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Panorama do

Turismo Sua viagem pela informação

Ano 13 | No 162 | Janeiro | 2019

Antonina, o destino quente do verão!


Bem-vindo a Antonina!

Editorial

Sensação de 65ºC!

Um dos sete municípios do litoral do Paraná, delimitado pela Serra do Mar e pelas águas do Atlântico – a propósito, em sua baía situa-se o ponto aonde o oceano mais adentra no território brasileiro –, Antonina configura um destino detentor de vários predicados turísticos. O passeio pelo pequeno centro histórico, por exemplo, revela centenárias construções, entre armazéns desativados e casario dos tempos pujantes do porto local, igrejas, a antiga estação ferroviária, o teatro. Com quase toda sua área dominada, felizmente, pela Mata Atlântica, oferece também sugestões de ecoturismo. E a geografia regional favorece esportes como o rafting e escaladas. No calendário de eventos populares, se destacam a tradicionalíssima festa em louvor à padroeira Nossa Senhora do Pilar, no mês de agosto, e o Carnaval, um dos mais concorridos do do estado. O reinado local de Momo, aliás, é dos mais animados, com desfiles de escolas de samba, blocos e um famoso concurso para escolha do homem melhor fantasiado de mulher. Cidade pequena, disponibiliza oferta de meios de hospedagem e gastronomia compatível com seu tamanho. Em tempo: distante uns 90 quilômetros da capital Curitiba, Antonina pode ser alcançada pela BR-277 ou pela turística Estrada da Graciosa, ambas serpenteando a Serra do Mar.

De repente, as altas temperaturas registradas na cidade nesse verão – em alguns momentos, dizem, provocando sensação térmica por volta dos 65ºC! – transformaram Antonina em tema de conversas ao redor do planeta. Isso mesmo: o noticiário nacional e internacional deu ênfase às marcas recordes dos termômetros locais. E Antonina também despertou interesse no pessoal de redação da revista Panorama do Turismo. E para lá foi mandada a equipe de reportagem descobrir outras particularidades desse destino do litoral do Paraná, além da companhia de um sol inclemente. O resultado da viagem segue nas próximas páginas, com material exclusivo – textos e fotos – apresentando um pouco dos apelos turísticos antoninenses.

Boa leitura!

A propósito da revista de dezembro, sobre o Rio de Janeiro, se manifestaram, entre outros, os seguintes leitores: “Espetacular edição sobre a cidade mais bonita do universo. Competente e inteligente reportagem, fugindo dos lugares comuns”, Henrique Paulo Schmidlin (Curitiba-PR). “Dá vontade de ir também”, Edson Ziolkowski (Fraiburgo-SC). “A revista ficou incrível! Adorei todas as matérias”, Mônica Aguiar (Rio de Janeiro-RJ). “Parabéns pela excelente edição. Começar e/ou terminar o ano com o Rio é resultado de boa articulação e inteligência”, Ricardo Guerra (Recife-PE). “Bela revista dedicada à cidade maravilhosa”, Arnaldo Moreira (Rio de Janeiro-RJ).

Fotos Panorama do Turismo

Leitores

Capa Antonina Foto Panorama do Turismo

Expediente Panorama do Turismo Ano 13 | No 162 | Janeiro | 2019 Fundadores Antonio Claret de Rezende, Júlio Cézar Rodrigues, Júlio Zaruch e Sérgio Almeida Diretor e Editor Júlio Cézar Rodrigues (MTb 1050/07/27-PR) Contatos 41 | 99106-6852 redacao@panoramadoturismo.com.br Revista digital com conteúdo editorial próprio e periodicidade mensal. Disponível para download gratuito em www.panoramadoturismo.com.br, facebook.com/panoramadoturismo, twitter/revistapantur e instagram/panoramadoturismo. Distribuição em formato eletrônico, via e-mail, a partir de mailing próprio e de cadastro de parceiros institucionais e comerciais e de grupos de WhatsApp. Mais informações sobre o segmento em www.panoramadoturismo.com.br

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Fotos Panorama do Turismo

Antonina, para além do calor

Trapiche de Antonina no amanhecer do dia. Ao lado, um dos rios para banho e boia-cross nos dias mais quentes. Abaixo, mirante com vista para a baía e o Armazém Macedo, atualmente em obras de recuperação e revitalização

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Se as temperaturas do verão local batem na estratosfera, o jeito é procurar um refresco. O calor pode ser aplacado na piscina dos hotéis. Ou mergulhando num rio de águas transparentes e leito decorado com seixos lisinhos e de todas as cores e tamanhos. Ou então recebendo em alguma revigorante massagem numa cachoeira no meio da mata. Muitos antoninenses também apostam nos sorvetes artesanais da Tia Luci, com tradição desde 1960. Por falar em clássicos, em Antonina igualmente vale pedir para o almoço o barreado, prato típico do litoral preparado com carne bovina e condimentos, petiscar as famosas casquinhas de siri e experimentar o doce quase natural das exclusivas balas de banana, marca registrada da localidade. Um dos sete municípios da porção paranaense banhada pelo Oceano Atlântico, Antonina constitui atrativo especial até mesmo antes do visitante chegar lá. Basta descer a Serra do Mar sem pressa pela turística, serpenteante e belíssima Estrada da Graciosa, cujo início se dá na BR-116. Além do clima peculiar, Antonina oferece aos visitantes muitas atrações. Emoldurada pelas serranias e, de outro lado, pelo mar, possui uma baía de águas tranquilas – volta e meia, cortadas por singelas canoas-de-um-pau de pescadores artesanais –, perfeitas para esportes náuticos e passeios de barco, esses, com saída do trapiche, ponto obrigatório de parada do roteiro turístico. Ao redor da baía, intocados manguezais garantem alimento para variada fauna terrestre e aquática. O destino também é cortado por rios apropriados para banhos ou prática de rafting. E tem cenários ideais para escaladas. Cidade histórica, atualmente, com pouco mais de 19.000 habitantes, ela guarda vestígios de tempos passados – os primeiros povoadores, vindos em busca de ouro, começaram a fincar raízes por volta de 1650 – e de épocas mais recentes, até os anos 30 do século passado, quando o porto local, o Barão de Teffé, chegou a ter importância nacional, notadamente pelas exportações de erva-mate e quando contava com uma unidade da Indústrias Matarazzo. Antonina, pois, assegura uma viagem no tempo através de várias construções desse último período. Em 2012, o centro histórico mereceu tombamento


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federal. Em termos de Paraná, da mesma forma Antonina é referência para o Carnaval. Aliás, considerado um dos mais animados, e atraindo, por isso mesmo, muita gente de fora. O reinado de Momo tem desfiles das escolas de samba Batel, Capela, Leões de Ouro e Portinho e blocos quase centenários e o disputado concurso das escandalosas (homens vestidos de mulher). O calendário municipal de eventos também põe em evidência o Festival de Inverno promovido, já há vários anos, pela Universidade Federal do Paraná no mês de julho, com rica programação cultural e artística. No mês de agosto, por outro lado, o destaque fica por conta dos festejos em louvor à padroeira Nossa Senhora do Pilar, cuja história nasceu séculos atrás, pela devoção de duas irmãs beatas. Nos últimos tempos a cidade ganhou promoção – e mais turistas – com eventos singulares, a exemplo de um festival de blues – agora em 2019, chegando em sua quinta edição – e outro de monobandas e o Encontro Ornithos de Observação de Aves. Em tempo: para fechar esse texto, faz-se necessário destacar outra exclusividade local. Trata-se da Filarmônica Antoninense, impecável grupo musical, cuja fama ultrapassou as fronteiras do município e do Paraná.

Vista de parte central da cidade; ao fundo a bela baia. Na foto do meio, a arborizada Praça Coronel Macedo. E ao lado, uma das vielas com calçamento de paralelepípedos, abrindo caminho até o de mar de Antonina

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A área central de Antonina, com igrejas, prédios e referências de antigamente tombadas pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná, garante ao visitante uma viagem ao passado. Para esse passeio a pé, e gratuito, roupas folgadas, calçados confortáveis, boné e água. O roteiro pode começar pela Praça Coronel Macedo, onde se destacam a arborização, o coreto e o chafariz. No trajeto pela Rua XV de Novembro até a Praça Rio Branco, na orla da baía, estão alguns palacetes de abastadas famílias, agora, ocupados por comércio e órgãos públicos. Vale uma parada na Pharmácia Internacional, cujo interior permanece inalterado, com os balcões, prateleiras e utensílios originais da botica inaugurada em 1911. No itinerário ainda figuram o antigo Mercado Municipal, hoje com lojas de artesanato e restaurantes, a Fonte da Carioca, construída em 1867 para ajudar no abastecimento de água da população em crescimento, o Theatro Municipal – prédio ligado às artes cênicas desde o final do século XIX, então, como Theatro Talma, e por onde passaram artistas do porte de Maria de La Costa, Procópio Ferreira, Sílvio Caldas e Ari Barroso – e a antiga Estação Ferroviária – construída no início do século passado para atender ao transporte de cargas e passageiros do ramal férreo vindo da vizinha cidade de Morretes; ela está inserida em um projeto de revitalização a ser logo implementado e poderá, no futuro, receber serviço regular de trem turístico. O tour termina nas ruinas do Armazém Macedo, debruçadas sobre a plácida Baía de Antonina. Há muito relegadas ao esquecimento, mas com charme suficiente para servir de cenário as fotos de turistas, elas experimentam obras de revitalização para se transformarem, ainda nesse ano, num ponto de parada com estrutura de turismo e cultura. 6

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De volta ao passado

Theatro Municipal, Estação Ferroviária e a Fonte da Carioca (foto abaixo) destacam-se no passeio pelo centro histórico de Antonina

Dentro da Pharmácia Internacional, o visitante volta ao tempo das antigas boticas. O estabelecimento funciona normalmente até hoje

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Religião movimenta o turismo

comentam os saudosistas, avaliando as festividades mais recentes, “com jeito de feirinha de produtos do Paraguai”. De toda forma, o culto à Nossa Senhora do Pilar continua um importante evento do calendário. A religiosidade em Antonina ainda tem outros dois emblemas. Um é a Igreja de São Benedito, datada do ano de 1827. O templo, segundo apontamentos históricos, era abrigo religioso de escravos negros, fiéis devotos do milagroso santo. Também centenária, outra referência da fé e do turismo antoninense é a Igreja de Bom Jesus do Saivá. Então pequena capela, começou a ser construída em 1789, como pagamento de promessa do ilustre cidadão Manoel José Alves pela cura de grave enfermidade da sua esposa. Em seu interior destaca-se imagem confeccionada pelo santeiro Lafaete Rocha, em substituição à original, com mais de dois séculos, misteriosamente desaparecida. Atualmente, o templo está fechado para obras de reforma geral e revitalização.

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Na primeira quinzena de agosto, Antonina se transforma em local de peregrinação. Devotos da santa vêm se unir aos moradores na programação desenvolvida, durante esse período, para homenagear Nossa Senhora do Pilar. O ponto alto dos festejos é o dia 15, consagrado à padroeira da cidade desde 1722, data de inauguração da Igreja Matriz construída em seu louvor. Essa secular tradição, consta, teria iniciado dois anos antes com novenas das irmãs Maria e Tereza, cujo fervor religioso sensibilizou o capitão-mor à época, Manoel do Valle Porto, a mandar erguer uma pequena capela para os cultos – daí o motivo de um dos gentílicos locais, além de antoninense, ser capelista. No transcurso desses mais de 300 anos a festividade foi crescendo, até atrair atenções para fora do município. “Outrora, literalmente, era uma quermesse de igreja, agregando novenas, missas, procissões e outras expressões de fé a barraquinhas de comida, artesanato, jogos e diversão. A agenda tinha muita reza e animação”,

A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar ocupa lugar privilegiado, no alto de uma colina. Ao lado, as igrejas de São Benedito e de Bom Jesus do Saivá - essa, experimenta obras de reforma projetadas para devolver sua beleza original

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À sombra do gigante

Empreendedores das áreas de hospedagem, gastronomia, artesanato, eventos e esportes da região alcançada pelas sombras do Pico Paraná – o mais alto ponto do sul do Brasil, com 1.877 metros acima do nível do mar – se uniram, recentemente, para desenvolver as potencialidades locais para o ecoturismo. E nesse eixo criaram um circuito turístico batizado de Vale do Gigante Paraná. De exuberante beleza natural, com geografia agregando porções montanhosas, vales, rios de corredeiras e quedas d’água no meio da floresta, esse território assegura aos visitantes muitas alternativas de atividades. Dá para seguir por trilhas para respirar ar puríssimo ou clicar multicoloridos pássaros. É possível se refrescar num revigorante banho de cachoeira. Bem como curtir emoções e acelerar a adrenalina fazendo rafting com toda a segurança. Adeptos de terapias naturais e de experiências sensoriais inovadoras, igualmente, poderão ter expectativas atendidas. Nesse passeio o turista ainda pode saborear culinária colonial e da roça, comprar artesanato inspirado em atrativos naturais e conhecer a Chácara Colônia Cacatu, local de fixação no século passado, no Paraná, dos primeiros imigrantes japoneses. Quem desejar aproveitar mais dias nessa porção rural de Antonina, a estrutura de turismo também disponibiliza opções de hospedagem (ver texto na página 10).

No alto, a silhueta do gigante deitado, cujo nariz é o Pico Paraná. Acima, Márcia Seito, descendente dos primeiros japoneses da Colônia Cacatu. Ao lado, rafting no Rio Cachoeira, com o pessoal da OCF, empresa especializada no esporte (mais informações pelo site raftingofc.com.br)

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Para turistas aficionados por observação de aves, Antonina é um prato cheio! Afinal, o destino abarca uma das maiores áreas preservadas de Mata Atlântica do país e extensa baía, habitats de pelo menos umas 300 diferentes espécies de emplumados de variados tamanhos e das mais singulares colorações. Guia local especializado nesses passeios, Luciano Breves revela: “Já atraindo e deslumbrando muitos visitantes estrangeiros, a prática de birdwatching em nossa região está sendo cada vez mais descoberta pelos brasileiros”. Para chamar os pássaros e ajudar nos encontros, ele tem gravado no celular cantos e pios dos principais moradores da Mata Atlântica. Nas trilhas pelo interior da floresta, os avistamentos requerem um pouco de paciência, pois a maior parte da passarinhada é de pequeno porte e irrequieta, saltando a todo instante de galho em galho. Porém, na porção da baía, o caminhar pelo trapiche da cidade e seus arredores assegura certeza da contemplação de várias aves, entre elas, garças, biguás, piro piros, tapirucus da cara pelada, atobás e, com sorte, o avermelhado guará; todos em busca de alimento nos manguezais durante a baixa da maré. A quem interessar, uma dica: em outubro desse ano, Antonina receberá o III Encontro Ornithos de Observação de Aves. A exemplo dos dois anteriores também realizados na cidade, o evento vai garantir programação com palestras, exposições e, lógico, oportunidades para encontrar e clicar os pássaros das redondezas.

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Birdwachting atrai turistas do exterior

Na mata preservada e nas áreas de mangue da Baía de Antonina, rica fauna tem sua moradia e local de alimentação

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O Camboa Hotel possui uma aprazível piscina. A Mata Atlântica e os picos da Serra do Mar compõem o cenário da Vila Flor e do Santuário Vitória Régia, respectivamente, à esquerda e à direita

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Opções de hospedagem em Antonina Uma das sugestões bacanas de hospedagem em Antonina é o Camboa Capela Hotel. Centralíssimo, vizinho da Praça Coronel Macedo e da Igreja Matriz, sua estrutura ocupa um antigo casarão, duas torres de apartamentos e as ruínas de um centenário armazém, essas, transformadas em charmoso restaurante. Nove dos 38 apartamentos têm varanda descortinando belas paisagens da baía local – o top é a ampla suíte da cobertura. Ele ainda disponibiliza bar, sala de reuniões/exposições, academia, piscina com bar molhado, piscina aquecida e estacionamento. Para obter informações complementares e fazer reservas basta acessar o site www.hotelcamboa.com.br. Instalada a cerca de 25 quilômetros do centro de Antonina, na outrora base dos funcionários e engenheiros envolvidos na construção da Usina Hidrelétrica Parigot de Souza, a Pousada Vila Flor proporciona uma imersão total na natureza. O empreendimento está, literalmente, abraçado pela Mata Atlântica, aos pés da Serra do Mar. E acena com apartamentos e residências para até seis pessoas, restaurante, quadras esportivas, trilhas ecológicas e convidativa piscina. Para mais detalhes e garantir vaga é só navegar pelo site www.pousadavilaflor.com. Com planos de crescimento em termos de oferta de acomodações, a Pousada e Restaurante Santuário Vitória Régia constitui outra alternativa de hospedagem na porção rural do município. No local, hóspedes e visitantes contam com terapias holísticas, trilhas pela mata e um espaço para meditação e ritos espirituais consagrado por um cacique indígena. O e-mail santuariovitoriaregia@ gmail.com pode ser usado para conseguir outras informações e reservas. Na área central da cidade existem outras opções de hotéis e pousadas.


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Panorama do Turismo de Janeiro  

Edição de janeiro de 2019 da revista Panorama do Turismo, destacando os atrativos turísticos de Antonina, cidade do litoral paranaense.

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