Page 1

I SSN19843798


PENAS

#1[2006.2]

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

1


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

No início da década de 1970, mais precisamente em agosto 1973, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte através do deu Conselho Superior Universitário, criou o Curso de Arquitetura e Urbanismo que com o seu primeiro vestibular realizado em 1974 iniciou seu funcionamento dentro da então Escola de Engenharia. Quatro anos após, em 18 de maio de 1977, foi criado Departamento de Arquitetura como parte da estrutura administrativa do Centro de Tecnologia da UFRN. Estamos completando neste ano os trinta anos de criação do Departamento de Arquitetura.

2007, portanto, será um ano de comemorações para a Arquitetura e Urbanismo na UFRN e a ativação de uma revista que se propõe a divulgar os trabalhos de nossos alunos da graduação não poderia vir em hora mais oportuna. Lembramos que o nosso Departamento, em épocas passadas, já editou a revista RASCUNHO com trabalhos de alunos e professores à época, com excelente nível de qualidade tanto dos trabalhos quanto da sua editoração. A nossa expectativa é que essa nova edição de uma revista voltada especificamente para a nossa graduação e com a participação maciça dos nossos acadêmicos na iniciativa da criação e na execução dessa revista, tenha um grande sucesso e se mantenha como um instrumento de comunicação divulgação e dos resultados alcançados nas atividades e disciplinas do nosso Curso.

Fernando Costa | Chefe do DARQ

#1[2006.2]

2


PENAS

::PROJETOS:: 05 | Matizes 06 | Conjunto Bela Vista 07 | Conjunto Habitacional [Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN] 08 | Conjunto Residencial 09 | Conjunto Habitacional Rocas 10 | A Villa 11 | Escola em Santos Reis 12 | Intervenção nas Rocas 13 | Complexo Rodo-Ferroviário 14 | Habitação 15 | Adolescentes e Periferia 16 | Praça do Lixão 17 | Escadaria 18 | Praça do Relógio 19 | Flats em Areia Preta 21 | Arquitetura Interiores ::TFGs:: 24 | Rio Grande Espaço Cultural 25 | Arquitetura e Cultura 26 | Chegar? Permanecer? Utilizar? 27 | Grandes Estruturas 29 | Sustentabilidade ::ARTIGOS:: 32 | OÃÇATNESERPA 33 | Do meu primeiro ano como Arquiteto Profissional 36 | A noção da prática participativa no Planejamento e Projeto urbano 40 |Na Internet 42 | ::EXPEDIENTE::

Foto: Daniel Paulo

#1[2006.2]

3


PENAS

#1[2006.2]

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

4


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

MATIZES

PROPOSTA DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL ♦CVA FICHA TÉCNICA Projeto: Matizes Autora: Carla Varela de A. Araújo (8º período) Prof. Orientador: Marcelo Tinoco Tema: Habitação de Interesse Social Área de estudo: Projeto de Arquitetura Local: Santos Reis, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade de baixa renda.

Sob o tema “Habitação de Interesse Social”, o projeto Matizes foi elaborado para a disciplina de Tópicos Especiais em Metodologia de Projeto de Arquitetura com o objetivo principal de apreender as etapas do projeto arquitetônico e complementar o estudo teórico da disciplina. A proposta parte da definição e repetição de uma “célula-modelo”, criando conjuntos de unidades habitacionais, que são principalmente casas conjugadas, primeira tipologia idealizada. Para escolha do arranjo das células, houve um pré-requisito de deixar espaços abertos entre os volumes, para servirem tanto de hall coberto para unidades térreas, quanto de ligação/transição entre os blocos, evitando barreiras para circulação dos ventos, além de criar áreas de lazer setorizadas. A elaboração do projeto buscou a modulação da estrutura em primeiro lugar, oferecendo possibilidades de execução em vários sistemas construtivos. Utilizaram-se grandes beirais para sombreamento das aberturas e um detalhe de blocos em balanço, onde se aplicaram cores para diferenciação de cada conjunto. O programa de necessidades de cada unidade é constituído de sala, cozinha/serviço, 2 quartos e banheiro, além de varandas em alguns casos, com uma área de 48,01m².■

#1[2006.2]

Conceito do projeto| As ilustrações mostram como decorreu a evolução do partido arquitetônico adotado.

5


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

CONJUNTO BELA VISTA HABITAÇÃO POPULAR DE INTERESSE SOCIAL ♦COR FICHA TÉCNICA Projeto: Conjunto habitacional Bela Vista Autora: Clara Ovídio de M. Rodrigues (4º período) Prof. Orientadores: Marcelo Tinoco/Bianca Araújo Tema: Habitação popular de interesse social Área de estudo: Projeto de arquitetura/ Conforto Ambiental Local: Santos Reis, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Moradores da Favela do Maruim, da Favela do Vietnã e das casas a serem removidas após a construção da ponte Forte- Redinha.

O projeto foi desenvolvido pensando-se nas necessidades do morador e no conforto ambiental, sem descuidar da estética e da funcionalidade, e considerando as leis locais. Idealizou-se um módulo que variasse quanto ao número de pavimentos e quanto à largura. Para isso utilizou-se como tipologia o edifício geminado. Devido ao grande número de pessoas por família, pensou-se em aumentar o número de quartos em detrimento da área dos demais ambientes. Também foi reservado um espaço previsto para elevador, conforme a o Código de Obras do Município (Lei Complementar 055, Cap.5,Art.159) As janelas foram protegidas, ficando livres da radiação solar direta no horário em que a temperatura torna-se mais intensa, das 10h às 15h. Para elaborar a implantação, considerou-se a disposição dos prédios, seguindo as orientações do conforto ambiental segundo a porosidade e a rugosidade. No meio do terreno, sugeriu-se uma praça com brinquedos infantis, equipamentos para musculação, quadras de jogos, mesas e bancos. Na localização desse equipamento considerou-se o fácil acesso dos habitantes. O passeio foi disposto de maneira que unisse todos os blocos, num caminho orgânico, repetindo o mesmo formato da praça.■

Conjunto| Implantação e volumetria do edifício tipo

#1[2006.2]

6


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

CONJUNTO HABITACIONAL UNINDO BEM-ESTAR COM INTEGRAÇÃO SOCIAL ♦DNP FICHA TÉCNICA Projeto: Conjunto Habitacional Autora: Débora Nogueira Pinto (4º período) Profs. Orientadores: Marcelo Tinoco/ Bianca Araújo Tema: Habitação Popular Área de estudo: Projeto Arquitetônico/ Conforto Ambiental Local: Santos Reis, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: População de baixa renda.

A fim de melhorar a qualidade de vida da população de baixa renda, foi elaborado o Conjunto Habitacional, localizado no bairro de Santos Reis, Natal, que visa o bem estar social, integrando natureza, conforto, lazer e estética adequados às necessidades desta população. O projeto é composto por 18 blocos, totalizando 180 apartamentos de 63,25m² cada, de três pavimentos intercalados com dois pavimentos mais pilotis, de modo que um prédio completasse o outro de forma lógica, dinâmica, mas com a simplicidade de um conjunto habitacional popular. Foram implantados dois bolsões de estacionamento em áreas estratégicas, de modo a atingir de forma igualitária a todos os moradores, que são conectadas às vias limítrofes ao conjunto. Já em seu interior, foram implantadas praças e vias para pedestres que interligam todas as partes do conjunto ■

Perspectiva do Conjunto habitacional |projeto proposto para a terceira unidade de Projeto de Arquitetura 02 e Conforto Ambiental 01

#1[2006.2]

7


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

CONJUNTO RESIDENCIAL CASAS ACOPLADAS DESTINADAS A HABITAÇÃO POPULAR ♦RAA FICHA TÉCNICA Projeto: Casas Acopladas Autora: Raphaela Albuquerque (4º período) Tema: Habitação Popular Profs. Orientadores: Marcelo Tinoco/Bianca Araújo/Fabrício Leitão Área de estudo: Projeto de Arquitetura/ Conforto Ambiental/ Informática aplicada. Local: Santos Reis, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade residente na Favela do Maruim, do Vietnã e casas que serão demolidas por causa da construção da Ponte Forte-Redinha.

Planta Tipo | casas com 71 m2

A proposta é do Conjunto de Casas Acopladas para Habitação Popular - com objetivo de atender às famílias desapropriadas da Favela do Maruim, do Vietnã e das casas que serão demolidas em virtude da construção da Ponte Forte-Redinha. Para o conjunto, foram propostas várias pracinhas, com equipamentos de lazer para as crianças e áreas arborizadas, que além de deixar o espaço mais bonito, permite uma melhoria no subclima do conjunto. As casas foram dispostas de forma intercalada para dinamizar o conjunto, que prioriza a circulação dos pedestres, criando-se assim, bolsões para estacionamento. Houve a preocupação de se obedecer algumas normas do Código de Obras do Município, como a dimensão mínima de 1,20m para calçadas – no projeto foram dimensionadas em 2m. Uma outra preocupação foi a questão da acessibilidade: foram dispostas rampas nos passeios dos pedestres e nos estacionamentos. Pensando no bem estar de seus moradores, foram propostos bancos embaixo de árvores e próximos a postes iluminados – por questões de segurança -, para que possam ser freqüentados tanto durante o dia, quanto à noite, e lixeiros em pontos estratégicos para manter a limpeza do local.■

Implantação e Perspectivas|O projeto foi proposto como avaliação da terceira unidade de Projeto 02, Informática 01 e Conforto 01.

#1[2006.2]

8


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

CONJUNTO HABITACIONAL ROCAS MORAR BEM NUMA ÁREA HISTÓRICA DE NATAL ♦MMG FICHA TÉCNICA Projeto: Conjunto Habitacional Rocas Autora: Marcela Germano (4º período) Profs. Orientadores: Marcelo Tinoco/ Bianca Araújo Tema: Conjunto Habitacional Área de estudo: Projeto Urbano/ Projeto Arquitetônico Local: Rocas, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade residente na favela do Maruim e Rocas em geral.

O Projeto de habitação de interesse social tem o objetivo de atender a uma parcela da população, neste caso o segmento com renda familiar mensal de até três salários mínimos, como parte das políticas e ações públicas governamentais em parceria com as iniciativas privadas. Os trabalhos feitos no Bairro das Rocas durante o semestre de 2006.2 contribuíram para a concepção do projeto. O Partido Arquitetônico baseia-se nos conceitos da cultura local e conforto ambiental, visando a ventilação natural, insolação, e chuvas, a fim de oferecer aos seus futuros morados um habitat saudável e no qual eles possam se identificar. Este conjunto teria uma estrutura de condomínio fechado, entretanto não haveria muros, apenas barreiras vivas de árvores, para dar segurança e isolamento aos moradores. A implantação foi desenvolvida num terreno de aproximadamente 3000m2, atual terreno de tancagem da Petrobrás localizado no bairro das Rocas. O projeto proposto apresenta 3 pavimentos com pilotis. Cada pavimento possui 4 apartamentos, estes possuem dois quartos, um banheiro, uma sala de jantar e uma sala de estar com varanda, e cozinha com área de serviço (ver figura abaixo). ■

Planta baixa do pavimento-tipo e perspectiva de um edifício do Conjunto Habitacional Rocas|O projeto foi proposto como parte da avaliação da terceira unidade de Projeto 02.

#1[2006.2]

9


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

A VILLA

PROJETO DE HABITAÇÃO POPULAR ♦ACB

FICHA TÉCNICA Projeto: A VILLA. Autora: Andressa Christine da Silva Bezerra. (4º período) Prof. Orientadores:Marcelo Tinoco / Bianca Araújo. Tema: Habitação Popular. Área de estudo: Projeto de Arquitetura /Conforto Ambiental. Local: Santos Reis, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade de baixa renda, residente em Santos Reis e proximidades.

Proposta| Cômodos pequenos mais confortáveis.

O projeto tem como objetivo acomodar o maior número de famílias possível, agregando o mínimo conforto necessário e a viabilidade econômica aos futuros moradores. Para isso a área foi estudada a fim de se obter a tipologia das edificações da região, entender as necessidades da população e perceber fatores climáticos. Reunindo essas prerrogativas foi possível, então, criar algo pequeno, mas servido de boa parte das exigências de uma moradia salutar. O tipo de edificação escolhida foi o convencional prédio de três andares sobre pilotis, tendo cada andar quatro apartamentos. Cada apartamento é composto de sala estar/jantar, copa/cozinha, bwc e dois quartos em tamanhos mínimos, a fim de compactar a edificação e diminuir custos, além de uma varanda, que permite a melhor vista da paisagem e um hall que isola a parte íntima do apartamento. O condomínio ainda comporta uma quadra poliesportiva, praça e estacionamentos.■

Condomínio de habitação popular

Perspectiva d’A VILLA|O projeto foi proposto como parte da avaliação da terceira unidade de Projeto de Arquitetura II e Conforto Ambiental I.

#1[2006.2]

10


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

ESCOLA EM SANTOS REIS PROPOSTA VOLTADA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL ♦NBB FICHATÉCNICA alm. sala tablado dep.

aula

lab. info.

aula quadra

vestiários auditório depto. esportivo

aula

circulação wc coord.

rua café filho

biblioteca cantina

wc

rua prof. berta guilherme

Projeto: Escola de Ensino Fundamental Autora: Nathália Braga (5º período) Profs. Orientadores: Bianca Araújo/Paulo Nobre Tema: Escola Área de estudo: Projeto Arquitetônico/ Arquitetura Paisagística Local: Bairro de Santos Reis Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Alunos do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) da rede pública.

espera entrada

administração

PLANTA BAIXA TÉRREO 1

2

4

6

8

10

Com o intuito de ampliar a rede pública de ensino no bairro de Santos Reis surge a proposta de uma escola voltada para o Ensino Fundamental II, atendendo alunos do 6º ao 9º ano. O terreno apresenta um pequeno declive que foi utilizado como partido arquitetônico e fator delimitante e de segurança na fachada principal da edificação. O projeto é marcado pela forma oblíqua de implantação dos edifícios que seguem o formato chanfrado do terreno – assim, tem-se um melhor aproveitamento dos ventos do sudeste, além de promover uma maior integração visual do interior da escola com o espaço exterior. O conjunto escolar é composto basicamente de quatro edificações: a primeira, de entrada e térrea, concentra a parte administrativa, o auditório e a biblioteca; a edificação curva e mais verticalizada, concentra as salas de aula com a parte de apóio pedagógico; a menor delas, e também térrea, abriga atividades ligadas à área desportiva; e a quadra poli-esportiva com dimensões apropriadas à prática de modalidades variadas. O paisagismo adotado também visa aproximar o exterior com o interior da edificação, além de conferir uma identidade regional ao conjunto, por isso presença marcante de palmeiras como o coqueiro no projeto.■

Perspectivas da Escola| O projeto foi proposto como parte da avaliação da terceira unidade de Projeto 03 e Paisagismo 01.

#1[2006.2]

11


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

INTERVENÇÃO NAS ROCAS UMA RELEITURA DO ESPAÇO URBANO SUBUTILIZADO ♦LTE FICHA TÉCNICA Projeto: Intervenção urbana nas praças Infante Dom Henrique e Irmã Vitória Autores: Ana Luísa Agra/ Fábio Ribeiro/ Igor Magno / Lorraine Egito/ Rosana Almeida (7º período) Prof. Orientador: Heitor Andrade Tema: Revitalização e aprimoramento das praças em questão Área de estudo: Projeto Urbano/ Arquitetura Paisagística/ Psicologia Ambiental/Estatística Local: Rocas, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Usuários das praças em estudo nas Rocas

Espaços urbanos destinados ao lazer e ao trabalho como as praças Infante Dom Henrique e Irmã Vitória localizadas no bairro das Rocas estavam subutilizados devidos às más condições de conservação e ausência de equipamentos urbanos necessários para a comunidade local. Estudos prévios à intervenção, com base na literatura de psicologia ambiental, o mapeamento comportamental centrado no lugar e na pessoa, junto a um estudo estatístico de abordagem direta - através de uma pesquisa realizada com os usuários - gerou informações importantes que comprovaram essa percepção inicial das condições das praças, e serviram de embasamento central para a elaboração do anteprojeto desta intervenção. O projeto preservou o laço cultural da famosa “feira das Rocas” que acontece na Praça Infante Dom Henrique reabilitando apenas este espaço com uma área de convivência coberta e com um tratamento paisagístico para tornar a atividade contemplativa e de descanso real, posto que era uma necessidade explícita. Para a outra praça adequou-se as áreas de jogos de mesa (damas, dominós e cartas) com uma ergonomia padrão aos usuários, propôs-se uma cobertura para a quadra poliesportiva existente e também se revitalizou e gerou áreas de convivência antes esquecidas. ■

Painéis da proposta de intervenção |Esboçam passo-a-passo o processo de intervenção realizado e a proposta final fruto dessa análise.

#1[2006.2]

12


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

COMPLEXO RODO-FERROVIÁRIO ESTUDOS DE SISTEMA VIÁRIO E DE TRANSPORTE DE PARNAMIRIM/RN ♦AKM FICHA TÉCNICA Projeto: Complexo Rodo-Ferroviário Autoras: Amanda Medeiros / Cynara Ferreira / Mariana Bezerra (9º Período) Profs. Orientadores: Rubenilson B. Teixeira e Maria Cristina Morais Tema: Intervenção Urbana Área de estudo: Projeto Urbano e Arquitetônico Local: Centro, Parnamirim-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Usuários de transporte coletivo e ferroviário de Parnamirim, e moradores do bairro do Centro.

O sistema de transporte público em Parnamirim possui inúmeros problemas, principalmente no que se percebe de fluxo viário, pois a cidade se encontra no ponto de intersecção de vias importantes (BRs e RNs), e a utilização de outras formas de transporte que não as linhas de ônibus urbanos. Nesse momento, entra a discussão da melhoria do transporte público e de fluxo viário de Parnamirim, onde se pretende proporcionar a integração entre o transporte ferroviário e o rodoviário. O projeto realizado na disciplina de Atelier Integrado de Arquitetura e Urbanismo buscou compor um espaço que integrasse esses transportes e diminuísse também a problemática de ausência de espaços livres públicos para uso da população da cidade. O Complexo Rodo-Ferroviário é composto por áreas de convívio para os usuários e transeuntes (com lanchonetes e bancas de revista), locais para permanência de taxistas e moto-taxistas, área de embarque/desembarque e área administrativa do empreendimento, além de estacionamento para motos, carros e bicicletas, e outras modificações nas vias do entorno do empreendimento. Vale salientar que todas as partes do projeto foram observadas e realizadas buscando uma solução para os problemas encontrados no local, como ausência de áreas de convívio e locais para pequenos comércios e pontos de táxi e moto-táxi.■

Perspectiva do Complexo Rodo-Ferroviário|O projeto foi proposto como avaliação da terceira unidade do semestre 2006.2

#1[2006.2]

13


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

HABITAÇÃO

PROPOSTA DE HABITAÇÃO UNIFAMILIAR DE INTERESSE SOCIAL PARA JOÃO CÂMARA ♦CF FICHA TÉCNICA Projeto: Habitação Autora: Camila Furukava Profª. Orientadora: Françoise Dominique Valery Tema: Habitação Unifamiliar de Interesse Social para João Câmara Área de estudo: Projeto de Arquitetura Local: João Câmara / RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade de baixa renda.

Perspectiva das residências.

Proposta de quadras| Diferentes locações da área construída proporcionando melhor ventilação.

Proposta de quadra| Diferentes locações das residências proporcionando uma melhor ventilação. Vista frontal da residência.

A habitação unifamiliar foi desenvolvida em 2006.2 e direcionada para a população de baixa renda da cidade de João Câmara (RN). Além de buscar uma residência funcional à população local, a proposta de habitação foi baseada em diagnósticos do Plano Diretor, estudos de conforto ambiental e qualidade de vida, que indicaram a necessidade de áreas verdes tanto internas ao terreno como externas (praças, parques, árvores nas calçadas). Para tanto, a proposta se desenvolve em um lote de 150m², para cada habitação de 45,50m² de área construída, sendo reservado aproximadamente 25% da área total para ampliações e, o restante para áreas verdes e cultivo de pequenas hortas (atividade comum dentre os moradores de João Câmara). Para cada casa no terreno, se propõe uma diferença de locação, facilitando a permeabilidade do vento e mantendo uma sensação agradável nas habitações e em seu entorno.As residências apresentam recuos laterais de 1m, sendo demarcado o inicio e termino do lote através de muros com 1,5m de altura, proporcionando privacidade e segurança aos moradores. Além da habitação social, observou-se a necessidade de implantação de medidas de orientação para um melhor aproveitamento local. ■

#1[2006.2]

Proposta de Planta Baixa| Modelo único

14


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

ADOLESCENTES E PERIFERIA:

CENÁRIOS DE LAZER, ESPORTE E CULTURA NA ZONA OESTE DE NATAL ♦ CCL | Ilustrações: Jovens colaboradores anônimos da pesquisa da autora. FICHA TÉCNICA Monografia: Adolescentes e Periferia Autora: Cíntia Camila Liberalino (8º período) Profª. Orientadora: Ângela Lucia Ferreira Tema: Espaços públicos de lazer, esporte e cultura Área de estudo: Percepção do Ambiente Local: Zona Oeste, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Adolescentes residentes na Zona Oeste de Natal

Na Zona Oeste de Natal, assim como em outras regiões da cidade, percebe-se ausência ou precariedade de equipamentos públicos destinados à convivência como praças, parques e quadras de esporte. A pesquisa se desenvolveu questionando como esse problema é percebido pela juventude de três bairros da Zona Oeste (Bom Pastor, Felipe Camarão e Guarapes), influenciando na escolha de espaços alternativos. Foram aplicados questionários em três escolas públicas, uma em cada bairro, baseados nos estudos de percepção do ambiente sob o ponto de vista dos seus usuários, dentro da linha de pesquisa de Kevin Lynch, obtendo-se a imagem mental dos usuários sob sua cidade, e mais especificamente, sobre os espaços destinados à recreação. Os questionários, divididos em duas partes (perguntas e desenhos), apresentaram resultados surpreendentes.

#1[2006.2]

Desenhos| Expressões dos desejos e expectativas dos adolescentes

Os adolescentes além de reconhecerem os espaços existentes destinados à prática dessas atividades, não os consideram poucos; até mesmo pelo fato de considerarem lugares como ruas, calçadas e terrenos desocupados como espaços adaptáveis para a realização de atividades recreativas. Quanto às atividades desenvolvidas nestes espaços, os jovens apontam as conversas com os amigos, passeios, prática de esportes e atividades culturais. Consideram ainda como espaços bem utilizados pela comunidade apesar da violência urbana tão comentada pela mídia. Os desenhos além de revelarem os desejos e expectativas dos jovens da periferia urbana em questão, confirmam e complementam as características dos espaços destinados ao lazer, esporte e cultura descritos nos questionários, na medida em que trouxeram em suas expressões as atividades do cotidiano desses jovens.■

15


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

PRAÇA DO LIXÃO

TRANSFORMANDO UM PONTO DE REPÚDIO EM PONTO DE ENCONTRO ♦CEO FICHA TÉCNICA Projeto: Praça do Lixão Autores: Aline Lopes/ Ana Paula Gurgel/ Carlos Onofre/ Gabriela Brito/ Jocélia Varela/ Maria Gabriela Sales (6º período) Profs. Orientadores: Heitor Andrade/ Paulo Nobre Tema: Praça Área de estudo: Projeto Urbano/ Arquitetura Paisagística Local: Mãe Luiza, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade residente em Mãe Luiza.

Um terreno que serve como depósito de lixo ao léu incomoda a comunidade que mora e transita pela Rua Guanabara, em Mãe Luiza. Foi então proposto para a área um uso mais agradável e adequado às necessidades de uma população que sente falta de lugares para se encontrar e conversar: uma praça de objetivo contemplativo e cenográfico, que dispõe de bancos, mesas de dama, e um caramanchão, que possibilitam a apreciação do que ainda resta da vista para o mar, tomada cada vez mais pelos prédios que se reproduzem na costa de Areia Preta. A proposta é de um espaço que induz o público a desempenhar atividades pouco dinâmicas, pois o terreno se encontra ladeado por uma rua relativamente movimentada, e por um declive acentuado – não parecendo ser um local seguro para um parquinho ou quiosque que possa vender bebidas alcoólicas. Os pórticos visam emoldurar a paisagem e uma escultura ainda a ser proposta por um artista local, valorizando a presença da arte no espaço público urbano.■

Perspectiva da Praça do Lixão|O projeto foi proposto como parte da avaliação da terceira unidade de PPUR 02 e Paisagismo 02.

#1[2006.2]

16


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

ESCADARIA

UMA ANTIGA REIVINDICAÇÃO DA COMUMUNIDADE ♦DPS

Hoje, na comunidade de Mãe Luiza, um dos maiores desafios a serem solucionados é a questão dos acessos da comunidade à praia de Areia Preta, por se tratar de uma área com o relevo bastante acidentado e poucos espaços públicos. A proposta resolve o desnível de cerca de 20 metros dividindo o caminho percorrido pelo pedestre em cinco patamares com usos semelhantes: lazer contemplativo e recreativo. Em cada nível seriam distribuídos elementos destinados ao sombreamento dos usuários, como marquises, caramanchões e vegetação, além de bancos, mesas para jogos e um playground. ■

Local proposto para a intervenção

FICHA TÉCNICA Projeto: Escadaria Areia Preta-Mãe Luiza Autores: Aline Zumba/ Daniel Paulo/ Emanuella Nobre/ Felipe Musse/ Hugo Medeiros (6º período) Profs. Orientadores: Heitor Andrade/ Paulo Nobre Tema: Praça/ Acesso Área de estudo: Projeto Urbano/ Arquitetura Paisagística Local: Areia Preta/ Mãe Luiza, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Residentes do entorno.

Perspectiva geral

Esquema Vertical| Solução para vencer o desnível de cerca de 20 metros.

#1[2006.2]

17


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

PRAÇA DO RELÓGIO REVALORIZAÇÃO DE UM ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA ♦DCM, LFA & MRM FICHA TÉCNICA Projeto: Praça do Relógio Autores: Andressa Queiroz/Deisyanne Câmara/ Laíze Asevedo/Marina Meire/Raquel Cavalcante. (6º período) Prof. Orientador: Heitor Andrade/Paulo Nobre Tema: Praça Área de estudo: Intervenção Urbana Local: Areia Preta, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: Comunidade de Mãe Luíza e Areia Preta.

A proposta| Perspectiva geral do projeto arquitetônico, paisagístico e urbanístico para a Praça do Relógio.

A proposta| Perspectiva com ênfase nos acessos e aspectos urbanísticos da Praça do Relógio.

Sob o tema “Intervenção Urbana”, a proposta para a Praça do Relógio teve como objetivo aprimorar um espaço público já existente através da ligação de novos usos e da criação de uma área de convivência para a cidade, em especial para as comunidades de Areia Preta e Mãe Luíza. O projeto priorizou a manutenção e revalorização do marco do relógio solar, através da proposta de um espelho d’água, da arborização e paginação do piso em torno do marco. Espaços circunvizinhos foram destinados ao lazer e comércio, com quiosques e mesas dispostas em um sinuoso deck de madeira que se projeta à beira mar formando um espigão, com caramanchões para contemplação da beleza natural.■

A proposta| Perspectiva com enfoque para o marco do relógio e o tratamento paisagístico em seu entorno.

A proposta| Perspectiva com destaque para área destinada aos quiosques e deck de apoio e observação.

#1[2006.2]

A proposta| Planta de Lay Out da Praça do Relógio.

18


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

FLATS EM AREIA PRETA UM TEMA, VÁRIAS PROPOSTAS ♦CEO

Foto: Ana Paula Gurgel

Flat foi o tema da disciplina Projeto 04, ministrada pelo Prof. Fabrício Leitão em 2006.2; Mesmo que a natureza do empreendimento e o terreno fossem iguais para todos os alunos, as propostas apresentadas foram das mais diversas. O cenário dos empreendimentos seria o bairro Areia Preta, da Zona Leste de Natal, que, junto com o bairro Mãe Luiza, também foi área do estudo integrado do semestre.

À direita| Volume do flat proposto por Gabriela Brito Abaixo| Perspectiva interna do apartamento-tipo apresentado no trabalho de Daniel Paulo, e perspectiva da entrada do empreendimento proposto por Hugo Medeiros.

#1[2006.2]

19


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

Acima| Trabalhos de Aline Lopes e Laíze Fernandes, respectivamente.

Os flats são empreendimentos que se destinam à moradia temporária, e geralmente, são freqüentados por uma clientela de alto poder econômico. Os programas de necessidades dos edifícios, no geral, incluíram: saguão, área de lazer com piscina e sauna, sala de ginástica, restaurante, auditório, salas de reunião, áreas de serviço e apoio, além de dois tipos de apartamento. ■

Acima| Volumetrias dos flats de Emanuella Nobre e Deisyanne Câmara.

#1[2006.2]

20


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

ARQUITETURA INTERIORES AMBIENTANDO ESPAÇOS ♦DCM, LFA & MRM

FICHA TÉCNICA Projeto: Ambientação Autores: Deisyanne Câmara/Emanuella Nobre/Laíze Asevedo/Marina Meire. Prof. Orientador: Getúlio Madruga Tema: Ambientação Área de estudo: Arquitetura de Interiores Semestre da proposta: 2006.2

Perspectiva interna e externa| Imagens da proposta arquitetônica e de ambientação de um Salão de Beleza. Autoras: Deisyanne Câmara, Laíze Asevedo e Marina Meire.

Perspectiva interna| Imagem do Bar/Restaurante do Flat “Atrium Ocean”. Autoras: Deisyanne Câmara e Marina Meire.

Perspectiva interna| Imagem do Bar/Restaurante do Flat “Brisas do Mar”. Autora: Laíze Asevedo.

Para a área de estudo “Arquitetura de Interiores”, a abordagem principal é a ambientação de espaços de acordo com seu uso e clientela. Para tanto, a atividade realizada para a disciplina na primeira unidade consistia em desenvolver um projeto de reforma e ambientação de um apartamento de alto padrão a fim de propor e/ou organizar seus ambientes condizendo ao perfil de clientela sorteado. No segundo momento da disciplina, a meta era projetar a reforma de uma residência de médio padrão com o objetivo de propor um novo uso sobre um tema livre. Foi, portanto, trabalhada a edificação a nível de ambientação, bem como, foi explorada externamente com uma nova proposta para fachada. Já para a atividade final, abordou-se o tema “Ambientação” aplicado a espaços destinados ao uso Bar/Restaurante. ■

Perspectivas internas| Imagens das propostas de ambientação para um apartamento de alto padrão. Autoras: Deisyanne Câmara e Laíze Asevedo/ Emanuella Nobre e Marina Meire.

#1[2006.2]

21


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

22

#1[2006.2] Foto: Corbis


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

TRABALHOS FINAIS DE GRADUAÇÃO

#1[2006.2]

23


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

RIO GRANDE ESPAÇO CULTURAL TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO – 2006.2 ♦PSL & RGM FICHA TÉCNICA

Situação atual do edifício Rio Grande

Projeto: Rio Grande Espaço Cultural Autora: Patricia Soares de Paula Lopes Prof. Orientador: Paulo Heider Feijó Tema: Proposta de re-uso para o Cine Teatro Rio Grande Área de estudo: Teoria e História da Arquitetura & Projeto de Arquitetura Local: Bairro do Tirol, Natal/RN Semestre da proposta: 2006.2 Materiais: Madeira, concreto, vidro. Público alvo: População de Natal

Pensando no papel social do arquiteto, que é capaz de reativar a memória de uma sociedade através de intervenções no Patrimônio Histórico Edificado, e diante da situação de abandono em que se encontram as edificações de caráter histórico de Natal – RN, foi proposta a criação do Espaço Cultural Rio Grande, localizado no bairro Tirol.

Volumetrias externas da proposta | acesso principal

O diferencial desta proposta é o objeto de intervenção, o antigo edifício que abrigou o CineTeatro Rio Grande, escolhido com o intuito de proporcionar um novo ambiente de lazer e cultura à população, bem como de manter viva a história do edifício, construído em 1949. A atividade que norteou o projeto foi a de uma livraria contemporânea que abriga além da venda de livros, CDs e DVDs, um espaço para a exposição de artes e uma sala de múltiplo uso para eventos; atividades capazes de atrair um público considerável para o empreendimento, tanto no período diurno como noturno.

Volumetrias externas da proposta | acesso lateral principal

Volumetrias internas da proposta

#1[2006.2]

A preocupação em preservar ao máximo as principais características do edifício, a busca por atingir boas condições de conforto térmico-acústico e a criação de ambientes acessíveis, foram alguns dos objetivos deste trabalho.

|Dicas de Leitura| Livro: “A Alegoria do Patrimônio” de 2001. Autor: Françoise Choay. Livro: “O Patrimônio em Processo” de 2005. Autor: Maria Cecília Fonseca.■

24


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

ARQUITETURA E CULTURA TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO – 2006.2 ♦ABP FICHA TÉCNICA Projeto: Espaço Cultural da Arquitetura Potiguar Autora: Annemilia Batista Azevedo da Penha Prof. Orientador: Paulo Nobre Tema: Arquitetura de Lazer e Cultura Área de estudo: Projeto de Arquitetura Local: Lagoa Nova, Natal-RN. Semestre da proposta: 2006.2 Público Alvo: População em geral.

Com o objetivo de elaborar um projeto no qual se discute a relação entre a arquitetura, sua história e as novas tecnologias para a construção civil, foi elaborado o anteprojeto do Espaço Cultural da Arquitetura Potiguar. Neste Espaço, propõe-se expor o Passado, o Presente e o Futuro da Cidade àqueles que por ela se interessam: não só aos profissionais da área, mas também todos os cidadãos que têm interesse em conhecer sua cultura. A proposta também se baseia na busca pela valorização do profissional de arquitetura e do papel do arquiteto e urbanista, como agente indispensável para o crescimento e evolução da cidade, tanto ontem quanto hoje. O partido arquitetônico adotado baseou-se na concepção de um edifício de estética marcante, que proporcionasse uma identidade para o Espaço Cultural, com uma volumetria de linguagem contemporânea. Aliado a isso, o conforto dos usuários também determinou a forma da edificação, pois sua proposta priorizou a função para o agenciamento dos espaços internos, bem como a utilização de estratégias de conforto ambiental. Desta maneira, foi proposta a utilização de brises soleil, protetores solares que, além da função de proteção à radiação solar, também serviriam como elementos estéticos para as fachadas. Assim, aliando soluções arquitetônicas arrojadas e uma forte veia educativa, o Espaço Cultural busca a conscientização da sociedade para a sua história através de sua arquitetura. |Dica de leitura| Livro: Evolução Urbana de Natal em 400 anos, de 1999. Autor: João Maurício F. de Miranda ■

#1[2006.2]

Perspectiva externa| Av. Amintas Barros

Perspectiva externa| Rua Dr. José Gonçalves

Soluções de conforto ambiental| Proposta para os brises-soleil

25


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

CHEGAR?PERMANECER? UTILIZAR?: O OLHAR DOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIA SOBRE A ACESSIBILIDADE DE DOIS CENTROS COMERCIAIS EM NATAL ♦JPD FICHA TÉCNICA Monografia: Chegar? Permanecer? Utilizar? – O olhar dos Portadores de Deficiência sobre a acessibilidade de dois centros comerciais em Natal. Autor: João Paulo Gomes Diniz Profª. Orientadora: Gleice Elali Tema: Acessibilidade em centros comerciais de Natal/RN Área de estudo: Avaliação e Percepção Ambiental/ Projeto de Arquitetura. Local: Dois Centros Comerciais da Zona Sul de Natal/RN. Semestre do TFG: 2006.2

O TFG, Chegar?Permanecer?Utilizar?: O olhar dos Portadores de Deficiência sobre a acessibilidade de dois centros comerciais de Natal/RN teve como objetivo principal avaliar as condições de acessibilidade de dois Centros Comerciais da Zona Sul de Natal, de modo a fazer recomendações para adequação dos espaços utilizados pelas Pessoas com Deficiência, bem como contribuir com a legislação a partir das respostas dadas por estes usuários. Atualmente, a preocupação com a acessibilidade vem se tornando um tema cada vez mais discutido pela sociedade, tendo em vista a quantidade de pessoas com deficiência (PDs) nela inseridas. Essa situação evidencia a necessidade de garantirmos acessibilidade a prédios e espaços urbanos, preocupação que se estende à legislação da área. Visando analisar tal situação em centros comerciais de Natal/RN, esse trabalho realizou Avaliação Pós Ocupação (APO) em dois empreendimentos desse tipo localizados na cidade através de vistoria técnica e passeio acompanhado com dois deficientes físicos (um cadeirante e outro cego). Como resultado, constatou-se que nesses locais há boas condições de acesso aos PDs, embora ainda sejam necessários ajustes. O diagnóstico elaborado permitiu a indicação de recomendações para os espaços analisados, sugestões para projetos semelhantes e algumas indicações para a legislação. Por fim, entendendo que, em nossa realidade a acessibilidade só será atingida de modo gradativo, foi proposto um Selo de acessibilidade a ser aplicado aos empreendimentos a fim de servir como indicativo de tal evolução, também exigindo dos órgãos públicos uma maior fiscalização no que diz respeito à melhoria da acessibilidade aos ambientes edificados.■

#1[2006.2]

Placa para identificação das lojas pelos deficientes visuais| As informações estão disponíveis em alto relevo e em Braille.

Selo de acessibilidade| As cores denotam em que nível de acessibilidade o estabelecimento se encontra. E todas as informações contidas no selo estão disponíveis em alto relevo e em Braille.

26


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

GRANDES ESTRUTURAS

TFGs DE 2006: 03 PROPOSTAS COM SOLUÇÕES ESTRUTURAIS GRANDIOSAS ♦RGM

Ao observar a produção dos trabalhos finais de graduação do semestre de 2006.2, percebeu-se um perfil de classe voltada para a área de estudo de Projeto de Arquitetura. Dentre eles, destacaramse os TFGs de Rodrigo Oliveira e Verner Max Monteiro. Eles fogem da banalidade ao proporem empreendimentos de grandes proporções em que seus sistemas estruturais se destacam pelos seus formatos inusitados. Confira abaixo. FICHA TÉCNICA Projeto: Estádio Marinho Chagas Autor: Rodrigo César S. de Oliveira Prof. Orientador: Marcelo Tinoco Tema: Anteprojeto de um estádio de futebol para Natal Área de estudo: Projeto de Arquitetura Local: Potengi, Natal/RN Semestre da proposta: 2006.2 Materiais: vidro e concreto Público alvo: população de Natal

Perspectiva externa | fachada principal

A proposta consiste em uma arena de esportes aberta, ou seja, sem coberta, tendo seu conjunto arquitetônico, em síntese, definido pela relação dos módulos de arquibancadas com o campo de futebol. A partir de um extensivo trabalho de pesquisa sobre diferentes interpretações projetuais de estádios de futebol no mundo, o autor deste anteprojeto define sua intenção plástica como um arranjo de linhas retas e curvas figuradas nos principais elementos estruturais. São eles os apoios curvos das fachadas laterais e os pilares retos para as fachadas posterior e anterior, em concreto.

Perspectiva do conjunto arquitetônico

#1[2006.2]

Perspectiva externa | detalhe da estrutura

Perspectiva externa | fachada posterior

27


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

FICHA TÉCNICA Projeto: Heliporto Costeira Autor: Verner Max. Monteiro Prof. Orientador: Marizo Vitor Pereira Tema: Anteprojeto de um heliporto na zona urbana de Natal Área de estudo: Projeto de Arquitetura Local: Beira-mar, Via Costeira, Natal/RN Semestre da proposta: 2006.2 Materiais: vidro, concreto armado, e aço zincado. Público Alvo: população de Natal

O autor do último anteprojeto aqui descrito se mostrou ousado na escolha do tema. Atento com as mudanças que vem passando a cidade do Natal, propôs um heliporto na região costeira da cidade. A produção arquitetônica foi idealizada com eixos de maneira que o fluxo de passageiros, as zonas de aproximação e saída de helicópteros e inclusive o próprio conjunto arquitetônico convergissem para o saguão principal. A linguagem arquitetônica utilizada para esse local, por sua vez, possui forte caráter aerodinâmico. Ele é composto por arcos disformes em treliça espacial metálica revestida. Sobreposto a isso, complementa-se uma coberta em telhas metálicas lisas na cor azul petróleo.

Perspectiva externa | fachada principal - acesso VIP.

Perspectiva externa | fachada posterior

Perspectiva externa | fachada principal.

|Dicas de Leitura| Livro: “Sistemas de Estrutuas” de 1981. Autor: Henio Engel. Livro: “A Concepção Estrutural e a Arquitetura” de 2000. Autor: Yopanam C. Rabello Site com extensa apresentação de PowerPoint baseada no livro acima: http://www.sfiec.org.br/palestras/construcao_civil/concepcao_estrutural_arquitetura_yopanam_rebello271102_arquivos/frame.htm Site “Portal Metálica” com grande quantidade de conteúdo abrangendo temas como estrutura e materiais: www.metalica.com.br.■

#1[2006.2]

28


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

SUSTENTABILIDADE TFGs DE 2006: 04 PROPOSTAS QUE ABORDAM O TEMA ♦RGM

Dos últimos anos para os dias atuais, aqueles que tiveram a oportunidade de verificar o que tem sido produzido pelos alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN podem ter percebido um aumento significativo de propostas projetuais voltados para temas como bioclimatologia, permacultura e sustentabilidade. São exemplos dessas experiências os Trabalhos Finais de Graduação das alunas Ana Carlota Costa, Daniela Dantas, Juliana Cardoso e Renata Matos. Os estudos abaixo resultaram em anteprojetos que tratam da moradia e prestação de serviços, sempre norteados pelo conceito de sustentabilidade, ou seja, que buscam equilibrar a relação entre homem e meio ambiente. FICHA TÉCNICA Projeto: Edifício Ken Yeang Autora: Ana Carlota Costa Profs. Orientadores: Fabrício Leitão e Aldomar Pedrini Tema: Anteprojeto de um centro empresarial e comercial Área de estudo: Projeto de Arquitetura / Conforto Ambiental Local: Tirol, Natal/RN Semestre da proposta: 2006.2 Materiais: Vidro, aço, ACM e concreto celular Público alvo: prestadores de serviços

Planta baixa | pavimento tipo

O primeiro TFG aqui descrito teve como objeto de estudo a produção de um anteprojeto de uma edificação comercial, para uso misto de lojas e escritórios, com ênfase na eficiência energética. De acordo com a autora, suas principais inspirações foram as formas robóticas e, em especial, a de um cometa. Desenvolveu-s um partido arquitetônico vertical, pela repetição ascendente de um pavimento tipo, constante de um átrio central. A sustentabilidade é encarada nesse anteprojeto pela busca de materiais energeticamente eficientes e economicamente viáveis e a priorização da ventilação e iluminação adequados em todos os pavimentos.

Perspectiva externa

O resultado das aberturas de fachada e o átrio central claramente fazem referência à obra do renomado arquiteto Ken Yeang.

FICHA TÉCNICA Projeto: Residência no Alphaville Autora: Daniela Cunha Dantas Profs. Orientadores: Marizo Vitor e Aldomar Pedrini Tema: Princípios da automação e sustentabilidade em arquitetura: anteprojeto de uma residência Área de estudo: Projeto & Tecnologia da Arquitetura / Conforto Ambiental Local: Alphaville, Natal/RN Semestre da proposta: 2006.1 Materiais: vidro, madeira, aço, isopor e concreto celular Perspectiva externa

#1[2006.2]

29


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

Com o intuito de atender às expectativas de um casal europeu, a autora procurou projetar uma residência unifamiliar contemporânea fazendo uso dos princípios de sustentabilidade e automação. Os sistemas com desempenho eficientes de iluminação, controle de ruído e acessos são os grandes diferenciais dessa proposta, que procura de maneira energeticamente eficiente garantir o conforto ao usuário e minimizar os impactos ambientais pela sensatez das escolhas de tecnologias e materiais empregados. Buscou-se o uso de formas simples e jogo de volumes cúbicos monocromáticos de forma a priorizar a ortogonalidade. A terceira proposta aqui descrita se refere a um condomínio residencial com 08 casas de alto padrão, idealizado de maneira a incorporar alguns princípios de sustentabilidade, como: reutilização de águas – servidas e da chuva; eficiência energética com o uso da energia solar; e utilização de materiais que produzem menor impacto ambiental. A residência projetada tem intenção plástica claramente embebida de soluções modernistas, como as formas ortogonais, o uso de protetores solares horizontais, as paredes e platibanda na cor branca, as grandes aberturas e materiais naturais, como a pedra e a madeira.

Perspectiva externa

FICHA TÉCNICA Projeto: Habitação e meio ambiente Princípios de sustentabilidade em condomínio residencial Autora: Juliana Cardoso S. de Oliveira Prof. Orientador: Rubenilson Teixeira Tema: Habitação e Sustentabilidade Área de estudo: Projeto & Tecnologia da Arquitetura / Conforto Ambiental Local: Capim Macio, Natal/RN Semestre da proposta: 2006.2 Materiais: bloco de isopor, vidro, madeira, piaçava e concreto. Público alvo: Famílias de altas classes

Fez-se uso de um partido arquitetônico horizontal, com unidades organizadas de forma concêntrica ao redor da área de lazer, com o intuito de deixar essa área de convívio reservada, sem o contato com a pista de veículos.

Perspectiva externa | garagem.

Esquema de Implantação.

Perspectiva externa | varanda.

#1[2006.2]

30


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

FICHA TÉCNICA Projeto: Tarumã Ecolodges Autora: Renata Gabriela de Matos Prof. Orientador: Marcelo Tinoco Tema: Tecnologias sustentáveis em uma edificação de hospedagens à luz do conceito de ecovila. Área de estudo: Projeto & Tecnologia da Arquitetura / Conforto Ambiental Local: Praia de Pipa, Tibau Do Sul/RN Semestre da proposta: 2006.2 Materiais: madeira, aço, vidro e reciclados. Público alvo: Turistas

O empreendimento Tarumã Ecolodges se propõe a funcionar como uma pousada integrada com a natureza, que estimula o aprendizado através da arquitetura e funcionamento ambientalmente sadios, inspirados no modo de vida das ecovilas. Seu apelo à natureza se traduz na manutenção da declividade natural; na preservação da mata primária em regeneração do terreno (50% da área); na distribuição dos chalés e no uso de tecnologias sustentáveis, como compostagem do lixo, reciclagem da água e captadores de energia eólica e solar. Desenvolveu-se um partido arquitetônico horizontal, de módulos de chalés interligados pela estrutura e coberta. O uso de linhas de madeira denota a proposta diferenciada da coberta, a funcionar como protetor horizontal e vertical devido à curvatura da estrutura em aço – composta por três arcos.

Perspectiva externa.

Perspectiva externa.

Planta baixa do chalé tipo.

Ao se perceber essa tendência, seja ela no escopo dos trabalhos locais, nacionais ou internacionais, constata-se que projetar de forma sustentável se torna um paradigma projetual, e não mais novidade no meio acadêmico e profissional.

|Dicas de Leitura| Livro: “Eficiência Energética na Arquitetura” de 2002. Autor: Roberto Lamberts. Livro: “Designing with Nature” de 1995. Autor: Ken Yeang. Livro: “Introdução à Permacultura” de 1998. Autor: Bill Mollison. Artigo: “A Arquitetura no Caminho da Sustentabilidade” de 2005. Autor: Ladislao Szabo. In: Livro Iniciativa Solvin 2005.■

#1[2006.2]

31


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

OÃÇATNESERPA FORMAS DE APRESENTAÇÃO ♦RGM

Outras formas de representação são possíveis graças aos softwares de edição de imagem atuais. O limite se torna apenas a criatividade de cada um em escolher padrões e cores. Experimente!■

Ajuste de saturação de cores

Efeito “Psicodélico”

Efeito “Substituição de Cor”

Efeito “Psi codélico”

Ajuste de saturação das cores.

Efeito “Psicodélico”

Inversão de cores.

Imagem orgiinal.

Softwares para edição de imagens: Corel PhotoPaint Adobe PhotoShop

#1[2006.2]

32


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

Do meu

primeiro ano como

Arquiteto profissional ANDRÉ SOUZA*

Após um ano trabalhando como arquiteto em Natal pude observar que o campo de atuação profissional é amplo e com potencial de crescimento ainda significativo. A minha opção, a qual foi feita desde os tempos de estudante, foi a de montar um escritório para que eu pudesse ter a oportunidade de vivenciar a arte de ordenar espaços de forma plena. Para se chegar à criação dele vi como importantes os seguintes fatores: [Embasamento teórico] Isto passa pela aquisição de repertório sobre o que foi feito ao longo do tempo em nossa região e em outros lugares do mundo e também pelo saber acerca das ideologias presentes por trás de cada obra executada ou mesmo daquelas as quais ainda não saíram do papel. [Embasamento prático] Este conhecimento surge do trabalho e da pesquisa que poderá ser desenvolvida em pequenos projetos feitos para familiares ou conhecidos, e nos escritórios de arquitetura e/ou construção civil espalhados pela cidade. Visitar obras em processo de realização ou mesmo as já acabadas também oferecem condições de aumentar a sensibilidade sobre arquitetura. [Contatos] O estar no mundo e conhecer pessoas é importante para quem exerce uma profissão liberal. Quanto mais contatos um profissional tiver, mais chances de ser contratado ele terá. O arquiteto deve ter uma vida social movimentada. O ócio criativo, tão defendido por Domenico de Masi, cai como uma luva para quem lida com

*André é Arquiteto e Urbanista formado pela UFRN em fevereiro de 2006

#1[2006.2]

arquitetura.

33


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

Natal expande-se graças aos loteamentos para construção de condomínios residenciais unifamiliares e também edifícios de apartamentos criados principalmente na zona sul da cidade. As praias da região metropolitana passam a ser exploradas para que se tornem locais de moradia para turistas. Para arquitetos que começam suas carreiras, acho que o foco principal de seus esforços deveria girar em torno da aquisição de solicitação de projetos para condomínios residenciais destinados às classes média e baixa. A Zona Norte também apresenta um grupo de famílias que já se interessam ou podem se interessar pelos serviços de arquitetura. Quanto aos grandes edifícios e as habitações destinadas aos turistas, considero que tal demanda já se encontra em sua maior parte nas mãos dos profissionais mais experientes. Para atingir este público as exigências e esforços são maiores para “os pequenos Davis”. Há ainda o interior do estado, que apresenta uma carência de mais trabalhos desenvolvidos por arquitetos, embora para se trabalhar lá a paciência exigida é ainda maior, pois se estamos começando a criar uma “cultura arquitetônica” em lugares como Natal e Mossoró, em outros municípios a situação ainda é bastante incipiente, já que para lá sempre se construiu sem projeto arquitetônico.

Na verdade esta atitude de doutrinação e esclarecimento sobre a importância da arquitetura deve começar a ser feita de forma mais veemente, porque vivemos ainda em cidades que estão longe de nos oferecer uma qualidade de vida ótima, e sobre isso a contribuição que os arquitetos podem dar é significativa. E tal ignorância acerca do valor do arquiteto tem seus reflexos até mesmo na remuneração profissional. Um dos caminhos que tenho escolhido para apresentar a arquitetura aos leigos, é divulgar meus trabalhos na internet, em estabelecimentos comerciais ou mesmo dando dicas às pessoas sobre alguns lugares interessantes que devem ser visitados seja em Natal, no interior ou qualquer outra região.

#1[2006.2]

34


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

[Montagem de parcerias] Devido ao tempo exíguo de que se dispõe para entrega de trabalhos, dividir funções é valioso para que tudo se faça com maior rapidez e menos desgaste. Um dos exemplos mais claros sobre um desgaste que pode ser evitado é procurar trabalhar com alguém que possa ficar responsável pela legalização do projeto em órgãos públicos. Também posso citar o caso de contar com um engenheiro desde o início dos estudos preliminares. Nesta união, o projeto irá progredir com maior consistência e com chance reduzida de possuir falhas e necessidade de que se façam novos desenhos. A universidade exerce um papel importante para os escritórios porque lá há melhores condições para que pesquisas mais amplas sejam feitas sobre os mais variados assuntos. [Dos conhecimentos gerais] Considero correta a afirmação de Vitrúvio de que o arquiteto, já que não pode saber tudo, que saiba ao menos um pouco sobre tudo. De fato, estando em ação numa área onde se cria espaços para as mais variadas atividades humanas, o arquiteto precisa compreender a sociedade em que vive assim como a mente daqueles para quem projeta. Dependendo do cliente, percebi que apenas preciso de palavras e poucos desenhos para apresentar minhas idéias; já com outros nem mesmo um “passeio virtual” pelo futuro edifício os fazem compreender o que estou querendo transmitir.

Às vezes, uma série de preconceitos dos clientes precisam ser quebrados para que eles percebam que o que realmente desejam pode ser alcançado de outras formas e que a arquitetura é tão grandiosa e vai muito além daquilo que eles estão acostumados a ver nas novelas. Cabe ao arquiteto ter a perspicácia de ler a alma do cliente e oferecer a ele aquilo que realmente irá satisfazê-lo.■

#1[2006.2]

35


A noção da prática profissional participativa no Planejamento e Projeto Urbano: um relato da experiência no curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN Prof. Heitor Andrade Silva

Quando fui convidado para escrever sobre nossa experiência de prática participativa nas disciplinas de Planejamento e Projeto Urbano e Regional do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN pensei esta ser uma grande oportunidade de reafirmar o que sempre digo nas minhas aulas: hoje, não se concebe planejamento sem participação. Mas por que isso? Sempre foi assim?

O contexto do planejamento urbano participativo brasileiro Na década de 1960, no Brasil, é quando surgem, por um lado, as primeiras críticas sobre a qualidade dos espaços urbanos produzidos a partir de paradigmas modernistas; e por outro, quando idéias inovadoras são reprimidas em favor de uma ordem político-social uníssona, que se estendeu por duas décadas, tendo como pano de fundo o estabelecimento de uma lógica centralizadora de gestão pública, instaurada com o golpe militar de 1964. O período da Ditadura Militar paradoxalmente motivou o surgimento de movimentos sociais em suas mais diversas características. Com a transição para um novo contexto, a Constituição de 1988 cria perspectivas no qual são repensados o papel de um Estado descentralizado e são delineados os moldes de uma gestão democrática. Como bem coloca Pedro Biondi (2005) 1 , no âmbito do urbanismo, o agravamento dos problemas urbanos resultantes do inchaço das cidades brasileiras pediam soluções diversas e apropriadas para a infinidade de questões que se estabeleciam – tais como, a violência urbana, a ineficiência do trânsito e do transporte e o déficit habitacional. Nesse contexto, evidencia-se a reforma urbana, que consistia num conjunto de medidas para se definir alternativas capazes de solucionar problemas como o da regularização fundiária, assim como, definir soluções para se alcançar cidades mais equilibradas e que oferecessem uma melhor qualidade de vida para a maioria da população. Trata-se de uma bandeira que ganhou fôlego na década de 1980, quando foi formado (1987) o Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU), no qual se aprofundou a aproximação desses movimentos com organizações não-governamentais (ONGs) e técnicos. BIONDI, Pedro. Reforma urbana busca cidades menos desiguais e mais equilibradas. 2005. Portal da Cidadania. Disponível em: http://www.radiobras.gov.br/materia_i_2004.php?materia=248753&editoria=&q=1. Acesso em: 04 fev. 2007.

1


Outro marco na luta pela reforma urbana é a aprovação do Estatuto da Cidade, a Lei Federal n.10.257, de 2001, que regulamenta o capítulo referente à política urbana previsto na Constituição Federal de 1988. O Estatuto deu uma base jurídica mais sólida a uma série de instrumentos legais – como o IPTU 2 progressivo no tempo e ZEIS 3 – e remete a aplicação dessas ferramentas a um plano diretor, uma das principais leis em âmbito municipal, que deve definir a vocação de cada região para evitar o crescimento desordenado e o desperdício de infra-estrutura já existente. Um dos principais conceitos usados pelo movimento a favor da reforma urbana é o de "direito à cidade". O termo significa acesso à moradia digna, com luz, água encanada e saneamento ambiental, e também a transporte público de qualidade, educação, saúde, cultura e lazer. E, nesse sentido, a participação da população nas decisões municipais impõe-se como um ponto fundamental dessa plataforma. Para a observação e promoção do direito à cidade, o movimento pela reforma urbana exige o cumprimento da função social da cidade e da propriedade – princípios constitucionais que sublinham a primazia do bem comum sobre o direito individual de propriedade (BIONDI, 2005).

Participação social: uma alternativa ou antecedente necessário do planejamento e projeto urbano? Observamos que a participação impõe-se não mais como uma alternativa de planejamento, mas um pré-requisito para se alcançar resultados satisfatórios aos beneficiados. Vale destacar que, ao nos referirmos ao planejamento e projeto urbano, esses beneficiados se ampliam. Em outras palavras, não podemos pensar os clientes de um plano diretor, uma praça ou conjunto habitacional como um ser individual, mas como um grupo com um conjunto de demandas, que exige um programa diversificado e complexo. Como poderíamos, então, pensar que seríamos capazes de traduzir as necessidades de todos os potenciais usuários de uma intervenção urbana? Parece pretensão demais, não? Nesse sentido, observamos que o exercício de projeto e planejamento participativo não é tão simples quanto possa parecer. Exige do técnico fundamentos sociais, éticos, econômicos, culturais, jurídicos, políticos, assim como, sensibilidade para entender as demandas da população favorecida. Isso pode parecer óbvio, mas ainda é comum assistirmos a imposição tecnicista em projetos de intervenção urbana, que por alguma razão não são assimilados por seus usuários. Entender as demandas de uma determinada comunidade começa pelo estabelecimento dos primeiros contatos, quando precisamos nos adequar à rotina e dinâmica da população.

Nossa experiência nas disciplinas de PPUR do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN Discorrer sobre nossa experiência de exercício de planejamento participativo junto às disciplinas de Planejamento e Projeto Urbano e Regional (PPUR) da UFRN, a partir de 2005 é reviver momentos de muito aprendizado. Todas as experiências vivenciadas ao longo deste período são muito ricas, pois em cada semestre tivemos a oportunidade de nos confrontar com realidades distintas. Como sabemos, a cada semestre do curso os conteúdos, da maior parte das disciplinas, são orientados por um tema central – como, Patrimônio Edilício, Verticalização ou Habitação Social. Isso favorece a construção do conhecimento a partir de uma perspectiva interdisciplinar, o que contribuiu para outro ponto forte de nossa instituição: a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Nesse contexto, buscamos as condições para trabalhar em um ambiente realista, o que implica interagir com os “potenciais” usuários de nossas propostas de planejamento e projeto urbanos, assim como, com os principais seguimentos sociais implicados – Poder Público, Setor Imobiliário, Terceiro Setor e demais entidades de bairro. O trabalho de relacionamento com a sociedade alimenta nossa leitura técnica do estudo de caso escolhido e ajuda a definir e fundamentar o problema a ser solucionado. Contudo, todo processo participativo é lento, pois envolve mobilização e depende da disponibilidade dos muitos envolvidos. Isso influencia nossas escolhas metodológicas para interação com as comunidades, entre as quais, basicamente, adotamos duas formas: 1) questionários, entrevistas ou observações; e 2) reuniões públicas com a comunidade. 2 3

Imposto Predial e Territorial Urbano. Zona Especial de Interesse Social.


No semestre em que trabalhamos com a turma do 7° período o tema do patrimônio histórico e edilício na Ribeira (2005.2), nossa experiência participativa consistiu na aplicação de questionários e entrevistas em toda a cidade, nas suas quatro regiões administrativas 4 , e no bairro. Tivemos a oportunidade de assim trabalhar através da interação com a pesquisa sobre percepção ambiental desenvolvida na base coordenada pela Professora Gleice Elali. O trabalho gerou o envolvimento dos alunos com a problemática da Ribeira e resultou em trabalhos não apenas científicos, mas também emocionantes. Nesta mesma ocasião, os projetos desenvolvidos puderam ser apresentados aos técnicos da SEMURB 5 , onde ouvimos críticas e, acreditamos, contribuímos para ampliar o repertório dos que projetam os espaços públicos de Natal. Outra experiência merecedora de registro tivemos com a turma (2006.1), também do 7° período, que trabalhou o mesmo tema, tendo como estudo de caso o município de São José do Mipibu. Nesta ocasião tivemos a oportunidade de realizar uma oficina com a “comunidade”, que embora os participantes tenham se resumido aos técnicos da prefeitura serviu para concluirmos que mobilizar pessoas não é fácil e extrair informações da população requer habilidade e humildade. Nessa experiência vimos alunos que no início não acreditavam nos métodos para extrairmos da população suas necessidades e expectativas – dinâmicas de grupo – e no final foram os que mais se entusiasmaram com o processo. Quando estudamos com a turma do 6° período o tema da verticalização, no bairro Candelária, tivemos, no semestre 2005.2, a oportunidade de nos reunir com o Clube de Mães e tentar dialogar com o Conselho Comunitário do bairro. Nesse semestre chegamos a questionar as prescrições urbanísticas constantes no Plano Diretor que vigoram no bairro. Essa realidade nos fez entender que a legislação urbanística precisa considerar a morfologia do fragmento urbano, assim como questões econômicas, culturais e sociais, o que vai além de agregar vantagens meramente técnicas as suas determinações. A partir dessa reflexão ficamos com a questão, afinal, é a comunidade que desrespeita a legislação ou a legislação que desrespeita a comunidade? A experiência com a turma do 6° período de 2006.2, quando trabalhamos nos bairros Areia Preta e Mãe Luiza, merece também um relato, porque, primeiramente, interagimos de forma muito peculiar com outras disciplinas – Estatística, Conforto, Paisagismo e Projeto – o que 4 5

Norte, Sul, Leste e Oeste. Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo.


comunidade participação

revelou, preliminarmente, as expectativas da população e questões importantes a serem solucionadas. Este primeiro contato se deu através de questionários e entrevistas, com os moradores da área em estudo. Num outro momento realizamos um contato com o Conselho Comunitário de Mãe Luiza, onde foi possível extrair as demandas e expectativas de uma parcela da população. E, depois dos projetos prontos, voltamos para apresentar nossas idéias à comunidade. Contudo, foi preciso nos adequar a rotina da comunidade para que o processo fluísse bem. Vale ressaltar que esse trabalho integrou-se com projeto de extensão coordenado pela Prof. Dulce Bentes (UFRN) e rendeu frutos à comunidade, que pensa em integrá-los a lista de reivindicações para o bairro, como forma de fortalecer a fixação da população na área. Vale, ainda, registrar as experiências que tivemos na disciplina de Fundamentos Sociais e Ambientais da Arquitetura e Urbanismo 01, nos três últimos semestres letivos.Tratam-se de trabalhos desenvolvidos com o objetivo de investigar sobre formas de manifestações culturais no espaço. A idéia era que cada grupo escolhesse temas que não apenas pudessem pesquisar nos livros, mas, sobretudo pudessem vivenciar no lugar onde acontecem. Os assuntos escolhidos sempre surpreenderam. Assim, vimos grupos investigando as minorias, feiras livres, carnaval fora de época (Carnatal, no caso), quadrilhas, capoeira, repente, mamulengo, quilombola e candomblé, para apenas citarmos alguns dos temas escolhidos. Os grupos trouxeram para a aula experiências diversas que ampliaram nosso repertório cultural, e, sobretudo, corroboraram para aumentar nossa capacidade de tolerância com as diferenças, requisitos não apenas de planejadores e projetistas urbanos, mas de cidadãos.

intervenção soluções diálogo m

comunidade urbanismo arquiteu Em todas as nossas experiências tivemos a preocupação de não criarmos expectativas na comunidade que não poderíamos corresponder. Por isso, deixamos sempre claro que se

comunidade participação

tratam de trabalhos acadêmicos com limitações e objetivos pedagógicos. O fato é que as demandas em nossa cidade são muito maiores do que o Poder Público pode atender. O problema se agrava quando nos reportamos as zonas menos providas de infra-estrutura e oferta de comércio e serviços especializados. Nesse contexto, nossos trabalhos são sempre bem vindos para essas comunidades. Mostram, portanto, as potencialidades do bairro e constituem instrumentos de reivindicação. Sobretudo, representam o papel da Universidade Pública na formação de profissionais preparados para atender as diversas demandas da cidade e cidadãos sensíveis a problemática social do país.■


PENAS

NA

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

INTERNET :::::::::::::::::::::::::

SITES INTERESSANTES PARA NAVEGAR DENTRO DO MUNDO DIGITAL Por Renata Gabriela de Matos

Para quem está começando...

www.greatbuildings.com

Para quem procura além da escala do edifício...

http://www.spacesyntax.com/

Para quem não se contenta com o banal...

www.future-systems.com

#1[2006.2]

40


PENAS

[Revista da graduação em Arquitetura & Urbanismo da UFRN]

Para quem precisa de informações técnicas...

www.metalica.com.br

Para quem enxerga na arquitetura ambientalmente saudável uma solução...

www.troppoarchitects.com.au

Para quem tem uma queda por design...

www.designboom.com

#1[2006.2]

41


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE Centro de Tecnologia Departamento de Arquitetura Curso de Arquitetura e Urbanismo

EXPEDIENTE

Penas 01

Editor | CARLOS ONOFRE Professor orientador | ALDOMAR PEDRINI Editora de TFG’s | RENATA GABRIELA DE MATOS

Capa | Ilustração de Verner Monteiro e design de Renata Gabriela de Matos e Carlos Onofre

As ilustrações que acompanham as páginas dedicadas aos projetos são de responsabilidade de seus autores. Os artigos “Do meu primeiro ano como arquiteto profissional” e “A noção da prática profissional participativa no Planejamento e Projeto Urbano”, foram ilustrados por Carlos Onofre, e “Na Internet” foi acompanhado por ilustrações pertencentes aos sítios creditados.

Chefia do DARQ

| Prof. Fernando Costa Prof. José Jefferson de Souza

Coordenação do Curso de Arquitetura e Urbanismo | Profª. Amadja Henrique Borges Profª. Maria Cristina de Morais

revistarq@yahoo.com.br

colaborações A produção desta revista só foi viável graças à gentileza de alunos de diversos períodos do curso, em nos enviar seus trabalhos, acompanhados dos respectivos textos. São eles:

ABP:: Annemilia Batista Penha | ACB:: Andressa Christine Bezerra | AKM :: Amanda Kellen Medeiros CCL :: Cíntia Camila Liberalino | CF:: Camila Furukawa | COR :: Clara Ovídio Rodrigues CVA :: Carla Varela Araújo | DCM :: Deysianne Câmara Medeiros| DNP :: Débora Nogueira Pinto DPS :: Daniel Paulo Silva | JPD:: João Paulo Diniz| LFA :: Laíze Fernandes Asevedo LTE :: Lorraine Tabosa Egito | MMG:: Marcela de Melo Germano | MRM:: Marina Rocha Meire NBB :: Nathália Barbosa Braga | PSL :: Patrícia Soares Lopes| RAA:: Raphaela Araújo Albuquerque RGM :: Renata Gabriela de Matos

Apoio: Centro Acadêmico de Arquitetura e Urbanismo - UFRN


Penas #01  

edição lançada em 2007, abordando trabalhos realizados em 2006.

Advertisement