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malmente para a contribuição com um testemunho, o que todavia nunca chegou a concretizar-se, provavelmente pelas razões explicitadas pelo coordenador da obra com a pletora de depoimentos recebidos. Penso todavia que seria interessante continuar com os depoimentos, os testemunhos, o relato das experiências e as pequenas histórias (as estórias, como se diz agora) do “Espírito dos

dos Médicos outros testemunhos e experiências. Tal como em outras instituições fortemente hierarquizadas mas humanamente ricas, como a instituição Militar, a Igreja, os Tribunais, ou as Universidades, nos HCL existiam rituais e cerimoniais e um relacionamento interpares pautado por um trato de respeito pelas hierarquias baseado na experiência e na competência, por

nuinamente pelo que considerávamos ser o seu bem, embora por vezes de forma algo paternalista como era apanágio na época em que lá iniciei carreira. Exemplificando essa forma de estar, já várias vezes foi descrita, nessas “grandes famílias” que constituíam as equipas do Banco do Hospital de S. José, a “subida” progressiva de lugares na mesa de jantar, cada vez mais perto do Ci-

Hospitais Civis de Lisboa”, que poderão contribuir para melhor se entender a História dos HCL, e que poderão dar origem a um 2º volume da obra agora iniciada por Luiz Damas Mora. Por isso publico este texto, que poderá ser seguido por outros, e convido e incentivo outros colegas (e são tantos…) que viveram o tal “espírito” a publicar nesta revista da Ordem

todos naturalmente aceite. Para além do relacionamento estritamente profissional, também eram marcantes as relações de camaradagem e convivialidade com os colegas e os outros profissionais, com educação, esmero, por vezes até com elegância (com raras excepções…), e de relacionamento com os doentes, ao serviço de quem estávamos pugnando ge-

rurgião à medida que evoluíamos na carreira. Um outro cerimonial acompanhava a primeira grande cirurgia efectuada no Banco, normalmente uma apendicectomia. Depois da experiência de instrumentação e de ajuda operatória, e da prática de muita pequena cirurgia, quando o Cirurgião nos considerava aptos, era-nos distribuído um doente para operar. Um pouco Outubro | 2013 | 77

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Revista Ordem dos Médicos Nº144 Outubro 2013  

Revista Ordem dos Médicos Ano 29 -Nº144 Outubro 2013

Revista Ordem dos Médicos Nº144 Outubro 2013  

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