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CAPA A menina Poliana Quintão de Souza, 13 anos, emocionou a todos com sua história e é um exemplo de como é importante ter sempre bolsas disponíveis nos bancos de sangue. Em um dia que deveria ser comum como todos os outros, ela viu sua vida por um fio. Após um assalto no salão de beleza da mãe, Poliana foi baleada e perdeu muito sangue. De uma hora para outra, sua maior necessidade era a de receber sangue para sobreviver. “A correria para levá-la ao hospital foi grande, quando chegamos lá, o médico disse que ela tinha perdido muito sangue e que não era possível fazer a cirurgia para retirada da bala que perfurou os pulmões, cortou a cervical e parou no tórax, próximo ao coração. Os médicos disseram que era impossível operar e que era um milagre ela estar viva, pois quase não havia sangue”, conta Euzenir Quintão de Souza, mãe da menina. “Por um milagre, hoje consigo andar de novo, estou animada com a fisioterapia e tenho a força principal que vem de Deus”, conta Poliana. Uma história que poderia ter um final diferente se não fosse a transfusão de sangue que ela recebeu para mantê-la viva e forte a fim de que o milagre acontecesse. Esse é apenas um exemplo, dentre os milhares que acontecem no Brasil todos os dias. Doar sangue é mais do que ser solidário, é salvar vidas.

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Estoques da região

No Vale do Paraíba, contamos com três locais de coleta de sangue. O primeiro trimestre do ano, principalmente por conta do período de carnaval, é sempre de baixa nos estoques, já que em meio às transfusões, há pouquíssimas doações. No Hemoterapia em SJC, por exemplo, que atende aos hospitais da cidade e Jacareí (exceto Policlin), além da Santa Casa em Pindamonhangaba e do Hospital São Lucas em Taubaté, foram 5 dias de transfusão sem coleta. A média é de 85 bolsas de sangue usadas por dia, em torno de 2.500 por mês para transfusão. Para suprir essa demanda, eles precisam de 100 doações ao dia. “Nosso estoque está 15% abaixo do ideal, devido ao período de carnaval. Tivemos transfusões e zero de doações durante cinco dias, precisamos de doações, pois não temos o estoque necessário para atender uma emergência em grande escala, por exemplo. No período de frio, também temos redução, mas é preciso que haja uma frequência para que todos sejam sempre atendidos”, conta Paulo Pontes, coordenador do setor de captação de doadores do Hemoterapia. O Hemonúcleo de Taubaté, que atende 30 cidades da região, também registrou queda de 50% nas doações do mesmo período, mesmo com as portas abertas para receber doação na sexta, segunda e quarta-feira de carnaval. A queda só não foi maior porque a equipe da Igreja da Cidade de Taubaté fez sua parte, doando sangue durante a conferência de juventude Reação. Mais de 42 pessoas disponibilizaram um tempo do seu dia para doar um dos bens mais preciosos que se pode entregar a alguém: seu próprio sangue, que não pode ser substituído por algo produzido pela indústria química. “A participação do pessoal da PIB na doação de sangue foi muito importante para manter os hospitais com o mínimo de apoio necessário”, conta Sônia Maria de Andrade, assistente social do Hemonúcleo. “A experiência foi marcante para os membros, pois, no mesmo dia 22, lotes de sangue doados já foram enviados para suprir a demanda do carnaval 2013. Fomos todos juntos na manhã de segunda às 8h. ‘Invadimos’ o Hemonúcleo de Taubaté com muita alegria e empolgação, já falando de Jesus e explicando porque estávamos ali. Ninguém solicitou atestado de trabalho (como a maioria faz), pois estávamos ali para doar de fato. Os funcionários do Hemonúcleo foram impactados também e souberam que a nossa igreja é doadora de sangue e de vida, literalmente”, conta Paulo Mizoguchi, pastor da Igreja da Cidade em Taubaté. De acordo com o Ministério da Saúde, as mulheres representam 40% dos brasileiros que doam sangue. “Impressionante foi o envolvimento de muitas mulheres em nossa equipe, doando sangue também. Irmãs de garra e doação” - conta o pastor. “Muita gente acha que doar sangue é muito difícil, mas não é. Quando doei a primeira vez, foi rapidinho. Passei pela entrevista e logo doei. Saí de lá super bem, consegui fazer minhas atividades tranquilamente. Foi um tempo importante, tive o sentimento de dever cumprido depois disso. É muito importante fazer a nossa parte, pouco sangue e tempo doado que pode mudar, e muito, a vida de alguém”, conta Tatiane Aparecida, doadora de sangue.

Revista FelizCidade #09  

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