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Panorama do

Turismo Sua viagem pela informação

Ano 13 | No 164 | Março | 2019

Ilha do Mel quem conhece quer voltar!


Bem-vindo à Ilha do Mel!

Editorial

Discursos afinados

Basta colocar os pés em suas areias, caminhar pelas suas trilhas, mergulhar em suas águas, subir em seus morros e contemplar seus cenários, pronto!, para acabar seduzido. Definitivamente, a Ilha do Mel constitui um daqueles lugares especiais, pedacinho do paraíso nos mares do sul, capazes de cativar o visitante já no primeiro contato e de provocar nele o desejo de retornar o mais breve possível. Pertencente ao município de Paranaguá, território de pequena extensão – totaliza apenas 2.894 hectares; a maior parte delimitada como área de preservação ambiental –, essa porção insular do litoral paranaense se transforma, em especial nos meses do verão, em destino de turistas de variados quadrantes. Gente de todas as idades. Uns em busca de sossego e distância dos agitos da cidade. Outros atrás das ondas perfeitas das praias de mar aberto. Terceiros à procura de natureza em estado puro ou de novas vivências. Sim, a Ilha do Mel oferece atrações para expectativas distintas e em todas as estações. Para apresentar a você, caro leitor ou leitora, um pouco dessa cativante ilha, também envolvida por lendas de tesouros de piratas e enfeitiçadoras sereias, a equipe de reportagem da Panorama do Turismo foi até lá experimentar os predicados locais. A propósito, esse trabalho de campo contou com suporte da Associação de Barqueiros do Litoral Norte do Paraná-Abaline, da Outsidetour, das pousadas Orquídeas, Bob Pai Bob Filho, Favo de Mel e Pôr do Sol e dos restaurantes Mar & Sol, Lumo e Sham’s. O material das páginas seguintes, portanto, reflete essa viagem.

No Paraná, mais uma vez, o empresariado do setor está confiante. Afinal, o novo governo estadual prometeu priorizar, de verdade, a economia do turismo. Os discursos do governador, do vice, do secretário da pasta e do presidente da Paraná Turismo, braço operacional para a área, estão sintonizados. Um dos pontos de sustentação das manifestações dessas autoridades está na promessa de desenvolver, e dar a perenidade necessária, ao trabalho de divulgação e promoção dos atrativos regionais. Nesse contexto, perto de 35% do orçamento de mídia da Secretaria da Comunicação Social estariam carimbados para ações de marketing turístico. Tomara a prática acabe reflexo fiel do discurso.

Nessa edição, Panorama do Turismo abre espaços para outra preciosidade do litoral paranaense. A Ilha do Mel proporcionou o conteúdo das próximas páginas. Boa leitura!

A propósito da edição passada, com o complexo termal Jurema Águas Quentes, assim se manifestaram, entre outros, esses leitores: Que lugar lindo, quero conhecer, Nelci Seibel (Joinville-SC). O paranaense não precisa se deslocar para Santa Catarina atrás das termas. Temos essa aí e com extrema competência e estrutura, Henrique Paulo Schmidlin (Curitiba-PR). Fotos lindas e, como sempre, um texto primoroso e informativo, Edgar Oliveira (São Paulo-SP). Muy buen material sobre esta maravilla termal de vuestro país, Julio Luis Rossier (Canelones-Uruguai). Parabéns a toda equipe, Luciano Carneiro (Goiânia-Goiás).

Fotos Panorama do Turismo

Leitores

Capa Ilha do Mel Foto Panorama do Turismo Expediente Panorama do Turismo Ano 13 | No 164 | Março | 2019 Fundadores Antonio Claret de Rezende, Júlio Cézar Rodrigues, Júlio Zaruch e Sérgio Almeida Diretor e Editor Júlio Cézar Rodrigues (MTb 1050/07/27-PR) Contatos 41 | 99106-6852 redacao@panoramadoturismo.com.br Revista digital com conteúdo editorial próprio e periodicidade mensal. Disponível para download gratuito em www.panoramadoturismo.com.br, facebook.com/panoramadoturismo, twitter/revistapantur e instagram/panoramadoturismo. Distribuição em formato eletrônico, via e-mail, a partir de mailing próprio e de cadastro de parceiros institucionais e comerciais e de grupos de WhatsApp. Mais informações sobre o segmento em www.panoramadoturismo.com.br

Destino paranaense privilegiado PANORAMA DO TURISMO | MARÇO 2019 |

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Um belo e doce destino!

A Ilha do Mel surpreende os visitantes com paisagens de tirar o fôlego

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Pensar em férias numa ilha remete de imediato, no imaginário da maioria dos viajantes, a cenários idílicos de areias branquinhas e mar convidativo. Pois essa experiância pode ser vivenciada na Ilha do Mel, pequena porção insular no litoral do Paraná. Situada na entrada da Baía de Paranaguá, a cerca de três ou quatro quilômetros do continente, ela agrega muitos atributos. Tem exuberantes praias em sua porção banhada pelo mar aberto e águas tranquilas na orla interna. Guarda formações naturais únicas e importantes monumentos históricos, como a Gruta das Encantadas, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres e o Farol das Conchas. É destino para aproveitar bons momentos e ficar com gostinho de quero voltar. Nos seus vilarejos da Fortaleza, Encantadas, Nova Brasília ou Brasília, Farol e Praia Grande, a vida flui num ritmo mais compassado, distante do alvoroço da cidade e da poluição dos automóveis e sem muita preocupação com o relógio. Nesse destino paranaense continuam imperando a simplicidade e o pé no chão, como anos 1970/80, época da sua descoberta pelos bichos-grilos. Mas ao contrário das acanhadas condições turísticas daqueles


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tempos, quando nem luz elétrica existia e o desembarque era direto na praia, hoje em dia Ilha do Mel recebe os visitantes com variada oferta de pousadas, restaurantes e bares. Com perímetro de 35 quilômetros e área total de 2,7 hectares – maior parte reservada à preservação ambiental –, a Ilha do Mel constitui um destino preferencial, no litoral sul do Brasil, a quem procura cenários naturais, belas praias, sossego e hospitalidade. As opções de hospedagem, alimentação e diversão se concentram nas vilas de Brasília e Encantadas, essa com a maior população de moradores nativos e também mais próxima do continente; ou seja, seu atracadouro das barcas do serviço de transporte continente-ilha-continente está distante 20 ou 30 minutos do ponto de partida, em Pontal do Sul. Brasília também possui trapiche para operações seguras de embarque e desembarque. A partir dessas duas principais bases, durante o dia os turistas são convidados a curtir a natureza em estado puro, a aproveitar as praias, subir nos morros para contemplar novos ângulos, surfar, ou ficar fazendo nada. A exemplo de outras opções de praia do sul do país, na Ilha do Mel o fluxo mais expressivo de turistas ocorre nos meses de verão, período de lotação completa nas pousadas, de barzinhos fervilhando, de praias com banhistas e surfistas e de muito vai-e-vem pela rede de trilhas de areia. No restante do ano, contudo, a ilha também tem seus encantos. Enfim, escolha sua estação preferida para conhecer ou revisitar esse doce pedacinho do paraíso e boa estada!

Barco em poético findar da tarde e o trapiche das Encantadas

O nome

O nome da ilha tem pelo menos cinco possíveis origens. 1) ela era frequentada, em meados do século passado, pelo almirante Mehl e família; 2) o local fora entreposto de abastecimento de navios, sendo um dos mantimentos a farinha (mehl, em alemão); 3) existência de muitas abelhas e, por consequência, de mel; 4) a cor amarelada resultante do mistura das águas dos córregos e riachos com o mar; 5) marinheiros aposentados teriam vivido na ilha e desenvolvido a apicultura. Em tempo: antes ela era conhecida como Ilha da Baleia. PANORAMA DO TURISMO | MARÇO 2019 |

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Guardião dos navegantes

O farol pode ser avistado de muitos pontos da Ilha do Mel, pois está encravado no alto do Morro das Conchas. Acima da sua porta de entrada, inscrição oferece informações sobre a construção

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Inaugurado em 1872 para propiciar segurança e orientação à navegação nesse trecho da costa brasileira, o Farol das Conchas é uma das preciosidades históricas existentes na Ilha do Mel. Com 18 metros de altura, foi construído, a mando de D. Pedro II, com material importado na cidade escocesa de Glasgow, Além da sua finalidade original, ele até serviu de set de gravação do filme A ostra e o vento, com Lima Duarte e Leandra Leal nos papéis principais. E está na capa dessa edição. Para alcançá-lo, o visitante precisa vencer uma escadaria de pedra com 150 degraus até o topo do Morro das Conchas. O farol fica fechado à visitação, mas do seu entorno a vista descobre, 360º, belas paisagens de mar, praias, morros e matas. Vale a subida! Durante muito tempo, ele serviu de referência segura para grandes navios em direção ao Porto de Paranaguá, para pequenas embarcações comerciais e, lógico, aos pescadores locais em suas singelas canoas.


Corria o ano de 1769, quando, no dia 23 de abril, ecoaram pela Ilha do Mel estrondos secos. O incomum barulho, provocando voos em polvorosa de gaivotas agrupadas na praia, vinha de seis canhões de ferro e bronze. Os tiros saudavam o término das obras de construção da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, onde os mesmos estavam instalados. Encravada num ponto estratégico da ilha, então, denominada da Baleia, a fortificação fora planejada para proteger a entrada de navios invasores até a antiga Vila de Paranaguá e, portanto, no continente. Único exemplar da arquitetura militar do século XVIII existente no Paraná e de construção orgânica – ou seja, adaptada à topografia do terreno e às rochas onde foi erguida –, ela também era chamada, à época, de Fortaleza da Barra ou Fortaleza de Paranaguá. Segundo a história relata, seus canhões dispararam mais uma vez, em 1850, no episódio denominado Incidente Cormorant. Os tiros tinham como alvo o HMS Cormorant, navio da marinha inglesa usado na repressão ao tráfico negreiro, o qual invadira águas da Baía de Paranaguá em perseguição a barcos nacionais supostamente transportando escravos. Segundo Antônio Vieira dos Santos, considerado Pai da História Paranaense, esse constituiu o primeiro ataque de uma fortificação brasileira a uma embarcação da Inglaterra. Testemunha de tempos idos, hoje em dia a Fortaleza de Nossa Senhora dos

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Fortaleza, cenário de muitas histórias

Prazeres é ponto de parada obrigatório no roteiro de turistas na Ilha do Mel, oferecendo um pequeno museu na casa da guarnição e posto da polícia florestal. A singular edificação está tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN, e vale a visita!

Exemplar da arquitetura militar, do seu terrapleno superior tem-se belas vistas da ilha

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Uma passarela de madeira conduz o turista até a entrada da gruta. Quando a maré está baixa, é possível entrar no interior da rara formaçao

Morada de sereias?

De formação geológica incomum e envolta em atmosfera de mistério – asseguram os nativos, o local era morada de hipnotizantes sereias –, a Gruta das Encantadas é um dos emblemas da Ilha do Mel. Outra parada obrigatória, ela compõe fotos de grupos de turistas e de casais enamorados ou selfies para atualização do perfil nas redes sociais. Localizada na comunidade de Encantadas, a gruta foi escavada pelo mar, ao longo de milhares de anos, o qual provocou a erosão de um dique pouco resistente de diabásio existente no migamatito, principal rocha, ao lado de gnaisses, formadora dos morros da ilha. Já sobre as antigas moradoras da gruta são várias as estórias. Contam uns, as sereias gostavam de se banhar ao nascer e ao cair do sol; outros dizem ainda ouvir cantos melodiosos em noites de lua cheia; e há quem garanta o sumiço delas após amores proibidos com mortais. Mas uma coisa é certa: atualmente, as sereias avistadas no local e proximidades usam maiô ou biquíni. Por falar em lendas, na Ilha do Mel também são famosos os causos a respeito de tesouros enterrados por piratas. Uma das pousadas locais, inclusive, traz em seu material promocional um mapa com a localização de baús com moedas de ouro.


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Para curtir a pé ou de bicicleta Para quem gosta de caminhadas alternando trechos planos, costões e íngremes morros, o percurso da Gruta das Encantadas até a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, ou vice-versa, é um prato cheio! São mais ou menos sete quilômetros, numa sucessão de lindas praias, mar de águas límpidas, cenários de mata preservada, atrativos naturais e históricos e elevações com vistas de tirar o fôlego. Partindo do Morro da Gruta das Encantadas, o passeio assinala a Praia da Boia, a Praia do Saquinho, o Morro do Sabão, a Praia do Miguel, o Morro do Meio, a Praia Grande, a Ponta do Joaquim, a Praia de Fora, o Morro do Farol das Conchas – com vista de 360º, do seu topo dá para contemplar as duas porções distintas da ilha e a estreita faixa de areia ligando-as –, a Praia do Farol, a Praia do Istmo, a Praia da Fortaleza e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. A propósito de caminhadas, como a ilha, para alegria dos turistas, não possui meios de transporte motorizados e poluentes, uma atividade constante é bater perna pela rede de trilhas internas de areia das comunidades e entre elas. Em alguns trechos fechados pela copa das árvores, o passeio ocorre totalmente no fresquinho das sombras. À noite, a iluminação nos trajetos mais escuros fica por conta de lanternas e da luz dos celulares, num show particular. Se o desejo, no entanto, é sentir o vento no rosto em cima de uma bicicleta, o trecho de praia entre o Farol das Conchas e a Fortaleza é perfeito. Bem plana e larga, a faixa de areia convida a umas pedaladas sem pressa, para apreciar o cenário e fazer paradas para um mergulho.

O largo trecho de praia entre o farol e a fortaleza é incrivel para umas pedaladas. Ao lado, bifurcação de uma das trilhas de Encantadas PANORAMA DO TURISMO | MARÇO 2019 |

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Escolha a sua praia

A ilha tem praias calmas e outras boas para surfe. E se você esquecer de levar a prancha, lá tem para alugar

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Apesar de pequena, a Ilha do Mel apresenta expressiva diversidade de praias. As com faixa de areia mais larga, extensas e com ondas ficam na porção voltada para o mar aberto. Nesse rol estão, por exemplo, as praias da Boia, do Saquinho, do Miguel, Grande, de Fora, do Farol, do Istmo e a da Fortaleza. Experientes no assunto garantem: a ilha acena com ondulações perfeitas para curtir surfe. Para quem prefere águas mais calmas, a pedida são as praias voltadas para o continente; é só quietude. Na Ilha do Mel, vale assinalar, tudo é perto. Assim dá para dar umas braçadas num local, pegar uma trilha e, rapidinho, estar do outro lado, para se divertir em águas mais agitadas ou surfar com os amigos.

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Barcas da ilha

O transporte regular de passageiros para a Ilha do Mel, com saídas de Pontal do Sul ou de Paranaguá, é feito pelas coloridas barcas (foto ao lado) da Associação de Barqueiros do Litoral Norte do Paraná, a Abaline. Elas ficaram mais famosas ainda quando o grupo Djambi gravou a música A barca, na qual o compositor Rodolpho Grani Netto as relaciona, poeticamente, com os atrativos da ilha. No total, o serviço é operado até Encantadas ou Nova Brasília por 53 embarcações, capazes de transportar de 30 a 99 passageiros. Existem saídas regulares diariamente, entre as 8h00 e 17h00. Durante a temporada, os barcos partem a cada 30 minutos e fora, a cada hora cheia. Importante: tal qual os trens suíços, elas são pontualíssimas!


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Panorama do Turismo de Março  

Edição regular do mês de março, promovendo os atrativos turísticos da Ilha do Mel, pedacinho do paraíso no litoral do Paraná

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