicação. Por isso, é importante o desenvolvimento tecnológico para melhorar estas barreiras e satisfazer demandas dos transformadores e brandowners, além dos consumidores, para que valorizem estes produtos e alavanquem o mercado. PS - Em contrapartida, quais as oportunidades que o Brasil oferece neste sentido? Fabiana Quiroga - O Brasil tem um potencial enorme para aumentar a reciclagem, mas precisa haver uma mobilização urgente. Somente 22% dos municípios brasileiros possuem coletaseletiva. Do material coletado, 13% é composto por plástico, 22% papel e papelão, 12% alumínio, 10% metais ferrosos e 9% vidro.Além disso, é uma oportunidade de desenvolvimento social, com a inclusão de catadores no mercado de trabalho, buscando melhores condições de vida ea profissionalização da atividade. PS - Quais foram os impactos da pandemia nos projetos e ações de economia circular da Braskem? Fabiana Quiroga - Houve impacto de venda e de desenvolvimento de produto junto aos nossos clientes. Primeiro porque alguns segmentos, como automotivo, eletrodomésticos reduziram e/ ou paralisaram suas atividades; segundo que em razão do ajuste de número de funcionários em suas instalações, o desenvolvimento de alguns projetos foi postergado. Outro ponto de impacto foi o desenvolvimento de fonte de matéria-prima, visto que a separação de resíduos feito por catadores, por exemplo, também foi paralisada para evitar contágio. Neste contexto houve redução de matéria-prima e o impacto social foi relevante. PS - Em cenário de perspectivas, há espaço para pensar em uma substituição mais massiva da resina virgem pela reciclada? Quais são os desafios para este cenário? Fabiana Quiroga - A perspectiva é de crescimento tanto da resina reciclada como das resinas de fonte renovável, visto que a sociedade e o mercado têm demandado por soluções mais sustentáveis.Há o desafio de viabilidade econômica, neste cenário de custo baixo do petróleo, trazendo uma maior pressão de preços para estas soluções.O volume e qualidade de matéria-prima para a resina reciclada é um dos maiores desafios para alavancarmos o volume, além dos desafios de custo na coleta, separação e logística deste resíduo.

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DestaqueAditivos

Tempo instável

O furacão chamado covid-19 atingiu diversas indústrias, mas os fornecedores de aditivos seguem confiantes em dias ensolarados 8 > Plástico Sul >>>

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stávamos no primeiro trimestre de 2020. O ano de 2019 tinha superado as expectativas de muitos fabricantes de aditivos, assim como da indústria em geral. Parecia enfim que havia uma retomada econômica no Brasil e era possível, com esta estabilidade, tirar os projetos antigos das gavetas. Mas um tsunami sem proporções atingiu a China e veio parar no nosso país numa velocidade mais rápida do que o esperado. Era o coronavírus chegando com força bruta na saúde das pessoas e das empresas até então saudáveis. “Os desafios para o ano de 2020 são imensos, o ano começou muito bem para a Procolor comparado aos períodos anteriores, com um crescimento exponencial bem significativo, mas a pandemia chegou com força total”, explica Roberto Clauss, diretor da Procolor. O empresário diz que o valor do dólar foi nas alturas e para controlar a situação a Companhia teve que trabalhar cliente a cliente em relação a precificação, já que preza por parcerias longas, saudáveis e duradouras. “Trabalhamos no limite dos preços”, revela. Certamente o ponto mais alto desse furacão chamado covid-19 foi o início do 2º trimestre, quando indústria e comércio em um país continental como o Brasil paralisaram de forma mais significativa suas atividades. “Podemos destacar o mês de abril de 2020 como um dos piores do cenário da econômico mundial, inclusive já estávamos com um projeto em andamento para trabalhar com um estoque reduzido e com a chegada da pandemia esse projeto ganhou força, indo de encontro com o que planejamos para ter uma empresa saudável, com a economia em dia, com o pensamento no controle total dos produtos produzidos e com zero desperdício, ou seja, trabalhamos mês a mês de forma segura” revela Clauss. A Cromex é outro exemplo de empresa que já estava adotando estratégias mais seguras de gestão de materiais. “Já estávamos tomando, ainda mesmo antes da pandemia, uma gestão estratégica dos insumos essenciais em nossa atividade produtiva. Tivemos um grande sucesso e eficácia na manutenção do fluxo de matéria prima e mantivemos todos os clientes abastecidos sem ruptura de fornecimento, mantendo a qualidade nos produtos e serviços” explica Cesar Ortega, diretor comercial da empresa. Para Ortega a variação do Dólar e sua instabilidade é uma constante na economia, independentemente do momento que vivemos. Ele explica que houve casos onde a reformulação atenuou o alinhamento de preço de venda, mas há situações, dado a especificidade do produto, onde não tem o que fazer. “Nestes casos a melhor forma é a transparência com os clientes/parceiros e montar um caminho comercial que atenda os dois lados”, diz o executivo. O diretor da Colorfix, Francielo Fardo, também acredita que o início do 2º trimestre foi o mais desafiador. Fardo explica que muitos clientes da Co-


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DestaqueAditivos

Fardo, da Colorfix: apoio do Governo Federal em medidas de apoio às empresas fez a diferença Para Ortega, da Cromex, setores de sopro, embalagens flexíveis e plasticultura tiveram desempenho sustentável no período

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lorfix pararam por mais de 20 dias durante os meses de abril e maio, afetando diretamente o faturamento e a rotina da empresa. “Diante de tantas incertezas a Colorfix contou com apoio de toda a cadeia produtiva, desde clientes, fornecedores e em especial nossa equipe interna que se ajustou a todas as exigências e novos cuidados além de novas rotinas impostas pela pandemia” afirma o empresário citando ainda como diferencial do período o apoio do Governo federal quanto a questão de redução de jornada e outras medidas de apoio às empresas. A questão cambial é preocupação unanime entre os fornecedores de aditivos. “Realmente estamos passando por um momento desafiador em nossa indústria, pois a oferta de produtos químicos com base de preços em Reais é muito escassa”, reflete Fardo. Ele explica que o padrão é sempre determinado pelo dólar, independente se um fornecedor produz localmente, com maioria dos insumos nacionais, ou comercializa insumos importados localmente. O diretor da Colorifx revela que essa volatilidade cambial que vem ocorrendo desde meados de 2019, e se intensificou em 2020 devido a Pandemia, levou a empresa a tomar medidas que buscassem amenizar estes impactos. “Reduzimos os estoques dos insumos, com o propósito de consumir nosso estoque regulador e diminuir o impacto do custo médio; e reduzimos as importações diretas, aumentando as aquisições de produtos nacionalizados em volumes menores e com melhores negociações de preços e prazos, para diluir o impacto da variação, aproveitando momentos estratégicos e propícios para compra”, revela o empresário. Praticamente todas as atividades humanas foram afetadas pela pandemia e na Braschemical não poderia ser de outra forma. “Já nos primeiros dias,

todas as atividades que permitiam trabalho remoto foram liberadas. A empresa disponibilizou para os funcionários equipamentos e sistemas operacionais para garantir a continuidade das operações. Viagens e visitas à clientes foram suspensas. Reuniões passaram a ser virtuais. O já tão falado ‘Novo Normal’”, aponta o coordenador de negócios da empresa, Daniel Santos. A Braschemical tem fornecedores na Europa, Estados Unidos e Ásia. Desde antes da crise do Covid 19 a empresajá vinha acompanhando muito de perto a situação da oferta de matérias primas na China devido à questões ambientais. Desta forma, aprimorou suas programações de compras e desenvolveu planos de ação ágeis para driblar imprevistos. “Ou seja, estávamos bem preparados e não faltou produto para ninguém. Tivemos sim um impacto nos custos de logística e no tempo de entrega. A falta de containers também tornou as operações mais complexas”, cita Santos Quanto à questão cambial, o executivo ressalta que os preços praticados pela Braschemical são dolarizados, assim como acontece com os competidores que oferecem produtos com qualidade. “Desta forma, nossa competitividade não se alterou muito”, explica o executivo, enfatizando que o que demanda mais cuidado e monitoramento constante é a grande amplitude da variação cambial.

Demanda

O ano de 2020 está sendo desafiador. Com tantos imprevistos há indústrias que apresentaram crescimento com a pandemia e outras que tiveram quedas vertiginosas. Nesta gangorra, os fornecedores de aditivos sentiram os impactos. Cesar Ortega, da Cromex, afirma que alguns segmentos demandaram mais neste período em comparação ao mesmo


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DestaqueAditivos

Clauss afirma que a Procolor está em constante atuação com clientes que usam resinas recicladas

período do ano anterior, mas mesmo assim inferiores a projeção de crescimento que havia para este ano. O executivo destaca sopro, embalagens flexíveis e plasticulturacomo setores com desempenho constante e sustentável neste período. O diretor da Procolor, Roberto Clauss, também destaca os processo de transformação de sopro e filmes acrescentando injeção. Porém revela que os segmentos de bens de consumo, médico-hospitalar e para contato com alimentos cresceram exponencialmente. “Tivemos uma gama de grandes produtos vendidos, mas os destaques ficaram para os produtos de código CPE 9080, CPE 2205 e CPE 5030 do portfólio da Procolor”. Segundo Clauss, os produtos que mais apresentaram queda foram para transformação de brinquedos e automotiva. “O cenário atual vem mostrando que as empresas ainda buscam a retomada total e as incertezas geram preocupações”, comenta o empresário. Daniel Santos, da Braschemical também salienta a indústria automotiva como a que apresentou grande queda no desempenho durante a pandemia, mas sinaliza que este mercado está se recuperando lentamente. A maior preocupação da empresa, porém, é com os segmentos têxtil e calçadista. Já no quesito aquecimento de demanda, Santos avaliza os produtos ligados à embalagens de alimentos, fármacos e de delivery. “O mercado de construção teve uma queda no início mas se recuperou rapidamente”.

Antivirais Proteção microbiológica: para Daniel Santos consumidor está mais atento à sua saúde 12 > Plástico Sul >>>

Em tempos de pandemia muitas são as reflexões da sociedade quanto ao consumo de produtos que ajudem a diminuir a propagação de um vírus. Mas há questões para se refletir como, por exemplo, se o consumidor está realmente disposto a pagar mais por este

tipo de conforto ou se o material realmente combate o vírus específico do Covid-19. Mas talvez essa preocupação em utilizar produtos antivirais e antibactericidas perdure no pós-pandemia como uma nova forma de evitar o contágio de outras doenças. Só o futuro dirá. “As empresas e consumidores finais olham essa possibilidade com certa parcimônia, alguns desses produtos antivirais e antimicrobiano já temos no mercado, mas um produto que de fato traga essa segurança de ser efetivo ante o Covid-19, temos conhecimento que está em fase de estudo por ser um novo vírus, mas nada comprovadamente efetivo e eficaz”, explica Roberto Clauss, da Procolor. Ele sinaliza que os aditivos antivirais e antimicrobianos têm um custo elevado e os transformadores atualmente buscam recuperar os prejuízos dos meses passados, portanto, algumas empresas não querem agregar por hora esse “custo” a mais no seu produto. “O receio deles é de que seu cliente final não pague o valor por um produto com benefícios agregados e o motivo notório é que esses clientes também sofreram uma oneração nos seus ganhos mensais ou mesmo perderam os empregos frente a essa pandemia global”, diz Clauss. Cesar Ortega, diretor da Cromex, explica que a empresa está recebendo algumas consultas de clientes interessados em bactericidas .Mas faz um alerta: “Os clientes estão associando bastante o problema do COVID com o uso do antimicrobiano mas infelizmente são coisas distintas. As bactérias e fungos são micro-organismos unicelulares e assim o antimicrobiano funciona. Já para Vírus, o mecanismo é distinto e estamos trabalhando em um desenvolvimento especifico para aditivos antivirais”. A Braschemical tem observado o interesse crescente em produtos que ofereçam diferenciais nos aspectos de higiene e proteção microbiológica. Para Daniel Santos, o consumidor está muito mais atento aos riscos envolvendo sua saúde. “A Troy oferece um programa de parceria onde o cliente recebe assistência técnica permanente e acompanhamento de laboratório microbiológico para garantir a eficácia dos biocidas. Esse programa, sem custos adicionais para o cliente, permite agregar valor ao produto através do selo de qualidade MICROPEL PROTECTED que pode ser usado em seus produtos, embalagens e peças de publicidade”, explica. Produzidos pela Troy na Europa e Estados Unidos, são indicados para combater micro organismos em materiais e superfícies sintéticas, tais como como calçados hospitalares, colchões e travesseiros, capinha de celular, mouse pad, tecidos de decoração, móveis e muitos outros.

Aditivos para reciclagem

A necessidade urgente de implantarmos uma economia mais circular do que linear está fazendo


com que a indústria se movimente para criar soluções práticas destinadas à cadeia de reciclagem. Sabe-se porém que há diversos obstáculos neste sentido, principalmente no que tange a qualidade do material reciclado. Neste sentido, os aditivos podem ser grandes auxiliares. Clauss explica que a Procolor está em constante atuação com clientes que fazem frente ao uso de resinas recicladas, mas destaca que o Brasil precisa melhorar muito na questão de origem do material, seleção e legislação, com informações nas embalagens sinalizando o percentual utilizado do reciclado para maior controle e segurança do consumidor final. “Atualmente temos muitos estudos sobre o aproveitamento das resinas recicladas e para os próximos anos teremos um avanço significativo nessa questão. Porém devemos andar de mãos dadas com um controle e regulamentação eficaz para esse tipo de produto”. Nesta área o empresário apresenta novidades. “Temos inovações, principalmente pensando em transformações de filmes convencionais e técnicos onde o uso é crescente”, diz. Quando se pensa em peças injetadas, ainda há um campo amplo a ser explorado. “Há a uma certa resistência dos transformadores, falta de uma equipe técnica especializada e/ou mesmo um antigo conceito que ao recuperar ou utilizar um reciclado

pode se ter problemas na peça final, pensando principalmente em questões técnicas como propriedades mecânicas e térmicas”, revela. Clauss salienta, porém, que a Procolor tem comprovação que o uso correto pode gerar ganhos econômicos e ambientais, sem contar com soluções externas como aditivos que possam conferir ou melhorar algumas dessas propriedades dos polímeros virgens e reciclados. Para César Ortega, da Cromex, o grande desafio das resinas recicladas é a manutenção das propriedades finais dos produtos. “O uso de resina reciclada pode trazer redução de propriedades mecânicas, presença de géis e/ou pintas pretas e também odor característico. Isso muitas vezes limita seu uso”, explica.Neste contexto entram os aditivos, com o objetivo de corrigir ou melhorar as limitações da resina reciclada. O executivo cita como exemplos o extensor de cadeia para PET que aumenta a viscosidade, os antioxidantes que evitam a degradação, os redutores de odor que capturam o cheiro característico do reciclado ou os toners que melhoram o aspecto visual, dentre outros inúmeros aditivos. Para Francielo Fardo, da Colorfix, a resina reciclada é o caminho do futuro,juntamente com os bipolímeros e demais ações sustentáveis. O diretor

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DestaqueAditivos concorda que, por ser oriunda de diversas fontes, a cor da resina PCR nem sempre poderá ser mantida, ocorrendo variação de tonalidade entre um lote e outro. Ele explica que nem sempre o masterbatch será capaz de corrigir esta variação e por este motivo deverão ser criados novos critérios para o desenvolvimento das cores, como por exemplo, optando por cores mais neutras como pretas, cinzas ou beges além de se considerar tolerâncias maiores na aprovação das cores. Por se tratar de resina pós-consumo, algumas de suas propriedades podem ser perdidas. Para isto, Francielo afirma que a Colorfix pode fazer a correção através de aditivos, como por exemplo:Oxifix, para evitar a degradação da resina

durante o processamento; Whitefix , para melhorar a aparência melhorando o amarelado do produto final; Modificadores de impacto, para melhorar as propriedades de resistência ao impacto; Bactifix, para evitar a proliferação de fungos e bactérias e consequentemente o aparecimento de manchas, odores e até mesmo a perda de propriedades mecânicas; Uvfix, para aumentar a vida útil da peça final; Processfix HP – melhorar a desempenho do material.

A relação entre cliente e fornecedor é fundamental para manter-se em tempos difíceis Apesar dos estragos econômicos causados pela pandemia do convid-19, já se vê um olhar de otimismo nos empresários do setor. Isso por que mesmo que saibamos que a crise não terminará ao mesmo tempo que o coronavírus, o 1º semestre do ano já começou com resultados melhores, demonstrando leve retomada da indústria. Para a Termocolor o ano de 2019 foi fechado com crescimento acima de 30% que era o objetivo inicial da Companhia. “Entramos em 2020 embalados no ritmo de 2019, até março continuamos atingindo as metas planejadas”, explica o gerente comercialWagner Catrasta. O executivo afirma que em abril foi sentido o “baque” propriamente dito, com clientes parando linhas de produção em torno de 70%, solicitações de postergação de pagamentos entre outros. “Porém em maio já tivemos uma sensível recuperação nos números que seguiram crescendo gradativamente até junho, e a tendência para frente é bem positiva”, acredita Catrasta. Para avançar mesmo em tempos difíceis a Termocolor adotou uma postura ainda mais próxima ao seu cliente. “Apesar da distância imposta pela pandemia transmitimos segurança e confiança de que 14 > Plástico Sul >>>

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Parceria como ferramenta indispensável Catrasta: “Rapidez no atendimento foi nosso ponto chave neste momento”

estaríamos aqui esperando pela retomada do mercado”. Além disso, a empresadiminuiu o quadro de funcionários através de redução de jornada e colocou todos colaboradores em grupo de risco trabalhando Home office. “Continuamos com nossa fábrica ativa durante todo o período crítico da pandemia, seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde”. Por estar trabalhando continuadamente o diretor explica que surgiram novos negócios e retomada de antigos que haviam perdido no passado para o mercado Asiático. “Rapidez no atendimento foi nosso ponto chave neste momento”. Outra ação de destaque da Termocolor vem do campo social. Logo no início da pandemia foi criado um comitê de risco

e uma das primeiras ações foi buscar fazer algo para atender o setor de saúde pública. “Identificamos que poderíamos atuar na produção de máscaras de proteção tipo “Face Shields”.Levamos esta ideia para alguns clientes que aceitaram de imediato fazer parte desse projeto humanitário”, explica. Inicialmente a produção seria de cerca de 50.000 unidades para atender somente o Estado de São Paulo, mas o projeto ganhou corpo rapidamente e foi finalizado com 150.000 máscaras entregues em 17 Estados brasileiros de norte a sul do País, chegando a comunidades nas divisas do Peru e Bolívia. “Recebemos também o reconhecimento do Governo do Estado de São Paulo, por coordenar e levar a frente este projeto que demos o nome de Empresas do Bem”.


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Investimento que garante mais eficiência

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busca por sistemas produtivos mais eficientes e maior competitividade tem sido um desafio constante para todo o setor industrial nas últimas décadas. A indústria do plástico está inserida nesse cenário. Com as revoluções industriais, a evolução das máquinas a vapor, ados processos, da produção em série, da conectividade e da internet nos dias mais recentes, provocaram grandes mudanças tecnológicas que afetaram positivamente a vida da sociedade e nosso cotidiano ao longo do tempo. E nesse contexto, a automação na indústria do plástico está diretamente relacionada a ganhos de produtividade e à redução de desperdícios. No entanto, nem todas as indústrias de transformação sabem exatamente como aplicá-la sem gerar imprevistos no negócio. Por isso, segundo os especialistas em tecnologia de informação, primeiramente as empresas precisam entender a sua própria dinâmica, ou seja, qual o maquinário necessário para a automação de seus processos produtivos. E para isso contam com o indispensável suporte e orientação dos fabricantes de equipamentos.

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EspecialAutomação e Indústria 4.0

A indústria precisa estar bem preparada ao investir em automação. Os consultores ressaltam que o projeto de automação industrial pode ser adaptado de acordo com as necessidades do cliente. Nesse aspecto, há quatro modalidades de entrega: • EPCM (Engineering [projeto,design], Procurement [compras,aquisições] e Construction Management [gerenciamento da construção]): a empresa fica responsável pela engenharia, compras, construção e gerenciamento do projeto; • EPC (Engineering [projeto, design], Procurement [compras, aquisições] e Construction [construção]): a empresa fica responsável pela engenharia, compras e construção. Normalmente, o cliente final contrata uma empresa de gestão para diligenciar a obra; • Turn Key (“chave-na-mão”): modalidade em que o foco do projeto é somente a automação do sistema; • MAC (Contrato Principal de Automação): modalidade bastante semelhante ao Turn Key, porém, aqui, o fornecedor também tem responsabilidade por infraestrutura e operação assistida.


Linha de produtos para automação industrial da Sepro atende exigências das indústrias que buscam inovação

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Segundo os fabricantes é importante estar ciente que para cada empresa existe um tipo de equipamento para a automação, pois uma escolha errada causar um prejuízo significativo. Existem máquinas específicas, como robôs, esteiras, aquecedores, resfriadores, manipuladores, empilhadeiras, veículos para transporte, equipamentos para leitura e sistemas de controle para armazenamento e expedição de peças. As etapas de automação necessariamente devem seguir um cronograma com a implantação de softwares que façam essa fábrica inteligente funcionar. Por isso, segundo os especialistas, é preciso levar em conta a cultura da empresa, de seguir as normas. Entre os fornecedores de acessórios para automação, uma das empresas com alto conceito internacional está o Sepro Group, com sede na França, que segundo o diretor comercial da Sepro no Brasil, Oscar da Silva, disponibiliza uma linha de produtos para automação industrial atendendo às exigências das indústrias que buscam inovação. “Todos os robôs e serviços Sepro são dedicados à automação industrial. Além dos seus produtos, a empresa oferece soluções "turn-key" de automação para células de produção dos seus clientes, é o que chamamos de Solution By Sepro. A Sepro acompanha os projetos dos seus clientes desde os estudos até a realização, com o objetivo de optimização das ferramentas produtivas em aplicações de colocação de insertos, sobre-injeção, paletização, garras simples ou complexas, etc...”, revela o executivo. Oscar da Silva informa que a Sepro oferece uma ampla gama de sistemas de automação, como: Robôs de 3, 5 e 6 eixos, Garras para peças, Garras para insertos, Estações de sobre-injeção, Sistemas de esteiras transportadoras, Células de condicionamento, Grades de proteção, Estações específicas: separação de cavidades, corte de canal, controle, transferência, rastreabilidade, montagem, Soluções de automação completas "turn key" Como parceira para que os transformadores busquem otimização de processos, mais competitividade e eficiência, o executivo explica qua a relação da linha de produtos com a indústria 4.0. “Os robôs, periféricos de automação e serviços Sepro são todos « 4.0 ready ». No coração de nosso know-how, o controle e a eletrônica Visual: este controlador único é um elemento chave do que chamamos "Open Integration". O comando Visual, desenvolvido especialmente pela Sepro para máquinas injetoras de plástico, facilita a programação e o uso do robô”, explica Oscar da Silva. E para atualizar as indústrias, o executivo elenca vários serviços 4.0 que a Sepro ofecece: • Smart Data: os robôs Sepro são « smart sensors », capazes de coletar uma grande quantidade de dados de produção em tempo real: tempo de ciclo,

tempo de abertura do molde, detecção de não qualidade, etc. Isso torna possível medir o desempenho da unidade de produção (Overall Equipment Effectiveness - OEE), no pé da máquina com Visual Dashboard, ou à distancia num MES (manufacturing execution system) por exemplo. • Manutenção preventiva: Sepro oferece aos seus clientes o Live Support, uma oferta de suporte hotline « live » concebida para reduzir a indisponibilidade do seu robô Sepro. Este serviço de Smart Data é totalmente orientado para o usuário. Mais informações em http://www.sepro-group.com/services/ live-support/ • Otimização do tempo de ciclo: o aplicativo Opticycle é uma ferramenta que permite otimizar e padronizar os ciclos dos robôs Sepro. Os ganhos medidos e comprovados são: • Redução do tempo de intervenção no molde: até 40% • Redução do tempo de ciclo total: até 5% O executivo sugere que os profissionais que desejaemr mais informações podem acessar http:// www.sepro-group.com/services/opticycle/. Mais produtividade e qualidade - Quanto aos benefícios e ganhos de produção ( aumento de competitividade, redução de custos etc) que a automação e a robótica podem trazer ao transformador de plásticos, Oscar da Silva é bem didático e objetivo na resposta.”Os robôs trazem imensos benefícios em termos de produtividade e qualidade de produção nas fábricas. Os robôs Sepro de 3, 5 e 6 eixos permitem, assim, carregar e descarregar máquinas injetoras com precisão, em alta velocidade, garantindo a ótima qualidade das peças produzidas e realizando operações periféricas que trazem muito valor agregado para os clientes. Um investimento em automação e robótica, portanto, compensa rapidamente”, ressalta. As empresas que aplicam e desenvolvem a <<< Plástico Sul < 17


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EspecialAutomação e Indústria 4.0

A automação na indústria do plástico está diretamente relacionada a ganhos de produtividade e à redução de desperdícios

cultura da inovação podem ter ganhos especiais. Oscar da Silva ressalta que além dos benefícios citados anteriormente, “os sistemas de automação Sepro oferecem mais valor agregado por meio da digitalização, conectividade e uso de big data, ajudando assim os clientes a fornecer mais rastreabilidade e mais segurança aos seus produtos”. E para completar o raciocínio, explica como a empresa opera. “Adicionalmente a Sepro oferece uma gama completa de serviços, desde a instalação otimizada do robô até o retrofit, incluindo manutenção. Nossa gama de serviços também inclui suporte local eficiente e a oferta de treinamento mais abrangente do setor. O serviço Sepro é também a garantia de usufruir das mais recente inovações em P&D, ao serviço da utilização otimizada dos equipamentos dos nossos clientes, para lhes garantir cada vez mais um melhor desempenho”, finaliza.

Foco Branqs: eficiência e durabilidade

Com sede em Santos (SP) a Branqs é uma fabricante nacional de CLPs e IHMs para automação de máquinas e processos industriais. Reconhecida pela qualidade de seus produtos em toda América Latina, a empresa produz CLPs e IHMs indicados para a automação das principais marcas de injetoras mundiais. No momento em que as empresas buscam mais eficiência, segundo o executivo Fernando José, as indústrias que optarem pelos equipamentos Branqs poderão contar com suporte direto do fabricante. Em seu catálogo a empresa oferece uma linha de produtos que se enquadra totalmente no conceito automação industrial, como informa o especialista. “A empresa fabrica Controladores Lógicos Programáveis (CLP) e Interfaces Homem Máquina (IHM) de 18 > Plástico Sul >>>

alta-performance”, aponta Fernando José. Em seu site a Branqs enfatiza que a qualidade superior dos equipamentos oferece economia na manutenção e redução de tempo de máquina parada, proporcionando agilidade e eficiência na sua área produtiva, diminuindo o consumo de energia e insumos. E valoriza o slogan “Branqs - O CLP feito para durar mais!" Embora o conceito de Indústria 4.0 tenha demorado para ser introduzido e assimilado no Brasil, o sistema já está em estágio avançado em muitas empresas e a Branqs reforça a relação dos seus equipamentos com esse cenário, como explica Fernando José. “A essência da Indústria 4.0 é empregar tecnologias que ofereçam diversas opções de conectividade. Os equipamentos da Branqs disponibilizam uma ampla gama de protocolos disponíveis para permitir essa integração, entre eles”:  Modbus TCP, Modbus RTU, OPC DA, Open V4J, 1-wire, ASCII FIle Reader, ASCII Serial, Auditor NMEA, BACnet I/P, Data Source Interno, Data Source Meta, Data Source Virtual, DNP3 IP, DNP3 Serial, Dr. Storage HT-5B, Email POP3, Galil DMC-21×2, IEC101 Ethernet, IEC101 Serial, Imagem HTTP, JMX, M Bus, Mitsubishi Alpha2, Pachube / Xively, Receptor HTTP, Recuperador HTTP, SNMP, SQL e TCP Serotonin Persistente. Os fornecedores de máquinas e equipamentos para automação industrial e as indústrias que adotam esta cultura não cansam de ressaltar que, além de inevitável, o sistema proporciona vantagens. Afinal, quais os benefícios? Fernando José comenta este assunto de uma forma diferente para facilitar a compreensão. “Para esta pergunta vou apresentar informações reais de um case realizado por nosso integrador, a empresa AOS, dentro da Arno, de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, em maio deste ano: O CLP Branqs foi instalado em uma Injetora Sandretto MEGA de 750 toneladas de força de fechamento. A máquina que antes demorava 75 segundos para injetar uma determinada peça da linha de produtos da empresa, passou a realizar o mesmo ciclo em apenas 45 segundos. Além da performance, a máquina ficou também 20% mais econômica, pois foram instalados inversores de frequência nos motores das bombas principais”, avisa.

Recuperação da imagem da nação

Diante da evolução rápida dos sistemas, do aprimoramento dos processos produtivos, os fabricantes de máquinas e equipamentos para automação industrial estão em ritmo continuado de pesquisas e desenvolvimento de produtos cada vez mais eficientes. Fernando José faz questão de enfatizar a missão da Branqs. “A proposta da Branqs é realmente contribuir para a indústria brasileira de máquinas, recuperando a imagem de "nação competitiva tec-


nologicamente" no mercado internacional. O fato de dominarmos toda a tecnologia, pois todo o produto é idealizado, projetado e fabricado no Brasil, permite entregar ao mercado um equipamento mais robusto e versátil”, comenta. O executivo amplia sua explicação para justificar a decisão de investir em tecnologia da Branqs: “Um produto nacional desse tipo é muito interessante para os fabricantes de máquinas, pois ajuda a vencer a dificuldade em manter seus preços em função da elevação do dólar. Como diferencial, a empresa possui o compromisso em desenvolver novos equipamentos sempre compatíveis com as linhas mais antigas e também ajudar no desenvolvimento completo do software da máquina do fabricante, aproveitando o knowhow que possui na elaboração dessa tecnologia em mais de 4 mil máquinas instaladas no Brasil e América Latina. Segundo Fernando José, adicionalmente a Branqs oferece treinamento constante à equipe de engenheiros e técnicos do fabricante da máquina, pois procura realizar uma transferência completa de tecnologia para o parceiro, tanto em desenvolvimento de software como em manutenção eletrônica do próprio CLP. “A empresa mantém o compromisso de sempre apresentar novas tecnologias que possam valorizar a máquina do fabricante para torná-lo cada vez mais competitivo no mercado nacional e internacional”, completa.

A tradição da Dal Maschio

Em todos os eventos direcionados à indústria do plástico, o estande da Dal Maschio é um dos mais visitados por quem procura equipamentos para automação. Segundo relato de José Luiz Galvão Gomes, diretor comercial da empresa no Brasil, com sede no estado de São Paulo “a Dal Maschio é uma das mais antigas fabricantes mundiais de robôs para a automação de injetoras de plásticos e, seguindo o seu perfil italiano, oferece ao mercado equipamentos de alta tecnologia, com total flexibilidade de operação e fácil uso”, relata. Confirmando estar em sintonia com as necessidades atuais em busca de competitividade, o executivo explica a forma de atuação. “Com engenharias de desenvolvimento de aplicações na Itália e no Brasil nos destacamos em poder fornecer a nossos clientes linhas totalmente personalizadas, com o melhor custo/benefício”, comenta José Luiz. “Desta forma fornecemos não apenas os robôs, mas também diversos acessórios, especialmente produzidos para cada necessidade”, esclarece. Entre os benefícios que a indústria pode conseguir, o diretor comercial destaca fatores importantes: “A extração automatizada das peças injetadas, em substituição a extração manual ou por gravidade

traz diversos ganhos a nossos clientes, com aumento de produtividade médio acima de 15% em relação a extração em semi automático (chegando em alguns casos a dobrar a produção!). Com a extração pelos robôs o tempo de molde aberto diminui e se mantém constante, permitindo aos processistas diminuir a temperatura da água de refrigeração, reduzindo também o tempo de resfriamento. A repetibilidade da qualidade das peças se mantém estável reduzindo a incidência de refugos, em operação limpa e segura”, aponta o executivo. José Luiz ressalta outras vantagens para quem investe em automação no processo. “Além da simples extração das peças injetadas podemos automatizar também a montagem de insertos nos moldes, a montagem de rótulos decorativos (In Mold Labelling), o corte de canais de injeção, a montagem de insertos e etiquetas pós injeção, além de poder efetuar a inspeção da qualidade das peças injetadas com sistemas de visão artificial, realizar controle de qualidade com a pesagem das peças, efetuar a montagem de sub conjuntos, paletizar as peças em pallets, montar as peças dentro de caixas, etc. Enfim, aplicações para automação são infinitas, sendo que cada cliente possui suas necessidades e exigências. Nossa estrutura tem a função de buscar sempre as melhores alternativas para cada caso”, explica.

Benefícios adicionais

O executivo também destaca que os robôs da Dal Maschio oferecem benefícios adicionas. “Os robôs podem ainda operar em ciclos ultra rápidos, com a extração e empilhamento de peças como embalagens alimentícias sem interferência humana, reduzindo riscos de contaminação e sempre reduzindo a mão de obra aplicada a cada processo”, revela. E conta que o catálogo oferece várias opções. “Para atender a tantas exigências e necessidades temos uma linha de robôs cartesianos premium com diversas opções como rotações servo controladas, sistemas de vácuo ecológico, lubrificação automática, dimensões Taylor Made, etc. Temos também robôs de entrada lateral para a automação de injetoras operando em ciclos ultra rápido, com diversas opções de magazines para a alimentação de rótulos para IML” acrescenta José Luiz. Em sintonia com o panorama da Indústria 4.0, o diretor comercial da Dal Maschio explica que, “além da automação das injetoras de plásticos temos também integrado nossos robôs cartesianos a finais de linhas de produção diversas para a paletização de caixas, fardos e produtos acabados. E finaliza com uma informação importante sobre esta nova indústria que começa a investir mais em tecnologia. “Toda nossa linha possui opções de portas para a integração com sistemas de Indústria 4.0 por meio de <<< Plástico Sul < 19


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EspecialAutomação e Indústria 4.0

Projeto de automação industrial pode ser adaptado de acordo com as necessidades do cliente

servidores. Com essa conexão, além de poder programar e controlar o andamento da produção, podemos também efetuar ajustes de programação remota e monitoramento do bom funcionamento dos equipamentos via internet”, completa.

Desempenho, o diferencial da igus

Outra empresa com forte tradição e conceito em tecnologia é a Igus®, líder mundial na fabricação de sistemas de esteiras porta-cabos e componentes plásticos para aplicações em movimentos. Fundada em 1964, a empresa alemã hoje já está presente em mais de 35 países e tem como foco inovação e tecnologia em peças de polímeros. “Nosso diferencial se baseia em componentes com vida útil longa por conta de seu baixo desgaste e excelente desempenho”, ressalta Rebeca Tarragô, da área de marketing no Brasil. Nesse cenário de evolução continuada e indústria avamçada, os principais produtos da empresa são esteiras porta cabos, buchas autolubrificantes, guias lineares, mancais rotulares, cabos especiais, conectores e sistemas de fornecimento de energia montados. A executiva informa que “o foco da empresa além da produção de produtos voltados para aplicações com movimentação, são produtos em polímero de alta tecnologia, uma vez que são autolubrificantes, com uma composição diferenciada, feita de fibras, base polimérica e lubrificantes sólidos. O que torna os produtos ideais para diversas aplicações e necessidades de todos os tipos, reduzindo o trabalho com manutenção e possibilitando melhorias técnicas”. A cada ano as indústrias de ponta apresentem novidades e linha de produtos que a igus oferece para aplicação em processos de automação 20 > Plástico Sul >>>

é ampla segundo relata Rebeca Tarragô. “Todos os nossos componentes são voltados para aplicações que envolvam a automação. Toda máquina ou equipamento industrial que realiza movimentação pode utilizar nossos componentes que são bastante procurados por sua alta resistência e baixo desgaste. Eles são considerados de “baixo custo” pois possuem a vida útil prolongada e evitam paradas constantes para manutenção ou falhas não planejadas devido à falhas na operação. Por isso para empresas que buscam automatizar processos, componentes desse tipo são valiosos”, explica. E nesse universo de alternativa, a igus tem uma linha de produtos voltada exclusivamente para aplicações robóticas. “Entendo que a abordagem tem foco em um contexto geral, mas temos uma frente que atua diretamente em robôs utilizados nas linhas de produção e também temos outra frente de produtos voltados para automação de baixo custo (nossa linha low-cost Automation) que conta com robôs modulares que podem realizar tarefas simples e rotineiras, como as de pick & place”, esclarece. Quem deseja conhecer melhor alguns produtos pode acessar sites específicos: Linha de componentes robóticos para robôs manipuladores: www.igus.com.br/robotics; Linha de automação de baixo custo: https:// www.igus.com.br/robolink/robot?tab=1; https://www.igus.com.br/info/robotics-delta-robot e https://www.igus.com.br/info/drive-technology-drylin-e-startpage. “Automatizar tarefas simples de forma rápida, fácil e econômica: é esse o nosso objetivo com seus produtos de automação de baixo custo”, ressalta a executiva.

Produtos da linha dos smart plastics

A igus revela que com a com a chegada da indústria 4.0 diversas empresas tem buscado soluções para melhorar suas estratégias de manutenção que visem melhorar o desempenho e disponibilidade das máquinas e sistemas que operam nas linhas de produção e que podem aumentar a rentabilidade do negócio. “Os plásticos inteligentes são uma alternativa excelente para todos os setores industriais onde falhas operacionais podem custar caro para a operação e impactar gravemente linhas de produção, onde o desgaste de componentes pode ser algo crítico, possibilitando que as empresas consigam monitorar constantemente suas operações e saber exatamente o momento em que um componente precisa ser substituído. Todos os setores industriais que adotam a manutenção preventiva como uma estratégia para maximizar a produtividade e reduzir custos podem ser beneficiados com os plásticos inteligentes da igus”, informa Rebeca Tarragô.


A executiva ressalta que os produtos da igus feitos de plástico se tornam inteligentes por conta dos sistemas e módulos isense integrados à eles. A família de produtos igus® isense inclui diversos sensores e módulos de monitoramento. Durante a operação em andamento, eles detectam o grau de desgaste e emitem um alarme assim que o reparo ou a substituição é necessário. A conexão em rede por meio do módulo de comunicação igus® (iCOM) permite a integração direta na infraestrutura da empresa. “Cenários muito diferentes, como monitoramento contínuo ou acionamento automático de manutenção, são muito fáceis de programar”, observa. E acrescenta: “A opção de integrar os sistemas dos plásticos inteligentes traz outras vantagens: cálculo da vida útil individual e otimização dos processos de negócios e operação. Isso inclui conseguir se organizar previamente para realizar trabalhos de manutenção ou solicitar peças de reposição de maneira preventiva, sem muito esforço, por exemplo.

Interação com Indústria 4.0

Nas relações que envolvem benefícios da indústria avançada, Rebeca Tarrago informa que todos os produtos são componentes que podem ser empregados em soluções desenvolvidas para a indústria 4.0, em toda máquina ou equipamento que realize a movimentação, nossas soluções poderão fazer a diferença e continuar levando redução de custos e durabilidade. “Recentemente lançamos os Smart plastics, uma linha de produtos com foco direto na indústria 4.0 – então os plásticos inteligentes consistem em nossas soluções de produtos do nosso portfólio junto com módulos isenses® (sensores inteligentes que vão dentro ou sobre o produto que são instalados juntos)”, revela. Os plásticos inteligentes aumentam a proteção contra falhas. Eles conseguem prever a data de substituição durante a operação em andamento e se integram perfeitamente aos processos (manutenção preditiva). A executiva comenta brevemente algumas das soluções lançadas pela igus: Esteiras porta cabos inteligentes - dentro das linhas, temos diversos módulos que podem ser integrados com ele, o isense EC.W, o icare move...) em diversos modelos de esteiras. Cada um dos módulos tem uma função, que podem ser desde medir o desgaste, avaliar possíveis quebras e falhas do equipamento, forças de tração e compressão e monitorar todo movimento e operação do item ao longo do tempo. O EC.W, por exemplo: esses sistemas monitoram o grau de desgaste das esteiras porta cabos por meio de um chip sensor integrado, indicando o tempo de vida útil do produto durante a operação e

sinalizam o operador quando é necessário a substituição, aumentando a confiabilidade do equipamento, evitando o desgaste da máquina, possibilitando a manutenção preventiva e evitando o desligamento ou parada total da máquina... Assim, uma esteira que atuando por diversos anos em uma máquina, e a abrasão for tão extrema que pode danificar a esteira, o chip irá emitir um alarme e aí o reparo pode ser planejado antecipadamente de acordo com a vida útil restante do componente. Assim o tempo de inatividade é eliminado ou minimizado. • Cabos inteligentes - Nesse caso, fios de medições adicionais são usados para verificar continuamente se uma falha no cabo é iminente. Se a condutividade cair abaixo de um limite definido, um sinal será enviado diretamente o cabo poderá ser substituído. Cada cabo chainflex® da igus pode ser conectado ao isense CF.Q. Esse sistema mede vários parâmetros e compara continuamente com os dados de teste das milhares medições elétricas realizadas nos últimos 25 anos no laboratório de testes da empresa. Se determinados valores de medição forem excedidos, o cabo "informa" o operador, que então planeja a substituição. Parâmetros de instalação como deslocamento, raios de curvatura, velocidades e, é claro, as características do respectivo tipo de chainflex® tornam-se parte da "inteligência" do cabo. • Guias lineares inteligentes - Um sensor integrado no plástico da bucha interna emite um sinal quando o grau de desgaste provoca a falha de uma guia linear. A substituição da bucha de plástico em tempo hábil evita falhas não planejadas e custos desnecessários. Nesse caso o isense DL.W (módulo de sensor inteligente) reconhece que uma falha está prestes à acontecer devido ao desgaste e o operador é automaticamente informado. Os técnicos que desejarem mais informações podem contatar a igus. Rebeca Tarragô reforça a importância da automação industrial e da robótica podem trazer ao transformador de plásticos que busca benefícios e mais eficiência e competitividade. “As principais vantagens são redução de custos de manutenção, redução de tempo de inatividade, vida útil longa, melhoria do tempo de ciclo, economia de tempo - apuração e verificação mais rápida das causas das anomalias e falhas sistêmicas e redução do consumo de energia. “Sabemos também que a maioria das empresas ainda trabalham com manutenção corretiva e poucas fazem corretamente a manutenção preventiva, mas vejo que o cenário está mudando... Diversas empresas tem solicitado maiores informações sobre esses <<< Plástico Sul < 21


EspecialAutomação e Indústria 4.0 produtos, uma vez que a indústria 4.0 está cada vez mais em alta e a busca por melhorias contínuas que aumentem a eficiência produtiva e lucratividade são de suma importância para as empresas que querem se manter competitivas” salienta Rebeca Tarragô. E finaliza seu comentário com uma afirmação tácita: “Acredito que o futuro da indústria seja esse, afinal, é sempre importante buscar estratégias que possam aumentar a produtividade e reduzir custos”.

Schneider Electric e o ecossistema conectado

Com grande atuação internacional, a Schneider Electric é um grupo multinacional francês, especializado em produtos e serviços para distribuição elétrica, controle e automação, com sede em Rueil-Malmaison e presente em 190 países. Um dos diferenciais da SE no processo industrial é sua vocação para a sustentabilidade. Carlos Urbano, diretor de Automação Industrial da empresa, comenta sobre a linha de produtos disponibilizados que se enquadram nesse cenário de eficiência. “A Schneider Electric trabalha com o conceito de Ecossistema integrado e agnóstico, o

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EcostruxureMachine é um ecossistema de produtos e soluções que são conectáveis e que, por meio desta conexão, geram dados suficientes para análises. Com isso, é possível visualizar desde a camada de chão de fábrica e operação, até a gestão do processo de produção, ou seja, podemos oferecer solução para todo o processo industrial por meio de componentes de automação que irão operar uma máquina, como PLCs, sensores, botões e Drives até os softwares de supervisão e gestão. Todos conectados em multiprotocolos e em nuvem também”, ressalta o executivo. O diretor explica como o sistema funciona no segmento plástico. “Para a indústria de plástico, isso pode ser visto na gestão da produção, como gerenciamento de disponibilidade de máquina, manutenção - por meio de conexões remotas -, apoio ao operador e aos alarmes, treinamentos digitais através de realidade aumentada, até a gestão do processo, podendo auxiliar na gestão de insumos e logística, por exemplo”, diz. Quanto à relação da linha de produtos com a indústria 4.0, Carlos Urbano destaca que “por meio deste ecossistema integrado e conectado que é uma premissa da Indústria 4.0, o Ecostruxure oferece total alinhamento com a evolução digital. Isso porque oferece a possibilidade de conexão e monitoramento de dados, deixando a gestão da produção simples e eficiente”, explica. Sobre benefícios e ganhos de produção que a automação e a robótica podem trazer ao transformador de plásticos, o executivo fez questão de focalizar os detalhes: “É importante destacar que a Schneider Electric lançou um programa chamado "Jornada de alta performance" que tem por objetivo oferecer ao mercado de fabricação e integração de máquinas toda a tecnologia disponível para que o processo produtivo seja eficiente, seguro e de qualidade. Dentre os benefícios que a solução de alta performance traz (robôs industriais, PLCs de alta velocidade, softwares de gestão), é possível contar com redução de custos operacionais, pois com a solução de manutenção e monitoramento remoto o custo de manutenção de uma planta chega a reduzir cerca de 50%,” enfatiza. O executivo também destaca que, “além disso, a competitividade aumenta pelo fato de o processo ser mais preciso e previsível, ou seja, os insumos são comprados de acordo com a necessidade, o que garante a qualidade, além do benefício a quem "coloca" o sistema para funcionar, pois o time to market de uma planta reduz cerca de 30%”, completa.


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Um caminho sem volta

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indústria de reciclagem no Brasil avança de forma expressiva rumo a estradas circulares, tentando deixar para traz um passo linear, onde tudo terminava no lixo. Na atualidade, há uma preocupação cada vez maior em criar soluções que facilitem o processo e que possibilitem resinas recicladas com maior qualidade. A ideia é que nada seja descartado incorretamente e o conceito de lixo já não existe mais: tudo é resíduo passível de reaproveitamento. Há os que acham que a economia circular seja apenas um discurso politicamente correto da indústria. Porém quem está dentro do setor enxerga facilmente as ações e os desenvolvimentos práticos tanto na área de matérias-primas quanto de maquinários. E os números de desempenho da reciclagem no país mostram claramente isso. Recentemente foi apresentado ao mercado estudo sobre o tamanho da reciclagem no Brasil, encomendado pelo Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), parceria da Associação Bra-

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sileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), e da Braskem, e realizado pela MaxiQuim, com dados referentes ao ano de 2018 . O ponto de partida do estudo foi um mapeamento das indústrias de reciclagem mecânica de plásticos. Foram encontradas 716 empresas em operação, sendo que a maioria da recicladoras (88,54%) encontra-se nas regiões sul e sudeste do país. Fora dessas regiões, o estado da Bahia se destaca com 17 empresas recicladoras.Em 2018, o faturamento bruto da indústria da reciclagem foi de R$ 2,4 bilhões, com a geração de 18,6 mil empregos e capacidade instalada de 1,8 milhão de toneladas de plásticos.Após esse mapeamento inicial, foram realizadas entrevistas individuais com 144 indústrias, 20% do universo nacional de recicladores, com o objetivo de entender melhor o volume de plástico reciclado, seu destino, os tipos de plásticos mais reciclados e estabelecer o índice de reciclagem do plástico. Segundo o estudo, 3,4 milhões de toneladas de resíduo plástico pós-consumo foram geradas em 2018, sendo que 991 mil toneladas tiveram como destino a coleta seletiva, as cooperativas, os centros de triagem e/ou os sucateiros. Desse volume, 234 mil toneladas ainda se perderam no processo de reciclagem e acabaram tendo como destino os aterros. Dessa forma, o volume total de resíduos plásticos pós-consumo reciclados mecanicamente em 2018 foi de 757 mil toneladas.“O último estudo que realizamos, em 2016, apontou um volume de resíduos plásticos reciclado de 550 mil toneladas. Ou seja, em dois anos, tivemos um crescimento de 37% na quantidade de plástico reciclado o que aponta para uma evolução do setor”, explica Simone Carvalho do comitê técnico do PICPlast.O volume total de resíduo plástico consumido em 2018 foi de 1,3 milhão de toneladas, sendo que 34% foi gerado por PET, 21% por PEBD / PEBDL e 18% de PP.

Origem do plástico

Conforme o estudo, a maioria do plástico reciclado tem origem no uso doméstico (54,3%). O restante se divide entre pós-consumo não doméstico (17,3%) e resíduo pós-industrial (28,4%). Entre os plásticos de pós-consumo doméstico, 44,7% era PET e 17,5% era PEBD/ PELBD. O PET também foi o material mais reciclado após o consumo não doméstico. Entre os resíduos industriais, a divisão maior ficou entre PEBD/ PELBD (29%) ou PP (28%). “Entre o volume de plástico reciclado, 65% são artigos de uso único, que é a grande maioria dos resíduos destinados à reciclagem mecânica, com des-


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em PEBD/PELBD e 15% em PP. 18% do plástico reciclado é utilizado pela indústria de Higiene Pessoal e Limpeza Doméstica, 13% na Construção Civil, 10% no segmento de Bebidas, lembrando que na indústria de resinas recicladas apenas o PET tem regulação válida da ANVISA para contato com alimentos e bebidas, 9% no segmento de vestuário e têxtil e 9% em utilidades domésticas.

O plástico pós-consumo gerado

Segundo o estudo, 3,4 milhões de toneladas de resíduo plástico pós-consumo foram geradas em 2018

taque para as embalagens”, explica Solange Stumpf, sócia da MaxiQuim. A matéria-prima chegou aos recicladores por meio das próprias indústrias plásticas, (28%), pelos sucateiros (28%), pelos beneficiadores (15%), cooperativas (15%), empresas de gestão de resíduos (11%), catadores (11%) e direto da fonte geradora (2%). A maioria do resíduo consumido veio do Sudeste do país (50%), seguido pelo Sul (29%), Nordeste (11%), Centro Oeste (6%) e Norte (4%). Aproximadamente 33,5% (ou 421 mil toneladas) do volume de resíduo consumido não provêm do mesmo estado sede dos recicladores. “Isso ocorre porque os recicladores estão concentrados nos grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, e apesar desses lugares possuírem coleta seletiva, a quantidade coletada não é suficiente para a capacidade instalada das recicladoras, complementa Solange.

Perdas no processo de reciclagem

O volume de resíduos plásticos que se perdem no processo de reciclagem é de 159 mil toneladas. Sendo o PET responsável por (54,3%). “O principal motivo das perdas ainda é a contaminação da sucata plástica com materiais indesejados, devido à triagem desqualificada. Além disso, materiais com adesivos, sujeira orgânica e, dependendo do material, cores indesejadas, contribuem para o descarte da sucata adquirida”, complementa Solange. Ainda de acordo com a pesquisa, das 757 mil toneladas de resíduos reciclados, 328 mil toneladas ou 43,3% foram transformadas em PET seguidas de 18% transformadas em PEAD e 17% 26 > Plástico Sul >>>

Em 2016, haviam sido geradas 2,1 milhões de toneladas de plástico pós- consumo. Em 2018 esse índice é 61% maior, chegando a 3,4 milhões de toneladas de resíduos plásticos. Desse total, 35% eram PEBD / PELBD, 23% eram PP, 18% PET e 14% PEAD. A maioria (52%) dos resíduos vem do Sudeste, sendo o Estado de São Paulo responsável por 30%.“Vemos um crescente aumento da geração de plástico pós-consumo assim como ficamos bem animados de perceber que mais de 750 mil toneladas de resíduos plásticos foram recicladas, mesmo com a coleta seletiva e a reciclagem dos materiais restritas aos grandes centros. Se compararmos com outros países da União Europeia ou dos Estados Unidos, sabemos que fazemos um excelente trabalho de reciclagem mecânica. Contudo precisamos evoluir também na reciclagem energética, já que os plásticos são fundamentais no processo e já servem como combustível para que o processo ocorra com eficiência, bem como na reciclagem química”, finaliza Solange.

Tecnologias que transformam

Para tornar a reciclagem mais aprimorada e dinâmica, os fabricantes de máquinas e equipamento esmeram-se para desenvolver tecnologias inovadoras. É o caso, por exemplo, do Grupo Wortex, fundado em 1976, com sede na cidade de Campinas/SP. A Companhia possui uma área integrada de 22.000m², com maquinários, laboratórios, equipamentos de última geração e um quadro de funcionários altamente treinados. Segundo o diretor Paolo De Filippis, novos tempos requerem novas tecnologias. “A indústria de plástico e de reciclagem em particular, tem se defrontado com desafios cada vez mais complexos no que tange ao processamento de novos materiais e necessidades de mercado”, explica. Para o empresário, a ideia da economia circular tem sido o novo norte que permitirá, cada vez mais, a utilização de materiais termoplásticos. “Frente a esse desafio, a Wortex, dentro da sua filosofia de inovação constante, e busca de novas tecnologias, tem desenvolvido equipamentos que permitirão as empresas enfrentar esses novos desafios de forma eficiente e econômica”, esclarece. Neste sentido, a nova linha Challenger Recycler Geração II Ultra-Mix do Grupo Wortex,


permite o processamento de materiais rígidos, flexíveis, aglutinados, semi-aglutinados, impressos, PEAD, PEBD, PP, multi-camadas, ABS, policarbonato, PSAI, PBT, nylon 66, polinylon, blendas de materiais compostos. “Todos os materiais acima podem ser processados na mesma máquina, com pequenas mudanças. Essa tecnologia incorpora novos métodos de mixagem no sistema de extrusão, com ideias inéditas no mercado”, pontua De Filippis. Para encarar esse novo mercado, a Wortex se reinventou criando um Grupo de duas empresas: a Wortex Máquinas e Equipamentos, com o objetivo específico de atender a indústria de reciclagem com máquinas e tecnologia cada vez mais avançadas; e a Wortex Roscas e Cilindros, objetivando a melhoria no atendimento da fabricação de Roscas e Cilindros para a indústria de Injeção, Sopro e Extrusão. Todos os produtos e equipamentos são 100% fabricados pelo Grupo Wortex. Sobre desempenho de mercado o empresário destaca o crescimento apesar das adversidades. Ele explica que a Wortex Roscas, mesmo com a crise do Covid-19, teve sua produção de Roscas e Cilindros, com aumento em torno de 30%, referente ao mesmo período de 2018. “O mesmo acontece com a Wortex Máquinas, cuja produção nos surpreendeu e aumentou em torno de 15% em relação ao mesmo período de 2018”, diz. De Filippis acrescenta que a partir de junho a demanda por orçamentos cresceu exponencialmente. Portanto, espera fechar 2020 com um aumento em relação ao faturamento de 2019.

TOMRA Sorting Recycling lança novidades

O dia 9 de junho de 2020 marcou o lançamento global das novidades e avançadas soluções de seleção da TOMRA Sorting Recycling para atender à demanda por triagem de material mais rápida, eficiente e inteligente - agora e no futuro. Sob o tema "Sinfonia de todos os tipos", a TOMRA Sorting Recycling lançou formalmente dois novos produtos - a nova geração da tecnologia AUTOSORT® e o AUTOSORT® SPEEDAIR da TOMRA, e também apresentou planos para o lançamento de uma terceira novidade, o AUTOSORT® CYBOT. Os lançamentos de produtos deveriam ocorrer originalmente na IFAT 2020, mas com o evento cancelado devido a COVID-19, a TOMRA adaptou seus planos e, em vez disso, lançou os novos produtos de forma digital. O tema "Sinfonia de todos os tipos" da TOMRA foi escolhido para refletir a maneira como o AUTOSORT® de última geração e seus produtos complementares criam uma sinfonia perfeitamente harmonizada para selecionar todos os tipos de resíduos com precisão e sofisticação avançadas.

O sistema de seleção baseado em sensores altamente compacto pode ser usado para diversas aplicações de separação de materiais. Compacto, altamente flexível e atualizável, o AUTOSORT® reúne as mais recentes tecnologias da TOMRA para oferecer alta precisão de tarefas complexas de separação com alta capacidade. O sistema pode ser facilmente integrado a qualquer processo de seleção existente ou novo, como confirmou um grande número de projetos-piloto iniciais. Equipado com diversos sensores e utilizando análise de dados para identificar os objetos, o sistema é capaz de separar materiais difíceis ou anteriormente impossíveis de serem separados usando tecnologias convencionais. Incorporada como item de série no mais recente AUTOSORT® está a tecnologia SHARP EYE da TOMRA, que aumenta a intensidade da iluminação enquanto mantém o mesmo consumo de energia, aprimora a nitidez da seleção e melhora a eficiência de separação de frações complexas. O sistema também apresenta uma nova versão e aprimorada da tecnologia de detecção avançada FLYING BEAM® exclusiva e patenteada da TOMRA, que oferece uma série de benefícios. Melhor eficiência de luz permite maior desempenho com baixos custos operacionais; design compacto permite instalação fácil e flexível; e a eficiência aprimorada do sinal de luz resulta em melhor detecção. Graças à integração da tecnologia SHARP EYE e FLYING BEAM®, o AUTOSORT® oferece consistentemente alto desempenho em termos de precisão de separação em todas as frações alvo - mesmo nas aplicações mais complexas. Entre os opcionais do sistema tem o novo DEEP LAISER, que se destaca por sua flexibilidade e diversidade de informações que é capaz de obter. O reconhecimento de objetos permite uma otimização mais profunda da identificação o que melhora significativamente o desempenho do processo de seleção. Outra área de aplicação é o uso de Inteligência Artificial via Deep Learning. O DEEP LAISER é um dos primeiros sistemas de Deep Learning totalmente integrados do mercado. Fabrizio Radice, vice-presidente comercial e marketing global da TOMRA Sorting Recycling, comenta: “Trabalhamos em estreita colaboração com nossos clientes e integradores de linhas completas para garantir que nossos produtos atendam consistentemente aos requisitos exigidos pelos clientes finais. Nosso sistema AUTOSORT nova geração é um desenvolvimento incrivelmente empolgante, pois o uso de sensores versáteis e software inteligente permitirá atender às demandas de toda uma série de aplicações de seleção atuais e futuras”. Os participantes do evento de lançamento <<< Plástico Sul < 27


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digital da TOMRA também conheceram outra novidade desenvolvida pela TOMRA - AUTOSORT® SPEEDAIR - um componente adicional da linha AUTOSORT® da TOMRA. O AUTOSORT® SPEEDAIR é um sistema altamente personalizável, projetado para estabilizar materiais leves, como filmes plásticos ou papel na esteira de aceleração, promovendo uma capacidade maior e melhorando a qualidade da seleção. A demanda da indústria por maiores capacidades reflete na necessidade de esteiras de aceleração com velocidades ainda mais alta, o AUTOSORT® SPEEDAIR incorpora entradas de ar acionadas por ventiladores controlados que geram um fluxo de ar constante sobre a esteira de aceleração para impedir que o material na esteira de aceleração se mova. Ao dobrar a velocidade das esteiras de aceleração para até 6 metros por segundo, a capacidade é muito maior e a qualidade da saída é consistentemente alta. Os clientes se beneficiam de um melhor retorno do investimento, além de menores custos de instalação e operação. Além disso, é o primeiro sistema no mercado sem fechamento sobre a esteira, o acesso à unidade para manutenção é muito mais rápido e a probabilidade de um bloqueio de material é muito menor em comparação aos sistemas convencionais no

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mercado, assim como o risco de parada do sistema. Além do lançamento da nova geração AUTOSORT® e AUTOSORT® SPEEDAIR, o terceiro e último produto mencionado no evento foi o lançamento do primeiro robô da TOMRA, o AUTOSORT CYBOT. O sistema compreende um scanner AUTOSORT nova geração, um sensor eletromagnético e um braço robótico. É o primeiro robô do mercado que combina quatro tecnologias ao mesmo tempo: espectroscopia de infravermelho próximo (NIR) e luz visível (VIS), DEEP LAISER e, se necessário, indução para recuperação de metais ferrosos e não ferrosos. O braço robótico AUTOSORT® CYBOT é capaz de separar simultaneamente o fluxo de material em quatro frações diferentes, dependendo do tamanho do material, cor e critérios das frações alvo. Com instalações de triagem e reciclagem que exigem níveis de automação ainda mais altos do que nunca, o AUTOSORT® CYBOT estará disponível em breve e é outro componente de valor agregado que complementa a linha AUTOSORT®, mas também pode operar como uma unidade autônoma. Antes de seu lançamento oficial, testes de material podem ser realizados no Centro de Testes da TOMRA para confirmar suas excelentes capacidades.


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PET ganha cada vez mais destaque na reciclagem de plásticos

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iversos fatores fazem do PET um dos tipos de plásticos mais reciclados no país. Para se ter uma ideia, o Brasil reciclou 55% das embalagens de PET descartadas pela população em 2019. O volume equivale a 311 mil toneladas do produto – 12% acima do registrado em 2018 –, que geraram um faturamento de mais de R$ 3,6 bilhões, o correspondente a 36% do faturamento total do setor do PET no Brasil. As informações são do 11º Censo da Reciclagem do PET no Brasil, elaborado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), com a participação de 160 empresas de todo o País. Esse grupo está dividido entre recicladores (22%); aplicadores, que são empresas que adquirem e utilizam o PET reciclado em seus produtos (70%); e integrados, que fazem a reciclagem e também utilizam o material na fabricação de itens que retornam ao mercado (8%). “O crescimento verificado em 2019 é reflexo do fortalecimento da economia circular, composta por uma indústria diversificada, que utiliza o PET reciclado em seus produtos. A criação dessa cadeia, feita ao longo de 20 anos, resulta em uma demanda consistente, que cria valor à reciclagem do PET”, afirma Auri Marçon, diretor executivo da Abipet. De acordo com o executivo, o desempenho brasileiro é superior ao de países desenvolvidos, como os Estados Unidos, por exemplo, que reciclam 29% de suas embalagens PET. Mesmo a União Europeia que, apesar de coletar 58,2% do PET pós-consumo, não recicla o material e envia boa parte dele para ser processado em outros países mais pobres. A amplitude no uso do PET reciclado acontece porque o Brasil é um líder mundial em diferentes aplicações para o PET reciclado, o que gera demanda pelo produto, revertido em faturamento e renda para diversos elos da sociedade. Os principais consumidores/aplicadores de PET reciclado no Brasil são os

fabricantes de pré-formas e garrafas, com 23% do total, num processo conhecido como “bottle to bottle”, principalmente em decorrência do aumento da produção de embalagens em grau alimentício (food grade), que nos últimos anos mostrou uma grande evolução tecnológica. Em seguida vem a indústria têxtil (22%), laminados e termoformados (bandejinhas) (17%), setor químico (15%) e fitas de arquear (10%). Outras aplicações respondem pelo uso dos 10% restantes do PET reciclado. Em razão dessa diversidade, o PET reciclado é encontrado em peças de vestuário – basicamente o poliéster utilizado na composição dos tecidos –, garrafas plásticas e embalagens utilizadas por grandes fabricantes de refrigerantes e bebidas, produtos de beleza e limpeza, tintas e vernizes, tapetes e carpetes automotivos, entre outros. O Censo realizado pela Abipet também identificou que, devido às limitações no sistema de coleta, as empresas de reciclagem trabalham, em média, com ociosidade superior a 30%. Isso significa que, em razão de investimentos já realizados, a indústria está pronta para absorver um eventual crescimento da reciclagem nos próximos anos. Para o Executivo da Abipet, no

entanto, esse aumento só virá a partir da construção de grandes centros de triagem para separar materiais recicláveis, do aumento da coleta seletiva e do número de cooperativas de catadores. “Somente essas iniciativas, associadas ao descarte correto feito pelos cidadãos, serão capazes de abastecer as linhas de reciclagem. Precisamos impedir que as embalagens continuem sendo enterradas em lixões e aterros, resultando em um desperdício de matéria-prima que poderia ser muito útil à sociedade, gerando emprego, renda e, obviamente, preservando o meio ambiente”, conclui.

Indústria em crescimento

As taxas de reciclagem estão aumentando como resultado da conscientização pública crescente e maior eficácia nas operações de reciclagem. E a indústria de máquinas e equipamentos para reciclagem de PET, por exemplo, não para de inovar. A STADLERplanejou e construiu mais de 20 plantas de triagem para garrafas plásticas mistas em todo o mundo, das quais mais de 10 dedicadas exclusivamente ao PET. Nesse contexto, o reciclado de PET deve se tornar cada vez mais importante devido a uma variedade de fatores, como explica Roland Göggel, diretor de vendas


da Alemanha, Áustria e Suíça na STADLER: “Até recentemente, não havia especificações para o uso de reciclados na fabricação de novos produtos, mas esse não é mais o caso. A UE introduziu novos regulamentos estipulando que as garrafas de bebidas devem conter 25% de conteúdo reciclado até 2025 e 30% até 2030. Tão importante quanto estes novos regulamentos é o surgimento de novas rotas de coleta e reciclagem de embalagens plásticas, que, juntamente com as mudanças no comportamento do consumidor, darão um enorme impulso na reciclagem. A indústria de fabricação e processamento de plásticos está agora demonstrando grande interesse na reciclagem, o que não era o caso no passado. No entanto, as metas estabelecidas pelo regulamento da UE só podem ser alcançadas se todos os setores envolvidos no processo trabalharem em conjunto”. As garrafas PET usadas são coletadas e entregues na usina de reciclagem, onde são removidos os rótulos e as tampas. As garrafas são classificadas por cor e tritu-

radas. O material é lavado, seco e descontaminado, depois derretido a 270°C e granulado. O produto resultante, chamado de "regranulado", é misturado com novos granulados e derretido, depois levado a máquinas de moldagem por injeção para produzir "pré-formas" para novas garrafas PET. As pré-formas são transportadas para a fábrica de envase, onde são aquecidas e sopradas em garrafas PET. Depois de limpas e etiquetadas, as garrafas estão prontas para recarga e venda. O círculo é fechado quando elas começam uma nova vida. Para que a reciclagem cumpra seu papel de abordar a questão dos resíduos de plástico na indústria de PET, ela precisa de processos eficientes e produtos finais de alta qualidade que possam competir com materiais virgens no mercado - é precisamente aqui que a STADLER pode fazer toda a diferença: “Entendemos a tecnologia do processo durante todo o ciclo de vida do material ”, explica Roland Göggel. “Isso significa que podemos projetar a combinação ideal de tecnologias e usá-las de

maneira mais eficaz em termos de considerações de custo-benefício do cliente. Muito importante, a STADLER sempre tem responsabilidade geral no projeto, para que sempre forneçamos aos nossos clientes um conhecimento especializado em todos os aspetos do processo”. As garrafas PET usadas podem ser um recurso valioso para o setor de embalagens e outras indústrias e podem desempenhar um papel importante no tratamento do impacto ambiental do plástico. No entanto, continua subutilizado em muitas áreas. A STADLER viu uma oportunidade de fechar o círculo de reciclagem e fez uma parceria com a KRONES, um nome bem estabelecido nas indústrias de alimentos e bebidas. Os dois parceiros têm como objetivo aproveitar as vantagens da reciclagem de plásticos para clientes em todo o mundo para beneficiar os clientes da maneira mais simples e lucrativa possível. "Queremos fornecer aos nossos clientes a produção de material da mais alta qualidade do setor", explica Willi Stadler, CEO da STADLER.

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Exxonmobil destaca VistamaxxTM na busca por produtos reciclados de qualidade Ricardo Vereta, Market Development Lead – Latin America & Mexico Patricia Negrini, South America Customer Application Development

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tuante na área de reciclagem através do polímero de alto desempenho VistamaxxTM, a ExxonMobil tem se destacado muito neste setor e o momento de combate ao coronavírus também está sendo uma oportunidade de mostrar tanto os benefícios do material plástico de forma geral, quanto do polímero em específico. “Com o avanço da pandemia, observamos um grande aumento na demanda de polipropilenos e VistamaxxTM para equipamentos de proteção como máscaras e face shield, assim como de polietilenos usados em embalagens plásticas para alimentos e produtos de higiene”, explica Ricardo Vereta, Market Development Lead – Latin America & Mexico. Os copolímeros de polipropileno com alto conteúdo de etileno são produzidos a partir de catalisador metalocênico, o que alia propriedades elastoméricas como flexibilidade e resistência ao impacto, alta transparência e processabilidade similar às poliolefinas tradicionais. Conforme a South America Customer Application Development, Patrícia Negrini, existem diversas linhas de VistamaxxTM, cada qual direcionada à determinados segmentos de aplicação e dependendo do grade utilizado. A executiva cita algumas aplicações, como:adesivos como hot melt, não-tecidos, trazendo elasticidade e toque suave,filmes stretch, atuando

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como agente de pega,filmes elásticos,filmes polipropileno para embalagens, melhorando a soldabilidade, modificador de impacto em artigos rígidos,melhorador de resistência ao stress cracking para peças rígidas em PEAD, promotor de fluxo,compatibilizante para misturas de PE/PP em materiais reciclados,dispersante para masterbatches de cor e cargas minerais; e modificador de asfalto. A crescente demanda pelo produto, segundo Ricardo Vereta, está muito embasada na busca de produtos reciclados de alta qualidade por parte dos brand owners, fazendo com que o reciclador mude a mentalidade de produzir materiais reciclados de baixa qualidade e comece a priorizar a produção de materiais reciclados melhor selecionados e formulados para atingir os requisitos técnicos mais exigentes. “Os polímeros de alto desempenho VistamaxxTM são fundamentais para alcançar os objetivos dessa nova demanda”, explica Vereta. O executivo acredita que o desempenho da reciclagem brasileira tem avançado nos últimos anos, mas ainda é preciso melhorar bastante o sistema de coleta e seleção de resíduos para que com isso aumente a oferta de resinas recicladas de alta qualidade no mercado. Nesse cenário, omercado brasileiro se torna um terreno fértil para o uso dos polímeros de alto desempenho VistamaxxTM devido às diversas oportunidades de aplicação em

reciclagem. “Temos acompanhado uma crescente no desenvolvimento de novos negócios”, afirma Vereta. Para Patricia Negrini, o principal desafio no setor de reciclagem é a conscientização da população quanto ao descarte correto das embalagens e produtos. O uso de material pós-consumo (PCR) é fundamental para suprir a demanda da indústria, contudo, o descarte inadequado, a dificuldade na coleta e a seleção adequada dos materiais são pontos de atenção. “Além disso, vemos pouco ou nenhum incentivo governamental para produtos de sustentabilidade”, lamenta a executiva. Para Patrícia, quanto às questões técnicas, devido a dificuldade em obter um reciclado selecionado, normalmente são encontrados contaminantes, os quais empobrecem as características do produto ou mesmo inviabilizam sua utilização. “Com os polimeros de alto desempenho VistamaxxTM, é possível compatibilizar as fases PE e PP do reciclado, promovendo uma interface adequada entre os materiais, homogeneidade, propriedades mecânicas e aparência superiores”, explica. Patrícia cita como exemplo dois casos diferentes: primeiro o projeto com a Atando Cabos, onde cordas compostas por PP+PE são recolhidas dos oceanos da patagonia e são transformadas em caixas e pallets. O segundo exemplo é de um cliente que produz móveis plásticos como cadeiras e mesas. “Sua disponibilidade de material reciclado PCR não é constante e por isso, tivemos que encontrar uma solução que incluia 15 a 30% de polipropileno virgem”, detalha. Patrícia acrescenta ainda que, além dos polímeros de alto desempenho VistamaxxTM, a Exxonmobil conta também com um portifólio completo de soluções para o mercado plastico, como a linha ExactTM, um POE C2/C8 que confere excelentes propriedades de impacto à baixa temperatura para aplicações que não requerem transparência, bem como uma linha completa e diferenciada de polipropilenos e polietilenos de alta performance para aplicações diversas.


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A visão do reciclador

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empresário Rafael Sette tem grande experiência na área de reciclagem. Em 2019 iniciou mais um desafio em sua trajetória, fundando a Mtech Plásticos Circulares, com o propósito de trabalhar dentro dos conceitos da nova Economia Circular com produtos que tenham o design circular a partir da reciclagem de plásticos pós-consumo e pós-indústria.O ano teve excelentes resultados, mas a pandemia surgida em 2020 freou as perspectivas de resultados melhores. “Nossa expectativa era de dobrar o faturamento, mas a previsão no momento é fechar 30% abaixo de 2019”, revela Sette. E o que esperar de 2021? O empresário segue acreditando na retomada e na prosperidade da indústria. “Será maravilhoso! Acho que a economia volta a aquecer e a procura por materiais reciclados será uma crescente na próxima década”, prevê Sette.Para alcançar os objetivos de crescimento da empresa, Sette aposta em parcerias. “Estamos com o foco constante em inovação e fazendo parcerias para novas aplicações de nossas chapas e resinas circulares como linhas de utensílios domésticos, pet Shops, salões de beleza, brinquedos e mobiliários urbanos”, explica. Todos os prognósticos realmente levam à ascensão da cadeia de reciclagem no Brasil, já que a economia linear faz cada vez menos sentido numa sociedade consciente e numa indústria engajada. Mas há obstáculos a serem ultrapassados. “Os

empresa privada com objetivos socioambientais relacionados à cadeia do plástico e demais materiais com potencial para reciclagem. O instituto foi criado para atender aos anseios da indústria do plástico em sua necessidade de aprimorar os mecanismos e conhecimentos de coleta seletiva, logística reversa e reciclagem pela sociedade. Já o Sementes do Plástico é uma iniciativa socioeducativa do Instituto Soul Ambiental, atendendo aos anseios da indústria de transformação de plástico e da sociedade, para incentivar, através de soluções ambientais, de ferramentas da educação ambiental e da logística reversa, a correta separação e destinação dos resíduos sólidos de plásticos para reciclagem, e com soluções criativas, tecnológicas e industriais para a transformação em novos produtos.

desafios são imensos na mesma proporção que as oportunidades aparecem. É necessária uma legislação mais clara e justa com relação à logística reversa e coleta seletiva”, aponta o empresário, que ressalta ainda a importância da educação ambiental nas escolas, do incentivo ao uso de materiais reciclados e do design de produto que aumente sua reciclabilidade.

Ação social eleva propósito

O objetivo da economia circular já é nobre por natureza. Pensar em minimizar os impactos ambientais e transformar resíduos em novos produtos, além de sustentável, gera emprego e renda a diversos elos da indústria de reciclagem mecânica. Mas e quando se alia economia circular com ação social e consciência ambiental? O resultado só pode ser positivo. “A Mtech está conectada como Recicladora ao Programa Sementes do Plástico do Instituto Soul Ambiental, apoiado pelo Simperj e Abiplast, que conecta projetos sociais com a cadeia de reciclagem de plástico do estado do Rio Janeiro (RJ), fazendo com que resíduos plásticos virem moeda gerando recurso para esses projetos”, explica Sette. O empresário revela que através da reciclagem do plástico, a Mtech já proporcionou a doação de mais de 150 cadeiras de rodas para pessoas com problemas de mobilidade e mais de 80 cirurgias de castração em animais em situação de rua foram conquistadas. O Instituto Soul Ambiental é uma <<< Plástico Sul < 33


Bloco

de Notas

JCOMP/FREEPIK

Anunciantes

Branqs Bühler Cromex Exxonmobil Imerys MMS NZ Cooperpolymer Procolor Replas Sepro Termocolor Wortex

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Com iPack, Termotécnica oferece competitividade e flexibilidade para vendas no e-commerce

Com a ampliação das vendas por e-commerce, em especial de categorias com maior recorrência, vêm também os desafios. O principal deles é a logística. Além do tempo de entrega, o novo parâmetro de exigência dos consumidores vai demandar que as empresas invistam mais em parcerias e soluções para garantir a qualidade do produto que chega à casa das pessoas. A maior parte dos produtos comercializado por esse canal, principalmente os mais frágeis e de alto valor agregado, como louças, bebidas finas, eletrodomésticos, são protegidos por uma embalagem de EPS (isopor® - marca de terceiro). Atendendo a essas mudanças, o conceito iPack desenvolvido e patenteado pela Termotécnica tem todos os atributos de preservação e proteção requeridos por este novo canal de venda e escoamento de produtos. Pensado de forma a unificar plataformas de produtos e simplificar processos de embalamento, o iPack permite a distribuição de produtos pelos mais diversos modais de transporte, sendo em cargas fechadas ou fracionadas. “Novos tempos, requerem novas soluções e o Ipack permite toda esta mobilidade”, afirma o executivo de vendas da Termotécnica. O iPack, solução inteligente de embalagens e componentes da Termotécnica para atender a Linha Branca, Linha Marrom, Automotivo e Embalagens Especiais, apresenta uma solução inovadora e otimizada. A partir de um trabalho de engenharia customizada junto aos fabricantes, há a possibilidade de embalar vários produtos e modelos com otimização de moldes. Isso acontece porque as embalagens inteligentes iPack são projetadas para serem flexíveis, adaptando-se a vários itens de uma mesma linha. Além de reduzir a absorção de impactos no transporte, manter e melhorar a exposição no varejo reduzindo o contato humano com os produtos em toda a cadeia.


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