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Panorama do

Turismo Sua viagem pela informação

Ano 14 | No 166 | Maio | 2019

Passeio a pé revela Curitiba


Bem-vindo a Curitiba!

Editorial

Cinquentão

Turista com disposição para caminhadas descobre na região central de Curitiba singular sequência de atrações e surpresas. Calçados confortáveis nos pés e olhar curioso, basta seguir sem pressa por esse território. Encontrará referências do passado da cidade e emblemas do seu pioneirismo – a exemplo do calçadão florido da Rua XV, das estações-tubo, da Rua 24 Horas. Também poderá constatar a diversidade religiosa existente nessa metrópole de gentes de todos os cantos. No centro, da mesma forma, o visitante achará endereços tradicionais da culinária nativa – onde é possível saborear carne de onça, iguaria de nome inusitado, mas preparada com cortes bovinos – e estabelecimentos com atendimento avançando descontraidamente pela calçada. E ainda charmosas cafeterias para recuperar o fôlego com um espresso quentinho. Por esses domínios, o caminhar revelará o ritmo dos curitibanos, mais museus, praças bem cuidadas, variada oferta de comércio e serviços, coloridos grafites, músicos tocando nas esquinas, estátuas vivas, brexós, lotéricas para testar a sorte, lojas de artesanato, teatros e, se chover – aliás, isso faz parte do pacote turístico local em certas épocas do ano –, vendedores de guarda-chuva brotando em todos os lados. Bater perna, igualmente, é programa para ensolaradas manhãs/tardes de domingo, cortando o labirinto de barraquinhas de artesanato, antiguidades, decoração, lembranças e gastronomia da disputada Feira do Largo da Ordem. Enfim, vale a pena descobrir a capital paranaense a pé!

Nesse mês, o Conselho Paranaense de Turismo-Cepatur completa 50 anos de trajetória. Um dos primeiros do país no segmento, ele foi criado em 27 de maio de 1969, por força de lei assinada pelo, então, governador Paulo Pimentel. A legislação, aliás, instituiu também a Paranatur, braço operacional da Administração estadual para a área. Como o Governo do Estado empossado em janeiro último prometeu impulsionar a atividade turística, agora para valer, provavelmente esse colegiado deverá ter muito trabalho no âmbito das suas atribuições.

Com a presente edição, Panorama do Turismo sugere um passeio pela região central da capital do Paraná. Com grande diversidade de apelos, esse pedaço da cidade merece ser visitado pelos turistas e melhor conhecido (e valorizado) pelos próprios curitibanos. Boa leitura!

Leitores Em torno da edição de abril, assim se manifestaram esses leitores: São Bento do Sul é uma cidade linda, Nelci Seibel (Joinville-SC). Ficou demais a revista! Estamos disparando para todos, André Luís Huscher (São Bento do Sul-SC, Departamento de Turismo). A região de São Bento do Sul, além da cidade cheia de encantos e programas, tem na estrada de terra que liga com Corupá uma viagem esplendorosa, Henrique Paulo Schmidlin (Curitiba-PR). Panorama do Turismo faz a gente viver as experiências e os apelos do destino, Edson Ziolkwsky (Fraiburgo-SC). Saudades de São bento do sul, Thiago Afonso de Souza (Antonina-PR).

Fotos Panorama do Turismo

Capa Curitiba Foto Panorama do Turismo Expediente Panorama do Turismo Ano 14 | No 166 | Maio | 2019 Fundadores Antonio Claret de Rezende, Júlio Cézar Rodrigues, Júlio Zaruch e Sérgio Almeida Diretor e Editor Júlio Cézar Rodrigues (MTb 1050/07/27-PR) Contatos 41 | 99106-6852 redacao@panoramadoturismo.com.br Revista digital com conteúdo editorial próprio e periodicidade mensal. Disponível para download gratuito em www.panoramadoturismo.com.br, facebook.com/panoramadoturismo, twitter/revistapantur e instagram/panorama_do_turismo. Distribuição em formato eletrônico, via e-mail, a partir de mailing próprio e de cadastro de parceiros institucionais e comerciais e de grupos de WhatsApp. Mais informações sobre o segmento em www.panoramadoturismo.com.br

Cenários curitibanos convidam a caminhadas sem pressa PANORAMA DO TURISMO | MAIO 2019 |

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Fotos Panorama do Turismo

No centro, pelo pioneiro calçadão

O passeio a pé em Curitiba, nem poderia ser diferente, deve principiar pelo calçadão da Rua XV de Novembro. Inaugurado em 1972 para circulação exclusiva de pedestres, ele liga as praças Osório e Santos Andrade – a primeira, com belo e antigo relógio; a segunda compondo singular paisagem urbana com o magnífico Teatro Guaíra e o edifício da Universidade Federal do Paraná. A propósito, nesses dois logradouros serão realizadas feiras de inverno, entre os dias 12 de junho e 13 de julho, com variados artigos para o frio e lembranças da cidade. Na caminhada entre esses logradouros, o visitante verá um charmoso bondinho, edificações históricas, floreiras coloridas em espécies da estação, comércio e serviços variados. Nas manhãs de sábado, no trecho são oferecidas atividades lúdicas e jogos de tabuleiro para crianças e adultos. No trajeto estão, por exemplo, o Edifício Garcez, primeiro arranha-céu da capital paranaense; o prédio do antigo Braz Hotel, em cuja sacada ocorreram famosos comícios, um deles do presidente Getúlio Vargas; e o Palácio Avenida, cenário da tradicional apresentação de Natal com coral de crianças e adolescentes. Na esquina com a Rua Monsenhor Celso, chama a atenção um edifício datado de 1883, destacando trabalhos em cantaria e ladrilhos portugueses. Ao chegar na esquina com a Rua Barão do Rio Branco, o visitante perceberá no calçamento a pinha dos ventos, indicando os pontos cardeais. E na quadra seguinte o Correio velho, primeira agência de correios e telégrafo de Curitiba, marco do modernismo na década de 1930.

Palácio Avenida, sábado de diversão no calçadão, prédio com traços portugueses. Acima, a Rua XV em tempo de florada 4

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Território da memória curitibana

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No chamado Centro Histórico, o caminhar revela ao visitante a Curitiba de outrora. O calçamento de paralelepípedo guarda marcas das rodas dos carroções dos colonos, vendedores de verduras e legumes, cujos cavalos iam matar a sede no bebedouro ali ainda existente. A região também preserva muitas edificações centenárias, hoje com novas destinações, e antigos templos católicos. Nesse território, a municipalidade instalou a Casa da Memória e a Casa Romário Martins (abrigos seguros de documentos da história), construiu o Memorial da Cidade de Curitiba (espaço voltado à realização de eventos, shows e exposições) e alojou no Palacete Wolf a Secretaria de Turismo e um posto de informações.

O Centro Histórico, por outro lado, concentra boa parte do roteiro de restaurantes e bares da cidade, estendendo a vida noturna pela madrugada. E, igualmente, recebe aos domingos uma tradicional feira de artesanato, cultura e culinária. Há sete anos, essa região inovou para oferece aos turistas o Festival de Inverno do Centro Histórico. A edição agora de 2019 do evento, agendada para o período 18 e 27 de julho, reúnirá diversificada agenda com shows musicais, boa gastronomia e outras atrações. Quem desejar mais informações sobre a programação de inverno na cidade pode acessar o site turismo.curitiba.pr.gov.br

No alto, o Largo e a Igreja da Ordem. Acima o casario e o Relógio das Flores da Praça Garibaldi. Ao lado, o prédio do Memorial de Curitiba, prédio de arquitetura contrastante PANORAMA DO TURISMO | MAIO 2019 |

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O centro da cidade ainda preserva referências da culinária curitibana de outrora. É o caso, para exemplificar, do centenário Bar Stuart (Praça General Osório, 427), onde é servida a carne de onça, iguaria local preparada com cortes bovinos temperados e servidos crus sobre pão ou broa. E também dos bares Mingon (Rua XV de Novembro, 42) e Triângulo (Rua XV de Novembro, 38). Ainda no calçadão da Rua XV, mas no número 374, situa-se a Confeitaria das Famílias, desde 1945, uma das preferidas quando o assunto é doce. Durante muitos anos famosa por servir um único sabor, de muçarela, a Pizzaria Itália (Rua Cândido Lopes, 229) ainda surpreende paladares com suas pizzas de massa grossa. Já para viajantes em busca de novas propostas gastronômicas, uma sugestão há pouco inaugurada na área central é A Ostra Bêbada (Ermelino de Leão, 95). No circuito da boa mesa do Largo da Ordem, o emblema maior, sem dúvida, é o quarentão Bar do Alemão Schwarzwald (Rua Dr. Claudino dos Santos, 63). O endereço tem uma legião de frequentadores, todos em busca dos pratos com receitas germânicas e o popular submarino, bebida reunindo uma caneca de chope e, no seu interior, uma canequinha de steinhaeger. Nessa região, outra dica é o Restaurante Oriente Árabe (Rua Kellers, 95). O roteiro pelo centro da cidade ainda oferece diversas cafeterias, perfeitas para momentos de descanso e para saborear um cafezinho gostoso.

A partir do alto, ao lado, carne de onça do Bar Stuart, a Confeitaria das Famílias e o Café do Paço. Acima, a entrada do Bar do Alemão 6

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Antigas e novas receitas


O passeio a pé pelo centro de Curitiba e proximidades, da mesma forma, conduz o visitante até locais de manifestação da fé local. Na Praça Tiradentes, por exemplo, fica a Catedral Basílica Menor de Nossa Senhora da Luz, terceira morada da padroeira Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. A atual construção, em estilo neo-gótico, foi inaugurada em 1893. Bem pertinho, compartilhando a região do Largo da Ordem e da Praça Garibaldi, estão a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas (com características originais, é edificação católica mais antiga da capital), a Igreja Presbiteriana Independente (aberta em 1934) e a Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito (o prédio recente data de 1946, erguido no local do primeiro templo, do século XVIII). Mais adiante, seguindo pela Rua Kellers, encontra-se o endereço da religião da comunidade muçulmana. Com seus dois minaretes apontando para o céu, a bela Mesquita Imam Ali Ibn Abi Tálib encanta quem passa pela sua frente desde 1972.

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Cidade de vários credos

Acima, a Catedral de Curitiba. Na coluna ao lado, de cima para baixo, o templo presbiteriano, a singular mesquita muçulmana e a Igreja do Rosário PANORAMA DO TURISMO | MAIO 2019 |

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Reconhecida igualmente pelo respeito ao meio ambiente, Curitiba reúne na área central belas praças e o Passeio Público – esse, inaugurado em 1886, precursor dos famosos parques da atualidade. Modelos de culto à natureza, esses logradouros ainda abrigam referências da história local. O caminhar pelas praças, por exemplo, pode começar pela Osório e terminar na Santos Andrade; a primeira situada no início do calçadão da Rua XV de Novembro e a segunda, no final. Nesse roteiro incluem-se ainda as praças João Cândido (com um Belvedere em obras de recuperação e as Ruínas de São Francisco, remanescentes de igreja do século XIX inacabada), Garibaldi (destacando o Relógio das Flores, de 1972, e a Fonte da Memória), Tiradentes (marco zero de Curitiba e onde estão a Catedral e o ponto inicial dos ônibus da Linha Turismo), Zacarias (das mais antigas e com chafariz instalado em 1871), Borges de Macedo (na qual outrora existia o pelourinho) e a Generoso Marques (valorizada pelo Paço Municipal, único prédio curitibano tombado como patrimônio histórico e artístico nacional).

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Passeio pelas praças centrais

Em sentido horário, a partir do alto: Praça Santos Andrade, prédio do Paço Municipal na Praça Generoso Marques, ruínas na Praça João Candido e o portão do Passeio Público, à semelhança dos portões do Cemitério dos Cães, de Paris

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Fotos Panorama do Turismo

Cultura, história e arte

Guardião da história do estado desde 1876, o Museu Paranaense está nesse passeio a pé. Depois de passar por seis diferentes sedes, a partir de 2002 seu valioso acervo e suas exposições permanentes e temporárias ocupam os espaços do Palácio São Francisco (Rua Kellers, 289). Ligados diretamente com o mundo das artes, também valem a visita o Museu Casa Alfredo Andersen (Rua Mateus Leme, 336) e o Solar do Barão (Rua Presidente Carlos Cavalcanti, 533). Instalado na residência onde morou e trabalhou Alfredo Andersen, o primeiro guarda obras e lembranças do artista, considerado pai da pintura paranaense. No segundo, por outro lado, funcionam o Museu da Gravura e a Gibiteca, ambos, sempre com interessantes mostras. Em Curitiba, o suntuoso Teatro Guaíra (Rua XV de Novembro, 971) é mais uma referência no campo das artes, com movimentada programação agregando peças teatrais, consertos, balé e até shows de rock! Próximo dele, a Capela Santa Maria Espaço Cultural (Rua Conselheiro Laurindo, 273) é local destinado à música erudita e endereço da Camerata Antiqua de Curitiba. Na Rua Treze de Maio, números 629, 665 e 160, o caminhante encontra, respectivamente, os teatros Lalá Schneider, Zé Maria e Barracão Encena – normalmente, com produções e artistas curitibanos. Nesse roteiro, a novidade é o Cine Passeio (Rua Riachuelo, 410), com três áreas de projeção, uma delas ao ar livre, coworking café e salas para eventos. Na região central, contudo, as artes não estão restritas aos espaços fechados. Em praças, muros, empenas cegas e paredes históricas, o visitante poderá apreciar, por exemplo, simbólicos painéis de Poty Lazzarotto, um dos mais importantes artistas da terra dos pinheirais, e esculturas de mestres do porte de Erbo Stenzel e João Turin, além de coloridos e expressivos grafites.

A partir do alto, uma das salas do Museu Paranaense, Teatro Guaíra e painel de Poty Lazzarotto PANORAMA DO TURISMO | MAIO 2019 |

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Feirinha, programa de domingo

Nem se discute: nas manhãs/tardes de domingo, programa de curitibano e de turista em visita à cidade é percorrer a Feira do Largo da Ordem! A caminhada pela extensa e diversificada feirinha, como carinhosamente a chamam, propicia contato com mais de 2.000 expositores. À venda estão muitas opções de artesanato (em madeira, metal, tecido, cerâmica etc.), pinturas, antiguidades, peças de decoração, roupas, brinquedos, lembranças da cidade... No percurso, o visitante também poderá experimentar a gastronomia de rua, com saborosos pastéis, caldo de cana, água de coco, crepes, chocolates e outros doces caseiros e comidas típicas, a exemplo de acarajé, pierogi, empanadas e batata suíça. E, da mesma forma, se surpreenderá com apresentações de música e teatro. Em pleno Centro Histórico – compreendida no trecho da Rua São Francisco até a Rua Martin Afonso –, a Feira do Largo da Ordem funciona das 9h00 às 14h00. E, segundo levantamento, atrai cerca de 25.000 visitantes a cada domingo. Não é pouco!

Um mundo de gente circula pela feirinha, entre crianças encantadas com brinquedos e adultos em busca de artigos variados 10

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Panorama do Turismo de Maio  

Edição com os atrativos turísticos de Curitiba, num tranquilo passeio a pé

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