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revista do

#06 | Ano 3 | Jul-Dez | 2013

Gestão do Conhecimento do ONS conquista prêmio pág. 5

Estudo garante mais segurança 440 subestações avaliadas — 205 obras recomendadas

pág. 10

Guia eletrônico facilita acesso à Rede Básica pág. 6

Hermes Chipp assume presidência do GO15 pág. 18


EDITORIAL Uma publicação do:

Hermes Chipp Diretor Geral do ONS

2013 foi um ano muito significativo para o ONS. Chegamos aos 15 anos com um marco, que foi a mudança para nossas novas instalações no Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis. Finalizamos, também, a revisão do nosso Código de Conduta Ética e definimos as bases para a criação de um Comitê sobre o tema. Na área técnica, aperfeiçoamos os modelos de otimização energética com a inclusão de mecanismos de aversão a risco (CVaR) e concluímos a fase 1 do Projeto Reger, evidenciada pela entrada em operação definitiva em todos os Centros de Operação, entre outras realizações. Nesta edição da nossa Revista, apresentamos ainda outros pontos relevantes. A matéria de capa aborda a conclusão de um importante projeto realizado por especialistas do ONS, da Aneel, do Cepel e da EPE. O Grupo de Trabalho de Avaliação da Segurança Elétrica das Instalações, criado pelo CMSE e sob coordenação técnica do Operador Nacional, analisou 440 subestações e fez recomendações de melhoria a 205 instalações visando ao aumento da segurança elétrica. Em âmbito internacional, esta edição destaca a entrevista com o CEO da Red Eléctrica de España, José Folgado, e a conclusão do meu ciclo como presidente da Comisión de Integración Eléctrica Regional (Cier) e o início de um novo termo como presidente do GO15. Na seção Alta Tensão, dois Agentes comentam o resultado da última pesquisa de satisfação em relação aos nossos Centros de Operação, que passaram por um novo processo de certificação. No que se refere à gestão corporativa, obtivemos o reconhecimento junto à Associação Brasileira de Recursos Humanos de nosso programa de Gestão de Conhecimento, agraciado com o Prêmio Ser Humano. A área de previsão de carga, que cumpriu um importante papel na realização da Copa das Confederações e da Jornada Mundial da Juventude, também é destacada nesta edição da Revista, assim como o lançamento de um guia sobre acesso à Rede Básica. 2014 promete ainda outros grandes desafios, como a realização da Copa do Mundo de Futebol. Que seja bem-vindo!

Diretoria do ONS Diretor Geral: Hermes Chipp Diretor de Administração dos Serviços de Transmissão: Álvaro Fleury Diretor de Planejamento e Programação da Operação: Francisco Arteiro Diretor de Operação: Ronaldo Schuck Diretor de Assuntos Corporativos: István Gárdos Comissão editorial: Gerente Executivo da Assessoria de Planejamento e Comunicação: Geraldo Pimentel Secretário Geral: Humberto Valle do Prado Júnior Gerente de Comunicação: Lúcia Helena Carvalho Redação: Adriana Goes (MTB 30884/RJ) Eneida Leão (MTB 31710/RJ) Edição e projeto editorial: Assessoria de Planejamento e Comunicação Projeto gráfico e diagramação: Jaqueline Marques Fotografia: Arquivo ONS, REE, Furnas, Bracier, GO15 e Plínio Bordin Tiragem: 1.000 exemplares Endereço: Rua Julio do Carmo, 251 | Cidade Nova Rio de Janeiro | RJ | 20211-160 Tel.: (21) 3444 9580 www.ons.org.br Fale conosco: revistaons@ons.org.br


ENTREVISTA

A Red Eléctrica pode contribuir com a sua expertise e conhecimento na integração das energias renováveis

Arquivo: REE

A Red Eléctrica de España (REE), com o desenvolvimento do primeiro centro de controle de energias renováveis do mundo (Cecre), conseguiu integrar mais de 20 GW de energia eólica. Essa expertise, somada ao desenvolvimento de projetos no âmbito da operação, interessa muito ao Brasil, que se prepara para a integração de cerca de 8 mil MW de eólicas ao SIN, nos próximos cinco anos. O Presidente da REE, José Folgado, fala sobre essa experiência e sobre o acordo firmado com o ONS.

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ONS: Quais são as principais características do atual sistema elétrico espanhol? Qual é a proporção de energia eólica na matriz energética espanhola?

comparada com o tamanho dos sistemas que conecta. Adicionalmente, vale recordar que Portugal e Marrocos conectam-se ao sistema pela Espanha.

especialmente de geração eólica, que tem chegado inclusive a cobrir 64 % da demanda de potência, como ocorreu na madrugada do dia 24 de setembro de 2012.

José Folgado: Os principais parâmetros que definem o sistema elétrico espanhol são a composição da sua demanda, o seu portfólio de geração e a sua capacidade de interligação, especialmente com a França.

ONS: Quais são os principais desafios da operação de um sistema com um mix de produção de energia elétrica, como o espanhol? Como REE enfrentou esses desafios? E como foi a experiência de operar um sistema com um grau de energia intermitente como a eólica?

Esta cifra e outras similares têm sido alcançadas garantindo-se sempre o nível adequado de segurança do sistema elétrico e mantendo rigorosamente o programa de intercâmbio internacional.

O sistema elétrico espanhol caracteriza-se por uma curva de demanda que varia de 17 GW nos períodos de carga leve e 45 GW nos recordes históricos de demanda, apresentando diariamente uma forte diferença de consumo entre os períodos de carga leve e pesada. Para suprir esta demanda, o sistema conta com um parque gerador de 99.852 MW de geração líquida formado por uma geração diversificada como se pode ver na figura a seguir. Do mix de geração, vale ressaltar o forte crescimento das novas tecnologias renováveis durante os últimos anos, especialmente, a eólica. Nos últimos dez anos, essa fonte aumentou em seis vezes a sua potência instalada, alcançando em 1 de fevereiro de 2013, 22,6 % da potência líquida total. Este crescimento fez com que a geração eólica fosse a tecnologia com maior produção de energia no último mês de janeiro de 2013, suprindo mais de 28% da demanda. O outro parâmetro é a capacidade de interligação. Espanha forma, praticamente, uma ilha elétrica, já que a interligação com o resto do sistema síncrono europeu, por meio da França, é frágil

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JF: A O desafio existente na operação de um sistema com elevada participação de energia renovável intermitente tem dois componentes. Por um lado, as características inerentes a este tipo de renováveis, principalmente a variabilidade e incerteza da produção, a falta de correlação com a demanda e as limitações tecnológicas e, por outro lado, os desafios específicos próprios de cada sistema devido à flexibilidade do resto de geração e às características da sua rede. No caso da Espanha, uma das principais dificuldades é a frágil capacidade de interligação com o resto da Europa, fazendo com que o sistema elétrico espanhol compense internamente a maior parte da variabilidade das renováveis e da demanda. Outro fator a ser levado em conta é a flexibilidade da geração térmica e a disponibilidade da geração hidráulica, já que na Espanha estas tecnologias são as principais fontes de respaldo da geração renovável. Apesar dessas dificuldades, o sistema elétrico, cada vez mais, é operado com uma elevada participação de geração renovável intermitente,

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A Red Eléctrica da Espanha (REE) tem enfrentado esses desafios por meio do trabalho em dois campos principais: o desenvolvimento dos requisitos técnicos mínimos exigíveis às instalações de geração renovável intermitente e sua proposta ao Ministério como normativa e, por outra parte, o monitoramento e o controle da geração renovável intermitente em tempo real, pelo Centro de Controle de Energias Renováveis (Cecre). ONS: A Rede Elétrica da Espanha, com o desenvolvimento do primeiro centro de controle de energias renováveis do mundo (CECRE), conseguiu integrar com sucesso mais de 20 GW de energia eólica. Como foi esse processo? JF: A necessidade do Cecre começou a ser detectada em 2003 ao ficar patente a relevância que estas tecnologias teriam dentro do portfólio de geração espanhol, ao mesmo tempo em que apareciam as primeiras dificuldades de integração, entre outras razões pela fragilidade da interligação com o resto da Europa. Com o objetivo de enfrentar essas dificuldades e prover a capacidade necessária de supervisão e controle em tempo real sobre a geração renovável intermitente, a REE criou o


Centro, em 2006. O Cecre está interligado com 30 centros de controle de geração por meio de uma infraestrutura de telecomunicações, por meio da qual, recebe informação em tempo real sobre as instalações de geração e emite ordens de despacho de máxima produção a estas usinas. O Cecre recebe as telemedidas em tempo real de todas as instalações de geração maiores de 1 MW, o que corresponde a praticamente 100% da geração eólica instalada, e emite ordens de despacho de potência máxima a todas as usinas maiores de 10 MW, igual a 96% da geração eólica instalada, que devem ser cumpridas em menos de 15 minutos. Isso tem permitido a integração desta tecnologia às condições adequadas de segurança para o sistema elétrico.

No caso da Espanha, uma das principais dificuldades é a frágil capacidade de interligação com o resto da Europa, fazendo com que o sistema elétrico espanhol compense internamente a maior parte da variabilidade das renováveis e da demanda.

ONS: E sobre a integração das plantas solares centralizadas e descentralizadas? JF: Da mesma forma que a geração eólica, a geração solar deve cumprir alguns requisitos técnicos mínimos exigíveis e permitir ao operador do sistema o seu monitoramento e controle. É, por isso, que recebe um tratamento análogo. Junto com os 22.548 MW de potência eólica líquida instalada, hoje foram integrados ao sistema elétrico espanhol cerca de 2.000 MW de termo-solar, dos quais 100% são telemedidos e controláveis, e 4.306 MW de fotovoltaica existentes, dos quais 67% são telemedidos pelo Cecre e 12% são controláveis. ONS: Recentemente o ONS e a REE assinaram uma parceria de colaboração que se centra no intercâmbio de experiências sobre a integração das energias renováveis não convencionais e a operação de sistemas elétricos. Brasil preparase para integrar cerca de 8000 MW de energia eólica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) nos próximos cinco anos. Tendo em conta esta parceria, como a REE pode contribuir com o ONS? JF: A Red Eléctrica pode contribuir com a sua expertise e conhecimento na integração das energias renováveis e no desenvolvimento de sistemas e métodos de operação, criados pela companhia, para adaptarse às características destas energias, os desafios que surgem com ela, a maneira como foram resolvidos e as lições aprendidas. Não é à toa que a Espanha protagonizou, durante um longo período de tempo, desde a segunda metade dos anos 90, o maior desenvolvimento e implantação de energias renováveis do mundo. Neste sentido, o ONS reconhece, com

a parceria, a capacidade que a Rede Elétrica teve para integrar mais de 20 GW de energia eólica graças, entre outros pontos, ao desenvolvimento do primeiro centro de controle de energias renováveis no mundo (Cecre). ONS: Por outro lado, quais são os principais pontos de interesse da REE na expertise do ONS? E como o ONS pode contribuir com a REE? JF: O ONS possui um grande conhecimento e expertise na gestão de sistemas em corrente contínua. Na Espanha, as linhas elétricas de transporte são em corrente alternada, exceto duas interligações recentemente colocadas em funcionamento entre a Península e as ilhas Baleares e outra, em fase de construção, entre a Espanha e a França, em corrente contínua. A ampla experiência do ONS na operação de sistemas elétricos em corrente contínua é especialmente relevante para a Red Eléctrica. ONS: Como o senhor vê as novas aplicações com a tecnologia de HVDC na Espanha e na Europa? Em que medida a experiência brasileira poderá contribuir para a atuação da REE devido ao maior uso de HVDC em grandes interligações? JF: A segurança do fornecimento e o alcance de um mercado único europeu exigem que se continue desenvolvendo a rede elétrica. Neste sentido, a Espanha deve continuar dando os passos necessários para que se cumpra o objetivo de alcançar interligações entre a Espanha e o resto da Europa de pelo menos 10% da capacidade instalada de geração – o que representa cerca de 10.000 MW frente aos 3.000 MW atuais. A nova linha de interligação entre a Espanha e a França,

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atualmente em construção, será em HVDC. Isso consiste em um recorde mundial quanto à capacidade em tecnologia VSC e é um desafio para os operadores do sistema por estar incluída dentro da rede de corrente alternada existente, formando um circuito paralelo com esta. Outra nova linha de interligação entre a Espanha e a França está em análise, e a alternativa preferencial no momento atual é uma conexão submarina de cerca de 200 km, sendo a tecnologia HVDC também a opção mais adequada. Adicionalmente e neste contexto, a Red Eléctrica tem um papel essencial no desenvolvimento de super-redes. A previsão de uma necessidade de um grande volume de geração renovável a ser integrada aos sistemas elétricos europeus (eólica offshore no norte da Europa, eólica onshore e solar nos países mediterrâneos e inclusive no norte da África, cogeração no leste Europeu, bombeamentos nos países nórdicos e os Alpes, etc.) tem levado a que diferentes instâncias proponham a evolução futura da rede de transmissão por meio do desenvolvimento de novos eixos de alta capacidade, de caráter supranacional, em que a tecnologia de corrente contínua será preponderante. As redes elétricas, que formariam uma super-rede europeia, constituiriam uma interligação entre mercados nacionais, permitindo uma excelente utilização do recurso renovável marinho e terrestre e um apoio entre sistemas com base na situação da geração, a rede de transporte e a demanda de cada um deles. Nesse sentido, as redes elétricas permitiriam o transporte de energias renováveis a longas

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distâncias e inclusive poderia permitir regular as variações de produção renovável também de longa distância. Tudo isso com o requisito obrigatório de uma regulação europeia neutra. A consolidação do modelo de redes elétricas em escala europeia, incluindo os países do Norte da África, envolveria a transformação do sistema elétrico espanhol em um “sistema de trânsito para o norte”, apoiando a necessidade de dispor de mais capacidade de interligação com o norte da Europa. ONS: Considerando as transformações que estão ocorrendo do lado da oferta e da demanda de energia elétrica no mundo, qual é a sua visão sobre os desafios futuros para os sistemas elétricos de grande porte? JF: De fato, provavelmente tanto a demanda quanto a geração, conforme vem acontecendo durante as últimas décadas, sofrerão mudanças que obrigarão os sistemas elétricos a se adaptarem e serem mais flexíveis. Quanto à demanda, a tendência é de que aumente devido a uma maior eletrificação da sociedade em substituição aos produtos petrolíferos. Esse aumento ocorrerá mesmo face a resultados que podem ser obtidos com a eficiência energética e a gestão da demanda. Tudo isso em um ambiente onde é crescente o papel dos consumidores. Por outra parte, em relação à geração, na Europa há uma tendência a reduzir centrais convencionais, como as nucleares, e substituílas por energias renováveis, principalmente, eólica e solar. Esta geração renovável não

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somente estará localizada em outras partes do sistema e conectada às redes de distribuição, mas também estará concentrada em lugares com grande potencial renovável e conectada às redes de transmissão, como já está acontecendo na Espanha. Isso será uma grande mudança de meios de geração que ocasionarão novos padrões de fluxo, incluídos fluxos a grandes distâncias e com um comportamento mais volátil, o que requererá uma adaptação da rede e do sistema. A rede precisará ser mais robusta e flexível, sendo necessárias mais interligações entre sistemas, e a introdução de novos materiais e tecnologias, como os cabos de alta temperatura, dispositivos de controle de fluxo ou as conexões HVDC que comentávamos anteriormente. O sistema necessitará de uma resposta adequada de todos os que estão conectados a ele, tanto demandas como geradores, contribuindo com serviços de ajuste. Finalmente, os operadores necessitarão de uma maior visibilidade e controle de todos aqueles que estejam conectados. As tecnologias da informação terão muito a desenvolver nos sistemas elétricos. O Centro de Controle de Energias Renováveis da Red Eléctrica, pioneiro na sua classe, é um bom exemplo da sua utilidade.


GESTÃO

ONS é premiado na Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Programa de Gestão do Conhecimento da organização vence na categoria Média e Grande Empresa e Programa Mentoria recebe menção honrosa.

EXCELÊNCIA EM GESTÃO DO CONHECIMENTO pela Analista da ARH, Evelin Machado, enquanto o Programa Mentoria é coordenado pela Especialista Sânia Franklin.

O 33º Prêmio Ser Humano, da ABRH, uma das mais importantes premiações no cenário de gestão de pessoas, reuniu, em 25 de novembro, no Vivo Rio, profissionais de RH e executivos de grandes empresas. O evento contou com a abertura do Presidente Executivo da Associação no Rio de Janeiro, Paulo Sardinha, e com a presença da Presidente Executiva da ABRH Nacional, Leyla Nascimento, além de autoridades do Governo do Estado. O Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp, participou da premiação, juntamente com o Diretor de Assuntos Corporativos, István Gárdos, e com o Gerente Executivo da Assessoria de Recursos Humanos, Marco Antonio Carvalho, que representou o Programa Mentoria. Chipp falou sobre a participação do ONS: “Sintome orgulhoso por presenciar essa premiação e ver nossa organização concorrendo com dois projetos, extremamente importantes, e na mesma categoria. Ambos buscam a disseminação do conhecimento e esse reconhecimento público deve ser compartilhado com todos os colaboradores, principalmente com aqueles que participam diretamente desses programas”. Atualmente, o programa de Gestão do Conhecimento no ONS está sendo conduzido

O programa de Gestão do Conhecimento do ONS ganhou entre os três finalistas, na categoria Case Organizacional Média e Grande Empresa. Os outros dois finalistas foram a Light e a Visagio Consultoria e Desenvolvimento; e, recebendo Menção Honrosa, o Programa Mentoria, que concorreu entre os cinco finalistas na mesma categoria, e a Endesa Brasil, que também recebeu o troféu honroso. István Gárdos, que recebeu o troféu de GC, estava bastante feliz com o reconhecimento de dois programas da sua Diretoria: “Sem dúvida, é o resultado de um trabalho que contribui para a sustentabilidade do Operador, e que vem sendo realizado com destaque por Marco Antonio e sua equipe”. Marco Antonio Carvalho agradeceu o apoio da Diretoria do Operador Nacional e elogiou a premiação: “Este Prêmio é um reconhecimento a cada profissional do ONS que incorporou no seu dia a dia os princípios da Gestão do Conhecimento. Que ele possa impulsionar a continuidade das iniciativas de GC em andamento e motivar novas práticas que contribuam para a perenidade da organização.” O Programa Mentoria foi ainda finalista na categoria “Capacitação e Desenvolvimento de Pessoas”, no Prêmio Fundação Coge, que seleciona práticas – bem-sucedidas e implantadas – de empresas do setor elétrico brasileiro.

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CONHECIMENTO

A publicação eletrônica “Acesso ao Sistema de Transmissão em 10 passos”, lançada no site do Operador, traz orientações sobre a formalização de solicitações de acesso à Rede Básica do Sistema Interligado Nacional.

Acesse a Rede Básica em dez passos Entre suas atribuições, cabe ao ONS a responsabilidade de realizar as avaliações de viabilidade sistêmica das solicitações de acesso que envolvem instalações de transmissão. Desde que foi criado, o Operador Nacional já emitiu mais de mil pareceres de acesso e revisões. Só de 2010 a 2012, foram mais de 400 documentos do gênero. Isso sem contar com as demais atividades desenvolvidas referentes ao acesso à Rede Básica do SIN, como consultas e informações de acesso. “Observamos que as solicitações de acesso são oriundas de públicos com dois perfis diferentes. Um corresponde aos Agentes que já possuem algum empreendimento e, portanto, têm certo conhecimento sobre o processo, mas apenas aquele percorrido anteriormente por ele. O outro é formado por novos Agentes, que desconhecem o processo”, comenta o Diretor de Administração dos Serviços de Transmissão (DAT) do ONS, Álvaro Fleury Veloso da Silveira.

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Por sua natureza, o ONS concentra amplo conhecimento sobre a regulamentação para emissão dos pareceres de acesso, tanto sobre o atendimento aos Procedimentos de Rede como em relação à regulamentação setorial oriunda do Ministério de Minas e Energia e Aneel. Por essa característica, acaba, naturalmente, sendo uma referência para consulta. “O ONS presta, permanentemente, um serviço de orientação aos Agentes. Temos percebido que boa parte dessa orientação tem sido requerida sobre situações já descritas nos próprios Procedimentos de Rede e na regulamentação do setor”, avalia o Diretor. Visando atender à crescente demanda de consultas e orientar de forma mais dinâmica os futuros acessantes quanto às etapas básicas para a formalização de suas solicitações de acesso, o Operador acaba de editar um guia em formato eletrônico. Essa publicação faz parte de um projeto de otimização e melhoria da qualidade dos processos da Diretoria de Administração dos Serviços de Transmissão,


coordenado por Roberto Furst, Assessor da DAT. “Estamos trabalhando com foco na evolução dos nossos processos. Temos buscado uma maior padronização e, consequentemente, o aperfeiçoamento dos processos. O guia é um exemplo”, comenta o Assessor. Outro exemplo, que acabou por inspirar a edição do guia, foi a iniciativa adotada nos últimos leilões. “O ONS tem emitido mais de 600 Documentos Equivalentes de Acesso por leilão. Tivemos uma experiência muito bemsucedida. Fornecemos instruções no nosso site, padronizando a forma dos candidatos enviarem as informações. Essa medida trouxe muitos ganhos. A padronização facilitou o trabalho dos Agentes e também o nosso. Esse resultado positivo nos estimulou a editar o guia para os acessantes”, complementa o Gerente de Acesso e Conexão aos Sistemas de Transmissão (GAT 1), Antonio Carlos Brochado. A intenção do guia é oferecer orientações de forma didática. “No passado, já tivemos uma cartilha de acesso que ficou desatualizada devido às alterações na legislação. Essa cartilha, no entanto, tinha um caráter mais técnico. Agora, apresentamos as informações de modo simplificado, tendo em vista a entrada de novos Agentes no setor”, explica a Engenheira de Sistema de Potência da GAT 1, Caroline Mattar, responsável pelo conteúdo do guia, que contou com a participação do Gerente Executivo de Administração da Transmissão, Gilson Mussi; do Gerente da GAT 1, Antonio Carlos Brochado; e dos Gerentes do Núcleo Norte/Nordeste 1 e Núcleo Sul 1, Laércio Guedes e Luiz Gastão Castro Souza.

Caroline Mattar, responsável pelo conteúdo do guia.

A partir de uma interface amigável, o usuário navega, intuitivamente, pelas etapas do processo. Em cada um dos dez passos, são disponibilizados atalhos para os “Formulários”, “Anexos” e “Modelos” pertinentes, também acessíveis de forma isolada em seus links específicos. Além disso, para seu entendimento geral, o futuro acessante conta com as “Informações básicas” e com conteúdo referente às “Disposições legais”. Embora o guia contenha as principais orientações, em caso de dúvida, o usuário pode encontrar esclarecimentos rápidos, disponíveis nas perguntas mais frequentes (FAQ), ou ainda enviar a sua questão diretamente por meio do “Contato”. Vale ressaltar, no entanto, que este documento não substitui as determinações estabelecidas na legislação e nos Procedimentos de Rede vigentes. Conheça o guia. Acesse: http://www.ons.org.br/ integracao_sin/acesso_conexao/index.html

Acesso descomplicado O novo guia traz orientações objetivas, desde a etapa de pré-solicitação ao Poder Público até o final do processo, além de disponibilizar “Modelos”, “Formulários” e “Anexos” em formato editável pelo usuário. Embora o Módulo 3 dos Procedimentos de Rede já detalhe como esses documentos têm de ser preenchidos, o guia traz mais facilidades para os Agentes. “Com isso, temos uma padronização no envio dessas informações. Trata-se de uma facilidade para o Agente, que só precisará preencher os documentos; e também para o ONS, que terá mais agilidade na verificação”, avalia Caroline Mattar.

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ALTA TENSÃO

Centros de Operação certificados e qualificados A Resolução Autorizativa da Agência Nacional de Energia Elétrica nº 328, de 12/08/2004, que aprovou o Estatuto do Operador do Sistema Elétrico (ONS), definiu como uma de suas atribuições legais a supervisão e a coordenação dos centros de operação de sistemas elétricos e a supervisão e o controle da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). Para o cumprimento desta importante atribuição, o ONS executa um conjunto de ações sobre o sistema, em harmonia com os diversos agentes, de forma a garantir a segurança do SIN e o suprimento contínuo de energia a todas as regiões do País. Adicionalmente, as boas práticas indicam a necessidade do estabelecimento de metodologias de gestão e de avaliação do desempenho dos diversos processos que regem as ações de supervisão e controle do ONS. Neste contexto situa-se a prática instituída pelo Operador no sentido de executar pesquisas que visam apurar a satisfação dos agentes com os diversos produtos e serviços produzidos e disponibilizados pelo ONS. No caso específico dos Centros de Operação do ONS, dados consolidados das últimas pesquisas comprovam um alto grau de satisfação dos agentes. Para que este nível de satisfação seja mantido ou até elevado, entendemos que é necessário manter processos de autoavaliação e de avaliação contínua dos produtos e serviços junto aos agentes. A pesquisa de satisfação é um dos métodos que entendemos como adequado. Outro processo de avaliação que nos parece eficiente seria a realização de “workshops”. Produtos e serviços como o Programa Diário da Operação, o Boletim de Interrupção de Suprimento

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de Energia, a Coordenação de Controle da Geração, a Coordenação de Controle de Tensão, a Coordenação de Controle da Execução de Intervenções e as Instruções de Operação, entre outros, envolvem processos críticos com rebatimento direto na segurança do Sistema e no suprimento de energia. Furnas, como um dos mais importantes agentes de geração e de transmissão do SIN, que utiliza rotineiramente os diversos produtos e serviços, entende que estes vêm atendendo às expectativas, sendo, todavia, necessário um contínuo acompanhamento no sentido de eventualmente prover aperfeiçoamentos que visem fazer frente à dinâmica e à complexidade do processo de operação do SIN. Neste sentido, novos desenvolvimentos poderão vir a ser necessários. Enfim, a enorme responsabilidade do ONS e dos agentes em manter a alta qualidade do processo de operação do SIN requer metodologias eficientes para o exercício da crítica e da autocrítica dos produtos e dos serviços, levando-os a um contínuo processo de aperfeiçoamento.

Cesar Zani Diretor de Operação e Manutenção de Furnas

Arquivo: Furnas

Cesar Zani


ONS investe continuamente em pesquisas de satisfação de clientes que, além de atender aos requisitos da Norma ISO 9001, representam um importante instrumento de gestão dos Centros. Segundo o Diretor de Operação do ONS, Ronaldo Schuck, essa prática permite direcionar as ações do Operador para assegurar a qualidade dos serviços e produtos, alinhados à garantia do suprimento de energia elétrica. Dois Agentes, Tractebel e Furnas, falam sobre o assunto.

A Tractebel Energia é uma empresa de geração do SIN e, por isso, tem interação permanente com o ONS. Entendemos sua imensa responsabilidade no fornecimento de energia elétrica para a população e somos testemunhas, tanto do processo evolutivo de seus serviços ao longo dos últimos anos, quanto do aumento da complexidade que a diversificação da matriz energética brasileira ocasionou. Pelas características do parque gerador da Tractebel Energia, com unidades em 12 estados brasileiros, convivemos com seus serviços em vários centros de operação. Algumas de nossas unidades são despachadas pelo Centro de Operação Sudeste, outras pelo Centro de Operação Regional Sul, outras no Nordeste e Norte/Centro-Oeste, exigindo também interações com outras áreas do ONS. Assim, temos acompanhado a evolução e profissionalização do ONS nestes 15 anos em que coexistimos. Um fato curioso é que existe apenas um mês de diferença entre a data de criação do ONS e a da Tractebel Energia. Passamos por inúmeros desafios e transformações, mas sempre mantivemos o foco no bom atendimento ao Cliente, o que tem exigido uma evolução constante em relação ao estado-da-arte da operação do Sistema Elétrico Brasileiro. Para o ONS, conhecer as unidades geradoras é fundamental. Isto significa ter uma boa compreensão das características e possibilidades de todas as plantas hidrelétricas, térmicas a carvão, térmicas a gás, térmicas a óleo e eólicas espalhadas pelo Brasil. E este conhecimento é que garante o atendimento adequado e com alta assertividade com que o ONS tem prestado seus serviços.

Nossa avaliação dos serviços do ONS é muito boa. Prestando um serviço fundamental e de excelente qualidade para o Brasil, é um parceiro confiável, dedicado e consciente da importância de sua contribuição para o bom desempenho do setor elétrico. Também acreditamos que a avaliação periódica solicitada pelo ONS é importante para o processo evolutivo do sistema elétrico nacional, que tem ampliado o grau de exigência de seus agentes. Sabemos bem sobre a complexidade de uma Certificação ISO 9001, e conseguir altos índices de aprovação dos clientes, num sistema de grande magnitude e com atividades complexas, como as dos Centros do ONS, não é tarefa fácil e requer muita atenção. Consultar o cliente, interagir com ele, entender seus processos, limitações e virtudes é, a nosso ver, a melhor forma de atender às expectativas, proporcionando-lhe serviços de qualidade. E a pesquisa de satisfação realizada é fundamental para medir a qualidade do atendimento, identificando os pontos positivos, as oportunidades de melhoria e eventuais espaços não atendidos. Parabenizamos o ONS pela excelência de seus serviços e pela busca constante em melhorar ainda mais o que já fazem bem. Suas responsabilidades estão em boas mãos.

José Carlos Minuzzo Diretor de Operações da Tractebel Energia

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Foto: Plinio Bordin

José Carlos Minuzzo

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CAPA

Grupo técnico conclui avaliação de todas as subestações da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional. Ao todo, foram analisadas 440 subestações e recomendadas obras de melhoria a 205 instalações.

SIN: onde agir para reduzir riscos No início de 2013, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) instituiu o Grupo de Trabalho de Avaliação da Segurança Elétrica das Instalações, formado por especialistas do ONS, da Aneel, do Cepel e da EPE. A coordenação geral do trabalho ficou a cargo do próprio Ministério de Minas e Energia (MME) e a parte técnica, sob responsabilidade do ONS. “Na primeira reunião do Grupo de Trabalho (GT), realizada em março, o Operador Nacional ficou encarregado de analisar as instalações estratégicas do SIN, visando identificar eventuais deficiências estruturais, principalmente em relação aos arranjos das subestações, tendo por referência os requisitos estabelecidos nos Procedimentos de Rede”, explica o assessor da Diretoria de Planejamento e Programação da Operação do ONS e coordenador técnico do trabalho, Paulo Gomes. As instalações consideradas estratégicas já haviam sido mapeadas em um trabalho anterior, constantes no Protocolo de Avaliação dos Sistemas de

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Proteção do MME, que teve como base o Relatório 0023/2013 emitido pelo ONS em atendimento aos Ofícios 194 e 195 da Aneel. Inicialmente, foram avaliadas 115 instalações estratégicas da Rede Básica do sistema (veja box na pág. 12). A partir deste diagnóstico, foram propostas medidas para aumentar a segurança elétrica de 62 instalações, evitando, com isso, que perturbações múltiplas gerem riscos à operação. O resultado deste trabalho foi registrado no documento “Propostas para melhoria da segurança das instalações estratégicas do SIN – avaliação dos aspectos relacionados aos arranjos de barramentos” (Volume I), encaminhado em abril ao MME e já aprovado pelo CMSE. “Na reunião de aprovação do relatório, o Ministro pediu que a Aneel, juntamente com o MME, desse prosseguimento ao processo para análise e implantação das medidas apresentadas”, comenta Paulo Gomes. Na reunião do GT em que o referido relatório foi


aprovado, o Ministério solicitou que o grupo continuasse o trabalho, analisando as demais instalações do sistema. Ao todo, foram produzidos cinco relatórios referentes a instalações da Rede Básica. O primeiro volume, sobre as instalações estratégicas do SIN, já passou pela análise e aprovação do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico. Os demais seguirão os mesmos trâmites. São eles: • Volume II - Subestações complementares da região Sudeste, • Volume III - Subestações complementares da região Nordeste, • Volume IV - Subestações complementares da região Norte/Centro-Oeste e • Volume V – Subestações complementares da região Sul.

O Volume II apresenta a análise de 87 subestações da região Sudeste. Destas 87 subestações, 43 foram objeto de propostas de melhorias.

O grupo de trabalho

O Volume III analisou 64 subestações da região Nordeste. Deste total, 28 receberam recomendações.

de que a implantação

Já o Volume IV contemplou 63 subestações das regiões Norte e Centro-Oeste. Destas, 23 tiveram propostas. E o Volume V analisou 111 instalações das subestações da região Sul. Foram propostas melhorias para 49. As propostas de melhorias foram divididas em quatro grupos: arranjos de barramentos, controle e proteção, equipamentos e compatibilidade eletromagnética.

voltado à análise das subestações está convicto das melhorias propostas elevarão o SIN a um novo patamar de segurança elétrica, minimizando o número de perturbações e/ou reduzindo o corte de carga.

“Foi um trabalho muito gratificante, realizado pelo

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ONS com o apoio fundamental do Cepel e a participação ativa dos Agentes”, explica o coordenador técnico do trabalho.

O processo e os participantes A análise técnica das instalações foi realizada por seis profissionais de três diretorias do ONS: de Planejamento e Programação da Operação, de Administração dos Serviços de Transmissão e de Operação. Foram eles: Paulo Gomes, Fernando Aquino Viotti, Fernando José Carvalho de França, Jorge Miguel Ordacgi Filho, Humberto Arakaki e Luiz Cláudio de Araujo Ferreira. Pelo Cepel, foram três especialistas: Roberto Perret, Raul Sollero e Antonio Ricardo C. Dias de Carvalho. O trabalho envolveu, ainda, todos os Agentes proprietários de instalações na Rede Básica. Inicialmente, ONS e Cepel analisaram as instalações, visando identificar as melhorias necessárias. Depois, elaboraram e encaminharam um primeiro relatório para as empresas envolvidas. “Pedimos às empresas que os relatórios também fossem avaliados por suas equipes de engenharia, responsáveis pelas obras, para que verificassem a viabilidade das melhorias propostas. Assim, as obras apresentadas nos relatórios finais são exequíveis, já validadas pelas áreas de engenharia das empresas”, detalha Paulo Gomes. Depois de todo o processo de interação com os Agentes envolvidos, os relatórios foram encaminhados à EPE, para que as propostas fossem avaliadas em relação às obras já previstas ou recomendadas por ela.

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Uma das reuniões com alguns dos profissionais do ONS e do Cepel que integram o grupo de trabalho dedicado à análise das subestações. Da esq. para a dir.: Paulo Gomes, Jorge Miguel Ordacgi Filho, Roberto Perret (Cepel) e Fernando Aquino Viotti.

“As propostas constantes nos cinco volumes são um consenso entre o ONS, as empresas e a EPE”, destaca o coordenador do grupo técnico. “Nossa expectativa é de que, assim como o primeiro volume, os demais relatórios sejam aprovados pelo CMSE e encaminhados para implementação. O objetivo das obras é tornar o sistema ainda mais robusto, no sentido de melhorar o seu desempenho em contingências múltiplas. Com essas medidas, deverá ser reduzido o número de blecautes ou, mesmo que haja um problema, as suas consequências deverão ser bem menores”, complementa. Instalações estratégicas As instalações consideradas estratégicas foram agrupadas de acordo com o seu nível de impacto ao sistema: Tipo E1 Subestações cuja perda afete o suprimento de energia, em pelo menos três estados da federação com corte de carga superior a 30% do total das cargas dos estados afetados (Impacto Regional). Tipo E2 Subestações cuja perda afete o suprimento de energia a dois estados da federação, com corte de carga superior a 30 % do total das cargas dos estados afetados. Subestações cuja perda afete um estado com corte de carga superior a 50%. Tipo E3 Subestações cuja perda afete pelo menos um estado da federação, com corte de carga superior a 30%. Subestações cuja perda afete uma capital, com corte de carga superior a 30%. Subestações cuja perda provoque a interrupção local de carga em montantes superiores a 750 MW.

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PLANEJAMENTO

Quem lê o Boletim de Carga Mensal editado pelo ONS tem um panorama do comportamento da economia e dos hábitos dos brasileiros.

Carga de energia: um retrato do Brasil Os índices relativos à carga, divulgados no Boletim, refletem o efeito de algumas variáveis no dia a dia do consumidor de energia elétrica. Alguns eventos significativos, que impactam a carga de energia elétrica, requerem análises e ações específicas do ONS, visando garantir a qualidade e continuidade do atendimento. Um bom exemplo é o Horário de Verão, que abrange as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Neste ano, a medida começou em 20 de outubro e terá duração de 119 dias. Com uma hora a mais de luz natural, está prevista uma economia de 400 milhões de reais com a geração térmica evitada para atendimento à ponta e por restrições elétricas. No caso do Horário de Verão, procura-se eliminar a coincidência de duas situações que impactam o Sistema Interligado Nacional, o acionamento da iluminação pública e o retorno da maioria dos trabalhadores a suas residências, que devido às altas temperaturas da estação tendem a demandar mais energia elétrica do que o usual, por conta da utilização de ar condicionado. “O acompanhamento e a previsão da carga leva em consideração desde as previsões meteorológicas até os fatores econômicos. Avaliamos o comportamento da carga do ponto de vista do atendimento elétrico e energético, considerando desde variações de temperatura no curto prazo até o cenário macroeconômico no médio e longo prazos, além de características regionais, geração distribuída, etc. É importante observar fatores como o crescimento industrial, da agroindústria, o aumento do poder aquisitivo e a expansão do crédito e do consumo das famílias, ou seja, fatores que geram maior demanda de bens e serviços e, consequentemente, maior consumo de energia elétrica. As previsões são feitas para todo o ano, mas o período do Verão exige uma avaliação e atenção especiais”, explica o Gerente de Previsão e Acompanhamento da Carga (GMC1), Fausto Pinheiro Menezes.

Equipe técnica envolvida no projeto.

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Essa mesma atenção também é requerida em grandes eventos, como a Copa do Mundo de Futebol. “As previsões da carga para o período da Copa de 2014 já estavam sendo consideradas desde o Plano de Ampliações e Reforços da Rede Básica (PAR) 2012-2014”, comenta Fausto. A consolidação da previsão da carga é um insumo fundamental para todos os processos de planejamento e programação da operação, assim como para a operação em tempo real. A carga é considerada no Planejamento Mensal da Operação (PMO) e nos Planejamentos Energético (PEN) e Elétrico (PAR/PEL). “Não adianta termos ferramentas, metodologias e modelos avançados, se o dado de entrada não for correto”, avalia o Gerente Executivo de Metodologias, Modelos e Carga (GMC), Roberto Fontoura. “É fundamental podermos contar com essa variável o mais próxima possível da realidade, para podermos programar, cada vez mais assertivamente, a geração de energia”, complementa. Segundo o Gerente Executivo, o ONS tem realizado essa tarefa de forma muito eficiente e cuidadosa, obtendo bons resultados na antecipação do comportamento da carga, tanto na programação diária, como na preparação para grandes eventos. Em 2013, foram dois desafios extras: Jornada Mundial da Juventude com a visita do Papa Francisco e Copa das Confederações. Além de servir de insumo para a programação da operação, a previsão de carga para o período da Copa das Confederações gerou um histórico de comportamento do consumo durante os jogos que está sendo utilizado nos estudos para a Copa do Mundo de 2014. Outro evento que sempre influencia o comportamento da carga diária são as novelas, quando capítulos emocionantes e os finais requerem previsões especiais da curva de carga (veja gráficos). Para tanto, a GMC1 conta com uma equipe multidisciplinar. Os profissionais que participam dos estudos no Escritório Central e nos Núcleos Norte/Nordeste e Sul têm formação ou especialidades em áreas como: Engenharia Elétrica, Matemática, Estatística e Economia. Outro fator importante é o relacionamento direto com representantes dos Agentes, que encaminham as suas previsões periodicamente, de acordo com os cronogramas estabelecidos nos Procedimentos de Rede, para que o ONS possa fazer as devidas análises durante a consolidação das previsões da carga.

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A interação com os Agentes Edson Menegussi Barroso, engenheiro eletricista da Gerência de Operação do Sistema da EDP Escelsa, e Rafael Arsie Guimarães, engenheiro eletricista da Copel Distribuição, avaliam positivamente o relacionamento com o ONS. “A interação com o ONS é muito tranquila e aberta. Fui treinado no programa CPNE pela própria GMC1 e, se encontro alguma dificuldade com o programa, basta ligar. Imediatamente, eles procuram ajudar, analisando a situação e orientando na solução. Na elaboração das previsões de carga, quando necessário, busco orientação sobre a melhor forma de analisar os dados e executar revisões, tendo em vista a grande experiência do ONS, visando fornecer previsões com qualidade”, comenta Edson Menegussi. Já Rafael Arsie destaca a dinâmica do processo. “No início de cada ano, o ONS divulga um calendário com os prazos para envio das informações para o Programa Mensal da Operação (PMO) e para suas respectivas revisões semanais. A cada mês, o Operador reforça essas informações. A principal maneira de comunicação é por e-mail, mas as informações oficiais de cada Agente são cadastradas em ambiente específico da internet, no Sistema de Consolidação da Previsão de Carga para o PMO (SCPC). Na eventualidade da carga apresentar algum comportamento anômalo, os profissionais da GMC1 contatam o Agente para dirimir dúvidas em relação aos dados cadastrados. A dinâmica é funcional, sem burocracia, com atendimento cortês, rápido e de fácil acesso via telefone e/ou e-mail.” Além desse relacionamento cotidiano com os Agentes, foi criada a Comissão de Estudos de Previsão e Acompanhamento da Carga (Cepac). A comissão busca intensificar o relacionamento e a participação dos Agentes no desenvolvimento de metodologias de previsão e de acompanhamento da carga de energia elétrica. As reuniões da Cepac são periódicas e atendem às demandas levantadas pelo ONS e pelos Agentes. Mais informações no site do ONS: www.ons.org.br/ analise_carga_demanda/cepac.aspx


Este gráfico ilustra a mudança na curva de carga verificada na Copa das Confederações durante o jogo final: Brasil 3 x Espanha 0. A partida foi realizada às 19h, horário para o qual não havia exemplo para simular as variações nas curvas de carga, informação de grande importância para a operação em tempo real.

O capítulo do dia 18/11/2013 da novela “Amor à Vida” gerou um comportamento bem diferente de uma curva típica de segunda-feira, conforme pode ser observado. Às 22h51, o valor da carga era de 69.014 MW, e às 22h52, a carga saltou para 72.289 MW, havendo, portanto, uma tomada de carga de 3.275 MW, em 2 minutos.

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NA REDE

Aversão a risco remodelada Na reunião de setembro do Programa Mensal da Operação (PMO), foi oficialmente implantado o CVaR (Conditional Value at Risk), novo mecanismo de aversão a risco que permite uma operação energética segura, sem necessidade de procedimentos adicionais. Segundo Alberto Kligerman, Gerente de Metodologias e Modelos Energéticos do ONS, a ferramenta faz com que o custo médio dos cenários de afluência usados para a decisão hidrotérmica leve em conta uma ponderação diferente, na qual os cenários mais severos recebem maior peso. “Neste caso, a minimização deste custo médio resulta em uma geração térmica mais elevada, proporcionando maior segurança energética.” Estações chuvosas desfavoráveis entre 2011 e 2013 exigiram um despacho de geração térmica bem acima da indicada pelos modelos NEWAVE e DECOMP. Esses fatores foram determinantes para a adoção do CVaR. Considerando o impacto da geração adicional nos encargos de serviço do

sistema e, portanto, nas tarifas de energia elétrica, o Conselho Nacional de Política Energética determinou à Comissão Permanente para Análise de Metodologias e Programas Computacionais do Setor Elétrico (CPAMP) o desenvolvimento de uma metodologia para internalização de mecanismos de aversão a risco nos modelos para estudos energéticos e formação de preço. O mecanismo CVaR foi concebido por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre o ONS e a Universidade GeorgiaTech (EUA), iniciado em 2009. O trabalho realizado em 2013 envolveu especialistas do CEPEL, demais membros da CPAMP e, no caso do ONS, as Gerências de Metodologias e Modelos Energéticos, de Planejamento da Operação Energética e de Programação Energética. As novas versões dos modelos NEWAVE e DECOMP com o novo mecanismo incorporado foram autorizadas pela Aneel em agosto. O CVaR substitui a Curva de Aversão a Risco (CAR) e os Procedimentos Operativos de Curto Prazo (POCP).

ONS lança Código de Conduta Ética O novo Código foi desenvolvido a partir de um grupo de trabalho e validado pela Diretoria e pelo Conselho de Administração em dezembro. O documento está disponível no site do ONS. O Código foi construído a partir das características do ONS e alinhado aos valores organizacionais e seus princípios (recentemente reformulados), para reforçar os compromissos com seus colaboradores, fornecedores e demais públicos com os quais se relaciona, como: agentes, governo, órgãos setoriais e a sociedade, em última instância. “Esperamos que este Código de Conduta Ética do ONS possa orientar e ajudar os profissionais e parceiros de nossa organização em sua trajetória profissional, para que possam se reconhecer, pessoal e profissionalmente, pela integridade de suas ações, comprometidos em trilhar sempre o caminho ético em suas escolhas”, comentou o Diretor Geral Hermes Chipp.

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Uma nova agenda energética para América Latina e Caribe

Na abertura, o Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp, apresentou a palestra “Energia: uma visão sobre desafios e oportunidades na América Latina”, que mostrou uma reconfiguração espacial na produção e consumo de energia nos últimos vinte anos, decorrente de maior abertura nas economias, da demografia e do incremento da comercialização. Integração na América Latina foi um dos destaques do evento. “Precisamos adquirir confiança entre os países e isso se alcança com propostas efetivas dos governos e na convivência entre as pessoas.” – comentou Chipp.

Arquivo: Bracier

Cerca de 200 especialistas participaram da 48ª Reunião de Altos Executivos da Comissão de Integração Energética Regional (Cier) de 27 a 29 de novembro, no Rio de Janeiro. Com o tema “Desafios da indústria elétrica para a segurança energética e o desenvolvimento sustentável”, o evento contou com oito painéis e uma palestra do presidente do Instituto Ethos, Jorge Abrahão, sobre sustentabilidade.

A reunião marcou a saída de Chipp da presidência da Comissão, que ocupou por dois anos. Em seu lugar, assume Sandra Fonseca, presidente do grupo colombiano EEB. “Busquei continuamente a integração da América, uma crença pessoal. A integração física dos sistemas passa por um decisão que deve refletir a vontade política dos países. Esta semente plantada, certamente, nos dará frutos em um futuro breve. Acredito que a nova mesa diretora da Cier dará seguimento às ações nesta busca”, finalizou.

Presença marcante no SNPTEE O evento, coordenado pela Eletronorte, aconteceu entre 13 e 16 de outubro, em Brasília. A mesa de abertura contou com a presença do Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp. No total, foram apresentados no SNPTEE 473 trabalhos. Dois artigos do ONS foram premiados com a 2ª colocação: Proposta de requisitos mínimos para a aplicação de dispositivos limitadores de curtocircuito na rede básica, de autoria de Antonio Carlos Carvalho, Andreia Monteiro, Marianna Bacelar e Humberto Arakaki, e Desafios da integração elétrica dos sistemas isolados de Manaus e Macapá ao Sistema Interligado Nacional – Interligação 500 kv Tucuruí-Macapá-Manaus, de Ricardo Tenório, Daniele Motta, Eliane Silva, Leonardo Côrtes, Paulo Eduardo Quintão e Antônio Felipe Aquino.

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INTERNACIONAL

GO15: consolidação e muitos desafios em 2014 CEOs dos maiores Operadores de energia elétrica do mundo participaram da Reunião Anual do GO15 em Nova Iorque. Diretor Geral do ONS foi eleito o novo presidente para 2014, ano em que o grupo completará uma década de atuação.

A reunião anual do GO15 – grupo de 16 dos maiores operadores independentes de energia elétrica mundial – aconteceu entre os dias 28 e 30 de outubro em Nova Iorque, tendo como anfitriã a empresa americana PJM. Estiveram presentes representantes de todos os integrantes, entre eles, o Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp, e o representante operacional do ONS no GO15, Geraldo Pimentel. Um dos principais objetivos do encontro foi a definição dos desafios para 2014, ano em que o órgão completará dez anos de atividades. Atualmente, o GO15 desenvolve trabalhos focados principalmente em três macrotemas: ampliação da confiabilidade e da resiliência dos sistemas elétricos; integração das novas fontes renováveis de energia; e utilização dos ativos atuais e dos novos investimentos com foco em eficiência. Para lidar com esses desafios, o ONS está priorizando, entre as atividades do GO15 para 2014: a aplicação das PMUs (unidades de medição fasorial) no SIN; os requisitos para a integração

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DESAFIOS PARA 2014 • Aumento significativo do consumo especialmente nas economias dos países em desenvolvimento • Maior resiliência em sistemas energéticos devido a mudanças climáticas • Integração de novas energias renováveis (eólica, solar, biomassa) • Mudanças nos padrões de carga e Integração de veículos elétricos • Envelhecimento dos ativos de geração e transmissão • Maior complexidade da operação


O GO15 representa uma oportunidade única de conhecer as melhores práticas, os benefícios e dificuldades na adoção de novas tecnologias diretamente e sem custo, por meio da troca de informações com aqueles que operam o sistema em cada país.

Sobre o GO15 O GO15, anteriormente denominado VLPGO (Very Large Power Grid Operators), foi criado em 2004, em resposta a diversos blecautes que ocorreram ao redor do mundo. O objetivo do grupo é investigar questões fundamentais de interesse comum a seus membros, desenvolver planos de ação conjuntos e abordar a melhoria da segurança do sistema de energia. Em 2009, tornou-se uma organização sem fins lucrativos. Além do ONS, fazem parte as empresas AEMO (Austrália), CSG (China), ELIA Group (Bélgica), ESKOM (África do Sul), KPX (Coreia do Sul), MidWest ISO (EUA), National Grid (Reino Unido), PGCIL (Índia), Interconexão PJM (EUA), REE (Espanha), RTE (França), SGCC (China), SO UPS (Rússia), Tepco (Japão), TERNA (Itália). Juntos, os membros representam mais de 70% do consumo de energia mundial, fornecendo energia a 3.4 bilhões de consumidores.

ONS assume GO15 em 2014 No dia 29 de outubro, o Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp, foi eleito o presidente do GO15 para 2014. Ele substitui Terry Boston, presidente e CEO da PJM, que ocupará a vice-presidência, ao lado de Daniel Dobbeni, do Elia Group. Alain Steven permanece como secretário geral e tesoureiro do grupo.

Arquivo: GO15

de novas fontes renováveis à matriz elétrica, principalmente no que se refere à energia eólica; a transmissão de energia em HVDC por meio de longas linhas; a segurança da operação em regime dinâmico; e medidas preventivas que aumentem a capacidade do ONS de lidar com situações de distúrbio no sistema elétrico. Deverá ser ainda consolidado o relatório sobre critérios de segurança com base com nos custos de investimento comparados com os custos dos impactos no sistema interligado.

Chipp: "é uma grande honra e satisfação assumir pela segunda vez o GO15".

Missão: Alcançar consenso internacional em questões estratégicas. Desenvolver uma visão comum sobre as tecnologias e as melhores práticas do setor. Facilitar a implementação da Visão por meio de troca de informações, projetos conjuntos e cooperação com outras organizações internacionais. Visão: Ser um líder e um catalisador na transição da indústria de energia elétrica para a rede de energia do século 21.

propostos pelos CEOs nesta reunião. A declaração assinada neste encontro, por todos os membros, reflete justamente essa ideia”, afirmou Chipp em seu primeiro pronunciamento como presidente do grupo.

“Acredito que, nós, do GO15, cientes das recentes mudanças na indústria da energia elétrica, continuaremos a desempenhar um papel importante e definitivo para superar os desafios

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ARTIGO

Transparência ou morte Por Rodrigo Ferreira* O grito “transparência ou morte” parece familiar e nos remete a 1822. Mas estamos falando de tempos modernos, do que deve ser uma das motivações diárias desse agente setorial que completa 15 anos. Suas raízes remontam a uma época em que o setor era estatal e o Brasil uma ditadura. Mas o filho do GCOI já nasceu adaptado a um novo setor elétrico.

Infelizmente no Brasil a sociedade se dá conta da existência do setor elétrico apenas quando falta ou há a possibilidade de faltar energia. E sempre que a sociedade se volta para esse mundo, se depara com o ONS. E isso não acontece por que a culpa pela eventual falta da energia seja desse órgão, mas simplesmente porque ele é o coração do setor. Mas como atender a uma sociedade ávida por informação? Exercitando, diariamente, dois valores fundamentais: transparência e independência. O primeiro coloca à disposição de todos as informações necessárias simplesmente porque elas sempre estiveram onde deveriam estar, ou seja, públicas; o segundo porque confere a estas informações a credibilidade e o embasamento técnico que elas demandam. Mas se para a sociedade leiga, o ONS deve estar preparado para os momentos difíceis, para a indústria da energia elétrica o Operador deve estar preparado para todos os momentos. Suas informações são utilizadas para gerar negócios bilionários e para decidir investimentos fundamentais de expansão da nossa matriz elétrica. Para dentro do setor, deve prevalecer a previsibilidade, a consistência técnica e econômica das informações e decisões, e a profunda transparência sobre todos os aspectos, inclusive

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Arquivo pessoal

Na sua estrutura, o ONS carrega o DNA de agentes privados, nacionais e internacionais, e de agentes estatais, estaduais e federais. É, literalmente, a “casa” do setor elétrico onde a pluralidade traduz a sua essência.

relacionados à política energética, que envolvem a operação atual e futura deste imenso sistema interligado nacional. O site do ONS busca oferecer informações fundamentais para quem opera neste setor. A sua Diretoria tem participado ativamente dos debates promovidos pelo mercado. E, todos os governos, desde a sua criação, têm escalado, para as cadeiras de comando, técnicos altamente preparados e especializados no emaranhado de fios condutores que é este admirável setor elétrico nacional. Portanto, nestes 15 anos há de se comemorar, no ONS, a transparência e a independência conquistadas até hoje. Mas deve-se manter viva a consciência de que há ainda um caminho a percorrer e, diariamente, todos que colaboram com o coração deste setor precisam servir de guardiões destes valores que refletem a essência do nosso Operador Nacional do Sistema Elétrico. * Rodrigo Ferreira é jornalista especializado em energia elétrica, sócio fundador do Grupo CanalEnergia e do Centro de Treinamento e Estudos em Energia – CTEE.

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