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Panorama do

Turismo Sua viagem pela informação

Ano 14 | No 170 | setembro | 2019

Jaguariaíva natureza e aventura


Bem-vindo a Jaguariaíva!

Editorial

Sugestão acatada

Com exuberantes paisagens formadas há milhões e milhões de anos, Jaguariaíva constitui um prato cheio para quem deseja vivenciar emocionantes experiências em práticas esportivas ao ar livre ou simplesmente contemplar a natureza no seu mais puro estado. Situado nos Campos Gerais do Paraná e, dentre os treze dessa região, o com maior porção inserida na Área de Proteção Ambiental da Escarpa Devoniana, o município concentra cânions, cachoeiras de todos os tamanhos, imponentes chapadões, matas nativas e rios de corredeiras. Por acenar com um verdadeiro parque de aventuras nos seus arredores, a cidade de Jaguariaíva começa a ser descoberta por turistas e esportistas focados nesse nicho do mercado, inclusive vindos do exterior. Esses visitantes, a propósito, “têm expressado inequívoco interesse em voltar outras vezes”, garante Carlos Ornellas, proprietário de uma agência local especializada no segmento de atividades radicais, ao reforçar as particularidades do destino e a preocupação de desenvolver o turismo seguindo preceitos de preservação ambiental. As atividades junto à natureza figuram como seu principal ativo turístico, é certo, mas Jaguariaíva também revela apelos religiosos e históricos. A fé católica, por exemplo, tem como endereço de reverência o Santuário do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria. E a memória encontra abrigo nas instalações, hoje desativadas, da fábrica da Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo e na antiga estação ferroviária.

Fiel leitor da Panorama do Turismo, Reinaldo Weigert Filho surpreendeu a redação, mês de julho passado, ao enviar uma série de fotos com paisagens da sua cidade natal, Jaguariaíva. De pronto, o recado foi entendido: sutilmente, ele estava sugerindo o destino para uma futura revista. Depois do contato inicial, outros se seguiram, até a equipe de reportagem, se sentindo motivada ao tema, partir para essa localidade paranaense com a missão de levantar e produzir um conteúdo bacana para a presente edição de setembro. Ainda com outros ângulos a ser descobertos por quem se sentir atraído pelo destino, Jaguariaíva segue, pois, apresentada nas páginas seguintes aos demais leitores da Panorama do Turismo, inclusive você. Em tempo: esse trabalho jornalístico da Panorama do Turismo contou com desprendido apoio do diretor de Turismo de Jaguariaíva, Edson Scherer, ele próprio o guia da reportagem pelos fascinantes cenários naturais do município.

Leitores

A propósito da revista anterior, com novidades de Foz do Iguaçu, assim se manifestaram alguns leitores: Parabéns, Fábio Skraba (Curitiba-PR). No momento em que Foz do Iguaçu está passando por importantes melhorias, foi ótima essa pauta, Arnaldo Moreira (Rio de Janeiro-RJ). Parabenizo a qualidade de mais esta edição, João Luiz dos Santos Moreira (Porto Alegre-RS). Registrem-se ainda contatos de: Marta Rossi (Gramado-RS), Geraldo Rocha (Curitiba-PR), Ernesto Lovato (Cerro Azul-PR) e Ruthe Prècoma (Curitiba-PR), entre outros.

Fotos Panorama do Turismo

Boa leitura!

Capa Jaguariaíva Foto Panorama do Turismo Expediente Panorama do Turismo Ano 14 | No 170 | Setembro | 2019 Fundadores Antonio Claret de Rezende, Júlio Cézar Rodrigues, Júlio Zaruch e Sérgio Almeida Diretor e Editor Júlio Cézar Rodrigues (MTb 1050/07/27-PR) Contatos 41 | 99106-6852 redacao@panoramadoturismo.com.br Revista digital com conteúdo editorial próprio e periodicidade mensal. Disponível para download gratuito em www.panoramadoturismo.com.br, facebook.com/panoramadoturismo, twitter/revistapantur e instagram/panorama_do_turismo. Distribuição em formato eletrônico, via e-mail, a partir de mailing próprio e de cadastro de parceiros institucionais e comerciais e de grupos de WhatsApp. Mais informações sobre o segmento em www.panoramadoturismo.com.br

Destino com natureza, história e esportes radicais PANORAMA DO TURISMO | SETEMBRO 2019 |

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Território de cenários deslumbrantes

Fotos Panorama do Turismo

Município localizado na região leste do Paraná, atualmente com cerca de 35.000 habitantes, Jaguariaíva ainda mantém intactos alguns dos cenários desbravados pelos tropeiros do caminho comercial entre Viamão e Sorocaba – respectivamente, no Rio Grande do Sul e em São Paulo –, utilizado desde o século XVIII até os primeiros anos do século passado. Pois esses mesmos cenários, hoje compartilhando limites com fazendas de gado, lavouras e áreas de reflorestamento, são oferecidos a turistas interessados em maior proximidade com a natureza e em atividades ao ar livre. Considerável porção do território do município – reunindo campos, matas nativas, rios de corredeiras, cânions e muitas cachoeiras – favorece a prática de

No alto, Cachoeira do Butiá, na área do Vale do Codó. Acima, parte do cânion do Rio Jaguariaíva 4

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esportes mais radicais, a exemplo do rafting, canoagem, aquatrekking, rapel e motocross. Porém, com idêntica força, convida ao cicloturismo, a passeios a cavalo e à silenciosa observação de aves. Esse verdadeiro parque natural de aventuras e contemplação situa-se no eixo da Escarpa Devoniana, singular formação geológica, cuja denominação remete ao Período Devoniano, ocorrido há 400 milhões de anos, mas como hoje é avistada conta apenas 65 milhões de anos. Para proteger seus paredões e afloramentos rochosos, sítios geoturísticos e vestígios arqueológicos e pré-históricos, o governo paranaense delimitou-a, no ano de 1992, dentro de uma área de proteção ambiental. A propósito, dos treze municípios alcançados por ela, Jaguariaíva destaca-se por possuir 53% da sua superfície inserida nessa APA. Bem, para conhecer os atrativos jaguariaívenses, primeiro vale dar uma parada no posto de informação turística da Prefeitura, na antiga estação de trens, ou, então, contatar uma agência local de receptivo. Depois, é só aproveitar!


Fotos Panorama do Turismo

Cachoeiras para todos os gostos

A contagem final ainda está para ser feita. Mas è certa a existência de muitas cachoeiras, e de todos os tamanhos e formatos, em Jaguariaíva. Elas podem ser encontradas dentro do perímetro urbano – bem próximo da principal avenida da cidade –, ao final de trilhas no meio da mata, isoladas no alto de chapadões, despencando de vertiginosos precipícios e em propriedades particulares – essas, pena, inacessíveis a quem não é amigo do fazendeiro. Nesse destino de geografia propícia, pois, contemplar esses caprichos da natureza ou tomar um revigorante banho nessas quedas de água constituem, sim, programa de turista. No rol das cachoeiras mais procuradas e inseridas em atividades de aventura estão, exemplificando, a do Lago Azul, das Andorinhas, Véu da Noiva, da Fazenda Trevo e do Butiá. Conforme a estação do ano, elas oferecem cenários diferentes: mais volumosas, nos períodos chuvosos; desnudas, rochas à mostra, nas fases de estiagem. Mas sempre perfeitas para fotos e composição de selfies.

Além da bela cachoeira da página anterior, Jaguariaíva tem outras mais em seu território PANORAMA DO TURISMO | SETEMBRO 2019 |

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Convites à aventura não faltam!

Jaguariaíva pode ser desvendada em surpreendentes programas de rafting ou em estradinhas e trilhas enlameadas pelo meio da mata

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natural para quem deseja gastar energia ao ar livre. Trata-se de um roteiro percorrido parte em boia-cross (dois quilômetros nas corredeiras do Rio das Cinzas) e parte a pé (cinco quilômetros de trilhas). Ao término, dá para se refrescar na Cachoeira do Grotão e admirar belo visual no Mirante da Taça Quebrada. As diversas trilhas existentes nos campos e matas dos arredores da cidade também convidam a passeios sobre duas rodas – seja pedalando uma bike, sem pressa, ou testando a habilidade e a resistência sobre motos apropriadas para terrenos alternando aclives e declives, às vezes, enlameados. A orientação de guias é importante, pois as rotas ainda carecem de sinalização. Outras sugestões para turistas à procura de sintonia com a natureza são as cavalgadas e a observação de aves. Nesse último aspecto, vale assinalar: a região de Jaguariaíva, ponto de encontro dos biomas Campos Gerais, Cerrado e Mata Atlântica, é pródiga na quantidade de espécies.

Fotos Panorama do Turismo

Para aventureiros e apaixonados por esportes radicais, sobram cenários e atividades capazes de acelerar a adrenalina. Contudo, para determinadas práticas sempre é indicado buscar o apoio de guias locais e experientes. Caso, por exemplo, do rafting no Cânion do Encanadão, trecho onde o Rio Jaguariaíva passa espremido por paredões de até 100 metros de altura. O percurso de aproximadamente onze quilômetros proporciona muita emoção em corredeiras das classes II a V. O período recomendado para curtir essa descida em botes infláveis, com segurança, vai de agosto a junho. Outro programa bacana nesse destino paranaense de aventuras é o aquatrekking do Lago Azul. Essa experiência mescla caminhada e flutuação num trajeto de 4,5 quilômetros no cânion do Rio Lajeado Grande, e assegura, ao final, merecido banho nas águas da Cachoeira Véu de Noiva. Com nível de dificuldade de leve a moderado, é praticado preferencialmente entre os meses de setembro e junho. O Cânion do Cadeado configura mais um palco


Significativa extensão de natureza em estado puro – para ser exato, 420,20 hectares – está preservada dentro dos limites do Parque Estadual do Cerrado. Criada em 1992, essa área de conservação ambiental de Jaguariaíva resguarda um dos últimos remanescentes desse bioma existente no Paraná. E nela estão abrigadas espécies da flora como a caviúna e o barbatimão (planta medicinal usada no tratamento de feridas, sangramentos e queimaduras) e da fauna, a exemplo do lobo guará, do tamanduá-bandeira e da gralha do cerrado. Caminhando por trilhas num total de 2,5 quilômetros e alcançando seus mirantes, o visitante pode contemplar vales, afloramentos de rochas areníticas esculpidas pelos ventos e chuvas, cursos de rios, quedas d'água e densa floresta ciliar, bem como avistar diferentes pássaros. Nesse passeio, sobressaem o Cânion do Rio Jaguariaíva e a Cachoeira do Ribeirão Santo Antonio A vegetação local traduz uma mistura de espécies botânicas encontradas nas porções sul e central do Brasil. E apesar de a paisagem dominada por árvores retorcidas sugerir aridez e pouca vida, o Parque Estadual do Cerrado surpreende pela harmonia cênica singular, pelas belas flores e pela riqueza biológica - particularidades a identificar no cerrado um lugar com imensa biodiversidade. Além de se destinar a atividades de ecoturismo, o Parque Estadual do Cerrado também constitui base perfeita para educação ambiental e estudos científicos, disponibilizando monitores, estacionamento, centros de visitantes e de pesquisas, alojamento para pesquisadores, casa do guarda-parque, posto avançado e torre de observação. Com entrada gratuita, ele fica aberto aos sábados e domingos – durante a semana, é necessário agendar.

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Natureza protegida

Cachoeira existente no Parque do Cerrado e dois vistosos moradores desse bioma, devidamente protegidos em seu território PANORAMA DO TURISMO | SETEMBRO 2019 |

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Outra evidência da determinação local de valorizar frações da natureza ainda intocadas está traduzida na transformação do belo Vale do Codó em parque estadual, ora sendo encaminhada através de articulação entre a Prefeitura e o Governo do Estado. A delimitação dessa nova unidade de preservação ambiental deverá garantir a conservação de cenários espetaculares da bacia hidrográfica do Rio Jaguariaíva – entre um cânion com paredões de até 60 metros de altura, matas virgens e densas, uma pioneira represa do Grupo Matarazzo – e longa vida a diversas espécies de animais e aves. Por falar em espaços naturais já protegidos por regulamentação própria, em Jaguariaíva, além do Parque Estadual do Cerrado, podem ser visitados o Parque Linear do Rio Capivari e o Parque Ambiental Dr. Ruy Cunha - Bosque do Tropeiro. O primeiro corta o centro da cidade, tendo como principal atrativo o Cachoeirão e oferecendo estrutura com ciclovia, playground, lago artificial, quiosques e lanchonete. Situado no Bairro Pedrinha, em um antigo pouso de tropeiros, o segundo possui trilhas, locais de pescaria no Rio Jaguariaíva, cantinho do chimarrão, museu tropeiro, sanitários e casa do guarda-parque. Outro apelo turístico natural, e também religioso, de Jaguariaíva é um paredão de 100 metros de altura, na estrada para o Sertão de Cima, com grutas, cavernas, fendas, nascentes d’água e, esculpida pela ação de ventos e chuvas, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Anualmente, ocorre uma caminhada a esse local, para celebração de missa com devotos da Santa do Paredão. 8

Fotos Panorama do Turismo

Consciência preservacionista

No alto da página, a Cachoeira do Lago Azul. Acima, trecho do Parque Linear do Rio Capivari, situado na área urbana de Jaguariaíva. Na foto abaixo, antiga represa de captação de água para geração de energia elétrica

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Fotos Panorama do Turismo

Patrimônio do Paraná

Ao lado da centenária Igreja do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, Jaguariaíva possui outras três construções tombadas como patrimônio histórico e artístico do Paraná: a Estação Ferroviária, o Grupo Escolar Izabel Branco e o edifício da Casa da Cultura Doutor João Batista da Cruz. Desses três bens, o antigo terminal de trens está melhor conservado e nele funcionam serviços públicos, entre eles o posto de informações turísticas do município, e um pequeno museu ferroviário. Com semelhante importância histórica, apesar não estarem tombadas, são pontos de visitação em Jaguariaíva as instalações da fábrica local da Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo – grande grupo empresarial, agregando, até meados do século passado, diversas empresas nos ramos têxtil, químico, comercial, bancário e alimentício, entre outros – e o palacete da família Matarazzo. A fábrica, desativada e adquirida pela municipalidade, hoje empresta seus espaços para outras atividades, entre elas, o Cine Teatro Municipal Valéria Luercy. E a mansão dos Matarazzo foi transformada em Museu Histórico Municipal Conde Francisco Matarazzo – a propósito, entre 7 de outubro a 29 de novembro a visitação será interrompida para preparativos de tradicional evento de Natal realizado em suas dependências. Uma curiosidade: a composição cênica da estação de trens e da antiga fábrica teriam inspirado a artista plástica Tarsila do Amaral – de passagem por Jaguariaíva em uma comitiva do conde Matarazzo – a pintar outra das suas famosas telas, intitulada A Gare.

A partir do alto, a antiga estação ferroviária, em dia de festejos cívicos, as instalações da outrora fábrica Matarazzo e a mansão onde o conde Francisco Matarazzo e família ficavam quando em visita a Jaguariaíva. À direita, uma das residências originais do princípio do século passado, toda preservada

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A morada da espiritualidade

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Arraigada em Jaguariaíva desde os tempos de passagem e pouso dos tropeiros pelo pioneiro caminho de gado e muares entre Viamão e Sorocaba, a fé católica tem seu principal emblema local no centenário Santuário do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria.

A igreja do padroeiro do município data de 1870 e está tombada como patrimônio histórico e artístico do Paraná. Com nave, duas torres, capela-mor e sacristia, sua construção “revela o confronto entre um arcabouço luso-brasileiro com um vocabulário neogótico, em voga na arquitetura religiosa da segunda metade do século XIX, por influência do clero de origem alemã”, descreve o registro do tombamento. No altar principal, destaca-se imagem secular do Senhor Bom Jesus da Pedra Fria, trazida de Portugal e glorificada primeiro, em 1795, na capela construída por intermediação dos pioneiros dona Izabel Branco e seu esposo coronel Luciano Carneiro Lobo. Com mais de 100 anos de tradição, os festejos em torno do padroeiro também atraem fiéis da região e têm seu ponto alto no dia 6 de agosto.

A igreja está localizada na Praça Izabel Branco e possui belo interior. No centro do seu altar principal, a centenária imagem do padroeiro da cidade abençoa os fiéis

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Panorama do Turismo de Setembro  

Edição regular da revista Panorama do Turismo, destacando atrativos da cidade paranaense de Jaguariaíva, em particular cenários naturais e e...

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