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Ano VIII - 2012 - nยบ 56

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Publicação:

O produtor brasileiro está com a bola toda!!! O Dia do Agricultor foi comemorado em 28 de julho com muita alegria, pelo menos, no Brasil, onde o agronegócio vai muito bem. Uma notícia, em especial, chamou a atenção, a pesquisa realizada pelo Ipea, onde ficou constatado que o produtor rural brasileiro é mais eficiente que o norte-americano em algumas categorias. Lógico que, uma grande parcela dos nossos produtores ainda continua a produzir pouco. De posse dos dados a Presidente Dilma disse que quer incluir esses pequenos produtores dentro da faixa produtiva. Um país que se importa com o futuro investe em pesquisa. A Embrapa tem cumprido um excelente papel e investido em novas pesquisas e no seu quadro de pesquisadores. O Diretor-Presidente, Pedro Passos, nos concedeu uma entrevista onde mostra o que a Embrapa tem feito pelo agronegócio brasileiro. As parcerias com outros órgãos de pesquisa nos demais continentes têm trazido inúmeros benefícios para a agropecuária no nosso país. Nesse momento de euforia em que os Estados Unidos tiveram

uma quebra enorme de sua safra, cresce a euforia e a demanda por novas fronteiras a serem abertas para o aumento da produção. O consultor Ênio Fernandes mostra a oportunidade e alerta para o risco de endividamento. Enquanto isso, uma outra matéria mostra a migração para o norte do Mato Grosso em áreas de pastagens e mostra os preços altos da terra. Além de tudo isso, ainda mostraremos as novidades do Código Florestal, o calendário do vazio sanitário e a necessidade de produção de mais energia. Uma novidade boa é a disponibilidade da Revista Plantar para tablets e smartphones nos sistemas Android e Apple. Busque o aplicativo, baixe a revista na íntegra e informe-se.

Edição 56 - Revista Plantar - Ano 2012 Uma publicação da Monte Rio Editora CNPJ: 02.673.050/0001-65 Editor Divino Onaldo Silva divino.onaldo@hotmail.com Diretora Administrativa e Financeira Ediene de Souza Costa edienecosta@hotmail.com Diretor Comercial - Goiás Alaor Braz Vieira dos Reis alaor.revistaplantar@gmail.com Diretor Comercial - Distrito Federal Regis Tadeu dos Santos regis@universalmidia.com.br Diretor de Artes Naur Cavalcante Arte@revistaplantar.com.br Jornalista Responsável Lays Almeida MTb 16345 - MG lays@revistaplantar.com.br Estagiárias Lidiane Guimarães Mirelle Vitorino Editora de Texto Mara Costa Designer Gráfico Joaquim Dias da Costa Neto Fotografia Volnei Mendonça CTP e Impressão Gráfica Renascer

Boa leitura a todos,

Divino Onaldo Editor

Dê a sua opinião ou sugestão: Envie um e-mail: contato@revistaplantar.com.br A Revista Plantar também está presente nas redes sociais:

Endereços para correspondência GOIÁS Rua Nizo Jaime de Gusmão, nº 1200, Praça 5 de Agosto - Centro Rio Verde - Goiás - CEP: 75.901-140 Tel.: (64) 3623-2818 E-mail: contato@revistaplantar.com.br Escritório São Paulo Avenida Lino de Almeida Pires, nº 282 Vila Guarani - São Paulo - SP - CEP: 04317-180 Telefone: 11 4102-3480 Email: comercial.sp@universalmidia.com.br Escritório Brasília SRES Quadra 4, Bloco X, Lote 56 – Cruzeiro Velho Brasília – DF – CEP 70.648-243 Tel. (61) 3233-8230 Email. faleconosco@universalmidia.com.br Email: comercial.df@universalmidia.com.br Distribuição: Nacional Dirigida: Governos dos Estados do Brasil - Prefeituras Associações - Federações - ONG`s - Bureau de Aeroportos Embaixadas - Setor Produtivo Comercial e Industrial . Distribuição Nacional Saturada: Produtores Rurais, Engenheiros Agrônomos, Veterinários, Cooperativas, Sindicatos Rurais, Universidades, Órgãos Públicos Municipais, Estaduais e Federais. A Revista Plantar não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidos nos seus encartes publicitários, anúncios, artigos assinados, informes publicitários ou por nossos colaboradores, não tendo nenhum vínculo empregatício com os mesmos.

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ATUALIDADES SAFRA DE GRÃOS

Safra Recorde

EXPORTAÇÃO

Agronegócio impulsiona exportações brasileiras e acordo com o levanD tamento do Ministério da Agricultura a participa-

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safra de grãos em 2011/12 deve superar a barreira de 162,9 milhões de toneladas registrados no ciclo passado e quando foi considerada uma supersafra. Isso significa que pelo segundo período consecutivo a produção de grãos será recorde no país, apesar da estiagem em algumas regiões. Os dados são do décimo levantamento de safra divulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

AFRICA

Ministro apoia investimentos para a África O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, participou do lançamento do Fundo de Investimentos em Agricultura para o Corredor de Nacala que beneficiará a província de Nampula, no norte de Moçambique. “Não há mais espaço para ações isoladas. O que vemos aqui é a união de três países – Brasil, Japão, Moçambique – em busca do desenvolvimento agropecuário, por meio da pesquisa, da transparência de tecnologia, da busca de novos empreendedores e da implantação de projetos sustentáveis” destacou Mendes. Segundo o ministro, o Fundo de Investimentos será uma oportunidade à população daquele país de adquirir experiências em sistemas de produção ambientalmente corretos e economicamente viáveis.

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ção do agronegócio nas exportações totais brasileiras passou de 37,6% em junho de 2011 para 41,7% no mesmo período neste ano. As vendas para o exterior somaram US$ 8,07 bilhões no mesmo mês, enquanto que as importações totalizaram US$ 1,07 bilhão. Como resultado, o saldo da balança comercial do setor foi superavitário em US$ 7 bilhões. O complexo de soja foi o setor que teve melhor desempenho em valores exportados, com US$ 27,37 bilhões, o que representa 28,3% das vendas externas. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA

Prazo para desoneração tributária As desonerações tributárias que estão sendo estudadas pelo governo, para tentar estimular os investimentos e revitalizar o setor de etanol, podem ter um prazo de vigência de cinco anos. Este seria o período considerado necessário para que as empresas se reorganizem e se adaptem às novas condições de mercado. As vantagens valeriam para compras de novas colheitadeiras, por exemplo, ou a construção de novas fábricas. O governo também tem a possibilidade de diminuir, ou até mesmo zerar, o PIS e a Cofins do setor. Mas ainda não há consenso sobre o tamanho da redução do tributo.


ABÓBORAS

Abóboras de grande tamanho

O destaque da Abóbora Híbrida Tetsukabuto Chikara é o tamanho de seus frutos, que chegam a 3,5 quilos. Do tipo cabotiá, a Chikara apresenta frutos de excelente padrão e preenchimento interno, além de ótima conservação. Outra característica é a uniformidade dos frutos. A planta possui, ainda, rama vigorosa e sadia. No mercado nacional, as abóboras híbridas estão em expansão, tendo grande importância sócioeconômica em diferentes regiões do país. A produção se dá em quase todo o território nacional, o que torna o produto uma excelente opção para o produtor.

CACHAÇA MELANCIA

Melancia mais resistente

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melancia híbrida Explorer da Topseed Premium, da Agristar, tem tido boa aceitação no mercado. Os produtores garantem que a cultivar é resistente a viroses, que causam sérios prejuízos, principalmente quando o ataque se dá no início do desenvolvimento da cultura. A nova melancia possui resistência aos vírus Watermelon mosaic vírus (WMV) e Zucchini yellow mosaic virus (ZYMV). De acordo com o especialista em Desenvolvimento de Produtos da Agristar, Eduardo Cleto, outra característica da melancia é o tamanho da semente, que é maior que as demais variedades, ou seja, tem aproximadamente 11 sementes por grama. O tamanho grande proporciona plantas com arranque inicial mais rápido e capazes de melhor suportar condições adversas, como períodos de deficiência hídrica, principalmente no pós-plantio.

Venda de cachaça para os EUA cresce 12,62% De janeiro a junho de 2012, o volume de cachaça adquirido pelos Estados Unidos aumentou em 12,62%, se comparado aos primeiros seis meses de 2011. Até então, a cachaça brasileira era identificada nos Estados Unidos como Brazilian Rum (rum brasileiro), devido à forma de classificação das bebidas adotadas pela legislação local, que inseria os dois produtos na mesma categoria por utilizarem cana-de-açúcar como matéria-prima. Agora, as bebidas destiladas de cana identificadas como cachaça só podem ser vendidas nos EUA se forem produzidas no Brasil. O presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Cachaça, Vicente Bastos Ribeiro, acredita que o fato de o rótulo do destilado brasileiro poder levar o nome de cachaça já representa um indicativo para o crescimento do mercado nos próximos dois anos.

TECNOLOGIA

Tecnologia alavanca avanço da agricultura

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tecnologia é o aspecto mais importante para explicar o aumento da produção de grãos no País. É o que afirma estudo realizado pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eliseu Alves. O relatório de diagnóstico aponta que cerca de 500 mil estabelecimentos com acesso a tecnologias modernas são responsáveis por 86,65% de toda a renda agrícola de 2006, com base no último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE). No mesmo período, 3,9 milhões de propriedades que ficaram à margem da modernização responderam por somente 13% da produção.

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EXPORTAÇÃO

PECUÁRIA

Usina de biodiesel de algas marinhas

Régua de Manejo de Pastagem

ma usina de biocomU bustível à base de algas marinhas será cons-

truída no Brasil no final de 2013, o projeto de maior escala já feito no mundo e utilizará as emissões de carbono no processo de produção, informou o chefe do projeto. A primeira “fazenda de algas” será instalada em Pernambuco (nordeste) em uma plantação de cana-de-açúcar que produz etanol. Para que a usina de algas funcione, e produza anualmente 1,2 milhões de litros de biodiesel de algas, já testado em motores em laboratórios dos Estados Unidos e da Europa, além dos 2,2 milhões de etanol, é necessário CO2, que será retirado das chaminés da indústria que processa a cana-de-açúcar, reduzindo as emissões do gás para o meio ambiente. AGRICULTURA

Semente de mamona mais produtiva

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cultivar de mamona BRS Gabriela, desenvolvida pela Embrapa Algodão, é um material precoce com alto teor de óleo e adaptação em relação às existentes no mercado. O óleo de mamona tem diversos usos e alto preço no mercado. O aumento de produção do óleo de mamona poderá atender ao mercado interno, que atualmente importam grandes volumes dessa matéria-prima da Índia, para atender a demandas crescentes das indústrias de lubrificantes, nylon, tintas, produtos secativos e ácido ricinoleico.

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Embrapa Gado de Corte lançou uma nova tecnologia que vai facilitar a vida do produtor de gado. Trata-se da Régua de Manejo que tem por finalidade apontar o momento correto de entrada e de saída do gado na pastagem. O dispositivo traz indicações de entrada e saída de animais do pasto conforme o tipo de capim e na parte superior da régua há um espaço para apresentação de marcas a serem associadas ao manejo correto das pastagens. A régua indica a altura certa de vários capins quando da entrada de animais (na cor verde) e da saída na pastagem (na cor vermelha).

PECUÁRIA

Tecnologia reduz período de confinamento

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ecnologia desenvolvida pelo naturopata, Marcos Beraldo, consegue reduzir para 30 dias o período de permanência do gado no confinamento. Isso representa a possibilidade de criar mais plantéis durante o ano, menor custo de ração e de funcionários. E ainda melhora a condição do gado para o abate, minimizando a possibilidade de doenças e proporcionando uma carne mais macia e rica em proteínas, vitaminas e minerais. Praticamente um boi orgânico. Os resultados do produto foram comprovados em experiência realizada em um confinamento, onde ficaram caracterizadas as reduções de custos diários de ração. Todos os critérios superaram as expectativas.


Pedro Antônio Arraes Pereira, Diretor-Presidente da Embrapa

EMBRAPA - O braço tecnológico da pesquisa brasileira POR DIVINO ONALDO

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DiretorPresidente da Embrapa, Pedro Arraes, concedeu uma entrevista a Revista Plantar onde mostra a importância de uma das maiores instituições de pesquisa no mundo. Próximo de completar 40 anos a Embrapa fez parte do crescimento da agropecuária nacional e ocupa posição de destaque nos investimentos do governo para assumirmos o papel central de celeiro do mundo.

“A Embrapa é uma moeda da política externa brasileira que participa do novo contexto que o Brasil tem no cenário mundial.” 12

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REVISTA PLANTAR • O agronegócio tem segurado positivamente a balança comercial brasileira ao longo dos últimos anos. Como o senhor analisa o papel da Embrapa nesse crescimento do setor? O papel da Embrapa é fundamental como braço tecnológico. É importante colocar que desde a fundação da Embrapa algumas políticas públicas foram importantes, como o PRODECER para desenvolvimento do cerrado, o PROFIS para irrigação. Vários programas importantes foram feitos desde aquela época, que juntos com a questão tecnológica dão uma mistura perfeita. A Embrapa tem um papel importante, assim como outros órgãos. Em Goiás, por exemplo, tivemos a EMGOPA, um membro forte do sistema nacional de pesquisa agropecuária e que, infelizmente, foi extinta. A Embrapa contribui e espero que continue contribuindo muito para que o agronegócio cresça dando opções para os produtores. RP • O papel da pesquisa é fundamental para o desenvolvimento de qualquer setor. O Brasil tem investido o suficiente em pesquisa na área agrícola e pecuária? O Brasil está investindo na ciência e tecnologia como um todo, algo em torno de 1% do PIB, o que não é o ideal, entretanto, é melhor do que a taxa de 0,65% ou 0,75% que até pouco tempo atrás era investido. A Coreia investe mais, aproximadamente 4%. Está havendo um crescimento nos investimentos na ciência e na tecnologia, algumas ações interessantes como, por exemplo, o programa “Brasil sem Fronteiras”, muito parecido com um programa da época da fundação da Embrapa, onde pesquisadores jovens foram para o exterior fazer doutorado em laboratórios de excelência. Hoje, esse programa faz a mesma coisa, porque a ciência é global.

RP • O senhor crê que esses recursos são suficientes? Existe a necessidade de maiores investimentos. Se quisermos atingir outros patamares temos que ultrapassar a porcentagem de 2% do PIB, chegando a 3% nos próximos seis anos. Seria uma alavanca muita grande para nosso desenvolvimento. A Embrapa desde o ano de 2006 tem um programa chamado PAC Embrapa, que revitalizou a instituição e parte de algumas empresas estaduais de pesquisa, inclusive em Goiás. Temos um orçamento em torno de R$ 2 bilhões, o que é razoável, mas que não é suficiente para a demanda imensa do Brasil. Houve um esforço grande, em especial desse governo em manter esse orçamento disponibilizado para a empresa. RP • A presidente Dilma Rousseff declarou que deseja fazer com que o pequeno produtor que está à margem da produção entre numa escala produtiva. Como a Embrapa pode ajudar? A Embrapa tem inclusive um portfólio de tecnologia muito importante para o pequeno produtor, mas sempre tem espaço para aumentar essa participação. A presidenta Dilma tem falado da necessidade de uma agência de articulação de extensão rural. É um modelo novo, que ainda está em discussão no governo federal e nas entidades. A Embrapa não é uma empresa de extensão, nosso papel é no treinamento dos agrônomos de campo, poderíamos capacitar e usar novas ferramentas de TI para dar agilidade à informação, levando conhecimento para os pequenos produtores, incluindo aqueles que estão em lugares de difícil acesso. Precisamos ter esse braço da extensão rural mais forte para que juntos com as Emater dos estados tenhamos um corpo mais robusto em termos de políticas e programas que possam chegar a esses


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“A ciência é global e, por isso, a Embrapa fica conectada com grandes laboratórios mundiais e eles conosco para acompanharmos o avanço da ciência no mundo.”

pequenos produtores que, muitas vezes, nem têm condições de assimilar a tecnologia. Em um primeiro momento é quase que um trabalho social de motivação e de qualidade de vida, para depois terem condições de assimilar a tecnologia. RP • Como o senhor vê o papel do Brasil no combate à fome mundial? Houve uma época em que Malthus previu que a população cresceria exponencialmente e a produção aritmeticamente. A ciência, a vontade humana e o empreendedorismo das pessoas colocou essa tese abaixo. Nós conseguimos alimentar o mundo, obviamente ainda existem pessoas passando necessidades, mas não na proporção que foi preconizado. Há previsões que em 2050 teremos aproximadamente 10 bilhões de pessoas no mundo, e que haverá um aumento da renda das

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camadas mais nobres, principalmente nos BRICS (abreviatura para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), muitas pessoas passarão a ser uma classe média e uma classe média rural. As pessoas terão mais desejos e consumirão melhor. Além do crescimento populacional haverá também uma melhor distribuição de renda. O Brasil tem um papel fundamental na produção de alimento. Nosso país tem que suprir mais de 40% do total. Temos muita coisa interessante na questão da pesquisa. Conseguimos muita coisa na área da genética tropical e subtropical. Nossa agricultura cresceu fortemente em termo de produtividade, desde o ano de 1977 até agora, produzimos mais de 160 milhões de toneladas de grãos, a área plantada cresceu 31% e a produtividade teve um crescimento de 158%. A intensificação por unidade de

área é muito importante. Agora existe a técnica de integração lavoura, pecuária e floresta, que é um exemplo de produtividade ainda maior, onde se pega uma área tendo proveitos ambientais e também econômicos e sociais porque haverá mais emprego e propriedade de reter o carbono no solo. Creio que o Brasil tem um papel muito importante, até porque temos ainda uma área muito grande de pastagens degradadas que podem ser recuperadas e entrar no processo produtivo. E mesmo na criação de gado de corte aumenta, cada vez mais, a nossa capacidade de suporte por hectare, podendo, grande parte dessa área ser liberada para integração lavoura-pecuária, para florestas e até mesmo para grãos. Creio que temos um potencial muito grande, inclusive, tendo a agricultura mais sustentável do mundo.


RP • Além desse trabalho de pesquisa, a Embrapa realiza algum projeto de conscientização do produtor rural? Fazemos indiretamente. A conscientização está mais ligada com a extensão rural. A extensão rural é capilar, está em todo o território, nas comunidades. Mas, de alguma maneira conscientizamos os produtores. A Embrapa tem programas de divulgação, como por exemplo, a integração-lavoura e pecuária. Temos uma parceria muito forte com a iniciativa privada. Realizamos vários dias de campo, são 192 unidades de referências técnica, polos de divulgação para os pequenos, médios e grandes produtores. Iniciativas para apresentar ao agricultor toda a questão da retenção do carbono no solo e agora pós-código florestal creio que irão fornecer diversas oportunidades interessantíssimas. Temos um programa chamado WebAgritec, onde iremos compilar como recuperar uma beira de rio nos diversos biomas, diversas informações para que o produtor possa fazer essa recuperação com renda. RP • A Embrapa está presente em todos os continentes. De que forma essas pesquisas realizadas em outros países beneficiam o produtor rural brasileiro? A nossa cooperação internacional tem basicamente três eixos: a cooperação científica é um deles. A ciência é global e, por isso, a Embrapa fica conectada com grandes laboratórios mundiais e eles conosco para acompanharmos o avanço da ciência no mundo. A Embrapa tem o que chamamos de Labex, que são laboratórios virtuais, não são unidades físicas, são parceiras localizadas nos EUA; Europa, com braços na França e Inglaterra; Coreia do Sul; China e Alemanha. A ideia agora é implantar uma unidade no Japão até o fim do ano. Essas são áreas estratégicas. Por exemplo, quando aconteceu a epidemia de gripe A, uma colega nossa que estava em um avançadíssimo laboratório de pesquisa da Universidade de Iowa, juntamente com os americanos, descobriu o processo de iniciar a criação da vacina. Ela trabalha com a parte de sanidade animal de suínos. Esse é um exemplo de um benefício para o produtor e para a população brasileira como um todo. A Embrapa tem um laboratório montado em São Carlos, fruto dessa parceria, que é o primeiro laboratório no mundo de nanotecnologia aplicado à agricultura. No

local existe um projeto de novos fertilizantes em que a planta absorve com mais eficiência, o projeto ainda está em nível de pesquisa, tudo isso baseado em nanotecnologia e terá um impacto grande na vida do produtor brasileiro. Enviamos para cá 22 mil acessos de soja para o nosso banco de germoplasma para serem usados no aperfeiçoamento de novas variedades de soja. Esse pilar científico irá, certamente, beneficiar o produtor brasileiro. RP • Como funciona a cooperação científica com a África? Temos uma cooperação técnica com a África, os países caribenhos e nos países latino americanos que avançaram menos que o Brasil no desenvolvimento da agricultura. Temos alguns mecanismos de parcerias que chamamos de estruturantes. Temos um projeto de parceria sul-norte, que é Moçambique, Brasil e Japão. Essa é uma região que está no mesmo paralelo de Brasília, ou seja, a vegetação é igual à do cerrado. Existem empreendedores brasileiros indo para a África pensando em investir nas áreas próximas da linha do Equador, o que seria excelente para a nossa indústria nacional de máquinas. Isso irá criar mais empregos aqui. Se não formos, outros países irão e não iremos tirar proveito dessa parceria. Possuímos um instrumento muito interessante que é a nossa plataforma de inovação em agricultura Brasil-África e a nossa plataforma Brasil-América Latina. Existem projetos específicos onde os pesquisadores da Embrapa interagem na internet com pesquisadores africanos identificando temas de interesse em comum. A cooperação internacional que fazemos na Embrapa tem um fim estratégico e um fim social também, precisamos ajudar esses países mais pobres. A Embrapa é uma moeda da política externa brasileira que participa do novo contexto que o Brasil tem no cenário mundial, nos acordos multilaterais que o Brasil tem que são importantes para nosso país. RP • A Embrapa tem parceria com empresas privadas de pesquisa? Como funcionam essas parcerias? Sim, essas parcerias são muito comuns. Existem 4 mil acordos com empresas privadas de todos os tamanhos. A Embrapa atende ao produtor familiar, ao pequeno, médio e grande produtor. Trabalha ligada ao mer-

cado, de uma maneira ampla, está atenta ao processamento de uma pequena queijaria no nordeste, podendo capacitar esse pessoal, no sentido de que melhorem a sua renda, e também tem que trabalhar com uma empresa grande que tenha um lacticínio enorme e que precise das nossas informações para aumentar sua eficiência, sua competitividade de exportar. Estamos procurando aumentar a capacidade de parcerias com o público e o privado. Recentemente criamos nossa Secretaria de Negócios que visa fomentar e organizar as parcerias de uma forma mais sistemática. Temos a Fundação Eliseu Alves que serve como um ente para agilizar essa parceria com a empresa privada. E ainda temos a Embrapa Internacional que foi criada para captar recursos internacionais de forma mais ágil para alavancar essas ações na África e na América Latina. RP • Diante de tudo o que o senhor disse podemos afirmar que o pesquisador brasileiro faz parte da elite mundial? Sim, nossos pesquisadores fazem parte da elite mundial. Por meio do Labex, tivemos pesquisadores ingleses no nosso centro de biotecnologia e recursos genético, tivemos também um coreano e em breve teremos três chineses. Vários pesquisadores estão querendo vir da Austrália trabalhar em nossos laboratórios. Caso não tivéssemos algo para complementar a ciência desses grandes centros e laboratórios esses países não estariam nos procurando para fazer parcerias conjuntas. Nos últimos três anos contratamos mais de dois mil jovens, a maioria de nível superior, pesquisadores jovens que chegaram com todo gás para estudar. Em 2013 faremos 40 anos e, com certeza, estamos criando a base para os próximos 40 anos. RP • Hoje em dia é impossível falar em agricultura sem falar na China. A Embrapa tem algum trabalho de cooperação com a China? Sim, temos o Labex que está sendo instalado. A pesquisadora está indo no mês de agosto para a China e a área principal desse nosso trabalho é o recurso genético no primeiro momento. A pesquisadora está ali para ser um ponto focal de como podemos capitanear parcerias com os chineses. Eles tem interesses e nós também temos. Ambas as partes ganham com isso.

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O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, discursa na cerimônia de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2012/2013

Medidas do Plano Safra

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2012-2013

Plano Safra 2012/2013, foi anunciado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Ele contará com recursos da ordem de R$ 22,3 bilhões para financiar as diversas políticas públicas voltadas para a agricultura familiar. Apenas para financiar investimentos e custeio por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), serão disponibilizados R$ 18 bilhões. De acordo com o Censo Agropecuário de 2006 (o último disponível), o país conta com mais de 4,3 milhões de estabelecimentos da agricultura familiar. Cerca de 12,3 milhões de pessoas trabalham nos estabelecimentos familiares Brasil afora, o que representa 74,4% do pessoal ocupado na zona rural. Os agricultores familiares são responsáveis por 88% do valor bruto

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da produção (VPB) nacional de mandioca, 68,7% do feijão, 56,4% do leite de vaca e 51% dos suínos. As ações para a safra 2012/2013 envolvem a ampliação de crédito, de serviços de assistência técnica e extensão rural (Ater), da cobertura de renda e da garantia de preços e de comercialização. Esse conjunto de medidas tem por objetivo promover a melhoria das atividades do segmento, evitando perdas por adversidades climáticas e esti-

mulando a organização econômica dos agricultores. Os agricultores familiares tiveram seus limites de renda e crédito ampliados. A renda de enquadramento foi aumentada de R$ 110 mil para R$ 160 mil, e o limite para financiamento para o custeio foi ampliado de R$ 50 mil para R$ 80 mil. Os juros para as operações de custeio acima de R$ 20 mil foram reduzidos de 4,5% ao ano para 4% - nas outras linhas, as taxas variam de 1% a 4%.

As medidas visam aumentar a capacidade de investimento da agricultura familiar brasileira, dinamizando um setor que é responsável por produzir 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros todos os dias.


O NOVO PLANO AMPLIA TAMBÉM A RENDA DOS AGRICULTORES DO GRUPO B DO PRONAF, DE MENOR RENDA. Anteriormente, os agricultores interessados no financiamento podiam ter renda anual de até R$ 6 mil, limite que foi ampliado agora para R$ 10 mil por ano. O valor dos empréstimos também foi aumentado: ele passa de R$ 2,5 mil para R$ 15 mil por estabelecimento. A linha de microcrédito visa possibilitar pequenos investimentos, como a compra de pequenos animais e materiais para artesanato, entre outros. O grupo também contará com recursos para custeio, que podem chegar até R$ 10 mil e que antes não existiam para essa faixa de renda. Com isso, os agricultores de menor renda passam ainda a ter acesso ao Seguro da Agricultura Familiar (SEAF) e ao Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF). As medidas têm como objetivo melhorar a vida dos agricultores familiares de menor renda, que vivem em aproximadamente 1,6 milhão de estabelecimentos na zona rural brasileira. Outro ponto importante é a ampliação do limite de crédito para os jovens rurais. Antes, o financiamento máximo do Pronaf Jovem era de R$ 12 mil – o valor agora passará para R$ 15 mil. Os jovens contarão ainda com serviços de assistência técnica e extensão rural (Ater) específica – 10 mil deles serão atendidos. O Plano prevê ainda a capacitação de 3 mil jovens rurais, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Já o Pronaf Mulher, voltado para as trabalhadoras rurais, passará de R$ 50 mil para

O ministério também ampliou para R$ 90 milhões os recursos do Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF) R$ 130 mil por safra. Cooperativas e agroindústrias também terão limites maiores para investimento: o valor atual de R$ 10 milhões sobe para R$ 30 milhões, com taxa de juros de 2% ano e o limite de R$ 500 mil sobe para R$ 1 milhão, com taxa de juros de 1% ao ano. O ministro anunciou ainda a ampliação da cobertura da renda do Seguro da Agricultura Familiar (Seaf), todos os agricultores com financiamentos do Pronaf têm direito ao Seaf que passou de R$ 3,5 mil para R$ 7 mil. Válido para todo o país, o seguro cobre operações de custeio agrícola até 100% do valor financiado e até 65% da Receita Líquida Esperada do Empreendimento (RLE), até o novo limite de R$ 7 mil. A indenização é proporcional à perda, e só podem ser indenizadas aquelas que forem maiores do que 30% da RLE. O Seaf cobre perdas provocadas pela seca, chuva excessiva, geada, granizo, variação excessiva de temperatura, ventos fortes, ventos frios, doença fúngica ou praga sem método de controle técnica ou economicamente viável. Já os recursos do Garantia-Safra foram ampliados para R$ 411,8 milhões. O fundo tem como objetivo garantir a renda dos

agricultores cujos municípios tiveram perdas superiores a 50% da produção devido a fatores como seca ou enchentes. O ministério também ampliou para R$ 90 milhões os recursos do Programa de Garantia de Preços da Agricultura Familiar (PGPAF). Se no momento do pagamento do financiamento os preços dos produtos vendidos pelos agricultores estiverem abaixo do custo de produção, o programa garante que a diferença seja concedida ao produtor na forma de descontos. Já o Programa de Preços Mínimos da Agricultura Familiar (PGPM) contará com R$ 347 milhões para garantir valores mínimos de compra de produtos. O Plano também trouxe novidades nos programas de outro ministério que contam com apoio do MDA. No caso do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), do Ministério da Educação, uma resolução assinada pelo ministro Pepe Vargas permitirá aos produtores vender R$ 20 mil em produtos para as escolas que compram da agricultura familiar, ante o limite anterior de R$ 9 mil. A medida ajuda os agricultores e as instituições públicas de ensino, que devem investir ao menos 30% dos recursos recebidos

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do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para a merenda escolar na compra de produtos da agricultura familiar. Já no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), a presidenta Dilma, assinou um decreto criando uma nova modalidade de compra, com a medida, os estabelecimentos familiares poderão vender anualmente até R$ 4,5 mil para a União e mais R$ 8 mil para estados e municípios. Somados, PAA e Pnae contarão com recursos da ordem de R$ 2,3 bilhões para a safra. Os dois programas criam canais de comercialização dos produtos da agricultura familiar, melhorando a renda e a vida dos produtores. Serão destinados R$ 405,5 milhões para o Brasil Sem Miséria (PBSM). A ação também visa prestar serviços específicos de assistência técnica e extensão rural ao grupo, beneficiando 203 mil agricultores.

Os agricultores familiares atendidos pelo MDA no âmbito do Brasil Sem Miséria recebem ainda R$ 2,4 mil de fomento nãoreembolsável para investimento em suas propriedades e sementes para alimentação própria e venda para terceiros. Os serviços de assistência técnica e extensão rural (Ater) contarão com mais de meio bilhão de reais. As chamadas vão atender a 480 mil famílias, sendo 170 mil de forma diferenciada (jovens, mulheres e povos e comunidades tradicionais, entre outros). Aliados ao crédito rural, os serviços de assistência técnica são essenciais para melhorar a produtividade e garantir a renda das famílias no campo. O novo Plano traz ainda a preocupação do MDA com a preservação ao meio ambiente. Todas as novas contratações de Ater terão orientação específica para a melho-

ria da gestão ambiental da propriedade e a redução do uso de agrotóxicos. O Pronaf Semiárido, voltado para os estados nordestinos e do Norte de Minas Gerais e Norte do Espírito Santo, prevê a ampliação dos limites de crédito de R$ 12 mil para R$ 18 mil. Os recursos da linha são destinados à construção de pequenas obras hídricas, como cisternas, barragens para irrigação e dessalinização da água, com juros de 1% ao ano e prazo para pagamento de dez anos, com até três anos de carência. Já o Pronaf Floresta, que financia projetos de silvicultura e sistemas agroflorestais e exploração extrativista sustentável, terá seu limite de financiamento aumentado de R$ 20 mil para R$ 35 mil. A vocação natural da agricultura familiar de contribuir para a preservação dos recursos naturais será potencializada com as novas medidas do Plano Safra.


Produtores migram para fronteira agrícola de Mato Grosso

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região Leste já é considerada a nova fronteira agrícola de Mato Grosso. Produtores rurais de diversos cantos do estado e também do país estão comprando ou arrendando terras nos municípios para produzir soja. De acordo com o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro, a região é a que possui a maior reserva de áreas já abertas e viáveis para a agricultura. “São mais de cinco milhões de hectares que eram pastagens degradadas, de baixa produtividade, que agora podem ser utilizadas como lavoura”, informou. A disponibilidade de terras é o que impulsionou o produtor rural de Guiratinga, cidade localizada na região sul do estado, Heronides Rezende de Moraes, a mudar-se para o município. O agricultor, que participou do Circuito Aprosoja, em Querência, disse que trocou 500 hectares de terras naquele município pelo arrendamento

de 2.300 hectares em Querência. “Na região sul não há mais como expandir. Aqui estamos preparando o solo para plantar a próxima safra. Estamos animados”, afirmou. Moraes prepara o solo para receber as sementes de soja da próxima safra 2012/13. Porém, há uma grande dificuldade de os insumos chegarem à região. Mais uma vez, as obras de logística são imprescindíveis para a viabilidade dos negócios. Segundo Fávaro, é preciso que a MT-326, a chamada ‘Rodovia do Calcário’, seja asfaltada. “É por esta rodovia que chega o calcário a esta região, insumo básico para a preparação destas terras para o plantio”, ressaltou. Além disso, são necessários investimentos na BR-158 e BR-080, em ferrovias e hidrovias. A equipe da Aprosoja percorreu, com o Circuito Aprosoja, as cidades da região leste e o último dia do Circuito Aprosoja foi realizado em Nova Xavanti-

na. Foram 30 dias de palestras, em 22 cidades do interior do estado, e mais a Capital, Cuiabá, levando até o produtor informações de mercado e o tema principal deste ano: Sucessão Familiar. “Mais importante que fechar um evento deste tamanho com um público recorde é perceber que o tema das palestras agradaram aos produtores rurais e suas famílias”, afirmou o presidente da Aprosoja, Carlos Fávaro. Na safra 2011/12, os municípios de Gaúcha do Norte, Querência, Canarana, Água Boa e Nova Xavantina produziram grãos em uma área de mais de 639 mil hectares, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Segundo o vice-presidente da Aprosoja da região Leste, Gilmar Dell’Osbell, o potencial de crescimento é ainda maior. “É o nosso diferencial para o desenvolvimento, as áreas que temos para serem cultivadas não existem mais em nenhum lugar do estado”, afirmou. Fonte: Aprosoja Revista Plantar

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CÓDIGO FLORESTAL

CAR e PRA são as grandes novidades do novo Código Florestal Fonte:Agrolink

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Cadastro Ambiental Rural (CAR) nacional e o Programa de Regularização Ambiental (PRA) são as duas grandes novidades do novo Código Florestal. O CAR será uma poderosa ferramenta para o poder público gerir o uso e a ocupação do solo em matéria de meio ambiente. Ambas as mudanças foram introduzidas pelo Código nos artigos referentes às Áreas de Preservação Permanentes (APPs), à Reserva Legal (RL) e à Regularização de Propriedades e Penalidades. Anteriormente ao novo Código, alguns governos estaduais já implementavam os seus cadastros ambientais rurais, como por exemplo Mato Grosso e Pará. Agora o cadastro passou a ser obrigatório em nível nacional para todos os proprietários rurais. Nele deverão constar o perímetro identificado e delimitado da propriedade, com coordenadas geográficas e todos os espaços protegidos no interior do imóvel, especialmente a Área de Preservação Permanente e a Reserva Legal. O acompanhamento e fiscalização serão feitos por imagens de satélites. A adesão ao CAR dependerá da capacidade do poder público estadual e federal de atender à imensa demanda dos produtores. Esta é uma segunda nota informativa da ABIOVE sobre o Código Florestal (Lei 12.651 de 25 de maio de 2012) e foi escrita após uma revisão de literatura sobre as definições e implicações do novo instrumento legal para pequenos, médios e grandes produtores rurais. A nova legislação, em termos gerais e estruturais, pouco muda em relação ao antigo Código. A proteção do meio ambiente continua sendo obrigação do proprietário mediante a manutenção de espaços protegidos da propriedade privada, divididos entre APP e RL. Em relação às APPs, algumas situações ficaram mais claras, como 1) a medição das faixa marginais passou a ser da borda da calha do leito regular dos cursos d’água, deixando de ser a partir do nível mais alto da faixa marginal; 2) os lagos e lagoas naturais passaram a ser definidos por lei; 3) as encostas com declividade entre 25° e 45° poderão manter as atividades atualmente existentes, bem como a infraestrutura instalada. A Reserva Legal segue a mesma lógica da MP 2166 de 2001, ou seja, traduz-se

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na obrigação legal do proprietário de preservar uma área de vegetação nativa variável de 20% a 80%, conforme a localização e o bioma. Quanto à RL, as novidades que entende-se relevantes, são: 1) possibilidade de contabilizar as APPs para complementar o percentual da RL exigido por lei. Para tanto, a APP a ser computada deverá estar conservada; 2) a RL continua sendo passível de exploração mediante manejo sustentável; 3) se o produtor incluir a mesma no CAR não precisará mais averbá-la no Cartório de Registro de Imóveis. Uma leitura mais detida das disposições do novo Código Florestal sobre a compensação ambiental da RL mostra que há alguns instrumentos inovadores, como: composição mediante aquisição de cotas – excelente oportunidade para a criação de um mercado organizado de serviços ambientais; servidão ambiental; e, como grande novidade, a possibi-

lidade de cadastramento de outra área equivalente e excedente à RL localizada no mesmo Bioma, sendo que a lei antiga só previa compensação na mesma bacia hidrográfica. O novo Código Florestal trouxe vários benefícios para os pequenos proprietários. Na prática, isentou-os da exigência de recomposição da Reserva Legal. Em seu artigo 67 o Código determina que nos imóveis rurais com “área de até 4 módulos fiscais e que possuam remanescente de vegetação nativa em percentuais inferiores ao previsto no art. 12, a Reserva Legal será constituída com a área ocupada com a vegetação nativa existente em 22 de julho de 2008, vedadas novas conversões para uso alternativo do solo.” Além disso, seus cultivos perenes de fruteiras, por exemplo, podem ser computados como parte da reserva legal. Já os médios produtores rurais serão

mais penalizados pelo novo Código Florestal em relação aos dispositivos do Código de 1965. Diz o pesquisador e ex-chefe da Embrapa, Evaristo Eduardo de Miranda: “Como a exigência da Reserva Legal é plena para os médios produtores, eles podem ficar com menos área para uso agrícola do que os pequenos. Um médio produtor que tenha 4,5 ou 5 módulos fiscais, ao ter que manter de 20 a 80% de sua propriedade em Reserva Legal, conforme o bioma, ficará com uma área disponível bem menor do que um pequeno agricultor”. Os médios produtores se dedicam à lavoura e à pecuária. Eles estão presentes em fazendas produtoras de leite, carne, algodão, café, hortaliças, cana-de-açúcar, cereais e oleaginosas. No atual cenário, os médios produtores perderão competitividade, o que poderá comprometer o abastecimento de diversas cidades e suprimento para exportação.

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CAPA

Agro brasileiro ĂŠ mais eficiente do que o norte-americano Brasil faz mais com menos insumos, diz pesquisador do Ipea, mas hĂĄ desafios Fonte: Sou Agro

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U

ma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, aponta que o agro brasileiro é mais eficiente do que o dos Estados Unidos. Os produtores rurais daqui usam melhor os insumos (sementes, fertilizantes, defensivos, mão de obra, rações, entre outros) para produzir mais em menos área do que seus concorrentes norte-americanos. Para chegar a este resultado, José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, pesquisador do Ipea, fundamentou seu estudo “Brecha Produtiva Internacional e Heterogeneidade Estrutural na Agricultura Brasileira” em um intrincado indicador chamado “Produtividade Total dos Fatores (PTF)”. Este indicador apresenta uma relação entre o agregado de todos os produtos e o agregado de todos os insumos. Segundo o trabalho, esta relação tem crescido a taxas elevadas e crescentes no agro brasileiro. De 1975 a 2010, a média anual de crescimento da PTF no Brasil foi de 3,6%, taxa superior à verificada para os Estados Unidos, que foi de 1,9%. “Reduziram-se as distâncias produtivas entre os dois países. A agricultura brasileira passou por fortes transformações nas últimas décadas, cresceu de forma intensa, gerando modernização, incorporando tecnologia e aumentando a produtividade, com estabilidade no uso da terra”, destaca José Eustáquio. No entanto, o pesquisador chama atenção para o fato de que o agro brasileiro é competitivo, mas se sobrepõe ao dos Estados Unidos, por exemplo, se considerarmos apenas uma camada de produtores com acesso a tecnologias mais avançadas. “A modernização agrícola gera benefícios apenas para um grupo de produtores. Existe ainda uma grande parcela que está fora deste ambiente favorável de acesso à tecnologia. O agro apresenta disparidades produtivas. Nesse sentido, é preciso fazer a inclusão tecnológica destes agricultores, ainda, marginalizados deste processo”,

ressalta José Eustáquio. Porém, de acordo com o pesquisador, ainda existem desafios enormes em promover o desenvolvimento inclusivo destes agentes produtivos. PTF é a diferença entre a taxa efetiva de crescimento da produção e a taxa de incremento do conjunto de fatores produtivos. “Numa linguagem menos técnica, o crescimento da produção pode ser explicado, de um lado, pelo aumento da quantidade de insumos ou, de outro, pelo uso eficiente destes mesmos insumos”, explicou o pesquisador. Por exemplo, ao dobrar a área plantada de uma fazenda haverá automaticamente o aumento da produção. Mas, a eficiência do uso dos insumos pode ter ficado constante. Por analogia, se a produção aumenta e a quantidade de insumos se mantém constante ou diminui, há claro indício de que a PTF cresceu. Ocorre uma melhoria na eficiência do uso dos insumos: produz-se mais com o mesmo ou menos. Como a PTF considera um conjunto de fatores produtivos, esta medida é indicada para mostrar a evolução dos ganhos de eficiência, o que implica de forma indireta em evolução tecnológica. No Brasil, a evolução da produção se

deve mais ao aumento da eficiência no uso dos insumos do que ao incremento da quantidade deles. Este avanço de 3,6% da PTF do agro brasileiro frente a 1,9% dos EUA – país tido como referência em tecnologia de ponta – mostra que os produtores rurais fizeram um esforço enorme de atualização e inovação tecnológica, incorporando estes ganhos de conhecimento à produção. A dualidade presente no desenvolvimento da economia nacional como um todo é um problema que prejudica a inclusão produtiva de segmentos marginalizados tecnologicamente, 0,5% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros respondem por cerca de 50% do valor bruto da produção. Se dobrado este grupo de agricultores que não aderiram à tecnologia e com uso dos insumos se mantendo constante, o País aumentará a produção agropecuária pela metade. Aumentar a produção dessa forma é produzir mais com sustentabilidade, pois os recursos escassos são economizados e usados de modo mais eficiente. José Eustáquio acredita que para promover a inclusão tecnológica dos produtores será necessário dividir os agricultores

“No Brasil, a evolução da produção se deve mais ao aumento da eficiência no uso dos insumos do que ao incremento da quantidade deles.” Revista Plantar

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em três grandes grupos. O primeiro, caracterizado pela extrema pobreza (produz de zero a dois salários mínimos mensais), engloba cerca de 3,2 milhões de estabelecimentos, está à margem da produção, bem como se mostra excluído de qualquer setor de atividade econômica, pois carece de estruturas básicas de organização produtiva (micro e macroeconômicas). O segundo, considerado de baixa renda (produz de dois a dez salários mínimos mensais), possui 960 mil estabelecimentos agropecuários e deve ser assistido pelo governo com políticas de fomento e dinamização da produção, normalmente de base familiar. São produtores com reduzida capacidade de absorção de conhecimento externo, com baixo conteúdo tecnológico e com deficiências no âmbito gerencial e microeconômico. O terceiro é a riqueza agrícola, que envolve as rendas média e alta (mais de 10 salários mínimos mensais). Para este grupo, a capacidade de absorção tecnológica é um problema secundário. Porém, o ambiente macroeconômico favorável ao crescimento das vendas se torna essencial. Assim, para ampliar a capacidade de

absorção tecnológica dos agricultores é preciso repensar a educação rural, que deve ser planejada num horizonte de 15 a 20 anos. Já para facilitar a difusão tecnológica, é necessário repensar a extensão rural, que pode ser resgatada num período menor.

Cabe ao governo desenvolver assistência técnica que tenha capilaridade (integração entre as políticas federal e estadual), bem como incentivar a pesquisa de domínio público. Desta forma, o papel da Embrapa de nada adianta se a extensão rural for deixada de lado.


AGRICULTURA

Vazio Sanitário Descanso para a terra

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produtor já está tomando as providências para deixar a terra descansar por 90 dias. O vazio sanitário consiste na eliminação de todas as plantas de soja e na proibição do seu cultivo no período entre 1º de julho e 30 de setembro. Isso significa que por 90 dias os produtores não poderão manter plantas vivas de soja. A medida adotada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás é uma proteção contra a ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Sydow que provocou um prejuízo de 2 bilhões de dólares à sojicultura brasileira na safra 2005/2006. As plantas remanescentes da última safra devem ser erradicadas com produtos químicos ou outro meio. Ficam isentas da medida somente as áreas de pesquisa científica e de produção de sementes genéticas, quando autorizadas, controladas e monitoradas. Quem não obedecer ao vazio estará sujeito ao pagamento de multas. Há fiscalização e punição aos produtores que não cumprirem o período do vazio. O produtor que não semear trigo ou milho, na sucessão, deve optar por culturas de cobertura, respeitando as características de cada região. O importante é não deixar o solo em pousio, pois uma área sem cultura estabelecida facilita o desenvolvimento de plantas daninhas ou mesmo da soja voluntária.

Períodos de vazio sanitário para soja no Brasil: MT – 15/06 a 15/09 GO – 01/07 a 30/09 MS – 01/07 a 30/09 TO – 01/07 a 30/09 SP – 01/07 a 30/09 MG – 01/07 a 30/09 DF – 01/07 a 30/09 MA – 15/08 a 15/10

PR – 15/06 a 15/09 BA – 15/08 a 15/10 RO – 15/06 a 15/09 *PA1 -15/07 a 15/09 **PA2 – 01/10 a 30/11

*PA1- microrregiões de Conceição do Araguaia, Redenção, Itaituba, Marabá e Altamira (distrito Castelo dos Sonhos) **PA2 – microrregiões de Santarém, Paragominas, Bragantinha, Guama e Altamira

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MERCADO

Preços de terra continuam em alta Fonte: Jornal do Commercio

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m meio a um ambiente externo ainda marcado pelas turbulências geradas pela crise financeira, solos brasileiros permanecem como ativos seguros para investidores. As turbulências geradas pela crise financeira internacional não deverão impactar fortemente o mercado imobiliário rural do País, que seguirá em tendência de valorização. A exemplo do que já vem ocorrendo em anos anteriores, os preços das terras brasileiras destinadas à produção agropecuária continuarão registrando altas acentuadas, em movimento sustentado pelas cotações ainda elevadas das commodities agrícolas no mercado global. Contribui para este prognóstico o interesse cada vez maior de investidores que, para diversificarem suas carteiras de in-

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vestimentos, buscam os solos brasileiros como ativos mais seguros, em meio a um ambiente externo ainda bastante incerto. Estudo feito pela consultoria Informa Economics FNP mostra que, do bimestre maio/junho de 2011 ao bimestre março/ abril deste ano, os preços das terras brasileiras destinadas à produção agropecuária subiram, em média, cerca de 16%. Ainda de acordo com o levantamento, a maior valorização foi observada na região Centro-Oeste do País, onde os preços subiram acima da média nacional e registraram crescimento de 19%. Já nos últimos 36 meses, encerrados no bimestre março-abril deste ano, o salto nos preços foi de 50%, na média brasileira. O Centro-Oeste também ficou na dianteira, com valorização de 57% no período, também acima da média nacional. De acordo com a gerente-técnica da

Informa Economics FNP, Nadia Alcantara, a valorização das terras brasileiras, que teve seu movimento de alta ainda mais acentuado nos últimos dois ou três anos, continua seguindo a mesma lógica de anos anteriores. “Os preços das commodities agrícolas, em geral, abriram o ano em patamares bem elevados”, afirma. Ela destaca, especialmente, o caso da soja, cuja safra deste ano foi impactada por uma forte estiagem que castigou as lavouras da região Sul do País, além da produção argentina, devido à incidência do fenômeno La Niña nestas regiões. Os dois países são grandes produtores e respondem por boa fatia da produção mundial de soja. Somado aos preços sustentados das commodities agrícolas, há ainda as incertezas do atual cenário global, que


ajuda a contribuir para o movimento de alta nos preços dos solos brasileiros destinados à atividade. “O que temos observado é que, influenciados pela crise no mercado mundial, alguns investidores acabam buscando as terras brasileiras como um ativo, na procura pela diversificação das suas carteiras de investimento”, destaca Nadia. “São investidores brasileiros, de grupos que se formam internamento no País, e investidores estrangeiros, que associam-se a estes grupos de forma a poder investir neste ramo. É outro movimento que também ajuda a causar certo aquecimento neste mercado de terras”, explica. Na avaliação da especialista, este prognóstico está longe de ser alterado, pelo menos a curto prazo. “Acredito que o cenário mantenha-se bem semelhante a este no curto prazo, pelo menos no horizonte dos próximos dois anos, a não ser que aconteça um choque mundial de demanda ou oferta muito grande”, diz. Segundo Nadia, em caso de piora do ambiente pessimista da economia mundial, impactos disso poderiam ser gerados sobre a demanda pelas commodities, o que se traduziria negativamente sobre os preços. “O que temos visto, contudo, é uma manutenção dos preços sustentados, apesar da crise mundial que se configurou”, assinala.

CURTO PRAZO Nadia Alcantara explica que as turbulências estão basicamente na Europa, onde o padrão de consumo já era antes elevado. “Quando olhamos para

a China, porém, apesar da desaceleração registrada em sua economia, há um intenso processo de urbanização, o que significa mais pessoas indo para a cidade e, portanto, uma pressão maior no consumo de alimentos”, explica. Segundo ela, pode até haver arrefeci-

mento nas cotações de commodities ligadas à infraestrutura, como o minério de ferro, por exemplo. Já quanto à demanda por alimentos, ela avalia que seguirá em patamares elevados, sustentando os preços das commodities e, consequentemente, os das terras destinadas à atividade.


MERCADO

Soja: Preços recordes vão elevar área no Brasil em 2012/2013 Por Carlos Cogo - Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

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El Niño deve retornar como um fenômeno fraco e de curta duração, mas, mesmo assim, trará chuva acima da média ao Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e oeste-sul do Paraná. Com o El Niño, as chuvas vão voltar mais cedo após o inverno e a Primavera será úmida

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para o Sul do Brasil. Para a Primavera, a chuva acima da média deve atingir o norte do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A maior parte do Rio Grande do Sul e todo o centro e norte do Brasil devem ter uma Primavera com chuva entre a média a li-

geiramente abaixo da média, mas, mesmo assim, espera-se uma estação com chuvas mais regulares que as anteriores. No Brasil, de modo geral, as ocorrências do El Niño têm sido favoráveis às culturas de verão (grãos), com exceção do arroz irrigado que, via de regra, sofre queda de produtividade.


Produção mundial de soja 2011/2012 10,9%

Área da soja 2012/2013 nos EUA

1,5%

Importações de soja na China no acumulado de 2012 22%

Perspectiva de crescimento produção mundial de soja de 2012/2013 sobre 2011/2012 13,3%

Perspectiva de crescimento da área de soja no Brasil na safra 2012/2013 8,8%

A produção mundial de soja sofreu um recuo de 10,9% na safra 2011/2012 com as quebras nas safras dos Estados Unidos e dos países da América do Sul – Brasil, Argentina e Paraguai. Os estoques de passagem mundiais devem recuar 25,1% em 2011/2012, após ter registrado forte alta em 2010/2011. A área de soja 2012/2013 cresceu 1,5% nos Estados Unidos, mas esse aumento de área não deve gerar expansão da oferta, nem dos estoques do país na safra 2012/2013. A demanda chinesa segue firme a as importações de soja do país cresceram 22% no acumulado de 2012 em relação ao mesmo período do ano anterior, devendo atingir 57 milhões de toneladas em 2012 e 61 milhões de toneladas em 2013. Os preços futuros precisarão manter-se em níveis elevados para atrair aumento de área em 2012/2013 nos países da América do Sul e compensar a menor oferta nos EUA. Na safra 2012/2013 dos Estados Unidos, desde o dia 12 de junho até meados de julho, a condição boa a excelente das lavouras caiu 26 pontos porcentuais, de 60% para apenas 34%. Os preços futuros na Bolsa de Chicago subiram de uma faixa entre US$ 12,00 a US$ 12,50 por bushel para US$ 16,00 a US$ 17,00 por bushel com a maior seca nos Estados Unidos nos últimos 24 anos e possibilidade de ampliação das quebras. A seca e o calor devem se prolongar até agosto nos Estados Unidos e podem ampliar expressivamente as quebras da soja. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, essa é a pior seca desde 1956 e atinge 55% da área contígua do país. Persistindo a seca nos Estados Unidos, os preços futuros devem manter-se em um patamar entre US$ 13,00 e US$ 14,00 por bushel no primeiro semestre de 2013. A produção mundial deve se recuperar na safra 2012/2013 e deve crescer 13,3% sobre 2011/2012, mas será apenas 1% maior em relação à produção da safra 2010/2011. Deve haver aumento da área e da produção no Brasil, na Argentina e no Paraguai, mas houve recuo de área na China e leve aumento nos Estados Unidos em 2012/2013. Os estoques de passa-

gem mundiais devem crescer 6,0% em 2012/2013 (sobre 2011/2012), ainda abaixo de 2010/2011. A relação entre estoques finais e consumo mundial deve crescer para 21,2% em 2012/2013, contra 20,7% na safra 2011/2012, mas bem abaixo dos 27,9% do ciclo 2010/2011. Os produtores brasileiros já negociaram antecipadamente 35% da safra 2012/2013, garantindo uma rentabilidade elevada, mesmo que ocorra uma retração dos preços futuros no próximo ano com o aumento da área na América do Sul. No longo prazo, os preços da soja devem declinar para uma faixa entre US$ 13,00 e US$ 14,00 por bushel, com a ampliação da área 2012/2013 em todos os países da América do Sul. Os preços dos grãos tendem a se acomodar a partir de setembro, quando as primeiras projeções de intenção de plantio para a safra do Hemisfério Sul forem conhecidas. O plantio de soja deve crescer no Brasil em toda a América do Sul e os preços podem começar a se acomodar. No Brasil, a soja deve avançar em 2012/2013 sobre áreas de algodão, milho 1ª safra (verão), arroz de terras altas e pastagens, e mesmo em solos mais fracos, que exigem maiores investimentos e proporcionam menor retorno. No Brasil, a área de soja deve crescer 8,8% na safra 2012/2013, para 27,2 milhões de hectares, contra os 25,0 milhões de hectares plantados em 2011/2012. A expectativa é de que o Brasil produza entre 81 milhões de toneladas e 82 milhões de toneladas da oleaginosa. O milho deve proporcionar bons ganhos de rentabilidade na safra de verão (1ª safra 2012/2013), mas deve sofrer um recuo de 8,5%, para 7,2 milhões de hectares, contra os 7,9 milhões de hectares plantados na 1ª safra de 2011/2012. O milho deve perder área para a soja, por causa do melhor retorno proporcionado pela oleaginosa, além da maior liquidez na hora da comercialização. Os agricultores, a exemplo dos últimos anos, vão investir no plantio do milho da 2ª safra, que é semeado após a colheita da soja. A área da 2ª safra 2012/2013 deve crescer 5,7%, para 7,6 milhões de hectares, contra os 7,2 milhões de hectares plantados na 2ª safra de 2011/2012.

Revista Plantar

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ARTIGO TÉCNICO-CIENTÍFICO

Mineral aminoácido quelato

Por NPA Biometal

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que é realmente um mineral aminoácido quelato? Infelizmente, nossa legislação tem permitido a utilização de termos inadequados para algumas formas de minerais destinados à nutrição vegetal ao invés de se adaptar às definições internacionais, como as definidas pela National Nutrition Food Association (NNFA), por exemplo. Corrobora para isso a distância de nossos órgãos de pesquisa em relação ao rápido crescimento do mercado de fertilizantes e às novas tecnologias, dando margem a vários fabricantes utilizarem conceitos totalmente equivocados na rotulagem oficial e eficiência agronômica de seus produtos. Atualmente, algumas empresas aproveitam falhas da legislação e a inércia dos órgãos de pesquisas para o registro de fertilizantes minerais, complexando-os com melaço de cana, proteínas parcialmente hidrolisadas, etc. utilizando o conceito de mineral aminoácido quelato. Portanto, o que é necessário para produzir um mineral aminoácido quelato verdadeiro? Definição NNFA de Minerais Aminoácidos Quelatos Metal Aminoácido Quelato é o produto resultante da reação de um íon metálico de um sal metal solúvel com aminoácidos, em proporção molar de um mol de metal para um a três (de preferência dois) moles de aminoácidos para formar ligações coordenadas covalentes. O peso molecular médio do aminoácido hidrolisado deve estar em torno de 150 AMU (Unidade de Massa Atômica) e o quelato resultante não deve exceder 800 AMU. O conteúdo mínimo do metal elementar deve ser declarado. Ele será declarado como um METAL aminoácido quelato: por exemplo, Cobre aminoácido quelato.

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H

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H

C

C

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METAL

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H H

H (NNFA – NATIONAL NUTRITION FOODS ASSOCIATION Board of Directors, Julho 1996. NNFA, pg. 15, Agosto 96) Quelação Para um entendimento geral sobre o que é um quelato, é necessário primeiro, que se estabeleça uma definição. A palavra “quelato” é derivada do grego che’le, que significa garra em forma de pinça, como observada na lagosta e no caranguejo. O termo quelato foi primeiramente proposto por Morgan e Drew em 1920, para descrever uma classe de metais nos quais o átomo de metal é envolvido em mais de um ponto de ligação, formando uma estrutura anelar. Os requisitos ou condições para a criação de um quelato serão demonstrados a seguir. Se uma delas não for alcançada, não há quelação. Além disso, a formação de um metal quelato não garante a absorção e o metabolismo do mineral. Requisitos Mínimos para Quelação 1) O quelante deve conter dois átomos que

C

C H

O

possam ligar-se ao mesmo íon metálico. Os átomos ligantes devem ser capazes de doar um ou ambos os elétrons para a formação da ligação metal-ligante (ligação coordenada ou coordenada covalente). Exemplos de átomos doadores são: nitrogênio, oxigênio, enxofre e fósforo. Além disso, os átomos doadores podem funcionar como um grupo funcional ácido ou básico, assim como - COOH (carboxil), =O (carbonil) ou -NH2 (amino). Estrutura Molecular de um Quelato

Onde X,Y e Z devem ser necessariamente N, O. 2) O ligante deve formar um anel heterocíclico sendo o metal o elemento que fecha o anel. O ligante deve conter dois átomos


doadores que se liguem ao mesmo átomo de metal, formando então uma estrutura anelar de quelação. É importante lembrar que um complexo de metal é diferente de um metal quelato. Em um complexo, o metal pode estar ligado a apenas um átomo do ligante, formando uma molécula de cadeia alicíclica. Deve também ser notado que os metais no Grupo IA da Tabela Periódica de Elementos (Li, K, Na, etc.) não podem ser quelatos, devido à baixa eletronegatividade e a alta tendência de liberar elétrons. Geralmente, estes metais podem ser apenas complexados. Assim sendo, complexos consistem de um único átomo metálico central ou íon (ácido de Lewis), ao qual estão ligados várias moléculas ou ânions (bases de Lewis). A fórmula química dos complexos é, tradicionalmente, colocada entre colchetes. Exemplo: [Cr(CO)6]; [Cr(H2O)6]3+; [CoCl4]2Os íons ou moléculas ligadas ao átomo metálico por coordenação são denominados de ligantes e devem possuir par ou pares de elétrons não compartilhados, para que estabeleçam as ligações. Um ligante pode ser um simples ânion, como por exemplo, Cl-, F-, ou moléculas neutras tal como H2O, NH3, ou espécies carregadas, tal como CN-. Nos complexos, os ligantes ligam-se ao átomo metálico central por apenas um único ponto, ou seja, uma única ligação para cada ligante-átomo central. Quando um cátion metálico se liga a uma substância que doadores de pares de elétrons (grupamentos contendo pares is possui dois ou mais gruposolados de elétrons), de maneira que se forma uma ou mais estruturas em anel, o composto resultante é chamado de “quelato” ou “quelato do metal” e a substância doadora de elétrons é denominada de “agente quelante”. 3) Deve ser estericamente possível quelatar o metal. Impedimento estérico é a interferência ou a inibição de uma reação, devido ao tamanho de uma ou de outra parte reativa. O impedimento estérico é uma característica não apenas do ligante, mas também do raio atômico do metal. Na medida em que o ligante é envolvido, é estericamente e energeticamente improvável que um polipeptídeo grande ou um ligante com cadeias laterais volumosas, como proteínas parcialmente hidrolisadas, sejam capazes de quelatar metais. Seus dois átomos doadores potenciais estariam muito distantes para inclinação neces-

sária para ambos alcançarem a zona reativa do metal. O raio do átomo de metal também deve ser considerado. Pode-se visualizar isto ao segurar uma bola de gude entre os dedos indicador e polegar e contar o número de pessoas que podem segurar a mesma bolinha de maneira similar. Isto torna óbvio que apenas um número limitado de pessoas pode segurar a bolinha de gude ao mesmo tempo. Se a bolinha for maior, mais pessoas poderão segurá-la. Se ela for menor, menos pessoas poderão segurá-la. O mesmo acontece com quelantes e átomos de metais. Quanto menor o íon metálico, menor o número de ligantes que podem potencialmente posicionar-se de forma a quelatar o cátion. Quanto maior o ligante, menor o número que pode ser envolvido na formação de quelatos. Além disso, se os ângulos entre os elementos que formam o anel heterocíclico forem muito agudos devido a poucos membros (quatro ou menos) o quelato será instável e se quebrará facilmente. Muitos membros (sete ou mais) também resultarão em um quelato instável. 4) A proporção molar entre o ligante e o metal deve ser pelo menos 1:1. Se a quantidade de ligantes for inadequada à quantidade de metal a ser quelatada, então é impossível uma reação de quelação completa. A reação química para a formação de quelatos deve ser balanceada por equivalentes molares de substratos. Devem-se conhecer os pesos moleculares do ligante e do metal, para calcular

equivalentes molares corretos. Se fosse estericamente possível formar quelatos com proteínas ou proteínas parcialmente hidrolisadas, seria muito difícil balancear os equivalentes molares para uma reação completa. Requisitos para um Quelato Nutricionalmente Funcional (Biodisponibilidade) Foram mencionados anteriormente, os requisitos indispensáveis para que ocorra a quelação, no entanto, existem outros requisitos necessários para formação de um quelato nutricionalmente funcional (Biodisponíbilidade). A quelação não garante a utilização do mineral pelas plantas. “Quelação” não é uma palavra mágica. Um mineral deve ser quelatado de maneira específica para que se obtenha uma ótima absorção, translocação e metabolismo. Um quelato nutricionalmente funcional é aquele que reúne todas as condições que foram previamente discutidas, e mais as seguintes: 1. O quelato deve ter um peso molecular menor que 1.000 Daltons. A AFFCO (Association of American Feed Control Officials) estabeleceu um limite máximo de peso para um metal aminoácido quelato de 800 Daltons. Sabe-se que somente estes aminoácidos quelatos de baixo peso molecular atravessam a membrana plasmática intactos, e que a planta transloca o metal destes quelatos de baixo peso molecular não como um complexo metal-

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-ligante, mas como um quelato polipeptídeo pequeno, intacto (geralmente uma molécula como um di ou tripeptídeo). Isto evita o processo ineficiente de ionização no ectoderma e seu gasto energético, impedindo as reações químicas que interferem e reduzem a absorção dos minerais e a re-quelação necessária para transporte de um íon metálico ou um quelato/complexo maior. Então, é totalmente improvável um metal ser quelatado por um polipeptídeo grande, como uma proteína de soja ou o subproduto da fabricação do glutamato monossódico. Esta proteína deve liberar o metal durante o seu processo de absorção no apoplasto, e o metal liberado durante o processo de absorção estará sujeito às muitas reações que um sal metal comum é submetido, apesar de estar supostamente “quelatado”. O mesmo metal, quelatado a aminoácidos é translocado através da membrana plasmática como a mesma molécula que foi absorvida. Dessa maneira, é de pouco, ou nenhum valor nutricional quelatar um metal com proteína ou proteína parcialmente hidrolisada com peso molecular maior que 1.000 Daltons, pois elas não são absorvidas como quelatos e necessitam de recombinações químicas e demanda de energia. 2. O quelato deve ser eletricamente neutro. Para alcançar este estado de neutralidade elétrica, as duas condições devem ser atendidas: A. O quelato não deve ser complexado com um ânion facilmente ionizável, como um halogênio ou um grupo sulfato. Se esta condição não for atendida, o quelato pode interagir quimicamente para formar um hidróxido metálico ou fosfato insolúvel. B. O ligante deve satisfazer o estado oxidativo e um número de coordenação do átomo de metal. Este tipo de ligação refere-se à ligação coordenada covalente. Esta condição também terá um efeito na proporção molar ligante/metal. Por exemplo, se um mol de um cátion metal bivalente como o Mg++ fosse ser quelatado, então seria necessário usar dois moles de aminoácidos ou um mol de algum outro ligante com dois doadores ou grupos doadores que fossem ácidos por natureza, ou um mol de um átomo ligante multidoador, assim como o EDTA. Deve ser lembrado que, nestes casos, somente o aminoácido

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quelato é absorvido como uma molécula nutricionalmente viável. 3. O quelato deve ter uma constante de estabilidade forte o suficiente para evitar interações químicas na calda de pulverização antes da absorção pelas folhas. Estas interações químicas incluem a formação de hidróxidos, fosfatos e óxidos, todos os quais poderiam quebrar o anel do quelato se a constante de estabilidade for muito fraca. A constante de estabilidade do quelato deve ser mais forte que a dos ligantes presentes na camada cerosa e cutícula das folhas a fim de preservar a estrutura do quelato, intacta para a absorção. Se o quelato for susceptível à dissociação na superfície foliar devido à constante de estabilidade fraca, ele irá se separar do metal durante o processo antes de alcançar os espaços intercelulares. Além disso, o ligante não pode permitir a liberação do metal no apoplasto, o que permitiria a sua interação com outros íons metálicos. Por outro lado, a constante de estabilidade não pode ser tão forte a ponto que no citoplasma, as células não consigam liberar o metal do ligante e utilizar o mineral e os aminoácidos metabolicamente. 4. O ligante deve ser facilmente metabolizado. Quelatos feitos com ligantes que não são metabolizados, assim como o EDTA e o ácido picolínico, não são considerados nutricionalmente funcionais. Os quelatos produzidos com estes tipos de ligantes podem ser contra produtivos, devido a sua capacidade de remover outro mineral – Exemplo: na região mediterrânea, principalmente na Espanha e Itália, em citros e viticultura, não é recomendado o uso de quelatos de EDTA, em função da grande afinidade deste com o Cálcio. Os aminoácidos são ligantes ideais. Outras substâncias podem formar quelatos, mas poucas reúnem todos os requisitos para que um quelato seja nutricionalmente funcional. 5. O raio atômico da molécula do quelato menor que os poros nas camadas duplas de fosfolipídios da membrana celular. Invariavelmente, estes espaços na membrana plasmática são da ordem de 7 Angstrons(Å). O raio atômico de quelatos de EDTA, por exemplo, variam de 14 a 18

Å. Um mineral aminoácido quelato é absorvido pela membrana plasmática muito mais rápido por ser uma molécula muito pequena (<5 Å). Resumo e Conclusão Os requisitos que uma molécula deve reunir para ser considerada um mineral aminoácido quelato nutricionalmente funcional são muito explícitos. Estas envolvem ligações específicas, formação de anel, proporções molares ligantes/mineral, peso molecular abaixo de 800 Daltons, raio atômico menor que 7 Angstrons, neutralidade elétrica, constantes de estabilidade e metabolismo total do mineral e de seus ligantes. Assim sendo, um mineral aminoácido quelato nutricionalmente funcional, de acordo com os requisitos mencionados, é uma forma mineral que apresenta os seguintes benefícios: - Grande velocidade de absorção, translocação e metabolismo - Menor perda por lavagem, natural ou irrigação - Seguro - Baixa toxicidade - Estável, máxima neutralidade elétrica - Biodisponibilidade - Alta estabilidade em formulações. Referências Bibliográficas 1. Ashmead, S. D, Beck B., Identification of Metal Amino Acid Chelates Using FT-IR In Process, 1995. 2. Ashmead, H.D., et al., op. cit., p. 215. 3. Association of American Feed Control Officials, Inc., AAFCO Oficial Definition 57.142, Official Publication, pp. 164-165, 1990. 4. Bell, C. F., Principles and Applications of Metal Chelation, Claredon Press, Oxford, p. 8, 1977. 5. Kratzer, F. H., Vohra, P., Chelates in Nutrition, CRC Press, Florida, p.9, p.40, p. 43 1986. 6. Lavorenti, Arquimedes. Professor Associado do Depto. de Ciências Exatas, ESALQ/USP, Caixa Postal 9,13418-900 – Piracicaba – SP. E-mail: alavoren@carpa.ciagri.usp.br – Publicação Destinada ao Ensino de Ciências - Química - 28/3/2002. 7. Mellor, D.P., Historical Background and Fundamental Concepts, Dwyer, F. P. and Mellor, D. P., eds., Chelating Agents and Metal Chelates, Academic Press, New York, p. 18, 1964. 8. Morgan, G.T., Drew, H.D.K., Researches On Residual Affinity and Coordination. II. Acetyl Acetones of Selenium and Tellurium., J Chem Soc, 117:1456, 1920. 9. Tiffin, L., Translocation of Micronutrients in Plants, in Dinaueer, R., ed., Micronutrients in Agriculture, Madison: Soil Science Society, p. 207, 1972


REPOLHO

PLANTIO + PROTEÇÃO DAS MUDAS + ADUBAÇÃO + CLIMA E SOLO + COLHEITA E TRANSPORTE

O repolho é derivado da couve-selvagem, cujo nome botânico é Brassica oleracea L., variedade capitata; é planta indígena da Europa e, provavelmente, da Ásia Ocidental e nesses continentes é cultivado desde a antiguidade.

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O repolho é importante alimento de proteção, sendo, quando cru, servido como salada, mais rico em vitamina C, do que o tomate e a laranja. Possui, ainda, ponderáveis quantidades de vitamina B1, B2 e G, além de sais de ferro e de cálcio.

PLANTIO O espaçamento usado para o repolho “Louco” e as variedades do mesmo ciclo vegetativo deve ser de 0,80m entre fileiras e 0,50m entre plantas. Um hectare comporta 22.000 plantas, para o que bastam 150gr de sementes que possuem, no mínimo, 70% de poder germinativo. Transplantam-se as mudas com 5 a 7 folhas definitivas, o que ocorre perto de 30 a 35 dias após a semeadura. Para variedades de menor ciclo vegetativo, o espaçamento deve ser de 0,70m por 0,40m e, para as mais tardias, de desenvol-

vimento maior de folhas, 0,90m por 0,60 m.

PROTEÇÃO DAS MUDAS O aquecimento da superfície da terra afeta o colo das plantas tenras que caem e morrem ou resistem, mas ficam raquíticas. Por isso é preciso proteger do sol as mudas recém-nascidas no canteiro de semeadura. Para tal, usa-se sapé, plásticos, etc., colocada à altura de trinta centímetros do solo. Essa cobertura deverá ser usada somente nas horas de sol forte, entre 10 e 16 horas, até que as plantas tenham adquirido duas folhas, daí em diante, e até a transplantação, devem ficar a pleno sol.

ADUBAÇÃO Os terrenos muitos leves, pobres em matéria orgânica, não são recomendáveis, pois somente produzirão bem, com pesadas adubações. Também não se re-


comendam locais muito úmidos ou ricos em matéria orgânica não decomposta. Estes locais possuem, geralmente, terras muito ácidas, necessitando, por isso, além de boa drenagem, da aplicação de calcário. Após drenagem, findando a umidade e passado tempo suficiente para a ação benéfica da calagem, o repolho produzirá bem, desde que se faça boa adubação. O repolho retira pesado suprimento mineral do solo onde é cultivado. A não ser em casos especiais, sempre há exigência de adubação, porque as terras não possuem a riqueza necessária. Os teores em sais minerais dessa hortaliça aumentam, quando convenientemente adubada. A matéria orgânica é muito importante nessa adubação. Se não for usado o esterco de curral ou outro adubo correspondente, deve ser semeada uma leguminosa como adubo verde, em rotação. Nesse caso, o plantio do repolho será feito cerca de 3 meses após a incorporação do adubo verde. Quando se planta tomate ou batatinha, com pesada adubação, após essa cultura, pode ser feita, com sucesso, a plantação do repolho, sem nova adubação, tornando-se necessária, para ativar a vegetação, apenas pequena aplicação de Salitre do Chile em cobertura. No viveiro ou canteiro de semeadura, é sempre aconselhável empregar, por metro quadrado, 8 a 10 dias antes de semear, a seguinte adubação:

- Esterco de curral curtido -10 Kg. - Superfosfato (20%) -100 gr.

O esterco de curral pode ser substituído por 2.500gr. de esterco de galinha bem

curtido. Quando as plantas no viveiro não se desenvolverem satisfatoriamente, regar com solução de salitre do Chile, na base de 10grx10 L de água/m2.

CLIMA E SOLO O repolho prefere clima fresco e úmido, especialmente por ocasião da formação das cabeças. O clima das regiões produtoras dessa hortaliça permite a sua cultura o ano todo. As variedades importadas produzem bem em época fresca, devendo ser semeadas de fevereiro a agosto. A variedade nacional “Louco” produz bem se semeando de outubro a março, especialmente de dezembro a março nas regiões mais frias; é cultivada, com sucesso, no período mais fresco do ano nas regiões mais quentes do estado, como o norte, noroeste e o litoral. O repolho é, moderadamente, tolerante à acidez do solo, sendo preferidos os solos com pH variando de 5,5 a 7,0. Produz nos mais variados tipos de solo, mas são recomendáveis os argilo-silicosos, ricos em matéria orgânica bem decomposta, regularmente profundos, com facilidade para irrigação.

COLHEITA E TRANSPORTE A solidez da cabeça é a característica usual para o ponto exato da colheita, ainda que, para algumas variedades, bem o seja. No ponto de colheita, as folhas de cobertura começam a enrolar-se levemente para trás, expondo as folhas mais claras de baixo. O método de colheita mais comum consiste em separar a caule com uma faca afiada, como a de açougueiro. Ao cortar, evitar ferimentos na cabeça, o que deprecia o produto.

O repolho, que se destina a um embarque imediato, é levemente descascado, deixando-se quatro a sete folhas de cobertura. Aquelas que apresentarem grande estrago devido a lagartas, moléstias ou a outra causa devem ser removidas, embora seja necessário profundo desfolhamento das folhas externas que protegem as cabeças poderão ser retiradas no destino, se for preciso dar ao produto um aspecto de fresco. Desta forma, os caules ficam com 5 a 10 milímetros de comprimento. A colheita das variedades mais precoces e mais tardias, é feita, respectivamente, entre 105 a 115 dias ou 130 a 150 dias, após a semeadura. Ao se colocarem as cabeças colhidas dentro dos meios de transportes, tomar grande cuidado a fim de evitar contusões, pois os tecidos feridos adquirem um aspecto aquoso, ficando, mais tarde pretos e, muitas vezes deterioram-se. Desde que os caminhões transportem o repolho para o mercado em tempo relativamente curto, as preocupações no carregamento não são tão importantes. A carga dos caminhões deve ser protegida contra exposição direta dos raios solares, visto que tal exposição causará o murchamento dos repolhos. Se estiverem em engradados, será bom deixar algum espaço de ventilação entre os mesmos. Não são recomendados embarques a granel, em caminhões e em dias quentes, a não ser para curtas distâncias, pois a deficiente circulação de ar poderá causar deterioração. O ideal seria o transporte à noite.

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Produzir e distribuir alimentos requer

ENERGIA Fonte: Frederico Ozanan Machado Durães

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mundo redescobre que a ação antrópica altera o ambiente e se assusta com as proporções e consequências dessas alterações. A economia verde coloca a inovação em bases sustentáveis como determinante de mercados competitivos. Três evidências configuram e moldam estes novos mercados. Primeiro, cresce a consciência individual e coletiva para as questões ambientais e molda uma nova atitude quanto ao uso dos recursos da natureza. Segundo, dados confiáveis e robustos são fatores imprescindíveis para as políticas públicas e o norteamento das iniciativas nas áreas de produção sustentável. E, terceiro, a sociedade moderna está disposta a pagar pelos serviços ambientais e cria novo valor para a economia verde. Mudanças climáticas globais, emissão de gases de efeito estufa e instabilidade de preços e disponibilidade de petróleo são os fatores recorrentes no centro dessas discussões. Isto afeta os países, os biomas e as pessoas, de forma crescente. A agricultura é um setor altamente visível nesta discussão. O entendimento dos binômios associados à agricul-

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tura passa a compor as agendas de pesquisa-desenvolvimento-inovação, de desenvolvimento regional, de mercados. Dentre os binômios, discutem-se a Agricultura x Ambiente, Agricultura x Água, Agricultura x Economia de Carbono, Agricultura x Alimentos, Agricultura x Agroenergia, dentre outros. Daí, busca-se desenvolver uma nova agricultura, com competitividade e sustentabilidade, associada à economia de água, economia de carbono, balanço de energia, etc. O mundo descobre que para produzir e distribuir alimentos há necessidade de energia e a mudança de uma matriz energética de base fóssil para outra baseada em recursos renováveis, incluindo a energia de biomassa, faz parte de uma estratégia diferenciada. E, os países que apresentam significativas vantagens comparativas naturais e construídas, aparecem como potenciais na vanguarda quanto ao uso e aplicação da energia renovável. O Brasil reúne estas vantagens comparativas e, além dos fatores clássicos de produção (terra, capital e trabalho), busca competitividade via inovação. Atualmente, a expansão da agroenergia explora a logística montada pela agricultura brasileira nas plataformas etanol, biodiesel, florestas

energéticas, resíduos/coprodutos. Estas plataformas são tratadas em três vertentes (desenvolvimento de tecnologia agronômica, tecnologia industrial e estudos transversais – socioeconomia, ciclo de vida, balanço de energia, economia de água, economia de C, etc.). O papel histórico da agricultura é repensado. A produção de alimentos, fibras, energia, a cessão de mão de obra para o setor urbano-industrial passa por uma discussão global sobre o uso direto e indireto da terra. É intensificada a pressão sobre os biomas terrestres e aquáticos. Um exemplo em curso é a discussão internacional sobre o bioma AMAZÔNIA. O discurso que argumenta sobre “culturas deslocam pastagens que deslocam florestas” requer respostas com estratégias para ordenamento territorial, geopolítica e logística para produção e mercado, e carece de dados que suportam estas estratégias. Dados que fundamentam o conhecimento podem suportar políticas públicas que visam o desenvolvimento regional. No Brasil, o ordenamento territorial para AGROENERGIA conta com dois recentes marcos regulatórios importantes, quais sejam: ZAE Cana (Zoneamento Agroecológico


O BRASIL DEVERÁ AUMENTAR SUA ÁREA CULTIVADA, SEUS NÍVEIS DE PRODUTIVIDADE FÍSICA POR PRODUTO AGROINDUSTRIAL, E SEUS VOLUMES DE PRODUÇÃO DA “AGRICULTURA DE ALIMENTOS” E DA “AGRICULTURA DE ENERGIA”.

da Cana-de-Açúcar orienta a expansão em 7,5% das terras brasileiras – são 64,7 milhões de hectares). De acordo com os novos critérios, 92,5% do território nacional não são indicados ao plantio de cana. ZAE Palma de Óleo – Dendê (Zoneamento Agroecológico da Palma orienta para área correspondente a 31,8 milhões de hectares. Para proteger a floresta e garantir a sustentabilidade da produção de palma de óleo fica proibida a utilização de 86,4% das áreas aptas e de 96,3% da área total do território brasileiro (equivalente a 851,5 milhões de hectares. IBGE, 2010). Sob a égide da competitividade e sustentabilidade a agricultura moderna define aumentos de produtividade associados à inovação e respeito ao meio ambiente. Os negócios de base tecnológica requerem, pois, os avanços técnico-científicos associados a marcos regulatórios firmes. No Brasil, marcos regulatórios recentes, por exemplo, Lei de Proteção de Cultivares (1997) e Lei de Inovação (2004) imprimem novas e diferenciadas características para o conhecimento, exigindo de instituições e grupos de pesquisa, a modificações operacionais quanto ao conhecimento livre, ao sigilo corporativo ou de laboratório, e aos itens protegíveis ou patenteáveis. A Agenda de Agroenergia absorve adequadamente estas duas “boas en-

crencas” ou desafios. E, as questões técnico-científicas e as legais, colocam o desenvolvimento e aplicação de gerações tecnológicas, simples ou complexas, no âmago dos negócios agrícolas no Brasil. Neste caso, a produção da biomassa primária, a caracterização da matéria-prima de qualidade, a densidade de energia em matérias-primas e resíduos, a eficiência de processos de conversão, e a agregação de valor de coprodutos, biomoléculas e biomateriais com base em substratos de carboidratos, lipídeos e intermediada por microrganismos fazem a este mercado os desafios das biorrefinarias, como robusto conceito de eficiência energética e de aproveitamento otimizado de recursos. O Brasil deverá aumentar sua área cultivada, seus níveis de produtividade física por produto agroindustrial, e seus volumes de produção da “agricultura de alimentos” e da “agricultura de energia”. Os gargalos, por certo, não serão de gerenciamento ou de mão de obra, de genética tropical de espécies, terra ou mesmo quanto à maquinaria. Insumos modernos e novos enfoques (fertilizantes, água, balanço de energia e de carbono, etc.) serão, por certo, os principais ingredientes da equação Brasil de desenvolvimento do negócio agrícola e agroenergético no País. A Embrapa, como coordenadora do

Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária – SNPA, está no “olho do furacão” para a agenda de “produzir e distribuir alimentos”. A contribuição em oferta tecnológica e negócios competitivos para a sustentabilidade da agricultura brasileira requer informação estruturada, conhecimento adequado e relacionamentos robustos. As crescentes demandas de mercados produtivos, de suporte às políticas públicas e a necessidade de adequada transferência de tecnologia, coloca a Embrapa, dentro de sua missão, como parceiro diferenciado preferencial e estratégico para as agendas de ordenamento territorial, competitividade dos negócios agroindustriais, fator de inclusão social e produtiva. A Embrapa necessitará de novos modelos de inovação e cooperação capazes de entender e interagir com os mercados de C&T, produtivos, negociais, organizacionais, dentre outros, em ambientes competitivos e sustentáveis. Estes novos desafios deverão se ampliar a nível nacional e internacional. Destacam-se os determinados compromissos do Brasil, na agenda positiva de combate à fome e à miséria extrema, bem como as oportunidades de cooperação técnica que serão ampliadas, por certo, com a renovada liderança do brasileiro José Graziano da Silva, na direção da FAO – Food and Agriculture Organization (ONU).


Novo cultivar de tomate de mesa Embrapa Hortaliças e Agrocinco lançam BRS Iracema Trata-se de uma nova variedade de tomate do tipo cereja, que recebeu o nome de BRS Iracema – lábios de mel, em tupi-guarani -, em referência ao sabor adocicado de seus frutos. A BRS Iracema é uma cultivar híbrida, desenvolvida a partir de sementes produzidas através da polinização cruzada de plantas, e, além da doçura, resultante de seu alto teor de sólidos solúveis (brix), detém outras qualidades: frutos firmes, boa durabilidade pós-colheita, excelente sequência de pencas e tolerância a nematoides-das-galhas do gênero Meloidogyne, grupo de patógenos responsáveis por provocar grandes danos à tomaticultura. Recomendada para consumo in natura, a nova cultivar tem frutos arredondados, coloração vermelha intensa e brilhante, o que indica a forte presença de licopeno – substância que dá a cor avermelhada ao tomate e é antioxidante – quando absorvida pelo organismo ajuda a reparar danos causados pelos radicais livres. Além desses atributos apreciados pelos consumidores, a BRS Iracema pode ser extremamente interessante para o produtor: em condições protegidas em áreas produtoras de Tupã e Adamantina (SP), a cultivar apresentou potencial produtivo de oito a dez kg de frutos por planta, de acordo com o coordenador do programa de melhoramento genético do tomateiro

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na Unidade, pesquisador Leonardo Boiteux. Segundo ele, a BRS Iracema também se destaca por sua versatilidade. “O híbrido pode ser plantado tanto em campo aberto, como em cultivo protegido”, salientou. O contrato para desenvolvimento da cultivar teve como base a Lei da Inovação, que permite o investimento direto de empresas em trabalhos de pesquisa para obtenção de novas tecnologias. Para o pesquisador, o modelo de cooperação baseado nessa lei faculta à Embrapa construir e viabilizar parcerias com pequenas e médias empresas de sementes, o que representa “ganhos para todo mundo”. “A partir de um contrato de cooperação entre a Unidade e a Agrocinco, foi realizado um investimento direto da empresa no desenvolvimento da tecnologia.” Boiteux acrescenta que as sementes da BRS Iracema podem ser adquiridas pelos produtores diretamente com a empresa parceira. Além da cultivar, lançada durante os festejos dos 39 anos da Embrapa, comemorados na última semana de abril, mais três tomates estão sendo preparados para lançamento ainda durante o ano de 2012, dois tomates de mesa – Montese e Portinari – e o híbrido Sena, para processamento industrial. Fonte: Embrapa Hortaliças


AMORA

PLANTIO + CONTROLE + TUTORAMENTO + PODA + PRAGAS E DOENÇAS

Os solos mais apropriados para a cultura são aqueles bem drenados, com boa capacidade de retenção de água e bom teor de matéria orgânica. Em geral, os solos ligeiramente ácidos, com um PH em torno de 5,5 a 6,0, são os melhores para a amora-preta. As amoras são cultivadas em diversas regiões. O espaçamento recomendado varia de 0,30 a 0,70 m entre plantas e de 2,5 a

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3,0 m entre as linhas de plantio. Para cultivar a Tupi, nas condições dos Campos de Cima da Serra, recomenda-se 0,5 m entre plantas e 3,0 m entre linhas, totalizando uma densidade de 6.666 plantas/ha. O espaçamento de 0,5 m entre mudas proporciona uma colheita significativa já na primeira safra. A distância entre linhas de 3,0 m proporciona um espaço adequado para os tratos culturais mecanizados e, ao

mesmo tempo, uma boa insolação e circulação de ar no cultivo. Recomenda-se a subsolagem total da área com incorporação de calcário e fertilizante a 30 cm de profundidade, com o objetivo de corrigir a acidez e a fertilidade do solo (adubação pré-plantio). As quantidades dos insumos devem ser definidas de acordo com a análise de solo. O plantio


de aveia preta no ano anterior, com o objetivo de proteção do solo, e aumento do teor de matéria orgânica, também é recomendado. Em áreas não mecanizadas e pedregosas, pode se fazer o preparo somente das covas, desde que essas sejam bem preparadas e adubadas, para proporcionar o desenvolvimento inicial adequado das raízes. Na cova, deve-se colocar em torno de 1 kg esterco de galinha ou 2 kg de esterco de gado bem curtidos (fermentados/estabilizados). O calcário pode ser misturado na terra retirada da cova, na quantidade de 0,3 a 0,5 kg/cova; no restante da área espalhar na superfície total no máximo 3 t/ha; recomenda-se fazer a limpeza de ervas na linha de plantio.

PLANTIO DAS MUDAS O plantio deverá seguir um alinhamento e marcação de acordo com o espaçamento previamente planejado. O plantio deve ser executado em condições de solo com boa umidade, de preferência após precipitações pluviométricas. É fundamental a irrigação das mudas logo após o plantio, pois eliminam-se as bolsas de ar que ficam ao redor das raízes e aumenta-se o contato das mesmas com o solo, reduzindo os riscos de desidratação das mesmas. A planta deve permanecer à sombra com irrigação frequente até ser transplantada. A época mais adequada para o plantio é no final do inverno e início da primavera, podendo se estender até o início do verão, nesse caso, desde que irrigadas com frequência. As mudas de estacas enraizadas ou de brotações de raiz nua devem ser plantadas, preferencialmente, de março/ abril até o mês de setembro.

CONTROLE DE ERVAS

das plantas, pois reduz a germinação das ervas, mantém a umidade superficial e incorpora matéria orgânica ao solo.

TUTORAMENTO O sistema de condução mais utilizado para a amoreira é em forma de T, onde são implantados palanques (eucalipto tratado) na linha de plantio a cada 8 m de distância, com dimensões de 0,15 m (diâmetro) x 1,80 m (altura), que deverão ser enterrados em torno de 0,5 m. Nas cabeceiras das linhas, normalmente são utilizados palanques com 1,60 m de altura e 0,15 m de diâmetro, colocados em posição inclinada. As travessas que formarão o T são fixadas em uma altura de 1,0 a 1,20 m do solo, por onde passam 2 arames paralelos de 40 a 50 cm distantes um do outro. Quando as brotações das plantas, emitidas junto ao solo, ultrapassarem os arames, devem ser amarradas. Esse tutoramento é fundamental para evitar danos pelo vento e facilitar a colheita das frutas.

PODA No primeiro ano, as hastes que brotam da coroa das plantas (das mudas) devem ser raleadas, deixando apenas quatro hastes por planta, consideradas uma boa densidade para a primeira produção. No outono ou inverno, essas quatro hastes são tutoradas nos arames e despontadas a 20 cm acima do mesmo. Na primavera seguinte, essas hastes florescem e produzem a primeira colheita, que ocorre de novembro a janeiro. Ainda na primavera, emergem do solo novas hastes que crescem ultrapassando os arames de sustentação e então devem

ser despontadas (poda de verão) a 30 cm acima do arame, com o objetivo de forçar a emissão de ramos laterais, que produzirão no próximo ano. Logo após a colheita, as quatro primeiras hastes devem ser podadas ao nível do solo e retiradas do pomar, deixando espaço para as hastes novas despontadas se desenvolverem até o final do verão, início do outono. A poda de inverno é realizada, encurtando todos os galhos laterais a 30-40 cm, com o objetivo de organizar o espaço na linha e distribuir melhor a frutificação. Junto com essa poda de inverno, realiza-se uma seleção das hastes mais vigorosas, eliminando-se o excesso. O recomendado é deixar, no máximo, 3 hastes produtivas por metro linear.

PRAGAS E DOENÇAS Um grande número de pragas e doenças pode atacar a cultura da amora-preta. No caso das doenças, as estratégias de manejo em outros países associam os métodos culturais, físicos, biológicos e a proteção química das plantas com fungicidas. A intensidade de uso de um ou outro método depende do sistema de produção (convencional, orgânico ou integrado) adotado pelo produtor. As recomendações de controle das principais pragas e doenças enfatizam o uso de mudas sadias e a profilaxia, que visam à redução das fontes de inóculo e de sua evolução dentro da área de produção. A estas práticas são acrescentadas a adubação equilibrada, a condução aberta das plantas, a manutenção da cobertura verde baixa e cobertura plástica dos cultivos e o controle químico com produtos cúpricos, enxofre e calda sulfocálcica.

No primeiro ano, deve-se evitar a competição por água e nutrientes entre as mudas e as ervas indesejadas, principalmente as gramíneas. Nesse período, o controle das ervas deverá ser realizado com capina superficial, para não danificar as raízes e arranquio manual próximo às mudas. Recomenda-se também o uso de cobertura com palha (mulch), sobre a linha Revista Plantar

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MERCADO

MBA em agronegócios pode alavancar município

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ocalizada no sudoeste de Goiás, a cidade de Rio Verde é uma das mais ricas em produção. O município foi considerado o mais rico na atividade agropecuária do país em 2009, o valor alcançado chegou a R$ 676,2 milhões, segundo dados da Secretaria Estadual de Infra Estrutura. A economia da cidade foi impulsionada pela expansão da produtividade nas lavouras, melhora dos preços agrícolas e por uma maior agregação de valor aos produtos, graças à forte industrialização. Motivado por essa e outras razões o Instituto Número 1 e sua parceira Pontifícia Universidade Católica (PUC), lançaram no dia 24 de maio, no auditório Kleber Reis Costa, o curso de MBA em

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agronegócios. O estudo tem como objetivo capacitar profissionais para o mercado que demanda muitas técnicas não só teóricas como também práticas. No lançamento do curso estiveram presentes inúmeros profissionais e autoridades da área agrícola. Duas palestras foram ministradas no evento, o engenheiro Eduardo Wener Hackradt da Valec, falou sobre a importância estratégica da ferrovia no escoamento da produção do agronegócio em Goiás. “A ferrovia norte-sul trará inúmeros benefícios para os produtores. A obra irá facilitar muito o escoamento de tudo que está sendo produzido na região. A agricultura tem muito a ganhar com a ferrovia”, disse Eduardo. Mauricio Faganelo, representante da SEDEC (Secretária de Desenvolvimento

Econômico de Rio Verde) falou sobre a importância da plataforma logística de Rio Verde na movimentação da produção. “Rio Verde terá um crescimento muito grande em médio prazo, estão sendo preparados alguns projetos que irão alavancar ainda mais o município”, afirmou Mauricio. Segundo o professor José Cesar, diretor do instituto, ambas as palestras são projetos que beneficiarão a região caso haja profissionais preparados para atender a todo esse crescimento. O corpo docente responsável pelas disciplinas do MBA é constituído por professores (Especialistas, Mestres e Doutores) com significativa experiência profissional e acadêmica. O curso terá inicio no 2º semestre de 2012.


O

jovem ano de 2012 vai ficar na história como um divisor de águas para o setor sucroenergético brasileiro. Atitudes e decisões que prevalecerem agora serão decisivas para os resultados, ou as consequências, que veremos daqui para a frente. O ponto de partida é evidente para empresários, governos e consumidores: o setor precisa voltar a crescer aceleradamente, em ritmo da ordem de 9% ao ano, como se observava até a crise financeira de 2008, que afetou mais de um terço das empresas do setor. Desde então, perdas de produtividade devido a severos problemas climáticos, aumentos acentuados nos custos de produção e a perda de competitividade do etanol no mercado interno explicam a oferta reduzida e os preços para o consumidor nem sempre competitivos que vemos hoje para o etanol. Para atender à demanda, que segue em alta, a Unica estima que será preciso mais que dobrar a produção brasileira de cana-de-açúcar até 2020, dos atuais 555 milhões para 1,2 bilhão de toneladas. É uma meta ambiciosa, que terá significativas repercussões sobre toda a cadeia produtiva da cana. Novas usinas já nascem mecanizadas e prontas para cogerar bioeletricidade. Estima-se que serão adquiridos 11 mil tratores, plantadoras e colhedoras e 10 mil novos caminhões. Serão gerados 350 mil novos empregos diretos e 700 mil indiretos, com até 25 mil trabalhadores qualificados por ano, um terço deles vindos da colheita e plantio manuais, gradativamente substituídos pela mecanização. Avanços tecnológicos, que podem ser viabilizados nos próximos anos, vão permitir a produção de etanol não só do caldo da cana mas também a partir do bagaço e da palha.

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A transformação da celulose em açúcares simples, para produção do chamado etanol de segunda geração, vai elevar a média de litros de etanol por hectare de cana plantada dos atuais 7 mil litros para 12 mil litros. Com o crescimento, o PIB do setor passará dos atuais US$ 48 bilhões para US$ 90 bilhões, e as exportações, que já são importante componente do superávit comercial brasileiro, saltarão de US$ 15 bilhões para US$ 26 bilhões. A redução de emissões devido ao consumo de etanol e bioeletricidade em nosso País, que já é de 46 milhões de toneladas de CO2 equivalentes, chegará a 112 milhões de toneladas anuais em 2020. Menos emissões significa ganhos para a saúde pública, com menos internações hospitalares e óbitos causados por doenças respiratórias e cardiovasculares. Esse novo salto, o maior da história do setor, vai exigir investimentos de R$ 156 bilhões e a construção de 120 greenfields até 2020. Mas o sucesso vai depender, em grande medida, de políticas públicas estáveis e consistentes, que possibilitem, entre outros aspectos, a recuperação da competitividade do setor no mercado doméstico, perdida depois que o governo desonerou a gasolina em detrimento do etanol. Desde 2002, a carga tributária sobre a gasolina caiu de 47% para 35% do preço de bomba. Essa prática vem permitindo que a Petrobras aumente o preço na refinaria sem alterar o preço final, criando uma estabilidade artificial no posto. A evolução do preço mundial do barril de petróleo é desconsiderada, acarretando as importantes perdas para a Petrobras que foram recentemente comentadas nos principais jornais. Enquanto a tributação sobre a gasolina vem caindo, a taxação média do etanol permaneceu inalterada, em 31%. A diferença tributária de 4 pon-

tos percentuais entre gasolina e etanol na bomba, na verdade, desaparece devido ao conteúdo energético do etanol, que é 30% inferior. Considerando-se tributos por quilômetro rodado, a taxação do etanol é hoje superior à da gasolina em quase todo o País, exceção de São Paulo, onde o ICMS é metade do recolhido na maioria dos outros estados. É importante frisar que o setor sucroenergético não defende um aumento do preço da gasolina, mas sim políticas que, a exemplo do que ocorre no resto do mundo, reconheçam os amplos benefícios dos biocombustíveis. O que se defende é uma significativa desoneração na linha do que foi feito para a gasolina, com o fim, por exemplo, do PIS-Cofins, além de medidas que incentivem a construção de greenfields e a expansão da bioeletricidade. Os financiamentos do BNDES para plantio e estocagem anunciados no final de 2011 são sinais positivos que precisam, agora, de importantes complementos. O setor sucroenergético está pronto para realizar os investimentos necessários para expandir a oferta de cana, reduzir custos e se manter como protagonista do mais amplo e bem-sucedido projeto de substituição de combustíveis fósseis por renováveis do planeta. Nos próximos meses, governo e setor privado vão definir se a história que contaremos no futuro sobre o etanol brasileiro será a da continuidade de uma grande conquista brasileira, apontada mundialmente como exemplar, ou o relato de uma fantástica oportunidade desperdiçada.

Marcos Sawaya Jank é diretor presidente da UNICA União da Indústria de Cana-de-Açúcar


MERCADO

O Colapso de Produção nos Estados Unidos da América Por Ênio Fernandes - Engenheiro Agrônomo e Consultor da Terra Agronegócio.

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aríssimos, após 18 anos analisando e estudando o mercado de commodities agrícolas, tínhamos a ilusão de ter visto de tudo. Os preços recordes, históricos de 2004, o crash financeiro das empresas de tecnologia na NASDAQ, queda das torres gêmeas, quebra do Lehman Brothers (os três momentos afetaram as commodities), a alta expressiva do dólar na pré-posse do Presidente “Lula”, quebras de safra importantes na América do Sul e América do Norte. Contudo, a rapidez com que o clima mudou e que nós saímos do fenômeno “La Nina” para “El Nino” foi surpreendente. O que está ocorrendo nos Estados Unidos, devido a esta mudança é uma seca histórica. Para se ter uma ideia da magnitude desta seca, alguns meteorologistas apontam ser a pior seca desde 1950. A produção americana de milho, em meados de junho, estava projetada em 375 milhões de toneladas, um recorde. Somada a uma segunda safra no Brasil de 37 milhões de toneladas, também outro recorde, projetava um cenário tenebroso para as cotações do milho. Em aproximadamente 40 dias o mercado de milho se transformou por completo. A safra americana antes projetada em 379 milhões de toneladas está sendo esperada abaixo de 300 milhões de toneladas, ou seja, em aproximadamente 40 dias os Estados Unidos perderam uma Argentina

(21 milhões de toneladas) e um Brasil (67 milhões de toneladas – 1º e 2ª safras). O problema é que os climatologistas acreditam que este será o agosto mais seco da história e, caso se confirmem estas previsões, não teremos milho nos Estados Unidos para atender o seu atual nível de demanda. Sendo assim, o mercado criou o único caminho capaz de restringir a demanda e aumentar oferta, que nada mais é do que preços dia a dia mais altos, até chegarmos a um patamar que a demanda seja sufocada. Correções nas cotações teremos, pois, o mercado nunca trabalha em um único sentido, e ninguém sabe qual é o teto

deste mercado, assim o teto sempre é testado e baixas são necessárias. Mas, estruturalmente o mercado necessita de preços altos, pois, caso as cotações cedam demais, a demanda ressurge e assim o mercado se vê novamente na urgência de diminuir a demanda pela escassez do produto. A soja segue o mesmo caminho, pois está sendo cultivada nas mesmas regiões que o milho, mas como foi plantada um pouco mais tarde, como é um pouco mais resistente ao déficit hídrico que o milho, não atingiu ainda o estágio de degradação do milho. Os principais reflexos desta situação será uma redução nos já debilitados es-

“O MUNDO NUNCA EM SUA HISTÓRIA DEPENDEU TANTO DE UMA SAFRA DO BRASIL E ARGENTINA” 46

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toques de milho e soja nos Estados Unidos, consequentemente uma redução nos estoques mundiais. Com certeza, também teremos uma inflação de alimentos e uma extraordinária dependência da safra sul americana. O mundo nunca em sua história dependeu tanto de uma safra do Brasil e Argentina. E o campo sul americano está respondendo, as atuais cotações estão “comprando” áreas de pastagens, algodão, feijão e até laranja. Somente no Brasil deveremos crescer a área em 8%, atingindo 27,2 milhões de hectares de soja, aumentaremos a produção de 65 milhões de toneladas (seca 2011/12), para 82 milhões de toneladas (números da Safras & Mercados), um crescimento de 26%. Regiões de fronteira estão recebendo um investimento impactante, o volume financeiro que o empresariado rural está alocando na consolidação e abertura de novas áreas e no aumento de tecnologia em áreas já utilizadas é enorme. A pior seca nos Estados Unidos da América desde 1950, está promovendo uma nova onda de investimentos no Brasil, Argentina e Paraguai. O lado positivo é levar desenvolvimento e oportunidades a novas regiões, investir em mão de obra e logística, transformando regiões em novos polos de oportunidades. Consequentemente, a gestão será uma ferramenta prioritária, evitando que esta onda de investimento se transforme em uma onda de endividamento, como a que ocorreu em 2004, onde inúmeros atores foram expulsos de sua atividade. Vamos a campo.


TECNOLOGIA

Aplicativo desenvolvido pela BASF reforça evolução tecnológica no setor Nova tenologia facilitará o controle de doenças e pragas mais comuns

U

m aplicativo lançado no início de junho pela BASF para usuários dos aparelhos Android e iPhone, que permite a identificação quase imediata de pragas e doenças típicas da cana por meio de uma foto tirada do smartphone, está no bojo das constantes inovações tecnológicas desenvolvidas para o setor nos últimos anos. Na opinião do consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, a ferramenta, chamada Digilab Mobile 2.0, se soma a inúmeras outras tecnologias de última geração criadas para aumentar a produtividade e minimizar perdas nos canaviais. “Os canaviais são, literalmente, campos férteis para o surgimento de tecnologias produtivas, como é o caso mais recente da BASF. O aumento da demanda por produtos derivados da cana, principalmente etanol e açúcar, exige inovações que possibilitem maior agilidade nos processos agrícolas, do plantio à colheita,” observa Szwarc. O executivo da UNICA cita como exemplo o uso de máquinas colheitadeiras, o plantio de variedades de cana mais resistentes e o sistema de fertirrigação, que utiliza a vinhaça, um subproduto da própria produção de açúcar e etanol, rico em potássio. “A mecanização na lavoura evita o desperdício da palha da cana, que poderá ser aproveitada na geração de bioeletricidade e até na fabricação do etanol celulósico. A vinhaça substitui a aplicação de fertilizantes industrializados, enquanto novas variedades de cana resistem a pragas e outros problemas causados por alterações climáticas,” resume o especialista da UNICA.

LABORATÓRIO NO CELULAR Segundo a BASF, a principal vantagem da versão 2.0 do Digilab Mobile desenvolvido exclusivamente para smartphones, tecnologia criada originalmente para laptops em 2009 pela multinacional, é a interface mais ágil da ferramenta. Além do dispositivo Global Positioning System (GPS), que possibilita o georeferenciamento dos problemas encon-

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trados nas lavouras, facilitando o controle em relação à expansão de doenças e pragas na propriedade rural. Outra novidade do aplicativo é um microscópio digital capaz de aumentar a imagem em até 200 vezes. Após capturar as imagens nos celulares, os produtores poderão compará-las às mais de 200 figuras existentes em um banco de dados que abrange 15 culturas distintas. Em relação à cana, são 70 imagens que ajudam a identificar doenças, pragas e plantas daninhas mais comuns, como a broca, cigarrinha da raiz e ferrugem alaranjada. O grande diferencial da nova tecnologia é que, embora ela não substitua a presença e expertise de um agrônomo, em poucos minutos é possível obter respostas ainda mais rápidas do que exames feitos em laboratórios. “Dependendo da necessidade do diagnóstico, uma análise laboratorial leva de 10 a 15 dias, o que pode inviabilizar o controle, acarretando em prejuízo ao canavial,” explica Dieter Schultz, gerente de Serviços e Sustentabilidade da Unidade de Proteção de Cultivos da BASF. A expectativa da BASF é que até o final de 2012 serão mais de dois mil downloads da ferramenta. Tanto para usuários do sistema iOS (Apple) quanto do Android (Google), basta acessar as respectivas lojas virtuais (Apple Store e Google Play) e fazer a busca por “Digilab” para baixar gratuitamente o aplicativo.


PECUÁRIA

Lucro certo para o pecuarista Fonte: Rural Centro

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ucro certo para o pecuarista. O pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Luiz Otávio Campos Silva, definiu deste modo o retorno financeiro de quem utiliza os dados coletados por técnicos de programas de melhoramento genético, como o Geneplus. O mercado crescente de animais reprodutores que passam por seleção prova o sucesso e a importância das avaliações genéticas e ajudam a cadeia produtiva da carne até a gôndola do supermercado, já que pode baratear o preço do produto. Para Luiz Otávio, que é gestor e um dos idealizadores do Geneplus, programa de melhoramento vinculado à Embrapa Gado de Corte, a relação é diretamente percebida pelos consumidores finais. “As pessoas procuram primeiro por preço e segurança alimentar, depois aspectos sociais e maciez. E o melhoramento genético ajuda a baratear o custo de produção da pecuária, que impacta no preço da carne”, relacionou o pesquisador. O empresário Murilo Borges, titular da Leilogrande, que realiza semanalmente uma média de dois a três leilões de gado, reforça que os animais que são registrados em associação e passam por seleção de programas de melhoramento atendem o consumidor final também no aspecto da segurança alimentar. “Por exemplo, você tem um nelore registrado na ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), que dá pra você saber toda a árvore genealógica dele, e ele ainda passa por um programa como o Geneplus e é todo avaliado sob critérios de produção. A gente sabe tudo da procedência de um animal como esse”, demonstra.

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Dentro do Geneplus, a avaliação genética de um rebanho passa por dez etapas até que o pecuarista esteja apto a aplicar o conhecimento técnico em seus animais. Como mostrou Luiz Otávio, assim que decidem utilizar o programa, produtores rurais, técnicos de campo e pesquisadores executam as seguintes fases:

1. Planejamento do programa 2. Internalização dos técnicos

na fazenda

Características

da raça

Nelore

3. Coleta de dados 4. Arquivamento de dados 5. Análise de dados 6. Envio de resultados 7. Interpretação 8. Geração de informação com base na interpretação 9. Decisão 10. Aplicação É somente nesta última fase, a da aplicação do conhecimento gerado, que o programa de melhoramento genético se caracteriza como uma inovação. “Até esta última etapa, é Pesquisa & Desenvolvimento. Quando aplicamos, é uma inovação”, explica Luiz Otávio. “O melhoramento genético animal é um grande negócio para os grandes criadores, ou melhor, selecionadores. Quando me perguntam sobre o preço, eu respondo que é caro para quem não vai usar as informações e baratíssimo para quem vai, efetivamente, usar o programa”, resume Luiz Otávio.

Luiz Otávio, da Embrapa Gado de Corte, é um entusiasta da raça nelore. “A evolução dessa raça no programa de melhoramento é espantosa”, classifica. O pesquisador afirma que o bezerro nelore muito resistente. “Ele bateu no chão e já tá em pé”, diz. Para o gestor do Geneplus, a principal característica que fez do nelore uma das raças mais importantes no Brasil é a facilidade de criar, pois as fêmeas têm leite suficiente, tetas pequenas, que é o ideal, e uma habilidade materna muito boa. “Não é só alimentar o bezerro, é um conjunto de tudo isso. A vaca nelore toma conta da cria, se arrisca pelo bezerro e faz a raça prosperar em regiões inóspitas. As pessoas falam do cruzamento, porque o cruzamento é bom, mas esquecem que um bom nelore melhora o cruzamento. Eu costumo falar que o nelore é como um empório: você busca uma característica, vai no inventário da raça e encontra ela lá”, compara Luiz Otávio.


Mercado Crescente 83%

90% 80% 70% 60% 50%

73%

Não Prova Prova

40% 30% 20%

27% 17%

10% 0% 2000

2010

*Doses de sêmen comercializadas pela Alta Genetics em 2000 a 2010. Segundo números levantados em 2010, apresentados pela zootecnista Roberta Gestal no Dia de Campo Genética Aditiva 2012 (dia 5 de maio), em 2000 a porcentagem de venda doses de sêmen de animais selecionados por programas de melhoramento era de 27%. Em 2010, 83% das doses de sêmen vendidas eram de animais provados*.

O QUE É O

GENEPLUS? O GENEPLUS é um programa de melhoramento genético animal, criado para melhor assessorar os produtores de bovinos de corte. É composto por um software que facilita o gerenciamento de informações provenientes do campo gerando relatórios em cada uma das fases de exploração da atividade. Esse software pos-

sibilita a formação de banco de dados adequados à análises genéticas para o produtor, que fornecerão os instrumentos necessários ao melhoramento genético do seu rebanho. Vale ressaltar que o uso do software facilita mas não é imprescindível. Qualquer software que disponibilize os dados necessários às análises pode ser utilizado para a

implementação e a condução dos trabalhos do GENEPLUS. O GENEPLUS conta ainda com um corpo técnico altamente capacitado para acompanhar e orientar na implantação e condução dos trabalhos de melhoramento genético, que fica permanentemente à disposição dos produtores associados ao programa.

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PECUÁRIA

ANGUS Fonte: ABA

A

origem da raça Angus é especulativa. Há quem acredite que a formação se deu a partir de uma raça mocha da Inglaterra, outros defendem a ideia que a formação se deu a partir de uma mutação de uma raça primitiva da Escócia, de coloração negra e aspecto carnudo. A Escócia possui referências ao gado Angus que datam de 1000 anos atrás, sendo que somente nos últimos dois séculos ocorreu uma

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intensificação dos programas de melhoramento da raça, incentivados pelos criadores Hugh Watson, da região de Angus, e William McCombie, do condado de Aberdeen, culminando no nome Aberdeen Angus. Em 1873, George Grant, do Kansas, importou o primeiro touro Angus da Escócia para os Estados Unidos, no intuito de usá-lo em seu rebanho bovino comercial. Entretanto, a primeira

importação de animais de ambos os sexos, ocorreu no Canadá em 1876 pelo professor Brown. CARACTERÍSTICAS O Aberdeen Angus se destaca entre as raças taurinas por reunir um maior número de características positivas que lhe asseguram um excelente resultado econômico como gado de corte. O conjunto de suas características a tornam uma raça completa.


Animal de porte médio, podendo o macho alcançar até 900 kg e a fêmea entre 500 e 600 kg. Apresenta pele com pigmentação escura, pelagem negra e uniforme, podendo ocorrer ainda indivíduos de pelagem vermelha, denominados Red Angus (esta alteração na pelagem é causada por um gene recessivo). Raça geneticamente mocha com cabeça pequena, curta e larga. O corpo é cilíndrico e apresenta-se longo com dorso reto e amplo, além de grande profundidade torácica. Uma questão que vem sendo bastante discutida por grande parte dos criadores e entusiastas da raça Aberdeen Angus, refere-se à escolha entre a linhagem preta ou vermelha. No Brasil ocorre uma preferência pela vermelha (Red Angus). A raça Aberdeen Angus, possui grande capacidade de adaptação em diversos ambientes. Apresenta tamanho corporal pequeno, baixa exigência nutricional de mantença, sendo adequado para distintas condições de cria e produção de carne. A raça Angus encontra-se em fase de franca expansão em todo o Brasil, ganhando espaço dentro do contexto da pecuária de corte, bem como em projetos de cruzamento Industrial, onde imprime uma terminação precoce e qualidade de carne superior.

FERTILIDADE E LONGEVIDADE Os touros desta raça apresentam alta libido e excelente fertilidade, já as vacas destacam-se pela sua facilidade de parto e boa capacidade de aleitamento. Na busca de uma pecuária mais eficiente, quando planejamos um cruzamento, devemos ter em conta não só a utilização de novilhos pesados e precoces. Através de sua fertilidade, o gado Angus proporciona aos seus criadores um maior rendimento, tanto pelo número de bezerros nascidos, quanto pela

quantidade de quilos obtidos por hectare. A longevidade, associada à fertilidade, representa, ao final, mais crias produzidas. PRECOCIDADE Em comparação com outras raças, o Angus tem demonstrado que, nas mesmas condições alimentares, atinge mais cedo a puberdade e o estado de abate. A precocidade do Angus reflete-se no abate de novilhos jovens, que, além de uma necessidade mercadológica, é fator fundamental de uma pecuária de retorno mais rápido.

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Embrapa lança nova forma de participação das empresas privadas no desenvolvimento da pesquisa científica nacional

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oi publicado no Diário Oficial no dia 16 de maio, o edital de chamamento público para seleção de empresa ou consórcio de empresas que irá desenvolver, em parceria com a Embrapa Gado de Leite, pesquisas genômicas destinadas ao melhoramento genético dos bovinos leiteiros das raças zebuínas. O objetivo é gerar dentro de, no máximo, dois anos uma ferramenta de seleção genômica para as raças Gir Leiteiro, Girolando e Guzerá. Segundo o supervisor do Setor de Prospecção e Avaliação Tecnológica da Embrapa Gado de Leite, Denis Teixeira da Rocha, essa é a primeira vez que a Embrapa realiza esse procedimento para atrair recursos externos destinados ao financiamento das pesquisas. O chamamento público visa atender à demanda do setor privado de forma transparente. Desde que a Embrapa Gado de Leite iniciou os trabalhos de sequenciamento genético das raças zebuínas para leite, várias multinacionais que estão envolvidas com genômica e melhoramento genético de bovinos demonstraram interesse nos resultados da pesquisa. “Formular um edital de seleção, permitindo que todas as instituições privadas participem foi a forma que encontramos para compartilhar os resultados da pesquisa com a sociedade de forma igualitária”, diz o coordenador do projeto Marcos Vinícius Barbosa da Silva. “Além de selecionarmos o melhor parceiro para a finalização das pesquisas, esta também é uma manei-

ra de nos unirmos à iniciativa privada para acelerar a chegada do produto final ao mercado, consolidando o processo de inovação”, diz Denis. A expectativa é que sejam aportados cerca de R$ 3 milhões, além da disponibilidade de equipamentos e profissionais especializados, para trabalhar no projeto de seleção genômica das raças zebuínas para leite. Dez empresas multinacionais já demonstraram interesse em atender ao ‘chamamento público’. O projeto prevê a identificação de genes de interesse econômico para a pecuária de leite de cerca de 10 mil animais. Os trabalhos serão concluídos com o desenvolvimento de uma ferramenta de seleção genômica que irá identificar touros e vacas de maior potencial genético para produção de leite e resistência a várias doenças transmitidas geneticamente. “Esta ferramenta irá potencializar o processo de melhoramento genético das raças, trazendo resultados em curto prazo para toda a cadeia produtiva do leite”, diz Marcos Vinícius. A empresa selecionada para se tornar parceira no processo de desenvolvimento da tecnologia, terá prioridade na utilização comercial da ferramenta, pagando royalties para a Embrapa e para as associações de produtores envolvidas.As empresas interessadas em participar do processo terão 45 dias, a partir da publicação no Diário Oficial, para encaminhar as propostas. Fonte: Embrapa Gado de Leite

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RUSTICIDADE A rusticidade é facilmente identificada pelo grande número de animais (machos e fêmeas) espalhadas pelas várias regiões climaticamente diferentes do País, mantendo suas qualidades inalteradas. O Angus mostra maior resistência a enfermidades, grande adaptação às condições ambientais dos territórios onde é criado, seja com temperaturas extremas, altas ou baixas, solo seco ou alagadiço, campos altos ou abrigados, pastagens ricas ou pobres. Mesmo em situações adversas, as fêmeas Angus produzem bezerros e os amamentam adequadamente, nem que para isso tenha que sacrificar parte de sua “gordura marmorizada”. FACILIDADE DE PARTO Gerando um terneiro de porte médio, não muito pesado ao nascer, o ventre Angus tem reduzido desgaste na parição, o

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que abrevia a sua recuperação pós-parto, favorecendo a repetição de cria e diminuindo o intervalo entre partos. QUALIDADE DE CARNE Este é um dos atributos excepcionais da raça Angus, que lhe garante uma posição de liderança. A ótima qualidade de sua carne é evidenciada através da opinião de autoridades do setor, e confirmada nos mais diferentes concursos realizados nos principais mercados produtores. O Angus produz um animal com alta qualidade de carne, apropriada não só para o mercado interno, como também para o mercado externo. O Angus apresenta de 3 a 6 mm de gordura (exigências européias) e sua carne é marmorizada (gordura entremeada na carne), o que lhe confere a já famosa maciez e sabor. A perfeita e uniforme distribuição da gordura no tecido muscular lhe confere um aspecto muito

mais atraente e sabor singular. A importância dessa distribuição é exaltada quando da sua preparação: a gordura se derrete parcialmente pela ação do calor e impregna a parte magra, melhorando apreciavelmente seu valor, tornando-a tenra e apetecível. Os mercados mais importantes do mundo, que abastecem os consumidores mais exigentes, alcançam ganhos comerciais superiores, valendo-se do que existe de melhor entre as raças bovinas de corte. Sem hesitar, eles afirmam: angus beef is best! CRUZAMENTO O Angus que começou a ser criado originalmente nas regiões de clima temperado do sul do país, em especial no Rio Grande do Sul, já há algum tempo desponta como opção para o cruzamento industrial com vigoroso crescimento também em outras regiões do país, bastando para isso que o produtor adote alguns cuidados especiais com o manejo. No cruzamento industrial para obtenção de produtos ½ sangue Angus x Zebu para o corte, os resultados obtidos em nível de criação utilizando apenas pasto e sal mineral tem colocado a raça em condição de vanguarda como o animal ideal para atender importantes programas de produção de carne com controle e certificação de qualidade e origem. Em outras regiões brasileiras a preocupação dos técnicos recai sobre o controle de ectoparasitas, além de propiciar ambientes com sombras aos animais. A migração genética tem ocorrido em função dos resultados obtidos com o cruzamento do Angus com o zebuíno nelore e tem sido crescente a procura por touros ou pelo sêmen para a realização do cruzamento com a vacada cara limpa. Para crescer em regiões de clima mais quente no país, já existem linhagens desenvolvidas em partes do Sul e do Sudeste que se adaptam muito bem, mas necessitam de um manejo diferenciado e um acompanhamento técnico para que se consiga obter os resultados esperados. O cruzamento com animais Angus é sinônimo de resultado, no entanto, antes é preciso saber o destino dos produtos para então escolher o biótipo do touro e assim direcionar corretamente os acasalamentos.


O APRESSADO COME CRU

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QUIOSQUE DO CALÉ – DAQUELES FEITOS DE TÁBUAS E COM RODINHAS – FICAVA BEM NA ESQUINA DAS RUAS SETE, HOJE NIVALDO RIBEIRO, COM RUA GOIÂNIA. ALI ERA PREPARADO NO FOGÃO A LENHA, UM LEITE COM CHOCOLATE QUE ERA O SONHO DE CONSUMO DE QUALQUER MENINO.

Ponto de parada dos ônibus que partiam para Iporá, Caiapônia ou para Santa Helena. Eram ônibus pequenos, com capacidade para pouco mais de vinte pessoas assentadas, o bagageiro era num gradil localizado sobre o veículo, com acesso por uma escada na parte traseira. Todo mundo o chamava de jardineira. Naquele tempo, o mês de agosto era considerado o mês do azar, das doenças, dos cachorros doidos; e de fato, por conta das queimadas, chão arado, sequidão e ventanias; era um tempo feio mesmo. Muitos redemoinhos de poeira e fumaça encardiam o céu a ponto de deixar a luz do sol acanhada. Estávamos assentados sobre um velho e rústico banco de madeira – a metade de uma tora de sucupira – todo empoeirado e com palavras feias entalhadas a canivete. A jardineira não chegava e a ansiedade crescia. Eu não via a hora de embarcar para Montividiu. Viagem longa. Estrada de terra, buracos e poeira, contudo, nada tirava o impulso da criança ávida por aventuras. Desta feita o objetivo era a festa de Nossa Senhora d’Abadia. Essa festa é tradicional na região de Montividiu, sempre foi muito movimentada – muita gente que ia simplesmente para festar e outras para cumprir votos. Dias antes da data marcada para a realização da festa, um grupo de pessoas chamado folia, fazia a peregrinação por todas as moradias angariando recursos para possibilitar o preparo de tanta comida. Dentre os foliões

Autor: Alaor Braz Vieira dos Reis alaor.revistaplantar@gmail.com

havia um que se fantasiava de palhaço mascarado. Era ele o responsável pelos pedidos em nome da santa. Ganhavam de tudo: Dinheiro, frangos, leitoas, vacas, cereais, etc. Quando a jardineira parou no entroncamento da estrada Montividiu/Caiapônia com a que vai para o Córrego das Pombas, região onde ia acontecer a festa. Nossos amigos com os cavalos já esperavam por nós; ficaríamos hospedados na casa deles, a mais ou menos meia légua do local da festa. No dia seguinte fomos pra lá. Estava quase tudo arrumado. Tinha uma torda enorme coberta com pano de bater arroz, debaixo da qual algumas pessoas jogavam baldadas d’água para apagar a poeira e firmar o chão batido. O altar estava todo enfeitado com folhas de coqueiro, rosas, dálias e flores de São José ao lado da estampa da Santa. A fogueira só seria acesa a noite, mas, já estava armada e era justamente em volta dela que a molecada brincava – nunca tinha visto tanto menino e tanto cachorro. Não havia escurecido ainda, mas quase, quando chegou a galope o Nêgo Papudo, avisando que a folia já ia chegar. A chegada da folia era um dos pontos culminantes da festa. O grupo apresentava cantos tradicionais de rezas e acompanhado pelo som da viola, cantava em agradecimento a Santa pelo sucesso da maratona. Em seguida começava o terço, depois a janta; e só depois da janta é que o sanfoneiro abria a goela da pé de bode pra começar o baile. O Nêgo Papudo, homem de meia idade,

de baixa estatura um pouco obeso. Disseram que ele não perdia a oportunidade de acompanhar a folia todos os anos. Embora fosse um indivíduo falador e contador de vantagens, não era essa a razão do apelido. Ele realmente ostentava uma protuberância no pescoço, abaixo do queixo – um papo de verdade. Hoje em dia quase não se vê esse tipo de anomalia, mas, houve um tempo em que era comum, principalmente em mulheres. A impressão que se tinha era que ninguém ligava para o problema do Nêgo, tampouco ele próprio. Certamente já estavam acostumados. Naquela noite o Nêgo perdeu uma grande oportunidade de ficar calado. Foi quando terminou a reza do terço e o povo teve que passar para outro ambiente, estava sendo servida a janta. Do outro lado da cerca de lascas de madeira, estavam os jiraus forrados com folhas de bananeiras e cheios de bacias com todo tipo de comida gostosa que cheirava de longe. Houve um tumulto por causa da pressa dos esfomeados e o Nêgo impondo certa autoridade foi infiltrando no meio do povo e reclamando: - Quem tá intupino a passage aí? Parece que tá morreno de fome. Vamo! Vamo! Disimbaça. Quando chegou mais perto o Nêgo percebeu que tinha dado bom dia pro cavalo. O Serafim, que tava na festa para cumprir um voto por causa da enfermidade que sofreu na espinha, havia engastalhado a cadeira de rodas na cancela.


Edição 56  

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da Rep...

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