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Panorama do

Turismo Sua viagem pela informação

Ano 14 | No 168| Julho | 2019

No topo da cordilheira, o legado inca


Bem-vindo a Cusco e Machu Picchu!

Editorial

Pan, no Peru No mês de início dos XVIII Jogos Pan-Americanos em Lima, capital do Peru, Panorama do Turismo abre espaços para apresentar dois outros destinos mágicos desse surpreendente país. Essa edição revela atrativos de Cusco e Machu Picchu. Encarapitados no alto da Cordilheira dos Andes, Cusco e Machu Picchu constituem dois ícones de um dos mais significativos impérios do milênio passado. Cusco foi capital inca e depois, dominada pelo colonizador europeu, também capital do reinado espanhol. Cidadela hoje em ruinas, Machu Picchu traduz a determinação, ousadia e capacidade de um povo à frente do seu tempo.

Das mais importantes e ricas no contexto do continente e mesmo do planeta, a civilização inca reinou nas alturas da Cordilheira dos Andes. Surgida no território do atual Peru, chegou a delimitar área para além de 4.000 quilômetros, desde o Equador ao norte da Argentina. E do ano 1200 até três séculos seguintes, com a entrada do conquistador espanhol Francisco Pizarro, teve predominância na porção oeste da América do Sul. O Império Inca fez da cidade de Cusco – 3.400 metros acima do nível do mar – seu centro administrativo e ponto de convergência de todos os caminhos e trilhas andinos. E também no topo das montanhas construiu uma incrível cidadela: Machu Picchu, redescoberta na década 1910 e eleita, num mês de julho há exatos doze anos, uma das sete maravilhas do mundo moderno. Muito da cultura, ciência e da religião inca terminou, lamentavelmente, destruída pelos invasores europeus, nos anos seguintes ao descobrimento da América. A busca gananciosa por metais preciosos – à época, corriam relatos sobre enormes jazidas de ouro e prata na região – e pela dominação de novas terras em nome de distante reino não encontrou resistência. Além de testemunhas do mundo inca, Cusco e Machu Picchu também constituem, hoje em dia, dois emblemas do turismo do Peru. E por isso, todos os anos, atraem uma multidão de estrangeiros dos mais variados quadrantes; agora, porém, os visitantes vêm em paz e à procura apenas das boas heranças desse povo.

Certamente, boa parte dos quase 7.000 atletas participantes do Pan 2019 vai encontrar tempo para, aproveitando a estada em Lima, dar um pulo a Cusco e Machu Picchu. E quem sabe você leitor, com essa edição, sinta-se também motivado a conhecer essas preciosidades peruanas. Boa leitura!

Leitores Em torno da revista de junho, sobre Goiânia, assim se manifestaram, entre outros, esses leitores: Um presente para nossa capital, Fabrício Amaral, presidente da Goiás Turismo (Goiânia-GO); Quem ainda não conhece, não sabe o que está perdendo, Carlos Solera (Curitiba-PR); Retrata com fidelidade o sentimento de todos nós goianos, José Guilherme Schwam (Goiânia-GO); Parabéns pela qualidade de mais esta edição, João Luiz dos Santos Moreira (Porto Alegre-RS); Bela edição, com textos irretocáveis e fotos maravilhosas, Edgar Oliveira (São Paulo-SP). Goiânia é uma das belas capitais do Brasil, Luci Jacomel Kowalczuc (Curitiba-PR)

Fotos Panorama do Turismo

Capa Machu Picchu Foto Panorama do Turismo Expediente Panorama do Turismo Ano 14 | No 168 | Julho | 2019 Fundadores Antonio Claret de Rezende, Júlio Cézar Rodrigues, Júlio Zaruch e Sérgio Almeida Diretor e Editor Júlio Cézar Rodrigues (MTb 1050/07/27-PR) Contatos 41 | 99106-6852 redacao@panoramadoturismo.com.br Revista digital com conteúdo editorial próprio e periodicidade mensal. Disponível para download gratuito em www.panoramadoturismo.com.br, facebook.com/panoramadoturismo, twitter/revistapantur e instagram/panorama_do_turismo. Distribuição em formato eletrônico, via e-mail, a partir de mailing próprio e de cadastro de parceiros institucionais e comerciais e de grupos de WhatsApp. Mais informações sobre o segmento em www.panoramadoturismo.com.br

Os dois destinos encantam os visitantes PANORAMA DO TURISMO | JULHO 2019 |

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O centro do mundo inca Além de atrativos próprios – entre relíquias e heranças pré-colombianas, templos religiosos do período do país como colônia espanhola, belos cenários naturais de montanhas e vales, altitude acima dos 3.400 metros e gastronomia –, Cusco, com aeroporto regional operando voos regulares vindos da capital Lima e ampla estrutura de receptivo, também é base para turistas em viagem a Machu Picchu. Sua relevância para além fronteiras peruanas acabou reconhecida pela Unesco, em 1983, ao conceder à cidade o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.

Na área urbana de Cusco, as principais referências ao Império Inca foram destruídas pelo colonizador espanhol. De suntuosos templos e palácios, como Suntur Wasi, Wiracocha, Huayna Cápac, Qoricancha, restaram apenas os alicerces de pedra, sobre os quais foram erguidas igrejas, conventos e residências do clero católico. Os monumentos da fé imposta aos cusquenhos, no entanto, valem a visitação por vários motivos: materializam singular e bela arquitetura, possuem valioso acerco histórico e religioso, traduzem a simbiose de duas culturas (veja mais sobre eles na página 9).

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Umbigo do mundo incaico – Cosqo tem esse significado na língua quéchua –, Cusco foi centro administrativo e cultural do Império Inca. Para ela convergiam todos os caminhos andinos. A partir de 1532, depois de tomada por Francisco Pizarro, passou a integrar o Vice-Reino do Peru, sob o domínio da Espanha. Destino turístico peruano em evidência, hoje em dia a cidade configura sonho de consumo de viajantes de todos os cantos do planeta – gente curiosa por experiência em torno da mais expressiva civilização, em sua época, da Cordilheira dos Andes.

Vista parcial de Cusco, clicada de uma das elevações dos arredores. Ao lado, a Praça das Armas, em dia ensolarado

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Algumas das principais edificações católicas da cidade localizam-se no entorno e proximidades da centralíssima Praça das Armas, coração de Cusco e ponto de convergência dos visitantes e de passagem entre um e outro atrativo histórico. Em épocas incaicas, era local de cerimônias e cultos aos deuses. O centro do logradouro é dominado por um chafariz, em cujo topo uma estátua de Tupac Amaru atrai os olhares dos passantes. Nos arredores da cidade localizam-se várias referências importantes da engenharia e religiosidade dos incas. Dentre os complexos arqueológicos existentes, o de Sacsayhuaman surpreende pela sua grandiosidade: nas muralhas da fortaleza foram utilizadas pedras gigantescas, algumas com peso acima de 120 toneladas. Todos os anos, no mês de junho, o local serve de palco para a Festa do Sol, dramatização do culto a Inti, como ocorria outrora, também marcando o solstício de inverno no hemisfério sul e as boas colheitas. Puka Pukara, conjunto de aquedutos, praças, postos de observação e vários recintos, igualmente é um ponto de parada. Sítio arqueológico destinado à veneração da água e à regeneração da terra, Tambomachay também se insere no rol das relíquias incas. A conquista de Cusco pelos espanhóis abriu um novo capítulo na história da arte. Surgida como ferramenta de catequização e imposição do catolicismo, a chamada Escola Cusquenha produziu pinturas de alto valor, como as existentes na Catedral. Atualmente, seguidores desse estilo podem ser encontrados pelos turistas nas casas-ateliê do bairro de San Blas.

Sacsayhuaman, no alto, impressiona os visitantes como área arqueológica monumental. Sob o gramado da foto do meio está instalado o Museu de Sítio Qoricancha (também valem a visita, por exemplo, o Museu de Arte Popular de Cusco, o Museu Histórico Regional, o Museo de Arte Precolombino). Na Praça das Armas, tem destaque estátua de Tupac Amaru, líder indígena venerado pela resistência ao domínio hispânico

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A cidade sagrada dos incas

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A sensação de deslumbramento é inevitável quando o turista lança os olhos pela primeira vez sobre Machu Picchu. As ruínas da antiga cidadela inca, encravada no alto da velha montanha, são testemunhas da ousadia e da capacidade construtiva dessa civilização à frente do seu tempo. Integradas à perfeição entre si e ao exuberante cenário natural, são mais de 150 construções, pedra sobre pedra, entre residências, templos, observatórios, depósitos para colheitas, banheiros, estábulos, escadarias, muros. Ao deixar a imaginação correr solta, dá para conceber agricultores nas

No alto, vista geral da cidadela. Acima, turistas percorrem os terraços de plantio 6

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lidas da lavoura pelos terraços pendurados na encosta, crianças eufóricas correndo pelas vielas e gramados, homens e mulheres circulando pela praça principal, o sacerdote conduzindo um ritual ou se preparando para observações celestes. A propósito, estima-se a população local de outrora entre 300 e 1.000 pessoas. A cidadela tinha dois setores: o agrícola, com as áreas de plantio e canais de irrigação, e o urbano, com moradias e prédios com funções administrativas, religiosas e astrológicas, entre outras finalidades. No rol das edificações mais emblemáticas estão os templos do Sol, do Condor e das Três Janelas e o Intihuatana, espaço com quatro lados representando os pontos cardeais. A 2.400 metros de altura na Cordilheira dos Andes, e emoldurada pelo Vale do Rio Urubamba, Machu Picchu teria sido construída por determinação do inca Pachacuti, levando em conta critérios astronômicos e ritualísticos, e experimentado vida entre os anos 1400 e 1500. Os motivos verdadeiros da sua derrocada são desconhecidos e por séculos ela se manteve escondida, coberta por espessa mata e


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protegida pela geografia, até ser encontrada em uma expedição arqueológica, no mês de julho de 1911, conduzida pelo americano Hiram Binham. Com justos motivos, portanto, Machu Picchu foi declarado pela Unesco, em 1983, Patrimônio Cultural e Natural da Humanidade. E em 7 de julho de 2007, depois de eleição de alcance planetário, acabou designada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Machu Picchu está distante cerca de 110 quilômetros de Cusco, numa belíssima viagem de trem até Águas Calientes, vilarejo ponto de entrada desse santuário. O acesso à cidadela exige ingresso – como existe carga máxima diária de visitantes, recomenda-se a compra antecipada para não terminar barrado – e também passaporte. O trajeto até ela pode ser feito a pé ou em micro-ônibus à disposição dos visitantes a cada trinta minutos.

Escadarias e portais convidam o visitante a seguir desvendando segredos da comunidade inca. Na foto abaixo, com paredes em círculo e posição privilegiada na montanha, o simbólico Templo do Sol

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Arte com a pedra bruta

Pedras em Sacsayhuaman (no alto), em um sistema de abastecimento de água (acima) e formando a janela de uma edificação de Machu Picchu. No outro conjunto de fotos, a Rua Hatunrumiyoc, em Cusco, onde está a parede com a pedra de doze ângulos; e artefatos esculpidos na pedra para utilização em observações astronômicas

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Os incas foram exemplares mestres construtores, como poucos povos. Criativos arquitetos, ousados engenheiros e donos de apurado domínio no corte e polimento de rochas de todos os tamanhos, literalmente, assentaram sua sociedade sobre pedras. Com elas ergueram palácios, templos, muros, moradias, monumentos e providenciaram estruturas de abastecimento de água, irrigação e drenagem. Sólidas, essas construções resistem o correr dos séculos e mesmo a terremotos! Cortadas em formato quadrado, retangular ou trapezoide, as pedras ganhavam ainda faces suavizadas e ângulos precisos ao encaixe com outras pedras, em técnica conhecida como ashlar. E combinadas, em junções finas e sem uso de argamassa, acabavam dando forma a singulares obras de arte, fosse um armazém para abrigar a colheita ou um espaço sagrado. Esses emblemas incas ainda dominam os cenários de Cusco e Machu Picchu. As pedras podem ser pequenas, gigantescas (a exemplo dos blocos com toneladas de peso utilizados em Sacsayhuaman) ou apresentando cortes únicos (como a pedra de doze ângulos, encontrada em uma parede do Palácio Arcebispal de Cuzco, outrora, originalmente, um palácio inca).


Igrejas sobre templos

pinturas da chamada Escola Cusquenha), a Igreja da Companhia de Jesus (com altar de 21 metros de altura, talhado em cedro de estilo híbrido e todo trabalhado com folhas de ouro), a Igreja e Convento de Mercedes (guarda La Custódia de La Merced, joia e relíquia elaborada em ouro 24 quilates e incrustada com diamantes, rubis, topázios e esmeraldas e uma grande pérola em forma de sino), a igreja de São Francisco, a Igreja e o Convento de Santo Domingo (construídos, respectivamente, sobre o Templo do Sol e do Qoricancha), a Igreja de Santa Catarina, a Igreja de São Pedro (de uma nave, inteiramente de pedra e fachada no estilo tradicional cusquenho), a Igreja de Belém e a Igreja de San Cristóbal (erguida sobre o Palácio de Manco Capac).

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O colonizador espanhol, na ânsia pelo domínio do território, sabia: o processo de ocupação poderia ser acelerado pela quebra dos vínculos religiosos. E assim, em Cusco, tratou de colocar abaixo os principais templos incas e sobre eles ergueu suas igrejas, conventos, edifícios administrativos e moradias. Esperto, no entanto, aproveitou para as novas obras os sólidos alicerces de pedra das construções sagradas originais. Assentadas sobre as pedras de antigos locais de cultos incas, as também centenárias igrejas católicas de Cusco são parada obrigatória de turistas, com rico acervo histórico e religioso. Nesse passeio pela fé estão a Catedral Basílica (unindo particularidades do gótico, renascentista maneirista e barroco; possui expressiva coleção de

A partir da foto ao lado, em sentido horário, estão a Catedral Basílica de Cusco, a Igreja da Companhia de Jesus e a Igreja de Mercedes. As edificações da fé católica, introduzida pelo colonizador espanhol, constituem locais bacanas e instrutivos de visitação em Cusco

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Centro do vilarejo, cortado pela ferrovia. Acima, a praça local, com a Igreja Virgen del Carmen ao fundo. Ao lado, o Rio Urubamba 10

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Águas Calientes

Situado ao pé da montanha e cortado pelo Rio Urubamba, o povoado de Águas Calientes forma a base de acesso a Machu Picchu. A propósito, um jeito legal para chegar até esse vilarejo é pegar o trem turístico com saída da Estação Ollantaytambo, de Cusco. Nos vagões dotados de janelas e teto panorâmicos, a viagem descortina cenários de rara beleza, com montanhas, vales e rios de corredeiras. Em Águas Calientes fica a estação ferroviária, local de descida de tantos quantos estão em busca dos atrativos de cidadela perdida dos incas. A pequena localidade, em função desses turistas, experimenta muita movimentação e para recebê-los oferece diversas sugestões de meios de hospedagem, boa variedade de restaurantes e bares, lojas e bem sortida feira de artesanato. Apesar de figurar mais como ponto de passagem para estrangeiros com destino a Machu Picchu, Águas Calientes também possui seus próprios predicados. Como sua denominação já deixa imaginar, é lugar de águas quentes naturais, com temperatura média de 30°C, recomendadas para tratamentos de doenças musculares, dos nervos e reumatismo.


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Panorama do Turismo de Julho  

Edição regular do mês de junho, abrindo espaços para destacar os atrativos turísticos de Cusco e Machu Picchu, emblemas do Império Inca no P...

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