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revista do

GO15: maiores do mundo traçam metas para 2013 pág. 4

ONS: mudança de ares pág. 6

Tucuruí-ManausMacapá: linha direta ao desenvolvimento pág. 8

Uma corrente contínua de energia O Si Simulador l d de d Sistemas Si t de d Corrente C t Contínua C tí referente ao Complexo do Madeira já está em funcionamento. pág. 10


EDITORIAL Uma publicação do:

Começamos o ano com muitas novidades positivas. A pauta da nossa Revista ilustra bem o momento atual do ONS.

Hermes Chipp Diretor Geral do ONS

O ano em que comemoramos o nosso 15º aniversário marca também uma fase de grandes mudanças e conquistas para o Operador Nacional e para o setor de energia elétrica.

Diretoria do ONS Diretor Geral: Hermes Chipp Diretor de Administração dos Serviços de Transmissão: Álvaro Fleury Diretor de Planejamento e Programação da Operação: Francisco Arteiro Diretor de Operação: Ronaldo Schuck Diretor de Assuntos Corporativos: István Gárdos

Acabamos de lançar a nova marca ONS. Foram promovidas alterações sutis, mas que conferem maior legibilidade, contribuindo para o fortalecimento de nossa identidade corporativa.

Comissão editorial: Gerente Executivo da Assessoria de Planejamento e Comunicação: Geraldo Pimentel Secretário Geral: Humberto Valle do Prado Júnior Gerente de Comunicação: Lúcia Helena Carvalho

Outro fato que contribuirá com esse fortalecimento é a mudança para as nossas novas instalações. Até o final do primeiro semestre, teremos novos endereços no Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis. Trata-se de um desejo antigo que torna-se, mais do que uma realidade, uma demonstração de maturidade institucional. A mudança para as novas instalações contribuirá para a superação dos grandes desafios que teremos pela frente. Em relação à expansão do SIN e à reconfiguração de sua matriz energética, vale a pena ler a entrevista com Xisto Vieira, membro do Conselho de Administração do ONS e coordenador da Comissão de Conselheiros instituída com o propósito de analisar o assunto e sugerir melhorias. Um trabalho criterioso, que apresenta conclusões e recomendações muito oportunas. Quanto aos desafios, estamos continuamente nos preparando para enfrentá-los: participando de fóruns nacionais e internacionais, trocando conhecimentos e experiências; capacitando nossas equipes continuamente; e trabalhando de forma integrada com os Agentes.

Jornalistas responsáveis: Adriana Goes (MTB 30884/RJ) Eneida Leão (MTB 31710/RJ) Edição e projeto editorial: Assessoria de Planejamento e Comunicação Projeto gráfico e diagramação: Jaqueline Marques Fotografia: Arquivo ONS, MPX, Ascom/CEA, Eletrobras Amazonas Energia, RTE e Rony Ramos Tiragem: 1.000 exemplares Endereço: Rua da Quitanda, 196 | Centro Rio de Janeiro | RJ | 20091-005 Tel.: (21) 2203 9580 www.ons.org.br Fale conosco: revistaons@ons.org.br


ENTREVISTA

Arquivo: MPX

Devemos ter uma matriz energética confiável

Em 2012, foi criada uma Comissão de Conselheiros do Operador Nacional, integrada pelo Presidente do Conselho de Administração, Maurício Bähr, por Valter Cardeal e Hermes Chipp, sob coordenação de Xisto Vieira, visando contribuir com o planejamento da expansão do SIN. O trabalho, consolidado no documento “Desafios e Propostas de Aperfeiçoamento dos Processos de Expansão da Geração e Transmissão”, foi aprovado pelo Conselho de Administração do ONS, na última reunião de 2012. Posteriormente, foi apresentado à Presidência da Empresa de Pesquisa Energética e ao Ministério de Minas e Energia. O coordenador do trabalho conta como foi essa experiência.

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ONS: Qual a principal motivação para a criação dessa Comissão e a realização desse trabalho? Xisto Vieira: Nas reuniões do Conselho, sempre havia debates e análises a respeito de algumas dificuldades operativas que vinham ocorrendo no SIN. E uma das formas de amenizar tais dificuldades seria verificar como o sistema planejado poderia ser mais aderente aos requisitos operativos. A partir de então, o Presidente, Maurício Bähr, sugeriu a criação dessa Comissão, prontamente referendada por todo o Conselho. É muito importante ressaltar que, em momento algum, se pensou em fazer algum tipo de crítica ao planejamento da expansão, mas somente sugerir aprimoramentos que aproximassem mais seus resultados reais dos requisitos de operações. ONS: Como foi a dinâmica de trabalho da Comissão? Como o senhor avalia essa experiência? XV: A dinâmica de trabalho da Comissão foi baseada em reuniões específicas para cada tema principal, e reunião para a consolidação do trabalho. Tal metodologia, neste caso em particular, foi muito interessante, pois permitiu interações e trocas de experiências entre especialistas e conselheiros, que possuem excepcionais conhecimentos de operação de sistemas de potência. A Comissão recebeu, analisou e discutiu contribuições de agentes representativos de todos os segmentos (geração, transmissão e consumo), sempre

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contando com o apoio técnico da Diretoria e do quadro de técnicos do ONS.

complementada por usinas hidrelétricas a fio d’água, eólicas e biomassa.

Realmente, foi uma experiência notável, tendo resultado em um trabalho bastante interessante. ONS: Quais foram as principais conclusões e recomendações? XV: O trabalho apresenta diversas conclusões e recomendações, sob forma de sugestão. Destaco somente as principais: • A importância de aprimorar as metodologias utilizadas nos leilões de energia nova, para melhor direcionar a matriz energética resultante, e, dessa forma, melhor atender a requisitos de segurança eletroenergética do SIN. Dentro de tal contexto, seria importante, por exemplo, colocar-se leilões por tipo de fonte e por região, de acordo com diretrizes emanadas do CNPE.

Praticamente todas as sugestões de aperfeiçoamentos nos sistemas atuais de leilões de energia nova apresentadas no trabalho são no sentido de aumentar a segurança eletroenergética do SIN. Com efeito, a tese principal é que a operação do sistema

• Cada tipo de fonte de geração apresenta características favoráveis e desfavoráveis. Não há “fonte perfeita”. Portanto, é sempre importante diversificar a matriz energética, levando em conta tais características, e acomodando da melhor forma aos requisitos de diversas naturezas (segurança eletroenergética, meio ambiente, “despachabilidade” das fontes, etc).

interligado deve

• Sob o ponto de vista de segurança eletroenergética, os tipos de fontes fundamentais são usinas hidrelétricas com reservatório, e térmicas de CVUs mais baixos. Dessa forma deve-se ter uma “matriz energética confiável” com presença de tais fontes,

eletroenergética, e com

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dispor de meios que permitam ao ONS o estabelecimento de planos e programas de operação dentro dos melhores padrões de segurança flexibilidade adequada.


• Em vista do processo de esvaziamento anual dos reservatórios, fica cada vez mais relevante a aplicação dos mecanismos operativos de segurança, tais como Procedimentos Operativos de Curto Prazo (POCP) e Curvas de Aversão a Riscos (CAR), com impacto direto no custo final da energia produzida. Evidentemente, a utilização de tais procedimentos seria minimizada com outra composição da matriz energética. • Para acomodar grandes montantes de energia intermitente no SIN, serão necessários estudos operativos bastante detalhados, além de alterações regulatórias. Por exemplo, podem ocorrer necessidades frequentes de desligamentos de “geradores na margem”, podendo afetar a integridade, vida útil ou economicidade da planta, se for uma planta térmica. São apresentadas diversas e detalhadas conclusões e sugestões de melhorias para a expansão da transmissão do SIN: a necessidade de melhor compatibilização dos cronogramas de geração e transmissão, levando em conta os fluxos de atividades e de prazos para a implantação de empreendimentos de geração e transmissão vencedores de leilões, em especial para leilões A-3 e de Reserva; a necessidade de melhorias no processo de tratamento das ICGs (Instalações Compartilhadas de Geração); as vantagens e desvantagens decorrentes do compartilhamento de instalações; os problemas de tarifas de transmissão e dos montantes de uso de transmissão (MUST), dentre outros.

ONS: Em que medida essas conclusões podem contribuir para a segurança eletroenergética do SIN? XV: De uma forma geral, praticamente todas as sugestões de aperfeiçoamentos nos sistemas atuais de leilões de energia nova apresentadas no trabalho são no sentido de aumentar a segurança eletroenergética do SIN. Com efeito, a tese principal é que a operação do sistema interligado deve dispor de meios que permitam ao ONS o estabelecimento de planos e programas de operação dentro dos melhores padrões de segurança eletroenergética, e com flexibilidade adequada. ONS: No final de 2012, esse trabalho foi apresentado, inicialmente, à Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Como foi a sua receptividade? XV: A apresentação do trabalho à Diretoria da EPE foi muito bem recebida. Isto faz parte de um processo interativo permanente que deve existir entre os responsáveis pelos processos de planejamento e operação. Esse processo interativo é de grande relevância para que os órgãos de planejamento possam dotar o SIN dos equipamentos necessários à realização de uma operação otimizada. Dessa forma, o trabalho foi discutido em detalhes pela Comissão e pelas Diretorias do ONS e EPE, com muito bons resultados. ONS: Posteriormente, o trabalho foi apresentado ao Ministério de

Minas e Energia (MME). Qual foi a avaliação do MME? XV: A apresentação ao MME foi a consolidação dessa integração planejamento/operação. Pelo que tivemos ocasião de constatar, o trabalho foi muito bem recebido pelo Ministro Edison Lobão e pelo Secretário Márcio Zimmermann. Nossa avaliação é que os principais pontos indicados no citado trabalho merecerão análises aprofundadas no âmbito do MME.

Para acomodar grandes montantes de energia intermitente no SIN, serão necessários estudos operativos bastante detalhados.

ONS: Agora, quais são as expectativas? Quais os desdobramentos esperados? XV: A partir de agora, acho que devemos aguardar os próximos leilões, que muito provavelmente trarão melhorias em relação aos leilões anteriores, referentes aos aspectos abordados no trabalho. E, a partir desses leilões, dar continuidade ao processo interativo planejamento/ operação, sempre indicando as dificuldades operativas do SIN, e como poderiam ser minimizadas a custos compatíveis.

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TENDÊNCIAS

Os representantes dos maiores operadores de energia elétrica mundial realizaram no final de 2012 sua 9ª reunião anual. Durante o evento, foi oficialmente formalizado o novo nome do grupo, que agora passa a se chamar GO15 – Reliable and Sustainable Power Grids.

NOVOS RUM

S

para os maiores do mundo A 9ª reunião anual do grupo de maiores operadores do mundo (ISOs), antes conhecido como Very Large Power Grid Operators (VLPGO), foi realizada nos dias 6 e 7 de novembro, na França, sob a coordenação da empresa Réseau Transport D’Electricité (RTE). Durante o evento, os 16 membros assinaram a declaração “Transição Energética e Adaptação de Sistemas de Potência”, na qual reconhecem que uma rede elétrica robusta é essencial para o desenvolvimento econômico e o bem-estar social. E se comprometem a facilitar a transformação e a adaptação do setor de energia e dos sistemas elétricos para tornar as redes elétricas mais confiáveis em todo o mundo. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi representado pelo seu Diretor Geral, Hermes Chipp, e pelo Gerente Executivo da Assessoria de Planejamento e Comunicação, Geraldo Pimentel. Na reunião, foram apresentados o andamento dos projetos e os resultados dos grupos de trabalho. Foram anunciadas também mudanças na Governança Corporativa: em 2013, a Presidência ficará a cargo do CEO da PJM dos EUA, Terry Boston, tendo como Vice-presidentes o CEO da RTE/França, Dominique Maillard, e o Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp. E, em 2014, Chipp assumirá a Presidência do GO15.

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Integração de energia eólica, HVDC e segurança foram alguns dos destaques Cada membro apresentou seus principais desafios estratégicos. Integração de energia eólica e solar, por exemplo, são assuntos importantes para todos, especialmente para os países nos quais essas fontes estão substituindo a geração a carvão. O sistema de corrente contínua em alta tensão (HVDC) também desperta atenção, seja dos países que têm sistemas em operação, construção e planejamento com longas linhas conectando carga e geração, como China e Brasil, ou dos que estão planejando sistemas para escoar e interconectar geração eólica, por exemplo. Outro aspecto destacado foi a segurança da operação e a importância do GO15 avançar nos trabalhos de DAS (Dynamic System Assessment), nas melhores práticas para lidar com impactos decorrentes de desastres naturais e nas medidas preventivas na fase de planejamento da operação.

O GO15 Criado em 2004, com sede em Pittsburgh (EUA), é uma organização sem fins lucrativos, cujo objetivo é investigar questões fundamentais de interesse comum a seus membros, desenvolver


Arquivo: RTE

Os 16 membros da associação representam mais de 70% da demanda de energia elétrica no mundo.

planos de ação conjuntos e abordar a melhoria da segurança do sistema de energia. Os participantes são: ONS, AEMO (Austrália), CSG (China), ELIA Group (Bélgica), Eskom (África do Sul), KPx (Coreia do Sul), MidWest ISO (EUA), National Grid (Reino Unido), PGCIL (Índia), Interconexão PJM (EUA), REE (Espanha), RTE (França), SGCC (China), SO UPS (Rússia), Tepco ( Japão), Terna (Itália).

o ONS tem participação e coordenação nos seguintes subgrupos do GO15. GT1 – Medição Fasorial: grupo de trabalho relativo à especificação e avaliação da aplicação de Phasor Measurement Units (PMU), sob a coordenação do engenheiro de Sistema de Potência da Gerência de Proteção e Controle Renan Giovanini;

Grupos de Trabalho com participação e coordenação do ONS

GT2 – Aplicações de Segurança: trata de assuntos referentes à segurança da operação e é coordenado pela Terna. Atua em duas frentes. A primeira se refere a requisitos funcionais para aplicações em segurança elétrica. Representam o ONS o Assessor da Diretoria de Planejamento e Programação da Operação, Paulo Gomes, e os especialistas Antônio Guarini e Sérgio Sardinha. A segunda, também a cargo de Paulo Gomes, trata de Custos da Expansão da Rede versus Segurança Elétrica e da definição de medidas preventivas no planejamento da operação.

Em busca da troca de conhecimentos e experiências,

GT3 – Integração de Renováveis: coordenado pela

Os 16 membros operam 2,272 bilhões km de linhas de transmissão e, anualmente, abastecem 10,219 milhões de terawatts/hora de eletricidade para mais de 3 bilhões de consumidores. Além de serem responsáveis pela integração de 527 gigawatts de geração renovável na rede, constituindo 21% da sua capacidade total de geração.

National Grid, concentra estudos sobre a integração das fontes renováveis de energia, com foco nos requisitos da integração, segurança e geração descentralizada. O ONS é responsável pela parte de eólica versus segurança, por meio do especialista Sérgio Sardinha. GT5 – Corrente contínua (HVDC): acompanha a evolução dos sistemas de corrente contínua e é coordenado pelo Gerente Executivo de Estudos Especiais, Proteção e Controle, Mauro Muniz. O foco em 2013 será a discussão de gaps da tecnologia de DC no mundo. Há também um grupo de comunicação, com a participação do especialista da Assessoria de Planejamento e Comunicação Tristão Araripe, que abrange: construção de uma posição estratégica, considerando a transformação da indústria; e o gerenciamento da comunicação em situações de crise. Além desses trabalhos de maior interesse, o ONS acompanha a evolução dos seguintes assuntos: flexiwatts, storage e carros elétricos; e SOS for PGO.

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MUDANÇA

O Operador Nacional do Sistema Elétrico começa 2013 preparando a mudança para as novas instalações, prevista para até o final do primeiro semestre.

Ano Novo,

novos ares

A partir de março, começa a execução do plano de mudança para os novos prédios do ONS, no Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis. O planejamento, desenvolvido pela Assessoria de Infraestrutura Predial (AIP), Assessoria de Administração Geral (ADG) e pela Gerência Executiva de Informática e Telecomunicações (GIT), com o apoio da Assessoria de Planejamento e Comunicação (APC), contempla a desmontagem, execução da migração, transporte e instalação nos novos escritórios. Esse processo conta, ainda, com a colaboração das demais áreas, inclusive das equipes regionais e, em especial, da DOP, devido às especificidades dos Centros de Operação. A logística foi programada em quatro etapas, que envolvem a transferência dos colaboradores, dos objetos de trabalho, dos equipamentos de TI corporativos e relativos à operação. "Dispor de instalações para uso exclusivo do Operador Nacional é um sonho antigo, almejado desde a nossa criação, que trará grandes benefícios. Para nós, foi extremamente importante contar com os espaços disponibilizados por Furnas, Chesf e Eletrosul,

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mas o ONS cresceu, assim como a complexidade de operação do Sistema Interligado Nacional. E, creio, será igualmente importante para essas empresas poderem contar com os espaços que serão desocupados pelo Operador Nacional”, avalia o Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp.

Como tudo começou Para que a mudança pudesse começar a ser organizada, foi preciso muito empenho e trabalho para transformar o sonho em realidade. A fase inicial do projeto destinou-se à elaboração e validação de um plano de necessidades do ONS. Com base nas estimativas de crescimento da organização, inicialmente para o horizonte de 2030, foi realizado um amplo levantamento. Após essa etapa, foram desenvolvidas pesquisas para identificar os melhores locais, visando às necessidades do Operador Nacional. Foi um árduo trabalho, que considerou as projeções referentes ao ONS e, também, o futuro das


localidades, tendo como perspectiva aspectos de segurança, adequação técnica e limites econômicos e orçamentários. O projeto foi desenvolvido de forma transparente por um grupo composto por representantes de todas as Diretorias do ONS, com a consultoria da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e o acompanhamento de uma Comissão do Conselho, coordenada por Wilson Pinto Ferreira Junior. “O processo foi bastante profissional, projetado com olhos no futuro, considerando o planejamento estratégico de longo prazo e aliando a competência e dedicação dos profissionais do ONS com o suporte da FGV. É certo que o investimento que fizemos no planejamento, envolvendo desde o início uma Comissão do Conselho, e por decorrência todos os conselheiros, permitiu chegarmos a uma solução eficiente e mais adequada em termo de capacidades, funcionalidades e custo”, avalia Wilson Ferreira Junior. No final de 2009, foram definidos os locais das novas instalações: os bairros de Cidade Nova e Santo Amaro, no Rio de Janeiro e no Recife, e o complexo Office Park, em Florianópolis. “As áreas selecionadas para abrigar o ONS nas cidades do Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis levaram em consideração diversos aspectos importantes, tais como: facilidade de acesso, infraestrutura existente, segurança e condições de meio ambiente. Sempre visando a um ambiente adequado aos nossos colaboradores”, complementa o presidente do Conselho de

Administração do Operador Nacional, Maurício Bähr. Foi também definido o melhor modelo econômico para os empreendimentos e selecionados os parceiros. A partir de então, passouse à fase de elaboração, negociação e assinatura dos protocolos de intenções com os empreendedores e foi dado início à produção de um memorial descritivo. Este documento registrou detalhadamente as características das futuras instalações. Em junho de 2010, foi assinado o contrato com a imobiliária responsável pelo empreendimento no Rio de Janeiro. E, em novembro, foram formalizados os contratos com as empresas encarregadas das construções no Recife e em Florianópolis. As contratações foram realizadas na modalidade built to suit, uma forma de contratação, ainda pouco comum no Brasil, cujas cláusulas envolvem peculiaridades técnicas, jurídicas e negociais.

Do conceito para o projeto As novas instalações foram projetadas a partir de premissas definidas pelo Conselho de Administração e a Diretoria e aprovadas pela Aneel. São elas: sustentabilidade, exclusividade, integridade do sistema e horizontalidade. A sustentabilidade está presente na adoção de uma estrutura “verde” em todos os novos prédios, com ambientes ecologicamente corretos, reduzindo o impacto no meio ambiente. Os prédios receberão certificação de Green Building, categoria básica, cuidando,

principalmente, dos requisitos de eficiência energética e reutilização de água. Já a exclusividade, há tanto tempo pretendida, com instalações destinadas apenas para o ONS, traduz-se em um ambiente mais seguro, que comportará uma infraestrutura adequada, permitindo que as informações circulem com mais liberdade e eficiência. Há, ainda, a vantagem de fortalecer a identidade institucional da organização. Além disso, os prédios foram projetados visando garantir a qualidade e a integridade do SIN. A infraestrutura foi especificada e contratada para atender a requisitos de confiabilidade e de continuidade dos processos sob a responsabilidade do ONS. “A mudança é, sem dúvida, um grande desafio. No Rio de Janeiro, a sua superação terá ainda outro valor agregado, de uma maior integração das equipes do Escritório Central e do Centro Regional de Operação Sudeste”, comenta o Diretor de Assuntos Corporativos do ONS, István Gárdos. A integração também será incentivada pela horizontalidade do projeto. Quanto mais horizontal é uma organização, mais fácil é a circulação de informações e pessoas. A horizontalidade das novas estruturas é uma das razões principais para a mudança, que deve gerar também uma maior interação entre todos os colaboradores e maior agilidade nos processos.

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ALTA TENSÃO

Uma interligação com o desenvolvimento O Amapá ainda é um dos poucos estados da Federação que não faz parte do Sistema Interligado Nacional. Temos um sistema isolado do resto do país e, internamente, temos dois sistemas isolados dentro do Estado. Nosso sistema estadual de energia integra 13, dos 16 municípios, que são atendidos, basicamente, por duas fontes: hidráulica e térmica. Contamos com a energia da Usina Hidrelétrica de Coaracy Nunes, com potência nominal de cerca de 60 MW, que atende a um terço da nossa demanda; e da UTE Santana, com capacidade de 160 MW, ambas da Eletronorte. A CEA conta, ainda, com mais 62 MW fornecidos por empresa contratada. Nossa companhia atende também aos dois sistemas regionais isolados: no Sul do Estado às cidades de Laranjal do Jari e Vitória do Jari, com 13 MW; e, no Norte, ao município do Oiapoque, com 7 MW. O primeiro ponto a destacar, em relação à interligação Tucuruí-Manaus-Macapá, é a segurança. Ao nos integrarmos ao SIN, teremos mais confiabilidade no fornecimento de energia aos nossos consumidores. O Amapá se beneficiará da diversidade da matriz elétrica nacional, tendo acesso a todas as alternativas que o Brasil possui, seja de origem hidráulica, térmica ou de fontes alternativas. Outra grande vantagem será o impacto positivo na economia do Estado. No momento em que tivermos energia firme, com qualidade e bom preço, iremos atrair investidores tanto para a indústria e a agricultura como para o setor de serviços. Isso terá um efeito multiplicador muito grande na nossa economia. A energia é um dos fatores indutores

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do desenvolvimento. E quando tivermos energia confiável, o Amapá entrará no mapa de estudos de grandes empresas. Socialmente, isso trará mais oportunidades de emprego, significando a inclusão de boa parcela da população, que hoje está desempregada ou no subemprego. Com as novas oportunidades, esses cidadãos terão mais acesso ao mercado e poderão sair da linha de risco social. A interligação trará também outra grande vantagem. Nosso Estado está sendo objeto de grandes investimentos na área de produção de energia. Temos três empreendimentos em andamento: as hidrelétricas de Santo Antônio do Jari, de Ferreira Gomes e de Cachoeira Caldeirão, fora a possibilidade de ampliação da hidrelétrica de Coaracy Nunes, quadruplicando a sua potência instalada. Com isso, o Amapá deixa de ser só consumidor e, daqui a quatro, cinco anos, poderá exportar energia. A interligação também viabilizará investimentos referentes à exploração do potencial eólico do Amapá. Enfim, entraremos em um novo patamar na história do desenvolvimento do nosso Estado.

José Ramalho Presidente da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA)

Arquivo: Ascom/CEA

José Ramalho


O principal projeto de transmissão em curso na região Norte, a interligação Tucuruí-Manaus-Macapá representa, na visão dos agentes envolvidos, uma perspectiva de desenvolvimento econômico e social. A interligação, além de possibilitar uma significativa redução de geração térmica local, com alto custo econômico e ambiental, permitirá a exportação de energia para outras regiões do país.

Hoje, somos um sistema isolado, com apenas uma hidrelétrica (Balbina), com um parque gerador majoritariamente térmico, com 40% da energia produzida com gás natural. Esse sistema isolado, com um número muito grande de geradores, acaba sendo instável e muito complexo de gerenciar e administrar. Temos mais de 500 geradores de todo o porte: de 50 MW a 0,9 MW. A interligação trará vários benefícios. Primeiramente, irá conferir mais estabilidade ao sistema. Além disso, a matriz energética que irá atender à Manaus e às cidades conectadas ao linhão passa a ser a disponível no Sistema Interligado Nacional (SIN), predominantemente hidrelétrica. Com isso, poderemos desativar as termelétricas a óleo de Manaus. Vamos passar a operar com usinas a gás, com a hidrelétrica de Balbina e todo restante da energia será proveniente do SIN, mais barata e confiável. Só para ter uma noção, todo o sistema de transmissão de Manaus é em 69 kV. Só temos o 230 kV que chega de Balbina e todas as linhas dentro da cidade são em 69 kV. Estamos fazendo uma série de subestações em 138 kV e 230 kV para receber a energia que virá do linhão. Com o anel em torno da cidade e linhas de 138 kV cortando Manaus, o sistema ganhará mais estabilidade e facilidade na operação. Essa garantia de estabilidade advinda com a interligação é um dos fatores positivos que vêm sendo considerados para a realização dos jogos da Copa do Mundo de Futebol em Manaus. Como cidade-sede é imprescindível que disponha de um sistema confiável. Estamos trabalhando com um

cronograma que prevê a entrada do linhão para maio ou junho de 2013 e, para antes da Copa ainda, teremos uma usina a gás natural de 580 MW. Até março ou abril de 2014, devemos ter duas máquinas de cerca de 180 MW cada, e fechamos o ciclo em 2015. Um ponto que vale destacar é o fato de que, com a interligação de Manaus, abrimos oportunidade para que em pouco tempo tenhamos várias outras cidades do interior do Amazonas interligadas. Essas cidades terão outro patamar de oferta de energia. São áreas isoladas até de Manaus. Vale lembrar que o Amazonas tem 103 áreas isoladas, com geradores que atendem às localidades e que não se relacionam entre eles. A chegada do linhão abre a oportunidade para essa interligação. Como temos uma potência instalada razoável, outra grande vantagem a considerar é o fato de podermos exportar energia ao Sistema Interligado. Num cenário como o atual, por exemplo, poderíamos enviar ao SIN cerca de 300, 400 MW, porque aqui está chovendo, a temperatura está baixa e temos excedente.

Tarcísio Estefano Rosa Diretor de Geração, Transmissão e Operação para a Capital da Eletrobras Amazonas Energia

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Arquivo: Eletrobras Amazonas Energia

Tarcísio Estefano Rosa

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CAPA

Uma cor

r com ente m

Em janeiro deste ano, o Simulador de Sistemas de Corrente Contínua, instalado no ONS, começou a atender às primeiras demandas dos Agentes. A ferramenta permite a realização de estudos envolvendo o sistema de transmissão associado às usinas do Rio Madeira.

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uitos elos

O dia 28 de janeiro vai ficar na história do Operador Nacional do Sistema Elétrico. Nesta data, foram iniciados os primeiros estudos no Simulador de Sistemas de Corrente Contínua, solicitados pela Estação Transmissora de Energia (ETE), uma das empresas responsáveis pelo sistema de transmissão das usinas do Rio Madeira. O Complexo do Madeira é composto pelas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, que têm uma potência instalada total de cerca de 6.500 MW em sua fase final. Para o escoamento da energia produzida por essas usinas, foi concebido um sistema de transmissão composto por dois bipolos de corrente contínua em ± 600 kV, que cobrem uma distância de 2.375 km até São Paulo, e duas conversoras Backto-Back, de 2 x 400 MW, instaladas em Porto Velho, para o suprimento local. “Estamos na fase de comissionamento e precisamos fazer estudos visando ao paralelismo dos dois bipolos, que são de

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fabricantes diferentes. O simulador facilita e agiliza muito o nosso trabalho”, comenta João Neves, Diretor Técnico da ETE.

• Sete cubículos de controle e proteção associados ao Bipolo 2, de fabricação Alstom.

A necessidade de instalar um equipamento como esse no ONS foi detectada durante o processo de elaboração do edital do leilão Aneel 007/2008, relativo à licitação para contratação do serviço de transmissão referente às hidrelétricas Santo Antônio e Jirau. Além de ser um projeto de forte cunho estratégico para o país, o empreendimento impõe grandes desafios, como a transmissão em corrente contínua. O único projeto similar no Brasil remonta ao início dos anos 1980, com a construção da usina binacional de Itaipu que, por não fazer parte da Rede Básica, não é operada pelo ONS.

“Provavelmente, teremos cubículos adicionais associados à Belo Monte, cuja tecnologia ainda desconhecemos, mas que possivelmente deverão demandar ampliação das instalações do Simulador para que possamos estudar a interação com os outros sistemas próximos”, comenta o Gerente de Metodologias e Modelos Elétricos do ONS, Marcelos Groetaers. Da definição do edital até o início efetivo das simulações foi um período intenso de trabalho.

A equipe do Simulador A equipe básica, formada por três profissionais lotados na Gerência de Metodologias e Modelos Elétricos, conta com especialistas em transitórios eletromagnéticos, programação científica e estudos envolvendo regime permanente e transitório dinâmico. São eles: Henildo Medeiros de Barros, Alex de Castro e Amélia Yukie Takahata.

“O Simulador permitirá a modelagem do sistema de corrente contínua. O equipamento será usado em conjunto com as ferramentas de simulação off-line, agilizando e trazendo maior precisão aos estudos”, comenta o Gerente Executivo de Metodologias, Modelos e Carga do ONS e responsável pela implantação do Simulador no ONS, Roberto Fontoura.

Esses profissionais tiveram de passar por uma fase intensiva de treinamentos. Foram realizadas capacitações específicas associadas ao hardware do RTDS, em nível básico e avançado. Foram também realizados treinamentos para a operação

A ferramenta permite realizar a simulação digital de transitórios eletromagnéticos e eletromecânicos em escala real de tempo, com capacidade suficiente para representação de todos os equipamentos de potência que fazem parte da transmissão em corrente contínua e da rede em corrente alternada próxima das estações conversoras. Trata-se de um conjunto composto de vinte e três cubículos, constituído de um equipamento central, o RTDS, e réplicas dos módulos de proteção e controle associados aos conversores do Bipolo 1, Bipolo 2 e Back-to-Back existentes nas Subestações Araraquara e Porto Velho.

Foto: Rony Ramos - Eletrobras Eletronorte

O conjunto, instalado no ONS, está distribuído da seguinte forma: • Equipamento Central – seis cubículos de fabricação RTDS (sendo quatro associados ao Madeira e dois à expansão feita pelo ONS, que possibilitará a realização de estudos futuros de interação entre os sistemas do Madeira e de Itaipu); • Quatro cubículos de controle e proteção associados ao Back-to-Back, de fabricação ABB; • Seis cubículos de controle e proteção associados ao Bipolo 1, de fabricação ABB; e

Subestação de Araraquara.

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dos equipamentos da ABB. Futuramente, a Alstom ministrará também uma capacitação relacionada aos seus equipamentos. O treinamento para uso da ferramenta de simulação off-line, PSCAD/EMTDC, a ser utilizada no suporte às atividades, foi também realizado em nível básico e avançado, e envolveu a equipe do Simulador e também áreas de estudos do ONS.

Os agentes A Porto Velho Transmissora de Energia (PVTE), responsável pelos empreendimentos do Lote “A” do leilão Aneel nº 007/2008; a Estação Transmissora de Energia (ETE), vencedora do Lote “C”, e a Interligação Elétrica do Madeira (IE Madeira), que conquistou o lote “F”, são os Agentes à frente da implantação do Simulador, em conjunto com o ONS e os fabricantes dos equipamentos. Essas empresas e áreas de estudos específicos do Operador serão os principais demandantes de uso dessa ferramenta.

Equipe que irá pilotar o Simulador: (da esq. para a dir.) Henildo Medeiros, Amélia Yukie e Alex de Castro.

Para Gilberto Siqueira, da PVTE, “o Simulador possibilita realizar em laboratório suposições de condições elétricas sistêmicas para a realização de estudos visando definir configurações e controles que otimizem a operação e previnam contingências, obtendo uma resposta rápida e muito próxima do desempenho real dos equipamentos em campo.” Técnicos da PVTE tiveram a oportunidade de participar junto com o ONS dos testes de fábrica. Na ocasião, foram realizados testes de desempenho dinâmico do Back-to-Back, antes do início dos testes de comissionamento em campo dos sistemas de proteção e controle, em Porto Velho. Esse acompanhamento, além de avaliar o desempenho dos sistemas de controle e proteção deste equipamento, possibilitou a familiarização com a plataforma de testes.

Conjunto de equipamentos que compõem o Simulador instalado no ONS.

“Com a entrada em operação dos conversores HVDC (High Voltage Direct Current), espera-se que o Simulador seja utilizado como ferramenta rotineira de análise para subsidiar os estudos de operação, as análises de ocorrência e para testes de desempenho dos sistemas de proteção e controle”, comenta Ulisses Massaro, engenheiro do Departamento de Operação da Eletrosul. A ETE, que “inaugurou” o Simulador oficialmente, também ressalta suas vantagens. Para o seu Diretor

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Técnico, João Neves, a ferramenta apresenta maior possibilidade de detalhamento na representação dos fenômenos e comportamentos dos equipamentos em campo. “O sistema do Madeira é inédito. Trata-se de um empreendimento marcado pela grandiosidade e os desafios são proporcionais à dimensão da obra. O Simulador será muito útil. Toda vez que for necessário fazer alterações na configuração do sistema, seja pela entrada de uma nova linha ou de um novo gerador, por exemplo, iremos requerer o apoio da ferramenta”, afirma.

recursos tradicionais (ferramentas computacionais off-line) são extremamente longos e de difícil conclusão. A utilização do Simulador de Corrente Contínua permitirá realizar tais estudos em tempo compatível com as necessidades existentes, e com maior exatidão dos resultados. Com toda certeza, pode-se dizer que este novo recurso permitirá agregar uma segurança adicional à operação do SIN.”

A IE Madeira prevê que, a partir de março, os equipamentos da Alstom já estejam disponíveis para uso nos estudos. “O fabricante está adequando os seus softwares para operação conjunta dos dois bipolos, o Bipolo 1 (ABB) e o Bipolo 2 (Alstom). Nossa expectativa é a de que em março esses softwares estejam disponíveis para as simulações. Essa ferramenta será fundamental para prover facilidades nos testes e estudos necessários ao Sistema de Transmissão do Madeira”, avalia o Gerente de Engenharia da IE Madeira, Benjamin Bijarano.

Os solicitantes internos Para o Assessor da Diretoria de Administração dos Serviços de Transmissão, Dalton Camponês do Brasil, "o sistema de transmissão está cada vez mais sendo constituído por elementos especiais, como elos de corrente contínua e equipamentos FACTS (Flexible AC Transmission System), que utilizam eletrônica de potência. Devido às características desta tecnologia, é difícil reproduzir por simulação em ferramentas tradicionais o comportamento destes equipamentos, principalmente pela demanda de tempo de simulação. Neste caso, é fundamental dispor de uma ferramenta como o Simulador de Corrente Contínua para realizar este trabalho", comenta. O Simulador auxiliará o desenvolvimento dos estudos internos realizados pelas diferentes áreas do ONS. Segundo o Assessor da Diretoria de Planejamento e Programação da Operação, Paulo Gomes, “o SIN, com a integração das novas instalações da Amazônia e seus sistemas de transmissão associados, apresentará uma crescente complexidade operativa. Ainda neste semestre, entra em operação o sistema de transmissão em HVDC do Madeira, daqui a pouco, Belo Monte. Os estudos a serem desenvolvidos para definir características e ajustes dos sistemas de proteção/ supervisão/chaveamentos/operação utilizando-se os

O Madeira chega a Araraquara, Itaipu chega a Ibiúna e, em breve, Belo Monte também deverá chegar próximo a essas áreas. Ou seja, serão injeções de grandes blocos de potência numa mesma área por meio de links em HVDC. “Será preciso verificar como será a interação entre essas várias conversoras chegando a regiões próximas umas das outras. E, mais do que isso, precisaremos analisar como será a interação da corrente contínua com a rede de corrente alternada que já está implantada”, adverte Roberto Fontoura. A Gerência Executiva de Estudos Especiais, Proteção e Controle será um dos principais usuários, particularmente nos estudos préoperacionais e de comissionamento, bem como nas análises de perturbações, nos casos em que se fizer necessária a representação fidedigna dos sistemas de proteção e controle. Já para a equipe da Gerência de Planejamento da Operação Elétrica, o Simulador auxiliará nos estudos elétricos de planejamento da operação, contribuindo para o aprimoramento das diretrizes para a operação elétrica nos horizontes quadrimestrais e anuais. Essa ferramenta trará ganhos qualitativos no âmbito do planejamento e permitirá explorar melhor os limites de transmissão entre regiões de forma segura. Para Delfim Maduro Zaroni, Assessor da Diretoria de Operação do ONS, "esta ferramenta deverá ser também utilizada para validação de procedimentos operacionais e para o treinamento das equipes de Tempo Real", complementa.

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GESTÃO

O

VALOR DO

DESENVOLVIMENTO Mais do que treinar pessoas, a experiência do ONS sobre o assunto tem demonstrado que é preciso atuar de forma estruturada, colocando em prática os valores organizacionais e reconhecendo o conhecimento de seus próprios colaboradores. O Plano Anual de Treinamento e Desenvolvimento do ONS, desenvolvido por sua Gerência Executiva de Serviços de Recursos Humanos (GRH), com a aprovação da Diretoria do Operador Nacional, parte dos seguintes pressupostos: desenvolver as competências corporativas, gerenciais e técnicas; privilegiar o aprendizado organizacional além do conhecimento individual; concentrar-se nas necessidades do negócio; ter como foco o público interno, estando também aberto ao externo; ir além do modelo de “sala de aula”, utilizando múltiplas formas de aprendizagem, como ações de rodízio e visitas técnicas, entre outras. Esse trabalho leva em conta o planejamento estratégico, os valores organizacionais, as metas estabelecidas na Gestão de Desempenho e os Planos de Desenvolvimento Individuais, bem como as práticas de mercado e a carência de determinados conhecimentos essenciais identificados no ambiente externo à organização. Neste contexto, uma das medidas adotadas é a promoção de parcerias com universidades e centros de pesquisa, visando suprir as carências identificadas. A ação conjunta com o Gesel/UFRJ no Programa Trainee e no Desenvolvimento de Engenheiros Plenos é uma iniciativa bem-sucedida. Mas, muitas vezes, são saberes

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Fernanda Roitman, Gerente Executiva de Serviços de Recursos Humanos.


que o próprio ONS detém e que podem ser compartilhados internamente. É o caso, por exemplo, do Mais Valor e do Compartilhar. O Mais Valor é um programa de desenvolvimento interno voltado à promoção de cursos de capacitação aos colaboradores do Operador, ministrados por seus próprios técnicos, sobre temas de interesse da organização, alinhados ao seu Planejamento Estratégico. “O programa tem um caráter formativo e caracteriza-se por ser um processo pedagógico contínuo. Tem sido uma experiência muito positiva. Os participantes têm acesso a conteúdos selecionados e relacionados à sua função no ONS. Por outro lado, para os colaboradores que ministram as aulas, trata-se de uma experiência muito gratificante. Eles têm sua competência reconhecida formalmente pela organização, além da possibilidade de integração e troca de experiências com outros profissionais. São técnicos muito experientes, com grande vivência no setor”, avalia a Gerente Executiva da GRH, Fernanda Roitman.

O Mais Valor (acima) e o Compartilhar (abaixo) são exemplos bemsucedidos de programas de treinamento ministrados por técnicos do próprio ONS.

Entre seus objetivos, o Mais Valor visa proporcionar à organização: profissionais mais bem preparados para o cumprimento de sua missão e de seus objetivos estratégicos; a garantia de continuidade do seu negócio; uma melhor gestão dos recursos materiais e humanos; mais agilidade para atender a novas demandas de capacitação de forma personalizada; e a valorização e integração de seus colaboradores. Já o programa Compartilhar visa promover a disseminação de conhecimentos sobre temas relacionados ao setor e ao ONS por meio de palestras realizadas também por técnicos da própria organização. O Compartilhar também tem um perfil formativo, porém menos aprofundado, e consiste em abordar assuntos técnicos para profissionais das áreas de suporte do Operador Nacional, com uma linguagem didática. A intenção é promover um melhor entendimento sobre o rebatimento desses temas nos processos de trabalho das áreas. As palestras são gravadas e os DVDs disponibilizados na Biblioteca.

para onde a empresa está indo e de que forma ela quer percorrer esse caminho. “O objetivo final de todo esse processo é garantir que o ONS cumpra a sua Missão, ampliando, desenvolvendo, retendo e disseminando o conhecimento organizacional, com uma melhor relação custo x benefício, e reconhecendo e valorizando as competências de seus colaboradores”, ressalta o Diretor Geral, Hermes Chipp.

“Precisamos estimular uma mentalidade e uma atitude de aprendizagem contínua. Procuramos mudar a visão das pessoas de que só o treinamento em sala de aula capacita”, comenta Fernanda Roitman. Para estruturar um plano anual de desenvolvimento como o do ONS, é preciso olhar

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NA REDE

ONS busca melhoria da previsão meteorológica e climática em parceria com a Cptec e Cemaden Com o objetivo de promover a realização de novos desenvolvimentos tecnológicos para o aprimoramento da previsão meteorológica e climática utilizada no planejamento da operação do SIN, o ONS tem buscado estreitar o relacionamento com os principais centros de referência nesta área no país, o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O projeto está alinhado a uma meta da organização que envolve o aprimoramento metodológico constante dos instrumentos para definição das políticas de operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), o que inclui a análise conjunta dos resultados das previsões de tempo e clima e das previsões de afluências às bacias do SIN. Em 19 de fevereiro, o Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp, e o Diretor de Planejamento e Programação da Operação, Francisco Arteiro, acompanhados pelas equipes técnicas da Gerência Executiva de Programação e Desligamentos e da Gerência Executiva de Modelos e Cargas, receberam a visita do Coordenador Geral do Cptec, Osvaldo Luiz Leal de Moraes, e do Chefe da Divisão de Operações do órgão, José Antônio Aravéquia. Foram discutidas oportunidades de desenvolvimento tecnológico

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Reunião com Cptec no ONS.

para a previsão de tempo e clima, com foco na melhoria das previsões de chuva e de temperatura. O tema vem sendo acompanhado pela Diretoria do ONS desde janeiro, quando houve uma visita ao Centro de Estudos, em Cachoeira Paulista. Desde sua criação, o ONS é usuário de informações de previsão meteorológica e climática fornecidas pelo Cpetc, que ao longo do tempo vêm sendo cada vez mais incorporadas aos processos de planejamento e programação da operação, influenciando na definição das políticas operativas para a otimização dos recursos eletroenergéticos. Um importante resultado desta parceria técnica vem sendo o uso de modelos “chuva vazão” para a previsão de afluências ao SIN, que têm como principal insumo a previsão de precipitação do modelo ETA, elaborada pelo Cptec. Nos dias 3 e 24 de janeiro, o Cemaden também foi visitado pelos Diretores e equipe técnica do ONS. Os especialistas Javier Tomasella e Marcelo Seluchi receberam os colaboradores e foram discutidas as previsões das condições meteorológicas de interesse para o SIN. Para o Diretor Geral do ONS, “o aperfeiçoamento da previsão meteorológica e climática é de fundamental importância, não só para as atividades da organização, como também para a segurança eletroenergética do país como um todo. Esse é o momento de estreitarmos nossa relação com o Cptec e o Cemaden”, garante.

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Segurança elétrica no centro dos debates O XII Encontro para Debates de Assuntos da Operação (Edao), realizado de 26 a 29 de novembro de 2012, em Brasília, teve mais de 300 participantes, e contou com paineis temáticos, apresentação de artigos, exposições e palestras. O Painel “Segurança Elétrica na Operação do SIN e das Instalações“ teve a presença do Secretário de Energia Elétrica do MME, Ildo Grüdtner, do Diretor Geral da Aneel, Nelson Hubner, do Presidente da Eletronorte, Josias Araújo, e do Diretor Geral do ONS, Hermes Chipp. O ONS apresentou oito artigos. O Diretor de Operação, Ronaldo Schuck, ministrou a palestra “Gestão estratégica para ampliação da segurança operacional em tempo real”. “Consideramos um sucesso a realização do evento. Julgamos atingidos os objetivos e, certamente, as constatações deste encontro deverão fornecer subsídios ao ONS e à grande parte dos Agentes para a internalização de conceitos, aprendizados e recursos apresentados pelos palestrantes e expositores”, afirmou.

Diretor Geral em reunião da Cier na República Dominicana Realizada em novembro de 2012, a reunião incluiu o encontro de altos executivos no VI Fórum Latinoamericano sobre Segurança Energética, Integração Regional, Desenvolvimento Sustentável, Inovação e Tecnologia e a 48ª reunião do comitê central da Comissão de Integração Energética Regional (Cier). Hermes Chipp, que é também o atual presidente da Cier, foi acompanhado pelo Assessor da Diretoria Geral, Marcelo Prais. Os principais objetivos da reunião foram promover a análise de três temas chave para a região: a segurança do suprimento, o crescimento sustentável e a integração energética. Segundo Chipp, a segurança passa pelo investimento na produção de energia em um ambiente de competição, pelo incentivo ao uso eficiente dos recursos e a condições favoráveis ao desenvolvimento tecnológico. “A segurança energética virá em alinhamento com o aproveitamento integral dos recursos disponíveis, sem descartar fontes e tecnologias, e sempre de forma sustentável com o ambiente e os fatores sociais”, afirmou. Na palestra “Informe setorial rumo a uma nova agenda energética para a reunião”, ele destacou que os países da América Latina e do Caribe, que representam 5,6% do consumo global de energia, têm buscado a eficiência energética.

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ARTIGO

Sistemas Especiais de Proteção – SEP: Testes de Desempenho e Procedimentos a serem adotados na sua Implantação/Revisão Por Paulo Gomes e Guilherme Cardoso Júnior (ONS) e Roberto Perret de Magalhães (PUC), trabalho apresentado no XI STPC - 2012 1. Introdução O sistema elétrico brasileiro, a despeito de ser concebido segundo o critério de planejamento (n-1), está sujeito a distúrbios de maior gravidade que podem até mesmo levá-lo a uma condição de blecaute, seja por causas naturais, seja pela intervenção humana. Visando minimizar as chances de ocorrência de um grande blecaute ou mesmo minimizar os seus efeitos, o ONS tem buscado estender a segurança elétrica do SIN além dos padrões normais, empregando SEP nos principais troncos de suprimento. Em função de atrasos de obras, também são utilizados SEP para atender condições de contingências simples no sistema até que as soluções estruturais sejam implementadas. Entretanto, como todo e qualquer dispositivo de proteção e controle, os SEP podem, quando solicitados a operar, apresentar uma atuação correta, incorreta ou uma recusa de operação. Há ainda os casos de atuação acidental, caracterizada quando o SEP atua quando da ocorrência de eventos que não dizem respeito a ele ou, até mesmo, sem a ocorrência de eventos. Assim sendo, é importante que todo o cuidado seja tomado de forma a que a confiabilidade dos SEP seja a maior possível, face às consequências para o SIN de sua atuação incorreta, recusa de atuação ou até mesmo operação acidental. Trabalhar visando assegurar o desempenho correto e adequado dos SEP é uma tarefa a ser perseguida continuamente, abrangendo desde a fase de concepção, passando pela sua implantação, comissionamento, operação e manutenção, bem como as atualizações de suas lógicas.É de fundamental importância o estabelecimento de procedimentos e testes de desempenhos a serem realizados quando de implantação e/ou revisão de SEP. Na definição da necessidade de realização de testes periódicos nos SEP devem ser levados em consideração os seguintes aspectos: • Os diferentes tipos de SEP; • A complexidade dos trabalhos a serem executados durante os testes; • Riscos de atuações acidentais dos SEP durante a realização dos testes; • Adoção de medidas especiais visando minimizar as consequências de atuações acidentais. Neste ponto, alguns aspectos relevantes devem ser considerados: • O artigo publicado na revista PAC WORLD de setembro de 2011, de autoria do engenheiro Alex Apostolov, não recomenda a realização de

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testes periódicos em SEP que utilizam modernas tecnologias, como, por exemplo, IED, que incorporam facilidades de automonitoramento. • Alguns SEP são constantemente solicitados a operar, como aqueles implantados no tronco de 765 kV associado à UHE Itaipu 60 Hz e na interligação Norte-Sudeste, e têm apresentados resultados de desempenho bastante satisfatórios, em outras palavras, são testados. • Os riscos de uma operação acidental durante a realização de testes, devido a falhas humanas. • Os SEP que utilizam tecnologias antigas merecem atenção especial devido à possibilidade de seu desempenho ser alterado ao longo do tempo, requerendo a realização de testes periódicos. 2. Informações sobre os SEP existentes no SIN 2.1. Evoluções dos SEP A utilização dos SEP no SIN iniciou-se em 1975. No período de 2002 a 2005, aumentou consideravelmente, atingindo o montante de 288 SEP instalados. A partir de 2005, com a entrada de reforços estruturais, o número de SEP instalados no sistema se estabilizou, sendo que nos últimos anos (2009, 2010 e 2011), houve uma ligeira queda, quando alguns SEP foram retirados de operação. Atualmente existem 273 SEP implantados no SIN. 2.2. Estatísticas do SEP A estatística das atuações dos SEP instalados no SIN, levando em consideração a complexidade de alguns esquemas, demonstra que seu desempenho pode ser considerado satisfatório (índice de atuações corretas maior que 92%). Entretanto, medidas preventivas e/ou testes peródicos poderão melhorar ainda mais a confiabilidade dos SEP. 2.3. Prática dos Agentes com relação a testes de SEP Visando obter subsídios para o estabelecimento de procedimentos a serem adotados na implantação e/ou revisão dos SEP, o ONS realizou consulta aos agentes, quanto às suas práticas relacionadas a testes em SEP. 3. Constatações Estão listadas a seguir as principais conclusões do trabalho realizado: 3.1. Necessidade de se fazer uma avaliação global em todos os SEP instalados no SIN para certificar-se da sua real necessidade sistêmica ou mesmo recomendar a sua desinstalação. 3.2. Os SEP instalados nas grandes interligações, a exemplo do tronco de transmissão em 765 kV, associado a UHE Itaipu e da interligação 500 kV Norte-Sudeste, vêm constantemente sendo solicitados a atuar e têm apresentado desempenho considerado satisfatório. 3.3. Devido às incertezas quanto às condições dos SEP após a realização de testes integrados, foi consenso que estes deverão ser realizados somente quando ficar evidenciada essa necessidade, nas seguintes situa-

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ções: muito tempo sem atuar e/ou alterações nas subestações envolvendo remanejamento de cargas.

Categoria 3: SEP cujas ações, durante perturbações, evitem/minimizem problemas localizados.

3.4. Necessidade de constante troca de informações entre as áreas de estudos e proteção das empresas e principalmente do ONS, uma vez que mudanças topológicas da rede podem resultar em recomendações de desinstalação ou adequações de SEP existentes ou na instalação de novos.

Atualmente, existem 273 SEP implantados no SIN.

3.5. Necessidade de se gerar um relatório de comissionamento de SEP, contendo os procedimentos e “check list” adotados para a realização dos testes, as anormalidades observadas, bem como as medidas corretivas implementadas, base para as manutenções e/ou verificações futuras. 3.6. Necessidade de se efetuar uma reavaliação/modernização dos SEP que estejam em final de vida útil/obsoletos, dotando-os de sistemas de supervisão e/ou automonitoramento. Entende-se por supervisão aquela realizada a nível superior, geralmente por um sistema de gerenciamento de dados, e automonitoramento aquele gerado em relação a componente, podendo ser incluído no sistema de supervisão. 3.7. A execução de testes de SEP mais complexos apresenta grande dificuldade na fase de programação e execução e são realizados com os mesmos fora de operação, devido aos riscos de desligamentos acidentais envolvidos. Neste caso, há necessidade de se reprogramar o sistema, podendo inclusive existir situações com necessidade de gerar térmica como forma de garantir a segurança do SIN. 3.8. Testes sistemáticos ou rotineiros para todos os SEP podem elevar o número de suas atuações acidentais e não são garantia de disponibilidade dos mesmos. 3.9. Necessidade de se definir, junto à Aneel, procedimentos que resguardem os interesses dos Agentes no tocante às indisponibilidades das funções de transmissão decorrentes de desligamentos indevidos durante execução de testes ou manutenções preventivas em SEP.

Existem implantados no sistema SEP que empregam tecnologias antigas como também tecnologias modernas, do tipo IED, que já incorporam facilidades de automonitoramento. 4.2 Procedimentos Gerais A adoção de novos procedimentos preventivos pode contribuir para uma melhoria do desempenho dos SEP implantados. A seguir, tem-se um conjunto de procedimentos, de caráter geral, que contribuem neste sentido. Todos os novos SEP, antes de entrarem em operação, têm que passar por um conjunto de testes de comissionamento, sem necessariamente comandarem a abertura dos respectivos disjuntores. Os Agentes responsáveis deverão elaborar um “Relatório de Comissionamento do SEP” a ser enviado ao ONS contendo: o descritivo do SEP, os testes realizados, as anormalidades encontradas e suas correções. As revisões das lógicas (algoritmos) dos SEP em operação também têm que passar por um conjunto de testes de comissionamento, que não envolvem necessariamente a abertura de disjuntores, também com a emissão, pelo Agente responsável, do “Relatório de Comissionamento do SEP” a ser enviado ao ONS contendo os mesmos itens do caso anterior. A simples troca dos ajustes dos relés de proteção que fazem parte do SEP, não implica na necessidade de realização do teste integral. Porém, qualquer alteração no SEP deverá ser acordada previamente com o ONS, conforme procedimentos vigentes. O ONS gerencia os SEP instalados no SIN por meio de um banco de dados disponibilizado na sua página na Internet. Conforme Procedimentos de Rede, é responsabilidade dos Agentes encaminhar ao ONS as atualizações, sempre que houver alguma alteração nos SEP em operação, bem como encaminhar a versão “como construído” de um novo SEP.

3.10. A grande maioria dos Agentes não realiza testes periódicos nos SEP.

Categoria 1: SEP envolvendo interligações regionais para evitar/minimizar a ocorrência de grandes blecautes.

4.3 Procedimentos para as Categorias 1 e 2 As lógicas dos SEP que atuam com determinada frequência, as que possuem automonitoramento e as supervisionadas pelo SAGE não necessitam de testes periódicos. Quanto aos demais SEP em operação classificados nas categorias 1 e 2, os testes deverão ser executados, sob a coordenação do ONS quando: • De manutenções preventivas periodicamente, no todo ou em parte, em conformidade com os procedimentos internos dos Agentes; • Constatado o seu desempenho não satisfatório e recomendado por meio do Relatório de Análise de Perturbação - RAP de acordo com programação estabelecida em conjunto com o ONS; • O Agente responsável suspeitar de alguma anormalidade no SEP; • De remanejamento de cargas disponibilizadas para corte pelo SEP, após as devidas validações pelo ONS/Agentes, ou outras adequações de lógicas recomendadas pelos órgãos de estudos, de acordo com programação estabelecida em conjunto com o ONS.

Categoria 2: SEP cujas ações têm por objetivo evitar que determinadas perturbações possam acarretar consequências que afetem pelo menos dois estados/capitais que levam ao corte de carga superior a 500 MW.

4.4 Procedimentos Categoria 3 Para os SEP classificados na categoria 3, os Testes dos SEP em operação deverão ser executados e coordenados pelos Agentes, quando:

3.11. Necessidade de permanente atualização do Banco de Dados de SEP, retirando os desativados e informando sobre revisões efetuadas. 4. Sistemática a ser adotada De acordo com os dados, considerações e constatações do trabalho, foi então proposta a sistemática, descrita a seguir, a ser adotada pelo ONS. 4.1. Classificação do SEP Com o objetivo de se definir as responsabilidades pela coordenação dos trabalhos relativos aos testes, que porventura venham a ser necessários, estabeleceu-se a seguinte classificação dos SEP:

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• De manutenções preventivas, no todo ou em parte, em conformidade com os procedimentos internos dos Agentes; • Constatado o seu desempenho não satisfatório ou quando houver suspeita de alguma anormalidade no SEP; • De adequações de lógicas recomendadas por estudos, sob coordenação do ONS. • De remanejamento de cargas disponibilizadas para corte pelo SEP, após as devidas validações pelo ONS/Agentes. • Houver recomendação no RAP para a realização de teste específico.

gem da recomendação;aprovação prévia pelo ONS, que deverá preparar o sistema. 5.2 Quanto à realização dos testes por categoria Em função das análises efetuadas em relação à realização de testes para agregar maior confiabilidade à sua operação, os seguintes procedimentos foram identificados:

4.5 Relatórios Para os SEP classificados nas categorias 1 e 2, os Agentes responsáveis deverão enviar para o ONS “Relatório de Comissionamento do SEP” contendo uma descrição dos testes realizados. 4.6 Adequação/Desinstalação de SEP Todas as vezes que for identificada a necessidade de adequação ou desinstalação de SEP por qualquer alteração de ordem sistêmica, os Agentes envolvidos deverão ser imediatamente comunicados para as devidas providências. Nestes casos, o ONS deverá realizar as devidas atualizações no Banco de Dados do SEP. 4.7 Modernizações Para os SEP em operação que venham a passar por um processo de modernização, sempre que possível, o hardware existente deverá ser substituído por outros mais modernos, que possuam automonitoramento e um sistema de supervisão que permita o acompanhamento das condições operativas do SEP. 5. CONCLUSÕES 5.1 De caráter geral De forma a contribuir para aumentar a confiabilidade do desempenho dos SEP, os seguintes procedimentos se mostram necessários: • Todo SEP a ser implantado deverá passar por teste de comissionamento. O mesmo procedimento deverá ser adotado quando um SEP desativado retornar à operação. • Por se tratarem de recursos sistêmicos, os SEP são definidos e suas implantações concebidas em reuniões conjuntas do ONS x Agentes. Uma vez instalados, não deverão ser alterados ou executados quaisquer serviços de manutenção sem que haja o envolvimento do ONS para que a segurança elétrica do SIN não seja comprometida. • Do ponto de vista de estudos, os SEP deverão ser avaliados periodicamente pelo ONS em conjunto com os Agentes para verificar a necessidade de atualização das lógicas ou mesmo a sua desinstalação. • O ONS deverá encaminhar solicitação à Aneel no sentido de regulamentar testes em SEP e as consequências de suas atuações acidentais. • Os SEP para contingências simples devido a atraso de obras, implantados provisoriamente, quando desativados deverão ser totalmente desinstalados. • Na realização dos testes, as equipes deverão contar com a participação de especialistas de proteção e comunicação, tanto durante o processo de elaboração das rotinas de testes, sob a coordenação do ONS, quanto durante a realização dos testes propriamente ditos. • Os testes a serem realizados deverão ser cadastrados no SGI, conforme procedimento vigente e deverão conter as seguintes informações: avaliação de risco de desligamentos acidentais; finalidade dos testes e ori-

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Em todos os casos, os Agentes deverão encaminhar para o ONS relatórios detalhando os testes realizados e, anualmente, o ONS consolidará em um relatório todos os testes de SEP realizados naquele ano, que será disponibilizado a todos os Agentes e encaminhado à ANEEL. 5.3 Relatórios de Acompanhamento de Testes de SEP Evidentemente que o processo como um todo deverá ser complementado com a realização de relatórios de acompanhamento a serem elaborados pelos Agentes, contendo as descrições dos testes realizados, as anormalidades eventualmente encontradas, bem como as providências tomadas, ficando a cargo do ONS a consolidação dos relatórios dos Agentes em um único documento, com as principais constatações e ações tomadas. De forma a se obter uma visão global sobre o desempenho dos SEP, o ONS, ao final de cada ano, a partir de dezembro de 2012, deverá emitir um relatório com o seguinte conteúdo: relação dos SEP existentes no início e ao final do período; relação dos SEP implantados; relação dos SEP desativados; relação dos SEP desmontados; relação dos SEP revistos; estatística de atuação dos SEP; testes realizados nos SEP; providências e ações referentes aos SEP. 6. REFERÊNCIAS • Artigo publicado na revista PAC WORLD de setembro de 2011, de autoria do engenheiro Alex Apostolov. • Artigo publicado pela PJM, em 16 de novembro de 2011, Section 17, sobre Requisitos de Instalação de SEP. • P.Gomes,G.Cardoso, S.Sardinha "Brazilian Experience with System Protection Schemes" - IX SEPOPE, Rio de Janeiro 2004. • P.Gomes, G.Cardoso Reducing Blackout Risk by System Protection Schemes - Detection and MItigation of Critical System Conditions, Bienal CIGRÉ 2006, Paris, França. • P.Gomes, H.Chipp, J.M. Ordacgi,S. Sardinha " Brazilian Defense Plan against Extreme Contingencies" CIGRÉ/IEEE - PES International Syposium - Quality and Security of Electric Power Delivery Systems, 2003 - Monteal, Canada.

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